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quarta-feira, 29 de abril de 2020

Youtube Motorsport Classic: A pior corrida de Formula 1

Vai ser em junho, mas como descobri o video ontem, acho que vale a pena antecipar a "efeméride". Há ocasiões felizes, celebratórias, há ocasiões trágicas, mas também a Formula 1 tem momentos de farsa. Já vos falei por aqui de corridas como o GP de Espanha de 1980, do GP da África do Sul de 1985, entre outros. Mas o GP dos Estados Unidos de 2005 roçou o "Formula Zero", de tanta infâmia que a coisa aconteceu, e deu má publicidade da competição a um país do qual a Formula 1 precisava dela. 

E ainda por cima, em Indianápolis.

E lembro muito bem desse dia. Ainda tenho o jornal do dia seguinte a essa prova, que levei para as férias que iriam começar nesse dia. Lembro de tudo muito bem. E assim sendo, mostro-vos este video do canal Slap Shoes, que é muito NASCAR, mas decidiu abrir esta excepção.

quinta-feira, 2 de abril de 2020

No Nobres do Grid deste mês...

Vivemos tempos únicos nas nossas vidas. O coronavirus obrigou-nos a ficar isolados em casa, num período de quarentena do qual não se sabe muito bem quando acabará. Pede-se para que fique em asa por duas semanas, mas os casos não param de aumentar e é provável que este período de quarentena seja bem maior daquele que se espera. Semanas, talvez meses, vão ter de ser pasados dentro de portas, com consequências ainda incalculáveis para a economia mundial. Uma recessão é inevitável, isso temos a certeza.

Oficialmente, o campeonato da Formula 1 está suspenso. As sete primeiras corridas foram adiadas ou canceladas. Austrália e Mónaco não acontecerão, e tudo o resto foi adiado, até melhor altura. Há quem tema que o campeonato só volte em 2021, e fala-se de uma "supertemporada", a começar em Baku, no Azerbeijão. Mas é provável que lá para agosto, a Formula 1 poderia começar... e é ser otimista.

Mas o que quero falar é das circunstâncias do cancelamento do GP da Austrália. E de como até chegarmos a essa conclusão, foi uma saga digna de puxar os cabelos e criar ansiedade até ao mais calmo dos sujeitos. Os eventos das últimas dez, doze horas antes do cancelamento serve perfeitamente toda uma temporada do "Drive to Survive", com os rumores voaram de hora a hora, minuto a minuto, e demonstraram muitas coisas. Uma delas, a capacidade - ou incapacidade - da Formula 1 ser sensível aos apelos para levar a saúde pública muito a sério, as divisões dentro do pelotão e as atitudes de alguns dos pilotos, que parece terem descoberto algumas verdades sobre o espírito da FOM, caso ainda não tivessem - ou terem esquecido - sobre o seu espírito de "the show must go on" (o espectáculo deve continuar, não interessa como).


(...)

Na quarta-feira, começou a surgir o rumor de que membros da Haas e McLaren estavam com sintomas gripais e isolaram-se. aguardando o resultado dos testes. E já se tomavam medidas: distanciamento social e cancelamento de atividades como as sessões de autógrafos. Mas as pessoas passeavam pelo circuito, e não havia indicações de uma corrida sem espectadores, o mínimo. Os organizadores mandavam mensagens de que tudo estava bem. Mas à medida que as horas passavam, nada estava bem. Quando um membro da McLaren foi testado positivo pelo coronavirus, a equipa reuniu-se de emegência e tomou uma decisão inédita: renunciou à participação no Grande Prémio.


Isto, já por si, seria sinal de alarme para que a FOM agisse de imediato. Para terem uma ideia, nesta altura, a Formula E tinha suspendido a temporada por dois meses, tirando de circulação quatro ePrixs, dois dos quais na Europa: Roma e Paris. Seul e Jakarta foram as outras suas provas. Na IndyCar, a organização tinha decidido que a corrida de St. Petersburg iria acontecer sem espectadores - no sábado, decidiram cancelar a corrida - e mais tarde, a corrida de Long Beach também tinha sido cancelada. Na Endurance, Sebring também tinha sido adiada, em principio para novembro. Mas a Formula 1 ainda não dava sinais de ceder.

E fora do automobilismo, a NBA tinha decidido na noite de quarta-feira suspender o campeonato, com efeito imediato, depois de um jogador ter dado positivo para a doença. Houve jogos que foram cancelados em cima da hora, com espectadores a sentarem-se nos seus lugares e a prepararem para ver os jogos. Poderia ser radical, mas o tempo mostrou que foi a medida correta.

Por esta altura, Lewis Hamilton criticava a atitude da organização em prosseguir com tudo, apesar de todos os sinais em contrário.

Estou muito, muito surpreso por estarmos aqui. É ótimo termos corridas, mas, para mim, é chocante estarmos todos sentados nesta sala e que haja tantos fãs na pista. Parece que o restante do mundo está reagindo, provavelmente um pouco tarde. A NBA foi suspensa, mas a Formula 1 continua trabalhar", declarava o piloto da Mercedes numa conferência de imprensa.

Questionado sobre o fato de a Formula 1 insistir em correr neste fim de semana, Hamilton disparou. “O dinheiro é rei, mas, sinceramente, não sei. Não tenho muito mais a acrescentar”.

Hamilton tinha tocado na ferida. (...)

Nestes dias, o mundo parou para respirar. Presos em casa devido a um vírus do qual não há cura, apenas um tratamento eficaz, para evitar mortes. E para evitar isso, tem de se cumprir um distanciamento social, e como tal, a vida teve de parar. Todas as manifestações desportivas foram adiadas ou canceladas, mas a Formula 1 estava prestes a desobedecer a tudo isto. Até sexta-feira de manhã, os responsáveis máximos da competição queriam levar para a frente, mesmo com os alertas de que a doença já se espalhava e países como a Itália tinha decidido fazer um "lockdown" completo.

É sobre a história de como as coisas se descarrilaram até cabeças mais frias - dizendo melhor, até a realidade - se encaixarem e decidiram que, para um bem maior, até a categoria máxima do automobilismo teve de ver que a saúde das pessoas estava em primeiro lugar. Agora, em casa, discute-se sobre duas coisas: ou não há campeonato, ou existirá uma super-temporada, espalhadas por dois anos, até as coisas voltarem ao normal. As equipas já decidiram um teto salarial, e os novos regulamentos poderão ser adiados para 2022 ou 2023.

Tudo isto este mês no Nobres do Grid.

terça-feira, 31 de março de 2020

A imagem do dia

Nestes tempos de "lockdown", onde ficamos encerrados contra a nossa vontade e o nosso desporto favorito, é bom começar a contar algumas estorietas para tornar esta hibernação suportável. E neste final de mês de um ano sem final à vista, recordo um episódio onde a Formula 1 se viu obrigada a adiar uma corrida em cima da hora.

No calendário da Formula 1, o GP da Bélgica iria ser corrido a 2 de junho, entre as corridas do Mónaco e Canadá. Estava a pular com Zolder e nesse ano, decidiram colocar uma nova capa de asfalto do qual se esperava que os tempos em pista pudessem cair. De facto, o objetivo foi alcançado, mas... a estória que se segue tem a ver com um mau inverno e uma pista crua demais no momento em que a Formula 1 lá foi.

A nova capa de asfalto era para absorver melhor em situações de chuva e custou na altura cerca de 3,5 milhões de dólares. Queriam colocá-la na melhor altura possível, ainda por cima, tinha de estar pronta pelo menos 60 dias antes da realização do Grande Prémio. Contudo, burocracias e um inverno rigoroso fez com que somente... em maio a operação pudesse ser feita. A dez dias da corrida, a capa fora colocada e os carros, que queriam testar antes da prova, não puderam para que o asfalto pudesse solidificar.

