sexta-feira, 24 de abril de 2026

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A 13 de novembro de 1994, o italiano Michele Alboreto fazia a sua última corrida na Formula 1, depois de 14 temporadas a correr por equipas como Tyrrell, Ferrari, Larrousse, Footwork/Arrows, Scuderia Itália e Minardi. Essa corrida, a 194ª da sua carreira, não foi espetacular: partindo de 16º na grelha, acabou na volta 69 por causa da suspensão, numa temporada onde conseguiu como melhor resultado um sexto posto no Mónaco. 

Não era o final de carreira que se calhar queria. Depois de ter saído da Ferrari, em 1988, e de meia temporada pela Tyrrell em 1989, onde conseguiu seis pontos e o seu último pódio da sua carreira, só conseguiu mais sete pontos nas cinco temporadas seguintes, seis dos quais na Arrows, em 1992. 

Saído da Formula 1 pela porta pequena, Alboreto foi para o DTM, correndo com os Alfa Romeo 155 da Schubel Engineering, mas os resultados foram ainda mais modestos. Um sétimo posto e apenas quatro pontos na geral representou a sua curta passagem pelos Turismos alemães. Em 1996, foi para a América, tentar a sorte na recém-criada IRL, a competição "rebelde" da CART. Correndo pela Scandia, primeiro com um Lola, depois com um Reynard, conseguiu um quarto posto na primeira das corridas dessa série rebelde, em Homestead, e numa oval.

Alguns meses depois, iria tentar a sua sorte nas 500 Milhas de Indianápolis, onde conseguiu o 12º posto na grelha, mas a sua corrida acabou na volta 43, por causa de problemas na sua caixa de velocidades. Conseguiu um pódio na corrida seguinte, mas cinco corridas na IRL foi o melhor que conseguiu fazer, nessa sua curta passagem pela América.

Ao mesmo tempo, graças à Scandia Racing, Alboreto regressou à Endurance, onde tinha estado década e meia antes, enquanto subia a escada rumo à Formula 1. Começou nas 12 Horas de Sebring, onde num Ferrari 333 SP, e ao lado de Andy Evans e o seu compatriota Mauro Baldi, acabou na segunda posição.

Algum tempo depois, aceita o convite da Joest Racing para participar nas 24 horas de Le Mans. Tinha feito três edições da clássica francesa da Endurance, pela equipa oficial da Lancia, conseguindo acabar apenas na edição de 1981. Em 1996, aceitou competir pela Joest Racing, num TWR-Porsche, ao lado do seu compatriota - e companheiro de equipa na Minardi, em 1994 - Pierluigi Martini e o belga Didier Theys. O carro não chegou ao final, por causa de um problema de motor na última hora de corrida, depois de fazer 300 voltas.

Contudo, por estes dias, o público mais via Alboreto na televisão, não pelos seus feitos desportivos, mas pelo seu depoimento em tribunal. O julgamento sobre o acidente mortal de Ayrton Senna estava a acontecer em Bolonha, e ele tinha sido chamado como testemunha. Ele referiu, na sua opinião de piloto, que o acidente aconteceu por falha técnica que por erro do brasileiro. 

Em 1997, depois de duas corridas na América, voltava a correr em Le Mans pela Joest. O carro era o mesmo, um WSC-95, de cockpit descoberto, e iria ter como parceiros, o seu ex-companheiro na Ferrari em 1985 e 86, o sueco Stefan Johansson, e um jovem dinamarquês, Tom Kristensen. O carro era o mesmo que tinha ganho em 1996, e claro, eram os favoritos, mesmo com os GT1 presentes, entre Porsches, McLarens e Nissans, entre outros.

O carro foi o melhor na qualificação, fazendo a "pole-position", e Alboreto faria as primeiras voltas da corrida ao volante. Perdera o comando para o Porsche numero 26 oficial de Bob Wollek - que tinha como companheiros de equipa o alemão Hans-Joachim Stuck e o belga Thierry Boutsen, mas na quarta volta, retomaria ao primeiro posto, e nas duas horas seguintes, num triplo "stint", aumentou a vantagem em relação aios GT1, antes de entregar o carro a Johansson, que adoptou um andamento mais conservador, para poupar o carro, e com isso, os Porsches GT1 passaram para a frente. 

O carro fazia a sua própria corrida, enquanto a concorrência tinha os seus problemas, uns maiores, outros menores, que causavam alguns atrasos. Ao cair da noite, eles eram os terceiros, com os Porsches na frente - os veteranos na frente, o carro numero 26, com os franceses Emmanuel Collard e Yannick Dalmas, bem como o alemão Ralf Kelleners, no segundo posto - e na mesma volta. Os McLaren GT1 seguiam no quarto e quinto posto, enquanto os Nissan tinham problemas e atrasavam-se.

A manhã de domingo começou com céu nublado, e o TWR-Porsche tinha um atraso de duas voltas para os GT1. Mas perto das oito da manhã, o veterano Wollek tem uma saída de pista em Arnage e tem danos no diferencial do seu carro, acabando por abandonar... nas curvas Porsche. O segundo carro ficou na frente, e parecia de Dalmas, Kelleners e Collard iriam dar mais uma vitória à marca de Estugarda. Mas a uma hora e 15 minutos do final, quando Kelleners estava ao volante, nas Hunaudiéres, o carro ficou sem caixa de velocidades e rumou às boxes. Mas mal fez Mulsanne, o carro começou a pegar fogo por causa de uma fuga de óleo na transmissão e o piloto alemão teve de sair às pressas.

Com isto, a liderança caiu ao colo do TWR de Alboreto, Johansson e Kristensen, que levaram o carro até à meta, para aquilo que foi a sua primeira vitória para todos os pilotos. E foi uma vitória popular. contra os GT1, que eram os favoritos.   

WRC 2026 - Rali Canárias (Dia 1)


O francês Sebastien Ogier é o líder do Rali das Canárias, conseguindo uma vantagem de 8,9 segundos sobre o segundo classificado, Oliver Solberg. Ambos estão ao alcance de Sami Pajari, terceiro a 15,9 e de Elfyn Evans, quarto a 16,4. Em suma, uma luta pela liderança muito cerrada, com a particularidade dos cinco primeiros deste rali serem todos... Toyota.

