sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Youtube Automotive Video: James May experimenta o Slate

O Slate, mais do que um mero carro elétrico, é um conceito de algo parecido com um "one size fits all", ou seja, para um mesmo volume, colocas todos os tipos de carros possíveis: uma "pickup", um todo o o terreno com quarto lugares, um "buggy"... e é elétrico, tem cerca de 330 quilómetros de autonomia (não está mau) e não é de metal, é de plástico.

Quem foi experimentá-lo para saber até que ponto é bom, foi o James May. O "Capitão Lento" foi aos Estados Unidos saber se isto é algo que vale a pena, digamos assim.  

1991, o ano horrível de Alain Prost


No final de outubro de 1991, alguns dias antes do GP da Austrália, a carreira de Alain Prost na Ferrari chegou ao seu fim abrupto, e de certa forma, antecipado. Uma decisão tão radical como esta foi o culminar de uma temporada cheia de intrigas e tensões dentro da Scuderia, muitas causadas pelo próprio, que resultou em tensão em vez de harmonia. As mexidas na direção, em vez de aliviar, só exacerbou as coisas e no final, foi um pretexto insultuoso que resultou num despedimento sem aviso, a maneira da Ferrari de livrar uma mais valia que se tinha transformado num incómodo.

Há 35 anos, algures na Austrália, terminava o "annus horribilis" de Alain Prost.

Mas para contar esta história, temos de começar em 1990. Depois de ter chegado à Ferrari, vindo da McLaren, Prost estava determinado a ser campeão do mundo numa equipa que não vencia desde Jody Scheckter, em 1979. O carro era bom, tinha um bom motor, o habitual V12, os seus carros eram projetados por John Barnard, que trabalhara com ele na McLaren, e o modelo 641 era muito bom. Aliás, Prost tinha sido o primeiro piloto a ser contratado pela Scuderia depois da morte do Commendatore, em 1988.

E claro, tinha o número 1, conquistado no ano anterior na McLaren, de forma polémica, em Suzuka, contra Ayrton Senna.

Começou bem: ganhou em Interlagos e a meio do ano, vencera três corridas de seguida: México - onde partiu de 13º! - França e Grã-Bretanha, e a meio do ano, liderava o campeonato, com 41 pontos, mais dois que Ayrton Senna. Mas depois disso, só ganharia mais uma corrida, em Espanha, apesar de ter conseguido quatro pódios seguidos. A duas corridas do fim, era segundo, nove pontos atrás de Senna, e o "showdown" em Suzuka acabou com Prost a partir bem, passando Senna... e ambos a colidirem na primeira curva, deixando Senna campeão.

A temporada acabou com um terceiro lugar, em Adelaide, e no geral, os 71 pontos deram-lhe o vice-campeonato, mas tinha sabor a vitória porque, pela primeira vez em algum tempo, tinham tido um conjunto chassis e motor suficientemente competitivos para assustar a Honda. Contudo, dentro da equipa, havia tensões: Prost, o politico, sempre quis que a equipa trabalhasse na sua direção, o que deixava Nigel Mansell irritado, porque ele não sabia italiano e Prost, sim. Para além disso, ele não se dava bem com Cesare Fiorio, que tinha chegado à Scuderia em agosto de 1989, vindo da Lancia. Aliás, Fiorio foi contra a sua contratação: teria preferido Senna.

Tempos depois, no final do GP de Portugal de 1990, onde a Ferrari fizera dobradinha, com Nigel Mansell na frente de Prost, detonou Fiorio: "A Ferrari não merece ser campeã, não tem equipa, nem estratégia". 

Assim sendo, Mansell, depois de ter anunciado que iria retirar-se depois de ter desistido no GP da Grã-Bretanha, reconsiderou quando recebeu uma oferta da Williams para correr em 1991. Para o seu lugar veio outro francês, Jean Alesi, de origem siciliana.


O novo chassis era o 642, uma evolução do 641, fora desenhado por Steve Nichols e Jean-Claude Migeot - Barnard tinha ido para a Benetton a meio de 1990 - e as expectativas estavam altas. Apesar de Prost ter conseguido um segundo lugar em Phoenix, a corrida inaugural do campeonato, pouco ou nada podia fazer contra o McLaren MP4/6 de Ayrton Senna, que tinha conseguido ganhar as quatro primeiras corridas do ano. No final do GP do Mónaco, Prost era segundo, com onze pontos... menos 29 que Senna. Para piorar as coisas, o 642 tinha problemas de direção sérios, que impediam de ser mais competitivo que os McLaren.

Mas não foi por causa da direção que Prost teve o seu ponto mais baixo na temporada: foi por pura incapacidade que ele perdeu o controlo do seu Ferrari na volta de aquecimento do GP de San Marino, em Imola, na descida para a Rivazza. Um embaraço italiano, às portas de Maranello, numa pista que traz os nomes de Enzo e Dino Ferrari.

Algo tinha de ser feito, e na Scuderia... deram ouvidos a Prost: decidiu-se que iriam despedir Cesare Fiorio no cargo de diretor desportivo, para no seu lugar ir Piero Lardi Ferrari, o filho de Enzo Ferrari. Para ajudá-lo, estava o engenheiro Claudio Lombardi. Outra medida mais radical foi feita, que foi de construir um segundo chassis, em contra-relógio, que seria o 643. O carro fora redesenhado no campo das suspensões, para serem mais suaves, a pedido de Prost, e o motor V12 fora desenvolvido para ter maior cavalagem e poder andar a par dos Honda V12. 


