segunda-feira, 19 de novembro de 2007

O homem do dia - Gerard "Jabby" Crombac

Talvez muitos de vocês não o conhecem, mas ele foi uma personagem importante no mundo da Formula 1. Hoje não falarei de um jornalista qualquer. Ele foi uma das personagens mais importantes que a Formula 1 conheceu nos últimos 50 anos, pois ele foi amigo de muitas personagens importantes da Formula 1, e até apareceu em histórias do Michel Vaillant! Pois é, hoje falo de Gerard "Jabby" Crombac.

Nasceu a 7 de Março de 1929 em Zurique, e aos 19 anos cobria o seu primeiro Grande Prémio em Bremengarten, na sua terra natal, como jornalista. No ano seguinte, é mecânico do piloto francês Raymond Sommer, quando conhece Gregor Grant, director da revista britânica "The Light Car", que se tornará mais tarde na "Autosport". No resultado dessa conversa, torna-se no correspondente francês (e para o resto da Europa) da revista, cobrindo os Grandes Prémios europeus. Em 1954, compra um Lotus MK VI, e começa a correr durante quatro anos, sem resultados de relevo. Mas torna-se amigo pessoal de Colin Chapman, e torna-se "manager de pilotos como Harry Schell (1921-1960) e Jo Schlesser (1928-1968).


Em 1961, Crombac trabalhava para a Prisunic, quando decidiu que era altura de fundar a sua própria revista. Sendo assim, em conjunto com Jean Lucas, funda no ano seguinte a revista "Sport-Auto", onde se torna no seu chefe de redacção até 1989. Por esta altura, partilha a sua casa de Paris com um piloto inglês de seu nome... Jim Clark. a razão pelo qual o piloto escocês partilha esse aparatamento com o simpático jornalista suiço era porque ele precisava de uma morada legal no estrangeiro para que assim pudesse escapar dos pesados impostos que a Coroa britânica impunha aos seus subditos mais endinheirados...


No seu tempo de "Sport-Auto" escreve os artigos que lhe dão fama, os seus "Carnets de Route", onde descreve à sua maneira, os fim de semana de formula que assiste, muitas das vezes em companhia do seu amigo Colin Chapman. Com o seu típico cachimbo e o seu chapéu aos quadradinhos, a presença de Crombac no "paddock" nunca passa despercebida...


Por estas alturas, envolve-se com os Sport-Protótipos, especialmente por causa do envolvimento da Matra e da Renault nas 24 Horas de Le Mans. Devido aos seus conhecimentos do meio, Crombac torna-se, no final dos anos 70, no respresentante francês na Comissão Técnica da então FISA, em representação do ACF (Automobilie Club de France).



Em 1981 (mais devido à sua amizade com Chapman) envolve-se no "affaire" do Lotus 88 de chassis duplo, provavelmente a última loucura de Colin Chapman na Formula 1, que valeu a sua proíbição por parte de Jean-Marie Balestre. "Jabby" vota a favor da sua legalização, o que lhe valeu o seu despedimento da Comissão Técnica. Mas ganhou a admiração eterna de Chapman e da Lotus.


Quando Chapman morre, a 8 de Dezembro de 1982, a familia pede para que lhe escreva a sua biografia, que o publica quatro anos depois: "Colin Chapman: The Man and it's Cars". É um dos vários livros que ele publica ao longo da sua vida. O seu amor pela marca foi recompensador: ficou com um dos Lotus Elan que Jim Clark usava quabdo dirigia na Europa, e depois do "affaire Lotus 88" com o avião que Colin Chapman usava para as suas viagens.


Depois da sua saída da "Sport-Auto", funda em Março de 2001 a revista "Formula 1 Magazine", onde escreverá até quase à sua morte. Já doente, sofrendo de crises cardíacas e uma retina deslocada, que o impedia de voar, decide vender a sua "memorabilia", num leilão feito no inicio de 2005. A 18 de Novembro de 2005, "Jabby" morre, aos 76 anos. Depois de cremado, as suas cinzas são espalhadas no golfo de Saint-Tropez, como seu último desejo.



Já agora, se quiserem dar uma espreitadela (e se forem bons no francês) podem ver o site http://www.crombac.net/, onde podem ver um resumo de tudo que ele fez no mundo da formula 1, com o testemunhod de todos aqueles que o privaram com ele.

"La Course automobilistique n'est pas un sport, c'est un religion" - Gerard "Jabby" Crombac.

2 comentários:

Mario Bauer disse...

Mais uma obra prima. Parabéns Speeder.

Fico feliz que também te lembraste do Jabby.

I wanna be Nuno Rogeiro disse...

Curiosamente as minhas primeiras memórias relativas ao Gerard Crombac vêm dos livros do Michel Vaillant. Devia ser o repórter com mais falas!
Lembro-mte de, há muitos anos, na única que comprei uma "L'Automobile", vir lá uma crónica muito gira (dentro do meu parco francês, claro está), sobre o início da Matra e do Belotise na F3, em 1965. Infelizmente a revista já não existe...