terça-feira, 27 de setembro de 2022

A imagem do dia


Continuam por estes dias, em Modena, as filmagens da pelicula de Michael Mann sobre Ferrari, e o ator Patrick Dempsey aparece de cabelo branco nesta foto. Porquê? Está a desempenhar o papel de Piero Taruffi, piloto da Scuderia e do qual era piloto em 1957, antes do acidente nas Mille Miglia do qual ele quebra relações com o Commendatore. Como sabem, Adam Driver é o ator que está a fazer o papel de Enzo Ferrari, enquanto Penélope Cruz está no da mulher dele, Laura.

Creio que esta é a altura de falar de Piero Taruffi, um dos primeiros pilotos que correu com a Scuderia, e foi um piloto importante quer antes, quer depois da guerra. Nascido a 12 de outubro de 1906, em Albano Laziale, começou a correr em 1932, em motos, antes de passar para os automóveis. Contudo, em 1937, ainda fez uma gracinha quando bateu o recorde de velocidade em duas rodas, ao marcar 279,503 km/hora numa Norton. Mas ele já corrida em automóveis desde 1930, numa Bugatti, nas Mille Miglia. Taruffi foi piloto da Alfa Romeo ao longo dos anos 30, altura em que conhece Ferrari e começa a trabalhar com ele. No final da guerra, depois de uma passagem pela Cisitália, é um dos primeiros pilotos a correr na sua nova equipa, triunfando em Berna, em 1948.

Mas a sua estreia na Formula 1 é com a Alfa Romeo, no GP de Itália de 1950, onde não chega ao fim dessa prova. Corre pela Scuderia em 1951 e 1952, onde ganha o GP da Suíça, e consegue mais dois pódios, acabando na terceira posição do campeonato, com 22 pontos. Em 1955, compete em duas corridas pela Mercedes, acabando em segundo lugar no GP de Itália, um ano depois de triunfar na Targa Florio, ao volante de um Lancia D24.

Em 1957, Taruffi tinha 50 anos e sabia que os seus melhores dias estavam atrás. Competiu nas Mille Miglia com um conjunto de bons pilotos como Peter Collins, Olivier Gendebien, Wolfgang von Trips, Alfonso de Portago e o próprio Taruffi. A Scuderia apostava as suas cartas nesta prova, e quando a Maserati, sua rival, viu boa parte dos seus carros desistirem, tinha o caminho aberto para o triunfo. Mas em Guidizzolo, a cerca de 70 quilómetros de Brescia, Portago perdeu o controlo do seu carro devido a um furo a alta velocidade, matando ele, o seu navegador, e mais 10 pessoas, cinco dos quais crianças. Taruffi, que lutava pela liderança com Peter Collins, acabou por triunfar porque tinha partido mais cedo na estrada.

Depois de saber o que se tinha passado, ele decidiu abandonar a competição de forma definitiva. E as Mille Miglia foram banidas pelo governo italiano, devido à sua periculosidade, com entidades como o Vaticano a condenar fortemente Ferrari.  

Curiosamente, ambos irão morrer no mesmo ano: 1988. Contudo, Taruffi irá primeiro, a 12 de janeiro, um mês antes dos 90 anos do Commendatore, e oito meses antes dele. Taruffi tinha na altura 81 anos e hoje em dia, existe um museu em sua honra em Bagnoregio, na região de Viterbo, onde estão expostos muitos dos carros e motos onde correu durante a sua longa carreira.

O filme irá se estrear nas salas de cinema em todo o mundo no final de 2023.

WRC: Sordo quer continuar ativo em 2023


Dani Sordo quer continuar a competir em 2023, de preferência no WRC e com uma temporada parcial. E se não conseguir nada no WRC, o todo-o-terreno é uma alternativa. Com apenas três ralis feitos nesta temporada - curiosamente, todos a acabar na terceira posição - o piloto espanhol agora só regressará aos ralis na Catalunha, e não faz ideia o que fará em 2023.

"Veremos o que acontece depois disso. De uma coisa tenho a certeza: Não será uma temporada completa no WRC. Tenho outras ideias, conduzir em todo-o-terreno também pode ser interessante.", começou por dizer no site oficial do WRC. "Não tenho planos para a próxima temporada, vamos ver depois da Catalunha. Eu quero continuar enquanto for um bom piloto. Estou bem enquanto tiver a sensação de que sou rápido e que conduzo bem. Neste momento gosto de conduzir e gosto das lutas. Quando isso acabar eu paro.", concluiu.

Com mais de 20 anos nos ralis, correndo pela Citroen até 2010, passando para a Mini em 2011, regressou à marca francesa dois anos depois, para começar a competir em 2014 pela Hyundai, onde corre até hoje, conseguindo ao todo três triunfos em competição, 54 pódios e 218 triunfos em classificativas. 

Quanto ao WRC, este continuará neste final de semana, em terras neozelandesas. 

segunda-feira, 26 de setembro de 2022

Noticias: O fim de semana poderá ser chuvoso em Singapura


Poderá ser um fim de semana com muita chuva em Singapura. Segundo se prevê no boletim meteorológico, sábado e domingo terão muito calor - 30ºC no sábado, 29ºC no domingo - mas ao longo do fim de semana, o ambiente será de trovoada e chuva dispersa ao longo do dia, suficiente para perturbar as coisas no sábado. No domingo, o tempo será de aguaceiros e trovoada, e poderá ser constante ao longo do dia.

Contudo, apesar destas previsões, muitas das coisas que se prevê no início da semana acabam por não acontecer no seu final, e quem mora naquela parte do mundo, sabe que à hora da qualificação e das corridas, cerca das 21 horas, costuma ser a de menos precipitação.  

Logo, é esperar para saber o que acontecerá no final de semana.

Youtube Motoring Vídeo: A camada de gelo por cima do carro de Clarkson

Toda a gente sabe como são aqueles três quando estão juntos: portam-se como se nunca deixaram de ter 12 anos de idade. Então, neste último episódio deles, onde andaram pelo extremo norte europeu, houve uma noite onde acabaram num abrigo e de manhã... o Audi do Jeremy Clarkson tinha uma bela camada de gelo por cima!

E claro, as tentativas do "orangotango" de resolver a situação são... hilariantes. 

domingo, 25 de setembro de 2022

Noticias: Alfa Romeo não descarta a Endurance


A Alfa Romeo anda a pensar no que fazer depois de 2023, altura em que a sua parceria com a Sauber termina, para eles logo a seguir serem acolhidos pela Audi. Sem programa desportivo definido para 2024, o CEO da Alfa Romeo, Jean-Philippe Imparato, está a avaliar qual o caminho a seguir para o futuro, e não descarta uma entrada no Mundial de Endurance, o WEC e respetivamente nas 24 Horas de Le Mans.

"Nada de definitivo para 2024, absolutamente nada. Hoje estou focado em 2022-23. Nos próximos meses, posso dizer que estaremos prontos para abrir a reflexão e os estudos de 2024, 25, 26. E voltarei a si no dia em que considerarei que tenho algo consistente com o meu ADN, com a desportividade da Alfa Romeo. Preciso de ser consistente - a desportividade italiana, para mim, é a assinatura da Alfa Romeo", afirmou o responsável máximo da marca de Arese à Autosport britânica.

"É muito claro, por uma questão de clareza, nunca correremos com outro motor que não seja Ferrari, se ficarmos na Formula 1", sublinhou. Contudo, sem Sauber, que acolherá a Audi, o único caminho será fazer uma parceria com a Haas F1. 

Contudo, caso pense em ir para a Endurance, encontrará parceiras no mesmo grupo por lá, como a Pauegot, com o 9X8, e a Ferrari, que neste momento está a testar o seu carro de LMDh, com o objetivo de correr a partir de 2024.  

sábado, 24 de setembro de 2022

Formula 1: Steiner apoia dupla Magnussen-Hulkenberg


Os fãs iriam adorar Nico Hulkenberg se ele for para a Haas. Quem afirma isso é Guther Steiner, o diretor desportivo da equipa, quando perguntado sobre a chance do piloto alemão correr por lá em 2023. O italiano afirmou que Hulkenberg, a par de Mick Schumacher e Daniel Ricciardo, são candidatos a um lugar, o que para o alemão significaria um regresso à competição a tempo inteiro, desde 2019.

