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sábado, 29 de fevereiro de 2020

Felix da Costa: "Que grande vitória!"

António Félix da Costa era uma pessoa feliz no final do ePrix de Marrakesh, quinta prova do campeonato da Formula E. O piloto da Techeetah conseguiu superar Max Gunther, numa corrida onde foi essencialmente um duelo a dois até à segunda metade da corrida. A partir dali, o alemão da BMW ficou par trás e passou a ser atacado por Jean-Eric Vergne, que tentou e tudo para o passar e dar uma dobradinha para a equipa sino-francesa, mas a defesa do alemão causou, paradoxalmente, o afastamento do piloto português rumo à vitória - terminou com 11,4 segundos de avanço sobre Gunther - a sua primeira nesta temporada e tornando-se no quinto vencedor diferente em 2019-20. 

A caminho do pódio, com todas as emoções ainda à flor da pele, comentou:

"Que grande dia, grande vitória num dia que mostrámos toda a nossa raça, tanto em rapidez como em gestão de energia e estratégia de corrida. Senti-me sempre muito confortável e quando cai para 2º sabia que podia vencer, pois com isso ganhei energia ao Max [Gunther] e depois quando o passei, consegui ir embora e vencer. Um dia muito bom para toda a equipa, que está de parabéns, todos têm trabalhado intensamente na fábrica em Paris e esta vitória é o resultado disso.", começou por dizer.

"Que grande vitória, passei para a liderança do campeonato e estamos no caminho certo, vamos continuar a trabalhar na máxima força para as próximas corridas!", concluiu.

No campeonato, não só Félix da Costa lidera com 67, contra os 56 de Mitch Evans, como a Techeetah sai de Marrakesh com a liderança no campeonato de Construtores, com 98 pontos, mais oito que a BMW.

O campeonato prossegue a 4 de abril, nas ruas de Roma, a primeira prova em solo europeu.

Formula E: Félix da Costa triunfa em Marrakesh e sai como líder do campeonato

Quinta prova, quinto vencedor diferente, e neste sábado, as cores portuguesas estiveram no lugar mais alto do pódio. Depois de ter feito a pole-position, António Félix da Costa terminou a corrida como vencedor, depois de ter andado boa parte da prova em duelo com Maxmilian Gunther. Mas ao contrário do que aconteceu em Santiago do Chile, onde teve de ceder ao alemão da BMW Andretti, desta vez foi o piloto de Cascais que levou a melhor, com Gunther na segunda posição e pressionado por Jean-Eric Vergne, que ficou com o lugar mais baixo do pódio, na frente de Sebastien Beumi, da Nissan. Mitch Evans, da Jaguar, protagonizou a recuperação mais sensacional da corrida, vindo de último na grelha para acabar na sexta posição!  

Com o céu azul e a temperatura amena, o ambiente na pista estava expectante para saber se a competição iria sair de paragens marroquinas com novo líder, agora que António Félix da Costa estava a meros cinco pontos da primeira posição. Ainda por cima quando Mitch Evans, o lider, partia do último lugar, e o segundo classificado, Stoffel Vandoorne, era meramente 17º, tudp parecia estar a favor do piloto de Cascais.

Na partida, sem incidentes de maior, com o piloto português a tentar distanciar-se de Gunther. Ambos abriam uma margem para o terceiro colocado, o Mercedes de Nyck de Vries. Atrás, Vergne subia posições e no inicio da terceira volta, era oitavo, passando o Jaguar de James Calado. Pouco depois, o Attack Mode estava ativado.

Com o passar das voltas, os pilotos consolidavam as suas posições, aguardando pelo momento de passar pela primeira vez no Attack Mode. Com a passagem do primeiro carro por essa zona, o Mahindra de Jerome D'Ambrosio, a organização anunciou que De Vries tinha de passar pelas boxes para cumprir um "drive thrgough" devido à... excessiva regeneração do seu sistema. Vergne era agora séxto, depois de passar o Nissan de Oliver Rowland.

Aos 15 minutos de corrida, e na volta dez, os dois primeiros foram para o Attack Mode, e também Vergne, que aproveitou para passar Buemi e ser quinto. Mortara também foi, mas uma volta depois. Os Techeetah eram os melhores, batendo cada um dos seus pilotos a volta mais rápida. E isso compensou para o francês, que passou o Porsche de Lotterer - que tinha ido ao Attack Mode - para ser terceiro. Quando a energia extra acabou, o alemão ainda estava debaixo de energia a mais e recuperou o terceiro posto. 

Entretanto, Gunther atacou Felix da Costa e conseguiu passá-lo, ficando com a liderança. Mas o piloto português não o largava, tentando gerir a energia atrás do piloto da BMW. Lotterer era terceiro, pressionado por Vergne, e ambos aproximavam-se dos dos primeiros.

A 17 minutos do fim, Félix da Costa foi ao Fanboost e passou o alemão da BMW, com Lotterer e Vergne em cima deles. O português tentou afastar-se antes que Gunther fosse ao Attack Mode e evitar que ele fosse embora. Ao mesmo tempo, Vergne passava Lotterer e era terceiro. Na frente, o português estava com alguma distância sobre o alemão, e Vergne já tinha quase quatro segundos de atraso. Mas foi nessa altura que foi ao Attack Mode, com Mortara atrás dele, a ameaçar o terceiro posto, depois do suíço ter passado Lotterer. Vergne afastou-se, enquanto o suíço da Venturi era de novo passado pelo alemão da Porsche.

A oito minutos do fim, Vergne consegue alcançar Gunther e passar para segundo, depois de passar a volta mais rápida da corrida até então. O alemão da BMW foi ao contra-ataque, mas o francês da Techeetah defendia-se. E no meio disto tudo, o piloto português já tinha cinco segundos de avanço.

No final, Gunther pressionou imenso o francês e o passou, mas na frente, Félix da Costa venceu pela primeira vez este ano e conseguindo a sua terceira vitória da carreira. Buemi é quarto e Mictch Evans, de último, terminou em sexto!

No campeonato, após a ronda marroquina, Félix da costa têm agora 67 pontos, seguido por Evans, com 56 e Sims, com 46. A próxima prova acontecerá dentro de cinco semanas, a 4 de abril, em Roma.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Youtube Motosport Crash: O acidente de Ryan Newman em Daytona

As 500 Milhas de Daytona são sempre emocionantes, e no calendário da NASCAR, tem a mesma importância que as 500 Milhas de Indianápolis. E pela primeira vez na sua história, um presidente americano foi ao local para dar a partida de uma corrida que... durou dois dias, porque pelo meio, caiu uma bátega de água que fez adiar para segunda-feira.

E no final da corrida, na última volta, Ryan Newman conseguiu passar Denny Hamlin e Ryan Blaney, e este tentava manter a liderança quando foi tocado por trás por Blaney, a pouco mais de cem metros da meta. Perdeu o controlo, bateu no muro, mas depois levou um choque em T de um outro carro, no lado do condutor e na zona da cabeça. Socorrido de imediato, ele foi para o hospital e boa parte das cerimónias pós-corrida foram canceladas, pois os pilotos iam sendo avisados da gravidade da situação.  

Após duas horas dificeis, o comunicado oficial tranquilizava... mas não muito.

"Ryan Newman está a ser tratado no Halifax Medical Center. A sua condição e séria, mas os médicos identificaram os seus ferimentos como não-fatais. Apreciamos os vossos pensamentos e orações e pedimos que respeitem a privacidade de Ryan e a sua familia nesta altura. Apreciamos a vossa paciência e cooperação e providenciaremos mais informações assim que for possível."

A grande ironia do destino é que o acidente aconteceu precisamente 16 anos depois do acidente mortal de Dale Earnhardt Sr, precisamente na última volta das 500 Milhas de Daytona desse ano. 

sábado, 15 de fevereiro de 2020

Formula E: Evans foi o melhor no México, AFC segundo

Mitch Evans foi melhor que André Lotterer na partida do ePrix do México, no Autódromo Hermanos Rodriguez, e não olhou para trás até à bandeira de xadrez, dando a vitória à Jaguar. O neozelandês ficou na frente de António Félix da Costa, no seu DS Techeetah, e Sebastien Buemi, no seu Nissan. Jean Eric Vergne foi o quarto, na frente de Alexander Sims, que agora partilha o comando do campeonato com Evans, e o português não anda longe.

Depois de André Lotterer ter sido o poleman, a corrida teria de ser algo diferente para marcar presença. E foi o que aconteceu: na partida, Mitch Evans largou melhor e pressionou Lotterer para que este cometesse um erro e caísse para quarto. De Vries era segundo, antes de ser passado por Buemi, que mais tarde perderia mais dois lugares, passado por Lotterer e Bird. Nesta altura, Félix da Costa era nono. Contudo, na terceira volta, Nico Muller batia forte na Curva 1 e fazia com que o Safety Car entrasse na pista. Entretanto, no fundo do pelotão, os Mahindra cumpriam penalizações por infrações técnicas.