Com oito especiais nesta sexta-sexta-feira, passagens duplas por Valleseco-Artenara, Tejeda-San Mateo e Mogan-La Aldea, acabando com uma especial dupla no Estádio Gran Canária, o rali começou ontem à noite... no estádio, onde perante mais de 20 mil espectadores, Takamoto Katsuta foi o melhor, 0,4 segundos sobre Sami Pajari, 0,8 sobre o Skoda Fabia RS Rally2 de Roberto Daprá e um segundo sobre o Hyundai de Dani Sordo.


A segunda especial começou na manhã desta sexta-feira, e Ogier levou a melhor, 0,5 segundos na frente de Oliver Solberg, 1,3 sobre Elfyn Evans, 1,9 sobre Sami Pajari e 2,2 sobre Takamoto Katsuta. A terceira especial foi anulada devido ao mau posicionamento dos carros dos espectadores na especial, e a seguir, Ogier voltou a ganhar, 4,2 segundos sobre Evans, cinco segundos sobre Pajari, 5,4 sobre Solberg e 8,2 sobre Takamoto.

No inicio da tarde, Solberg levou a melhor sobre Ogier por meros 0,1 segundos, 2,4 sobre Pajari, 2,8 sobre Evans e 3,7 sobre Takamoto. Ogier respondeu na especial seguinte, a segunda passagem por Tejeda-San Mateo, ganhando 0,2 segundos sobre Solberg, 3,2 sobre Pajari, 4,4 sobre Evans e 8,4 sobre Takamoto. E ele continuou a ganhar, desta vez na segunda passagem por Mogan-La Aldea, com uma vantagem de dois segundos sobre Solberg, 2,3 sobre Evans e 5,3 sobre Pajari. 

No final do dia, na segunda passagem pelo estádio da Gran Canária, Pajari acabou por ser o melhor, embora empatado com Takamoto, enquanto Formaux foi terceiro, a 0,4 e Ogier quarto, a 0,8.

"Foi um bom dia. Um pouco estranho ver o Jon [Armstrong] à frente, mas ele foi justo ao me deixar passar.", disse Ogier no final da especial.


Depois dos quatro primeiros, quinto é Takamoto Katsuta, que está a 29,7, na frente do melhor dos Hyundais, o de Dani Sordo, a 52 segundos. Adrien Formaux é sétimo, a 54,8, enquanto Thierry Neuville não está longe, a 1.03,6, no oitavo posto. Josh McErlean é nono, a 1.41,1, e a fechar o "top ten" está o Lancia de Yohan Rossel, a 1.59,5.   

O Rali das Canárias prossegue amanhã com a realização de mais seis especiais. 

Noticias: Turquia entra no calendário para 2027


A FOM e o governo turco, através do seu ministério da Juventude e Desporto, anunciaram nesta sexta-feira que o circuito de Istambul regressa ao calendário a partir de 2027, num acordo com a duração de cinco temporadas. A Turquia tinha recebido a Formula 1 pela última vez em 2021. 

No anuncio oficial, o presidente da FOM, Stefano Domenicalli, afirmou sobre o regresso do GP da Turquia:

Estamos muito felizes por regressar à incrível e vibrante cidade de Istambul a partir de 2027 para entusiasmar todos os nossos fãs na Turquia e em todo o mundo num dos circuitos mais entusiasmantes e desafiantes da Fórmula 1. Istambul representa uma porta de entrada cultural entre a Europa e a Ásia, oferecendo uma combinação única de história e tradição com uma abordagem inovadora ao desporto, aos negócios e ao entretenimento."

"Gostaria de agradecer a Sua Excelência o Presidente Erdoğan, ao Ministério da Juventude e Desporto, ao Ministério da Cultura e Turismo e à Federação Turca de Automobilismo pelo apoio em garantir o regresso da Fórmula 1. Muitos momentos memoráveis ​​foram vividos na história do nosso desporto no Istanbul Park e estou entusiasmado por começar o próximo capítulo da nossa parceria, dando aos fãs a oportunidade de experimentar corridas ainda mais incríveis num local verdadeiramente fantástico.”, concluiu.

Do lado turco, Eren Üçlertoprağı, Presidente da Federação Turca do Automóvel (TOSFED), membro da FIA, começou por declarar:

É com grande satisfação que anuncio que, graças ao apoio inabalável do nosso Estado e aos intensos esforços, conseguimos garantir o regresso do Grande Prémio da Turquia de Fórmula 1. Gostaríamos de expressar a nossa profunda gratidão a Sua Excelência, o Presidente, ao Ministro da Juventude e Desporto e ao Ministro da Cultura e Turismo, bem como aos seus respetivos ministérios, pelo seu inestimável apoio. Estendemos também os nossos sinceros agradecimentos ao Presidente da Federação Internacional do Automóvel (FIA), Sua Excelência, o Sr. Mohammed Ben Sulayem, e ao CEO 1, o Sr. Stefano Domenicali."

"Os preparativos para a corrida, agendada para 2027, já estão em pleno andamento. Graças ao pleno aproveitamento dos recursos do nosso Estado, trabalharemos incansavelmente para acolher um evento à altura da Turquia e de Istambul, com bancadas cheias.”, concluiu. 


Uma pista com cerca de 5330 metros, construído em Tuzla, no lado asiático da cidade, o seu traçado apresenta mudanças de elevação dramáticas que desafiam tanto a habilidade do piloto como o desempenho do carro. A mítica curva 8 é um teste incrível de precisão e empenho por parte do piloto, exigindo a sua capacidade de manter a velocidade e o equilíbrio ao longo da sua longa curva para a esquerda.

A Formula 1 chegou a paragens turcas em 2005, com o vencedor nesse ano a ser Kimi Raikkonen, antes de Felipe Massa ganhar três corridas seguidas, entre 2006 e 2008, e já recebeu nove edições, primeiro entre 2005 e 2011, com Sebastian Vettel a ganhar na última edição, antes do governo decidir não renovar o contrato para 2012. Regressado em 2020 e 2021 devido à pandemia de CoVid-19, que reformulou o calendário, as corridas foram ganhas por pilotos da Mercedes: Lewis Hamilton em 2020, Valtteri Bottas em 2021. 

quinta-feira, 23 de abril de 2026

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Quando a Formula 1 decidiu que iria regressar aos motores atmosféricos 3.5 litros, em 1989, queriam inicialmente que fossem os V8, até que Enzo Ferrari fez "lobbying" para que os V12 fossem também incluidos no pacote, chegando ao ponto de ameaçar ir embora da Formula 1, construindo um chassis para a CART, afirmando que era o passo a seguir, caso a FISA não cedesse. Eles cederam, e os V12 da Ferrari voltaram a ser ouvidos nas pistas.

