domingo, 6 de junho de 2010

Sobre Bruno Magalhães e o seu desempenho no IRC

Este fim de semana tivemos mais uma prova do Intercontinental Rally Challenge, na Sardenha. Para quem não sabe, podemos dizer que é uma espécie de Mundial alternativo, somente com carros de 2 Litros, como o Ford Fiesta, Fiat Punto Abarth, Skoda Fabia, Peugeot 207 e outros modelos, que aparecerão de futuro.

É uma competição que foi feito para equipas privadas, com ralis feitos um pouco como antigamente: troços com várias superfícies, por exemplo. Alguns dos ralis que não estão no Mundial WRC, como o da Argentina, encontraram no IRC uma alternativa à sua continuidade. É seguida pela Eurosport, que está a fazer uma cobertura que está a ganhar adeptos. Fala-se que a partir de 2011, este tipo de carros serão os que estarão no Mundial de Ralis, substituindo os WRC. Não se sabe muito bem se algum destes pilotos, ou marcas, estarão por lá a partir do ano que vêm.

Feitas as introduções, vamos ao que interessa: existem aqui excelentes pilotos, como os britânicos Guy Wilkes e Chris Meeke, o finlandês Juho Hanninen, o checo Jan Kopecky e o francês Nicolas Vouilloz. E este ano tem a presença do português Bruno Magalhães, bi-campeão nacional de ralis e que está na sua primeira época a nivel internacional. E está a correr bem, pois tem acabado todos os ralis que tem participado... e nos pontos. Actualmente, e quarto na tabela, com 17 pontos.

Este fim de semana, na Sardenha, Magalhães fez algo menos do que um milagre, digo eu. Problemas de travões no primeiro dia quase deitaram tudo a perder, e esteve muito perto da exclusão por excesso de tempo. No primeiro dia terminou na décima posição, mas no segundo dia, aproveitou os azares dos outros e um desempenho sem erros para chegar ao quinto posto final, embora nuns distantes 9 minutos e 55 segundos do vencedor, o finlandês Juho Hanninen.

"Um rali muito difícil, sobretudo pela concorrência de nível superior. Claro que é duro começar uma prova a perder cinco minutos... nessas alturas é muito complicado gerir as emoções e recuperar o ritmo, mas fomos o mais longe que pudemos. Se me perguntassem antes do rali se considerava positivo chegar ao final da prova, com esta concorrência, em 5º lugar, teria respondido que seria excelente. Claro que é pena os problemas que tivemos ontem, mas temos o sentimento de dever cumprido." disse Bruno.

Uma opinião corroborada por Carlos Barros, Director da Peugeot Sport Portugal: "A uma etapa de ontem muito difícil, hoje seguiu-se um dia positivo porque acabar em 5º é um óptimo resultado, tendo em conta esta concorrência. O importante é que o Bruno e o Carlos chegaram ao fim num rali tão duro e sem terem um único deslize, quando mais de metade dos pilotos abandonou. Com cinco provas realizadas, a equipa acabou e pontuou em todas elas. Estamos muito satisfeitos por isso e pelo nosso quarto lugar no campeonato.", afimrou.

Não venceu a corrida? Não fez uma exibição de encher o olho? E depois? Acham que é isso que impressiona um Olivier Quesnel, por exemplo? Não creio. Nem toda a gente é Sebsastien Löeb, e nem toda a gente tem de guiar como um louco e destrua carros como faz Jari-Matti Latvala. Acho que o Bruno é um excelente piloto que leva o nome de Portugal lá fora, tal como fazem Armindo Araujo e Bernardo Sousa. E tem cumprido o seu papel, que é pontuar e levar o carro até ao fim, melhor do que muitos pensavam. E ainda por cima, este é um campeonato onde usam o sistema antigo de pontuação, que premeia os oito primeiros.

Mas infelizmente neste país, existem aqueles "campeões da Playstation", que tal como os "treinadores de bancada", nunca correram num carro na sua vida, que aproveitam o direito democrático de dizerem o que pensam para referir os seus disparates pegados nas dezenas de fóruns automobilisticos. É por isso que os abandonei. E francamente... não tenho saudades.

Eu aplaudo os feitos do Bruno, tal como aplaudo o Armindo e o Bernardo e todos os pilotos portugueses que andam lá fora, a levar o nosso país. Nem sempre sobem ao pódio, mas mostram que este pequeno país à beira-mar plantado também tem pilotos de valor, que se batem de igual para igual com o resto do mundo. Isso devia ser valorizado.

GP Memória - Holanda 1960

Uma semana depois do GP monegasco, máquinas e pilotos alinhavam no GP da Holanda, no circuito de Zanvoort, para a quarta prova do campeonato, o segundo em solo europeu. Vinte e um carros estavam inscritos para a corrida deste fim de semana, e havia algumas novidades em relação à corrida anterior.

Para começar, a Aston Martin estava de volta com um carro, conduzido pelo britânico Roy Salvadori. Ainda com o modelo do ano anterior, com motor à frente, numa era em que todos já colocavam os seus motores atrás do condutor. Outra equipa com motores à frente era a americana Scarab, com Lance Reventlow e Chuck Daigh, enquanto que a BRM, que ainda tinha motores à frente, alinhava com o britânico Graham Hill, o sueco Jo Bonnier e o americano Dan Gurney. Para finalizar com as equipas com motores à frente, a Ferrari alinhava com Phil Hill e Wolfgang von Trips, enquanto que Richie Ginther corria com o carro de motor traseiro.

Em termos de equipas com motor traseiro, a Cooper alinhava oficialmente com Jack Brabham e Bruce McLaren, enquanto que na BRP da Yeoman Credit estavam os britânicos Tony Brooks, Chris Bristow e um novo recruta: Henry Taylor. A Scuderia Centro-Sud alinhava com dois Cooper-Maserati, destinados ao americano Masten Gregory e ao francês Maurice Trintignant e uma equipa local, a Ecurie Maasbergen, alinhava com o holandês Carel Godin de Beaufort.

Para finalizar, a Lotus alinhava com quatro carros. Um da Rob Walker Racing Team, para Stirling Moss, que complementava as três oficiais, para os britânicos Innes Ireland, Alan Stacey e um jovem talento de 24 anos, vindo da Escócia: Jim Clark.

Nos treinos, o melhor foi Moss, no seu Lotus, seguido por Brabham e Ireland. Na segunda fila estavam os BRM de Bonnier e de Graham Hill, enquanto que na terceira fila estavam o BRM de Gurney, o Cooper de Bristow e o Lotus de Stacey. A fechar o "top ten" ficaram os Cooper de McLaren e de Brooks. O estreante Jim Clark alinhava na 11ª posição.

