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terça-feira, 2 de junho de 2020

A imagem do dia

"Bruce era um piloto, inovador e líder, e todos nós da McLaren nos esforçamos todos os dias para seguir o exemplo que ele nos deu. Bruce se destaca como um herói do nosso desporto, imortalizado por esta estátua que está cercada por seu legado.
"

Nós tiramos um momento neste dia importante para lamentar sua perda, mas também para inspirar sua vida. O espírito de Bruce vive através de todas as pessoas que trabalham na McLaren hoje. Corremos em sua honra, sem medo, para a frente, em busca do melhor.

Estas foram as palavras de Zak Brown em Woking, na sede da marca, no dia em que se cumprem 50 anos da sua morte. Bruce McLaren, que ajudou a fundar a empresa em 1963, morreu neste dia 2 de junho de 1970, no circuito de Goodwood, quando testava um McLaren M8D de Can-Am, em preparação para a competição que iria começar dali a duas semanas em Mosport, no Canadá.

Hoje, a marca honrou o seu fundador com a inauguração da sua estátua na sua sede. Em fato de corrida, a estátua foi mostrada ao lado das criações, desde o Austin Seven que ele modificou aos 15 anos de idade, até aos seus carros de estrada, alguns com o "Papaya Orange", outros sem ela. Amanda McLaren, sua filha, acendeu a primeira das 50 velas que foram colocadas na fábrica para honrar a sua memória e na distante Nova Zelandia, na sua Auckland natal, um grupo de maoris, da sua faculdade de engenharia, fez um "haka" ritual em sua honra.

Em suma, todos hoje em dia se lembraram o que foi e como foi. O seu legado vive, hoje mais que nunca. As suas realizações, boa parte delas acontecidas após a sua morte, mostram que ele nunca foi esquecido, e todos os seus carros têm o espírito do seu fundador gravado. É assim que se faz. 

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Youtube Motorsport Video: Os grandes momentos de Niki Lauda

Passa hoje um ano sobre a morte de Niki Lauda, e a Formula 1 o homenageou no seu canal com um video, escolhendo dez grandes momentos de uma longa carreira, que teve duas fases, entre 1971 e 79, e depois, entre 1982 e 85, com três títulos mundiais e 25 vitórias no seu palmarés. E claro, Hollywood fez de (parte) da sua vida num filme. 

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Noticias: Sainz Jr. na Ferrari, Ricciardo na McLaren

Ferrari e McLaren não perderam tempo e anunciaram pilotos para a próxima temporada. Carlos Sainz Jr. será o substituto de Sebastian Vettel, enquanto Daniel Ricciardo irá para a McLaren, para substituir o piloto espanhol na equipa de Woking, depois de dois anos na Renault. O contrato com a Ferrari será de duas temporadas, a mesma extensão para o australiano.

Estou muito contente por rumar à Scuderia Ferrari em 2021 e estou entusiasmado com o meu futuro com a equipa, mas ainda tenho um ano importante pela frente com a McLaren Racing, equipa com que estou realmente ansioso por voltar a correr esta temporada”, disse o filho de Carlos Sainz.

Mattia Binotto, o director da equipa da Ferrari, fez as honras da casa a Sainz Jr., elogiando o seu talento: “Tenho o prazer de anunciar que o Carlos se vai juntar à Scuderia Ferrari a partir de 2021. Em cinco temporadas de Formula 1, o Carlos provou tem provado ser muito talentoso e mostrou que tem a capacidade técnica e os atributos certos para se encaixar perfeitamente na nossa família. Embarcámos num novo ciclo com o objetivo de voltar ao topo na Fórmula 1. Será um longo caminho, não sem dificuldades, mas acreditamos que esta será a melhor combinação possível para nos ajudar a alcançar os objectivos a que nos propusemos”, disse.


Já em Woking, Zak Brown deu as boas-vindas a Ricciardo e espera que esta chegada represente um salto em frente em relação ao que foi feito em 2019.

Assinar com o Daniel é mais um passo em frente no nosso plano a longo prazo e trará uma nova emocionante dimensão à equipa. Esta é uma boa notícia para a nossa equipa, parceiros e, claro, para os nossos adeptos. Também quero prestar um homenagem ao Carlos [Sainz Jr.] pelo excelente trabalho que tem vindo a fazer pela McLaren ao ajudar o nosso plano de recuperação de desempenho. Ele é um verdadeiro jogador de equipa e desejamos-lhe o melhor para o seu futuro depois da McLaren”, disse.

Do lado da Renault, Cyril Abiteboul não ficou lá muito satisfeito com a saída do piloto australiano, depois de duas temporadas, embora esse era a duração do contrato que foi assinado entre ambas as partes. O diretor desportivo da marca deixou no ar um pouco de falta de lealdade para com a equipa.

Dentro do contexto sem precedentes da temporada 2020, as discussões realizadas com Daniel Ricciardo sobre a renovação de seu contrato após o final de 2020 não foram bem-sucedidas. No nosso desporto, e particularmente na atual situação, confiança, união e compromisso recíprocos são, mais do que nunca, valores críticos para uma equipa de trabalho.", começou por dizer.

Estou confiante de que a temporada 2020 nos permitirá fazer ainda mais juntos. A nossa ambição e a estratégia da Renault DP World F1 Team permanecem inalteradas.”, concluiu.

Numa aparente indiferença, Ricciardo agradeceu à Renault pela oportunidade concedida pela marca do losango e espera ter um 2020 ainda melhor.

Sou muito grato pelo meu tempo na Renault F1 Team e pela maneira como fui recebido na equipa. Mas ainda não terminamos e mal posso esperar para voltar à pista este ano. Meu próximo capítulo ainda não começou, então vamos terminar em força. Merci!

quarta-feira, 13 de maio de 2020

Rumor do Dia: Ricciardo a caminho da McLaren?

Depois da saída de Sebastian Vettel e da possibilidade de Carlos Sainz Jr. estar a caminho da Ferrari como seu substituto, fala-se agora que Daniel Ricciardo poderá estar a sair da Renault e ficar com o lugar do espanhol, e correr ao lado de Lando Norris. O jornalista italiano Leo Turrini afirmou à Radio 24 Itália que Daniel Ricciardo deverá ser substituto de Sainz. Ao comentar a ida de Sainz para Maranello, Turrini revelou que Ricciardo já terá acordo com a equipa de Woking:

Sainz é um piloto sólido ”, começou por dizer. “Mas também é preciso dizer que em vários anos ele alcançou apenas um pódio, mesmo que nunca tenha tido grandes meios à sua disposição. Não é o nome que aquece o coração. Ricciardo? Parece que ele já assinou contrato com a McLaren.”, concluiu.

