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segunda-feira, 19 de março de 2012

O inicio da temporada da GP2 e talento dos pilotos no pelotão desta

Com o intervalo de apenas sete dias entre Grandes Prémios, não vai haver muito que falar para além dos rescaldos da corrida de Melbourne e da antecipação da corrida de Sepang, na Malásia. Mas é lá que vai acontecer algo importante: o começo da temporada 2012 da GP2.

Ontem à tarde, li a noticia de que a Rapax, que ainda não tinha confirmado uma dupla para esta temporada, tinha anunciado a contratação do francês Tom Dillmann e o luso-angolano Ricardo Teixeira, que em 2011 tinha sido piloto de testes da Lotus - agora Caterham. Dillmann, atualmente com 22 anos, foi o campeão da Formula 3 alemã em 2010 e um ex-piloto da fileira Red Bull, e conseguiu um pódio e uma pole-position em 2011, na GP3, com passagens pela Carlin e a Addax. Um palmarés bastante melhor do que Ricardo Teixeira, que está ali por causa da sua carteira, apesar de uma temporada agradável na Formula 2, em 2010.

Com apenas um lugar por preencher, na Venezuela GP Lazarus, que substitui este ano a veterana Super Nova, faz-nos pensar um bocado a atual situação da GP2. E aparentemente, isto parece ser um reflexo da crise, pois pilotos talentosos, tirando o brasileiro Felipe Nasr, o indonésio Rio Haryanto ou o mexicano Esteban Gutierrez, não parece haver. Há mais uma grelha cheia de carteiras recheadas, graças aos dinheiros que as equipas exigem para toda uma temporada na categoria imediatamente abaixo da Formula 1. 

Segundo diz a Autosport na sua edição deste mês, numa matéria sobre a descoberta de talentos no automobilismo, uma temporada de GP2 numa equipa média vale agora entre 1.5 a 2 milhões de euros, dependendo da equipa. Um contraste com o um milhão de euros que as equipas da World Series by Renault pedem aos pilotos que vão para lá - e parece ter atraído muita gente como o dinamarquês Kevin Magnussen, o brasileiro Lucas Foresti, os britânicos Sam Bird Lewis Williamson ou o francês Jules Bianchi - e os 600 mil euros que a GP3 pede aos seus pilotos.

É por isso que pilotos como, por exemplo, o português António Felix da Costa, preferem ficar mais um ano na GP3 e tentar o título, do que "vegetar" na GP2 e provavelmente ficar apeado a meio do ano, porque o dinheiro acabou. A crise e a quantidade de carteiras recheadas de pilotos cujo talento é por vezes inversamente proporcional à quantidade de dólares, euros, ienes, rublos ou até kwanzas, fazem com que a qualidade dos pilotos que lá andam este ano seja, provavelmente, a pior de todas. Dou-vos um exemplo: acham que numa era "normal", iriamos ter dois pilotos monegascos no pelotão da GP2? Provavelmente não, apesar de Stefano Colletti (duas vitórias em 2011) e Stephane Richelmi serem bons pilotos.

Mas o que quero dizer é... esta gente toda tem talento para a Formula 1? Tirando talvez Nasr (ajudado por Eike Batista) e Gutierrez (apoiado pela Sauber e a Telmex do Carlos Slim), não. Haryanto ainda é muito novo, e os outros já andam ali há muito tempo, sem consegurem "dar o salto". E o melhor exemplo existente é o do holandês Gierdo van der Garde, que vai fazer a sua quarta temporada na GP2, depois de vários meses a ser falado para um lugar na Williams, Lotus, Caterham e até Marussia. Apesar de três vitórias em 2009, nunca teve a capacidade para disputar títulos, mesmo que seja o campeão de 2008 da World Series by Renault.

Não me admira que pessoas como Ron Dennis disse, em 2009, que não tinha visto ninguém suficientemente bom para a Formula 1, apesar de ter sido naquele ano que Nico Hulkenberg venceu o campeonato, um dos poucos campeões que o venceu no seu primeiro ano. O alemão tem talento, e já foi recompensado na Formula 1 com um lugar na Williams e depois na Force India. Mas penou em 2011 quando foi preterido na Williams por um piloto com dinheiro, Pastor Maldonado. Que por acaso, foi campeão da GP2 em 2010.

Em resumo: a GP2 está a ser cada vez mais uma máquina devoradora de dinheiro, aquilo que fez extinguir, de uma certa forma, a Formula 2, em 1984, e a Formula 3000, vinte anos mais tarde. Apesar de ser uma competição monomarca - todos os chassis são da Dallara, com motor Renault - só o fato de os pilotos terem de viajar para a Ásia, com duas passagens pelo Bahrein, para além da Malásia e Singapura, já encarece a competição, numa altura em que não há muito dinheiro para sustentar carreiras. Em contraste, a WSR e a GP3 são formulas essencialmente europeias. Será que vai ser assim por muito mais tempo?

E já agora, se quisermos ver os valores do futuro, espreitamos que categoria?

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Sonangol, Angola e o automobilismo

Ontem fazia a minha leitura habitual no blog do Joe Saward quando fui surpreendido com um post dele dedicado a Angola. Mais concretamente à petrolifera estatal Sonangol. O post era bem informado sobre a estrutura dela, das suas fortes ligações com a China e o seu negócio altamente diversificado em vários setores, desde o setor dos transportes até à sua própria companhia aérea, a SonAir, que voa dentro do pais e em mais algumas capitais regionais e a sua participação em dois bancos nacionais, o Banco Africano de Investimentos (BAI) e o Banco de Comércio e Industria (BCI).

