domingo, 4 de outubro de 2026

WRC 2026 - Rali da Sardenha (Final)


Foi puxado, e foi dramático. E foi semelhante ao que aconteceu a Carlos Sainz Sr. em 1998: a menos de um quilómetro da meta, Oliver Solberg ia a caminho de ser o primeiro filho de campeão do mundo a ser campeão, mas com a meta à vista... saiu de estrada. Isso não o impediu de ganhar o rali da Sardenha, com 57,6 segundos de vantagem sobre Sebastien Ogier, e 1.37,4 sobre Sami Pajari, o terceiro classificado. Contudo, apesar dessa vitória, o piloto sueco não iria conseguir os cinco pontos da vitória na Power Stage. E com isso, o piloto galês Elfyn Evans tornou-se campeão do mundo, certamente para êxtase - e sobretudo, alívio - do piloto da Toyota.

“Acho que a ficha ainda não caiu totalmente”, disse Evans. “Tinha quase a certeza de que aquilo tinha acabado. Não fiz a minha melhor especial; dei o máximo de mim, mas a pilotagem não foi limpa. Também sinto pelo Oliver; ele fez um fim de semana incrível. Lamento que tenha falhado a vitória tão perto do final. Mas temos muita gente a quem agradecer pelo apoio ao longo dos anos, e o Scotty [Martin Scott, o navegador] fez um trabalho incrível.”, disse, entre o espantado e o incrédulo.

Isto porque Evans, na especial anterior, tinha tido um furo e iria perder os pontos de domingo, o que colocaria um ponto á frente de Solberg, e quem ganhasse a Power Stage, iria ser o campeão do mundo. 

E depois de uma especial mediana para o galês, parecia que iria ver, pela sexta vez na sua carreira, outro piloto a ser campeão e ele a ser vice. Mas com o despiste de Solberg, afinal, foi Evans a ser campeão do mundo, aos 37 anos, e 25 depois de Richard Burns, o último campeão britânico.


O último dia do rali da Sardenha tinha pela frente quarto especiais: duas passagens por Osilo-Tergu e Sassari-Argentiera, a segunda passagem a ser a Power Stage.

O dia começou com Solberg ao ataque, ganhando a primeira especial, 7,8 segundos na frente de Sami Pajari, 9,2 sobre Adrien Formnaux, 14 segundos sobre Elfyn Evans e 18,8 sobre Oliver Solberg. Josh McErlean parou por duas vezes na especial, perdendo mais de 25 minutos. 

Thierry Neuville triunfou na segunda especial do dia, 0,9 sobre Takamoto Katsuta e 1,9 sobre Elfyn Evans. Adrien Formaux foi o quarto melhor, a 2,6 e Oliver Solberg o quinto, a 3.9. 

E o sueco estava ao ataque: "Etapa complicada. Primeira vez que faço isso, não é fácil, mas é bem divertido. Parece que está ficando cada vez mais lento, com mais sulcos. Temos que dar o nosso melhor hoje e para o Power Stage espero que não esteja muito sulcado quanto mais para trás formos."

Questionado sobre o dia e as suas chances para o título, ele afirmou: "Eu não sou o estressado, o Elfyn é. Eu só preciso aproveitar."

Sami Pajari ganhou na especial seguinte, 0,2 segundos sobre Sebastien Ogier, 0,4 sobre Oliver Solberg, 5,9 sobre Adrien Formaux e 8,4 sobre Taklamoto Katsuta. Evans perdia tempo por causa de um furo, perdendo dois minutos e sete segundos, e via Solberg a apenas um ponto atrás de si, e a depender do resultado do Power Stage para definir o campeonato. Se o sueco ganhasse, ou ficasse na sua frente, ele era o campeão.

"Só uma curva que podíamos ver chegando, uma curva muito rápida com pedras. Reduzi a velocidade e passei o mais limpo possível. Você sempre pode contar com essas", disse o galês, no final dessa especial.

E chegou a Power Stage. Neuville foi o mais veloz, 3,3 segundos na frente de Sami Pajari, e Elfyn Evans tinha apenas conseguido o terceiro melhor tempo, 5,6 segundos melhor que o belga da Hyundai.

"Tenho quase a certeza de que não será suficiente. Tenho quase a certeza de que forçamos demasiado. Não estou a desistir, mas estou a ser sincero. Parece que voltamos à mesma situação.", dizia Evans, algo desconsolado e à espera que Solberg acabasse com o trabalho. 


E as coisas pareciam ser favoráveis a Solberg, pois ia mais rápido que Evans, mas a duas curvas do controlo final, onde a vitória no rali e o título mundial aguardavam, a tragédia em câmara lenta aconteceu. Uma fração de segundo, uma derrapagem fatídica, e o Toyota de Solberg saiu em frente, num momento que congelou o tempo e o coração dos espetadores. O prejuízo foi mínimo em termos de danos, mas colossal em segundos perdidos. E o título, que parecia ir a caminho da Suécia, parou no País de Gales. 

Depois dos três primeiros, quarto foi Adrien Formaux, no seu Hyundai, a 2.38,6, seguido pelo carro de Elfyn Evans, distante dos primeiros - a 4.48,6 - e do outro Toyota de Takamoto Katsuta, a 6.02,4. Jon Armstrong foi sétimo, no seu Ford Puma Rally1, a 7.32,2, na frente de Roope Korhonen, oitavo, e o melhor dos Rally2, a 12.10,4, e a fechar o "top ten", ficou o Skoda Fabia RS Rally2 de Robert Virves, a 12.11,1, e o carro de Gus Greensmith, a 13.02.2.

E assim acabou aquele que foi o último rali dos carros de Rally1. Em 2027, novos bólidos estarão presentes, e alguns preparadores farão a sua estreia na classe principal do WRC. 

Formula 1 2026 - Ronda 16, Sepang (Corrida)


Muitos estão a encarar esta corrida, neste circuito, como o regresso de um bom amigo. Quase uma década depois da última vez, a Formula 1 está em Sepang para... o GP do Bahrein. Sim, do Bahrein, porque a Malásia não regressou ao calendário, apenas emprestou a pista porque no seu país, há uns drones a voar onde não devem e causa prejuízos. Eles dão a isso o nome de "guerra" e estamos no século XXI, logo, as coisas são diferentes. 

Mas seja em Sepang, na Malásia, a fazer de vez a Shakir, no Bahrein, a Formula 1 encara o mesmo problema de frente: o calor. E está muito calor nesta parte do mundo, isso não se pode escapar. Tanto que pela hora da corrida, para além do calor... chove! Bastante.

Claro, pensamos se haverá os pneus azuis, os de chuva, ou se é algo que só existe no país dos unicórnios. Mas à medida que se aproxima da hora da corrida, tudo indica que... a partida será adiada, todos andariam atrás do Safety Car.


E ao ver a banda barenita a tocar o hino debaixo de chuva, não deixo de pensar no surreal da situação.

Chegada a hora, como seria de esperar, a partida foi adiada, porque a água caía a potes, e ficou assim por mais de meia hora, até que a chuva passasse. Claro, na bancada principal, os espectadores, agarrando as bandeiras barenitas - isto é um pouco irreal, não é? - só poderiam ficar felizes porque neste momento, eles estavam no centro das atenções. Eles, e o Mercedes vermelho que faz de Medical Car, que faz uns "powerslides" só para o espetáculo. 

Demorou cerca de 40 minutos até que a chuva diminuísse e os carros começassem a correr atrás do Safety Car, todos a largarem com intermédios - os azuis, de chuva total são de showroom... - e quando começaram a andar devagar... houve gente que saiu da pista. O primeiro deles foi Isack Hadjar, que foi para a gravilha, e logo a seguir, Lewis Hamilton está parado na grelha. Parecia que o caminho para o caos é bem mais fácil de acontecer quando eles andam a uma velocidade muito baixa... resultado? Bandeira vermelha.

