segunda-feira, 9 de março de 2026

E depois desta corrida, mudam-se as regras?


A corrida da Austrália foi entretida, apesar de ter dividido os fãs por causa dos novos regulamentos. Se já se ouvem rumores de que as equipas poderão ter de discutir uma alteração das regras depois de Melbourne, há gente que nem quer esperar: querem já. Como Max Verstappen, que deseja alterações profundas nos regulamentos, que como é sabido, colocam um hibridização nos carros, repartindo 50/50 em termos de energia, com o motor a ter uma maior dependência da propulsão elétrica, fazendo com que a forma como os carros são conduzidos e geridos ao longo de uma corrida tenha mudado significativamente.

Adoro correr, mas há um limite para tudo”, afirmou o piloto da Red Bull. “Acho que a FIA e a Fórmula 1 estão dispostas a ouvir, mas espero mesmo que haja acção, porque não sou só eu a dizer isto, há muitas pessoas a dizer exactamente o mesmo.”, continuou. “Sejam pilotos ou fãs, todos queremos o melhor para o desporto. Não estamos a criticar apenas por criticar. Há uma razão para isso. Queremos que isto seja Fórmula 1, Fórmula 1 a sério, levada ao extremo. Hoje, claramente, não foi isso que tivemos.

Apesar de reconhecer que foram investidos enormes recursos no desenvolvimento destas regras, o neerlandês acredita que ainda pode haver margem para mudanças durante a temporada. E no futuro, deseja uma alteração mais radical.

Vamos ver o que conseguimos fazer. Espero que mesmo durante este ano possamos encontrar algumas soluções diferentes para tornar isto mais agradável para todos.”, começou por afirmar. “O que eles deviam mesmo discutir são as regras. Perguntam-me a opinião e eu digo o que gostaria de ver e o que acho melhor para o desporto. Faço isso porque me importo, porque adoro correr e quero que isto seja melhor do que aquilo que temos agora.

E claro, as criticas não são de domingo. Durante o fim de semana, ele fartou-se de reclamar sobre os novos carros, ao ponto de afirmar que eles são “uma Fórmula E com esteróides”. E se ele não falou muito sobre os sistemas de ultrapassagem, já Lando Norris afirmou que tais coisas são uma "coisa artificial".

Mas se Max e Lando foram altamente críticos, houve gente que gostou da corrida. Como Lewis Hamilton, que acabou a prova na quarta posição. O piloto britânico destacou o prazer de condução proporcionado pelos novos carros durante a corrida, e no final, mostrou-se bastante otimista quanto ao desempenho do carro e ao espetáculo proporcionado em pista. 

Pessoalmente adorei. Achei que a corrida foi muito divertida de conduzir e o carro também é realmente muito divertido de pilotar. Estive a observar os carros à minha frente e houve boas lutas de posição, com trocas constantes. Para já, tudo muito positivo“, afirmou.


No mesmo diapasão estão os pilotos da Mercedes. George Russell, o vencedor do GP australiano, que afirmou, na conferência de imprensa pós-corrida, defendeu as alterações e pediu tempo para avaliar o regulamento: “É diferente, sem dúvida, mas temos de lhe dar uma oportunidade. Em Xangai, onde há uma reta longa, a dinâmica será diferente. As pessoas são rápidas a criticar, mas é cedo para tirar conclusões”, afirmou.

Questionado sobre as críticas de Norris quanto ao comportamento dos carros, o britânico respondeu com ironia: “Se ele estivesse a vencer, provavelmente não diria o mesmo. No ano passado, queixávamo-nos do porpoising e eles diziam que o carro deles não tinha, embora o víssemos a saltar na pista. Cada um olha para si. Este ano temos o mesmo motor e fizemos um trabalho melhor. É assim que funciona este desporto.”, concluiu.

domingo, 8 de março de 2026

A imagem do dia



Faltavam duas semanas para o inicio da temporada de 1986 quando a Williams fazia o seu teste privado no circuito de Paul Ricard, no sul de França. Nelson Piquet e Nigel Mansell aceleravam no novo FW11, que iria se estrear na pista de Jacarépaguá, e até ali, parecia que todos estavam confiantes: pilotos, equipa técnica, como Patrick Head e Frank Dernie, e claro, a Honda, que fornecia os seus motores. 

No meio disto tudo, Frank Williams. Então com 43 anos, o co-fundador (com Patrick Head) da Williams Grand Prix International, está também satisfeito. Estava a entreter cerca de vinte convidados da gasolineira Mobil, um dos patrocinadores. Mas está impaciente: era sábado e depois da hora do almoço, ele quer ir para Nice e apanhar um avião para Londres, porque quer participar na meia-maratona de Londres, que iria acontecer no dia seguinte. E pergunta a Peter Windsor, seu assessor de imprensa, se não queria ir com ele. Windsor aceitou e ambos saíram dali num Ford Sierra verde alugado. Williams quer ter tempo para apanhar o avião para Londres. 

Mal ele sabia que iria ser o seu último dia a andar sem assistência. 

A Williams era a equipa a ter em conta no inicio de 1986. Depois de duas temporadas com a Honda, no final de 1985, tinha conseguido ganhar as três últimas corridas do ano, duas delas com Nigel Mansell ao volante, uma aposta pessoal de Williams, contra a opinião de muita gente, alguns deles que desejavam Derek Warwick, por exemplo. Mas o outro piloto da Williams, o finlandês Keke Rosberg, decidiu ir para a McLaren, para substituir o retirado Niki Lauda e para o seu lugar, Williams tinha escolhido o brasileiro Nelson Piquet, que tinha vindo da Brabham, ele que corria na equipa desde 1979 e tinha alcançado os seus dois títulos. 

Piquet tinha sido escolha de Williams, porque a equipa tinha começado a gostar de Mansell, mas o brasileiro tinha algumas coisas a seu favor, como de saber afinar carros e ter o gosto de fazer testes de desenvolvimento. 

A estrada para a cidade era sinuosa, e Williams tinha a mania de carregar no pedal do acelerador, porque queria chegar o mais rápido possível ao aeroporto. Ainda por cima, eram estradas alpinas, apesar de ali, as curvas não eram tão apertadas como aquelas ao pé de Monte Carlo, por exemplo. Numa parte onde a estrada fazia uma suave curva à esquerda, Williams, para tentar passar por um carro que cruzou muito perto dele, fez uma manobra brusca e no limite, meteu as rodas na berma e despistou-se de traseira, batendo contra uma pedra. O carro capotou e atingiu o lado do condutor, e Williams, fatalmente, não tinha o cinto de segurança colocado. Ele andou solto dentro do carro, e apesar de não ter sido cuspido, acabou na parte de trás do carro, com algumas malas soltas, que numa situação destas, acabariam por ser armas de arremesso contra os ocupantes. 

Peter Windsor safou-se sem ferimentos de maior, mas Williams tinha uma fratura severa entre a quarta e a quinta vértebra cervical, e tinha causado lesões permanentes do pescoço para baixo. Pior: ele lutava pela vida. 

