terça-feira, 25 de janeiro de 2022

Formula E: Felix da Costa ansioso pela nova temporada


Depois do interregno de outono/inverno, a Formula E prepara-se pra começar mais uma temporada, com a jornada dupla de Ad Diyriah, na Arábia Saudita. Com a temporada toda a decorrer em 2022, nesta sexta-feira e sábado, o piloto da DS Techeetah e campeão em 2020 afirma estar pronto e motivado para a jornada dupla inaugural, que será à noite, no circuito desenhado nos arredores da Riade, a capital saudita.

"Finalmente chegou a hora. É sempre especial este sentimento de adrenalina de começar uma época. Todos começam do zero e ninguém sabe muito bem o que esperar, portanto parto com confiança moderada para esta primeira corrida. Sabemos que melhorámos o nosso carro nas áreas que eram as nossas fraquezas em 2021, portanto nesse aspecto fizemos bem o trabalho de casa, mas só vamos saber o nosso nível face aos nossos adversários quando tudo começar. Toda a equipa está muito unida e forte mentalmente", referiu o piloto de 30 anos, que volta a ser apontado pelos críticos como um dos candidatos a lutar pelo título.

A grande novidade desta temporada é o formato de qualificação. Depois de queixas por causa dos grupos e de alguns a serem prejudicados por outros, a organização decidiu mudar. Agora, os pilotos estarão em dois grupos, e os quatro melhores de cada um serão emparelhados num duelo direto, onde os melhores chegarão a uma meia-final, e por fim, uma final, e onde o vencedor partirá da pole-position.

Outra mudança tem a ver com o regime de bandeiras amarelas e o Safety Car. Agora, haverá um "tempo extra" a cada minuto sob bandeiras amarelas ou safety car e serão acrescentados 45 segundos ao tempo total da prova, para além da volta final. O limite de tempo máximo será de 10 minutos.

As corridas acontecerão pelas 17 horas, na sexta e sábado, e acontecerão na Eurosport 2. 

WRC: Sordo deverá começar temporada em Portugal


Dani Sordo está convencido que começará a correr a sua última temporada no WRC em terras portuguesas. Numa entrevista ao jornal desportivo AS, o piloto de 38 anos falou do que aconteceu com a Hyundai em Monte Carlo para andar fora do ritmo de Ford e Toyota, e o que pode ser feito para recuperar da desvantagem.

"Em teoria a primeira prova será Portugal, e em princípio vou fazer quatro ralis", começou por dizer. "Talvez seja expandido, mas por enquanto esse é o plano. Eu gostaria de fazer mais alguns testes, mas é o que é. Ainda faço mais algumas corridas com o Rally2 como sempre, e é isso", continuou.

Sobre a nova temporada e os carros de Rally1, híbridos com o mesmo motor 1.6 turbo, com mais cavalos e maiores dificuldades em os controlar, Sordo respondeu que "a frente estão os habituais, e os novos carros trazem uma filosofia de condução diferente com os híbridos. Como todo mundo, estou surpreendido com o recital que o Loeb deu. Parece que a Ford é muito competitiva. A Ford sempre faz carros novos a funcionarem bem na primeira vez".

"Na Hyundai, um grande esforço foi feito, mas foi concluído no último minuto, os carros foram montados muito tarde e talvez seja por isso que precisamos de um pouco de acerto. Precisávamos fazer mais alguns testes para os pilotos ganharem confiança. Sofremos um pouco no início do rali (Monte Carlo), mas estamos a chegar aonde precisamos de estar", concluiu.

A marca coreana terá em permanência Ott Tanak e Thierry Neuville, enquanto o terceiro carro estará nas mãos de Oliver Solberg, antes de Sordo poder usar na quarta prova do ano. 

Youtube Automotive Video: A ascensão da Rivian

Como é que a segunda companhia de automóveis mais valorizada da bolsa é de uma marca que comercializou. até ao momento... 1500 carros? A resposta é: expectativas. E são imensas. E a tendência atual é todos com dinheiro para investir na Bolsa quererm ter ações numa marca de automóveis elétricos. E com a Tesla a valorizar bastante, as pessoas correr para o "next big thing", e há dois: Rivian e Lucid. 

O primeiro, faz veículos todo-o-terreno e SUV's, e o segundo, veículos de luxo cuja autonomia das baterias já está a aproximar-se dos mil quilómetros. E apesar da pouca quantidade de carros que já entregaram, tem dezenas de milhares de encomendas, fábricas novas a serem construídas, e milhares de milhões de dólares em caixa. São o futuro e sabem disso. Tanto que as "legacy brands", as marcas tradicionais, tem quotas nessas marcas e já promoveram acordos de transferência de tecnologia para equipar os seus modelos e "cortar caminho" na electrificação.  