Tudo muito OK, mas o que interessava era a sua participação na Formula 1, e aqui entra em cena Ricardo Teixeira, Team Lotus e a Williams. A Sonangol há muito que apoia pilotos angolanos - ou com ligações angolanas - com o objetivo de colocar o pais no mapa do automobilismo mundial. Conheci três casos: Teixeira; Luis Sá Silva, que no inicio de 2010 correu algumas provas na Formula 3 alemã e agora Duarte Ferreira, que está agora na Indy Lights e do qual dediquei algumas linhas há umas semanas. Para além disso, é a principal patrocinadora da Superleague Formula, a tal competição que mistura alhos com bugalhos - futebol e automobilismo.

Achei o post tão interessante que me dei ao trabalho de responder ao Joe, falando da ligação que os angolanos tem ao automobilismo, a importância da Sonangol e alguns contras sobre isto, claro.

Primeiro que tudo, um campo pessoal: sou filho de angolana, logo, boa parte da minha familia, como sejam avó, primos e tios, vivem e trabalham em Angola, portanto, sempre que falam desse país, fico já interessado. Apesar de nunca ter colocado lá os pés, com pena minha...

Segundo: não é segredo nenhum que os angolanos adoram automobilismo. Nos tempos coloniais, o panorama automobilistico só era inferior ao da Africa do Sul. Era pujante, organizavam-se provas de Turismo e Endurance em Luanda, Benguela e Nova Lisboa (atual Huambo). Aí, a edição de 1972 das Seis Horas de Nova Lisboa chegou a ter presenças de pilotos como Jan Balder, Norman Casari, Hans-Joachim Stuck e Nicha Cabral, entre outros, que competiam com locais como António Peixinho, Carlos Gaspar e Helder de Sousa, só para lembrar de alguns. Nesse mesmo ano foram inaugurados duas pistas permanentes, das melhores de então. O Autódromo de Luanda, projetado pelo brasileiro Ayrton Cornelson - o mesmo que projetou o Autódromo Estoril - chegou a ser visitado por Emerson Fittipaldi, que teceu rasgados elogios a ela. Tudo indicava que num futuro próximo poderia acolher a Formula 1, mas a descolonização - que enxotou meio milhão de portugueses - e a subsequente guerra civil cancelou esses planos.

A partir de 2002, a paz levou à reconstrução e desenvolvimento do pais. Este cresce a ritmos impressionantes - uma média de onze por cento ao ano - mas está agora a sair do fundo do poço, e apesar de ter permitido a chegada de largas dezenas de milhares de pessoas, desde ex-residentes no tempo colonial até aos trabalhadores chineses, as bolsas de pobreza ainda são evidentes e levarão o seu tempo para acabar.

A Sonangol sabe que apoiar o automobilismo é uma excelente maneira de se afirmar no mundo um tipo diferente de pais, que seja falado por outras razões que não fome, guerra, corrupção e outros males que o povo aponta à elite dominante. Só que o piloto que escolheram para apoiar é... bem, um piloto modesto, para ser meigo.

Ricardo Teixeira nunca foi um grande piloto por estas bandas. Nascido em 1984 - alguns falam bem mais cedo, em 1982 - Ricardo era filho de angolanos, e quando o pai começou a trabalhar por lá, cedo arranjou uma maneira de prosseguir a carreira. Uma licença desportiva angolana, o apoio da petrolifera e... voilá. Quatro temporadas na Formula 3 britânica - apoiou muito a Ultimate, uma equipa irlandesa - depois a GP2 e acabou na Formula 2, em 2010. Sempre um piloto do fundo do pelotão, somente conseguiu pontos na F2, bem como uma espectacular pirueta no circuito marroquino de Marrakesh...

Agora está este ano na Formula 1 como piloto de testes da Team Lotus. E pelo que me contam, foi um patrocinio tirado "nas barbas" da Williams, que andava a namorar esse patrocinio desde 2009. Por alguma razão, Adam Parr, o homem que costuma tratar desta secção, não conseguiu fazer negócio, cujo valor, fala-se, rondava os 25 milhões de euros. Provavelmente eles quereriam Ricardo Teixeira como um dos pilotos, mas eles se calhar tinham mais escrupulos que Tony Fernandes, não sei... alguém explicará um dia porque negociaram com um e acabou noutro.

O mais interessante é que ainda não vi o logotipo da petrolifera nos flancos do Lotus. O acordo está feito, o piloto já fala e rola como fazendo parte da Lotus, a par de Luiz Razia e Davide Valsecchi, mas... e o logotipo? Talvez já apareça nas provas seguintes, veremos.

O exemplo de Ricardo foi seguido por outros, como Duarte Ferreira. Baseado na Belgica, em 2006 o piloto queria uma licença desportiva para correr em monolugares mas a FPAK (Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting). Só que ele tinha 14 anos e esta não lhe concedeu, pois só o faz a partir dos 16 anos. Resultado, os seus pais, de origem angolana, recorreram às origens e conseguiram. E ele, depois da formula Renault belga, com alguns bons resultados, passou agora para a Indy Light, na equipa de Bryan Herta onde até nem se tem portado mal.

