sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Noticias: Noah Monteiro vai correr em Macau


O português Noah Monteiro, atual vice-líder da Formula 4 espanhola, irá disputar o Grande Prémio de Macau de 2026, integrando a grelha da Taça do Mundo de Fórmula 4. O filho de Tiago Monteiro competirá pela equipa local SJM Theodore Racing, que se associará à LN4 Fusion de Norris para a edição deste ano.

Ele terá a companhia do ucraniano Oleksandr Bondarev, que é piloto da academia da Williams. Ele começou a temporada em grande, conquistando o título da UAE4, mas interrompeu a sua participação no campeonato italiano de Formula 4 para subir ao Campeonato da Europa de Fórmula Regional (FREC), onde, pela Van Amersfoort Racing, já ganhou uma corrida.

Curiosamente, a sua participação em Macau acontece dez anos depois do seu pai ter ganho a corrida, na categoria TCR. 

Em termos de lista de inscritos, Noah Monteiro terá a companhia de alguns dos concorrentes no campeonato espanhol, como os neerlandeses Kasper Schormans e Rocco Coronel - também filho de outro piloto, Tom Coronel - o americano Vivek Kanthan, e de outras partes, virão outros pilotos com o belga Dries van Langendonck, criado em Zolder, e não só faz parte do programa de jovens pilotos da McLaren, como também tem como mentor o tetracampeão mundial de Formula 1, Max Verstappen. Com isso, arrecadou o título do Campeonato Britânico de Formula 4, alcançando um total de 17 vitórias.

Outro piloto a ter em conta é o finlandês Luka Sammalisto. Ele averbou 12 vitórias ao longo das temporadas italiana e da Euro 4, pela alemã US Racing, que tem como co-proprietário Ralf Schumacher. Sammalisto só perdeu o título da Euro 4 no desempate por número de vitórias, depois de terminar com os mesmos pontos que o britânico Kenzo Craigie, jovem piloto do programa de jovens talentos da Mercedes na Formula 1. Este ano, ele somou sete vitórias entre a UAE4, a F4 italiana e a Euro 4.

O GP de Macau acontecerá no fim de semana de 19 a 22 de novembro, no circuito da Guia. 

Youtube Automotive Video: O novo Tesla Roadster

Surgiu esta noite o vídeo do que, aparenta ser, o novo Tesla Roadster. Um carro do qual se fala há quase uma década, mas agora, parece ser real. E tem uns propulsores a gás?

Enfim, vejam o video de apresentação. 

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Rumor do Dia: Ford com Formaux em 2027?


A M-Sport está a todo o vapor para construir o chassis para o regresso do Ford para o WRC, que acontecerá em 2028, mas precisa de bons pilotos para desenvolver o carro. E um candidato para isso poderá ser o francês Adrien Formaux, que depois da Hyundai ter decidido se ausentar em 2027, estará disponível para trabalhar com outras equipas.

Ele revelou, depois do rali da Sardenha, que continuará a competir em 2027, e com a M-Sport a desenvolver o Fiesta rally2 Kit. Adrien Fourmaux é a alternativa natural, até porque os 5 anos que o francês trabalhou em Dovenby Hall deixaram boas relações.

“Como ainda não tenho nada definido para o próximo ano, estou a analisar todas as possibilidades”, disse Fourmaux ao site DirtFish. “Na verdade, estou bastante aberto a opções. Vou demorar o tempo que for necessário para tomar uma decisão. O meu objetivo é regressar o mais rapidamente possível a um carro da categoria Rally1; esse é o meu foco. Posso aceitar passar um ano com um carro menos competitivo, mas quero muito voltar.”, continuou.

Sobre esse assunto, o chefe de equipa da M-Sport, Richard Millener, declarou ao mesmo DirtFish que ter um piloto de alto nível seria bem-vindo: “A nossa maior lacuna, neste momento, é a falta de um piloto de alto nível — alguém de quem precisamos para iniciar o desenvolvimento de um novo carro e ajudar a estruturar a equipa. Depois, poderíamos contar com uma combinação de jovens pilotos que já estão no panorama, novos talentos ou até alguém em quem ainda nem sequer pensamos.”, afirmou.