Se for o australiano de 30 anos o escolhido, ele sairia da equipa francesa sem qualquer pódio na temporada de 2019, sido apenas nono classificado, com 54 pontos e um quarto posto em Itália como o melhor resultado. O seu contrato com a marca do losango termina no final de 2020.

Caso todas estas movimentações sejam verdadeiras, isso significa que a Renault deixa uma vaga aberta para quem queira preencher. Com Esteban Ocon como piloto principal, a segunda vaga pode ser preenchida por alguém que seja interessante para guiar, provavelmente tão jovem quanto esta geração, mas não se pode descartar algum veterano que fique com a vaga, como por exemplo, Fernando Alonso. Mas o espanhol terá 40 anos em 2021 e não sei se estaria disposto a ser "humilhado" pela nova geração.

quarta-feira, 6 de maio de 2020

Noticias: Zak Brown quer calendário de 14 corridas em 2020


O patrão da McLaren acha que o possível calendário para 2020 poderá ser demasiado ambicioso em tempo de pandemia, e acha que um calendário de 14 a 15 corridas, em dez locais diferentes, quase todos na Europa, seria melhor num tempo excepcional. Numa entrevista à motorsport.com, Zak Brown acha que este número era aquele usado pela Formula 1 por muito tempo, e ter três corridas por mês poderá ser excessivo para os membros das equipas, que até agora estão nas fábricas ou em casa, tentando passar incólume perante esta pandemia.

A Fórmula 1 está a tentar um calendário com 15 circuitos e 18 corridas. Sou um pouco mais pessimista do que isso, apostaria em 14 a 15 corridas em 10 circuitos.”, começou por dizer.

Acho que faremos algumas corridas na Áustria, algumas em Silverstone. Se começarmos a ter problemas com viagens, acho que poderemos ver jornadas duplas noutros circuitos. Eu não acho que essa seja a intenção, mas vou assumir que vamos ter uma falha, ao longo do caminho. Embora a Áustria esteja pronta e talvez Silverstone esteja pronta, com portas fechadas, não sabemos se a segunda vaga [do vírus] virá. Acho que será quando embarcarmos em aviões e tivermos que voar para o exterior, que o risco começará a aumentar potencialmente. Há conversas sobre mais corridas na Europa. O calendário foi de apenas 16 corridas durante algum tempo. Então, para mim, de 14 a 15 corridas, será um campeonato muito completo”.

Questionado sobre a FOM e como eles andam a reagir à pandemia, Brown disse que os pagamentos continuam a ser feitos e elogia Jean Todt pela sua postura no meio deste problema.

Eles continuam a pagar. Eles ajudaram algumas equipas, não tenho exatamente certeza de quais, mas acho que é bom porque todas as equipas podem precisar de alguma ajuda. Acho que eles estão a fazer o possível para voltar às corridas, o que nos protege economicamente.

Estou muito impressionado com Jean Todt [presidente da FIA]. Eles estão a tomar boas decisões, boas recomendações e o Jean, em particular, está a pressionar muito no limite do orçamento. É necessário, e era necessário antes disso. Desde que todos nós lidemos bem com [a crise] e nos inclinemos para o problema, acho que há oportunidades. Acho que é perigoso se colocarmos a cabeça na areia, se assumirmos que tudo se resolverá. Isso é perigoso”, concluiu.

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Youtube Formula 1 Video: Os dez melhores dos anos 60

O Josh Revell está a fazer uma contagem sobre os melhores pilotos de cada década e agora, chegou aos anos 60 do século XX, ou seja, a segunda década da Formula 1, onde muitos dos pilotos que admiramos correram nessa era. Claro, o numero um têm o seu lugar garantido, e o seu bom humor está bem intacto, especialmente com as descrições sobre Denny Hulme, Dan Gurney, Graham Hill e um certo pretendente à Tripla Coroa...

Enfim, vale a pena.

quarta-feira, 25 de março de 2020

A imagem do dia

Um dos grandes defeitos do Ayrton Senna por muito tempo era a sua falta de paciência, especialmente para passar os carros mais lentos. O exemplo do GP de Itália de 1988 é o mais célebre, quando não esperou alguns segundos para poder passar Jean-Louis Schlesser, pois tinha uma enorme vantagem sobre o Ferrari de Gerhard Berger. E ao não ter paciência para atrasado, ofereceu à Ferrari a mais inesperada das suas vitórias na sua longa história da Formula 1.

Em 1990, a Formula 1 regressava a Interlagos na pior altura para receber um Grande Prémio. No Brasil, o país vivia com o flagelo da inflação, e o novo presidente, Fernando Collor, decidiu confiscar as poupanças que as pessoas tinham no banco, obrigando-as a tirar apenas uma infima parte. As pessoas correram aos balcões para tirar o que podiam antes da medida entrar em vigor, e muitos não conseguiram.

Ao mesmo tempo, Jean-Marie Balestre, então presidente da FISA, ia ao Brasil, poucos meses depois dos eventos de Suzuka. Eles aproveitou a situação para insultar o povo brasileiro, dizendo que não tinham dinheiro para comprar tomates para poder atirar a ele, e chamando-os de cobardes, ao compará-los aos separatistas corsos que matavam pessoas com bombas debaixo dos carros. Vá lá, não disse que o IRA e a ETA eram melhores...

Senna era de São Paulo e queria ganhar em casa. Aliás, até então não tinha ganho nenhum GP do Brasil, tendo o melhor sido um segundo lugar na edição de 1986, e em 1988 e 89, tinha tido problemas, desde batidas na partida até uma desclassificação. E até tinha colocado o dedo nas obras de remodelação ao autódromo de Interlagos, que completava 50 anos em 1990. Foi por causa dele que nasceu o "S" de Senna, por exemplo.

Ele queria avidamente ganhar, especialmente para poder esfregar na cara de Prost, que vencera em "terra Brasilis" em 1982, 84, 85, 87 e 88. Na Ferrari, tinha máquina para ser de novo campeão, logo, seria o rival de Senna no título... e no seu próprio Grande Prémio. Senna fez a pole e Prost foi apenas sexto na grelha, enquanto o brasileiro partiu no comando, enquanto atrás, Prost tentava fazer uma corrida suficiente para estar no lugar certo, à hora certa. 