As coisas ficaram assim na meia hora seguinte, e quando o relógio já passava das quatro e meia da tarde perto de Kuala Lumpur, os carros pararam na grelha, prontos para correr. E como a pista secou tanto, havia pilotos que ousavam: Leclerc e Hamilton partiam com moles, bem como Pierre Gasly e os pilotos da Cadillac e Liam Lawson, enquanto Norris e Pastri com médios. Mas logo na volta de aquecimento, Gasly saiu de pista, ao mesmo tempo que Perez foi às boxes para colocar intermédios. Ao mesmo tempo, Hamilton falava nas boxes que a pista ainda estava demasiado escorregadia. Iria ser uma corrida bem difícil.

Quando a grelha parou, os pilotos da McLaren foram às boxes para colocar intermédios, seguido por Stroll e Hulkenberg, todos que tinham partido com pneus slicks, e tinham visto que era demasiado cedo para isso. E com isso, perdiam os seus lugares na grelha, partindo das boxes.


No momento em que as luzes se apagaram, Kimi Antonelli foi para a frente, seguido por George Russell e Max Verstappen. Liam Lawson deu "o pulo do gato" e ia para quarto, em contraste com aqueles que tinham ainda os pneus slicks. Hamiton, por exemplo, perdia 23 segundos só na primeira volta. 

Max tentava apanhar os Mercedes nas voltas seguintes, enquanto os carros com slicks continuavam a perder segundos preciosos. Lando Norris, por exemplo, perdia oito segundos na volta três, mostrando que ainda era prematuro andar com eles. E enquanto isso acontecia, o piloto da Red Bull tentava apanhar e passar o segundo piloto da Mercedes, na volta sete, para ser segundo classificado. Por esta altura, por exemplo, a diferença entre a melhor volta de Sérgio Pérez, no Cadillac e com intermédios, e o de Lando Norris, com slicks, era de... cinco segundos.

Na volta 9, Max já estava na traseira de Antonelli e parecia que iria voltar ao comando, mas não conseguia. Mas logo a seguir, Valtteri Bottas sai da pista, e o Safety Car entrava em ação, com boa parte do pelotão a ir às boxes, primeiro os Mercedes, depois, o resto do pelotão. Todos se livraram dos intermédios, e alguns até colocaram duros, como os Racing Bulls de Liam Lawson e Arvid Lindblad. 

No regresso à corrida, Max passou Antonelli na primeira curva, e poucas curvas depois, Russell conseguiu também passar o seu companheiro de equipa, relegando o italiano para o terceiro lugar.  Com o passar das voltas, o piloto da Red Bull começava a afastar-se, enquanto as condições para que os dispositivos para facilitar as ultrapassagens já poderiam ser ativadas porque as condições eram as ideais.

Nas voltas seguintes, Max não se afastava muito, enquanto os Mercedes batiam-se um contra o outro pelo segundo lugar, e um pouco atrás, Lewis Hamilton recuperava lugares atrás de lugares, sendo sexto na volta 20, e quinto duas voltas depois, passando os carros de Esteban Ocon e de Liam Lawson, ao mesmo tempo em que Antonelli atacava Russell para ele ser segundo e começar a ir atrás de Max, que parecia estar cada vez mais à vontade.

Tudo isto ao mesmo tempo que, aparentemente, poderia haver chuva dali a bocado. 

Na volta 32, Hadjar ia às boxes para trocar de pneus, cedendo o quarto posto para Lewis Hamilton, mas na realidade, estava a abrir uma janela de troca de pneus, porque Hamilton e Alonso também pararam para a troca de pneus, colocando médios. Na volta seguinte, Russell e Hulkenberg também foram trocar de pneus, e na volta 34, os primeiros: Max e Antonelli primeiro, Piastri logo depois. Todos regressaram sem problemas.

A menos de 20 voltas do final, o tempo surgiu: menos de uma hora de luz na pista. Iria dar tempo, se não chovesse, mas tudo indicava que isso não iria acontecer. Na frente, Max ficava cada vez mais à vontade, mais de onze segundos de vantagem sobre Kimi Antonelli, e parecia que os três primeiros já estavam definidos. Atrás, quem chegava aos pontos era, surpreendentemente... Fernando Alonso. Mesmo com um motor Honda que, em condições de piso seco, era dois segudos mais lento que o resto do pelotão, a sua experiência lhe dava condições em que conseguia ser sete a oito décimos mais rápido que, por exemplo, Arvid Lindblad. 

Contudo, na volta 44, Alex Albon para na berma e o Virtual Safety Car era ativado, com Max a ir às boxes, com Antonelli a ficar na pista e assim, era o líder. Lindblad, Hulkenberg, Stroll, também iam às boxes, todos para colocarem pneus moles. Contudo, com a demora das operações, o Safety Car entrou para agrupar todos. Piastri, Norris, Lawson, Alonso, Hulkenberg e Perez iam novamente às boxes, para nova troca de pneus - já se perdeu um pouco a quantidade de pneus trocados... - e o tempo escoava: faltava meia hora para o final, e nove voltas para a meta. 


Mas a oito voltas do fim, mais sarilhos: George Russell pára o seu carro na curva 1, e desiste. Hadjar era agora terceiro, e Norris saía da pista, mas voltou logo depois. Contudo, o Safety Car só voltou às boxes a cinco voltas do fim, e a ação era grande na pista, atrás de Max: Antonelli pressionava para o apanhar, Hadjar era assediado pelo resto do pelotão. Hamilton apanhou-o na volta 52, para ser terceiro, e o francês perdia mais um lugar para o outro Ferrari de Leclerc.

Na meta, Max ganhava pela primeira vez na temporada, mas o grande vencedor era Antonelli, que sendo segundo, conseguia mais 18 pontos sobre Russell, enquanto Hamilton colecionava mais um pódio para a Ferrari. Eram 18:20 da tarde em Kuala Lumpur, mais de três horas e 20 minutos depois da hora marcada para o inicio da corrida. Piastri era sexto, Alonso conseguia o seu melhor resultado do ano no seu Aston Martin, na frente de Lando Norris, e Arvid Lindblad fechava os pontos. 


E por fim, a corrida acabou. Foi um dia difícil, era verdade, mas dali a sete dias, em Singapura, haverá mais. 

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

CPR 2026 - Rali Casinos do Algarve (Dia 1)


Pedro Almeida lidera o rali do Algarve. O piloto da Toyota tem uma vantagem de 2,3 segundos sobre o Skoda Fabia RS Rally2 de Armindo Araújo, seis segundos sobre o Toyota GR Yaris Rally2 de Ruben Rodrigues e 9,3 sobre outro Toyota GR Yaris Rally2 de Rafael Rêgo.  

O dia começou com as primeiras passagens por Lagos e Budens. Na primeira especial, Pedro Almeida foi o melhor, 3,4 segundos sobre o carro de Luis Cidade, 3,7 sobre Armindo Araújo e 3,9 sobre Ruben Rodrigues. Na segunda especial, Armindo foi o melhor, 1,4 segundos sobre Pedro Almeida, 3,5 sobre Ruben Rodrigues, 6,1 sobre Rafael Rêgo e 6,5 sobre Luis Miguel Rêgo.

Depois dos cinco primeiros, sexto é Luis Miguel Rêgo, a 10,2 segundos, seguido por Ricardo Teodósio, a 14,9. Oitavo era o Skoda Fabia RS Rally2 de Diogo Salvi, a 18,2. E a fechar o "top ten" estavam o Lancia Ypsilon Rally2 de José Pedro Fontes, a 12,2, e o Skoda Fabia RS Rally2 de Ernesto Cunha, a 23,2. 

O rali Casinos do Algarve continua amanhã com as restantes seis especiais.

WRC 2026 - Rali da Sardenha (Dia 1)


Está a ser um duelo intenso pela liderança... e entre os pilotos da Hyundai. A diferença entre Thierry Neuville e Adrien Formaux é de meros... 0,4 segundos, com o terceiro a ser os Toyotas de sueco Oliver Solberg, a 12,3, e o quarto a ser outro Toyota, o de Sebastien Ogier, que está a 37,4 segundos. 