Windsor contou esse episódio há pouco mais de um mês no seu canal do Youtube:  

"Frank não era como o Colin Champan, que queria sempre um Mercedes, ele queria sempre o mais barato, o mais razoável", começou por afirmar, falando porque ele ter escolhido um carro mais mundano. "Fomos andando, numa estrada toda sinuosa, eu sabia que ele tinha um passado como piloto, e ele 'atirava o carro' estrada fora, lembro de ele travar muito tarde para fazer uma curva apertada. Eu disse a ele: 'não tão depressa', e ele respondeu, 'os travões estão ótimos, não te preocupes'.

"Chegamos a uma secção de descida, com uma curva relativamente suave, com gravilha em ambos os lados da estrada, suficientemente largo para caberem dois carros, e quando passou um carro, a traseira soltou-se, perdendo o controle do carro. Nessa altura, íamos relativamente rápido, a 65-70 milhas por hora [105-110 km/hora] Frank, obviamente, corrigiu demais, saiu de estrada e a última coisa que vi [antes de bater] é que íamos direito a um muro de pedra. Eu encolhi-me, numa bola, no lugar do passageiro... e fechei os olhos.

"Depois do choque, vi... nada. Era o carro a voar, antes de cair, nariz primeiro, antes de capotar por duas ou três vezes, antes de parar. Quando tudo acabou, havia um cheiro a combustível, estávamos de cabeça para baixo, o teto tinha colapsado, não tínhamos muito para manobrar, tudo solto, malas, cintos, e o Frank a dizer 'estou preso, tira-me daqui'. E tinha de ser por causa do combustível, tinha de o tirar dali. Tentei arrastá-lo dali pelas axilas, e tirei-o do carro, pelas traseiras, que estava mais ou menos danificado, ao mesmo tempo que estava um senhor que estava a quebrar o que sobrara do vidro traseiro. Neste ponto, ele já dizia 'não sinto as minhas pernas, não sinto as minhas pernas'."

"Depois disse ao senhor para ir ao circuito, para falar com a Williams. Nelson Piquet tinha um Mercedes com um telefone dentro do carro, para pedir socorro." Windsor contou depois que ele era um professor de matemática e entre os seus alunos estava Cora Reutemann, a filha de Carlos Reutemann, e pouco depois, os socorros foram acionados. Uma ambulância chegou ao local, e um helicóptero foi levado para o circuito, para que Frank fosse evacuado, rumo a um hospital, em Toulon, onde o seu estado era critico. 

A partir dali, cada dia passado era um dia ganho. E a sua vida tinha mudado para sempre. A próxima vez que as pessoas o iriam vê-lo seria em julho, no GP da Grã-Bretanha, em Brands Hatch. 

Formula 1 2026 - Ronda 1, Melbourne (Corrida)


E pronto, começa uma nova temporada, com novos regulamentos, e com todos a resmungarem a sua adaptação. Poderemos considerar como algo normal, mas quando vemos aquilo que se passou na qualificação, e também com o que se passa na Aston Martin - apesar de tudo, ficaram na frente dos Cadillac - tenho mais aquela sensação de "abraçar o furacão" do que falar mal dos novos regulamentos. Porque sobre isso, tinham sido avisados tempos antes, e também, as equipas, bem como os pilotos, eles irão adaptar-se, é certo.

Com um dia relativamente nublado, mas sem chances sérias de chuva, a grande pergunta é saber sobre o alerta do dia: será que os arranques podem baralhar tudo na grelha? É que, de repente, o arranque tornou-se num dos momentos mais críticos e complexos de um Grande Prémio de Fórmula 1. A razão? Uma dependência sem precedentes da energia elétrica e a eliminação de componentes eletrónicos de auxílio, e por causa disso, o risco de erro na grelha de partida aumentou drasticamente. 

Ou seja, mais uma razão para ver como será a corrida. Pelo menos nos primeiros metros. 


Mas ainda antes das luzes se apagarem... Oscar Piastri perde o controlo do seu McLaren na volta de instalação. Incrível, mas verdade. Na curva 4, ele bateu o carro na parede e o carro ficava muito danificado. E a menos de 40 minutos das luzes se apagarem, era provável que vejamos a primeira retirada de 2026. Isto é pior que ver Alain Prost na volta de aquecimento do GP de San Marino de 1991... e pior ainda: é na sua corrida caseira!

Mas espera... e o Isack Hadjar no ano passado? Ele durou mais tempo, tenham calma. E estava a chover. E era estreante, e o Anthony Hamilton foi ter com ele para o consolar. 

Nico Hulkenberg parecia ter uns problemas com o seu Audi, e os mecânicos recolheram o carro às boxes. 


Assim sendo, quando as luzes se apagaram, Antonelli largou lento e foi passado por Charles Leclerc, seguido por George Russell. Hadjar era terceiro, mas depois foi passado pelo piloto da Racing Bulls, Arvid Lindblad. Claro... com o passar das curvas e com estes novos sistemas, os pilotos andavam lentos e eram passados. Hamilton, por causa disso, era terceiro. No fundo, Max Verstappen era 16º no final da primeira volta.

No inicio da segunda, Leclerc era passado por Russell, para ficar com a liderança, com Hadjar e Lindblad a serem quarto e quinto, na frente de Lando Norris. E na volta seguinte... Leclerc volta na liderança, com Russell logo atrás e Hamilton à espreita. E por esta altura, Max subia mais algumas posições: 13º no inicio da quinta volta, duas voltas depois, passa Oliver Bearman e estava nos pontos.

E foi assim nas primeiras voltas: ultrapassagens constantes, pilotos a andarem bem perto uns nos outros. Está a ser bem entretido!

Na volta 11, Isack Hadjar tinha fumo a sair do seu carro, e o Safety Car Virtual foi accionado. A altura ideal para que alguns pilotos foram às boxes trocarem de pneus. Lando Norris fazia a troca de pneus, como os Aston Martin de Fernando Alonso e Lance Stroll. todos metendo duros. Não perdiam muito tempo, logo, na volta 13, Kimi Antonelli e George Russell também iam às boxes, também para meterem duros. 

Na volta 14, Fernando Alonso se torna na quarta desistência da corrida, a pedido das boxes. E podemos ver o ponto da situação da Aston Martin. Tem de começar por algum lado, não é? Nesta altura, Max Verstappen era sexto, mas ainda não tinha parado nas boxes.

Na volta 18, Valtteri Bottas era o primeiro Cadillac a desistir na corrida, e a quinta da corrida. Segunda passagem do Safety Car Virtual da corrida, e os pilotos como Lindblad, Max e Bearman a irem às boxes, colocando duros. Mas quem ficava na pista eram... os Ferrari, ainda com os médios! Quem diria.

No regresso à bandeira verde, Max pressionou Lindblad para ficar com o sexto posto, e depois de alguma insistência, conseguiu passar. Na volta 25, Charles Leclerc foi às boxes para colocar duros, e Hamilton veio a seguir, na 29ª passagem pela meta. Pelo meio, Russell passou-o para a liderança, com pneus duros. 

A partir daqui, a corrida ficou mais calma, com os Mercedes que pareciam ter a corrida controlada - Russell disse para as boxes que ele achava que uma paragem era suficiente - com Antonelli logo atrás. Em quinto, Norris via aproximar Max Verstappen e a ameaçar o seu lugar. Mas de repente, na volta 34, o Safety Car Virtual tinha sido acionado pela terceira vez, por causa de destroços vindos de algum carro. Norris foi às boxes na volta seguinte, para colocar médios, e regressou em oitavo. Não demorou muito até passar o Haas de Ollie Bearman e depois, o Racing Bulls de Arvid Lindblad, tudo isto antes da volta 39.