Ora, porquê uma pessoa como o Joe se dedica tempo para falar sobre isto? Mais do que o patrocínio que todos andam à procura e as suas devidas contrapartidas, por mais baixas que sejam - sejamos honestos, se corresse como português, já teria acabado a sua carreira há muito - isto é uma maneira de ver até que ponto se vai para ter mais algumas dezenas de milhões nos orçamentos das equipas. Se a Williams, que para ter a PVDSA, teve de engolir Pastor Maldonado como piloto efetivo, tirando o lugar a um talento como Nico Hulkenberg, arrepiaria-me se Tony Fernandes reformasse um dos pilotos titulares para ter em troca um piloto pífio como Ricardo Teixeira. Espero que não chegue a esse ponto.

E também há outro assunto interessante. Africa é o único continente ao qual a Formula 1 não vai por estes dias. Com o Golfo Pérsico a passar por problemas, Ecclestone pode andar à procura de outros ares, embora que eu saiba não existam projetos especificos para o automobilismo no pais da Palanca Negra. Não oiço noticias sobre a recuperação ou reconstrução do Autódromo de Luanda ou Benguela, mas quem sabe que tipo de planos terá a Sonangol para um futuro próximo? E que tipo de "peixe" ele consiga vender ao Tio Bernie? Ainda por cima, os angolanos adoram automobilismo...

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Noticias: Policia britânica investiga contas da falida A1GP

A A1GP acabou em 2009, mas parece que não vai ser a última vez que falaremos sobre ela. Não, não tem a ver com a falada A10 World Series, que parece estar a tentar reavivar o espírito da competição, mas porque as circunstâncias do seu desaparecimento esão a ser investigadas pelas autoridades britânicas.

Segundo a edição de ontem do Daily Telegraph, a Serious Fraud Office, organismo que investiga os crimes de colarinho branco, está a investigar as contas de duas empresas do universo A1GP, a A1 Holdings, a empresa-mãe, e a A1 Grand Prix Operations, de forma a descobrir a origem dos seus financiamentos. Ambas as empresas, que entraram em liquidação em Fevereiro de 2010, têm dívidas que em conjunto, valem 400 milhões de libras (330 milhões de euros), provenientes de dezenas de credores, desde companhias como a RAB Capital até aos donos de equipas um pouco por todo o mundo. Neste momento, correm em tribunais britânicos cerca de quinze acções.

As primeiras investigações acontecerem no inicio do ano passado, após o cancelanento da temporada 2009-10, cuja primeira corrida iria acontecer no circuito australiano de Surfers Paradise. As autoridades britânicas queriam compreender como é que o negócio foi para a frente, sabendo que naquele momento, os carros estavam num armazém na Grã-Bretanha, retidos graças a uma acção em tribunal devido a dívidas por pagar. O caso foi acompanhado pela Interpol, mas não se conhecem quaisquer conclusões.

Neste momento, para ter uma organização como a Serious Fraud Office metida no barulho, é porque se desconfia de que poderá ter havido desvio de fundos, no minimo. Apesar da série ter uma ideia interessante por detrás, a figura de Tony Teixeira, um sul-africano de origem portuguesa, nunca foi totalmente levada a sério ao longo da sua permanência na frente dos destinos da A1GP. E as desconfianças nunca foram dissipadas mesmo quando assinou um acordo com a Ferrari para fornecer todo um conjunto de chassis e motor. Afinal tinham razão: fora Teixeira que fizera a encomenda à marca do Cavalino, numa relação meramente clientelar e nunca de parceria. E creio que a Ferrari também ficou "a arder" neste caso...

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

5ª Coluna: O ressuscitar da A1GP

A partir de amanhã, começará, de uma certa forma, o Mundial de Formula 1. Primeiro, a apresentação da Ferrari, com o seu modelo F150, será o primeiro e na segunda feira virá boa parte das equipas, em Valencia, palco dos primeiros testes. Sobre isso, todos falarão abundantemente sobre eles. Mas com toda a ansiedade latente sobre isso, perferi falar sobre algo que ando a ver às gotinhas desde a semana passada: uma tal A10 World Series.

Falei disso a meio do mês sobre o possivel reavivar da falida A1GP, a série criada em 2005 por um sheik árabe e continuada pelo luso sul-africano Tony Teixeira, que teve chassis e motores Ferrari na sua última temporada competitiva, em 2009. O conceito é otimo: uma corrida entre nações, em que um piloto correrá por ela, num máximo de 24. O campeonato seria um conjunto de dez ou doze jornadas duplas, espalhadas pelo mundo, com um prémio máximo, e aconteceria durante o Inverno europeu.

Tudo correu relativamente bem até 2007, após a saída do sheik do Dubai e a venda à RAB Capital, que pagou duzentos milhões de dólares por ela. Prejuizos acumulados, bem como o fracasso em atrair patrocinadores de monta, lançou dúvidas sobre a viabilidade do projeto. Para piorar as coisas, a crise mundial se abateu forte sobre a série. Falta de pagamentos e outros problemas fizeram com que a empresa se declarasse insolvente em Julho, e a série fosse cancelada em setembro, após a não realização da prova inaugural, em Surfers Paradise.

Com os carros encerrados num armazém algures na Grã-Bretanha, esperando por melhores oportunidades. Aparentemente, segundo uma coluna de boatos, houve em Julho um conjunto de investidores interessados nos carros e em pagar as dívidas. Houve um leilão, com destino desconhecido, e agora, em Janeiro, surgiu um site e aos poucos se mostram o tal conceito de "A10 World series". E pelos vistos, é um clone da A1GP.