Um homem como Nico traz experiência. Penso que os fãs iriam adorar! Mas o que pode um piloto contribuir para tornar a equipa melhor e levar-nos ao topo? Quantos riscos estamos dispostos a correr? Normalmente corre-se mais riscos com um jovem piloto porque não se sabe até onde pode ir”, começou por afirmar o responsável da Haas, numa entrevista ao canal RTL.

Sobre a possibilidade do australiano Ricciardo tornar-se piloto da estrutura norte-americana, Steiner salientou que ele tem de decidir primeiro o que quer para o seu futuro, fazendo referência ao facto de Ricciardo poder parar durante um ano para tentar um regresso à competição em 2024. “Faz pouco sentido persuadi-lo a fazer alguma coisa. Tem de decidir por si próprio. Se lhe apetecer, vai definitivamente telefonar, senão provavelmente dirá que vai tirar uma licença sabática ou outra coisa qualquer”, concluiu.

Tê-lo ao lado de Kevin Magnussen até seria ótimo para a publicidade da equipa, pois ambos são veteranos, algo que Steiner bem precisa, depois de uma má temporada de 2021 com dois estreantes, na figura de Schumacher e do russo Nikita Mazepin. Na temporada de 2022, com Magnussen, conseguiram 34 pontos.

Youtube Motoring Crash: O acidente de James May na Noruega

Quem já viu o episódio dos três na Escandinávia, viu esta parte: ao pé de um lugar secreto no norte da Noruega - uma base da NATO, a propósito - os Três Estarolas, Jeremy Clarkson, James May e Richard Hammond decidiram acelerar os seus carros no meio de um túnel que tem uma viragem para a esquerda que acontece de repente, obrigando-os a travar bruscamente para evitar uma colisão. 

Ora, ali, May, que guia num Mitsubishi Lancer Evo, não irá travar a tempo e baterá na parece com estrondo, danificando o seu carro e tendo de ir para a ambulância no sentido de ser observado se está tudo bem. Eis a cena. 

O resto da aventura escandinava podem ver na Amazon Prime.

sexta-feira, 23 de setembro de 2022

Youtube Formula 1 Vídeo: Drugovich merece um lugar por lá?

Como é sabido, nos últimos tempos, o campeão da Formula 2 nem sempre tem um lugar garantido na Formula 1. E o deste ano, o brasileiro Felipe Drugovich não foge à regra. E o Josh Revell decidiu fazer este video para não só mostrar a trajetória da sua carreira nas competições de formação, como também para falar as suas opiniões sobre alguém que em 2023 será piloto de desenvolvimento da Aston Martin. 

Noticias: Latifi sai da Williams no final da temporada


Era inevitável: os maus resultados em 2022 fizeram com que a Williams achasse por bem dispensar os serviços de Nicholas Latifi, depois de duas temporadas ao serviço da Williams. A equipa disse que anunciará a sua dupla para 2023 "na altura oportuna", mas é provável que sejam o anglo-tailandês Alexander Albon e o neerlandês Nyck de Vries.

"Queremos agradecer a Nicky pelo seu empenho e trabalho árduo ao longo dos últimos três anos e desejar-lhe as maiores felicidades nas próximas etapas da sua carreira", comunicou a Williams Racing, ao anunciar a dispensa do piloto canadiano.

O piloto de 27 anos aproveitou para deixar uma mensagem de agradecimento pela oportunidade dada entre 2020 e 2022, esperando conseguir mais até ao final da temporada.

"Gostaria de aproveitar esta oportunidade para agradecer a todos na Williams Racing - a todas as pessoas na fábrica e àqueles com quem trabalho à beira da pista - pelos últimos três anos. A minha estreia inicial na Formula 1 foi adiada devido à pandemia, mas acabámos por ir para a Áustria e, embora não tenhamos alcançado juntos os resultados que esperávamos, continua a ser uma viagem fantástica.", começou por dizer. 

"Conseguir esses primeiros pontos na Hungria no ano passado foi um momento que nunca esquecerei, e passarei ao capítulo seguinte da minha carreira com memórias especiais do meu tempo com esta equipa dedicada. Sei que nenhum de nós deixará de fazer todos os esforços até ao final da época", concluiu.

Latifi conseguiu como melhor resultado um sétimo lugar no GP da Hungria de 2021, e esta temporada ainda não alcançou qualquer ponto. 

quinta-feira, 22 de setembro de 2022

WRC: Novidades no calendário de 2023


O Mundial de ralis terá regressos em 2023, e mais uma novidade absoluta. Nenhum deles é europeu, e até haverá uma prova no Médio Oriente: a Arábia Saudita. Com 14 probas no calendário, oito na Europa e seis fora dela, as grandes novidades são os regressos dos ralis do Chile e do México, que não acontecem, respetivamente, desde 2019 e 2020, e ambos irão acontecer em detrimento do rali da Argentina, que não está no calendário desde 2019.

Assim sendo, o percurso do WRC em 2023 deverá arrancar com o Monte Carlo, seguido pela Suécia e Croácia, antes de sairem da Europa, rumo ao México e à América do Sul, mais concretamente o Chile. Depois o WRC regressa à Europa com o rali de Portugal, seguido por Itália (Sardenha) antes de viajar para o Quénia com o Rali Safari. Em julho, marcham para a Estónia e a Finlândia, seguindo-se a Nova Zelândia, Grécia, Japão e acabando na Arábia Saudita, provavelmente no final do ano.

O calendário será conhecido o mais tardar na próxima reunião do Conselho Mundial da FIA a 19 de outubro. Contudo, o grande problema será o da logistica, porque os fretes marítimos estão a demorar cada vez mais - é o dobro do que era dantes - o calendário terá de ser bem desenhado para evitar algum problema que possa surgir pelo caminho.  

Noticias: Tsunoda continua em 2023


Yuki Tsunoda correrá pela Alpha Tauri em 2023. O piloto japonês renovará pela terceira temporada na equipa italiana, depois de em 2022 onde conseguiu como melhor resultado um sétimo lugar em Imola. Desconhece-se ainda quem será o seu companheiro de equipa, pois é provável que o francês Pierre Gasly poderá ir para a Alpine e no seu lugar possa aparecer o neerlandês Nyck de Vries.

"Quero dizer um enorme obrigado à Red Bull, Honda e Scuderia AlphaTauri por continuarem a dar-me a oportunidade de conduzir na Formula 1. Tendo-me mudado para Itália no ano passado, para estar mais perto da fábrica, sinto-me realmente parte da equipa e estou contente por poder continuar a correr com eles em 2023." afirmou o piloto japonês no comunicado oficial.

O piloto de 22 anos - nasceu a 11 de maio do ano 2000 - tem como melhor resultado da sua carreira um quarto lugar no GP de Abu Dhabi e 2021.

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

A imagem do dia


Ontem falei de Gerhard Berger e a sua corrida no GP de Portugal de 1987, um feito com final inglório, quando Alain Prost o passou a duas voltas do final para ele alcançar a sua vitória número 28 e bater Jackie Stewart no número de triunfos, pois ele chegou à liderança á custa de um erro do então piloto da Ferrari. 

Hoje regresso ao piloto austríaco porque há precisamente 25 anos, a Fórmula 1 regressava à sua terra natal, ao A1 Ring, onde ele aproveitou para declarar a sua retirada da competição, 13 anos depois do seu começo, também em terras austríacas, ao volante de um ATS. Depois, foram Arrows, Benetton, Ferrari, McLaren, e novamente Ferrari e Benetton. Algumas das suas vitórias foram memoráveis: o GP do México de 1986, a primeira da equipa italiana, o GP do Japão de 1987, a primeira da Scuderia em ano e meio, o GP de Itália de 1988, a única que a McLaren não ganhou e foi a primeira após a morte do Commendatore, o GP da Alemanha de 1994, sobrevivente de uma enorme carambola, e três anos depois, pela Benetton, também em Hockenheim, depois de uma temporada difícil em termos físicos e pessoais. 

Nessa temporada de 1997, Berger era o veterano da Formula 1. Na altura a caminho dos 38 anos, e na sua 13ª temporada, tinha regressado à Benetton no ano anterior ao lado de Jean Alesi, seu companheiro de equipa e amigo na Scuderia entre 1993 e 1995. Um segundo posto no Brasil, depois de uma ultrapassagem tardia a Mika Hakkinen e a Michael Schumacher, e a volta mais rápida na Argentina, apesar de ter sido sexto classificado, deixavam-mo no terceiro posto, empatado com o escocês David Coulthard, mas bem longe do líder, o canadiano Jacques Villeneuve.