No meio disto tudo, Lance Stroll tinha parado de vez. Era a sexta desistência da corrida.

Na volta 43, Max parava pela segunda vez nas boxes, para colocar novo jogo de duros. Ficava atrás de Norris, no sexto posto, mas foi logo atrás para o apanhar. Contudo, apesar de se aproximar, os pneus médios do piloto da McLaren conseguiram deixar à distância o neerlandês da Red Bull. 

A parte final foi tranquila. No final, Russell acabou por ganhar, e em dobradinha com Kimi Antonelli. De uma certa forma, tornou-se naquilo que muitos esperavam que iria ser esta admirável mundo novo da Formula 1, mas em relação às novas forças, o que mais surpreendeu foi a McLaren, que está numa situação um pouco mais abaixo. A andar a par com a Red Bull? Não. Eles tem potencial, mas isto foi apenas uma corrida. 

Aliás, é isso mesmo que todos devem encarar isto: apenas uma corrida. De uma nova era. A seguir, teremos Xangai, e depois, Suzuka. Ao longo deste mês, começaremos a ter uma ideia deste novo mundo.   

sábado, 7 de março de 2026

Formula 1 2026 - Ronda 1, Melbourne (Qualificação)


Por fim, depois de um longo inverno, chegou o primeiro fim de semana da temporada de 2026. Uma temporada onde estrearão novos regulamentos, onde se sabe que a relação de forças foi alterada, resta saber quem sairá na frente, se os McLaren conseguirão voltar a lutar pelo título, se a Mercedes recuperará o ceptro perdido no inicio da década, se os Ferrari serão, por fim, um carro vencedor, e se Max Verstappen também estará entre os primeiros.

Mas neste fim de semana, a equipa nas bocas do mundo não é a Cadillac, que se estreia na Formula 1, mas sim a Aston Martin. E pelas piores razões. O projeto desenhado por Adrian Newey tem um sério "handicap", o do motor Honda, e há receios sérios de que não só seja o carro mais lento do pelotão, como já está destinado a não chegar ao final, porque o carro... vibra muito. 

E na conferência de imprensa antes dos treinos livres, Newey foi honesto em relação ao conjunto que tem entre mãos:

Estamos a ter problemas contínuos com a bateria e tivemos uma nova falha de comunicação entre a bateria e o sistema de gestão. Mas o problema muito mais fundamental são as vibrações com que continuamos a lutar. Tentámos uma solução diferente no carro do Lance hoje. Está a ser feita uma análise neste momento para perceber se ajudou ou não e, dependendo dessa análise, vamos definir o que faremos para os treinos livres″, afirmou.

E chegados a sábado, nova polémica: a FIA queria retirar o modo reta entre as curvas 8 e 9, só que as equipas não queriam. E fizeram tanto barulho que a FIA decidiu que iria retirá-la, apenas... "testar" no terceiro treino livre. E o que é isso? Basicamente, o modo reta existe para diminuir o arrasto e aumentar a velocidade dos carros. Sem isso, eles precisam mais da potência em si, mas os carros estão limitados em bateria. Ora, como as equipas andam com dificuldades com as suas baterias... e já viram que também estão a perder velocidade em reta? Ah pois. Bem-vindos a 2026!

Mas o tempo para Melbourne está ótimo - apenas o céu estava algo nublado - uma atmosfera de final de verão naquela parte do globo. Sem peças, Lance Stroll iria ver a corrida das boxes, e a Mercedes esperava ter o carro de Kimi Antonelli pronto a tempo de dar algumas voltas na pista.


E logo nos primeiros minutos, o primeiro momento decisivo: no final da reta, o Red Bull de Max Verstappen despista-se e acaba no muro de proteção. Ele estava a começar a dar a sua volta de classificação, e sem carro, significava que iria começar a corrida no final da grelha. E por incrivel que pareça, o tempo interrompido por causa desse acidente foi o suficiente para que Antonelli pudesse ir para a pista e dar as suas voltas. Quem é amigo, quem é?  

Quando recomeçou, os McLaren começaram a marcar os primeiros tempos, especialmente Oscar Piastri, na casa de 1.20, seguido por Lewis Hamilton... que usava médios. Quem também se metia entre os primeiros era, surpreendentemente, o Audi de Gabriel Bortoleto. Contudo, quando George Russell marcou o tempo de 1.19,507, mostrava que eles eram os favoritos a tudo. Hamilton reagiu, voltando ao topo, enquanto Antonelli conseguiu marcar um tempo que o colocou entre os cinco primeiros, mas pouco depois, Isack Hadjar fez um tempo que o colocou na frente dele. 

Mais interessantemente, Fernando Alonso tinha marcado um tempo... e era o suficiente para ir à Q2. Mas nos minutos finais, gente como Oliver Bearman, no seu Haas, e os Alpine marcaram um tempo melhor, para que pudessem continuar na qualificação. Quando o cronómetro chegou ao zero, os que ficaram para trás foram, para além de Stroll e Max, Fernando Alonso e os Cadillacs de Sério Pérez e Valtteri Bottas. O pior tempo era 3,7 segundos mais lento que o tempo mais rápido.


Poucos minutos depois, começou a Q2, com os carros a regressarem calmamente à pista. A Ferrari começou com pneus macios, um pouco indo em contramão com o resto da concorrência. Apesar de Charles Leclerc ter marcado um tempo que não era aquele que esperava - na casa de 1.20 - George Russell, quando marcou o seu primeiro tempo, foi logo para o topo da tabela de tempos. Aliás, até entrou na casa de 1.18, seguido por Kimi Antonelli e o Red Bull de Isack Hadjar. Leclerc tentava marcar um tempo melhor, para entrar na Q3, mas ele sofria com a entrega de potência do Ferrari - Hamilton até tinha abortado a sua primeira tentativa de marcar uma volta.

Mas não demorou muito até Leclerc marcar um tempo que o colocava na Q3, aliás, um tempo que ficava a menos de meio segundo de Russell, que tinha o melhor trempo. Tal como Hamilton, apesar de ter as mesmas queixas de Leclerc, em termos de entrega de potência. O tempo era quase um segundo mais lento que o piloto da Mercedes. Os pilotos da McLaren também não conseguiam melhorar as suas posições, mas estavam na Q3, que era o que lhes interessava.


Surpreendentemente - ou nem por isso - Gabriel Bortoleto conseguiu um tempo para ficar no Q3, mas... o piloto brasileiro ficou parado à entrada das via das boxes. Iria ver o resto da qualificação fora do carro, mas o décimo lugar estava garantido.

E assim chegamos à parte final desta qualificação. 

Com apenas nove carros prontos para a derradeira parte do dia, os monolugares perfilaram-se no final da via das boxes. No entanto, a sessão foi interrompida pouco depois: os mecânicos da Mercedes esqueceram-se de retirar os sopradores do carro e um deles acabou por ser atingido pelo McLaren de Lando Norris, provocando alguns danos ligeiros. Ora bolas!

A sessão recomeçou pouco depois, com Kimi Antonelli a abortar a sua volta depois de ter passado pela gravilha, e Russell marcou um tempo nada casa de 1.18, ficando no topo da tabela de tempos, seguido de Norris, Hadjar, Leclerc e Piastri. 

