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sexta-feira, 12 de junho de 2020

A imagem do dia

Jackie Stewart a caminho da sua vitória número 25 nas ruas do Mónaco, no seu Tyrrell 006. Eu sei que o aniversário dele foi ontem, mas passei esta semana a ler a sua autobiografia, "Winning is Not Enough", onde ele fala da sua vida desde a sua infância, passando pela sua carreira competitiva, a sua dislexia, a sua luta pela segurança nos circuitos, e depois as suas carreiras como comentador televisivo, e conselheiro para marcas como a Ford, Goodyear, Elf e Rolex.

O que hoje queria trazer para aqui, nesta semana de aniversário, do qual me dediquei a ler a sua autobiografia, foi o ano de 1973. Jackie Stewart, bicampeão do mundo, era, aos 34 anos, uma pessoa desgastada. Tinha estado parte do ano de 1972 na cama, doente, por oito semanas, por causa de uma monocelulose, e depois, uma úlcera duodenal. Apenas perdeu uma corrida, é verdade, mas de uma forma, isso contribuiu para a perda do título para Emerson Fittipaldi, no seu Lotus 72.

Em 1973, parecia que Fittipaldi ia a caminho do seu segundo título mundial. Em abril, o brasileiro tinha ganho na Argentina e no Brasil natal, contra um triunfo seu em Kyalami, depois de uma qualificação desastrosa, onde bateu com o seu carro e apenas largou de 16º na grelha.

A 24 de abril, Stewart convidou para um almoço em Londres três pessoas de sua confiança: Ken Tyrrell, seu patrão e bom amigo, Walter Hayes, o presidente da Ford Europa, antigo jornalista e depois convenceu a fábrica a investir 300 mil libras no projeto do Cosworth DFV V8, que ando depois disse quer tinha sido o dinheiro melhor gasto na história do automobilismo, e John Wadell, outro executivo da Ford. 

"Depois de um certo tempo, disse 'Meus senhores, convidei-os [aqui] porque queria que fossem os primeiros a saber que irei retirar-me no final desta temporada. Nada direi em público, e eu sei que respeitarão isso, nas queria que soubessem [disso].'"

Olhei à volta e senti que a noticia não tinha sido acolhida com particular surpresa. Ken, aparentente, falou por todos os outros, afirmando que queria persuadir para continuar. 'Mas', ele concluiu com um sorriso, 'não vou fazer isso. Sempre foi uma decisão tua, e de mais ninguém. Agora que tomaste a decisão, não há problema. Só quero agradecer que esta não é uma decisão imediata e vais completar a temporada connosco'".

Senti que me tiraram um enorme peso nas minhas costas, e eu sai do lugar sentindo-me quase eufórico porque, depois de meses de incerteza, sabia categóricamente que tinha tomado a decisão correta. 

Decidi não contar nada a Helen [Stewart, sua mulher]. Foi difícil. Não queria colocá-la na posição horrível de contar as corridas que faltavam até ao final da temporada, como se estivesse a contar as garrafas na parede e sempre pensando se, como diz a canção, uma das garrafas 'caísse acidentalmente'. Para além disso, se dissesse a ela, a sua lógica seria porque não retirar de imediato e assim evitaria mais riscos desnecessários. Depois teria de lhe dizer que tinha prometido a Ken que iria completar a temporada, e isso iria ser um problema. Assim sendo, não disse nada a Helen e os rapazes, e nada disse a Francois Cevért porque as noticias poderiam confundir a sua concentração.

Ninguém mais teria de saber. A decisão tinha sido feita e, disse para mim mesmo, precisava de me concentrar na minha condução e olhar para o que restava para aquela que iria ser a minha última temporada. Estava determinado a gozá-la, talvez aproveitá-la para saborear a atmosfera de cada corrida e cada circuito. De uma certa forma, tomar esta decisão cedo na temporada criou a preciosa oportunidade de, como diz o ditado, 'cheirar as rosas'.

O segredo foi respeitado por todos. A descontração com o qual encarou as corridas que faltavam quase lhe custou uns acidentes bem feios. Na volta de desaceleração para o GP do Mónaco, onde venceu depois de uma luta imensa com Emerson Fittipaldi, ambos se tocaram na saída do túnel, quase acabando no muro.

Mas depois, vitórias na Holanda e Alemanha, no mesmo lugar onde cinco anos antes, vencera debaixo de chuva e nevoeiro, numa das provas mais épicas da história do automobilismo, o deram o campeonato, o terceiro da sua carreira e um final que poderia ter sido apoteótico, se não fosse os eventos de Watkins Glen.

Essa, conto depois.    

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Youtube Formula 1 Video: Os dez melhores dos anos 60

O Josh Revell está a fazer uma contagem sobre os melhores pilotos de cada década e agora, chegou aos anos 60 do século XX, ou seja, a segunda década da Formula 1, onde muitos dos pilotos que admiramos correram nessa era. Claro, o numero um têm o seu lugar garantido, e o seu bom humor está bem intacto, especialmente com as descrições sobre Denny Hulme, Dan Gurney, Graham Hill e um certo pretendente à Tripla Coroa...

Enfim, vale a pena.