Contudo, o fim de semana tinha sido marcado pela controvérsia. As várias equipas que alinhavam em Zandvoort discutiram sobre os prémios à partida dados pela entidade organizadora, e achavam que o dinheiro era insuficiente para o numero de carros que lá estavam. Sem chegar a acordo, quatro carros acabaram por não alinhar na corrida: o Cooper-Maserati de Gregory, os Scarab de Reventlow e Daigh e o Aston Martin de Salvadori. Mas mesmo com este boicote, a corrida prosseguiu como planeado.

Na largada, Brabham levou a melhor sobre Moss e os Lotus de Ireland e Stacey, que fizera uma partida brilhante do oitavo posto. Pouco depois, os pilotos da Lotus trocaram de posições, mas Ireland reagiu e recuperou o lugar. Pelo quinto posto andava Phil Hill, que também fizera um bom arranque, mas pouco depois era ultrapassado por Bruce McLaren. O neozelandês desistira depois com problemas mecânicos, mas Hill foi desafiado pelo seu compatriota Gurney. O BRM ultrapassou-o, mas na volta onze sofreu um forte despiste. Uma das rodas soltou-se e atingiu mortalmente um espectador, que veio a saber-se depois, estava em zona proibida.

Na volta seguinte, Jim Clark estava em quinto, atrás dos outros dois Lotus, mas pouco depois todos subiam uma posição quando o Lotus de Moss sofreu um furo devido a pedras atiradas do carro de Brabham. Moss conseguiu levar o seu carro até às boxes, trocou de pneus e começou a fazer uma corrida de recuperação. Sem querer, Brabham livrou-se do seu maior rival na corrida.

Com isto, o australiano liderava, seguido de Ireland, Bristow e do estreante Clark, com Graham Hill no quinto posto. Pouco depois, este passa Clark, que só continuará até à volta 42, quando a transmissão do seu carro cede. Quinze voltas depois, é a vez da transmissão de Alan Stacey também ceder, deixando Hill no terceiro posto.

E as coisas iriam manter-se até à volta 75, quando a bandeira de xadrez foi mostrada. Jack Brabham vencia a sua primeira corrida oficial do ano, seguido por Ines Ireland, que dava a melhor posição de sempre a um Lotus oficial. Graham Hill não só conseguia os seus primeiros pontos da sua carreira, como também se estreava no pódio com o terceiro posto. Stirling Moss concluia no quarto posto a sua corrida de recuperação, enquanto que Wolfgang Von Trips e Richie Ginther ficavam com os restantes lugares pontuáveis, a bordo dos seus Ferrari.

Fontes:

sábado, 5 de junho de 2010

Le Mans: Courage apresentará um protótipo elétrico em 2011

Hoje dei por mim a ver mais um programa do Top Gear, o mítico programa de automóveis britânico (por mim, todos os rogramas de carros deveriam ser assim…) e este foi dedicado aos automóveis elétricos. Vi o Tesla Rodaster e o Honda Clarity, dois exemplos de modelos que pretendem mudar o nosso futuro pós-petróleo, que aconecerá inevitavelmente, mais cedo ou mais tarde. Mas também hoje soube, quando lia o site Le Mans Portugal, que as 24 Horas de Le Mans de 2011 (o deste ano acontecerá no próximo fim de semana) terão um protótipo elétrico. Por quem? A francesa Courage colocará um carro de LMP1 com esse sistema.

Associado à Mathis Technologies, uma empresa especializada em soluções de engenharia, terá como designação de Courage 0.11 e será equipado com dois motores elétricos de 150 kw, com uma potência combinada de 400 cv. Não contará para a classificação final, mas a ideia é de saber se consegue atingir velocidades na ordem dos 315 km/hora, e andar ao nível dos LMP2, por exemplo.

Sobre este projecto, o proprietário e fundador da empresa, Yves Courage, afirmou o seguinte: "Pela primeira vez na minha vida, não haverá oposição entre o meu amor pelo automobilismo, pela vida e pela Natureza". Vamos a ver como vai ser no próximo ano. Acho que será um primeiro passo rumo a protótipos desta natureza. E um regresso à essência do automobilismo: a busca de soluções de engenharia para serem usadas nos automóveis do dia-a-dia.

Noticias: queda aparatosa lesiona Rossi

Provavelmente, a grande noticia do fim de semana é o aparatoso acidente de Valentino Rossi nos treinos para o GP de Itália de Moto GP, onde teve uma queda grave e como consequência, sofreu uma fratura da tíbia de do perónio. O piloto de 29 anos está agora no Hospital Central de Florença onde os médicos o operam para reduzir as fraturas, e prevêm uma ausência das pistas a rondar os dois meses.

O acidente ocorreu na Curva 13 (que coincidência...) do circuito, quando Rossi tentava fazer uma volta rápida na sessão de qualificação para a prova de Domingo. A queda até nem foi muito violenta, mas os resultados foram mais graves do que se suponha.

"Valentino Rossi sofreu uma fratura exposta e deslocamento de sua tíbia direita depois de bater no treino do GP da Itália, em Mugello nesta manhã", afirmou um comunicado da Yamaha. A equipa confirmou também que Rossi estará fora da prova. Aos 29 anos, e após mais de dez de carreira, Rossi fica de fora de uma corrida por lesão, e caso as previsões iniciais se confirmem, ele ficará de fora por mais cinco provas, provavelmente comprometendo a sua temporada competitiva.

Resta desejar as melhoras e que "Il Dottore" volte o mais rápido possivel.

GP Memória - Belgica 1955

Nas duas semanas que passaram entre Monaco e Spa-Francochamps, eventos importantes sucederam-se no pelotão da Formula 1. Alberto Ascari, que surpreendera o mundo ao sair incólume do seu acidente na chicane do Porto, mergulhando o seu carro nas águas, morrera num teste em Monza quatro dias depois. Isso tinha sido a gota que fez transbordar o copo da Lancia, que atulhado em dívidas, resolveu vender a sua fábrica. Os novos donos não estavam muito interessados na Formula 1, mas um dos seus pilotos, Eugenio Castelloti, pediu à fábrica que cedesse um dos seus carros, a título pessoal, para correr em Spa.

A Mercedes apresentava-se com toda a equipa: três carros para Juan Manuel Fangio, Stirling Moss e o alemão Karl Kling, enquanto que a Ferrari, vencedora no Mónaco, colocava quatro carros para o francês Maurice Trintignant, o belga Paul Frére e os italianos Nino Farina e Piero Taruffi. A Maserati fazia a maioria dos pilotos inscritos, com seis carros. Os italianos Luigi Musso e Cesare Perdisa, o francês Jean Behra, o argentino Roberto Miéres, o francês Louis Rosier e o belga Johnny Claes corriam com o modelo 250F. Para finalizar, havia um Vanwall para o britânico Mike Hawthorn.