Com sete especiais pela frente nesta sexta-feira, passagens duplas por Tula-Erula, Su Filigosu-Lerno e Monti di Ala'-Sa Conchedda, o dia começou... na véspera, quando aconteceu a especial na Ittiri Arena Show, onde Oliver Solberg foi o melhor, 0,8 segundos sobre Sebastien Ogier, 1,1 sobre Elfyn Evans e 1,5 sobre Sami Pajari.

Nesta sexta-feira, a manhã foi passada com Formaux a ser o melhor na primeira especial do dia, 1,5 segundos na frente de Ogier, 2,3 sobre Pajari e 4,1 sobre Neuville. Solberg sofreu um furo lento e acabou a perder 13,5 segundos, enquanto Leo Rossel aterrou mal depois de um salto. Neuville ganhou na especial seguinte, 0,9 segundos sobre Oliver Solberg, 1,9 sobre Adrien Formaux e 5,3 sobre Sami Pajari.

Dani Sordo sofreu um furo, que o fez perder quatro minutos, caindo bastante na geral. Sebastien Ogier também furou, mas perdeu menos, 26,2 segundos.

"Foi uma etapa limpa, mas a primeira etapa que fizemos reconhecimento e a mais difícil. As notas de ritmo estavam um pouco lentas e assim que percebi que era consistente pude aumentar a velocidade. Quando fica mais com sulcos e com sulcos mais consistentes, é mais confortável. Tentando ficar o mais limpo possível nas linhas.", disse Neuville, após ganhar a especial.

Ogier, com os furos, não quis falar muito. "Sem comentários. É uma pena que o campeonato mundial tenha que lidar com coisas assim.", comentou.


No final da manhã, Solberg foi o melhor, 0,8 segundos sobre Ogier, 1,4 sobre Formaux e 4.5 sobre Neuville. Takamoto (Toyota), Armstrong e Sesks (Ford) sofreram furos e atrasaram-se, perdendo mais de dois minutos cada um, e caindo entre seis (Armstrong) e oito lugares (Takamoto e Sesks).

A parte da tarde começou com as segundas passagens pelas especiais da manhã, com Formaux a ser o melhor, 3,6 segundos sobre Thierry Neuville, 4,5 segundos sobre Dani Sordo e 5,9 sobre Sebastien Ogier. Josh McErlean tinha problemas de travões por causa de uma fuga, mas só perdia 17,5 segundos. A seguir, Thierry Neuville ganhava na segunda passagem por Su Filigosu-Lerno, conseguindo uma vantagem de 2,2 sobre Oliver Solberg, 3,5 sobre Adrien Formaux e 10,5 sobre Sebastien Ogier.

Takamoto Katsuta sofria novo furo, no lado direito do seu carro, e atrasava-se em 18,9 segundos.


No final do dia, Thierry Neuville voltava a ser o melhor, 0,7 segundos sobre Oliver Solberg, 5,1 sobre Adrien Formaux, 6,6 sobre Sebastien Ogier. Teemu Suninen sofreu um furo e Dani Sordo capotou devido a um acidente. 

Depois dos quatro primeiros, Sami Pajari é o quinto, a 40,2 segundos, na frente de Elfyn Evans, a uns distantes 1.08,2. Sétimo é Josh McErlean, a 1.21,1, no seu Ford, seguido pelo seu companheiro de equipa, Jon Armstrong, a 3.25,6. Nono é Takamoto Katsuta, no seu Toyota, a 3.27,2, e o Ford de Martins Sesks, a 3.39,9.

O rali da Sardenha continua amanhã, com a realização de mais seis especiais. 

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

CPR (II): Teodósio quer lutar pelos lugares da frente


Nas vésperas do Rali Casinos do Algarve, a dupla Ricardo Teodósio e José Teixeira estão preparados para enfrentar mais um importante desafio da temporada, ainda por cima, o seu rali caseiro. A dupla que pilota o Citroen C3 Rally2 está a chegar com mais quilómetros e maior conhecimento do carro, depois de uma temporada marcada por uma evolução constante e por uma adaptação cada vez maior à máquina francesa.

Contudo, Teodósio quer aproveitar o seu conhecimento do rali e do carro para poder chegar aos primeiros lugares, lutar pela vitória e algo mais:

“É sempre muito especial correr no Algarve. É a nossa casa, vamos encontrar muitos amigos e muitas pessoas que nos apoiam ao longo de toda a época, por isso queremos fazer um bom rali e dar-lhes motivos para sorrir. Estamos cada vez mais à vontade com o Citroën C3 Rally2 e queremos entrar fortes, manter um bom ritmo e lutar por um lugar no pódio. Sabemos que será uma prova exigente e com adversários muito fortes, mas estamos confiantes”, afirma Ricardo Teodósio.

Também José Teixeira encara a prova com motivação redobrada: “Chegamos ao Rallye Casinos do Algarve com vontade de fazer um bom resultado. Temos vindo a evoluir com o carro e sentimos que estamos num momento positivo. É uma prova muito especial para nós e queremos aproveitar esse apoio do público algarvio para dar o nosso melhor do primeiro ao último quilómetro.”, declarou José Teixeira.

O Rali Casinos do Algarve, prova organizada pelo Clube Automóvel do Algarve, terá 68 inscritos, 22 dos quais a andarem em carros da classe Rally2, contará também para os Campeonatos Promo e Sul de ralis, e terá oito especiais, percorridos ao longo de 119,47 quilómetros de troços cronometrados.

CPR: Rodrigues não acredita no título no Algarve


Nas vésperas do rali Casinos do Algarve, o açoriano Ruben Rodrigues, atual líder do campeonato, não acredita que tudo se decida neste fim de semana. Com uma vantagem superior a trinta pontos na classificação geral (33), quando restam apenas três rondas para o final da temporada, a dupla Rui Rodrigues e Rui Raimundo foca-se neste rali apenas na gestão da pressão e no desempenho na estrada, pois perspetivam um rali de alta exigência estratégica.

“Ainda há um caminho a percorrer e estamos a preparar o rali como se fosse o primeiro. Nada se vai decidir no Algarve e estamos focados e determinados em obter um excelente resultado, sabendo da importância da nossa posição na estrada. Estamos confiantes”, afirmou Rúben Rodrigues.

O rali Casinos do Algarve, prova organizada pelo Clube Automóvel do Algarve, terá 68 inscritos, 22 dos quais a andarem em carros da classe Rally2, contará também para os Campeonatos Promo e Sul de ralis, e terá oito especiais, percorridos ao longo de 119,47 quilómetros de troços cronometrados.

WRC: Ford regressa em 2028


A Ford anunciou hoje na Sardenha que regressará de modo oficial ao WRC em 2028, com um chassis feito de acordo com as regulamentações do WRC27. O chassis será feito pela preparadora M-Sport, e continuará uma longa parceria com mais de três décadas. Com isso, ela se torna a segunda marca, depois da Toyota, que estará presente nos ralis.

Numa conferência de imprensa, ambas as partes revelaram o acordo que permite à marca norte-americana voltar envolver-se nos ralis a um nível similar ao que teve no passado como uma equipa oficial. E claro, esta entrada no WRC está incluída no projeto de expansão da marca da oval no automobilismo, depois do regresso à Formula 1 em 2026, com o acordo de fornecimento de motores à Red Bull - que é pouco mais do que um "badging", porque boa parte do trabalho é feito pela Red Bull Powertrains - e em 2027, será celebrado com o regresso da marca à Endurance, mais concretamente à classe Hypercar.

“O rali é o cenário onde o carácter da Ford enfrenta o seu maior desafio, e onde gerações de fãs se reúnem para partilhar a emoção de ver um automóvel superar o impossível. Queremos que a nossa próxima geração de veículos europeus transporte esse mesmo espírito autêntico e ousado: automóveis ágeis, que transmitam confiança e proporcionem uma experiência de estrada gratificante que as pessoas percorrem no dia-a-dia.”, disse Jim Baumbick, Presidente da Ford Europa.

