segunda-feira, 12 de outubro de 2026

As imagens do dia








Faz hoje 40 anos que Gerhard Berger e a Benetton conseguiram as suas primeiras vitórias na Formula 1, ambos no GP do México, no Autódromo Hermanos Rodriguez. Era o regresso ao México depois de 16 anos de ausência, e ele conseguiu esta vitória porque manteve o mesmo jogo de pneus da Pirelli por toda a corrida - uma mistura de moles e duros, algo que hoje em dia não seria permitido.

Contudo, quando fazia a pesquisa para este artigo no Substack - podem ler o artigo a partir deste link - descobri uma novidade que vale este post à parte por aqui. E tem a ver com a Goodyear e a má tarde dos seus pneus. Os pilotos com os compostos americanos fizeram duas paragens durante a corrida, e não era esse o plano, era apenas uma paragem. Tudo ficou baralhado porque na capital mexicana, uma delegação da Goodyear estava ali a assistir a corrida, e deu uns conselhos não solicitados, que seguidos, deram lugar à catástrofe conhecida e explica tudo o que se passou nessa corrida - excepto a má partida de Nigel Mansell, que foi porque ele não engatou a marcha adequada quando parou na grelha nos segundos antes da luz verde. 

Frank Dernie, engenheiro da Williams, explicou anos depois, num grupo do Facebook, o que se passou nessa corrida:

“A Goodyear insistiu em recomendar o composto C. Íamos correr com o B, mas recebemos uma comitiva liderada por Lee Gaug [executivo da marca] a dizer-nos que iríamos deitar o título fora. No final de contas, o B era o pneu certo, como Nelson queria; mas, quando os pneus C começaram a apresentar bolhas — revelando-se claramente uma escolha errada —, o único conjunto de pneus B que ainda tínhamos montado não estava calibrado. Nunca perdoei o Lee!”

E com razão, sabendo nós hoje das consequências dessa corrida para o campeonato: Nelson Piquet acabou por ir às boxes pela segunda vez na volta 44, e com o novo jogo de pneus, era definitivamente o quarto classificado e até Nigel Mansell, que tinha perdido uma volta para o seu companheiro de equipa, recuperou essa volta. Depois, as desistências de Stefan Johansson e de Riccardo Patrese fizeram o resto, colocando Mansell nos pontos e salvando o que foi uma tarde desastrosa para o "brutânico". 

No final, aquelas más classificações impediram a Williams de resolver tudo na Cidade do México, em termos de pilotos - em termos de Construtores, tudo bem, acabaram campeões. Mas as coisas entre os pilotos acabaram por ser adiadas para Adelaide, na Austrália. E os resultados foram aqueles que acabaríamos por saber. E curiosamente, também iria haver pneus envolvidos nisto...

Rumor do Dia: Corridas sauditas adiadas?


A Formula E poderá ver o seu inicio adiado para o ano que vêm por causa da atual situação na Arábia Saudita. Os ataques dos "houthis" iemenitas aos aeroportos de Riad, a capital saudita, e a ameaça de retaliação poderá colocar em perigo a ida da competição elétrica, cujo começo acontecerá no fim de semana de 18 e 19 de dezembro.

Segundo conta esta segunda-feira o portal neerlandês racing365.com, a situação é acompanhada de perto pela organização da categoria elétrica, que deverá voltar a avaliar o cenário na segunda metade de outubro. Uma decisão definitiva sobre a realização dos dois ePrix de Jeddah é esperada no mês que vêm, mais perto dos testes de pré-temporada, marcados para a pista de Jarama. Caso a etapa saudita acabe por não acontecer na data prevista, eles tencionam adiar as provas, em vez de cancelá-las.

Apesar de Jeddah ficar a cerca de 850 quilómetros de Riad, as restrições de deslocamento e a possibilidade de novos ataques no país ampliam as incertezas sobre a realização, quer deste evento, quer de eventos futuros como o Dakar Rally. Neste momento, Reino Unido e Estados Unidos já lançaram recomendações para que os seus cidadãos evitem viajar para a Arábia Saudita. E isso é importante em termos de seguros, que com estes avisos, estão relutantes em cobrir o material de potenciais danos.

