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quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

A imagem do dia

Curiosamente, no dia em que publico o video da entrevista de Nico Rosberg a Mate Rimac, o seu pai, Keke Rosberg, completa 70 anos de idade. Um número bem redondo, sem qualquer tipo de dúvida.

E para recordar este dia, recupero uma foto deste ano, no fim de semana do GP do Mónaco, quando pai e filho foram homenageados pelas suas vitórias no Principado pelas suas vitórias. Keke em 1983, Nico entre 2013 e 2015. E ambos andaram a bordo dos carros nos quais foram campeões: o Williams FW08 de 1982 e o Mercedes W07 Hybrid.

E claro, na foto, ambos estão acompanhados por Chase Carey e Alberto II do Mónaco.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

GP Memória - Mónaco 2003

Duas semanas depois de terem corrido em Zeltweg, na Áustria, máquinas e pilotos chegavam ao Mónaco, decididos a contrariar Michael Schumacher, que tinha vencido as três últimas corridas dessa temporada e por causa disso, era segundo no campeonato, dois pontos atrás de Kimi Raikkonen (40 contra 38)

No final da qualificação, Ralf Schumacher levou a melhor sobre Kimi Raikkonen por 36 centésimos de segundo. Na segunda fila estavam o segundo Williams de Juan Pablo Montoya, com o Renault de Jarno Trulli a seu lado. Michael Schumacher era o quinto, na frente David Coulthard, no segundo McLaren. Rubens Barrichello era o sétimo, seguido por Fernando Alonso, no segundo Renault, e a fechar o "top ten" estavam o Jaguar de Mark Webber e o Toyota de Cristiano Da Matta.

Antes da corrida, Jenson Button sofreu um acidente feio no "warm up", ao bater no final do Túnel, e acabou por não alinhar.

Na partida, Ralf mantêm a liderança, com Motoya e Raikkonen atrás. Atrás, Alonso ganhava duas posições a Coulthard e Barrichello, e mais tarde na volta, Heinz-Harald Frentzen batia forte na Tabac, obrigando à entrada do Safety Car na pista.

A corrida recomeçou na volta quatro, com Montoya a pressionar Ralf, mas sem sucesso. O alemão começou a distanciar-se do seu companheiro de equipa, e as coisas ficaram assim até à primeira paragem para reabastecimento, na volta 21. O colombiano aproximou-se, mas foi apenas no reabastecimento que conseguiu ultrapassar o seu companheiro de equipa, duas voltas depois. Contudo, foram os primeiros da frente a pararem, e Raikkonen foi à boxe pouco depois, na volta 25, saindo na frente do alemão da Williams. Trulli parou na volta 27, ao mesmo tempo que Coulthard, e os Ferrari pararam nas voltas 29 (Barrichello) e 30 (Schumacher). Na saída, Michael Schumacher ficou no terceiro posto, na frente do Williams do seu irmão.

A partir dali foi mais tensão do que ameaça, pois não se conseguia ultrapassar nas ruas do Principado. Raikkonen aproximava-se de Montoya, mas não o ultrapassava, e a Williams foi para a segunda paragem para reabastecer na volta 48 (Ralf) e na volta seguinte (Montoya). Raikkonen parou uma segunda vez na volta 53, e saiu atrás do colombiano. Schumacher parou seis voltas depois, mas não deu para passar o piloto da Williams.

A partir dali, não houve mais nada de relevante até à bandeira de xadrez. Montoya acabou por ser o vencedor, na frente de Raikkonen e Schumacher, que o acompanharam ao pódio. Nos restantes lugares pontuáveis ficaram Ralf Schumacher, Fernando Alonso, Jarno Trulli, David Coulthard e Rubens Barrichello.

terça-feira, 29 de maio de 2018

Youtube Formula One: As comunicações do GP do Mónaco


E depois dos "highlights", vamos às comunicações via rádio do GP monegasco.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Youtube Formula 1 Highlights: Os melhores momentos do GP do Mónaco


Foi um domingo movimentado, com o GP do Mónaco antes das 500 Milhas de Indianápolis. Não foi uma corrida movimentada - não se espera muita coisa de um circuito citadino - mas teve os seus momentos interessantes. 

Eis um video com alguns desses momentos, e uma vitória popular entre os fãs. 

domingo, 27 de maio de 2018

Formula 1 2018 - Ronda 6, Mónaco (Corrida)

No sábado, quando Daniel Ricciardo falava com David Coulthard após a sua pole-position, o australiano da Red Bull afirmou que "cinquenta por cento do trabalho está feito, vamos resolver esta m**** amanhã". Na corrida numero 250 da história dos energéticos, o grande desafio do piloto de 28 anos era de resolver um problema que tinha acontecido em 2016, quando uma má paragem nas boxes impediu o piloto australiano de vencer nas ruas do Principado. Essa vitória caiu nas mãos de Lewis Hamilton, e essa foi a sua primeira chance do ano. Acabaria por vencer em Sepang... às custas do piloto inglês, cujo motor explodiu e de uma certa forma, deu o título a Nico Rosberg.

Este ano, Ricciardo pode não estar a ter um excelente ano - ganhou em Xangai, é verdade, mas tem duas desistências - mas ganhar no Mónaco, mais do que dar prestigio num numero redondo para a equipa de Milton Keynes, seria resolver o tal problema de 2016, ainda por cima numa pista onde os Red Bull foram sempre os melhores.