Caso a estrutura britânica mantiver o apoio da Motorsport Ireland para Josh McErlean e Jon Armstrong, irá precisar de um piloto rápido e com experiência como Adrien Foumauax, para dar maiores garantias de resultados, mas também para começar a trabalhar no carro de 2029. Aliás, fala-se muito que Richard Millener, da M-Sport, quer desenvolver três carros para a sua equipa principal, para não falar dos exemplares que construirá para outras estruturas.

Noticias: Rafa Câmara é piloto da Haas F1


A Haas F1 confirmou esta tarde que Rafa Câmara será seu piloto para a temporada de 2027, no lugar de Esteban Ocon. O contrato será multianual e pela primeira vez desde 2016 que o Brasil terá dois pilotos na categoria máxima do automobilismo, depois de Felipe Massa (Williams) e Felipe Nasr (Sauber), em 2016.

“Estou muito feliz por me juntar à TGR Haas F1 Team como piloto de Fórmula 1”, começou por afirmar Câmara, no comunicado oficial. “É um passo importante na minha carreira e quero agradecer ao Gene Haas e ao Ayao Komatsu a confiança que depositaram em mim. Estou também muito grato à Scuderia Ferrari Driver Academy pelo apoio e por tudo o que contribuíram para o meu desenvolvimento ao longo dos anos, bem como à minha família, por estar sempre ao meu lado durante todo este percurso.", continuou.

“Agora, o meu foco está em preparar-me da melhor forma possível para este novo desafio. Haverá muito para aprender, e estou ansioso por trabalhar em estreita colaboração com a equipa, compreender o carro e continuar a evoluir como piloto.”, concluiu.

O chefe de equipa, Ayao Komatsu, afirmou, sobre a chegada de Câmara á sua equipa: 

“Estou muito entusiasmado por contratar um talento tão jovem e incrível como Rafael Camara. Nem preciso mencionar as suas conquistas nas camadas jovens; têm sido impressionantes. Na sua temporada de estreia na Fórmula 2, a velocidade que demonstrou em momentos bastante desafiantes — como nas sessões de qualificação no Mónaco e em Montreal — evidencia todo o potencial que o Rafa possui."

“Quando participou no nosso programa TPC em Portugal, mostrou que consegue adaptar-se muito bem, mesmo com pouco tempo para conhecer o carro; demonstrou muito mais do que apenas velocidade pura. O Rafa conseguiu criar um ambiente que lhe permitiu extrair o melhor de si próprio; foi algo impressionante, e as voltas que completou foram, sem dúvida, especiais.

“Estamos todos entusiasmados com esta oportunidade e, como TGR Haas F1 Team, totalmente empenhados em desenvolver este talento e oferecer um espaço onde possa prosperar. Queremos criar um ambiente em que ele se sinta confortável e apoiado, permitindo-lhe realmente explorar todo o seu potencial.”, concluiu.

Câmara, de 21 anos, é um prodígio automobilístico: foi campeão da Formula 3 em 2025 e lidera a Formula 2 nesta temporada, com grandes hipóteses de alcançar este título. 

Noticias: Tom Cruise quer competir na NASCAR!


Tom Cruise
leva o método a sério. Tão a sério que o ator de 64 anos considera participar em algumas provas da ARCA Menards Series, uma das categorias de acesso da NASCAR, para se preparar para a sequela de “Dias de Tempestade”, que será filmado em 2028. A revelação foi feita na terça-feira por Steve O’Donnell, diretor executivo da NASCAR, em entrevista ao portal Front Office Sports.

"Fiquei surpreendido. Temos a categoria de corridas ARCA... e o Tom queria competir numa dessas provas", começou por afirmar O'Donnell. "Não tenho a certeza se isso vai acontecer, mas ele quer que tudo seja o mais autêntico possível.", continuou.

