terça-feira, 1 de abril de 2025

WEC: Felix da Costa fala da sua participação em Le Mans


Um ano depois de ter pautado pela ausência nas 24 Horas de Le Mans e no Mundial de Endurance, António Félix da Costa está de volta, correndo na classe LMP2 no Oreca da equipa AF Corse, categoria Pro-Am, guiada pelos franceses François Perrodo e Matthieu Vaxiviere. A italiana AF Corse, como é sabido, é uma estrutura com fortes ligações à Ferrari e habituada a vencer.

Numa entrevista à AutoSport portuguesa, Félix da Costa salientou a felicidade de regressar a uma corrida que se tornou muito importante para si, depois de um doloroso ano afastado da mítica prova. Um regresso que pode significar também um fim de ciclo:

Estou muito contente! As 24 horas de Le Mans são a maior corrida de resistência do Mundo. O ano passado estive em Le Mans no lado de fora e custou muito, mesmo muito. Na altura prometi a mim mesmo que tinha de voltar este ano, desse por onde desse. Já ganhei na LMP2 em 2022 e acredito que seja a minha última participação nesta categoria, por isso quero fechar com chave de ouro o ciclo de LMP2 e lutar pela vitória!”, começou por afirmar.

Esta oportunidade surgiu de um convite do próprio François Perrodo, logo a seguir às 24h de Daytona, onde o português participou no início do ano. AFC explicou também o papel da Porsche neste novo projeto:

O convite surgiu pelo François Perrodo, que já conheço de me cruzar no paddock do WEC. É um empresário e uma pessoa que admiro muito e logo depois das 24h de Daytona ligou-me a convidar. Tinha mais 2 ou 3 hipóteses, mas achei que esta era a que mais sentido fazia e aqui estou, num line up forte, numa equipa muito competitiva e com uma grande história, a AF Corse e com vontade de dar tudo neste meu regresso a Le Mans. A Porsche não teve qualquer ligação a eles, mas tenho naturalmente de agradecer por me autorizarem a participação nesta prova”, continuou.

Questionado sobre porque é que não conseguiu um lugar na classe Hypercar, dada a sua experiência - estava a correr num Porsche da Jota em 2023, antes da marca alemã ter pedido que se concentrasse na Formula E em 2024 - o piloto de Cascais afirmou que não oi dada qualquer explicação sobre o assunto dentro da marca alemã, embora confesse que há gente dentro da Porsche que esperava vê-lo na classe Hypercar.

Não foi dada nenhuma justificação. Foi a decisão deles, só tenho de respeitar e procurar mostrar dentro da pista o meu valor.", começou por afirmar. 

"Sei que muita gente na Porsche queria ver-me de Hypercar, mas as corridas são mesmo assim, já cá ando há anos suficientes e aprendi a aceitar de forma natural estas coisas. A Porsche decidiu de outra forma face ao que eu desejava, sim, é verdade, mas não posso fazer nada para mudar isso. O meu foco com a Porsche é na Fórmula E em lutar pelo título. Em Le Mans desejo-lhes toda a sorte do mundo, mas o meu foco aí é vencer com a AF Corse na LMP2”.

Questionado na entrevista com a ideia de que possa existir um tratamento diferenciado, quer na Endurance, quer na Formula E, Félix da Costa afastou as suspeitas e mantém-se irredutível na vontade de representar a marca, onde quer que seja.

"Uma marca como a Porsche é muito mais que esta ou aquela pessoa, ou uma ou outra decisão que gostaríamos que fosse diferente. A Porsche é uma marca que qualquer piloto sonha representar e eu sinto-me um privilegiado por ser piloto oficial da Porsche. Faço o meu trabalho da forma mais profissional possível, procuro vestir a camisola Porsche da melhor forma possível, depois o resto já não controlo. O futuro a Deus pertence, mas por agora o meu foco é ajudar a Porsche o mais possível a lutar pelos dois títulos de pilotos e equipas no Mundial de Fórmula E”, concluiu.

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