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terça-feira, 11 de abril de 2017

O regresso dos turcos?

Surgiram esta tarde no Twitter a imagem de uma reunião entre o presidente da Turquia, Reçep Tayip Erdogan, e Chase Carey, o homem que dá a cara pela FOM. E claro, desde logo, surgiram especulações sobre o regresso do GP da Turquia ao calendário, seis depois da sua saída. A corrida turca, apesar de ser disputada num dos melhores circuitos que Hermann Tilke já desenhou - à parte de Sepang - nunca atraiu muita gente para assistir. Nos últimos anos, era o deserto: apenas 25 mil pessoas durante o fim de semana de corridas.

A razão pelo "deserto" pode ser explicado por muitas coisas, mas a politica é uma delas. A ideia de um GP da Turquia sempre foi para mostrar o país ao mundo, especialmente na era Erdogan. No inicio da década passada, os turcos entraram em força no automobilismo, com o rali e a Formula 1. O circuito de Kurtkoy, construído no lado asiático da cidade, era o exemplo dessa projeção da Turquia para o mundo - como as várias tentativas de acolher os Jogos Olimpicos, por exemplo - e claro, isso também serviria para que o governo mostrasse ao mundo a sua visão das coisas. 

Contudo, quando tentaram isso, em 2006, as coisas correram mal. Nesse ano, convidaram o presidente do Chipre do Norte, uma entidade apenas reconhecida pela Turquia, para entregar o troféu ao vencedor, e a FIA detestou isso, multando os organizadores em meio milhão de dólares. O governo, que até então patrocinava em força, perdeu o interesse e quando quis renegociar o contrato, Erdogan negou.

Agora, as coisas são um pouco diferentes. Bernie Ecclestone não está mais por ali, ele quer ser o novo Vizir - há um referendo por estes dias para saber se dão ou não poderes presidenciais - e a Liberty Media quer ter mais circuitos na Europa, largando a Ásia. Que como sabem, tem muitos circuitos, e nenhum é lucrativo.

A reunião, apesar de lá estarem todos os grandes responsáveis do governo local - presidente, ministro dos desportos, proprietário do circuito e o presidente da Federação Automóvel - poderá dar em tudo e não dar em nada. Mas a ideia de que estão a ser explorados novos locais é sinal de que eles estão a mexer-se. 

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

GP Memória - Turquia 2005

Depois de duas semanas de ausência, a Formula 1 rumava a uma paragens que era totalmente nova no calendário: a Turquia. Um circuito novo tinha sido construido por Hermann Tilke em Kurtköy, no lado asiático da cidade, para albergar o Grande Prémio, e logo desde cedo, parecia que o circuito era desafiante, pois era corrido no sentido contrário dos ponteiros do relógio, e havia especialmente a longa Curva 8, que era feito para a esquerda e podia ser enganadora para o piloto incauto.

Feita a adaptação ao novo circuito, que os pilotos aprovaram, no final da qualificação, Kimi Raikkonen tinha conseguido tornar-se no poleman com o seu McLaren, tendo a seu lado o Renault de Giancarlo Fisichella, que conseguiu superar o seu companheiro de equipa, Fernando Alonso, que ficou com o terceiro lugar. Juan Pablo Montoya foi o quarto, seguido pelo Toyota de Jarno Trulli. Nick Heidfeld e Mark Webber ficaram com o sexto e sétimo posto da grelha, seguido pelo Sauber de Felipe Massa, e a fechar o "top ten" ficaram o segundo Toyota de Ralf Schumacher e o Red Bull de Christian Klien.

Michael Schumacher não marcou qualquer tempo e largava da penúltima posição, devido a um despiste na curva 9 e a troca de motor após a qualificação. Outro dos que foram penalizados foram Takuma Sato, que foi acusado pelos comissários de bloquear o Williams de Mark Webber.

A corrida começou com Raikkonen a manter a liderança, com Alonso a ficar com o segundo lugar, seguido de Fisichella e Montoya. Com o passar das voltas, o finlandês afasta-se do pelotão enquanto que atrás, Michael Schumacher tentava recuperar posições. Só que na volta 14, está na traseira do Williams de Mark Webber quando este fez uma travagem mal calculada e ambos colidiram. O alemão ficou com a suspensão danificada e foi às boxes para poder fazer reparos, enquanto que o australiano substituiu o seu nariz danificado.

Webber voltou para a pista, atrasado, mas durou pouco tempo: cinco voltas depois abandonou, com um furo. Schumacher não durou muito mais, pois acabaria por desistir na volta 32, por causa dos danos sofridos.

Montoya ficou com o segundo posto após a primeira troca de pneus, e aos poucos afastava-se dos Renault. Contudo, na penúltima volta, Montoya aproximava-se do Jordan de Tiago Monteiro quando ambos se desentenderam, com o colombiano a ficar com o difusor danificado, que o fez sair largo na famigerada Curva 8, perdendo o segundo lugar para Alonso, e estragando um pouco a vida ao seu companheiro de equipa... quando a Monteiro, conseguiu levar o carro até ao fim, mesmo ficando no último lugar.

