sexta-feira, 7 de maio de 2021

A imagem do dia


Muitos na Grã-Bretanha conheciam Sir Leslie Marr como sendo um pintor paisagista, um dos mais aclamados do seu tempo. Mas apesar da origem aristocrática - herdou o título de Barão com dez anos de idade, quando o seu avô, James Marr, faleceu - e de ter servido na Royal Air Force na II Guerra Mundial, ele também teve uma carreira interessante no automobilismo. Com passagens pela Formula 1, guiando o Connaught inscrito por ele mesmo.

Começando a correr após a II Guerra Mundial, a sua carreira foi relativamente curta, porque aconteceu em paralelo com o despertar da sua carreira artística. Tinha conseguido uma graduação em Engenharia em Cambridge, foi servir o país com distinção na Palestina, onde ficou interessado na pintura. Após a guerra, frententou a Heatherley's Art School em Pimlico, um bairro de Londres, sob o professorado de David Bomberg. Com o tempo, viajou pela Europa e o automobilismo foi uma curta experimentação.

Em 1954, inscreveu o seu Connaught para o GP da Grã-Bretanha, onde o levou até ao fim na 13ª posição, a oito voltas do vencedor, Froilan Gonzalez, depois de partido da 22ª posição da grelha. Tentou a sorte no ano seguinte, quando o GP britânico foi em Aintree, mas desistiu na olta 19 quando os seus travões cederam.

Marr ainda correu por mais algum tempo, conseguindo triunfar na III Cornwall M.R.C Formula 1 Race realizada em Davidstow, na Cornualha britânica, e em 1956, foi quarto classificado no GP da Nova Zelândia, num Connaught-Jaguar, numa prova vencida por Stirling Moss. Pouco tempo depois, pendurou o capacete para se dedicar à pintura, onde se tornou um dos mais famosos paisagistas da Grã.-Bretanha, vivendo em vários locais, incluindo a ilha de Arran, no oeste escocês, e os seus quadros estão expostos em diversos museus na Grã-Bretanha.

Leslie Marr morreu esta terça-feira, aos 98 anos. Era um dos últimos sobreviventes dos primeiros tempos da Formula 1.

Noticias: Hamilton defendeu Bottas na Mercedes


Depois dos rumores após Portimão que poderia haver uma mudança no alinhamento da Mercedes antes da temporada acabar, e de Valtteri Bottas afirmar que não só são ridiculas, como também não são como certa equipa da concorrência, coube a vez de, nesta sexta-feira, Lewis Hamilton partir em defesa do seu companheiro de equipa.

Numa conferência de imprensa em Barcelona, Hamilton afirmou que o finlandês necessita de ser "deixado em paz" e fazer o seu trabalho da melhor maneira possível, que tem funcionado muito bem para ele. 

Sinto que temos atualmente a melhor dupla, em termos do equilíbrio que existe na nossa equipa”, começou por dizer Hamilton aos repórteres. “A certa altura vai mudar, não vou ficar aqui para sempre, Valtteri não vai ficar aqui para sempre, mas neste momento penso que ele tem vindo a mostrar o seu valor vezes sem conta ao longo dos anos e continua a fazê-lo.", continuou. 

"Valtteri qualificou-se na última corrida na pole. É apenas a quarta corrida [este fim-de-semana]. Penso que as pessoas precisam de o deixar em paz e deixá-lo concentrar-se em fazer o que está a fazer”, concluiu.

Apesar de muitos gostarem de ver George Russell no lugar do piloto de 31 anos, quem viu ontem o video que coloquei aqui feito pelo Josh Revell sabe que Hamilton não deseja ter concorrência interna para poder fazer o que tem a fazer para cimentar a sua posição como o melhor piloto de Formula 1 do atual pelotão, e ainda tem uma palavra a dizer em termos de quem quer a seu lado na equipa. Logo, qualquer alteração acontecerá quando, provavelmente, o britânico pendurar o capacete ou sair da marca alemã.

