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quarta-feira, 29 de novembro de 2017

A Alfa Romeo volta à Formula 1, o que quer dizer? (parte 1)

O anuncio da chegada da Alfa Romeo à Formula 1 era algo do qual era esperado há algum tempo. Os rumores tinham mais de um ano, e em muitos aspectos, era algo do qual muitos fãs "alfisti" e outros desejavam, ainda nostálgicos dos tempos gloriosos dos primeiros anos do automobilismo. Trinta anos após a última vez que um motor da marca esteve num Grande Prémio, e 32 anos depois do último suspiro da equipa oficial, o grupo FCA (Fiat-Chrysler Automobiles), direccionado por Sergio Marchionne, fez um acordo de parceria com a Sauber e vai colocar o logótipo da marca de Varese nos carros da marca fundada por Peter Sauber e que está na Formula 1 desde 1993. De uma certa forma, é a concretização de um velho sonho de Marchionne, pois desde há algum tempo que pretendia ter uma equipa para publicitar a Alfa Romeo, da mesma forma como a Red Bull tem a Toro Rosso: uma equipa B para os jovens do seu programa de pilotos.

Mas a Alfa Romeo não é novata, bem pelo contrário. De facto, a Alfa, fundada em 1910, tem uma longa e bem recheada história no automobilismo, tendo acolhido grande parte dos pilotos que fizeram o século XX, desde Tazio Nuvolari a Nino Farina, passando por Achille Varzi e Luigi Fagioli, entre outros. E acolheu, nos anos 20, um jovem piloto da zona de Mântua chamado Enzo Ferrari, que em 1929 decidiu fazer a sua própria equipa, acolhendo carros da Alfa Romeo.

Ferrari e Alfa estão mais interligados do que se julga. Um não existe sem o outro, e de uma certa maneira, tê-los ali, no topo do automobilismo, deve ser o sonho de muita gente, embora poucos se lembrem que hoje em dia, todas as marcas italianas fazem parte de um grande grupo, o Grupo Fiat. Nos tempos idos, Ferrari e Alfa Romeo estiveram juntos, depois separaram-se e desencadearam uma rivalidade que apaixonou os automobilistas. Mas hoje em dia, todas estas marcas miticas - Alfa, Ferrari, Maserati, Lancia e outros - fazem todos parte de um grande grupo, complementando-se e não se rivalizando.

Mas vamos às origens. Fundada em 1910 por Nicola Romeo, que tinha licença para construir carros da marca Darracq em Itália, a história começa quando acolheu Enzo Ferrari como seu piloto, no inicio dos anos vinte do século passado. Ao lado de outros como Ugo Sivocci ou António Ascari, o pai de Alberto Ascari. Ferrari sobreviveu aos acidentes que vitimaram Sivocci ou Ascari pai, e no final dessa década, aos 31 anos, decidiu ser diretor de equipa, algo do qual conseguiu gerir ao longo dos anos 30. Contudo, em 1938, Ferrari sai da Alfa e quer construir os seus próprios carros, mas a Alfa impõe uma clausula que o impede de usar o seu nome por cinco anos. É por isso que o primeiro carro dele se chama Auto Avio Construzione, que o inscreve nas Mille Miglia de 1940, com o jovem Alberto Ascari como piloto. Mas a II Guerra Mundial facilita a vida de Enzo Ferrari e fica com os direitos de construir os seus carros com o seu apelido, até aos dias de hoje.

No final da II Guerra Mundial, a Alfa pertencia à IRI, o Instituto per la Riconstruzione Industriale - aliás já estava desde 1932, uma aquisição orquestrada pelo então governo fascista de Benito Mussolini, pois a marca lutava para ter lucros na sua parte automóvel - e com fundos estatais, poderia tentar a sua sorte no automobilismo, graças a um carro que construiram em 1938, e que foi usado até... 1951. O Tipo 158 Alfetta tinha sido escondido em celeiros durante a II Guerra e recuperado após o final do conflito, para vencer em corridas um pouco por toda a Europa com pilotos como Nino Farina (sobrinho do fundador da casa de design Pininfarina) e Luigi Fagioli. Em 1949, vão à Argentina e conhecem um local que tinha jeito para os automóveis: Juan Manuel Fangio.

No ano seguinte, quando a CSI (Comission Sportive Internationale) efetiva o Mundial de Formula 1, os Alfa são os claros favoritos, perante a rival Ferrari, que também ganhava corridas, mas não tinha ainda uma maquina capaz de rivalizar o carro da marca de Varese. Assim sendo, Vencem todas as corridas daquela temporada, num duelo a dois entre Farina e Fangio. O italiano leva a melhor, vencendo o mundial com 30 pontos, contra os 27 do piloto argentino. E o terceiro classificado, Fagioli, consegue 24 pontos - resultantes de quatro pódios - também a bordo de um 158.

As coisas em 1951 tornam-se mais complicadas. A Ferrari tem, por fim, uma máquina à altura, e só a capacidade de condução de Fangio é que salva um pouco as coisas. Vance na Suíça e em França - numa condução partilhada com Fagioli, que aos 51 anos (!) se torna no vencedor mais velho de sempre - mas em Silverstone, outro argentino, amigo de Fangio, Juan Froilan Gonzalez, dá a primeira vitória à Ferrari. O "Commendatore", que sempre quis derrotar os Alfa Romeo nas pistas, comentou mais tarde que "parecia ter matado a sua própria mãe". Mas tinha alcançado o seu feito.

Fangio venceria na última corrida do ano, em Barcelona, graças a um melhor uso dos pneus no abrasivo circuito urbano de Pedralbes, que deu cabo dos pneus no Ferrari de Ascari, que queria vencer o campeonato a qualquer custo, acabando por ser quarto na corrida. No final, Fangio foi campeão com 31 pontos, contra os 25 de Farina. Contudo, uma nova alteração nos regulamentos fez com que a Alfa Romeo decidisse retirar-se da Formula 1, e de uma certa maneira, do automobilismo, não se importando muito com ela nos dez anos seguintes.

O capitulo seguinte da Alfa no automobilismo é escrito por um... dissidente da Ferrari.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

GP Memória - Belgica 1951

Tinham-se passado três semanas desde o inicio do campeonato, no circuito suíço de Bremgarten, e via-se que vinha por aí uma briga entre Alfa Romeo e Ferrari pela supremacia nas pistas de Formula 1. A segunda corrida do ano, no circuito de Spa-Francochamps, acontecia uma semana depois das 24 Horas de Le Mans, e a lista de inscritos era pequena: dezasseis bólidos.

E desses dezasseis carros inscritos, três deles não apareceram: os Maserati do tailandês Bira, o do argentino Froilan Gonzalez e o Ferrari de Reg Parnell. Entre os carros que apareceram, estavam os Ferrari (Luigi Villoresi, Alberto Ascari e Piero Taruffi) e os Alfa Romeo (Juan Manuel Fangio, Consalvo Sanesi e Nino Farina), com três carros cada um. O resto do pelotão era constituído por Talbot-Lago, comandados pelo francês Louis Rosier e o monegasco Louis Chiron.

No final da qualificação, o Alfa Romeo de Juan Manuel Fangio levou a melhor sobre o seu companheiro, Nino Farina, e o Ferrari de Luigi Villoresi. Alberto Ascari e Piero Taruffi ficaram com a segunda fila, ambos nos seus Ferraris, enquanto que no sexto posto ficou o terceiro Alfa romeo de Consalvo Sanesi. Louis Rosier foi o sétimo, seguido por Yves Gerard-Cabantous. Louis Chiron foi o nono e Philippe Etancelain fechou o "top ten".

A corrida começou com um duelo entre Fangio e Farina, ambos nos seus Alfa Romeo. O argentino tinha montado um novo sistema de suspensão, com rodas especiais, acopoladas com os travões de tambor que tinham instalados. Contudo, era um sistema demasiado complexo para o carro, mas que o colocava na frente da corrida.

Contudo, na primeira paragem, Fangio teve problemas: eles deixaram de trabalhar e perdeu mais de 14 minutos para os substituir, perdendo não só a liderança, como mais quatro voltas para com os primeiros. O grande beneficiário foi Farina, que com um carro mais simples, assumiu a liderança, com Ascari e Villoresi atrás deles.