E é sobre uma das marcas, a Rivian, que o Donut Media falou ontem, através do Nolan Sykes

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

A(s) image(ns) do dia



Bjorn Waldegaard preparando-se, e depois, a comemorar no pódio a sua 16ª e última vitória no WRC a bordo de um Toyota Celica GT-Four.

Porquê trago aqui o sueco, campeão do mundo em 1979 e falecido em 2014? Até este domingo, ele era o vencedor mais velho de sempre numa prova oficial do Mundial de Ralis, alcançando este triunfo com a idade de 46 anos e 155 dias. Agora, Sebastien Loeb, o francês nove vezes campeão do mundo, elevou a fasquia para os 47 anos e 331 dias, e com a "stamina" que ainda têm, parece ser o candidato para ser o primeiro "cinquentão" a triunfar numa prova do WRC. Digo isto porque a Sebastien Ogier, ainda irá demorar uma boa década para lá chegar...

Mas por trás de um feito, há sempre uma estória. Em 1990, a Toyota apostava, por fim, em temporadas inteiras, porque a TTE, Toyota Team Europe, sediada em Colónia, na Alemanha e liderada por Ove Andersson, tinha por fim uma máquina capaz de enfrentar de frente os todo-poderosos Lancia Delta. E nesse ano tinha como pilotos o espanhol Carlos Sainz, o sueco Micael Eriksson e o alemão Armin Schwartz. Antes disso, apostavam sempre nos ralis africanos, onde as máquinas eram bem resistentes, e com toda a gente a fazer temporadas parciais, e Waldegaard, que corria na Toyota desde 1981, chegou a ganhar os dois ralis africanos na temporada de 1986 (Quénia e Costa do Marfim), o suficiente para ser quarto no campeonato!

Para esse rali queniano, agora a única prova africana do calendário, e sempre durissima, a marca japonesa tinha inscrito Sainz, Ericsson e Waldegaard, este último pela representação oficial daquele país africano. Do lado da Lancia, tinha Juha Kankkunen, Miki Biasion e Alex Fiorio, e todos esperavam uma batalha, mas que os carros italianos seriam os favoritos. 

E aqui, uma equipa nova, a Subaru, iria estrear os seus carros novos, o modelo Legacy, com Markku Alen a liderar a equipa, ao lado do neozelandês "Possum" Bourne e de uma legião de locais, liderados por Mike Kirkland, Ian Duncan e Patrick Nijiru

Não iria ser um rali fácil. Tinha chovido no mês anterior e as estradas estavam lamacentas, dificultando a tarefa. Mas querendo impressionar, Alen ignorou as estradas lamacentas e triunfou na super especial de abertura, em Nairobi.

Na estrada, Alen deu o que tinha de dar até que o motor sobreaqueceu e morreu, caindo a liderança nas mãos de Waldegaard. Atrás, os Lancia adotavam uma toada cautelosa, esperando que a liderança caísse ao colo, mas o veterano sueco aguentava, apesar de se queixar da água que existia nos caminhos. 

A partir do segundo dia, foi um duelo Toyota-Lancia. Se Waldegaard mantinha a liderança., Fiorio perdia o segundo posto para os Toyota, com Kankkunen e Biasion a terem um ritmo mais calmo, para levarem o carro até ao fim. Biasion aproveita bem os problemas dos outros para chegar a segundo a meio da segunda etapa, enquanto Kankkunen cai para quinto. Mas a dureza do rali fazia-se sentir: por esta altura, 18 carros estavam em condições de circular. E ainda faltava um bocado até à meta...

No inicio do último dia, outro golpe de teatro: Fiorio e Bision retiravam-se, a a Lancia limitava-se a Kankkunen, que não conseguia alcançar Waldegaard. Sainz era segundo, na frente de "KKK", mas acaba por ter problemas causa do motor, e cede o lugar no pódio a Ericsson. Acabará em quarto, numa prova onde apenas dez pilotos chegarão ao fim, de tão duro que era. 

No final, é um pódio nórdico, com dois suecos e um finlandês, e para o veterano, campeão do mundo de 1979, a amostra que os velhos são os trapos, a a Toyota tinha uma máquina capaz de desafiar os Lancia. E era isso que iria acontecer no final do ano, quando Carlos Sainz tornou-se campeão, com 140 pontos, mais 45 que o vice, o francês Didier Auriol

Youtube Formula 1 Video: O principe nigeriano que enganou a Arrows

Um clássico na Internet é o famoso mail do príncipe nigeriano que afirma ter milhões de uma herança emplacado numa conta que não pode mexer porque não te dinheiro. Logo, quer contar com a ingenuidade... err, solidariedade dos ouros e pedir o teu dinheiro para poder bloquear essa conta, e depois daria uma pate para ele, como recompensa. 