GP Memória - Europa 2006


Duas semanas depois de terem corrido em Imola, a caravana da Formula 1 marchava um pouco mais para norte, para Nurburgring, no sentido de correrem o GP da Europa. Com a Renault e Fernando Alonso na nó de cima, esperava-se que eles aproveitassem a pista e as circunstâncias para se afastarem cada vez mais da concorrência. 

Entre as duas corridas, houve uma grande alteração nos inscritos: o japonês Yuji Ide foi substituído pelo francês Franck Montagny, que depois do acidente que causara em Imola com o Midland de Christian Albers, a FIA resolveu agir e retirar a Super-Licença ao piloto a Super Aguri.

Com essa mudança na lista de inscritos, as coisas não mudaram muito. No final da qualificação, Fernando Alonso conseguiu superiorizar aos Ferrari de Michael Schumacher e Felipe Massa, enquanto Rubens Barrichello era quarto no seu Honda. Kimi Raikkonen, no seu McLaren-Mercedes, e Jenson Button, no segundo Honda, partilhavam a terceira linha, enquanto Jarno Trulli era sétimo no seu Toyota, na frente de Juan Pablo Montoya, no segundo Mercedes. E a fechar o "top ten" estavam o Williams-Cosworth de Mark Webber e o BMW Sauber de Jacques Villeneuve.

Contudo, entre a qualificação e a corrida, a Williams trocou os motores de Webber e Nico Rosberg, e praticamente partiam do fundo da grelha.


Na largada, Alonso saiu bem e tentou escapar-se do resto do pelotão, mas Michael Schumacher andou atrás dele, seguido por Massa e Barrichello. Atrás, Vitantonio Liuzzi era tocado por atrás e ainda foi em direção do Red Bull de David Coulthard, quebrando a sua asa frontal. O italiano tentou levar o carro para as boxes, mas a meio do caminho, fez um pião e ficou parado no meio da pista, obrigando a entrada do Safety Car. Coulthard também foi às boxes para trocar de asa, mas os danos eram tais que na segunda volta, voltou a parar, e foi para arrumar o carro na garagem. 

A corrida retomou na volta três, com o espanhol na frente, e as coisas andaram assim até à volta 18, quando Alonso foi às boxes para faer o primeiro reabastecimento, deixando o alemão na frente. Mas foi sol de pouca dura, porque o piloto da Ferrari foi reabastecer a seguir, deixando desta e o Honda de Barrichello na frente. Alonso voltou à liderança na volta 23, quando foi a vez do brasileiro parar.

O duelo entre ambos continuava, mas à distância, sem que um ameaçasse o outro, logo, as coisas iriam ser decididas nas boxes. Na volta 37, Alonso foi fazer o seu segundo reabastecimento, deixando Schumacher na pista até à sua vez de meter gasolina e ter um jogo novo de pneus. O reabastecimento foi mais veloz e conseguiu sair na frente do Renault do espanhol. 


A parte final da corrida foi um duelo a quarto, mas foi Alonso que tee de segurar Massa e Raikkonen do que atacar a liderança de Schumacher. E foi assim que a corrida acabou, com o alemão a vencer "em casa", com uma diferença de 3,7 segundos sobre Alonso, e conseguindo a sua primeira vitória do ano. Massa ficou com o lugar mais baixo do pódio, enquanto nos restantes lugares pontuáveis ficavam Kimi Raikkonen, o Honda de Barrichello, o segundo Renault de Fisichella, o Williams de Nico Rosberg e o BMW Sauber de Jacques Villeneuve. 

Noticias: Reutemann internado com anemia


O ex-piloto e atual senador, Carlos Reutemann, está internado desde quarta-feira devido a um quadro de anemia. Aos 79 anos, o ex-piloto de Formula 1 está nos cuidados intensivos depois de ter sido submetido a um quadro intensivo de exames nas últimas 24 horas para saber a gravidade da sua condição e submeter-se ao seu devido tratamento.

Segundo conta o jornal "Clarin", de Buenos Aires, Reutemann "chegou ao hospital pelos seu próprio pé" e descartam um quadro de CoVid-19, porque ele tomou uma dose da vacina no passado mês de março. 