Do lado da FIA e da organizadora do Mundial, ambas as partes estão satisfeitas com este acordo, que permite ter uma garagem cada vez mais alargada em termos de entradas, já que, para além da Toyota e da Ford, também há dois construtores independentes, a belga Project One e a espanhola WRT Rally1 Spain, e todos tem como objetivo fazer carros que possam ser vendidos aos pilotos com um teto de 345 mil euros por exemplar.

“O anúncio de hoje representa mais um momento significativo para o Campeonato do Mundo de Ralis da FIA. Com um novo promotor já a trabalhar, três fabricantes empenhados no novo regulamento técnico e, agora, a Ford a confirmar o seu regresso como equipa oficial de fábrica, há um verdadeiro impulso para a próxima era do campeonato.", começou por dizer Mohamed Ben Sulayem, o presidente da FIA. 

“A Ford é um dos grandes nomes do desporto automóvel, e o seu compromisso com os Campeonatos do Mundo da FIA continua a crescer. O fabricante regressou à Fórmula 1 este ano, compete ao mais alto nível do Campeonato do Mundo de Ralis-Raid da FIA, regressará à categoria principal do Campeonato do Mundo de Resistência da FIA em 2027 e, a partir de 2028, voltará a competir como equipa oficial de fábrica no WRC. Isto garantirá à Ford a presença em quatro Campeonatos do Mundo da FIA e demonstra a importância que a empresa atribui ao desporto automóvel como plataforma global — e laboratório — para a sua marca, produtos e tecnologias.", continuou.

“Tive o privilégio de pilotar para a Ford durante a minha própria carreira; por isso, dar-lhes as boas-vindas é um momento particularmente especial para mim. O WRC continua a crescer, e este compromisso a longo prazo vindo de um fabricante tão icónico é uma prova da força deste campeonato.”, concluiu.

A Ford é uma das marcas históricas no Mundial de Rali, tendo tido presença com o seu próprio departamento de competição até finai de 1995. A partir de 1996 a M-Sport assumiu esse papel com o apoio da marca, mas esse apoio foi-se reduzindo até um nível residual que tem atualmente.

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Noticias: FIA e ACO chegam a acordo para novo contrato


A FIA e a ACO, o Automobile Club de L'Ouest, chegaram esta quarta-feira a um acordo referente à renovação do contrato em relação ao Mundial de Endurance. O contrato atual, que acaba no final de 2027, será estendido por mais uma década, até ao final de 2037, com a FIA a ter maior poder em termos de financiamento e distribuição de dinheiros, enquanto todos os processos regulamentares serão supervisionados pelos grupos de trabalho da FIA e pela Comissão de Endurance da FIA, ficando sujeitos à aprovação final do Conselho Mundial do Desporto Automóvel da FIA. 

Para além disso, o processo de homologação será também simplificado, com a FIA e o ACO a assumirem a responsabilidade pela homologação de todos os carros que competem na categoria Hypercar.

A parceria permitirá também criar um enquadramento técnico mais unificado para os Hypercars de topo que competem no FIA WEC e no IMSA, na América do Norte, a introduzir a partir de 2030. Este novo enquadramento deverá proporcionar maior eficiência de custos aos fabricantes que participam em campeonatos e eventos de resistência em todo o mundo, aumentando o potencial de participação e reforçando o espetáculo para os adeptos do desporto automóvel.

No comunicado oficial, o presidente da FIA, Mohamed Ben Sulayem, afirmou:

"Este não é apenas um acordo; é um passo vital para o desporto automóvel que garantirá o futuro do Campeonato Mundial de Resistência da FIA nos próximos anos. Este é um acordo feito para o futuro — um acordo do século — que fortalece a colaboração entre a FIA e o ACO, uma relação que remonta a mais de 120 anos, e prepara o campeonato para uma década de crescimento recorde, trazendo benefícios reais para os fãs, pilotos, equipas e fabricantes."

“Foi uma honra participar na colaboração que ajudou a inaugurar esta era dourada das corridas de resistência. Estou ansioso por continuar o nosso trabalho ao lado do presidente Pierre Fillon e da sua equipa, aproveitando este impulso para construir um futuro ainda mais sólido.”, concluiu.

Do lado da ACO, Pierre Fillon, o seu presidente, começou por afirmar: “Estamos muito satisfeitos por ver a extensão do acordo entre a FIA e o ACO, reforçando a relação sólida e duradoura que tem sido o pilar do Campeonato do Mundo de Resistência da FIA desde a sua criação, em 2012. Esta parceria baseia-se na confiança, na ambição partilhada e no compromisso comum com o desenvolvimento das corridas de resistência."

“Juntas, a FIA e o ACO criaram uma base sólida para o sucesso contínuo e o crescimento internacional do campeonato, e estamos ansiosos por escrever o próximo capítulo desta notável colaboração. Por fim, gostaria de agradecer ao presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, pela excelente relação que construímos.”, concluiu.


Desde a sua criação, em 2012, o Mundial de Endurance, ou o WEC, estabeleceu-se como referência mundial nas corridas de resistência em circuito. Após a introdução dos regulamentos Hypercar, em 2021, o interesse pelo campeonato, tanto entre os adeptos do desporto automóvel como no setor automóvel, aumentou significativamente.

A assistência nos circuitos do FIA WEC cresceu oito por cento só em 2026, com milhões de fãs a acompanharem o campeonato em todo o mundo. A base de adeptos está também a evoluir. Este ano, 44 por cento dos espectadores têm 34 anos ou menos, enquanto 40 por cento estão a assistir pela primeira vez a um evento do WEC. O campeonato mantém a fidelidade dos seus adeptos tradicionais, ao mesmo tempo que conquista uma nova geração de seguidores das corridas de resistência.

Na temporada de 2026, oito dos principais fabricantes automóveis mundiais competem atualmente na categoria Hypercar, a principal do FIA WEC. Com a introdução da classe LMGT3 em 2024, o campeonato conta agora com nada menos do que 14 marcas na grelha. Dois outros gigantes da indústria automóvel, a Ford e a McLaren, irão juntar-se à categoria Hypercar na temporada de 2027.

Noticias: Ocon sai da Haas


Esteban Ocon e a Haas vão em caminhos diferentes no final da temporada. O anuncio foi feito esta quarta-feira, e de uma certa forma, era o desfecho esperado depois de semanas de especulações em relação ao francês, cujos desempenhos pela equipa não corresponderam às expectativas iniciais. Em 2026, apenas conseguiu ficar nos pontos em três ocasiões, sendo o melhor um oitavo lugar na corrida de Baku.

Em contraste, Ollie Bearman, seu companheiro de equipa, tem 20 pontos, e um quinto lugar na China como melhor resultado.

Numa mensagem escrita, o francês oficializou a saída da equipa: 

“O meu tempo na Haas F1 Team vai chegar ao fim no final da temporada de 2026”, começou por declarar. “Deixo este projeto de cabeça erguida e orgulhoso das minhas prestações em circunstâncias que nem sempre foram as mais fáceis, por várias razões e factores fora do meu controlo. O meu foco imediato é o próximo fim-de-semana de corrida. Vou continuar a trabalhar arduamente com a equipa, maximizar todas as oportunidades e continuar a extrair cada pedaço de performance do carro. Ainda há muitas corridas por disputar esta época e, como sempre, vou dar tudo ao volante, por mim e pela equipa. Continuo motivado. Continuo com fome. Isto não é, de forma alguma, o fim da minha carreira na Fórmula 1”, concluiu.

Do lado da Haas, Ayao Komatsu publicou um comunicado de agradecimento, a sublinhar o contributo de Ocon para equipa, nas últimas duas temporadas: 

“Gostaria de agradecer ao Esteban por tudo o que trouxe à equipa desde que se juntou a nós em 2025. O seu profissionalismo e compromisso têm sido valiosos à medida que continuamos a crescer como organização. Este ano, juntos, enfrentámos o desafio de uma grande mudança regulamentar, em que a experiência de condução e os ‘inputs’ do Esteban foram significativos enquanto trabalhámos arduamente para desenvolver o VF 26 ao longo da temporada. Ainda há muita corrida pela frente e o nosso foco continua a ser trabalhar em conjunto para maximizar todas as oportunidades até à última prova do ano”, declarou.