O dia amanheceu nublado e tinha chovido pouco tempo antes. Contudo, a pista estava suficientemente seca para que os pilotos não trocassem os seus pneus antes da prova. Com excepção de Serguei Sirotkin, que andou a mexer nos pneus até ao limite... e passando ele. 

A partida foi calma, com Ricciardo a conseguir aguentar o ataque de Vettel e Hamilton, enquanto atrás, Brendon Hartley tocou na asa dianteira e Max Verstappen já tinha passado dois carros. A ordem das coisas na volta um era: Ricciardo, Vettel, Hamilton, Raikkonen e Bottas. Ocon era sexto, seguido por Alonso, que na volta quatro, tinha já perdido três segundos para o francês da Force India.

E a partir daqui, todos andavam uns atrás dos outros, mas não conseguiam passar. Tirando Verstappen, que recuperava posições, e a penalização de Serguei Sirotkin, que trocou de pneus fora do tempo permitido - e por causa disso, foi penalizado em dez segundos - todos esperavam pela degradação dos pneus hipermacios para ver mudanças na frente. Mas na volta 10, quem ia para as boxes com um furo era Lance Stroll, que tinha sofrido um toque.

Hamilton foi o primeiro a parar na volta 12, colocando ultamacios e caindo para o sexto posto. Vettel parou quatro voltas depois, para sair em terceiro, na frente dos Mercedes. Ricciardo entrou na volta seguinte, reagindo à Ferrari, pois Raikkonen e Bottas também tinha entrado na mesma volta. Tudo correu bem e ele manteve a liderança. A diferença entre toda esta gente era que o finlandês da Mercedes tinha supermacios, o resto calçava ultramacios. Alonso também parou na volta 19, e caia para 11º, na frente de Vandoorne... e Verstappen.

Quando os Force India pararam nas boxes, Vettel começava a aproximar-se de Ricciardo, chegando a 2,2 segundos na volta 23, enquanto atrás, Hamilton era assediado por Raikkonen. As coisas estavam tudo normais, até que na volta 29, Ricciardo começou a queixar-se de problemas na potência. Não o suficiente para parar - 30 km/hora mais lento - mas para ameaçar a sua liderança, porque Vettel, agora, estava em cima dele. Contudo, Ricciardo aguentava-se e Vettel, com problemas nos pneus, afastava-se um pouco.

Com o passar das voltas, Hamilton também se aproximava dos dois primeiros, mas tinha outro problema: parecia que os seus pneus se degradavam anormalmente. Logo, os três ficavam próximos um do outro, mas não iam para mais. Na volta 48, Verstappen parou para trocar de pneus, quando era nono classificado. E mais interessante: nesta altura, não tinha havido qualquer desistência, os vinte carros estavam em pista!

Ora... o sonho acabou na volta 53, quando a caixa de velocidades de Fernando Alonso quebrou. Contudo, não causou mais do que o abanar sas bandeiras amarelas e pouco mais. Atrás, a ação acontecia entre Esteban Ocon e Pierre Gasly, que lutavam pela sexta posição, com Hulkenberg a aproximar-se, enquanto Max Verstappen passava Carlos Sainz Jr para ser nono.

Na parte final da corrida, Vettel passou ao ataque para a liderança, com Ricciardo a tentar aguentar as investidas do alemão da Scuderia. Mas foi na volta 72 que aconteceu o incidente da corrida, quando os travões de Charles Leclerc cederam e acabou na traseira de Brendon Hartley. Resultado final: Safety Car... virtual (VSC).

O VSC durou duas voltas e quando voltou, entre eles tinha... Stoffel Vandoorne, que iria atrasar um pouco Vettel. E ele atrasou-se um pouco mais porque os seus pneus não aqueceram tempo suficiente. Isso foi mais do que suficiente para o australiano ir para a frente e tranquilizar-se rumo à vitória, o que conseguiu. Conseguiu a sua metade, dois anos depois do seu erro não propositado.

Vettel e Hamilton iam para o pódio com o australiano, e entre os pontuáveis, Pierre Gasly foi o sétimo, voltando a pontuar, embora atrás de Esteban Ocon, sexto no seu Force India. No final, foi uma vitória mais do que popular, foi popularissima, pois não só se corrigiu uma injustiça, como todos ficaram felizes com o feito. E agora, três pilotos têm duas vitórias cada um. Este campeonato promete ser equilibrado.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

GP Memória - Mónaco 1998

Duas semanas depois de terem corrido em Espanha, a Formula 1 rumava para o principado, na sexta prova do Mundial de Formula 1. Num duelo entre Michael Schumacher de Mika Hakkinen, onde o finlandês ganhava de três corrida a uma (mais uma prova vencida por David Coulthard), os McLaren eram os claros favoritos à vitória. Aliás, à chegada ao Mónaco, Hakkinen tinha doze pontos de avanço sobre o alemão da Ferrari.

Depois de duas sessões de treinos, o melhor foram os McLaren: Mika Hakkinen foi melhor do que David Coulthard, com Giancarlo Fisichella a ser melhor que Michael Schumacher, ficando com o terceiro lugar na grelha de partida. Heinz-Harald Frentezen era o quinto, no seu Williams, na frente de Alexander Wurz, no segundo Benetton. Eddie Irvine era sétimo, na frente do Arrows de Mika Salom que surpreendia o pelotão, e a fechar o "top ten" estavam o Sauber de Johnny Herbert e o Prost de Jarno Trulli.