Nos últimos tempos, o senador tem estado retirado de cena, depois de ter sido operado para retirar um tumor no fígado em 2017. As sequelas da operação, que durou cerca de sete horas, o deixaram debilitado e as suas aparições no câmara alta do orgão legislativo argentino tem sido espaçadas, preferindo ficar em Santa Fé, a sua cidade natal.

Governador de Santa Fé entre 1991 e 1999, e senador desde 2003, "Lole" Reutemann foi um dos mais conhecidos desportistas do seu tempo, correndo na Formula 1 entre 1972 e 1982, pela Brabham, Ferrari, Lotus e Williams, vencendo doze corridas e sendo vice-campeão do mundo em 1981. Pelo meio, é o úico piloto que conseguiu pódios em proas do WRC, sendo terceiro classificado nas edições de 1980 e 1985 do rali da Argentina. 

A vida de Janet Guthrie vai dar filme


Janet Guthrie
é uma pioneira americana. Nos anos 70, foi a primeira mulher a correr nas 500 Milhas de Indianápolis, abrindo caminho a mais de uma dezena de outras mulheres, mas também foi a primera a correr nas 500 Milhas de Daytona, prova rainha da NASCAR. Agora com 83 anos, a sua carreira poderá ser alvo de um filme de Hollywood, com uma atriz vencedora de Oscares no seu papel.

Segundo o site Deadline, o filme será baseado no livro "Speed Girl", escrito por Stephan Talty, e Guthrie erá interpretada por Hillary Swank, que conseguiu um dos seus prémios da Academia através de "Million Dollar Baby", um drama desportivo acerca de uma boxeadora, num filme realizado por Clint Eastwood. O filme será produzido pela Balcony 9, ainda está em fase de pré-produção, com Swank ainda a acumular o papel de produtora.

Guthrie, que teve uma longa carreira no automobilismo, conseguiu como melhor resultado nas 500 Milhas de Indianápolis um nono posto, na edição de 1978. 

quinta-feira, 6 de maio de 2021

Youtube Formula One Video: George Russell tem estofo de campeão?

Com a geração de pilotos a chegar à sua última parte da sua longa carreira - Lewis Hamilton tem 36 anos, Sebastian Vettel 33, Fernando Alonso 39, Kimi Raikkonen 41 - e os secundários já na casa dos 30 - Valtteri Bottas anda com 31, a mesma idade de Daniel Ricciardo, enquanto Sergio Perez vai a caminho também dos 31 - não há muita gente que seja nova e com estofo de campeão. Claro que nove em dez dirão que Max Verstappen é o piloto ideal, porque têm 22 anos, e o resto aposta as suas fichas entre Charles Leclerc (23 anos) e Lando Norris (21 anos).

Mas o Josh Revell acha que andamos a menosprezar um terceiro piloto, que está a chegar ao bom momento, mas está num mau carro. Tanto há os que queram a saúda de Bottas e a sua entrada, como falei hoje por aqui. George Russell tem 23 anos - nasceu a 15 de fevereiro de 1998 - e no final do ano passado, mostrou que, se não fossem os azares, poderia ter ganho aquela corrida em Shakir, na única vez que correu no Mercedes. 

E claro, neste video, ele pergunta se tem estofo de campeão. 

Formula E: Félix da Costa quer ser feliz no Mónaco


António Félix da Costa espera que Mónaco seja o inicio da recuperação no campeonato. Depois da catástrofe que foi o seu fim de semana em Valencia, onde ficou sem energia quando liderava a corrida no inicio da última volta, ele espera que ali, as coisas sejam bem melhores. Com um pódio alcançado, mas no meio da tabela, com 24 pontos, o piloto de Cascais, fã assumido do circuito monegasco, ele espera que aqui possa ser feliz e alcançar triunfos que o catapultem mais acima na tabela de classificação.

"A magia de correr no Mónaco é única, todo o ambiente à volta do fim-de-semana é diferente de qualquer outro lugar. Apesar de termos perdido pontos importantes na corrida de Valência, a verdade é que temos muito campeonato pela frente, além disso sabemos que temos um bom carro, portanto o objetivo para este fim-de-semana no Mónaco é claro: qualificar bem, pois se o fizermos facilita muito o trabalho na corrida. Estamos motivados e com vontade de vingar as últimas corridas!", disse, no comunicado de imprensa da DS Techeetah.