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

A imagem do dia

Sobre esse dia, tenho uma história pessoal. Na semana anterior a essa corrida, recebi de graça um exemplar da Auto Hoje (não existe mais), que tinha nessa altura em concurso a decorrer, ao estilo "Formula 1 Fantasy", onde tínhamos de apostar nos seis primeiros de determinado Grande Prémio, e se acertasses, receberias o dobro dos pontos, ou algo assim.

Não o jogava regularmente, mas naquela semana decidi fazê-lo, um pouco no espírito do "não tenho nada a perder". E daquilo que me lembro, coloquei Rubens Barrichello no pódio, com Ralf Schumacher em quarto. Sabia que os Stewart estavam em forma naquele ano, e também sabia que o tempo no circuito alemão, em setembro, era incerto.

E assim foi. Quem se lembra daquela tarde, sabe mais ou menos o que aconteceu. Desde a pole-position de Heinz-Harld Frentzen, que bateu os McLaren no último minuto, até ao acidente assustador de Pedro Diniz, onde o seu roll-bar (ou Santo António, para os brasileiros), se quebrou e apenas a terra impediu de ter tido consequências mais graves, até as trocas de pneus da Ferrari e da McLaren dignas de Benny Hill. E na parte final, a desistência de partir o coração de Luca Badoer, que tinha um quarto lugar garantido, até que a caixa de velocidades o deixou na mão e acabou a chorar ao lado do seu carro, desconsolado com a oportunidade a voar.

E no final, Johnny Herbert e Rubens Barrichello no pódio, com Stewart entre eles, e o velho escocês a entrar num clube raro: o dos pilotos que se tornaram construtores e acabaram vencedores. Brabham, McLaren e Eagle tiveram isso com os seus fundadores como pilotos, Brabham foi até campeão do mundo no seu próprio carro, enquanto Stewart conseguiu sê-lo muitos anos depois de ter pendurado o capacete. E outros, como Fittipaldi e Prost, não venceram, mas subiram ao pódio. O brasileiro foi o único que o fez como piloto, Prost foi como o escocês, depois de ter encerrado a sua carreira.

Os resultados da Stewart naquele ano foram o mote para que a Ford avançasse para a aquisição da equipa por 70 milhões de dólares. Dado curioso: Stewart, como bom escocês que era, não investiu um único tostão da sua fortuna pessoal, e acabou multimilionário! O resultado dessa venda foi a Jaguar. E se quiserem ir mais longe, poderemos dizer que esta foi a primeira vitória da Red Bull...

E o final da minha história pessoal? Naquela semana foi o terceiro classificado no tal concurso e ganhei cem euros de prémio... 

domingo, 25 de agosto de 2019

A imagem do dia

A "Santissima Trindade", no fim de semana do GP de Itália de 1973, nesta foto irada por Bernard Cahier: Ken Tyrrell, o lenhador que sabia dirigir uma equipa, Derek Gardner, o homem que desenhou chassis vencedores e inovadores, e Jackie Stewart, o piloto que os levou a vitórias e campeonatos. 

Tyrrell, ou o "tio Ken", morreu faz hoje 18 anos, a 25 de agosto de 2001, aos 77 anos. Tinha vendido a sua equipa quatro anos antes, depois de 27 anos de bons serviços ao automobilismo. É certo que a sua equipa era uma pálida sombra do que tinha sido a partir de 1983, altura da sua última vitória, mas entre 1970 e 1978, era uma marca a ter em conta, graças aos motores Cosworth e aos chassis desenhados por Gardner, como o 003, de 1971, e os 005/006, de 1973, bem como P34 de seis rodas, guiado por Jody Scheckter e Patrick Depailler.

Nascido a 3 de maio de 1924, no Surrey britânico, serviu na II Guerra Mundial, foi comerciante de madeira e piloto de Formula 3 e Formula 2, antes de em 1959, decidido ser diretor desportivo de uma equipa de Formula Junior. E foi ali que, em 1963, descobriu Jackie Stewart e viu o talento que ele tinha para guiar um carro de corridas, desconhecendo que era... disléxico.

Em 1968, arranjou um contrato para ter os motores Cosworth DFV (Double Four Valve) e aproxiou-se da Matra no sentido de ficar com o seu chassis e dirigir a sua equipa de Formula 1. Em troca, teriam também um bom piloto, Stewart, que tinha saído da BRM no final da temporada anterior. A parceria deu frutos em 1969, com o MS80 e o primeiro título mundial do piloto escocês, mas a Matra queria que ficassem com o V12 francês. Tyrrell resolveu encomendar chassis March para 1970, como medida provisória, antes de fabricar o seu, que estreou no GP do Canadá daquele ano... com uma pole-position.

Até 1973, Tyrrell e Stewart foram uma parceria vencedora. Mas quando a 6 de outubro de 1973, o francês Francois Cevért sofreu o seu acidente fatal e Stewart aproveitou para pendurar de vez o capacete, com o terceiro título mundial no bolso e 27 vitórias no currículo, foi o separar de águas em relação ao resto da carreira. 

Um bom exemplo é a "lenda" que se conta em relação a Ronnie Peterson. Quando ele apareceu para dar as suas primeiras voltas no P34 de seis rodas, ele afirmou: "nunca vencerei ao volante deste carro". Verdade ou não, venderam-se camisetas com essa frase, e o sueco só conseguiu um pódio em 1977.