Na volta 40, Senna aproximava-se do Tyrrell de Satoru Nakajima, seu companheiro nos dias da Lotus-Honda. Prost estava no segundo posto, a cerca de dez segundos. Estava perto, mas não era ameaçador. Contudo, a sua ansiedade levou a melhor, e a impaciência levou a uma atitude intempestiva. O nariz foi quebrado e o downforce comprometido. Foi às boxes e tentou recuperar o tempo perdido, mas não conseguiu mais que o terceiro posto, atrás de Alain Prost e Gerhard Berger.

Claro, nem tudo foi mau. Continuava a liderar o campeonato, mas em rermos de vitórias naquela temporada, era um empate. Quando tinha tudo para sair dali como vencedor. Os fãs tiveram de esperar mais um ano, e em circunstâncias épicas, para verem o seu sonho realidade.  

quinta-feira, 12 de março de 2020

A imagem do dia

Lembrar-se destas coisas, a meio de uma pandemia mundial, até é um feito. Mas até nem eu poderia deixar passar isto de lado, por causa da data redonda. Do que aconteceu e das circunstancias desse facto.

A 11 de março de 1990, em Vilnius, na Lituânia, o parlamento local decidiu restaurar a sua independência, retirada pela (então) União Soviética cinquenta anos antes. Só ano e meio depois é que se efectivou, mas no dia em que isso acontecia, no outro lado do Atlântico, no outro lado da América, quase no Pacífico, acontecia o GP dos Estados Unidos, num circuito sem história no centro de Phoenix, no Arizona.

Por ali, são raros os dias de chuva. Mas aconteceu. Choveu no sábado, e os tempos de sexta-feira foram os que contaram. Foi por isso que Pierluigi Martini conseguiu a sua melhor posição de sempre, com um segundo lugar, na frente de Andrea de Cesaris, no seu Dallara, Olivier Grouillard conseguiu um oitavo com o seu Osella, Roberto Moreno um 16º posto com o seu Eurobrun, tudo resultados... excêntricos. E os dois italianos ficaram na frente de Ayrton Senna! Em contraste, Nigel Mansell foi 17º e Alessandro Nannini 21º.

Mas não foi a grelha excêntrica que queria falar. Era sobre o dia em que um talento mostrou do que era capaz com uma máquina modesta. Jean Alesi, quarto na grelha de Phoenix, tinha chegado como um cometa a meio de 1989, e começou logo com um quarto posto em Paul Ricard, no seu Tyrrell. O francês, que corria pela equipa de Eddie Jordan na Formula 3000, não tinha passado despercebido pelo olho treinado de Ken Tyrrell, e conseguiu oito pontos na sua meia temporada e um nono posto no campeonato, enquanto era campeão na categoria mais abaixo.

Em Phoenix, ainda com a velha máquina - o 019 só iria aparecer em Imola - Alesi decidiu aproveitar o azar de Gerhard Berger para liderar a corrida. Parecia que iria ser um soluço, até que outros mais fortes o apanhassem, como Senna. Mas quando o brasileiro chegou perto, o francês reagiu. Reagiu ficando em frente a Senna por 25 voltas, com um mero motor Ford V8 contra o Honda V10 que o McLaren tinha. E à medida que as voltas passavam, as pessoas admiravam aquilo que ele fazia.

No primeiro ataque, Alesi se defendeu bem, mantendo a liderança, mas na segunda tentativa, o brasileiro conseguiu. Ele foi-se embora, mas o segundo lugar final não só lhe deu o seu primeiro pódio da sua carreira como o primeiro pódio da marca desde o GP do México, no ano anterior, quando Michele Alboreto tinha sido terceiro.

Alesi pode não ter vencido, mas naquela tarde de Phoenix, mostrou que era capaz com um carro inferior aos McLaren, Ferrari, Williams e Benetton. O futuro se iluminou para ele.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Indy Car Series: Alonso corre nas 500 Milhas pela Arrow McLaren

Era... esperado. A Arrow McLaren SP anunciou esta terça-feira de Carnaval que Fernando Alonso tentará pela terceira vez as 500 Milhas de Inidanápolis, depois de 2017 e do fracasso que foi a sua tentativa de 2019, onde não se qualificou. O piloto de 38 anos vai correr ao lado do mexicano Pato O'Ward e o britânico Oliver Askew para tentar ser o segundo piloto a alcançar a Tripla Coroa, depois de já ter conquistado dois títulos mundiais de Formula 1 e de ter vencido por dias vezes as 24 Horas de Le Mans.

"Sou piloto e as 500 Milhas é a maior corrida do mundo", coeçou por dizer o piloto espanhol em declarações captadas pela BBC. "Tenho o máximo respeito pela corrida e por todos que competem nela. Tudo o que quero é correr contra eles e dar o meu melhor", continuou.

A escolha da Arrow McLaren SP foi sempre a mais óbvia, mas com o final da colaboração com a McLaren, parecia que o piloto espanhol queria uma equipa mais competitiva, falando que estaria e conversações com a Andretti Autosport. Mas o veto da Honda para o acolher pesou imenso nas suas escolhas, voltando, aparentemente, para a Arrow McLaren, que tem motor Chevrolet.

"Era importante para mim explorar minhas opções para esta corrida, mas a Arrow McLaren SP sempre esteve no topo [das preferências]. Eu tenho um relacionamento especial com a McLaren; passamos por muitas coisas juntos e isso cria um vínculo, [uma] lealdade que é forte."

"Mas, mais do que isso, estou impressionado com a forma como a nova organização e operação está se transformando em um forte pacote com a parceria da Chevrolet. A equipe tem pessoas experientes, bem qualificadas e grandes recursos, e estou confiante de que podemos ser competitivos.", concluiu.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Apresentações Formula 1 2020 - O McLaren MCL35

O McLaren MCL35 foi hoje apresentado em Woking perante o mundo. Uma evolução do modelo anterior, é verdade, mas a ideia é de continuar com a caminhada positiva que tiveram em 2019, que resultou no seu primeiro pódio em seis anos. Encarada com otimismo, a nova temporada mostra o primeiro carro com trabalho direto de James Key, novo diretor técnico da equipa, e Andreas Seidl, o homem forte da equipa. Será a segunda época da dupla Carlos Sainz e Lando Norris, que mostrou talento, potencial e capacidade para voar alto. E claro, será a última temporada com o motor Renault, pois em 2021, eles voltarão a ter motor Mercedes, algo que não tem desde 2014.

