sábado, 7 de novembro de 2026

Formula 4: Kasczinski triunfou na segunda corrida de Barcelona


O sueco Elliot Kasczinski venceu a segunda corrida em Barcelona, com o americano Vivek Kanthan em segundo e o sérvio Andrej Petrovic a acompanhá-lo ao pódio. Noah Monteiro sofreu uma colisão e acabou no fundo do pelotão, acabando por não pontuar. bem como Kasper Schormans, que sofreu um acidente durante a corrida.   

Com Kasper Schormans, o novo campeão, a largar da última fila, e os seus rivais não muito bem - o melhor foi Monteiro, em terceiro, atrás do sueco Eliot Kasczinski e do americano Vivek Kanthan - a corrida começou com Kasczinski na frente, enquanto alguns pilotos tiveram de usar a escapatória para evitar uma colisão na primeira curva. E isso incluiu Noah Monteiro, que no final da primeira volta era 13º

Pouco depois, o Safety Car foi chamado por causa de um piloto que estava parado na pista, e quase com os carros a chegarem à segunda volta. Outro piloto, o grego Philippe Karras, tinha a asa frontal danificada e voltou ás boxes para trocá-la. 

No regresso, quando faltavam 18 minutos para o final da corrida, esta recomeçou, mas durou pouco tempo: os carros de Kasper Schormans e Jean-Pierre Karras bateram e acabaram na parede, causando nova entrada do Safety Car, para retirar os carros da posição perigosa. E por causa disso, houve bandeira vermelha, e os carros recolheram-se às boxes.

Limpa a pista, os carros regressaram à pista e pouco depois, a corridas recomeçou quando faltavam dez minutos para a final. Kasczinski manteve-se na frente, com Kanthan a seguir, e Petrovic em terceiro. Atrás, Rocco Coronel passava Daniel Kelleher e era sexto, enquanto atrás, Nacho Tuñon e Noah Monteiro tocaram-se e acabaram no fundo do pelotão.

No final, nada se alterou e o piloto sueco ganhou pela segunda vez neste final de semana. 

Amanhã será a terceira corrida do fim de semana de Barcelona.

Youtube Motorsport Video: As duas primeiras corridas da Formula 4 em Barcelona

Este final de semana é a ultima ronda tripla da Formula 4 espanhola, em Barcelona, e neste sábado aconteceram as duas primeiras corridas da ronda catalã, com o neerlandês Kasper Schormans a liderar o campeonato, e provavelmente com uma mão no título, apesar de gente como Noah Monteiro e Rocco Coronel terem ainda uma chance para atacar esse título.

Aqui estão os videos das duas primeiras corridas da ronda catalã, transmitidas pelo canal oficial da Formula 4 espanhola. 

sexta-feira, 6 de novembro de 2026

As imagens do dia




Neste fim de semana que aí vem, a MotoGP está no Qatar para mais um Grande Prémio, e está a ser marcado pelo boicote da Yamaha à pista, alegando razões de segurança. Quer eles, quer a Yamaha, quer a  equipa satélite, a Pramac, decidiram ir contra as exigências da Liberty Media, e esta já ameaçou aplicar sanções contratuais e desportivas sobre a marca faltosa.

Mas gente como Marc Marquez, um dos melhores pilotos da história, não esconde que estar ali tira-lhe o sono: "Quero dizer, gostaria de estar noutro lugar, mas foi por esse motivo que apanhei o voo mais tardio possível e vou partir no voo mais cedo possível", afirmou Marc Márquez, na conferência de imprensa pré-corrida. "Mas estamos aqui, preparados para correr e totalmente concentrados.".

Até agora, está tudo a correr bem, e Márquez precisa de somar mais 30 pontos do que o seu principal rival na luta pelo título, o seu compatriota Jorge Martín, ao longo deste fim de semana. Terá também de ganhar terreno suficiente ao italiano Marco Bezzecchi para garantir o seu décimo título mundial já no domingo à noite.

Quanto à Formula 1, no fim de semana do GP do México, a Liberty Media enviou uma mensagem às equipas a reiterar a intenção de concluir o campeonato no Qatar e em Abu Dhabi. A organização da F1 considera que, nesta fase, não existem motivos para mudar os seus planos, uma vez que as recomendações de viagem e a situação dos seguros não se alteraram desde maio. Para além disso, também pediam confiança na avaliação da F1 e da FIA e a manutenção da posição pública expressa nas últimas semanas, evitando declarações excessivamente críticas. 

Quanto aos pilotos, por agora, essa ideia não está a passar pela cabeça. Pelo menos, não publicamente. Mas estão atentos, e sempre que perguntam sobre o assunto, não deixam de ter declarações que vão desde a prudência até à preocupação.

Carlos Sainz Jr, que para além de ser piloto da Williams, é o presidente da Grand Prix Driver Association (GPDA), revelou algum desconforto quando questionado sobre a ida ao Médio Oriente:

“Acho que parecem muito convencidos de que o projeto vai avançar. Pessoalmente, e não falando em nome da GPDA, acho que é muito difícil estar convencido neste momento. Ainda há acontecimentos a decorrer no Médio Oriente e, obviamente, há também eleições que vão realizar-se nos EUA, bem como acontecimentos na esfera política mundial que poderão afetar o próximo mês e meio de forma muito repentina.”, comentou.

Max Verstappen, comentado sobre este tema no motorsport.com, afirmou: “Também depende um pouco do que eles possam garantir em termos de segurança e do que acontecer nas próximas semanas. Pode-se dizer agora que se está disposto a ir para lá, mas não se sabe o que vai acontecer na próxima semana, porque a região, obviamente, ainda não está totalmente estável.”

Já não falta muito tempo: pouco mais de duas semanas para a prova do Qatar, à qual se segue o GP de Abu Dhabi. Tenho a sensação de que irão abusar da sorte, no sentido de enquanto Trump não atirar misseis para Teerão, iremos correr. Agora não se fala, porque a Formula 1 tem outros assuntos mais prementes. Mas quando chega a altura, é bom que haja paz, ou um sinal de que não irão guerrear por algum tempo, uma espécie de tréguas. Porque se tiverem algum azar, eles serão um alvo. 