A corrida acabou por não ter mais história, com a Alfa Romeo a vencer de novo, mas com Fangio e Farina empatados em número de vitórias. Ascari ficou com o segundo posto, enquanto que Villoresi foi o terceiro. Louis Rosier e Yves-Gerard Cabantous fforam quarto e quinto nos seus Talbot-Lago, enquanto que Juan Manuel Fangio, apesar de ser o nono a chegar ao fim, fez a volta mais rápida, conseguindo o ponto final.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

A foto do dia (II)

Os carros da Alfa Romeo, alinhados no "paddock" de Silverstone para competir na primeira corrida de sempre do mundial de Formula 1. Se fosse uma pessoa, a Formula 1 poderia a partir de hoje colocar os papéis para a reforma. É que faz hoje 65 anos que se realizou a primeira corrida oficial do novo campeonato, no circuito de Silverstone. E vendo as coisas aos olhos de hoje, pode-se ver que aquilo representava o melhor de um mundo que saia de um conflito mundial.

Não era a primeira vez que a Comission Sportive International fazia um campeonato de pilotos. Tinha feito isso em 1933 com o campeonato europeu, juntando cinco das mais importantes provas automobilísticas, como o Grande Prémio de França, Itália, Alemanha, Checoslováquia e Suiça. Não havia construtores, porque... sejamos honestos, eram poucos e os alemães decidiram ganhar todas as corridas, graças aos Mercedes e aos Auto Union. E para quem não sabia, o sistema de pontuação era semelhante ao... da vela. O vencedor recebia um ponto, enquanto que quem desistisse nas primeiras voltas levava sete.

A 9 de setembro de 1945, no Bosque de Bolonha, nos arredores de Paris, começava a primeira corrida após a guerra, com os carros que sobreviveram à II Guerra Mundial. Eram essencialmente máquinas francesas e italianas, já que as alemãs estavam espalhadas pela Europa. Um dos Mercedes, por exemplo, estava na garagem de Rudolf Caracciola, na Suiça.

Em pouco mais de quatro anos, começou-se a elaborar um calendário razoável de corridas na Europa, e em certa medida começava-se a usar algumas das pistas que não poderiam ser usadas durante a guerra. Monza, por exemplo, tinha sido um depósito de transporte, bombardeado pelos Aliados, e só voltou a ser usado em 1948. E sitios onde a guerra não tinha passado, como a Argentina, começavam a albergar máquinas e pilotos, revelando o talento local.

Assim sendo, a CSI achou por bem relançar o campeonato com novas regras. O regulamento técnico era de 1938 e manteve-se, mas o vencedor recebia agora oito pontos, e poderiam receber mais um pela volta mais rápida. E sem as construtoras alemãs, ainda em recuperação (a Mercedes só voltaria nesse ano, mas apostou nos Turismos e na Endurance), deixou espaço para os italianos brilharem, especialmente a Alfa Romeo, como seu modelo 158, que tinha sido desenhado... em 1938. A Ferrari decidiu envolver-se, pois Enzo Ferrari queria bater o pessoal de Varese, que o tinha impedido de usar o seu nome por cinco anos quando saiu de lá, ainda em 1938. A sua sorte é que a guerra arrastou-se e quando ela acabou, o acordo tinha expirado.

E se antes da guerra, a luta foi entre alemães, agora a luta era entre italianos, com os outros meramente a observar, como os franceses da Talbot-Lago e da Gordini. E os ingleses, com a novata BRM, ainda tinham muito que aprender.

Claro que o vencedor era natural: Giusseppe "Nino" Farina, seguido pelo argentino Juan Manuel Fangio. E esses pilotos profissionais tinham tarimba: Farina estava com 43 anos, Fangio uns "meros" 39. Um dos poucos pilotos com idade mais... normal seria Alberto Ascari, que tinha 31 anos de idade nesse dia. Comparado com hoje em dia, nem é outra era, outro século. Parece ser de outro planeta. Mas a Formula 1 tinha de começar por algum lado, logo, só poderemos dar os parabéns. E que viva por muito mais tempo, pois merece. 

sábado, 8 de setembro de 2012

GP Memória - Itália 1952

Com o título de pilotos atribuido a Alberto Ascari há mais de um mês, com a sua vitória em Nurburgring, máquinas e pilotos deslocavam-se a Monza para a última prova do ano. Era uma corrida importante, só por participar, e isso refletiu-se no numero de carros inscritos: 34. A organização achou esse numero muito grande e reduziu os pilotos qualificados para 24.

Apesar de todos saberem que a Ferrari era a grande dominadora, Enzo Ferrari não admitia facilidades, pois queria vencer a corrida disputada em casa, a mais importante do ano. E assim sendo, decidiu inscrever cinco carros para Alberto Ascari, Nino Farina, Piero Taruffi, Luigi Viloresi e o francês André Simon. Para além disso, havia mais dois Ferrari inscritos pela suiça Ecurie Espadon, para o suiço Rudi Fischer e o veterano alemão Hans Stuck, e as inscrições individuais de Peter Whitehead, Charles de Tornaco (da Ecurie Francochamps) e do francês Louis Rosier. Ao todo, haviam dez Ferraris em Monza.

No lado da Maserati, havia três carros inscritos oficialmente, para o argentino Froilan Gonzalez e os italianos Franco Rol e Felice Bonetto. Existiam mais três carros da marca, inscritos pela brasileira Escuderia Bandeirantes, para os brasileiros Gino Bianco e Chico Landi, bem como o uruguaio Eitel Catoni.

A francesa Gordini decidiu colocar três carros para Jean Behra, Maurice Trintignant e Robert Manzon, enquanto que a britânica Connaught colocou também três carros para Dennis Poore, Stirling Moss e Kenneth McAlpine. Outra equipa britânica, a HVM, tinha também três carros, para os britânicos Peter Collins e Lance Macklin, bem como o australiano Tony Gaze. A Cooper tinha quatro carros inscritos, para os britânicos Mike Hawthorn, Eric Brandon, Alan Brown e Ken Wharton.

Para além dos carros oficiais, havia também mais seis carros inscritos por equipas provadas ou inscrições individuais. Havia um OSCA inscrito pelo francês Elie Bayol, dois Maserati-Platé inscritos para o suiço Toulo de Grafenried e o argentino Alberto Crespo, um Cisitália inscrito por Piero Dusio, um Simca-Gordini que iria ser guiado pelo belga Johnny Claes, e um Aston-Buttleworth para Bill Aston.

No final das sessões de qualificação, como se esperava os Ferrari levaram a melhor. Alberto Ascari fez a pole-position, seguido por Luigi Villoresi e Nino Farina. Maurice Trintignant coloca o seu Gordini no quarto lugar, seguido do Maserati de Froilan Gonzalez. Piero Taruffi era o sexto, seguido pelo segundo Gordini de Robert Manzon, na frente do Ferrari de André Simon. A fechar o "top ten" estavam o Connaught de Stirling Moss e o OSCA de Franco Rol.

Como seria de esperar, dez carros ficaram de fora, e os mais surpreendentes eram os Ferrari de Peter Whitehead e do veterano Hans Stuck. Os Maserati-Platé de Toulo de Grafenried e de Alberto Crespo também ficaram de fora, bem como o Cisitalia de Piero Dusio. Os HVM de Peter Collins, Tony Gaze e Lance Macklin estavam também de fora, bem como o Simca-Gordini de Johnny Claes e o carro de Bill Aston.

A corrida começou com Gonzalez a ser mais veloz na partida e a ficar no primeiro lugar, com os Ferrari de Ascari e Villoresi na sua perseguição. Bonetto era quarto, mas ele conseguia aguentar os outros concorrentes, pois era um pouco menos veloz do que os outros, e logo, começou a cavar uma distância cada vez maior em relação aos pilotos da frente.