Ricardo Rosset não conseguiu qualificar pela segunda vez consecutiva o seu Tyrrell.

Na partida, os McLaren sairam perfeitamente, com Fisichella a ficar em terceiro, na frente de Schumacher. Os carros afastaram-se do resto do pelotão, enquanto Irvine conseguia passar Frentzen para ser quinto... de um forma pouco ortodoxa, batendo nele. Irvine safou-se, o alemão da Williams, não. Pouco depois, na volta 18, o motor de Coulthard explodiu e Fisichella era segundo.

Schumacher parou primeiro, na volta 30, para reabastecer, com Fisichella logo depois. Mas o alemão foi melhor e ficou na frente, indo atrás de Alexander Wurz, que ainda não tinha parado. Eventualmente, Schumacher apanhou-o e tentou passá-lo ao pé do gancho do hotel Loews, mas Wurz resistiu e ambos tocaram-se. Schumacher ficou com danos e arrastou-se até às boxes, e quando voltou à pista, perdeu três voltas para o líder. Quanto a Wurz, não foi longe: um acidente bem forte à saída do túnel deixou o carro todo destruído.

Depois disto, não houve grande coisa até ao final. Jean Alesi andou muito tempo no quarto lugar, até ter problemas com a caixa de velocidades e retirar-se, na volta 72.

No final, Mika Hakkinen venceu pela quarta vez na temporada, com Fisichella em segundo e Irvine em terceiro. Nos restantes lugares pontuáveis ficaram Mika Salo, no seu Arrows, Jacques Villeneuve, no seu Williams, e Pedro Diniz, no segundo Arrows.  

Youtube Formula 1 "Classic": A volta que ninguém viu

E se disserem que nunca existiu a filmagem da volta canhão de Ayrton Senna? Sim, é verdade. Não existiu. Nas filmagens reais dessa sessão de treinos - podem pesquisar no Youtube - o realizador atualmente seguiu a volta de uma das Arrows - Derek Warwick ou Eddie Cheever, não se sabe - e eles não conseguiram apanhar para a posteridade aquela que foi das melhores voltas de sempre de um piloto de Formula 1 em qualificação.

Então, o que se fez, trinta anos depois? A McLaren colocou um video do F1 2017, tirou o Murray Walker da reforma (ele tem 94 anos!) e pediu-o para comentar a tal volta que não foi filmada, em tributo ao seu aniversário. E ficou assim.

Ah, e a "tal" volta que é mostrada no "Senna", é de 1990, só para vos esclarecer.

segunda-feira, 7 de maio de 2018

A(s) image(ns) do dia





Há precisamente 40 anos, nas ruas do Mónaco, Patrick Depailler sentia-se vingado. Por fim subia ao lugar mais alto do pódio, um lugar que tentou várias vezes, mas nunca tinha conseguido. E dois meses antes, em Kyalami, ia conseguindo, até Ronnie Peterson tirou essa chance nas últimas curvas dessa corrida. 

Não foi uma corrida fácil. Batalhou contra os Brabham de John Watson e Niki Lauda e teve a sua recompensa, quando os travões do carro do piloto britânico falharam por duas vezes e viu Lauda ir atrás dele, pressioná-lo, mas não conseguiu desaloja-lo. E com aquela vitória sentia-se no topo do mundo, pois tinha não só colocaso o seu nome na galeria dos vencedores, como também era o líder do campeonato, com 23 pontos, mais cinco que Carlos Reutemann e Mário Andretti

Para Depailler, era o seu topo do mundo. Infelizmente, era a calma antes da tempestade. a partir da corrida seguinte, os Lotus metiam na pista os seus modelo 79 e iriam dominar o mundo.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Formula 1 em Cartoons - Monaco 1984 (e se?...)

Primeiro que tudo, tem de se encarar este cartoon exatamente como é: um cartoon. É um exercício de imaginação engraçado e não passa mais disso, logo a discussão não passa de algo parecido com o discutir "o sexo dos anjos", especialmente quando se sabe que o carro do Stefan Bellof estaria bem abaixo do peso regulamentado...


quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Vende-se: Ferrari F2001 de Michael Schumacher

Carros míticos aparecem de vez em quando em leilão, esperando-se que alcancem valores estratosféricos. Especialmente se for um carro de Formula 1 que esteve envolvido em algo importante. 

Neste caso em particular, é o F2001 guiado por Michael Schumacher, onde venceu o GP do Mónaco daquele ano, é que está à venda. O chassis #211 foi aquele onde venceu nas ruas de Monte Carlo, igualando o recorde de vitórias alcançado por Alain Prost, em 1993. Schumacher iria aumentar para 53, no final daquela temporada, igualando também os títulos de Prost, e que mais tarde seriam alcançados por outro alemão, Sebastian Vettel.

O carro têm um motor V10 de 3 litros, com 800 cavalos, uma caixa semi-automática de sete velocidades, e é um dos chassis que fizeram parte de uma era em que os carros vermelhos dominavam o pelotão. Liderados por Jean Todt, projetados por Rory Bryne e coordenados por Ross Brawn, de 2000 e 2004 venceram cinco títulos mundiais que pilotos e construtores.