Mas não foram os únicos: se a Cosworth meteu os V8, a Renault regressou com os V10 e a Honda passou dos V10 para os V12, entre 1989 e 1991, deixando esses motores para quem pagasse mais, outras marcas pensaram fortemente na ideia de entrar na competição com motores potentes. E em 1989, todos queriam um motor: Porsche. A marca alemã tinha anunciado que iria entrar em 1991 com um V12, e muitos acreditaram que, com o que tinha feito no passado, especialmente com os TAG-Porsche Turbo, que vinha aí um caso de sucesso. Mas... 

Mas o que aconteceu, na realidade, foi uma catástrofe. Quem pagou por isso foi a Arrows.

Em 1989, a Porsche pediu ao veterano Hans Metzger para construir um motor potente para a nova competição. Com a marca de fora desde 1987, ele pensou que juntando dois motores V6, dos tempos da TAG-Porsche, poderia adiantar muito trabalho, do que construir algo do zero. o projeto, batizado de 3512 - motor de 3,5 litros, de 12 cilindros em V - tinha-o aberto a 80 graus, com uma tomada de força em eixo-cardã que tinha como base os flat-12 que Metzger tinha construído, mais de 20 anos antes, para os 917 de Endurance. Em suma, no papel, eram soluções do passado que tinham dado certo.

Contudo, mal começou a trabalhar o primeiro motor, os problemas surgiram. Era muito pesado: 189 quilos, mais 30 que os Honda e os Ferrari V12, por exemplo. E quando começou a ser puxado, descobriu-se que a potência que se conseguia andava na ordem dos 670 cavalos, a 13 mil rotações por minuto, pouco em comparação com os cerca de 800 cavalos que os Honda conseguiam tirar. 

E no meio disto tudo, já tinham assinado um acordo com a Arrows, que nesse ano de 1990, tinha um patrocinador japonês, a Footwork. Depois de a Onyx querer por todos os meios ter o motor, em meados de 1989 (era a obsessão do belga Jean-Pierre Van Rossem, o excêntrico proprietário da equipa), a Arrows ficou com esses motores, por quatro temporadas, a troco de 80 milhões de marcos alemães, a começar em 1991.

Os motores foram instalados no chassis A11, que teve de ser modificado para acolher o motor - o FA12 só estaria pronto mais tarde, em Imola - e desde o inicio, quer Michele Alboreto, quer Alex Caffi, sentiram dificuldades. Alboreto qualificou-se para a corrida de Phoenix, mas Caffi não. Para piorar as coisas, nas duas corridas seguintes, em Interlagos e Imola, nenhum dos carros se qualificou, mesmo com Caffi a usar o FA12 a partir da corrida italiana. Pelo meio, um susto: nos testes pré-corrida em Imola, Alboreto perdeu o controle do seu carro a bateu forte em Tamburello, desfazendo-se no impacto. Por milagre, o italiano saiu incólume do carro.

Caffi não teve essa sorte. Alguns dias depois de não se ter qualificado para o GP do Mónaco, Caffi sofreu um acidente de estrada em Itália e ficou ferido, falhando as corridas americanas. Para o seu lugar foi chamado Stefan Johansson, o que significa que, pela primeira vez desde 1986, a dupla da Ferrari estava novamente junta. E no Canadá, ambos os carros conseguiram-se classificar, com o italiano a ser 21º na grelha e Johansson, 25º. Mas ambos não chegaram ao final, Alboreto por causa de um cabo do acelerador partido, Johansson porque o motor quebrou-se a meio da corrida.

Por essa altura, a Arrows estava farta, e decidiu regressar ao Ford DFR, acabando os motores Porsche depois do GP do México, onde Alboreto conseguiu passar, mas Johansson, não. A partir do GP de França, em Magny-Cours, os Ford, motores que tinham usado na temporada anterior, regressavam à equipa, mas os resultados não melhoraram muito, mesmo quando Caffi regressou ao "cockpit", no GP da Alemanha, altura em que a Footwork-Arrows tinha caído para o inferno das pré-qualificações. 

Oficialmente, o acordo foi rescindido no final da temporada de 1991, mas a última corrida dos Arrows-Porsche fora no Canadá, e desde então, a marca alemã não mais regressou à Formula 1. 

WRC: RMC Motorsport apresentou o seu projeto para o WRC27


A espanhola RMC Motorsport, de Roberto Mendez, apresentou nesta quinta-feira, na véspera do rali Canárias, o seu projeto para construir um WRC27 a partir da próxima temporada. O projeto, denominado WRC Rally1 Spain, terá a parceria com a Real Federação Espanhola de Automobilismo (RFEDA), e torna-se no segundo construtor a se apresentar, depois do Project Rally One, mostrado em dezembro do ano passado.

Na apresentação, Malcom Wilson afirmou que o projeto é um sinal do futuro dos ralis, mostrando-se entusiasmado pelo apoio de um membro da FIA a esta iniciativa, afirmando que é um sinal do futuro.   

O projeto liderado pela RFEDA e pela RMC Motorsport é mais um sinal encorajador para o futuro do Campeonato Mundial de Ralis da FIA”, começou por afirmar. “O que torna este projeto particularmente notável é o facto de ser apoiado por um clube membro da FIA, uma novidade para o campeonato, e um sinal claro da confiança que as federações têm no rumo que o WRC está a tomar.”, concluiu.

Do outro lado, Mendez não deixou de estar entusiasmado com o projeto e agradeceu a colaboração de Manuel Alvino, o presidente da Federação Espanhola de Automobilismo, pela colaboração.