Post Scriptum: Soube esta noite pelo Twitter que praticamente todos os canais que seguem a Formula 1 foram avisados para não irem ao Qatar e a Abu Dhabi devido a motivos de segurança. A noticia apareceu na Bild alemã, e lá fala que o Canal+ francês, a ServusTV austríaca e a DAZN Espanha planeiam não enviar equipas, enquanto a Sky Sports avalia uma medida semelhante.

Youtube Automotive Video: O primeiro automóvel a chegar aos 500 km/hora

O Yangwang U9 Extreme é um supercarro elétrico que desde há uns tempos para cá, se dedica a bater alguns recordes de velocidade em asfalto, como carro de produção. E também, desde há uns tempos, anda a haver uma competição para saber qual seria o primeiro carro a chegar à barreira das 300 milhas por hora, ou 480 km/hora. E quem diz 480, pode dizer 500. 

E foi o que aconteceu no passado domingo, dia 1 de novembro, em Abu Dhabi, onde ao longo do Sheikh Khalifa Bin Zayed International Road (E11), o carro, pilotado pelo alemão Marc Basseng, atingiu a incrível velocidade de 503,17 quilómetros por hora. A Yangwang é uma das marcas que pertence ao conglomerado BYD. 

E o carro... é elétrico! tem quatro motores, um em cada roda, que dão um total de três mil cavalos de potência. E isto superou o seu anterior recorde de 496,22 quilómetros por hora, alcançado na Alemanha em setembro de 2025.

Este feito garantiu à marca dois recordes no Guinness World Records: a maior velocidade em sentido único registada por um carro de produção e por um veículo elétrico de produção. E claro, isto demonstra como a tecnologia dos veículos elétricos está a desafiar os limites do desempenho automóvel e a redefinir o futuro dos hiperdesportivos.

Formula 4: Noah Monteiro procura o título


A Formula 4 espanhola termina neste final de semana a sua temporada na pista de Montmeló, na Catalunha, e Noah Monteiro disputa este fim de semana a sua última ronda da competição, com esperanças no campeonato, e se não conseguir, pelo menos ficar com o vice-campeonato. Com 203 pontos e o segundo lugar na geral, está a 53 pontos do líder, o neerlandês Kasper Schormans, e tem de contar com um fim de semana catastrófico por parte dele para poder ter uma chance real de título. Ao mesmo tempo que tem de olhar atrás, para gente como Rocco Coronel, filho de Tom Coronel, que, apoiado pela Red Bull Junior Team, tem 181 pontos e é o terceiro classificado.

O jovem piloto português mantém a possibilidade de conquistar o título, embora reconheça que não depende apenas do seu desempenho. "Sabemos que será difícil conquistar o título e que mesmo que tenhamos um fim-de-semana perfeito precisamos que tudo se alinhe para que tal seja possível”, afirmou o piloto.

Contudo, Monteiro quer mostrar ao público que manteve um bom nível competitivo ao longo desta temporada e quer voltar a demonstrá-lo na ronda final. “Trabalhámos muito para preparar esta corrida e queremos sair daqui, pelo menos, com o vice-campeonato e com a prova de que em termos de performance estivemos sempre lá.”, concluiu.

As rondas de Barcelona poderão ser vistas, em inglês e espanhol, no canal do Youtube da competição. 

quinta-feira, 5 de novembro de 2026

A imagem do dia


Isto é de doidos, mas é real. E a prova de que os argentinos são mesmo apaixonados por todo e qualquer desporto, seja futebol, automobilismo, rugby ou outro.

Explica-se da seguinte maneira: um grupo de amigos de Santa Fé restaurou um Renault 6 e decidiu fazer uma viagem da sua cidade natal até São Paulo, no Brasil, com o objetivo de verem o GP do Brasil e claro, apoiarem o seu piloto local, Franco Colapinto. 

A viagem foi longa, mas esta quarta-feira chegaram a São Paulo, onde para os quilómetros finais, tentaram uma coisa que aparentava ser impossível: ir ter com o próprio Colapinto. E não só foi ter com eles, como dirigiu o carro! 

Não sei o que é o mais doido. Se são eles, que empreenderem esta viagem, ou o próprio piloto ter com eles numa cidade tão grande como São Paulo.

The End: Alan Jones (1946-2026)


O australiano Alan Jones, campeão do mundo de Formula 1 em 1980 pela Williams, morreu esta quinta-feira, três dias depois de completar 80 anos de idade. Segundo o Canal Nove australiano, que transmitiu a noticia, Alan Jones estava doente há algumas semanas, depois de ter sido detectado um cancro. Apesar de na segunda-feira, ele ter comemorado os seus 80 anos com ânimo, a sua saúde tinha-se deteriorado rapidamente, acabando por morrer na manhã desta quinta-feira, na sua residência, na Austrália. Era casado com Amanda desde 2002 e foi pai de quatro filhos, um deles, Christian, seguiu as suas passadas como piloto, no inicio deste século. 

Conhecido na pista pelo seu estilo de condução implacável e fora dela pelas suas opiniões diretas, Jones lutou durante anos, no inicio da sua carreira, por um lugar na grelha antes de se consolidar como um dos principais pilotos da Formula 1 durante parte dos anos 70 e dos anos 80. Ao longo de 116 Frandes Prémios, Jones conquistou 12 vitórias numa carreira que incluiu passagens pelas equipas Hesketh, Hill, Surtees, Shadow, Williams, Arrows e Haas.

Jones foi um de apenas cinco australianos a vencer um Grande Prémio de Formula 1, ao lado de Jack Brabham, Mark Webber, Daniel Ricciardo e mais recentemente, Oscar Piastri. Mas a sua carreira também foi eclética, ao competir na Formula 5000, na Can-Am, onde foi campeão em 1978, na CART, e depois da Formula 1, na Supercars australiana, competindo até 2002, mas nunca conseguiu triunfar na Bathurst 1000, embora tenha sido segundo classificado na edição de 1995.

Nascido a 2 de novembro de 1946 em Melbourne, e era filho de Stanley Jones (1923-73), que era piloto de automóveis nos anos 50 do século passado, tendo ganho o GP da Nova Zelândia em 1954, e o GP da Austrália em 1959, antes de se dedicar ao negócio de venda de automóveis.  