Para além disso, tem também razões logísticas, porque a prova seguinte é o ePrix da Cidade do México, a 16 de janeiro de 2027, e isso precisa de ser resolvido antes do final dos testes em Jarama.

Youtube Rally Testing: O teste de Sebastien Loeb no carro do Project One

Um dos pilotos que andou a testar o carro do Project One foi, inesperadamente, o veterano Sebastien Loeb. Aos 52 anos, o francês, nove vezes campeão do mundo, andou no final da semana passada a testar o carro em asfalto nos Vosges franceses, para poder dar as suas impressões sobre o carro. No dia anterior, tinha sido o finlandês Teemu Suninen a fazer um teste com o carro.

Falando depois ao site dirtfish.com, Loeb revelou que a sua decisão de testar se deveu à proximidade do local à sua residência e à curiosidade em relação aos novos carros, e o conhecimento prévio de Lionel Hansen, de ralis anteriores com o Porsche GT3, também foi um fator. 

“Fiz alguns quilómetros com o carro. Estava a correr muito bem, com certeza. Não tem a [mesma] potência do Fiesta [WRC] de [2017] que pilotei no Rallye des Vosges há alguns meses, mas a sensação foi muito boa.”, afirmou.

Quanto a participações no futuro, ele já descartou algum regresso ao WRC, devido ao seu contrato com a Dacia para correr no Dakar. 

Em relação ao Project One, o dossiê para a sua homologação está a ser elaborado e será entregue ao departamento técnico da FIA até ao final deste mês. A equipa deverá anunciar até essa data a estreia competitiva do carro.

domingo, 11 de outubro de 2026

Youtube Motorsport Video: A terceira corrida da Formula 4 em Los Arcos, Navarra

A terceira corrida da Formula 4 espanhola, em Los Arcos, em Navarra, aconteceu na manhã desde domingo e acabou por ser a terceira vitória seguida do neerlandês Kasper Schormans, depois de um duelo com o português Noah Monteiro, numa corrida com algumas atribulações em pista. 

Aqui pode-se ver o video da corrida na íntegra, que aconteceu à hora do almoço. 

Formula 4: Schormans triunfa pela terceira corrida seguida em Navarra


O neerlandês Kasper Schormans, da MP Motorsport, triunfou pela terceira vez seguida no Circuito de Los Arcos, em Navarra, acabando por conseguir o pleno neste final de semana da Formula 4 espanhola. Ele ganhou com mais de meio segundo de diferença para Noah Monteiro, da Griffin Core, enquanto o irlandês Daniel Kelleher ficou com o lugar mais baixo do pódio. 

Com Schormans a largar pela terceira vez seguida da pole, desta vez com Noah Monteiro a seu lado, Rocco Coronel em quinto e Borys Lyzen em sexto, a corrida começou com Schormans e monteiro a manterem as posições, enquanto atrás, alguns toques resultaram em danos em algumas asas, quer dianteiras, quer traseiras. Rocco Coronel sofre um pião algumas curvas mais adiante, com Borys Lyzen e Nathan Tye a term as suas asas da frente quebradas, e Elliot Kasczyinski a ter problemas, que o fizeram cair para o fundo do pelotão.

No final da primeira volta, Schormans ia na frente, seguido por Monteiro e Jensen Burnett. 

Com o passar das voltas, os cinco primeiros começaram a descolar-se do pelotão, com Noah Monteiro a não deixar escapar Schormans, afastando ambos de Kelleher, o sérvio Andrej Petrovic, agora o quarto. A corrida não teve muito mais história até ao minuto final, quando o espanhol Nacho Tuñon e o maltês Jacob Michaelef saíram de pista e ficaram em posição perigosa. Com isso, o maior beneficiado foi Rocco Coronel, que depois do despiste da primeira volta, recuperou o suficiente para ser décimo, e depois, ficou com o nono posto na altura em que cruzou a meta para receber a bandeira de xadrez, e ainda ganhou um lugar graças a penalizações.