O leilão acontecerá a 16 de novembro no Sotheby’s Contemporary Fine Art auction, em New York, e espera-se que o carro possa ser vendido... por quatro milhões de dólares. E está pronto para ir à estrada!

terça-feira, 30 de maio de 2017

A imagem do dia

Este deve ser um dos piores carros da história da Formula 1, A equipa passou à história como sendo absolutamente desorganizada, e um dos seus pilotos chegou a andar... 24 metros até que o motor simplesmente se apagou. Mas foi por causa de todo este estrago que vimos depois acontecer um dos maiores milagres da história do automobilismo. E tudo devido ao talento do seu piloto.

A Andrea Moda consegue ser, talvez, pior do que a Life ou a Coloni, equipas que passaram à história como sendo das piores da Formula 1 Pior do que isso é que a Andrea Moda... era a sucessora da Coloni, quando Andrea Sassetti comprou a equipa e quis montar o seu negócio. Comprou chassis à Simtek, motores à Judd, e depois de algums preipécias, contratou Roberto Moreno e o britânico Perry McCarthy, que depois alcançou fama por ser o primeiro "the Stig", todo vestido de negro. E os 24 metros? Foi com McCarthy, em Barcelona.

No Mónaco, as coisas foram um pouco diferentes. Não para McCarthy, que não passou, mas para Moreno, que conseguiu fazer com que o carro se qualificasse para a segunda fase, numa altura em que passavam os quatro melhores. Mas poucos pensavam que Moreno não conseguiria mais do que isso, e que o último lugar seria seu. Puro engano.

Moreno sempre conseguiu tempos que permitiam entrar dentro dos 26 qualificados, e a certa altura, chegou até a ter... o vigésimo melhor tempo, a meros cinco segundos do tempo de Nigel Mansell! No final, foi o 26º e último qualificado, mas o feito fez com que todos os mecânicos aplaudissem o feito do piloto brasileiro. O que era incrível, porque... para terem uma ideia, ele excluiu os Brabham de Eric van de Poele e Damon Hill!

Moreno correu apenas onze voltas até que o motor Judd rebentou. Até ali, tinha subido até ao 19º (e último) posto, mas o feito já tinha entrado na história. A partir dali, a Andrea Moda seria noticia por eventos entre o cómico e o fársico, acabando após o GP da Bélgica, com Sassetti preso e a equipa excluída da Formula 1.

Formula 1 em Cartoons - Mónaco (Cire Box)



E depois do GP do Mónaco, o "Cire Box" lá fez o seu filme sobre o fim de semana por lá, onde ele explica a razão pelo qual Kimi Raikkonen perdeu a sua chance de vitória, depois de uma pole-position memorável, as razões pelos quais Jenson Button fez o seu regresso (temporário) à Formula 1 e ainda houve uma espreitadela ao outro lado do Atlântico para saber o que Fernando Alonso andou a fazer em Indianápolis...

segunda-feira, 29 de maio de 2017

A harmonização dos calendários entre membros da FIA

O fim de semana do GP do Mónaco viu algo interessante: os chefes da FIA, Formula 1, TCR International Series, Formula E e o ACO, que organiza em conjunto o Mundial de Endurance, estiveram reunidos no Principado. O objetivo? Harmonizar o calendário entre as competições, para evitar ao máximo colisões entre eles, que até agora tem sido prejudicial às competições.

Assim sendo, Jean Todt, Ross Brawn, Marcello Lotti, Alejandro Agag e Gerard Neveu reuniram-se entre si com esse objetivo e decidiram que iriam colaborar entre eles para evitar algumas das colisões que existia entre grandes provas, como é por exemplo as 24 Horas de Le Mans com um Grande Prémio de Formula 1, ou agora, entre o GP do Mónaco e as 500 Milhas de Indianápolis, que evitou que, por exemplo, Fernando Alonso pudesse estar presente em ambas as provas, ou que Sebastien Buemi não tenha grandes chances de alcançar o título da Formula E, porque a jornada dupla de Nova Iorque vai coincidir com as Seis Horas de Nurburgring.

No final, a FIA emitiu um comunicado onde afirma que pretende um melhor alinhamento entre eles para evitar choques que façam escolhas entre os pilotos, prejudicando certos campeonatos em detrimento de outros.

"Após as discussões [entre eles] acerca dos calendários atuais, o grupo concordou em trabalhar para um melhor alinhamento de todos os calendários de campeonatos de automobilismo nas próximas temporadas", começa por dizer o comunicado oficial da FIA.

Discutindo a reunião, Todt acrescentou: "Em estreita colaboração com seus promotores, a FIA tem nos últimos anos trabalhado para construir e consolidar uma grande variedade de campeonatos que proporcionam grande entretenimento para os fãs do automobilismo.

"Como tal, é importante que todos os envolvidos nos nossos campeonatos trabalhem para garantir que os fãs tenham todas as oportunidades para desfrutar ao máximo de todos os nossos campeonatos. Em colaboração com os nossos parceiros, iniciámos o processo de harmonização dos nossos calendários desportivos e aguardo com expectativa a continuação deste esforço à medida que definimos os nossos calendários para a próxima temporada e nas seguintes", concluiu.