Este projeto representa o culminar profissional do percurso da RMC”, começou por afirmar Mendez, proprietário da equipa sediada em Villablino, no norte de Espanha. “Com a vasta experiência adquirida na construção de veículos N5 que competiram em vários continentes, encaramos com grande entusiasmo a oportunidade de desenvolver o novo carro de ralis FIA 2020 Rally1.", continuou.

O apoio da RFEDA, sob a liderança de Manuel Avino, é fundamental para o sucesso do projeto. Estamos a trabalhar intensamente e em breve poderemos partilhar informações técnicas mais detalhadas sobre o novo automóvel.”, concluiu.

Alvino complementou:

Não podíamos deixar passar a oportunidade oferecida pela FIA de incorporar preparadores como a RMC na fabricação dos carros Rally1 de 2027. Este acordo com a RMC também cumpre vários dos objetivos que estabeleci no início do meu mandato na RFEDA. Como presidente, é motivo de grande orgulho fazer parte de um projeto que, sem dúvida, fortalecerá a qualidade e o reconhecimento da indústria do automobilismo espanhol, servindo também como referência e inspiração para os nossos pilotos nas suas carreiras desportivas."

"Gostaria de agradecer especialmente ao Roberto Méndez pela sua determinação em aceitar um desafio tão exigente.”, concluiu.


Situado em Villabilino, e fundado há mais de uma década, a RMC Motorsport montou uma equipa que acumulou uma vasta experiência, bem como um percurso notável no desporto automóvel. A estrutura espanhola irá capitalizar a sua experiência acumulada ao longo de quase uma década no desenvolvimento e na otimização das suas máquinas do Grupo N5. Esta experiência prévia é um fator crucial, permitindo que a RMC Motorsport traga um conhecimento técnico aprofundado para o desafio de conceber um carro Rally1 competitivo.

Com isto, torna-se na terceira estrutura a apresentar um projeto, depois do Project Rally One, da Bélgica, anunciado em dezembro do ano passado, e da Toyota, que anda desde há mais de um mês a testar aquilo que será o carro para a temporada de 2027, já demonstrando o seu compromisso com os novos regulamentos.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

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Esta semana, enquanto a FIA e a Formula 1 anunciavam algumas alterações nos regulamentos, para, aparentemente, colocas as coisas um pouco mais equilibradas (ou se quiserem, tentar reparar os estragos causados pelas novas regras), em Paul Ricard, a Formula E mostrava ao mundo o Gen4, o carro que estará nas mãos das equipas a partir da próxima temporada. Daquilo que vi no video mais em baixo e ouvi dos pilotos que experimentaram estes carros, dos engenheiros e seguintes, parece ser um torpedo.

E pus-me a pensar: como as coisas eram em 2013, 2014. Bastaram doze anos para chegarmos aqui. 

Quando comecei nestas coisas do automobilismo, há mais de duas décadas, e ouvi as tentativas de eletrificação da industria automóvel, sabia mais ou menos o tipo de materiais usados. Sabia das enormes limitações do material, da baixa autonomia deste tipo de carros, em comparação com os carros a gasolina. Sabia, até, desde há 30 anos a esta parte, na minha adolescência, que este tipo de propulsão alternativa não era mais que experiências de universidades, algumas companhias de eletricidade, quer para isto, quer para o hidrogénio, que aparentava ser mais promissor. 

Os avanços na tecnologia, especialmente na construção de baterias para videos, portáteis, telemóveis, e outros artigos de "consumer electrónics" ajudaram imenso neste pulo tecnológico, especialmente as marcas vindas do Japão e agora, da China. A construção das baterias de lítio, em substituição das de chumbo-cádmio, ajudaram imenso em termos de peso, potência e armazenamento. E agora, há uma marca chinesa, a CATL, que anda a apresentar baterias de sódio, que poderão aumentar ainda mais o armazenamento, o número de ciclos, sendo mais leve. 

Lembro, algures em 2008, ser favorável a uma competição elétrica, afirmando que isso iria ajudar na tecnologia. Sempre soube, ao longo da história, que o automobilismo ajudou muito no desenvolvimento da tecnologia automóvel. Quando surgiu a Formula E, em 2014, só queria que sobrevivesse o suficiente para que atraísse a atenção de suficientes marcas para ajudar no desenvolvimento da tecnologia. Bem sei que coisas como chassis único para todas as equipas, com estas a desenvolverem os seus próprios "powertrains" não era o ideal, mas entendo perfeitamente o porquê: um equilíbrio (artificial, é certo), para dar uma chance de vitória às equipas seria ótimo para a competição, mas agora que vemos o BoP na Endurance, por exemplo, pergunto-me: "acho que até fizeram bem". 

Mas não é sobre o que é e o que deve ser a Formula E, isso poderemos discutir noutro dia. O que quero falar é da tecnologia. Há 15 anos, lembro-me das pessoas ficarem de boca aberta com o Tesla Model S, que tinha uma autonomia de 320 km, e era uma "banheira" bem cara. Lembro-me do dia que vi um pela primeira vez, em 2014, um modelo S cinzento escuro, e ter ficado admirado com aquilo tudo. Hoje em dia, há carros novos que estão a dar autonomias de 600 quilómetros, e a invasão chinesa de carros elétricos, mais baratos que os normais (cerca de 20 mil euros) e a possibilidade de comprar por esse preço, um Tesla em segunda mão, com essa autonomia. O pulo que demos, dê por onde der!

Bem sei que há resmungões, que não acreditam nesta tecnologia, que agarram aos "diesels" e outros carros poluentes, mesmo sabendo que tem todas as desvantagens em termos de eficiência, tecnologia e de preço. Mas eles deverão saber que a cada semana que o preço dos combustíveis aumenta seis, oito ou dez cêntimos, quem pode, muda para um carro que, no final do mês, possa poupar 60 ou 80 euros na carteira, e terá a chance de andar com o "depósito cheio" (a propósito: você que anda de carro a gasolina ou a gasóleo, quando é que foi a última vez que encheu o depósito?)

Bem sei que, por exemplo, no Brasil, parte do combustível tem fontes biológicas - o álcool, tecnologia que foi desenvolvida durante a primeira crise do petróleo, em 1973 - mas isso não é "exportável". Os carros elétricos, à medida que conseguirem uma autonomia equivalente ou superior a de um carro a gasolina, passam a ser mais atrativo a alguém que queira algo que seja ao mesmo tempo barato e eficiente. E tem mais uma coisa: pode ser carregado na garagem da sua casa. E se essa pessoa tiver painéis solares, logo produzir energia, se calhar poderá estar a abastecer o seu carro de graça...