Gonzalez parecia aguentar os Ferrari, mas na volta 37, teve de parar para fazer um reabastecimento e trocar de pneus. Mas a paragem foi demasiado prolongada, e o argentino regressou a pista no terceiro lugar. A partir dali, começou a fazer uma corrida de recuperação, conseguindo apanhar e passar Farina, mas Ascari já estava a uma distância considerável para o apanhar.

No final, Ascari venceu pela sexta vez seguida, consolidando ainda mais o seu dominio na temporada, com Gonzalez a ser o segundo classificado, conseguindo interferir no dominio da Ferrari. Luigi Villoresi completava o pódio, enquanto que nos restantes lugares pontuáveis ficavam os Ferrari de Nino Farina e Felice Bonetto. 

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

GP Memória - Holanda 1952

Duas semanas depois de terem corrido na Alemanha, a Formula 1 estreava-se em paragens holandesas, mais concretamente no circuito de Zandvoort. Um circuito que tinha sido idealizado antes da II Guerra Mundial e que foi concluido após esta. Em contraste com o que tinha acontecido quinze dias antes, com uma grelha totalmente cheia, em paragens holandesas havia uma grelha reduzida, com apenas 18 carros inscritos. Todas as equipas de fabrica estavam presentes, excepto a Maserati.

A Ferrari participava na corrida holandesa com três carros para Alberto Ascari, Giussepe Farina e Luigi Villoresi. Um quarto Ferrari estava inscrito, pela Ecurie Francochamps, para Charles de Tornaco. Na Gordini, também existiam três carros, para Jean Behra, Robert Manzon e Maurice Tritignant. A HVM inscrevia três carros para os britânicos Lance Macklin e Duncan Hamilton, bem como um terceiro carro para o local Dries Van der Lof. Já Ken Wharton alinhava com o Frazer-Nash, enquanto que Mike Hawthorn tinha um Cooper-Bristol nas suas mãos.

Stirling Moss alinhava com um ERA, enquanto que Ken Downing aparecia no unico Connaught inscrito para esta corrida. Por fim, a Escuderia Bandeirantes alinhava com três carros, para os brasileiros Chico Landi, Gino Bianco e o local Jan Flinterman.

Como seria de esperar, na qualificação, os Ferrari levaram a melhor. Alberto Ascari fez a pole-position, na frente de Nino Farina. Surpreendentemente, Mike Hawthorn faz o terceiro tempo com o Cooper-Bristol, na frente de Luigi Villoresi. Maurice Trintignant e Jean Behra ficaram respectivamente com o quinto e o sexto tempo nos seus Gordinis, enquanto que a seguir ficou o Frazer-Nash de Ken Wharton. Robert Manzon foi o oitavo, e a fechar o "top ten" estavam os HVM-Alta de Lance Macklin e Duncan Hamilton.

A corrida começou com os Ferrari de Ascari na frente, com Hawthorn a tentar ir atrás dele. Contudo, nas voltas seguintes, quer Farina, quer Villoresi ultrapassaram o piloto inglês, que se limitou a ficar no quarto lugar, de uma certa forma definindo a classificação final da corrida. à medida que a corrida prosseguia, o ritmo das Ferrari era de tal maneira alto que deram uma volta a todos os carros presentes. Hawthorn tinha ficado com apenas uma volta de atraso face aos Ferrari, pois os Gordini acabaram por ter duas voltas de atraso face aos dominadores carros da Scuderia.

No final, Ascari vencia pela quinta vez consecutiva, seguido por Farina e Villoresi. Hawtorn era o quarto e o Gordini de Robert Manzon fechava os lugares pontuáveis.

sábado, 4 de agosto de 2012

GP Memória - Alemanha 1952

Duas semanas depois de terem corrido em Silverstone, máquinas e pilotos estavam presentes no circuito de Nurburgring para correr o GP da Alemanha. Ao todo estava a impressionante presença da 34 máquinas (!) para fazer 14 voltas no enorme - e temido - Nordschleiffe. A razão da grande quantidade de carros tinha a ver com as inscrições locais, que totalizavam catorze, com os Veritas a serem seis, enquanto que carros com motor BMW eram oito, todos pilotados por locais, incluindo um, Rudolf Krause, que corria sob a bandeira da RDA.

As equipas habituais estavam presentes, com a Ferrari a inscrever carros para Alberto Ascari, Nino Farina e Piero Taruffi, enquanto que a Ecurie Espadon inscrevia outros dois carros do Cavalino para Rudi Fischer e Rudolf Scholler. Havia mais um Ferrari, inscrito pela Ecurie Francochamps, para o belga Roger Laurent, e outro pela Scuderia Marzotto, para Piero Carini.

Na Gordini, Jean Behra estava recuperado e voltava ao seu lugar na equipa, e teria ao seu lado mais dois franceses: Robert Manzon e Maurice Trintignant. Na britânica HWM, três carros também participavam na corrida, um para o britânico Peter Collins e os outros dois para os belgas Johnny Claes e Paul Frére. Havia um quarto carro, inscrito pelo australiano Tony Gaze.   

Quanto à Maserati fazia a sua aparição com uma máquina nova, para o italiano Felice Bonetto, enquanto que a Escuderia Bandeirantes tinha mais duas máquinas para Etiel Catoni e Gino Bianco. Bill Aston aparecia ali com o seu Aston-Buttleworth.

Na qualificação, os Ferrari dominaram, com Ascari a ser o melhor, seguido por Farina, enquanto que Trintignant era o terceiro, na frente de Robert Manzon. Piero Taruffi era o quinto, seguido por Rudi Fischer, enquanto que o sétimo na grelha estava o melhor dos Veritas, guiado por Paul Pietsch. Outro alemão, Hans Klenk, era o oitavo, e a fechar o "top ten" estavam o AFM-BMW de Willi Heeks e o Maserati de Felice Bonetto.

A corrida começou com Ascari a partir na frente... para não ser mais alcançado. Atrás, Farina e Taruffi mantinham os lugares, apesar da ameaça de Manzon. Na mesma altura, Bonetto despistou-se e para voltar à pista teve de ser ajudado por fora, algo que os comissários viram e o acabaram por desqualificá-lo. Apesar disto tudo, Ascari fazia a sua corrida, sem ser incomodado. 

A luta pelo terceiro lugar entre Manzon e Taruffi acabou na oitava volta, quando uma das rodas do Gordini se soltou e Manzon acabou por desistir. Mas mais interessante aconteceu na volta 16, quando Ascari teve problemas de óleo e teve de ir às boxes. Quando este ficou resolvido, regressou à pista na segunda posição, com Farina na frente a dez segundos, mas em pouco tempo, a ordem foi restabelecida. Uma volta depois, Piero Taruffi tem um problema com a suspensão e cai para o quarto lugar.

No final, Ascari é o vencedor e praticamente garante o campeonato do mundo, após a sua quarta vitória consecutiva, pois estava a 14 pontos de Nino Farina. E ainda tinha ficado com o ponto extra da volta mais rápida. Farina foi segundo e outro Ferrari, o do suiço Rudi Fischer, era o terceiro. Nos restantes lugares pontuáveis estavam o Ferrari de Piero Taruffi e o Gordini de Jean Behra.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

GP Memória - Grã Bretanha 1952

Duas semanas depois da Formula 1 ter estado em Rouen, estes atravessavam o Canal da Mancha para correr no GP da Grã-Bretanha, no circuito de Silverstone, onde a grande novidade nas equipas de fábrica era que o francês Jean Behra tinha fraturado a clavicula num acidente em Sables D'Olonne, numa prova extra-campeonato no norte de França. Assim sendo, para o seu lugar na equipa Gordini veio o seu compatriota Maurice Trintignant.

Ao todo, para a corrida britânica, estavam inscritos 32 carros. Nas outras equipas de fábrica não  existiam novidades em relação à corrida anterior: na Ferrari estavam Alberto Ascari, Nino Farina e Piero Taruffi, na HVM estavam Peter Collins, Duncan Hamilton e Lance Macklin. A Connaught inscreveu quatro carros com motor Lea-Francis para quatro pilotos britânicos: Ken Downing, Dennis Poore, Eric Thompson e Kenneth McAlpine.