Bom saber que há uma ideia de harmonização entre eles. Não será fácil, apesar de haver calendários irem um pouco ao contrário como é o da Formula E. Mas saber que existe essa intenção é nobre, e mostra que há uma espécie de deslocamento dos métodos e das atitudes existentes no tempo de Bernie Ecclestone. Saúda-se essa intenção, e quem sabe, não existirá coisas bem diferentes aos que existia no passado.

domingo, 28 de maio de 2017

Formula 1 2017 - Ronda 6, Mónaco (Corrida)

Corrida no Mónaco é sempre diferente. É uma monarquia-estado, onde se vê a olho nu as suas fronteiras, e as suas realizações desportivas a colocam no mapa mundial. Em janeiro é o rali, em maio é o Grande Prémio, e nessas alturas (a não ser este ano, com a equipa local de futebol a vencer o campeonato... francês) é que a cidade está nas bocas do mundo, ainda por cima, numa altura em que comemora a sua 75ª edição.

E hoje, nas ruas desse Principado, a corrida tornou-se interessante por ver que a Ferrari está na mó de cima. Depois do que aconteceu na véspera, conseguindo um monopólio para a Scuderia que não acontecia desde há quase 40 anos, e uma pole-position muito popular, nas mãos de Kimi Raikkonen. E imediatamente antes, a transmissão passou uma comunicação transatlântica: de Indianápolis, onde iria corer dali a umas horas, Fernando Alonso falava com Jenson Button, desejando-lhe sorte, ao que o britânico lhe respondeu dizendo que "iria mijar no seu assento!"

A partida começou sem problemas, com Kimi Raikkonen a manter a liderança perante Sebastien Vettel e o resto do pelotão. E nas voltas seguintes, os carros vermelhos começaram a afastar-se de Valtteri Bottas, terceiro e o melhor do resto do pelotão. Aliás, o único que conseguiu ganhar lugares nesta primeira volta foi Kevin Magnussen, que passou para a nona posição.

Na cauda do pelotão, alguns pilotos decidiram parar logo no inicio da corrida, por causa da estratégia, que previa apenas uma paragem. Pascal Wehrlein e Jenson Button fizeram-no... mas não sem polémica, pois o piloto da Sauber saiu com o da McLaren também a sair ao mesmo tempo. Claro, Button queixou-se, mas pelos vistos, este ano, os comissários não estão tão picuinhas assim...

Nas voltas seguintes, Kimi afastou-se em quase três segundos sobre Vettel, e Bottas, o terceiro, também tinha cerca de dois segundos sobre o alemão da Ferrari. Mas de resto, o aborrecimento tinha-se instalado na corrida, pois ali, ultrapassagens são muito complicadas. A primeira desistência aconteceu na volta 16, quando Nico Hulkenberg quebrou a sua caixa de velocidades do seu Renault. E doze voltas depois, os Ferrari já estavam na traseira de Jenson Button.

Na volta 33, Max Verstappen tentou ganhar a Bottas nas boxes, com o holandês a parar primeiro, e o finlandês a fazer depois. A estratégia não resultou, e o piloto da finlandês manteve o terceiro posto. Na volta 35, Kimi Raikkonen vai às boxes, fazendo a sua única troca da corrida. Vettel aumentou o ritmo, com Daniel Ricciardo no segundo posto, a quase cinco segundos. O australiano entrou nas boxes na volta 39, uma volta depois de Carlos Sainz Jr, deixando Vettel mesmo sozinho na frente, batendo volta mais rápida atrás de volta mais rápida. O alemão vai à boxe na volta 40, e o ritmo é mais do que suficiente para manter na frente da corrida. A ultrapassagem estava feita, a alteração na frente da corrida parecia ser definitiva.

E nas voltas seguintes, o alemão, ao conseguir afastar-se do seu companheiro de equipa, com um ritmo bem superior a ele - com pneus novos, claro - mostrou que, mais do que ter o melhor carro, tinha também o melhor ritmo que o veterano finlandês. Contudo, ambos estavam bem afastados do terceiro classificado, na altura era Daniel Ricciardo, que aguentava Valtteri Bottas e um Max Verstappen que queria passar ambos para ser terceiro, naquela luta pessoal dentro da equipa da Red Bull.

Mas até à volta 62, a corrida iria ser uma longa procissão, sem incidentes, de um GP do Mónaco que arriscava a ser dos mais aborecidos da História. Contudo, a entrada do Safety Car começou quando o Sauber de Pascal Wehrlein foi tocado pelo McLaren de Jenson Button, causando o abandono dos dois. O incidente foi na curva Portier, e o Sauber do alemão ficou "de pé", mas os pilotos puderam sair dos seus carros sem mais incidentes. Safety Car na pista, alguns pilotos foram às boxes trocar de pneus, e mesmo assim, isso foi suficiente para que Marcus Ericsson também acabasse batido em Saint Devote, quando tentava desdobrar-se do pelotão, ainda com o Safety Car em pista! 

E se achavam que na volta 66, quando este saiu de cena, as coisas voltariam ao normal, enganaram-se: houve também alguns toques na Curva 1, primeiro Ricciardo, sem consequências, e depois Stoffel Vandoorne, quando Sergio Perez o ultrapassou e encostou o piloto à parede, sem ele poder reagir.

E as ultrapassagens musculadas do mexicano da Force India continuaram quando ele quis passar Daniil Kvyat em La Rascasse, e acabou batendo no russo da Toro Rosso. Os danos fizeram com que ele acabasse no fundo do pelotão, com Kvyat a ter pior sorte, desistindo mais adiante, no Casino. Contudo, mesmo com estes danos, o mexicano voltou à pista para marcar a volta mais rápida da corrida.  