Ocon, de 30 anos, chegou à Haas vindo da Alpine-Renault, onde esteve por cinco temporadas e alcançou a sua unica vitória na sua carreira, em 2021, no GP da Hungria. Nas duas temporadas que esteve na equipa, o seu melhor resultado foi um quinto lugar na edição de 2025 do GP da China. Ao todo, nestas duas temporadas, conseguiu 45 pontos.

Em relação ao seu futuro, o que se fala é que ele poderá ter tomado a decisão de rumar para a Toyota, na classe Hypercar, enquanto o seu lugar poderá ser preenchido pelo brasileiro Rafael Câmara, que é neste momento um dos candidatos ao título de Formula 2, e é o atual campeão de Formula 3. 

terça-feira, 29 de setembro de 2026

A imagem do dia






Há 35 anos, Nigel Mansell consegue recuperar alguma coisa, mas não muito. E estreiam uma pista no calendário. 

Tal como agora, em 2026, com o Madring, em 1991, a Espanha construía uma pista para receber especificamente a Formula 1. Em Montmeló, não muito longe de Barcelona, uma pista foi construída em menos de um ano para ver se a categoria máxima do automobilismo se consolidava ou não. E também era uma maneira de uma região do país, a Catalunha, se reencontrava.

Quem conhece a história do automobilismo em Espanha sabe que desde o seu inicio, aquela região ficou muito ligado aos automóveis. Foi ali que nasceu a Hispano-Suiza, foi ali que nasceu Wilfredo Ricart, que esteve por trás de projetos na Alfa Romeo e um dos criadores da Pégaso, a marca de super-carros espanhola do inicio dos anos 50, e sabe que foi em Barcelona que nasceu a SEAT, Sociedad Española de Autmomoviles de Turismo, mas sobretudo, é na Catalunha que surgiram pistas em lugares como Sitges, a primeira oval na Europa Continental, em 1923, e depois, os circuitos urbanos de Pedralbes, entre 1947 e 54, e depois, o de Montjuich, que era corrido à volta do parque que acolhia o Estádi Olimpic, que em 1992, recebeu os Jogos Olímpicos. 

Ali, o GP de Espanha aconteceu em anos ímpares, entre 1969 e 1975.

Alguns anos antes dos Jogos, em outubro de 1986, que o governo da Catalunha se decidiu pela construção de Montmeló, e quase três anos depois, a 24 de fevereiro de 1989, se constituía o Consorcio del Circuito de Cataluña, constituído em partes iguais pela Generalitat de Catalunya, o Ajuntament (Câmara Municipal) de Montmeló e o Real Automóvil Club de Cataluña, e assinaram um convenio com o Consejo Superior de Deportes (CSD). Nesse mesmo dia, era colocada a primeira pedra do Circuito de Catalunya. 

Por esta altura era público que poucos acorriam à pista de Jerez, na Andaluzia, para ver a Formula 1. Outra pista feita para acolher a competição, em 1986, só tinha entre dez mil a 15 mil espectadores, em média, enquanto para a MotoGP, acolhia em média cerca de 120 mil espectadores. Depois da edição de 1990, marcada pelo pavoroso acidente de Martin Donnelly durante os treinos de sexta-feira, os projetos de construção de uma pista aceleraram, com o objetivo de ter ali o GP de Espanha de 1991, marcado para o dia 29 de setembro, uma semana depois do GP de Portugal, no Estoril.

A pista acabou por ser inaugurada a 10 de setembro, e acolhia nesse dia a sua primeira prova, a contar para o Campeonato de Espanha de Turismos, ganho por Luis Perez-Sala. No final do mês, chegavam os pilotos de Formula 1, para um público estimado em 50 mil pessoas. A pista, que tinha alguma inspiração no Autódromo do Estoril, foi desenhada pelo engenheiro e arquiteto catalão Jaume Nogué, com a colaboração do seu estúdio e o aconselhamento de figuras do desporto motorizado como o motociclista Sito Pons.

Quando a Formula 1 lá chegou, continuava o duelo entre Ayrton Senna e Nigel Mansell, e apesar do brasileiro ter uma vantagem quase confirmativa do seu terceiro título mundial, especialmente depois de Nigel Mansell ter perdido a sua roda traseira direita durante a paragem nas boxes, e ter sido desclassificado por ter regressado à pista. A três corridas do fim, Senna tinha uma vantagem de 24 pontos, com 30 em jogo.

Com algumas mudanças no pelotão - Pedro Matos Chaves foi embora de vez da Coloni, alegando "salários em atraso", e a AGS a trocar de pilotos com a Fondmetal - Olivier Grouillard por Gabriele Tarquini - os melhores continuaram a ser os Brabham de Martin Brundle e Mark Blundell, seguido pelo Footwork de Michele Alboreto e o Fondmetal de Tarquini. Os AGS ficaram de fora, e com isso, a equipa abandonava de vez a Formula 1, cinco anos depois de se ter estreado. 

Na qualificação, aconteciam novidades: Johnny Herbert regressava à Lotus, e a Jordan, depois de duas corridas com Roberto Moreno ao leme, iriam dar uma chance a um jovem italiano, vice-campeão da Formula 3000 nesse ano, chamado Alessando Zanardi. 

E no final dessas qualificações, uma surpresa: Gerhard Berger conseguiu ser melhor que a concorrência, batendo Nigel Mansell por 219 centésimos, com Ayrton Senna a ser terceiro, a 313 centésimos. Riccardo Patrese era quarto, na frente do Benetton de Michael Schumacher, dos Ferrari de Alain Prost e Jean Alesi, do Leyton House de Ivan Capelli, do Dallara de Emmanuele Pirro e do segundo Benetton de Nelson Piquet.

O dia da corrida começou com chuva, mas perto da hora da corrida, a pista começava a secar. Ainda húmida, os pilotos tinham de fazer uma escolha: ou pneus de chuva, esperando para uma troca de pneus logo nas primeiras voltas, e perdendo tempo, ou apostavam nos pneus secos e aguentassem até a pista ficar mais seca, para poderem ir mais rápido.

Na partida, Berger foi para a frente, mas Senna desafiou o primeiro posto, porque Mansell vinha atrás, para o passar. Mas no final da primeira volta, quem surpreendia o britânico era Michael Schumacher, que o passava e era terceiro classificado. Berger afastava-se nas voltas seguintes, com o piso ainda escorregadio, com Mansell a tentar passar Schumacher para ficar com o terceiro lugar. Mansell conseguiu passar e foi atrás de Senna para o passar, o que conseguiu na  volta, com ambos a correrem lado a lado na reta da meta, com ambos os carros a estarem a centímetros, sem se tocarem, antes do piloto da Williams ficar com o segundo posto.

Depois de o passar, foi atrás de Berger, ao mesmo tempo que Alain Prost ia às boxes para colocar pneus para seco no seu Ferrari. Na volta 9, Berger foi às boxes trocar de pneus, mas as coisas correram mal e Mansell ficou com o comando da corrida. Mas no final da décima volta, ia às boxes para trocar de pneus, ao mesmo tempo que Senna. O brasileiro da McLaren saiu-se melhor, e ficou na frente do britânico da Williams, no regresso à pista. 

No meio disto, Berger voltava ao comando, mas nessa altura, a chuva voltava à pista e os carros começavam a ter dificuldades a ficarem na pista, e Senna sofreu um pião, perdendo segundos preciosos em relação à concorrência. Por causa disso, caiu para quinto, com Schumacher em terceiro, depois de ter passado Prost.

Na frente, Berger via Mansell aproximar-se e na volta 20, passou-o para ficar com a liderança. Com isso, ele começou a afastar-se, enquanto o austríaco via que Schumacher se aproximava mais e mais dele, querendo o segundo lugar. A partir do meio da corrida, estabelecia-se um duelo entre os dois, mas quando Schumacher o tentou passar, despistou-se, saiu de pista e caiu para sexto. 

