quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Antevisão: Alvaro Parente espera um bom resultado em Spa-Francochamps

Depois do fim de semana de Valência, onde conseguiu um quarto lugar na sua primeira corrida e foi abalroado por Edoardo Mortara na segunda, quando caminhava para um pódio quase certo, Alvaro Parente encara o fim de semana belga, num circuito no qual costuma ter boas recordações.

"Em Valência demonstrámos que estávamos competitivos e só devido ao azar não saímos de lá com um punhado grande de pontos. Julgo que em Spa-Francorchamps poderemos ser ainda mais competitivos, dado que o nosso carro deverá adaptar-se bem ao circuito belga", começou por referir o piloto da Ocean Racing Technology.


"Spa-Francorchamps é um dos meus circuitos preferidos e tenho obtido sempre bons resultados lá - julgo que é um traçado onde o piloto ainda é muito importante. O nosso objectivo é rodar sempre entre os primeiros e lutar pelas posições cimeiras e é isso que pretendemos para o próximo fim-de-semana", concluiu o piloto do Porto.


Enquanto isso, durante a semana foi anunciado que ele irá correr pelas cores do F.C. Porto na Superleague Formula na ronda do Estoril, que acontecerá no fim de semana e 5 e 6 de Setembro. Parente mostra-se honrado pelo convite, até porque ele é adepto do clube que venceu os últimos quatro campeonatos nacionais. "Foi um convite que eu, a Polaris Sports e a equipa não podemos recusar dado ser uma enorme honra defender as cores do Futebol Clube do Porto. Será também uma oportunidade para voltar a competir em Portugal, após mais de um ano sem o fazer. É um campeonato que desconheço, mas sei que é muito competitivo e, como habitualmente faço, vou dar o meu melhor e tentar alcançar o melhor resultado possível", declarou.

Extra-Campeonato: A medalha da Telma e a falta de cultura de certo jornalismo desportivo

Eu vou ser sempre aqueles que vcou congratular por uma medalha, independentemente da sua cor. Sempre! Não vou fazer como os meus colegas, que torcem o nariz, qual mal-agradecidos, caso o atleta leve para casa uma medalha que não a de ouro. Digo isto porque ando a ouvir esta tarde o comentário de alguns ditos "colegas" a menosprezar a medalha de prata que Telma Monteiro, a nossa melhor judoca do momento, que conquistou a medalha de prata nos campeonatos do mundo da modalidade, que decorrem em Roterdão, na Holanda.

Revolta-me ouvir frases ditas por pessoas, quando abordam atletas de alta competição, que sacrificam horas, dias, meses e anos da sua vida, para alcançar um bom resultado, que muitas das vezes não acontece, perguntas do género: "O que faltou para chegar à medalha de ouro?" Ouvi isso ontem ou anteontem da boca de uma colega minha, na SIC (andou comigo na mesma Universidade do que eu, em Coimbra), quando entrevistava o Nelson Évora, atleta do salto em comprimento, e vice-campeão do mundo em Berlim. Para mim, demonstra o desprezo e a falta de consideração que esta classe tem por estes atletas. Numa cultura impregnada de futebol, nunca aquela frase "o segundo classificado é o primeiro dos últimos" foi tão usada.

Frases desse tipo demonstram também que a grande maioria desta classe não tem cultura, ou experiência desportiva. Digo isto em termos de alta competição. A esmagadora maioria desta gente é "desportista" ou "futebolista" de sofá. Nunca deve ter praticado algum desporto na vida. Eu pessoalmente, fiz atletismo na escola, nadei competitivamente e pratiquei karting. E ganhei um enorme respeito por todos aqueles que sacrificam a sua infância e juventude em busca de algo como ser o melhor. De participar em campeonatos do mundo e Jogos Olimpicos. Eu sonhei, em jovem, competir naquilo que acho ser a maior competição do Mundo.

Para mim o futebol é mais um desporto, não é "o" desporto, ao contrário de muita gente. Aliás, a cada dia que passa, por estar dentro da engrenagem, convenço-me cada vez mais que "jornais desportivos" são mais uma ficção. "Jornais de futebol" é o que são. E em Portugal, são os "Jornais dos Três Grandes". A cada dia que passa, por causa desta gente, mais detesto o futebol.