Nos treinos, Castelloti mostrou o potencial do modelo D50 ao fazer a volta mais rápida, e tendo a seu lado os Mercedes de Fangio e Moss. Na segunda fila estavam o Ferrari de Farina e o Maserati de Behra, enquanto que na terceira estavam o te
rceiro Mercedes de Kling, o segundo Maserati de Musso e o Ferrari de Paul Frére. A fechar o "top ten" estavam o Vanwall de Hawtrhorn e o Ferrari de Trintignant.

Antes de partir, o carro de Johnny Claes não partiu devido a problemas de motor, e assim o pelotão estava reduzido a treze carros. Piero Taruffi também não partiu, pois tinha falhado marca um tempo para alinhar na grelha.

A corrida começou com Fangio e Moss a partirem bem, deixando a concorrência à distância, e só os voltando a ver na meta, pois não foram contestados. Castelloti os seguiu, mas na volta 16, a sua caixa de velocidades cedeu e encostou à berma.

Atrás, era a luta entre os Ferrari de Frere, Farina e Behra, mais o Mercedes de Kling. Na volta 3, Behra batera forte, mas escapou ileso. Voltou às boxes e pediu emprestado o carro de Miéres, e voltou a correr até chegar ao fim no quinto lugar. Mais tarde, na volta 21, o carro de Kling teve problemas mecânicos e também desistiu, deixando a luta pelo terceiro lugar entregue a Farina e a Frére. No final, foi Farina que levou a melhor.

No final, fora uma vitória fácil para a Mercedes, que assegurou a dobradinha, com Farina a completar o pódio. Paul Frére e o carro de Miéres, guiado por Behra, ficou no quinto posto. A Formula 1 só voltaria a correr dali a 15 dias em Zandvoort, mas pelo meio, boa parte destes pilotos participaria nas 24 Horas de Le Mans, que aconteceria na semana seguinte. Quando voltariam a correr, as coisas não voltariam a ser as mesmas...

Fontes:

Noticias: Kimi Raikonnen continua no WRC por mais duas temporadas

Sempre disse a quem quisesse ouvir que a estadia de Kimi Raikonnen nos ralis não seria temporária, e que não acreditava, de jeito nemnhum, que ele regressasse à Formula 1 em 2011, na Red Bull, ao lado de Sebastien Vettel. Pois bem, as minhas previsões confirmaram-se com a noticia, divulgada esta noite por um site de ralis, de que o piloto finlandês assinou com a Red Bull e com a Ciroen um acordo que lhe permite prolongar o seu contrato no WRC por mais duas temporadas. O anuncio oficial será feito no próximo mês.

Coincidência ou não, isto acontece na mesma semana em que a Red Bull acertou o contrato de renovação com Mark Webber. Claro, muitos irão tentar ligar estas duas noticias, mas para ser sincero, não acredito. Acho mesmo que o seu tempo na Formula 1 acabou, que ele ficará nos Ralis, onde para estreante, não está mal. É actualmente o décimo classificado, e já conseguiu um excelente quinto posto no Rali da Turquia. E ainda nem chegamos ao meio... onde estarão os ralis de asfalto, como a Bulgária e a Catalunha, por exemplo.

E quanto a Kimi... não direi que estará no seu ambiente. Digo que é uma pessoa capaz de se adaptar às circunstâncias, e aqui, as coisas até lhe estão a sair bem. E muito provavelmente verei mais facilmente o finlandês nas 24 Horas de Le Mans ou na NASCAR do que regressar à Formula 1. Digo eu.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Sobre os motores para 2011

A temporada pode não ter chegado a meio, mas já se fala muito sobre os propulsores para a próxima temporada. Especialmente quando se chega à conclusão de que das quatro forças presentes na grelha, Ferrari, Mercedes, Renault e Cosworth, claramente esta última, sendo a mais nova, não tem a capacidade de apanhar as restantes propulsoras.

Apesar de a partir de 2013 a FIA afirmar que irá mudar o tipo de propulsores, para os turbocomprimidos de 1.6 litros, Williams e Lotus, que têm este ano os motores ingleses, estão claramente a pensar em mudar de ares em 2011, devido à poucas eficácia delas. E pensam na Renault, que este ano está a dar provas em termos de consumo, que compensa a menor cavalagem em relação à Mercedes, claramente o melhor propulsor do pelotão. No caso da equipa fundada por Colin Chapman e que regressou este ano á Formula 1, a escolha está entre a Renault e a Mercedes, para continuar a crescer competitivamente.

Em principio, tudo indica que eles poderão regressar aos propulsores franceses, algo que já os acolheram no passado, entre 1983 e 1986, na era Turbo. E também deve ser o escolhido pela Williams, num regresso a uma aliança que deu frutos entre 1989 e 1997, oficialmente, e até 1999 em termos oficiosos, via Mechachrome. Contudo, a Mercedes, que fornece McLaren até 2014, como parte do seu acordo de separação, e a Force India, está a repensar a sua estragégia de fornecimento para a próxima temporada, o que poderá atrasar alguma decisão por parte destas duas equipas.

Uma coisa é certa: no actual equilibrio de forças, se a Mercedes fornece duas boas equipas, para além da casa-mãe, a Renault ao fornecer somente a Red Bull, com excelentes resultados, está a atrair a atenção das outras equipas. E quem perde com isso é a Ferrari, que passou por um péssimo inicio de época, com o constante rebentamento dos seus motores, e a Cosworth, que no seu ano inicial, está sempre na cauda do pelotão, à excepção da Williams.

GP Memória - Suiça 1950

Quase três semanas depois da corrida inicial da temporada, em Silverstone, a temporada inaugural da Formula 1 tinha alcançado o seu meio, com a realização do GP da Suiça, que decorria no circuito de Bremgarten, nos arredores de Berna, a capital do país.

A Alfa Romeo era a equipa dominadora do campeonato, e como tal, trouxera para a pista suiça três carros oficiais, modelo 158, para Nino Farina, Juan Manuel Fangio e Luigi Fagioli. No lado do seu grande rival, a Ferrari, tinha trazido quatro modelos oficiais, para Alberto Ascari, Luigi Villoresi, o francês Raymond Sommer e o britânico Peter Whitehead.

Outra equipa oficial era a Talbot-Lago, que tinha três carros oficiais, para os franceses Yves-Gerard Cabantous, Loius Rosier e Eugéne Martin. Mais três modelos estavam presentes: um da Ecurie Belge, para Johnny Claes, outro da Ecurie Bleue, para o americano Harry Schell e um terceiro, inscrito pelo francês Philippe Etaincelin.