Agora, quantos é que caíram nesse "conto do vigário do século XXI"? Certamente dezenas de milhares pelo mundo inteiro. 

Mas em 1999, quando a Internet ainda gatinhava, um príncipe nigeriano de carne e osso apareceu no paddock da Formula 1 e prometeu a uma equipa que tinha dinheiro para ajudar uma equipa, afirmando que era o proprietário de uma marca de bebidas que iria ser tão poderosa quanto a Red Bull. Resultado? Nada, e eles ficaram ainda mais atolados. 

Essa é a história do principe Ibrar Malik, a equipa era a Arrows e hoje, o Josh Revell fala sobre esse esquema bem mais visivel que o que aconteceu nos anos seguintes.

Youtube Rally Video: Os melhores momentos do Rali de Monte Carlo

Acabada a segunda grande prova automobilística do ano - a primeira foi o Dakar - e com a vitória de Sebastien Loeb, eis um video com os melhores momentos do Rali de Monte Carlo, com os acidentes, as passagens dos carros pelas classificativas... e algumas festas nas bermas da estrada.

domingo, 23 de janeiro de 2022

A imagem do dia


Muitos falam que a grande corrida de Alain Prost foi o GP do México de 1990, onde de 14º acabou por triunfar. Mas para mim, outra corrida épica do "Le Professeur" foi o que aconteceu há precisamente 40 anos, no calor sul-africano. O triunfo de Prost, a bordo do seu Renault Turbo, teve contornos de corrida épica, onde parecia que tudo estava perdido. Afinal de contas, poucas foram as vezes que um piloto chegou a ter uma volta de atraso e acabou no lugar mais alto do pódio. Algo parecido até então, só o GP de Itália de 1967, com a quase vitória de Jim Clark

Com os Turbo em enorme vantagem - ficaram com os cinco primeiros lugares logo na primeira volta - Prost esperou até que aparecesse a oportunidade de passar Arnoux para ficar com o primeiro posto, o que aconteceu na volta 14. Por essa altura, já  Nelson Piquet e Gilles Villeneuve tinham abandonado. As coisas pareciam ir bem até à volta 40 quando sofreu o furo. Mesmo com uma roda no ar, estilo Gilles em Zandvoort 1979, ele conseguiu levar o carro às boxes, trocar o pneu a regressar para a pista, a uma volta de Arnoux. 

Mas em cinco voltas, desdobrou o seu companheiro de equipa e começou a recuperar voltas após voltas. E durou apenas 27 para voltar a apanhar Arnoux, depois de ter beneficiado da paragem de Didier Pironi, que desistira por causa do seu motor. E pelo meio, apanhara Carlos Reutemann, que via este 23 de janeiro como um dia especial - 10 anos antes, tinha feito a pole-position na sua corrida de estreia, na Argentina, e cinco anos mais tarde, triunfava dominantemente em Interlagos - que parecia estar a fazer uma corrida que o redimia das frustrações da temporada anterior. 

No final, aconteceu aquilo que foi uma das grandes corridas de Prost, com Reutemann e René Arnoux no podio. O quarto lugar do regressado Niki Lauda mostrou que ele não tinha perdido nenhuma das faculdades e esperava que no resto da temporada, tivesse mais chances de brilhar.

Mas o que ninguém sabia era que tinha acabado de começar uma das temporadas mais complicadas da história do automobilismo. 

WRC 2022 - Rali de Monte Carlo (Final)



Aos 47 anos, e com um programa parcial desde 2013, Sebastien Loeb torna-se no vencedor mais velho de sempre numa prova do WRC, ao triunfar no Rali de Monte Carlo, e claro, a primeira vitória dele na Ford e a primeira da marca em mais de um ano. No final, a diferença foi de 10,3 segundos sobre Sebastien Ogier, mas ambos, com programas parciais, deram quase um minuto e 40 segundos ao melhor dos que tem um programa total: o irlandês Craig Breen (1.39,8)

"Estou muito feliz! Não esperava tanto quando cheguei aqui, mas foi uma grande batalha. O Ogier foi muito rápido e lutei um pouco ontem e até hoje de manhã.", disse o veterano, que aqui conquistava o seu 80º triunfo da sua longa carreira, menos de duas semanas depois de ter sido segundo classificado no Rally Dakar, na Arábia Saudita.