Jones filho começou a correr nos Turismos, com um Mini Cooper, antes de se mudar para a Grã-Bretanha em 1967, em busca das suas ambições, financiando a sua carreira no desporto automóvel através de pequenos empreendimentos comerciais, ao mesmo tempo que enfrentava dificuldades para conseguir equipamento competitivo. Pouco depois, o seu pai se juntou a ele, que tinha vendido o seu negócio com prejuízo e recuperava de um AVC. 

No meio disto tudo, conhece outro compatriota, Brian McGuire, e vai trabalhar com ele em 1970, comprando e vendendo automóveis em segunda mão. Em 1971, Jones competia na Formula 3, num Brabham, teve uma temporada moderadamente bem-sucedida, o que resultou numa série de testes para a March em Silverstone. No entanto, apesar do sucesso nos testes, Jones não recebeu um lugar na equipa oficial e, em 1972, competiu na Fórmula 3 pela GRD. 

O seu pai acabaria por morrer em 1973, devido a outro AVC, pouco antes de Jones vencer uma corrida de Fórmula 3 em Silverstone, novamente pela GRD. Ele colocaria a coroa de louros da vitória sobre o caixão do pai e, nesse mesmo ano, conquistou o vice-campeonato britânico, perdendo o título devido a uma avaria no motor na última etapa, em Brands Hatch.

Em 1974, Jones iniciou a temporada na Fórmula Atlantic, mas considerou a estrutura bastante amadora; contudo, um encontro casual com Harry Stiller abriu-lhe as portas para pilotar um March 74 da equipa de Stiller. No final da temporada, Jones estreou-se na F5000 pela equipa de Stiller, na derradeira etapa do Campeonato da Europa em Brands Hatch, a bordo de um Chevron B24/28 pertencente a John MacDonald, que tempos depois, viria fundar a RAM.

Jones e Stiller queriam correr na Formula 5000 em 1975, mas os planos saíram furados. Contudo, Stiller conseguiu adquirir um Hesketh 308 e, em conjunto com Rob Walker, decidem inscrever Jones na Formula 1.

A sua primeira corrida na Formula 1 não poderia ser tão azarada: acabou por ser o GP de Espanha, em Montjuich. Saído de 20º na grelha, a sua corrida acabou na terceira volta, vítima de uma colisão contra os guard-rails, devido a óleo na pista, causada pelo Tyrrell de Jody Scheckter, que tinha rebentado o seu motor e espalhou óleo pela pista. A sua aventura durou quatro corridas, antes de Stiller abandonar a aventura. Mas arranjou logo um lugar, na Hill, a equipa montada por Graham Hill com a ajuda dos cigarros Embassy. Ficaria por quatro provas, e conseguiu os seus primeiros pontos quando acabou o GP da Alemanha na quinta posição.


Conseguiria correr em 1976 pela Surtees, onde deu a cara por um dos patrocínios mais controversos de então, a marca de preservativos Durex, e por causa disso, a BBC decidiu fazer um boicote à transmissão dos Grandes Prémios, incluindo o GP da Grã-Bretanha. Conseguiu um quinto lugar em Zolder, palco do GP da Bélgica, repetindo o feito em Brands Hatch, para o GP da Grã-Bretanha, e acabou o ano com um quarto lugar em Fuji, palco do GP do Japão.

Contudo, o seu feitio, cruzado com o feitio de John Surtees, fizeram com que saísse da equipa no final da temporada, e sem lugar, foi para a Formula 5000 americana, pela Theodore, antes de ser chamado pela Shadow para ir correr, no lugar de Tom Pryce, que tinha morrido durante o GP da África do Sul, em Kyalami. Pontuou no Mónaco e na Bélgica, e a meio do ano, no Osterreichring, na Áustria, pilotou o seu Shadow até à vitória, a sua primeira e da equipa. Chegado ao pódio, descobriu-se que a organização não tinha o hino australiano, e em vez disso, cantaram o… “Parabéns a Você”.

Conseguiu um terceiro lugar em Monza, e mais dois quartos lugares em Watkins Glen e Fuji, acabando a temporada com 22 pontos, e o sétimo lugar da geral. Foi o suficiente para estar na órbita de Enzo Ferrari, que considerou para o lugar aberto por Niki Lauda, mas no final, escolheu o canadiano Gilles Villeneuve.


Quem também estava de olho em Jones era Frank Williams, que no final de 1977 tinha acabado de fundar, com Patrick Head, a Williams Grand Prix Engineering, e precisava de um bom piloto. Depois de alguma conversa, Jones juntou-se à equipa em 1978, a bordo do FW06. Williams contou depois que trabalhar com ele "era divertido" e quando ele foi embora, quis com que todos os pilotos fossem um pouco como ele. 

Depois de um quarto lugar em Kyalami, em Long Beach, marcou a volta mais rápida, depois de uma condução espetacular, que o colcou em segundo lugar e a lutar pela liderança com o Ferrari de Carlos Reutemann, até ter problemas com a pressão do combustível, que o fizeram cair para o sétimo posto, fora dos pontos. Um quinto lugar em Paul Ricard e a temporada acabou em alta, com um segundo lugar em Watkins Glen e outra volta mais rápida em Monreal, deu-lhe 11 pontos e o 11º lugar da geral.

Em paralelo com a Formula 1, correu na Can-Am americana, num carro inscrito por Carl Haas, acabando por ganhar cinco corridas e sendo campeão, mesmo não tendo corrido uma prova devido a compromissos na Formula 1.

Chegados a 1979, a temporada começa com o FW06, mas na forja já estava o carro seguinte, o primeiro de efeito-solo que a equipa fazia, projeto de Patrick Head. Conseguiu um terceiro lugar em Long Beach, antes de estrear o novo carro, o FW07, em Jarama. Não conseguiu resultados relevantes de inicio, mas depois de modificações para melhorar o fluxo de ar no carro-asa, no fim de semana de Silverstone, em julho, Jones dominou o fim de semana, ao alcançar a sua primeira pole-position da carreira, e dominou a corrida até que o carro falhou, na volta 38, com uma falha na bomba de água, deixando o legado da primeira vitória da Williams para o seu companheiro de equipa, o suíço Clay Regazzoni.