A corrida de Berger acabaria na volta 33, quando a parte elétronica do seu McLaren avariou-se, deixando Patrese em segundo, mas depois de ir ás boxes, o segundo lugar ficou nas mãos de Prost, e ele se manteve no lugar até à meta. 

No final, Mansell acabaria por vencer, com 11,6 segundos na frente de Alain Prost, enquanto Patrese completava o pódio, a 15,9 segundos. Jean Alesi foi o quarto, no segundo Ferrari, a 22,7, e muito distantes, a mais de um minuto, estavam Ayrton Senna e Michael Schumacher. 

Mansell recuperava pontos, mas Senna tinha tudo sob controlo, pois tinha 16 pontos de vantagem, com 20 pontos em jogo. O britânico tinha de fazer tudo bem, e esperar que Senna desistisse em alguma das corridas seguintes: Japão e Austrália. E a próxima corrida só aconteceria dali a três semanas, a 20 de outubro. 

WRC: Rali de Portugal sai do calendário para 2027


O rali de Portugal sai do calendário de 2027, anunciou esta tarde o Automóvel Clube de Portugal (ACP). O anuncio da sua saída foi inesperado, já que em 2025 tinha sido renovado o contrato para que o rali continuasse no calendário por mais três edições, de 2026 até 2028.  

“Com data marcada para o período entre os dias 13 e 16 de maio — resultado de alterações efetuadas pela promotora na fase final de preparação para a próxima temporada do Campeonato do Mundo de Ralis (WRC), visando torná-lo o mais geograficamente diversificado e intercontinental possível —, o Vodafone Rally de Portugal foi um dos eventos que viu a sua programação afetada”, começou por referir o comunicado oficial do ACP.

“Já estão a decorrer as primeiras conversações entre o Automóvel Clube de Portugal e a promotora do WRC, com o objetivo de avaliar a possibilidade de o Vodafone Rally de Portugal regressar ao Campeonato do Mundo de Ralis em 2028.”, continuou.

Nada se sabe ainda sobre as razões desta exclusão, mas fala-se que existe a vontade do promotor em diversificar o calendário em termos geográficos, já que está prevista a chegada de um rali nos Estados Unidos. Por agora, está confirmada para 2027 a entrada do rali da Escócia, e da transferência do rali de Itália da Sardenha para os arredores de Roma. O calendário ainda não é sabido, e com a saída da prova portuguesa, poderá haver questões sobre quantos ralis ficarão para a próxima temporada, e o que motivou a saída de um dos mais carismáticos ralis do campeonato. 

The End: Gordon Johncock (1936-2026)


O americano Gordon Johncock, duas vezes vencedor das 500 Milhas de Indianápolis, incluindo a infame edição de 1973, e a apertada de 1982, contra Rick Mears, morreu nesta segunda feira aos 90 anos, na sua casa em South Branch, no Michigan. 

Correndo desde 1964, Johncock competiu contra gente como A.J. Foyt, Mário Andretti, Rick Mears, Tom Sneva, Danny Ongais e outros, começou no tempo quando os carros tinham motor á frente, acabou por correr pela última vez na edição de 1991, quando já tinha... 55 anos.

Nascido a 5 de agosto de 1936, em Hastings, no Michigan, ele começou a correr nas pistas de terra ao longo do seu estado natal, até que em 1963, ganhou a edição inaugural do National Open Sprint Car Race na pista de Williams Grove Speedway, na Pensilvânia. Por essa altura, já se começava a conhecer a sua abordagem à corrida, de pedal a fundo de forma brutal.


Em 1964, passou para a USAC, correndo em algumas corridas, antes de correr a tempo inteiro na temporada seguinte. Foi nesse ano que conseguiu a sua primeira vitória, em Milwaukee, mas depois de uma temporada de 1966 sem ganhar, apesar de um quarto lugar nas 500 Milhas de Indianápolis, decidiu montar a sua equipa, a Johncock Racing Team. Manteve-a até 1970, correndo primeiro com chassis Gerhardt, depois em Eagles e acabando com um McLaren M15A. Ganhou seis corridas, mas nunca chegou ao fim na Indy500.

No final de 1970, Johncock perdeu o seu patrocinador principal, a Gilmore, e foi para a Vollsteadt, antes de em 1972, ser piloto da McLaren na competição. Nessa atura, tinha fechado a sua equipa e estava em tribunal para pagar as dívidas que tinha contraído quando cuidava da sua equipa. As coisas mudaram um pouco em 1973, quando ele foi correr para a Patrick Racing, que tinha o patrocínio da STP Motor Oils. 

A temporada começou bem com um segundo posto em Trenton, e a corrida seguinte era as 500 Milhas de Indianápolis. Como é sabido, é uma prova que acontece no último domingo do mês, depois de um maio cheio de treinos de qualificação. Contudo, esse mês ficou marcado pelo acidente mortal de Art Pollard, a 12 de maio, quando tentava marcar um tempo para se qualificar. Johnny Rutheford ficou com a pole-position, enquanto Johncock conseguiu o 11º tempo, que o colocou no lugar do meio da quarta fila.

No dia da corrida 28 de maio de 1973, uma segunda-feira, e perante 350 mil pessoas, o tempo estava instável, e pelas onze horas, altura em que a corrida deveria ter começado, a pista estava molhada, e por isso, foi sucessivamente adiado por cerca de quatro horas. Quando aconteceu, cerca das três da tarde - a partida mais tardia de sempre até à edição de 2024, quando este aconteceu pelas 16 horas - houve uma carambola nos primeiros metros, quando Steve Krisiloff começou a abrandar devido a problemas de ignição do seu carro, e Salt Walther bateu contra o carro de Jerry Grant, foi para as redes de proteção e voltou para a pista, derrubando mais dez carros, os de Wally Dallenbach, Mike Hiss, Lee Kunzman, John Martin, David Hobbs, Mike Mosley, Jim McElreath e Dick Simon. 

Walther acabou por ir para o hospital, gravemente ferido nas pernas, o seu depósito de metanol explodiu e o liquido espalhou-se pelas bancadas, ferindo mais dez espectadores. 

As reparações foram demoradas, e quando foram concluídas, o tempo fez das suas e recomeçou a chover, adiando tudo para as nove da manhã de terça-feira. Contudo, na hora marcada, mais chuva implicou que a partida fosse adiada por mais uma hora e um quarto, arrancando pelas 10:15, com 200 mil espectadores nas bancadas. Contudo, quando os carros estavam a fazer a sua segunda volta de preparação... uma chuva ligeira caiu na pista, que se agravou nos minutos seguintes. Depois de algumas horas à espera que passasse, decidiu-se que a corrida seria adiada para quarta-feira, dia 30 de maio. 

No dia seguinte, e já com os espectadores a chamarem à corrida "As 72 Horas de Indianápolis", a partida estava marcada inicialmente para as 9 da manhã, mas á hora marcada... a chuva continuava a cair, e os pilotos discutiam que corrida é que teriam de adiar por causa do tempo inclemente. A corrida de Milwaukee foi adiada de 3 para o dia 10 de junho, e nas bancadas, as pessoas começavam a ver todo o envolvente cheio de lixo e lama. Por causa disso, apenas 50 mil pessoas estavam presentes nesse dia nas bancadas.

Contudo, ao meio dia, a chuva parou, e pelas duas da tarde, a corrida iria começar. Nos primeiros metros, Bobby Unser ficou com o comando da corrida, e lá ficou até à volta 39, quando Johncock o passou. Ele foi às boxes na volta 43, deixando o comando para o seu companheiro de equipa, Swede Savage. Este lá ficou até à volta 54, quando cedeu o comando para Al Unser Sr., que o pressionava para o passar desde umas voltas antes. 