Com quatro classificativas até ao final do rali, e os Sebastiões separados por 21.1 segundos, este último dia iria ser competitivo entre ambos. E o dia começou com Loeb ao ataque, ganhando 1,1 segundos a Ogier na primeira passagem por La Penne/Collongues. O piloto da Ford disse que foi "uma boa classificativa, mas era complicado manter o ritmo", enquanto Ogier disse que "não tinha puxado muito pelo carro". Breen ficou em terceiro, a dois segundos.

Neuville tinha sido o triunfador na primeira passagem por Briançonnet/Entrevaux, 1,9 segundos na frente de Ogier e 3,6 sobre Katsuta Takamoto. Loeb perdia 6,5 segundos e parecia que Ogier tinha tudo controlado. 

Até aparecer a 16ª especial, a segunda passagem por La Penne/Collongues.

Aí, Ogier sofre um furo e perde 34,1 segundos, beneficiando fortemente Löeb, que triunfou com uma vantagem de 3,8 segundos sobre Gus Greensmith e 8,9 sobre Katsuta. Foi o suficiente para trocar de liderança e dar a Loeb a chance de triunfar com o Ford Puma. 

No Power Stage, Kalle Rovanpera foi o melhor, na frente de Elfyn Evans (a 0,9), e de Thierry Neuville, a 2,6. Loeb foi o quarto, a sete segundos, na frente de Ogier, que ficou a oito. Ainda por cima, ele foi penalizado por ter feito falsa partida.

"Houve um barulho estranho no motor na largada e fiquei perturbado, talvez eu tenha largado um pouco mais cedo", começou a dizer, justificando a sua penalização. "Posso manter minha cabeça erguida. Fiz meu trabalho neste fim de semana e é assim que é. Parabéns para a equipa, foi um bom fim de semana pela primeira vez com o híbrido."

Depois dos três primeiros, Kalle Rovanpera foi o quarto, a 2.16,2 do vencedor, longe de Gus Greensmith, quinto a 6.33,4. Thierry Neuville foi o sexto, a 7.42,6, o melhor dos Hyundai, que estiveram muito mal neste Monte Carlo. Adrenas Mikkelsen foi o sétimo, e o melhor dos Rally2, no seu Skoda Fabia Rally2 Evo, a 11.33,8 segundos. Oitavo ficou Takamoto Katsuta, a 12.24,7, na frente do checo Erik Cais e a fechar o "top ten", o russo Nikolay Gryazin, a 13.41,3, no seu Skoda Fabia Evo2.

O WRC prossegue no mês seguinte, mais concretamente entre os dias 24 e 27 de fevereiro, em terras suecas. 

sábado, 22 de janeiro de 2022

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Há precisamente 40 anos, a Formula 1 começava a sua temporada em terras sul-africanas, e pelo segundo ano seguido... começava com polémica. Porque pela primeira vez na sua história... havia uma greve de pilotos. E claro, as chances de perigar o campeonato eram grandes. 

Mas como as pessoas viam um grupo de pilotos juntos num quarto de hotel, com colchões, e jurando não sair ali enquanto o problema não fosse resolvido? E Jean-Marie Balestre a levar pedados de pão na cara, vindas das mulheres e namoradas dos pilotos?

Para explicar esta história, temos de falar de um regressado: Niki Lauda. Regressado à Formula 1 depois de três temporadas de ausência, agora na McLaren, soube que, para ter a sua Superlicença, Teria de cumprir alguns critérios que considerou como... "abusivas". Por exemplo, se o piloto fosse despedido da equipa antes do final da temporada, não poderia correr mais. E pior: os pilotos tinham de ficar pela mesma equipa por, pelo menos, três temporadas. Ora, para ele, estas clausulas eram abusivas e falou com o presidente do Grand Prix Drivers Association, Didier Pironi.

Para piorar as coisas, Balestre apareceu na quarta-feira antes do Grande Prémio e obrigou os pilotos a assinarem o acordo, sob pena de não poderem correr logo de imediato. E havia mais cláusulas abusivas: organizadores, equipas e autoridades ligadas ao automobilismo estariam livres de quaisquer responsabilidade em caso de acidentes. 