E ainda faltam outras coisas, como transformar tejadilhos num painel solar ambulante, permitindo o carro ser carregado à media que anda nele...

Mas divaguei-me sobre uma tecnologia que deu um pulo dramático em década e meia. Ao mesmo tempo que uma competição como a Formula E passou de ser algo que queria demonstrar uma tecnologia - trocavam de carros a meio da corrida, lembram-se? - a uma alternativa séria dentro do automobilismo. Não quer ser a Formula 1, não creio que queira ser um substituto, mas se esta tropeçar, se calhar esta pode ser uma alternativa.

E com este novo carro, tem algo que quero falar sobre a competição: se querem continuar a correr nos centros urbanos, as pistas tem de ser maiores e mais sólidos. Ter esses carros a correr no Mónaco é fantástico, e correr em versões de pistas como Miami, Jeddah e a Cidade do México é ótimo, também, mas acho que é altura de correrem em mais pistas convencionais, porque é ali que estes carros largam toda a sua potência e mostram toda a sua competividade. 

Dito isto, e visto o GEN4, agora estou curioso em saber o que será o GEN5. No mínimo, espero 1mW...

Youtube Motorsport Video: Uma volta em Le Castelet com o GEN4 da Formula E

O GEN4 da Formula E foi apresentado nesta quarta-feira em Paul Ricard para as equipas que participarão na temporada 2026-27 da competição elétrica. Porsche, Jaguar e a novata Opel foram algumas das equipas que deram umas voltas no novo bólido que terá uma velocidade máxima de 370 km/hora, cerca de 600 kW de potência - 805 cavalos - em qualificação e 450 kW - 603 cavalos em corrida. Tudo em quatro rodas motrizes. 

Equipado com pneus Bridgestone, fala-se que o carro poderá ser mais rápido em cerca de dez segundos em relação aos GEN3 que andam atualmente na competição elétrica. Todos pensam que poderá ser mais potente que um Formula 2, ou seja, poderá ser o segundo monolugar mais veloz, sendo batido apenas pela Formula 1. 

Claro, com toda essa potência, fica-se a pensar que, se calhar, algumas pistas citadinas podem não mais servir este tipo de carro... 

Neste video, eis este carro a dar uma volta a uma das versões de Paul Ricard.

terça-feira, 21 de abril de 2026

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Toda a gente sabe que quatro semanas sem Formula 1 abre espaço para mais coisas, mas hoje, 21 de abril, quase o meio da primavera, e a cerca de semana e meia do GP de Miami, parece que as comportas podem estar a abrir-se.

Primeiro que tudo, surgiu hoje a entrevista que o jornal britânico "The Guardian" fez ao campeão do mundo, Lando Norris. Até aqui tudo bem. O próprio jornalista, Donald McRae, elogiou o comportamento do seu entrevistado: honesto, sincero e limpo. Isto... até chegar a assessoria de imprensa, que o colocou numa "trela". 

Eis os três primeiros parágrafos dessa entrevista:

"O mais recente campeão mundial de F1 fala com profunda franqueza sobre como superou as suas inseguranças, mas perguntas sobre Max Verstappen e regulamentos? Proibido.

Há sempre complicações e dificuldades na Fórmula 1, como na vida e até nesta entrevista. Numa bela noite num luxuoso clube de golfe em Surrey, Lando Norris e eu estamos numa sala discreta, mas bem iluminada, acompanhada de uma equipa de televisão e representantes da sua equipa de gestão e da Laureus, a organização global movida pela crença de que “o desporto tem o poder de mudar o mundo”.

A princípio, Norris fala de forma ponderada e honesta sobre as suas dificuldades contra a profunda insegurança antes de se tornar campeão mundial no ano passado. Mas chegámos a um ponto baixo quando um jovem da sua empresa de gestão se sente suficientemente à vontade para responder às perguntas em nome do piloto de 26 anos, como forma de controlar a nossa entrevista."

Bem sei que essa gente toda, o que quer evitar é polémica, mas quando estes terceiros intervêm numa situação como esta, a polémica aparece. Mas é triste ver gente que ganha milhões por temporada, mas tem de ter uma mordaça para muitos assuntos. Parece que são todos cãezinhos amestrados, ou pior: pássaros amarrados em gaiolas (muito) douradas.

E se é para uma coisa como estas, agora imaginem o que poderá estar para vir. E vem de Milão, em Itália. Aparentemente, o Il Fatto Quottidiano, jornal de Milão, fala que a justiça local caiu em cima de uma rede de prostituição de luxo, do qual apanharam não só as meninas, como os seus proxnetas, e dinheiro, na ordem dos 1,2 milhões de euros. Alguns jornalistas já tiveram acesso a escutas e ouviram muita gente ligada ao desporto, entre jogadores de futebol, de hóquei no gelo... e pelo menos, um piloto de Formula 1. Que não só queria uma menina para passar a noite, como também... uma botija de gás hilariante. 

Eis um excerto da reportagem:

"Um amigo meu, piloto de Fórmula 1, vem a Milão esta noite. Quer uma acompanhante." Mais pormenores surgem de escutas telefónicas sobre o caso de acompanhantes de luxo (uma delas chegou a engravidar), que levou à detenção de quatro pessoas — um marido, uma mulher e dois associados, todos em prisão domiciliária — e à apreensão preventiva de 1,2 milhões de euros. O caso está no centro de uma investigação do Ministério Público de Milão sobre a cumplicidade e exploração da prostituição nos bairros boémios de Milão, envolvendo "jogadores de futebol e hóquei de renome internacional", como explicam os procuradores na acusação. Milão, mas não só: a empresa MA.DE. A MILANO operava também em Mykonos, na Grécia.

Os detidos são Deborah Ronchi, Emanuele Buttini, Alessio Salamone e Luz Luan Amilton Fraga. Os quatro homens em causa são acusados ​​de cumplicidade e exploração da prostituição, bem como de branqueamento de capitais provenientes de atividades ilegais. O modus operandi da agência sediada em Cinisello Balsamo — onde as raparigas em questão estavam hospedadas, entre outros locais — era claro e consistente.