Na sexta-feira, a atividade correu calmamente, mas com a passagem dos carros, o asfalto começou a degradar-se a olhos vistos. Para piorar as coisas, ainda havia uma prova de Formula 3000 marcada para aquela altura... e não ajudou imenso. As reparações foram feitas, e no sábado, os treinos decorreram, mas ao fim de meia hora, todos recolheram às boxes e começaram a discutir a situação.

Todos estavam zangados: a pista estava a desfazer-se a olhos vistos e era uma ameaça à segurança. Sugeriu-se cancelar tudo no sábado e no domingo, irem dieitos à corrida, sem "warm up" e tudo. Mas no final do dia de sábado, pilotos e equipas disseram que naquelas condições, não podia ser possivel. E para piorar as coisas, a corrida de Formula 3000... ainda estragou mais o asfalto. No final do dia, todos concordaram com um adiamento para setembro, mexendo algumas coisas no calendário, pois iria ficar entre as corridas de Monza e Brands Hatch, que aconteceria uma semana mais tarde.

Jean-Marie Balestre odiou o que os organizadores belgas fizeram. Puniu-os com dez mil libras de multa e cem mil libras de fiança, que só levantariam se a corrida realizasse sem problemas, mais tarde. Felizmente, tudo correu bem essa altura - choveu e tudo! - e o asfalto secou durante a prova, que foi vencida por Ayrton Senna, na sua segunda vitória na sua carreira, e pela Lotus. E como era para acontecer em junho, e tempos já tinham sido marcados então, o Lola de Alan Jones, que tinha estreado em Monza, não pode participar nessa prova porque mão existia em junho. Só voltaria em Brands Hatch. E trágicamente, Stefan Bellof, que apareceu no fim de semana belga no seu Tyrrell, tinha morrido duas semanas antes, no mesmo circuito, ao volante de um Porsche 956 de Endurance.

Motores e o coronavirus: As novidades do dia 31

Neste último dia do mês, num tempo bem excepcional, há algumas noticias bem interessantes sobe a Formula 1, numa altura em que a competição está parada, sem data de regresso, ou até se voltará ainda em 2020. 

A primeira afirmação tem a ver com as novas regras. Depois de terem dito que iriam adiar para 2022, já se falam que poderão esta a acordar o adiamento por mais uma temporada. Quem diz isso é Christian Horner. Numa entrevista à BBC, o diretor desportivo da marca afirma que as equipas acordaram em principio no adiamento.

"Estamos a falar em adiar mais um ano os novos regulamentos, porque, em minha opinião, seria totalmente irresponsável ter o ônus dos custos de desenvolvimento em 2021", começou por dizer. "Parece haver um acordo razoável, mas precisa ser ratificado pela FIA para reduzir esses custos de desenvolvimento em 2022 para introdução na temporada seguinte".

"A coisa mais importante que precisamos agora é a estabilidade. Porque a única coisa que sabemos é que sempre que você introduz mudanças, você introduz custos e estabilidade agora e prender o máximo possível de carros é a maneira mais responsável de elevar esses custos." motoristas desligados."

Também houve sugestões de que o limite do orçamento que deveria entrar em vigor no próximo ano pudesse ser ainda mais reduzido. Atualmente, o limite acordado é de 150 milhões de dólares.

"Há uma discussão positiva e saudável entre todas as equipes para ser responsável - e não se trata apenas do limite", explicou Horner. "A tampa é um teto. É quase secundário para mim, está reduzindo o custo para correr."

"Com, digamos, 60% do chassis congelado pelos próximos 18 meses, isso terá um efeito dramático na redução dos custos operacionais de uma equipa de Formula 1, seja ela Red Bull ou Williams", concluiu.

Ao mesmo tempo, enquanto Christian Horner diz coisas interessantes, já Helmut Marko diz coisas irresponsáveis. O ex-piloto austríaco e um dos dirigentes da marca austríaca disse ter torcido para que Max Verstappen apanhasse o coronavirus porque assim poderia suplantar a doença com menor dificuldade, pois para ele, não faz parte de nenhum grupo de risco. E chegou a engendrar um plano nesse sentido.

Temos quatro pilotos de Fórmula 1 (Max Verstappen, Alex Albon, Pierre Gasly e Daniil Kvyat) e oito ou dez juniores. A ideia era organizar um acampamento onde se poderiam relacionar – mentalmente e fisicamente – neste tempo morto. E este seria o momento ideal para serem infectados. São jovens adultos verdadeiramente fortes com boa saúde. Desta forma, estariam preparados para quando a competição se iniciar e para aquele que será provavelmente um campeonato muito duro, assim que comece”, afirmou o austríaco em declarações prestadas à televisão do seu país ORF.

Felizmente, todos receberam o plano com hostilidade. “Coloquemos a questão desta forma: não foi um plano bem recebido”, concluiu.

Para finalizar, na Suécia, um bando de pessoas não identificadas decidiu esta semana vandalizar algumas tumbas no cemitério de Orebro. Não seria noticia nestas bandas se uma das pedras tumulares afetadas não fosse a de Ronnie Peterson, vice-campeão do mundo em 1971 e 78, morto no GP de Itália nesse mesmo ano, ao volante do seu Lotus 78. O piloto, morto aos 34 anos de idade, foi um dos maiores nomes e mais populares dos anos 70. 

Isso é simplesmente vergonhoso. Mas não tinha nada a ver com Peterson. Há toda indicação de que os autores agiram indiscriminadamente." disse Brita Wennsten, responsável da paróquia e do cemitério local.

Peterson está sepultado na tumba da familia, ao lado dos seus pais e mulher Barbro Edwardson, que se matou em 1987. 

sexta-feira, 13 de março de 2020

Como a Formula 1 saiu (muito mal) na fotografia

Agora é oficial: o GP da Austrália foi cancelado, e é provável que a temporada fique paralisada até maio, com o GP dos Países Baixos, em Zandvoort. Isto, se formos otimistas. Porque se formos ver pelo lado pessimista da coisa, pode-se dizer que 2020 já acabou. Em março.

Mas até chegarmos aqui, foi uma saga, digna de puxar os cabelos e criar ansiedade até ao mais calmo dos sujeitos. Os eventos das últimas dez, doze horas antes do cancelamento são dignas de toda uma temporada do "Drive to Survive", e os rumores voaram de hora a hora, minuto a minuto, e demonstraram muitas coisas. Uma delas, a capacidade - ou incapacidade - da Formula 1 ser sensível aos apelos para levar a saúde pública muito a sério, as divisões dentro do pelotão e as atitudes de alguns dos pilotos, que parece terem descoberto algumas verdades sobre o espírito da FOM.

Então, comecemos pelo momento em que um membro da McLaren foi testado positivo pelo coronavirus. Havia suspeitas, a começar por quatro membros da Haas e o da McLaren, na quarta-feira de manhã. Quando os testes confirmaram positivo, a equipa reuniu-se e decidiu renunciar à participação no Grande Prémio.

Isto, já por si, seria sinal de alarme para o adiamento imediato do Grande Prémio. Por esta altura, a Formula E tinha suspendido a temporada por dois meses, tirando de circulação quatro ePrixs, dois dos quais na Europa: Roma e Paris. Seul e Jakarta foram as outras suas provas. Na IndyCar, a organização tinha decidido que a corrida de St. Petersburg iria acontecer sem espectadores, e mais tarde, a corrida de Long Beach tinha sido cancelada. Sebring também tinha sido adiada, em principio para novembro. Mas a Formula 1 não dava sinais de ceder.

E noutras modalidades, a NBA tinha decidido na noite de quarta-feira suspender o campeonato, com efeito imediato, depois de um jogador ter dado positivo para a doença. Houve jogos que foram cancelados em cima da hora, com espectadores a sentarem-se nos seus lugares e a prepararem para ver os jogos.

Por esta altura, Lewis Hamilton criticava a atitude da organização em prosseguir com tudo, apesar de todos os sinais em contrário. 

Estou muito, muito surpreso por estarmos aqui. É ótimo termos corridas, mas, para mim, é chocante estarmos todos sentados nesta sala e que haja tantos fãs na pista. Parece que o restante do mundo está reagindo, provavelmente um pouco tarde. A NBA foi suspensa, mas a Formula 1 continua trabalhar", declarou o piloto da Mercedes.