"Penso que, se olharmos para o primeiro filme, ele mostrou o que era a NASCAR naquela altura. E, falando com Tom Cruise quando esteve em Daytona, o foco passou a ser o momento atual e o futuro", explicou O'Donnell. "Em vez de um carro a ser montado na garagem, o filme incorpora a tecnologia e tudo o que faz parte do desporto. A mensagem do Tom para nós foi: 'Vou colocar-vos perante um público totalmente novo, e vocês precisam de estar preparados'.", concluiu.

A produção cinematográfica conta com o envolvimento direto da organização, que está a construir 80 viaturas para as filmagens.

Embora a participação do protagonista em competição oficial permaneça incerta, a ARCA Menards Series funciona habitualmente como rampa de lançamento para jovens talentos, mas inclui também pilotos veteranos na grelha. Tom Cruise conta com antecedentes no desporto automóvel, tendo testado um carro da NASCAR Busch Series com a Hendrick Motorsports em 1987 e pilotado um Fórmula 1 da Red Bull em 2011.

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Youtube Automotive Video: Os tempos que vivemos

Saíram os mais recentes números de vendas de carros na Europa e há lugares onde 99 por cento de carros novos são isso mesmo: elétricos. A Noruega fez uma transição completa, e a Dinamarca não anda muito longe, com 89 por cento, e outras nações não andam longe de ter a esmagadora maiorias de carros novos totalmente elétricos. Diesel novos, por exemplo, não existem mais na Europa. 

E com a entrada de elétricos na casa abaixo dos 20 mil euros, pelo menos na Europa, a tendência é para aumentar a quota de elétricos em lugares onde ainda é uma fatia mais pequena. 

Estamos em transição ativa, e "agradecemos" ao Médio Oriente por isso. 

WRC: Rali da Croácia em risco para 2028


O próximo rali da Croácia acontecerá entre os dias 8 e 11 de abril de 2027, e será em asfalto, mas poderá ser a última edição do rali no calendário, pois a organização e o governo croata ainda não se colocaram em acordo, principalmente, por causa do financiamento, muito dependente do Orçamento de Estado croata e do Ministério do Turismo. Quem o revelou foi Daniel Šaškin, o chairman da prova numa entrevista ao canal croata Nova TV, e citado pelo Rallyjournal.com.

"Teremos Rali da Croácia em 2027 e isso já sabíamos há bastante tempo. O acordo foi assinado em 2024. Contudo por razões que desconhecemos não recebemos ainda qualquer confirmação escrita do Ministério do Turismo acerca do que acontecerá depois disso," começou por revelar. "Em termos práticos é quase certo que não estaremos no calendário, mesmo que o WRC Promoter e a FIA mostrem desejo que continuemos envolvidos.", continuou.

"Já esperamos vários meses pela informação de quanto é que o estado pode financiar para a Croácia conseguir permanecer no WRC." Šaškin assegura que o prazo para um contrato no período de 2028 e 2030 está a esgotar-se, caso queira que a prova continue depois de 2027.

Apesar de estudos locais mostraram que o rali dá um retorno financeiro de 100 milhões de euros por edição, num evento que custa entre 3 e 4 milhões de euros, metade deles são financiados pelo estado, o governo croata encontrará níveis similares de retorno noutros eventos, logo, poderá não ser tão prioritário.

Caso saia do calendário em 2028, é provável que seja substituído pelo rali de Portugal, que perdeu o seu lugar para 2027 e pretende regressar o mais cedo possível ao calendário.

Noticias: Rovanpera poderá regressar ao WRC


O finlandês Kalle Rovanpera poderá regressar aos WRC em 2027. Segundo conta hoje o site Dirtfish, o diretor de equipa da Toyota, Jari-Matti Latvala, confirmou que há conversações com o bicampeão mundial na sequência do renovado interesse do piloto pelos ralis.

“Ele mostrou renovado interesse pelos ralis. Acho que percebeu que ir para a Fórmula 1, é uma montanha um pouco grande demais para escalar. Claro que há diferentes séries que ele poderia fazer, mas agora esteve de novo interessado nos ralis”, explicou Jari-Matti Latvala ao site.

