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terça-feira, 4 de outubro de 2016

Este mês, no Nobres do Grid...

(...) Quando em 2001, Fernando Alonso, e Kimi Raikkonen se estrearam na Formula 1, houve mais criticas ao finlandês que experimentava uma máquina de 800 cavalos… após apenas 23 corridas em monolugares. Muitos foram os que criticaram fortemente a escolha de um piloto com tão pouca experiência, sem passar pela Formula 3, por exemplo. Contudo, o finlandês calou os críticos logo na sua primeira corrida na Formula 1, ao ser sexto classificado com o Sauber. No ano anterior, já tinha havido polémica semelhante com o britânico Jenson Button, mas ele tinha experiência na Formula 3 britânica e fez um teste do género “shot-off” com o brasileiro Bruno Junqueira, mais velho do que ele, onde superou-o por muito pouco.

(...)  Filho de Lawrence Stroll, um dos homens mais ricos do Canadá, Lance está a ser treinado para ser piloto… desde criança. Aos 17 anos de idade (nasceu a 29 de outubro de 1998), Stroll corre desde os dez anos de idade, nos karts, e em 2014, aos 15 anos de idade, estreou-se nos monolugares. Ganhou a Formula 4 italiana nesse ano, e a Toyota Racing Series no ano seguinte, enquanto que era quinto no campeonato europeu de Formula 3. Este ano, ele lidera o campeonato com mais de 70 pontos de diferença sobre o alemão Maximilian Gunther. (...)

(...) Stroll é piloto de desenvolvimento da equipa este ano, e a equipa segue os seus feitos ao serviço da Prema Powerteam. Altamente experimentado, já se fala que tem tudo feito para ser o piloto titular, com estreia na próxima temporada, graças ao seu pai. Os rumores indicam que Lawrence já comprou um interesse na equipa, e que um carro de 2014 já esta a ser modificado para que ele faça um programa extensivo de testes em circuitos onde ele não tem muita experiência em monolugares, pelo menos na Europa. Com a Super-Licença meramente um “pró-forma” (recorde-se, ele fará 18 anos dentro de um mês), ele tem o caminho aberto para esse lugar.

Mas toda essa obsessão pela prodigalidade tem um preço. Ninguém poderá acreditar que Jaime Alguersuari tenha agora 26 anos e já se retirou do automobilismo, mas isso é real. Tendo estreado na Formula 1 no GP da Hungria de 2009, batendo o recorde de precocidade de Chris Amon, pela Toro Rosso, não deslumbrou na sua estreia, nem na temporada seguinte, onde foi 19º, com apenas cinco pontos. Ele melhorou em 2011, onde conseguiu 26 pontos e o 14º posto, com dois sétimos lugares em Itália e na Coreia do Sul como melhores resultados. Contudo, no final dessa temporada, e de modo surpreendente, quer ele, quer o seu companheiro de equipa, o suíço Sebastien Buemi, foram dispensados. E nenhum dos dois conseguiu depois carreira na Formula 1. (...)

Nos tempos em que correm, as equipas estão obcecadas em ter meninos prodígios na Formula 1. quanto mais novo, melhor, para dizer que estão a demonstrar talento precoce. Mas colocar jovens imaturos ao volante de máquinas de 900 cavalos poderá estar a ser uma pressão demasiado alta para adolescentes. Os pilotos que não sobreviveram à máquina trituradora da Red Bull Junior Team são um bom exemplo de pessoas que mesmo a meio da casa dos vinte, estão psicologicamente tão desgastados que pura e simplesmente, penduraram o capacete. É sobre isso que falo este mês no Nobres do Grid.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Quebrando sob Pressão (parte 1)


Desde há uns meses a esta parte que a carreira do catalão Jaime Alguersuari estava em suspenso depois do incidente que teve após a corrida em Moscovo da Formula E. Sem que os médicos pudessem avaliar a sua causa, apesar dos rigorosos testes feitos ao longo do mês de julho, o piloto de 25 anos, com passagem pela Toro Rosso de 2009 a 2011, decidiu terminar com a sua carreira e tentar ser feliz... na musica, sendo DJ.

Numa conferência de imprensa feita na manhã desta quinta-feira no Conselho Superior dos Desportos, em Madrid, o piloto espanhol explicou que “decidi parar porque este é um momento de mudança. Algo dentro de mim diz que é necessário seguir um novo caminho porque perdi o amor pelo desporto automóvel. Não é um dia triste, o que neste momento faz com que esteja feliz é a música, agora vou fazer música. Não sei sou bom nem sei o que vai acontecer”.

A carreira de Alguersuari foi curta, mas cheia. Campeão da Formula 3 britânica em 2008, apoiado pela Red Bull desde algum tempo antes, chegou à Formula 1 no GP da Hungria de 2009 em substituição de Sebastien Bourdais, aos 19 anos e 125 dias, um recorde que foi batido este ano por Max Verstappen. Ao todo fez 46 Grandes Prémios, em três temporadas, conseguindo 31 pontos e dois sétimos lugares em 2011 como melhores resultados.

Saindo da Toro Rosso em 2012 - em conjunto com Sebastien Buemi, o seu companheiro de equipa - foi piloto de testes pela Pirelli até regressar competitivamente em 2014 na Formula E, ao serviço da Virgin, obtendo 30 pontos - e um quarto lugar em Buenos Aires como melhor resultado - para além de uma volta mais rápida, antes de sair precocemente da equipa na ronda final de Londres.

O abandono da carreira a uma idade precoce parece ser algo pouco falado, mas é bem frequente, parecendo que não. E mais do que a razão habitual - o dinheiro e a falta dela - nos faz pensar até que ponto estes jovens estão a fazer as coisas de forma contrariada. Lembro-me do exemplo de Joshua Hill, filho de Damon Hill e neto de Graham Hill, que abandonou em 2013 uma carreira na Formula 3 europeia para perseguir o seu sonho de ser musico, algo que o seu pai faz nas horas vagas. Há frustrações por não poderem ir tão longe como queiram, mas também nos últimos anos houve a obsessão de chegar o mais alto possível, o mais cedo possível.

Mas no caso de Alguersuari - e já agora, de mais alguns piltos - é lendária a pressão que a Red Bull faz aos pilotos da sua academia, e muitos cedem, se não forem feitos do mesmo material que são feitos os campeões. Um bom exemplo desse "cracking under pressure" (um trocadilho ao famoso anuncio da marca de relógios TAG Heuer) foi o que aconteceu com Scott Speed no GP da Europa de 2007, onde trocou socos com Franz Tost, o chefe da equipa. Despedido após essa corrida, foi substituído por um alemão chamado Sebastian Vettel...

A Red Bull sempre foi um prsente envenenado. Muitos dos pilotos que lá entraram acabaram mal, e quando saem, falam sempre da prssão inacreditável que os responsáveis faziam sobre ele no sentido de conseguirem resultados "para ontem". E quando não correspondiam, a equipa simplesmente os descartava, qual objeto indesejável. Quando soube que António Félix da Costa foi para a academia, em junho de 2012, receei que ele fosse "triturado" e cuspido sem dó nem piedade. A sua meia temporada da World Series by Renault e na GP3 desmentiram isso, mas no ano seguinte, quando foi superado por Stoffel Vandoorne e Kevin Magnussen, foi superado pelo russo Daniil Kvyat, que na altura poucos tinham ouvido falar, mas que nessa estava a fazer bons resultados na Formula 3 europeia. Agora, o pilto português continua a ser apoiado pelos energéticos, mas no DTM alemão, e provavelmente pode ter perdido para sempre a sua chance na Formula 1.