No campeonato, Schormans tem agora 254 pontos, contra os 205 de Noah Monteiro e os 181 de Rocco Coronel. 

A Formula 4 espanhola terá o seu final no fim de semana de 7 e 8 de novembro, em Barcelona.  

Formula 1 2026 - Ronda 17, Singapura (Corrida)


Uma semana depois de Bahrein na Malásia, a Formula 1 estava prestes a receber o seu primeiro GP noturno, em Singapura. Deveria ter sido na Arábia Saudita, em março, mas com o país em pé de guerra - misseis caíram nesta semana no principal aeroporto de Riad - as coisas foram canceladas e levadas para outros lados, com a Malásia até a acolher uma corrida de outro país, algo que já não se via há 20 anos, desde os tempos de San Marino, em Imola.

De resto, o habitual: calor e humidade, o habitual nesta parte do mundo: mais de 30ºC na hora da corrida, 75 por cento de humidade no ar, e os pilotos prontos para aguentarem duas horas dentro de um cockpit, tentando refrescar-se o mais que podiam.

Em termos de pneus, Max e Leclerc tinham moles, enquanto Hamilton, por exemplo, partia com médios. Aliás, dos seus primeiros, apensas o veterano britânico da Ferrari ia partir com esse tipo de pneus. O resto, iriam ter uma primeira parte com pneus vermelhos. Russell, que partia de 19. também partia com médios.

No final da volta de aquecimento, ambos os Aston Martin e Isack Hadjar acabaram para ir às boxes.    


Na partida, Max conseguiu ficar com o primeiro posto, depois de Leclerc largou melhor e ter ficado ambos lado a lado na curva. Não houve incidentes de maior, e no final da primeira volta, o neerlandês da Red Bull tinha quase um segundo de vantagem sobre os Ferrari. Atrás, Russell tinha conseguido subir dois lugares, para 17º.

Não houve ultrapassagens na frente nas primeiras cinco voltas, com Max a estar a cerca de um segundo de Leclerc, e Hamilton era terceiro, a pouco mais de um segundo do seu companheiro de equipa.Quem subia na geral era George Russell, agora 15º, numa corrida de recuperação.

As coisas andavam assim até à volta 9, quando o Virtual Safety Car foi accionado por causa do Audi de Gabriel Bortoleto, que saiu de pista na entrada das boxes e estava numa posição perigosa, suficiente para que os carros andassem mais lentos. As coisas ficaram assim por uma volta, antes de recomeçar. Nessa altura, Max e Leclerc tinham uma diferença de sete décimos, com Hamilton a já uns "distantes" três segundos, seguido por Kimi Antonelli. E Russell, seu companheiro de equipa, já era 13º.

Com o passar das voltas, na 17ª, Max afastava-se de Leclerc, enquanto Hamilton agora começava a segurar Antonelli e Norris. Era uma corrida sem incidentes de maior. Foi nessa volta que Hamilton foi às boxes, e regressou em sexto, agora com pneus moles. Isack Hadjar também foi às boxes nessa altura, e o próximo que foi às boxes acabou por ser Kimi Antonelli... na volta 24.

Foi aqui que começaram as paragens nas boxes. Leclerc na 25, colocando médios e regressar no quarto posto, numa altura em que a diferença entre Max, o líder, e Lando Norris, agora o segundo classificado, é de 17 segundos.  

Na volta 32, Franco Colapinto parou na curva 7 e as bandeiras amarelas foram mostradas. Andou alguns metros, para a escapatória, e assim tornava-se no segundo abandono da corrida. Alguns pilotos aproveitaram para parar nas boxes, como Nico Hulkenberg e Liam Lawson, para colocarem médios, mas na frente, Max estava tranquilo. A distância para a concorrência era tão grande que apenas um Safety Car iria baralhar tudo. Foi nessa situação que ele foi às boxes na volta 33, colocando médios e regressando ainda na liderança. Norris veio a seguir, e Piastri trocou na volta seguinte. 

No meio disto tudo, Russell, que ainda não tinha parado, já era sétimo. 