De tão agarrado a uma formula vencedora, Tyrrell não viu o futuro: desprezou os Turbos até ser bem tarde, em meados da década de 80, que para diminuir os 220 cavalos de diferença, recorreu à trapaça. Como resultado, a então FISA excluiu-os do Mundial de 1984. Meteu um Renault Turbo no ano seguinte, mas só voltou a um pódio em 1990, com Jean Alesi e o 019, o primeiro carro com frente levantada, obra do génio Harvey Postlethwaite

Com o aumento de custos, e sem ninguém a querer continuar onde deixou, Tyrrell venceu a equipa em 1997 para a British American Tobacco, que virou BAR em 1999. Antes de morrer, ainda foi presidente do prestigiado British Racing Drivers Club, com sede em Silverstone. A grande ironia é que o seu descendente direto virou Brawn GP em 2009 e a partir do ano seguinte, Mercedes GP, que desde 2014... domina a Formula 1.

É... o mundo dá voltas, Tio Ken.

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

No Nobres do Grid deste mês...

Há meio século, as pessoas estavam com os olhos postos na maior aventura da Humanidade, com a missão do Apolo 11, levando os astronautas Neil Armstrong, Edwin "Buzz" Aldrin e Michael Collins. Iam para a Lua, a bordo da mais poderosa máquina jamais lançada ao espaço, o Saturno V e essa aventura, que acontecia 65 anos depois dos irmãos Wright terem lançado o seu aeroplano nas dunas da praia de Kitty Hawk, na Carolina do Norte, era um feito incrível que colocava todos a olhar para as estrelas e o nosso satélite natural.

Contudo, durante esse período, no circuito de Silverstone, tínhamos assistido a um dos melhores duelos na história do automobilismo, com duas das melhores máquinas de então e dois dos melhores pilotos do seu tempo. Hoje em dia, poucos se lembram disso, e no tempo em que recordamos a chegada dos humanos à Lua, falo sobre Jackie Stewart e Jochen Rindt, as suas máquinas e uma tecnologia que se andava a experimentar e resultou num falhanço: as quatro rodas motrizes.

(...)

Na qualificação, Rindt foi o poleman, com Stewart em segundo e o McLaren de Dennis Hulme em terceiro. Jacky Ickx, que naquela temporada estava na Brabham, era o quarto, seguido pelo Ferrari de Chris Amon. Apenas 17 pilotos estavam inscritos, e os carros de quatro rodas motrizes estavam no fundo da grelha: os quatro últimos postos eram deles.

A corrida iria ter 84 voltas, quase 400 quilómetros de extensão, percorridos em cerca de duas horas.

Na partida, Stewart e Rindt começaram o seu duelo à parte. Tanto que no final da primeira volta, já tinham um avanço de três segundos sobre Hulme. Na volta três, o recorde da pista tinha sido batido, e na sétima passagem pela meta, o escocês estava na frente. Mas Rindt não iria render-se facilmente. Na volta 16, quando ambos apanharam o carro de Beltoise para dar uma volta, Rindt aproveitou a ocasião para voltar à frente da prova.

Rindt tentava distanciar-se do Matra, mas não conseguia. Ambos andavam na casa do 1.22 minutos, e Stewart não perdia um chance de o apanhar, com ultrapassagens constantes, por vezes mais do que uma por volta. E claro, a multidão adorava ver aqueles pilotos a passaram velozmente diante deles.

(...)

Há 50 anos, enquanto o mundo estava atento à maior aventura da história da Humanidade - pelo menos até agora - em Silverstone, Jackie Stewart e Jochen Rindt batalhavam pela liderança no GP da Grã-Bretanha, um duelo que capturou a atenção de toda a gente que foi ao circuito ver o duelo, mais os que conseguiram ver a corrida na televisão, a preto e branco - a cor só apareceu no ano seguinte.

No final, Stewart venceu, dando uma volta à concorrência, mas isso não foi reflexo do que aconteceu verdadeiramente naquela tarde. O duelo com Rindt aconteceu até meio da corrida, quando o austríaco teve problemas com um elemento do chassis, que roçava um dos pneus, arriscando explodir. O piloto da Lotus acabou no quarto lugar, fora do pódio, num campeonato onde Stewart dominou e conquistou o seu primeiro campeonato. Rindt conseguiu uma vitória, em Watkins Glen, antes de aparecer o modelo 72 e ter a sua temporada de sonho, terminada tragicamente em Monza.

Tudo isto e mais pode ler este mês no Nobres do Grid. 

sexta-feira, 19 de julho de 2019

A imagem do dia

Há meio século, o mundo olhava para cima. Tinha visto partir o gigantesco Saturno V, rumo à Lua, cumprindo o sonho de toda uma Humanidade, e torcia para ver Neil Armstrong e Edwin "Buzz" Aldrin a tocar o satélite da Terra e voltar são e salvo, cumprindo a promessa do presidente John F. Kennedy de o fazer antes do final dessa década, e do qual 400 mil americanos se tinham empenhado.

Mas na Terra havia coisas para ver. E num canto do Reino Unido, melhor ainda, com o GP britânico, que naqueles tempos reservava os anos pares a Brands Hatch e os impares a Silverstone. E viu aquilo que provavelmente foi um dos melhores duelos da história do automobilismo, e do qual poucos se lembram porque na altura, a televisão não tinha tanto impacto como tem agora. E a BBC já transmitia a cores... mas não nesse ano. Só em 1970 é que o fez.