Recuemos quase dezasseis anos no tempo. Antes da fornada vinda do "infantário" da Red Bull, houve o caso do argentino Esteban Tuero. Ao chegar à Formula 1 pela Minardi, tornava-se num dos mais jovens pilotos de sempre, com 19 anos de idade. Aliás, nessa altura, apenas Mike Thackwell e Ricardo Rodriguez o tinham superado. Tuero teve as dificuldades subjacentes a uma adaptação à categoria máxima do automobilismo, tendo como melhor um oitavo lugar no GP de San Marino. No final da temporada, Tuero sofreu um acidente que o fez magoar no pescoço, mas pouco depois - e de uma maneira chocante - ele decidiu que iria abandonar de vez os automóveis. Ele, que tinha lugar assegurado na Minardi em 1999 por causa da sua performance. 

E foi então que se viu o que se passava: vindo de uma familia de automobilistas - o seu pai foi piloto nas categorias locais - Tuero andava em karts desde os sete anos de idade, e passou para os monolugares aos 14 anos, na sua Argentina natal. Em 1995, aos 17 anos, o seu pai o colocou na Europa, para correr na Formula 2000 italiana, onde ganhou com tranquilidade. No ano seguinte, foi para a Formula 3 italiana, onde contra pilotos como Jarno Trulli, onde após algumas boas corridas, aterrou na Formula 3000... a meio do ano, pela Draco. Sentindo a diferença de potência, e alguma falta de adaptação, não pontuou. No ano seguinte foi para o Japão, mais concretamente para a Formula Nippon, onde conseguiu um sexto lugar em Fuji, numa altura em que já fazia testes com a Minardi, no sentido de fazer a quilometragem necessária para obter a Super-Licença. 

E tudo isto em menos de cinco anos, com uma familia a pressionar o seu rapaz para que chegasse à Formula 1 o mais depressa possivel. É certo que estes empenham as suas economias para que este chegue a bom porto, mas muitas vezes não se perguntam aos rapazes que estão nessa aventura se tem a capacidade de continuar. O mundo automobilistico pode ser stressante, e todas as equipas lutam para ter dinheiro para sobreviver, desde as categorias mais baixas até à Formula 1. E como nas outras categorias, muitos pais vêm nos seus filhos aquilo que eles não conseguiram ser nas suas vidas. Alguma vez perguntaram a eles se é esta a vida que querem ter?

(continua amanhã)

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

O mistério de Jaime Alguersuari


Para quem acompanha a Formula E, sabe que o espanhol Jaime Alguersuari foi obrigado a ficar de fora da última etapa na temporada passada devido a um desmaio que teve no final da etapa moscovita, sendo substituído na Virgin pelo suiço Fabio Leimer, mas esta quinta-feira, o piloto espanhol anunciou no Facebook que ficará de fora da próxima temporada da competição elétrica pelo facto de os médicos da FIA não terem encontrado uma razão pelo qual teve o desmaio no inicio do mês de junho.

"Como bem sabem, em junho eu sofri um desmaio depois do ePrix de Moscovo. Por consequência deste desmaio, minha licença de competição foi temporariamente suspensa, pois a Comissão Médica da FIA gostaria de aprofundar a investigação", começou por contar o piloto na sua conta do Facebook.

"Durante o mês de julho, fui submetido a vários testes, mas que não deram uma resolução médica, e sigo esperando o diagnóstico final. Por isso, lamentavelmente, tenho que anunciar que não poderei participar do campeonato da Formula E da temporada 2015-16 com a Virgin. Aproveito para desejar sorte para a equipa na nova temporada que começa e agradecer a todos pelo apoio recebido. Em setembro, poderei anunciar os planos para o futuro. Até lá, feliz verão a todos", concluiu.

Alguersuari, de 25 anos (nasceu a 25 de março de 1990), conseguiu 30 pontos na sua temporada na Formula E, para além de uma volta mais rápida na etapa de Putrajaya, e teve como melhor resultado um quarto lugar na etapa de Buenos Aires, em janeiro.

Antes disso, esteve três temporadas na Formula 1, ao serviço da Toro Rosso, pnde conseguiu como sua melhor temporada em 2011, onde conseguiu 26 pontos e o 14º postro da geral, depois de ter na altura batido o recorde de precocidade, ao correr em 2009 com 19 anos e 125 dias, recorde este que já foi batido por Daniil Kvyat e Max Verstappen. Antes disso, foi campeão na Formula 3 britânica, em 2008, e campeão na Formula Renault Itália 2.0, no ano anterior. 

terça-feira, 23 de junho de 2015

Os verdadeiros motivos para a ausência de Jaime Alguersuari


Quem está a par da noticia de que o suiço Fabio Leimer será piloto da Virgin na ronda dupla de Londres, pensava que o facto de ter subsituido Jaime Alguersuari tinha sido apenas por algum motivo técnico ou porque o piloto espanhol teria algum compromisso para aquele fim de semana e que colidiria com a Formula E. Contudo, esta noite surgiu um comunicado oficial que explica que a sua ausência se deve a... problemas de saúde.

No seu comunicado oficial largado na sua página de Facebook, o piloto de 25 anos afirmou que teve a sua licença desportiva temporariamente suspensa porque sofreu um problema de saúde após a corrida de Moscovo, há duas semanas, quando sofreu um problemas de desidratação e desmaiou.

"A seis de junho, após o ePrix de Moscovo, sofri um desmaio, como resultado de exaustão e consequente desidratação", começa por afirmar. "Após este desmaio, foram feitos exames médicos, com resultados até agora satisfatórios. Contudo, a minha licença foi suspensa temporariamente enquanto se aguarda a decisão da comissão médica da FIA, que ratifique que estou em plenas condições de exercer a minha profissão", continuou.

Apesar de me sentir bem e não ter sofrido mais episódios como o que aconteceu em Moscovo, e sem qualquer tipo de dúvida, acharia capaz de correr neste fim de semana, contudo, por razões relacionadas com protocolos de saúde e segurança, a investigação médica da FIA deve ser aprofundada e sem qualquer dúvida por esclarecer. Por essa razão, e em acordo com a Virgin Racing e da comissão médica da FIA, não vou participar na corrida de Londres deste fim de semana.

Uma pena, pois era a última corrida da temporada e tinha vontade de dar o meu melhor em Londres, mas os procedimentos da FIA são claros a este respeito e devemos respeitá-las.

Desejo-lhes toda a sorte do mundo à Virgin Racing na sua temporada de Fórmula E" conclui o comunicado.

A ronda dupla de Londres acontecerá neste fim de semana no Battersea Park.

Formula E: Fabio Leimer será piloto da Virgin em Londres

O suíço Fabio Leimer será piloto da Virgin na ronda dupla da Formula e no Parque Battersea, em Londres, que vai acontecer neste fim de semana e encerrará a primeira temporada da Formula E. Ele vai correr no lugar do espanhol Jaime Alguersuari e vai ser o terceiro helvético a participar nesta corrida, ao lado de Sebastien Buemi e de Simona de Silvestro.

"Como um piloto de corridas, eu adoro um desafio e assim, ao juntar-me à Virgin Racing para a London ePrix vai ser um grande teste", começou por dizer Leimer.

"Vai ser uma incrível experiência de corrida num circuito de rua, no meio de Londres e uma ocasião ainda mais especial para a equipa na sua corrida caseira. Estou ansioso por correr ao lado do Sam [Sam Bird] e espero contribuir para um final de sucesso para a equipa", concluiu.

Aos 26 anos de idade (nascido a 17 de abril de 1989) Leimer é atualmente terceiro piloto da Manor-Marussia. Estreou-se nos monolugares em 2006, na Formula BMW alemã, antes de ir no ano seguinte para a formula Renault europeia. Em 2008 esteve na International Formula Master, onde foi vice-campeão pela Jenzer Motorsport, para no ano seguinte acabar por ser campeão.

