terça-feira, 16 de junho de 2026

WRC: FIA anunciará novo promotor até Julho


A FIA anunciou esta terça-feira que o WRC terá um novo promotor até ao inicio do próximo mês, ou seja, dentro de três semanas, no máximo. Em Le Mans, onde assistiu à corrida de 24 Horas, Mohammed Ben Sulayem afirmou que está a negociar pessoalmente com esse novo promotor e que o contrato será de longa duração, mais do que sete anos.

"Nos próximos dias, vou concluir questões relacionadas com uma das áreas que mais me apaixona, nomeadamente os ralis. O futuro do WRC ficará definido dentro de três semanas. Podem escrever isso. Se não acontecer, a responsabilidade será exclusivamente minha", começou por afirmar Ben Sulayem à publicação francesa Auto Hebdo.

Em relação à duração, o presidente da FIA falou sobre isso, e porque deseja que dure mais do que os sete anos inicialmente previstos. Nos bastidores, fala-se que o favorito terá o poio da Red Bull e será liderado por Eric Bouiller, ex-diretor desportivo da Renault, Lotus GP e McLaren. E que o WRC seja uma competição acessível e económica. 

"Um novo carro custará cerca de 350 mil euros e o orçamento de uma equipa oficial com três carros deverá situar-se entre os 25 e os 30 milhões de euros por época. Já não estamos a falar de orçamentos anuais de 70 milhões de euros, o que torna o Campeonato do Mundo de Ralis mais acessível aos construtores", começou por falar. "Também custa menos organizar os ralis. A FIA está a investir dinheiro nos ralis e o formato do Campeonato do Mundo está a mudar. Estamos a trabalhar em estreita colaboração com o novo promotor para desenvolver as transmissões televisivas e as soluções de comunicação.", continuou.

"Neste momento, vários construtores já manifestaram interesse em entrar no Campeonato do Mundo, mas assim que a questão do promotor estiver resolvida, o processo deverá acelerar. Esperamos atrair pelo menos cinco marcas para o campeonato num futuro próximo", concluiu o homem que lidera os destinos da FIA.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

As imagens do dia



Desde meados do ano passado que Kalle Rovanpera decidira fazer a transição para os monolugares, depois de uma carreira recheada de sucessos no WRC, culminando com dois títulos mundiais, em 2022 e 2023. Aos 25 anos de idade, parecia ser muito tarde para tentar a sua sorte nas pistas, ainda por cima, com um 2026 dedicado à SuperFormula japonesa. Pelo menos, era esse o plano inicial. 

Contudo, no final do ano passado, descobriu-se que o piloto finlandês tinha um problema sério de saúde, devido a um desiquilíbrio no ouvido interno, que fez parar a sua temporada na temporada neozelandesa da Toyota Series, e o obrigou a retirar-se, em meados de março, da preparação da temporada de 2026 da SuperFormula japonesa. Desde então, ele fazia essa recuperação física no Instituto Finlandês de Desporto de Alta Performance, (KIHU), sediado em Jyväskylä, no centro da Finlândia, e esta segunda-feira, anunciou que Rovanpera está a recuperar positivamente em termos físicos, já retomou a preparação física ativa e obteve a validação clínica necessária para voltar a testar em pista. 

"O bicampeão mundial FIA de ralis está pronto para continuar a perseguir os sonhos dele na competição em parceria com a Toyota Gazoo Racing depois de fazer um forte progresso na recuperação ao longo das últimas semanas", disse a Toyota, no seu comunicado oficial.

Estou muito feliz por poder voltar finalmente ao volante. Foi um período difícil, mas sempre acreditei que conseguiria recuperar totalmente. Agradeço à Toyota o apoio incondicional e também aos fãs, que nunca deixaram de me enviar mensagens de incentivo”, declarou o piloto, numa conferência de imprensa que aconteceu nesta segunda-feira em Helsínquia, que tinha a seu lado o director desportivo da Toyota Gazoo Racing, Jari-Matti Latvala.

Nesta mesma conferência de imprensa, Latvala sublinhou a sua determinação para recuperar a saúde e retomar a sua carreira: “A saúde do Kalle esteve sempre em primeiro lugar. Agora que está recuperado, estamos ansiosos por vê-lo demonstrar o seu talento nos circuitos. Ele é um exemplo de determinação e paixão.”, afirmou.