Perdoem-me o desabafo, meus caros amigos. Este post deveria ser o de congratulação pelo excelente resultado internacional da Telma Monteiro e não de amargura pela estupidez intelectual de certos profissionais, que vivem com a doença da "medalhite" e atacam os atletas quando estes não conseguem os resultados que estes desejariam que tivessem para fazer capas bonitas no Verão, quando o futebol está parado... E mais uma vez, Parabéns, Telma!

Cinquenta anos de vida, Gerhard Berger!

Gerhard Berger atingiu hoje o seu 50º aniversário natalicio. Não sei como é visto hoje em dia, mas eu o recordo como o homem que no inicio da sua carreira deu a primeira vitória à Benetton, que deu nas suas duas passagens pela Ferrari os seus fogachos, quer ao ganhar as duas últimas provas de 1987, que foram também as últimas que Enzo Ferrari viu em vida, quer quando viu cair no seu colo uma inesperada vitória em Monza 1988, um mês depois da morte de "Il Commendatore", para delírio dos "tiffosi".


Foi também o melhor companheiro de equipa que Ayrton Senna teve. Não só nos termos em que ele soube ser o segundo piloto da equipa McLaren, mas também pelos seu lado humano, mas para o humoristico. Cenas contadas como a mala Samsonite atirada do helicóptero, para saber da sua resistência, ou dos sapos no quarto de Senna, na Austrália, contadas anos depois, foram inesquecíveis e demonstraram uma faceta mais humana no piloto brasileiro, pois não só se ria das suas brincadeiras, como ele próprio inventava as suas, como resposta.

Esteve na Formula 1 de 1984 até 1997, um periodo longo na categoria máxima. Foi o homem que, no final da sua carreira, brilhou em Hockenheim: em 1994, quando aproveitou as longas rectas para fazer cantar o seu V12 e dar a primeira vitória para a marca em quase três anos e meio, apesar de ter beneficiado das carambolas na partida. Três anos depois, quando passou por um dos periodos mais complicados na sua vida (foi operado a uma sinusite e perdeu o pai num acidente aéreo), voltou brilhantemente à competição e venceu no circuito alemão, para gáudio de todo o "paddock". "I couldn't be happy, Formula One Couldn't be happy", dizia um extasiado Murray Walker quando narrou a sua vitória. Foi a última da equipa, onze anos depois de a ter dado a primeira.

Berger tem uma ligação a Portugal, devido ao facto de se ter casado com uma modelo, de seu nome Ana Corvo. Dessa união resultaram duas filhas. Desconheço se continuam casados, mas pode-se dizer que o nosso país é muito mais do que o lugar onde venceu a corrida de 1989... Hoje em dia, depois de ter ajudado a gerir a Toro Rosso, com excelentes resultados (venceu em monza graças a Sebastien Vettel, anda por aí, provavelmente gozando a sua semi-reforma da Formula 1. E para alguém que não foi campeão, teve uma vida demasiado grande para ser um mero segundo piloto. Feliz Aniversário, Gerhard!

O "mistério A1GP", a dois meses do seu começo

Ontem à noite, depois de ter acabado a minha 5ª Coluna, dei por mim a ver a página da A1GP, mais concretamente a olhar para o calendário, onde via a contagem decresente para a prova de Surfers Paradise: 60 dias. Dois meses para a prova australiana, e vejo que só há duas provas confirmadas, com mais três vagas abertas, pelo menos em 2009, ignorando o que vai ser o calendário na segunda metade do campeonato, ou seja em 2010.

Bem sei que a crise afecta a todos, e sei perfeitamente que no ano passado houve três cancelamentos em termos de calendário (Itália, Indonésia e México), todos por razões diferentes. Sei perfeitamente que no primeiro caso, os carros não estavam prontos, e nos outros casos foi por causa da Gripe A (México) e que a pista não estava pronta (Indonésia). Mas este ano já se saberia alguma coisa de concreto. Será que teremos mesmo competição? Quem visitar o site, dirá que sim, e a demonstração em Assen, há umas semanas, foi uma forma de mostrar que "estão vivos". Mas sei que em Julho, a empresa que tratava da logistica, sedidada em Inglaterra, abriu falência. E sinceramente, não sei nada sobre a tal fábrica de Portimão, que já deveria ter começado a ser construida.