Em 2010, passou para a GP2, ao serviço da portuguesa Ocean Racing, onde venceu uma corrida em Barcelona, antes de no ano seguinte se transferir para a Rapax, vencendo outra corrida. Venceu a GP Final, em Abu Dhabi, e em 2012, pela Racing Engeneering, foi sétimo classificado, antes de ser campeão em 2013. Contudo, isso não lhe deu o acesso à Formula 1, e em 2014, passou para a Endurance, onde correu ao serviço da "caseira" Rebellion Racing, conseguindo como melhor resultado um sexto lugar no Bahrein.

sábado, 10 de janeiro de 2015

Formula E 2015 - Ronda 4, Buenos Aires (Corrida)

Um mês depois de terem corrido em Punta del Este, máquinas e pilotos atravessaram o Rio da Prata para correr nas ruas de Puerto Madero para a quarta prova da temporada inaugural da Formula E. A grande novidade acontecia na Andretti, onde depois de Franck Montagny ter testado positivo numa análise anti-doping, foi substituído pelo americano Marco Andretti, o filho do proprietário. Na China Racing, Ho-Pin Tung estava de regresso, enquanto que Salvador Duran continuava na Amlin Aguri, em substituição de Katherine Legge.

Nas ruas de Puerto Madero, em Buenos Aires, e uma semana depois da cidade ter recebido a abertura do Rali Dakar, milhares de pessoas acolheram a nova competição, nada de especial para um pais apaixonado por automobilismo como a Argentina. A expectativa era alta, depois de Sebastien Buemi, o vencedro da corrida anterior, em Punta del Este, ter conseguido a pole-position.

Antes da partida, soube-se que Jean-Eric Vergne, Nick Heidfeld e Bruno Senna conseguiram o direito de ter o "fanboost" nos seus carros, o que dada a posição na grelha por parte de Vergne e Senna, até poderia ser um ótimo auxilio para a situação em que se encontravam, com o brasileiro a largar da penúltima fila, depois de bater na qualificação. Já para o alemão, esta poderia ser uma grande chance de lutar pela vitória, já que seria o terceiro classificado, atrás de Buemi e o Virgin de Jaime Alguersuari.

A partida começou com Heidfeld ao ataquem passando Alguersuari e ficar com o segundo posto, enquanto que Bruno Senna começou a fazer nova corrida de recuperação, escalando até ao 14º posto nas primeiras três voltas. A patir dali, o suiço aguentou o pelotão inteiro, com Di Grassi a conseguir subir ao terceiro lugar, depois de passar Alguersuari.

Na volta 14, Di Grassi fez uma boa manobra no hairpin e conseguiu passar Heidfeld, conseguindo o segundo posto, e parecia que o alemão tinha-se distraído, pois logo a seguir foi superado pelos Virgin de Alguersuari e Bird, e o AGuri de Félix da Costa ia pelo mesmo caminho, mas o alemão conseguiu fechar.

Na volta 16, o Mahindra de Karun Chandhok sofreu uma quebra na suspensão e o seu carro ficou parado na pista. O Safety Car demorou a entrar na pista, mas mesmo assim, a coisa foi aproveitada pelos pilotos para fazerem o reabastecimento. E foi aqui que começou algumas confusões, com Sam Bird a sair com as luzes vermelhas na saída das boxes. Durante oito voltas, o Safety Car esteve na pista, numa situação que no minimo era embaraçosa.

Quando voltou, Buemi manteve-se na liderança, agora pressionado por Di Grassi, Heidfeld, Félix da Costa e Bird. Mas logo a seguir, sofre um toque na chicane que danifica a roda frente-direita e é obrigado a retirar-se. Sem Buemi, Di Grassi era o lider, mas atrás, Félix da Costa aguentava os ataques de Bird, conseguindo passar na volta 25. O inglês continuava a atacar Heidfeld, e duas voltas depois, era a vez de Di Grassi desistir no mesmo local quando a suspensão traseira-direita cedeu, dando a liderança a Heidfeld. Mas Bird era penalizado e teve de ir às boxes, entregando o segundo lugar ao piloto português.

Com Heidfeld e Félix da Costa mais ou menos à vontade, a ação passou para o terceiro lugar, com Alguersuari a resistir aos ataques de Vergne e de Prost. Vergne pressionou o espanhol e conseguiu passar na volta 32, depois de um toque no piloto da Virgin. Mas surpreendentemente, na volta 33, a organização penaliza Heidfeld por excesso de velocidade... e oferece a liderança a Félix da Costa! No final, quarto vencedor em quatro corridas, em quatro equipas diferentes.

Na geral, após quatro corridas, Lucas di Grassi, apesar de não ter terminado, manteve a liderança, com 58 pontos, com Sam Bird a a ser o segundo, com 48, e Sebastien Buemi a ser o terceiro, com 43. Félix da Costa têm agora 29 pontos e subiu ao sexto lugar da classificação geral

Depois de Buenos Aires, a próxima corrida acontecerá dentro de dois meses, a 14 de março, nas ruas de Miami, na primeira de duas provas em solo americano.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Noticias: Oito pilotos fecham grelha da Formula E, Di Grassi na Abt

A organização da Formula E anunciou ontem que o espanhol Jaime Alguersuari e o austriaco Cristian Klien são os dois dos oito últimos pilotos a preencher os lugares que estavam vagos na temporada inaugural da Formula E, a competição elétrica da FIA que vai ter a sua temporada inaugural em setembro. Ao todo, serão 24 os pilotos que alinharão nesta competição.

Para além de Alguersuari e Klien, haverá uma mulher - a britânica Katherine Legge - e um ex-"The Stig": o seu compatriota Ben Collins, e o holandês Robert Doornbos. Também haverá dois filhos de pilotos, o americano Conor Daly (filho do irlandês Derek Daly) e o britânico Alex Brundle, filho de Martin Brundle.

Estou muito feliz em poder fazer parte do Clube dos Pilotos da Formula E. Para mim, a categoria apresenta um conceito inovador no mundo do automobilismo. Será bastante desafiador para nós pilotos ter de conhecer novas pistas em apenas um dia. Além disto, será especial correr em grandes centros como Londres e Pequim”, afirmou o piloto espanhol de 23 anos.

Estou muito feliz por ter sido selecionado para entrar no Clube e por poder fazer parte da equipe de desenvolvimento da categoria que irá moldar o futuro do automobilismo”, falou por sua vez Collins, de 38 anos e com experiência no BTCC e como piloto de testes.

Entretanto, a Abt, representante da Audi na Formula E, designou o brasileiro Lucas di Grassi como seu piloto na competição, e ira competir ao lado do alemão Daniel Abt - filho do lider da equipa, Hans-Jurgen Abt - nesta primeira temporada.

Estou muito contente pela Audi me ter dado a oportunidade de pilotar em protótipos e também na Formula E. Eu acompanho a Abt há algum tempo, uma marca muito profissional. É ótimo que as negociações tenham dado certo. Temos planos ambiciosos”, declarou o piloto, que ainda não sabe se a 15 de novembro estará no Rio de Janeiro, para disputar a ronda brasileira da competição, ou nas Seis Horas do Bahrein, que faz parte do Mundial de Endurance.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

O ano da sobrevivência da Formula 1

Não é de hoje que a Formula 1 teve pilotos pagantes, mas nesta era de crise, e onde fora dos "quatro grandes" (Ferrari, McLaren, Red Bull e Mercedes) todos os outros penam para ter dinheiro suficiente para terminar a temporada sem problemas, os estreantes são muitos: seis, pelo menos. E os que têm talento, mas não tem a carteira suficientemente funda para poder ficar, queixam-se amargamente da atual situação da Formula 1, como o catalão Jaime Alguersuari.

Despedido da Toro Rosso no final de 2011, esteve a ser piloto de testes da Pirelli em 2012, e apostou todas as suas energias num regresso à categoria em 2013, só que foi preterido por alguém... com dinheiro. “Nunca imaginei que depois da decisão incompreensível da Red Bull me deixar de fora, acabasse fora da Formula 1 em 2013. Tive garantias duma equipa que habitualmente pontua, declinei outros convites fora da Formula 1 e agora tudo acabou. Vou continuar a testar com a Pirelli, e farei mais quilómetros do que qualquer terceiro piloto. Estou convencido que mereço um lugar na Formula 1 e continuarei a lutar por isso.”, referiu.