Questionado sobre o fato de a Formula 1 insistir em correr neste fim de semana, Hamilton disparou. “O dinheiro é rei, mas, sinceramente, não sei. Não tenho muito mais a acrescentar”.

Ele tocou na ferida. No meio do essencial, esquecemos do acessório. Dois dias antes, a Formula 1 tinha anunciado um grande acordo com a Aramco, a petrolífera nacional saudita, a maior do mundo e que recentemente colocou uma pequena parte do seu capital na Bolsa de Nova Iorque. Não se fala só do maior poluidor do mundo, numa altura em que a Formula 1 declarou querer neutralizar a sua pegada carbónica até ao final da década, mas com o dinheiro que querem e com a intenção da Arábia Saudita em ter uma corrida, "money talks, bullshit walks".

E ao longo da história, a Formula 1 foi assim: antes quebrar que torcer. Foi assim com as corridas que fez em ditaduras um pouco por todo o mundo, ao longo dos 70 anos da competição. Seguiram em frente quando o mundo pediu que não corressem na África do Sul, em 1985, em pleno regime do "apartheid" ou em 2012, quando se pediu um boicote ao Bahrein pelos seus abusos dos direitos humanos, em plena agitação social naquela nação. E nem saberemos o que faria Bernie Ecclestone numa situação destas. Provavelmente ainda incendiaria as coisas, falando disparates à imprensa...

E Hamilton também deveria saber que o lema não oficial deles é "o espectáculo tem de continuar". Afinal de contas, foi o que fizeram quando dois pilotos morreram num mesmo fim de semana...

Nas horas a seguir à renuncia da McLaren, começaram a surgir rumores sobre o cancelamento da corrida. Sinais inicialmente contraditórios, mas depois, durante a madrugada, houve uma reunião entre as equipas para decidir se cancelariam ou não o evento. E na votação... houve empate. Cinco a cinco. Segundo os "insiders", Mercedes, Red Bull, Alpha Tauri, Williams e Racing Point votaram a favor da continuidade, contra Ferrari, McLaren, Alfa Romeo, Renault e Haas. Mais tarde, minutos antes do encerramento, a Mercedes tinha entregue um comunicado a pedir à organização para que cancelassem a corrida. A ser verdade, há muita lágrima de crocodilo.

Pelas oito da manhã de sexta-feira, com gente nos portões, os seguranças barravam a entrada aos espectadores, enquanto se falava do rumor de que Kimi Raikkonen e Sebastian Vettel já tinham rumado para o aeroporto, provavelmente para apanhar um voo para casa. E logo a seguir, o anuncio oficial, depois de Chase Carey ter chegado a Melbourne, depois de um voo de Hanoi, onde tentava convencer as autoridades a não adiar a corrida vietnamita.

E portanto, chegamos a isto. Mas este pode ser apenas o primeiro capitulo da saga. Semana que vêm está marcado o GP do Bahrein, embora a organização tenha decidido realizar sem espectadores. Contudo, como sabem, um elemento da McLaren tem a doença e não se sabe quantos mais estão a incubar. Se neste período de tempo outros surgirão, eles poderão entrar no país? A equipa poderá entrar no país? Ou seja, haverá cenas dos próximos capítulos de uma situação onde todos saíram mal.

A Formula 1, no seu espírito de "o espectáculo continua, não importa a que preço", ficou muito mal retratado na câmara. Os seus dirigentes ficaram mal vistos. A FIA e a FOM, que tem responsabilidades civis, não serve só para receber o dinheiro, deram uma lição de civismo... mas ao contrário. E como já disse em cima, ainda não acabou. O mais provável é que a temporada seja adiada até maio e todos estes Grandes Prémios sejam, oficialmente, adiados. Porque se cancelam, perdem dinheiro, muito dinheiro. E claro, vai menos dinheiro para as equipas para as temporadas seguintes. Vai abalar a Formula 1 no futuro, em mais maneira do que julgam.

Esperemos pelas cenas dos próximos capítulos.

quinta-feira, 5 de março de 2020

Noticias: FIA respondeu às equipas sobre acordo com a Ferrari

Depois de ontem as equipas terem reagido ao acordo secreto entre a FIA e a Ferrari, respeitante à legalidade do seu motor da parte final de 2019, a entidade suprema do automobilismo respondeu esta quinta-feira, afirmando em comunicado que a FIA não tinha meios para verificar se a Scuderia tinha atuado fora dos regulamentos, apesar das suspeitas existentes por causa do fluxo de combustível. Nesse campo, aparentemente a Ferrari terá encontrado forma de aumentar o fluxo máximo permitido de forma temporária, sem no entanto ir contra os 100 quilos por hora regulamentares, e que deu a origem de toda esta polémica.

No comunicado de hoje, a FIA realça isso, afirmando também que irá fazer de tudo para proteger a competição e os seus regulamentos:

A FIA conduziu análises técnicas detalhadas sobre a Unidade Motriz da Scuderia Ferrari, como tem o direito de fazer a qualquer competidor no Campeonato Mundial de Fórmula 1 da FIA.", começa por dizer.

"As investigações extensas e completas realizadas durante a temporada de 2019 levantaram suspeitas de que a Unidade Motriz da Scuderia Ferrari poderia ser considerada como não operando dentro dos limites dos regulamentos da FIA em todos os momentos. A Scuderia Ferrari opôs-se firmemente às suspeitas e reiterou que a sua unidade funcionava sempre em conformidade com os regulamentos. A FIA não estava totalmente satisfeita, mas decidiu que novas ações não resultariam necessariamente num caso conclusivo devido à complexidade do assunto e à impossibilidade material de fornecer uma evidência inequívoca de uma violação.

Para evitar as consequências negativas que um longo litígio implicaria, especialmente à luz da incerteza do resultado de tais litígios e no melhor interesse do Campeonato e de suas partes interessadas, a FIA, em conformidade com o Artigo 4 (ii) das Regras Judiciais e Disciplinares (JDR), decidiram entrar em acordo efetivo e dissuasivo com a Ferrari para encerrar o processo.

Esse tipo de contrato é uma ferramenta legal reconhecida como um componente essencial de qualquer sistema disciplinar e é usado por muitas autoridades públicas e outras federações desportivas no tratamento de disputas. A confidencialidade dos termos do acordo de liquidação é prevista no artigo 4 (vi) do JDR.

A FIA tomará todas as medidas necessárias para proteger o desporto, assim como o seu papel e reputação como reguladora do Campeonato Mundial de Fórmula Um da FIA.”, concluiu.

A resposta foi esta, mas certos dirigentes ainda não estão muito conformados com isso, e um deles é Helmut Marko, o diretor da Red Bull. O ex-piloto austríaco acredita que a Ferrari escapou a uma pena mais severa, que para ele seria justo, caso se confirme que houve irregularidade por parte da Scuderia. E avisou que poderia processar, caso se repita a gracinha.

É um valor de dois dígitos a menos se terminar em terceiro vez em de segundo. Não é apenas a distribuição, mas também estão em causa os nossos contratos de patrocínio. Se eles realmente fizeram batota, 10 ou 20 milhões seria muito barato”, começou por dizer. “Se a Ferrari agora faz pesquisas sobre combustíveis alternativos para a FIA, isso lhes dá uma vantagem de experiência sobre todos os outros”, continuou.

Desta vez, aderimos à campanha iniciada pela Mercedes. Mas, no futuro, consideraremos as nossas opções e defenderemos nossos direitos à nossa maneira”, concluiu.

quarta-feira, 4 de março de 2020

Vivemos tempos interessantes

Noutros tempos ditos... mais "normais", o comunicado da Mercedes, libertado esta manhã, poderia ter colocado a Formula 1 em pé de guerra. Mas estes não são tempos normais, graças à epidemia do coronavirus. Neste momento, o CoVid-19, o termo técnico da doença, que está a colocar o mundo de pernas para o ar no final deste inverno no Hemisfério Norte, está a condicionar as movimentações das equipas e a complicar ainda mais uma logistica que, já de si, é complicada. É por isso que os cancelamentos poderão acontecer em cima do acontecimento.