No final, Kimi Raikkonen levou a melhor sobre Fernando Alonso, enquanto que Juan Pablo Montoya ficava com o terceiro posto, provavelmente frustrado com a chance de dobradinha desperdiçada... Giancarlo Fisichella era o quarto, enquanto que nos restantes lugares pontuáveis ficavam o BAR-Honda de Jenson Button, o Toyota de Jarno Trulli e os Red Bull de David Coulthard e de Christian Klien.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Os elefantes brancos do automobilismo ecclestoniano

Hoje apareceu na Autosport portuguesa um artigo interessante sobre os circuitos que foram usados para a Formula 1 e que foram deixados ao abandono. E o mais interessante e que isso não é novidade, já têm mais de vinte anos. Istambul, Buddh, Yeongam e Ti-Aida são alguns dos exemplos de pistas onde depois da Formula 1, só ficou o deserto. E o melhor exemplo da megalomania "ecclestoniana", dos vicios dos novos-ricos e das centenas de milhões de dólares que foram deitados fora, semelhante a querer construir a casa pelo telhado...

Lembro-me sempre da história de Yeongam, uma pista no meio de nenhures na Coreia do Sul, e o facto de os espectadores terem muito pouca capacidade hoteleira e que por vezes, os jornalistas acabavam por ficar em motéis pouco recomendáveis, de camas redondas. A saga durou quatro temporadas, até que saiu do calendário, porque as coisas se tornaram num pesadelo para os organizadores e claro, para os governos locais. Mas por exemplo, em 2011, os membros das equipas chegaram ao local e tinham visto que tudo estava tal qual como deixaram no ano anterior... incluindo a comida nos frigoríficos e as embalagens nos caixotes do lixo. Tudo por causa de uma providência cautelar contra a organização, e que impediu de mexer nas coisas de forma preventiva.

Mas o artigo de Luis Vasconcelos lembra de Buddh, na India, que acabou por não vingar por causa da enorme e inepta burocracia indiana que queria cobrar o Grande Prémio como... entretenimento e não como uma manifestação desportiva (de uma certa maneira, quem teve a ideia não deixa de ter razão), e de Istambul, que andou no calendário entre 2005 e 2011, e que o governo local se livrou dele depois de um certo dia, ter sido multada por ter colocado o presidente de uma entidade reconhecida por... ninguém, a não ser os próprios turcos, a entregar a taça ao vencedor da corrida. O incidente aconteceu em 2006, e o senhor em questão era o presidente da "República do Chipre do Norte", a entidade turca que ocupou o norte do Chipre, em 1974, numa invasão do exercito turco para impedir que o país se unisse aos gregos numa "Enosis", apos uma tentativa de golpe de estado por parte da extrema-direita grega.

Como a organização era sustentada pelo governo turco, e depois da multa (avaliada em 8,5 milhões de euros), o governo desinteressou-se de injetar dinheiro para ficar com a pista no calendário. E se de Yeongam e Buddh não lamentamos os tilkódromos, neste caso, sentimos a falta da Curva 8, pois por acaso, este até foi um circuito feliz, bem desenhado, ao nível dos melhores. Só que depois da formula 1, não houve nada de relevante a cair por lá - nem Endurance, nem WTCC, nem o que quer que seja - e o abandono por lá começa a ser evidente.

O caso de Ti-Aida é mais idoso, pois falamos de meados dos anos 90. Duas edições, em 1994 e 1995, de um circuito muito lento e sinuoso, aborrecido e isolado do resto do Japão - lembro que a edição de 1995 foi adiada devido a estragos nas estradas de acesso devido ao terramoto de Kobe - depois disso não trouxe muito mais do que o WTCC, no inicio desta década. Nem sei se as provas locais, como a SuperFormula, visitam aquele local... mas quero acreditar que sim.

Em suma, o legado da Formula 1 nos últimos 15 anos quase faz lembrar os estados falidos e que ergueram obras megalomanas nos tempos das vacas gordas. Mas nada disso impede que o anão negoceie novos circuitos a valores cada vez mais exorbitantes - os alegados 72 milhões de euros por ano que o Qatar poderá dar podem ser um exemplo disso - e esse dinheiro irá para todos... menos os mais necessitados.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Youtube Motorsport Video: Dez circuitos europeus que valem uma visita

O site Car Throttle fez um video sobre as dez pistas europeias do qual merecem uma visita. Como em todas as listas, são todas um guia e não uma "bíblia", e das que vi, digo uma coisa: iria colocar Monza e Portimão, dê no que der. E não colocaria nenhum tilkódromo, mesmo que Istambul seja um excelente circuito.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

5ª Coluna: o vigésimo local para 2013


(...) A parte turca fala-se desde o minuto em que se conheceu o novo calendário. E parecia que tudo estava indicado: tinha recebido a Formula 1 até 2011, tinha um novo proprietário e este tinha-se comprometido a arranjar nove milhões de euros do seu próprio bolso, enquanto convencia o governo para que arranjasse mais algum, e assim garantia o regresso do circuito de Istambul Park, desenhado por Hermann Tilke e que Bernie Ecclestone tinha alguns interesses nele.

Contudo, no final da semana passada, o governo de Recep Tayip Erdogan, pela voz do ministro do turismo, afirmou que estava fora de questão um novo envolvimento governamental. Anteriormente, quando o governo turco aceitou construir e apoiar um GP da Turquia, a história era o de que pudesse servir os seus interesses. (...)