(...)

No caso concreto do piloto de Fórmula 1, a conversa data de 18 de fevereiro de 2026. Matteo Grassi falou com Praga Luz e explicou: "Há um amigo meu, piloto de Fórmula 1 (...) que vem a Milão esta noite, quer uma rapariga para fazer sexo por dinheiro (...), consegues encontrar uma?", ao que Praga Luz respondeu: "Vou mandar-lhe a brasileira." Nesta altura, Grassi concluiu: "Ok, então... se precisa de ganhar alguma coisa, combina com a brasileira." Segundo consta no processo, "de outras conversas, é claro que as acompanhantes recebiam dinheiro por serviços sexuais", mas emerge que não eram pagas diretamente pelo cliente, mas sim pelos suspeitos, com base no valor total pago pelo cliente à agência. De seguida, as raparigas receberam envelopes com dinheiro em numerário, de acordo com os serviços prestados e o valor recebido, com uma compensação que variava entre os 70 e os 100 euros por noite, consoante a rapariga utilizava ou não o alojamento em Cinisello [bairro de Milão].

Quem será o piloto? Há um pequeno problema, se o serviço aconteceu nessa noite: é que ao mesmo tempo que essa conversa era interceptada, aconteciam os testes de pré-temporada no Bahrein. Quem apanharia um avião para largar esse piloto na Europa, mesmo sendo privado? Bem sei que é preciso ter pedalada para uma coisa destas, não é?

Mas também, pode não ser alguém da atual grelha de partida. Um piloto de reserva, por exemplo. 

E poderemos ter ainda mais: há noticias de evasão fiscal, também vindas de Itália. O que é um pouco estranho, porque a grande maioria dos pilotos tem como residência fiscal o Mónaco ou a suíça, que são estados... pouco ou nada fiscais para gente como esta.  

Tudo isto numa altura em que a FOM e as equipas andaram a falar no sentido de mexerem nos regulamentos - que tem sido um fracasso, pois as queixas dos pilotos tem sido em catadupa, e os fãs odeiam estes carros - e na Formula E, o novo carro, o Gen4, aparenta ser tudo aquilo que os fãs da Formula 1 gostariam de ver nos seus carros, mas não tem. 

Noticias: FIA e Formula 1 anunciam ajustes nos regulamentos


A FIA e as equipas decidiram esta semana fazer ajustes nos regulamentos, sancionados pela FOM, e estas entrarão em vigor a partir do GP de Miami, que acontecerá a 3 de maio. O contexto que motivou as mudanças inclui preocupações de segurança levantadas pelos pilotos, em particular após o violento acidente de Oliver Bearman no Japão, provocado por um diferencial de velocidade elevado, e críticas generalizadas à gestão de energia exigida pelos novos regulamentos.

O facto da Formula 1 não ter tido corridas em abril devido à guerra no Médio Oriente acabou por chegar a esta conclusão. E são estas:

Na qualificação, a  potência máxima do Super Cliping foi aumentada para 350 kW, anteriormente fixada em 250 kW, reduzindo ainda mais o tempo gasto em regeneração e diminuindo a carga de trabalho dos pilotos na gestão de energia. Esta medida será igualmente aplicada em condições de corrida. Para além disso, o número de eventos onde podem aplicar-se limites de energia alternativos mais baixos foi aumentado de 8 para 12 corridas, permitindo uma maior adaptação às características dos circuitos.

Também haverá ajustes os parâmetros de gestão de energia, incluindo uma redução da regeneração máxima permitida de 8MJ [megajoules] para 7MJ [megajoules], com o objetivo de reduzir a regeneração excessiva de energia e encorajar uma condução mais consistente a fundo. Esta alteração visa reduzir a duração máxima do Super Cliping para aproximadamente dois a quatro segundos por volta.

Nas corridas, a potência máxima disponível através do Boost em condições de corrida passa a estar limitada a +150 kW (ou ao nível de potência atual do carro no momento de ativação, se superior), restringindo diferenciais de desempenho súbitos. O MGU-K mantém-se a 350 kW nas zonas-chave de aceleração (desde a saída de curva até ao ponto de travagem, incluindo zonas de ultrapassagem), mas ficará limitado a 250 kW nas restantes partes da volta. Estas medidas foram concebidas para reduzir velocidades de aproximação excessivas, mantendo as oportunidades de ultrapassagem e as características gerais de desempenho.

Graças ao feedback dos pilotos, em termos de melhorias na segurança em situações de chuva, as temperaturas das mantas de aquecimento dos pneus intermédios foram aumentadas, com o objetivo de melhorar a aderência inicial e o desempenho dos pneus em condições de piso molhado. A entrega máxima do ERS será reduzida, limitando o binário e melhorando o controlo do carro em condições de baixa aderência. Os sistemas de iluminação traseira serão simplificados, com sinais visuais mais claros e consistentes, de forma a melhorar a visibilidade e o tempo de reação dos pilotos que seguem atrás em condições adversas.


Mohamed Ben Sulayem
, o presidente da FIA, reagiu positivamente a estas alterações e elogiou todos os intervenientes pelo trabalho realizado em tempo recorde. Ele também elogiou o papel central dos pilotos no processo de consulta, sublinhando que a segurança e a equidade desportiva continuam a ser as prioridades máximas da FIA, e reconheceu ainda que a pausa inesperada no calendário foi aproveitada de forma construtiva por todas as partes envolvidas.

Gostaria de elogiar todos no ecossistema da Fórmula 1, os funcionários da FIA, as equipas, os pilotos e os fabricantes de unidades motrizes, pelo trabalho construtivo e colaborativo realizado num espaço de tempo muito curto.", começou por afirmar. "Embora tenhamos enfrentado uma pausa inesperada no calendário devido a circunstâncias alheias ao desporto, todas as partes mantiveram-se plenamente empenhadas em agir no melhor interesse da Fórmula 1."