Apesar de, neste comunicado, não terem sido anunciados mais pormenores sobre esse regresso à competição, há algumas semanas, Rovanpera participou num evento de "drift", do qual não se queixou de qualquer complicação de ordem física. Contudo, toda a gente sabe que o seu grande objetivo é estar em forma para as corridas de SuperFormula, que quererá fazer em 2027.

Só que, como foi dito acima. Rovanpera está a caminho dos 26 anos, e quer fazer uma volta de 180 graus na sua carreira, depois de quase uma década no WRC, onde mostrou todo o seu talento ao serviço da marca japonesa, que o está a apoiar nesta sua transição para as pistas. 

Norris avisa: A Ferrari tornou-se na referência do pelotão


Lando Norris deixou um aviso após o GP de Espanha e a vitória de Lewis Hamilton: a Ferrari tem tudo para ser a referência absoluta do atual pelotão da Formula 1. Segundo o campeão do mundo de 2025, os carros de Hamilton e de Charles Leclerc já possui o carro mais competitivo nas curvas e apenas uma limitação de potência impede um domínio mais evidente, apesar da Mercedes ter ganho todas as corridas até à prova de Barcelona.

 “Temos sorte que a Ferrari não tenha um motor melhor neste momento. Se tivesse um motor melhor, estaria a dominar. Eles são a referência do pelotão em termos de desempenho em curva neste momento”, começou por afirmar Norris após a corrida catalã.

O piloto da McLaren, e atual campeão do mundo, foi ainda mais longe na avaliação da ameaça representada pela Ferrari, admitindo que a diferença actual ao nível do chassis é significativa para a sua equipa.

Nós nem sequer estamos perto deles. Essa é a realidade. Estamos muito, muito longe de onde precisamos de estar. Se eles conseguirem melhorias no lado do motor, vão envergonhar toda a gente. Precisamos realmente de nos concentrar e perceber que melhorias podemos fazer.”, concluiu.


Tudo isto acontece depois da Scuderia ter estreado a evolução do seu chassis neste final de semana. Com oito atualizações, o carro tornou-se melhor em termos de comportamento do monolugar, sobretudo em curva, colocando a equipa de Maranello numa posição que impressionou os adversários, mesmo com as ajudas de Hamilton em termos de Virtual Safety Car, durante a corrida.

Para além disso, a Ferrari foi beneficiada no sistema ADUO, criado pela FIA, onde na avaliação mais recente, o seu motor era quatro por cento inferior à referência estabelecida pela Red Bull Powertrains, e com isso, poderá colocar duas evoluções do motor nesta temporada e outras duas em 2027, logo, aumentando as chances de competividade dos carros vermelhos.

domingo, 14 de junho de 2026

As imagens do dia






No fim de semana cheio de corridas como as 24 Horas de Le Mans e o GP de Espanha de Formula 1, passou despercebida a data onde, há meio século, em 1976, um carro de seis rodas ganhou uma corrida, graças ao sul-africano Jody Scheckter. Sim, isso aconteceu, e foi no circuito de Andestorp, na Suécia. E ainda por cima... foi uma dobradinha! 

Sabia-se desde a estreia do carro, em Jarama, que a ideia de um carro com seis rodas, para ganhar aderência nas rodas da frente e evitar o subviramento, tinha... rodas para andar, e desde a sua estreia que o carro não tinha desiludido. Ambos os pilotos subiram ao pódio na corrida anterior, no Mónaco, com o sul-africano a ser o segundo, à frente do piloto francês. 

Para a corrida sueca, em Anderstorp, parecia que a pista era favorável ao carro. Com longas retas - a oposta aproveitava... uma pista de aviação! - e longas curvas, Scheckter deu-se bem, conseguinhdo a pole-position, batendo o Lotus de Mário Andretti por 349 centésimos, e - de modo surpreendente - o Ensign de Chris Amon por 504 centésimos. Todos na frente de Patrick Depailler, quarto, e na frente de Niki Lauda, o líder do campeonato.