No regresso da corrida, Bird atacou Lotterer no Estádio para ser terceiro, que depois perdeu mais uma posição para De Vries. Pouco depois, Felipe Massa abandonava com um toque no muro. 

Evans afastava-se volta após volta, com Buemi a ser pressionado por Bird, Pouco depois, o alemão da Porsche tinha danos e perdia posições até ao fundo do pelotão. Ao mesmo tempo, Sam Bird foi para o Attack Mode e passou para segundo, indo atrás de Evans. Vergne e Félix da Costa eram sexto e sétimo, respectivamente. Pouco depois, o português passou o seu companheiro de equipa.

Pouco depois, começaram as segundas passagens pelo Attack Mode, e os Techeetahs aproveitaram para ir ao mesmo tempo. O português foi à busca do holandês da Mercedes, que era quinto, e quando se defendeu do piloto português, queimou a travagem e acabou na escapatória, levando consigo Robin Frijns, que foi prejudicado. 

Pouco depois, o piloto português estava colado na traseira do Nissan de Buemi. O suíço foi para o Attack Mode, tal como Vergne, mas o suíço não conseguiu afastá-lo dele. Contudo, a equipa dá-lhe ordens para que o francês o passasse, o que obedece. Com isso, Buemi ia-se embora. 

A dez minutos do fim, Ma Qinghua bateu no muro mas não incomodou a corrida, enquanto na DS Techeetah, os pilotos voltaram a trocar de posições, com o português a voltar a ficar em quarto. Mas ele apanhou, e depois passou, o suíço da Nissan, ficando com o terceiro posto. E pouco depois, Bird falha a travagem e o português era segundo!

No final, Evans estava na frente e a controlar as coisas, com Félix da Costa também a observar tudo. Foi assim que cruzaram a meta, mesmo no limite de energia dos bólidos. Para o neozelandês, era a sua segunda vitória na sua carreira, e a primeira nesta temporada, e para o português, o segundo pódio seguido. Sebastien Buemi ficava com o lugar mais baixo do pódio, na frente de Jean-Eric Vergne e de Alexander Sims, da BMW.

No campeonato, Mitch Evans está na frente com 47, pontos, seguido por Sims, com 46 pontos e António Félix da Costa em terceiro, com 39, um ponto na frente de Stoffel Vandoorne, com 38. A próxima corrida é dentro de duas semanas, em terras marroquinas.  

domingo, 26 de janeiro de 2020

Youtube Motorsport Racing: A corrida de Santiago, na íntegra

Uma semana depois do ePrix de Santiago do Chile, terceira corrida da temporada 2019-20 da Formula E, O seu canal do Youtube disponibilizou na íntegra a corrida, vencida por Max Gunther, que superou António Félix da Costa para se tornar no piloto mais novo de sempre a triunfar numa prova da competição elétrica. 

E claro, dando à BMW Andretti a sua segunda vitória em três provas. 

Agora é esperar até ao dia 15 de Fevereiro para mais ação, desta vez na Cidade do México. 

sábado, 18 de janeiro de 2020

Formula E: Gunther bate Félix da Costa e vence e Santiago

Max Gunther foi o vencedor, dando mais uma vitória à BMW Andretti, batendo António Félix da Costa, que no seu DS Techeetah, fez uma corrida de recuperação do décimo posto. Mitch Evans, o vencedor de Ad Diriyah, ficou com o lugar mais baixo do pódio, enquanto Alexander Sims, Sam Bird e Jean-Eric Vergne foram os derrotados da tarde, ficando fora dos pontos.

A partida começou se grandes problemas... até ao gancho, onde toques prejudicaram alguns pilotos, como Neel Jani e um dos BMW, o de Alex Sims. O suíço acabou nas boxes e perdeu uma volta. A meio do pelotão, Sims a Andreas Lotterer lutavam pelos últimos lugares pontuáveis, tocando um com o outro. Na frente, Evans controlava o andamento perante Pascal Wehrlein, e alguns pilotos já começavam a usar o Attack Mode.

Poucos minutos depois, Sims acaba por abandonar, colocando a situação em Full Course Yellow, que pouco depois voltou ao normal, com mais alguns toques, especialmente em Rowland, que sofreu um toque de Sam Bird e acabou com o carro a desfazer-se. E com o passar das voltas, os pilotos da frente iam para o Attack Mode, com os DS a subirem na corrida, com Vergne na frente de Félix da Costa.

Na frente, Evans distanciava-se de Wehrlein, enquanto Gunther era atacado pelos Venturi de Massa e Mortara, enquanto atrás, Turvey era passado pelos DS. Eles foram ao ataque, e conseguiram apanhar Massa depois de um toque por parte do piloto brasileiro, quando queria passar Mortara. Ele conseguiu passar o português quando este foi ao Attack Mode pela segunda vez, mas ele recuperou a posição.

Nesta altura, Gunther foi para o Attack Mode e usou para apanhar Evans, que o conseguiu passar para a liderança. Faltavam 22 minutos para o final da prova. 

Poucos minutos depois, Wehrlein tentava fugir de Vergne com o seu Attack Mode, mas o francês atacou com uma travagem no limite para ser terceiro. Quase ao mesmo tempo, Mortara perdia o seu quinto posto para o piloto português. Na frente, Evans estava atento para apanhar Gunther, porque agora tinha Vergne a aproximar-se. Já Wehrlein era assediado pelo segundo piloto da DS e perdeu o quarto posto para Félix da Costa. Agora faltavam doze minutos.

A seguir, a asa da frente de Vergne solta-se e ele tentava aguentar o posto a qualquer custo, mas perdeu para Félix da Costa, atrasando-se. Pouco depois, foi às boxes trocar de frente, e a sua prova tinha ficado comprometida, mas depois, acabou por desistir. O português era terceiro e tentava apanhar os dois primeiros. E a seis minutos do fim, Félix da Costa estava na traseira do Jaguar do neozelandês, para depois o passar.

Depois disso, partiu para o ataque, apanhando Gunther ao ritmo de um segundo por volta. Conseguiu passá-lo depois de uma travagem num dos ganchos, e mesmo com a defesa agressiva do piloto alemão. Mas logo a seguir, pediram para resguardar a temperatura das baterias, e com isso, o alemão aproximou-se, tentando atacar. Na última volta, conseguiu passá-lo, partindo para a vitória. Evans ficou com o lugar mais baixo do pódio, na frente de Pascal Wehrlein. Stoffel Vandoorne foi sexto, no seu Mercedes.

Com isto, Guther torna-se, aos 21 anos, no vencedor mais jovem de sempre da competição, roubando o recorde... a Félix da Costa.

No campeonato, após três provas, o líder é agora Stoffel Vandoorne, com 38 pontos, contra os 35 de Sims. 

A 15 de fevereiro, a Formula E estará de volta, correndo no Autódromo Hermanos Rodriguez. 

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Youtube Motorsport Racing: A segunda corrida da Formula E em Ad Diriyah

Depois de ter colocado a primeira corrida da Formula E em paragens sauditas, com vitória de Sam Bird, no seu Virgin, é a vez de colocar aqui a corrida que deu o triunfo a Alexander Sims, o seu primeiro na competição, 

domingo, 1 de dezembro de 2019

Formula 1 2019 - Ronda 21, Abu Dhabi (Corrida)

E a longa temporada acaba aqui. Desde há uma década a esta parte, este entreposto do deserto, uma das cidades-estado dos Emirados Árabes Unidos, consegue superar Dubai e monta na zona de Yas Marina, um complexo automobilístico que têm o seu quê de entretido, mas do qual os fãs mais hardcore não se convencem e questionam a sua existência. Só os justifica porque o cenário, mas especialmente o dinheiro, assim o obriga.

Não foi uma corrida histórica. Aliás, se não existisse, não nos importaríamos. Contudo, a marca é importante, e as petromonarquias banhadas de ouro negro estão dispostas a pagar rios de dinheiro para ter estas manifestações desportivas. E como a Formula 1 precisa de dinheiro, qual prostituta de luxo, para pagar às equipas, sempre exigentes, como filhotes de águia, lá ela aceita, colocando exigências porque é a corrida de fecho do campeonato, etc...

Ontem, não houve história: as Mercedes dominaram, Lewis Hamilton, o campeão do mundo, foi o melhor, num carro bem equilibrado, adiante de um Valtteri Bottas que por ter trocado de motor por causa da explosão em Interlagos, iria ser o último da grelha.

E quanto a hoje... depois de Hamilton ter largado na frente, com um Max Verstappen a ficar no segundo posto, antes de ser passado por Charles Leclerc, o britânico foi-se embora, deixando o resto a brigar pelas migalhas, digamos assim. E cedo se descobriu que não havia DRS ligado, logo, as asas não poderiam ser mexidas. Os puristas aplaudiam, pois iriam ver o que seria uma corrida sem esse dispositivo artificial. Bom, espero que tenham tirado as suas conclusões... se saíram das suas nuvens, não é?