Ao contrário das ouras corridas do campeonato, o ePrix do Mónaco será uma proa única, que terá duas novidades: será a primeira prova a correr no mesmo traçado usado pela Formula 1, e por causa disso o Atack Mode mudará de lugar e será na curva Massenet, antes do Casino. 

A corrida acontecerá este sábado pelas 15 horas de Lisboa e será transmitida quer na Eurosport 2, quer na Eleven Sports.

Noticias: Bottas responde aos rumores de substituição por Russell


Valtteri Bottas respondeu aos rumores de substituição por George Russell, afirmando que não passam disso e que eles não são a equipa que faz esse tipo de coisas. Na conferência de imprensa que acontece antes do GP de Espanha, o piloto finlandês da Mercedes disse acreditar que ali os contratos são cumpridos e não fariam tal coisa, mesmo depois de ter sido terceiro classificado na corrida anterior, depois de ter feito a pole-position um dia antes. 

Eu sei que não vou ser substituído no meio da temporada. Como equipa, não fazemos isso, tenho um contrato para este ano. Acho que há apenas uma equipa que faz esse tipo de coisa na Fórmula 1 e não somos ela”, afirmou Bottas, fazendo referência à Red Bull.

Então, não há pressão do meu lado. Nós sabemos como as coisas são, [dizem-se] asneiras por aí, isso faz parte do desporto.”, concluiu.

Sobre o seu futuro em 2022, o piloto de 31 anos afirma que ainda é muito cedo para se pensar nisso:

“[Ainda estamos no] começo - eu não pensei sobre o próximo ano, realmente. Meu foco total está neste ano e agora, porque isso é tudo que importa e normalmente isso trará um bom futuro. Não tenho ideia e, no momento, não me importo, só quero me concentrar neste ano e colocar cada pensamento e cada gota de energia que tenho nisso.”, concluiu.

O piloto finlandês tem dois terceiros lugares após três corridas e é o quarto classificado do campeonato, com 32 pontos, menos cinco que Lando Norris, da McLaren, e menos de metade que Lewis Hamilton, que lidera o campeonato com 69 pontos. 

quarta-feira, 5 de maio de 2021

A imagem do dia


Estamos muito felizes em apoiar Romain com esta oportunidade especial. A ideia surgiu quando parecia que ele estaria a encerrar a sua carreira na Fórmula 1, e não queríamos que seu acidente fosse seu último momento em um carro de Formula 1”.

O acidente de Romain nos lembra dos perigos que eles enfrentam cada vez que entram no carro, mas também é uma prova dos passos incríveis que o automobilismo deu para melhorar a segurança ao longo dos anos. Sei que a comunidade da Formula 1 vai comemorar por ver Romain de regresso à pista”.

Estas foram as palavas de Toto Wolff quando anunciou hoje que Romain Grosjean terá um teste em Paul Ricard no mês que vêm, numa recompensa pela sua carreira na Formula 1, onde, parecendo que não, durou uma década. Depois do seu aparatoso - e pavoroso - acidente no Bahrein, no final do ano passado, no qual ainda tem queimaduras na mão esquerda que serão provavelmente permanentes, o piloto francês, que corre este ano na IndyCar, viu cumprida uma promessa feita por Wolff aquando do seu acidente: um teste com o Mercedes, desconhecendo-se se será o W12 ou ainda mais antigo.

Este gesto, mais do que generoso, mostra que o mundo da Formula 1 tem respeito por alguém que, apesar dos seus defeitos, teve uma carreira longa. Que o pequeno mundo de pilotos, engenheiros, mecânicos e administrativos sabe distinguir um profissional que cresceu naquele mundo, corrigiu a sua impulsividade e se tornou em alguém mais refinado, é algo digno de admiração. E esta recompensa, mais do que uma celebração da vida, é um tributo a alguém que construiu o seu caminho. Claro, para Grosjean, o ideal teria sido um lugar permanente nas Flechas Negras, mas poder guiar o carro mais dominador da história da Formula 1 é por si uma vitória. 