Jackie Stewart dominava a temporada com o seu Matra MS80, com o motor Cosworth que Ken Tyrrell tinha arranjado, e do qual entraram em acordo com a marca francesa para poder usar no carro do escocês, no seu compaheiro de equipa, Jean-Pierre Beltoise, e Johnny Servoz-Gavin ficava com o horrível MS84 de quatro rodas motrizes, a obsessão da engenharia de há meio século.

O rival de Stewart era Jochen Rindt, que queria ser campeão do mundo com a Lotus e estava disposto a apostar a sua própria vida para fazê-lo. Sofreu bastante com o acidente em Montjuch, e por causa disso a sua relação com Colin Chapman era tensa, e nunca deixava de mostrar isso, sempre que tinha uma oportunidade. Felizmente para ele, o modelo 49 era bom, mas quando chegou a Silverstone, ele tinha... zero pontos. Contra os 36 do escocês, e quatro vitórias, três consecutivas.

Mas a corrida foi fantástica. Ambos trocaram constantemente de posições, como se estivessem a zero. Stewart poderia ter sido pragmático e deixado ir embora o austríaco e acumulando pontos para um campeonato que já era seu. Mas não quis. Poderia não ter dito nada quando viu o Lotus do seu adversário com problemas no seu fundo e deixado que quebrasse, mas fez o contrário, ao assinalar que ele tinha problemas e ir às boxes. O problema foi resolvido, mas depois perdeu uma volta e acabou em quarto lugar, conseguindo assim os seus primeiros pontos do campeonato. Eram tempos diferentes, simplesmente.

No final, Stewart ganhou pela quarta vez seguida, quinta vitória da temporada em sete corridas e uma temporada que era cada vez mais sua. Os espectadores ficaram felizes com o espectáculo que tinham visto, e se calhar alguns tinham consciência de que era um aperitivo para aquilo que iriam ver no dia seguinte, a algumas centenas de milhares de quilómetros dali. O tal pequeno passo para uma pessoa, e o grande salto na Humanidade.

terça-feira, 9 de julho de 2019

Youtube Motorsport Video: Uma homenagem a Jackie Stewart


Jackie Stewart faz 80 anos e foi homenageado em Goodwood pela sua carreira. E no fim de semana do GP britãnico, 50 anos depois do seu duelo com Jochen Rindt - e vitória - para além do seu primeiro título mundial, e o piloto escocês decidiu fazer um video para o seu "eu" mais jovem, falando sobre as suas virtudes e erros.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Youtube Formula 1 Video: Os melhores momentos de Jackie Stewart

Jackie Stewart fez ontem 80 anos e a Formula 1 decidiu fazer um video sobre os seus grandes momentos, de um tempo que não existe mais. Dos cinco que eles escolheram, todos aconteceram entre 1968 e 1971, e incluem dois duelos com Jochen Rindt, em 1969 - Grã-Bretanha e Itália - bem como o GP de Espanha de 1970, a primeira vitória da March na Formula 1.


terça-feira, 11 de junho de 2019

A imagem do dia

Jackie Stewart comemora hoje 80 anos de idade. Uma das maiores lendas vivas do automobilismo, e praticamente um dos últimos moicanos de uma era "romântica", o escocês, tricampeão do mundo e em boa parte da sua carreira fiel a Ken Tyrrell, o seu maior legado, e aquele que mais o defende não são as suas 27 vitórias, conquistadas em 99 Grandes Prémios entre 1965 e 1973, ou os seus três títulos mundiais. E o de tornar o ambiente mais seguro, para ele e para os seus colegas de profissão.

E tudo aconteceu numa tarde chuvosa de 1966, em Spa-Francochamps.

Quem quer saber - mais ou menos - como foi essa corrida, recomendo que assistam a um filme chamado "Grand Prix", pois eles registaram boa parte dessa ação, de como aquela zona do leste da Bélgica, as Ardenas, tem um microclima que favorece as tempestades súbitas. E nesse ano de 1966, onze carros focaram de fora da corrida logo na primeira volta, enquanto o único sobrevivente tinha sido o Ferrari de John Surtees.

Dos que acabaram na berma, o escocês, então na BRM, foi o que sofreu mais. Ficou preso no seu carro, enquanto havia uma fuga de gasolina, e esta vertia para o seu cockpit, onde ele não se podia mexer porque o seu volante não era amovível, e os estragos causados pelo acidente tinham, para além das sequelas físicas - ombro deslocado e fraturas nas costelas - corria o risco de ver tudo aquilo pegar fogo, o que seria o seu fim.

Anos depois, na sua autobiografia, o escocês contou os pormenores desse dia:

Eu devia ir a uns 265 km/hora quando o carro entrou em acquaplaning e perdi o controlo. Primeiro bati contra um poste telegráfico e depois entrei na fazenda de um lenhador e acabei na cave exterior de uma propriedade. O carro ficou todo retorcido, comigo preso dentro dele. O tanque de combustível tinha rebentado internamente e o monocoque estava todo cheio de gasolina, que enchia o cockpit, O painel de instrumentos fora arrancado e encontrado a uns 200 metros do carro, mas a bomba de gasolina elétrica continuava a funcionar. Não conseguia retirar o volante e não conseguia sair dali.”