Com isso, a corrida transformou-se, progressivamente, num longo suporífero. A única coisa de interessante que se viu foram as estratégias de corrida. Primeiro, com a Ferrari a decidir-se por duas paragens, em vez do um que a maior parte das equipas decidiram fazer, ainda por cima, com a Mercedes a parar o mais tarde possível, especialmente Bottas, que vinha do fundo do pelotão.

A estratégia da Ferrari não foi grande coisa. Vettel chegou a ser sexto, atrás de Alexander Albon, por causa da segunda paragem, mas depois recuperou a posição. Em contraste, Charles Leclerc foi o segundo, antes de ser atacado por Max Verstappen que aproveitou uma travagem para fazer uma ultrapassagem musculada para se apossar do segundo posto. E tudo isso numa altura em que Hamilton não era - aliás, nunca foi - ameaçado na sua liderança.

No final, Hamilton venceu, na frente de Verstappen e Leclerc, que estava a ser assediado por Bottas para ficar com o lugar mais baixo do pódio. Largaram-se os foguetes para comemorar tudo o que se deveria comemorar: os títulos da Mercedes e de Hamilton - que fazia aqui a sua corrida numero 250, a propósito - o final de um campeonato que começa a ser demasiado longo para toda a gente. Mas em 2020 haverá mais, em novos lugares e novos cenários, provavelmente com o mesmo resultado. Ou talvez não.

sábado, 23 de novembro de 2019

Formula E: Sims sai vitorioso de terras sauditas

Alexander Sims saiu hoje de Ad Diyriah com a vitória na mão, num triunfo para a BMW Andretti, na segunda corrida do fim de semana saudita. Sims superou o Audi de Lucas di Grassi, que ficou com o segundo posto, na frente de Stoffel Vandoorne, num Mercedes. Maximilian Gunther, inicialmente no segundo posto, foi penalizado em 24 segundos e perdeu esse lugar para o piloto belga.

Já em relação a António Félix da Costa, apesar do sexto posto na grelha de partida, ficou inicialmente fora dos pontos, com a consolação a ter a volta mais rápida. Mas por causa das penalizações, ele acabou por subir à décima posição, ficando não só com o ponto relacionado com o lugar, mas com o ponto extra da volta mais rápida.

Depois de uma qualificação onde o melhor foi Sims, que conseguiu a sua segunda pole-position do fim de semana, a corrida começou com o britânico a liderar, enquanto o português da Techeetah era quarto, já que Jean-Eric Vergne partia de último, após ter trocado e bateria. O português aproximou-se de Lucas di Grassi e conseguiu passá-lo, sendo terceiro. Logo a seguir, apanhou Sebastian Buemi e começou a ameaçar o segundo lugar. Pouco depois, o piloto português superou-o para ficar com o segundo posto. Mas a ultrapassagem foi através de um toque, e a direção de corrida investigou as suas circunstâncias. Pouco depois, o piloto português leva um drive through e caiu para o fundo do pelotão.

A meio da prova, o Safety Car entrou na pista. A razão foi porque Mitch Evans colocou Sam Bird contra o muro e os destroços foram mais que suficientes para bloquear a pista. Os comissários andaram a limpar a pista de destroços, mas logo a seguir, Robin Frijns bateu no muro, fazendo sair de novo o carro de segurança para a pista.

Quando o carro voltou para as boxes, a corrida recomeçou com Gunther a ser segundo, pressionado por Di Grassi para ficar com o lugar. Atrás, Félix da Costa começou a subir lugares para tentar chegar perto dos lugares pontuáveis, mas no final, conseguiu cortar a meta apenas na 13ª posição, apesar de fazer a volta mais rápida na sua última volta.

No final, Sims estava feliz pela sua vitória:

"Foi uma corrida de sonho. De onde posso ver, digo que conseguimos executar tudo, tomamos as decisões certas nos momentos certos, tudo deu certo hoje. Tenho feito isso desde há vinte anos, não é algo que acontece sempre. Mas precisa fazer seu trabalho, manter-se longe de distrações. Mas, sim, cruzar a linha de chegada foi uma sensação incrível. Todo o ano passado e ontem são lições que aprendemos, vamos continuar o aprendizado no futuro. Sei do esforço que a equipa tem colocado nisso. Vencer é muito bom.", afirmou.

Agora, a Formula E vi para paragens sul-americanas, rumo a Santiago do Chile, onde a 10 de janeiro haverá a terceira prova do campeonato.

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Formula E: Bird é o melhor na primeira corrida do ano

Sam Bird foi o melhor na pista de Ad Diriyah, em terras sauditas. O piloto da Virgin superou o Porsche de André Lotterer, enquanto Stoffel Vandoorne foi o terceiro, no seu Mercedes. A DS Techeetah teve uma má corrida, com Jean Eric Vergne a desistir e António Félix da Costa a não ser melhor que 14º, depois de uma má qualificação.

Numa pista escorregadia, e depois dos Mercedes mostrarem-se perante ao mundo - onde é que já vimos isto? - foi o BMW de Alexander Sims a ser o melhor, enquanto os DS Techeetah tiveram uma má qualificação, com Jean-Eric Vergne na 11ª posição e António Félix da Costa onze lugares mais abaixo devido a problemas técnicos.

Na partida, Sims manteve o comando e os pilotos foram cautelosos para evitar batidas logo nos primeiros metros. Nas voltas seguintes, o britânico contiuava na frente de Vandoorne e Nick De Vries, os pilotos da Mercedes, enquanto Edoardo Mortara, o piloto da Venturi, aguentava o pelotão. Sebastien Buemi foi a primeira desistência do ano, na terceira volta. Pouco depois, James Calado tornava-se também no primeiro a usar o Attack Mode.

Depois, Sam Bird, André Lotterer e Oliver Rowland aproveitaram para passar pelo Attack Mode, indo mais velozes, para sobretudo, passar Mortara. O britânico aproveitou para pressionar fortemente o suíço da Venturi, o que conseguiu na volta seguinte. Na mesma altura, os Mercedes passaram pelo Attack Mode para tentar apanhar Sims, que começava a distanciar-se. Mas este também foi para aí na volta seguinte, tentando estar um pouco mais igual que os seus rivais.

A meio da corrida, os Mercedes estavam em cima de Sims, mas não esboçavam qualquer ataque, especialmente quando o quarto classificado, Sam Bird, também estava perto deles. É ele o primeiro a ir pela segunda vez para o Attack Mode. A 16 minutos do fim, ao mesmo tempo que Vergne desistia devido a um toque no muro, Nick de Vries era surpreendido por Sam Bird e o britânico era terceiro. E atacava Vandoorne quando ambos atacavam Sims e o belga estava na liderança, mas pressionado por Bird.

A pouco mais de dez minutos, Bird assediava Vandoorne, agora com André Lotterer no terceiro posto. O britânico partiu para o ataque e conseguiu a liderança. O belga da Mercedes estava agora a ser assediado pelo alemão da Porsche, enquanto Alex Sima era pressionado pelo Nissan de Oliver Rowland. E pouco depois, o piloto da Nissan ficou com a quarta posição.

A seis minutos do fim, o Safety Car entra inesperadamente na pista. A razão tinha a ver com Daniel Abt, que tinha batido no muro e deixou peças na pista. A prova volta à ação a cerca de dois minutos do final - cerca de três voltas - onde Bird consegue distanciar-se de Lotterer, que conseguiu passar Vandoorne para ser segundo.

Com isto, Bird entrava na história por ser o primeiro a vencer em todas as temporadas da competição, e claro, o primeiro líder da competição. Amanhã há mais corrida, no mesmo local.

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Ford versus Ferrari - A verdade por trás do filme (parte 9)

(continuação do capitulo anterior)


UM FINAL À AMERICANA


Pela meia-noite e meia, um grande acidente colocou quatro carros fora de prova nos Esses, envolvendo dois dos Ferrari. Jean Guichet fizera um pião, no seu Ferrari oficial, e saía do local sem danos quando Robert Buchet, num 906, se despistou e bateu ali. Pouco depois, Jo Schlesser, no seu Matra, também bateu ali, e quando os carros estavam a ser retirados, o Ferrari 330P de Scarfiotti despista-se a bate forte nos carros que lá estavam, acabando no hospital com escoriações.

Dois Ferraris fora de prova. Desta vez, o azar calhava ao lado de Maranello.

Pouco depois das três da manhã, novo golpe da Ferrari, quando o NART de Pedro Rodriguez e Richie Ginther retirava-se com a caixa de velocidades quebrada. e uma hora mais tarde, o carro de Mairesse/Muller também abandonava quando seguia na quinta posição, também com o mesmo problema. Com isso, na frente só havia Ford. E ainda por cima, todos eles eram Shelby-American. Apenas um dos Holman-Moody permanecia, e estava muito longe dos da frente. Quando o dia amanheceu, o melhor não Ford era o Porsche 906 de Jo Siffert, que corria no sexto posto.

Apesar dos Ford dominarem, havia um duelo pela liderança, contra todas as instruções de Shelby. Gurney e Miles queriam o lugar, mas Miles tinha perdido tempo por causa dos discos de travões, que estavam incandescentes. Ele voltou para a pista lutando pela liderança, mas por volta das nove da manhã, o carro de Dan Gurney desistia com o radiador furado. Por essa altura, o tempo mudara, e voltava a chover, logo, os carros tinham de abrandar o seu ritmo.