Em suma: o luso-aul-africano Tony Teixeira está muito silencioso por estes dias. Por onde andará?

A dois meses de um eventual quinta temporada da categoria, as duvidas persistem em alguns sectores, mas o resto parece estar vivo. Verdade ou uma forma de não esquecer que existem? Afinal de contas, é uma competição onde andam carros construidos pela Ferrari, que assinou um protocolo até 2014... Gostaria de saber umas noticias a sério sobre o que se passa acerca desta competição entre nações, de onde Filipe Albuquerque é o piloto que corre por Portugal.

GP Memória - Belgica 1989

Passados quinze dias desde a corrida húngara, máquinas e pilotos passavam agora para o desafiador circuito de Spa-Fracochamps, na Bélgica, onde eram sujeitos não só aos desafios da pista, como também ao capricho do tempo nas Ardenas, um local onde 45 anos antes tinha assistido à ultima grande ofensiva da Alemanha nazi contra os Aliados. Aliás, Bastogne, o local onde o general americano Anthony McAuliffe, respondera ao cerco alemão com um simples “NUTS!” não ficava longe dali…


Os bastidores andavam agitados, mas agitados do que o costume. Alguns dias antes, o homem que comprara a MRD Developments, o nome de registo da Brabham, no ano anterior a Bernie Ecclestone, o suíço Joachim Luthi, tinha sido preso, acusado de uma grande fraude, no valor de 100 milhões de dólares, de uma das suas companhias de investimentos bancários. A justiça suíça decidira congelar os seus bens. Ao mesmo tempo, outro dos potenciais compradores, um tal… Peter Windsor, tinha entrado com uma acção num tribunal londrino, para contestar essa compra, o que fez com que… os bens da MRD fossem congelados também!


Enquanto isso, havia algumas alterações nas equipas. A corrida belga coincidia com uma ronda da Formula 3000 europeia, e Jean Alesi estava a disputar o título daquele ano. Assim sendo, Ken Tyrrell, patrão da equipa, foi buscar os serviços do novato Johnny Herbert para preencher a vaga. Herbert, que tinha sido despedido da Benetton no final da corrida canadiana, tinha mais uma chance de demonstrar o seu valor, e também voltaria para correr na prova do Estoril, dali a quatro semanas.


Numa das equipas do fundo do pelotão, a Rial, o seu patrão Gunther Schmidt dispensava os serviços do seu compatriota Wolker Weidler, que nunca se tinha qualificado uma única vez na temporada. No seu lugar, vinha o francês Pierre-Henri Raphanel, que tinha corrido até ali na Coloni, outra equipa do fundo do pelotão. Nessa equipa, a sua vaga foi preenchida pelo italiano Enrico Bertaggia.


A corrida belga, que iria marcar o centésimo Grande Prémio por parte do local Thierry Boutsen, que começara a correr sete temporadas antes, em… Spa-Francochamps, começou com as pré-qualificações de sexta-feira de manhã, com os Larrousse de Michele Alboreto e Philipe Alliot, e os Onyx de Stefan Johansson e Bertrand Gachot a serem contemplados com a passagem para a fase seguinte. No final da qualificação, estes quatro carros conseguiriam estar entre os 26 felizes contemplados para correr na prova de Domingo.


Para o lugar mais cobiçado, a “pole-position” o feliz contemplado foi o favorito de todas as casas de apostas: Ayrton Senna, no seu McLaren-Honda. Ao seu lado estava o seu companheiro de equipa, e maior rival, Alain Prost. Na segunda fila ficaram o Ferrari de Gerhard Berger e o Williams-Renault de Thierry Boutsen, e na terceira estavam o segundo Williams-Renault de Riccardo Patrese e o segundo Ferrari de Nigel Mansell. Alessandro Nannini, no seu Benetton-Ford, era o sétimo a partir, tendo a seu lado o Brabham-Judd de Stefano Modena. A fechar o “top ten” ficavam o March-Judd de Maurício Gugelmin e o Arrows-Ford de Derek Warwick.