O carro estreou-se em Magny-Cours, palco do GP de França, e Prost acabou no segundo lugar. Voltaria a ter outro pódio, um terceiro lugar, em Silverstone, mas por esta altura, o 643 já não era o rival do MP4/6, mas sim o Williams FW14, desenhado por Adrian Newey, que, depois de um inicio algo turbulento, começava a ganhar corridas em Mansell e o seu companheiro de equipa, o italiano Riccardo Patrese. E para piorar as coisas, o 643 apresentava alguns defeitos em relação à recolha de dados no túnel de vento, por exemplo, e nos escapes - tiverem de ser redesenhados depois do GP francês. 

E Prost continuava insatisfeito. E na Ferrari, as tensões subiam de tom, porque eles tinham feito tudo o que o francês pedia, e em vez de melhorarem, só pioravam. Apesar de mais dois pódios, um terceiro lugar em Monza e um segundo posto em Barcelona, Prost já estava muito longe da luta pelo título quando chegou a Suzuka, palco do GP do Japão.

Chegados a Suzuka, Prost era quarto no campeonato, com 31 pontos, igual que Gerhard Berger, o segundo piloto da McLaren. Tinha menos de metade dos pontos que Nigel Mansell, o único que poderia contestar a liderança de Ayrton Senna. O 643 fora uma desilusão, Prost não tinha ganho qualquer corrida em 1991, e a Ferrari apenas tinha 52 pontos, metade dos 117 que tinha a Williams, e 116 que tinha a McLaren. Não fizera mossa.

No fim de semana de Suzuka, Prost conseguiu enfiar o seu carro na segunda fila, entre os Williams de Nigel Mansell e de Riccardo Patrese, mas a sua frustração era evidente. Se teve melhor sorte que Jean Alesi, que ficara sem motor na primeira volta, ele levou o seu carro para um discreto quarto lugar no final da prova. Com pontos, mas fora do pódio. E fortemente frustado com tudo isto. 

E no final da corrida, desabafou, frustrado com os persistentes problemas de condução do 643: "Seria mais fácil conduzir um camião do que este carro". Foi a gota de água que fez transbordar o copo da paciência em Maranello. Mais do que o orgulho ferido da Scuderia, estavam mais que fartos de Prost. 

Alguns dias depois, a 29 de outubro, a Ferrari anuncia o seu despedimento: "A Ferrari decidiu não continuar a sua colaboração com Alain Prost para as temporadas de 1991 e 1992, com efeito imediato". No seu lugar, na Austrália, entra Gianni Morbidelli, seu piloto de testes e que, durante essa mesma temporada, foi piloto titular na Minardi. 

Prost, que foi apanhado pela noticia a meio da noite, no seu hotel em Port Douglas, perto de Adelaide, reagiu no dia seguinte disposto a não entregar sem luta:

"Estarei em Adelaide. onde espero encontrar o meu carro para pilotar. Tenho comigo um contrato com a Ferrari para este ano e para 1992. Se a Ferrari persistir nesta sua posição, será responsabilizada pela quebra do contrato. Irei a Adelaide com o meu advogado e veremos como esta estória vai acabar".

Os jornais não perdoaram, especialmente os italianos. Como o Gazzetta dello Sport, que afirmou: "Nenhum piloto pode classificar o seu carro de camião", enquanto o Corriere dello Sport foi mais subtil: "No momento em que Prost classificou a "vermelha" de camião, entregou-se aos advogados da Ferrari numa bandeja de prata...".    

Mas, na realidade, Prost acabou por ver a corrida australiana na televisão. E até calhou bem, porque caiu uma bátega de água na pista de Adelaide, ainda pior que em 1989, e a corrida apenas durou 14 voltas, acabando por ser corrida mais curta de sempre até então. 

Sem contrato para 1992, Prost tinha muito que pensar. Contudo, as suas chances de um carro competitivo eram bem diminutas. Mas havia uma equipa que não o queria largar tão facilmente: a Ligier. Tinham conseguido motores Renault para a temporada de 1992, e o convidaram para fazer alguns testes de pré-temporada. Depois de alguma reflexão, no inverno de 1991, aceitou. Primeiro, em Le Castelet, sob disfarce - usou um capacete de Eric Comas - e deu umas voltas com o JS37, o carro de 1992, desenhado por Frank Dernie e Gerard Ducarouge, dois experientes desenhadores. 


Descoberto o esquema, Prost passou a usar o seu capacete para outros testes com a marca francesa. Mas depois de longa reflexão, e com a Ferrari a dizer que poderia receber o salário que deveria receber em 1992, decidiu que o melhor seria um ano sabático, mas no sentido de preparar o seu regresso. E tinha os olhos na Williams.

Quanto à Scuderia, 1992 iria ser um ano ainda mais infernal. De uma maneira algo irónica, quando a Scuderia despediu Prost, naquele outubro de 1991, poupou-o de um ano ainda mais horrível que aquele que passou. 

Noticias: Dakar 2027 partirá do Algarve


O Dakar 2027 acontecerá entre os dias 9 e 23 de janeiro, começará no Algarve e acabará em Marrakesh, em Marrocos. O anuncio oficial aconteceu esta manhã, e contará com um Prólogo em terras portuguesas, antes de uma ligação de barco, onde os carros, motos e camiões irão para terras marroquinas, onde farão as restantes doze etapas até à meta, com um dia de descanso em Agadir, a 17 de janeiro. 