(...) A segunda hipótese que surgiu foi a Austria. E o caso austríaco parece ser quase o ideal: fica situado a meio caminho entre a Alemanha e a Hungria, o circuito de Zeltweg foi um clássico da formula 1 e reabriu em 2011 depois algum tempo de obras de remodelação e agora se chama de Red Bull Ring, pois foi Diretrich Mateschitz que andou a reconstruir o circuito. Para ele, vinte milhões de dólares (ou 15 milhões de euros) parece ser mais do que suficiente para gastar num "one-off" na Austria. E ainda por cima, poderia ser o sitio ideal para levar a marca austríaca a correr em casa. 

Contudo, há alguns problemas: os acessos são muito poucos, Zeltweg sempre fica no "meio de nenhures" só há bancadas para 40 mil espectadores e o centro de imprensa parece ser muito pequeno. E Ecclestone não está muito virado em levar a Formula 1 para a Austria. (...)

Esta semana, na minha 5ª Coluna, falo sobre a vigésima vaga da Formula 1 para 2013. Com Bernie Ecclestone a querer que esta aconteça na Europa, várias hipóteses foram colocadas em cima da mesa: Istambul, Zeltweg, Paul Ricard, Imola e... Portimão. Contudo, com qualquer um dos circuitos a serem um bom cartão de visita para os fãs da modalidade, parece que Ecclestone deseja Istambul a qualquer preço. Isto porque ele tem um interesse no circuito, e deseja que o governo local patrocine este "one-off".

Tudo isto e muito mais, podem ler a partir deste link, no blog Formula 1 Portugal.  

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O calendário para 2013 e respectivas especulações

O Conselho Mundial da FIA está esta semana em Istambul para várias reuniões, antes da cerimónia de entrega de prémios aos campeões nas várias categorias, que vai acontecer esta sexta-feira na cidade mais importante da Turquia.

Esta decidiu esta tarde que iria fazer várias alterações no calendário e nos regulamentos da Formula 1. Sobre os regulamentos, fala-se depois, pois agora tem a ver com o calendário. As grandes alterações tem a ver com a mudança de algumas datas do calendário de 2013, com o GP da Alemanha a ser recolocado no dia 7 de julho, dando duas semanas de espaço para uma eventual corrida na data de 21 de julho.

A FIA decidiu que no lugar de New Jersey, que não consegue ter o seu circuito pronto a tempo da edição de 2013, irá arranjar um lugar entre as corridas de Alemanha e da Hungria, que deverá ser preenchido por um circuito europeu. E a hipótese mais plausível é o regresso da Turquia, mais concretamente Istambul Park. O circuito tem novo dono, e ele está disposto a pagar cerca de nove milhões de euros para voltar a ter a Formula 1 no seu pais, com a garantia de que trará "80 mil espectadores".  

Contudo, pode existir uma alternativa a Istambul Park: Zeltweg. Agora chamada de Red Bull Ring, é uma hipótese levantada pelo jornalista britânico Joe Saward, que afirma que, por estar perto de Budapeste, poder ser uma melhor alternativa a Istambul. O circuito foi renovado pela Red Bull, e acolhe alguns eventos importantes, como o DTM, mas a Formula 1 não corre lá desde 2003. 

Claro que alguns dirão que este agora é um circuito da Red Bull, mas quase ninguém se lembra da razão pelo qual tivemos um GP de San Marino, em Imola. O circuito com o nome de Enzo e Dino Ferrari e que era o que ficava mais perto de Maranello...

Outro possivel regresso era o da França, mais concretamente ou Paul Ricard, ou Magny Cours. Mas apesar dos esforços feitos por algumas pessoas, nomeadamente Alain Prost, parece que a ideia do regresso do GP de França, que não acontece desde 2008, já caiu por terra.

sábado, 14 de maio de 2011

Troféu Blogueiros - Turquia 2011

Outra das coisas que deveria ter sido colocado ontem, mas que o Blogger não deixou: as pontuações do GP da Turquia feita por nós no Troféu Blogueiros.

Não creio que não fugimos muito à realidade, pois pelos vistos não houve pontuações muito exageradas por parte do resto do pessoal. É certo que o Kamui Kobayashi fez uma grande prova, ao partir de último para chegar ao último lugar pontuável, mas não iria dar nota nove pelos meus critérios.

De resto, fiquem atentos, pois deverá haver novidades em breve.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Dois pilotos, duas motivações

Kamui Kobayashi e Michael Schumacher foram dois homens que tiveram sortes e azares diferentes no GP turco. Um fez do azar nos treinos força de vontade para vencer na corrida e conseguir ser feliz. Outro não conseguiu aproveitar o bom resultado na qualificação para fazer um brilharete na corrida, e no final, começava a questionar publicamente se tinha a mesma motivação para andar por aqui.

Quando Kamui Kobayashi não conseguiu marcar qualquer tempo na qualificação porque o seu carro sofreu uma avaria mecânica, era uma pessoa desiludida por saber que tinha sido um problema mecânico que o impedira de fazer um bom resultado na grelha. Como os comissários deixaram alinhar a corrida devido a uma situação excepcional, o piloto japonês de 24 anos decidiu que iria partir ao ataque, em busca dos pontos. E conseguiu, mesmo que a sua estratégia de recuperação tenha sido prejudicada com um furo quando ultrapassava o Toro Rosso de Sebastien Buemi.