"Hoje é um grande dia para todos nós. Segui de perto a construção do MCL35 neste inverno, e sei o tamanho do esforço e paixão que colocamos. Muitos podem considerar 2020 como apenas um buraco entre o velho e o novo regulamento, uma mera continuação de 2019 até chegar em 2021. No entanto, na McLaren, nós apertamos o [botão de] 'reset' depois da bandeira de xadrez em Abu Dhabi e trabalhamos muito duro para melhorar cada detalhe do nosso carro", começou por afirmar o piloto espanhol.

"O salto que demos no ano passado foi motivador, mas ao mesmo tempo, um aviso do quão apertada a luta continuará no meio do pelotão. Não podemos sentar em 2020 se quisermos nos aproximar do topo. A ambição é melhorar e dar mais um passo nesta temporada, e estou ansioso para os testes de Barcelona e continuar o momento positivo que começamos no ano passado", continuou.

Em relação à sua relação com Lando Norris, acentuou que a relação entre ambos foi benéfica para o desenvolvimento do carro e espera que isso colha frutos nesta temporada.

Conseguimos desenvolver um bom relacionamento um com o outro, mas também um bom relacionamento de trabalho com todos os membros da equipa. Esperamos conseguir ter um pacote melhor, um carro melhor. Acho que houve muito trabalho por trás deste carro e sinto que tudo está a ir no caminho certo. Estamos a crescer como uma equipa, temos muito impulso positivo e queremos levar isso adiante.”, afirmou Carlos Sainz Jr.

O britânico, mais irreverente, começou por dizer que “eu acabei desenhando todo o carro”, para depois dizer coisas mais sérias. “Esse carro usa a base do ano passado. Tudo o que falamos no ano passado, os comentários e discussões entre nós pilotos, foi colocado nisso. É muito mais meu carro, então sinto muito mais que é meu bebé", continuou.

Em relação à segunda temporada na Formula 1, afirma estar mais confiante. “Tem sido uma longa caminhada. Há treze ou quatorze anos que tenho tentado estar nesta posição, ou chegar à posição do [qual alcancei no] ano passado. Desde os seis ou sete anos de idade, isso tem sido incrível. Adorei cada minuto e não mudaria por nada. Tem sido difícil ao mesmo tempo, mas sim, desde que eu era tão jovem, era a única coisa que eu queria fazer.

Depois da apresentação, o carro ruma a Barcelona para os testes coletivos. 

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

A imagem do dia

Existe aqueles do qual ter um campeonato do mundo é o seu topo, e aqueles que, quantos mais, melhor. Jody Scheckter, o primeiro - e único sul-africano a vencer um título mundial - fazia parte dessa categoria. E tudo por causa de um incidente que aconteceu num sábado de manhã.

Scheckter - que fez ontem 70 anos de idade - chegou ao automobilismo com vontade de vencer e ser veloz. Tão veloz, de pedal pesado que o chamavam de muitos nomes. "Trogolodita" era um deles, mas na realidade, tinha a rapidez e o sangue na guelra como muitos pilotos têm na atualidade, mas ele estava numa década onde um erro e o piloto morria. E a 6 de outubro de 1973, ele viu o que era a Formula 1.

Pequeno aparte: quando Carlos Reutemann teve a sua primeira experiência na Formula 1, na Victory Race de 1971, em Brands Hatch, e ao ver os restos chamuscados do BRM de Jo Siffert, Graham Hill, seu companheiro na Brabham, ficou ao lado dele e lhe disse: "seja bem vindo a Formula 1". E não tinha nada de irónico nisso.

E Scheckter, nesse GP dos Estados de 1973, tinha apenas cinco corridas no seu currículo, mas tinham sido todas na McLaren, que tinha visto o seu potencial. Mas foi o tempo suficiente para causar a maior carambola até então, na partida para o GP da Grã-Bretanha, quando era terceiro classificado e tentava apanhar Jackie Stewart e Ronnie Peterson. E na corrida anterior, tinha colocado Emerson Fittipaldi fora da pista - mas aí, o culpado foi o brasileiro, que tentou uma manobra muito arriscada - quando o sul-africano... liderava a corrida. Portanto, nessa altura, todos o viam como veloz... e perigoso.

Nessa altura, Ken Tyrrell tinha o escolhido como seu piloto para 1974, e Francois Cevért não era muito fã por causa da sua impetuosidade. Mas tinha de o aturar, pois iria ser o seu companheiro de equipa. Ele já sabia que Jackie Stewart iria embora, era um segredo mal guardado, mas esperava que ele fosse domado. Toda a gente sabe que isso nunca aconteceu, mas poucos sabem que o primeiro piloto a chegar ao local do acidente foi... Scheckter. E foi ele que viu o corpo mutilado do piloto francês, já morto, ainda quente, provavelmente ainda com os movimentos involuntários do corpo, na sua agonia mortal. E essa imagem nunca o largou. Nunca. Ainda hoje se emociona a falar sobre esse assunto.

E foi sobre o cadáver de Cevért que jurou uma coisa: que seria campeão do mundo. E quando acontecesse isso, iria embora. Não quereria ser bicampeão, tricampeão, ou outra coisa qualquer. Um título e basta. As pessoas que acham que essa gente deveriam ser inferiores aos multicampeões nunca pisaram um cockpit de um carro na vida. Porque se esquecem que o automobilismo é perigoso e a vida é um sopro. A fronteira entre a vida e a morte é demasiado ténue para ser menosprezado.

Dito isto, tiremos o chapéu a Scheckter, que chegou aos 70. Que sobreviveu a uma década mortal e está hoje para contar a sua história.  

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

A imagem do dia

A foto que coloco aqui não é nenhuma efeméride redonda que esteja a comemorar, como habitualmente faço. Na realidade, é algo que apareceu ontem no Twitter e está a alargar-se, de uma certa maneira. E claro, é uma recordação de algo importante da minha vida.

O desafio é este: qual é o Grande Prémio que aconteceu do dia do teu nascimento? Ou se isso não aconteceu, então, na data mais próxima. Ora, quem calha nesse critério é o GP da Grã-Bretanha de 1976, no circuito de Brands Hatch, na região de Kent, a sul de Londres. E foi uma corrida e tanto.