Contudo, pela primavera, a sua saúde começou a pregar-lhe partidas: uma sinusite que se arrastava há anos o fez, antes do GP do Canadá, ir para a mesa de operações, tentando curar a doença. Mas entretanto, houve complicações, e as coisas arrastaram-se tempo suficiente para falhar as corridas de França e Grã-Bretanha, sendo substituído pelo seu compatriota Alex Wurz.

Mas para piorar as coisas, o seu pai Johann, fundador e patrão da firma de camionagem que tinha fundado, sofre um acidente fatal enquanto pilotava o seu ultraleve e de repente, tudo fica em dúbida. E quando por fim é dada a luz verde para regressar à competição, estamos no GP da Alemanha, em Hockenheim. Berger, o último representante de uma era dourada da Formula 1, retorna com uma sede de competir e sobretudo, triunfar. 

E dominou.

Não só fez a pole-position como correu de ponta a ponta no primeiro lugar, e claro, ainda fez a volta mais rápida. 

E foi uma vitória bem popular, depois de tudo o que tinha passado. Foi a última de um austríaco até hoje, e a última da história da Benetton, que em 2002 virará Renault. No final da corrida, emocionado, disse que estava a pensar em tudo. Algumas corridas depois, na sua terra natal, Berger achou por bem que era altura de pendurar o capacete, recusando até uma oferta para correr na Sauber. Se aceitasse... teria sido a sexta temporada seguida que correria ao lado de Jean Alesi. 

Tudo isto há um quarto de século. 

Youtube Formula 1 Documentary: The Race to Perfection, episódio 2

Em 2020, a Sky britânica fez um documentário a comemorar os 70 anos da Fórmula 1. E ao longo de sete episódios, recordou o passado e o presente da categoria máxima do automobilismo através dos seus pilotos, equipas e momentos para recordar e para esquecer, as suas controvérsias, entre outros. 

Eu já coloquei o primeiro episódio lá na minha página de Facebook - eu meto aqui de novo o episódio, caso queiram fazer o download - e como existe no Youtube tudo a partir do episódio 2, creio que deveria colocar por aqui. Em Portugal, os episódios passaram há uns tempos no canal AMC Break, mas nem toda a gente o têm, e nem toda a gente que me visita moram em Portugal, não é?

Mas nestes episódios - são sete, volto a dizer - mostra-nos tudo aquilo que moldou a competição naquilo que é hoje. E para ser honesto, vale a pena. 

terça-feira, 20 de setembro de 2022

A imagem do dia


Passam hoje 35 anos sobre um acontecimento marcante na história da Fórmula 1. Neste dia, em 1987, Alain Prost bateu por fim o recorde de Jackie Stewart, com 14 anos de idade, e com 28 vitórias, tornou-se no piloto mais triunfador de sempre, uma marca que o aumentou até 1993, quado chegou aos 51, no GP da Alemanha desse ano. 

Mas as circunstâncias da vitória de Prost no Estoril, a última do McLaren TAG-Porsche, foram as de um duelo com o Ferrari de Gerhard Berger, que nessa altura do campeonato, começava a mostrar ser uma máquina superior. Depois de um começo de temporada relativamente modesto, o austríaco tinha conseguido... 12 pontos, após o GP de Itália. Em contraste, o líder de então, Nelson Piquet, tinha... 63. E Stefan Johansson, o quinto classificado, tinha 20.

A pole de Berger tinha sido inesperada. Aliás, na luta entre Nigel Mansell e Nelson Piquet, com o Lotus-Honda de Ayrton Senna a mostrar-se e os fogachos da McLaren e Ferrari, aquilo era algo novo. Na partida, Mansell começou por levar a melhor, mas depois Berger foi para a frente e não tinha qualquer ideia de ceder a liderança para a concorrência. E logo nos primeiros metros, houve uma carambola, onde cinco carros ficaram de fora: o Arrows de Derek Warwick, os Zakspeed de Martin Brundle e Christian Danner, o Ligier de René Arnoux, o Minardi de Adrian Campos e o Lotus de Satoru Nakajima. Todos depois regressarem para uma segunda partida, excepto Danner.

O austríaco deu o seu melhor ao longo da corrida, e aparte uma troca de liderança com Michele Alboreto meio da corrida, parecia que iria ser o dia de Maranello, algo que não acontecia desde há mais de dois anos, quando o italiano triunfou no GP da Alemanha de 1985, no Nurburgring. 

A parte final foi emocionante. Berger sentia a pressão de Prost e aproximava-se fortemente da liderança. Sem Mansell, que tinha desistido na volta 13 por problemas elétricos, e com Ayrton Senna a atrasar-se - acabaria em sétimo, a duas voltas do vencedor - parecia que iria ser um duelo entre McLaren e Ferrari. E a pressão de Prost sobre Berger foi tal que no início da penúltima volta, no final da reta da meta, Berger não aguentou e perdeu a liderança para o francês, acabando por ficar com o segundo lugar. 

O que não se sabia era que este não tinha sido um "one-off" ou haveria algo mais. As vitórias do austríaco no Japão e na Austrália mostraram parecer ser o início de algo impressionante para Maranello. Na realidade... não. Acabaram por ser as últimas vitórias com o Commendatore ainda em vida. Mas a performance de Berger, naquela tarde no Estoril, era uma amostra das coisas que acabariam por vir. 

WRC: Ford retira Adrien Formaux da Nova Zelândia


A M-Sport, preparados dos Ford Puma Rally1, decidiu esta terça-feira retirar a inscrição de Adrien Formaux do Rali da Nova Zelândia, decidindo que na realidade, iria correr na prova seguinte, o rali da Catalunha. A marca justificou decisão afirmando que os objetivos do piloto francês foram “revistos”.

Após reavaliar os objetivos de Adrien Fourmaux para a época de 2022, a M-Sport retirou a inscrição do Adrien para o Rally da Nova Zelândia. A M-Sport continua totalmente comprometida com o Adrien e esta decisão foi tomada em conjunto com ele e os nossos parceiros. A M-Sport pode confirmar que Adrien voltará à ação com a equipa no Rally Espanha, no Puma Hybrid Rally1”, disse a preparadora em comunicado oficial.

Este foi a mais recente decisão da marca britânica em relação ao piloto francês, que está a ter uma temporada difícil. Depois de um 2021 onde conseguiu 42 pontos, resultantes de algumas boas classificações com o seu Ford Fiesta WRC, este ano, não conseguiu mais do que um sétimo posto na Estónia e um nono em Portugal, conseguindo apenas nove pontos, muito menos do que, por exemplo, Gus Greensmith, que paga para correr, e Pierre-Louis Loubet

Para além disso, sofreu dois acidentes graves em três ralis, o que, acumulado com cinco desistências nas nove provas que fez este ano, fez com que a equipa deixasse o piloto francês de fora a partir do rali de Ypres, na Bélgica, preferindo Loubet, que tem aproveitado algumas das oportunidades, conseguindo um quarto lugar da Acrópole, por exemplo.

A Ford alinhará em paragens neozelandesas, em princípio, com Craig Breen e Gus Greensmith.

Noticias: De Vries em prevenção para Singapura


As especulações sobre quem estará num dos carros da Williams no GP de Singapura dentro de semana e meia, a 2 de outubro, continuam. Se Alexander Albon fará de tudo para estar em forma e poder entrar no carro, há quem admita na sede da marca que um banco para Nyck de Vries esteja a ser feito para que o piloto neerlandês possa sentar para andar nesse final de semana no circuito de Marina Bay, caso o piloto tailandês não esteja apto para correr na altura prevista.

Contudo, isso só acontecerá depois de ele ir a Budapeste para os testes marcados pela Alpine para saber quem é o piloto capaz de ficar com o lugar deixado vago por Fernando Alonso, que irá para a Aston Martin em 2023.

Apesar de Albon ter dito que está em forma, ele também admitiu que pode ser difícil estar pronto a tempo do Grande Prémio de Singapura.