"Diverti-me bastante nesta corrida. Antes da corrida prometi a Peter que marcaria pontos e cumpri, mas só marquei um porque perdemos tempo com um furo, resultado dum toque com o Sébastien Buemi, quando o ultrapassei. Caso contrário, penso que poderia ter terminado em sétimo. O carro estava ótimo, e a equipa tinha delineado uma boa estratégia para mim. No último terço da corrida tive de ter um pouco de cuidado para poupar os pneus, mas funcionaram bem.", concluiu Kobayashi.

Agora, devido a estes eventos, o japonês é o rei das ultrapassagens na Formula 1. Em apenas quatro corridas, Kobayashi já efetuou vionte ultrapassagens aos seus mais diretos adversários, cinco mais do que o Renault do alemão Nick Heidfeld. E cada vez mais se mostra que Kamui Kobayashi está a caminho de ser o melhor piloto japonês de sempre na categoria máxima do automobilismo.

Em claro contraste em termos de ânimo anda Michael Schumacher. Regressado às pistas em 2010, pode mostrar que ainda tem talento, mas está a ser constantemente ultrapassado pelo seu jovem companheiro e seu compatriota Nico Rosberg. Em declarações à BBC britânica, o piloto de 42 anos afirmou que já não se está a divertir-se nas pistas: "A grande alegria não está mais aqui".

Um dos seus grandes rivais nas pistas e actual comentador na BBC, o escocês David Coulthard, afirma que o piloto alemão deve estar a questionar a sua continuidade na Formula 1, e se deverá cumprir o seu contrato com a Mercedes até ao final de 2012. "Ele não está mais a pilotar no mesmo nível que seu companheiro Nico Rosberg, isso é um fato. As estatísticas mostram que Nico está conseguindo tirar mais do carro do que o Michael. Eu não acho que deveríamos descartar Schumacher, isso não é possível porque ele é muito talentoso, mas ele deveria a começar a refletir sobre seu futuro", comentou.

E isso é verdade: das 23 corridas que ambos os pilotos fizeram juntos, Rosberg vence por maioria. 15 contra oito do heptacampeão do mundo. Rosberg já subiu ao pódio por três vezes, algo que Schumacher ainda não fez, sendo o seu melhor resultado um quarto lugar no GP da Coreia do Sul de 2010. Ainda faltará muito para o final da época, mas começa-se a questionar se esta será a sua última temporada na categoria máxima do automobilismo, ou então, se ele chegará até ao final da época num voltante de um Formula 1. Caso os piores receios aconteçam, então pode-se dizer que vai ser uma saída pela porta pequena...

domingo, 8 de maio de 2011

Formula 1 em Cartoons - Istambul (Crazy Circus)

Eis a visão que o Marcel Marchesi tem sobre o GP da Turquia e a razão pelo qual Felipe Massa perdeu a sua oportunidade de ficar nos lugares pontuáveis: os pouco colaborantes mecânicos da Ferrari, que parece terem aproveitado a tarde para, segundo ele, colocar o sono em dia...

Formula 1 2011 - Ronda 4, Turquia (Corrida)

Assisti à corrida de Istambul no meu PC, vendo as transmissões da BBC, comentados pelo Martin Brundle e David Coulthard, dois ex-pilotos que sabem do que falam. E na marte final da corrida, ambos falavam de uma coisa impressionante mais impressionante: nesta corrida ao sol houve... 73 paragens nas boxes. A última vez que houve tal coisa foi no GP da Europa de 1993, que foi decorrida num tempo muito instável.

Em suma, temos de dar os parabéns aos senhores da FIA que resolveram colocar a asa móvel nas traseiras dos seus carros, e à Pirelli por fazer pneus que me fazem lembrar os pneus de qualificação: ultra rápidos, mas que só duram uma volta lançada. Estes duram, felizmente, um pouco mais, mas para o espectáculo, está otimo. E conseguiu fazer quatro paragens sem problemas, foi feliz.

E também os mais felizes dessa tarde turca foram os Red Bull. Sebastien Vettel não foi muito incomodado na corrida, apesar das ameaças e ataques de Lewis Hamilton, que demasiado "afobado" em algumas ocasiões, perdeu uma boa oportunidade para acabar no pódio. E Fernando Alonso poderá ter sorrido numa altura da corrida quando conseguiu usar a asa traseira móvel para apanhar e ultrapassar Mark Webber e intrometer-se entre os energéticos. O chato é que o australiano respondeu na mesma moeda e lá recuperou o segundo posto, a seis voltas do final.

Isso foi o melhor de Webber, que não andou lá muito bem. Primeiro, uma má largada, que fez com que fosse superado pelo Mercedes de Nico Rosberg e depois a tal ultrapassagem feita pelo Ferrari do "Principe das Asturias". Mais atrás, Rosberg tentou fazer uma corrida na frente mas aos poucos, perdia posições com as paragens, primeiro para Hamilton e depois para Button. Depois recuperou para o britânico, campeão em 2009, e demonstrou que o carro que conduz pode ter melhorado, mas aida tem com que fazer para chegar-se mais à frente e desafiar McLaren e Ferrari, quanto mais uma Red Bull quase inalcançável.