Mas ainda é algo cedo para dizer se acredito na sua viabilidade. Os gráficos desse sitio na Internet me fizeram recuar quinze anos no tempo, para os seus primórdios, e ainda não convencem muita gente. Ainda há muito ar de mistério, do qual não se sabem quem são os financiadores desta nova série, embora se fale que a ideia é um pouco semelhante à GP2, com as equipa a procurarem os seus patrocinios. Se sim, não seria mau de todo se alguma das muitas equipas que andam nos vários campeonatos esteja interessada em cuidar de um dos carros dessa "A10".

Há outro grande mistério nesta "A10 World Series": quem são os seus novos proprietários. Até agora, nada se disse sobre este novo grupo de investidores e quais são os seus objetivos. Ainda faltam algumas semanas para saber todos os pormenores, mas a Autosport britânica fala esta semana sobre a possibilidade de haver um ex-piloto de Formula 1 atrás do projecto, num papel não especificado.

Apesar da série só arrancar no Outono - mais um exemplo de que isto é um ressuscitar da A1GP - fica-se a pensar no seguinte: neste momento existem diversas séries de automobilismo, grande parte delas séries monomarca como a World Series by Renault 3.5, Auto GP - com Lolas que pertenceram à A1GP - , GP2, Formula 2, etc... pode se perguntar se todas estas séries são paralelas à Formula 1 ou fazem parte de uma base alargada de um topo muito estreito da pirâmide. E quando cada vez mais se sabe que Bernie Ecclestone quer fazer as suas próprias séries de acesso à Formula 1, com a GP2 e GP3, pergunta-se se estas séries não seriam mais úteis se não corressem paralelas à Formula 1?

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Rookie Test: Maldonado vai rodar na Hispania, Teixeira na Lotus

Confesso que me vai ser difícil passar esta semana sem não pensar na música "Final Countdown" dos Europe, mas uma ocasião destas e única com quatro candidatos, matematicamente falando, ao título. Mas hoje quero falar sobre o "rookie test" de Abu Dhabi, porque começam a surgir algumas novidades em relação a isso.

Esta tarde, a Hispania anunciou que o venezuelano Pastor Maldonado irá estar num dos seus "cockpits" na próxima semana, em Abu Dhabi. Maldonado, campeão da GP2 este ano, vai estar a bordo do "cockpit" espanhol em três dos cinco dias de duração do teste, para ganhar quilómetros. Caso o venezuelano, que é consistentemente falado nas últimas semanas como piloto da Williams, sair bem, muito provavelmente será piloto da Williams no lugar de Nico Hulkenberg. É o que dá ter um patrocínio na ordem dos 20 milhões de euros da petrolífera venezuelana PDVSA.

Esta tarde, também, a Autosport portuguesa fala que poderão haver, não um, nem dois, mas sim... três portugueses no "rookie test" de Abu Dhabi. O terceiro elemento em questão é o luso-angolano Ricardo Teixeira, que andou este ano na Formula 2 com um forte apoio da petrolífera angolana Sonangol e que pode ter pago cerca de 400 mil euros para ter esta oportunidade única. Teixeira, de 26 anos, tem um vasto currículo, com passagens pela Formula 3 britânica, GP2 e Formula 2, mas o seu melhor resultado é um quinto lugar este ano, numa das rondas marroquinas da Formula 2. A mesma onde sofreu uma capotamento espectacular.

Quanto aos outros dois, Alvaro Parente ainda é uma hipótese na Lotus, mas a ideia é mais abrangente, com uma estadia na Team Air Asia da GP2, e Antonio Felix da Costa espera pelo anuncio oficial da Force India para saber se é confirmado ou não.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Sobre o acidente de Conway e aquela fina linha vermelha...

Esta madrugada, comentei no Twitter que provavelmente, o acidente do Mike Conway teria sido mais mas espectacular do ano. Imediatamente me perguntaram se ainda era mais espectacular que a do Ricardo Teixeira na Formula 2, em Marrakesh. Fui dormir com essa dúvida na cabeça, e quando acordei, pensei um bocado na coisa até chegar aqui a escrever estas linhas.

A conclusão que chego é que ambos são espectaculares. São incidentes de corrida, nos quais eles não são totalmente culpados, nem totalmente inocentes. Um acidente destes, há dez ou vinte anos, teriam caudado ferimentos muito graves ou a morte dos pilotos. Conway fez lembrar, por exemplo, o acidente de Kenny Brack no Texas, onde o piloto sueco sofreu ferimentos muito graves, que levaram ao final da sua carreira competitiva. E já vimos mortes por muito menos. Ainda se lembram de Henry Surtees?

E se ambos os acidentes foram muito mais espectaculares que o disparate que Sebastien Vettel fez ontem em Istambul, ao se autoeliminar do GP da Turquia e tirar uma vitória certa à sua equipa a Mark Webber, faz-me pensar na velha história: pedimos aos pilotos para serem agressivos nas manobras, mas queremos que estas sejam seguras. Não gostamos da demasiada agressividade, porque pode ser perigosa, até mortal, e como sabem, morrer perante milhões de pessoas não é boa para a publicidade... estranho. Onde estará o meio, que deveria ser uma virtude?