Recorde-se que o piloto neerlandês foi chamado no sábado do GP de Itália para o lugar e conseguiu um nono posto, conseguindo dois pontos logo na sua estreia na Formula 1. 

segunda-feira, 19 de setembro de 2022

A(s) image(ns) do dia



Esta segunda-feira, 19 de setembro de 2022, o Reino Unido e o mundo se despedem de Isabel II, a mulher que esteve por mais tempo no trono, ficando por lá durante 70 anos, desde 1952. Falecida no passado dia 8, em Balmoral, o seu castelo favorito, na Escócia, aos 96 anos de idade, o seu cortejo fúnebre é algo do qual será único para 90 por cento da população, porque só a tiveram como sua soberana por toda a sua vida. Para terem uma ideia, o seu filho não só será rei como Carlos III - e sua cerimónia de coroação acontecerá na primavera de 2023 - como ele subirá ao trono com a provecta idade de 74 anos. Conheci gente que nasceu, cresceu, envelheceu e morreu só com ela no trono. 

Mas o que queria trazer para aqui era a pessoa que está a ser o mestre de cerimónias do funeral. Trata-se de uma personagem bem interessante. Oficialmente, é o 18º Duque de Norfolk, mas o seu nome é Eddie Arundel. E não é uma personagem qualquer. Ele foi um dos muitos membros da nobreza que na sua juventude se aventurou no automobilismo. E nos anos 80 do século passado, o expoente máximo foi Johnny Dumfries, que chegou à Formula 1, correndo pela Lotus em 1986, ao lado de Ayrton Senna.

Arundel não foi assim tão longe, mas fez mais coisas. Até foi construtor! Sem grande sucesso, mas foi.

E a história conta-se assim:

Eddie Arundel nasceu a 2 de dezembro de 1956 e é um apaixonado por automobilismo, encomendou em 1984 a construção de um chassis para correr na classe C2 do Mundial de Sport-Protótipos. Com um motor Cosworth de 3 litros, encomendou o chassis a Gary Anderson - que mais tarde iria desenhar os primeiros Jordan de Formula 1 - e o carro ficou pronto nos 1000 km de Silverstone, onde ele iria competir ao lado de James Weaver. O carro foi inscrito pela Scorpion Racing, nas não foi longe: acabou por ser desqualificado. 

O bólido não andou muito nos dois anos seguintes, até que em 1986, na série Thundersports, o carro se acidentou e ficou bastante danificado, parando durante algum tempo. John Bartlett e Robin Donovan compraram os restos do chassis, reconstruiram-no e rebatizaram-no de Bardon. Esse chassis correu em 1986 e 87, nas 24 Horas de Le Mans, com gente como Nick Adams, Kenneth Leim e Max Cohen-Olivar. A sua última prova foram as 9 Horas de Kyalami de 1987, e após isso foi reconstruído por  Duncan McKay e Ian Fraser, e desde então, participa em corridas históricas em Le Mans.

Quando a Arundel, a sua carreira no automobilismo não foi longa, porque decidiu melhor cuidar dos negócios da família e os seus deveres reais. Contudo, os genes ficaram: o seu filho Henry Arundel correu na Formula BMW UK em 2007 e em 2008-09, esteve na Formula 3, correndo pela Raikkonen-Robertson e pela Carlin, respetivamente, acabando na nona posição na temporada de 2009. Depois disso, também largou o automobilismo para se dedicar primeiro à finança, e depois aos deveres da propriedade e do castelo, porque ele é o herdeiro. 

WRC: Ogier alinhará nas últimas três provas do ano


Sebastien Ogier alinhará nos três últimos ralis do ano: Nova Zelândia, Catalunha e Japão. O piloto da Toyota, que tinha escusado fazer uma temporada a tempo inteiro em 2022 porque queria concentrar-se numa carreira na Endurance, para poder correr nas 24 horas de Le Mans. Se sabia que ele iria correr no rali neozelandês, as duas últimas probas do ano são uma novidade, porque normalmente, o lugar iria ser de Esapekka Lappi. Se ele andará por ali, isso significa que para o finlandês, a temporada de 2022 já acabou.

Como sabem, estou muito entusiasmado por ir à Nova Zelândia, mas as novidades é que vou competir nos Ralis de Espanha e Japão, por isso os três últimos eventos do campeonato. Estou realmente entusiasmado com este novo desafio”, disse Ogier num breve anúncio nas redes sociais.

De uma certa forma, Ogier, apesar de ter um programa parcial, terá mais ralis que Sebastien Loeb, por exemplo. E na luta pelo campeonato, terá de seguir Kalle Rovanpera, pois ele ainda não resolveu a sua situação em termos de campeonato. 

Neste momento, o piloto francês da Toyota é 11º no campeonato, com 34 pontos, sendo o seu melhor resultado um segundo posto no Rali de Monte Carlo, no início do ano.

domingo, 18 de setembro de 2022

Rumor do dia: De Vries a caminho da Alpha Tauri?


Se na sexta-feira Hemlut Marko disse que a sua ideia de ter o americano Colton Herta já está descartado, ainda há alterativas, e uma delas poderá ser Nyck De Vries. O piloto neerlandês foi ter na semana que passou ao escritório de Helmut Marko em Graz, o que dá força à possibilidade do piloto neerlandês ingressar na segunda equipa da Red Bull, ao lado de Yuki Tsunoda.

O neerlandês confirmou as conversações, mas ele afirma que são coisas "fora do seu controlo". 

"Não sei bem se estou numa situação de luxo onde possa escolher", disse ele no programa de TV holandês Humberto op Zaterdag. "Em grande parte, isso está além do meu controle. Estou conversando com a Williams há muito tempo e também consegui fazer minha estreia lá no último fim de semana. Isso seria um passo lógico. estou em contato com a Alpine desde julho, e vou testar para eles em Budapeste na próxima semana. Vou voar para lá na segunda-feira.", continuou.

E como a media notou [por estes dias], fui à Áustria para conhecer Helmut Marko. Esses são os fatos.", concluiu.

De Vries sugeriu que não tem preferência e ficaria satisfeito com qualquer uma das opções que estão atualmente na mesa.

"Onde quer que eu consiga um assento permanente, ficaria muito feliz com isso. Temos que ver como isso se desenvolverá nos próximos dias e semanas. Como eu disse, não está totalmente sob meu controle."

Em relação à sua estreia no GP de Itália, De Vries disse que já colocou para trás e agora está concentrado na próxima temporada. 

"O fim de semana em si foi fantástico e passou num piscar de olhos. Foi um sonho realizado e terminamos com sucesso. O que aconteceu depois, eu não conseguia imaginar. Na segunda-feira à tarde, voltei rapidamente à realidade. Estou agora ocupado com o futuro. Mas todas as mensagens e felicitações que recebi foram muito especiais. É bom receber o apoio de todos.", concluiu.

Caso Marko escolha De Vries como piloto da Alpha Tauri, isso poderá libertar Pierre Gasly para que ele se transfira para a Alpine em 2023, ao lado do seu compatriota Esteban Ocon.

sexta-feira, 16 de setembro de 2022

Formula E: D'Ambrosio sai da Venturi


O ex-piloto belga Jerome D'Ambrosio irá sair da Venturi, que agora mudou de nome e acolherá a Maserati para 2023. Depois de Susie Wolff, a dirigente da marca, que saiu no final da temporada passada, agora foi a altura do agora diretor desportivo, que afirma ir buscar novos desafios no automobilismo.

Depois de duas temporadas incríveis, minha jornada com a equipe chega ao fim”, começou por dizer d'Ambrosio no comunicado oficial, anunciando a sua saída.

À medida que prossigo em busca de novas oportunidades, gostaria de agradecer a todos na equipa pelo trabalho e dedicação que nos levaram à nossa campanha mais competitiva até o momento na temporada passada. Gostaria também de agradecer a Susie, Scott e José por terem me confiado a liderança da organização como chefe de equipa. Foi um privilégio e eu não poderia desejar um ambiente melhor para evoluir após a transição da minha carreira de piloto de corrida."

Desejo a todos o melhor, pois eles estarão entrando numa nova era do campeonato.

Ex-piloto na Fórmula 1 entre 2011 e 2013, com passagens pela Marussia e Lotus, como piloto titular, foi um dos "originais" na Formula E, competindo entre 2014 e 2020, em equipas como a Dragon e a Mahindra, acabando com três vitórias e como melhor resultado em quarto lugar na temporada 2014-15. 