A tarde de Sábado ficaria famosa em Spa-Francochamps por um “escândalo”: a Lótus, a mítica equipa fundada em 1958 por Colin Chapman, não conseguia meter nenhum dos seus carros na grelha. Nelson Piquet e Satoru Nakajima não iriam alinhar, devido a problemas de vária ordem. Um motor partido num chassis e danos noutro devido a despiste, aliados a pneus Goodyear pouco eficazes, fizeram com que ambos os pilotos ficassem de fora. Um golpe brutal na equipa, que vivia tempos conturbados…

No dia da partida, uma chuva forte atrasou a partida por mais de uma hora, devido ao facto de em certas zonas, a água inundava a pista. Quando esta amainou um pouco, a partida foi dada, com Senna a manter a liderança atrás de Prost, Berger e Mansell, que sai um pouco do asfalto para tentar ganhar uns lugares extra. As coisas andam assim por mais umas voltas, até que Berger desiste, vítima de "acquaplanning" na volta nove.


A meio da corrida, tudo está na mesma, com Prost a não largar Senna e atrás deles, Mansell a não largar os McLaren. Ricardo Patrese desiste devido a um acidente, uma volta depois e no mesmo local que o Larrousse do seu compatriota Michele Alboreto. Esse é praticamente o último acontecimento relevante da corrida até ao final, quando Senna cruza a meta como vencedor, mas ganhou apenas três pontos a Prost. Mansell acompanhou-os no pódio, enquanto que nos restantes lugares pontuáveis ficaram o Williams de Thierry Boutsen, o Benetton de Alessandro Nannini e o Arrows de Derek Warwick.

Fontes:

Santos, Francisco – Formula 1 1989/90, Ed. Talento, Lisboa/São Paulo, 1989


http://en.wikipedia.org/wiki/1989_Belgian_Grand_Prix

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Videos do Mantovani - GP da Europa (Valencia)



Era inevitável que o Bruno Mantovani tocasse nesse assunto. Com a saída da Honda, toda a gente tinha feito o funeral de Rubens Barrichello, e o Bruno Mantovani chegou a fazer um cartoon colocando a campa do piloto brasileiro, ao lado de David Coulthard, por exemplo. Só que Barrichello não desistiu, e quando a Brawn GP foi anunciada, com o veterano piloto brasileiro ao voltante, Mantovani "corrigiu o tiro", colocando-o como um morto-vivo, que vindo dos mortos, iria aterrorizar as pistas.


E não é que aconteceu mesmo? Ainda por cima em Valência, sendo o unico brasileiro do pelotão, e a conseguir a centésima vitória do seu país na Formula 1...


Já agora: repararam no pormenor do "carro" que o Luca Badoer anda a conduzir. Sensacional, não?

Troféu Blogueiros - As notas de Valencia

Com algum atraso (desta vez a culpa é do Thiago) eis as notas do GP da Europa, que decorreu este fim de semana no circuito de Valencia.



Eu esta semana decidi não dar nota dez ao Barrichello, não porque o merecia (e a resposta é sim) mas decidi que este fim de semana não daria nota dez a ninguém. Só isso. Achei por bem dar nota nove a Rubens Barrichello e a Lewis Hamilton porque ambos, pelos feitos que alcançaram no fim de semana (um ganhou, o outro fez a pole-position), mereciam ambos a mesma nota. Assim, espalhei o mal pelas aldeias...





Já agora, se acham que fui bonzinho ao dar nota 1 ao Luca Badoer, imaginem a Priscilla que deu nota 3 ao italiano...

Norberto Lobo, "Ayrton Senna"




Descobri isto a semana passada quando lia o jornal "Público", numa secção sobre as musicas que devem ser ouvidas neste Verão. Contudo, deixei passar uns dias, para que as pessoas pudessem ver este video e apreciar a musica sem as interferências automobilisticas tipicas de um fim de semana competitivo.