A Maserati era a construtora que tinha modelos inscritos: oito. Dois eram oficiais, para o monegasco Louis Chiron e o italiano Franco Rol, outros dois eram para equipa Enrico Platé, para o tailandês Bira e o suiço Toulo de Grafenried, um era da Scideria Achille Varzi, para o italiano Nello Pagani, outra inscrição individual era a de Felice Bonetto, pela Scuderia Milano, mais uma pela Scuderia Ambrosiana, que fazia correr o britânico Reg Parnell, e mais um carro, inscrito pelo suiço Toni Branca.

Por fim, outro suiço, Rudi Fischer, corria pela Ecurie Espadon, com um modelo SVA. No total, estavam inscritos 22 carros.

Os treinos foram dominados pela Alfa Romeo, que monopolizou a primeira fila da grelha de partida, com Fangio na pole-position, seguido por Farina e Fagioli. Na segunda fila estavam os Ferrari de Villoresi e Ascari, enquanto que na terceira eatavam os Talbot-Lago de Étaincelin, que numa inscrição privada, fizera melhor que o melhor carro oficial, pilotado por Cabantous. A fechar essa fila estava o melhor Maserati, pilotado pelo principe Bira. Mais dois Talbot-Lago, de Eugéne Martin e Loius Rosier, fechavam o "top ten".

A corrida iria começar sem quatro pilotos inscritos: os britânicos Peter Whitehead e Reg Parnell, o suiço Rudi Fisher e o italiano Franco Rol.

No momento da partida, Fangio está a liderar, mas pouco depois, perde o comando a favor do italiano Farina, quando este consegue um reabastecimento mais eficaz do que o argentino. Fagioli vinha logo atrás, mas a concorrência não conseguia acompanhá-los: primeiro Ascari e depois Villoresi desisitiam quando os seus Ferraris deram o que tinham a dar.

Na volta 19, enquanto que o último Ferrari presente, o de Raymond Sommer, desistia com prolemas de suspensão, o Talbot-Lago de Eugéne Martin sofria um acidente grave, quando o seu piloto foi cuspido para fora do carro. Iria ser a sua última corrida na Formula 1, apesar de ter vivido mais 56 anos depois desta corrida. Com isto tudo, o outro Talbot-Lago de Louis Rosier chegava ao quarto posto.

Na volta 33, o grande golpe da corrida: Fangoio tem problemas elétricos no seu Alfa e desiste, deixando de ser uma ameaça a Farina. Com Fagioli num distante segundo posto, o italiano tinha a vitória na mão e iria conseguir a sua segunda vitória na época. E Rosier subia ao terceiro posto, sendo esta a ordem final da corrida. O Principe Bira e o italianoi Felice Bonetto, ambos em Maserati, ficaram com restantes lugares pontuáveis.

Fontes:

http://en.wikipedia.org/wiki/1950_Swiss_Grand_Prix
http://www.grandprix.com/gpe/rr004.html

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Grand Prix (nineteen, the Eagle has landed!)

(continuação do episódio anterior)

Pelas oito da noite, Pete e John estavam a assistir à emissão especial da BBC dedicada à manobra de aterragem do módulo lunar, enquanto que a mulher Pamela e a irmã de John, Sinead, preparavam o jantar. Pete já tinha colocado os talheres, copos e pratos na mesa, composta para seis pessoas, algo que Pete não tinha contado a John, nem a Sinead. Mas ambos não estavam muito preocupados com isso, pois estavam grudados no ecrã, esperando pelo momento da acopolagem. O módulo lunar Eagle já tinha saído do módulo de comando Columbia, e esperava-se pela chegada a qualquer momento. Sinead colocava a cabeça na sala para perguntar:

- Já chegaram à Lua?
- Ainda não, mana, respondeu John.
- Ainda vai demorar alguns minutos, acrescentou Pete.

Depois disso, John virou-se para Pete e perguntou:

- Estamos á espera de quem?
- De Teddy Solana, que vai trazer mais alguém.
- Quem?
- Desconfio de uma coisa, mas não te consigo responder. Mas deve ter a ver com a equipa.
- Ah é?
- Parece que sim. O Teddy quer correr conosco em 1970.
- Seria optimo, é um bom piloto. E quem tu achas que ele trará?
- Boa pergunta. Mas acho que deve ser bom.

Eram 20:15. O módulo de comando já tinha começado as suas manobras de aterragem na Lua quando soou a campaínha da porta. Pete levantou-se e correu para junto dela, e quando a abriu, estava Teddy, com os seus óculos Ray-Ban postos, apesar de não estar sol naquele dia em particular. Sorridente, estendeu a mão na sua direcção, afirmando:

- Já aterraram?
- Não, mas deve acontecer a qualquer momento.
- Então ainda podemos aproveitar, afirmou. O meu amigo foi estacionar o carro, já volta.
- Ele sabe onde é?
- Sei, pois ele me deixou à porta, afirmou, entrando dentro de casa e correndo em direcção da TV.

Pete ia para fechar a porta quando ouve um grito:

- Não feche, não feche!

Pete olhou e viu um rapaz de óculos de massa, com uma testa proeminente, denotando uma calvície inicial. tinha uma pasta castanha na sua mão direita e sorridente, estendeu a mão e apresentou-se?

- Sr. Pete Aaron? O meu nome é Andy Bond, vim com o Teddy.
- Caro Andy, é um prazer conhecê-lo, afirmou. O seu nome não me é estranho.
- E o seu não é desconhecido. Trabalho na BRM, sou...

A conversa é interrompida com um grito vindo da sala. John levantou-se do sofá e afirmou para que toda a gente pudesse ouvir:

- ELES CHEGARAM, ELES CHEGARAM!

Ambos entraram apressadamente para dentro de casa, e puderam ver o resto dos elementos colados à TV, enquanto viam uma imagem do módulo lunar na superfície da Lua. O narrador, na sua voz sóbria, mas ligeiramente alterada, afirmava: "Os astrounautas Edwin 'Buzz' Aldrin e Neil Armstrong acabaram de dizer que 'A Eagle aterrou' significando que tocaram agora mesmo na superficie da Lua, aparentemente quando faltavam alguns segundos até que o combustivel dos seus depósitos acabasse. O comando de Houston respondeu que 'Alguns dos rapazes que estão aqui estavam a ficar azuis por vossa causa, mas voltaram a respirar". Os presentes na sala começaram a rir-se.

- E agora, quando é que saem? perguntou Pat
- Não sei, mas deve ser durante a noite, respondeu John.
- Foi à justa, afirmou Teddy.
- Mas parece que foi tudo programado, respondeu Pete. Imediatamente a seguir, viu Andy por um canto do olho e levantou a voz:

- Pessoas, apresento-vos o sr. Andy Bond. É amigo do Teddy, portanto ele deverá dizer-nos quem é este simpático senhor.