Para além dos três Ferraris oficiais, havia também mais quatro inscritos em equipas privadas: duas da Ecurie Espadon, para os suiços Peter Hirt e Rudi Fischer, e dois privados, inscritos por Peter Whitehead e Roy Salvadori. Quatro Maserati estavam presentes na prova britânica: duas delas inscritas pela brasileira Escuderia Bandeirantes, para o brasileiro Gino Bianco e o uruguaio Eitel Cantoni, e outros dois da Ecurie Platé, para o suiço Toulo de Grafenried e o americano Harry Schell. 

Havia seis Cooper-Bristol, guiados privadamente pelos britânicos Mike Hawthorn, Reg Parnell, Alan Brown, David Murray, Eric Brandon e o australiano Tony Gaze, enquanto que Stirling Moss participava num ERA. Na Gordini, para além de Trintignant, corriam também o francês Robert Manzon e Bira, o principe tailandês.

Havia um Alta inscrito, para Graham Whitehead, irmão de Peter, um Simca-Gordini, que seria corrido por Johnny Claes, um Frazer-Nash com motor BMW, inscrito por Tony Crook, um Aston-Buttleworth inscrito por Bill Aston, uma criação própria, em colaboração com o irlandês Archie Buttleworth.

Na qualificação, os Ferrari foram obviamente os melhores. Nino Farina fez a pole-position, seguido por Alberto Ascari e Piero Taruffi. Robert Manzon foi o quarto, no seu Gordini, enquanto que Ken Dawnling foi quinto no seu Connaught. Os Cooper-Bristol de Reg Parnell e Mike Hawthorn foram sexto e sétimo, respectivamente, enquanto que Dennis Poore e Eric Thompson foram oitavo e nono nos seus Connaughts. O principe Bira fechou o "top ten" no segundo Gordini.

A corrida começou com os Ferrari a liderarem, numa luta entre Ascari e Farina. Atrás, Taruffi tinha feito uma má largada e estava atrás das máquinas inglesas, tendo dificuldades para os passar o mais rapidamente possível. Quando o conseguiu, já os seus companheiros de equipa tinham se afastado o suficiente para que a vitória fosse discutida entre os dois. Atrás deles estavam o Connaught de Poore e o HVM de Hawthorn.

Mais ou menos a meio da corrida, Farina começa a ter problemas de ignição e encostou às boxes. Verificou-se que era um problema de velas, e estas foram devidamente substituidas. Mas quando voltou à pista, o carro nunca funcionou propriamente e ficou-se no meio do pelotão, atrás dos Cooper, HVM e dos Connaught. Isso fez com que Ascari estivesse mais à vontade na liderança e Taruffi subisse ao segundo posto, seguido de Poore.

Pouco depois, o piloto do Connaught teve de parar para reabastecer, sendo que Hawthorn ficou com o terceiro posto.

Mas até à meta, não houve mais novidades sendo que, ao fim de 85 voltas à pista, Alberto Ascari vencia pela terceira vez naquela temporada, dando uma volta ao segundo classificado, Piero Taruffi. Mike Hawthorn era o terceiro, o seu primeiro pódio na sua terceira corrida da sua carreira, e o primeiro de um Cooper. Dennis Poore foi o quarto, na sua estreia na Formula 1, e a fechar os pontos ficou Eric Thompson, noutro Connaught, que também se estreava a nível oficial. Iria ser o seu único Grande Prémio da sua carreira. 

sexta-feira, 6 de julho de 2012

GP Memória - França 1952

O pelotão da Formula 1 iria correr naquele fim de semana num novo circuito para o GP de França, mais concretamente na pista de Rouen-Les Essarts. Uma pista veloz, aberta dois anos antes, mas algo sinuosa, parcialmente a descer, até à um gancho, a Virage de Nouveau Monde, passando depois a subir em curvas como a Samson ou a Gresil, chegando até a novo gancho, a Virage du Paradis, para rumar até à meta.

Havia alguma expectativa em França pela pestação dos Gordini, pois algumas semanas antes, em Reims, Jean Behra tinha conseguido bater os Ferrari de Alberto Ascari e Nino Farina, que se afiguravam como os imbatíveis. E a equipa tinha inscrito três carros, para Behra, Robert Manzon e o nobre tailandês Bira. A Ferrari, como sempre, tinha três carros, para Alberto Ascari, Nino Farina e Piero Taruffi. Mas havia mais Ferraris, como o inscrito por Louis Rosier, o inscrito pelos suiços da Ecurie Espadon, para Rudi Fischer, bem como mais dois Ferraris da Scuderia Marzotto, para Gianfranco Comotti e Piero Carini.

Os britânicos da HVM estavam presentes com três carros, para os britânicos Peter Collins e Lance Macklin, bem como o francês Yves-Gerard Cabantous. Um Cooper-Bristol também estava presente, para o jovem Mike Hawthorn, enquanto que havia dois Simca-Gordini, para o belga Johnny Claes e o francês Maurice Trintignant. Para finalizar, existiam três Maserati inscritos, dois da Ecurie Platé, para o americano Harry Schell e o suiço Toulo de Grafenried, e outro para Philippe Etaincelin, inscrito pela Escuderia Bandeirantes.

Na qualificação, os Ferrari não deram hipóteses a ninguém, ao ficar com os três primeiros lugares. Ascari foi melhor do que Farina, com Taruffi no terceiro posto. Jean Behra e Robert Manzon ficaram a seguir, com Maurice Trintignant a ficar com o sexto posto. Peter Collins foi o setimo, seguido do Principe Bira e a fechar o "top ten" estavam o Ferrari de Louis Rosier e o HVM-Alta de Yves-Gerard Cabantous.

A corrida não teve história. Começou com os Ferrari de Ascari e Farina a partirem na frente, sem que mais fossem incomodados. Taruffi, o mais lento dos três, lutou pelo terceiro lugar com os Gordinis de Behra e Manzon, mas após algum tempo, conseguiu ganhar distância sobre eles. Na frente, Ascari ganhou uma vantagem tal que deu uma volta a toda a gente, incluindo os seus companheiros Farina e Taruffi.

Ao fim de 77 voltas, Ascari revelou-se o vencedor, seguido por Farina e Taruffi, num monopólio Ferrari. Robert Manzon foi o quarto, seguido pelo Simca-Gordini de Robert Manzon. Behra atrasou-se com problemas no seu carro, acabando no sétimo lugar final, a mais de sete voltas do vencedor.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

As corridas do passado: Itália 1951

"(...) A Alfa Romeo chegava a Monza com quatro pilotos: Fangio, Farina, o italiano Felice Bonetto e o suiço Toulo de Grafenried. Na Ferrari, eram cinco os pilotos que iriam alinhar nessa corrida: os italianos Alberto Ascari, Luigi Villoresi e Piero Taruffi, o argentino Froilan Gonzalez, e o brasileiro Francisco "Chico" Landi. Era a estreia oficial de um piloto brasileiro na Formula 1, alguém que era admirado por Enzo Ferrari, pois tinha dado a ele uma das suas primeiras vitórias em corridas, em 1948, no circuito de Bari. Havia ainda mais dois Ferrari na lista de inscritos, um da Ecurie Espadon, pertencente ao suiço Rudi Fischer, e uma inscrição privada do britânico Peter Whitehead. (...)

Ainda antes da corrida começar havia problemas com os BRM. A organização impedia Ken Richardson de alinhar na corrida pelo fato de ele não ter a licença necessária para correr, enquanto que o carro de Reg Parnell sofria de problemas de lubrificação, optando depois pela retirada de ambos os carros da corrida.

No arranque, Fangio conseguiu manter a liderança, mas poucas voltas depois, teve de ceder a favor do Ferrari de Ascari, que estava bastante veloz nessa tarde. Mas Fangio reagiu e esforçou-se para apanhar o piloto da ferrari antes de parar para meter pneus frescos. Por essa altura, Farina já andava no carro de Felice Bonetto, pois o seu carro tinha avariado na sexta volta, vítima de um problema mecânico. (...)"