Contudo, apesar deste problema, nas corridas seguintes, ele se vingou: três vitórias seguidas, em Hockenheim, Zeltweg e Zandvoort, este depois de um duelo com o canadiano Gilles Villeneuve, no seu Ferrari. Ganharia mais uma corrida, em Montreal, depois de novo duelo com Villeneuve, e ia a caminho de mais uma vitória, em Watkins Glen, quando perdeu uma roda depois de uma troca de pneus.

Em 1980, Jones e o FW07 já estavam mais afinados para a era do efeito-solo, quando ganhou cinco corridas, a começar na Argentina, passando por um terceiro lugar em Interlagos, um segundo posto em Zolder, no GP da Bélgica. A meio do ano, ganhou duas corridas seguidas, em Paul Ricard e Brands Hatch, palco do GP da Grã-Bretanha, numa altura em que tinha como rival o brasileiro Nelson Piquet, piloto da Brabham.

O confronto aconteceu na partida do GP do Canadá de 1980, onde ambos os pilotos alinhavam na primeira fila. Ambos partiram bem e disputaram a curva, mas o australiano quis passar na frente e ambos acabaram por se tocar, causando uma carambola. Na nova partida, a Brabham tinha o carro com o motor da qualificação, mais potente, mas menos fiável, e na volta 23, o motor explodiu, deixando Jones confortável para ganhar a corrida… e o seu título. O primeiro australiano a conquistar o título, vinte anos depois de Jack Brabham.

A temporada acabou com uma vitória em Watkins Glen, depois de uma má partida que fez perder onze posições numa volta, acabando por fazer uma corrida de recuperação, beneficiando da desistência do então líder, o Alfa Romeo do italiano Bruno Giacomelli, para vencer.

Ainda teve tempo de ir à Austrália, com o Williams FW07, e participar no GP da Austrália, prova extra-campeonato, e vencer com uma volta de avanço sobre a concorrência. Tinha sido o primeiro filho de vencedor a ganhar o GP local.


A temporada de 1981, a da defesa do título, começou com uma vitória em Long Beach, com uma dobradinha com o seu companheiro de equipa, o argentino Carlos Reutemann. Piloto desde 1980, assinou porque existia uma hierarquia, onde Jones tinha primazia sobre o veterano argentino. Contudo, no GP do Brasil, num autódromo de Jacarépaguá debaixo de chuva, Reutemann foi para a frente… e não obedeceu às ordens da boxe para ceder o comando para Jones, a famosa ordem JONES-REUT. O australiano ficou tão furioso com a rebeldia de Reutemann que se recusou a ir ao pódio, e de imediato, houve um corte imediato das relações, com boa parte da equipa em solidariedade com ele.

Conta-se que, mais tarde no campeonato, Reutemann lhe pediu para enterrar o machado de guerra, ao que ele respondeu com um “só se for nas tuas costas!”

Reutemann acabaria por ganhar mais uma corrida em Zolder, e lutar pelo título mundial até à última corrida do ano, em Las Vegas, contra Nelson Piquet. Quanto a Jones, mostrou a sua garra em pista em diversas corridas, nomeadamente no Mónaco, onde um problema com o seu carro o impediu de vencer, entregando a Gilles Villeneuve. Ou na Alemanha, onde fez uma manobra ousada sobre os Renaults de René Arnoux e Alain Prost, para ficar com o comando da corrida, mas na volta 38, um problema com o motor fê-lo ir às boxes e perder uma volta.

No final do ano, Jones triunfou em Las Vegas, acabando a temporada na terceira posição, com 46 pontos, a cinco do campeão do mundo, Nelson Piquet. O que faria pensar o que teria acontecido se Reutemann tivesse cedido às ordens de equipa no Brasil, e se as coisas tivessem acabado melhor na Alemanha…

De qualquer maneira, o australiano anunciou na corrida de Las Vegas que iria abandonar a Formula 1, citando o facto de morar há mais de uma década fora da sua Austrália natal. Isso não impediu de que a imprensa internacional lhe desse muitos elogios à sua condução, como o editor da revista “Autocourse”, no Reino Unido, que lhe deu o prémio de piloto número 1 a Jones, afirmando que “em 1981, Alan Jones esteve excecional; os seus instintos de corrida, mais apurados do que nunca, e a sua condução, agressiva e confiante”.

Regressado à Austrália, participou no campeonato de GT, com um Porsche 935, ganhando-o, mas a certa altura, as saudades da Formula 1 apareceram. E poderia ter regressado em 1982, pois a Ferrari o chamou para saber se poderia substituir Didier Pironi, acidentado nos treinos para o GP da Alemanha, em Hockenheim. Não respondeu de imediato, e isso foi o suficiente para a Ferrari ter escolhido Mário Andretti. Anos depois, em 2012, ele contou essa história e afirmou que, de certa forma, se arrependeu de não ter respondido de imediato, porque ele sabia que o chassis de 1983 seria melhor, e ele pensava regressar à Formula 1 nessa temporada.

De facto, regressou, mas foi pela Arrows, onde participou na Race of Champions, em Brands Hatch, acabando na terceira posição, e mostrou ter velocidade, ao conseguir o 12º melhor tempo na qualificação para a corrida de Long Beach. Contudo, ele pesava mais de 90 quilos e não tinha a resistência suficiente para chegar ao fim de um Grande Prémio. Quando desistiu, na volta 58, foi por causa de fadiga.

Nas duas temporadas seguintes passou na Endurance, onde correu pela Kremer, com um Porsche 956. O seu melhor resultado foi um sexto lugar nas 24 horas de Le Mans de 1984, ao lado do seu compatriota Vern Schuppan e do francês Jean-Pierre Jarier, acompanhado de um quarto lugar na Bathurst 1000, ao lado de Colin Bond, num Holden Commodore, numa prova marcada por sofrimento, pois nos treinos tinha sofrido lesões no ombro, resultado de um problema de direção.