Irritados, Lauda juntou os pilotos e fretou um autocarro para os levar para o Sunnyside Hotel, e a greve começava. As tensões aumentavam com o passar das horas, especialmente quando na sexta-feira, ninguém - as excepções foram Teo Fabi, da Toleman - foi à pista correr. Estavam fechados num enorme salão, com colchões de casal, e os pilotos dormiriam juntos, como se fosse uma casamata. E as saídas estavam fechadas, para evitar deserções. Fora, os jornalistas estavam ocupados com tudo isto, com Didier Pironi a andar de um lado e do outro para comunicar as suas intenções, e os organizadores estavam zangados. Ainda por cima, um ano depois da "corrida-pirata", vitima da guerra FOCA-FISA, quando Ecclestone quis organizar um campeonato paralelo. E enquanto tudo isto acontecia, Balestre, que nunca foi flor que se cheire, sentia a hostilidade de todos, até das pessoas mais insuspeitas do pelotão... 

Com Elio de Angelis a praticar o piano, e Gilles Villeneuve a entreter os seus companheiros, nos bastidores, ambas as partes chegavam a acordo no inicio de sábado: a FISA deixava cair as suas clausulas abusivas, e pagariam uma multa, e poderiam correr. Satisfeitos, eles foram fazer uma sessão de qualificação e a corrida prosseguiu, com o triunfo de Alain Prost, depois deste perder uma volta por causa de um furo no seu Renault. 

Mas sobre isso, falaremos amanhã. Agora que sabemos da história deste campeonato, pode-se dizer que este foi o começo agitado de um campeonato bem mais agitado. 

WRC 2022 - Rali de Monte Carlo (Dia 3)


Sebastien Ogier superou Sebastien Loeb e distanciou-se a ponto de, agora, ter uma bantagem de 21,1 segundos, e a luta entre ambos á tal que o veterano da Ford é o único que está a menos de um minuto do líder da prova. E entre os concorrentes, houve desistências, como os de Ott Tanak e Elfyn Evans, ao ponto de agora, o terceiro classificado ser Craig Breen, a 1.26,0 de Ogier. 

Com cinco etapas neste sábado, e com Loeb na frente, num duelo a dois com Ogier, que recuperara o segundo lugar depois de passar Elfyn Evans, no final do primeiro dia, este sábado começou com os Toyota ao ataque, mas com Evans a triunfar na especial, 0.7 sobre Kalle Rovanpera e 3,9 sobre Sebastien Ogier. Loeb perdia 7,3 segundos e via os pilotos da Toyota aproximarem-se.

Foi a seguir, na primeira passagem por Saint-Jeannet/Malijai que Ogier fez o seu ataque decisivo, triunfando na especial e com 1,1 sobre Evans, mas sobretudo, ganhando 6,5 segundos sobre Loeb, suficiente para ficar com a liderança. Na especial, Gus Greensmith e Thierry Neuville perdiam tempo por causa de problemas mecânicos. "Estamos a lutar com alguns problemas e agora algo quebrou na especial. O carro está indo para um lado e acabou.", queixou-se o belga.

Mas pior ficaram Katsuta Takamoto, que sofreu bum pião e perdeu quase 30 segundos, e Oliver Solberg que se despistou e acabou o rali por ali. "Foi mau por toda a manhã, mas não precisávamos disso.", lamentou o sueco.


Na especial seguinte, que incluía o Sisteron, um os miticos de Monte Carlo, Loeb e Ogier entravam empatados e o piloto da Toyota levava a melhor, triunfando sobre Rovanpera (a 4,5 segundos) e Loeb (a 5,4). Elfyn Evans despistou-se e acabou prematuramente o seu dia na estrada, enquanto Ott Tanak sofreu um furo, e logo a seguir, um despiste, perdendo 50 segundos. Ficando uma posição perigosa, foi por causa disso que a especial foi interrompida e os tempos neutralizados após a passagem de Loeb.

"Nunca é fácil passar por esta especial.  É apenas sobreviver, mas estamos aqui. Infelizmente Elfyn está na valeta - é uma pena para a equipa", afirmou Ogier.

A seguir, na segunda passagem por Saint-Jeannet/Malijai, Kalle Rovanpera acabou por ganhar, e Löeb sair melhor que Ogier, mas a diferença foi apenas de 0,3 segundos. Tanak desiste, pois o carro ficou dão danificado que já não dava para continuar. E no final do dia, na segunda passagem por Saint-Geniez/Thoard, com nova vitória de Kalle Rovanpera, Ogoer foi segundo, a cinco segundos, e Loeb perde 21,1 segundos e acabou em quinto na especial. Katsuta Takamoto despistou-se e acabou ali o seu rali.