Há precisamente sessenta anos, Alfa Romeo e Ferrari juntavam-se em Monza para disputar o GP de Itália, a penultima prova do ano. Para os homens da casa de Varese, tratava-se de aguentar a investida dos carros de Modena, que desde meados do ano estavam a fortalecer-se e a bater os Alfa Romeo. Era uma luta entre Juan Manuel Fangio e Alberto Ascari, que nesta corrida acabou sendo favorável à Ferrari.

Contudo, Fangio - apesar de ter desistido nessa corrida - ainda dependia de si para vencer o campeonato. Bastava acabar na frente do piloto da Ferrari na última prova do ano, no novo circuito de Pedralbes, em Barcelona, para ser campeão. Mas são as incidências de Monza que trago aqui, e que hoje foram publicadas no Pódium GP.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Vida e morte de Giuseppe "Nino" Farina

(...) "Farina era determinado, e fazia tudo para vencer. Incluindo colocar os adversários fora da pista. Em 1933 e 38 está envolvido em duas polémicas, ambas relacionadas com a morte de dois pilotos em pista: o francês Marcel Lehoux e o hungaro Lazlo Hartmann. O primeiro acontece no GP de Deauville e o segundo acontecerá em Tripoli, então uma colónia italiana.

Anos mais tarde, Stirling Moss disse acerca do estilo de Farina: “Naquele tempo, havia uma certa tolerância a manobras sujas e todos nós, às vezes, lançávamos mão delas. Mas Farina abusava. Ele era um combatente sobrevivente reclamando da incompetência das suas vítimas e ninguém discordava de que ele havia causado ambos os acidentes fatais“.

No caso da morte de Lazlo Hartmann, as autoridades atribuíram a causa do acidente a “um golpe de vento”, que teria feito com que o piloto perdesse o controle do carro mas testemunhas garantiram que o problema foi apenas Lazlo, correndo com um carro muito menos veloz do que o de Farina, não ter saído da frente do italiano rápido o bastante. Esses rumores eram tão fortes e tão persistentes que mesmo anos após a sua morte, em 1983, Enzo Ferrari, na sua autobiografia “Piloti, che gente…”, dedicou muitas linhas em desmentir categoricamente tais rumores." (...)

Hoje faz 45 anos que Nino Farina encontrou o seu fim num poste telefónico numa estrada da zona de Chamberry, no centro de França. Ia para Rouen, assistir ao GP de França de Formula 1, e provavelmente ver as filmagens de "Grand Prix", filme realizado por John Frankenheimer. Farina certamente se identificaria com Jean-Pierre Sarti, pois também era um piloto absolutamente impiedoso nas pistas, e louco a conduzir. O fato de ter sido apontado como o culpado de dois acidentes mortais é um bom exemplo.

O resto da história daquele que nasceu em berço de ouro, foi licenciado em Direito e foi familiar do fundador da Pininfarina, venceu corridas antes e depois da II Guerra Mundial, de ter sido o primeiro vencedor oficial de um Grande Prémio de Formula 1 e de ter sido o seu primeiro campeão, tudo isto quando tinha ultrapassado os 40 anos... está hoje no sitio Pódium GP.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

GP Memória - Itália 1950

Passaram-se dois meses desde a corrida francesa, e entretanto, ocorreram várias provas importante um pouco por toda a Europa, com a Alfa Romeo a dominar as grelhas e os pódios. Mesmo quando esta não chegava nos primeiros lugares, a Ferrari, grande candidata, era batida por outros, como aconteceu na Holanda, quando a marca do Cavalino foi batida pelo Talbot-Lago de Louis Rosier.

Entretanto, um grande ausente na lista de inscritos era Luigi Villoresi, que estava a recuperar de um acidente sofrido no Grand Prix des Nations, em Genebra, quando escorregou sobre uma mancha de óleo e sofreu uma colisão por parte de Nino Farina. O piloto da Alfa Romeo safou-se sem ferimentos, mas Villoresi partiu uma perna e o seu Ferrari ainda causou três mortos entre os espectadores.

A lista de inscritos para a prova italiana era enorme: ao todo estavam 27 pilotos. A Alfa Romeo tinha cinco carros para Juan Manuel Fangio, Nino Farina, Consalvo Sanesi, Luigi Fagioli e Piero Taruffi. A equipa da Ferrari, que estreava aqui o seu motor de 4.5 litros, era constituida por Alberto Ascari e Dorio Serafini, com um carro verde para Peter Whitehead e um invulgar Ferrari-Jaguar pilotado por Clemente Biondetti.

A Talbot-Lago não tinha equipa oficial a representá-lo em Monza, mas tinha sete máquinas inscritas, todas de forma privada. Louis Rosier, Philippe Etaincelin, Raymond Sommer, Guy Mairesse, Pierre Levegh e Henri Loveau, todos franceses, estavam lá, acompanhados pelo belga Johnny Claes. A Simca-Gordini tinha dois carros presentes, para os franceses Maurice Trintignant e Robert Manzon.

No lado da Maserati, estavam cinco carros presentes, para o italiano Franco Rol, o siamês Principe Bira, o monegasco Louis Chiron, o alemão Paul Pietsch, o suiço Toulo de Grafenried e o inglês David Murray. Havia ainda o ERA de Cuth Harrison e o Milano de Felice Bonetto.

À partida para a corrida, o lider era Fangio, com 26 pontos, mais dois que Fagioli, enquanto que Farina tinha 22 pontos. Para que o italiano batesse o argentino, Farina tinha de ganhar e esperar que Fangio não acabasse ou não conseguisse mais do que o terceiro lugar.

Nos treinos, os Alfa Romeo dominaram: Fangio fez a pole-position, com Ascari logo atrás, a 0,2 segundos. Nino Farina era o terceiro, a 1.6 segundos, fazendo assim a primeira fila da grelha de partida. Na segunda fila estavam os Alfa Romeo de Consalvo Sanesi e de Luigi Fagioli, e na terceira estavam o Ferrari de Dorio Serafini, o Alfa Romeo de Piero Taruffi e o Talbot-Lago de Raymond Sommer, e a fechar o "top ten" estavam o Maserati de Franco Rol e o Simca-Gordini de Robert Manzon.

A corrida começou com a Ferrari a desafiar abertamente o dominio dos Alfa Romeo, com Ascari a atacar a liderança de Fangio. Na volta 14, Ascari chegou a liderar a corrida, mas Fangio ultrapassou-o duas voltas mais tarde e pouco depois, na volta 21, o motor de Ascari explode e ele tem de encostar à boxe, onde a Ferrari chama o carro de Dorio Serafini para que este deixasse Ascari continuar a sua corrida. Assim, Fangio fica mais alividado na liderança, mas esta seria de pouca dura: na 23ª volta, a sua caixa de velocidades quebra e tem de encostar à boxe, e a equipa chama Piero Taruffi para que este pudesse ceder o seu lugar ao argentino.

Agora, o novo lider na corrida é Farina, mas Fangio ainda tinha hipóteses de vencer, caso o ultrapassasse, mas a tarefa iria ser dificil. Contudo, na volta 34, o motor do Alfa Romeo Tipo 158 do argentino cede e as suas hipóteses de título derretem-se naquele instante. Somente se Farina não terminasse a corrida é que Fangio poderia ter uma hipótese de vencer.

Mas Farina não tem problemas e no final das oitenta voltas previstas, o italiano de 44 anos cruza a meta no primeiro lugar e coroa-se no primeiro campeão da Formula 1, seguido pelo Ferrari de Ascari, que como conduzia o bólido de Serafini, tem apenas direito a metade dos pontos. Luigi Fagioli, no outro Alfa Romeo, completa o pódio, e os carros que estavam na mesma volta do vencedor.

A fechar os lugares pontuáveis, a cinco voltas do vencedor, estavam os Talbot-Lago de Louis Rosier e Philippe Etaincelin. Para este último, ficou-lhe um recorde que ainda não foi batido: é o piloto mais velho de sempre a pontuar num mundial, e um dos poucos nascidos no século XIX a fazê-lo neste campeonato do mundo.

