E para isso, temos de falar de uma firma de transportes e da terceira geração, que gostava mais de automobilismo do que montar chassis Ford numa fábrica em Witney, no Oxfordshire. Em 1966, Ted e Bob Toleman, netos do fundador, Edward Toleman, tomaram conta do negócio e decidiram expandi-lo para a Europa. Para isso contrataram um jovem com ideias agressivas, Alex Hawkridge, e pelo meio, descobriram que os três tinham gosto pelo automobilismo.
Tragicamente, Bob Toleman morreu num acidente de corrida em 1976, mas Ted e Hawkridge acharam que isso não os impediria de continuar o seu entusiasmo pelo automobilismo. E nesse ano, montaram uma equipa para competir na Formula Ford, e contrataram um sul-africano talentoso, Rad Dougall. Ironicamente, no dia em que o contrataram, Dougall sofreu um acidente... e fraturou ambas as pernas!
Contudo, depois de ficar curado, ele voltou a competir e ganhou a Formula Ford 2000 e com isso, quer Ted Toleman, quer Alex Hawkridge ficaram convencidos que, se queriam ajudar, o melhor seria construir a sua própria equipa na Formula 2. Com chassis March, Dougall conseguiu um terceiro lugar na sua primeira corrida, em Thruxton. E no ano a seguir, ganhou uma corrida na mesma pista.
Pelo meio, eles decidiram construir os seus próprios chassis. E isso aconteceu porque a equipa achava que a March favorecia a sua equipa de fábrica, logo, o melhor seria fazer isso mesmo: chassis próprio. Assim sendo, foram a Royale, outros construtor de chassis, não para comprar um, mas contratar outro sul-africano, Rory Bryne, que construía esses chassis. Afinal, as ambições eram grandes.
Em 1979, trocaram os chassis March por Ralt, com melhores resultados - contrataram Brian Henton para o segundo carro - mas em 1980, aproveitando o facto de limitarem o efeito-solo nos carros da Formula 2, construíram o TG280, graças também ao dinheiro da BP, trazido por outro britânico, Derek Warwick. Contudo, aproveitando um "buraco no regulamento", o TG280 torna-se num carro imbatível e eles ganham o campeonato com quatro vitórias, Henton com três, Warwick com uma. E ainda conseguiram mais três vitórias em equipas clientes, nessa temporada.
Ultrapassado esse obstáculo, decidiram imediatamente ir para o lugar seguinte: a Formula 1, e Bryne, mais uma vez, iria construir um chassis novo, para uma competição que nada conhecia. E claro, sem experiência, iriam sofrer. Anos depois, Hawkridge contou que tinham ido cedo demais, mas a oportunidade estava presente, porque era a altura da guerra FISA-FOCA, e eles decidiram ficar do lado de Balestre - e o melhor exemplo iria acontecer dali a um ano, quando participarem no GP de San Marino de 1982, boicotado pela FOCA.
Para desenhar o TG181, Bryne pediu para que fossem contratar o seu adjunto na Royale, Pat Symmonds, e a Toleman, para o convencer, deu o dobro do salário que ganhava na outra construtora. Apesar de terem construído um carro convencional, este era pesado (135 kg acima do limite) e pouco manobrável - os pilotos chamavam de "O Porco" - mas as apostas acabariam por ser as corretas no longo prazo.
No lado do motor, depois de terem considerado seriamente a Lancia, acabaram por falar com Brian Hart, que tinha preparado os seus motores de Formula 2, com grandes resultados. E pensando no futuro, decidiu construir um motor turbo, de quatro cilindros em linha. Contudo, não era muito potente, e o risco de ficar no fundo da grelha era real. Warwick disse que "o carro era impossível de guiar. Não éramos lentos, éramos sete segundos mais lentos que o fundo da grelha." Para pneus, contrariam todo o pelotão da Formula 1 ao assinarem com a Pirelli, que assim regressavam ao pelotão.
Anos depois, Symmonds refletiu sobre a decisão que tomaram em 1981: "Se o Alex [Hawkridge] e o Ted Toleman tivessem dito: 'Vamos correr na F1, vamos comprar um [Cosworth naturalmente aspirado] DFV', teríamos tido muito mais sucesso em 1981 – mas não estaríamos por aí em 1990. Teríamos sido apenas mais uma equipa."
Mas há 45 anos, em Imola, iriam ser a nova equipa na grelha de partida.




