Na volta 39, Lance Stroll ficou com problemas na caixa de velocidades do seu carro e teve de encostar nos muros, causando as bandeiras amarelas e depois o Safety Car Virtual. Enquanto o canadiano saía do carro e tronava-ase na terceira desistência da corrida, os dois carros da Mercedes eram chamados para ir às boxes, com Russell, que era sétimo, voltou à pista em décimo. 


Por esta altura, Max tinha médios, os Ferrari com moles. E restava saber se eles poderiam manter a distância, agora que tínhamos menos de 20 voltas. Por esta altura, Leclerc, que era terceiro, conseguia ser um segundo mais rápido que os dois primeiros e na volta 46, estava na traseira de Hamilton. ele facilitou a sua passagem, e o monegasco foi na perseguição de Max, no seu Red Bull. 

E foi o que aconteceu na última parte da corrida. Leclerc continuava a ser mais rápido em relação a Max, e aproximava-se quase ao ritmo de um segundo por volta. Menos de dez segundos a partir da volta 51, enquanto atrás, Hamilton era pressionado por Norris e Antonelli pelo lugar mais baixo do pódio. O veterano aguentava as investidas dos pilotos mais jovens, e aguentava-se bem. Na volta 54, Norris tentou passar, mas deu-se mal e quem aproveitou foi Antonelli, que era quarto. O italiano levou a melhor e passou Hamilton para ser terceiro. Pouco depois, Norris passou Hamilton para ser quarto, que tinha os pneus moles bem desgastados.

Contudo, na parte final, a eficácia dos pneus moles tinha acabado, e Leclerc parecia não conseguir apanhar Max e o neerlandês ia a caminho da sua segunda vitória seguida na temporada. O piloto da Red Bull parecia ser agora o homem do momento, mas com apenas seis corridas para o final da temporada, não parece que esta investida seja suficiente para ameaçar Antonelli. Hamilton ainda perdeu um lugar para Oscar Piastri, acabando do sexto posto. 


Agora, serão duas semanas para as Américas, antes de mais três fins de semanas seguidas de Grandes Prémios. Antonelli sai de Singapura com 340 pontos, mais 102 que George Russell. Max era quarto, mas bastam ter mais 17 pontos que o britânico para ele ficar com o segundo lugar. 

sábado, 10 de outubro de 2026

Youtube Motorsport Video: As duas primeiras corridas da Formula 4 espanhola em Navarra

O neerlandês Kasper Schormans parece estar imparável neste sábado no Circuito de Los Arcos, em Navarra, depois de ter ganho as duas corridas. Com este resultado, ele está na liderança, e com uma pequena distância sobre Noah Monteiro que, apesar de ter pontuado, não foi ao pódio em nenhuma das corridas deste sábado.

Eis os videos das duas corridas deste final de semana, narradas em inglês - há-os em espanhol, no canal da Formula 4 espanhola no Youtube.

Formula 4: Schormans foi o melhor na primeira corrida de Navarra, Monteiro sexto


O neerlandês Kasper Schormans venceu a primeira corrida da ronda tripla de Navarra da Formula 4 espanhola, que aconteceu neste sábado de manhã. Ele bateu o sueco Elliot Kasczyinski e outro neerlandês, Rocco Coronel. Noah Monteiro foi sexto, enquanto outro português, Max Radeck, acabou em oitavo. 

Depois de uma qualificação onde Schormans foi o melhor, batendo Kasczyinski, e deixando Rocco Coronel e Borys Lyzen na segunda fila, Noah Monteiro ia partir apenas de décimo da grelha, um lugar abaixo do seu compatriota Max Radeck.

A partida começou atrás do Safety Car, devido a um acidente numa corrida de outra categoria, minutos antes, e quando a bandeira verde foi agitada, Kasczyinski e Schoermans ficaram lado a lado nas primeiras curvas, mas o neerlandês levou a melhor. Coronel, em terceiro, tratou de atacar Kasczyinski, mas ele conseguiu aguentar a pressão. Atrás, Lyzen sofria um furo e caía para o fundo da grelha, enquanto Monteiro passava Max Radeck para ser oitavo.