Pendurado o capacete, tornou-se diretor desportivo da Venturi, que com Edorado Mortara e Lucas di Grassi, conseguiu o seu melhor resultado de sempre na última temporada, sendo segundo classificado no Mundial de Construtores, com 295 pontos, batido apenas pela Mercedes. E com o piloto suíço, este foi terceiro na geral, enquanto o brasileiro foi quinto, conseguindo ao todo cinco vitórias no campeonato.

Noticias: Red Bull desistiu de Colton Herta


Colocada a chance de ter um piloto da IndyCar nas fileiras da Formula 1, apenas para ser impedido por causa dos pontos da SuperLicença, que eram insuficientes, Helmut Marko decidiu dar a chance por terminada. Numa entrevista à motorsport-total.com, o conselheiro da Red Bull disse que as chances de Colton Herta substituir Pierre Gasly na Alpha Tauri em 2023 ficaram reduzidas a nada. 

É uma pena que as pessoas não se apercebam do valor que um piloto norte-americano, especialmente um tipo como Colton Herta, teria para a expansão do mercado americano, especialmente com três corridas de Formula 1 [em 2023]”, disse Marko à publicação alemã.

Sem essa chance - ele tinha sido convocado para participar no teste da Alpine, em Budapeste - a alternativa será uma de duas coisas: ou Pierre Gasly fica mais algum tempo na estrutura - o contrato acaba em 2023 - ou então chega a acordo com a Alpine para que o francês possa ir para lá e correr ao lado de Esteban Ocon. Quanto ao lugar por preencher, há duas chances que poderão, para já, estar riscadas: um piloto da Academia, e Mick Schumacher, que tem o lugar em risco na Haas F1, e também de não ficar no programa da Ferrari. 

Ou seja, como fizeram com a Red Bull, quando contrataram Sérgio Pérez, a solução poderá vir de fora. 

quinta-feira, 15 de setembro de 2022

A imagem do dia


Na foto, David Brabham corre no único Simtek presente no GP do Mónaco. Em cima, o tributo ao seu companheiro de equipa, Roland Ratzenberger, morto na etapa anterior, em Imola.  

Se em alguma altura alguém escrever algo sobre a curta e trágica história da Simtek, há personagens que merecem ser referidos, para além de Brabham e Ratzenberger, entre outros. E nesse curto período, entre 1994 e 1995, para além de Nick Wirth, a figura de Barbara Behlau merece ser contada. E a sua história apareceu por estes dias no muito interessante site de origem neerlandesa chamado unracedf1.com. É que ela não foi só a manager de malogrado piloto austríaco, ajudando-o na sua carreira. A certa altura, chegou a ser dona de um terço da sua equipa e a que mais acreditou nela até ao momento em que faliu, após o GP do Mónaco. 

Não é por nada que o título usado é "a salvadora da Simtek". E a história merece ser contada.

Filha de uma neerlandesa e de um monegasco, nasceu nessa cidade em 1944, e cresceu por ali. Fascinada por desportos, mais concretamente a Formula 1, fundou uma agência de relações públicas na década de 80 chamada "Agence Barbara M.C", de Monte Carlo, a cidade onde trabalhava. Não era só desporto onde trabalhava, também tinha alguns artistas de cinema e televisão - Cannes não é longe dali. Cruzou-se com Ratzenberger no início da década de 90, pois ambos moravam na cidade, e ela decidiu agenciá-lo. Com o sucesso dele no Japão, na Formula 3000, bem como as suas participações na Endurance, quando ele conseguiu o lugar na Formula 1, pagou do seu próprio bolso os 500 mil dólares suficientes para correr nas cinco primeiras corridas: Brasil, Japão, San Marino, Mónaco e Espanha. E até lá, tentaria arranjar dinheiro para mais.

A história é conhecida: apesar da não-qualificação no Brasil, terminou em Aida, no Japão, e tinha um lugar na grelha em Imola, quando teve o seu acidente mortal no Sábado. Por esta altura, parecia que poderia arranjar mais patrocinadores para que ele ficasse por mais algumas corridas, pelo menos existiam conversas nesse sentido. 

A equipa continuou, em honra a ele, e o seu envolvimento tornou-se maior, num verdadeiro espírito de "equipa de garagem". Behlau chegou a ter 30 por cento da equipa, procurando por dinheiro para o manter a flutuar. Ao longo de 1994, tiveram mais pilotos como Andrea MonterminiJean-Marc Gounon, Domenico "Mimo" Schiartarella e Taki Inoue.

Em 1995, tinham três pilotos no alinhamento: Jos Verstappen, Mimo Schiartarella e outro japonês, Hideki Noda. O neerlandês foi um empréstimo da Benetton, onde tinha corrido por 10 corridas na temporada anterior, enquanto os outros dois iriam partilhar o lugar. Contudo, em janeiro de 1995, há um terramoto de Kobe, no centro do Japão, e as finanças sofrem um abalo, porque os patrocinadores são de lá e são afetados pelos estragos. Behlau e outros tem de arranjar rapidamente dinheiro, porque sem ele, não acabariam a temporada. 

Apesar de um bom chassis, e alguns resultados interessantes na Argentina, no Mónaco, não havia nem dinheiro, nem patrocinadores. Após essa corrida, e apesar da procura incessante, decidiram encerrar as suas participações após a corrida monegasca. Os bens foram vendidos em leilão.

De Bahlau, sabe-se dela em 1997, quando ajuda a arranjar patrocinadores para a Tyrrell, e lá ficou até ao ano seguinte, quando Ken Tyrrell vende a equipa à British American Tobacco para ela virar BAR. Depois, foi para a Arrows, onde ajuda a arranjar patrocinadores para Verstappen, no ano 2000. Acabaria por morrer em 2006, aos 62 anos, em Monte Carlo. Como o autor do artigo que li dizia, algo mais do que uma nota de rodapé na Formula 1, especialmente por causa do espírito de luta de Ratzenberger, que mostrou a Formula 1 como mais do que um desporto. 

Rumor do Dia: KMag e Hulk juntos na Haas?


"Suck my balls, honey". Foi a resposta de Kevin Magnussen a Nico Hulkenberg no GP da Hungria de 2017, quando o alemão se queixou do seu comportamento antidesportivo durante a corrida de Budapeste. Pois bem, parece que há a chance real de que os dois possam correr juntos... em 2023. Na Haas. Gene Haas e Guenther Steiner já terão percebido que uma equipa como a sua ter ‘rookies’ ao invés de pilotos experimentados é muito diferente, logo, poderão estar a considerar a ideia, deixando de lado a sugestão da Ferrari de ter o russo - mas com licença israelita - Robert Shwartzman

Com cada vez mais chances de Mick Schumacher não ficar na equipa no final de 2022, há também a chance de Antonio Giovinazzi lá ir, mas as chances de ele impressionar nos treinos livres de Monza e Austin não são muitas, as chances do piloto alemão de 34 anos de regressar a tempo inteiro, depois de três anos de ausência na categoria máxima do automobilismo, sendo o terceiro piloto da Racing Point, depois, da Aston Martin, onde este ano correu nas duas primeiras corridas do ano, em substituição de Sebastian Vettel, por este se ter adoentado com Covid-19.

Se for esta a escolha, não haverá quem fará uns memes sobre esta união...

quarta-feira, 14 de setembro de 2022

Youtube Formula 1 Vídeo: Uma "saganhada" chamada Oscar Piastri

Yup, a palavra foi inventada por mim. É uma mistura de "saga" com "salganhada", querendo demonstrar o tempo que durou para que Oscar Piastri foi confirmado como piloto, e as asneiras que foram feitas em relação ao contrato que assinou. apo anúncio que foi publicamente desmentido horas mais tarde, e um contrato que acabou por ir a tribunal para saber se foi validado ou não.  

E claro, este vídeo foi produzido, realizado e narrado pelo Josh Revell.

O "caldo entornado" da Hyundai


Se há uns dois meses, parecia que Kalle Rovanpera ia a caminho de bater todos os recordes de precocidade, agora, a quatro ralis do final do campeonato - Nova Zelândia, Catalunha e Japão - parece que a Hyundai está na mó de cima. Só que essa felicidade, com três vitórias consecutivas, poderá estar manchada por uma luta interna entre os seus pilotos, Thierry Neuville e Ott Tanak, ao ponto de se falar que um deles está a fazer isso para poder sair rumo à Ford, que procura desesperadamente de um piloto de primeira linha. 