Pelas 11 da manhã, Henry Ford II chegava de helicóptero a Le Mans para ver a situação "in loco". Tinha tudo controlado, e tudo era da Ford, especialmente os da Shelby. Iria finalmente bater a Ferrari em Le Mans, como tinha prometido três anos antes. Estava acompanhado pela familia, nomeadamente Edsel Ford II, o seu filho, e a sua segunda mulher, que tinha apostado mil dólares... contra a Ford. Desta vez, parecia que iria perder a aposta.

A Ford juntaram-se Leo Beebe e Don Frey, e foram ter com Shelby. Todos estavam felizes por vencerem - e claro, manterem os empregos - e esta altura, começaram a discutir como é que isto deveria acabar. Shelby disse que a vitória deveria ser para Ken Miles. Mas Leo Beebe tinha outra ideia: queria que os carros cruzassem a meta em formação, para celebrar a vitória que tanto procuravam.

"Faltando aproximadamente duas horas para o final, Leo Beebe, Don Frey e outros membros do Comité de Le Mans encheram a boxe. Iam ganhar a guerra do senhor Ford contra o senhor Ferrari, pelo menos isso dava para se perceber. Iam manter os empregos. No entanto, permanecia ainda um toque de sobriedade, um presentimento de que estava iminente o inesperado. A conversa virou-se para a chegada. Os executivos perguntaram a Shelby como é que achava que aquela história deveria terminar.

- Bem, raios - afirmou Shelby à medida que os carros iam passando a todo o vapor a poucos metros de distância - o Ken tem estado a liderar todas estas horas. É ele quem deveria ganhar a corrida.

Olhou para Beebe.

- O que acha que deveria acontecer, Leo?

Beebe ponderou por um momento:

- Não sei - respondeu - Eu até gostava de os ver os três atravessar a meta juntos.

Shelby achou a proposta interessante. Se os carros nas primeira três posições atravessariam juntos a linha de chegada, a equipa inteira da Ford ganharia. Podiam encenar um empate entre Miles e McLaren e não teriam qualquer razão para correr um contra o outro até ao fim e arriscarem um despiste ou o rebentamento de um os motores. O Ford numero 2 estava apenas a uma volta de distância do Ford numero 1.

- Oh, para o Diabo - disse Shelby - façamos isso, então."



A.J. Baime, "Como uma Bala", pgs. 275-76.

A Ford decidiu-se por um empate, e os organizadores até anuíram com a ideia. Assim sendo, foram para a frente.

Ken Miles queria vencer por uma razão simples: tinha vencido em Daytona e Sebring, e Le Mans seria a "Tripla Coroa" da Endurance. Estando ele na frente, tinha tudo para ganhar, mas não sabia que McLaren e Amon estavam na mesma volta que ele. Tinham ordenado que abrandasse e deixasse que os neozelandeses o apanhassem para fazer o final para as câmaras.

Contudo, quando a formação estava feita, Bill Reiber, da Ford França, veio da cabine dos organizadores com uma má noticia: os regulamentos não permiriam um empate. Caso ambos os carros atravessassem a meta ao mesmo tempo, o vencedor seria aquele que percorresse mais metros. E nesse caso, tinha sido McLaren, que partira oito metros mais atrás que Miles na grelha de partida. Quando Reiber avisou a Leo Beebe, já era tarde.

Quando a bandeira de xadrez foi mostrada, ambos os carros estavam lado a lado, como tinham pedido. McLaren e Amon estavam vinte metros mais atrás que Miles, mas foram declarados como vencedores, para revolta de Miles, que desejava a "Tripla Coroa" da Endurance. "Estou desiludido, é claro, mas o que se pode fazer?" E mesmo os vencedores não estavam muito felizes com o final, pois não era assim que desejariam vencer aquela grande prova da Endurance. Mas acima de tudo, a Ford era a grande vencedora.

Nas boxes, Miles comemorava com uma Heineken, e um pouco mais tarde, cruzou-se com McLaren. Depois de se olharem um para outro, deram um abraço apertado.


A VIDA É INJUSTA


Depois de Le Mans, as coisas continuaram: se naquele verão, para McLaren e Amon, as recepções na América como heróis era o pão nosso de cada dia, para Miles, havia mais testes com a nova evolução do GT40, que aconteciam na pista de Riverside, não muito longe de Los Angeles. Mas dificilmente engolia o facto de ter perdido aquela corrida por um pormenor técnico, e sobretudo, politico.

Alguns dias depois, deu uma entrevista a Bob Thomas, jornalista do Los Angeles Times. Ali, não deixou de exprimir a sua amargura em relação ao resultado:

"Pensei que tínhamos ganho", disse sobre a foto da chegada. "Mas ficamos em segundo por um pormenor técnico. Sinto que a responsabilidade disto reside na decisão da Ford, ignorando os meus protestos, de fazer da chegada um empate. Eu disse-lhes que não achava que ia funcionar". Apos a entrevista, Miles suplicou ao repórter. "Robert", disse, "por favor, tem cuidado com a forma como relatas o que eu disse. Eu trabalho para estas pessoas. Eles têm sido extremamente bons para mim".

A.J. Baime, "Como Uma Bala", pg. 281.


O dia 17 de Agosto de 1966 era de canícula em Riverside. Lá, Miles testava o "J Car", um carro experimental da Ford que queria levar para as 24 Horas de Le Mans de 1967. Ele iria ter nova chance de vitória em La Sarthe, e ali, provavelmente, teria todas as chances de vitória. Ainda por cima, a Ford iria investir mais dez milhões de dólares para o programa.

Depois de toda uma manhã a bater recordes de pista no carro, uma pausa para almoço, e mais testes com o carro. No final da tarde, Ken Miles acelerava a mais de 290 km/hora na reta principal quando o carro não travou e bateu forte no banco de areia, catapultando-se no ar e indo parar a outro lado. O carro estava totalmente desfeito, a arder, e o piloto estava cinco metros fora do carro. Tinha sido projetado pelo impacto, visto que ainda tinha o banco, e os cintos de segurança à volta do seu corpo. Quando os socorros chegaram, eles simplesmente constataram a sua morte. Tinha 47 anos.

(continua)

domingo, 17 de novembro de 2019

Formula 1 2019 - Ronda 20, Brasil (Corrida)



Interlagos é um clássico. A pista é velha - vai fazer 80 no ano que vêm - mas tem a sua história quer no automobilismo brasileiro, quer no mundial. Não admira que o chamem de "Templo do Automobilismo". Contudo, a história da corrida de 2019 poderia ter sido a de uma modorra até à volta 50, se os acontecimentos que aconteceram a seguir não tivessem acontecido. E digo a partir dessa volta, porque foi o momento em que o motor de Valtteri Bottas "deu a alma ao Criador", e depois, foi o contrário da modorra, que deu aquele que provavelmente foi o final mais emocionante da temporada. O resto conto aqui em baixo. 

Com céu azul, sem nuvens à vista, parecia que este Grande Prémio iria ser uma festa para os que assistiam a corrida. Isto, se os pilotos colaborassem.


E na partida, Max Verstappen conseguiu manter a liderança, embora Sebastian Vettel fosse surpreendido por Lewis Hamilton, que ficou com o segundo posto, numa manobra por fora da curva. Charles Leclerc subiu para o oitavo, depois de passar Kimi Raikkonen, e ia tentar apanhar Pierre Gasly, que não estava muito perto... ele lá apanhou, mas demorou sete voltas para fazê-lo.

E quando o fez, foi na mesma altura em que, quando Daniel Riccardo tentava apanhar Kevin Magnussen, houve um toque entre ambos. O dinamarquês despistou-se, mas continuou, enquanto o australiano acabou por ir às boxes para trocar de asa, e acabando no fundo da tabela. Ambos acabaram por ser investigados pelos comissários e o australiano levou uma penalização de cinco segundos.

Na frente, tudo calmo: Verstappen controlava os acontecimentos, com Hamilton em segundo, sem que Vettel atacasse, enquanto Leclerc tentava se aproximar de Albon, o quinto classificado. 

Mas a partir da volta 17 é que veio o primeiro piloto às boxes: Sergio Perez, que trocou para médios. Duas voltas depois, foi a vez de Hamilton ir às boxes, colocando moles e provavelmente, indo para o ataque. 

A seguir, Max Verstappen foi às boxes, mas a sua saída foi prejudicada por um Williams, que o evitou que voltasse na liderança, e Hamilton passou para a liderança. Mas o holandês reagiu e passou ao ataque. Ele conseguiu passar para a frente do inglês, mas a luta não terminava ali. Na volta seguinte, no mesmo lugar, Hamilton passou o holandês, mas ele reagiu de novo e o passou. Tudo isto na volta 23-24.