Julho de 1976 foi de canícula na Europa. Enquanto se esperava pelos Jogos Olímpicos no outro lado do Atlântico, em Montreal, os fãs de automobilismo queriam saber em que corrida Niki Lauda seria campeão do mundo, porque ele tinha dominado de tal forma que todos viam isso como inevitável. Mas duas semanas antes, em Paul Ricard, o austríaco tiveram uma rara quebra e James Hunt aproveitou e venceu. Poucos dias depois, a FIA analisava o resultado do GP de Espanha, vencido por Hunt mas depois desclassificado por causa de irregularidades na asa traseira, e decidira que a McLaren tinha razão. Ou seja, Lauda via Hunt ganhar... 18 pontos.

Com essas boas noticias, cerca de 80 mil (ou cem mil) espectadores enfrentaram o calor para aplaudir o britânico da McLaren e ver se ainda conseguia sacar mais alguns pontos ao seu rival da Ferrari. E foram testemunhas privilegiadas porque... a BBC boicotou a transmissão. Isto porque uma das equipas, a Surtees, era patrocinada pela Durex, uma empresa de preservativos. E nesse tempo, era considerado "pecado". Afinal de contas, falamos do tempo em que o sexo era seguro e o automobilismo perigoso!

A primeira partida foi o que se vê. Clay Regazzoni e Niki Lauda deram se mal na primeira curva, a infame Paddock Hill Bend, o suíço toca no McLaren do britânico e ainda temos o Ligier de Jacques Laffite e o Ensign de Chris Amon no meio dos destroços. Hunt, Rega e Laffite foram eliminados, a partida interrompida e nesse tempo, para voltar a competir, tinha de se dar a volta inteira ao circuito. Só que Hunt andou uns metros e meteu o carro nas boxes, o que não era permitido. E todos sabiam disso.

Quando a organização desclassificou Hunt, o público revoltou-se. Gritaram "We Want Hunt!" (Nós Queremos o Hunt!) e atiraram garrafas para a pista, arriscando pneus furados dos os vidros estilhaçados. Lá o meteram de volta, e ele competiu, acabando por passar Lauda a meio da corrida, na travagem para a curva Druids, e acelerou até à meta, para o lugar mais alto do pódio. O britânico depois disse que eram "nove pontos, vinte mil libras e muita felicidade". Claro, a Ferrari protestou o resultado e conseguiram o que queriam dois meses depois, nas vésperas do GP do Canadá, em Mosport.

A minha segunda corrida depois do meu nascimento foi duas semanas depois, em Nurburgring, e deu no que deu... é por isso que a temporada de 1976 acabou por parar a Hollywood, onde se fez um filme. De aborrecida, nada teve.

sábado, 14 de dezembro de 2019

Noticias: McLaren contra Hypercars, prefere DPi

A McLaren decidiu que não iria construir um Hypercar para 2022, alegando custos de produção. Em vez disso, olha mais para a classe DPi, existente na IMSA e do qual a ACO poderá pensar em os incluir, no intuito de atrair mais gente para a competição. 

Com uma McLaren cada vez mais "americana", depois de ter colocado uma equipa na IndyCar, os olhos da marca poderão estar na IMSA. Pelo menos é isso que diz Zak Brown este sábado no Bahrein, onde está para assistir às Oito Horas, prova a contar para o Mundial de Endurance. 

"Se podemos criar uma série global de carros desportivos, Hypercar, DPi 2.0 ou o que você chamar, acho que é uma grande vitória para corridas de carros desportivos em todo o mundo, por isso sou muito favorável ao alinhamento de IMSA e ACO em torno de um conjunto comum de regras”, começou por dizer Brown ao sportscar365.com.

Nossa maior preocupação são os orçamentos atuais. Agora temos um ótimo programa na América do Norte com a IndyCar, então onde realmente queremos estar é o Campeonato Mundial de Resistência.", continuou.

Ele referiu que, com os custos de construir carros novos andam pelos 40 milhões de dólares por temporada, isso seria inviável. Mas caso em 2022 haja um acordo com a IMSA, então, poderão pensar em entrar.

"Tal como elas existem hoje, acho que teríamos dificuldade em chegar lá economicamente. Eu tenho que ser realmente responsável por assumir, especialmente com a Fórmula 1, que [a marca] levará alguns anos para reduzir suas perdas. Portanto, não posso entrar em nenhuma nova forma de corrida de automóveis no curto prazo, pois pode resultar em perdas significativas", comentou.

"Se entrarem na América do Norte em 2022, o que significa o fim de 2021 para o WEC, acho que se soubermos disso rapidamente, isso não será inatingível. Depende de quão sofisticadas essas regras serão. Se você começar a se interessar por peças comuns, isso começará a diminuir o tempo de espera."

Para construir um Hypercar completo [de Le Mans], atualmente, leva alguns anos. Se eles forem para uma plataforma mais simples, provavelmente acelerará tempo em que você pode fazer um carro.”, concluiu.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

O video do dia


Uma data de coincidências fizeram com que colocasse hoje este video. Ontem, li uma entrevista que o Mika Hakkinen deu ao podcast da Formula 1, e lá, ele disse coisas interessantes sobre o fim de semana do GP de Portugal de 1993, onde ele, ao fim de mais de meia temporada, teve a sua estreia na Formula 1 ao serviço da McLaren, a equipa no qual ficaria até ao final da sua carreira, em 2001.

Hakkinen tinha assinado para a temporada de 1993, depois de uma "noite de copos" com Keke Rosberg, o seu manager, que tinha em mãos a proposta para correr na Williams, ao lado de Alain Prost. Ele que tinha feito duas boas temporadas na Lotus. Ele achava que a McLaren seria ótimo para o seu talento, que poderia desenvolvê-lo e teria ajuda dos engenheiros e mecânicos para o fazer. E também sabia que Ayrton Senna estava indeciso entre ficar na equipa ou fazer uma sabática, como tinha feito Prost. 

Contudo, Senna ficou na McLaren, depois de fazer um contrato corrida a corrida, valendo um milhão de dólares por prova, e Hakkinen, a opção B, ficou como piloto de testes, vendo os outros correrem. Até que Michael Andretti foi despedido da equipa, mesmo depois de ter feito um terceiro posto em Monza. Estoril foi uma corrida onde ele era titular. E queria impressionar.

"Vou para Portugal para chutar a bunda do Senna e ir mais rápido do que ele", começou por dizer Hakkinen. "Esse era o meu objetivo. Eu sabia que nosso carro não era rápido o suficiente para bater as Williams, mas eu pensei: ‘A única coisa que eu preciso fazer é ser mais rápido que ele [Ayrton]’. E aconteceu. Foi uma volta muito boa. Não acho que eu poderia ter ido mais rápido que fui. Foi uma volta fantástica".

