A Red Bull está na Formula 1 desde 2005 - ou seja, está a fazer vinte anos - mas o seu envolvimento tem, pelo menos mais uma década, desde que começou a patrocinar a Sauber, em 1995, com Heinz-Harald Frentzen e Jean-Christophe Bouillon. As pessoas que estão por trás do sucesso da marca são gente que estão ali há uma geração: Christian Horner, o diretor desportivo, e Helmut Marko, o conselheiro, que seleciona os pilotos com talento e os jovens com ambição para ganhar corridas e campeonatos. Haveria também um terceiro elemento, que é Adrian Newey, o projetista, mas ele foi para a Aston Martin a meio de 2024, para preparar os seus carros para os novos regulamentos, que entrarão em vigor em 2026.
Marko, um ex-piloto que ganhou as 24 Horas de Le Mans em 1971 e que teve uma pequena carreira na Formula 1 em 1972, pela BRM, ganhou fama de ser impiedoso com os seus jovens pilotos, pressionando-os até ao limite, quebrando-os. Com duas exceções: o alemão Sebastian Vettel e o neerlandês Max Verstappen, filho de Jos Verstappen. E foram essas exceções que lhe deram oito títulos de pilotos nos últimos 15 anos.
Para que os seus pilotos pudessem tentar a sua sorte, no final de 2005 compraram a Minardi para os transformar numa "equipa B". Assim nasceu a Toro Rosso, agora Racing Bulls. E por ali passaram pilotos como Vitantonio Liuzzi, Scott Speed, Sebastien Bourdais, Jaime Alguerssuari, Sebastien Buemi, Carlos Sainz Jr, Daniel Ricciardo, Jean-Eric Vergne, Daniil Kvyat, Alex Albon, Pierre Gasly, Nyck de Vries, entre muitos outros. Para não falar dos campeões, Vettel e Verstappen. Aliás, foi o alemão que deu a sua primeira vitória, em Monza, em 2008, ainda antes do triunfo da equipa principal!
Este ano começamos com o japonês Yuki Tsunoda e o francês Isack Hadjar. E digo "começamos" porque, entretanto, houve uma troca: sai Tsunoda, que vai para a equipa principal, recebendo de volta o neozelandês Liam Lawson, que já tinha corrido dez provas por eles em 2023 e 2024. Muitos afirmam que é o corrigir de um erro, causado por Marko quando o promoveu, em vez do japonês. E o motivo dessa "não-promoção" tinha a ver com o facto de Tsunoda ser um piloto Honda, numa altura em que eles vão para a Aston Martin em 2026. Pelo menos, é o que se fala. Mas há outros que não acreditam isso e a razão que eles dão é que existe um piloto melhor, Ayao Iwasa, atualmente na Formula 2.
Mas também quero falar de outra coisa: Helmut Marko. Ele ganhou fama de implacável, como já disse. Se coloca alguém na equipa principal, tem de entregar resultados o mais rapidamente possível. Ele acredita na ideia de, encostando-os à parede, tirará o seu melhor. Contudo, o que acontece é que alguns se quebram. Há casos extremos, como Alguersuari, que abandonou o automobilismo pouco depois de ter saído da Toro Rosso e feito uma temporada na Formula E. E ele tinha na altura... 24 anos.
Outros tiveram melhores carreiras. Sainz Jr esteve na Ferrari e agora é piloto da Williams, ao lado de outro ex-Red Bull, Alexander Albon, Sebastien Buemi, Jean-Eric Vergne e o português António Félix da Costa (um Red Bull Junior em 2012 que viu a sua prometida ida para a Toro Rosso cortada por Kvyat) tornaram-se pilotos de ponta na Endurance e Formula E, vencendo títulos em ambas as categorias, e nem falo de Bourdais, que teve uma longa carreira na IndyCar Series e ganhou na IMSA.
Quem acompanha a Formula 1 sabe que Marko não despromove assim tão cedo no campeonato. É verdade que não se esperava ver por muito tempo, mas isto é um indicador que ele cometeu um erro e procura uma correção - e outras coisas mais. Mas há outros sinais de alarme que tem de ser considerados. Um deles é o chassis: é mau. Mesmo Max, o único que sabe que ele está regulado para o seu estilo de condução, precisa de ter um segundo piloto capaz de não andar muito atrás dele, como era o Sérgio Pérez.
Mas desde o meio do ano passado que a equipa perdeu Newey, o "mago" da equipa, e a "decadência" está à vista. Max disfarça, mas o o resto não se pode. E pior: o novo motor, que é da Ford, mas na realidade tem muito do "imput" de dentro da equipa, não está a ser um excelente motor, bem pelo contrário. Ou seja, em 2026, o pesadelo será ainda maior, e não tem meio de resolver. E se isso acontecer, Max, provavelmente, irá embora. Se querem saber a razão porque o "manda-chuva" da McLaren, mr. Brown, anda a dizer que o neerlandês fará as malas para rumar à Mercedes... já em 2026 (não acredito, mas nunca se sabe), é porque a Red Bull está em decadência. E se é isso que acontecerá, então... poderemos assistir ao final de uma era.
E depois disso? Não creio que a Red Bull irá abandonar, mas andará anos numa travessia do deserto, com uma nova tática, trazendo génios que tenham a paciência para a reconstruir e colocar de volta no topo. Todas as equipas passam por essa fase, de uma maneira ou outra. Afinal de contas, a McLaren esteve na mó de baixo e agora... (e nem falo da Williams neste começo de 2025).
Agora, veremos como será Max e Yuki daqui por adiante. Se travarão ou domarão a decadência ou não.
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