Na volta 26, Vettel foi às boxes, trocando para médios, logo a seguir foi Bottas, também para o mesmo tipo de pneus. O último a parar foi Leclerc, na volta 30, onde o monegasco colocou pneus duros. A partir daqui, a poeira assentou e o holandês manteve uma liderança de cerca de 2,6 segundos sobre Hamilton, e a prova foi para a modorra esperada, de uma certa forma.

A partir da volta 40, nova ronda de trocas de pneus, começando com Bottas, que trocava de duros para médios, numa movimentação algo surpreendente. A seguir veio Hamilton, que colocou médios, e depois Verstappen, que faz uma paragem de 1,9 segundos para colocar médios e entregava a liderança da corrida a Vettel. Ao mesmo tempo, Bottas estava em cima de Leclerc para o tentar passar para ser quinto.

Os Ferrari pareciam querer ficar na pista, mas perdiam três segundos por volta, logo, em poucas voltas, ele seria apanhado, se ficasse por lá. Leclerc defendia-se de Bottas com dificuldade, mas conseguia. Na volta 48, Vettel voltava a trocar de pneus e colocava macios, caindo para quarto, atrás de Albon, que pouco depois, mudou de pneus, colocando moles.

Mas na volta 50, fumo sai das traseiras de Bottas e ele acaba por desistir. Algo raro nestes tempos, mas acontece. Contudo, a colocação do carro na pista foi o suficiente para chamar o Safety Car na pista, na volta 55, com alguns pilotos, como Charles Leclerc e Max Verstappen a irem às boxes e trocar para pneus mais frescos. Moles e frescos. Hamilton ficava na frente, mas sem parar, o holandês viria com tudo para o apanhar quando o carro de segurança regressar às boxes.

Na volta 59, a corrida voltou ao normal, com Verstappen a conseguir passar Hamilton, com Albon a passar Vettel e ser terceiro, enquanto Leclerc era quinto, atrás do seu companheiro de equipa. O holandês vai-se embora do inglês, enquanto este via Albon a aproximar-se. 

As movimentações seguiram adiante, com o alemão da Ferrari fica dos perseguição dos Red Bull, com os pilotos a lutarem entre si. Mas na volta 67, os carros vermelhos auto-excluem-se com Vettel a tocar em Leclerc. O monegasco fica auto-eliminado, e o alemão têm um furo que o faz arrastar para as boxes, mas não chegou a tempo, acabando por abandonar. E com estas auto-eliminações, os Red Bull pareciam que iriam ficar com dois terços do pódio.

A SC voltou à pista para... mais ação. No inicio da penultima volta, Hamilton tocou no carro de Albon, numa manobra bem polémica, que foi aproveitado por Pierre Gasly para chegar ao segundo posto e um possivel lugar no pódio. O francês aguentou bem até à meta, com o Mercedes lado a lado, com o piloto da Toro Rosso a levar a melhor, no segundo pódio do ano para a equipa de Faenza. Claro, quem se ria disto tudo era Max Verstappen, que pela segunda vez esta temporada, subia ao lugar mais alto do pódio. E claro, os espectadores no circuito e as pessoas em casa estavam felizes pela tarde passada.

Mas ainda havia mais: a passagem pela secretaria. Aí, Lewis Hamilton foi penalizado com cinco segundos e deu o terceiro lugar a Carlos Sainz Jr, que de último chegou ao terceiro posto, numa corrida agressiva e sem erros. A parte chata - e muitos exigiram isso na altura - era que decidissem isso antes da subida ao pódio, para poderem ver o regresso de um piloto McLaren a aquele lugar desde o GP da Austrália de 2015, com Jenson Button e Kevin Magnussen.  

domingo, 3 de novembro de 2019

Formula 1 2019 - Ronda 19, Estados Unidos (Corrida)

Se tudo correr bem, se o guião for cumprido na íntegra, hoje teremos campeão. E se chamará Lewis Hamilton, como já sabemos desde 2014... excepto em 2016, quando Nico Rosberg trocou as voltas. E logo a seguir reformou-se, porque tinha a consciência de que batê-lo é uma tarefa titânica. Se nem Fernando Alonso o conseguiu, no primeiro ano do britânico na Formula 1, quem o fizesse teria a sua entrada nos livros de história, não é?

Em Austin, pequeno ponto azul numa enorme terra vermelha, no Circuito das Américas, um autódromo cheio de espectadores sabia que seria ali que iriam assistir a história. Uma história com um final esperado, mas iriam. Os efeitos da corrida do México, uma semana antes, tinham colocado as coisas precisamente dessa forma, porque em circunstâncias normais, o campeonato iria ser decidido ali... se Valtteri Bottas tivesse ficado um pouco mais atrás.

E em Austin, era um pouco ao contrário: Bottas era pole, Hamilton o quinto, e com o risco de ser engolido pelo pelotão, algo invulgar para ele.

A partida correu bem para Bottas e Leclerc. Sebastian Vettel era terceiro, seguido por Hamilton, mas qualquer coisa aconteceu com o alemão, porque depois perdeu três posições. Atrás, Alex Albon saiu numa disputa com Carlos Sainz Jr e acabou nas boxes para trocar de pneus e reparar os estragos.

Na quinta volta, depois do DRS estar ligado, os quatro primeiros estavam estáveis, com Bottas na frente de Verstappen, Hamilton e Leclerc.

Mas na volta nove, a ondulação da pista foi demais para a suspensão do carro de Vettel, obrigando-o o a abandonar. Menos um piloto, mais um abandono, mais um festejo dos anti-Vetteis.

A corrida continuava com os quarto primeiros estáveis até à volta 14, quando o holandês foi às boxes e meteu pneus duros. Na volta seguinte, Bottas fez o mesmo, saindo atrás de Leclerc, no terceiro posto. Duas voltas bastaram para apanhar o monegasco - que ainda tinha médios - e voltar ao segundo posto. Na mesma volta, Verstappen também passou o Leclerc e caiu para o quarto posto, mostrando que aqueles pneus não davam para muito mais. O monegasco foi também às boxes na volta 22, mas perdeu quase oito segundos e voltou à pista no sexto posto. Pouco depois, Bottas apanhava Hamilton, e na volta 23, passava-o. Logo de imediato, o britânico foi para as boxes para colocar duros para ir até ao fim.

Por esta altura, Bottas tinha cinco segundos de vantagem sobre Verstappen e Hamilton, em terceiro, estava a tentar apanhar o holandês. Com tudo estável na frente, a ação estava nos lugares intermédios, com a recuperação de Albon até ao sétimo posto, apanhando os McLaren. Na volta 35, Verstappen voltava a trocar de pneus, caindo para terceiro. Duas voltas depois, foi a vez de Bottas fazer o mesmo, trocando para médios e perdendo o comando para Hamilton. Ao mesmo tempo, Ricciardo, o quinto, era assediado por Alex Albon, que queria muito esse lugar. Conseguiu na volta 38.

Bottas tentou apanhar Hamilton, com a diferença a diminuir, enquanto Leclerc, cada vez mais quarto, decidiu trocar para macios na volta 43 no sentido de conseguir, pelo menos, a volta mais rápida. Com o passar das voltas, os carros da Mercedes, cada uma com a sua estratégia, ficava cada vez mais junta. Na volta 51, Bottas estava na sua traseira, mas o inglês defendeu-se. O finlandês voltou à carga, e conseguiu passar na volta seguinte.

Mas havia mais: Verstappen também estava perto de ambos, e ele ia ao ataque do inglês. Mas apesar dos ataques do holandês da Red Bull, não chegou para evitar a dobradinha dos Flechas de Prata e claro, o hexacampeonato de Lewis Hamilton. Nada que não esperávamos, só queriamos saber onde é que seria a festa. Foi hoje, foi em Austin, e não foi uma grande corrida.

domingo, 27 de outubro de 2019

Formula 1 2019 - Ronda 18, México (Corrida)

Este iria ser o dia de mais campeões do mundo, se tudo corresse bem. A Cidade do México até tem tradições de entrega de títulos, alguns mais dramáticos que outros. Já lá vão os tempos em que o Autódromo Hermanos Rodriguez tinha um asfalto tão horrível que os pilotos sofriam com ele, por muito moles que tivessem as suspensões.

Mas depois da qualificação, a grande polémica foi os eventos do momento em que Valtteri Bottas bateu forte na Peraltada no momento em que tentava marcar uma volta rápida. Alguns pilotos levantaram o pé, com a notável excepção de Max Verstappen, que acelerou e marcou um tempo que melhorou a sua pole-position. Os comissários decidiram penalizá-lo com a perda de três posições, e a razão nem foi tanto ele ter desacelerado. Foi um pouco a sua arrogância, quando disse que, mesmo com a anulação do tempo que tinha marcado, seria pole na mesma. Para o fazer calar, foi-se ao espírito da lei: castiga-se o infrator, mesmo que não seja na letra da lei.

Assim sendo, mais uma vez, Charles Leclerc iria partir do primeiro posto, num monopólio da Ferrari. Mas a reta era longa, e tudo era possível, apesar da potência do Ferrari em reta. E neste domingo, o céu estava nublado, mas as nuvens não ameaçavam chuva. Os pilotos das três primeiras equipas tinham médios, com ideias de ir às boxes por duas vezes.