Na volta 57, com apenas 22 carros em pista, Swede Savage, que era segundo, foi às boxes para reabastecer. Com 70 galões de metanol (ou 260 litros) no seu depósito, mais um pneu novo, arrancou dali rumo à pista, tentando apanhar os da frente. Em duas voltas, era segundo, atrás de Unser, e com velocidade suficiente para o apanhar. Contudo, na saída da curva 4, Savage perdeu o controlo do seu carro e bateu forte contra o muro interior, e explodiu em chamas. O carro destruiu-se e Savage estava preso ao seu banco, envolto numa bola de fogo... e perfeitamente consciente. 

Bandeira vermelha na pista, os socorros foram ter com ele e no meio da confusão, um mecânico, Armando Teran, de 22 anos, foi atropelado por um carro dos bombeiros e teve morte imediata. Mais confusão ainda. 

A corrida recomeçou às 16:15, a partir da volta 61, quando foi interrompida. Unser estava no comando e lá ficou por dez voltas, até ser passado por Johncock, e a corrida continuou sem mais incidentes. Pela volta 101, metade da corrida, apenas 11 carros corriam, e o dia aproximava-se do final. Na volta 133, uma ligeira chuva caiu na pista, e como já passava das 17:30, os comissários decidiram que era altura de acabar a corrida de forma definitiva. Bandeira vermelha mostrada, a equipa Patrick celebrava, e Johncock era o vencedor. 


Mas as celebrações tinham um sabor agridoce. Johncock era companheiro de equipa de Savage, e embora ele tenha sido hospitalizado com queimaduras de terceiro grau por todo o corpo e inalação de fumos nos pulmões, a sua condição era estável. As celebrações foram breves e o jantar de consagração foi cancelado - apenas meio século depois, em 2023, foi celebrado, com a presença da Johncock e da sua familia. Naquele ano, ele e a equipa acabaram por jantar no Burger Chef, um restaurante de "fast-food", certamente aliviados por verem aquela corrida para trás.

Savage acabaria por morrer a 2 de julho, 33 dias mais tarde, no Hospital Metodista de Indianápolis, vitima de uma infeção hospitalar.

Johncock continuaria correr pela Patrick Racing por mais de uma década, acabando por ser campeão da USAC em 1976, num ano em que foi terceiro nas 500 Milhas de Indianápolis, e quando as equipas se separaram da USAC, criando a CART, a Patrick Racing seguiu para o novo campeonato. Em 1979, Johncock foi terceiro no campeonato, e ganhou a corrida inicial da categoria, na oval de Phoenix. 

Em 1982, então com 45 anos, Johncock disputava as 500 Milhas de Indianápolis pela 18ª vez, a décima pela Patrick Racing. Dentro de um chassis Wildcat, conseguiu o quinto lugar na qualificação, o lugar do meio na segunda fila da grelha, entre Mário Andretti e Bill Wittington. E como em 1973, a qualificação tinha sido marcada por um acidente mortal, o de Gordon Smiley, que batera a alta velocidade contra o muro, desfazendo-se a ele e ao carro. 

No dia da corrida, os carros alinharam-se para a largada, que iria acontecer depois de quatro voltas de aquecimento. Na primeira fila estavam Rick Mears, Kevin Cogan e A.J. Foyt, com Andretti, Johncock e Whittington atrás. Contudo, quando estavam prestes a largar, o carro de Cogan foi subitamente para a direita, batendo em Foyt. Depois, descontrolado, deslizou para a frente de Andretti, batendo também nele, causando uma carambola, pois Whittington, vendo a confusão, perdeu o controlo do carro e bateu no de Roger Mears. Bobby Rahal também foi atingido, mas pode continuar. 

Com a corrida interrompida, Andretti e Foyt estavam extremamente zangados com o que aconteceu, culpando Cogan pelo sucedido - na altura, ele tinha 26 anos, e já tinha corrido na Formula 1. Andretti dizia para a televisão que "isto é o que acontece quando se põe crianças a fazer um trabalho de gente adulta na linha da frente.", e Foyt dizia a mesma coisa... mas de forma mais explicita. 

Nunca se soube muito bem o que aconteceu, mas a explicação mais plausível foi um problema mecânico no eixo traseiro do carro. 

Contudo, outros, incluindo Johncock e Bobby Unser, acharam que o culpado era Rick Mears, que tinha andado demasiado devagar. Anos depois em 2009, Johncock disse numa entrevista que Andretti tinha queimado o arranque e poderia ter evitado o carro de Cogan, que se despistara, caso estivesse corretamente posicionado na segunda linha, afirmando que "ele (Andretti) auto-exccluiu-se da prova". Andretti respondeu que isso não tinha pés nem cabeça. "Não fui eu que fiz o pião. ... Gostava de ter ficado [atrás, com o Johncock], mas, na hora de largar, largo!"

Quando a corrida recomeçou, cerca de uma hora depois, Foyt, com o carro reparado, foi para a frente. Na volta 23, foi ultrapassado por Johncock, e lá ficou até à volta seguinte, passado por Whitington, e depois por Danny Ongais. Só regressou à liderança na volta 95, passando Rick Mears. Este voltou ao comando na volta 127, começando aqui um duelo entre ambos pelo comando, intensificado na volta 154, quando Danny Sullivan bateu no muro na curva 4, causando a amostragem das bandeiras amarelas. No regresso, Johncock, mais veloz que Mears, passou-o, mas não conseguiu se distanciar o suficiente. A 16 voltas do final, Mears foi às boxes e pelo caminho, apanhou o carro Herm Johnson, mais lento, e tocou-o.


Os mecânicos fizeram reparações rápidas e ele voltou à pista, e duas voltas depois, foi a vez de Johncock. O reabastecimento foi bem feito, e partiu mais cedo que Mears, com onze segundos de avanço. Contudo, à medida que se aproximava da meta, viu que tinha problemas em colocar o carro direito, especialmente nas curvas. Abaixando a velocidade, viu Mears a aproximar-se, ao ritmo de um segundo por volta. Na última volta, a diferença entre ambos era inferior a um segundo, e Mears preparava para atacar a liderança de Johncock na primeira curva, mas Johncock bloqueou a trajetória. 

A última chance foi na reta da meta, tentando um "slingshot", ou seja, aproveitando o vácuo do carro à frente para ganhar velocidade e o passar. Contudo, não deu: um carro, ou 160 centésimos, separaram ambos, a mais curta diferença até então - hoje em dia é a sétima mais curta de sempre. 

Contudo, como em 1973, para Johncock, o sentimento foi agridoce. Um dia depois, soube que a sua mãe tinha morrido, vítima de uma doença prolongada. 

Mais tarde na temporada, ganharia as 500 Milhas de Pocono, outra oval veloz, e com isso obteria a Tripla Coroa das 500 Milhas - Indianápolis, Michigan e Pocono. Um ano depois, em Atlanta, ganharia a prova de abertura do campeonato. Iria ser a sua última vitória na competição. 

Em 1985, aos 48 anos, decidiu largar o volante durante as 500 Milhas de Indianápolis daquele ano, afirmando que "a competição tinha perdido a graça". Contudo, tentou regressar em 1986, mas sem dinheiro, adiou para 1987, onde aproveitando o carro de Jim Crawford, que se tinha lesionado enquanto tentava se qualificar, meteu o carro na grelha. Contudo, não chegou ao fim. Em 1988, não se qualificou, mas participou em duas corridas durante o campeonato, conseguindo dois sextos lugares. 

Um sexto posto na edição de 1991, apesar de estar engripado, e o abandono por problemas de motor, em 1992, foram as suas últimas aparições em Indianápolis. Aos 56 anos, decidiu pendurar o capacete pela segunda vez, e agora, de forma definitiva, para cuidar do seu negócio de madeiras. Distanciou-se do automobilismo, e admitiu isso numa entrevista em 2004 para a ESPN. Falando sobre a corrida de 1973, Johncock admitiu estar em paz com as péssimas circunstâncias ​​que estavam associadas à corrida, afirmando que o seu carro era o mais rápido na pista, e que infelizmente não estava na frente no momento em que a bandeira vermelha apareceu.