Ao todo, serão 7824 quilómetros, dos quais 4341 quilómetros serão cronometrados, e passará por seis "bivouacs" diferentes. O diretor da prova, David Castera, anuncia um Dakar “sem concessões”, com a maioria das especiais a variar entre 350 e 500 quilómetros.

"A 49ª edição do Dakar, agora numa nova localização, irá corresponder aos padrões desportivos que sempre o tornaram o rali de cross-country mais exigente de todos. Apesar do curto prazo com que tivemos de trabalhar, concebemos um Dakar autêntico.", começou por afirmar David Castera, o diretor da ASO, no seu comunicado oficial. 

"O ACP [Automóvel Club de Portugal] apoia-nos em Portugal, tendo consolidado a sua etapa do Campeonato do Mundo de Ralis Cross-Country da FIA-FIM como um pilar fundamental da temporada desde 2024. Em Marrocos, a nossa experiência em todo o território, aliada à capacidade operacional das nossas equipas internas, permite-nos ir muito além dos formatos anteriormente oferecidos no país: os concorrentes descobrirão o Reino de uma ponta à outra."

"Desde já manifestamos a nossa gratidão pela fidelidade dos concorrentes que, na sua grande maioria, decidiram acompanhar-nos nesta nova aventura - 350 já inscritos até ao momento. Poderão também contar com o apoio dos meios de comunicação social e dos nossos parceiros, que reafirmam o seu compromisso connosco nestas circunstâncias excecionais. Como habitualmente, o Dakar será transmitido para mais de 190 países em todo o mundo."

"A aventura continua, assim como os preparativos para a celebração histórica da 50ª edição na Arábia Saudita [em 2028].", concluiu.

A organização destaca a disponibilidade de Portugal e Marrocos para voltarem a receber o evento num contexto de preparação com tempo limitado. As ligações históricas aos dois países mantiveram-se através da comunidade do todo-o-terreno e das provas do W2RC realizadas nos últimos anos.

O traçado desde novo Dakar foi concebido nas últimas semanas, com base no conhecimento acumulado pelas equipas de organização e em várias missões de reconhecimento. A distância cronometrada aproxima-se do formato das edições recentes, mas a extensão diária das especiais e a exigência dos desertos marroquinos prometem dificuldades para pilotos, navegadores e máquinas.

A mudança para a Europa e África abrangerá também o Dakar Classic, o Dakar Future Mission 1000 e o programa Dakar Saudi Next Gen.

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

As imagens do dia





O fim de semana do GP mexicano calha sempre no fim de semana do "Dia de los Muertos",  um dos mais importantes feriados do calendário mexicano, onde se lembram os antepassados já falecidos. No caso da Formula 1, lembram-se os que já não estão cá mais: pilotos, chefes de equipa, dirigentes. E até um cão: Roscoe, o “bulldog” do Lewis Hamilton.

As fotos são do Adam Cooper.

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Youtube Motorsport Testing: Os testes do Ford Hypercar em Monza

A Ford, a par da McLaren, estará na classe Hypercar da Endurance em 2027, e está em testes para a estreia, que será no Qatar, dentro de alguns meses. Até lá, passa por diversos testes em vários circuitos europeus, e já esteve em Portimão, por exemplo.

Nestas filmagens, esteve a testar em Monza, com o seu motor de 5,4 litros Coyote, acumulando quilómetros para a temporada que aí vem. Quanto aos pilotos, os escolhidos são o australiano Matt Campbell, os britânicos Nick Yelloly e Sebastian Priaulx, o sueco Tom Blomqvist, o americano Logan Sargeant e o alemão Mike Rockenfeller.

Rumor do Dia: Colton Herta poderá ir para a Cadillac?


Se a Cadillac anunciou hoje que Sérgio Pérez será o seu piloto para 2027, o segundo lugar na equipa americana está em dúvida. Isto porque a equipa está a considerar seriamente dar o lugar ao americano Colton Herta, apesar de estar a ter uma temporada muito modesta na Formula 2.

A razão, segundo contam Edd Straw e Josh Suttil, no video publicado recentemente pelo site the-race.com, é que Herta parece mostrar bons resultados sempre que ele é chamado para participar em alguns treinos livres desta temporada. Até agora, esteve em quatro sessões: Barcelona, Hungaroring, Monza e Austin. Para além disso, dado o seu currículo pelas suas passagens pela IndyCar e IMSA, ele parece ser bem melhor que os pilotos com quem está a competir nesta temporada na Formula 2, e também porque acreditam no seu talento.

E eles também apontam que Herta faz parte do projeto, ou seja, eles sempre queriam ter um piloto americano ao leme. E a situação da Superlicença já está mais esclarecida, ou seja, falta um ponto para obtê-la, e poderá conseguir se fizer um treino livre no México. 

Há, certamente, outros candidatos ao lugar - o site fala de gente como Yuki Tsunoda, que correu em três provas pela Racing Bulls em 2026, ou o dinamarquês Frederik Vesti, o atual piloto de reserva da Mercedes, mas que corre num Cadillac na classe Hypercar na IMSA - mas resta saber até que ponto eles poderão quebrar o contrato de Bottas na equipa americana. Afinal de contas, ele tem um contrato até 2027 e andou a ajudar muito na equipa ao longo desta temporada.

É muito provável que isso poderá acontecer, mas não em 2027. Agora, poderá pensar: Herta faria outra temporada na Formula 2 ou seria piloto de reserva na próxima temporada? 