Norberto Lobo é um guitarrista português, que toca essencialmente musicas instrumentais, sem voz. O seu talento está a ser reconhecido pela critica e pelo público, pois este ano lançou o seu segundo álbum, "Pata Lenta". Uma das musicas desse álbum tem um título intrigante: "Ayrton Senna". Intrigado, fui ouvir a musica, e no final descobri algo agradável de se ouvir num piquenique no campo, numa tarde agradável de Verão, à sombra de uma árvore de grande porte. Em suma, a mim esta musica entrou bem nos meus ouvidos.


Agora: o que isto tem a ver com um piloto de Formula 1 brasileiro, morto há 15 anos? Acho que tem a ver com a idade. Norberto Lobo é da mesma idade do que eu, e tal como muitos que cresceram nos anos 80 e 90, certamente passaram as manhãs e as tardes de Domingo a ver na TV as desventuras de um piloto de capacete amarelo, num carro ora negro e dourado, ora amarelo vivo, ora vermelho e branco, lutando pela vitória, pela pole-position, contra outros vinte ou vinte e cinco adversários, durante quase dez anos.


Certamente, isto tem de ter impacto. E à medida que chegamos à idade adulta, essas referências tornam-se óbvias. E pouco tempo depois de ter descoberto os DeLorean (com a ajuda do Daniel), posso afirmar, sem sombra de dúvidas, que Ayrton Senna deixou uma referência que vai muito para além das fronteiras aparentemente estanques do automobilismo...

GP Memória - Holanda 1984

Tinha passado apenas uma semana desde Zeltweg, e o campeonato estava ao rubro, apesar de todos saberem que iria ficar nas mãos de um dos pilotos da McLaren. Niki Lauda estava na frente de Alain Prost por meros oito pontos e meio, a diferença entre uma vitória, menos… meio ponto. Prost, que tinha perdido o campeonato do ano anterior, não queria passar pelo mesmo um segundo ano, e tinha de reagir, de preferência com uma vitória.


Enquanto as pessoas verificavam essa questão, nos bastidores levantava-se outra: os insistentes rumores de um acordo iminente entre o “rookie” Ayrton Senna e a equipa Lótus. O brasileiro tinha um acordo com a Toleman até ao final da temporada de 1985, e Alex Hawkridge, o patrão da equipa, queria que a equipa com sede em Hethel negociasse directamente com ele, na esperança de conseguir vantagens, pois entre outras coisas, precisava de um fornecedor de pneus, já que a Michelin tinha anunciado a sua retirada no final daquela temporada. Contudo, Senna preferiu negociar directamente com eles, mais concretamente com Peter Warr, e como Senna tinha caído bem no goto dos administradores da BAT (British American Tobacco, que detinha a marca John Player Special) acordou um contrato com Senna, que teria a duração de três temporadas. Firmado o acordo, Senna combinou com Warr que iria avisar Hawkridge antes do anúncio oficial.


Contudo, uma fuga de informação precipitou as coisas e na manhã de Domingo, a Lotus mandava à imprensa o comunicado oficial anunciando a contratação do jovem prodígio para a temporada seguinte. Hawkridge ficara furioso pelo facto do negócio ter sido feito sem o seu conhecimento, pois planeava o seu futuro à volta do piloto, e prometeu represálias sobre ele.


Na ATS, depois da experiência austríaca, com o novato local Gerhard Berger ao volante, a equipa de Gunther Schmidt voltou a ter um carro, para o alemão Manfred Winkelhock, mas com a promessa de que na prova seguinte, em Monza, iria correr com dois carros.


Na qualificação, Prost levou a melhor sobre Nelson Piquet, no seu Brabham-BMW, e ambos partilhavam a primeira fila da grelha. Logo atrás, Elio de Angelis (Lótus-Renault) partia em terceiro, à frente de Derek Warwick. Patrick Tambay, no segundo Renault, era quinto, e só depois é que estava o líder do campeonato, Niki Lauda. A Williams monopolizava a quarta fila, com Keke Rosberg à frente de Jacques Laffite, e a fechar o “top ten” estava o Ferrari de Michele Alboreto e o segundo Brabham-BMW de Teo Fabi.