O primeiro a socorrer foi o seu companheiro de equipa Graham Hill. Ele contou na altura como foi o resgate: 

A primeira coisa que fiz foi desligar tudo para a bomba não puxar mais gasolina para dentro do carro e para não haver o perigo de alguma faísca. A gasolina estava a queimar o Jackie, isso pode até arrancar a pele de uma pessoa somente pela reacção química. Tentei levantá-lo, ele estava atordoado e queixava-se de dores no ombro. Foi quando vi que tinha de retirar o volante para o retirar, mas estava preso contra as suas pernas. Corri para pegar uma caixa de ferramentas junto de um comissário. Foi então que conseguimos tirar o Jackie do carro e ficar seguros que o BRM não se ia transformar numa tocha."

"Levamo-lo para uma propriedade e despimo-lo. Não chegavam os socorros, pelo que telefonei de um posto de comissários. Quando as enfermeiras chegaram, a primeira coisa que fizeram foi tapar o Jackie com o seu próprio macacão ensopado em gasolina! Foi uma luta com elas, que estavam mais preocupadas com a nudez do que com a saúde dele”, referiu.

Stewart continuou depois o seu relato: “No meio delírio, nem sei mesmo se elas lá estiveram. Tinha magoado o pescoço, deslocado o ombro e fracturado costelas, com mais umas contusões nas minhas costas. No entanto, a minha maior preocupação era estar ensopado em gasolina. No fim, tive queimaduras e a toda a minha pele caiu."

"O edifício para onde fui levado, um tal de centro médico mas na realidade mais parecia uma lixeira, com pontas de cigarros e porcaria. Meteram-me numa ambulância e levaram-me para o Hospital de Liége, ainda longe. Para piorar as coisas, o condutor da ambulância perdeu-se da escolta policial e não sabia o caminho. Apesar de todos estes precalços, seis horas após o acidente, estava no Hospital de St. Thomas, graças a Louis Stanley [patrão da BRM]”, concluiu.

Depois de recuperar das suas feridas, Stewart decidiu levar uma chave de fendas no seu carro para retirar o seu volante em caso de acidente, com instruções nas línguas dos países onde iriam correr. O resto veio por acréscimo, como cintos de segurança, volantes removíveis e capacetes integrais, para além de uma ambulância médica, para socorrer os pilotos no local, em caso de acidente. Surgiu a GPDA, Grand Prix Drivers Association, e foram os pilotos que decidiram onde é que deveriam correr. E em 1971, o velho Spa-Francochaps, com 14 quilómetros de extensão, foi vetado para as corridas de Formula 1. Quando voltou, doze anos depois, foi numa ersão bem mais curta e mais segura.

E tudo graças a pilotos como Jackie Stewart. Feliz Aniversário!

domingo, 9 de setembro de 2018

A imagem do dia

Ken Tyrrell celebrando em Monza uma corrida que... começou mal para ele. É que Jackie Stewart tivera um furo que o fez arrastar-se para as boxes e regressar à pista no final do pelotão. Contudo, no final, acabou em quarto e com a volta mais rápida, e com Ronnie Peterson a vencer a corrida em detrimento de Emerson Fittipaldi, o escocês de 34 anos acabou por ser o campeão do mundo, pela terceira vez na sua carreira.

O Möet et Chandon poderia não estar aberto no momento em que Bernard Cahier tirou a foto, mas de certeza que o abriu depois, para comemorar aquele verão perfeito que tiveram. Ao ver os azares de Emerson na Lotus, as vitórias em Zandvoort e Nurburgring, o segundo posto em Zeltweg, com Fitipaldi a desistir enquanto seguia na liderança, tudo correu bem para as suas cores, para que a regularidade do escocês levar a melhor.

Agora, a partir daquele momento, havia uma dúvida: Stewart ficaria para 1974? Ele nada dissera ao longo do verão e os rumores aumentavam mais e mais. Somente o novo campeão sabia da decisão, que já havia tomado. E apenas o "tio Ken" sabia, mas calava-se, esperando que ele fosse o primeiro a dizer.

Quanto a Stewart, já tinha quase uma década de Formula 1 ao mais alto nivel. Batera recordes e era o melhor piloto do pelotão. E tinha um chance de ouro de sair pela porta grande, como fizera Juan Manuel Fangio quinze anos antes. Mas tinha de ser ele a dizê-lo, sobre o que iria fazer da sua vida. Agora imaginem isso nos dias de hoje: todos agarrados ao Twitter para saber se ele ia embora ou não... 

domingo, 19 de agosto de 2018

Youtube Formula One Classic: 1973, GP da Áustria


Duas semanas depois de Jackie Stewart ter vencido de forma convincente o GP da Alemanha, em dobradinha com Francois Cevért - segunda consecutiva da Tyrrell - máquinas e pilotos estavam em Zeltweg para o GP da Áustria, numa altura em que o campeonato começava a ser decidido a favor do piloto escocês. E Emerson Fittipaldi tinha aqui a sua última grande chance de alcançar o escocês no comando.

Aqui coloco, ao vivo e a cores - sem narração - a corrida completa do campeonato de 1973, onde José Carlos Pace iria obter pela segunda corrida consecutiva a volta mais rápida, e o seu primeiro pódio, um terceiro posto com o seu Surtees, atrás apenas do vencedor, o sueco Ronnie Peterson, e do segundo classificado, Jackie Stewart

Eis a corrida na íntegra.

