segunda-feira, 13 de junho de 2022

A imagem do dia


Esta imagem vi no Facebook de um amigo italiano, o Andrea Corsini. Não ficaria admirado se me dissessem que este poderá ser a última imagem dele vivo, sem capacete. Quaisquer que existam entre esse momento e o acidente propriamente dito deve ser com ele de capacete, sentado no seu Osella, provavelmente contente por largar pela terceira vez naquela temporada, sem boicotes ou avarias no seu carro que o tenham impedido de fazer o que sempre quis na sua vida: correr no campeonato de Formula 1. 

Mas como todos nós conhecemos a história, sabemos do seu final: dali a umas horas, baterá forte na traseira do Ferrari de Didier Pironi, parado na grelha depois da luz verde, o seu volante baterá fortemente no seu tórax, causando ferimentos irreversíveis dos quais acabaria por sucumbir no final daquele dia, aos 23 anos de idade, a dois dias dos 24. E para piorar as coisas, a sua mãe, que tinha vindo a Montreal para passarem juntos esse aniversário em Nova Iorque, assistiu a tudo, de forma horrorizada, das boxes. 

Para quem não sabe os pilotos que estão ali na fotografia, os com o capacete colocado são o do brasileiro Raul Boesel, ao lado de Elio de Angelis, um pouco atrás, encoberto, está o do Mauro Baldi, e mais ao fundo, também meio escondido, o colombiano Roberto Guerrero. Ambos, curiosamente, terão carreiras dignas na CART no ao longo da década de 80 e meados da de 90, provavelmente o tempo onde correria Paletti, fosse na Formula 1 ou noutras categorias como a Endurance ou a própria CART, quem sabe. 

Sobre esse momento, o meu amigo escreveu o seguinte:

"Faltavam apenas dois dias para o seu 24º aniversário, e aquele dia 13 de junho de 1982, em Montreal, ouviu os arranjos finais da reunião pré-corrida do fatal Grande Prémio do Canadá.

Todos os pilotos estão a ouvir, exceto tu, que por um momento virou-se para o fotógrafo que tirou esta fotografia a poucos minutos da saída, que poderias ter previsto o teu fim.

Talvez tenha sido o sentimento do momento, da sombra da melancolia que te trancou, levando-te para sempre alguns segundos depois da luz verde.

Querido Riccardo, nesse teu olhar reconhecemos a tua despedida, que é a nossa memória 40 anos depois."

Acho que é um bom tributo a alguém que, primeiro, concretizou o seu sonho, e depois, queria apenas triunfar naquela competição difícil e perigosa.

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