Em 1985, Carl Haas, que anos antes lhe dera um lugar na Can-Am, montou uma equipa na Formula 1 com o apoio da Beatrice e da Cosworth, que construiu um motor Turbo. Contratou gente como Teddy Mayer, antigo diretor desportivo da McLaren, e gente mais jovem como Ross Brawn e Adrian Newey. Jones foi escolhido como piloto, depois de ter participado num “one-off” numa corrida da CART, em Road America, onde acabou em terceiro.

O carro estreou-se em Monza, com motor Hart Turbo - o desenvolvimento do Cosworth atrasou-se, só ficaria pronto em meados de 1986 - e Jones iria participar nas três corridas finais da temporada, embora a sua participação no GP da África do Sul de 1985, não aconteceu porque… ficou no hotel, alegando estar doente. Anos depois, Jones contou que cruzou com Bernie Ecclestone no hotel onde estava hospedado e lhe deu dinheiro para ficar de fora, na manhã da corrida. E assim foi, enquanto a Haas disse, oficialmente, que ficara doente.


Em 1986, a Haas participou a tempo inteiro, com o Hart, e depois com o Ford Cosworth turbo, onde conseguiu quatro pontos e como melhor resultado um quarto lugar no GP da Áustria. Contudo, o patrocínio inicial retirou-se e, sem arranjar um substituto, Carl Haas decidiu fechar as operações no final dessa temporada, regressando aos Estados Unidos, e Jones, com quase 40 anos, decidiu ficar na Austrália.

Com a Formula 1 para trás, Jones dedicou-se aos Supercars australianos, ainda que em 1987, tenha sido convidado para participar nas 24 horas de Le Mans pela Toyota, ao lado do sueco Eje Elgh e o britânico Geoff Lees. Acabou por não chegar ao fim.

Em 1988, a bordo de um Ford Sierra RS500, conseguiu o seu primeiro pódio na Bathurst 1000, ao lado de Colin Bond, mas só será a partir de 1990 que participará a tempo inteiro na Supercars, então o Australian Touring Car Championship (ATCC). Primeiro com os BMW M3 da Benson & Hedges Racing, em 1993, vai para a Peter Jackson Racing, onde, a bordo de um Ford EB Falcon, ganha três provas e acaba como vice-campeão.

Continua a ser competitivo, e consegue um segundo lugar na edição de 1995 da Bathurst 1000, ao lado de Alan Grice, num Ford EF Falcon. No ano seguinte, monta a sua própria equipa, correndo com um Ford, ganhando uma corrida em Oran Park, em 1997, quando já tinha 50 anos de idade. A sua última temporada a tempo inteiro acabou por ser em 1998, pela Longhurst Racing, com resultados mais modestos.


Ao mesmo tempo que competia, Jones começou a ser comentador de Grandes Prémios pela australiana Channel Nine, tendo começado em 1987 e durado até 2002, ao lado de gente como Barry Sheene. Jones fazia de repórter de pista nos fins de semana do GP da Austrália, e as suas opiniões eram honestas e brutais, como qualquer australiano gostaria.

Em 2005, aceitou ficar com o franchise da Team Australia na A1GP, e lá ficou até a série acabar, em 2010. Na equipa passaram pilotos como Will Davidson, Will Power, Ryan Briscoe e o seu filho, Christian Jones. E em 2005, tentou participar na corrida inaugural da GP Masters, em Kyalami, mas não aconteceu devido a problemas físicos.

Quando Jones foi campeão, foi condecorado com a Ordem do Império Britânico, pelos seus feitos no automobilismo. Ganhou o Troféu Hawthorn por três vezes consecutivos, entre 1979 e 1981, sendo o melhor piloto da Commonwealth britânica, e em 1989, entrou no Sport Australia Hall of Fame. E em 2017, lançou a sua autobiografia, “AJ: How Alan Jones Climbed to the top of Formula One”, em colaboração com Andrew Clarke.

Nos últimos tempos, continuava a escrever artigos na imprensa australiana, especialmente elogiosos a Oscar Piastri, que afirmava ser seu apoiador e ter "material para ser campeão do mundo". 

Ultra-competitivo, trabalhador, sem papas na língua, foi o melhor piloto para lidar um dos melhores chassis da era dos carros-asa. E marcou uma era na Formula 1. Ars longa, vita brevis, Alan.

quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Noticias: Haas F1 anuncia Rafa Câmara para as corridas de São Paulo e Las Vegas


A Haas anunciou na terça-feira que o brasileiro Rafael Câmara terá a sua estreia antecipada na Formula 1 em Interlagos, para o GP do Brasil de Formula 1. O piloto estará no lugar de Rio Hirakawa, que participou no GP do México, depois da Haas ter despedido o francês Esteban Ocon. Com isso, o Brasil terá dois representantes em pista: Câmara e Gabriel Bortoleto, da Audi, algo que não acontecia desde 2012, quando o pelotão da Formula 1 teve Felipe Massa e Bruno Senna. 

Antes da corrida de Interlagos, Câmara afirmou que correrá com o número 51, antes de em 2027, correr com o número 50.

Ayao Komatsu, o diretor desportivo da Haas F1, justificou a escolha com essa experiência: "Tendo-se destacado no teste TPC de agosto, conhecemos as capacidades do Rafa e estamos ansiosos por recebê-lo na equipa este fim de semana e por trabalhar com ele na estreia na Fórmula 1, ao volante do VF-26, no Brasil.", afirmou.

Câmara tem vários anos de experiência nas categorias de promoção e conquistou títulos no Campeonato Europeu de Fórmula Regional e na Fórmula 3, em 2025. Este ano, lidera a Formula 2 e em agosto, impressionou ainda ao volante do carro de 2025 da Haas, num teste com monolugares de anos anteriores.

terça-feira, 3 de novembro de 2026

A imagem do dia




Lembram-se do Honda NSX de 1991, vermelho, que o Ayrton Senna usava nas suas deslocações em Portugal? Pois bem, no passado dia 31 de outubro, foi a leilão na RM Sotheby's, em Londres, e foi vendida a bom preço. A muito bom preço.

Com um preço estimado entre 507 mil e 900 mil libras, no leilão, atingiu a cifra de 871.250 libras, um valor bem razoável para um super-desportivo japonês como este, com 35 anos de idade. 