E para piorar as coisas, um dos focos principais desta epidemia é a Itália. Sede da Ferrari, Alpha Tauri e parte da Haas. Para além da Pirelli, a fornecedora de pneus. Alguns dos países que recebem o calendário da Formula 1, como o Bahrein e o Vietname, já disseram que não receberão voos de Itália, e os seus nacionais, ou quem tenha passado por Itália nas duas semanas anteriores, ficarão em quarentena. Se nos contratos que as promotoras assinam com a FOM há uma cláusula mínima de equipas e carros a alinharem, a FIA, através de Ross Brawn, já veio a público dizer "ou vão todos, ou não vai ninguém", ou seja, vão defender a Ferrari e as outras equipas.

Se uma equipa é impedida de entrar num país, não podemos ter uma corrida”, disse Brawn em declarações captadas pela Reuters. “Obviamente, se uma equipa fizer a escolha para não ir a uma corrida, a decisão é deles. Mas se uma equipa é impedida de ir a uma corrida por causa de uma decisão do país, é difícil ter uma competição justa”.

É uma situação muito séria, então não quero subestimá-la”, reconheceu. “Mas estamos a tentar fazer corridas. Temos que fazê-las de forma responsável. Estamos minimizando o número de pessoas no paddock, solicitando às equipas que enviem um número mínimo de pessoas necessárias para uma corrida”, concluiu.

É verdade que a FIA vai ser solidária com as equipas afetadas, mas... e as equipas? Uma das que assinou o acordo a contestar a Ferrari está em Itália, mas outra das equipas que não assinou, a Sauber-Alfa, tem a sua sede na Suíça. Abandonar uma delas à sua sorte poderá causar alguns embaraços evidentes, e claro, não ajudaria à união e solidariedade da competição. E ainda por cima, lá vêm as declarações, velhas, com mais de década e meia, de que a FIA significa "Ferrari International Assistance". Logo, as coisas não são tão simples assim...  

Isso vai colocar um dilema: abrem excepções ou decidem pelo lado mais radical? O Qatar não teve problema algum em cancelar a Moto GP, e a Moto2 e Moto3 só acontecerão porque as equipas estavam ali em testes. E o GP da Tailândia, também em MotoGP, foi também adiado para setembro. Isso quer dizer que, por exemplo, Bahrein e Vietname, que tem politicas restritas de circulação de pessoas para conter o CoVid-19, poderão usar essa carta como último recurso, porque o limite mínimo está prestes a ser alcançado. A corrida barenita acontece uma semana depois da australiana, bem abaixo do limite mínimo. Ou seja, é um "cliffhanger" ao bom estilo das séries de televisão, no final de cada temporada.

Vivemos tempos interessantes, diriam os chineses. A nossa vida, dita normal, está a ficar de pernas para o ar, e há mais perguntas que respostas. As soluções radicais estão à vista, e ninguém as quer tomar, porque implicam que abandonamos a normalidade. E ninguém quer arcar com a responsabilidade. É por isso que por estes dias digo que, o que hoje é verdade, amanhã poderá ser mentira.  

As equipas contestam o acordo entre FIA e Ferrari

O ruído de fundo já tinha alguns dias, mas todas estas "estórias" sobre o coronavirus desfocaram o episódio. Agora, esta manhã, o comunicado da Mercedes - e assinado por mais seis equipas - diz tudo: o acordo confidencial entre a FIA e a Ferrari sobre o motor de 2019 deixou-as “surpresas e chocadas”, cobram lisura da entidade que regula o automobilismo, liderado por Jean Todt, ameaçando entrar na justiça para pedir uma “reparação legal”.

"Nós, as equipas abaixo assinadas, ficamos surpresas e chocadas com o comunicado da FIA de sexta-feira, 28 de fevereiro, a respeito da conclusão da investigação da unidade de potência da Ferrari na Fórmula 1”, começa por dizer o comunicado. 

Uma entidade reguladora desportiva internacional tem a responsabilidade de agir de acordo com os mais altos níveis de integridade e transparência. Após meses de investigações promovidas pela FIA, feitas apenas após pedidos de outras equipas, nós questionamos fortemente a chegada a um acordo confidencial entre FIA e Ferrari para encerrar esse assunto”, continua. 

Dessa forma, afirmamos publicamente nosso compromisso em perseguir uma explicação completa e apropriada sobre essa questão, garantindo que nosso desporto trate todos competidores de forma justa e igual. Fazemos isso pelos fãs, participantes e acionistas da Formula 1. Por fim, nos reservamos o direito de buscar reparação legal de acordo com o processo da FIA e frente aos tribunais competentes", concluiu.

Para além da Ferrari, os únicos que não assinaram o comunicado foram a Sauber Alfa e a Haas. 

Esta posição de força acontece depois de suspeitas sobre a legalidade do motor da Ferrari em 2019, especialmente na segunda metade do campeonato, pedidas por algumas das equipas do pelotão, entre elas a Mercedes e a Red Bull. A irregularidade tinha a ver com o fluxo de combustível do motor italiano. A FIA investigou e anunciou em meados do mês passado que tinham chegado a um acordo, cujos detalhes tinham sido guardados no segredo dos deuses. E entretanto, a Ferrari tinha decidido colocar um segundo sensor de combustível no seu motor para evitar novos problemas.

A FIA anuncia que, após investigações técnicas, concluiu a análise de operação da unidade de potência da Ferrari e buscou um acordo. As especificações desse acordo vão ficar entre as partes.", começou por dizer o comunicado lançado no mês passado.  

"A FIA e [a Ferrari] concordaram numa série de compromissos técnicos que vão melhorar a monitorizaçao de todos os motores da Fórmula 1 nos próximos campeonatos, assim como ajudar a FIA em outras tarefas regulatórias da Formula 1 e nas suas pesquisas de emissão de carbono e combustíveis sustentáveis”, concluiu. 

Recorde-se que a FIA é dirigida desde 2009 por Jean Todt, que foi o diretor desportivo da Scuderia de 1993 a 2007.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Formula 1 e o coronavirus - as últimas novidades

Que o coronavirus (também chamado de CoVid-19) vai mexer com o imediato, já se sabe, mas à medida que as horas passam, há mais novidades. Ontem, o site Formula Money revelou que o Vietname decidiu suspender os vôos vindos de países fortemente afetados pelo virus: Irão, China, Japão, Coreia do Sul... e Itália. Claro, os aeroportos reforçarão as medidas de controlo de todos os turistas que estão a chegar vindos dos quatro cantos do mundo, mas isto cai na comunidade da Formula 1 por causa da Ferrari e da Alpha Tauri (ex-Toro Rosso) cujas fabricas são as únicas, a par da Sauber Alfa Romeo, que não estão no Reino Unido.

É certo que por esta altura, os elementos dessas duas equipas poderão estar fora de Itália é muito tempo, logo, poderão estar a salvo dessas restrições. Aliás, antes de correrem por ali, a 5 de abril, ainda têm de passar pela Austrália e Bahrein, logo, podem nem passar por qualquer um desses países afetados, apesar de em alguns aspectos, houve equipas de televisão que resolveram abdicar de ir ao Vietname por causa de um foco do CoVid-19 num sitio a pouco mais de 30 quilómetros de Hanoi, a capital...

Mas também nas últimas horas, surgiram noticias sobre as dificuldades que as autoridades barenitas estão a levantar para as equipas que vão competir nas Formula 2, cuja ronda inaugural acontece precisamente no Bahrein. Prema Racing e Trident, duas equipas com base em Itália, estão a ter dificuldades em entrar, e decidiram alterar completamente a logistica, a par de Ferrari e Alpha Tauri, que também viajarão para o Bahrein, para competir no dia 22 de março. 