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Youtube Motorsport Ad: Vectrex Commercial com Jackie Stewart, 1983

No inicio da aventura dos videojogos, e em que tudo era possível, a Vectrex era uma dessas companhias. Formada em 1981 pela General Consumer Electrics, construiu um dispositivo com o seu próprio ecrã, com um joystick para poder jogar - normalmente, um elemento - e os seus jogos vinham em cartuchos, como aconteceu depois noutros sistemas como a Sega e o seu Master System, por exemplo.

A Vectrex durou muito pouco: em 1983, a industria dos videojogos teve o seu "crash" e no ano seguinte, saiu de cena para não mais voltar.

O que não sabia é que tinha feito jogos de automobilismo, um deles o "High Performance", que foi publicitado por, nada mais, nada menos que Jackie Stewart, e no anuncio podem ver o seu filho Paul, que anos mais tarde se tornou piloto e depois dirigente da Paul Stewart Racing, o antecessor da Stewart. 

Eis uma jóia bem interessante de se ver.

domingo, 5 de agosto de 2018

A imagem do dia

Há precisamente 45 anos, Jackie Stewart alcançava um novo recorde, ao alcançar a sua 27ª vitória da sua carreira. Ao contrário do que aconteceu cinco anos antes, a corrida não foi à chuva, desta vez foi ao sol, em pleno verão, e numa corrida relativamente aborrecida, apenas com Francois Cevért a andar perto dele, incomodando-o.

Por esta altura, ele já tinha tudo sob controlo: o seu maior rival, Emerson Fittipaldi, tinha conseguido apenas um ponto em quatro corridas, enquanto o escocês tinha alcançado 18 pontos nas últimas duas, alargando o fosso a uma distância quase inalcançável, e o terceiro campeonato para ele era uma questão de tempo.

Contudo, nos bastidores, crescia a expectativa. Stewart tinha 34 anos e ia na sua nona temporada na Formula 1. Estava com Ken Tyrrell desde 1968 e foi com ele que conquistou os títulos de 1969 e 71, com o de 73 a caminho. E com a quantidade de mortes que tinha visto ao longo da sua carreira, alguns de amigos próximos dele - Jochen Rindt era seu vizinho na Suíça - começava a pensar que seria boa altura de pendurar o capacete. Mas o último que sabia era Ken Tyrrell.

Outra boa razão era que ele já tinha mais rivais a alcançá-lo. Sabia de Emerson e Ronnie, na Lotus, mas a McLaren tinha criado um bom carro, o M23, e nas mãos de um piloto competente, seria capaz de disputar títulos. E Stewart via isso como sinal para sair por cima. E também já achava o seu escudeiro Cevért estava pronto para ser primeiro piloto.

Uma coisa é certa: nesse verão, ele tinha tomado a sua decisão. Agora, só queria sair dali vivo.

Youtube Formula One Classic: Nurburgring 1973


Uma semana depois dos trágicos acontecimentos do GP da Holanda, a Formula 1 atravessava a fronteira e estava em terras alemãs, para correr no Nurburgring Nordschleife. Ali, os Tyrrell dominaram a corrida, com Jackie Stewart a conseguir aquela que viria a ser a sua 27ª e última vitória da sua carreira, e onde praticamente se tornou campeão do mundo, quando Emerson Fittipadi foi apenas sexto classificado e Ronnie Peterson desistiu na primeira volta com problemas na sua embraiagem.

Jacky Ickx foi terceiro classificado num McLaren M23, depois de ele ter sabido que a Ferrari não iria participar no GP alemão, da mesma forma que não tinha participado na corrida holandesa.

A corrida está aqui na íntegra, a cores e apenas com o som ambiente. E a sorte é que isto aconteceu num dia azul de verão, há 45 anos.


sábado, 4 de agosto de 2018

A imagem do dia

"A chuva era incrível - não se via nada! Não via os meus pontos de referência para as travagens, nem o carro à minha frente (...) nem queria pensar o que acontecia atrás de mim. O circuito é estreito e mesmo com boa visibilidade é difícil ver onde estamos.(...)"

"Depois [de chegar à liderança] foi andar o mais depressa possível. Duas voltas depois tinha uma vantagem de 34 segundos e continuei a aumentá-la, sempre com o cuidado de não pisar qualquer poça. A três voltas do fim, achuva aumentou. Havia rios cruzando a pista. Perto do Karrussel, o carro fugiu, o motor morreu, derrapei em direcção a um comissário, ao lado de uma árvore. Quando ele saltou para um lado, vi que o ia atropelar, mas aí os pneus aderiram e retomei o controlo do carro. Quando Graham Hill chegou a esse local, saíu de pista, mas o comissário tinha mudado de local..."

"(...) Foi uma vitória esfuziante para mim, mas fiquei ainda mais feliz por acabar a corrida. Esta foi talvez a maior ambição quanto a ganhar em circuito. Aquela corrida jamais deveria ter sido realizada e tê-la ganho com tal vantagem deu-me credibilidade sempre que pedia algo a favor da segurança".

Jackie Stewart temia Nurbugring. Não era por acaso que o chamava de "Inferno Verde". Sempre que fazia a viagem para o circuito, da sua casa que tinha na Suíça, olhava para trás, pensando se iria voltar daquela vez. Naquele ano de 1968, numa temporada onde tinham visto quatro pilotos a morrerem, quase todos num dia 7, correr no Nordschleife era um desafio. Mas correr naquele lugar quando havia nevoeiro, frio e chuva, o desafio era bem maior. A mesma coisa acontecia com Spa-Francochamps, mais curto - 14 quilómetros - mas igualmente perigoso.