A queixa de Alguersuari, de 23 anos, tem alguma razão, pois ele foi apontado para a Sauber e a Force India, mas ambas decidiram que iriam apoiar outros pilotos. No caso da equipa suiça, arranjaram uma dupla totalmente nova, com o alemão Nico Hulkenberg e o estreante mexicano Esteban Gutierrez, e no caso da Force India, ainda andam com a saga do segundo piloto, que muito provavelmente está reduzido a um duelo entre o francês Jules Bianchi e o alemão Adrian Sutil.

A ideia de "leilão" que fica, com as equipas a preferirem pessoas com dinheiro do que talentos, não é mais do que uma resposta prática e pragmática ao que se passa por lá. A qualidade decai, é certo, mas tenta-se salvar as equipas, evitando-se que mais abandonem o barco, depois da HRT ter feito isso no final da temporada passada. Mas depois temos de pensar que em 2014 haverá novas regulamentações, que implicam avultados investimentos na construção de carros e motores.

Exemplo disso é a entrevista que Martin Withmarsh, o patrão da McLaren, deu no final da semana passada à Autosport britânica. quando ele diz que sete das onze equipas de Formula 1 "entraram em modo sobrevivência", acrescentando que estes terão dificuldades para manter "um modelo de negócio viável" nos próximas temporadas. E toca num nervo sensível: as equipas mais pequenas não recebem uma renda suficiente dos direitos comerciais da Formula 1, vindas de Bernie Ecclestone.

Apesar de tudo, Withmarsh - que é o presidente da FOTA - elogia Ecclestone pelo seu trabalho: "Nós podemos criticá-lo, mas ele está fazendo um trabalho melhor do que o nosso. Está mantendo o dinheiro em nome dos seus empregadores. O dinheiro comanda este desporto, e isso é profundamente frustrante para alguns de nós, mas é o trabalho dele. Se as equipes ano são coesas o suficiente para trabalhar em conjunto e garantir uma fatia maior, então devem culpar a si mesmas", falou. 

Esta é, se calhar, a interpretação mais grave deste "leilão": o aumento de custos, cada vez mais incontrolável, apesar de existir um regulamento de controle de custos em relação à pesquisa e desenvolvimento dos carros, que é aplicado por todos. Só que, aparentemente, começa a não ser suficiente para sustentar as equipas sem ter de recorrer à figura do "piloto pagante".

Para piorar as coisas, temos noticias cada vez mais perturbadoras em relação ao novo Acordo de Concórdia, que segue teimosamente sem ser assinado, depois do anterior se ter expirado no final do ano passado. Com o novo Acordo, as equipas receberiam uma percentagem maior das receitas da Formula 1, passando de 47 para 63 por cento de um bolo avaliado em 1,2 mil milhões de euros em 2012, mas existe uma tensão com Jean Todt, o presidente da FIA, cujas relações com Ecclestone são cada vez mais frias, por causa dos regulamentos para 2014. Ecclestone já disse por mais do que uma vez à imprensa que "a Formula 1 pode seguir o seu caminho", se a FIA continuasse a impôr as suas regras. E o anãozinho já disse por mais do que uma vez de que não gosta dos motores Turbo.

Dá a ideia de a Formula 1 poderá passar num futuro próximo por uma luta pelo poder, do qual seria a última coisa que precisaria neste momento. E é por isso que digo que, de muitas maneiras, este pode ser o ano da sobrevivência da Formula 1.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Na minha 5ª Coluna desta semana...

(...) Se alguém falar que Vettel, apenas com 101 Grande Prémios no seu currículo, anda a caminho de bater todos os recordes e de ser um dos melhores pilotos de todos os tempos, a par de Juan Manuel Fangio, Jim Clark, Ayrton Senna e Michael Schumacher, muitos contestarão essa afirmação. Alguns porque dizem que é muito cedo para se dizer isso, outros dirão que querem ver o piloto noutra equipa, e outros também dirão que querem ver como Vettel se comportará com um carro inferior. Sobre esse último capítulo, posso dar uma simples resposta: ele é superior à média. E como posso dizer isso? Simples: recorro às estatísticas. Mais concretamente, à sua passagem pela Toro Rosso, em 2007 e 2008. (...)

Sei que existem pessoas que ainda não querem acreditar que Sebastian Vettel é um piloto superior à média. Ainda acham que a melhor prova é ele andar a saltar de equipa para equipa, como faz Fernando Alonso ou agora, Lewis Hamilton, e que eles têm tirar o melhor que os carros têm. É certo que o piloto espanhol fez uma grande temporada, semelhante a que Ayrton Senna fez em 1993 com o seu McLaren-Cosworth, por exemplo. Mas ao contrário de Alain Prost, Sebastian Vettel não fez uma temporada burocrática, bem pelo contrário: veio de trás e teve uma excelente parte final, vencendo quatro corridas seguidas e recuperou a desvantagem de quase duas corridas - e aproveitando o acidente de Fernando Alonso no Japão - para ser campeão do mundo pela terceira vez consecutiva.

Mas esta semana, na minha 5ª Coluna, decidi recorrer às estatísticas e lembrar ao resto do mundo que a sua passagem pela Toro Rosso foi algo inigualável, quer antes, quer depois dele. Não foi só aquela vitória em Monza que o colocou nos píncaros: contra um piloto mais experimentado, esmagou a concorrência interna e colocou números que até agora, nenhum dos pilotos que já passou conseguiu sequer aproximar. E não falo do pódio ou da vitória, falo de coisas mais pequenas, por exemplo.

Enfim, cliquem no link e vão lá ler do que estou a falar.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Os segredos de Jaime Alguersuari

As vagas que ainda existem para 2013 estão a ser ferozmente disputadas pelos pilotos que ainda querem mostrar ao mundo que são bons pilotos, ou então que merecem uma nova oportunidade para correr na categoria máxima do automobilismo, como aconteceu a Jaime Alguersuari. E é sobre o piloto catalão, ex-Toro Rosso e que no inicio de 2012 se viu sem vaga para correr. De acordo com a edição desta sexta-feira do jornal espanhol ‘El Confidencial’, o antigo piloto da Toro Rosso está de olho no lugar em aberto na Force Índia e conta com a sua experiência na Pirelli para conseguir o lugar.

Penso que a minha experiência com os novos pneus é muito importante porque quando se muda a estrutura, o composto e o perfil do pneu, quando mais prática temos, melhor.”, começou por referir o piloto espanhol de 22 anos. “Já acumulámos o equivalente a 11 Grandes Prémios de Formula 1 este ano, testei centenas de ‘sets’, em diversas temperaturas, distâncias, equilíbrio e durabilidade. Em casa tenho o meu pequeno caderno de apontamentos com todos os segredos para utilizar no próximo ano”, concluiu.

Refira-se que Alguersuari não é o único candidato à vaga na Force India, para substituir o alemão Nico Hulkenberg, que vai para a Sauber. Fala-se do francês Jules Bianchi, atualmente terceiro piloto da marca e piloto de testes da Ferrari, bem como Bruno Senna, caso ele perca o seu lugar no Williams para o finlandês Valtteri Bottas.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

5ª Coluna: A arte de manter os pés na terra

O homem do momento na GP3 fala português: Antonio Felix da Costa venceu no fim de semana que passou as duas corridas do fim de semana húngaro, sendo muito inteligente quando tinha de ser, e sendo imperial quando tinha de demonstrar que era o mais rápido na pista. O melhor piloto de uma equipa experimentada como a Carlin, com esta dupla vitória, relançou-se no campeonato e demonstrou que a Red Bull fez muito bem em apostar nele para a sua equipa de jovens pilotos, rumo à Formula 1. 