E amanhã, as equipas de Formula 1 irão se reunir em Barcelona para discutir sobre o impacto que estas restrições poderão ter sobre a movimentação destas pessoas ao longo das próximas semanas. Como se pode ver, estas coisas estão a acontecer depressa, estão a mudar e o que é verdade hoje, manhã poderá ser algo bem diferente. Por exemplo, se num extremo, a Ferrari e a Alpha Tauri poderão não competir no Vietname devido às restrições colocadas pelas autoridades locais, o GP poderá prosseguir com um mínimo de 16 carros... 

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

As tiradas de Jim Glickenhaus

A retirada da Aston Martin do programa da Endurance, com o seu projeto Vakyrie, causou ondas, mas era esperado, sobretudo porque era apoiado em parte pela Red Bull. E com a compra da marca por Lawrence Stroll, o patrão a Racing Point, e a sua prioridade em relação à Formula 1, enfureceu os que andaram também a investir milhões nos seus projetos de Hypercar. Sobretudo quando a FIA e o WEC chegaram a acordo com a IMSA para trazer os DPi para o Mundial, e sobretudo, para Le Mans.

E foi por causa disso que Jim Glickenhaus, o dono da marca com o mesmo nome e o construtor do protótipo 007, com o objetivo de competir nessa classe, foi para as redes sociais e vilipendiar a Aston Martin pelo abandono do seu projeto.  

Sinto muito por aqueles que compraram a Aston pelo preço da IPO [Oferta Pública Inicial, a sigla inglesa]. Sinto que os salários assumidos pelos executivos da Aston por desempenho são obscenos. Deveriam fazer uma coisa honrosa, renunciar ao cargo e devolver o dinheiro à empresa", começou por dizer.

Glickenhaus foi mais caustico, afirmando estar "enojado com o lamento que fez com que o ACO alterasse graciosamente as regras para acomodar o motor dos Astons, explodindo os nossos motores Alfa e fazendo com que a Toyota tivesse que gastar mais dinheiro trocando o deles e depois disse adeus. Agora estão a culpar a convergência. Patético".

O comentário que ele faz sobre o motor Alfa Romeo tem a ver com a intenção do construtor americano querer usar o motor italiano nos seus chassis, mas agora não pode usar por causa de uma alteração nos regulamentos do WRC para 2021-22.

Eles devem olhar-se ao espelho, se realmente querem ver a quem culpar. O seu comportamento infantil empurrou-nos para trás e custou-nos dinheiro, mas, ao contrário da Aston, a Toyota, a ByKolles e nós estaremos lá na próxima temporada com carros excelentes e interessantes e correremos com afinco e honra", acrescentou. 

Glickenhaus termina a tua tirada com um forte comentário: "Alguns mijam-se nas calças aos portões do inferno, enquanto alguns de nós não recuam."

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

WRC: Neuville critico do estado das estradas suecas

Nas vésperas de um rali da Suécia onde haverá pouca neve na zona de Karlstad, em contraste com a neve existente no lado norueguês da fronteira, o belga Thierry Neuville revelou-se pouco satisfeito com a falta de neve em alguns dos troços deste rali, que já viraram lama misturada com gelo. Na sua conta do Twitter, criticou as condições, embora ache que a organização vá levar o rali adiante.

"As condições são muito complicadas, há muita terra nos troços, mais do que esperávamos. O sol brilhou durante o dia e há muitas zonas com lama. Temos de adaptar as afinações do carro e os pneus.", disse num post da sua conta pessoal

Noutro post publicado ao final da tarde de quarta-feira, o piloto da Hyundai referia que aguardava "mais informação e uma decisão final, mas já que estamos todos cá e o rali provavelmente irá avançar."

Contudo, numa entrevista ao site alemão Rally-magazine.de, afirmou que não deveriam estar ali por causa da periculosidade dos troços: "Se conduzirmos 20km em terra, os pregos dos pneus desaparecerão, Se a seguir apanharmos uma zona de gelo, irá tornar-se muito perigoso. Em princípio necessitaremos de pneus novos antes de cada troço."

A prova começa esta sexta-feira, com a realização de onze especiais de classificação.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Precisamos de falar sobre o calendário

À altura em que escrevo estas linhas, é provável que o GP da China possa ser, ou adiado, ou cancelado para 2020. Mas não quer dizer absolutamente nada, porque a Liberty Media quer ter um subsitituto para a prova poderá ser cancelada... ou adiada. Seja como for, este ano teremos a estreia absoluta do Vietname e o regresso da Holanda, 35 anos depois, numa nova versão do circuito de Zandvoort, um clássico do automobilismo à beira-mar.

Mas como, por agora, temos Xangai no calendário, dir-vos-ei que temos 22 provas no calendário. A única saída foi o da Alemanha, que provavelmente regressará em 2021. É o calendário mais longo de sempre, e poderá não ficar por aqui. A Liberty Media quer mais corridas, alargando o calendário para 24 ou 25, com a inclusão de uma segunda corrida nos Estados Unidos, em Miami, para ser mais preciso. E claro, outros lugares poderão querer a corrida, como a Arábia Saudita, que poderá injetar 60 milhões de dólares para acolher no calendário, na sua estratégia de abrir o país ao mundo.

Se chegarmos a 25 provas, será quase uma corrida a cada duas semanas no calendário anual. Em 2019, foi a primeira vez desde 1963 que tivemos uma corrida em dezembro, e com o crescente alargamento do calendário, não ficaria admirado se tivermos corridas em janeiro ou fevereiro. No último caso, a última corrida foi em 1982, na África do Sul, e no segundo mês do ano, a mais recente prova data de 1979, com o GP do Brasil, em Interlagos.

Para o fã do automobilismo, pode ser o paraíso, mas para quem anda no circo, é um inferno. Um fim de semana de Formula 1 são seis dias: quarta-feira chegas ao circuito, quinta-feira é passada a montar os carros e reconhecer a pista a pé, e sexta, sábado e domingo para a corrida. Segunda-feira é para empacotar tudo e rumar ao aeroporto mais próximo, rumo à próxima corrida. Multiplicado por 25 são... 150 dias por ano. Mas depois acumula vinte dias passados dentro de aviões, em voos de dez, doze horas, de um lado ao outro do mundo. 170, 180 dias. É metade do ano num trabalho que o coloca fora de casa. Fantástico para um solteiro, mas para alguém casado e com filhos pequenos, é um pesadelo. Mesmo que seja o teu trabalho de sonho, é uma profissão de desgaste rápido. Só os loucos pelo automobilismo é que têm uma longa carreira nisto.

E nem falo sobre os mecânicos, pilotos, administrativos. Os profissionais da comunicação, que acompanham isto o tempo todo, também têm uma vida de saltimbanco. E por vezes, até chegam antes de toda a gente, porque querem conhecer os lugares que visitam. Não devem ter vida própria, mas têm. E digo isto tudo porque há uns tempos, um engenheiro da Haas, Thomas Dob, reagiu violentamente aos elogios de Jean Todt sobre o calendário da FIA. Numa declaração à UOL Esporte, no Brasil, ele afirmou que é uma profissão desgastante.

Segundo ele, devemos estar felizes por não ver nossos filhos. Isso é um ultraje. Esta é a opinião de uma pessoa que vem à corrida na sexta-feira e sai no domingo. Ele não passa tanto tempo na pista quanto nós. Muitos de nós fazemos isso há anos, e encontrar outro emprego não é fácil.”, comentou.

Os que aplaudem as corridas no sofá não fazem ideia de como este sonho se torna num pesadelo. A NASCAR, por exemplo, tem um calendário muito maior, mas todas as corrias são nos Estados Unidos. Ali, as equipas sempre podem fazer uma maior rotação entre mecânicos e engenheiros, para evitar o desgaste e as saudades de casa. Toda a gente tem familia, e as ausências ressentem-se. 

Outro que criticou recentemente este alargamento do calendário foi Franz Tost, o homem forte da (agora) Alpha Tauri, que afirmou à americana Racer que 22 provas é o limite absoluto.