Andy ficou com a face um pouco ruborizada e afastou-se um pouco para que pudesse ser visto por todos. Teddy veio em seu auxílio e completou.

- O Andy é um dos projectistas da equipa. Ele ajudou a desenhar o carro deste ano, mas quer trabalhar num sitio melhor. Como soube de vocês, e também soube que era amigo do Pete, pediu-me para que combinasse um encontro com o Pete e o John. Sei que este pode não ser o sitio adequado, mas...
- Não faz mal, ele pode nos ser útil. Não achas, John?
- Acho que sim, é uma área no qual precisamos de alguém bom. Afinal, vamos construir um chassis novo...
- Então devo ser o vosso homem, respondeu Andy.
- Veremos, tens de provar ser merecedor desse lugar, respondeu John.

--- xxx ---

À medida que os minutos passavam, e ouvia-se em pano de fundo as explicações sobre a missão na Lua, comia-se e bebia-se, falando invariavelmente sobre os carros e a Lua. Pat e Sinead estavam sentados lado a lado, enquanto que em cada topo, John O'Hara e Pete Aaron observavam os outros dois convidados. À medida que os minutos passavam e as conversas começavam a ser cada vez mais descontraídas, ficavam-se a conhcer ainda melhor. A certa altura, estando ele à frente da TV, Andy Bond observava a TV e dizia a Pete Aaron, que estava a seu lado:

- Magnifico, hein? perguntou.
- Sim, claro que é, respondeu Pete.
- Acabamos de assistir ao que de melhor se faz na América, com material feito no seu país, a partir do projecto de cientistas que trabalharam outrora para Adolf Hitler e que desenvolveram as mais temidas armas da II Guerra Mundial. 25 anos antes, os aparelhos desenhados por Verner von Braun caiam quei mesmo, em Londres, matando centenas. E agora, colocaram o homem na Lua. É fabuloso, em todos os aspectos!
- Sim, mas agora é diferente.
- Com certeza. Tais como são agora nos nossos tempos no automobilismo.
- Acho que devias ouvir o que ele tem a dizer, acrescentou Teddy. Digo isto porque já vi o que ele tem para dizer.
- Viste... no papel. Preciso de desenvolver a ideia.
- Estou a ouvir, disse Pete.

Andy levantou-se, foi buscar a pasta que tinha trazido. Sentou-se e mostrou um desenho normal, sem qualquer especificação técnica, e estendeu-o:

- Sabe o que é isto?
- Não, o que é?
- Se quiser, será o seu carro para 1970.

O desenho que Andy lhe mostrara era completamente diferente de tudo o que tinha visto. Tinha uma asa à frente e outra atrás, com o radiador na frente do seu carro, mas com uma abertura mais pequena do que o normal e uma plataforma lateral a cada lado. Pete achava estranho, e questionou:

- Isto é um carro?
- É. E funciona, acredite. É um carro que aproveita bem o aerodinamismo. É um mundo completamente novo, e se for devidamente explorado, pode nos fazer ganhar corridas em pouco tempo!
- Hmmm... afirmou Pete em tom pensativo. Olhou atentamente no desenho, e passou depois para os restantes membros da mesa.

John O'Hara viu-o e questionou:

- Isto funciona, amigo?
- Claro, foi experimentado em túnel de vento.
- Como assim?
- Estou a mostrar uma coisa que apresentei à BRM no inicio do ano. Eles sabem disto, mas nunca obtive resposta. Nem sim, nem não. Aquilo está numa confusão absoluta depois da morte de Lord Owen. Os filhos andam à briga na equipa e temo que aquilo acabe de vez antes do final do ano.
- Estou a ver. Quer juntar-se a nós para ver se isto funciona.
- Eu sei que isso funciona, porque já o testei.
- Onde?
- No Imperial College. O pessoal com que trabalho até ficou impressionado com aquilo. Aliás, descobri nesse modelo que aumentando a superficie para os lados, conseguiria uma maior aderência à estrada em relação aos carros comuns. Acho que com este desenho, apanharemos a concorrência de surpresa.

John O'Hara ficou pensativo, e disse:

- Confesso que só acreditando vendo a coisa. Mas não temos muito a perder, confesso.
- Não tem nada a perder, posso garantir.
- Com que material construiria isto?
- Aluminio. Em monocoque, a não ser que perfira magnésio.
- Magnésio não sei, pelo que oiço falar, é volátil.
- Mas leve, muito leve, retorquiu.

John olhou para Pete, que também o olhava. Com dois dos três sócios presentes, tinham o poder para decidir sobre o que fazer para a próxima temporada. Virou-se para Teddy e perguntou:

- Estão contratados.
- Excelente! Não te arrependerás de nada, afirmou Teddy, levantando-se para o cumprimentar.
- E eu levanto o copo para celebrar o acordo, afirmou Andy.

Todos brindam o acordo e bebem dos seus copos. Logo a seguir, Sinead diz:

- A que horas eles saem da nave?
- Tarde, muito tarde, respondeu o irmão.
- Não importo de esperar, respondeu.
- Nem nós querida, retorquiu Pat.

(continua)

5ª Coluna: para uns é um acidente, para outros é um desastre

Quando foram anunciadas ao grande público as parelhas das quatro principais equipas de Formula 1 para 2010, lembrei-se da velha frase: "Mantêm os teus amigos por perto e os teus inimigos ainda mais". Creio que foi Julio César que o disse.

Quase toda a gente disse que colocar dois pilotos de performance igual nestas quatro equipas seria uma recenta para o desastre. As referências do passado serviram de baliza para analisar as do presente, e não eram boas. Senna-Prost, que partilharam a McLaren nas temporadas de 1988-89, é certamente a mais famosa, mas já aconteceram outras no passado que tiveram o mesmo destino. A dupla Jones-Reutemann (Williams 1980-81) ou a de Pironi-Villeneuve (Ferrari 1981-82) podem ser coloadas nesse mesmo saco.

Nesta temporada em que temos quatro duplas com tendência explosiva (Hamilton-Button, Schumacher-Rosberg, Vettel-Webber e Alonso-Massa) a ironia que podemos tirar deste incidente do fim de semana turco foi que isto tenha acontecido à dupla mais velha e aparentemente mais harmoniosa. Aliás, quinze dias antes, vimos a comemoração da Red Bull depois da dobradinha monegasca... que volta de 180 graus, não é?