"Eu pensei: ‘Não é possível que o Ayrton vá mais rápido que isso’. E também senti que ele não estava cem por cento psicologicamente. As expectativas dele para o começo da temporada estavam altas e foi por isso que ele decidiu ‘ficar’ na McLaren, então ele começou a perder não a motivação, mas não estava totalmente lá. Então quando eu fui mais rápido ele pensou: ‘Oh, Meu Deus, isso não é bom para mim’", ponderou.

Hakkinen bateu-o por 48 centésimos, mas foi o suficiente para ele ficar com o terceiro posto. E na partida, é o que vêm no video: empurra Prost, para que Senna aproveitasse, caso fosse para a esquerda, mas Jean Alesi foi mais rápido e ficou com o primeiro posto, numa péssima Ferrari, mas com um motor potente. Suficiente para ter os seus "quinze minutos de fama". Senna passou Hakkinen a meio da primeira volta, mas ele não se descolou dele. Contudo, nenhum deles chegou ao fim nessa prova. Quando Senna se foi embora no final da temporada, a McLaren já sabia que teria um piloto tão bom como ele. E claro, Hakkinen seguiu para ser bicampeão do mundo e marcar uma era na equipa de Woking. 

terça-feira, 22 de outubro de 2019

A imagem do dia

Há dez anos, o Ricardo Santos fez um grafismo deste evento para o jornal i, e estes deram um título feliz, e claramente exagerado: "A III Guerra Mundial". Provavelmente acreditarei nisso quando Hollywood decidir fazer um filme sobre esses dois.

Não me interessa muito saber quem foi o culpado, porque isso já roça o sexo dos anjos. O que interessa saber é que isto já vinha de trás. E que Ayrton Senna perdeu o título muito antes. Provavelmente em Phoenix, quando o seu carro teve problemas e Alain Prost aproveitou para vencer. E depois em França, quando a sua embraiagem queimou, e o francês voltou a vencer. Foram 18 pontos em que não pontuou e Prost aproveitou muito bem.

Claro, o incidente do Estoril tinha acontecido quando Senna já estava em desespero de causa. E nesse campo, é quando se vê a verdadeira cara dos pilotos. E o brasileiro tinha um grande defeito: nunca foi um grande calculista, ao contrário de Prost. Que não lhe chamavam "O Professor" pela sua cara ou seu charme. Era porque sabia calcular bem, e sabia que ser o mais veloz na qualificação era mais simbólico que outra coisa, bastava partir de segundo e largar melhor que o poleman. E em 1989, Prost tinha a sua quota parte de títulos perdidos, atrevo a dizer desde 1981.

Mas mesmo assim, é indesculpável a manobra que fez, e depois largar o carro para ir correr, ter com os comissários e "pedir" a sua desqualificação. Jean-Marie Balestre bem disse que "a melhor decisão é a minha decisão", ou seja, as regras existem, mas a minha interpretação é a lei do dia. E nessa altura, o que não faltava eram os "VAR's". E para piorar as coisas, a imprensa do dia atiçava o duelo porque é como sabem: o que desejam é ver a tenda do circo a arder. 

É um momento para a história. Vai ficar marcado para o resto das vidas dos seus protagonistas e para além delas. Será discutido enquanto existirem testemunhas, e não falo das oculares, porque existem os videos, e esses ficarão para sempre para que cada geração tire as suas conclusões. 

E como também sabem, no ano seguinte houve a segunda versão disto.

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

A imagem do dia

Há precisamente 35 anos, a Formula 1 terminava no Estoril, num regresso da formula 1 a Portugal, 24 anos depois da última vez. Mas esta data, e este local não estavam incluídos no calendário original. Na realidade, deveria ter acontecido um GP de Espanha, em paralelo com uma prova em Nova Iorque, mas ambos não aconteceram.

Se no caso americano, era a obsessão de Bernie Ecclestone em encher o calendário de provas americanas, pois havia Detroit e naquele ano, Dallas, no caso de Espanha seria um regresso, mas não a Jarama, onde a Formula 1 tinha lá estado desde 1968 até 1981. Contudo, a pista parecia ter sido desenhado por um garoto de oito anos - era uma pista citadina - e sem grandes garantias, ela foi cancelada. E foi aí que a ACP aproveitou o balanço para estender a sua candidatura. Tinham uma pista pronta, as modificações não eram extensas e o público era fervoroso, como poderiam ver pelos magotes de gente que iam ver os carros de rali a fazer "slaloms" nas especiais que o Rali de Portugal fazia no circuito.

O anuncio foi feito em junho, no fim de semana do GP do Mónaco, e não houve tempo a perder. As boxes foram reconstruídas, as escapatórias modificadas, as barreiras foram remodeladas, e com a corrida a ser a última do calendário, até era bom que o título se decidisse por ali. Não ficaram desiludidos: Niki Lauda e Alain Prost fizeram por isso, numa temporada onde a McLaren dominou.

Tudo estava pronto na altura, e do que lembro bem dessa altura foi a forte cobertura que a televisão - a monolítica RTP - fez do evento. Quatro dias só a falar sobre isso fez despertar a minha preferência pelo automobilismo, adormecida depois de ter regressado a Portugal, dois anos antes. Digo muitas vezes que a minha primeira corrida foi Las Vegas 1981, com o primeiro título mundial de Nelson Piquet, mas Estoril 1984 foi o meu renascimento.

Foi uma corrida que valeu a pena. Prost tinha de vencer para ser campeão, se Lauda não fosse além do terceiro posto. Ele partia de 11º, mas já tinha mostrado que era um excelente piloto em corrida, poupando o carro na primeira parte para depois atacar na segunda, com meio depósito de gasolina. E o que decidiu o título foram os travões de Nigel Mansell, segundo no seu Lotus até à volta 53, quando estes cederam e deram o segundo posto ao austríaco. 

E logo atrás, também todos queriam ver como se comportaria o menino prodígio do pelotão, o "rookie do ano", Ayrton Senna. Detentor de dois pódios no Mónaco e na Grã-Bretanha, Senna estava bem colocado na grelha de partida, partindo de terceiro, atrás do poleman Nelson Piquet e de Alain Prost, e tentou ir atrás dos líderes. Teve um bom ritmo, e no final, o lugar mais baixo do pódio foi a recompensa, com muitos a ficarem com a impressão de que ele iria fazer mais. Afinal de contas, iria substituir Nigel Mansell na Lotus...

