domingo, 30 de março de 2025

A imagem do dia




Em Long Beach, há 45 anos, aconteceu uma passagem do bastão, como se fosse uma corrida de estafetas. Para os brasileiros, foi simbólico. Não só o final da era para um piloto, como também foi o começo da era para outro. Para terem uma ideia, quando Nelson Piquet subiu ao pódio, no final daquela corrida, um brasileiro não ganhava uma corrida de Formula 1 desde julho de 1975. E não fazia uma pole-position desde março de 1975, com José Carlos Pace. A última pole de Emerson tinha sido anterior, no GP dos Canadá de 1974, em Mosport.

O Brasil tinha altas esperanças no seu carro oficial, a Copersucar, mas cinco anos depois da sua estreia, não tinham ganho corridas e viam que as coisas não seriam um passeio no parque. E sem ganhar, do apoio passaram para um misto de desinteresse e critica. De tudo, para nada. E em 1980, a Rede Globo, detentora dos direitos da Formula 1 para o Brasil, entregou para a Rede Bandeirantes. Eles levavam a ideia do "segundo é o primeiro dos últimos" muito a peito. 

Mas a Fittipaldi, que tinha comprado a Wolf, tinha conseguido um bom patrocinador, um carro rodado e a sorte ajudou, quando Keke Rosberg conseguiu um pódio na Argentina. Ao seu lado estava Nelson Piquet, que tinha ficado na Brabham depois da saída de cena de Niki Lauda. Isso, aliado a um chassis, o BT49, onde Gordon Murray "acertou a mão", de repente colocava os brasileiros no centro das atenções. Pilotos... e equipa.

Se Piquet conseguiu ali a sua primeira pole-position da sua carreira, Fittipaldi iria partir de... 24º e último classificado. É que nas últimas corridas dessa temporada, Emerson arranjou outra dor de cabeça: o finlandês Keke Rosberg, que viera no "pacote" da Wolf e era bem mais rápido. Buenos Aires não tinha sido um acaso. 

A corrida, como a de Buenos Aires, foi de atrito. Se Piquet andou sem problemas, liderando do inicio até ao final, os acidentes começaram na primeira curva. Ricardo Zunino foi a primeira vítima, mas outros surgiriam. No meio disto tudo, Emerson resistia e subia de posição. Na volta 50, ele liderava um grupo onde estavam o Ensign do suíço Clay Regazzoni - então com 40 anos e ainda com fome de correr - e o McLaren de John Watson. De repente, o carro do suíço perdeu os travões, bateu no carro estacionado de Zunino, antes de acabar no muro de pneus. Levado para o hospital, iria descobrir que tinha lesões permanentes na coluna vertebral.

No final, Emerson comemorava o seu primeiro pódio em quase dois anos, e levantou o braço para celebrar a vitória de Piquet. Quem assistia a tudo nos ecrãs de televisão no Brasil, a sensação deverá ter sido de reconquista, mas também se entendeu que era uma passagem de testemunho.       

Sem comentários:

Enviar um comentário

Comentem à vontade, mas gostava que se identificassem, porque apago os anónimos, por bem intencionados que estejam...