Usado inicialmente como carro de serviço da Honda Portugal para as suas deslocações, quer durante o fim de semana do GP português, quer durante os testes de pré-temporada que normalmente aconteciam no inverno, o carro ficou na posse dele até morrer, em 1994. Depois disto, esteve em exposição num concessionário da marca em Faro, e estava na posse do seu dono, até este se reformar. 

O carro foi depois vendido até recentemente, ter ido a leilão pela famosa leiloeira britânica.  

Formula E: Definido o programa de testes para Jarama


A cerca de duas semanas dos testes coletivos da formula E em Jarama, que acontecerão entre os dias 16 e 20 de novembro na pista espanhola, foi definido o programa dos testes de pré-temporada de 2026/27, que marcará a estreia do Gen4, o bólido da quarta geração da competição elétrica.

A grande novidade destes testes coletivos será a inclusão de duas simulações de corrida, destinadas a experimentar o formato tradicional de E-Prix e o novo E-Prix Unleashed, embora os horários destas ainda não tenham confirmação oficial. 

Uma dessas simulações de corrida, o E-Prix Unelashed, acontecerá a 20 de novembro, o último dia de testes, e terá uma hora de duração, entre as 14 e as 15 horas. Este formato dará maior destaque ao desempenho dos Gen4, que utilizarão uma configuração aerodinâmica de maior carga, enquanto a janela de ativação do Attack Mode será reduzida para seis minutos. Ambas as simulações deverão decorrer dentro das sessões regulares da tarde, mas a Fórmula E ainda não confirmou oficialmente esses horários específicos.

Segundo o programa revelado pelo e-Formula.news, haverá duas sessões de três horas em cada dia de atividade: segunda-feira, quarta-feira e sexta-feira. Terça-feira e quinta-feira não terão testes em pista. Estão também previstas conferências de imprensa com pilotos e responsáveis das equipas na segunda-feira, quarta-feira e sexta-feira. A quinta-feira será dedicada a atividades com a comunicação social, mas sem conferências de imprensa.

Como em março, a pista de Jarama será usada na sua totalidade, mais a chicane que foi colocada no meio da reta da meta. 


Estas novidades foram anunciadas numa altura em que surgem dúvidas sobre se todas as equipas poderão usar a tempo ambos os carros da nova geração.  A entrada tardia da Fusion Formula E, nova equipa cliente da Porsche de uma das duas novas equipas do pelotão - a outra é a Opel - criou dificuldades adicionais de preparação, sobretudo pela escassez de baterias e componentes do sistema de propulsão dianteiro. Outras equipas também enfrentam prazos apertados para preparar os seus Gen4.

WRC: Toyota terá duas equipas para 2027


A Toyota apresentou na manhã desta terça-feira o seu alinhamento para a temporada 2027 do WRC, a primeira debaixo das novas regras do WRC27. As novidades serão que a equipa terá duas equipas e dois carros: a Toyota Racing que correrá com o Toyota GR Celica Rally1 e a Gazoo Racing Toyota que fará alinhar o Toyota GR Yaris Rally1. A competição entre ambas e o contributo dos pilotos para o desenvolvimento dos dois modelos deverão apoiar o objetivo de produzir carros cada vez melhores.

O GR Celica Rally1 e o GR Yaris Rally1 seguirão os mesmos novos regulamentos WRC Car, concebidos para tornar a categoria principal Rally1 mais acessível e aumentar a concorrência, dispondo de potência e desempenho equivalentes.

Quanto a pilotos acontecerão dois regressos: o estónio Ott Tanak e o finlandês Kalle Rovanpera, enquanto Sebastien Ogier não aparece neste alinhamento, embora possa-se afirmar que ele ainda esteja a negociar com a Toyota um programa mais pequeno, com alguns ralis. Contudo, como o acordo não está fechado com o francês, não surge na composição das equipas.

Apesar disso, tudo indica que, tirando Katsuta, Tanak, Rovanpera e eventualmente, Ogier, estarão presentes a tempo parcial nessa equipa. 

Assim sendo, com a Toyota Racing a correr com o sueco Oliver Solberg, o finlandês Sami Pajari e o galês Elfyn Evans, o novo campeão do mundo, e todos no novo Toyota Celica Rally1, e provavelmente a tempo inteiro, na Gazoo Racing estarão Tanak, Rovanpera e o japonês Takamoto Katsuta, que correrão num Yaris Rally1 adaptado para a nova temporada. 

Kalle Rovanpera, campeão do mundo em 2023 e 2024, tentou ir para os monolugares em 2026, mas um problema de saúde no ouvido interno impediu de fazer essa transição e o deixou boa parte do ano em recuperação. Na apresentação da equipa, o finlandês de 26 anos reconheceu que o regresso não fazia parte dos planos iniciais, mas mostrou entusiasmo com a oportunidade.

“É realmente muito bom estar de volta. Como todos sabem, não era este o plano para esta altura, mas tudo pode acontecer na vida e passaram-se muitas coisas. Estou simplesmente feliz por regressar. Foi um ano longo sem conduzir quaisquer carros, fossem carros de ralis ou de corridas, e estou muito entusiasmado por voltar”, afirmou. 

“Estou muito feliz por ter a oportunidade de voltar a competir em ralis com a Gazoo Racing Toyota e o Jonne [Haltunen, seu navegador] no próximo ano. Esta equipa sempre foi como uma família para mim e, de certa forma, nunca senti realmente que a tivesse deixado. Estou a gostar de ter a oportunidade de fazer coisas diferentes, mas os ralis têm sido uma parte enorme da minha vida e, naturalmente, comecei a sentir saudades de conduzir passado algum tempo”, continuou.

Quanto ao calendário, o piloto confirmou apenas um programa parcial, deixando em aberto outras atividades ainda por anunciar.

“É um momento interessante para regressar e, embora os novos carros sejam muito diferentes dos que tínhamos antes, isso torna-o um novo desafio emocionante para mim. O mais importante será desfrutar da condução e da competição, aprender sobre o carro e ver o que podemos fazer juntos. Vamos fazer uma temporada parcial no próximo ano. Acho que também poderão surgir outras coisas, que ainda não estão confirmadas. Estou muito entusiasmado por voltar a um carro de ralis depois de um longo ano sem conduzir.”