No final, foi uma bela festa. Lauda foi campeão com a margem mais curta de sempre - graças aos meios pontos dados no Mónaco, que se não fossem assim, daria o campeonato a Prost... - a corrida foi um sucesso e todos ficaram felizes porque a aposta tinha sido em cheio. Iria ficar no calendário por mais doze anos, e Portugal entrava no mapa das realizações automobilísticas, para além do Rali, que muitos diziam ser "o melhor do mundo".

Post-Scriptum: Há uns tempos, descobri que este regresso da Formula 1 a Portugal marcou a mente de uma menina, que fazia (e faz) anos neste dia. Ela diz que foi aí que começou a sua relação de amor pela categoria. Assim sendo, como este é o seu aniversário, e não posso estar fisicamente com ela, este é o meu humilde presente. É a Rocio, a garota que tem o blog "Cafe com Serena". Muitos Parabéns!

domingo, 6 de outubro de 2019

A imagem do dia

Há 45 anos, em Watkins Glen, o Brasil rejubilava com o segundo título mundial de Emerson Fittipaldi, quatro anos depois de ter vencido pela primeira vez no mesmo local. Ele dava à McLaren o título mundial de pilotos e construtores que ansiavam desde a sua fundação, um sonho do qual Bruce McLaren não viveu para assisti-lo.

Mas aquela corrida nos Estados Unidos - que foi transmitida em direto na Rede Globo, algo muito raro na altura, para que os brasileiros pudessem celebrar o campeonato, não o viu no pódio. A corrida acabou com uma dobradinha da Brabham, com Carlos Reutemann a vencer e José Carlos Pace, que fazia 30 anos nesse dia, a ser segundo classificado, com Fittipaldi a ser quarto, suficiente para ser campeão, já que os outros dois candidatos ao título, o suíço Clay Regazzoni, atrasou-se bastante, acabando fora dos pontos, e o sul-africano Jody Scheckter, que ainda tinha chances, acabou por desistir na volta 44 por causa de um tubo de combustível rompido.

E naquele momento único da Formula 1, onde a McLaren alcançava o seu primeiro título mundial, quer de pilotos e construtores, era ainda por cima, a última corrida de Dennis Hulme, um dos originais da equipa, que ajudou a manter focada no seu objetivo depois da morte do seu fundador, quando testava uma máquina de Can-Am, a 2 de junho de 1970. E também naquele momento, era também o de triunfo para o modelo M23, desenhado por Gordon Coppuck, que andava nas pistas desde o GP de África do Sul, no ano anterior, e que alcançava o pináculo, a caminho de ser uma das máquinas mais significativas de década de 1970. 

Mas a assombrar essas comemorações estava um cadáver. O de Helmut Koinigg

O austríaco de 25 anos tinha conseguido a sua chance de correr as provas americanas ao volante de um Surtees oficial, ao lado do francês José Dolhem, que mais tarde seria conhecido como o meio-irmão de Didier Pironi. Não deslumbrava, mas era competente. Contudo, na volta dez dessa corrida, provavelmente por causa de um furo, Koinigg bateu forte no guard-rail, acabando a passar por baixo, decapitando-o, num acidente semelhante a aquele que tivera Peter Revson, seis meses antes.

E o acidente acontecia precisamente um ano depois da morte de Francois Cevért. Para mostrar que triunfo e tragédia estavam muitas vezes de mãos dadas. 

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Rumor do Dia: McLaren regressa à Mercedes em 2020?

O rumor é desta tarde, e quem conta é Joe Saward: num fim de semana calmo em termos de noticias, em Sochi, ele afirma que a McLaren trocará de motores para 2020, da Renault para a Mercedes, do qual tiveram uma parceria desde 1995 até 2015, quando trocaram com a Honda. A ideia é, caso subam em termos de performance, é melhor tem um bom motor cliente, já que ainda não tem a capacidade de construir os seus próprios motores de Formula 1.

Segundo conta o jornalista, apesar do relacionamento com a Renault ser bom, não será o melhor, porque a longo prazo serão sempre um cliente da marca. Par complementar as coisas, a nova liderança, cujo departamento técnico é liderado por Andreas Seidl, que veio da Porsche de Endurance, acha que tendo este motor, poderão chegar mais rapidamente a um regresso aos primeiros lugares, e do qual poderia facilmente atrair um construtor que os queira fazer deles a sua equipa numero um. O que não seria fácil...

Caso aconteça, a Renault ficaria sem clientes para enviar os seus motores, o que por um lado seria bom, porque concentrariam no seu desenvolvimento, mas por outro, abdicaria de poder dentro do pelotão da Formula 1, porque eventualmente a Mercedes, por exemplo, forneceria motores à McLaren, Racing Point e Williams, enquanto a Ferrari iria para a Alfa Romeo e Haas, enquanto a Honda ficaria com a Toro Rosso e a Red Bull.

Ainda não se sabe quando acontecerá o anuncio, mas Saward afirma que será dentro em breve. 

terça-feira, 24 de setembro de 2019

A imagem do dia

Faz hoje 30 anos que este "boneco" foi tirado pelo fotógrafo Francisco Romeiras, então a trabalhar na Turbo. Um dos momentos marcantes da história da Formula 1, e aconteceu em Portugal. E tudo por causa de uma comédia de enganos que acabou por enterrar ainda mais as ambições de título - que já eram diminutas - para Ayrton Senna.

A sequência de eventos começou quando Nigel Mansell, o "brutânico", cometeu a sua primeira proeza, que foi de errar a sua entrada nas boxes. E a seguir, de fazer marcha atrás para entrar no seu canto. O que pelas regras, era ilegal, e passível de desclassificação. E foi o que aconteceu, quando mostraram a bandeira preta com o número 27 ao lado, quando ele passava pela reta da meta.

Só que não parava. E as voltas passavam, e ele, o terceiro, aproximava-se de Ayrton Senna, que julgava que estava na corrida, a lutar por posição. Claro, havia sinais e comunicações pela rádio, mas em 1989, eles não eram fiáveis, e não havia nada do que vemos hoje.

E na volta 48, no final da reta da meta, o toque. Certamente que ambos são culpados, o primeiro por omissão, por não ter sido avisado que Mansell estava fora de jogo e para o deixar passar, porque não contava, e o segundo porque... acho que não sabia o que estava a fazer. E foi por causa desse jogo de equívocos que tivemos isto. Esta imagem icónica da história daquela temporada, e da Formula 1.