Em 1984, Zandvoort era um circuito que estava na Formula 1 há mais de 30 anos, e o próprio circuito tinha quase 40 de existência, e não tinha passado por uma reforma profunda da sua estrutura, apesar dos inúmeros acidentes e mortes terem feito com que fosse um circuito mais seguro em termos de pista. E estando perto do mar, estava à mercê dos elementos, que paulatinamente corroíam tudo que era feito de metal. E a melhor prova disso foi o que aconteceria no Domingo de manhã, poucas horas antes da corrida, quando um passadiço cedera na zona das boxes cedeu, ferindo várias pessoas, quer da queda, quer dos destroços. Contudo, os planos para a corrida continuaram.


Na partida, Piquet levou a melhor sobre Prost e partiu na frente, seguido por Tambay, De Angelis e Rosberg. Lauda partira mal e era nono no final da primeira volta. Nas voltas seguintes, Rosberg passa o italiano da Lotus e o francês da Renault para ficar com a terceira posição, tendo atrás de si Lauda, que recuperara da sua má partida e já era quarto no final da nona volta.


Na volta seguinte, o líder Piquet tem uma fuga de óleo no seu Brabham e desiste, entregando a liderança a Prost, seguido por Rosberg e Lauda. Mas o austríaco estava melhor do que o finlandês e aos poucos fechou a diferença, para ultrapassá-lo mais tarde, deixando ambos os McLaren nos dois primeiros lugares. Se a corrida terminasse naquele momento, os 15 pontos alcançados seriam o suficiente para a McLaren conquistar o título de Construtores, a quatro provas do final daquela temporada.


Com o tempo, a ordem ficou estabilizada dessa maneira, com Mansell na quarta posição, depois de uma corrida ao ataque, primeiro aproveitando o despiste de Teo Fabi na Curva Tarzan, e passando depois seu companheiro de De Angelis.


Na volta 68, o guloso motor Honda fica sem combustível e Rosberg perde um pódio certo. Mansell herda o terceiro lugar, o seu segundo pódio do ano, e na meta. Prost vencia para quinta vez nesse ano, com Lauda logo atrás, e Mansell no lugar mais baixo do pódio. Elio de Angelis era o quarto, Teo Fabi o quinto no seu Brabham e Patrick Tambay fechava os lugares pontuáveis no seu Renault.


Fontes:


Santos, Francisco, Ayrton Senna do Brasil, Ed. Edipromo, São Paulo, 1994


http://en.wikipedia.org/wiki/1984_Dutch_Grand_Prix
http://www.grandprix.com/gpe/rr401.html

A loucura de um génio, no dia de anos da minha mãe



Há 30 anos atrás, a minha mãe comemorava o seu 26º aniversário natalicio e estava a menos de dois meses de ter o meu irmão. Certamente nesse Domingo, provavelmente levado pelo meu pai e irmão, deve ter acordado e espreitado para a televisão para ver a TV Globo, que transmitia o Grande Prémio da Holanda de Formula 1, narrado então pelo Leo Batista. Eu? Com três anos de idade, se calhar via outras coisas que não automobilismo. Pelo menos, não me lembro da cena que se seguiu...



Nesse Grande Prémio, que decorreu no circuito de Zandvoort, certamente olhavam por Emerson Fittipaldi, que lutava para se qualificar num mal-nascido Copersucar F6A, e Nelson Piquet, que no final da corrida iria marcar os seus primeiros pontos da sua carreira, no Brabham BT48 com um pífio motor Alfa Romeo. Mas eventualmente a meio da corrida começaram a olhar para o Ferrari numero 12 de Gilles Villeneuve, que depois de ter lutado com Alan Jones pela liderança, teve um furo lento, que não percebeu de inicio, mas que depois, quando se despistou uma segunda vez, no final da curva Tarzan, viu que tinha de substituir aquele pneu o mais depressa possivel. E assim o fez.


Certamente, poucos esperavam que, quase dois meses depois da épica batalha com René Arnoux pelo... segundo posto, no GP de França, realizado em Dijon-Pronois, Villeneuve fizesse outra demonstração que ficasse na memóris de toda a gente. Analisando as coisas a frio, foi um gigantesco "tiro no pé" nas suas pretensões ao título, dado que o seu grande rival, e companheiro de equipa, Jody Scheckter, terminou a corrida na segunda posição, e apressou as coisas para a sua consagração na corrida seguinte, em Monza.