Na parte final, Antonelli tentou um tempo para ver se conseguia a sua primeira pole da sua carreira, mas Russell marca 1.18,518, 293 centésimos mais rápido que Antonelli. Já se sabia que seriam os Mercedes a ficar com os melhores tempos, e Russell, se calhar, acabou de se candidatar ao posto de campeão do mundo de 2026. 


No final do dia, Russell era um piloto muito feliz:

Foi um grande dia. Sabíamos que havia muito potencial no carro, mas até chegarmos a este primeiro sábado da temporada nunca se sabe ao certo, e esta tarde o carro realmente ganhou vida.

À medida que a temperatura da pista foi descendo, essas condições tendem a favorecer-nos. Também estou muito contente por ter o Kimi aqui, porque tem sido um trabalho muito duro por parte da equipa para entregar este carro. Eles também fizeram um trabalho incrível na garagem.

Não é um carro fácil de pilotar. Estou entusiasmado para a corrida de amanhã e acho que pode proporcionar uma corrida bastante emocionante. Esperemos conseguir fazer uma boa corrida.".

Agora é ver como será na madrugada deste domingo. Poderá ser o primeiro de muitas vitórias para a Mercedes, que aparenta regressar a 2014. Pelo menos, é o desejo deles. Mas com estes carros, creio que a maior vitória será chegar ao final da corrida.  

sexta-feira, 6 de março de 2026

As imagens do dia







Não se sabe o que pensa Mário Andretti quando o calendário chega ao dia 6 de março. É verdade que acontece cerca de uma semana depois do seu aniversário, mas neste dia, e separados por cinco anos, aconteceram alguns feitos dignos de registo. E todos no mesmo local: Kyalami, na África do Sul.

Andretti, que era americano desde 1954 - tinha nascido no leste de Itália, num local, Montona, que atualmente faz parte da Croácia - tinha começado a correr na Formula 1 em 1968, num Lotus 49, e logo com um resultado sensacional: uma pole-position no GP dos Estados Unidos, em Watkins Glen!

Mas em 1971, Andretti era piloto da Ferrari, ao lado de Clay Regazzoni e Jacky Ickx. Depois de uma temporada de 1970 ao serviço da March, onde conseguiu os seus primeiros resultados de relevo, com um terceiro lugar no GP de Espanha, em Jarama, a temporada de 1971 iria ser a primeira onde correria a título oficial, pela equipa que sempre sonhara desde criança. Já corria para a Scuderia na Endurance, mas a Formula 1 era a primeira vez, ele, que já tinha feito 31 anos de idade. Mas a sua participação era temporária: como corria em ambos os lados do Atlântico, apanhava um voo para a América, no sentido de competir no campeonato USAC, e em concreto, nas 500 Milhas de Indianápolis, sempre que era possível.

A qualificação deu Andretti em quarto, e o segundo melhor Ferrari, batido apenas por Regazzoni, onde Jackie Stewart sairia da pole-position. O suíço saiu melhor na pole, e aproveitando as partidas lentas de Stewart e do Matra de Chris Amon, ficou com a liderança. Andretti era segundo, seguido por Dennis Hulme e Emerson Fittipaldi. O brasileiro fez uma manobra arriscada para ser terceiro na quinta volta da corrida, e foi atrás dos Ferrari. 

Mas Hulme resistiu, e reagiu, passando primeiro Fittipaldi, para depois apanhar os Ferrari. Na volta 16,, numa manobra também arriscada, passou Regazzoni e ficou com a liderança.

Os Ferrari não deixaram escapar Hulme, e andaram atrás dele por muito tempo, apesar de John Surtees começar a subir na geral. Chegou a apanhar Regazzoni, mas na volta 57, a sua caixa de velocidades quebrou.

Pouco depois, Andretti decidiu carregar Hulme para o apanhar e ficar com a liderança. Pela volta 73, o americano passou-o e liderava a sua primeira corrida na Formula 1. E a sua décima na carreira. No final, quando cruzou a meta, tornava-se no primeiro americano a ganhar desde 1967, com Dan Gurney, no seu Eagle, no GP da Bélgica.

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Exatamente cinco ano depois, em 1976, Andretti estava numa outra situação. Tinha regressado à Formula 1 em 1975, convencendo Parnelli Jones a construir um carro de Formula 1, desenhado por Maurice Philippe, e corria à medida que os compromissos americanos não colidiam com as corridas europeias. O conjunto parecia ser promissor, o chassis bem feito, mas apesar de cinco pontos e uma volta mais rápida, a Parnelli não tinha muita vontade de continuar com a excentricidade de Andretti.

No inicio de 1976, ele tinha corrido em Interlagos pela Lotus, mas vendo que a equipa estava numa situação complicada - Ronnie Peterson tinha ido embora e o modelo 77 não era aquilo que se esperava - Andretti tinha pedido à Parnelli para que trouxesse o seu carro para competir. Assim aconteceu, muito relutantemente, porque nem Parnelli Jones, nem o seu parceiro, Vel Miletich, estavam com muita vontade de continuar. Apenas queriam Andretti como seu piloto, e tinham de satisfazer o que chamavam de "excentricidades".

Em Kyalami, o carro não tinha patrocínio. aliás, decidiram celebrar o bicentenário dos Estados Unidos com um desenho patriótico, um "Spirit of 76", digamos assim.

Apesar de tudo, o carro era competitivo. Conseguindo o 13º posto na grelha, com um tempo pouco mais de um segundo mais lento que a pole-position de James Hunt, a corrida dele foi algo sem história, enquanto na frente, Niki Lauda e James Hunt lutaram pela vitória, com o austríaco da Ferrari a levar a melhor, continuando na frente do campeonato com a pontuação máxima, enquanto Hunt só era segundo... 12 pontos mais atrás. 

Quanto a Andretti, conseguia um meritório sexto posto, a uma volta do vencedor, e conseguindo também o sexto ponto da história da Parnelli na Formula 1. Parecia que ficar ali seria melhor que na Lotus, e era o que iria fazer no final do mês, quando fosse correr em Long Beach, na California.   

A sinceridade de Adrian Newey sobre a Aston Martin


O início da temporada está a revelar-se particularmente complicado para a Aston Martin. O pior está a ser pensado por parte da equipa de Silverstone, por causa das fortes vibrações do qual os pilotos estão a ser afetados. E para piorar ainda as coisas, a falta de peças sobressalentes suficientes fazem com que se considere uma retirada voluntária dos seus pilotos, porque eles só podem aguentar por algumas voltas, sem que não tenham lesões nos dedos e nos pulsos. 

Durante a conferência de imprensa em Melbourne, antes do final de semana do GP da Austrália, o chefe de equipa Adrian Newey explicou em detalhe as dificuldades que a equipa enfrenta, sobretudo relacionadas com a unidade motriz fornecida pela Honda. Ele refere que as dificuldades devem-se em boa parte à inexperiência da sua equipa, apesar de ter fornecido até há relativamente pouco tempo um dos melhores motores da Formula 1. Porquê? Porque o programa foi desmantelado em 2021 e neste regresso poucos foram os homens e mulheres que regressaram para este novo projeto.

E eles notaram todos esses problemas... em novembro de 2025. Lembram-se de eles terem começado a desenvolver o carro quatro meses depois da concorrência? Pois. E é isso que falou na conferência de imprensa em Melbourne. 