"Estava a planear ir com os pneus de neve porque era a opção mais segura, mas vi que o Séb estava a optar pelos slicks, por isso mudei rapidamente no último minuto antes da largada. Foi complicado conduzir em alguns lugares, mas divertido nas partes secas.", disse Ogier, no final da especial.

Depois dos três primeiros, Kalle Rovanpera é o quarto, a 2.03,8, na frente de Gus Greensmith, nuns já distantes 6.33,8. Thierry Neuville era o sexto, a 7.44,1, enquanto o sétimo é Andreas Mikkelsen, a 9.37,2 e o melhor dos Rally2. O checo Erik Cais, no seu Ford Fiesta Rally2, a 9.59,6, e a fechar o "top ten" estavam o luxemburguês Gregoire Munster, no seu Hyundai i20 Rally2, a 10.44,1, e o francês Yohan Rossel, no seu Citroen C3 Rally2, a 11.14,2.

O Rali de Monte Carlo termina amanhã, com a realização das restantes quatro especiais.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

A imagem do dia


No próximo dia 13 de junho, passarão 40 anos sobre o acidente mortal de Ricciardo Paletti. Piloto italiano, então com 23 anos, estava a começar a sua carreira na Formula 1 na Osella, depois de uma temporada interessante no ano anterior na Formula 2, pela Onyx, com dois pódios e uma volta mais rápida. 

A carreira de Paletti começara cedo, e era um rapaz eclético - não se deixem enganar pelos óculos! - pois tinha feito karaté, ski, antes de se assentar no automobilismo. E a grande ajuda para lá chegar... foi do pai. Arietto Paletti era um homem que tinha enriquecido com a imobiliária, e entre outras coisas, conseguiu a representação da Pioneer, uma firma de alta fidelidade, em Itália. E é com esse dinheiro que algumas equipas fazem com ele seja um elemento necessário. Principalmente o britânico Mike Earle, que quando em 1981 o acolheu na sua equipa de Formula 2, achou que seria o trampolim para a categoria principal. Depois dessa temporada, Earle queria que fizesse mais uma temporada para dar o salto em 1983, com ele, na Formula 1. E provavelmente, com motor Turbo. 

Contudo, a história foi diferente. Paletti encantou-se com a Osella, que tinha um lugar para ele, e Earle teve de esperar mais uns anos para la chegar - aconteceu em 1989, sete anos depois. Mas infelizmente, ele não assistiria a isso. 

Lá, tinha a veterania de Jean-Pierre Jarier, piloto que tinha estado em equipas como Shadow, Ligier, Lotus e Tyrrell, entre outros. E na Osella desde o ano anterior, ele tinha de ser o primeiro piloto. A Paletti, ficava os "restos", e os resultados mostravam isso: só participou na sua primeira corrida em Imola, a quarta do ano, por causa de um boicote. E a sua participação acabou na sétima volta devido a um problema na suspensão. 

Só voltou a qualificar-se em Detroit, e a sua corrida não aconteceu por causa de uma quebra de suspensão durante o "warm up". Há uma sequência de fotos desse acidente onde se vê a peça a quebar-se em plena pista e o carro a acabar nas barreiras, sem que Paletti saísse machucado da situação, até a cumprimentar um dos comissários de pista pelo socorro atendido. Tentou-se reparar o carro a tempo, mas quando estavam prestes a fazer isso, Jarier tinha batido no muro e sem carro de reserva - que tinha sido usado pelo francês e inutilizado quando ele acionou acidentalmente o extintor... - e o italiano iria ficar em terra, para mal dos seus pecados.

Mas o carro melhorava. No Canadá, qualificava-se pela segunda vez consecutiva, e ele pareia que iria ter aquilo que queria. Mas na partida, Didier Pironi ficou parado na pista, porque tinha deixado morrer o seu carro, e o italiano, que vinha do 23º posto da grelha, atingiu em cheio o Ferrari, porque havia confusão entre os pilotos do fundo. Preso no carro, com o volante a atingir em cheio no seu peito, os socorros foram velozes em tirá-lo dali. Mas com os depósitos cheios e os escapes quentes, um derrame fez pegar fogo o seu Osella. E tudo perante o olhar aterrorizado da sua mãe, que o tinha visitá-lo e vê-lo, porque dali a dois dias iriam a Nova Iorque celebrar o seu aniversário. 

Não iriam. Apesar dos esforços e de terem conseguido levar para o hospital de helicóptero, ele tinha morrido, vitima de uma hemorragia toráxica, a dois dias de fazer 24 anos.

Os italianos não o esqueceram. O circuito de Vairano tem o seu nome, por exemplo. E há um altar na Capela do Cruxifixo, na Igreja de Santa Maria al Carrobiolo, em Monza, dedicado a ele.