Na partida, Andretti foi melhor que o sul-africano e ficou com a liderança. Scheckter seguiu-o de perto, tal como Amon, Depailler e Lauda. Contudo, pouco depois, os comissários decidiram que o italo-americano tinha sido demasiadamente rápido e fora penalizado em um minuto. Ele tentou afastar-se do pelotão, mas enquanto fazia isso, esforçou demasiadamente o seu motor e acabou por o explodir, na volta 45, deixando a Lotus sem ninguém, já que Gunnar Nilsson, que tinha partido de sexto no seu primeiro GP caseiro, sofrera um acidente e o seu carro ficou danificado de forma irremediável.

Parecia que Chris Amon ia a caminho de um pódio quando sofreu um acidente na volta 38, fazendo com que Lauda herdasse a terceira posição, mas dali até à meta, as coisas não se alteraram, fazendo com que a Tyrrell ganhasse uma dobradinha, dois anos depois de ter conseguido com o chassis anterior, o 007, e também com Scheckter a ser melhor que Depailler. James Hunt foi quinto, com o Ligier de Jacques Laffite a ficar entre eles.

Mas Lauda, terceiro, alargava ainda mais a sua liderança, apesar da vitória de Scheckter. 32 pontos na frente do sul-africano, e a pontuar pelo 17º Grande Prémio seguido, parecia ter tudo controlado, contando as corridas até renovar o seu título mundial.   

Formula 1 2026 - Ronda 7, Catalunha (Corrida)


A pista da Catalunha, construída em 1991, a tempo do GP de Espanha, em outubro, ganhou a reputação de ser uma corrida aborrecida, porque máquinas e pilotos habituaram-se tanto a testar ali que se tornou numa pista sem segredos. Contudo, em 2026, ela perdeu o estatuto de ser a corrida espanhola - irá para o Madring - e a partir de 2027, ele só aparecerá ano sim, ano não, em rotação com Spa-Francochamps.

A corrida acontece uma semana depois da corrida de Monte Carlo, e a grande dúvida era saber se, por exemplo, os Mercedes conseguiriam ser mais dominantes que o costume, contra uns Ferrari que - pelo menos do lado de Lewis Hamilton - parecem estar em forma, contra os McLaren que querem mostrar que os seus problemas são uma coisa temporária. E claro, com a pole de George Russell, ele vai querer diminuir a diferença para um Antonelli que parece ser imparável. 

Como ontem, máquinas e pilotos encaravam a corrida debaixo de calor, e George Russell poderia ter o seu maior rival na segunda fila, logo, a chance de conseguir um bom resultado era grande. Mas ele deverá ter en conta que a seu lado está Lewis Hamilton, e está na sua melhor forma desde que chegou à Ferrari. E claro, Lando Norris também tem de ser considerado nas chances para a vitória. Em suma, quatro candidatos ao título, três deles... britânicos.

Teremos 66 voltas para ver até que ponto tudo isto será verdade... ou haverá algo inesperado. E para começar, Max Verstappen e Lewis Hamilton iráo começar de... moles!


Na partida, Russell partiu muito bem e ficou com o comando, seguido por Hamilton e Antonelli, Norris e Max. Atrás, Isack Hadjar perdia posições, chegando até a sair da pista, mas no inicio da volta 3, estava a recuperar posições, passando o Williams de Carlos Sainz Jr. Ao mesmo tempo, Arvid Lindblad tinha um aviso por ter ganho vantagem numa ultrapassagem.

Na volta 8, Leclerc conseguiu passar Oscar Piastri na curva 4, a mesma onde ele se despistou no dia anterior, para ser sétimo classificado de forma provisória. Quatro voltas depois, Hamilton é o primeiro a ir às boxes, colocar duros e regressar em sétimo. A seguir foi Liam Lawson, também para meter duros no seu Racing Bulls. Max Verstappen e George Russell faziam o mesmo na volta seguinte, para meter duros, e na volta 14, Lando Norris também ia às boxes, também para colocar duros. Antonelli e Piastri foram trocar de pneus na volta 15, dando a Leclerc a liderança da corrida, que manteve por algum tempo, enquanto Russell se aproximava do piloto da Ferrari.

Leclerc acabou por ir às boxes na volta 17, regressando em sexto, na frente de Oscar Piastri, numa altura em que na Cadillac, Valtteri Bottas era a segunda retirada do ano, depois de Lance Stroll, no seu Aston Martin, algumas voltas antes.