A partida aconteceu uma hora mais tarde, devido ao mau tempo. E a tática de Stewart, sexto na qualificação, foi de chegar à frente o mais possível e depois ir embora, pois sabia que o "spray" dos carros prejudicava bastante a condução. O escocês demorou uma volta para fazer, e no final da primeira volta, já tinha nove segundos de avanço. E depois alargou, alargou, alargou... até chegar aos quatro minutos, meia volta à pista. Mais de onze quilómetros. 

Uma grande corrida do qual todos aplaudiram, e do qual o escocês reconhece que foi a sua melhor corrida da sua carreira. E isso também foi importante na causa que defendia na altura: a da segurança. Ele queria melhores circuitos, melhores carros, mais resistentes, e que premitiam dar ao piloto uma possibilidade de sobrevivência. Na altura, Stewart era chamado de "cobarde", mas depois do que tinha feito naquele dia, a sua voz era mais respeitada. E as coisas evoluiram muito. Os circuitos foram modificados, melhorados. Os carros foram melhorados. Aos poucos, as possibilidades de uma morte porque o carro pegou fogo diminuíram, mas foi apenas doze anos depois, quando a Formula 1 começou a construir os seus chassis em fibra de carbono, a resistência aumentou bastante.  

Contudo, o medo da morte ainda pairava. Tanto que no final da corrida, perguntou a Ken Tyrrell sobre a concorrência:

- Ficou alguém para trás?
- Não. Todos sobreviveram.

De uma certa maneira, quebrou-se ali uma certa maldição. É óbvio que iria acabar algum dia, o azer não dura para sempre, e ninguém é assim tão supersticioso, mas naquele circuito e naquelas circunstâncias, até foi bom que se tenha quebrado esse temor, essa espada que pairava sobre os pilotos.

domingo, 29 de julho de 2018

Youtube Formula One Classic: GP da Holanda, 1973


A coisa bem interessante é que poderemos encontrar parte da temporada de 1973 no Youtube e na íntegra, sem narração e só com o som ambiente. Contudo, este GP holandês fica tragicamente marcado pelo acidente mortal de Roger Williamson, durante a 14ª volta da corrida. Bem como as tentativas do seu compatriota David Purley de o salvar. 

Ai está o video da corrida, ao vivo e a cores. E com todo o seu horror.  

GP Memória - Holanda 1973

Duas semanas depois da Formula 1 ter corrido em Silverstone e de se ter assistido à maior carambola da história do automobilismo até então, máquinas e pilotos rumavam a Zandvoort, para ser palco do GP da Holanda. A pista fazia o seu regresso à Formula 1, depois de um ano de ausência. Durante esse tempo, tinha sido palco de profundas obras de remodelação, que implicou o reasfaltamento da pista, um melhor sistema de drenagem de águas pluviais, novas escapatórias e barreiras de proteção, melhorando bastante a segurança.

O regresso fora saudado por pilotos, que elogiaram os esforços da organização. E no dia da corrida, esperavam-se 80 mil espectadores à volta da pista, pois estava um típico dia de verão. 

No pelotão da Formula 1, Jody Scheckter estava fora, por acharem que era "um perigo" para os outros pilotos, pois tinham-o culpado pela carambola que tinha acontecido no final da primeira volta da corrida britânica. A Ferrari estava ausente da prova, enquanto a Brabham não preencheu o lugar deixado vago por Andrea de Adamich após o seu acidente em Silverstone, que o deixara lesionado no tornozelo. Em contraste, na Iso-Marlboro, havia um novo piloto na equipa: o local Gijs Van Lennep.

Com 24 inscritos, Emerson Fittipaldi sofrera uma lesão na perna devido a um acidente nos treinos e apenas largaria da 16ª posição. Em contraste, o seu rival, Jackie Stewart, era segundo, atrás de Ronnie Peterson, o poleman. Francois Cevért era o terceiro, com Dennis Hulme a seu lado, no McLaren. Carlos Reutemann era o quinto, seguido pelo segundo McLaren de Peter Revson, e James Hunt, no March da equipa Hesketh. José Carlos Pace era o oitavo, no seu Surtees, e a fechar o "top ten" estavam o BRM de Jean-Pierre Beltoise e o Shadow-Ford de Jackie Oliver.

A corrida começou com Peterson na frente dos Tyrrell, seguido por Hulme, Pace e Revson. Niki Lauda atrasava-se devido a um despiste, caindo para o fundo do pelotão. Fittipaldi não aguentou as dores e acabou por abandonar na segunda volta.

As coisas estavam assim até à volta sete, quando um pneu do March do britânico Roger Williamson rebentou e ele bateu forte nos guard-rails, arrastando-se por mais de 150 metros depois do embate. A fricção causou um incêndio e um carro parou atrás para o tentar ajudar a tirá-lo das chamas. Era outro March, o privado de David Purley. Apesar de ter tentado virar o carro e apagar as chamas, os seus esforços foram inúteis e o britânico de 25 anos, visto como um dos mais promissores a chegar à Formula 1, acabaria por morrer sufocado devido aos fumos.