Em relação a Tanak, o piloto de 39 anos, campeão do mundo em 2019, é uma das figuras mais carismáticas dos ralis e o seu talento e competitividade estão acima de qualquer dúvida. De regresso à Toyota depois de sete anos entre Hyundai e Ford, e uma pausa em 2026, onde se dedicou a testar o novo GR Celica Rally1, afirmou que a pausa lhe permitiu recuperar energias e renovar a vontade de competir.

E o regresso foi uma decisão simples.

A decisão de regressar a esta equipa não foi muito difícil. Temos uma grande história em comum”, começou por afirmar. “É uma honra estar de volta à Gazoo Racing Toyota e à equipa com a qual o Martin [Jarveoja, seu navegador] e eu nos tornámos campeões mundiais. Temos excelentes recordações da nossa passagem anterior por aqui, e tenho muito respeito pelas pessoas e pelo que alcançaram, por isso tem sido bom voltar a trabalhar juntos este ano numa função de desenvolvimento.", continuou.

"Gostei de passar algum tempo afastado da competição, mas a vontade de conduzir continua forte, e tem sido um desafio interessante envolver-me neste novo projeto. Passar um ano afastado não foi uma má decisão. Continuei bastante ocupado com o desenvolvimento do novo carro para o próximo ano, mas também tive algum tempo para mim, para respirar e, provavelmente, recuperar alguma vontade de competir. A competição está, de certa forma, no nosso coração e foi provavelmente aquilo de que mais sentimos falta.“, concluiu.

Tänak explicou que a motivação reapareceu naturalmente, depois dos primeiros meses de descanso. Quanto aos objetivos do regresso, deixou uma resposta que traduz a sua ambição.

“Quando fazemos uma coisa durante tanto tempo, torna-se uma espécie de instinto. Foi bom ter um ou dois meses de descanso, mas depois começamos simplesmente a sentir falta. É algo natural. Não sei se temos propriamente assuntos por resolver, mas diria que temos, sem dúvida, muito trabalho pela frente. Com mudanças técnicas tão significativas, houve muito para descobrirmos e aprendermos durante este processo." afirmou. "Estou entusiasmado por continuar esse trabalho e por ter a oportunidade de competir com o novo carro na próxima época. Vai ser um novo começo para todos e ainda há muitas incógnitas, mas estou ansioso por regressar e dar o meu melhor, juntamente com a equipa, para alcançarmos bons resultados”.

Youtube Automotive Video: A experiência radical da Etiópia

É certo e sabido que assistimos a uma transição entre os carros a gasolina para os elétricos. Na Europa, Estados Unidos, China e outros lugares, será gradual e acontecerá ao longo de uma década ou um pouco mais. Contudo, na Etiópia, um país no nordeste de África, a experiência foi mais radical: em 2024, o governo, depois de uma má experiência com o FMI, pedindo um empréstimo de 3,4 mil milhões de dólares, decidiu tomar uma decisão radical: proibir a entrada de carros a gasolina e a partir dessa data, todos os carros novos seriam elétricos.

Resultado? De sete mil carros novos registados, agora são cerca de cem mil. Setenta por cento do parque automóvel é elétrico. Tudo isto num país onde metade da população... não tem acesso fácil à eletricidade, e é um país montanhoso.

Uma experiência agressiva e radical? Verdade, mas poupa cerca de cinco mil milhões de dólares aos cofres do estado por ano.

O video é da Bloomberg. 

segunda-feira, 2 de novembro de 2026

O piloto do dia: Naoki Hattori


Há 35 anos, aparecia mais um piloto japonês. Não um piloto qualquer, porque ele teve uma longa e variada carreira, corrida quer no Japão, quer na Europa, quer nos Estados Unidos, como também correu em variados carros, quer em monolugares, quer em Turismos, e na Endurance, acabando como vencedor de uma das corridas de 24 Horas mais conhecidas do mundo. E a sua passagem fugaz pela Formula 1 aconteceu há precisamente 35 anos, e vale a pena falar dele. 

Hoje, é dia de Naoki Hattori.

Nascido a 13 de junho de 1966 em Yokkaichi no Japão, Hattori - que não é aparentado de Shigeaki Hattori, que correu brevemente contra ele na CART, em 1999 - começou a sua carreira no karting, antes de em 1985, ter pegado num Toyota Startlet e participar numa corrida de trial, de onde acabou por ganhar. No ano seguinte, rumou para os monolugares, mais concretamente na Formula Junior 1600. Ganhou a competição no ano seguinte, e em 1988, foi para a Formula 3.

Nessa competição, ficou por três temporadas. Se em 1988, com motor Volkswagen, ficou para aprender, conseguindo o nono posto e seis pontos, em 1989, ganhou uma prova em Tsukuba, partindo da pole-position. Com mais dois pódios, Hattori acabou no quarto lugar da geral, com. Mas o seu grande ano acabou por ser em 1990, quando a sua equipa, a Le Cox Racing, trocou os motores Volkswagen pelos Mugen, acabando ele por ganhar três corridas, em Sugo, Tsukuba e Suzuka, mais três pódios e uma pole-position, sendo campeão, com 52 pontos.

Com isso, ele e a sua equipa deram o passo seguinte, que foi participar na Formula 3000 japonesa. Conseguiram apenas três pontos, mas fora dos monolugares, Hattori entrou nas noticias por ter participado nas 24 Horas de Spa-Francochamps, ao volante de um Nissan Skyline. Ao lado do australiano David Brabham e do sueco Anders Olofsson, acabaram por ganhar a corrida, e no caso de Hattori, ser o primeiro japonês a ganhar essa prova. 


No final do ano, recebeu uma proposta ainda mais excepcional: correr num carro de Formula 1. Então com 24 anos, viu a chance através da Coloni, que nesta altura tinha ficado sem piloto, o português Pedro Matos Chaves, e estava em conversações para a transferência de propriedade para Andrea Sassetti, que iria transformar na Andrea Moda. 