Estes dias que se seguem deverão servir para que Christian Horner e o resto da Red Bull descalçar esta bota. Espero que se falem, que se entendam e coloquem os pontos nos is entre os pilotos, para evitar mais tiros nos pés como o deste Domingo. Eles sabem que com o carro que têm nas mãos, estão numa situação onde dependem deles próprios para ficaram com uma inédita dobradinha na história dos energéticos na Formula 1. Seria irónico que o sonho de Dieter Mateschitz seja deitado fora por desentendimentos internos... as corridas seguintes deverão dar uma resposta a este caso.

E com isto, a ideia de uma transição gradual de um equilibrio entre as quatro equipas da frente (embora a Ferrari esteja a ficar cada vez para trás, e começa a ver a perigosa aproximação por parte da Renault) para um dominio da Red Bull e do seu RB6, a mais recente criação de Adrian Newey fica em suspenso. E não creio que, no imprevisivel GP do Canadá, no Circuito Gilles Villeneuve, haja um regresso à normalidade. Mas como é óbvio, posso estar enganado.

Indy 500: Um veterano ganha, um novato bate

Ver as 500 Milhas de Indianápolis, depois de assistir ao GP da Turquia, ou qualquer corrida de Formula 1, por exemplo, é absolutamente diferente. A começar pela mentalidade que anda por ali. Os pilotos estão próximos dos fãs, a organização envolve toda a gente no espírito da competição, os espectácilos são de enchar o olho, o que compensa o facto de que esta ser uma categoria pobre: monomarca, monomotor, monopneu. E se a ideia é de promover o talento dos pilotos, a mesma coisa se faz na NASCAR, com chassis diferentes, motores diferentes e pneus diferentes. Gostaria que essa permissa mudasse no ano que vêm, pois será altura da entidade escolher um novo chassis. Que parecem estar inclinados no "louco projecto" da Deltawing...

Mas se a corrida não foi fantástica, emoção não faltou. Batidas logo na volta inicial, recuperações de ponta a ponta, como a que aconteceu a Tony Kanaan, que largou de último e chegou a andar nos lugares da frente, mas no final, o melhor carro e o melhor piloto da tarde foi Dario Franchitti, que esteve sempre nos lugares da frente e nunca cometeu nenhum erro grave durante a corrida, ao contrário de muitos outros.

Mas a corrida ficou marcada pelo acidente espectacular de Mike Conway e de Ryan Hunter-Reay, na penultima volta do corrida. A coisa aconteceu devido a uma pane seca do piloto americano, e do qual o britânico pouco podia fazer para evitar o acidente, pois rodava muito perto dele. O impacto e o resultado foram arrepiantes, mas ver Conway a sair dali apenas com uma perna partida e com as costas magoadas é um feito para a tecnologia envolvida na construção e na resistência daqueles carros, pois foram fabulosos. E se este acidente tivesse acontecido vinte anos antes, Conway estaria em muito pior estado, senão morto.

E pronto, por hoje é tudo. Semana que vem tem mais, até lá!

quarta-feira, 2 de junho de 2010

A homenagem a Bruce McLaren, pela equipa



Se forem agora ao sitio oficial da McLaren, são brindados na sua página principal com a famosa frase do Bruce, e um tributo ao homem que, apaixonado pela ideia de superação, ajudou a transformar a equipa naquilo que é hoje. E a equipa não o esqueceu, ao trazer para a sua sede de Woking um modelo M8D de Can-Am, semelhante a aquele que o matou em Goodwood, há precisamente 40 anos.

Trouxeram também para a sede dois dos homens que trabalharam directamente com ele: o americano Tyler Alexander e Gordon Coppuck, que contaram sobre a maneira como ele trabalhava e a paixão que ele metia nas coisas que fazia, sempre com o objectivo de fazer ainda melhor.

E esta tarde, perante todos os funcionários da marca, puseram-no á porta ligaram-no durante um minuto. Como admirador do trabalho de Bruce, pergunto-me: isto tudo acontece porque agora o manda-chuva é o Martin Withmarsh?

Troféu Blogueiros - Ronda 7, Turquia

E esta tarde publico aqui o resultado do Troféu Blogueiros referente ao GP da Turquia. Como é obvio, é mais um resultado do qual não existe quelquer tipo de unanimidade, especialmente nos desempenhos de certos pilotos.

Um exemplo? Nunca daria zero a Sebastien Vettel, como fez a Bárbara. Por muito mal que esteve, há que julgar a sua performance pelo fim de semana e não de qualquer gesto que aconteça na corrida. Mas enfim, de uma certa maneira, esta é a beleza deste tipo de júris...

Vejam e digam de vossa justiça.

A vida e o legado de Bruce McLaren

"Fazer algo bem vale tanto a pena que morrer fazendo ainda melhor, não pode ser loucura. Não consigo dizer isto muito bem, mas sei que isto é verdadeiro. Seria um desperdicio fazer coisas com as habilidades dos outros, mas para mim a vida é medida por realizações e não por anos."

Bruce McLaren, 1964.

Durante mais de quarenta anos, foi o mais jovem piloto de sempre a ganhar uma corrida. Venceu cinco corridas de Formula 1, as 24 Horas de Le Mans, ao lado de Chris Amon, foi campeão das Tasman Series e foi bicampeão da Can-Am. Foi ele que conseguiu a primeira das 167 vitórias na categoria máxima do automobilismo, a última das quais no passado Domingo, em Istambul, através de Lewis Hamilton. Ainda assistiu a mais três vitórias, graças ao seu compatriota Dennis Hulme, e a emergência da sua equipa como uma potência na Formula 1, que continua até aos dias de hoje.

Foi um homem que não estava no automobilismo pelo prazer da competição e de ganhar corridas. Estava ali porque era também um apaixonado pela mecânica e vivia pela obsessão de superar os limites. Portanto, a frase acima escrita faz o seu sentido, quando observamos os seus feitos ainda em vida e as circunstâncias que rodearam a sua morte, faz hoje 40 anos. Nesse dia, McLaren estava em Goodwood a testar um carro de Can-Am, o modelo M8D, quando de repente, na recta Lavant, o capot traseiro descolou-se, fazendo perder o controlo do seu carro, despistando-se e batendo num posto de comissários, que estava vazio na altura. Teve morte imediata.

McLaren era filho de um garagista, em Remuera, nos arredores de Auckland, a maior cidade da Nova Zelândia. Nascido a 30 de Agosto de 1937, quando era pequeno foi-lhe diagnosticada a doença de Perthes, que lhe afectou o crescimento dos ossos do fémur, que lhe obrigou a estar deitado numa cama por mais de dois anos e deixou cicatrizes, pois tinha um ligeiro coxear. Ele foi para a Formula 1 pela mão de Jack Brabham quando, no final de 1957, ainda ele não tinha 20 anos, viu correr no GP da Nova Zelândia num Cooper de Formula 2, altamente modificado por ele e gostou do seu talento. A federação neozelandesa deu-lhe depois uma bolsa para que pudesse competir na Europa, algo que lhe beneficiou imenso. Poucos anos depois, um conterrâneo seu, Dennis Hulme, viria a ser beneficiado e foi largamente ajudado por Bruce. E foi ele que segurou a equipa, e o ajudou a sobreviver o seu legado em conjunto com Teddy Mayer, quando McLaren morreu.