O responsável da equipa japonesa adiantou também que o foco passa por perceber a disponibilidade do piloto para cumprir o calendário na totalidade: “Estamos a ter algumas conversações com ele, mas temos de ver qual é a ideia. Está ele pronto para fazer o campeonato completo e por aí fora? Portanto, sim, começámos algumas conversações.”, continuou. 

“Temos um grande alinhamento de pilotos, mas temos de nos lembrar que ele também é um campeão do mundo com a Toyota. E, claro, ele é um piloto importante, por isso não gostaríamos de o perder”, concluiu.

Tudo isto está a acontecer numa altura em que a Toyota está a pensar como correrá em 2027. Segundo se conta, a marca japonesa está a admitir a possibilidade de inscrever duas equipas compostas por três carros cada na próxima temporada. Na principal estaria o galês Elfyn Evans, o campeão do mundo, o finlandês Sami Pajari e o estónio Ott Tanak, enquanto na segunda estaria o japonês Takamoto Katsuta, Kalle Rovanpera e Sebastien Ogier, este num programa parcial. 

Kalle Rovanpera decidiu sair do WRC no final de 2025, perseguindo uma carreira nos circuitos. Contudo, depois de uma participação da Toyota Series na Nova Zelândia, detectou-se um problema nos ouvidos que o impediu de correr em 2026, e cancelando os seus planos futuros de participação em monolugares. 

terça-feira, 13 de outubro de 2026

A imagem do dia





Ando a ler as noticias do acordo entre a FIA, a F1 e o governo do Ruanda, algo que já se sabia desde 2022, e agora, chegou a uma conclusão. O mais impressionante para mim - e eu ando nisto há algum tempo - nem é o “sportwashing” (agora tem as suas consequências, com as guerras no Médio Oriente), mas até que ponto eles assinaram um acordo “com os olhos fechados” com o Ruanda, que não tem qualquer tradição automobilística, nem uma pista para podermos ver. Confiança e… pronto.

Sabem o que me fez lembrar? O acordo com o Vietname, para o GP de Hanói, que iria acontecer em 2020, lembram-se? A corrida que chegou a estar no calendário, a pista desenhada e construída no centro da cidade de Hanoi, com bancadas, paddock, e se não fosse essa chatice chamada Covid-19, teria acontecido em março de 2020. 

Só que depois, viu-se, não era algo sancionado pelo governo central, era meramente uma projeto do governador de Hanoi, que depois se descobriu ter desviado dinheiro para a construção da pista e pago à FOM para ter a corrida. Resultado final? Meia dúzia de anos de prisão e o governo vietnamita a renegar tudo. E ali está, hoje em dia, sem saberem muito bem o que fazer às coisas construídas entretanto. E já agora, custou ao todo... 600 milhões de dólares.

Se forem ver, o primeiro GP de Ruanda acontecerá “a partir de 2030” e terá a duração de… dez anos. Sabem a duração do GP de Portugal? Duas edições. Ou seja, em 2029, poderá saltar do campeonato, se este governo não quiser. Ou acontecer algo fora de controlo.

E isso pode acontecer. Porquê? Já não se lembram, mas na primavera de 1994, enquanto Nelson Mandela era eleito presidente da África do Sul e a Formula 1 entrava em crise por causa dos eventos de Imola, 800 mil pessoas eram massacradas por terem a etnia errada. Em cem dias, entre 6 de abril e 15 de julho de 1994.

O Ruanda tem duas etnias: hutus e tutsis. A maioria é hutu, e a minoria é tutsi, que nas suas origens eram criadores de gado, em contraste com os hutus, agricultores.

Os europeus chegaram no final do século XIX, e foram os alemães que tomaram conta daquilo que se chamou, na altura de "Colónia de Ruanda-Urundi", que depois de tornou no Burundi. Em 1914, começou a I Guerra Mundial, e os belgas, vindos do Congo, a Oeste do Ruanda, tomaram conta daquelas terras, e quando a guerra acabou, tomaram conta delas, graças a um mandato da Sociedade das Nações. 