É importante perceber um pouco da história. A Honda saiu no final de 2021 e regressou de certa forma no final de 2022. Nesse período fora da competição, grande parte do grupo original acabou por se dispersar e muitos foram trabalhar noutras áreas, como painéis solares ou outros projetos. Quando regressaram, descobrimos que muitos dos membros originais já não estavam lá.


Segundo o britânico, a equipa apenas percebeu a dimensão do problema no final do ano passado.

Só nos apercebemos realmente disso em novembro do ano passado, quando o Lawrence, o Andy Cowell e eu fomos a Tóquio para discutir rumores de que a potência que tinham como objetivo para a primeira corrida não seria atingida. Foi nessa reunião que percebemos que muitos dos elementos originais da equipa já não tinham regressado. Na prática, regressaram talvez com cerca de trinta por cento da equipa original e já numa era de teto orçamental para motores, enquanto os seus rivais tinham continuado a desenvolver com continuidade e sem essas limitações durante algum tempo”.

Estamos a ter problemas contínuos com a bateria e tivemos uma nova falha de comunicação entre a bateria e o sistema de gestão. Mas o problema muito mais fundamental são as vibrações com que continuamos a lutar. Tentámos uma solução diferente no carro do Lance hoje. Está a ser feita uma análise neste momento para perceber se ajudou ou não e, dependendo dessa análise, vamos definir o que faremos para o TL2″, continuou.


Para piorar as coisas, a situação tornou-se ainda mais preocupante devido à escassez de baterias disponíveis. Newey reconheceu também que as limitações impedem a equipa de compreender o comportamento real do carro, e frustrado com a situação, o engenheiro revelou também o impacto humano que a situação está a ter dentro da equipa.

Viemos para esta corrida com quatro baterias. Tivemos problemas de condicionamento ou de comunicação com duas delas e neste momento só temos duas operacionais, que são as que estão nos carros. Com a taxa de danos que estamos a ter, é um lugar bastante assustador para estar. Se perdermos uma dessas duas baterias, torna-se obviamente um grande problema, por isso temos de ser muito cuidadosos na forma como as utilizamos”, começou por afirmar.

Estamos a fazer muito poucas voltas e isso significa que também não estamos a descobrir muito sobre o carro. A informação que temos sobre o chassis é muito limitada porque rodámos muito pouco e praticamente não fizemos voltas com pouco combustível. O combustível funciona como um amortecedor para a bateria e a Honda limitou muito a quantidade de voltas que podemos fazer com pouco combustível. Acaba por se tornar um problema que se alimenta a si próprio”, continuou.

Sinto-me um pouco impotente porque temos claramente um problema muito significativo na unidade motriz. Ao mesmo tempo, estamos a gastar muita energia — no sentido humano e não no sentido de quilowatts — a trabalhar com a Honda para tentar encontrar a melhor solução possível. Podemos dizer que não é o nosso problema, mas na realidade é, porque o carro é sempre a combinação entre chassis e unidade motriz”.

"Há uma ação muito clara da Honda para tentar reduzir as vibrações que vêm da unidade motriz. Eles estão a trabalhar nisso, mas não vai ser uma solução rápida porque envolve projetos fundamentais de equilíbrio e amortecimento. Não posso dizer quanto tempo vai demorar, mas essa tem de ser a prioridade. Só depois disso poderão concentrar-se verdadeiramente na performance. “Este problema está a sugar energia em todas as áreas. Os nossos mecânicos estiveram a trabalhar até às quatro da manhã e obviamente estão completamente exaustos. A fábrica tem dado muito apoio e precisamos realmente de resolver isto o mais rapidamente possível”, concluiu.


A qualificação acontecerá na próxima madrugada. 

quinta-feira, 5 de março de 2026

As imagens do dia







Passam hoje 40 anos sobre o acidente da Lagoa Azul, no primeiro dia do Rali de Portugal, do qual muitos afirmam ser o principio do fim do Grupo B, e de uma certa maneira, o final de uma era do Rali de Portugal. Onde os espectadores eram dos mais indisciplinados, e também onde o rali atraía multidões - ainda atrai, é verdade. Mas não mais o meio milhão que se espalhava nas estradas da Serra de Sintra...

Em 1986, estava-se em plena era dos “grupo B”, carros ultra-potentes com motores Turbo e com uma relação peso/potência desequilibrado: havia carros com cerca de 500 quilos e potências superiores a 800 cavalos. Contudo, a escolha de carros era rica e vasta: Para além da Audi, Peugeot e Lancia, estavam também a MG, com o seu Austin Metro Turbo, e a Ford com o RS200 Turbo (estreado na prova anterior, na Suécia), e a Renault, com o seu modelo 5 Turbo, entre outros. Essa combinação começava a ser explosiva e os pilotos começavam crescentemente a queixar-se de que não conseguiam controlar esses carros. O que era, de certa maneira, verdade.

O dia 5 de março era o primeiro do rali, e a primeira etapa era feita na zona da Serra de Sintra, nos arredores de Lisboa. Três passagens feitas na zona da Lagoa Azul, nos arredores da pitoresca vila, atraiam uma larga população, que queria ver os velozes carros a passar sobre as estradas asfaltadas da zona florestal. Segundo a polícia, naquele ano estariam cerca de meio milhão de pessoas, na maior parte adolescentes - as escolas e liceus da região ficavam desertas nesses dias... - e estes tinham muita dificuldade em controlar essa multidão. A estrada muito estreita, a multidão acumulava-se nas bermas, numa posição perigosa.

E já agora, porque é que uma tragédia destas não tinha acontecido antes? Para além da sorte, a organização do rali de Portugal era das melhores do mundo, na altura. A prova tinha sido fundada mais de 20 anos antes por César Torres, então um funcionário da TAP, a companhia aérea portuguesa, como um rali para os trabalhadores, e depois evoluiu para um dos melhores ralis do mundo, que esteve presente no primeiro campeonato do mundo, em 1973. A sua presença e a sua capacidade organizativa garantia o sucesso do rali, ano após ano, quer dentro, quer fora do país. E foi por isso que ele "fechava os olhos" aos excessos dos espectadores. Porque, por incrível que pareça... fazia parte do folclore! E todos toleravam isso, até a FISA, então dirigida por Jean Marie Balestre

O primeiro aviso das coisas que acabariam por vir tinha sido dado quando o finlandês Timo Salonen, campeão do mundo em título, tocou com o seu Peugeot 205 um espetador no início da primeira classificativa da primeira passagem - um operador de câmara britânico, que acabou com uma perna fraturada - e chegava ao final da especial sem a cobertura do seu carro.

Depois falou: “A estrada estava escorregadia, e numa longa direita o meu Peugeot escorregou às quatro rodas. Mesmo assim consegui controlar perfeitamente a derrapagem, mas esta alargou-se à saída onde estavam inúmeros espectadores, na estrada, não na berma, e todos conseguiram escapar à exceção de um ou dois. Ouvi um enorme ‘bang’. Continuei até ao final do troço com o pé direito a tremer, certo de ter ferido gravemente pelo menos uma pessoa. Perdi toda a vontade de conduzir... eu e o meu navegador aceitamos os riscos, mas não podemos impor riscos semelhantes ao público, que não os compreende.