Se tivermos mais corridas no futuro, acho que as equipas precisam trocar de pessoas – mecânicos, engenheiros. Caso contrário, seria demais para elas.", começou por dizer.

Não, não fizemos alterações [este ano]. É apenas uma corrida a mais que no ano passado. O prazo é quase o mesmo do ano passado. Há mais uma corrida durante a temporada, mas não precisamos mudar as pessoas rotativamente. Começamos em março e a última corrida é no final de novembro, não há uma grande mudança", continuou.

Em 2019, começamos a temporada no dia 17 de março e terminamos no dia 1º de dezembro. E em 2020, começaremos no dia 15 de março e a última corrida será no dia 29 de novembro. Não há grande diferença.

Tost pode até dizer que aguenta mais uma prova, mas é o limite. A partir dali, é território desconhecido. É certo que a Liberty Media quer mais dinheiro injetado na competição, ter mais corridas, mas isto não é a NASCAR. 24, 25, 26 provas espalhadas pelo mundo... e ainda há as férias de agosto, onde por três semanas, não se pensa na Formula 1. Imaginem se algum dia isso acabar?

Sou do tempo em que a Formula 1 tinha 16, e todos andavam felizes, sem grandes queixas. Mas mesmo assim, andar quatro, cinco ou mais meses fora - porque havia as semanas de testes em lugares quentes como o Rio de Janeiro ou Kyalami, na África do Sul, onde as pessoas poderiam até descontrair entre testes. Agora, não: é uma vida sempre a correr, entre circuitos e aeroportos. Onde está o prazer nisso? Pode ser excitante por uma, duas ou três temporadas, mas ao fim de meia dúzia, são poucos os resistentes, são os que querem realmente isto e não têm familia à espera em casa. Ser um eterno saltimbanco, por muito que gostem do desporto.

Em suma, tem de haver um limite no calendário, sob pena de isto se descontrolar, e o sonho virar pesadelo.. 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Youtube Motorsport Weirdness: A equipa que andava...

Muitos já ouviram falar da infame equipa dos irmãos Whttington, e de Randy Lanier, pilotos que nos anos 80, corriam na IMSA e venciam corridas, enquanto eram financiados pelo contrabando de "cannabis". Tanto que por algum tempo, IMSA significava entre os fãs a famosa alcunha de "International Marijuana Smugglers Association"...

Mas automobilismo e o tráfico de droga não se ficou por ali. Em 1993, a melhor equipa do momento do BTCC, British Touring Car Championship, ia frequente testar os seus BMW's à Holanda. Contudo, aproveitavam a travessia do canal para traficar cocaína. No final do ano, eles foram apanhados pela policia e a equipa teve de ser vendida. Pudera! 

A história deste video é contada pelo neozelandês Josh Revell, num canal que descobri este Natal. E aparentemente, não foi só eu que descobri: o canal dele passou de pouco mais de cinco mil subscritores para quase 15 mil, provavelmente por causa de algum algoritmo que deu certo, mas também o conteúdo dos seus videos são muito bons. A sério! 

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Discutir "o melhor do mundo" é uma armadilha

Na semana após a consagração de Lewis Hamilton como campeão do mundo pela sexta vez, muitos começam a falar se ele é o melhor piloto de todos os tempos. Como é óbvio, para os fãs ele é o maior, e dizem que baterá todos os recordes de Michael Schumacher, final de discussão. Mas quem está metido neste meio sabe que não é bem assim. As "viúvas" sennistas são os mais conhecidos, mas há fãs do Schumacher, de Sebastian Vettel, do Fernando Alonso e de outras personagens do passado e do presente. E também existe os nostálgicos, bem como os que afirmam a pés juntos que Max Verstappen e Charles Leclerc irão dominar e no final das suas carreiras, apagarão o britânico dos seus registos.


Tenho experiência suficiente e poder de observação experimentado para afirmar que tipo de discussão é essa, e na segunda-feira dei por mim a falar no Twitter sobre o que tal significa: um veneno. Foi em reação a aquilo que o site Contos da Formula 1 falou sobre isso. Eles escreveram:


"Maldita mania do povo querer falar do "melhor da história da F1". Justo a F1, uma categoria que mudou tanto com o passar das décadas. Impossível, por exemplo, comparar Hamilton a Fangio ou a Clark. #ContosdaF1 #USGP"


Algumas horas mais tarde, escreveu estes quatro tweets, que decidi juntá-los por uma questão de espaço e coerência:

"Schumacher foi a quebra do paradigma das carreiras na F1. É a partir dele que a visão estratégica das corridas se torna algo obsessivo na categoria. Antes de Schumacher, Senna, um obcecado por recordes, queria a todo custo destruir todos os números da F1. O destino não quis que ele se aproximasse disso. Schumacher, sem admitir isso, foi lá e fez.


Hamilton segue a toada do alemão. E por isso vai bater as marcas dele. 

Não dá para comparar Hamilton a outros grandes da história da F1. Mas dá para observar claramente que ele absorveu a forma como Schumacher conduzia suas provas. E dá pra dizer: faz isso com uma naturalidade irritante. 

Quem é melhor: Hamilton ou Schumacher? No auge, difícil dizer. Mas considero Lewis mais talentoso e Michael mais inteligente."

É uma opinião. Respeitável, inteligente, válido, mas apenas isso: uma opinião. E sei perfeitamente - é o que dá ver este desporto há mais de 35 anos - que esta discussão sobre o paradigma "o melhor do mundo" é um veneno. Especialmente quando há pessoas que ainda acreditam em mitos. Um exemplo: a do piloto bom em carro bom. Ainda há quem jure que Ayrton Senna fazia milagres em carros "péssimos" como o Toleman TG184, de 1984 ou o McLaren MP4/8 de 1993. O que esquecem é que o primeiro foi desenhado por Rory Bryne, que mais tarde desenhou os carros da Benetton - a equipa foi comprada no ano seguinte por eles - e da Ferrari, a partir de 1996, a instigação de Ross Brawn e de... Michael Schumacher.

E o McLaren MP4/8 poderia ter motor cliente da Ford, uma evolução inferior a da Benetton, mas foi no inicio do ano. No final, eles forneciam a mesma evolução a ambas as equipas. E o sistema eletrónico da McLaren era superior ao da Benetton. E o talento do Senna em provas de transição seco-molhado em Interlagos e Donington Park fez o resto. E também tendem a esquecer que no final do ano, o McLaren era o melhor carro do pelotão, porque a Williams parou de desenvolver o seu FW15C para se concentrar no FW16. Uma espreitadela nos anuários do Francisco Santos confirma isso.

Mas estou a escapar do assunto inicial.

E que gostaria de dizer sobre este tópico é uma armadilha, e é tão tentador que é fácil cair nela - e o parágrafo anterior é indicativo dessa facilidade.


Voltando a ela, transcrevo o que falei sobre esse assunto na rede social (caso ainda não me sigam, o meu endereço é @speeder76):

"Discutir "o melhor da Formula 1" significa uma coisa, e apenas uma: armadilha. Porque todos temos o nosso favorito e ninguém quer ser visto como estando no lado do perdedor. É uma questão egoísta, de orgulho, quase de arrogância. 


Por isso fujo desse debate, porque é inútil.

Alguém discute o sexo dos anjos? Claro que não, porque é uma inutilidade. E é por isso que comparar Fangio, Clark, Stewart, Senna, Prost, Schumacher e Hamilton é uma idiotice. Todos foram bons. Todos. Sem excepção.

E depois... "Formula 1". Então, e o Tom Kristensen, multi-vencedor de Le Mans? Sebastien Loeb, 9 vezes campeão do mundo de ralis? A.J. Foyt, vencedor em Indianápolis, Le Mans e Daytona? Malcom Campbell, recordista de velocidade em terra? Excluídos porque nunca entraram num F1?
"

Se é assim, porque é que ainda há aqueles que voltam sempre à carga? "É uma armadilha atraente para muitos. Mas é uma bela cilada.", o pessoal do Contos da F1 respondeu.