No final, a corrida passou a ser de sobrevivência, no meio do pelotão, mas passando os incidentes, o Safety Car não entrou mais na pista até ao final, e assim Sebastian Vettel deu à Ferrari a sua primeira vitória no Principado em dezasseis anos, e claro, uma dobradinha para a Scuderia. A primeira desde o GP de Espanha de 2008! E com o terceiro lugar para Daniel Ricciardo, isso significava que pela primeira vez em mais de um ano que não havia um Mercedes ou um carro com motor Mercedes naquela parte.

E com quase um terço do campeonato alcançado, parece ser um facto de que a Ferrari está na mó de cima. E da maneira como Sebastian Vettel venceu, parece que o alemão colocou-se na pole-position para ser pentacampeão em 2017. Mas claro, falta muito campeonato...

sábado, 27 de maio de 2017

Formula 1 2017 - Ronda 6, Mónaco (Qualificação)

Sabendo que normalmente, este é o fim de semana mais importante do ano, nesta temporada da Graça de 2017, não se esperava que as expectativas estariam ainda mais altas do que o normal. Nem tanto por causa dos novos regulamentos ou do equilíbrio cada vez maior entre Mercedes e Ferrari, mas também temos de falar... dos ausentes. Falta Fernando Alonso, mas para onde foi acrescentou maior expectativa entre os fãs que nem o regresso (temporário) de Jenson Button ao cockpit de um Formula 1 conseguiu atenuar.

Ter um fim de semana com GP do Mónaco e as 500 Milhas de Indianápolis pode ser maravilhoso para o adepto que vê isto tudo no conforto da sua casa, mas para o piloto de automóveis, significa uma escolha, e foi isso que o espanhol da McLaren fez. Ao escolher o "Brickyard" afasta-se temporariamente da depressão que se tornou a McLaren-Honda, e dá a Jenson Button a oportunidade de interromper o seu ano sabático, e ver como andam as coisas por ali. Decerto que vai ver que pouco ou nada mudou... a não ser os novos carros, claro.

Mas tirando o "buzz" sobre o espanhol, agora queria-se ver como é que este pelotão da Formula 1 se comportaria nas ruas do Principado monegasco. A Haas, por exemplo, vinha com uma nova pintura, com a frente a lembrar um pouco os Brabham do inicio da década de 80, restando saber se isso daria algum pulo na grelha de partida. E por fim, a Force India colocou uns números pintados de forma decente, para assim não andar a pagar a cada quinze dias o equivalente a um automóvel de tamanho médio à FIA...

Debaixo de sol e de um tempo primaveril, a qualificação começou com a normalidade típica do Mónaco. E essa normalidade significava alguns "in extremis" e uma ou outra batida, como aconteceu a Marcus Ericsson, que bateu na Chicane do Porto, e - azar dos azares - prejudicou o seu companheiro de equipa, Pascal Wehrlein. Mas no meio disto tudo, começamos a ver um vislumbre do que viria aí: os Ferrari a mostrarem que são os melhores neste momento, e as dificuldades dos pilotos da Mercedes em sítios mais fechados, como Lewis Hamilton tinha mostrado em Sochi, mas não à escala do que iríamos ver por ali.

E por causa disso, a Mercedes nem era a segunda melhor equipa: era a Red Bull, com Daniel Ricciardo a superar Max Verstappen, e colocando temporariamente os seus carros no topo da tabela de tempos, antes de Kimi Raikkonen colocar ordem na coisa.

No final da Q1, os Sauber ficaram de fora, acompanhados pelo Force India de Esteban Ocon, o Williams de Lance Stroll e o Renault de Joylon Palmer. E do outro lado, o mais surpreendente era Stoffel Vandorne, que era sexto, seis lugares à frente de Jenson Button, que era 12ª nesta Q1... mas depois de se saber que teria de cumprir uma penalização de quinze lugares. 

E na Q2, Hamilton não estava mesmo confortável. Evitou in extremis uma batida na Massenet, e foi para as boxes, queixando-se que não estava confortável. Depois voltou para a pista - pois a sua passagem para a Q3 estava em risco - e lá tentava uma volta suficiente para entrar na Q3. Tudo isto depois de Kimi Raikkonen ter feito 1.12,231 e era o melhor desta fase da qualificação. E Vettel era o segundo.

E as coisas estavam tão complicadas que quando Hamilton tentou a sua última chance... viu bandeiras amarelas quando o carro de Stoffel Vandoorne acabou batido na curva anterior à La Rascasse. A sua chance acabou e Hamilton saía de 14º da grelha. E em contraste, os McLaren estavam na Q3! Mas isso era "pirrico", porque o carro de Vandoorne estava danificado, e Button tinha aquela penalização para cumprir. E a acompanhar Hamilton, ficavam o Toro Rosso de Daniil Kvyat, o Haas de Kevin Magnussen, o Renault de Nico Hulkenberg e o Williams de Felipe Massa.

E agora, na Q3, o interesse era saber se os Red Bull e o Mercedes de Valtteri Bottas poderiam "furar" entre os Ferrari e evitar não só a pole, mas o monopólio da primeira fila por parte dos carros de Maranello. Raikkonen marcou um tempo de 1.12,296, com Ricciardo e Vettel logo a seguir. Bottas e Verstappen vinham logo a seguir, mas as coisas andavam um pouco mais complicadas para marcar tempo.

O final foi interessante. Bottas conseguiu aproximar-se, mas marcou um tempo dois décimos mais lento, Raikkonen melhorou para 1.12,178, Vettel não conseguiu mais do que o segundo lugar, com 1.12,221. Bottas ficou... dois milésimos mais lento, e Verstappen conseguiu o quarto melhor tempo.

