terça-feira, 9 de junho de 2026

Sobre a polémica Leclerc/Brembo


O GP do Mónaco não acabou bem para Charles Leclerc, e no final da corrida, procurou-se pela causas do acidente que ele teve na curva Antony Noghés, antes da reta da meta. E se o asfalto começou a descozer-se por ali, causando uma paragem na corrida, para remover o asfalto que estava a descolar-se, no final da prova, Charles Leclerc também disse que teve problemas com os travões (ou freios, se está a ler isto no Brasil). 

No final da corrida, extremamente frustrado, o piloto monegasco afirmou que só conseguiu travar com os da frente, em vez de também travar com as rodas traseiras. “Toco nos travões e… os dianteiros travaram muito mais do que pensava, enquanto os traseiros não tiveram qualquer desaceleração”, afirmou o piloto, acrescentando que parecia não ter travões atrás.  “Fiz figura de parvo. Quando a culpa é nossa, tudo bem, mas isto é no limiar do perigoso”, continuou, afirmando que em Barcelona iria usar a configuração adotada por Lewis Hamilton.

Mais tarde, Leclerc continuou a afirmar a falha nesses travões, afirmando que, com base na telemetria, três desses quatro não reagiram, com o quarto a reagir parcialmente, explicando que o problema se agravou drasticamente com a quebra de temperatura durante o período de Safety Car e que os dados recolhidos pela equipa técnica não deixam margem para dúvidas.


A Brembo, marca que fornece os seus travões à Ferrari... desde 1975, veio logo a público afirmar que as acusações eram prematuras e que ainda não poderia dar uma explicação para o acidente, defendendo que qualquer avaliação técnica definitiva exige um exame minucioso da telemetria em conjunto com os engenheiros da Scuderia.

O Grupo Brembo expressa grande surpresa relativamente ao que aconteceu a Charles Leclerc durante o Grande Prémio do Mónaco e está muito surpreendido com as declarações feitas pelo piloto após a corrida.", começou por afirmar no comunicado oficial. "A parceria entre a Brembo e a Scuderia Ferrari prolonga-se há mais de 50 anos e estende-se também a outras marcas do Grupo, como as embraiagens da AP Racing e os amortecedores da Öhlins, confirmando a força e a amplitude desta colaboração.”, continuou.

A empresa, que atualmente fornece tecnologia de travagem a todos os monolugares da grelha de Fórmula 1, reforçou em discurso indireto que ainda desconhece as causas exatas das anomalias relatadas por Leclerc, vincando ser prematuro avançar com pareceres antes de sentar os seus especialistas à mesa com a estrutura técnica da Ferrari.

Em situações como esta, é necessário examinar os dados da telemetria juntamente com os engenheiros da equipa, a fim de identificar com precisão a origem do incidente”, concluiu.

Para adensar o mistério, soube-se, pela imprensa italiana, que Hamilton tem uma solução diferente da de Leclerc. Desde março, alturas do GP do Japão, que o britânico usa discos da Carbon Industries, mantendo as pinças da Brembo. E ele tinha andado toda a pré-temporada a pressionar a Ferrari a usar esses discos no sentido de melhorar a sensibilidade na travagem, porque eram esses os travões que usava nos tempos da Mercedes. Provavelmente, aquilo que o que Leclerc fará será isso mesmo: deixar os discos da Brembo de lado. E se em Barcelona, neste final de semana, resolver o problema, então a relação fica muito mais tremida.


Tudo isto acontece numa altura em que Leclerc e a Ferrari acabaram de renovar o seu contrato por mais algumas temporadas, e o piloto de 28 anos ainda acredita que poderá ser ali que conseguirá o título mundial que anda à procura. É esperar para ver: se ele sair satisfeito, é uma coisa. Contudo, se as dificuldades persistirem, a Ferrari será obrigada a procurar explicações mais profundas para um comportamento que continua a afastar o seu principal piloto da luta pelos primeiros lugares.

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