Chego à conclusão de que esse "meio" não existe. Se for um acaso e todos sobreviverem para contar a história, é um espectáculo e veremos isso nos anos a seguir, num daqueles programas do Canal Discovery. Se acontecer o pior cenário possivel, andaremos todos a lamentar enquanto que outros levantarão a voz para que se implementem mais medidas de segurança, ainda mais estritas das que existem agora. A histeria pós-Imola 1994 foi um exemplo de que certas coisas foram levadas longe demais, por exemplo. No final, temos de confiar na sorte e consciencializar de que existe uma fina linha vermelha entre o espectáculo e a tragédia...

quinta-feira, 6 de maio de 2010

5ª Coluna: excesso de agressividade pode ser mortal

Este foi um fim de semana sem grande competição, excepto as corridas quer do WTCC, quer da Formula 2, que aconteceram em Marrocos. O circuito de Marrakesh, feito nas rectas enormes das ruas dessa cidade de muralhas vermelhas, foi palco de mais acidentes do que se pode esperar numa corrida feita na malha urbana de qualquer cidade da Europa, Asia ou as Americas. Não tem nada a ver com o continente em si, mas sim com os pilotos e o seu estilo de condução nos dias de hoje, pois é aí que mora o perigo.

Digo isto não só por causa das duas corridas do WTCC terem acontecido mais vezes com o Safety Car em pista do que a competição propriamente dita, mas também porque a prova de Formula 2 ter sido polvilhada por fortes acidentes, o pior deles todos foi o vôo do piloto luso-angolano Ricardo Teixeira, que no dia anterior foi quinto classificado, o melhor lugar de sempre na sua carreira, provavelmente.

Mas não estou aqui a falar sobre o Deletraz dos nossos dias, não. Falo sobre o facto de Ricardo Teixeira ter sido protagonista involuntário de um espectacular vôo na segunda corrida do fim de semana em Marrakesh, envolvendo mais quatro carros. Confesso que me arrepiei ao ver aquilo. Pensei logo no pobre Henry Surtees, morto por uma roda de outro concorrente, dez meses antes em Brands Hatch, e comecei a pensar se a loucura que estes jovens rapazes (e há uma rapariga), de 17, 18, 19 anos, vale vidas humanas. O automobilismo é competição? É sim senhora, mas não serve para colocar a cabeça no cepo. Inconscientemente (ou não) é isso que está a acontecer.

Neste mesmo fim de semana, no outro lado do Mundo, um acidente semelhante colocou todos os dispositivos de segurança à prova... e a nossa sorte. Aquela linha vermelha que nos separa a sorte da morte foi testada no circuito de Barbagallo, no Queensland australiano, quando o Mini Cooper S do piloto local Kain Magro se despistou na corrida da Mini Challenge e passou a rede que delimita os espectadores, ferindo apenas duas pessoas... de forma ligeira. O piloto, claro, escapou ileso.

Tenho a sensação de que os pilotos em geral estarem a puxar pelos seus limites de forma muito perigosa. Neste inicio de século XXI, os carros de competição são mais fortes do que nunca. Os chassis são feitos de fibra de carbono, testados incessantemente e aprovados com o selo da FIA, os pilotos usam o sistema HANS nos seus pescoços, para evitar fraturas fatais na base do crânio, e os circuitos, agora, tem escapatórias em asfalto, para em teoria, corrigir os erros de pilotagem e dar aos pilotos uma chance de voltar à pista. Em suma, tudo para proteger o piloto e reduzir as chances de acidentes graves.

Mas isto tudo causou um efeito preverso: nas corridas de acesso e até na Formula 1, os pilotos estão cada vez mais agressivos, cada vez mais dispostos a tudo para conseguir passar o seu concorrente. E na Formula 1 de 2010 em que ultrapassar é uma saga, ainda pior.

Hoje em dia, se forem ver as corridas nas categorias de formação, o estilo dos pilotos é completamente agressivo. São corridas curtas, onde ser o mais rápido é mais importante do que chegar ao fim, e sendo pilotos jovens e de pavio curto, tem de lutar, literalmente, por cada curva e cada centímetro, para ganhar posições. E em todas estas categorias, para haver um equilibrio (artificial, diga-se), nos fins de semana duplos, as grelhas são invertidas nos oito primeiros para que os carros mais rápidos cheguem à frente o mais possivel. Nem sempre conseguem, porque o tempo é curto para alcançar essa posição.

Muitos criticam, por exemplo, o estilo de condução de Lewis Hamilton. Ele é assim porque foi ensinado a sê-lo: no karting, na Formula 3 e GP2, porque isso é o "pão nosso de cada dia" e não aprendem a se comportar na Formula 1, pois é outro mundo. Não são corridas de "sprint", são corridas onde a inteligência é o que conta, pois numa era sem reabastecimento, o que interessa é chgar ao fim inteiro, e não contornar as regras para passar o adversário. Não é por acaso que o lider é Jenson Button, um piloto que usa a cabeça para vencer.

Nos bilhetes dos circuitos ingleses está escrita a seguinte frase: "motorsport is dangerous". Isto serve para os espectadores, mas eles estão protegidos por redes muito mais altas daquelas de Barbagallo. O problema são os pilotos, que acho que devem ter aulas não só de condução, como também aulas para dosear a sua agressividade em pista. Não creio que todos tenham de ser Gilles Villeneuve, pois caso não saibam, ele terminou muito mal a sua carreira. Quero ver competição e vencedores, não candidatos a mitos. Apesar dos avanços, os carros continuam a não ser cem por cento seguros.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

O impressionante vôo de Ricardo Teixeira



A Formula 2 regressou no ano passado, após 25 anos de ausência, com o mesmo objectivo: descobrir talentos para os levar à Formula 1. Contudo, esta categoria, como em todas as categorias de acesso, tem aquele defeito de ter pilotos demasiado agressivos, de "sangue na guelra", que tem de provar que são bons, lutando por posições, arriscando o seu pescoço, nao temendo nada. E este Domingo, naquele circuito de Marrakesh, tive um susto dos diabos quando vi o vôo do piloto luso-angolano Ricardo Teixeira.