Quem esteve muito bem foi Kamui Kobayashi. Partindo de último da grelha, sem marcar tempo - mas não afetado pela regra dos 107 por cento -, fez apenas três paragens e, aliado ao seu estilo "samurai" de condução, ultrapassou os seus mais diretos adversários para conseguir chegar ao décimo posto do campeonato, o último lugar pontuável. Lugar que poderia ter sido de Felipe Massa, se os seus mecânicos tivessem sido mais rápidos no momento da troca de pneus. Foi vitima dessas más paragens e não só não conseguiu bater Fernando Alonso, como foi superado por pilotos que ficaram na sua frente como os Renault de Nick Heidfeld e Vitaly Petrov, ou Sebastien Buemi, que foram sétimo, oitavo e nono na classificação geral.

Para finalizar, algo que deve ser dito aqui: só houve dois abandonos. Este fato demonstra o que é a Formula 1 atual. Os carros são fiáveis, os despistes são prontamente corrigidos. "Pelotões dizimados" estão-se a tornar numa coisa do passado e cada vez mais se justifica que o sistema de pontos se tenha alargado do sexto até ao décimo posto, como temos agora. Porque salvo uma catástrofe, quase todos os carros acabam a corrida.

E assim foi Istambul, na Turquia. Eventualmente, poderemos ter visto pela última vez este tilkódromo, famoso pela sua Curva oito. As autoridades turcas por fim decidiram que não iam pagar as comissões do chulo... oops, de Bernie Ecclestone, e provavelmente, ele procurará outras paragens e outros totós... perdão, interessados em receber a Formula 1. No ano que vêm terá os Estados Unidos no calendário, mas e depois, quando se sabe que outros lugares, como Valencia e Barcelona, não estão dispostos a pagar as comissões do anãozinho?

Até lá, teremos Barcelona em duas semanas. Normalmente é a corrida mais chata do ano, mas começo a ter altas expectativas. Como é que será com todos estes gadjets nos carros? E ainda por cima, em caso de chuva, ainda teremos mais emoção em cima disto?

GP3: Alexander Sims vence segunda corrida, Felix da Costa foi quarto

Durante a manhã de hoje, a GP3 teve a sua segunda corrida do dia no circuito de Istambul. E se ontem foi o dia de Nigel Melker, hoje com a grelha invertida, foi o dia de Alexander Sims, o britânico da Status Grand Prix, o grande vencedor do dia. E durante muito tempo se pensaria que a equipa teria uma dobradinha, já que outro dos seus pilotos, o português Antonio Felix da Costa, rolou muito tempo no segundo posto.

Numa corrida onde Sims não foi muito incomodado, foi Felix da Costa, que largava do quarto posto, que foi a sua maior ameaça. O piloto português bem e ganhou duas posições, até que na segunda metade da corrida começou a perder gás e posições, primeiro para Michael Christiensen, o dinamarquês da Addax, e mais tarde para o holandês Melker, vencedor da primeira corrida. Na parte final ainda foi pressionado pelo italiano Andrea Caldarelli, que foi segundo na corrida, mas conseguiu aguentar os ataques, mantendo o quarto lugar e conseguindo três preciosos pontos neste campeonato.

Com este resultado, Melker é o lider, com 14 pontos, seguido por Caldarelli, com onze, Sims e o francês Tom Dillman - que foi nono e ficou fora dos lugares pontuáveis - com oito pontos. Felix da costa é sexto, com sete pontos, os mesmos que Christiensen. A próxima jornada dupla será em Barcelona, no fim de semana do GP de Espanha.

Youtube Motorsport Crash: o acidente de Davide Rigon na GP2



A segunda corrida da GP2 em Istambul foi, como sempre, movimentada e acidentada. E esta manhã, para além da vitória do monegasco Stefano Coletti, houve de assinalar o acidente que Davide Rigon teve, quando disputava um lugar com o seu compatriota Julian Leal, da Rapax.

O piloto, que corre na Coloni, perdeu o controlo do seu carro depois de um toque por trás e bateu em frente no muro de proteção. Ainda saiu pelo próprio pé, mas o que não sabia era que tinha lesões numa das pernas, que o obrigarão a ser operado amanhã para reduzir as fraturas e regressar o mais rapidamente possivel à competição.

Na corrida, como foi dito, Coletti foi o melhor, com o holandês Gierdo van der Garde e o britânico Sam Bird a ficar com os restantes lugares do pódio.

sábado, 7 de maio de 2011

Youtube Motorsport Crash: o acidente de Fabio Leimer em Istambul



Já falei do acidente do suiço Fabio Leimer na primeira volta da primeira corrida turca da GP2. Agora mostro o video do seu violento e algo espectacular capotamento, felizmente sem consequências fisicas para o piloto.

Já agora, para quem não sabe, a prova foi depois neutralizada pelo Safety Car por umas voltas, e prosseguiu, resultando na vitória do franco-suiço Romain Grosjean.

GP3 - Istambul: holandês Melker é o vencedor, Felix da Costa na quinta posição

Depois da GP2, foi a ver da GP3 começar a sua temporada no mesmo local, o circuito turco de Kurtkoy. Tal como foi na GP2, foi uma corrida movimentada, mas houve menos acidentes espectaculares do que na série anterior.