As coisas começaram no primeiro dia do Rali da Acrópole, quando a Ford liderou o rali com o veterano Sebastien Loeb e o discípulo mais jobem, Pierre-Louis Loubet. Quando o primeiro desistiu, com problemas mecânicos e o segundo teve problemas que o fizeram perder a liderança - Loubet, mesmo assim, acabou em quarto, a sua melhor classificação de sempre na sua curta carreira - a Hyundai decidiu que Thierry Neuville iria para o primeiro posto, quanto o estónio Tanak era segundo, não estava longe do piloto belga... e tinha ganho os dois últimos ralis onde alinhou, Finlândia e Ypres, na Bélgica.

No final do rali, Tanak exprimiu o seu descontentamento:

"Se quer lutar por um campeonato, a decisão de não ter ordens de equipa foi errada. Se você quer ter um bom relacionamento com o público, é uma boa decisão. Depende de como você olha para isso. [Para mim, é] uma pena - toda sexta-feira estávamos a resolver uma questão no sistema híbrido do carro."

Nesta altura, Tanak tem mais um ano de contrato com a marca coreana, e ele já se queixava desde há algum tempo de não haver uma hierarquia. Contudo, a marca não tinha um carro competitivo, pelo menos de início, quando viu a Toyota ficar com tudo, monopolizando até pódios. Ironia das ironias, na Acropole, houve um monopólio, mas da parte da Hyundai... Agora, o José Luís Abreu, diretor da Autosport, esteve por estes dias na Grécia para seguir as peripécias do WRC, e especula que ele esteja a fazer isto tudo para que a marca o liberte e ele possa ir para a Ford, que tem o Puma Rally1, mas está órfão de um piloto de ponta.

As razões estão à vista: Loeb não quer - e ainda é competitivo, mesmo com 48 anos - o irlandês Craig Breen falhou na hipótese de ser o piloto principal, e os franceses Adrien Formaux e Pierre-Louis Loubet são ainda muito novos, e o britânico Gus Greensmith paga para correr. E com a Hyundai numa situação que faz lembrar a Subaru em 1995 - Colin McRae contra Carlos Sainz Sr. - a ideia de Tanak forçar a barra parece ter lógica, porque se a Ford e a M-Sport quisesse "comprar" o contrato de do piloto estónio, campeão em 2019, para ele correr por eles em 2023, teria de pagar, e isso não é algo que esteja nos seus planos. 

Como é que a marca coreana irá reagir? por agora, limita-se a ser politicamente correto, como fez Julien Moncet, o seu diretor. “Obviamente, quando o nosso "line up" de pilotos de 2023 for oficial, anunciá-lo-emos em devido tempo. Estamos a analisar todas as opções para o próximo ano, não lhes posso dizer mais…

Enfim, mais uma tempestade no mundo dos ralis. Resta saber como acabará. 

terça-feira, 13 de setembro de 2022

Noticias: Albon regressou a casa


Alex Albon regressou esta terça-feira a casa, depois de ser operado ao apêndice e ter tido complicações na noite de sábado. Segundo contou a equipa, o piloto foi para o Mónaco e tem como objetivo recuperar a tempo do GP de Singapura, dentro de duas semanas. 

"Alex Albon recebeu alta do hospital em Milão, e voltou para casa, no Mónaco, após a apendicectomia [de sábado], após a qual sofreu insuficiência respiratória e teve que passar algum tempo em terapia intensiva. Recuperação indo conforme o planejado. Meta permanece [participar] no GP de Singapura", conta Andrew Benson, da BBC, na sua conta no Twitter.

O piloto de 26 anos foi substituído pelo neerlandês Nyck de Vries no fim de semana italiano, conseguindo um meritório nono posto, pontuando na sua primeira participação na categoria máxima do automobilismo. 

O desinspirado Mick Schumacher


As pessoas criam expectativas sobre os filhos dos grandes pilotos. Nem todos sabem bem. Max Verstappen é uma enorme excepção porque o seu pai era modesto, ou seja, aconteceu ao contrário. E refiro isto por causa de Mick Schumacher, o alemão filho de Michael Schumacher, sete bexes campeão do mundo e agora na Formula 1 pela Haas, desde 2021. A temporada atual está a correr bem para ele, porque já conseguiu 12 pontos, mas sempre esteve atrás de Kevin Magnussen, seu companheiro de equipa, e que regressou à Formula 1 depois de um ano fora. E neste seu ano de regresso, conseguiu... 22 pontos, mais 10 que o alemão.

Daí se dizer que a Ferrari o irá dispensar dos seus serviços no final desta temporada e quererá colocar outro piloto seu em 2023. Quem? O candidato é o russo-israelita Robert Shwartzman, que atualmente é o seu piloto de testes. 

Por estes dias, Mattia Binotto, o diretor desportivo da Ferrari, elogiou o piloto pelas suas capacidades, e expressou pena por ele não ter uma temporada competitiva em 2022, depois de ele ter corrido na Formula 3 e Formula 2. 

"O Robert é um piloto fantástico. Sempre que pilotou um Formula 1 tem sido muito rápido. Há pilotos que talvez sejam bons na Formula 3, Formula 2 e depois não são bons o suficiente na Formula 1. Acho que Robert é o oposto. Ele tem bom na Formula 3, Formula 2, mas ele é muito, muito forte na Formula 1, e é uma pena para ele não ter um lugar neste momento.", começou por dizer. 

"Esta época, trabalhou muito no simulador, ajudando a nossa equipa no desenvolvimento do carro atual. Acho que, como piloto, melhorou, desenvolveu as suas próprias capacidades e hoje está muito mais maduro, que até há um ano, e por isso acho que é um piloto que merece um lugar. Sabemos que é muito difícil neste momento, mas espero que no futuro isso possa acontecer", concluiu.

Apesar dos elogios a Shwartzman e as dúvidas sobre Schumacher, Bintotto espera que ele melhore nos próximos tempos, o suficiente para poder merecer mais uma temporada ao serviço da Ferrari Driver Academy. 

"A Ferrari Driver Academy é um pilar muito importante da nossa equipa e vamos continuar a investir muito nela. Acreditamos que é importante desenvolver os melhores talentos e procurar o futuro, para tentar encontrar os melhores talentos para a Ferrari. Com o Mick, como dissemos no início da temporada, é importante que esta temporada melhore. Vamos, dentro de algumas corridas, sentar-nos com ele, fazer um balanço da temporada, e vamos fazê-lo também em conjunto com a Haas e decidir o seu futuro", apontou o italiano.

Quem lê isto nas entrelinhas sabe que Schumacher não brilha, mas também não é um mau piloto. Se calhar tem mais cara de ser um Bruno Senna, que esteve na Formula 1 há uma década, e depois de três temporadas, não deslumbrou, indo para a Formula E e a Endurance. Ou seja, fora de um determinado lugar, e numa competição de elite como é a Formula 1, as suas chances de ganhar um lugar por mérito próprio não são muitas. Bem pelo contrário. 

E se a Ferrari não o quiser, então provavelmente, terá de se fazer pela vida. O que não falta são competições. 

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

A imagem do dia


Alex Albon é um jovem anglo-tailandês que aos 26 anos, está na Williams por "empréstimo" da Red Bull, e depois de um ano sabático, que o passou no DTM, onde ganhou algumas corridas. No seu ano do regresso, conseguiu todos os pontos da Williams até agora, incluindo um nono posto em maio, no circuito de Miami.

Contudo, no sábado, Albon teve de ir às pressas para o hospital de Milão para ser tratado a uma apendicite. Foi substituído por Nyck de Vries, que fez um excelente trabalho ao levar o carro para um nono posto, logo na sua primeira corrida e logo nas circunstâncias em que aconteceu.  

Parecia que tudo estava bem, mas nesta manhã, a Williams contou que Albon teve "complicações pós-operatórias", chegando até a passar a noite de sábado para domingo "em ventilação". 

O jornalista Chris Medland contou os pormenores na sua conta do Twitter:

"[Albon] sofreu complicações anestésicas pós-operatórias inesperadas que levaram a uma insuficiência respiratória, uma complicação conhecida, mas incomum. Ele agora foi transferido para uma ala geral e deve voltar para casa amanhã. Não houve outras complicações."