Fontes:

http://www.grandprix.com/gpe/rr007.html

http://en.wikipedia.org/wiki/1950_Italian_Grand_Prix

sexta-feira, 18 de junho de 2010

GP Memória - Belgica 1950

Com pouco mais de um mês desde a corrida inaugural, em Silverstone, o campeonato inaugural do Mundial de Formula 1 já estava quase a chegar ao fim, pois máquinas e pilotos encaravam agora a quinta das sete rondas previstas, com a realização do GP da Belgica, no circuito de Spa-Francochamps.

Realizada apenas cinco anos e meio depois da Batalha das Ardenas, a última grande ofensiva alemã da II Guerra Mundial, a Alfa Romeo alinhava aqui com três carros, para Nino Farina, Luigi Fagioli e o argentino Juan Manuel Fangio. Na Ferrari estavam apenas dois carros em Spa, para Alberto Ascari e Luigi Villoresi, embora tenham vindo à Belgica para experimentar um novo motor V12. A Maserati só tinha um carro inscrito, o do piloto suíço Toni Branca.

No lado francês, estavam unicamente bólides da Talbot-Lago. Três oficiais, para Yves-Gerard Cabantous, Philippe Etaincelin e Louis Rosier, e mais quatro privados, para Pierre Levegh, o belga Johnny Claes, Eugéne Chaboud e Raymond Sommer. Para terminar, existia um Alta L4 britânico, inscrito por Geoff Crossley.

Nos treinos, os Alfa Romeo dominaram, com Farina a ser melhor que Fangio, mas por pouco. Ambos deram quatro segundos ao terceiro carro da marca de Varese, tripulado por Fagioli. Na segunda fila estavam o Ferrari de Villoresi e o Talbot-Lago de Sommer, enquanto que na terceira fila estavam o segundo Talbot de Etaincelin, o Ferrari de Ascari e o terceiro Talbot de Louis Rosier. E a fechar o "top ten" estavam os Talbot de Cabantous e Levegh.

A corrida começou com Ascari a partir melhor do que os Alfas de Fangio, Farina e Fagioli, que já se distanciavam, pouco a pouco, do resto da concorrência. Contudo, esta liderança foi sol de pouca dura, já que Ascari teve cedo de se reabastecer, caindo na classificação geral.

A meio da corrida, porém, Farina começa a sofrer problemas de transmissão e atrasa-se, sendo ultrapassado por Fagioli e pelo Talbot de Rosier. Fangio manteve a liderança até à volta 35, altura em que viu a bandeira de xadrez, a 14 segundos de Fagioli. O francês Rosier fechava o pódio para a Talbot, enquanto que o Alfa Romeo de Nino Farina e o Ferrari de Alberto Ascari ficavam com os restantes lugares pontuáveis.

Fontes:

http://www.grandprix.com/gpe/rr005.html
http://en.wikipedia.org/wiki/1950_Belgian_Grand_Prix

sexta-feira, 4 de junho de 2010

GP Memória - Suiça 1950

Quase três semanas depois da corrida inicial da temporada, em Silverstone, a temporada inaugural da Formula 1 tinha alcançado o seu meio, com a realização do GP da Suiça, que decorria no circuito de Bremgarten, nos arredores de Berna, a capital do país.

A Alfa Romeo era a equipa dominadora do campeonato, e como tal, trouxera para a pista suiça três carros oficiais, modelo 158, para Nino Farina, Juan Manuel Fangio e Luigi Fagioli. No lado do seu grande rival, a Ferrari, tinha trazido quatro modelos oficiais, para Alberto Ascari, Luigi Villoresi, o francês Raymond Sommer e o britânico Peter Whitehead.

Outra equipa oficial era a Talbot-Lago, que tinha três carros oficiais, para os franceses Yves-Gerard Cabantous, Loius Rosier e Eugéne Martin. Mais três modelos estavam presentes: um da Ecurie Belge, para Johnny Claes, outro da Ecurie Bleue, para o americano Harry Schell e um terceiro, inscrito pelo francês Philippe Etaincelin.

A Maserati era a construtora que tinha modelos inscritos: oito. Dois eram oficiais, para o monegasco Louis Chiron e o italiano Franco Rol, outros dois eram para equipa Enrico Platé, para o tailandês Bira e o suiço Toulo de Grafenried, um era da Scideria Achille Varzi, para o italiano Nello Pagani, outra inscrição individual era a de Felice Bonetto, pela Scuderia Milano, mais uma pela Scuderia Ambrosiana, que fazia correr o britânico Reg Parnell, e mais um carro, inscrito pelo suiço Toni Branca.

Por fim, outro suiço, Rudi Fischer, corria pela Ecurie Espadon, com um modelo SVA. No total, estavam inscritos 22 carros.

Os treinos foram dominados pela Alfa Romeo, que monopolizou a primeira fila da grelha de partida, com Fangio na pole-position, seguido por Farina e Fagioli. Na segunda fila estavam os Ferrari de Villoresi e Ascari, enquanto que na terceira eatavam os Talbot-Lago de Étaincelin, que numa inscrição privada, fizera melhor que o melhor carro oficial, pilotado por Cabantous. A fechar essa fila estava o melhor Maserati, pilotado pelo principe Bira. Mais dois Talbot-Lago, de Eugéne Martin e Loius Rosier, fechavam o "top ten".

A corrida iria começar sem quatro pilotos inscritos: os britânicos Peter Whitehead e Reg Parnell, o suiço Rudi Fisher e o italiano Franco Rol.

No momento da partida, Fangio está a liderar, mas pouco depois, perde o comando a favor do italiano Farina, quando este consegue um reabastecimento mais eficaz do que o argentino. Fagioli vinha logo atrás, mas a concorrência não conseguia acompanhá-los: primeiro Ascari e depois Villoresi desisitiam quando os seus Ferraris deram o que tinham a dar.

Na volta 19, enquanto que o último Ferrari presente, o de Raymond Sommer, desistia com prolemas de suspensão, o Talbot-Lago de Eugéne Martin sofria um acidente grave, quando o seu piloto foi cuspido para fora do carro. Iria ser a sua última corrida na Formula 1, apesar de ter vivido mais 56 anos depois desta corrida. Com isto tudo, o outro Talbot-Lago de Louis Rosier chegava ao quarto posto.

Na volta 33, o grande golpe da corrida: Fangoio tem problemas elétricos no seu Alfa e desiste, deixando de ser uma ameaça a Farina. Com Fagioli num distante segundo posto, o italiano tinha a vitória na mão e iria conseguir a sua segunda vitória na época. E Rosier subia ao terceiro posto, sendo esta a ordem final da corrida. O Principe Bira e o italianoi Felice Bonetto, ambos em Maserati, ficaram com restantes lugares pontuáveis.

Fontes:

http://en.wikipedia.org/wiki/1950_Swiss_Grand_Prix
http://www.grandprix.com/gpe/rr004.html

sexta-feira, 21 de maio de 2010

GP Memória - Monaco 1950

Apenas uma semana depois de Silverstone, máquinas e pilotos estavam no Mónaco para correr nas ruas do circuito da cidade-estado na Cote D'Azur francês. A Alfa Romeo fez uma corrida contra-relógio para estar a tempo de estar presente naquele fim de semana.

Na corrida monegasca estavam inscritos 21 carros. A Alfa Romeo inscrevia três carros para o argentino Juan Manuel Fangio, o italiano Nino Farina, vencedor da corrida britânica e o seu compatriota Luigi Fagioli. Só que ao contrário do que acontecia em Silverstone, agora tinha a oposição da Ferrari, que tinha os italianos Alberto Ascari, filho de Antonio Ascari, lenda da Alfa Romeo nos anos 20, Luigi Villoresi e o francês Raymond Sommer. A equipa de Maranello tinha um quarto carro para o britânico Peter Whitehead, uma inscrição privada.

Outras equipas, como a Gordini, Maserati e Talbot-Lago, iriam participar na corrida. Na Talbot, oficialmente só tinha um carro, para Yves-Gerard Cabantous, mais dois carros da Equipe Rosier, que iriam ser guiados pelos franceses Louis Rosier e Charles Pozzi. Havia ainda mais um Talbot da Ecurie Belge, para Johnny Claes, e duas inscrições privadas, feitas pelos franceses Philippe Étancelin e Pierre Levegh, pseudónimo de Pierre Eugéne Alfred Bouillin. Ele escolhera esse apelido para honrar a memória de um tio seu, pioneiro do automobilismo francês morto em 1904.