Ele que disfrute do momento, que bem merece. 

WRC: Rali de Portugal vai ter público


O governo português confirmou esta quarta-feira que o Rali de Portugal terá público nas classificativas. Quem o afirmou foi o secretário de estado da Saúde, Lacerda Sales, afirmando que os pormenores tem de ser combinados com a Direção-Geral da Saude. 

Tenho grande confiança nos nossos organismos, nomeadamente na Direção-Geral da Saúde [DGS] e na comissão técnica dos eventos de massa. A informação que tenho é que deu um parecer favorável para o Rali de Portugal”, disse o membro do governo à agência Lusa. “Trata-se de um evento com algumas características muito específicas, porque é muito difícil controlar as questões de público e por isso foi pedido às forças de segurança que pudessem, dentro das suas possibilidades, tentar controlar este afluxo”, continuou.

Apesar de até aqui os eventos desportivos tem decorrido sem espectadores, como os jogos do campeonato nacional de futebol e o GP de Portugal, no passado domingo, agora que o estado de emergência foi levantado, não há mais razões para condicionamentos. Contudo, o governante apela à “consciência individual e coletiva, para que cumpram as diretrizes da DGS para que o rali se possa concretizar nas medidas de segurança ditadas pelas autoridades de saúde”, concluiu.

O rali de Portugal, que não aconteceu em 2020 devido à pandemia, irá acontecer entre os dias 21 e 23 de maio, com classificativas na Lousã, Góis, Arganil, Mortágua e mais a norte, Lousada, Vieira do Minho, Cabeceiras de Basto, Amarante, Porto, Felgueiras e Fafe.

O rescaldo português


Corrida terminada, é altura de se pensar no que foi. Mas há alguma pressa, porque Barcelona será no próximo domingo. Curiosamente, esta sequência retoma a que existiu entre 1987 e 1991, quando a caravana da Formula 1 fazia a viagem entre Estoril e Jerez - excetuando o último ano, quando foram para Barcelona - mas o que se fala muito nestes dias pós-Portimão foi da dificuldade que os pilotos tiveram com a aderência, como a corrida foi menos excitante do que há seis meses, ao ponto de alguns dizerem que não gostariam de regressar lá.

Que a corrida teve um vencedor previsível, isso foi verdade. A Mercedes triunfou sempre que a Formula 1 corre no Autódromo Internacional do Algarve, logo, apesar de ser cedo e curto para afirmar, esta é uma pista onde os Flechas Negras se dão muito bem. E não são só eles: a Alpine, por exemplo, conseguiu andar muito bem naquele final de semana, adaptando-se às circunstâncias. O sexto lugar do Esteban Ocon na qualificação e o sétimo lugar na corrida, à frente de Fernando Alonso, foi outro exemplo de que outras equipas deram-se bem com a pista, enfrentando o desafio existente.

Pode-se dizer que os "culpados", a existirem, foram três: o vento, o asfalto e os pneus. Mas se a Mercedes não tem motivo de queixa, e a Red Bull sim, porque será? Acho que toda a gente topou que o culpado foi que uns adaptaram-se, outros não.      

Porque de resto, todos continuam a gostar da pista, e os especialistas viram esta prova numa luz positiva, afirmando que deveria ficar por mais tempo. Aliás, pesquei hoje na Autosport britânica este excerto sobre a pista. Traduzi-o para português, mas podem ler esta parte e os outros em inglês a partir deste link.

"9. 'Estranho' Portimão é uma mais-valia no calendário da F1.

As palavras-chave do fim-de-semana que passou foram “ondulação”, “montanha-russa”, “aderência” e “asfalto”, reflectindo perfeitamente o bom e o mau de Portimão.

O layout em si rapidamente conquistou um lugar no coração de todos os pilotos no ano passado, apenas porque eles lutavam contra um asfalto de baixa aderência. As condições frias no final de outubro pareciam ser as culpadas, mas a repetição desta vez ocorreu no início de maio.

A Pirelli não ajudou em nada trazendo uma seleção de pneus mais difícil para a corrida, uma decisão criticada por Hamilton. Verstappen disse depois da TL2 que “não gostou de uma única volta” na pista, lutando contra a falta de aderência e a imprevisibilidade do asfalto.