Quem me conhece, sabe que escrevo bastante sobre a história do automobilismo. Já escrevi sobre a primeira corrida da sua história. Costumo escrever numa publicação sobre episódios dela, seja Formula 1, Ralis, Endurance, o que quer que seja. Conheço pessoal que faz a mesma coisa que eu. 

Mas depois, alarguemos os GOAT's (Greatest Of All Time, a versão inglesa) a outras modalidades. Desde os americanos - futebol, baseball, basketball, hóquei no gelo - até aos europeus, com o futebol, o "soccer". Ainda por cima, venho de um país que fez o seu GOAT, Cristiano Ronaldo, numa era onde temos outro, Lionel Messi. Mas viu os Ronaldinhos, o Diego Maradona, Johan Cruyff, etc. 

E tudo vai dar nas mesmas conclusões. Cada um teve o seu tempo, cada um foi excelente, e a discussão comparativa de um com o outro é inútil, como comparar o sexo dos anjos. Mas é tentador, e o melhor exemplo é ver as redes sociais e a imprensa falar sobre isso. É terreno fértil, é a melhor armadilha do qual adoramos cair. E confesso que caio por vezes. Pudera, é facílimo!

Mas no final é aquilo que disse atrás: todos temos o nosso favorito e ninguém quer ser visto como estando no lado do perdedor. Simples, fácil, claro, revelador. E como também dizem os americanos, "here's my two cents", a minha opinião.

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Noticias: Aprovação de Miami passa por dificuldades

A corrida de Miami está suspensa por algum tempo. A imprensa local anuncia hoje que os vereadores da assembleia de Miami-Dade votaram 7 a 6 para congelar os planos para a construção de uma pista à volta do Hard Rock Stadium para poder receber uma prova de Formula 1 a partir de 2021. Isto acontece uma semana depois de a assembleia municipal de Miami Gardens ter reprovado por unanimidade a ideia de ter uma corrida de Formula 1 na sua zona.

"Não é um punhado [de gente], não é apenas um pequeno grupo, você está falando de uma comunidade, uma comunidade residencial que se preocupa com o que acontece no seu local", disse Barbara Jordan, vereadora em Miami-Dade e um dos que votou contra a ideia.

Contudo, esta não é uma votação definitiva. Haverá novo voto, depois de uma audiência pública e consultas no sentido de se saber se haverá ou não aprovação quer da parte das assembleias de Miami Garens e de Miami-Dade, onde se situa o Hard Rock Stadium. Para além disso, segundo conta o "mayor" de Miami-Dade, Carlos Gimenez, este acordo fecha as portas de qualquer negociação para algum tipo de modificação necessária para satisfazer ambas as partes.

"A razão pela qual me oponho a isso é porque meio que fecha as portas de qualquer negociação", começou por afirmar, "mas acredito que podemos encontrar um terreno comum aqui. Nós podemos encontrar uma solução.

Resta saber quando é que acontecerá nova votação sobre este assunto, que acontece algumas semanas depois da Liberty Media ter fechado um acordo com os Miami Dolphins, donos da equipa de futebol americano que detêm os terrenos à volta do Hard Rock Stadium, e do qual boa parte do circuito será construido. Contudo, outra parte poderá passar por vias públicas, algo do qual está a ser passado nas assembleias da cidade, para possivel aprovação... ou não.

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Locais vs Formula 1: Teremos corrida em Miami?

Quando soube que a Liberty Media tinha feito um acordo com o dono dos Miami Dolphins para construir nos seus terrenos um circuito para acolher aquilo que poderá ser o Grande Prémio de Miami, disse que entre o papel a a realidade ia uma longa caminhada, e que as coisas poderiam ficar pelo caminho. Até discuti esse meu cepticismo com o João Carlos Costa, o narrador da Formula 1 na Eleven Sports, dando como exemplo o inferno que foi ao Inter Miami, o clube de futebol do David Beckham anda a construir para a Major League Soccer, de arranjar um lugar onde ele poderia construir o seu estádio de futebol.

Pois bem, o meu cepticismo tem fundamentos bem fortes. E a ajudar isso foi este artigo da Jalopnik, datado de quarta-feira, onde se fala da polémica entre moradores, que não estão a favor desta corrida nas ruas da cidade mais populosa do estado da Florida, e o pessoal da Liberty Media, que chegaram a propor uma petição... a favor da prova! Tudo isto para saber se em maio de 2021 iremos ou ter os carros de Formula 1 à volta do estádio dos Miami Dolphins.

Como todos sabem, o acordo está feito, mas está sujeito a aprovação do Miami-Dade County Comission, que dirá se ambas as partes cumprem com os requisitos. Mas alguns moradores já lançaram uma petição a pedir o chumbo do acordo, que tem agora... uma contra-petição, da parte dos Miami Dolphins, para permitir que a Formula 1 venha para o seu local, que se pode encontrar no site oficial do Hard Rock Stadium.


Nesse site, existem algumas cartas já escritas, do qual só tem de preencher o nome do interessado, cujo conteúdo é algo como este:

A carta para a Miami Gardens, onde está situado o Hard Rock Stadium.

Caro [coloque nome do receptor]


"Residentes como eu elegem nossos funcionários para fazer o melhor para toda a [nossa] comunidade. No momento, temos o Super Bowl do automobilismo pronto para entrar na nossa comunidade - Fórmula 1. Mas alguns moradores que serão afetados por um curto período de tempo estão tentando pará-lo. Por favor, trabalhe para encontrar uma solução. Recusar grandes eventos como a Fórmula 1 é terrível para a nossa comunidade como um todo. Somos uma comunidade de classe mundial e devemos ser capazes de sediar eventos de classe mundial. Por favor, trabalhe e aprove a Fórmula 1. Vamos precisar desses empregos e do dinheiro [proveniente] do turismo."

E uma semelhante para o Conselho Municipal de Miami-Dade.

"Caro [posição do destinatário vai aqui] [sobrenome do destinatário vai aqui],

Música ao vivo, entretenimento e eventos desportivos oferecem boas oportunidades para nós no sector de hospitalidade (motoristas de Uber para hotéis), obtemos uma renda adicional, pois esses eventos criam uma enorme procura nos serviços de partilhamento de viagens. Durante a semana que antecede um grande evento como o Art Basel ou o Super Bowl, os táxis e os motoristas da Uber serão capazes de ganhar o que normalmente levaria quase um mês para entrar. Como o Grande Prémio de Fórmula 1 em Miami será uma oportunidade incrível para todos nós ganharmos mais dinheiro com mais visitantes na cidade, exorto fortemente que você faça da Fórmula 1 uma realidade para Miami-Dade!"

Sinceramente


As cartas são relativamente agressivas em termos de "defender a sua dama" porque o outro lado também está a levar a sua adiante da mesma forma. De acordo com o jornal "Miami Times", eles irão protestar em todos os jogos da equipa até fevereiro, alturas do Super Bowl, que vai acontecer... em Miami, no Hard Rock Stadium.

Pode-se pensar que tudo isso é uma tempestade num copo de água, especialmente quando o circuito ai ser construído maioritariamente em terrenos privados. Mas eles também querem usar partes de uma importante avenida da cidade, e isso vai mexer com autorizações comunitárias, e caso seja aprovado, irá perturbar o trânsito durante quase uma semana. E isso mexerá com os habitantes, para além do barulho e poluição que poderá causar. E essas coisas poderão pesar mais que todo o dinheiro que possam ganhar com uma realização destas.

A ver vamos. Cenas dos próximos capítulos que serão escritas no próximo ano. 

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Noticias: Renault não vai apelar da desclassificação no Japão

Depois de ontem a FIA ter dito que o sistema de travões da Renault estar fora dos regulamentos, e em consequência, serem desclassificados, a marca do losango decidiu não recorrer da decisão. Apesar de chamar à desclassificação "desproporcionada e inconsistente com decisões anteriores", decidiram "não prolongar um debate estéril" por não ter "nada de novo para mostrar".