A sua carreira se divide em duas partes: Cooper e McLaren. Foi ele o principal piloto após a saída de Jack Brabham, mas não conseguiu mais do que uma vitória no GP do Mónaco de 1962. No ano seguinte, fundou a Bruce McLaren Motor Racing Ltd, com pessoas como Tyler Alexander, dois irmãos que estudaram em Cornell chamados Teddy e Timmy Mayer e mais outro americano, herdeiro do conglomerado de cosméticos Revlon: Peter Revson. Em 1964, McLaren vence a Tasman Series, mas o preço a pagar foi alto, pois Timmy Meyer morre num acidente no circuito australiano de Longford. E foi num tributo a ele que Bruce cunhou a frase acima referida e que muitos consideram como o seu próprio epitáfio automobilistico.

Após isso, concentrou-se na sua equipa a na escada para o sucesso. Teve pouco tempo para saborear o sucesso, mas alcançou. Tanto que na CanAm, o seu dominio era tal que a temporada de 1969 ficou conhecida como o "The Bruce & Denny Show", pois venceram todas as onze provas daquela temporada, algumas das quais monopolizaram o pódio, graças a Dan Gurney.

Ele e Jack Brabham eram grandes amigos. Rivalizaram-se quando construiram as suas próprias equipas, mas o respeito era mútuo. Aliás, foi a morte de McLaren um dos catalizadores para que ele tomasse a decisão de abandonar a competição no final da temporada de 1970, embora a ideia de retirar por parte de "Black Jack" e regressar à Austrália estivesse sempre na sua mente.

Mas os herdeiros de McLaren continuaram com o rumo do fundador após a sua morte. E o sucesso foi maior: venceram em Indianápolis em 1972, graças ao americano Mark Donahue, e com Teddy Meyer ao leme, alcançaram os seus primeiros títulos de construtores e de pilotos na Formula 1, graças a Emerson Fittipaldi e James Hunt. Somente em 1980, quando a equipa estava na curva descendente é que essa herança diluiu, com a entrada em cena de Ron Dennis. Mas ele conseguiu respeitar a herança e manteve o nome, transformando-o num dos mais vitoriosos da história da Formula 1, garantindo o seu lugar na história do século XX automobilistico.

E a cada corrida, cada piloto que se senta nos seus carros, cada vitória, cada título, o espírito deste kiwi voador estará lá. Sempre.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Formula 1 em Cartoons - Crazy Circus do Marchesi (Turquia)

A corrida de Istambul Park foi, claro, marcada pelo incidente entre os dois pilotos da Red Bull, Mark Webber e Sebastien Vettel, que de acordo com Lewis Hamilton, "parecia um filme em 3-D". E se repararem bem, podemos ver que Mr. Hamilton e Mr. Button têm aqueles óculos que se usam nos cinemas...

Jarama 1980 - A corrida que não existiu

Hoje completam-se trinta anos sobre um dos capítulos mais controversos da história da Formula 1, pois foi um dos momentos altos da guerra entre a FISA, a entidade que regulamentava o desporto automóvel e a Formula 1 em particular, comandada pelo francês Jean-Marie Balestre, e a FOCA, associação de construtores, liderada pelo patrão da Brabham, o britânico Bernie Ecclestone. Este episódio foi particularmente grave pois tratou-se de um boicote de algumas equipas à corrida, que levou depois a que ela não fosse reconhecida pela FISA. Já agora, quem a venceu foi o australiano Alan Jones.

Os acontecimentos já se vinham acumulando desde há pelo menos um ano. Após a chegada ao poder de Jean-Marie Balestre, no final de 1978, e a Formula 1 a viver a era efeito-solo, inaugurada em 1977 pelo Lotus 78 e coroada com o modelo seguinte, o Lotus 79. Em 1979, o restante pelotão seguiu a formula, tornando-se numa norma. Mas Balestre, eleito em nome da segurança, queria fazer alterações regulamentares relacionadas com os carros, nomeadamente no final de 1979, quando a FISA decidiu a abolição das saias laterais, que ajudavam a colar o bólide ao solo. As equipas reagiram, afirmando que era uma medida arbitrária, que não tinha o acordo das equipas.

Para além disso, outros problemas apareciam no horizonte. Desde 1968 que a publicidade era permitida na Formula 1 e ao longo dos anos 70, a televisão tinha entrado em força, com as transmissões directas a cores, e claro, a publicidade nelas envolvida começava a ser um negócio lucrativo. As várias equipas, especialmente as com motor Cosworth, queriam uma fatia desses direitos comerciais, para tapar os seus orçamentos, cada vez maiores com a entrada em cenas das equipas de fábrica, como a Renault, Ferrari e Alfa Romeo. E ainda por cima, a era Turbo estava a começar, e a eficácia desses motores implicaria um maior investimento para igualar as preformances dessas equipas, já que nos últimos doze anos, os Ford Cosworth tinham sido reis e senhores do pelotão.

É aí que entra o britânico Ecclestone, um astuto homem de negócios, ex-piloto e ex-manager de Jochen Rindt, em 1971 tinha comprado a Brabham a Ron Tauranac, que tomara conta da equipa após a retirada do seu fundador, Jack Brabham. Ajudou a formar a FOCA, Formula One Constructors Association, e no final da década já era o seu presidente, lutando pelos direitos comerciais da Formula 1 com os organizadores dos circuitos e com a FISA.

Os desacordos entre eles, com o episódio das "saias" a ser um pretexto para aprofundar mais o fosso entre as duas entidades, tinham levado a que inicio de 1980, a disputa se transformasse numa guerra de baixa intensidade, com os construtores a evitarem falar com Balestre ou a participarem nas iniciativas da FISA. Uma delas eram os “briefings” que a FISA declarou obrigatórias, mas que a FOCA decidiu boicotá-las na Bélgica e no Mónaco. Em retaliação, a FISA multou os organizadores em dois mil dólares, algo que a entidade dos construtores decidiu não pagá-las, a conselho dos advogados.