Em 1960, Ruanda e Burundi tornaram-se independentes, mas mergulharam quase desde o primeiro dia em rebeliões e guerras civis. A razão foi a divisão étnica. Os tutsis tornaram-se funcionários públicos, professores, advogados, médicos e sobretudo, políticos. Os hutus quase não tinham nada, quase nenhuns direitos, e em 1966, um golpe de estado colocou os hutus no poder, e os tutsis foram logo discriminados. Bastaram alguns anos até que se criasse um exército de guerrilha, chamado Frente Patriótica do Ruanda (FPR).

Passemos para o inicio da década de 90 do século XX. Ruanda e Burundi passam por uma transição difícil para a democracia, e em 1993, chegam a um acordo entre um governo hutu e os rebeldes da FPR, instalados no Uganda e que tinham feito uma guerra de guerrilha relativamente bem sucedida, onde, entre muitas coisas, resulta numa força de paz das Nações Unidas, que está em Kigali, a capital ruandesa. O acordo é de difícil implementação, e para piorar as coisas, contavam com o apoio dos Estados Unidos, que no ano anterior, tinham acabado de levar uma tareia na Somália e não queriam saber de África para nada.

Nem todos os hutus estavam a favor. Os mais extremistas queriam fazer algo que os nazis fizeram aos judeus, no verão de 1941. E tinham uma rádio para espalhar o ódio: "Radio Mille Colines", que fazia apelos repetidos ao massacre, chamando aos tutsis de "baratas". E a 6 de abril de 1994, Juvenal Habymariana, o presidente do Ruanda, é morto quando o avião onde seguia caiu, vitima de um rocket disparado por um soldado, que o esperava nos arredores do aeroporto de Kigali. Horas depois, começava o massacre dos tutsis, quase todos mortos à catanada. Nem as igrejas escaparam: numa localidade em particular, Nyarubuye, sete mil tutsis, abrigados dentro de uma igreja católica, foram brutalmente assassinados, com a conveniência dos padres e bispos locais. Hoje em dia, é um memorial, e as suas múmias, esbranquiçadas devido à cal, estão expostas aos visitantes. 

Como disse, o genocídio passou "despercebido" - as noticias falavam disto todos os dias, recordo isto, era adolescente - mas em julho, os massacres pararam. Os que puderam, fugiram para a Tanzânia ou Uganda, os que conseguiram abrigar, como a história do "Hotel Ruanda", a história de um hotel em Kigali e do seu diretor, Paul Rusembagina, deu filme em Hollywood, são parcas excepções. 

E no meio disto tudo, a FPR correu para Kigali e tentou chegar ao poder o mais depressa possível, para parar os massacres. O seu comandante era Paul Kagame. Tudo terminou em julho, não sem antes uma intervenção por parte de tropas francesas na fronteira para o então Zaire. A paz instalou-se, e o país passou por uma espécie de "cura", onde se tentou diluir as diferenças étnicas. O país foi reconstruído, e desde 2000 é governado por Kagame, que só sairá dali depois de morto.

Sim, o Ruanda é uma ditadura. Ele é o homem forte, e toda e qualquer dissidència será combatida, até mesmo no exílio. Estão a ver o senhor Rusembagina, o homem por trás do "Hotel Ruanda"? Ele exilou-se na Bélgica, por ter feito criticas ao governo, e este não perdoou. Um dia, foi de visita a Kigali e o governo o prendeu, condenando-o a uma longa pena de prisão. Portanto, quando falo de "sportwashing", é por causa de coisas destas.   

Eu poderia escrever por aqui muito mais coisas sobre o que sei e li sobre o Ruanda, a Terra dos Gorilas - a paisagem é deslumbrante - e poderia recomendar alguns livros interessantes sobre autores. Tenho um aqui em casa sobre esse tempo - infelizmente, só em inglês - do jornalista irlandês Fergal Keane, chamado "Season of Blood", que fala sobre a sua "road trip" num país em guerra, a par de qualquer coisa escrita por gente como o polaco Rischard Kapuszinski, por exemplo. Ou Scholastique Mukasonga, que escreveu uma autobiografia sobre esse período de tempo, chamado "Inyenzi e as Baratas". Já agora, Inyenzi é isso mesmo: batatas, na língua local.