Era um sinal de que o pior estava para vir. E poderia ter acontecido com Walter Rohrl, piloto da Audi. É que logo nos primeiros metros da especial, no cruzamento do Rio da Mula, um espectador atravessa na frente do seu carro e ele o evita por décimos de segundo. Era uma questão de sorte. E nada mais.

Nas primeiras três classificativas, as coisas estavam ao rubro. Henri Toivonen, Massimo Biasion e Markku Alen, todos pela Lancia, lutavam pelo comando, contra o Audi de Walter Rohrl e os Peugeot de Timo Salonen e Juha Kankunnen, com os Austin de Tony Pond e Malcom Wilson e os Ford RS200 de Stig Blomqvist e Kalle Grundel, logo atrás. E os pilotos locais tentavam acompanhar os oficiais: Joaquim Moutinho, no seu Renault 5 Turbo e Joaquim Santos, num Ford RS200.

Joaquim Santos ainda estava em fase de adaptação ao RS200. Tinha andando com ele algumas semanas antes, no Sopete, o primeiro rali do campeonato nacional, mas a prova foi curta por causa de um problema na caixa de velocidades. Ele era o carro número 15, com o seu rival, Joaquim Moutinho, na frente, com o 14, e Carlos Bica, num Lancia 037, também envolvido na luta pelo lugar de melhor português. Anos depois, numa (muito) rara entrevista a um documentário da BBC, Miguel Oliveira, que era o navegador de Joaquim Santos, afirmou sobre aquele tempo: “Tinha um bom carro, tinha um bom piloto, considerava-me um bom navegador, e tínhamos ali uma grande chance de competir contra os melhores”. Pelo menos na categoria de melhor português, Santos era o claro favorito.

Mas Moutinho era o primeiro a passar, e ele mesmo, no final da especial, não evitava um desabafo: “Não há palavras! As pessoas, às centenas, passeavam-se literalmente à frente dos carros. Não conseguíamos ver as bermas, não se podia fazer uma trajetória correta. Era um salve-se quem puder e uma loucura sem sentido...” A seguir, vinha Joaquim Santos. Eram 9:27 da manhã. 

A meio da primeira especial, Santos perde o controlo do seu carro - uns falam por tentar evitar um espetador, outros falam que passou por uma zona húmida e perdeu aderência – e embate de frente contra um grupo de espetadores. Trinta e três pessoas ficaram feridas, e duas pessoas, uma mulher e o seu filho de nove anos, acabaram por morrer. Uma terceira pessoa acabaria por morrer mais tarde, num hospital de Lisboa.

Miguel Oliveira diz sobre esse momento: “Houve uma pessoa que se colocou dentro da estrada e ele [Joaquim Santos] teve de corrigir a trajetória. E com isso, ele perdeu o controlo. Ele estava em choque, totalmente em choque. Depois saiu do carro, foi para o meio da estrada, com os olhos esbugalhados e só perguntava: ‘O que aconteceu? Porque é que aconteceu?’” 

"Acredito piamente que não foi culpa nossa, minha ou do meu piloto, aconteceu. A culpa, se é que houve, foi da organização. As pessoas não deviam estar na estrada. Havia perigo envolvido, mas aceitei esse risco e nunca pensei que pudesse acontecer tal carnificina connosco, com o meu carro, com o meu piloto“, concluiu.

Alexandre Dâmaso era um dos espectadores que estava naquele local, e o seu testemunho foi contado anos depois, em 2016, à Autosport portuguesa:

Vejo o carro a sair do início da curva em contra-brecagem e de repente fica completamente atravessado na estrada, uns metros à frente da Renault 4 que lá estava parada. A velocidade a que o embate acontece é muito rápida, de tal maneira que nem dá tempo de reação para nada apesar de estar ainda a três ou quatro metros.", começa por explicar. 

"Depois o carro entra no público e a partir daqui sinto as pessoas a empurrarem-me. Deixei de estar de frente para a estrada, passei a segurar a pessoa que estava do meu lado esquerdo. O carro acerta-me mesmo no fim do pião, já com a traseira, e depois sinto-me a ir pelo ar. Acordo com o farolim direito traseiro no meu colo e a traseira pendurada um pouco acima. Quando acordo a imagem que eu tenho é o carro com uma árvore metida na traseira, entre o farolim e a matrícula.É essa a imagem que eu tenho. Perdi os sentidos e acordo com a água na cara e com uma pisadela no ombro”, recordou.

Foram momentos impressionantes, mas eu considero que até me portei bem, fiquei cheio de frio, estava a tremer com o frio, tinha o sobrolho todo aberto, a deitar muito sangue e não conseguia abrir olho esquerdo. Houve um rapaz que me ajudou, viu que estava cheio de frio e em choque e ajudou-me a aquecer enquanto me dizia para não me preocupar com o sobrolho que aquilo estava só sujo, depois já se limpava e foi-me dando uma ‘tanga’. Pôs-me uma t-shirt no olho, eu só conseguia ver com o olho direito. Presumo que tenha ali ficado deitado uma meia hora.", continuou.

"Tentei pôr-me de pé, mas não conseguia andar e só uma semana depois é que o ortopedista percebeu o que tinha na perna, basicamente era uma fissura na tíbia. Não me recordo de ver mais ninguém a ser assistido pois estava praticamente em estado de choque, tentava respirar bem para me proteger o frio que sentia, estava consciente e a falar com o rapaz que me estava a dar assistência e que esperou até chegar um médico. Não sei quem era. Era um rapaz novo, mas foi cinco estrelas, fez exatamente o que tinha de fazer naquela situação”, concluiu.

A prova foi interrompida nesse local, mas a organização decidiu prosseguir o rali até ao final da manhã, pois quando aconteceu, os pilotos da frente já estavam a fazer a terceira especial. Quando os pilotos sabem do acidente, mobilizam-se de imediato para que o rali fosse cancelado. Salonen estava zangadissimo, e os finlandeses falam uns com os outros para se mobilizarem e falarem com a organização. A ideia inicial era que o rali arrancasse no final daquela tarde, rumo à Põvoa do Varzim, mas os pilotos não querem continuar. Antes do meio-dia, a Ford retira-se do rali, em respeito a Joaquim Santos, cujo carro estava inscrito na equipa oficial.

No Hotel Estoril-Sol, os pilotos de fábrica - mais Joaquim Moutinho, que tinha sido convidado a participar por Henri Toivonen - discutiam a continuidade do rali. A reunião começou ao meio dia e meia, e perto das três da tarde, decidem unanimemente em boicotar o rali. Moutinho decidiu continuar - iria ganhar o rali - e justificou, afirmando: “Se não estivesse lá estado não acreditava. Era uma grande confusão com os jornalistas à porta. Começámos a debater na reunião e alguém descobriu o gravador. O Walter Rohrl foi o primeiro a falar, eu estava nervoso, concordei com o que foi dito, mas não me podia juntar a eles. Eles podiam voltar para casa e continuar a correr, mas eu, um português, se me rebelasse contra o ACP, que era a entidade nacional… todos compreenderam a minha situação."

O comunicado oficial foi lido à imprensa por Henri Toivonen, piloto da Lancia e vencedor do Rali de Montecarlo, no final de janeiro desse ano, pelas 16:30, e afirma o seguinte.