Em 2023, cinquenta anos depois da sua primeira vitória, e acompanhado pela sua familia, Johncock teve o seu banquete, e foi apresentado com o "Mini-Borg", uma miniatura do troféu Borg-Warner que é apresentado e que tem as figuras dos vencedores da corrida. No dia da corrida, Foi convidado para dar uma volta cerimonial à pista ao volante de um autocarro de turismo. Depois de tirarem fotos do pódio... ele deu uma segunda volta â pista, com ele ao volante!

Johncock entrou no Indianápolis Motor Speedway Hall of Fame em 1997, no International Motorsports Hall of Fame, em 1999, no Motorsports Hall of Fame of America, em 2002, e no United States Auto Club Hall of Fame, em 2025. 

Youtube Transportation Video: A guerra pelos taxis sem condutor

Os taxis autónomos estão a aparecer um pouco por todo o mundo. E depois das grandes cidades nos Estados Unidos estarem a abraçar o conceito, com marcas como a Waymo, a Tesla e outros a colocarem esses carros na estrada, o resto do mundo começa a aderir ao conceito, quer na China, quer no Reino Unido e mais recentemente, na Europa, pois a União Europeia é mais prudente na implementação deste tipo de tecnologia.

E em 2026, numa altura em que o IA está nas nossas mentes, parece que está a acontecer uma "corrida às armas" para saber quem é que ganhará nesta competição pelos veículos autónomos. E ainda por cima, tudo isto acontece num contexto onde terão mais oposição por parte de, por exemplo, firmas de taxis e sindicatos de taxistas, e a relutância de alguns partidos politicos.  

E é sobre isso que se trata este video.

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Youtube Motorsport Video: Os pilotos salvadores

Há algumas semanas, numa corrida para o campeonato chinês de GT, em Xangai, houve um incidente sério onde dois Ferrari - um guiado por David Chan, outro por Ollie Millroy - colidiram fortemente um com o outro, com o carro de Millroy a pegar fogo com o choque lateral - felizmente, no meio do azar, a destruição não foi no lado do condutor. 

A bandeira vermelha estava agitada, mas os comissários andavam demasiado longe, ainda por cima, com o carro ainda a arder e o piloto, provavelmente, combalido pelo choque. Alguns segundos depois, o Porsche de Loic Hartog parou na pista para resgatar o piloto, porque... nenhum comissário aparecia, e o risco de morte só aumentava a cada segundo que aquele carro era consumido pelas chamas. Quando apareceu, Hartog pegou no extintor, e apagou as chamas o melhor que podia e 49 segundos depois, ele conseguiu tirá-lo das chamas.

Millroy foi levado para o hospital, ferido, mas depois de uma cirurgia para reduzir as fraturas numa mão e num dedo, estava na cama, consciente e a recuperar. 

Esta é a história mais recente de um acidente sério onde outros pilotos intervieram para salvar colegas seus, e como passou agora meio século desde que quatro pilotos - Harald Ertl, Arturo Merzário, Guy Edwards e Brett Lunger - salvaram Niki Lauda das chamas no Nurburgring Nordschleife, foi altura do Josh Revell falar desse acidente, e de outros do passado.  

domingo, 27 de setembro de 2026

A imagem do dia


No dia seguinte ao GP de Baku - sim, é estranho falar sobre o rescaldo de uma corrida num domingo, 24 horas depois desta acontecer - surgiu nas redes sociais uma enorme polémica por causa da carambola causada por Franco Colapinto no recomeço da corrida, na volta 38, e que eliminou o seu companheiro de equipa, Pierre Gasly, e o McLaren de Lando Norris. 

Logo no final da corrida, soube-se que Colapinto estava a ser demolido nas redes sociais, sendo o causador do tal acidente. E os memes também apareceram, por causa da lembrança da Guerra das Falklands. Porque, como Colapinto bateu em Gasly, e este em Norris, lembraram-se dos misseis franceses Exocet, que abateram navios da Royal Navy...

Mas na realidade, os comissários desportivos decidiram aplicar uma penalização de cinco lugares para a corrida de Sepang, e Flávio Briatore admitiu que considerava mais penalizações, desta vez internas, para o piloto argentino. 

“Quero ter tempo para refletir sobre o que aconteceu e ponderar que medidas devem ser tomadas, para podermos aprender com isto e evitar uma situação semelhante no futuro”, começou por declarar. “Sei que o Franco assumiu toda a responsabilidade pelo sucedido, como devia; na verdade, travou demasiado tarde, tendo em conta o contexto da corrida e o reinício após o Safety Car. Foi uma manobra muito má para um piloto com a experiência dele.”, continuou.

“Estou, obviamente, extremamente desiludido com o resultado da corrida de hoje, sabendo que perdemos pontos valiosos na luta pelo campeonato. Este tipo de incidentes não devia acontecer, sobretudo quando os nossos dois carros estavam bem colocados para pontuar. Tenho muita pena pela equipa e pelo Pierre, que fez um excelente trabalho durante todo o fim-de-semana.”, concluiu.

Ora, isto não ficou por aqui. Norris, puto da vida por ver que fora tirado da corrida - e por se ter atrasado da luta pelo campeonato - questionou a permanência de Colapinto na Formula 1. “No fim de contas, fui simplesmente posto fora da corrida. Para ser sincero, há pilotos que não deviam estar na Fórmula 1”, afirmou.

“Ainda não vi o que aconteceu, mas, se provocas um acidente num reinício como este, devias ser suspenso por pelo menos uma corrida. Fui simplesmente posto fora da corrida. E a FIA devia ser mais rigorosa e começar a aplicar suspensões por este tipo de situações.”, concluiu.

E claro, os argentinos fervem em muito pouca água. E ainda por cima, quando a pessoa que os critica é um inglês. E com aquela mania nacional de "Las Malvinas Son Argentinas", eles responderam forte e feio. Até o Ministro dos Negócios Estrangeiros foi ao Twitter mostrar a foto de Norris, que tirou para fora o seu companheiro de equipa, Oscar Piastri, durante o GP do Canadá de 2025, para mostrar que ele tem telhados de vidro. 

Para piorar um pouco as coisas, a Alpine tinha, poucos dias antes, chamado à atenção devido às mensagens de ódio por parte dos fãs, especialmente os argentinos, do qual considerava as suas atitudes como abusivas. No caso anterior, tinha a ver com Pierre Gasly, que tinha sido alvo de mensagens de apoiantes de Colapinto por ter atrasado brevemente o colega de equipa durante o Grande Prémio de Espanha. No mês anterior, a FIA também defendera os seus comissários após ataques de apoiantes do argentino relacionados com duas penalizações aplicadas a Colapinto no Grande Prémio dos Países Baixos.

“Condenamos veementemente a reação de alguns adeptos online e solidarizamo-nos com a Fórmula 1, a FIA e as outras equipas na vontade de pôr fim a esta situação”, referiu, no comunicado oficial da equipa, acrescentando que novos ataques não podem ser tolerados.

Ou seja, ter um argentino como piloto começa a ser mais um fardo que uma mais-valia...  

No final, com ânimos mais calmos, Norris pediu desculpa pelas suas declarações, especialmente porque Colapinto assumiu a sua responsabilidade, achando que tinha exagerado. Ele também revelou que contactou Colapinto em privado, chegaram a um entendimento e continuam a manter a amizade entre eles.

“Depois da corrida, enviei uma mensagem ao Franco a pedir desculpa pelos comentários que fiz e que simplesmente não devia ter feito”, escreveu nas redes sociais. “Devia ter sabido agir melhor e estava de cabeça quente, mas isso não é desculpa. Também cometi os meus próprios erros ao longo dos anos e sei que isso faz parte de correr e de lutar no limite”, acrescentou.

“Eu e o Franco entendemo-nos bem, continuamos a ser bons amigos e estamos ambos entusiasmados por voltar a correr este fim-de-semana.”, concluiu.

Em suma, um acidente nunca é uma boa coisa. A frustração dos pilotos em relação a algo como este, e as reações, especialmente num tempo como este, podem fazer algo relativamente complicado numa enorme bola de neve. E as redes sociais não ajudam nada...