Pessoalmente, nunca o achei um piloto por ali além. Digamos que é alguém com pouco talento, mas tendo atrás um generoso apoio de um país que o adoptou, por raízes familiares. Acompanho a sua carreira desde a Formula 3 inglesa (onde nunca fez nada de jeito em quatro temporadas) e no ano passado vi-o na equipa Trident da GP2, onde foi presença habitual no fundo da grelha.

Este ano mudou-se para a Formula 2, onde neste fim de semana de Marrakech, esteve em destaque por dois motivos, um bom e outro mau: na corrida de Sábado, terminou a corrida na quinta posição, a sua melhor posição de sempre numa corrida de monolugares, e na segunda corrida, foi protagonista de um vôo quando foi catapultado na traseira do russo Ivan Samarin, acabando por bater em mais outros dois pilotos.

Se forem ver o video, é de facto um vôo impressionante. Mas quando vi aquilo, pensei imediatamente em Henry Surtees e o seu acidente fatal em Brands Hatch, há cerca de dez meses. E pergunto: como é que isto teria acabado se Ricardo Teixeira não tivesse caido com as rodas no chão?

sábado, 30 de janeiro de 2010

Os rumores do momento, num fim de semana sem noticias...

Sabia que este fim de semana ia ser decisivo em muitos aspectos nesta Formula 1 de 2010. E as especulações que ouvi e li esta tarde, cada uma é mais louca que outra. Mas... podem ter o seu fundamento. Antes de amanhã a Sauber e a Renault apresentarem os seus carros, eis o que ouvi numa tarde sem grande inspiração, confesso:

1 - Vitor Martins, do blog Victal, afirma esta tarde que a Campos Meta foi vendida ao luso-sul-africano Tony Teixeira, que tem os direitos da extinta (?) A1GP. Mas os valores acordados podem não ser as suficientes para garantir a continuidade da Campos/Teixeira, e claro, a FIA e a FOTA reunirão esta segunda feira para debater, entre outros assuntos, a manutenção de licença da equipa espanhola. E sabe-se que Bernie Ecclestone tenta por todos os meios retirar o tapete à Campos para colocar no seu lugar a Stefan GP, que comprou os bens da Toyota, em Colónia (e manteve pelo menos 150 dos seus empregados) e esta tarde recebeu o apoio oficial da marca japonesa.


Claro, há pessoal que coloca esta troca em dúvida, como o jornalista inglês Joe Saward, que afirma que mesmo com as garantias da Toyota, o facto desta Stefan GP ser mais um gigantesco ponto de interrogação do que propriamente uma equipa com credenciais automobilisticas como duas das que foram excluidas por Max Mosley no inicio do ano passado: Epsilon Euskadi e Prodrive. Em suma, numa situação limite, na segunda-feira a FIA e a FOTA pode cancelar a licença da Campos... mas pode não aceitar o da Stefan GP. Poderemos ter 24 carros no Bahrein.



2 - Esta é mais supreendente, mas acho que não tem grande fundamento. No Twitter, um amigo meu espanhol conta uma conversa entre Robert Kubica e Sebastien Buemi em que o segundo piloto da Renault poderá ser... Jacques Villeneuve. Acho que seria um verdadeiro golpe de teatro, pois desde a semana que passou que toda a gente fala que o russo Vitaly Petrov, com a sua mala de 20 milhões de euros, tinha o lugar garantido. E não é pessoal qualquer: por exemplo, o jornalista Joe Saward é um deles que garante a pés juntos que é Petrov que se vai sentar ao lado de Kubica... e é o que se calhar vai acontecer.



3 - Mal foi mostrado à imprensa mundial, pode haver uma versão B. O Ferrari F10 ainda não deu sequer uma volta em pista e especula-se na imprensa italiana que este pode ser um carro mal nascido, logo, os engenheiros da marca do Cavalino Rampante poderão estar a desenhar uma versão bem radical do carro de 2010, provavelmente no sentido de minorar os defeitos que poderão ter sido encontrados durante as simulações. Contudo, a Ferrari afirma que esses rumores não são mais nada do que "disparates" e que o facto do shakedown ter sido cancelado apenas devido ao gelo acumulado na pista de Fiorano.


Segunda-feira, o carro estará no circuito Ricardo Tormo, em testes conjuntos com algumas equipas. Veremos se os rumores terão algum fundamento. Se sim, antevê-se um 2010 muito dificil para Felipe Massa e Fernando Alonso...

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Impressões sobre a actual situação da Campos Meta

Desde que li, na quinta-feira, o post do Luiz Fernando Ramos, o Ico, sobre a actual situação da Campos Meta, a equipa espanhola que quer estrear na Formula 1 com Bruno Senna ao voltante, que muitos vem falando sobre a situação de duas das quatro estreantes no Mundial de 2010. A equipa, que está a construir chassis sob a égide da Dallara, anda desesperadamente atrás de dinheiro para completar a temporada, e até agora, este não apareceu.


Tinha lido este alerta no final do ano, através do jornalista espanhol Antonio Lobato. dizia que eles andavam desesperados pelo facto de, apesar da contratação de Bruno Senna, os apoios que esperavam tinham sido zero. Aliás, como todoas sabem no Brasil, o facto de Senna ter ficado com o numero 21 não foi coinciência, pois é esse o numero que a embratel usa no seu país. A ideia, claro era usar esse patrocinio. Mas tal não aconteceu como previam, pelo menos por agora.