A corrida prosseguia com Peterson na frente, perseguido por Stewart e Cevért. As coisas andaram assim até à volta 66, quando o motor do sueco explodiu, deixando o escocês na frente, e assim foi até à meta. 

Stewart tinha razões para celebrar, porque agora tinha batido o recorde do seu compatriota Jim Clark, estabelecido cinco anos e meio antes, na África do Sul. Contudo, ao chegar à meta, foi avisado dos eventos e os festejos foram contidos, em sinal de respeito. Francois Cevért foi segundo, completando a dobradinha da Tyrrell, enquanto James Hunt era terceiro, no primeiro pódio da sua carreira. Nos restantes lugares pontuáveis ficaram o McLaren de Peter Revson, o BRM de Jean-Pierre Beltoise e o Iso-Marlboro de Gijs Van Lennep. 

domingo, 1 de julho de 2018

Youtube Formula One Classic: O GP de França de 1973

Hoje tivemos um Grande Prémio, em terras austríacas. Até foi bem movimentado, com trocas de ultrapassagens e abandonos entre os pilotos da frente. Contudo, os mais veteranos falam que "antigamente era bom", dizendo que os tempos de outrora eram uma maravilha, menosprezando os tempos que agora vivemos.

Eis uma chance de tirarmos isso a limpo: faz hoje 45 anos que aconteceu o GP de França de 1973, no circuito de Paul Ricard. Descobri nos últimos meses que existem no Youtube algumas corridas dessa temporada, completos, a cores e sem narração. Do inicio até ao fim. E este é o primeiro dessas corridas que vou passar ao longo deste verão. Da corrida de Silverstone existe um resumo alargado, mas as corridas da Holanda, Alemanha e Áustria, existem completas e a cores. 

Portanto, se quiserem tirar duas horas da vossa vida para as assistirem, e claro, tirarem as vossas conclusões, eis a vossa chance. 

sábado, 23 de junho de 2018

A imagem do dia

Jackie Stewart durante o GP da Holanda, no circuito de Zandvoort, a bordo do seu Matra MS10 Cosworth, a caminho da sua primeira vitória da temporada. 

Não foi uma primavera fácil para Stewart, aquela de 1968. Tinha chegado à Matra devido à amizade com Ken Tyrrell, seu parceiro nos seus tempos de Formula 2, em 1964, antes de ir para a BRM, no ano seguinte.

De 1965 a 67 conseguiu duas vitórias e oito pódios, mas na maior parte das vezes não terminava por culpa do pouco fiável - e o estranho motor H16 valvulas. Mas em 1968, Stewart vivia um grande pressão. Um "make it or brake it", digno do estofo de campeão.

Em maio, Jim Clark estava morto, e Stewart sofre um acidente em Jarama, durante uma prova de Formula 2, uma semana antes da corrida de Formula 1, que o colocou fora de cena por duas provas. Parecia ter batido num ponto baixo, não tão baixo como o que tinha acontecido dois anos antes, depois do seu acidente no GP da Bélgica de 1966, que o fez repensar acerca da segurança da Formula 1 até então.

Contudo, em Zandvoort, o escocês mostrou o seu estofo, ao dominar a corrida holandesa de fio a pavio, dando um minuto e meio de vantagem ao seu companheiro de equipa, Jean-Pierre Beltoise, que guiava o mesmo chassis, mas com motor Matra V12. Foi uma grande demonstração, uma forma de mostrar ao mundo que estava de volta. 

Mas nem ele, nem o resto do mundo sabia que isto era o começo. Um começo que culminou com três títulos mundiais e o seu lugar na História do automobilismo.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Noticias: Stewart defende a introdução do "Halo"

Jackie Stewart sempre foi um defensor da segurança, quer ao longo da sua carreira de piloto, quer depois de ter pendurado o capacete, em 1973. E o tricampeão escocês disse recentemente que a introdução do Halo é uma boa medida para aumentar a segurança na Formula 1 e no automobilismo em geral. 

Falando recentemente durante um encontro dos Great British Racing Drivers, Stewart sublinhou a sua crença de que o halo é um ‘preço’ que vale a pena pagar para manter os pilotos seguros: “Do meu ponto de vista salvar uma vida, e algumas dessas pessoas – estive em muitos funerais – podiam ter sido salvas, como as de alguns amigos meus. E isso aconteceu porque não tínhamos tecnologia para o evitar”.

Lamento mas não tenho uma impressão negativa do halo. Li vários artigos em que diziam ‘este é o fim da Fórmula 1 para mim’. Bem, é como as pessoas dizerem ‘Jackie Stewart vai matar o automobilismo’ por causa da segurança em pista. Penso que se deve ter o máximo de segurança que se possa conseguir e pensar que se está a destruir a Fórmula 1 ao fazer isto é o mesmo que criticar o capacete integral dizendo que não se deve usar porque a visibilidade não é muito boa”, enfatizou Stewart.

O tricampeão do Mundo (1969,71 e 73) referiu ainda que na sua opinião é melhor ser pró-ativo do que reativo: “A medicina preventiva é consideravelmente mais importante do que a corretiva, que é consideravelmente mais cara que a preventiva. O halo, na minha opinião, é necessário, e teria evitado, no meu tempo, a morte de Henry Surtees – atingido pela roda do carro de um outro piloto. Foi apenas azar. Mas será que vale depender apenas da sorte?”.