Que foi um fim de semana de sonho, foi. Afinal de contas, numa competição artificialmente equilibrada como a GP3 - onde os oito primeiros tem a grelha invertida na segunda corrida - ter um piloto a vencer as duas corridas do fim de semana é de facto um grande feito. Nesse aspecto, Felix da Costa entrou na história e mostrou que está no caminho certo para chegar à Formula 1. E claro, mostrou também que a aposta que a Red Bull fez nele foi acertada. Ele está motivado e conseguiu dar a volta depois de um fim de semana anterior, na Alemanha, onde não conseguiu qualquer ponto. 

Contudo, como diziam os romanos, "sic transit gloria mundi". Pode-se ter relançado na luta pelo título na GP3, e pode também ter conseguido um lugar para o "rookie test" am Abu Dhabi, lá mais para o final do ano, a bordo de um Red Bull ou de um Toro Rosso. Mas Jaime Alguersuari, Sebastien Buemi, Jean-Eric Vergne e Daniel Ricciardo também conseguiram vencer títulos nas categorias inferiores - pilotos patrocinados pelos energéticos venceram as três últimas edições da Formula 3 britânica - e lutaram para conseguir algo na Toro Rosso, quando chegaram à Formula 1. 

Não sei também se vai a tempo de vencer este campeonato. O líder é o neozelandês Mitch Evans, piloto que é apoiado por... Mark Webber (a MW Arden é parcialmente propriedade do piloto australiano) já tem um avanço suficiente para poder controlar - apesar de ter tantas vitórias como Felix da costa: três - e somente faltam quatro corridas, ou dois fins de semana, para o fim do campeonato de GP3. Numa competição em que a regularidade é arma, aquele fim de semana "a zeros" em Hockenheim faz-lhe mossa, apesar de ser um piloto veloz. Para o título, acho que já vai tarde, mas nunca se sabe.

Mas a Red Bull, nesse aspecto, não olha muito o resultado nas categorias de acesso. Sebastian Vettel estava em 2007 a lutar com Alvaro Parente pelo título na World Series by Renault quando a Red Bull o chamou para substituir Scott Speed na Toro Rosso, e não foi por aí que Vettel deixou de ser o piloto veloz que é.

De facto, Antonio Felix da Costa está no bom caminho. Mas continuo a manter a minha prudência neste aspecto, e até acredito que em 2014 voltaremos a ter um português na categoria máxima do automobilismo. Mas chegar lá é uma coisa, manter-se é outra. Acho que ele é bom no que faz, mas temo a máquina da Red Bull, que é tão boa a triturar talentos...

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Red Bull: presente envenenado ou pacto com o Diabo?

A noticia da contratação de Antonio Felix da Costa como piloto da Arden na World Series by Renault desta temporada significou que o piloto português de 20 anos entrou no ambicionado e invejado programa da Red Bull para jovens pilotos. A ambição de muitos justifica-se pelo facto de isto poder significar que num futuro mais ou menos próximo poderá chegar à Formula 1 através da equipa Toro Rosso.

Mas como muitos sabem, entrar nesta academia de pilotos significa um presente envenenado, dada a irascibilidade de Helmut Marko e de Franz Tost, que exigem aos pilotos resultados imediatos, sob pena de serem despedidos sem apelo nem agravo. Muitos pagaram caro essa irascibilidade, os ultimos dos quais foram o espanhol Jaime Alguersuari e o suiço Sebastien Buemi, despedidos da Toro Rosso sem apelo nem agravo no final de 2011. 

Tost e Marko tem ambos uma obsessão em particular nestes últimos três anos: encontrar um outro Sebastian Vettel o mais depressa possivel. O piloto alemão, agora bicampeão do mundo, conseguiu a proeza unica de vencer com aquela equipa no GP de Itália de 2008, e desde então, a fasquia foi colocada de forma muito alta, quase impossivel de alcançar por parte dos que seguiram. Mesmo pilotos consagrados como Sebastian Bourdais, sentiram um pouco a pressão de vencer a qualquer custo de Tost e Marko. E Scott Speed, piloto americano da marca em 2007, saiu a mal da equipa, depois de um incidente na pista de Nurburgring onde após ter saído de pista, não aguentou os insultos de Franz Tost e partiu para a agressão.

E nem o palmarés salva: Jaime Alguersuari, foi campeão da Formula 3 britânica em 2009, por exemplo. Quando ele e Sebastien Buemi foram sumariamente despedidos da Toro Rosso por não não conseguiram igualar a fasquia, ambos ficaram "com uma mão à frente e outra atrás". Buemi ainda aguentou como terceiro piloto da Red Bull, e um lugar na equipa da Toyota nas 24 horas de Le Mans, mas tal coisa é mais para que o pessoal da Formula 1 não o esquecer. Jamie Alguersuari faz agora de piloto de testes na Pirelli, mas o objetivo é o mesmo: que não o esqueçam, mesmo que ele tenha 22 anos de idade. É que para esates dois pilotos, a saída forçada da "cantera" da Red Bull significou que ficaram também sem opções e sem patrocinio.

Para piorar as coisas, nesta temporada de 2012 surgiu outro problema: a performance da Toro Rosso. Ela já não é mais a equipa que deveria ser, pois começa a ser contestada na grelha pela Caterham, uma das três equipas que entrou na Formula 1 em 2009. Nas últimas duas corridas, a performance da equipa de Tony Fernandes em qualificação começou a igualar, senão superar, a da equipa de Faenza, e na corrida, raras são as vezes nos últimos tempos que anda nos pontos, ainda por cima numa temporada totalmente equilibrada. Se no ano passado, eles andavam ao nivel da Sauber, Williams e de vez em quando da Force India, este ano vê não só essa gente toda a distanciar-se, como vê a Caterham a chegar-se perigosamente, ameaçando pontuar pela primeira vez na sua carreira. E se acham que o nono lugar é o "minimo olimpico", qualquer lugar nos pontos por parte de Vitaly Petrov ou de Heikki Kovalainen significará derrota para Tost e Marko. Talvez seja por isso que de vez em quando se lembrem em vender a equipa...

Felix da Costa, dado ter muito talento e ter mostrado isso noutras categorias como na Formula Renault - onde foi rival do finlandês Valtteri Bottas - de bons resultados na Formula Renault Euroseries e agora nesta temporada da GP3, onde corre com o mítico numero 27, atraiu a atenção da Red Bull devido ao seu talento. Mas ele pode ser visto como o piloto que está a "pressionar" os que estão agora na Toro Rosso, ou seja, o australiano Daniel Ricciardo e o francês Jean-Eric Vergne. E caso o português apresente bons resultados nesta categoria, da mesma forma que está a apresentar na GP3 - apesar de estar a correr na sua terceira temporada - isso poderá significar, no mínimo, uns testes no final do ano num carro de Formula 1. E a partir de 2013, os eventuais resultados que possa ter poderão causar calafrios quer em Ricciardo, quer em Vergne...

Mas, como se costuma dizer, toda a glória é efémera. A partir deste fim de semana, Felix da Costa será pressionado para apresentar resultados de imediato. E a não ser que não queira acabar como Felipe Albuquerque, que no final de 2008 foi convidado a correr no Japão, como forma de dizer por outras palavras que os seus serviços não eram mais adequados, ele vai ter de mostrar que mais do que talento, tem de ter cabeça fria, rápida adaptabilidade e capacidade de mostrar resultados no imediato. É uma prova de fogo, se quiser provar que tem estofo para a Formula 1.  

quinta-feira, 8 de março de 2012

Noticias: Alguersuari duvida do regresso de Kubica

Por estes dias, qualquer noticia sobre Robert Kubica é considerado como informação tão valiosa que merece primeira página. E hoje, parece que isso apareceu de uma fonte relativamente insuspeita: o antigo piloto da Toro Rosso e agora comentarista da Radio 5 da BBC, Jaime Alguersuari. No podcast "The Castor", Alguersuari falou sobre o estado de saúde do piloto polaco, que sofreu um acidente em fevereiro do ano passado no Rali Ronda di Andora, ficando gravemente ferido.