Agora, claro, à medida que os dias avançam, as coisas ficaram cada vez mais pretas. E a "broma" do dia 28 de Dezembro, o "Dia de los Inocentes" em Espanha, até pode ter um fundo mais verdadeiro do que aparentava. Não no sentido de Piquet Sr. comprar uma vaga para o filho, mas que a equipa arranje outro parceiro para pagar as contas.

Candidatos são alguns. O mais improvável, na minha opinião, é o de Tony Teixeira, o luso-sul-africano que liderou a agora defunta A1GP. Pelo facto dele não ter conseguido manter uma categoria, não o vejo a conseguir manter uma equipa. Acho que a ideia da compra, se for para a frente, é de marcar presença na Formula 1 e talvez meter um dos pilotos que se mostraram na categoria por lá, como o Adam Carrol, por exemplo. Se perferirem, posso dizer que quer ser como Bernie Ecclestone nos anos 70: comprou a Brabham e a desenvolveu, numa primeira fase que deu naquilo que vemos hoje. Esta tarde surgiu outra hipótese: a do japonês Kazuki Nakajima, que depois de sair da Williams pela porta pequena, poderá trazer fortes patrocinadores consigo, como a Panasonic, e tentar uma vaga na Formula 1 em 2010. A fonte é o jornal finlandês Turun Sanomat.

Mas tudo isto, claro, está ainda no puro campo da especulação. Mas a acontecer, seria o reavivar de uma dupla que aconteceu em 1987, na Lotus, quando o tio do Bruno e o pai do Kazuki trabalharam juntos na marca de Colin Chapman, no primeiro ano da colaboração com a Honda.

Até Março, muito se vai passar, isso é certo. Mas cada vez mais vejo que a "boca" que Ecclestone mandou há umas semanas, dizendo que poderia haver duas equipas que não estariam no Bahrein, para a primeira prova do ano, pode ter muito fundamento... pode estar velho, mas não está totalmente gagá.

Caso aconteça, voltamos a aquela questão que muitos fazem desde o inicio do ano: qual foi o critério de aceitação destas escuderias? Foi mais a politica ou pelos bonitos olhos? É que tem que ser qualquer outra sem ser a competência, pois se esse tivesse sido o primeiro critério, quase de certeza teriamos a Prodrive, de David Richards e (ou) a Epsilon Euskadi, de Joan Villadelprat, na lista de inscritos para o Mundial de 2010. Como Max Mosley não os aceitou, quem perde é a Formula 1. E Bruno Senna arrisca-se a ser outro rei do azar, depois de ter sido apanhado na falência da Honda em 2008 e ser preterido por Rubens Barrichello em 2009 na Brawn GP.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Um grande ponto de interrogação chamado A1GP

Antes que o GP do Brasil nos submerga a todos, achei por bem trazer à baila o A1GP. Digo isto porque ao longo da semana tive mais do que uma conversa com algumas pessoas ligadas ao meio para que estivesse de alerta sobre a "Taça do Mundo das Nações", ou a competição organizada pelo luso-sul-africano Tony Teixeira. Alguns desses meus amigos no meio juravam a pés juntos que isto iria ser cancelado. Não acredito muito nisso, mas a nuvem de suspeição é grande, apesar das garantias.

O site português Supermotores fez um resumo do que se passa: quando faltam seis dias para o arranque, os carros ainda não sairam de Inglaterra, ninguém em Brisbane sabe quando é que o avião com os carros chegará, embora a organização alegue que os carros estão a ser modificados a pedido da FIA, e que por isso o teste, marcado para este fim de semana foi cancelado.

Entretanto, Greg Hooton, Director Geral do Nikon Super GP (o nome oficial do GP de surfers Paradise), deu ontem uma conferência de imprensa em que afirmou laconicamente: "Até aqui o A1GP ainda não desrespeitou o contrato que tem com a Gold Coast Motor Events Company (a entidade promotora do evento australiano)." O que se sabe neste momento é que estão inscritos 19 carros para esta ronda, entre os quais Portugal, mas curiosamente, também, não se sabem os nomes de quaisquer pilotos participantes.

O estado de Queensland é que não está a achar piada nenhuma a este impasse, e já ameaçou cancelar a corrida e processar a A1GP por incumprimento do contrato. Mas também ficou-se a saber que até à passada semana, os carros estavam retidos pela firma de entregas Delivered on Time, devido a atrasos no pagamento.

Outro grande ponto de interrogação chama-se Ferrari Spa. Muito calada no meio disto tudo, pois afinal "empresta" o nome à série (mas não sai de graça), não se pronunciou publicamente sobre o assunto e recusa-se a fazê-lo por agora. Mas como tem algum a receber, e há aida o caso dos direitos, acredito que não gostaria de estar associado a um campeonato em risco de cancelamento...

Um dos meus amigos no meio afirmava que as dívidas são grandes, e que com a assinatura deste contrato de direitos, anunciada há algumas semanas, algum do dinheiro recebido serviu para pagar dívidas, para desbloquear os carros e seguir por diante os planos para uma quinta temporada da A1GP. Que pode nem acontecer, ou ser a última...

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

A1GP revela o seu calendário e os planos para o futuro

No mesmo dia em que certa imprensa especializada refere as imensas dúvidas refrerntes ao futuro da modalidade, nomeadamente uma alegada rescisão de contrato de motores por parte da Ferrari, a A1GP revela hoje no seu site oficial um acordo de longo prazo com o grupo IMG, que o ajudará em termos de média e de marketing.