Podia fechar isto colocando mais uma longa diatribe contra a Formula 1, a FOM e a FIA por permitirem dinheiros de lugares que estão no fundo da tabela em termos de direitos humanos, que são pobres ou muito pobres - apesar do Ruanda querer ser a Singapura de África - e da Formula 1 querer correr no continente africano, e isto estar há muitos, muitos anos, a ser construído, acho engraçado confiarem fortemente, quase cegamente, que as coisas vão acontecer. Uma década de corridas garantidas, sem sabermos quando irá começar, e uma pista que ainda não foi feita. Que confiança! 

Pensava que teriam aprendido com os eventos do Vietname, e agora, com o Médio Oriente a ferro e fogo por estes dias. Já agora, o senhor Kagame tem 69 anos e não faço ideia se está em forma. Se a Formula 1 avançar e ele estiver vivo, poderei pensar em 74 ou 75 anos para o senhor. Bem sei que ficará no poder até à sua morte, e não acredito que a IA vá a uma velocidade suficiente para inventar um comprimido que o fala prolongar a sua vida por mais tempo. O que sei é isto, e vejo-o todos os dias: o que é certo hoje, será incerto amanhã. Literalmente. 

Youtube Rally Testing: O novo teste de Sebastien Loeb com o carro da Rally One

Surgiram imagens nesta terça-feira do projeto da Rally One, de mais um teste com Sebastien Loeb ao volante, na região dos Vosges, no leste de França. 

Apesar destas voltas que está a dar no novo carro de 2027, próprio Loeb já disse que está ali para matar a curiosidade. Logo, qualquer ideia de o vermos no Monte Carlo de 2027 é praticamente nula. Mas mesmo assim, eis as imagens deste teste.  

Formula 1: Confirmado acordo para uma corrida no Ruanda


A FIA anunciou esta terça-feira no Ruanda que chegou a um acordo para a Formula 1 correr no Ruanda a partir de 2030. O acordo terá dez anos de duração, mas a data exata da primeira corrida permanece por confirmar, porque a pista, situada na localidade de Bugusera, a 40 quilómetros de Kigali, ainda não começou a ser construída.

Stefano Domenicali, presidente e diretor executivo da Fórmula 1, classificou o acordo como um marco para o campeonato, sublinhando que o regresso a África pretende assentar numa parceria de longo prazo e numa visão definida para o desenvolvimento local.

"Hoje é um momento histórico para a Fórmula 1. Com a inclusão do Ruanda no calendário a partir da próxima década, o nosso desporto correrá em todos os continentes habitados, aproximando o Campeonato do Mundo, mais do que nunca, dos adeptos de todo o globo.", começou por afirmar. "África sempre fez parte do futuro da Fórmula 1 e, desde o início, estávamos determinados a regressar da forma certa, com o parceiro ideal, um compromisso a longo prazo e uma visão clara para gerar um impacto significativo.", continuou,

"Trata-se de muito mais do que acolher um Grande Prémio. Juntos, podemos criar benefícios económicos e sociais duradouros através do turismo, dos investimentos, do desenvolvimento de competências e do crescimento das empresas locais, garantindo que o impacto positivo deste evento se faz sentir durante gerações. Para os nossos fãs, este é um momento especialmente entusiasmante. África alberga mais de cem milhões de fãs de Fórmula 1, e este número continua a crescer rapidamente."

Do lado da FIA, Mohammed Ben Sulayem afirmou que o regresso da Formula 1 a África e a sua estreia no Ruanda é uma forma de demonstrar um compromisso para trazer a competição a todos os continentes.

"O regresso do Campeonato do Mundo de Fórmula 1 da FIA a África é um momento histórico para o nosso desporto e um passo importante no contínuo crescimento global do desporto automóvel. O Ruanda demonstrou um forte empenho em realizar um evento de classe mundial, e a FIA trabalhará em estreita colaboração com a FOM e os nossos parceiros à medida que este novo circuito for desenvolvido de acordo com os mais elevados padrões internacionais.", afirmou.