E ele não deu boas noticias: "Acho que o Robert foi - e é - um piloto fantástico, muito rápido e muito completo. Ele tinha o potencial para ser campeão do mundo, sem qualquer tipo de dúvida. Só que por estes dias, não tenho boas noticias em relação à sua condição. Não pode beber usando a sua mão, quer dizer, agarrar um copo de água usando a mão direita. Eu creio que os ferimentos foram piores do que pensava. Claro, eu adoraria vê-lo regressar, porque sem qualquer tipo de dúvida, ele merece estar na Formula 1", afirmou o piloto de 21 anos.

Recorde-se que o polaco sofreu um grave acidente com um Skoda Fabia S2000 nesse rali a contar para o campeonato italiano, onde ficou gravemente ferido no seu lado direito: braço, mão e perna. Já passou por várias intervenções cirurgias no sentido de recuperar a mobilidade e voltar a competir, mas aparentemente as coisas poderão ter sido mais graves do que se julga, e as dúvidas sobre um regresso à Formula 1 são cada vez maiores.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

O cartão de Natal de Mark Webber

Mark Webber mostrou hoje no seu Twitter um dos cartões de Natal que recebeu. Da autoria de Jim Bamber, o mítico cartoonista da Autosport britânica, vê-se o piloto australiano debaixo da árvore de Natal, a abrir os presentes, e ele comenta um desses presentes, um "aquecedor" para o seu carro. Ele comenta: "Não é nada simpático por parte do pessoal em dar um aquecedor para o meu carro!"

Da janela de casa, espreitando, estão Jaime Alguersuari, Sebastien Buemi, Jean-Eric Vergne e Daniel Ricciardo. E olham para a prenda com segundas intenções...

5ª Coluna: A politica da Toro Rosso

Apesar das várias especulações nesse sentido, toda a gente foi apanhada de surpresa quando a Toro Rosso anunciou ontem que iria alinhar em 2012 com uma dupla totalmente nova. Jean-Eric Vergne e Daniel Ricciardo irão alinhar na equipa, em substituição de Sebastien Buemi e Jaime Alguersuari. Como dizia ontem Joe Saward no seu blog, "foi um massacre".

Mas creio que este era um massacre esperado. Alguns dias antes, na segunda-feira, creio eu, li uma declaração do piloto espanhol, dizendo algo como que "não tinha vencido nenhuma corrida pela Toro Rosso". Se procuravam por sinais, esta pode ser encarada como uma prova. Por um lado, não deixo de respeitar tal decisão, pois o objetivo da Toro Rosso é esse mesmo: serve de viveiro para pilotos jovens, vindos da escola de formação da Red Bull, logo, o tempo de vida terá de ser escasso.

Mas por outro, acho que o timing do anuncio dos novos pilotos é o de uma tremanda sacanagem: em dezembro, a dez dias do Natal e com o pelotão em ebulição para preencher os pooucos lugares que restam, especialmente na Williams. Alguersuari e Buemi foram apanhados "de calças na mão", depois de uma boa temporada da parte dos dois pilotos, especialmente o catalão de 21 anos. Quem acabaria a carreira com essa idade, especialmente depois de uma boa segunda metade da temporada?

O problema desta atitude de Rainha de Copas, a personagem do "Alice no País das Maravilhas", de Lewis Carrol é o de usar e deitar fora. A Red Bull está obcecada em encontrar um "Vettel II", mas até agora só tem encontrado "Mark Webbers". Alguersuari, o mais jovem piloto de sempre na Formula 1, e Buemi, um suiço, são bons pilotos, mas não servem para os critérios da marca de bebidas austriaca. Não os impressionaram nestes dois anos que tiveram na categoria máxima do automobilismo e começavam a ver que os pilotos que estão atrás deles, como estão agora Jean-Eric Vergne e Daniel Ricciardo, querem ter a sua oportunidade e não lhes davam. Para que Ricciardo pudesse ter uma hipótese na Formula 1 neste ano, a Red Bull pagou alguns milhões de dólares (cinco milhões, creio eu) para a meia época que o australiano teve na Hispania.

Quanto a Alguersuari e Buemi, "enxotados" sem apelo nem agravo, vão ter de encontrar um lugar o mais rapidamente possivel. Mas eles estarão aflitos, porque a maior parte dos lugares já foram ocupados. A Force India deverá divulgar os seus pilotos amanhã, a williams no inicio da semana e só deve sobrar uma vaga na Caterham e na Hispania. Talvez seja o lugar ideal para Jaime Alguersuari, mas há algo que me diz que não verei estes dois pilotos na grelha de partida na temporada de 2012. A vida continuará para eles, provavelmente noutras categorias, como a DTM, GT1 ou no WEC.

Por outro lado, hoje, Riccardo e Vergne rejubilam com esta oportunidade. Todos reconhecem o talento de ambos os pilotos e irão demonstrar isso nas pistas de todo o mundo a partir de 2012. Mas a partir de agora, vão ser mais dois que irão viver com uma permanente "espada de Dâmocles", porque a Red Bull, que lhes pagou as suas carreiras, espera que não sejam bons pilotos. Tem de ser magnificos, e o resto do mundo irá assistir a isso. Porque outros dois pilotos estão á esquina, a quererem os seus lugares. A Formula 1 pode ser um lugar cruel, mas parece que os lugares da Toro Rosso fazem lembrar um tanque cheio de crocodilos.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Surpresa! Toro Rosso anuncia "lineup" completamente novo para 2012

De forma surpreendente - ou talvez não - a Toro Rosso anunciou esta tarde que os pilotos de 2012 serão o francês Jean-Eric Vergne e o australiano Daniel Ricciardo, substituindo os anteriores pilotos, o espanhol Jaime Alguersuari e o suiço Sebastien Buemi, que após dois anos de bons serviços, embora não tenham deslumbrado, foram corridos dali sem apelo, nem agravo.

"Ao longo do ano que passou, tanto o Daniel como o Jean-Eric mostraram o seu valor e espero que eles possam dar uma contribuição significativa para a performance da equipa no próximo ano. O Daniel tem o benefício de já ter competido em grandes prémios este ano [na Hispania Racing], enquanto o Jean-Eric provou que pode adaptar-se rapidamente às exigências de um carro de Fórmula 1", começou por afirmar Franz Tost no comunicado oficial.

Quanto aos pilotos que estiveram anteriormente na equipa, Tost expressou o seu agradecimento pelos serviços prestados, mas afirmou que agora é tempo de eles seguirem adiante, pois o objetivo da equipa, como subsidiária da Red Bull é o de levar jovens pilotos á categoria máxima do automobilismo:

"Devo agradecer ao Sébastien Buemi e ao Jaime Alguersuari por todo o seu trabalho árduo ao longo dos três últimos anos. Conseguiram algumas excelentes prestações que ajudaram a equipa a dar um passo em frente e a evoluir. Desejo-lhes felicidades para o futuro. Contudo, temos de nos lembrar que quando a Scuderia Toro Rosso foi criada em 2005, teve como intenção ser o degrau de acesso à Fórmula 1 para os mais jovens no programa de jovens pilotos da Red Bull. Assim, faz parte da cultura da equipa mudar a sua dupla de pilotos de tempos a tempos de forma a alcançar esse objetivo", acrescentou.

Daniel Ricciardo, que por estes dias tinha sido falado como uma hipótese para a Caterham, agradeceu à Toro Rosso pela oportunidade concedida, depois de maio ano ao serviço da Hispania Racing:

Esta está a ser uma grande oportunidade para mim, algo que queria desde o momento em que comecei a participar nos treinos livres de sexta-feira no inicio desta temporada", começou por dizer o piloto australiano. “Para ser honesto, ainda estou excitado com estas noticias. Juntar-me à Scuderia Toro Rosso foi sempre o meu objetivo", concluiu.