"Este tipo de acordo era a nossa prioridade, e estar associado com uma empresa como esta era o que precisava para estar representado num mercado tão competitivo como este. Os planos que eles têm para nós são inovadores", afirmou o empresário luso-sul-africano Tony Teixeira.


Adam Kelly, director de Marketing da IMG Sports Media, afirmou: "Estamos muito contentes de representar a A1GP no portfólio da IMG Sports Media. Nós esperamos trzaer para o centro da acção os carros, os fãs e espectadores da A1GP Powered by Ferrari cars, um verdadeiro desporto global. Num mundo tão competitivo como este, a IMG vai utilizar a sua experiência neste campo para levar a A1GP para uma audiência que queremos que seja cada vez maior", concluiu.


Para além disso, Tony Teixeira, o patrão da A1GP, justificou os atrasos em relação à divulgação do seu calendário relacionados com a certeza das datas, para não repetir os erros do ano passado, quando algumas das datas inicialmente agendadas no calendário foram mais tarde canceladas. "É muito fácil publicar um calendário com datas que mais tarde serão modificadas," afirmou. "Queria ter a certeza das datas, para que desse uma mensagem aos nossas equipas, fãs e parceiros televisivos, algo realistico." concluiu Teixeira, afirmando que ainda existe a possibilidade de uma nova data neste calendário.


Eis o caldário da A1GP para a temporada 2009/10:


25 Outubro de 2009 - Australia (Surfers Paradise)
15 Novembro de 2009 - China (Zuhai)
06 Dezembro de 2009 - Malasia (Sepang)
28 Fevereiro de 2010 - Africa do Sul (Kyalami)
14 Março de 2010 - Brasil (Interlagos)
21 Março de 2010 - Mexico (Hermanos Rodriguez)
11 Abril de 2010 - Portugal (Portimão)
02 Maio de 2010 - Alemanha
16 Maio de 2010 - Holanda (Assen)



Desconhece-se ainda qual vai ser o circuito que acolherá a A1GP em solo alemão, mas na unica vez que lá foram, em 2005, o escolhido foi o circuito de Lausitzring, no leste do país. Outra das grandes novidades e a não realização de uma corrida na Grã-Bretanha, que foi palco da jornada de encerramento na temporada passada.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Noticias: Tony Teixeira não desistiu de ter uma equipa na Formula 1

O patrão da A1GP, Tony Teixeira, revelou ter planos de construção da sua própria equipa de Formula 1, que teria sede... em Portugal. Numa entrevista à autosport.com, Teixeira, que nos últimos dois anos tentou comprar a Spyker e a Toro Rosso, revelou também que esteve interessado na Honda, mas que no final decidiu que o melhor seria fazer uma equipa do zero, com chassis próprios, e com sede em Portimão, perto do Autódromo Internacional do Algarve.

"Comprei 47,000 metros quadrados perto do AIA, onde pretendo instalar a fábrica da A1GP, escritórios e restaurantes. A equipa que procuro, poderá ficar sedeada em Portugal e apoiada pelo governo português. Se o local vai passar a ser um importante centro de desportos motorizados, então eles devem ter uma equipa de Fórmula 1. A ideia passa por ter lá a 'casa' para a A1GP /F1.", referiu Teixeira ao site britânico.

O patrão da A1GP disse depois quais seriam os objectivos dessa equipa, não deixando de mandar uma alfinetada à actual Formula 1: "A única razão pela qual queremos uma equipa de Formula 1, é para os vencedores do A1GP rumarem à Formula 1. O problema é que com a actual crise económica, os actuais 'budget' na F1 são impossíveis de suportar.", concluiu.

No dia em que os americanos irão anunciar a sua USF1, ver mais uma intenção de construir uma equipa de Formula 1, com sede no nosso país, mais concretamente em Portimão, onde existe um Autódromo de cinco estrelas, é mais um passo para a construção de um verdadeiro polo industrial numa zona onde até há pouco tempo não havia lá nada, é um feito. E se isso significa cada vez mais o regresso da Formula 1 a Portugal ou de um piloto português nesse pelotão, melhor ainda.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Tony Teixeira "alfineta" a Formula 1

O patrão da A1GP, o luso-sul-africano Tony Teixeira, não perde uma oportunidade de "alfinetar" a Formula 1, comparando-o á categoria que ajudou a erguer em 2005. Numa entrevista ao jornal sul-africano "The Times", Teixeira diz que "a A1GP é tudo aquilo que a Fórmula 1 tenta ser".


Indo mais longe, o empresário brinca mesmo com a situação, afirmando que, "em vez de copiarem todas as ideias da A1GP, comprem os meus direitos", referiu, quando comparava situações como os motores-padrão e as equipas nacionais, como é o caso da Force India. Teixeira criticou também o modelo desportivo da F1, e sugere que ela se parece cada vez mais com o wrestling profissional: teatralizado e com pouca credibilidade. Afirma que os custos actuais da categoria se tornaram proibitivos, e afirma que a Toyota, BMW e a Renault não tardam, seguem a Honda no mesmo caminho do abandono.


Quanto à actual crise, Teixeira é frontal sobre o assunto: se existirem corridas que derem prejuizo, simplesmente não acontecerá: "Se eu tiver uma corrida que dê prejuízo (a aproximar-se), não iremos lá competir. Claro que não ficarei com o dinheiro dos bilhetes sem realizar o evento, mas se for claro que a procura é reduzida, esse evento não se realiza", comentou. Será que é por isso que mudou a data da corrida mexicana?