Uma coisa é certa: a ideia de um piloto americano numa equipa americana é demasiado tentadora para deixar passar.   

Noticias: Pérez renova com a Cadillac até 2029


A Cadillac renovou o contrato com o mexicano Sérgio Perez até 2029, revelou hoje a equipa, nas vésperas do GP do México. O piloto de 36 anos, que chegou este ano à equipa americana, depois de um ano sabático de 2025, após a sua saída da Red Bull, ficará para ajudar a desenvolver o carro americano, que chegou à Formula 1 este ano.

“Integrar a equipa de Fórmula 1 da Cadillac desde o primeiro dia foi um projeto em que realmente acreditei, e prolongar o meu compromisso parece uma continuação natural deste capítulo”, começou por falar Perez no comunicado oficial da equipa.

“Construir uma equipa de Fórmula 1 a partir do zero exige tempo, trabalho incansável e paciência, mas o progresso que estamos a alcançar juntos é incrivelmente gratificante. Ainda há muito trabalho pela frente, e estou totalmente empenhado nos próximos três anos.", continuou. 

"Quero agradecer ao Dan [Towriss, CEO da general Motors], ao Mark [Reuss, chefe de departamento da GM] e a todos na TWG Motorsports e na General Motors pela oportunidade de dar continuidade ao que começámos juntos. A cada membro desta equipa especial — nas pistas, nos EUA, no Reino Unido — e aos nossos fãs, obrigado pelo apoio e pela confiança. Não vos vou desiludir. Vamos continuar a avançar.”, concluiu.

Do outro lado, Dan Towriss afirmou sobre esta renovação da seguinte forma:

"Construir uma equipa competitiva na F1 é uma viagem de longo prazo; garantir o talento e a liderança de Checo proporciona-nos a continuidade e o empenho necessários para avançar a partir da base sólida estabelecida no nosso primeiro ano. Juntos, estamos focados na próxima etapa da nossa trajetória, impulsionando a equipa e progredindo na grelha.", afirmou.

Curiosamente, a renovação acontece também na altura em que "Checo" Perez está a alcançar na Cidade do México o seu 300º Grande Prémio da sua carreira.

terça-feira, 27 de outubro de 2026

WRC: Partida do Rali dos EUA será no Tenessee


O rali dos Estados Unidos, que acontecerá entre os dias 26 a 29 de agosto, e que marca o primeiro regresso do campeonato ao país desde 1988, terá a partidas no estado do Tennessee, mais concretamente a cidade de Knoxville. A noticia foi dada esta segunda-feira pela organização do Rally US.

O rali será disputado em terra e percorrerá mais de 15 condados nos estados do Tennessee e do Kentucky. O troços irão estender-se das montanhas dos Apalaches ao Planalto Cumberland, combinando estradas rápidas de gravilha, secções florestais técnicas e alterações de altitude acentuadas. 

Em Knoxville, mais concretamente no World’s Fair Park e no Knoxville Convention Center, ficará o WRC Arena, um local onde ficará reunindo a base das equipas e um festival para os adeptos, num ponto central para os espectadores fora dos troços. A partida cerimonial terá lugar em Nashville, na Lower Broadway, e integrará um programa que inclui música ao vivo, aparições de pilotos, eventos para adeptos no WRC Arena e celebrações comunitárias no leste do Tennessee e no leste do Kentucky.

O presidente e CEO do Rally US, Matt Crews, ligou a escolha das localizações à dimensão turística e de entretenimento do Tennessee. 

“O Tennessee está no negócio da hospitalidade e do entretenimento, e ninguém o faz melhor”, declarou. “Quando a FIA e a WRC Promoter colocaram a América de volta ao calendário, propusemo-nos oferecer muito mais do que uma corrida: uma experiência de evento, de Broadway às montanhas dos Apalaches, que rivalize com qualquer festival do mundo e coloque o nosso estado num palco global como nenhum outro”, acrescentou.

Já o presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, destacou o valor competitivo e comercial do regresso do campeonato aos Estados Unidos. 

“Os Estados Unidos representam uma das oportunidades de crescimento mais importantes para o Campeonato do Mundo de Ralis da FIA”, afirmou. “É uma nação onde o desporto motorizado faz parte do ADN cultural, com campeonatos nacionais de classe mundial e um apetite rapidamente crescente por competição global”, acrescentou Ben Sulayem.

O CEO da WRC Promoter, Éric Boullier, sublinhou a importância atribuída ao mercado norte-americano. “Os Estados Unidos têm sido há muito uma prioridade para o WRC. Knoxville e as estradas do Tennessee e do Kentucky dão-nos um cenário espetacular e desafiante, e um lar apaixonado para as nossas equipas, fabricantes e adeptos, enquanto começamos este novo capítulo na América”, declarou.

Noticias: Bridgestone poderá apresentar uma candidatura para fornecer pneus à Formula 1 em 2028


Ainda falta um bocado para o final da temporada de 2028, mas já se pensa em quem ficará com o contrato do fornecimento de pneus para a Formula 1. A Pirelli está lá desde 2010, em regime de exclusividade, mas já se pensa se a marca italiana continua ou outras marcas poderão entrar neste concurso.

Segundo conta o site racingnews365, responsáveis da Bridgestone estiveram no paddock nos últimos meses, de forma discreta. Contudo, nas rondas de Singapura e Austin, a delegação japonesa manteve conversações de bastidores sobre os planos de envolvimento da empresa e um possível regresso à modalidade, da qual saiu no final de 2010.