"As razões pelas quais os pilotos abaixo assinados não desejam prosseguir o Rali de Portugal são as seguintes:

1 – Como uma forma de respeito pelas famílias dos mortos e dos feridos;

2 – Trata-se de uma situação muito especial aqui em Portugal: sentimos que é impossível para nós garantir a segurança dos espectadores;

3 – O acidente no primeiro troço cronometrado foi causado por um piloto que tentou evitar espectadores que estavam na estrada. Não se ficou a dever ao tipo de carro nem à sua velocidade;

4 – Esperamos que o nosso desporto possa beneficiar futuramente com esta decisão."

O diretor de prova, César Torres, aceitou as razões invocadas pelos pilotos, mas decidiu que a prova deveria prosseguir na mesma, mesmo sem os pilotos de fábrica. Os troços de Sintra foram anulados, e o rali prosseguiu um pouco mais a norte, no Gradil. E essencialmente a prova continuou com os pilotos locais a dominarem os acontecimentos.

Atrás, no Estoril, César Torres era um homem abatido.  “Nunca vi o César tão abatido, mas ao mesmo tempo calmo. Dececionado, desencantando com a posição de por em causa o rali e terem conseguido levar isso em frente, no que era uma verdadeira afronta à própria FISA”. 

E era verdade: no final do rali, as criticas eram muitas, mas a maior autoridade do automobilismo mundial decidiu avaliar de forma contrária. Jean-Marie Balestre, o todo-poderoso presidente da FISA, detestara a atitude dos pilotos no sentido do boicote e escreveu depois uma carta à organização, aplaudindo a decisão tomada de continuar o rali com os pilotos nacionais e os privados que decidiram continuar, recriminando os pilotos de fábrica pela sua atitude.

Contudo, 58 dias depois, a 2 de maio, no Volta à Corsega, quando Henri Toivonen e Sergio Cresto acabam no fundo de uma ravina, a atitude dele e da FISA iria ser totalmente diferente...

Rumor do Dia: Não haverá substituições em caso de cancelamento


Caso os GP's da Arábia Saudita e do Bahrein forem cancelados, não terão substituto. Quem conta isto é Adam Cooper, que no site crash.net, refere que a decisão por trás disto poderá ser de ordem logística. 

Segundo ele, qualquer decisão ainda não está tomada, e estão todos a seguir a situação, mas dentro de dez dias, se a guerra continuar, eles avisarão as equipas para que se reorganizem, e qualquer decisão definitiva acontecerá no fim de semana do GP do Japão. 

A razão desse cancelamento e possível não substituição tem a ver com uma coisa: logística. Os aviões voam do Japão para o Bahrein e isso é complicado de ser domado. E ainda mais, os organizadores - que são os governos locais - não se importam com o cancelamento. E quer as equipas, quer a FOM, quer a FIA, não tem problemas se o calendário se reduzir de 24 para 22 provas. Assim sendo, os aviões poderão voar diretamente do Japão para os Estados Unidos, nomeadamente Miami, onde o Grande Prémio ocorrerá a 3 de maio, e hipóteses de  corridas alternativas em lugares como Imola, Istambul ou Portimão, não acontecerão. 


Ou seja: não se importam de não haver corridas por quatro semanas. Contudo, está em cima da mesa a chance de uma sessão de testes extra na Europa, para que os carros possam rodar o mais possível. Mas nada está decidido.

Youtube Formula 1 Video: Senna e eu, episódio sete

No sétimo episódio da série "Senna e eu", uma série feita no canal do Youtube "Jornal dos Clássicos", o convidado é Manuel Mello Bryner, que a meio dos anos 70, decide emigrar para o Brasil, e lá, retoma as suas atividades no karting. Ele, que já tinha participado no Mundial de Karts em 1973.

Quando vai para Interlagos voltar a correr no karting, decide alugar um e arranjar um mecânico chamado "Tchê", que também trata dos karts de outro piloto... 

quarta-feira, 4 de março de 2026

As imagens do dia (II)








Há precisamente 25 anos, a Formula 1 começava em Melbourne, mas a corrida, ganha por Michael Schumacher, tinha ficado ensombrado pelo acidente na primeira volta da corrida, quando o seu irmão, Ralf Schumacher, é atingido de traseira pelo BAR de Jacques Villeneuve, fazendo com que o piloto canadiano batesse no muro, e enquanto o carro deslizava, atingia fatalmente o comissário de pista Graham Beveridge.

O acidente aconteceu na quinta volta da corrida, quando o alemão da Williams se defendia do canadiano da BAR de uma tentativa de ultrapassagem. Ambos estavam muito perto - Villeneuve estava no slipstream de Schumacher - quando este travou. sem ter tempo para reagir, ele saltou da traseira do alemão e embateu na parede dos muros de proteção, deslizando por mais algumas centenas de metros. Contudo, o carro passou por uma abertura, feita para que os socorros pudessem passar em caso de emergência, e os destroços do BAR atingiram onze pessoas. O pior deles foi Beveridge, então com 51 anos, que foi atingido no peito.

Os serviços de emergência fora acionados e apesar de ele ter sido socorrido rapidamente, foi declarado morto à chegada ao hospital. Quanto aos pilotos, apesar de, de inicio, ambos terem saído incólumes, mais tarde no dia, Jacques Villeneuve foi para o hospital queixando-se de hematomas, danos musculares, náuseas e dores no peito, devido à pressão exercida sobre ele pelos cintos de segurança do seu carro no acidente. Não admiram as queixas físicas: quando Villeneuve bateu na barreira, tinha sofrido um impacto de 30 G's.

O acidente tinha acontecido cerca de seis meses depois de outro acidente, no GP de Itália de 2000, ter reclamado a vida de outro comissário de pista, Paolo Gislimberti. A FIA decidiu investigar o sucedido, bem como a procuradoria local. E nisso, quer o BAR de Villeneuve, quer a parte da barreira de proteção afetada, ficaram nas mãos da policia do estado de Victoria, chefiados pelo comissário Graeme Johnstone.

A investigação da FIA foi concluída a 3 de agosto, e no seu relatório confidencial, os organizadores da corrida, a Australian Grand Prix Corporation (AGPC), foram absolvidos de qualquer responsabilidade pela morte de Beveridge, que classificaram como "um acidente fortuito", e descobriram que o fiscal de pista estava mal posicionado no momento da colisão.

Contudo, quando a 8 de Fevereiro de 2002, o relatório do estado de Victória foi divulgado, Johnstone concordou com a sugestão de Jim Kennan, o oficial de ligação ao responsável do instituto médico-legam de Melbourne, de que a AGPC (Australian Grand Prix Corporation) era a única empresa responsável pela morte de Beveridge por não ter analisado os riscos para os fiscais de pista e concluiu que o acidente era "evitável".

Independentemente dos eventos de há 25 anos, o inquérito resultou em mais segurança na pista, nomeadamente na altura das barreiras, que foram mais elevadas. Apesar disso, o automobilismo continua a ser perigoso, não só para os pilotos e espectadores, como também para os comissários que estão sempre mais expostos ao perigo, especialmente quando vêm um carro na sua direção. 

As imagens do dia









Se estivesse vivo, Jim Clark faria hoje 90 anos. O piloto escocês, que correu entre 1960 e 1968, sempre pela Lotus, foi um dos melhores de todos os tempos, apesar de ter corrido em apenas 72 Grandes Prémios, antes de morrer numa corrida de Formula 2, a 7 de abril de 1968, aos 32 anos. 