A partida começou com os Ferrari a conseguirem largar bem, graças aos motores. Atrás, Verstappen e Lewis Hamilton ficam engolidos pelo pelotão, com ambos a saírem da pista na curva 2, com o maior beneficiário a serem Alex Albon e Carlos Sainz Jr, terceiro e quarto. No final da primeira volta, o Safety Car Virtual entrava por causa de destroços na pista. Mas ninguém ia para as boxes para trocar algo nos seus carros. Hamilton tinha caído para quinto, mas quando a bandeira verde foi novamente agitada, Hamilton conseguiu passar o espanhol da McLaren e foi atrás do tailandês da Red Bull.

Na quarta volta, o piloto holandês passou Bottas, mas logo depois, na manobra, cortou o pneu traseiro direito e ficou uma volta inteira a arrastá-lo até às boxes, deitando fora a sua corrida. Trocou para duros, mas agora a vitória seria pontuar. E quem tinha macios, estava aflito: Daniil Kvyat ia às boxes na volta 10, e trocou para médios. Três giros depois, Lando Norris foi trocar de pneus... e um deles não foi apertado. Foi empurrado, corrigiram o erro, mas a corrida dele acabou por ali, o que é pena.

Na frente, Leclerc ia-se embora, com Vettel a ser assediado por Alex Albon pelo segundo posto, enquanto Hamilton não conseguia apanhar o anglo-tailandês da Red Bull. Albon foi às boxes na volta 15, ficando com médios, provavelmente para fazer duas paragens. Na volta seguinte, foi a vez de Leclerc, com médios calçados, com poucos a colocarem duros.

Na frente, Vettel e Hamilton aguentavam-se com os médios, e cada um deles tinham desgastes nos seus pneus traseiros. Na volta 23, Hamilton trocou para andar de duros, tentando ver se consegue chegar até ao fim com eles. Vettel ficou mais tempo na pista, pensando na estratégia para superar Hamilton com os mesmos pneus duros.

E na volta 30, Verstappen conseguiu passar Sainz Jr e entrar nos pontos. O objetivo mínimo tinha sido alcançado, mas provavelmente não muito mais do que isso.

Por fim, Bottas parou na volta 35, para meter duros e ficar até ao fim da prova, com Vettel a reagir na volta seguinte, colocando os mesmos duros e indo até ao fim. Leclerc era o lider, mas ele era provável que fosse parar uma segunda vez, pois tinha médios. O alemão estava na pista atrás de Albon, mas na frente de Bottas.

E com isto, as coisas acalmaram-se. Era agora uma corrida de desgaste, para saber se as estratégias compensavam ou não. Hamilton tinha medo de saber se teria de ir de novo às boxes, porque tinha ido 15 voltas antes de Bottas e Vettel, e com eles mais frescos, poderiam apanhá-lo. Mas esses pneus eram bons e eficazes a altas temperaturas.

Mas na volta 43, Leclerc parou de novo... e não correu muito bem. 6,3 segundos e com isso, Hamilton liderava, com Albon em segundo e Vettel terceiro. Albon reagiu e trocou para duros, para ir até ao fim. Em contraste, fez a paragem em 1,9 segundos. Agora, Hamilton tinha 3,2 segundos de vantagem sobre Vettel. Bottas era terceiro, e agora a diferença era de 74 pontos, insuficiente para comemorar o hexa no México. Contudo, nas voltas seguintes, Hamilton começava a ver Vettel e Bottas aproximarem-se, e a situação era assim na volta 50, quando Ricciardo parou, por fim nas boxes. Ao mesmo tempo, Lando Norris parava de vez na corrida.

Na parte final da corrida, Mercedes e Ferrari aproximaram-se um ao outro, com todos calçando pneus duros. Cinco segundos separavam os quatro primeiros no final da volta 58, a treze do final, e a tensão estava a ficar cada vez mais alta. E ainda com Hamilton a ter pneus mais duros por mais tempo, ainda aguentava Vettel e conseguia por vezes afastar-se do alemão.

Na volta 70, todos agitaram-se no circuito quando Ricciardo tentou passar Perez pela sétima posição, acabando com o australiano da Renault a seguir em frente, depois da travagem queimada. O mexicano aguentava-se, mas Ricciardo prometia voltar ao ataque.

Contudo, apesar das ameaças, tudo acabou desta forma: Hamilton foi o vencedor, com Vettel e Bottas atrás, iriam subir ao pódio. Lelcerc era quarto, com Albon na frente de Verstappen - o que poeria ter feito se não tivesse borrado a pintura? - e Perez a aguentar Ricciardo, dando um momento de alegria aos locais. No final, haveria festa como só os mexicanos sabem fazer, mas o campeonato, esse, aparentemente, ficaria adiado para Austin. Mas também... é só mais uma semana.

domingo, 13 de outubro de 2019

Formula 1 2019 - Ronda 17, Japão (Corrida)

Depois da qualificação, não havia tempo a perder. Os carros acidentados foram reparados, limpos e preparados para poderem alinhar na grelha, o circuito enchia-se com os fãs que tinham os bilhetes e que conseguiram chegar ao circuito, ente os destroços que o tufão Hagibis tinha deixado, com o seu preço em termos humanos e materiais. Apesar de tudo o que tinha passado, os fãs continuavam a torcer pelos seus ídolos, e Suzuka continuava a ser aquela pista mítica para todos os que gostam de automobilismo.

E à hora marcada, debaixo de um céu azul, havia Grande Prémio. Ninguém poderia imaginar que 24 horas antes, tinha passado um tufão por ali...

A partida foi complicada. Primeiro, o carro de Sebastian Vettel mexeu-se em alguns milímetros antes das luzes se apagarem, dentro do limite do tolerável. Mas foi o suficiente para Valtteri Bottas acelerar e passá-lo antes da primeira curva. Poucos metros depois, Charles Leclerc, que queria ganhar vantagem, tocou fortemente no carro de Max Verstappen na primeira curva, acabando com a corrida do holandês, que se despistou, e danificou a asa do monegasco, que se arrastou até às boxes, largando pedaços de carbono na pista. O holandês terminou ali a sua corrida, e Vettel estava sozinho perante os Mercedes, e isso teria consequências. 

Leclerc trocou a asa, meteu médios e começou a cavalgar na classificação, tentando menorizar os prejuízos. Na frente, Vettel controlava a corrida, mas não conseguia afastar dos Flechas de Prata, com o pessoal nas boxes a ter decidido dividir as estratégias, para ver se assim poderiam chegar à dobradinha e os pontos necessários para conseguir o título de Construtores.

Por volta da volta 17, as primeiras paragens. Vettel foi o primeiro a parar, e depois Bottas, e com isso, Leclerc consegue entrar nos pontos, no nono posto. Aparentemente, Bottas poderia fazer duas paragens, para ser sacrificado por causa das estratégias diferentes que a Mercedes poderia fazer, mas nessa altura, Vettel já era terceiro, ainda com moles, esse tipo de pneus que via o seu ritmo baixar bastante. Hamilton entrou para colocar médios na volta 21, e era terceiro, na frente de Sainz Jr. O líder era Bottas, e tinha onze segundos de vantagem sobre Vettel.

Hamilton tentava apanhar o alemão na pista, apesar de saber que ambos os seus pilotos iriam ter de parar uma segunda vez. Na volta 32, Vettel voltava a trocar de pneus, colocando médios, e regressava em terceiro, atrás dos Mercedes. Provavelmente a dobradinha era uma certeza, mas a diferença para os dois carros cinzentos era de treze segundos, com Bottas na frente.

O finlandês parou na volta 37, colocando moles e voltando na segunda posição, atrás de Hamilton, a nove segundos. Em termos de colocação, estava a meio caminho entre o britânico e o alemão. E os três tinham um ritmo superior a Alex Albon, o quarto no seu Red Bull, com Sainz Jr e Leclerc não muito longe do anglo-tailandês.

A dez voltas do fim, Hamilton trocou para moles, caindo para terceiro, a cerca de cinco segundos de Vettel, e decidiu partir ao ataque, apesar de ter uma distância de 15 segundos. Na volta 47, o inglês estava colado na traseira de Vettel, ao mesmo tempo que Leclerc tinha parado para trocar a médios e fazer a volta mais rápida. 

A parte final foi de ficar sentado no sofá. Hamilton atacava Vettel, mas o Ferrari era veloz nas retas, suficiente para evitar que o inglês passasse, mas havia momentos em que o piloto da Mercedes ficava colado na sua traseira. Com isso, Bottas afastava-se e ganhava tranquilo a corrida, mas todos queriam ver como é que isto iria acabar. Acabou com Vettel a manter a posição, e Hamilton ficava com a medalha de bronze, na frente de Albon, Sainz Jr. e Leclerc. Mas os Flechas de Prata comemoravam na mesma, porque, mais que Bottas saia como vencedor, eles tinham novamente o campeonato de Construtores.