E no final, não falamos de outra coisa senão disso. Lembro-me bem do dia seguinte, quando, do alto dos meus (então) 13 anos, e com o dinheiro da minha semanada, gastava para comprar um exemplar da Autosport. E esquecia que tínhamos visto uma Minardi a liderar a corrida - na realidade, tinha acontecido durante um intervalo da RTP! -  e ver a estratégia brilhante da Onyx de não trocar de pneus, que resultou no pódio de Stefan Johansson, que depois de cortar a meta... o seu carro parou na berma, sem gasolina, e a falhar a cerimónia do pódio, de uma corrida ganha pelo Gerhard Berger, sem ser incomodado, e de um Alain Prost que sorria, porque o seu título estava cada vez mais próximo.

Mas ainda faltava mais, naquela temporada.

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

O clube que Charles Leclerc queria juntar... mas não conseguiu


Caso Charles Leclerc tivesse ganho ontem o GP de Singapura, o piloto monegasco teria entrado num clube muito estrito que neste momento têm dois membros, nos quase 70 anos de história da Formula 1. Esses dois membros têm algumas coisas em comum, como o de serem campeões do mundo, e terem corrido na mesma década, mas não juntos. E ainda têm mais uma coisa em comum: os carros em que conseguiram esses seus feitos foram desenhados pelo mesmo projetista!

Damon Hill e Mika Hakkinen conseguiram ganhar os seus três primeiros grandes prémios da sua carreira de seguida. No caso do filho de Graham Hill, o facto de guiar o Williams FW15C ajudou a conseguir a melhor temporada de um "rookie", desde Jackie Stewart, em 1965. Mas ele foi um mero ajudante de um Alain Prost que tinha como prioridade alcançar o seu quarto título mundial e elevar o seu recorde de vitórias para 51. No caso do piloto finlandês, a sua primeira vitória caiu do céu, mas era merecida, depois de quatro anos de "travessia do deserto" ao serviço da McLaren, antes de arrancar para um campeonato onde tinha tudo para ganhar... e aproveitou.


1 - Damon Hill (Hungria, Bélgica e Itália 1993)


No final de 1992, Nigel Mansell dizia: "o carro é tão bom que até pode ser guiado por um fantoche". O que o "brutânico" queria dizer que o Williams FW14, desenhado por Adrian Newey, era um dos carros mais perfeitos da história do automobilismo. Alain Prost, quando voltou à Formula 1 em 1993, impôs algumas condições para o seu regresso, e um deles foi vetar Ayrton Senna como companheiro de equipa. Nigel Mansell também não queria voltar a correr com Alain Prost a seu lado - tinham estado juntos na Ferrari em 1990 e não acabou bem - logo, decidiu ir correr para a CART.

Restou um lugar, que foi ocupado pelo piloto de testes, Damon Hill. Filho de Graham Hill, já tinha estado na Formula 1 em 1992, correndo pela Brabham, que estava no seu estretor final. Aos 32 anos de idade, era muito tarde para se mostrar na categoria máxima do automobilismo, mas com um carro como o FW15C, seria o secundário ideal para a equipa: não incomodaria, não perturbava e quando o primeiro objetivo fosse alcançado, ajudariam-o a conseguir o seu melhor resultado possível.

Foi um Damon Hill que permitiu, por exemplo, fazer brilhar Ayrton Senna em algumas corridas, como no Brasil e em Donington Park, pois não o conseguiu segurar o que podia nos momentos em que necessitavam dele. Apenas a meio da temporada ele começou a andar ao nível de Prost, Senna e de Schumacher, e a sua derrota no GP da Alemanha, com um furo nas voltas finais no circuito de Hockenheim lhe tirou uma vitória mais que justa.

Mas no Hungaroring, ele aproveitou bem. Com Prost a caminho do título mundial, Hill andou bem e alcançou a sua primeira vitória. Em Spa-Francochamps, batalhou com Schumacher e Senna para chegar ao lugar mais alto do pódio e os azares de Prost em Monza fizeram-o repetir o feito pela terceira vez seguida, ficando com o segundo posto à vista. No final, não foi o caso, pois não venceu mais alguma prova, e o segundo posto, o seu objetivo, caiu nas mãos de Senna, que triunfou nas duas últimas corridas do ano.


2 - Mika Hakkinen (Jerez 1997, Austrália e Brasil 1998)


No final de 1993, em substituição de Michael Andretti, Mika Hakkinen, outro piloto de testes, foi para o seu lugar. Tinha a experiência de duas temporadas na Lotus, e quando foi para a equipa de Woking, bateu o pé a Senna, que estava de saída da equipa, pois estava mais obcecado com a Williams. Nas quatro temporadas seguintes, o finlandês foi a alma de uma McLaren que lutava para regressar às vitórias, mesmo que tivesse motores Mercedes, que receberam desde 1995. Muitos olhavam para ele como um talento que via passar ao lado de uma grande carreira, e o seu acidente nos treinos do GP da Austrália de 1995 fez temer o pior.

Contudo recuperou, e no inicio de 1997, tinha 15 pódios sem vencer. Lentamente, o carro mostrava sinais de competitividade, e em Nurburgring, fez a sua primeira pole-position da sua carreira. Na última corrida do ano, os McLaren pareciam ser espectadores do duelo entre Jacques Villeneuve e Michael Schumacher. Com isso resolvido a favor do canadiano da Williams, este abrandou o ritmo e foi apanhado pelos McLaren. No inicio da última volta, Hakkinen passou-o e viu-se no comando de forma inesperada! Claro que acelerou e conseguiu uma vitória bem popular no pelotão da Formula 1. 

No inicio de 1998, as coisas eram um pouco diferentes. O MP4-13, desenhado por Adrian Newey - que vinha... da Williams - estava pronto e Hakkinen entrou "a matar", ao vencer em Melbourne, com uma manobra polémica, onde Coulthard foi ordenado que o deixasse passar pela boxe, para, segundo o escocês, honrar um acordo de cavalheiros onde o primeiro que chegasse à curva na primeira volta era o vencedor, e em Interlagos, com nova dobradinha. Hakkinen ainda subiria ao pódio na corrida seguinte, na Argentina, mas como Hill no Estoril, tinha sido segundo classificado nessa prova.

Mas ele acabaria por vencer mais seis vezes e no campeonato, terminaria como campeão, o primeiro que a McLaren conseguia desde 1991.