No final, o grande vencedor foi o holandês Nigel Melker, da Mücke, que não teve dificuldades em se superar ao italiano Andrea Caldarelli e ao francês Tom Dillman, que ficaram na frente do finlandês Valtteri Bottas, que teve de suar as estopinhas para manter a sua posição, já que foi pressionado pelo português Antonio Felix da Costa.

O piloto de Cascais, que partia da 11ª posição, cedo chegou ao grupo onde rolava Caldarelli, Dillman e Bottas, estando colando ao finlandês por muito tempo. Contudo, não chegou a esboçar qualquer tentativa de ultrapassagem, preferindo ficar com os pontos referentes ao quinto lugar, que irá dar direito a largar amanhã da quarta posição, o que dará chances para atacar um lugar no pódio.

A prova foi também marcada por um toque no meio da corrida entre o brasileiro Leonardo Cordeiro e o britânico Lewis Williamson. Este último acabou por forçar à entrada do safety car em pista quando o seu carro capotou a muito baixa velocidade quando chegou à escapatória no final da grande reta que dá acesso zona de entrada nas boxes.

A segunda corrida da GP3 acontecerá amanhã de manhã.

GP2 - Ronda 1, Turquia: Grosjean vence na abertura

O fim de semana turco é palco das rondas iniciais de dois campeonatos que costumam seguir com a Formula 1: a GP2 e a GP3. Na corrida da segunda categoria, um ex-piloto de formula 1 deu nas vistas e venceu: o franco-suiço Romain Grosjean, no carro da DAMS, foi o primeiro vencedor do ano em Istambul, numa luta que teve com o ART do britânico Sam Bird, que ficou na frente de outro francês, Jules Bianchi.

Foi uma corrida movimentada, como costuma ser este tipo de competição, com acidentes em catadupa. Começou com um espectacular acidente envolvendo o suiço Fabio Leimer, o mexicano Esteban Gutierrez e britânico Max Chilton, com Leimer a levantar voo após contacto com o carro da Ocean, pilotado pelo alemão Kevin Mirocha, que conseguiu prosseguir em prova. Quando o Safety Car regressou às boxes, Grosjean manteve a liderança, mas foi nessa altura que Sam Bird chegou ao segundo posto e começou a luta pela liderança.

Na volta 16, o Safety Car entrou de novo na pista devido a um acidente causado pelo Ocean de Johnny Ceccoto Jr. que quando fazia a Curva 8, perdeu o controle do seu veiculo e bateu na parte de trás do carro de Luca Filippi, forçando ao abandono dos dois pilotos. Foi nessa altura que Grosejan e Bird pararam nas boxes no mesmo momento e regressaram à pista pela mesma ordem, numa que mantiveram até ao final, ainda que o britânico tenha dado o máximo para que Grosjean cometesse um erro, o que não aconteceu.

O holandês Giedo van der Garde foi quarto, logo na frente do "rookie" monegasco Stefano Coletti e do brasileiro Luiz Razia, que deu os primeiros pontos para a Team Caterham, de Tony Fernandes. Amanhã, a grelha será invertida, o que implica mais lutas pela vitória e por mais pontos.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Formula 1 2011 - Ronda 4, Turquia (Treinos)

O dia de hoje em Istambul está a ser marcado pela chuva que cai com alguma insistência no circuito, e que provavelmente irá continuar assim no domingo, dia da corrida. Essa chuva, como viram, causou o despiste de Sebastien Vettel na primeira sessão de treinos, e os danos do carro foram mais do que suficientes para que não alinhasse na segunda sessão do dia.

Contudo, ao mesmo tempo que o piloto alemão se despistava, o Ferrari de Fernando Alonso era o melhor na pista turca, aproveitando um momento onde a chuva abrandou para montar pneus intermédios e conseguir o tempo de 1.38,670 segundos, 1,2 segundos mais rápido do que o segundo e o terceiro melhores, os Mercedes de Nico Rosberg e Michael Schumacher.

Logo a seguir ficaram os Renault de Nick Heidfeld e Vitaly Petrov, que andaram bem na chuva e ficaram na frente do Sauber de Kamui Kobayashi e do segundo Ferrari de Felipe Massa. Surpeeendente foi o andamento do terceiro piloto da Toro Rosso, Daniel Ricciardo, que conseguiu ser o oitavo colocado nesta primeira sessão, bastante melhor do que outros terceiros pilotos como Nico Hulkenberg, ainda assim num respeitável décimo posto e o melhor Force India.

Nesta primeira sessão, os McLaren de Lewis Hamilton e Jenson Button praticamente não marcaram tempo, mas na segunda sessão, disputada com pista seca, foi o contrário: Button foi o melhor, Lewis Hamilton foi o terceiro, batido apenas pelo Mercedes de Nico Rosberg. Aliás, os motores Mercedes focaram com as duas primeiras filas, dado que Michael Schumacher fez o quarto tempo.

Atrás dos Mercedes ficou o segundo Red Bull de Mark Webber e o Ferrari de Felipe Massa, que com o seu sexto tempo foi melhor do que o seu companheiro Fernando Alonso, apenas 11º. Mas os testes de hoje servem normalmente para marcar tempo fazer afinações e testar outras soluções para o final de semana, portanto, é tudo relativo.