Já Vergne, campeão da Formula 3 britânica em 2010, já teve uma experimencia com os carros da STR nos treinos livres de três das quatro últimas corridas da temporada que terminou há algumas semanas: "Estou pronto para este novo desafio, mesmo sabendo que existe uma grande diferença entre os testes e a corrida propriamente dita", afirmou.

Daniel Ricciardo nasceu a 1 de julho de 1989 em Perth e começou a andar em monolugares em 2005, na Formula Ford australiana. Depois passou pela Formula BMW Asia, Formula Renault 2.0, onde foi campeão da WEC em 2008 e vice-campeão na competição europeia. Em 2009, vai correr na Formula 3 britânica, pela Carlin, e vence o título, para passar em 2010 para a World Series by Renault 3.5., onde foi vice-campeão. Nessa altura, já fazia parte da Academia da Red Bull, onde teve a oportunidade de experimentar um carro de Formula 1 no "rookie test" de Abu Dhabi. Depois de alguns bons resultados, ficou na Toro Rosso no inicio de 2011, como terceiro piloto. A partir do GP da Grã-Bretanha, arranjou um lugar na Hispania Racing, correndo na segunda parte da temporada.

Já Jean-Eric Vergne nasceu a 25 de abril de 1990 na localidade de Pontoise, não muito longe de Paris. Começou a correr em 2001 no karting, onde se tornou vice-campeão nacional em 2004. No ano seguinte, foi vice-campeão europeu, atrás do britânico James Calado, e em 2006, participou na final do campeonato do mundo, onde terminou na sétima posição.

Em 2007, passou para os monolugares, começando a correr na Formula Renault Campus, em França, vencendo por seis vezes e alcançando cinco pole-postions, acabando por ser campeão. No ano seguinte, passou para a Formula Renault 2.0, correndo pela SG Formula, e em simultâneo pela Eurocup e pela WEC, a competição destinada à Europa Ocidental. Depois de uma boa temporada, onde acabou na quarta posição na WEC, com três pódios, em 2009 repetiu a experiência, acabando em ambas as competições na segunda posição.

Em 2010, já apoiado pela Red Bull, Vergne passou para a Formula 3 britânica, ao serviço da Carlin, onde venceu treze corridas e conquistou o campeonato a duas rondas do seu final, tornando-se no primeiro francês a fazê-lo.

No final dessa temporada, fez seis provas na World Series by Renault, pela Tech 1 Racing, em substituição do neozelandês Brandon Hartley. Vergne subiu ao pódio por quatro vezes e venceu uma corrida, em Silverstone, amealhando pontos suficientes para terminar o ano na oitava posição. Manteve-se em 2011 na World Series by Renault, desta vez a correr ao serviço da Carlin, e aí mostrou a sua rapidez, vencendo em cinco corridas e subindo ao pódio em mais quatro ocasiões, acabando como vice-campeão, batido pelo canadiano Robert Wickens.

domingo, 16 de outubro de 2011

Formula 1 2011 - Ronda 16, Coreia do Sul (Corrida)

O que se poderá dizer sobre os eventos de Yeongnam? Pode-se dizer que, mesmo com o título conquistado, a fome de vencer de Sebastian Vettel não esmoreceu, e a prova disso foi o que fez nos primeiros metros de corrida, ao atacar logo a liderança de Lewis Hamilton e passou para o comando ainda a primeira volta não tinha terminado. E depois disso, não mais foi incomodado pelos seus adversários até à bandeira de xadrez, garantindo assim que ficaria na frente dos McLaren e desse à Red Bull o seu segundo título de Construtores consecutivo.


Pode-se dizer também que Mark Webber completou o pódio, e assim, completou o objetivo da Red Bull de ficar com o título que lhe faltava. Superou um Jenson Button que sofreu com o rendimento do seu carro ao longo da corrida, acabou fora do pódio, mas conseguiu manter-se firme na luta pelo vice-campeonato, dez pontos à frente de Fernando Alonso, o quarto classificado da corrida.
O grande momento da corrida acabou por ser a batalha pelo segundo lugar, nas voltas finais da corrida. Lewis Hamilton, o segundo classificado, viu-se na contingência de se defender dos vários ataques de Mark Webber, num grupo que também fez juntar numa segunda parte Jenson Button e Fernando Alonso. Hamilton conseguiu defender-se bem do australiano da Red Bull, e até respondeu por duas vezes a ultrapassagens de Webber, recuperando a sua posição logo de seguida, garantindo assim que o segundo lugar era seu e a oferecer um pequeno motivo para festa nas boxes da McLaren, num fim de semana em que comemorava a sua 700ª participação em Grandes Prémios.

Quanto à Ferrari, vê-se que já está concentrado em 2012, pois está cada vez mais a mostrar-se que é a terceira equipa do pelotão, monopolizando a terceira fila na qualificação e o quinto e sexto lugares na corrida, com prestações muito iguais. Fernando Alonso só conseguiu superar Felipe Massa numa estratégia de troca de pneus mais eficaz. E benficiaram também do acidente entre Michael Schumacher e Vitaly Petrov - que fez entrar o Safety Car - e provavelmente poderia fazer perigar as suas posições finais.

E quem beneficiou desse acidente foi o Toro Rosso de Jaime Alguersuari. Já tinham mostrado que estavam em forma ao longo do final de semana coreano, mas o jovem piloto catalão fez uma corrida bem madura, aproveitando os erros dos outros e não comentendo qualquer erro de monta, acabando por ficar no sétimo posto, igualando o seu melhor resultado desta temporada. A equipa ainda conseguiu que o seu outro piloto, o suiço Sebastian Buemi, ficasse com o nono posto, e desse mais dois pontos à marca de Faenza, ex-Minardi. Entre os dois, o Mercedes de Nico Rosberg, e a fechar os pontos, o Force India de Paul di Resta.

No final, foi uma corrida sem grande história. Agora vêm aí duas semanas onde ouviremos imenso sobre a India e o seu Grande Prémio. E provavelmente ouviremos a palavra "odisseia" agarrada a elas. Será que vai ser assim?

sábado, 27 de agosto de 2011

Formula 1 2011 - Ronda 12, Belgica (Qualificação)


Tem de se dizer que foi uma qualificação surpreendente e emocionante na pista de Spa-Francochamps. Com o tempo normalmente imprevisível nas Ardenas, as surpresas foram muitas... excepto na "pole-position", onde o inevitável Sebastian Vettel ficou de novo com o primeiro lugar e espetou mais uma vez o seu dedo indicador, em sinal de celebração.

A qualificação começou com pista molhada... e uma batida de Michael Schumacher, que ao fazer a sua primeira volta rápida, despistou-se e danificou o seu carro de tal forma que não pode mais correr no resto da Q1. O estranho nisto tudo é que Schumacher - que comemora o 20º aniversário da sua estreia na Formula 1 - se ter despistado em plena reta da meta, e batido forte. A qualificação também viu uma discrepância de tempos enorme entre os dois extremos, pois o Virgin de Jerome D'Ambrosio e os Hispania de Daniel Ricciardo e Vitantonio Liuzzi não conseguiram um tempo suficientemente bom para ficar dentro da regra dos 107 por cento. Assim, oficialmente teremos 21 carros a correr amanhã... se os comissários não aprovarem os apelos das equipas.

Para terem uma ideia desse extremo, o Red Bull de Mark Webber fez 2.02,827, enquanto que Daniel Ricciardo fez 2.13,077. Mais de dez segundos de diferença! Também interessante também nessa Q1 é que o Lotus de Heiki Kovalainen estão cada vez mais a entrar na Q2 - é a terceira vez nesta temporada - deixando de fora o Force India de Paul di Resta, que 18º.