A empresa prepara uma proposta tecnológica, empresarial e comercial mais forte do que a candidatura anterior, que já era amplamente considerada sólida, e já se fala que, com isso, poderá ser a favorita para ocupar o lugar. Contudo, pode não estar sozinha: a coreana Hankook terá também revelado interesse em participar no concurso enquanto do lado da francesa Michelin, surgem rumores de um possível interesse.

Uma coisa é certa: quem quer que a FIA escolha, esta terá de apresentar depois uma proposta à Fórmula 1, seguindo-se as negociações comerciais e empresariais antes da conclusão do acordo.

Neste momento, a empresa japonesa assumiu o fornecimento exclusivo da Fórmula E para a temporada de 2026–27, está na IndyCar através da marca Firestone e participa também no Super GT e noutras séries no Japão.

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Noticias: Wolff elogiou a corrida de Antonelli em Austin


O triunfo de Andrea Kimi Antonelli no Grande Prémio dos Estados Unidos, em Austin, mereceu rasgados elogios de Toto Wolff, chefe de equipa da Mercedes, que considerou ser a melhor corrida do italiano até ao momento no campeonato.

Para o chefe da equipa, a forma como o italiano geriu a prova a partir da frente destacou-se para além do resultado. “Arrancar com o pneu inferior e depois controlar a corrida em todos os momentos. Uma corrida de campeão — de quem ainda não é campeão —, mas excecional”, afirmou no domingo à noite, pouco depois do final da corrida.

Questionado sobre se Austin superava a vitória em Monza, onde Antonelli recuperou desde o fundo do pelotão, Wolff respondeu com humor: “Disse que esta é provavelmente a melhor corrida que vi, mas o meu problema é que não me lembro das corridas anteriores!”

Com este resultado, Antonelli está agora a meros dois pontos de conseguir o seu campeonato do mundo, o primeiro da sua carreira, já que ele tem 20 anos e dois meses de idade, menos três que tinha o atual recordista, o alemão Sebastian Vettel, quando alcançou, em 2010. 

A Formula 1 continua no próximo fim de semana na Cidade do México.

Meteo: Cidade do México terá um fim de semana calmo


O fim de semana mexicano será calmo em termos de meteorologia. Tudo indica que terá céu limpo, temperatura amena, vento fraco e zero por cento de chuva.

Segundo indicam as previsões, a temperatura nos três dias da semana na Cidade do México, palco do autódromo Hermanos Rdoriguez, andará a rondar os 25 graus, o vento é fraco, na ordem dos cinco quilómetros por hora, e as chances de chuva estarão entre os zero e os cinco por cento na capital mexicana. 

Ou seja, tudo indica que o tempo será agradável para que os espectadores possam assistir a uma corrida do qual, tudo aponta que Andrea Kimi Antonelli possa ser consagrado campeão aos 20 anos e dois meses de idade, o mais jovem de sempre.

domingo, 25 de outubro de 2026

Formula 1 2026 - Ronda 18, Austin (Corrida)


Este é um dia onde começamos a ver a primeira hipótese de um piloto fazer história. Andrea Kimi Antonelli, com vinte anos e dois meses de idade, pode ser campeão hoje, já que neste momento tem 102 pontos de vantagem sobre o segundo classificado, e com cinco rondas para o final do campeonato - condicionalmente, diga-se de passagem - parece que tem tido controlado. Afinal de contas, ontem, ele conseguiu a pole-position, e os seus rivais estão um pouco mais atrás na grelha que eles desejariam estar.

Claro, seria ótimo se conseguisse hoje, mas pelas leis do Texas... ele só pode beber álcool a partir dos 21 anos. Não seria uma má ideia se adiasse a coisa até ao outro lado da fronteira, na Cidade do México...

O dia estava ótimo, neste outono texano, ainda com o sol a aquecer as pessoas sentadas nas bancadas. Antes da corrida, soube-se que Lance Stroll iria largar das boxes por causa de reparações no seu carro. 

Em termos de pneus, tínhamos gostos para tudo: Antonelli e Riussell largava com médios, bem como os McLarens, enquanto o resto arrancava com moles. A ideia era saber se fariam uma ou duas paragens, com a primeira paragem a acontecer a partir da volta 20. Mas havia os que largavam com duros, o que provavelmente seria para uma paragem, mas o mais tarde possível.


Na partida, Antonelli manteve a liderança até à primeira curva, enquanto Max arrancava de forma lenta e era passado pelos Ferraris nos Esses. Russell caia para sexto, antes de Max reagir e restaurar o segundo lugar, depois de passar os Ferraris. Na frente, Antonelli tinha uma vantagem de... 2,4 segundos! Contudo, foi sol de pouca dura, porque se encontraram destroços e as bandeiras amarelas foram colocadas.

As coisas acalmaram-se nas voltas seguintes, com alguns incidentes a serem notados. Contudo, na volta 9, os comissários anunciaram que Russell iria ter uma penalização de cinco segundos por causa de ter saído de pista e retomado para ganhar um lugar. Virtualmente, caiu para nono, atrás dos McLaren, o que parecia que o cenário estava a ficar favorável para o seu companheiro de equipa.

Na frente, tudo estável: a diferença entre Antonelli e Max não se afastava dos 2,6 segundos, enquanto Leclerc já estava longe de Max, cerca de dois segundos. Contudo, na volta 14, Max foi às boxes, o primeiro a parar, 2,7 segundos para colocar mais moles. Hamilton foi às boxes na volta 15, colocou médios e regressou à pista em nono. Na volta seguinte, foi a vez de Leclerc e Piastri. O monegasco da Ferrari calçou médios, enquanto Piastri colocou duros. 