Hoje, esta demonstração comemora o seu 30º aniversário de vida. Para os mais velhos que viram isso nesse dia, certamente que ficou nas vossas retinas para o resto dos vossos dias. Para a história fica como mais uma manifestação de um piloto que demonstrou o seu carisma nas pistas, mostrando que os grandes pilotos não são só aqueles que vencem corridas e títulos mundiais. Também vencem os nossos corações.


Esta data coincide também com o aniversário da minha mãe, que chega agora ao seu 56º ano de vida. Mãezinha, desejo-te muitos anos de vida e agradeço pelos muitos anos que dedicaste a cuidar de mim e do Luis (o meu irmão). E espero que um dia destes, um de nós te dê o neto (ou neta) que desejas, mas não dizes... Um beijo!

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Formula 1 em Cartoons - Laser Car Design (Valencia)

Ai se a moda pega... mas como sabem, não foi assim que o Barrichello ganhou o GP de Valencia. E duvido que tenha passado essa ideia pela cabeça dele. Mas tem a sua graça!

Noticias: USF1 falou com Sebastien Löeb

Sebastien Löeb está nas bocas do mundo. Apesar dos seus 35 anos de idade, o nome do penta-campeão francês do WRC, ao serviço da Peugeot, é cogitado para correr num Formula 1 nos próximos tempos. Seja num "one-off" com a Toro Rosso na última prova do campeonato, no novo circuito de Abu Dhabi, ou agora com a hipótese da USF1, agora recheado dos dólares da Youtube, o contratar para uma temporada. Ambas as partes confirmaram contactos ao jornal francês L'Équipe.

"Alguém a representar Löeb contactou-nos, mas não poderei dar detalhes dessa conversa", confirmou Peter Windsor, da USF1, ao jornal francês. "Ele tem um talento incrível e sem dúvida que tornaria as coisas mais interessantes na Formula 1. Estamos mais à procura [de pilotos] no lado americano mas vamos tê-lo em atenção", acrescentou.

No lado do piloto francês, este confirmou os contactos. Ao mesmo jornal, afirmou que "da minha parte, queria saber se eu era do interesse de alguma equipa de Formula 1, apenas por curiosidade. Por isso, uma pessoa que eu conheço entrou em contacto com uma nova equipa. Não sei o que ele disse".


"Depois do episódio de Abu Dhabi, a Toro Rosso perguntou-me se eu queria mesmo entrar na Formula 1. Neste momento, apenas me divirto a pilotar um carro de WRC, e estou prestes a estender o meu contrato com a Citroën. No entanto, se a oportunidade de correr num dos grandes prémios de 2010 ocorrer quando os calendários de Formula 1 e de ralis não coincidirem, porque não?", acrescentou o francês. "Em vez de estar constantemente a questionar-me o que poderia fazer na Formula 1, poderia mesmo tentar uma oportunidade. Pelo menos, assim ficaria a saber", concluiu o pentacampeão francês, que testou um Red Bull em Novembro do ano passado, no circuito de Barcelona.

De facto, não perde nada em tentar. E agora parece que a nova tendência é querer pilotos mais experientes...

Superleague Formula: Alvaro Parente corre pelo F.C. Porto no Estoril

Normalmente não ligo nenhuma para a Superleague Formula, um conceito que visa misturar automobilismo com futebol. Para mim, até prova em contrário (ou até o meu Benfica entrar nisto), esta categoria é para mim misturar alhos com bugalhos. O que é que o futebol tem a ver com o automobilismo? Só se for para encher autódromos, digo eu... Ah! E isto é patrocinado pela petrolifera angolana Sonangol...

Enfim, falo disto porque Alvaro Parente vai ser o piloto do F.C. Porto na jornada da Formula Superleague no Autódromo do Estoril, em substituição de Tristian Gommendy, que se encontra lesionado. Como o Sporting, outra equipa que tem carro na competição, tem o piloto Pedro Petiz ao voltante, e Parente nasceu no porto e é confesso adepto portista (bem como o seu patrão, Tiago Monteiro), ele acedeu correr na equipa nesta jornada dupla, onde também participará Jacques Villeneuve, que correrá com as cores da A.S. Roma.