A partir daqui, Russell tentava afastar-se de Hamilton, mas a diferença raramente era superior a dois segundos, com Antonelli em terceiro. Com o passar das voltas, lentamente, Russell escapava de Hamilton, enquanto Antonelli aproximava-se do piloto da Ferrari, pelo segundo lugar. Hamilton foi às boxes na volta 28, para a sua segunda troca de pneus, colocando médios e regressando em sétimo, atrás de Piastri. Pouco depois, na volta 29, ele passou o piloto da McLaren para ser sexto.

Verstappen parava pela segunda vez na volta 30, colocou duros e regressou na sétima posição, numa altura em que Antonelli começava a pressionar Russell na liderança da corrida. Na volta 33, começaram as lutas pela liderança, com Russell a manter o comando. Três voltas depois, Russell, que era quarto, ia às boxes pela segunda vez, para trocar para duros. Na volta a seguir, Russell ia às boxes para colocar duros e cedia o comando para Antonelli. Que ia às boxes na volta seguinte, colocando duros e regressando na terceira posição, pois Hamilton ainda não tinha colocado.

Leclerc foi às boxes na volta 41, depois de ser passado por Russell, e na mesma altura em que Fernando Alonso estava parado na berma, sendo a quinta desistência da corrida. O suficiente para o Safety Car Virtual, e alguns pilotos como Lewis Hamilton, aproveitaram para ir às boxes. No caso do britânico, colocou duros e manteve a liderança. Com o regressar da corrida, o piloto da Ferrari já tinha três paragens, mais um que os Mercedes, mas ele estava na frente deles. Parecia ser uma jogada de génio...

Atrás, parecia que Antonelli ia aos limites e para além deles, arriscando a ficar com uma penalização de cinco segundos e ficar sem um lugar no pódio. Mas também com o passar das voltas, viamos outra coisa: Hamilton conseguia distanciar-se de Russell e parecia ter a corrida sob controle. A dez voltas do final, ele tinha uma vantagem de 12,5 segundos, com Antonelli a pressionar o seu companheiro de equipa. 


Nas voltas finais, gente como Isack Hadjar ia às boxes e metia moles, para ver se conseguir ser mais performativo nestas voltas finais, mas na frente, com Hamilton tranquilo, os Mercedes começaram a brigar pela segunda posição, quando Antonelli atacou na volta 61, com Russell a não conseguir defender-se. Mas Antonelli no segundo lugar foi sol de (muito pouca) dura pois, na volta 62, inesperadamente, Kimi Antonelli e Charles Leclerc, separadamente, tinham problemas de motor e de sistemas eletrónicos, parando em lugares diferentes da pista. Safety Car Virtual e parecia que o final iria ser anti-climático...

Acabou por não acontecer, e com Novak Djokovic a agitar a bandeira, Lewis Hamilton dava à Ferrari a sua primeira vitória do ano, e para o veterano britânico, e o seu primeiro triunfo desde a sua chegada à Scuderia. Russell foi segundo, Norris terceiro, e apesar de serem todos em equipas diferentes, o pódio era todo britânico: o primeiro em 57 anos. 


Com isto, a Mercedes já não é invencível, e Antonelli não irá pontuar em todas as corridas da temporada. Mas ele mantêm o comando do campeonato, 41 pontos na frente de Lewis Hamilton. Agora são duas semanas antes do Red Bull Ring, mais uma pista clássica para correr, e ainda nem chegamos a meio do ano. 

Youtube Endurance Video: As últimas voltas das 24 Horas de Le Mans de 2026

Depois de 24 horas de corrida "sprint" entre os Hypercar, o melhor acabou por ser - de forma algo inesperada - o Toyota de Kamui Kobayashi, Mike Conway e o neerlandês Nyck de Vries, que depois do Mundial de Formula E, tornou-se no terceiro neerlandês a triunfar na clássica da Endurance, depois de Gijs van Lennep (1971 e 76), e Jan Lammers (1988).

De uma certa forma, é um grande resultado para a marca japonesa, que neste final de semana trouxe o seu protótipo a hidrogénio, para demonstrar ao público e, se calhar, mostrar que poderá ser o futuro do automobilismo. Mas hoje, é mais uma vitória da equipa japonesa, contra uma classe Hypercar que está cada vez mais preenchida.