Mais paragens: Norris foi às boxes na volta 17, para colocar também duros, enquanto na frente, Antonelli já tinha 11,7 segundos sobre Isack Hadjar, o segundo classificado. Atrás, Max ganhava lugares atrás de lugares, passando Russell na volta 19, para ser terceiro. Não iria demorar muito até apanhar Hadjar, pois ganhava quase um segundo por volta. 

Russell acabou por parar na volta 23, metendo duros - o que significava uma só paragem - e regressava na décima posição. Duas voltas depois, a meio da corrida, virtualmente, Kimi Antonelli foi às boxes para a sua unica paragem. Demorou menos de três segundos, e meteu duros, e regressou em quarto, menos de cinco segundos da liderança. Hadjar foi às boxes na volta seguinte, depois de defender-se dos ataques de Max. Ele meteu duros e regressou, para ficar na pista até ao final da corrida.

Na volta 27, o primeiro abandono da corrida, com a paragem definitiva de Ollie Bearman nas boxes, com o seu Haas. 


As coisas acalmaram-se e Hadjar, em sexto, era assediado por Piastri. Ele aguentava, tentando afastar-se um pouco do piloto da McLaren, mas não muito para se acalmar. Na frente, Antonelli aproximava-se de Leclerc, que por sua vez, aproximava-se de Max. Até que na volta 32, ele foi às boxes para a sua segunda paragem, para colocar médios. Regressava em quinto, com Antonelli agora na traseira de Leclerc, com vontade de o passar. E na volta 33, o italiano regressou à liderança.

Hamilton foi às boxes na volta 39, pela segunda vez, caindo para sexto e a colocar duros - pela parte final, quase todos andavam com duros. Na volta seguinte, foi a vez do Leclerc, também para colocar os brancos, que representam os duros, regressando à pista em quarto. Na frente, Antonelli agora tinha mais de 14 segundos sobre o segundo classificado, Lando Norris, que estava a ser assediado por Max Verstappen.

As coisas tranqulizaram até a cerca de dez voltas do final, quando Norris comelava a ser assediado por Max Verstappen e Charles Leclerc. Max, na primeira oportunidade, conseguiu passar o piloto da McLaren, e tentou afastar-se do piloto da Ferrari, que ficava trancado atrás de Norris, até o passar na volta 48.

Com isso, Leclerc acelerou e ficou na traseira de Max, tentando chegar a segundo, mas as coisas pareciam estar mais complicadas. Atrás, Hamilton era quinto e Russell oitavo, onde, embora as coisas ficassem mais compostas para Kimi Antonelli, ainda não chegava. Na volta 50, Leclerc passou Max na curva 11, e ele ficava com o segundo posto. Mas enquanto acontecia todas estas lutas, Antonelli liderava com uma vantagem de 16 segundos. Tudo se compunha para o italiano, para a sua nona vitória na temporada. 

Na volta 51, Bottas parava na pista, e o Safety Car Virtual era colocado, para que os carros abrandassem um bocado para que o Cadillac do finlandês pudesse ser colocado num lugar seguro.


Por fim, Antonelli ganhou, cumprindo a sua parte, e conseguindo a sua nona vitória da sua carreira. Contudo, Hanilton acabou em quarto, e Russell em oitavo, ele não comemoraria em Austin o seu campeonato. Iria ser apenas adiado por uma semana, na Cidade do México, mas de certa forma, foi uma excelente corrida para o piloto da Mercedes. 

Noticias: Dakar será em Marrocos


O Dakar sairá da Arábia Saudita em 2027, rumando a Marrocos. E a partida poderá ser em Loulé. A ASO anunciou neste domingo que o rali acontecerá noutro lugar que não a península saudita, devido aos acontecimentos na região. 

"A Amaury Sport Organisation (ASO) e a Saudi Motorsport Company (SMC) decidiram em conjunto que o Dakar Arábia Saudita 2027, agendado para decorrer de 1 a 15 de janeiro de 2027, não se realizará no Reino, em consequência dos recentes acontecimentos na região. Esta decisão é excecional e única, tomada em estreita coordenação com a Federação Saudita de Automobilismo e Motociclismo (SAMF) e com o apoio da FIA e da FIM.", afirma, no comunicado oficial.

"O Dakar 2027 vai acontecer. A edição de 2027 será realizada num território diferente e será organizada pela ASO. O local será anunciado separadamente nos próximos dias. A ASO está em contacto direto com os concorrentes, equipas e parceiros para os apoiar durante esta transição.", garantiu.

De uma certa forma, era o esperado, depois de, nos últimos dias, a guerra entre a Arábia Saudita e os Houthis, que mandam no Iémen, foi reavivada. Para além disso, os rumores nos últimos dias de que a guerra entre os Estados Unidos e o Irão poderá reacender-se, com noticias de evacuação de embaixadas um pouco por todo o Médio Oriente, e aviões a concentrarem-se nos países à volta do Irão, todas as manifestações desportivas estavam em risco. O deslocamento do Dakar era uma inevitabilidade. 

Contudo, nas últimas horas, o rumor é de que a partida do Dakar será em Loulé, e uma etapa será feita em solo português, antes de atravessarem a fronteira para Marrocos, onde fariam o resto do rali. Mas isso é algo que a ASO falará nos próximos dias, porque as negociações ainda continuam a decorrer. 