E volto a falar desta história porque soube que no final da semana passada, o seu pai Arietto, a pessoa que ajudou a financiar a sua carreira até à Formula 1, tinha morrido. A sua mãe, Margheritta, já tinha também morrido uns anos antes. Para os que crêm, parece que estão juntos outra vez.

WRC 2022 - Rali de Monte Carlo (Dia 2)


A caminho dos 48 anos, e num programa parcial, Sebastien Loeb lidera o rali de Monte Carlo com o seu novo Ford Puma, com uma vantagem de 9,9 segundos sobre Sebastien Ogier, menos nove anos que ele e também num programa parcial em 2022, no seu Toyota Yaris, e Elfyn Evans, o terceiro, a 22 segundos e longe do quarto, o Hyundai de Thierry Neuville, que está a 47,8 segundos dos líderes. Tudo isto num dia que foi marcado pelo susto causado pelo Ford de Adrien Formaux que se despistou e acabou no fundo de uma ravina, 20 metros mais abaixo.

Com seis classificativas pela frente nesta sexta-feira, o dia começou com Loeb ao ataque, triunfando na primeira passagem por Roure/Beuil, ganhando 1,2 segundos sobre Ogier, ao mesmo tempo que Adrian Formaux teve o seu grande acidente, no quilómetro 12,2 da especial, onde bateu forte na parede da montanha, aparentemente por ter pisado uma placa de gelo. Acabou com o seu carro mais de 20 metros da estrada, com o carro destruído, mas o "roll cage" intacto, logo, quer o piloto, quer o navegador, Alexandre Coria, saíram incólumes. 

Ogier também não se safou muito bem. Embateu numa barreira e perdeu tempo para Loeb, enquanto Thierry Neuville fez um pião e perdeu tempo, sendo apenas seixo na etapa, 12,8 segundos atrás do triunfador. E ele mostrava descontentamento, senão receio, da máquina que tinha entre mãos.

Não está a ser melhor do que ontem, para ser honesto, é um pesadelo. Nunca me assustei tanto enquanto pilotava. Ainda há muito trabalho a fazer”, referia. E era verdade: as coisas não estão fáceis com o novo Rally1 da marca, pois nenhum dos pilotos está a conseguir andar ao nível dos Toyota e Ford. A Hyundai paga o preço por ter começado a desenvolver mais tarde o seu Rally1, pelo menos, em relação à concorrência.


A seguir, na primeira passagem por Guillaumes/Péone/Valberg, Loeb continuava ao ataque e triunfava com uma vantagem de 0,8 segundos sobre Ott Tanak e sobretudo, 2,7 sobre Ogier, reduzindo a distância para 2,8 segundos. 

No final da especial, Loeb estava a gostar do andamento: "Estou a sentir bem com o carro. Tentei forçar muito nessas duas etapas, mas é bastante complicado. Em alguns lugares você tem muita aderência, mas em outros não tem nada. O carro está a sentir bem e vamos puxar.

Já Ogier se queixava do asfalto e da sua (falta de) aderência. "Está realmente muito escorregadio. Há muitos ganchos perto do final com tração muito baixa para pilotar. Prefiro jogar pelo seguro no momento com essas condições."


E se um joga no seguro e o outro anda ao ataque, então o resultado é inevitável: na quinta especial, a primeira passagem por Val-de-Chalvagne/Entrevaux, os 17,11 quilómetros foram suficientes para Loeb triunfar e passar para a frente do rali, ajudando também pelos 15,8 segundos que Ogier perdeu na especial. E pior: o segundo foi Elfyn Evans, a 2,3, e o francês da Toyota cai para terceiro na geral.

"Eu andei a esforçar-me muito [durante] a manhã toda e o carro está ótimo. Tenho uma sensação muito boa com este carro, então continuo a puxar por ele. Foi complicado com o gelo, mas minha equipa fez um trabalho muito bom, então tentei andar a fundo do começo [até] ao fim."

Com a chegada das classificativas da tarde, a segunda passagem pelas da manhã, Loeb voltou a ganhar, e desta vez foi com uma vantagem de 2,9 segundos sobre Ogier e 3,9 sobre Evans. Ogier disse que "deu o seu melhor, mas não estava fácil", enquanto Loeb afirmou que "foi uma etapa perfeita" e que "se sentia muito bem no carro". 

Gus Greensmith intrometeu-se na sétima especial, conseguindo a sua primeira vitória em especiais no Monte Carlo, com Loeb a perder 2,9 segundos, e Ogier apenas 1,4, suficiente para passar Evans e ficar com o segundo lugar, pois o piloto galês tinha perdido 3,6 segundos.