"Mais do que nunca, os pilotos estiveram no centro destas discussões, e gostaria de lhes agradecer pelo seu contributo valioso ao longo deste processo.", continuou. "A segurança e a equidade desportiva continuam a ser as prioridades máximas da FIA. Estas alterações foram introduzidas para resolver os problemas identificados nas primeiras provas e para garantir a integridade e a qualidade contínuas da competição."

"Aguardamos agora com entusiasmo o resto do que promete ser uma emocionante temporada de 2026" concluiu.”


Espera-se que a partir da corrida de Miami, estas alterações regulamentares poderão melhor um pouco o espetáculo automobilístico, que anda a ser contestado desde o inicio da temporada. 

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Rumor do Dia: Arábia Saudita ainda quer fazer o Grande Prémio


Ontem deveria ter acontecido o GP da Arábia Saudita, em Jeddah, mas por causa do conflito no Golfo Pérsico, e os problemas de segurança que acabaram por aparecer, a corrida, bem como o GP anterior, do Bahrein, e que deveria ter acontecido no passado dia 12 acabou por ser cancelada, reduzindo o calendário de 24 para 22 provas.

Contudo, os sauditas não desistem. Ambas as partes - FOM e o governo saudita - estudam uma maneira para que a corrida aconteça mais tarde no calendário. E essa ideia passaria para adiar o final da temporada para o dia 13, o segundo domingo de dezembro, e transformar a parte final... numa rodada quadrupla, ou seja, quatro corridas em quatro semanas: Las Vegas, Losail, no Qatar, Jeddah e Abu Dhabi. Um pesadelo logístico, do qual... ninguém está entusiasmado. Nem as equipas, nem os pilotos. 

Para piorar as coisas, há o risco de, caso ambos concordem com a ideia, poderia abrir-se um precedente muito perigoso, de colocar o maior número de corridas num mínimo espaço de tempo possível, logo, poderem querer alargar o calendário para além das 24 provas. Como é sabido, a Formula 1 estará num futuro próximo em mais alguns lugares na Europa, usando o sistema de rotação de corridas - a começar por Barcelona, em 2027, e com rumores sobre Istambul - e sabendo do pesadelo logístico que poderá vir, esta insistência saudita, apesar de ser para cumprir um contrato, colocá-la de forma a levar tudo e todos ao limite, poderá ser perigoso.


E nem se fala como será aquela região do Golfo no final do ano. Poderá haver paz, mas e se não estiver?

CPR: Rali de Lisboa com presença forte


Mal acabou o rali Terras D'Aboboreira, já se fala do rali a seguir ao de Portugal: o rali de Lisboa, que se estreia nesta temporada, entre os dias 29 e 30 de maio, e a primeira em classificativas de asfalto. Com os novos regulamentos a obrigarem os pilotos a escolherem entre este e o rali de Castelo Branco, o rali de Lisboa, que percorre os lugares onde há mais de 30 anos corriam o Rali das Camélias, conseguiu atrair pelo menos dez duplas do CPR.

As duplas inscritas - logo, que pontuarão neste rali - são estas: Armindo Araújo (Skoda Fabia RS Rally2), José Pedro Fontes (Lancia Ypsilon HF Integrale Rally2), Ricardo Teodósio (Citroen C3 Rally2), Gonçalo Henriques (Hyundai i20 N Rally2), Hugo Lopes (Hyundai i20 N Rally2), Pedro Almeida (Toyota GR Yaris Rally2), Rafael Rêgo (Toyota GR Yaris Rally2), Guilherme Meireles (Skoda Fabia Evo Rally2), Paulo Neto (Skoda Fabia RS Rally2) e Paulo Caldeira (Skoda Fabia Evo Rally2).

Há também outras que também já confirmaram a sua participação, como são os casos de Rúben Rodrigues (Toyota GR Yaris Rally2), o piloto da Auto Açoreana Racing e recente vencedor do rali de abertura da época, de Henrique Moniz (Skoda Fabia Evo Rally2) e de Diogo Marujo (Skoda Fabia Evo Rally2), que embora tenham decidido não pontuar para CPR, participarão na mesma.

De resto, também Rui Madeira (Hyundai i20N Rally2) e André Cabeças (Citroen C3 Rally2) já assinalaram a sua presença, mas o número de carros Rally2 ainda deverá aumentar até ao encerramento das inscrições, daqui a cerca de três semanas.

Um evento organizado pelo CPKA, para além de estar no CPR, contará também para o International Iberian Rally Trophy (IRT), no Campeonato de Portugal de Ralis 2RM, no Campeonato de Portugal de Masters, no Campeonato de Portugal Promo, no FPAK Júnior Team, na Peugeot Rally Cup Portugal e no Challenge Clio Rally5. 

CPR, Terras D'Aboboreira: Meireles feliz com a sua prova


Pedro Meireles
e o seu navegador, Mário Castro, terminaram o rali Terras D’Aboboreira com um bom quinto lugar, depois de uma luta intensa pela quarta posição, com o Lancia Ypsilon Rally2 de José Pedro Fontes, que lhes escapou por dois segundos.

No final do rali, o piloto do Škoda Fabia RS Rally2, em declarações ao AutoSport, fez um balanço positivo da prova, apesar de algumas escolhas menos conseguidas que impediram um resultado mais vistoso. Ainda assim, fica o entusiasmo pelo ritmo demonstrado.

Acho que foi uma boa prova da minha parte. Começamos bem, depois, fruto da estratégia que tínhamos delineado, mudamos o carro para o troço grande e não resultou. Hoje [sábado] voltamos a pôr o carro mais ou menos como estava e as coisas já funcionaram. Estamos sempre a aprender.", começou por afirmar.

"Acho que o importante aqui é que demonstramos um bom ritmo. Com a luta na frente ao rubro, fizemos tempos muito bons, ao nível dos pilotos mais rápidos. Portanto, estamos satisfeitos. Perdemos o quarto lugar por 2 segundos, a meio do troço ainda vínhamos a ganhar, mas pronto, é o que é. Estou muito satisfeito com a minha prova e agora é encarar o próximo rally, o Rally de Portugal”.