À medida que os dias passavam e se aproximava o GP de Espanha, em Jarama, a FISA decidiu tomar uma medida radical, suspendendo as licenças de todos os pilotos, excepto as duplas da Ferrari, Renault e Alfa Romeo. A FOCA reagiu, na tarde de quinta-feira, dia 29 de Maio, que iria boicotar o GP de Espanha, que aconteceria dali a três dias. A organização, vendo ameaçada a realização da corrida, ofereceu-se para pagar um depósito com o equivalente das multas dos pilotos. Em resposta, a FISA afirmou que só aceitaria, desde que viesse dos bolsos dos seus pilotos, o que para a FOCA, seria uma admissão de culpa.

As coisas pareciam feias, e o Grande Prémio de Espanha estava ameaçado. Contudo, a intervenção directa do Rei Juan Carlos I fez com que a corrida prosseguisse. O GP de Espanha era organizado pela RACE, Real Automovil Club de España, que era um afiliado da Federacion Española de Automovilismo, que era o representante oficial de Espanha junto da FISA. Com a RACE a comprometer-se a organizar a corrida, contornando o veto que a organização de Balestre deu às equipas e aos pilotos, a corrida de Jarama iria para a frente como uma corrida extra-campeonato, não contando para o calendário.

O fim de semana do Grande Prémio foi tenso do principio até ao fim. Na sexta-feira de manhã, as equipas FOCA não saíram à pista, deixando apenas a Renault, Ferrari e Alfa Romeo em pista. A sessão foi interrompida após meia hora de duração, com a Guardia Civil a escoltar os oficiais da FISA, e esta a afirmar que iria haver mais sanções se as equipas não-FOCA participassem nelas. Assim sendo, pela tarde, acontecia o contrário: Ferrari, Renault, Osella e Alfa Romeo não participavam, enquanto que as restantes equipas, leais à FOCA, saiam à pista. No final do dia, as três equipas não-britânicas, leais à FISA, não voltaram a treinar.

O resto dos treinos decorreu normalmente, com os Ligiers de Jacques Laffite e Didier Pironi a serem os mais rápidos durante todo o fim de semana. No final, Laffite foi o melhor, seguido por Alan Jones e Didier Pironi e Carlos Reutmann, fazendo com que as duas primeiriras filas fossem um duopólio Williams-Ligier.

Sem Ferrari, Renault e Alfa Romeo, aconteceram algumas coisas fora da normalidade. Nelson Piquet foi o quinto, seguido pelo McLaren de Alain Prost e o segundo Brabham de Ricardo Zunino, o Lotus de Mário Andretti, o ATS de Jan Lammers e o Osella-Ford de Eddie Cheever. Com 22 carros na grelha, os dois Shadow iriam participar pela primeira vez este ano numa corrida. E havia algumas novidades no pelotão, com a substituição na Ensign, onde o britânico Tiff Needell cedeu o lugar ao francês Patrick Gaillard. E um terceiro Williams, inscrito pela RAM, estava presente para o espanhol Emílio de Villiota.

A corrida começou pelas 16 horas locais, após algum tempo de espera, pois tentara-se até ao último momento uma solução de compromisso entre os organizadores, a FISA e a FOCA, e as equipas leais à FISA, Ferrari, Renault e Alfa Romeo, permaneciam no “paddock”, esperando poder participar na corrida espanhola. Contudo, tal não aconteceu e antes da corrida começar, as três equipas abandonaram o circuito espanhol.

Na partida, Reutmann consegue surpreender os Ligier e passa para a frente da corrida, seguido por Laffite, Jones e Pironi, com Piquet no quinto posto. Nas voltas seguintes, o Ligier de Pironi começava a ter problemas de direcção, devido ao facto de ter pneus mais duros no lado direito, que providencia maior desgaste no circuito espanhol, e começava a atrasar-se. Na volta cinco, Prost tinha se retirado devido a problemas de motor e na volta treze, o Fittipaldi de Keke Rosberg e o Tyrrell de Derek Daly tinham retirado devido a problemas com os travões.

Por essa altura, Jones falha uma mudança de caixa, quando tentava passar o seu companheiro Reutemann e perdeu três posições. Este, depois de ter chegado à liderança, era agora pressionado por Laffite, mas conseguia defender-se dos ataques do piloto francês. O quarto era agora o holandês Jan Lammers, no seu ATS, mas pouco depois teve de abandonar devido a problemas com os travões.

Na volta 35, os lideres chegam a Emílio de Villiota, que iria perder uma volta. O piloto espanhol colocou-se de lado para deixar passar Reutemann, mas Laffite aproveitou a oportunidade para matar dois coelhos de uma cajadada só. Tentou a sua sorte, mas com resultados desastrosos. Tentou passar os dois, mas tocou no Williams do espanhol, que por sua vez tocou no Williams de Reutemann. Os três carros acabaram na gravilha, abandonando de imediato, apesar de De Villiota ter levado o carro á boxe, onde viu que tinha a suspensão quebrada, sem qualquer hipótese de reparação.

Quem herdou a liderança foi Nelson Piquet, com Pironi em segundo e Jones em terceiro, com cerca de metade da corrida, metade do pelotão já tinha abandonado, devido a falhas nos travões, motores partidos e acidentes. Na volta 42, o brasileiro abandonava devido a uma quebra na caixa de velocidades, cedendo a liderança a Pironi. O terceiro classificado era agora o Arrows de Jochen Mass.

Na volta 49, o McLaren de John Watson iria dobrar o Ensign de Patrick Gaillard, mas Watson desentendeu o local onde o francês iria travar e bateram. O irlandês retirou-se na hora, enquanto que Gaillard foi às boxes para reparar o carro e continuar.

Na volta 65, Pironi começou a sentir vibrações fortes no seu carro, abrandando o suficiente para ver uma das rodas a soltar-se do seu carro. Com isto, Jones ficou ainda mais solitário na liderança, já que Mass estava a mais de um minuto de distância. No final, ele cortou a meta, seguido do piloto da Arrows e de Elio de Angelis, o piloto da Lotus. O Tyrrell de Jean-Pierre Jarier, o carro de Emerson Fittipaldi e o Ensign de Gaillard chegaram nos restentes lugares pontuáveis. E foi por pouco, pois apenas seis carros chegaram ao fim.

Contudo, no dia seguinte, em Atenas, a FISA reuniu-se de emergência para debater o “caso Jarama” e decidiu que a corrida seria declarada como ilegal e que não iria contar para o campeonato daquele ano. Para além disso, todos os envolvidos seriam multados em três mil dólares cada um, para além das multas anteriormente mencionadas. A coisa durou algumas semanas, até que a FOCA cedeu, pagando-as a tempo do GP de França, no inicio de Julho. Mas as coisas não iriam acabar por ali, pelo menos nos dois anos seguintes. A FOCA iria contra-atacar no final do ano, ameaçando constituir uma série paralela, com um campeonato próprio.