O foco total de Alex está na recuperação e preparação antes do GP de Singapura, no final deste mês.

Já sofri na pele as complicações de "uma operação simples". Foi numa quinta-feira de janeiro de 1998 - está a fazer 25 anos. Enquanto estudava para os exames da universidade - e depois de ter visto o filme "Tubarão" - sofri dores abdominais fortes, ao ponto de, pelas 4 da manhã, ter de chamar uma ambulância, apesar de morar num local a cinco minutos do hospital e ser um jovem com - então - 21 anos. Pelas 18 horas dessa quinta-feira, acabei com o apêndice extraído.

Mas, sem saber, tinha uma complicação. Ele deverá ter rompido uns tempos antes. Dias, ou se calhar, meses - tivera uma crise no verão anterior, mas como não houve complicações, mandaram-me para casa, e as dores desapareceram. Acabei por ter uma peritonite que, no limite, colocou-me nos cuidados intensivos, e até aconteceu uma transferência hospitalar, para além de uma operação para retirar líquido acumulado, uma laparactomia. 

No final, foram duas semanas nos cuidados intensivos, quatro transfusões de sangue e um de plasma, três e quatro frasquinhos de penicilina por dia para debelar a infeção, potencialmente mortal - foi assim que o Harry Houdini morreu, em 1926 - um tubo intravenoso no pescoço, outro na uretra e um terceiro no nariz, até ao estômago, para aspirar a bílis que lá se acumulava. Dou graças aos deuses pela descoberta do Dr. Fleming, e não ser alérgico a ela, porque foi assim que sobrevivi.

No final, fiquei 40 dias no hospital, recuperando de algo que deveria demorar uns dias. Só para demonstrar que há coisas enganadoramente simples e mesmo um apêndice rebentado poderá esconder algo mais grave. E pode acontecer a qualquer um, não interessa se é jovem e famoso, com o Alex, ou jovem e anónimo, como eu.

Desejo as melhoras para ele, e que apareça em forma para o resto da temporada.  

E agora, Porsche?


Como toda a gente sabe, na passada sexta-feira, a Porsche anunciou o fim das conversações sobre um acordo com a Red Bull para uma parceria em termos de motores que implicaria, entre outros, que a marca alemã ficasse com 50 por cento do capital da equipa de Formula 1, algo do qual a Red Bull não estaria disposta a abdicar. 

No comunicado oficial, a marca alemã anunciou:

No decorrer dos últimos meses, o Dr. Ing. h.c. A F. Porsche AG e a Red Bull GmbH conversaram sobre a possibilidade de entrada da Porsche na Fórmula 1. As duas empresas chegaram à conclusão conjunta de que essas negociações terminaram sem qualquer acordo", começa-se por ler.

A premissa foi sempre a existência de uma parceria, que seria baseada num pé de igualdade, o que incluiria não apenas uma parceria de motores, mas também uma parte da equipa. Isso acabou por não ser alcançado. Com as mudanças de regras finalizadas, a série de corridas continua sendo um ambiente atraente para a Porsche, que continuará sendo monitorizado”.

A parte da independência é algo que a Red Bull sempre teve orgulho de se mostrar. É uma parceira que funciona muito bem, com Dietrich Mateschitx, o seu fundador, a injetar dinheiro da marca de bebidas energéticas, agora uma das mais reconhecidas a nível mundial, e que arranjou dois bons gestores na figura de Helmut Marko, o ex-piloto que virou empresário e dono de uma equipa de formula 3000, a base da equipa de Formula 1 que comprou à Jaguar, no final de 2004, e Christian Horner, o ex-piloto britânico que se tornou noutro excelente diretor desportivo e que levou a equipa à conquista de cinco títulos mundiais de Construtores e outros tantos de pilotos - a caminho de um sexto em 2022, com Max Berstappen. 

Mas a marca alemã, apesar de ter ficado sem o seu objetivo inicial, tem outros em vista, que desejam esse tipo de parceria. Dois deles são a McLaren e a Williams, e a terceira chance seria a Andretti.


O caso da equipa de Woking teria de ser feito com pinças. A Audi tentou comprar a McLaren em 2020, mas as conversações falharam, um pouco porque, também, a equipa preza muito a sua independência. Se fosse para ali, não seria algo novo: entre 1983 e 1987, forneceram motores seus à marca, que deram três títulos mundiais de pilotos e outros tantos de construtores. Mas foi uma encomenda feita por Mansour Ojjeh, um dos sócios da marca, a par de Ron Dennis, do qual eles acederam, tanto que os motores ficaram conhecidos por TAG-Porsche. 

(na foto acima, o Dr.Eng. Paul Rosche observa o motor nos primeiros testes em Weisach, na Alemanha, em julho de 1983)

No caso da Williams, a equipa passa por uma transição, depois da venda da equipa à Dorilton Capital, em 2020, que implicou o afastamento da família Williams, um ano antes da morte do fundador, Frank, em 2021. A equipa tenta chegar aos tempos áureos, e a Porsche poderia ser o trampolim para essa ascensão, ainda por cima, com a Dorilton a ser mais pragmática em relação a parcerias do que outras equipas mais independentes. 

O caso da Andretti é bem mais interessante. 

A marca americana, chefiada por Michael Andretti, ex-piloto e filho de Mário Andretti, é um nome solidificado na América, mas sempre quis se expandir a nível mundial. Já estão na Formula E - curiosamente, as suas unidades de energia são fornecidas pela Porsche - e a Formula 1 seria o prémio maior. Mas a Formula 1, com dez equipas, demonstra resistência à entrada de uma 11ª porque o bolo que a Formula One Management teria de ser fatiado por mais um ator, logo, entraria menos dinheiro para as equipas presentes, apesar de haver agora um teto orçamental. 

Sobre isso, Toto Wolff, da Mercedes, reconhece que uma parceria defenderia melhor Andretti do cepticismo que ele tem agora:

Se um grupo multinacional internacional se juntar à Formula 1 e puder demonstrar que gastará X milhões de dólares em marketing nos vários mercados; isso é obviamente uma proposta de valor totalmente diferente para todas as outras equipas”, disse, em declarações captadas pela Autosport britânica.

Contudo, a Porsche tem de se despachar: se quiser entrar em 2026, tem de o declarar à FIA até ao próximo dia 15 de outubro. 

WRC 2022 - Rali da Acrópole (Final)


O belga Thierry Neuville foi o grande vencedor do Rali da Acrópole, a sua primeira do ano, ficando 13,7 segundos na frente do estónio Ott Tanak, também num Hyundai. Dani Sordo, a 1.49,8, foi o terceiro classificado, num pódio monopolizado pela Hyundai, e contrariando um pouco aquilo que está a ser a temporada, onde a Toyota parecia andar a dominar os ralis a seu bel-prazer. 

Pierre-Louis Loubet, no seu Ford Puma Rally1, foi o melhor dos não-Hyundai, sendo quarto, mas a 3.42,2, do piloto triunfador, bem distante e demonstrativo da dureza dos percursos.  

Com apenas três especiais para completar a prova, duas passagens por Eleftherochori - uma delas, a Power Stage - e uma por Elatia-Rengini, o dia começou uma vitória de Tanak, 2,9 segundos na frente de Neuville e 17,2 sobre Craig Breen. Em Elatia-Rengini, foi um triunfo de Neuville, 4,3 segundos na frente de Tanak, com um surpreendente Andreas Mikkelsen em terceiro, a 11,6. E no final, na Power Stage, Tanak foi o melhor, três segundos à frente de Kalle Rovanpera e 6,4 segundos sobre Craig Breen. Gus Greensmith foi quarto, a 11,4. 

No final, Neuville era um piloto feliz com o resultado:

"Tem sido uma temporada difícil até agora e conseguir a vitória depois de um fim de semana muito difícil na Bélgica é um alívio. O mais importante é que temos um 1-2-3 para a equipa - depois de todos esses anos, finalmente conseguimos e é um momento histórico para a marca. Todos trabalharam duro para isso e é uma bela recompensa."

Ott Tanak complementou o resultado com as suas declarações, ainda relativas à decisão da equipa de recusar deixá-lo ir para a frente do rali, por causa do campeonato:

"Se você quer lutar por um campeonato, a decisão de não ter ordens de equipe foi errada. Se você quer ter [uma boa ação de] Relações-Públicas, é uma boa decisão. Depende de como você olha para isso. É uma pena - toda sexta-feira estávamos com problemas no sistema híbrido.", declarou.