Uma coisa é certa: eles já garantiram o regresso para 2028.

"Desde 2020, a Arábia Saudita acolhe sete edições consecutivas do Dakar, recebendo concorrentes de todo o mundo em percursos que destacaram a notável diversidade geográfica do Reino. Estas edições tornaram a Arábia Saudita parte integrante da comunidade do Dakar e estabeleceram uma forte parceria estratégica de longo prazo entre a ASO, a SMC e a SAMF. Todas as três organizações reafirmam o seu compromisso de continuar a cooperação, desenvolver o desporto automóvel no Reino e proporcionar experiências excecionais aos concorrentes, equipas e fãs."

"A Arábia Saudita vai receber o Dakar 2028, uma edição histórica que vai celebrar a 50ª edição do rali. Ambas as organizações já estão a trabalhar em conjunto para fazer deste marco um momento excecional para o Dakar e para o Reino, com um compromisso partilhado de, mais uma vez, realizar um evento icónico e de classe mundial com os mais elevados padrões de qualidade.", concluiu.

sábado, 24 de outubro de 2026

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O dia 24 de outubro de 1971 era de sol outonal no circuito de Brands Hatch, no Kent britânico. Lá, iria acontecer a Victory Race, para comemorar o título mundial de Jackie Stewart. Originalmente, deveria ser a data do GP do México, mas a morte de Pedro Rodriguez, em julho, fez com que os mexicanos se desinteressassem de organizar a corrida. 

Uma equipa que estava em alta era a BRM. Tinha ganho duas corridas, na Áustria e em Itália, através dos seus pilotos, Jo Siffert e Peter Gethin, e a qualificação rinha corrido bem. Aliás, ambos estavam na primeira fila da grelha, com o mesmo tempo - Siffert era pole porque tinha feito o tempo antes. 

Mas ele, de inicio, não queria ir. Simone, a sua mulher, contou depois que o seu plano inicial era ir ao Japão, mas o seu Porsche não tinha chegado a tempo.

 “O meu marido não queria ir; aliás, inicialmente deveria disputar o Grande Prémio do Japão na mesma data, mas o seu Porsche não pôde ser levado para lá. Mas ele também gostava de Brands Hatch e, acima de tudo, gostava muito de Jackie, que, tal como nós, vivia na Suíça e era um bom amigo. Então, ele foi.”

Na partida, Gethin partiu bem, enquanto Siffert partiu mal. Perdeu dez posições e tratou de as recuperar. Contudo, na segunda volta, tentava passar o March do sueco Ronnie Peterson quando ambos tocaram, com ele a ir para a berma. Prosseguiram, e o sueco ainda tocou noutro carro, o Surtees de Mike Hailwwod, com ambos a irem às boxes. Pelo meio, o francês Henri Pescarolo bateu no carro do sueco Reine Wissell na curva Druids e acabram ali as suas corridas.

Siffert partiu para a recuperação, e no inicio da volta 14, era quarto, com o seu companheiro Gethin a liderar, embora a ser assediado pelo Lotus de Emerson Fittipaldi. Contudo, quando o BRM do suíço está a aproximar de Hawthorn Bend, a mais de 260 km/hora, ele segue em frente, embate na barreira, capota, parte-se em dois e explode em chamas. Preso, com o carro em cima dele, nada podia fazer. A corrida foi definitivamente interrompida para que os socorros pudessem entrar na pista, e quando as chamas foram apagadas, cerca de cinco minutos depois do acidente, limitaram a confirmar o óbito. Tinha 35 anos.

Mais tarde, no inquérito do Royal Automobile Club, demonstrou-se que o acidente aconteceu porque um braço da suspensão do seu BRM tinha sido danificado no toque com Ronnie Peterson, na segunda volta, e partiu-se, doze voltas depois. Preso pelo peso do carro, acabou por morrer vítima de inalação de fumos. Apenas sofrera uma fratura na perna direita, e os bombeiros não tinham a proteção adequada para poderem combater as chamas com os seus extintores. O testemunho de um bos bombeiros presentes afirmou que, caso tivessem combatido as chamas nos primeiros 30 segundos, poderiam ter feito as manobras necessárias para salvar o piloto.

Por causa disso, a FIA decidiu fazer uma completa reavaliação da segurança dos carros, dos pilotos e dos comissários de pista. Os carros passaram a ter extintores internos, para ajudar a apagar o fogo, antes da chegada dos socorros, e os pilotos passaram a ter um fornecimento de oxigénio para os seus capacetes, para poderem respirar em situações como estas.

Poucos dias depois, 50 mil pessoas alinharam-se nas ruas de Friburgo para ver passar o caixão que continha os restos mortais de Jo Siffert. A liderar, em marcha lenta, estava um Porsche 917K pintado de azul celeste e laranja, da John Wyer Automotive, o carro usado por ele no Mundial de Resistência, com uma enorme faixa negra em diagonal.

Siffert está sepultado no Cimetière Saint Léonard, em Friburgo. Há uma escultura em sua homenagem, na cidade que o viu nascer, feito por Jean Tinguely, inaugurado em 1984, e um busto em Genebra, inaugurado 13 anos depois.

Formula 1 2026 - Ronda 18, Austin (Qualificação)


E chegamos ao primeiro "match point" da temporada. Numa temporada com um final ainda improvável, por motivos externos ao automobilismo, parece que a Mercedes poderá coroar alguém que, a acontecer, baterá recordes de precocidade. Sabia-se do potencial de Andrea Kimi Antonelli, mas pensar que ele poderá ser campeão, aos 20 anos, e ser o primeiro campeão nascido no século XXI, contra alguém que todos julgavam que poderia ser campeão, mas arrisca a ser a maior desilusão da temporada.