"Álvaro Parente vai assumir a condução do monolugar do FC Porto na prova do Estoril, a quarta do calendário da Superleague Formula, após acordo celebrado entre os azuis e brancos e a Ocean Racing Tech. A estreia do português na competição fica a dever-se a problemas físicos denotados por Tristan Gommendy, que deverá recuperar os comandos do bólide azul e branco em Monza e em Jarama", revela uma nota publicada no site oficial do clube português, vencedor dos últimos quatro títulos nacionais.

Com isto, Alvaro Parente vai competir em cinco fins de semana consecutivos, que começou na semana passada com a GP2 em Valencia, terá continuidade este fim de semana em Spa-Francochamps, e terminará a 19 de Setembro no Autódromo de Portimão, a jornada dupla de encerramento da GP2 e a unica que não faz parte do calendário de algum Grande Prémio.

Historieta da Formula 1 - Diogo Castro Santos na Jordan, 1992

O Rianov Albinov mandou-me a foto há uns tempos atrás, mas desconhecia onde a tinha colocado. Este fim de semana redescobri-a num dos meus arquivos do qual já não ia há muito tempo, no meu computador fixo (eu tenho neste momento... três computadores), logo, achei que era bom falar sobre esta personagem.

No final do anos 80, inicio dos anos 90, havia uma rivalidade saudável entre Pedro Lamy e Diogo Castro Santos. Ambos começaram a carreira na Formula Ford portuguesa, onde Castro Santos venceu em 1988, e Lamy em 1989. Juntos, avançaram para uma carreira internacional e venceram a Taça das Nações de Formula Opel por duas vezes, em 1990 e 1991. A primeira vitória aconteceu em Spa-Francochamps, conseguindo bater a equipa brasileira, que era constituida nessa altura por André Ribeiro e... Rubens Barrichello. A segunda vitória aconteceu no ano seguinte, e a correr no circuito de Zandvoort, batendo desta vez a equipa alemã, constituida por Michael Krumm e Helmut Schwalla.


Nesse mesmo ano, dominaram por completo a Formula Opel Lotus, onde o jovem Lamy, com quatro vitórias mas mais regular, conquistou o título, com 184 pontos, com Castro Santos vice-campeão com 161 pontos e três vitórias no pecúlio. Em 1992, ambos foram para a Formula 3 alemã, onde lutaram contra Marco Werner pelo título da categoria. Lamy ganhou, Castro Santos foi quarto, a bordo de um Ralt-VW oficial, vencendo quatro corridas, contra as onze de Lamy, que corria num Reynard-Opel.

No final desse ano, teve a chance de experimentar um Formula 1, nomeadamente um Jordan-Yamaha que foi guiado durante toda a temporada por Mauricio Gugelmin. A experiência foi no Autódromo do Estoril, mas os seus tempos não foram muito impressionantes, pois deu apenas quatro voltas. Contudo, como experiência, ficou marcado.

Em 1993, voltou à Formula 3 alemã, tentando o assalto ao título conquistado pelo seu compatriota. Contudo, não alcançou mais do que o quinto lugar no campeonato. No final desse ano, decidiu encerrar a sua carreira automobilistica, tentando a sua sorte... no golfe. Aparentemente, um valente despiste numa das provas do campeonato o fez pensar em desistir da carreira e dedicar-se a um desporto mais tranquilo. Nessa mesma altura, Pedro Lamy era piloto da Lotus e o terceiro português a correr na Formula 1.


Desde 2001, que faz algumas aparições discretas no automobilismo, desde os Ralies até aos Turismos, mas nada de significativo. Se alguém tiver mais informações sobre ele, agradecia.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Formula 1 em Cartoons - GP Series, parte 2 (Valencia)

E o Marcos Antônio Filho, do GP Series, volta à carga! Desta vez ele tenta adivinhar o pensamento dos pilotos que ontem subiram ao pódio de Valencia. sabemos que não são verdadeiros, mas creio que desta vez ele não deve ter ficado longe da verdade, não?