Anos depois, em 2008, Hattori falou sobre como chegou a acordo com a Coloni: "No começo, foi Coloni que me procurou, dizendo: 'Se você me pagar um certo valor, o volante é teu', mas após negociações cara a cara, pedi para ele pagar tudo, desde despesas de transporte até garantia. Acho que fui o primeiro piloto japonês a pilotar na Formula 1 sem pagar."

A sua primeira participação aconteceu na sua corrida natal, em Suzuka. Sem experiência num Formula 1, e sem testes, Hattori confiou na sorte. E... não correu bem. Na volta lançada, sofreu um despiste na Curva Dunlop, e danificou a parte frontal seu carro. Zangado, atirou com o volante para a sua viatura, e Satoru Nakajima, que estava a comentar a pré-qualificação na Fuji TV, criticou: “Não desabafe as suas frustrações para o carro”.

No final, ele desabafou: “A minha falta de experiência ficou à vista. Ainda havia pontos molhados, e eu não consegui controlar.”


Curiosamente, para a corrida australiana, Hattori arranjou dinheiro para a Coloni graças a... donativos populares. A troco de uma quantia a rondar os duzentos dólares, mais de mil pessoas, que estavam em diversos clubes de automóveis, colocaram o seu nome nos flancos do C4. Tinha sido uma iniciativa de marketing inédita até então.

Contudo, apesar disso, Hattori foi o último da pré-qualificação, marcando um tempo cinco segundos mais lento que o Brabham, de Martin Brundle, novamente o melhor.

Hattori tentou regressar à Formula 1 em 1994 e 1995, mas as negociações nunca tiveram sucesso. Contudo, em 1996, esteve envolvido no projeto Dome de Formula 1, sendo um dos pilotos de testes. 

Depois da Formula 1, Hattori manteve-se na Formula 3000 japonesa, onde ganhou cinco corridas até 1996, sendo vice-campeão nesse ano. Em paralelo, participou em competições do JTCC, o campeonato de Turismos nipónico, onde foi campeão em 1993 e 1996, sempre pela equipa Mooncraft, que preparava Hondas Civic. Para além disso, foi vice-campeão do JGTC pela Team Lark, que tinha um McLaren F1, com vitórias em Suzuka, Sugo e Mine.

Em 1997, decidiu novamente tentar a sua sorte nos monolugares, desta vez, nos Estados Unidos. Indo para a Indy Lights, pela Team Green, foi décimo na temporada de 1998, com dois terceiros lugares como melhores resultados. Em 1999, foi correr para a CART, pela Walker Racing, onde não conseguiu qualquer ponto, com um 14º lugar como melhor resultado, em Laguna Seca. 

Regressou ao Japão no ano 2000, quer para a Formula 3000, quer para os Super GT japoneses. Foi vice-campeão em 2001, pela equipa Team 5ZIGEN, com três vitórias, e continuou a competir até 2005. Nos GT's, primeiro com um Toyota Supra, depois com um Lexus SC430, os resultados foram mais modestos. 

Em 2006, com 40 anos, pendurou o capacete e passou para funções mais directivas. Ainda em 2006, tornou-se Diretor Operacional da DoCoMo Dandelion na Formula Nippon, e no ano seguinte, a convite de Tetsu Motoyama, transferiu-se para a Arabian Oasis Team Impul e tornou-se o seu diretor desportivo. Em 2008, quando Motoyama se transferiu para o Team LeMans, Hattori foi com ele.

A partir desse ano, Hattori tornou-se diretor de corridas da Super GT japonesa, onde avalia possíveis penalizações a pilotos em caso de acidentes durante as corridas, bem como realiza "rookie tests" para pilotos que entram na série - desde 2010, faz dupla com Hideki Okada.

Noticias: Antonelli não irá usar o numero 1 em 2027


O italiano Andrea Kimi Antonelli não usará o número 1 em 2027, ele próprio confirmou isso depois do seu título conquistado, no México. A conquista do título permite a Antonelli escolher o número 1 para a próxima época, mas o piloto decidiu conservar aquele com que se estreou em 2025. Assim sendo, ele será o segundo piloto a não usar esse número, depois de Lewis Hamilton ter abdicado desse direito, quando os números começaram a ser personalizados.

A última temporada onde o número um não foi usado foi em 2021. 

“Vou manter o número 12 porque, naturalmente, é um número muito especial para mim, mas também é uma forma de manter os pés assentes na terra, de me manter humilde, e sinto que conservar o número 12 me permite ter um novo ponto de partida, voltar a construir tudo e tentar melhorar”, explicou.

“E também, para ser sincero, sou muito supersticioso, e o número um nunca foi um bom número para mim. Sempre que o usei, correu extremamente mal. Por isso, é mais uma razão para manter o número 12. Mas, sim, vou manter o número 12.”, concluiu.

Na temporada de 2026, o número 1 pertence ao britânico Lando Norris, piloto da McLaren, que o recebeu depois de superar Max Verstappen na luta pelo título de 2025. Antes de perder o campeonato, o neerlandês utilizava esse número nos seus Red Bull desde 2022.

Meteo: Fim de semana em Interlagos promete ser agitado


O fim de semana em Interlagos, na cidade de São Paulo, promete ser agitado. Há um alerta de tempestade para sábado à tarde, e nesse dia, as chances de chuva serão de 85 por cento. Aliás, o fim de semana poderá ser de tempo húmido e possibilidades moderadas de chuva nos outros dias.

Comecemos por sexta-feira. O tempo será de chuva fraca, com 22ºC de temperatura, vinte por cento de possibilidades de chuva, num local que terá 83 por cento de humidade. E o vento será fraco, cerca de 10 km/hora. No sábado é que será a tempestade: trovoadas, 28ºC, vento a 21 km/hora e 50 por cento de possibilidades de chuva pelas 14 horas locais, horário previsto para a qualificação. 

Para domingo, o tempo será um pouco mais ameno. Parcialmente nublado, possibilidades de chuva a começarem pelos 25 por cento, caindo para 15 por cento na hora da corrida, vento fraco a moderado - 18 km/hora - e 16ºC de temperatura.

Vejamos que tempo é que teremos no final desta semana.