É uma pena que uma pista fantástica como Portimão não tenha sido corrido com raiva total por esses carros de Formula 1, devido a uma mistura de asfalto e pneus. O mesmo aconteceu na Turquia no ano passado, mas esperamos que [esse problema] seja corrigido quando [os carros] regressarem em junho.

Dito isto, é a natureza atípica de Portimão [que] o torna bastante divertido. Isso permite que equipas como a Alpine suba na classificação ou que a Williams quase alcance o Q3. Ele pune os erros - veja Alonso e Daniel Ricciardo na qualificação, ou Verstappen - e permite muitas ultrapassagens.

Portimão pode ter aparecido duas vezes como substituto no calendário, mas tê-lo como elemento permanente seria muito bem-vindo no futuro. A Formula 1 deveria abraçar sua estranheza."


No final, pode-se ler por aqui que todos gostam da montanha russa portuguesa, um circuito que apareceu inesperadamente, mas que conquistou os corações da maioria, desde as equipas e os pilotos até aos espectadores. Foi popular - teve gente a ir quando deixaram, em 2020 - e apenas falta uma negociação entre ambas as partes, Liberty Media e autódromo ou governo - para um contrato alargado e uma estadia mais definitiva no calendário da Formula 1. 

E quanto às criticas, depois de se ver as circunstâncias, pode-se dizer que não é nada irreparável. A Pirelli poderá arranjar pneus melhores, no próximo reasfaltamento, a mistura de alcatrão poderá ser melhor, mas o culpado não é, nem foi o circuito. Alguns pilotos querem pistas que lhes favorecem, e se Max andou a queixar-se, deveria saber que ele mesmo é mais culpado por causa dos seus excessos. Os circuitos são desenhados para exigirem o melhor do seu piloto, e como se habituaram tanto aos "tilkódromos", quando vêm algo fora da caixa, demoram a adaptar-se. Simples.

Agora, vamos a ver se teremos no calendário em 2022. Adoraria ver esse circuito em circunstâncias normais, com espectadores e sem ser um substituto. Até acho que esta data é ideal para a sua realização, e como se fala que Barcelona possa cair, seria algo irónico que Portimão aparecesse no seu lugar..

Youtube Motorsport Video: A subida de Bobby Unser a Pikes Peak

Como é sabido, Bobby Unser foi um dos reis de Pikes Peak. Aliás, aquela subida é praticamente a "coutada da familia" por causa das 26 vitórias que a familia Unser alcançou entre 1934 e 2004, começando por Louis Unser, que venceu por nove vezes, superado apenas por Bobby, que conseguiu triunfar por dez vezes, entre 1956 e 1986.

Mas o video tem a ver com a sua última vitória. É que a conseguiu, batendo o recorde da subida, e fê-lo num Audi Quattro. As circunstâncias eram simples: dois anos antes, os europeus descobriram a subida e levaram os seus carros de Grupo B. A marca alemã pediu a Michele Mouton para que desse o seu melhor e... conseguiu. Não só se tornou na primeira mulher a conseguir - e única, até 2020 - como bateu o recorde da subida até então. 

Isso foi o suficiente para Unser decidir pegar de novo no capacete e um fato de competição, saltar para um Audi Quattro e voltar a subir a estrada a velocidade máxima, com o objetivo de bater o recorde de pista. Estamos em 1986, e Unser, recorde-se, tem 52 anos.

No Nobres do Grid deste mês..


A semana de Imola ficou marcada pela apresentação do GP de Miami, a segunda corrida em território americano. A realização dessa prova, em principio, algures em junho de 2022, para fazer uma ronda dupla com Canadá, significa que pela primeira vez desde 1984, quando a Formula 1 esteve em Detroit e Dallas, dois circuitos de rua, que a categoria máxima do automobilismo teve mais de uma prova na "pátria dos livres, terra dos bravos".