Mais tarde, a secretaria iria baralhar as contas. Primeiro, marcou a classificação uma volta antes, contando o nono posto de Sergio Perez, que se despistara na primeira curva depois de um toque no carro de Daniil Kvyat. Depois, a organização decidiu penalizar Leclerc em quinze segundos por causa do acidente com Verstappen e subsequentes manobras nas boxes, acompanhada de uma multa de 25 mil dólares.

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Youtube Formula 1 Video: As comunicações da Ferrari em Sochi

Definitivamente, a Ferrari foi a equipa do dia, bem como os seus pilotos. E a Formula 1, no seu canal do Youtube, foi eloz em fazer um video com um compacto das suas comunicações de rádio. 

domingo, 29 de setembro de 2019

Formula 1 2019 - Ronda 16, Rússia (Corrida)

Sochi é um lugar idílico, onde as quatro estações do ano bem combinam naquele lugar. Situado aos pés do Cáucaso, os russos escolheram-na para sediar os Jogos Olímpicos de Inverno de 2014, gastando mais de 50 mil milhões de dólares em infraestruturas. Contudo, para evitar o deserto inevitável depois de realizada a Olimpíada, decidiram colocar um circuito - desenhado por Hermann Tilke, claro - para fazer com que alguém viesse a aquele lugar todos os anos e fizesse ter uma razão. Calhou a Formula 1 - que não é um desporto olímpico - mas por 25 ou 30 milhões se dólares, faz o seu trabalho, embora a pista seja considerada uma das mais aborrecidas do calendário.

Contudo, o GP da Rússia de Formula 1 - que desde 2014 é vencida pela mesma equipa - teve o mesmo vencedor, mas com algumas incidências que resultaram no mesmo desfecho. Alguns poderão afirmar que foi azar dos outros, outros refutarão que tem a ver com uma hierarquia que já deveria acontecer, mas a direção deixa que corram. Vá-se lá entender o que os fãs querem.

O que os fãs também deveriam entender é que isto já está decidido há muito tempo, e apenas vivíamos um interregno. 


A história desta corrida começa assim: com Alex Albon a partir nas boxes, a partida começou com Charles Leclerc a superar Lewis Hamilton, que tentava ficar com a liderança. Mas depois de impor o seu carro, acabou por ser superado por Sebastian Vettel. O britânico chegou a aguentar os ataques de Carlos Sainz Jr, que esteve a seu lado, mas depois o superou, enquanto atrás, Romain Grosjean bateu forte no muro, por causa do toque com António Giovinazzi, que por sua vez, causou um furo no Renault de Daniel Ricciardo. Resultado final? Safety Car. O primeiro da corrida


Foi assim durante quatro voltas, até que o carro volte às boxes, tempo suficiente para ouvir que havia ordens de equipa: Leclerc e Vettel iriam trocar de lugares. Contudo, Leclrc queria que ele trocasse logo de imediato, mas o alemão estava veloz, fazendo voltas mais rápida atrás de volta mais rápida. E o monegasco começava a queixar-se de que o alemão não estava a cumprir o combinado. E na volta 15, o alemão tinha uma vantagem de 3,5 segundos.

Com o passar das voltas, a degradação dos pneus era tão ligeira que na Mercedes, comunicava-se que os médios calçados poderiam aguentar por mais quinze voltas. E na volta 20, parecia que todas as janelas de paragem nas boxes tinham ido embora. E sem as paragens, parece que a emoção vinha mais na tensão entre pilotos para saber se apanham uns aos outros. Apenas na volta 22, a primeira paragem entre os da frente, com Lando Norris, da McLaren, que trocou para médios.

Duas voltas depois, Leclerc parou nas boxes, para médios, onde conseguiu 2,5 segundos. O monegasco caiu para quarto, atrás dos Mercedes, enquanto Hamilton tinha quase sete segundos de desvantagem sobre Vettel. E na volta 26, foi a vez do alemão parar, fazendo três segundos, e saindo atrás do monegasco.

Mas foi por pouco tempo: subitamente, sem aviso, o Ferrari fica sem potência e encosta na berma. Com Safety Car Virtual, muitos pilotos aproveitaram e trocaram de pneus, enquanto Hamilton decidiu trocar para moles, suficiente para que ficasse na liderança, provavelmente o suficiente para vencer a corrida.

Mas logo a seguir, George Russell falha a travagem e do virtual passou para o real, pela segunda vez na corrida. Muitos dos que tinham partido com médios aproveitaram para ir às boxes e trocar para moles, e isso incluiu... Lelcerc, que trocou para moles. Com isso, ele ficou atrás dos Mercedes, provavelmente entregando a dobradinha aos Flechas de Prata.

A corrida recomeçou na volta 32, com os Mercedes na frente, e Bottas aguenta Leclerc nas voltas seguintes, o momento decisivo para que o britânico pudesse escapar para o monegasco. Mas isso não aconteceu e aos poucos, as distancias alargavam-se. Atrás, no meio do pelotão, os Red Bull conseguiam ser superiores aos McLaren, com Alex Albon - que partia das boxes - a chegar à quinta posição.

E no final, Hamilton, tranquilamente, venceu em paragens russas. Não foi tanto pela sorte (ou aar dos outros), mas a estratégia também ajudou. O britânico mostrou que não só merecia a vitória, como vai ser o campeão, talvez em Austin. De uma certa forma, foi como dizer que já foi a altura dos outros deixarem de se mostrar que têm carro, porque eles são eles os mais consistentes. E esta vitória mostrou um pouco o nosso estado de espírito no inicio deste verão, ms tinhamos esquecido, com estas vitórias da Red Bull e da Ferrari: que os Flechas de Prata iriam ficar com tudo, mais uma vez.

Agora passamos a um clássico, mas até lá chegarmos, passarão duas semanas.

domingo, 22 de setembro de 2019

Formula 1 2019 - Ronda 15, Singapura (Corrida)

A história deste GP noturno, em Singapura, é a de verdadeira resistência. Uma corrida onde, para cumprir a distância exigida, os pilotos têm de ficar duas horas dentro do carro, num cenário de calor e grande humidade - mesmo às nove da noite, hora em que realiza a corrida na cidade-estado. Logo, mais do que ser veloz, o piloto tem de ser resistente, porque é uma luta contra os elementos. Não só contra ele, mas também contra um carro que se degrada em termos de pneus e travões. Se os pneus podem ser substituídos, os travões não. 

E era nesse cenário que iriamos assistir ao GP de Singapura. Onde os Ferrari tinham tudo para conseguir a terceira vitória consecutiva e mostrar ao mundo que têm um carro vencedor. Mas era demasiado tarde para causar mossa nas aspirações da Mercedes em vencer ambos os títulos. E claro, para Charles Leclerc, a sua ambição era mais pessoal: com cinco pole-positions - o piloto que mais vezes tinha partido do primeiro lugar na temporada! -  se acabasse como tinha partido, uma eventual terceira vitória seguida faria-o igualar Damon Hill e um recorde com 26 anos. E claro, deixá-lo com cada vez mais autoridade para ser primeiro piloto para atacar os Mercedes. 

A partida começou com Leclerc a aguentar os ataques de Hamilton, que por sua vez, aguentava a tentativa de Vettel de o apanhar. Atrás, Sainz Jr e Hulkenberg tocaram-se, acabando com o espanhol a sofrer um furo e a cair para o fundo do pelotão. Ambos acabaram por ir às boxes e fazer as devidas reparações, tal como George Russell, que também tinha a asa quebrada.

Nas voltas seguintes, via-se como alguns dos pilotos tentavam evitar os problemas de sobreaquecimento, saindo da trajetória para arrefecer o carro, especialmente Sebastian Vettel, que estava sempre atrás do piloto da Mercedes. E na volta 12, começaram as primeiras paragens, primeiro com Daniil Kvyat, e depois com Sergio Perez.

Mas nesta altura, Lelerc começava a perder rendimento por causa dos pneus. E Hamilton ficava colado na traseira. Contudo, o monegasco da Ferrari reagia, afastava-se um pouco, e quem aabaria por sofrer com os pneus era... Hamilton. 


E no regresso à pista... Vettel entrou na frente de Leclerc. Surpreendente, hein? Hamilton lá se mantinha na frente, mas o ritmo era maior para os Ferrari, mesmo ele a acelerar para evitar isso. E na volta 22, Bottas ia aos pneus, colocando médios. Cinco voltas depois, Hamilton foi às boxes, para colocar duros, numa altura em que os Ferrari estavam presos no trânsito. Voltou na frente de Bottas, e Alexander Albon até saiu de pista para evitar bater nos Flechas de Prata. 

Com isto tudo, o líder era Antonio Giovinazzi, que batia alguns recordes: o primeiro italiano desde 2009, e primeiro piloto da Alfa Romeo desde 1983, ele lá se mostrava ao mundo que liderava. Sem ir às boxes, é certo,  mas mostrava que liderava. Mas durou pouco: Sebastian Vettel passou na volta 31, uma volta depois de Pierre Gasly ter feito uma defesa musculada contra a ultrapassagem do alemão da Ferrari. Sem consequências, mas ficou o susto.   