Quanto ao arranque do CPR, Pedro Meireles enalteceu a competitividade e o equilíbrio:

Acho que foi muito bom. Os jovens já mostraram ao que vieram e ainda bem, não tinha a mínima dúvida que isso iria acontecer, mais tarde ou mais cedo. Acho que vai ser um campeonato muito equilibrado. Toda a gente fica a ganhar com isso, nós, o público e o campeonato. Esperemos que assim seja, são provas destas que animam o campeonato e que o tornam muito mais interessante”.

domingo, 19 de abril de 2026

CPR, Terras D'Aboboreira (II): Almeida contente com o resultado


Pedro Almeida e o seu navegador, António Costa, tiveram um excelente arranque de temporada no rali Terras D'Aboboreira. No primeiro rali ao serviço da Toyota Gazoo Racing Caetano Portugal, Almeida conquistou um pódio no CPR. Primeiros pontos, primeiro champanhe derramado e primeiras impressões muito positivas.

"Só podemos estar satisfeitos com o resultado que trazemos”, começou por afirmar Almeida, em declarações à AutoSport.pt “Conseguimos ser competitivos, andamos nos lugares da frente, a competir com pilotos com muita experiência, já com experiência nos seus carros. Por isso, o balanço é positivo.", continuou.

"Por outro lado, olhando para trás, devia ter talvez feito um rali regional, para preparar e entrar já com outro tipo de ritmo. Mas, não fizemos isso e está tudo bem. Temos o Rally de Portugal daqui a pouco, terça-feira já vamos testar. Então, é positivo porque vamos andar agora muito tempo dentro do carro.", continuou,

"É um bom arranque. Acima de tudo, porque normalmente os meus arranques de campeonato eram pautados por desistências, por isso acho que fazer um terceiro lugar e dois pontos na Power Stage é positivo. Vamos continuar daqui para a frente a ver se chegamos ao fim do ano numa boa situação”, concluiu.

CPR, Terras D'Aboboreira: Fontes satisfeito com a sua estreia no Lancia


José Pedro Fontes
e a sua navegadora, Inês Ponte, terminaram o Rali Terras D'Aboboreira na quarta posição da geral, a 40,1 segundos do vencedor geral e a 31,9 de Ruben Rodrigues, o melhor português, na prova de estreia do CPR. Para o piloto, que estreava o Lancia Ypsilon Integrale Rally2, o objetivo de mostrar o potencial da máquina foi alcançado, apesar de alguns precalços, como uma penalização e problemas com a caixa de velocidades ao longo do percurso. 

Mesmo assim, afirmou a sua satisfação, em termos gerais: “O balanço é altamente positivo. Gostei do carro, andámos sempre junto aos mais rápidos. Já não acontecia isso há muito tempo na terra. O carro ainda tem muito pouco desenvolvimento em terra, muito menos com Pirelli. Tenho andado com pneus da Hankook por causa do WRC2, portanto, tem uma margem de progressão muito grande.”, começou por afirmar.

O piloto acrescentou: “Acho que se ontem não tivéssemos tido o problema que tivemos, que nos obrigou a trocar a caixa de velocidades e a penalizar, estávamos muito perto da frente do CPR, isso para o primeiro rali leva-nos a pensar que em provas de terra, vamos estar noutro nível que não estávamos no passado. Andámos a discutir os troços, acho que o Ruben (Rodrigues) fez um rali cinco estrelas, mas andámos a discutir os troços com os Toyota, Skoda. E se estamos assim na terra, e pelo feedback que temos no asfalto do carro, acho que vamos ter uma palavra a dizer, mas acho que vai ser um campeonato muito renhido, penso que vai haver cinco, seis, sete pilotos que vão ganhar troços, se calhar até ralis.

Para além disso, Fontes mostrou-se agradado com o equilíbrio entre os concorrentes, na mistura entre os consagrados e os jovens:

Isso cria também outra motivação. Eu como vocês todos sabem que fui um grande defensor, de trazer os estrangeiros. Precisávamos deles na altura para animar o campeonato, não havia jovens à altura preparados para para esses desafios das marcas. Foi feito esse caminho, de dar oportunidade aos jovens e agora vai ser agora difícil para nós, porque eles vão ter muita velocidade, e nós vamos tentar com a experiência equilibrar. É assim a vida e nós temos que aceitar e ficar contente que haja esta renovação. Por isso, parabéns à Hyundai, parabéns à Toyota pela aposta, e acho que vai ser um campeonato renhido até ao final porque eu acho que vai haver muita incerteza de quem vai ganhar, pelo que já referi, muita gente a ganhar troços e a lutar na frente pelos ralis.”, concluiu.

sábado, 18 de abril de 2026

CPR, Terras D'Aboboreira: Armindo Araújo satisfeito com o resultado


Armindo Araújo terminou o Rali Terras d’Aboboreira na segunda posição no campeonato CPR, o resultado possivel depois de um início prometedor, que não teve continuidade no sábado, que obrigaram o piloto a redefinir os objetivos, ficando a 5.6 segundos do Toyota vencedor de Ruben Rodrigues. No final, em declarações à AutoSport portuguesa, o piloto de Santo Tirso mostrou-se resignado com o rumo da prova, mas satisfeito com os pontos conquistados:

O resultado é positivo. Não foi o que ambicionámos, pois viemos declaradamente lutar pela vitória. Contudo, acho que minimizámos os estragos, nunca baixámos os braços e lutámos até ao último metro. Saímos daqui com o segundo lugar e com a vitória na Power Stage, que acaba por ser bom em termos de resultados desportivos.", começou por afirmar.

"Contudo, reconhecemos que não tivemos uma afinação correta para esta prova. Talvez devido aos nossos testes terem tido alguma lama e humidade, nestas condições mais secas sofremos um bocadinho. Fomos lentos a reagir e demorámos a aplicar mudanças que devíamos ter feito. Pagámos um bocadinho por essa lentidão, mas faz parte das corridas. Faz parte também ter paciência para não cometermos erros quando as coisas não estão a correr bem.", continuou.

"Acho que temos um campeonato extremamente interessante em termos mediáticos. Com muita vontade de ver os novos valores, com várias marcas aqui envolvidas, vários pilotos de várias faixas etárias, com diferentes tipos de experiência. Portanto, acho que isso acabou por trazer muito público à estrada e muito ambiente à volta da corrida. Acho que este tipo de lutas é que são interessantes para o nosso desporto e até que enfim que se percebeu que este era o caminho certo.”, concluiu.