A prova era um objetivo da Liberty Media, que andou mais de ano e meio a preparar, em conjunto com os promotores da prova, que vão construir um circuito no parque de estacionamento do estádio dos Miami Dolphins, a equipa de futebol da NFL, a competição de futebol americano - o futebol como conhecemos chama-se "soccer" e a competição é batizada de MLS - mas até lá chegar, tiveram de suprimir os obstáculos vindos da vizinhança, que receavam o barulho dos carros de Formula 1. Aprovado no conselho municipal, o contrato foi assinado, e o acordo será longo. Há quem fale de uma década de duração, e como eles são americanos, não ficaria admirado se isto possa ser o inicio de um plano para ter mais provas nesse continente. Algo do qual Bernie Ecclestone sempre sonhou e tentou ao longo da década de 1980, mas sem grande sucesso.

Mas se acham que por causa disso teremos um calendário de 24 provas em 2022, por exemplo... enganem-se. A Liberty Media sabe que há limites, e ainda por cima, não temos garantia de que ano que vêm possa ter passado o pior da pandemia, apesar das aceleradas campanhas de vacinação em vários sítios do mundo. Como é sabido, em 2020, o calendário alternativo colocou a Formula 1 maioritariamente em circuitos europeus, devido à facilidade de transporte e um calendário que começou oficialmente em julho, com rodadas duplas em algumas provas. Por um lado, alguns circuitos regressaram ao calendário, como Nurburgring, Imola e Istambul, e vimos a estreia de Portimão, no regresso da Formula 1 a Portugal. Em 2021, o calendário regressou um pouco ao normal, mas o possível cancelamento de algumas provas como o Canadá, por exemplo, poderá fazer com que as corridas que fizeram a vez dos cancelados tenham nova chance, como se fala de Istambul, por exemplo.

Mas se o pior passar em 2022, ali já não é a pandemia, mas sim o dinheiro a ditar o calendário. Os rumores falam sobre Barcelona, que poderia ser a prova que "sairia" do calendário a favor da corrida americana. Apesar de haver dois pilotos espanhóis no pelotão, Carlos Sainz Jr. e Fernando Alonso, e a garantia de que o autódromo estaria sempre cheio, a pista, que acolhe o GP espanhol desde a sua inauguração, em 1991, é das mais aborrecidas do campeonato. Ainda por cima, foi durante muito tempo, até 2020, o palco dos testes de inverno. (...)

No Nobres do Grid deste mês, decidiu falar sobre o GP de Miami, cujo começo acontecerá em 2022 e será a segunda corrida em território americano, algo que não acontece desde 1984, quando o calendário acolheu as corridas de Detroit e Dallas. A prova será num circuito semiurbano desenhado no parque de estacionamento do estádio dos Miami Dolphins, de futebol americano.

Contudo, a Liberty Media tem a constatação de que - agora, por causa da pandemia - a competição está demasiadamente europeia. Já disseram que gostariam de ter uma prova em África, mas não será tão cedo. Mas quando eles se libertarem, já planeiam ter um calendário mais mundial. Já têm a Arábia Saudita, a corrida americana, e claro, os que tem de sair serão todos europeus. E um dos que estão na corda bamba é o circuito de Barcelona, palco do GP de Espanha. Que fará de tudo para ficarem.

Resta saber como serão os calendários futuros, não é? 

terça-feira, 4 de maio de 2021

A imagem do dia


Bobby Unser, morto no domingo depois de 87 anos bem vividos, teve uma carreira que se espalhou por três décadas. Membro de uma das dinastias automobilísticas mais conhecidas da América, nem foi a primeira geração de pilotos a mostrar o seu talento. E nem foi o primeiro a tentar a sua sorte no "Brickyard", a oval de Indianápolis, a mais antiga da América e uma das mais famosas, a par de Daytona, por exemplo.

Mas o que poucos sabem ou conhecem é que no seu grande ano automobilístico de 1968, onde venceu as 500 Milhas, a Pikes Peak pela décima vez e o campeonato USAC, Bobby Unser fez uma perninha na Formula 1. E foi acompanhado por Mário Andretti, com peripécias pelo meio.