Já o presidente do Ruanda, Paul Kagame, afirma que o projeto criará empregos para a região. 

"O dia de hoje pertence a África. Durante mais de três décadas, o principal campeonato de automobilismo do mundo realizou corridas sem a presença deste continente, e isso muda com este acordo", começou por afirmar. "O Ruanda orgulha-se de receber o Grande Prémio de África de Fórmula 1 e de partilhar este momento com mais de 100 milhões de adeptos em toda a África — muitos deles jovens que merecem ver o desporto no seu próprio continente e ver-se representados nele: como engenheiros, técnicos, empreendedores e, um dia, pilotos.", continuou.

"Esta parceria de dez anos é também um investimento no futuro do Ruanda. O circuito em Bugesera, junto ao novo aeroporto internacional, trará emprego, capacitação, turismo e novos negócios para o nosso país e para a nossa região nas próximas décadas, pois o nosso objetivo nunca foi apenas um fim de semana de corridas, mas sim um benefício duradouro para o nosso povo.", concluiu.

A Fórmula 1 afirma que pretende que a nova prova deixe benefícios para além do evento desportivo, nomeadamente através do turismo, do investimento, da formação de profissionais locais e da criação de oportunidades para as comunidades e empresas ruandesas. A organização pretende, assim, associar o regresso ao continente a um projeto de desenvolvimento de longo prazo.

A pista será desenhada pela firma de arquitetos fundada por Alex Wurz e terá cerca de 6100 metros de extensão, com 17 curvas e corrida contra o sentido dos ponteiros do relógio, como em Interlagos. 

Com esta chegada ao Ruanda, a Formula 1 põe fim a uma ausência superior a três décadas. A última prova de Fórmula 1 disputada em território africano tinha sido o Grande Prémio da África do Sul, realizado em Kyalami, em 1993. Desde então, o regresso do campeonato ao continente foi discutido em várias ocasiões, com o circuito sul-africano a surgir repetidamente como candidato principal.

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

As imagens do dia








Faz hoje 40 anos que Gerhard Berger e a Benetton conseguiram as suas primeiras vitórias na Formula 1, ambos no GP do México, no Autódromo Hermanos Rodriguez. Era o regresso ao México depois de 16 anos de ausência, e ele conseguiu esta vitória porque manteve o mesmo jogo de pneus da Pirelli por toda a corrida - uma mistura de moles e duros, algo que hoje em dia não seria permitido.

Contudo, quando fazia a pesquisa para este artigo no Substack - podem ler o artigo a partir deste link - descobri uma novidade que vale este post à parte por aqui. E tem a ver com a Goodyear e a má tarde dos seus pneus. Os pilotos com os compostos americanos fizeram duas paragens durante a corrida, e não era esse o plano, era apenas uma paragem. Tudo ficou baralhado porque na capital mexicana, uma delegação da Goodyear estava ali a assistir a corrida, e deu uns conselhos não solicitados, que seguidos, deram lugar à catástrofe conhecida e explica tudo o que se passou nessa corrida - excepto a má partida de Nigel Mansell, que foi porque ele não engatou a marcha adequada quando parou na grelha nos segundos antes da luz verde. 

Frank Dernie, engenheiro da Williams, explicou anos depois, num grupo do Facebook, o que se passou nessa corrida:

“A Goodyear insistiu em recomendar o composto C. Íamos correr com o B, mas recebemos uma comitiva liderada por Lee Gaug [executivo da marca] a dizer-nos que iríamos deitar o título fora. No final de contas, o B era o pneu certo, como Nelson queria; mas, quando os pneus C começaram a apresentar bolhas — revelando-se claramente uma escolha errada —, o único conjunto de pneus B que ainda tínhamos montado não estava calibrado. Nunca perdoei o Lee!”

E com razão, sabendo nós hoje das consequências dessa corrida para o campeonato: Nelson Piquet acabou por ir às boxes pela segunda vez na volta 44, e com o novo jogo de pneus, era definitivamente o quarto classificado e até Nigel Mansell, que tinha perdido uma volta para o seu companheiro de equipa, recuperou essa volta. Depois, as desistências de Stefan Johansson e de Riccardo Patrese fizeram o resto, colocando Mansell nos pontos e salvando o que foi uma tarde desastrosa para o "brutânico". 