Mais para o final do pelotão assiste-se ao duelo entre Lotus e Williams para saber se a equipa de Norfolk consegue ultrapassar a de Grove, dado que nesta sessão, a diferença entre Rubens Barrichello, o 16º, e de Jarno Trulli, o 17º, foi de pouco mais de meio segundo, o que começa a ser importante. A ver se isto continua na qualificação...

Nesta segunda sessão, apesar do asfalto seco, os corretores não estavam e sempre que alguém pisava-os, entrava em despiste, principalmente na Curva oito. O maior desses contemplados foi Pastor Maldonado, que a bordo do seu Williams chegou até a dar um ligeiro toque à saída dessa curva.

Amanhã é dia de qualificação, e vai-se ver até que ponto estes tempos nos treinos livres se coadunam na grelha de partida do Grande Prémio.

O despiste de Sebastian Vettel na Turquia

Está a ser um dia marcado pela chuva em Istambul, e no primeiro treino livre, a grande noticia - para além do Ferrari de Fernando Alonso ter sido o melhor na tabel de tempos - foi o despiste de Sebastian Vettel na Curva 8, depois de ter passado por cima dos corretores e perdido o controle do seu carro.

No acidente, o seu RB7 ficou danificado, desconhecendo-se se será recuperável para o resto do fim de semana, obrigando-o a correr com o chassis de reserva... pode-se dizer que neste segundo treino livre, Vettel não alinhou.

Quanto aos treinos livres, mais tarde falarei sobre eles.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

As corridas do passado: Turquia 2005

"A Formula 1 desde há muito que se expandia para novos mercados, tentando garantir mais dinheiro e a experiência da Formula 1 a novos grupos. Desenhado por Hermann Tilke, o autódromo de Kurtkoy, no lado asiático da cidade de Istambul, é um autódromo onde os pilotos correm no sentido contrário aos ponteiros do relógio, algo que na altura só o podiam fazer em Imola e Interlagos.

Os pilotos ficaram surpresos com os desafios do circuito turco: a primeira curva era descente, fazendo lembrar o S de Senna em Interlagos e um pouco o Saca-Rolhas, em Laguna Seca, mas o que iria ficar na mente de toda a gente é a Curva Oito: longa e rápida, os fãs chamaram-lhe entre si de "Diabolica", para fazer paralelos com a Parabolica de Monza, pois em média, os pilotos tinham de aguentar uma aceleração lateral de 5 G's. (...)"

Eis a descrição que faço hoje do GP da Turquia de 2005, o primeiro de sempre naquele pais encravado entre a Europa e a Asia. No ano em que provavelmente será o último onde a Formula 1 estará presente, é bom recordar dos eventos que rodearam o primeiro fim de semana de sempre no circuito situado em Kurtkoy, no lado asiático de uma metrópole com mais de oito milhões de habitantes. Projetado por Hermann Tilke, até é um circuito bem conseguido, pois tem curvas desafiantes como a primeira curva, que faz lembrar o "S de Senna" em Interlagos ou a famigerada Curva 8, que alguns a chamam de "Diabolica", a lembrar a Parabólica de Monza.

Para ler o resto da história, que faz parte da antevisão do GP turco, que ocorre neste final de semana, podem ler no site Pódium GP.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

5ª Coluna: Ninguém chorará por Istambul

Daqui a dez dias iremos ver o GP da Turquia pela última vez no calendário da Formula 1. Digo isso devido aos vários rumores que se circulam sobre o futuro da corrida, quase como se fossem certezas, de que os organizadores disseram que não iriam pagar mais dinheiro a Bernie Ecclestone e à FOM para manter a corrida nos anos que aí vêm. A acontecer, já saberemos qual vai ser a corrida que sairá para dar lugar aos Estados Unidos, isto é, partindo do principio que a corrida do Bahrein voltará ao calendário em 2012.

Francamente, observo a Turquia como o exemplo clássico de um bom circuito construido no lugar errado. Em termos automobilisticos, este pais foi sempre uma nota de rodapé quer em termos de pilotos e circuitos, quer fosse em pista, quer fosse nas classificativas. O rali da Turquia tem alguma tradição, mas não é um clássico como é o seu vizinho e rival rali da Acrópole, na Grécia, e ainda por cima, este ano não faz parte do calendário do WRC, por exemplo.

Ao olhar para o circuito de Kurtkoy, observo-o como o melhor exemplo daquilo que Ecclestone quer fazer da Formula 1, só que deu tudo errado. Um projeto de largas dezenas de milhões de euros, projetado por Hermann Tilke especialmente para receber a Formula 1, mas que nunca ganhou o coração dos fãs. A corrida de 2009 ficou famosa pelas piores razões, quando atraiu mais do que... 25 mil pessoas ao longo de todo o final de semana. Numeros destes não se viam desde os tempos em que o circo visitava o travado circuito de Jerez de la Frontera, em 1990.