Na volta seguinte, Monteiro já era sexto e pressionava Nathan Tye para ser quinto e tentar afastar-se do grupo que se tinha formado, numa altura em que os quatro primeiros já se afastavam. As coisas andaram assim nos minutos seguintes, até que Tye e Monteiro começaram a apanhar Vivek Kanthan, que tinha alguns danos na sua asa dianteira, que o impediam de correr com ar limpo e o fazia perder tempo.

A 13 minutos do final, Tye apanhou Kanthan e ficou com o quarto posto, e logo a seguir, Monteiro juntou-se aos dois. Ele passou o americano, ficando com o quinto posto e indo atrás de Tye. Ele foi atrás do britânico, mas depois começou a sentir a pressão do irlandês Daniel Kelleher, que o passou a quarto minutos do final da corrida.

Na frente, tudo estabilizado: Schormans correu para a vitória, com mais de dois segundos na frente de Kasczyinski, com Coronel em terceiro, apesar de ter pressionado o sueco na parte final da corrida. 

 A segunda corrida da Formula 4 espanhola iria acontecer na tarde deste sábado. 

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

A imagem do dia



Não é comum, mas estas coisas acontecem. 

Há muito tempo, por razões práticas, uso os transportes públicos na minha cidade. Quem viva numa cidade como a minha, onde tem uma paragem de autocarro a 80 metros da minha casa, pague dez euros para fazer as viagens que quiser, das seis e meia da manhã até à 1:30 do dia seguinte, apenas se queixando de ter uma vez por hora, eu acho que até é um sortudo. 

Como já decidi que, quando regressar a ter um carro, será elétrico, penso sempre que isto poupa dores de cabeça para estacionar o carro no centro da cidade - quase inexistente e caro - e, desde que saiba do horário na minha cabeça, chegarei sempre a tempo de apanhar e regressar tranquilamente a casa.

Pois bem, na semana passada, uma terça-feira, esperei por mais de uma hora por autocarro que sabia estar atrasado. Não me estressei, porque para as minhas bandas tinha, pelo menos, mais duas linhas a passar perto de mim. Era uma questão de "fundo de rua". Uma rua com quase dois quilómetros de comprimento, já agora, do qual eu vivo, mais ou menos, a meio.

Soube depois quando cheguei a casa e abri este meu portátil de onde escrevo isto: uma pequena noticia, acompanhada de uma das fotos que coloquei aqui, mostrava um autocarro a arder. Conhecia aquele autocarro, conhecia quem o guiava, e conhecia onde tinha sido. 

Aquele autocarro já acusava a idade, era movido a gasóleo, avariava-se. Os seus bancos eram forrados a vermelho, e o sinal de "stop" não ligava, mas o motorista sabia onde parar, porque no seu lugar, ele sabia que os passageiros carregavam no interruptor.

Em contraste, o motorista, seu Herculano, era das pessoas mais simpáticas que conheci. Já tem idade, já devia estar reformado, mas é sempre amigável, e sempre que nos encontramos, trocamos uns dedos de conversa e quando saio na paragem do costume, despedimo-nos e dizemos até amanhã. Ou quando calha à sexta-feira, desejamos um bom fim de semana. E não é só comigo: sempre que cruza na rua com alguém que conhece, saúda-o. Perdi a conta das vezes que me apanhou desprevenido, quando ia a pé, rua abaixo, especialmente ao domingo, e o autocarro passava.  

Uma vez, num verão passado, apanhei-o no comboio, com a sua mulher. Eu ia á praia, e ele também, mas mais abaixo na linha. Conversamos mais um bocado, naquele comboio apinhado de gente que ia apanhar sol, no meio do verão, e no final, só tinha mais coisas boas para falar dele. 

Quando o autocarro pegou fogo, naquela tarde de terça-feira, fiquei aliviado por saber que ninguém ficou ferido, só houve danos materiais no autocarro, que ficou irrecuperável (aqui entre nós, foi uma "morte" misericordiosa), e havia danos na fachada da casa onde, por acaso, o autocarro parou. Mas o importante é que todos estavam bem. 