Assim sendo, pela primeira vez em quase nove anos, Kimi Raikkonen fazia a pole-position, com um monopólio da Scuderia na primeira fila da grelha. Claro, Kimi agradeceu aos seus membros da equipa à sua maneira, e como dizia alguém: "quando ele quer ser 'cool', é o Mr Freeze". E claro, Kimi fazia cair um recorde com 40 anos: é que antes dele, o piloto que esteve mais tempo entre duas poles tinha sido Mário Andretti, entre o GP dos Estados Unidos de 1968 e o GP do Japão de 1976.

Amanhã, há risco de isto ser uma procissão de duas horas, mas bem pensado, amanhã também é um dia onde não temos os olhos colocados senão naquela pista. Anos e anos de "glamour" e epopeias passadas nos levaram a tal coisa...

terça-feira, 16 de maio de 2017

Button não exclui um regresso a tempo inteiro

Jenson Button vai regressar temporáriamente aos carros de Formula 1 no fim de semana do GP do Mónaco, preenchendo a vaga de Fernando Alonso, que vai a Indianápolis fazer as 500 Milhas. Apesar de dizer que isto é apenas a sua única participação nesta temporada, e de ter contrato com a McLaren até 2018, ele afirma que é provável que faça um regresso às pistas, caso, por exemplo, o piloto espanhol não fique na McLaren a partir do final da temporada, como ele já ameaçou em Barcelona.

Tenho um contrato com a equipa para correr na próxima temporada, então eu definitivamente não descarto nada”, começou por afirmar, numa entrevista à British Sport Association.

Penso no Mónaco como a minha única corrida que vou fazer este ano, e obviamente, se me perguntarem novamente em correr noutro momento do ano, irei preencher esse lugar, mas não vou pedir para dirigir porque essa não é a minha ideia”, continuou.

Eu não tenho nada a ganhar, mas também não tenho nada a perder. Estou aqui para ajudar a equipa a se divertir e provavelmente será uma das corridas mais gratificantes para mim, porque não há pressão, é pontual, então estou animado com o desafio”, concluiu.

Para além disso, ele declarou que foi contactado no inicio do ano por duas equipas para correr ao seu serviço.

Tive tantas opções para correr este ano que foi absolutamente hilariante. Óbviamente, não tive qualquer interesse em correr”, contou.

domingo, 7 de maio de 2017

Youtube Formula 1 Classic: GP do Mónaco de 1967

No dia em que se completam 50 anos do GP do Mónaco, eis algo raro: parte da corrida monegasca, a preto e branco, tal como os nossos pais e avós viram naquele dia, com os carros a andarem às voltas pelo circuito de Monte Carlo. Ali, pode-se ver a partida, partes da corrida e o acidente mortal de Lorenzo Bandini, na chicane do Porto.

Outros tempos. Mas se quiserem tirar uma hora e meia do vosso dia, aproveitem para ver um pouco de como era a Formula 1 há meio século, numa altura em que para completar a corrida, eram precisas cem voltas.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Formula 1 em Cartoons - Mónaco (Cire Box)



O "Cire Box", como sempre, faz uma excelente banda desenhada (ou gibi) do GP monegasco e como é que Lewis Hamilton foi o melhor perante a concorrência numa corrida que começou debaixo de chuva e acabou com tudo seco.

E claro, com boa parte das polémicas presentes (faltou os da Sauber...)

terça-feira, 31 de maio de 2016

A imagem do dia

Gilles Villeneuve nas ruas de Monte Carlo durante o fim de semana de 1981, numa fotografia tirada por Paul-Henri Cahier. Faz hoje 35 anos que o canadiano da Ferrari venceu nas ruas de Monte Carlo, numa vitória que muitos consideram como improvável, porque o seu carro era "desengonçado" para uma pista como esta.

Depois de uma boa qualificação - largando ao lado do "poleman" Nelson Piquet - Villeneuve perdeu o segundo posto para Alan Jones, e andou no terceiro posto até à volta 53, altura em que Piquet se despistou e abandonou. Depois disto, Vileneuve andou no segundo posto, mas sem que pudesse alcançar o piloto australiano.

Não antes de ter problemas com a bomba de gasolina no seu Williams.

A partir dali, Gilles Villeneuve teve uma chance de o apanhar, e assim conseguiu chegar à liderança, do qual nunca mais largou até à bandeira de xadrez. Quando o fez, tornou-se num dos vencedores mais populares da história da corrida monegasca, e a sua vitória foi celebrada por todos, pois já tinha passado ano e meio desde a última vitória, no GP dos Estados Unidos de 1979, em Watkins Glen. Era também a primeira vitória do Ferrari Turbo, num carro que era considerado pelo próprio como "um Cadillac com motor". E era verdade: Villeneuve andava num dos piores chassis da Scuderia, e o seu motor V6 Turbo era o seu... único triunfo.

E há precisamente 35 anos, Villeneuve conseguia um pequeno milagre para satisfação dos "tiffosi".

A Formula 1 continua a ser o melhor negócio do mundo?

É muito giro falarmos que a Formula 1 é o "centro do mundo", porque tem o Mónaco, e as audiências refletem isso. Contudo, quando eu - e muitos outros - falam que a Formula 1 segue uma direção errada, quer em termos de transmissões televisivas, quer em termos de redes sociais, quer em termos de onde é que deveriam ir, em termos de locais, muitos não entendem as nossas criticas.