Nesse ano, onde a Lotus ainda tentava se recompor da morte de Jim Clark, e outros também tiveram essa sorte como Mike Spence e Jo Schlesser, ter novo sangue para preencher as perdas não era fácil, e atrair nomes sonantes para ali. Mas quando a Formula 1 estava em Monza para disputar o GP de Itália, haia dois americanos na lista de inscritos: Andretti, com o terceiro carro da Lotus, e Unser, inscrito pela BRM ao lado do mexicano Pedro Rodriguez e do britânico Richard Attwood

Andretti e Unser eram rivais nas Américas, e vê-los na Europa na Formula 1 era motivo suficiente para a imprensa ter as atenções iradas para ali. Mas o calendário tinha dado uma coincidência: nesse mesmo fim de semana, havia uma prova de 150 milhas, em "dirt track", a Hoosier Hundred, no Indiana. A ideia de ambos era de correr ali, meterem-se num avião e no dia seguinte, estavam no outro lado do Atlântico para correr essa prova. Tanto que eles fizeram temos mais que suficientes para entrar na grelha. 

Só que a ACI, o Automóvel Clube Italiano, disse a ambos que eles proibiam pilotos de participar em duas provas em 24 horas, citando o esforço que se fazia e a falta de descanso. E avisou que, caso voltassem à América depois da sessão de treinos, não os autorizariam a correr ali. Depois da qualificação, decidiram entrar no avião e não voltaram mais no fim de semana. 

Só para terem uma ideia: Andretti ficou com o décimo melhor tempo, Unser foi 21º.

Duas corridas depois, em Watkins Glen, Andretti e Unser apareceram, cumprindo os seus compromissos com as equipas nos quais tinham corrido em Monza. E se Andretti, que sempre teve o sonho de correr na Formula 1 e ser campeão, Unser... nem tanto. Provavelmente, a amizade e lealdade que tinha com Dan Gurney - correu com chassis Eagle e pela All American Racing até 1978, altura em que foi para a Penske - o fez correr por ali, só para experimentar, mas também a rivalidade que tinha com Mário Andretti - outra história que merece ser contada mais tarde - o fez andar por ali.

Ao contrário da Lotus, a BRM não era a equipa que ganhou campeonatos no inicio da década, e estava num lento declínio. E se Andretti deixou todos de boca aberta quando fez a pole-position, já Unser ficou-se pela 19ª posição da grelha, em 21 inscritos, mais de cinco segundos do seu rival.

No dia da corrida, com 93 mil espectadores a desafiaram o tempo outonal naquela parte do estado de Noa Iorque, Unser teve uma corrida discreta até que na volta 35, o motor não aguentou. Mas ainda foi mais longe que Andretti, que desistira três voltas antes quando a sua embraiagem cedeu. Unser considerou que ficou suficientemente esclarecido com a Formula 1 e não pensou mais nisso, ao contrário de Andretti, que passou a década seguinte a pular o oceano, em busca do seu sonho. Que o concretizou dez anos depois, na sua Itália natal.  

Noticias: GP de Espanha terá alguns espectadores


A organização do GP de Espanha anunciou esta segunda-feira que cerca de mil pessoas assistirão o seu Grande Prémio, que acontecerá a 9 de maio. Essa gente, que são sócios do Circuit de Barcelona-Catalunya, estará agrupada numa tribuna principal, devidamente espaçados e seguindo as regras da direção geral da Saúde local.

Não é propriamente um regresso dos espectadores ao circuito, mas como o levantamento das restrições acontece por estes dias na Catalunha, a organização achou por bem dar este presente a alguns privilegiados, que ganharão acesso através de um sorteio. Ali, as regras serão estritas: devem usar máscara em todos os momentos, não é permitido fumar e consumir bebidas ou alimentos na arquibancada. Para isso, serão montadas diferentes áreas de restauração com esse propósito, no sentido de garantir todas as condições de saúde.

Esta decisão acontece depois de se ter dito no mês passado que não haveria espectadores a assistir à prova em direto, adiando a estreia de espectadores para o GP do Mónaco.

Aliás, também nesta segunda-feira, o governo monegasco anunciou que 7500 espectadores assistirão o Grande Prémio nas tribunas, depois de terem sido submetidos a testes da covid-19.