Todos tinham uma história para contar aos netos. Foi isso que contei ao seu Herculano quando voltei a ver, no dia seguinte, noutro autocarro, semelhante a aquele que ardeu.

É uma história, que aconteceu â tarde, na minha cidade.

Noticias: WRC divulgou o seu calendário


O WRC terá 15 ralis em 2027, e mostrou hoje o seu calendário. E há novidades: os Estados Unidos entram, bem como o Rali da Escócia, enquanto os ralis da Sardenha e de Portugal saem do calendário. 

Num ano onde se estreia um novo tipo de carro, o WRC27, onde os carros tentarão ser mais baratos de construir e de vender, o rali italiano sai da Sardenha, onde corria em terra, e passa a acontecer nas estradas à volta de Roma, a capital, e acontecerá em asfalto, entre os dias 8 e 11 de julho.

Quanto ao rali americano, que faz o seu regresso depois de 39 anos de ausência - Rally Olympus, em 1988 - ele acontecerá entre os dias 26 e 29 de agosto. O rali da Escócia acontecerá a seguir entre os dias 30 de setembro e 3 de outubro, e ambos serão ralis de terra.

Os ralis da Estónia (22 a 25 de julho) e da Finlândia (29 de julho a 1 de agosto), ambos em terra, continuam a desenvolver formatos alternativos. A Estónia testou este ano um programa condensado, enquanto a Finlândia se concentrou nos espectadores com o conceito Super Domingo, construído em torno de uma única classificativa.

De resto, o Mundial começa no mesmo lugar de 2026: Monte Carlo, entre os dias 21 a 24 de janeiro, e acaba, em principio, na Arábia Saudita, entre os dias 25 a 28 de novembro. 

Meteo: Singapura será complicado


O tempo no fim de semana de Singapura promete ser complicado, com chuva, especialmente no domingo. Normalmente húmido e chuvoso devido à sua proximidade com o Equador, em termos de latitude, para os três dias, a temperatura será constante, a rondar os 30ºC, e à hora das corridas, à noite, o tempo costuma amainar. Mas nem sempre.

Para sexta-feira, prevê-se 32 graus, 67 por cento de humidade, vento fraco e tempo parcialmente nublado, sem chances de chuva. Já no sábado, as coisas serão um pouco diferentes, com trovoadas dispersas, 30ºC, 75 por cento de humidade e chances de chuva entre os 15 e os 25 por cento.

Para domingo, o céu estará nublado, e as temperaturas são semelhantes: 31ºC, 75 por cento de humidade, e 10 a 15 por cento de chances de chuva. 

Vamos a ver até que ponto será este final de semana, e se não prejudicará a condução dos pilotos. 

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

A imagem do dia (II)




Como era de esperar, Valtteri Bottas chegou hoje a Singapura, depois de três dias a fazer o percurso de bicicleta, de Kuala Lumpur, a capital da Malásia, onde não muito longe dali, na pista de Sepang, aconteceu o GP do Bahrein na Malásia. A etapa de hoje foi curtinha, 40,16 quilómetros, de Johor até Singapura. 

O interessante desta aventura é que ele não fez por estradas principais, mas por estradas bem secundárias, de terra, sem asfalto... e sem iluminação, o que quer dizer que, não só levava iluminação para o caminho, como, por exemplo, poderia ver coisas inesperadas, como... um buraco na estrada com metro e meio de profundidade, por exemplo.

Fazendo uma coisa mais "Bottas" que se pode imaginar, pode ser uma maneira de fazer algo fora da caixa - melhor que, por exemplo, as suas fotografias sem roupa - mas isto até pode ser uma forma de descanso ativo, ainda por cima num sitio equatorial e muito húmido, como é a Malásia. Ainda por cima, por estes dias, na ilha vizinha de Sumatra, na Indonésia, estão a acontecer fogos florestais que estão a causar "smog", que afeta a visão e a respiração das pessoas que vivem na região. Logo, fazer uma coisa destas é um feito que merece ser assinalado. 

O GP de Singapura é uma das três corridas noturnas do calendário da Formula 1, e acontecerá no próximo domingo.