Na Q2, ainda sob pista molhada, mas progressivamente a secar, a sessão foi interrompida quando o outro Force India, o de Adrian Sutil, bateu forte no Eau Rouge e causou a interrupção da sessão durante sete minutos, para recolher os destroços. Pouco depois, na final dessa sessão, e com a pista a secar rapidamente, Lewis Hamilton, quase em desespero, passa Pastor Maldonado numa manobra "atrevida" na zona do Bus Stop. A repetição mostra que houve contacto, mas dito "normal". Hamilton passou para o Q3, mas Maldonado não, e o venezuelano vingou-se, batendo de propósito no carro do inglês no gancho de La Source! Com isto, os comissários de pista resolveram chamar os dois para que explicassem estas manobras bizarras...

E no final dessa Q2 é que surgiram as surpresas: Jenson Button não conseguiu passar para a Q3 e ficou apenas com o 13º tempo, enquanto que em contraste, as Renault passaram e o Toro Rosso de Jaime Alguersuari conseguia pela primeira vez este ano a entrada no "top ten" E Sebastien Buemi não ficou muito atrás, pois foi 11º.

E aí é que a pista começa a ficar seca. Os pilotos metem pneus "soft" e esperam para que a luz fique verde e ataquem melhor a pista belga. No final, com a pista a secar e com os tempos a aproximnarem-se do "normal", vêm-se os Red Bull a darem o ar da sua graça, com Vettel na pole-position e Mark Webber no terceiro posto, com Lewis Hamilton entre eles, no segundo lugar. Mas o mais surpreendente foi o que aconteceu atrás deles. Primeiro, o quarto posto de Felipe Massa, que foi pela segunda vez consecutiva o melhor dos Ferrari, enquanto que Fernando Alonso acabou a qualificação num sombrio oitavo posto, atrás até de... Jaime Alguersuari e Bruno Senna!

Pois é: o catalão da Toro Rosso aproveitou bem as condições de Spa-Francochamps e conseguiu um bom sexto tempo, na frente do estreante Bruno Senna, que foi o melhor dos Renault - até melhor do que Vitaly Petrov - mostrando que afinal de contas, bastava ter apenas um bom carro nas suas mãos para demonstrar do que era capaz. Mas na frente deles todos, na quinta posição da grelha, ficou o Mercedes de Nico Rosberg, conseguindo talvez uma das suas melhores prestações da época.

E assim aconteceu a qualificação de Spa-Francochamps. Agora resta saber se a corrida será tão emocionenta assim. Veremos, se o tempo ajudar...

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Os pilotos da Toro Rosso no fio da navalha

A Red Bull fez no inicio de 2005 uma academia de pilotos cujo objetivo era de encontrar talentos para levar até ao topo, ou seja, a Formula 1. Deu oportunidade a vários pilotos para o alcançar, desde o austriaco Christian Klien até ao americano Scott Speed, passando pelo italiano Vitantonio Liuzzi, o alemão Sebastian Vettel, entre outros, incluindo o português Filipe Albuquerque. Alguns conseguiram o que queriam e Vettel tornou-se no melhor deles todos, porque está na Red Bull e é o campeão do mundo.

O processo passou também pela aquisição de uma equipa B, onde os pilotos pudessem passar algum tempo a ambientar-se na Formula 1 até que pudessem dar o salto para outras partes, ou para a irmã maior. Foi o que Vettel fez, passando ano e meio da Toro Rosso, com uma vitória pelo meio, em Monza. Mas o processo, liderando por Franz Tost e Helmut Marko, tem espinhos. E esses espinhos passam pela pressão quase incomparável sobre os jovens pilotos para que mostrem o que valem... já, caso contrário, serão colocados na rua, sem apelo nem agravo. E se a primeira época é para aprender, na segunda tem de mostrar que são bons... ontem.

Já houve casos no passado que mostram essa faceta. Scott Speed, despedido em 2007 depois de andar à batatada em Nurburgring com Franz Tost devido a uma discussão sobre a sua performance durante a época, e depois o despedimento de Sebastien Bourdais em 2009, também a meio da época, devido aos "maus resultados", enquanto que se protegia o outro piloto, o suiço Sebastien Buemi. No primeiro caso, Speed foi substituido por Vettel e no segundo, deu-se uma oportunidade ao catalão Jaime Alguersuari, campeão da Formula 3 britânica em 2008.

Agora, é a entrada em cena do australiano Daniel Ricciardo que envenenou o ambiente na segunda equipa da Red Bull. Outrora amigáveis, o ambiente entre os dois é gélido, depois do GP da Austrália. O incidente na primeira curva da corrida de Melbourne, quando o jovem catalão se superiorizou por fora o seu companheiro suiço e tocaram-se ligeiramente, levando algumas curvas depois a que Alguersuari atingisse Michael Schumacher mesmo em cheio e comprometesse a sua corrida. Buemi continuou e acabou no décimo posto, subindo dois lugares com a desclassificação dos Sauber.

Segundo o jornal suiço "Blick", ambos já nem sequer se falam um com o outro, o que foi testemunhado pelo jornalista do mesmo jornal, dizendo que durante as dozes horas de viagem não trocaram uma única palavra durante o longo vôo de regresso à Europa. E para piorar as coias, eles já sabem que a Toro Rosso convocou o australiano para o final de semana do Grande Prémio da China, mesmo sabendo que ele deveria estar neste mesmo fim de semana na ronda inaugural da World Series by Renault, em Aragão, significando que em breve, ele estará no cockpit de um dos seus carros. E isso significa que um deles terá de sair, e claro, nenhum deles dará a contenda por terminada.

Em jeito de conclusão vemos de novo a maneira como a Red Bull trata os seus jovens pilotos: dá-lhes a mão, mas não hesita em dar-lhes um prazo - demasiado curto, vê-se - para darem nas vistas. E nem todos são Sebastien Vettel, e esses pilotos, todos na casa dos vinte, vinte e dois anos, tem uma mentalidade e maturidade suficientemente fortes para resistirem às pressões na pista... e fora dela.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Apresentações 2011 (III): o Toro Rosso STR6

Mais uma equipa que apresentou o seu bólide esta manhã foi a Toro Rosso, a segunda equipa da Red Bull no pelotão da Formula 1. O seu STR6, o segundo chassis a ser feito de forma independente, e com motor Ferrari, tenta ter como objetivo fazer melhor do que fez no ano anterior, e tentar também não ser superado por nenhuma das equipas estreantes em 2010, Virgin, Lotus e Hispania.

O chassis é uma evolução do ano anterior, apenas com um bico mais alto do que o anterior, espera-se que eles se mantenham entre as equipas do meio do pelotão. Quanto À dupla de pilotos, é a mesma: o espanhol Jaime Alguersuari e o suiço Sebastien Buemi, mais um terceiro piloto, o australiano Daniel Ricciardo.

Quanto a objetivos, Giorgio Ascanelli, o diretor desportivo, foi algo filosófico: "Não estamos a usar a mesma quantidade de pessoas que têm as outras equipas, não estamos a usar o mesmo tempo no túnel de vento do que elas, mas damos o nosso melhor, mesmo sabendo que isso às vezes não é o suficiente", disse.

Apesar da Toro Rosso usar o sistema de recuperação KERS, algo que as estreantes não terão, essa vantagem aparente não é festejada como uma vantagem por parte dele: "Esperamos que o sistema KERS esteja bom, pois o nosso sistema de transmissão é o mesmo do ano anterior, portanto se não nos causar problemas, vai estar tudo bem, pois caso contrário teremos um grande problema", concluiu.

Quanto aos pilotos, o suiço Sebastien Buemi afirma que a temporada de 2011 é importante no sentido de alcançar resultados, quer para ele, quer para a equipa: "A equipa está a fazer um bom trabalho no novo carro, e esperamos que esteja melhor do que no ano passado. Quanto amim, tenho agora maior experiência e mais tempo para me dedicar à equipa e ao carro, portanto vai ser interessante de se ver, embora temos de ver para saber o que o carro é capaz", afirmou numa entrevista ao sitio inglês GPUpdate.