Depois dos quatro primeiros, Craig Breen foi o quinto, a 4.09,0, noutro Ford, bem distante de Katsuta Takamoto, o melhor dos Toyota, sexto, a 6.21,1. Emil Lindholm foi sétimo e o melhor dos Rally2, no seu Skoda Fabia Rally2, a 7.46,6, na frente de Nikolay Gryazin, noutro Skoda Fabia Rally2, a 8.22,7. O cipriota Alexandros Tsouflas foi nono, num Polo GTi R5, a 10.53,8, passando no final o carro do norueguês Eyvind Brynildsen, a 10.56,7.

O mundial continua no final do mês, com o Rali da Nova Zelândia. 

Youtube Formula 1 Vídeo: As comunicações de Monza

A corrida italiana foi bem movimentada, com muitos dos pilotos penalizados a subirem ao longo da prova, mas antes disso, nos treinos e na qualificação, as frases dos pilotos sobre certas e determinadas situações, e no final, o alívio do Nyck de Vries, por não só ter acabado a corrida, como terminou nos pontos.  

domingo, 11 de setembro de 2022

A(s) image(ns) do dia





Há 40 anos, como hoje, a Formula 1 preparava-se para correr em Monza. E naquele ano de 1982, a Ferrari estava numa situação de pesadelo. Tinha perdido Gilles Villeneuve, o seu piloto mais carismático em maio, e um mês antes, em Hockenheim, o seu outro piloto, Didier Pironi, sofrera um acidente de tal modo grave que as suas chances de título tinham desaparecido. E para piorar as coisas, um dos seus substitutos não se sentia bem fisicamente.

Mas nem tudo eram tristezas: naquele dia, no final da qualificação, um carro vermelho estava no topo da tabela de tempos. E era guiado por um piloto improvável, mas que adorava correr para eles.

Na altura, Mário Andretti tinha 42 anos tinha deixado a Formula 1 no final do ano anterior para prosseguir a sua carreira vitoriosa na CART - iria ser campeão em 1984 - mas ainda aproveitou para fazer algumas probas como "super-sub". Fizera em Long Beach pela Williams, substituindo Carlos Reutemann, que se retirara dias antes, e agora, com Didier Pironi acidentado - e todos já adivinhando que de forma definitiva - aceitara o convite de correr as duas últimas probas do ano, ali e em Las Vegas.

Andretti não era fã dos Turbos, apesar de os usar na CART. Mas naquele ano, iria ser a onde do futuro, depois da Renault ter mostrado, Ferrari e Brabham, com o seu motor BMW, decidirem seguir. E a Lotus iria colocar num Renault Turbo nos seus carros a partir de 1983. 

Sem grande experiência no 126C2, lá se sentou e nas duas sessões de treinos, conseguiu um tempo que bateu os Renault e os Brabham-BMW. Aliás, os seis primeiros tinham uma coisa em comum: motores Turbo. O primeiro dos Cosworth apareceu em sétimo, com o Williams de Keke Rosberg

Foi um belo regresso do italo-americano, que 28 anos antes tinha lá ido para ver Alberto Ascari correr, e em 1978, conseguiu o seu título mundial. Mas ele era o primeiro a saber que isto foi apenas temporário. A sua cabeça estava noutro lado, a cortina neste lado já estava fechada. Mas o "encore" até foi bom. 

Formula 1 2022 - Ronda 16, Monza (Corrida)


O circuito de Monza é uma das catedrais do automobilismo. E ainda por cima, este é o ano do seu centenário, ou seja, já viu imensos campeonatos, decisões de título e também tragédias, essencialmente, grande parta da história do automobilismo. Os italianos sempre fixaram deste circuito no seu calendário, e houve poucas exceções, apenas por razões externas, como por exemplo, no final da II Guerra Mundial, ou em 1980, quando a prova foi para Imola porque a pista estava em remodelação profunda.  

E num fim de semana especial, conseguiram fazer um belo espetáculo, especialmente os Freccere Tricolore, a esquadrilha de acrobacia da Força Aérea Italiana. Até o presidente da República, Sergio Matarella, esteve por lá a ver as máquinas no seu habitar natural. 

Com a quantidade de penalizações que já vinham de trás, tudo indicava que isto poderia ser um passeio para Charles Leclerc e a sua Ferrari. E provavelmente, das poucas chances para quebrar o domínio de Max Verstappen e a sua Red Bull. Mas ele era "apenas" sétimo, e num circuito rápido como este, se calhar nem demoraria muito tempo para chegar ao segundo posto e assediá-lo ao longo da corrida.

O dia está ameno e as nuvens afastadas do lugar. Um típico tempo de Setembro. O autódromo cheio de "tiffosis" com uma só ideia: ver um dos seus carros no lugar mais alto do pódio e ouvir no final o "Inno di Mammeli", o hino nacional de Itália.


A partida foi calma, com Leclerc a disparar, seguido por Russell, que na primeira chicane, chegaram lado a lado. O piloto da Mercedes saiu da pista, mas sem danos. Atrás, Max conseguiu pular para o quarto posto no final da primeira volta, em cima. E bem no fundo, Lewis Hamilton tentava recuperar do lugar de onde partia, tentando chegar aos pontos o mais depressa possível. Em três voltas, o piloto da Red Bull já era terceiro, e cada segundo mais próximo de George Russell, e duas voltas depois, já o tinha passado e perseguia Leclerc, na liderança. 

Na oitava volta, Sérgio Pérez ia para as boxes para trocar para duros, e foi o primeiro a fazê-lo. Duas voltas depois, a primeira desistência, quando Sebastian Vettel encostava o seu Aston Martin de forma definitiva, fazendo uma despedida melancólica do lugar onde alcançou a sua primeira vitória na Formula 1.

Pela metade da corrida, as boxes estavam agitadas, alguns colocando pneus médios, outros duros, mas são os que colocaram os compósitos de cor amarela que estavam na frente, pelo menos no curto prazo. Na frente, Max Verstappen controlava as coisas, mas Charles aproximava-se, porque tinha compostos mais novos. Sainz Jr já era terceiro e Hamilton sexto.

Por alturas da volta 34, Fernando Alonso encostava às boxes e parava definitivamente. Era a segunda desistência da corrida. Ao mesmo tempo, Leclerc parava uma segunda ocasião nas boxes para arriscar a tentar apanhar o neerlandês da Red Bull com moles. No regresso, começou a fazer a sua parte, mas muitos tinham ceticismo nesta parte porque o ritmo de corrida do monegasco não era superior ao do neerlandês. Nem em Monza, nem noutros lados. Atrás, Hamilton conseguiu passar Norris e Gasly na primeira chicane... numa ultrapassagem dupla!

A 10 voltas do fim, mais um piloto parava para colocar moles e ganhar ritmo. Era o Red Bull de Sérgio Pérez. Caía para sétimo e regressou à pista para tentar recuperar ritmo e lugares. 

A parte final foi mais agitada. A seis voltas do fim, Daniel Ricciardo desiste e estaciona o carro num lugar perigoso, entre as Lesmos. Suficiente para um Safety Car, onde todos se agruparam. Mas... o carro da McLaren está numa posição perigosa e não haveria tempo para o tirar com os carros a circular. E claro, o público não gostou. Afinal de contas, querem emoção. 


Max viu a bandeira de xadrez atrás do único Aston Martin em pista - o do Safety Car. Sim, foi anti-climático, mas de uma certa maneira, os regulamentos foram desenhados desta forma. Como alguns costumam dizer: não culpem os jogadores, culpem as regras. E com mais esta vitória - ainda por cima, em casa do seu oponente principal - tudo indica que ele já anda a ver o título no seu horizonte. Não creio que ganhe em Singapura, porque teria de acontecer uma catástrofe, mas no Japão será o lugar mais provável.

E quem também chegou aos pontos foi Nyck de Vries, que logo na sua primeira entrada na Formula 1, conseguia um digno nono posto com o seu Williams, bem melhor que Nicholas Latifi. Com a invasão da pista por parte dos tiffosi - que assobiaram Max - de uma certa forma, foi uma tarde normal numa das catedrais do automobilismo.

Agora, duas semanas de descanso e arrumar as malas, porque agora, a Formula 1 só regressa à Europa na primavera.