E diz-se isso porque um dos candidatos a esse título, Max Verstappen... ganhou as duas últimas corridas. E na Red Bull, enquanto há vida, há esperança. E também o resto da concorrência, que irá fazer o seu melhor para adiar isto o mais possível. 

Mas primeiro, temos a qualificação, nesta pista de Austin, a segunda das três corridas em solo americano.


Esta começou com céu encoberto, mas tempo ameno e sem possibilidade de chuva. A esmagadora maioria dos pilotos usava os pneus moles, com a exceção dos Mercedes, que decidiram usar os médios, e o McLaren de Oscar Piastri, certamente pensando em guardar um jogo de moles novos para a corrida. Quem sabe.

A Q1 não teve grande história, sem despistes ou batidas fortes no muro. No final, os Ferrari estavam a mostrar-se, com Charles Leclerc no topo da tabela, seguido pelo Red Bull de Max Verstappen e Isack Hadjar, que interferiram entre os carros vermelhos, já que Lewis Hamilton tinha o quarto melhor tempo. Contudo, Lando Norris ainda teve tempo para colocar o seu carro no topo da tabela, com 1.35,029, contra os 1.35,200 do piloto monegasco. 

Em contraste, entre os eliminados, os mais surpreendentes foram os Williams de Carlos Sainz Jr. e Alex Albon, o Aston Martin de Lance Stroll, os Cadillacs de Sério Perez e Valtteri Bottas e o Haas de Esteban Ocon. 

Poucos minutos depois, começava a Q2. Todos usavam um novo jogo de moles, para marcar os tempos na pista necessários para a fase seguinte... ou para tentar escapar de uma eliminação precoce. Gabriel Bortoleto decidiu não marcar um tempo, porque iria ser fortemente penalizado em 40 lugares por causa das mudanças nas diversas unidades do seu carro. Pelos vistos, irá largar de El Paso...

No final, pouco mais de um segundo separaram os dez primeiros. Novamente os Ferrari na frente, com Leclerc a ter 1.34,198, a 80 centésimos de Antonelli, agora com moles e a ter um tempo respeitável. Russell era terceiro e tinha 1.34,305, enquanto Oscar Piastri estava na zona de fronteira, e dava jeito melhorar o seu tempo. Ele melhorou, subindo para sexto, com 1.34,718, 620 centésimos mais lento que Leclerc, mas na frente de Hamilton.

Agora eram os Racing Bulls na corda bamba, com Liam Lawson no limite e Arvid Lindblad no lado de fora. Lindblad consegue 1.34,950 e fica nos dez primeiros, seguido de Lawson, quando consegue 1.35,058, mais 22 centésimos do primeiro eliminado.

E entre os que saíram a fava? Foram, para além do Aston Martin de Fernando Alonso, o Alpine de Franco Colapinto e Pierre Gasly, os Audi de Gabriel Bortoleto e Nico Hulkenberg, e o segundo Haas de Ollie Bearman.

E agora, era a altura da Q3.


Demorou poucos minutos até os carros voltarem à pista, com o primeiro tempo a ser marcado por George Russell, seguido por Kimi Antonelli. Se o britânico marcou 1.34,476, o italiano reagiu com 1.34,035, ficando na pole. Mas Max Verstappen estava a tirar sectores mais rápidos, mas no final faz 1.34,214. Leclerc só consegue 1.34,336, melhor que Hamilton, apenas 1.34,613. Os McLaren apenas tinham a quarta fila, com Piastri a ser melhor que Norris.

Dentro do carro, Verstappen queixava-se da aderência e da falta de tração. 

Depois disto, alguns minutos para irem às boxes, trocar de pneus e irem para a volta final, o que aconteceu a pouco menos de dois minutos e meio do final da qualificação. Se serviria para melhorar... ou nem por isso, agora era o momento.

Os primeiros voltavam a ser os Mercedes, querendo mostrar que eram os melhores, ao contrário da Ferrari, que tinha dominado todas as sessões de treinos do fim de semana texano. Russell, o primeiro na pista, tirava 1.34,552, e não saía de quinto, enquanto Antonelli, parecendo que o seu rival não tinha melhorado, decidiu levantar o pé. A pole era dele. Verstappen, que a certa altura era o mais rapido, não conseguiu melhorar, e desta vez, eram os ventos que prejudicaram as voltas de toda a gente.  


No final, opiniões contrastantes: Kimi Antonelli estava feliz com a sua pole, e praticamente metade do trabalho feito - domingo será a segunda parte - enquanto Max Verstappen queixava-se da falta de tração nos seus pneus.

“O Max foi muito rápido e o Isack fez um trabalho incrível, pelo que não vai ser fácil. A Q3 foi muito dura devido ao vento forte e imprevisível, mas estou feliz”, comentou o detentor da pole.

“Na Q3 não tivemos um bom equilíbrio em nenhum dos jogos de pneus. Não houve erros, simplesmente não havia aderência e comecei a escorregar muito”, explicou o neerlandês da Red Bull.

Amanhã, pela hora do jantar, saberemos se teremos novo campeão, ou teremos de esperar por mais uma... ou duas semanas, dependendo do circuito. De qualquer forma, poderemos ver um recorde a ser batido. De precocidade.