A imagem do dia


Soube-se ontem da morte de Eva Marie Saint, aos 102 anos de idade. Era uma das últimas sobreviventes da “era de ouro” de Hollywood, vencedora de um prémio da Academia (Óscares) em 1956 por “Há Lodo no Cais”, do Elia Kazan.

Ela participou em filmes icónicos como “Intriga Internacional” (North by Northwest), do Alfred Hitchcock, ao lado de Cary Grant; ou “Exodus”, de Otto Preminger, ambos estreados em 1959.

Mas para estas bandas, ela foi Louise Frederikson, a amante de do piloto francês Jean-Pierre Sarti - papel interpretado pelo ator francês Yves Montand - no filme “Grand Prix”, de 1966, realizado por John Frankenheimer. Sim, uma atriz, de certo modo, secundária, e neste filme teve um papel secundário, mas que participou em alguns dos mais icónicos filmes da história do cinema.

Um destes dias escrevo por aqui a saga que foi fazer aquele que é, hoje em dia, um dos melhores filmes de automobilismo da história, não tanto pela sua história em si, mas pelas suas técnicas de filmagem que renderam três prémios da Academia de Hollywood, em 1967. Até irá calhar bem, porque faz agora 60 anos - estreou em dezembro de 1966 - sobre a sua estreia no grande ecrã.

Ars lunga, vita brevis, Eva Marie.

Youtube Testing Video: O teste de Kalle Rovanpera no WRC27

Os testes para o novo carro da Toyota para 2027 continuam de vento em popa, mas enquanto o WRC se encerrava na Sardenha, na Catalunha, a grande novidade era que Kalle Rovanpera tinha ido testar um dos carros da nova geração. 

Os rumores sobre um regresso total, ou parcial, ao WRC apareceram logo, mas na realidade, a marca afirmou que ele veio ajudar a equipa, dado que o piloto oficial de testes, Ott Tanak, estava a testar outro dos chassis da marca, e não poderia estar ali naquela altura, e Rovanpera ofereceu-se. 

Claro, apesar das explicações oficiais, há quem acredite no regresso, ainda por cima, quando se sabe que a Toyota poderá alinhar com seis pilotos na próxima temporada: Sami Pajari, Elfyn Evans e Oliver Solberg, pela equipa oficial, e a Printsport, uma equipa finlandesa, fundada e gerida por Eero Raikkonen (sem relação de parentesco com Kimi Raikkonen) com Ott Tänak, Takamoto Katsuta e, eventualmente, Kalle Rovanpera.

Enquanto as especulações e rumores continuam, eis um video do teste de Rovanpera.

terça-feira, 6 de outubro de 2026

As imagens do dia



Aparentemente, Fernando Alonso irá participar no Dakar de 2027, sete anos depois da sua primeira aventura, a bordo de um Toyota Hilux. Desta vez será a bordo de um Aston Martin, mas de um modelo desenvolvido... para um videojogo.

A possibilidade foi inicialmente avançada pelo site espanhol Soy Motor, e posteriormente confirmada pelo jornal Marca junto de várias fontes. E tornar-se-á realidade graças... a um chassis Dacia. O que irá acontecer é que eles ficarão com alguns Dacia Sandrider, o carro com que Nasser Al-Attiyah venceu o Dakar 2026, e colocá-lo-á nas mãos de Alonso, que terá o veterano Marc Coma como seu navegador. Esses chassis serão desenvolvidos pela Prodrive, e se estrearão no inicio do ano que vem. 

A equipa terá gente como Sebastien Loeb, Nasser Al-Attiyah e Lucas Moraes como companheiros de Alonso. Contudo, a situação financeira da marca britânica não permite, para já, grandes investimentos num programa permanente, mas a presença de Alonso poderá facilitar a angariação de patrocinadores e tornar possível esta participação pontual.

No final, para além de ser uma oportunidade de voltar a enfrentar o Dakar com uma máquina extremamente competitiva, depois de uma primeira experiência em 2020, isto poderá também servir para recuperar motivação após uma temporada particularmente difícil na Fórmula 1.