Mas antes, o exemplo turco ficou na história pelas piores razões politicas. Em 2006, os organizadores decidiram chamar para o pódio, para entregar o troféu de vencedor, o presidente da "Republica Democrática do Chipre do Norte", a metade norte da ilhja de Chipre, separada em 1974 por divisões étnicas após uma invasão e uma curta guerra civil. Ora, essa entidade só é reconhecida pela Turquia, e a organização foi obrigada a pagar uma enorme multa pela ousadia. Não sei se foi por causa disso ou foi outra coisa, mas desde então que o circuito ficou "às moscas"...

O exemplo de Kurtkoy é demonstrativo de que o modelo ecclestoniano, tal como está, só serve a curto prazo. Custos com tendência a aumentar, falta de divulgação, corridas feitas em paises sem tradição, circuitos que se transformam em "elefantes brancos", contas por pagar durante anos a fio. Para ser honesto, os unicos mercados do qual a Formula 1 deveria estar sempre presente seriam - para além da Europa - os Estados Unidos, a China e a India, para além da Europa, Austrália, Japão e Brasil. Saber das razões pelo qual o Bahrein recebe a Formula 1, ainda por cima o preço que paga para ter, demonstra que para certas pessoas com poder, é um brinquedo caro. E essa direção, na minha opinião, é uma receita para o desastre.

Em jeito de conclusão, a unica contribuição da Turquia ao mundo da Formula 1 é provavelmente a famosa curva oito, provavelmente a mais desafiadora da atualidade. Quem já guiou em Kurtkoy nos simuladores, como eu, até gosta do que vê, e provavelmente deve ser um dos dois circuitos desse alemão que gosto (o outro é Sepang). De resto, ninguém ficará com saudades de Istambul. Pode ser que um dia volte, mas tenho sérias dúvidas. Aliás, nem ficaria espantado se no ano que vêm e empresa que gere o circuito declare falência ou algo parecido...

domingo, 30 de maio de 2010

Formula 1 2010 - Ronda 7, Turquia (Corrida)

Há tilkódromos e tilkódromos. Sou daqueles que dizem que Sepang é bem feito, e também gosto de Istambul Park. Mas para que as corridas sejam emocionantes, os pilotos têm também de colaborar, mesmo fazendo disparates. E foi o que aconteceu a Sebastien Vettel, quando teve o seu momento "severe brain fade", autoeliminando-se e impedindo o seu companheiro Mark Webber de conseguir uma terceira vitória consecutiva. Quem ganhou com tudo isto? Lewis Hamilton e Jenson Button, os pilotos da McLaren.

A corrida ficou definitivamente marcada com este incidente, que aconteceu na volta 41. Ao aproximar da curva doze, o alemão Vettel aproximou-se do australiano Webber, que estava na liderança, e fez uma manobra de ultrapassagem mal sucedida. O resultado foi um choque entre ambos e o consequente abandono de Vettel. Webber teve de ir às boxes para trocar o bico do seu carro e prosseguir a corrida, entregando o comando aos McLaren de Hamilton e Button.

Mas antes disso já tinha havido emoção. Na partida, Webber ficou na frente, mas Hamilton tentou constestar a sua liderança, esboçando até algumas tentativas de ultrapassagem. O britânico conservou o segundo posto até à troca de pneus, altura em que perdeu o segundo posto a favor de Vettel, que por sua vez tentou um ataque à liderança do seu companheiro, com os resultados conhecidos.

De resto, a McLaren controlou os acontecimentos, mesmo com Button a pressionar Hamilton para tentar a terceira vitória do ano. Trocaram de posições por algumas vezes, mas no final a equipa, com medo de panes secas e outras colisões, pediu a Button para refrear o ritmo e garantir a dobradinha. Assim foi, com Webber a garantir o seu terceiro pódio consecutivo, à frente dos Mercedes de Michael Schumacher e Nico Rosberg, e do Renault de Robert Kubica.

OS Ferrari estiveram apagados, neste seu 800º Grande Prémio da carreira. Felipe Massa e Fernando Alonso andaram demasiado discretos, mesmo que Massa tenha garantido o setimo posto final, e Alonso, depois de uma ultrapassagem algo polémica a Vitaly Petrov, conseguiu o oitavo lugar. Para quem prometia muito no inicio da época, este seu abaixamento do ritmo, quando rumamos ao meio da temporada, significa que as coisas para 2010 não vão melhorar muito. A não ser que aconteça o contrário... a Scuderia de Maranello é a quarta força no pelotão, ameaçada pela Renault.

E por fim, a fechar os pontos, o Force India de Adrian Sutil e a Sauber-Ferrari, conseguiu o seu primeiro ponto da época, graças ao japonês Kamui Koboyashi. Que conseguiu aguentar os ataques finais... do seu companheiro de equipa, Pedro de la Rosa. Já mereciam os comandados de Peter Sauber, depois de uma temporada frustrante, com muitas quebras.

No final, esta vitória da equipa McLaren, embora tenha caído do céu, pode servir como tributo ao seu fundador Bruce, na semana em que se comemoram os 40 anos da sua morte. Mas a realidade, dura, nua e cruel, é esta: cada vez mais será uma temporada da Red Bull, no qual os outros só vão aproveitar caso haja um erro deles, o que aconteceu hoje. Não vou dizer que a normalidade será restablecida no Canadá, pois normalmente é uma "roleta russa", mas creio que no regresso da Formula 1 à Europa, tal irá acontecer...