E Ogier acaba o dia a triunfar na oitava especial, a segunda passagem por Val-de-Chalvagne/Entrevaux, 1,5 segundos na frente de Ott Tanak e 4,5 sobre Loeb. Recuperou tempo, mas é o veterano francês que lidera a prova. 

Fiquei realmente surpreso quando estava a fazer o melhor tempo no shakedown na primeira passagem, porque geralmente no shakedown não sou bom, mas desde então tentamos puxar para sentir o carro. Mas estamos felizes por liderar após o primeiro dia.", disse Loeb, no final.

Depois dos quatro primeiros, Ott Tanak é o quinto, a 56,7 segundos, tendo passado na última especial o carro de Craig Breen, sexto a 59,2. Gus Greensmith é o sétimo, a 1.08,4, na frente de Katsuta Takamoto, a 1.35,9. Kalle Rovapera é o nono, a 2.12,8 e a fechar o "top ten" está o Hyundai de Oliver Solberg, a 2,22,9.

O rali de monte Carlo prossegue amanhã com a realização de mais cinco especiais. 

Youtube Rally Crash: O acidente de Adrien Formaux em Monte Carlo

O primeiro dia do Rali de Monte Carlo fica marcada pelo acidente feio de Adrien Formaux, a bordo do seu Ford Puma. Não é a primeira ocasião que um dos carros da marca americana acaba no fundo da ravina nas estradas alpinas, mas este acidente desta manhã acabou em bem graças ao "roll cage" que o carro tem para proteger o piloto e seu navegador. 

Eis este vídeo que apareceu nos minutos seguintes ao acidente. Espero que os pilotos tenham tempo para controlar estas novas máquinas do Rally1... 

Youtube Rally Video: Colin McRae, visto pelo Donut Media

Há umas semanas, eles fizeram um vídeo sobre Niki Lauda, que o pessoal gostou. E agora, como estamos nos dias do Rali de Monte Carlo, ele se lembraram de fazer a mesma coisa a outra lenda automobilística, desta vez, é o escocês Colin McRae, provavelmente dos pilotos mais espetaculares da história dos ralis, especialmente a bordo do Subaru Impreza da Prodrive, no qual foi campeão do mundo em 1995.

E claro, nesta quinta-feira, o James Pumpfrey fala de modo entusiástico sobre a sua vida e os seus feitos. 

quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

WRC 2022 - Rali de Monte Carlo (Dia 1)


Sebastien Ogier parte na frente no Rali de Monte Carlo, disputadas que estão as duas primeiras especiais, ambas noturnas. O piloto da Toyota tem um avanço de 6,7 segundos sobre Sebastien Loeb, no seu Ford. Elfyn Evans é o terceiro, a 11.2 segundos, no final deste primeiro dia.

Com passagens por Lucéram/Lantosque e La Bollène-Vésubie/Moulinet, os novos carros da Rally1 foram para a estra mostrar o seu potencial perante os espectadores. E Ogier partiu logo ao ataque, triunfando com uma vantagem de 5,4 segundos sobre Loeb, com Elfyn Evans a 9,3. E foram os únicos Toyota a darem-se bem, pois Katsuta Takamoto teve problemas com a sua caixa de velocidades, e Kalle Rovanpera fez um pião e perdeu tempo.

"É bastante complicado no começo, e tivemos um pião no início da etapa, então perdemos um pouco de tempo. De qualquer forma, na umidade, talvez tenha sido um pouco cuidadoso demais nas condições.", disse Rovanpera no final da especial.

Ogier voltou a triunfar na segunda especial, desta vez 1,3 segundos na frente e 1,9 sobre Elfyn Evans. Thierry Neuville foi o melhor dos Hyundais, sendo apenas... sexto, depois de ter sido sétimo na primeira especial. Mas pior foi Oliver Solberg, que fez um pião e perdeu tempo, enquanto Ott Tanak foi apenas oitavo.

No final destas duas especiais, depois dos três primeiros, o Ford de Adrien Formaux era quarto, a 17,9, depois de passar o seu companheiro, Gus Greensmith, que está a 21,1 segundos. Neuville é sexto, a 28,5, na frente de Craig Breen, a 29,2. Ott Tanak é o oitavo, a 41,1, Katsuta Takamoto é o nono, a 48,2 e a fechar o "top ten" está Oliver Solberg, a 58,8.

O rali de Monte Carlo prossegue amanhã com a realização de mais seis especiais.