A Gordini inscrevia oficialmente dois carros, para os franceses Robert Manzon e Maurice Trintignant, enquanto que a Maserati inscrevia sete carros. Dois deles eram oficiais, para o italiano Franco Rol e o herói local, Louis Chiron. Apesar de ter já 49 anos e dos seus dias de glória terem há muito passado, Chiron continuava a ser uma figura respeitada e um natural favorito aos lugares da frente.

Outros dois Maserati estavam inscritos pela Scuderia Achille Varzi, para os argentinos Froilan Gonzalez e Alfredo Pián, e outros dois tinham sido inscritos pela Scuderia Enrico Platé, para o talilandês Bira e o suiço Toulo de Grafenried. Mais um carro estava inscrito pela Scuderia Milano, com o italiano Clemente Biondetti ao volante. Para finalizar, dois ERA britânicos se apresentavam na corrida, inscritos por Cuth Harrison e Bob Gerard e havia um Cooper-JAP inscrito pela Hoeschell Racing Corporation e teria como piloto o americano Harry Schell. Esse carro tinha uma particularidade: o motor estava atrás do piloto, e isto fez com que fosse o primeiro carro desse tipo a participar numa corrida de Formula 1.

Nos treinos, Whitehead teve problemas com o seu motor, que não se conseguiu resolver durante esse tempo e resolveu não alinhar na corrida. Ao mesmo tempo, Pián despistou-se no seu Maserati e os estragos impediram-no de alinhar na corrida. No final, dos 21 inscritos, apenas 19 estavam presentes na largada.

E a pole-position tinha ficado nas mãos de Juan Manuel Fangio, que com o seu Alfa Romeo, conseguiu superiorizar-se a Nino Farina e ao Maserati de Froilan Gonzalez. Philippe Étaincelin era o quarto, no seu Talbot, seguido pelo Alfa Romeo de Fagioli. Villoresi era o sexto, sendo o melhor dos Ferrari, superando Alberto Ascari. o monegasco Chiron era o oitavo a partir, Sommer era o nono no seu Ferrari e a fechar o "top ten" ficava o Talbot-Lago de Louis Rosier.

No dia da corrida, o tempo estava seco, mas ventoso. Na zona da Tabacaria, as ondas alteravam-se, invadindo a pista nessa zona, tornando-a molhada e potencialmente para os pilotos. E logo na primeira volta, esses receios acabaram por acontecer. Nessa primeira passagem pela zona problemática, Fangio passa bem pela zona, mas Farina perde o controlo do seu carro e é atingido pelo Maserati de Froilan Gonzalez. Fagioli despista-se e Rosier tenta para o carro a tempo de evitar a colisão. Mas é logo a seguir atingido por Fagioli e Manzon.

Mais atrás, mais cinco pilotos envolvem-se na carambola: Trintignant, Grafenried, Schell, Franco Rol e Cuth Harrison. Nenhum deles volta à corrida, excepto Gonzalez, que leva o carro às boxes, mas os estragos são tais que abandona logo a seguir.

Sem grande parte da concorrência, Fangio tinha de controlar a distância que tinha sobre Ascari, já que Villoresi ficara parado pois tinha deixado cair o seu motor. Villoresi continuou, mas estava muito atrasado. A partir dali, ele faria uma corrida de recuperação que o colocaria no segundo posto na volta 62. Contudo, essa recuperação destruiu a sua mecânica, fazendo com que desistisse na volta seguinte.

Com isso, Fangio ficou mais aliviado e caminhava calmamente rumo à vitória. A primeira das 24 que conquistaria nos sete anos seguintes, e seria o unico a fazer as cem voltas ao circuito monegasco. Ascari era segundo a uma volta e o local Chiron era terceiro, a duas voltas. Os restantes lugares pontuáveis, que nesse ano eram cinco, foram o francês Raymond Sommer e o Principe Bira, mas ficaram respectivamente a três e cinco voltas do vencedor.

Fontes:

http://en.wikipedia.org/wiki/1950_Monaco_Grand_Prix
http://www.grandprix.com/gpe/rr002.html

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Grã-Bretanha 1950: o começo de tudo



Passam hoje sessenta anos desde o primeiro Grande Prémio oficial da história da Formula 1. Este dia foi o culminar de um plano que começou no dia em que as hostilidades terminaram na Europa, cinco anos antes. A II Guerra Mundial tinha interrompido os Grandes Prémios um pouco por toda a Europa e terminou o dominio dos Flechas de Prata alemãs, simbolizadas pelos carros da Mercedes e da Auto Union. Com a Alemanha em ruinas, e proíbida de correr nos primeiros anos, as corridas voltavam aos poucos na Europa. Primeiro em França, depois em Itália, Suiça, Belgica e Grã-Bretanha.

Aos poucos, as marcas colocavam os seus bólidos em pista, todas criações da pré-guerra. A Alfa Romeo, especialmente com o seu Tipo 158, construido doze anos antes, era a máquina a bater. Seguiam-no o seu maior rival, uma construtora que começara algum tempo antes: a Ferrari, dirigida pelo antigo piloto e depois director desportivo da marca de Varese, chamado Enzo Ferrari. A Maserati, os franceses da Talbot-Lago e os ingleses da ERA eram outros construtores a ter em conta, bem como a Gordini e a BRM, o esforço de Raymond Mays de construir uma equipa britânica que pudesse rivalizar com as italianas.

Os motores eram de 4.5 litros, com a variante dos 1.5 litros turbocomprimidos, mas pouca gente usava. E com aquelas máquinas a vencerem facilmente todas as corridas em que participavam, eram as naturais favoritas à vitória. E numa grelha 4-3-4-3, que a largura de Silverstone proporcionava, bem como a ausência da Ferrari, foi fácil à Alfa Romeo monopolizar a primeira fila da grelha, com o italiano Giusseppe "Nino" Farina, um piloto que correra nos Grand Prix dos anos 30, a ser o "poleman", seguido pelo seu compatriota Luigi Fagioli, que tinha a provecta idade de... 51 anos, e claro, também correra no Grand Prix, quer pela Mercedes, quer pela Auto Union, o argentino Juan Manuel Fangio e o britânico Reg Parnell. O tailandês Birabongse Bhanudej Bhanubandh, ou o Principe Bira, que viria a ser o primeiro asiático na Formula 1, era o melhor dos não-Alfa, ao ser o quinto na grelha.

A corrida foi só dos Alfa Romeo, com Farina a ganhar sobre Fagioli e Parnell, dado que Fangio desistiu com uma fuga de óleo. E isto iria ser uma era de dominio dos carros da marca de Varese, que ficaram imbatíveis em provas oficiais até ao ano de 1951, onde foram batidos pelo Ferrari guiado por outro argentino, Froilan Gonzalez, agora o mais antigo vencedor vivo de Grandes Prémios. O local dessa derrota? Silverstone...

O filme que coloco aqui é um noticiário de actualidades filmado a cores, algo raro na época, o que é muito bom. Ficam com uma ideia do que era um paddock, boxes e como eram recebidos os convidados VIP neste mesmo dia, mas há já uns longuinquos sessenta anos.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

O piloto do dia - Nino Farina


Na semana em que se decide o título de campeão do Mundo, calhou em calendário o dia em que nasceu, há já 102 anos, aquele que foi o primeiro Campeão do Mundo da era moderna, em 1950. Pertencente à geração que brilhou nas pistas europeias na década de 30, ainda voltou à competição após a II Guerra Mundial para competir nas melhores máquinas de então, os Alfa Romeo, e ainda dominou o panorama automobilístico durante boa parte dos anos 50. Hoje falo de Nino Farina, o primeiro campeão de Formula 1.