No comunicado oficial da marca, afirmaram o seguinte:

"Lamentamos a decisão dos Comissários e, em particular, a severidade da sanção aplicada. Na nossa opinião, a penalidade não é proporcional a qualquer benefício obtido pelos pilotos, principalmente quando utilizados no contexto de um sistema confirmado como totalmente legal e inovador", começou por dizer. 

"Também é inconsistente com as sanções anteriores por violações semelhantes, como reconhecidas pelos Administradores em sua decisão, mas expressas sem argumentação adicional. No entanto, como não temos novas evidências para trazer além daquelas já produzidas para demonstrar a legalidade do nosso sistema, não desejamos investir mais tempo e esforço em um debate estéril em frente ao Tribunal Internacional de Apelação sobre a apreciação subjetiva, e, portanto, sanção, relacionada a um auxílio que reduz a carga de trabalho do piloto sem melhorar o desempenho do carro. Decidimos, portanto, não recorrer da decisão dos comissários", continuou.

"A Fórmula 1 sempre será uma arena para a busca incansável das menores oportunidades possíveis de vantagem competitiva. É o que sempre fizemos e continuaremos a fazer, embora com processos internos mais fortes antes que soluções inovadoras sejam colocadas no caminho certo", concluiu.

Recorde-se que Daniel Ricciardo e Nico Hulkenberg ficam ambos classificados nos pontos, respectivamente no sexto e décimo posto da geral. A contestação foi feita pela Racing Point, do qual a FIA deu-lhes razão, retirando-lhes os nove pontos que ganharam nessa corrida.

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Noticias: Renault desclassificados do GP do Japão

Os Renault foram desclassificados do GP do Japão. A FIA decidiu esta quarta-feira que deu razão à queixa da Racing Point, que reclamava do seu sistema de travões, que achava irregular. A reclamação feita pela equipa de Lance Stroll e Sergio Perez afirmava que a Renault conta com um "sistema de travões pré-definido de ajuste de tendência baseado na distância das voltas" nos dois carros. Por outras palavras, um sistema de travões com ajuste automático, que é ilegal.

No comunicado oficial da FIA, a entidade explicou as decisões tomadas sobre este caso. Apesar de dizerem que o sistema em si cumpre os regulamentos, é classificado como um auxílio do piloto.

"Os comissários examinaram os documentos entregues ao Departamento Técnico da FIA. O relatório está de acordo com a ordem dada aos comissários na audiência de 13 de outubro de 2019. Algumas partes são confidenciais, porque avaliam informações que precisam ser protegidas. Os resultados da parte confidencial foram cuidadosamente incorporados nos documentos acessíveis a todas as partes. Os especialistas da FIA examinaram as versões do software da Renault usadas durante o GP do Japão, versões de informações descarregadas diretamente no carro, assim como verificou os controles do travão traseiro do carro, botões no volante e as informações no visor. Todas as conclusões dos especialistas estão bem estruturadas e explicadas sem mostrar fraquezas lógicas.

Assim, depois de revisão detalhada, os comissários concordam com os resultados e afimam:

- O software controlador do travão traseiro usado pela Renault é parte integral do sistema de controle referido no Artigo 11.0 das regras da FIA. Desta forma, está usado de acordo com o Artigo 11.1.3 e 11.1.4 das regras da FIA.

- O sistema de controle descrito não é ajustado com antecedência e dependente da distância da volta, como alegado.

- Os pilotos da Renault utilizam botões colocados no volante para controlar o equilíbrio dos freios de acordo com o Artigo 8.6.3 das regras técnicas da FIA. Estes estão conectados ao ECU padrão da FIA.

- Com tudo isso, os comissários concluem que, apesar da Renault ter utilizado soluções inovadoras para explorar certas ambiguidades das regras técnicas e outros documentos, o sistema deles não infringe nenhuma regra técnica.

“[Contudo], o sistema de ajuste da balança de freio em questão atua como um auxílio ao motorista, evitando que o motorista precise fazer vários ajustes durante uma volta. Os comissários observam que há uma distinção clara entre esse sistema e um que fornece controle real de feedback, que poderia substituir as habilidades ou reflexos do piloto. No entanto, ainda é um auxílio e, portanto, viola o Artigo 27.1 da FIA."

Assim sendo, Daniel Ricciardo, que foi sexto, e Nico Hulkenberg, o décimo, foram desclassificados, e os maiores beneficiados foram... os Racing Point, que coloca Perez no oitavo posto e Stroll no nono. Contudo, a equipa do losango tem até amanhã ao final da tarde para apelar da decisão.

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

A imagem do dia

A Formula 1 sempre foi um antro de técnica, onde as equipas sempre procuraram uma maneira de se superarem umas às outras. Algumas chama a isso que "vantagem injusta", tanto que Mark Donohue usou isso como título do seu livro sobre o automobilismo e os seus aspectos técnicos. 

A genialidade de algumas pessoas, como Colin Chapman, Adrian Newey, Ross Brawn, Rory Bryne, Gordon Murray e outros, foi de pegar no regulamento técnico e achar uma maneira de contorná-lo, tentando encontrar algo que, não sendo ilegal, não tinha sido contemplado, e do qual pudessem aproveitá-lo, se fosse vantajoso para eles.

Contudo, quando estas coisas colidiam com os regulamentos, a entidade definia a sua dimensão, por vezes com margens de tolerância bem pequenas. Foi o caso dos pontões laterais, que estavam aparentemente fora do regulamento por 1,2 milimetros. A FIA desclassificou-os, dando a vitória a Mika Hakkinen e praticamente resolver o campeonato a favor do finlandês da McLaren. A Ferrari resolveu recorrer à FIA, e uma semana depois, em Paris, esta mostrou que ela estava dentro do limite tolerável e não houve um aumento significativo de performance em ambos os carros... apesar de terem feito dobradinha.

A FIA ouviu os argumentos e decidiu a favor da Ferrari. Claro, o "FIA - Ferrari International Assistance" surgiu de imediato, quando a sentença foi ouvida, mas o mais interessante é que no Japão, esses "bargeboards" não foram usados e o resultado foi aquele que soubemos...

Mas por uma semana, a decisão do título na Formula 1 esteve pendente de uma decisão da secretaria. E de como certas insinuações podem fazer a diferença.

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Haverá rali na Catalunha?

Por muito que o automobilismo não queira ter a ver com politica, não pode fugir dela. E isso se passa por estes dias na Catalunha, onde na segunda-feira, a população está a sair à rua às centenas de milhares da cada vez, depois da sentença aplicada aos líderes independentistas, o mais duro dos quais foi a Oriol Junqueras, condenado a treze anos de prisão pelo crime de sedição. E desde esse dia, vemos nos telejornais o que se passa: manifestações diárias em Barcelona e noutras cidades, muitas delas acabando em confrontos com a policia.

E a isso poderá não escapar os acontecimentos desportivos. O Barcelona-Real Madrid, marcado para o dia 26, à uma da tarde, poderá ou ser alterado ou adiado, e o Rali da Catalunha, cuja partida é em Salou, não muito longe da cidade condal, poderá ser afetado.

Apesar de hoje ter sido a conferência de imprensa do rali e de todos terem passado um ar de normalidade perante os acontecimentos, com Amán Barfull, o Director Desportivo do RACC, a assegurar que "em caso algum ponderamos a anulação da prova", não deixa de haver preocupações.

"Se tivéssemos uma super-special em Barcelona, possivelmente teríamos problemas. Como este ano não se faz, não estamos preocupados," revelou Barfull, que não excluiu contudo a necessidade de ter de cancelar um ou outro troço durante a prova, caso as circunstâncias se perfilem nesse sentido.

O Rali da Catalunha, penúltima prova do mundial de ralis de 2019, disputa-se de 24 a 26 de Outubro e poderá ser o local onde Ott Tanak se sagre campeão do mundo do WRC, ao volante do seu Toyota Yaris WRC.