No final, aquelas más classificações impediram a Williams de resolver tudo na Cidade do México, em termos de pilotos - em termos de Construtores, tudo bem, acabaram campeões. Mas as coisas entre os pilotos acabaram por ser adiadas para Adelaide, na Austrália. E os resultados foram aqueles que acabaríamos por saber. E curiosamente, também iria haver pneus envolvidos nisto...

Rumor do Dia: Corridas sauditas adiadas?


A Formula E poderá ver o seu inicio adiado para o ano que vêm por causa da atual situação na Arábia Saudita. Os ataques dos "houthis" iemenitas aos aeroportos de Riad, a capital saudita, e a ameaça de retaliação poderá colocar em perigo a ida da competição elétrica, cujo começo acontecerá no fim de semana de 18 e 19 de dezembro.

Segundo conta esta segunda-feira o portal neerlandês racing365.com, a situação é acompanhada de perto pela organização da categoria elétrica, que deverá voltar a avaliar o cenário na segunda metade de outubro. Uma decisão definitiva sobre a realização dos dois ePrix de Jeddah é esperada no mês que vêm, mais perto dos testes de pré-temporada, marcados para a pista de Jarama. Caso a etapa saudita acabe por não acontecer na data prevista, eles tencionam adiar as provas, em vez de cancelá-las.

Apesar de Jeddah ficar a cerca de 850 quilómetros de Riad, as restrições de deslocamento e a possibilidade de novos ataques no país ampliam as incertezas sobre a realização, quer deste evento, quer de eventos futuros como o Dakar Rally. Neste momento, Reino Unido e Estados Unidos já lançaram recomendações para que os seus cidadãos evitem viajar para a Arábia Saudita. E isso é importante em termos de seguros, que com estes avisos, estão relutantes em cobrir o material de potenciais danos.

Para além disso, tem também razões logísticas, porque a prova seguinte é o ePrix da Cidade do México, a 16 de janeiro de 2027, e isso precisa de ser resolvido antes do final dos testes em Jarama.

Youtube Rally Testing: O teste de Sebastien Loeb no carro do Project One

Um dos pilotos que andou a testar o carro do Project One foi, inesperadamente, o veterano Sebastien Loeb. Aos 52 anos, o francês, nove vezes campeão do mundo, andou no final da semana passada a testar o carro em asfalto nos Vosges franceses, para poder dar as suas impressões sobre o carro. No dia anterior, tinha sido o finlandês Teemu Suninen a fazer um teste com o carro.

Falando depois ao site dirtfish.com, Loeb revelou que a sua decisão de testar se deveu à proximidade do local à sua residência e à curiosidade em relação aos novos carros, e o conhecimento prévio de Lionel Hansen, de ralis anteriores com o Porsche GT3, também foi um fator. 

“Fiz alguns quilómetros com o carro. Estava a correr muito bem, com certeza. Não tem a [mesma] potência do Fiesta [WRC] de [2017] que pilotei no Rallye des Vosges há alguns meses, mas a sensação foi muito boa.”, afirmou.

Quanto a participações no futuro, ele já descartou algum regresso ao WRC, devido ao seu contrato com a Dacia para correr no Dakar. 

Em relação ao Project One, o dossiê para a sua homologação está a ser elaborado e será entregue ao departamento técnico da FIA até ao final deste mês. A equipa deverá anunciar até essa data a estreia competitiva do carro.

domingo, 11 de outubro de 2026

Youtube Motorsport Video: A terceira corrida da Formula 4 em Los Arcos, Navarra

A terceira corrida da Formula 4 espanhola, em Los Arcos, em Navarra, aconteceu na manhã desde domingo e acabou por ser a terceira vitória seguida do neerlandês Kasper Schormans, depois de um duelo com o português Noah Monteiro, numa corrida com algumas atribulações em pista. 

Aqui pode-se ver o video da corrida na íntegra, que aconteceu à hora do almoço.