Nasceu a 30 de Outubro de 1906 em Turim, membro da família que mais tarde fundou a marca Pininfarina (o seu fundador, Giovanni Battista, era seu tio, e ambos tinham 13 anos de diferença), era membro de uma família abastada. Foi para a universidade para tirar uma licenciatura em Ciência Politica na Universidade de Turim. Chegou a considerar uma carreira militar, mas em 1932, aos 26 anos, decidiu que iria abraçar uma carreira automobilística.


Começou primeiro a correr em rampas, a bordo de um Maserati, mas depois foi para a Scuderia Ferrari, onde a bordo de Alfa Romeos, fez parceria com o lendário Tazio Nuvolari. Em 1938 e 39, começa a alcançar bons resultados, e começa também a ganhar reputação de ser um piloto rápido, sem medo, mas por vezes brutal. Em 1936, foi considerado por muitos como o culpado pelo acidente mortal de Marcel Lehoux, no GP de Deauville, e dois anos depois, em Tripoli, envolveu-se no acidente mortal de Lazlo Hartmann. Anos mais tarde, Stirling Moss disse acerca do estilo de Farina: “Naquele tempo, havia uma certa tolerância a manobras sujas e todos nós, às vezes, lançávamos mão delas. Mas Farina abusava. Ele era um combatente sobrevivente reclamando da incompetência das suas vítimas e ninguém discordava de que ele havia causado ambos os acidentes fatais".


No caso da morte de Lazlo Hartmann, as autoridades atribuíram a causa do acidente a "um golpe de vento", que teria feito com que o piloto perdesse o controle do carro mas testemunhas garantiram que o problema foi apenas Lazlo, correndo com um carro muito menos veloz do que o de Farina, não ter saído da frente do italiano rápido o bastante. Esses rumores eram tão fortes, mesmo após a sua morte que Enzo Ferrari, na sua autobiografia de 1983, “Piloti, che gente…”, dedicou muitas linhas em desmentir categoricamente esses rumores.


A sua carreira começava a chegar ao seu auge, com a vitória no GP de Tripoli, em 1940, quando a Itália entra na II Guerra Mundial, e a sua carreira fica congelada. Quando a paz volta à Europa, Farina tem quase 40 anos, mas volta a acção com um Maserati privado, vencendo em 1946 o Grand Prix des Nations, em Genebra, uma das primeiras corridas na pós-guerra. Em 1948, vence o GP do Mónaco, tornando-se num dos melhores pilotos em actividade. A Alfa Romeo o contratou no ano seguinte, correndo ao lado de Jean-Pierre Wimille, mas quando este morreu, nesse ano, liderou a equipa para o primeiro campeonato mundial de Formula 1 organizado pela FIA, em 1950, ao lado de Luigi Fagioli e de um argentino recém-chegado à Europa chamado Juan Manuel Fangio.


O campeonato começa em Silverstone, em Inglaterra, a 13 de Maio, onde perante mais de 125 mil espectadores, torna-se no primeiro vencedor de uma corrida de Formula 1. A temporada torna-se numa batalha interna entre ele e Fangio, pois para além de Silverstone, ganha na Suiça e em Itália, enquanto que o argentino vence no Mónaco, Bélgica e França. Mas Farina foi mais regular, e vence o título mundial com 30 pontos, contra os 27 de Fangio.


No ano seguinte, continua na Alfa Romeo, mas aos poucos, o domínio dos Alfa era contestado pela Ferrari, que com o seu Tipo 375. Farina vence na Bélgica, mas é a sua única vitória no ano, e acaba o campeonato na quarta posição, com 19 pontos, num campeonato ganho pela Ferrari, e por o seu grande rival, Juan Manuel Fangio. Em 1952, após a retirada da Alfa Romeo da competição, vai para a Ferrari, onde só consegue quatro segundos lugares, numa temporada dominada pelo seu compatriota Alberto Ascari. No final, foi vice-campeão do Mundo, com 24 pontos.


Em 1953, continuando pela Ferrari, vai correr no GP inicial, que decorria pela primeira vez no circuito de Buenos Aires, na Argentina, onde tinham aparecido mais de cem mil pessoas. O líder argentino, Juan Peron, ordenou que os portões fossem abertos, e milhares ficaram perigosamente perto da pista. Inevitavelmente, o desastre aconteceu, quando na volta 30, Farina, para evitar atropelar uma criança, perde o controlo do seu carro e atropela 49 pessoas, matando sete delas. Contudo, ele sempre disse que a culpa não era dele, mas sim dos que estavam perigosamente encostados à berma. Na realidade, o culpado era Perón, mas naquela altura não se podia dizer isso…


Nesse ano, Farina voltou às vitórias, no lendário circuito Nrodschliefe, em Nurbrurgring, mas essa seria a sua única (e mais tarde última) vitória, numa temporada dominada por Alberto Ascari. No final do ano, conseguiu 26 pontos e o terceiro lugar no campeonato.


Por esta altura, já tinha 47 anos e continuava a correr, mas a idade já pesava sobre ele. Em 1954, volta a ser primeiro piloto da Ferrari, e acaba em segundo lugar no GP da Argentina, na primeira prova do ano. Contudo, dois acidentes graves, primeiro nas Mille Miglia, onde sustenta algumas feridas, e depois em Monza, numa prova de carros de Sport, onde uma peça solta perfura o tanque de gasolina, fazendo com que o cockpit fica imerso em chamas. Farina queima-se bastante e a sua recuperação demora quase seis meses, falhando o resto da temporada.


Em 1955, ainda combalido, volta à competição, conseguindo correr o GP da Argentina a base de injecções de analgésico para diminuir a dor. Mesmo assim, termina em segundo lugar, partilhando a condução com Froilan Gonzalez e Maurice Trintignant. Neste ano, mostrou os dentes pela última vez, no circuito de Spa-francochamps, na Belgica, onde numa dura disputa com o seu compatriota Eugenio Castellotti, empurra-o em direcção aos boxes, com o agravante de que naquela altura não havia nenhum muro separando da pista! Castellotti, porém, consegue parar o seu carro em segurança, e Farina termina a corrida na terceira posição. Iria ser a sua última da carreira, pois as sequelas das queimaduras perseguiam Farina durante o resto do ano. Aliado ao peso da idade, levaram-no a diminuir seu envolvimento com as corridas, e dedicando-se mais à venda de automóveis na sua Turim natal.


A sua carreira na Formula 1: 34 Grandes Prémios, em seis temporadas (1950-55), cinco vitórias, cinco pole-positions, cinco voltas mais rápidas, vinte pódios, 115,33 pontos no total. Campeão do Mundo de Formula 1 em 1950.


Anos depois, Juan Manuel Fangio disse acerca dele: “Ele era estranho. Nunca foi visitar um corredor ferido. Quando eu fui visita-lo no hospital, ele me perguntou o porquê da minha visita. Disse que sentia muito por ele e que queria vê-lo bem. Ele me respondeu que eu deveria estar feliz, pois era um a menos a enfrentar na corrida seguinte. Na pista, era um louco.”


Talvez tenha sido ele quem inspirou os argumentistas de “Grand Prix”, em particular no famoso diálogo que Jean Pierre Sarti, o personagem interpretado pelo actor francês Yves Montand, onde fala da maneira como encarava as corridas:


"Quando vejo um acidente, eu piso o pedal a fundo, com força, pois sei que os outros irão diminuir o seu ritmo.

- Que maneira terrível de vencer, diz sua interlocutora.
- Não, não há maneiras terríveis de vencer. Existe apenas vencer."



Depois da Formula 1, Nino Farina tenta a sua sorte nas 500 Milhas de Indianápolis por duas vezes, em 1956 e 57. Tem dois acidentes graves, e decide acabar com a sua carreira de vez. Torna-se representante da Alfa Romeo e da Jaguar em Itália, e permanece envolvido nos Grandes Prémios até o dia 30 de Junho de 1966, quando a caminho da ir ver o GP de França, perto de Chamberry, perde o controlo do seu Lotus-Cortina e bate num poste telefónico, matando-o instantaneamente. Tinha 59 anos.


Fontes:


http://en.wikipedia.org/wiki/Nino_Farina
http://www.grandprix.com/gpe/drv-fargiu.html
http://forix.autosport.com/8w/farina.html