Hoje em dia, para a geração "Drive to Survive" pensa que a Formula 1, o nome "Jim Clark" pouco ou nada diz, mas até aos dias de hoje, ele tem alguns feitos que provavelmente, nem Max Verstappen, nem Lewis Hamilton, nem se calhar Lando Norris ou Oscar Piastri alguma vez alcançarão: um "Grand Chelem". E o que é isso? Significa que determinado piloto fez a pole position, a volta mais rápida, alcançou a vitória na corrida e ficou com a liderança em todas as voltas.

E os números do escocês, que sempre quis ser tratado como "agricultor", são impressionantes. Por oito vezes, conseguiu esse "Grand Chelem", e entre o primeiro e o último, conseguiu-o em... três anos e 32 corridas: o GP da Grã-Bretanha de 1962, o GP dos Países Baixos de 1963 - ganhou dando... uma volta à concorrência - o GP de França de 1963, o GP do México de 1963, o GP da Grã-Bretanha de 1964, o GP da África do Sul de 1965, o GP de França de 1965 o GP da Alemanha de 1965. Detalhe: tirando a corrida sul-africana e alemã de 1965, todos foram conseguidos com o modelo Lotus 25, o primeiro monocoque da história da Formula 1. Os outros dois foram com o modelo 33.

Mais alguns detalhes: para além dele, apenas Alberto Ascari e Sebastian Vettel conseguiram "Grand Chelems" em corridas seguidas. Clark é o único que conseguiu em três temporadas seguidas. E empatado com Ascari, que o conseguiu em 1952, Clark foi campeão em 1963 e 1965 com uma pontuação cem por cento vitoriosa. E no caso de 1963, o escocês deitou fora... 19 pontos, pois ele tinha conseguido 73 pontos, mas apenas 54 foram contabilizados. E se todos os pontos dessa temporada contabilizassem, a distância para o segundo classificado, que seria o americano Richie Ginther, seria de... 39 pontos (73 contra 34)

Em 1965, conseguiu os pontos necessários: 54. 

Quanto sofreu a sua morte trágica, em abril de 1968, Clark tinha um palmarés monumental. Já viram aquele que ainda não foi batido, mas por exemplo, era o recordista de mais vitórias por temporada, sete. E de poles, pois tinha 33. e tinha acabado de superar Juan Manuel Fangio em número de vitórias, com 25 - o argentino mandou depois um telegrama de parabéns pelo feito. 

O recorde de vitórias foi batido em 1973 pelo seu compatriota e amigo, Sir Jackie Stewart, que o colocou em 27, e em 1984, Alain Prost conseguiu igualá-lo. Mas quatro anos depois, Ayrton Senna o bateu, ao conseguir oito vitórias nessa temporada. E no ano seguinte, o brasileiro alcançou-o nas poles, elevando-o para 65. 

O das vitórias... depois de Stewart, ficou nas mãos de Alain Prost, que o elevou para 51, em 1993 e depois, nas mãos de Michael Schumacher, que o elevou para 91, em 2006, para finalmente chegar às mãos de Lewis Hamilton, que passou da barreira das cem, estando agora com 105. 

Mesmo tendo corrido pela última vez há 57 anos, as suas 25 vitórias o colocam na décima posição dos pilotos mais vitoriosos, igualado com Niki Lauda. Em termos de Reino Unido, é o quarto com mais vitórias, batido apenas por Stewart, Nigel Mansell (31 vitórias) e Lewis Hamilton.  

Em contraste... Clark nunca ganhou o GP do Mónaco. O melhor que conseguiu foi um quarto lugar em 1964. Em contraste, fez quatro pole-positions (1962,63,64 e 66) e duas voltas mais rápidas (62 e 67). 

E se foi o vencedor dominante das 500 Milhas de Indianápolis, no modelo 38, feito para aquela corrida, com motor Ford, poucos sabem que no inicio da carreira, participou nas 24 Horas de Le Mans, onde em 1960, conseguiu um terceiro lugar na Aston Martin DBR1 da equipa Border Reivers. E quando em 1962, Chapman decidiu mandar um Lotus 23 para Le Mans, chateou-se com os organizadores e decidiu retirar o carro. 

E ainda ganhou a Tasman Series, uma competição que acontecia na Austrália e Nova Zelândia, em 1965, 1967 e 1968. Para além do tricampeonato, obteve também um recorde de 15 vitórias na competição, entre 1964 e 68.

Mais um detalhe interessante: apesar das vitórias, o que impressionava aos mecânicos era a maneira como fazia, porque ele poupava o material. Aparentemente, os pneus dele poderiam ser usados em... quatro corridas seguidas, e os pedais poderiam durar, em média, três vezes mais. Derek Wild, um dos seus mecânicos, contou a certa altura uma história onde "se colocasses todas as caixas de velocidades na minha frente, numa ordem aleatória, conseguia ver qual eram os de Clark só pelo aspecto, porque eram os que tinham menos gasto". 

Ele nunca forçava os carros, conduzia de forma mais suave possível, o mais rapidamente possível.  

Outro detalhe: odiava correr à chuva. Mas algumas das suas maiores vitórias foram... à chuva, como o GP da Bélgica de 1963. A sua tática era simples: se fosse o "poleman", arrancar o mais rápido possível e afastar-se da concorrência de forma a fazer a sua corrida até à bandeira de xadrez. Era simples, mas genial. 

E para finalizar: sabem onde foi o seu primeiro pódio na Formula 1? Foi em 1960 e em terras portuguesas, mais concretamente, no circuito da Boavista!

WRC: Skoda não descarta participar no WRC27


A Skoda não descarta participar no WRC27. Apesar dos regulamentos ainda não terem sido totalmente colocados em público, sabe-se que a Toyota já testa o seu carro, enquanto a M-Sport estuda sobre se continua com a Ford ou decide ir para outra marca, com a chinesa Lynk & Co. a ser fartamente referida. Michal Hrabánek, líder da estrutura, referiu à publicação alemã Motorsport Aktuell que estão a estudar os regulamentos e se acharem que são adequados, poderão participar, eles que desenvolvem o modelo Fabia para o Rally2.

Faz parte do ADN da marca. O nosso Fabia é rápido e fiável em todas as superfícies e é o modelo Rally2 mais vendido. É por isso que entraremos na temporada de 2027 com este modelo e continuaremos a desenvolvê-lo”, afirmou.

Com o fim das unidades híbridas complexas em 2027, a diferença entre um Rally1 e um Rally2 vai encurtar drasticamente, e a Skoda está numa posição privilegiada porque o Fabia RS Rally2 é uma referência. Para 2027, a Skoda só precisa de trabalhar num kit de performance (maior restritor de ar, aerodinâmica mais agressiva) para que o carro possa lutar por vitórias à geral. E nada está descartado no sentido do Grupo VW - do qual a Skoda faz parte - poder voltar a ter um modelo Polo, como aconteceu entre 2013 e 2016. 

Se os Rally2 se tornarem a base da categoria principal, a Skoda torna-se, tecnicamente, a fornecedora dominante do campeonato, embora já tenham a concorrência de Toyota, Hyundai e mais recentemente, Lancia.