Quando o alemão chegou à liderança, a diferença para Gasly era de superior a cinco segundos, enquanto Vertsappen tinha 1,2 segundos para Leclerc, mas o holandês da Red Bull atacava, pois tinha Hamilton logo atrás dele. Os cinco que não tinham ido às boxes - como Giovinazzi e Ricciardo - aguentaram o que podiam até que os pneus médios estivessem nas lonas. E as coisas acabaram na volta 35, quando Giovinazzi e Ricciardo... tocaram-se no meio da pista, acabando ambos nas boxes, o italiano com a asa quebrada, o australiano com um furo.

E logo depois, o primeiro abandono, quando o Williams de George Russell bateu no Haas de Romain Grosjean, com o inglês a ir para o muro. Parado numa posição perigosa, a organização não teve outra chance senão colocar o Safety Car na pista. Na volta 36. 

Alguns pilotos aproveitaram a chance para trocar de pneus, boa parte para médios. Mas nenhum dos pilotos da frente foi às boxes, mantendo os duros. As coisas andaram assim até à volta 41, quando a corrida recomeçou com Vettel e Leclerc na frente... e Stroll com um furo, mas sem incomodar o pelotão.

Mas pouco depois, Sergio Perez teve problemas no seu carro e teve de o deixar no meio da pista, o suficiente para nova entrada do Safety Car. Houve uma ou outra passagem para as boxes, e no entretanto, a boxe da Ferrari soltou a ordem para os seus pilotos para manterem a poisção, do qual Leclerc obedeceu, contrariado. 

A terceira relargada durou pouco tempo, quando Kimi Raikkonen e Daniil Kyat se tocaram no final da reta, acabando com a corrida do veterano finlandês. Com a terceira entrada do Safety Car, toda a gente já estava convencida que a corrida poderia não acabar antes do limite das duas horas. E nesta altura, os pilotos estavam no limite físico.

Quando voltou, na volta 54, todos aceleraram rumo à meta, mas a luta que mais interessava era pelo terceiro posto, com Max Verstappen a aguentar os ataques de um Lewis Hamilton que estava a ver o seus rivais aproximarem-se. Contudo, o holandês aguentou bem os ataques e no final, os Ferrari conseguiram algo que era inédito em Singapura: uma dobradinha. E que dobradinha! Afinal de contas, há 392 dias, desde o GP da Bélgica de 2018, que Sebastian Vettel não subia ao lugar mais alto do pódio. E já bem merecia, especialmente depois do Canadá e de todos os erros nos últimos tempos.

No final, as caras contrastantes de ambos os pilotos no pódio, mas no final é Maranello que triunfa, numa sequência que já não tinham em mais de uma década, com os Mercedes de fora do pódio, algo que só acontece pela segunda vez nesta temporada. Mas eles deverão estar tranquilos: os títulos não lhes fogem, basta controlar o avanço da Ferrari a da Red Bull.

E agora não há tempo para respirar: Sochi está à esquina. 

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Youtube Racing Crash: A análise do acidente mortal de Anthoine Hubert

Mais de três semanas depois do acidente mortal do piloto francês Anthoine Hubert, no circuito belga da Spa-Francorchamps, dou de caras com este video explicativo sobre tudo o que aconteceu na curva do Radillon, graças às imagens captadas, desde o despiste do Giuliano Alesi até à colisão do Juan Manuel Correa ao carro de Hubert.

A explicação é longa, mas esclarecedora. E aconselho que a vejam.

domingo, 8 de setembro de 2019

Formula 1 2019 - Ronda 14, Itália (Corrida)

De Spa-Francochamps para Monza foi uma semana, 780 quilómetros de estrada por estradas belgas, alemãs, francesas, suíças e italianas, e muita coisa escrita em todo o tipo de páginas. A Ferrari parecia estar na mó de cima, comemorando o seu primeiro triunfo da temporada, e louvando Charles Leclerc pelo feito, do qual muito dizem que já merecia. E claro, partiam confiantes para a corrida que mais lhes interessava, o GP de Itália. Se vencessem, já compensaria o ano que estavam a ter, desilusório para muita gente, pois a sua maior rival já tinha dez vitórias no bolso e provavelmente ambos os campeonatos.

Apesar do final de "commedia" digna de Totó, ontem, na qualificação, Charles Leclerc não tinha a vida facilitada, pois Lewis Hamilton e Valtteri Bottas estavam logo atrás, e na frente de Sebastian Vettel. Esperava-se que a chuva fizesse a sua aparição na pista, mas apesar do céu nublado na hora da partida, não chovia em Monza. Logo, a chance de uma corrida veloz - é a mais velo do calendário - era bem real.

A partida foi calma. Leclerc aguentou os ataques de Hamilton e Bottas, enquanto Vettel era passado por Nico Hulkenberg. Os alemães depois trocaram de posições, no inicio da segunda volta, enquanto atrás, Max Verstappen se despistava ao tentar subir posições, na primeira chicane, e acabou nas boxes, para trocar de bico. Iria demorar mais tempo, essa recuperação...

Na volta 4, a ordem era Leclerc, os Mercedes, Vettel, já distantes dos Renault e o Racing Point de Lance Stroll. Pouco depois, Riccardo e Hulkenberg trocaram de posições e o alemão da Ferrari aproximava-se do finlandês da Mercedes. 

Mas na volta seis, Vettel erra na Ascari e cai para o fundo do pelotão. Mas quando ele volta à pista, ele o faz na frente de Lance Stroll, e ambos tocam, fazendo com que o carro quebre o nariz. A mesma coisa aconteceu... a Stroll, quando voltou à pista e colocou na gravilha o Toro Rosso de Pierre Gasly. Pouco depois, os organizadores decidiram que Vettel acabou com um Stop & Go de dez segundos, enquanto Stroll teve de fazer uma passagem pelas boxes, também com penalização.

De uma certa forma, para Vettel, "finta la corsa", e para os "tiffos", "finito l'amore". Agora, só Charles, o monegasco, para os salvar.

Entre os da frente, Hamilton deixava Leclerc escapar por causa da degradação dos seus pneus médios. Acabou por parar, mantendo médios e caiu para quinto, atrás dos Renault. Na volta a seguir, Leclerc foi para as boxes, trocando para duros. No regresso à pista, regressou na frente de Hamilton. O inglês atacou o monegasco por duas vezes na volta seguinte, e na travagem para a Variante Roggia, Hamilton meteu o carro por dentro, mas com vantagem para Leclerc. Ele travou, mexeu e o piloto da Mercedes escapou pela gravilha. Os comissários estavam atentos e advertiram a manobra com uma bandeira preta e branca, um aviso. 

Chegados ao metade da corrida, Bottas foi às boxes, enquanto Leclerc aguentava as investidas do Hamilton. Por esta altura, Carlos Sainz Jr. ia fazer as suas paragens, mas... esqueceram de apertar todos e o espanhol andou poucos metros depois das boxes. Resultado: Safety Car Virtual por uma volta. Mas ela voltou duas voltas depois, quando Danill Kvyat ficou parado depois da primeira chicane.

Hamilton não parava de atacar. Mas com o Ferrari veloz na reta, era complicado. Apesar de na volta 33, o monegasco errou na primeira chicane, semelhante ao Canadá, mas sem punição pelos comissários - estamos em Monza! - o piloto da Mercedes via a chance de passar cada vez mais complicada.

Na volta 41, havia novo protagonista: Valtteri Bottas. O piloto, que trocara oito voltas depois de Hamilton/Leclerc, estava perto deles, esperando por um erro de alguém para facilitar a sua vida. E foi isso que aconteceu: Hamilton errou a travagem na primeira chicane e caiu para terceiro. O finlandês ficou feliz e aproveitou esta "carta branca" involuntária para se aproximar do piloto da Ferrari e tentar vencer, porque, como Hamilton, também tinha pneus médios.

E a parte final foi dura: Bottas ficou na traseira de Leclerc, mas a três voltas do fim, na primeira chicane, o finlandês errou e deixou escapar o monegasco de forma definitiva. Tentou de novo na última volta, mas cometeu novo erro depois da Variante Roggia. E foi assim até ao final, quando Jean Alesi, outra lenda da Scuderia, deu a bandeira de xadrez para o piloto monegasco pela segunda vez consecutiva.

Com isto, Leclerc pode celebrar como merecia em Spa, mas as circunstâncias da morte do seu amigo Anthoine Hubert o refrearam um pouco. A vitória foi merecida, e ele definitivamente ganhou um lugar no ciração dos adeptos, especialmente porque deu à Scuderia a sua primeira vitória desde 2010.  Mas como diziam os escravos aos imperadores nos desfiles triunfais em Roma, "sic transit gloria mundi", toda a glória será efémera. E tal como Vettel era o ídolo da torcida, agora é Leclerc. E ele irá ter a sua decadência inevitável. Mas não hoje. "Carpe Diem", Charles!