Pois bem, quando esta tarde lia o - sempre excelente - Joe Saward, dei de caras com duas noticias interessantes, que reproduzo aqui:

"Noutras noticias, a CVC Capital Partners continua a dizer que está disposto a vender a Formula One Group, mesmo que algumas dessas pessoas digam que não estão interessados [em vender]. Eles esperam que os chineses entrem, mas uma discussão recente com o grupo de internet Alibaba não deu em nada, e a oferta do americano Stephen Ross continua a ser o mais provável, mesmo se CVC pensa que eles possam conseguir convencer os chineses a entrar. Como Ron Dennis provou com a McLaren, A entrada de investidores chineses num negócio como Formula 1 não é fácil. Talvez quando o primeiro acordo desse tipo ocorrer, poderemos ver outros a vir, mas por enquanto a China parece estar mais interessada na Fórmula E. A Formula 1 é muito assustadora, muito virada para o curto prazo e muito complicada.

Enquanto isso, a NASCAR fez um anúncio discreto, que mostra o quão fora de ritmo está a Formula 1 em termos de marketing em si. O mais recente projeto cinematográfico com a NASCAR como pano de fundo é com o diretor Steven Soderbergh, e é um filme de ladrões centrado em torno da Charlotte Motor Speedway. O filme será chamado de Lucky Logan e vai ter como atores Channing Tatum, Daniel Craig, Riley Keough, Adam Driver e Seth MacFarlane. É claro, os filmes de Soderbergh seriam perfeito para Monte Carlo e seria divertido ter um filme centrado no[fim de semana da] corrida de F1... 

A trilogia de Ocean's fez $ 1,1 mil milhões no "box office". Certamente, a Formula 1 poderia obter uma fatia de bolo semelhante, se percebesse que o cinema não é apenas uma máquina de fazer dinheiro, mas também uma ótima maneira de divulgar um desporto."

Quando as pessoas dizem, queixam-se, que a Formula 1 está a tornar-se cada vez mais elitista, está a fechar-se a si mesmo e que não quer saber mais dos seus espectadores, em migrar cada vez mais para canais pagos, vistos apenas pelos que podem pagar; que não quer saber das redes sociais para nada, que vai para sítios de origem duvidosa só pelo dinheiro, que os seus líderes estão fora de contacto com a realidade, as consequências estão aqui: a dificuldade de arranjar novos parceiros para injetar mais dinheiro na modalidade, e o fracasso de seduzir uma nova geração de pessoas. Quando a Formula 1 migra para canais pagos, mesmo em sítios como a Grã-Bretanha e os Estados Unidos, está simplesmente a dizer que não quer saber do seu futuro.

E depois, não se admirem que não vejam patrocinadores chineses nesta competição, ou que, por exemplo, o circuito de Xangai fica vazio de pessoas, excepto no dia da corrida - e até há uns anos, os bilhetes eram distribuídos pelos estudantes das universidades locais para ajudar a "colorir" as bancadas do circuito de Xangai. Enquanto tiverem o velho como Bernie Ecclestone, não se pode esperar muito em termos de mudanças, apesar de ter havido recentemente uma abertura às redes sociais, especialmente com a chegada da pagina oficial da Formula 1 no Facebook e no Twitter, por exemplo.

Mas outro exemplo que aqui coloquei: já repararam que nunca tivermos qualquer marca chinesa a comprar uma equipa de Formula 1, enquanto que na Formula E já temos duas marcas, a NEXTEV e a recém adquirida Aguri? A entrada dos chineses na competição elétrica tem uma boa razão: eles querem eliminar o mais rapidamente possível a fama de poluidora, construindo milhares de centrais eólicas e solares, para não dependerem mais do carvão, uma enorme fonte de poluição e que enche as principais cidades de "smog", para não falar do transito automóvel, que já alcança niveis de insuportabilidade no Império do Meio.

A Formula 1 sofre um pouco da arrogância dos que estão no topo, criando vícios que depois, quando as vacas ficarem magras, se descobrirão e arrastarão a estrutura para a sua decadência inevitável. Já disse vezes sem conta que é liderada por uma geração que está no meio há mais de 40, 45 anos, e ainda não tem a consciência de que o seu tempo está a chegar ao fim. Ninguém discute - pelo menos abertamente - em o que fazer quando Bernie Ecclestone se for embora dali, já que tem 85 anos. Parece que todos esperam que ele morra para agir, mas será que tem paciência para aguentar esse tempo todo?

E ainda por cima, todos sabem que deixar o controlo da competição às equipas não é boa escolha...

Enfim, muitos já viram que a Formula 1 tem muitas falhas. Falta de imaginação, acomodação, recusa da mudança, divergências entre equipas sobre o modelo a seguir, guerras de poder... são muitas as razões pelos quais esta competição, como qualquer império que está no auge, sofra com a inevitável decadência. A Formula E, por exemplo, está a seguir um caminho de cooperação com o objetivo de crescer de forma sustentada e ser uma alternativa não só para o automobilismo, como também para a industria automóvel, dado que esse foi sempre um dos seus propósitos: o desenvolvimento da sua tecnologia beneficie os carros do dia-a-dia.

Mas com esta gente no poder, e sabendo nós que o dia da mudança se aproxima a passos largos, não pensam no dia seguinte. Ou na razão porque eles já não atraem tantos quantos queriam.