sexta-feira, 17 de julho de 2026

A imagem do dia




Olhem para este carro e o patrocínio que leva. Vocês querem saber porque é que não existe hoje em dia no youtube imagens em direto da BBC dos Grandes Prémios da Grã-Bretanha de 1976 e 1977? Por causa deste carro e do patrocínio que os leva. Hoje em dia, vender preservativos (camisinhas, se lê isto no Brasil) é um ato de saúde pública, para evitar doenças sexualmente transmissíveis e gravidezas indesejadas, especialmente nas adolescentes. Mas há meio século, era pecado falar de algo que passasse, vagamente, a ideia da sexualidade. E num pelotão onde outra equipa, a Hesketh, tinha patrocínio de uma revista concorrente da Playboy, a Penthouse, e colocava modelos a posarem nos seus carros!

E nem falo das tabaqueiras e as firmas de bebidas alcoólicas... 

Em 1976, John Surtees tinha colocado três carros na sua equipa, todos modelo TS19, e apresentou um deles em março em Londres, com o patrocínio da London Rubber, que tinha a marca Durex. A apresentação foi sóbria e contou com a presença da Miss Grã-Bretanha desse ano. Não se sabe o valor desse patrocínio, mas numa temporada onde a marca tinha três carros inscritos oficialmente - um para o australiano Alan Jones, outro para o americano Brett Lunger, o terceiro para o francês Henri Pescarolo, embora apenas Jones tivesse esse patrocínio - era suficiente para que a equipa pagasse as despesas e os salários aos seus mecânicos.

E o meio daqueles anos 70 eram tempos diferentes dos nossos. Era a altura que "o sexo era seguro e o automobilismo perigoso" (Jackie Stewart dixit), e onde doenças como o HIV era algo vindo da ficção cientifica. Eram tempos libertos... mas ainda com muito puritanismo. Que o diga a BBC.

Poucos dias depois da apresentação, acontecia a Race of Champions, em Brands Hatch. A carrinha da BBC esperava à entrada do circuito com um pedido inusitado: que Surtees colocasse fitas à volta do seu patrocinador, para que ele não aparecesse nos ecrãs de televisão, caso contrário, não transmitiria a corrida. As negociações foram até à última hora, e quando viram que ele não cedia, decidiram não transmitir a corrida. O que não sabiam era que a BBC tinha começado um boicote à Formula 1 por causa de um patrocinador inconveniente. E não era só às corridas inglesas, era também às outras corridas do calendário. E o boicote também acontecia na BBC Radio.

A coisa aconteceu ao longo da temporada, logo, quem não ia ver as corridas não sabia, primeiro da dominação de Lauda no campeonato, depois a recuperação de Hunt, da vitória sueca do Tyrrell de seis rodas, e claro, o acidente do piloto austríaco no Nurburgring. Mais tarde, no final do verão, e com a hipótese real de fer o primeiro britânico a ganhar um Mundial desde 1964, a BBC acabaria por ceder, e iria transmitir em direto, via satélite, e a cores, o GP do Japão. 

A Durex ficaria nos chassis da Surtees em 1977 e 1978, e seria guiado pelo austríaco Hans Binder, o australiano Vern Schuppan e o britânico Rupert Keegan. O outro piloto da marca, o italiano Vittorio Brambilla, tinha o seu patrocinador pessoal, a firma de peças mecânicas Beta, mas recusava ter a Durex no seu carro, devido à sua formação católica. 

Contado isto hoje em dia, poucos acreditariam até que ponto as nossas prioridades eram diferentes há meio século... 

WRC 2026 - Rali da Estónia (Dia 1)


O finlandês Sami Pajari lidera o rali da Estónia, decorridas que estão as primeiras sete especiais deste rali. O piloto da Toyota lidera com 14,7 segundos de vantagem sobre Oliver Solberg, também no seu Toyota. Terceiro é o francês Adrien Formaux, a 16,5 segundos, e que tem uma pequena vantagem sobre o quarto classificado, o outro Hyundai de Thierry Neuville. Este tem uma desvantagem de 24 segundos sobre o líder do rali.

E um detalhe bem interessante: Pajari ganhou todas as especiais deste primeiro dia.

Com passagens duplas sobre Raanitsa, Karaski e Kanepi, bem como uma passagem individual sobre Elva Linn, o rali da Estónia começou com Sami Pajari ao ataque, ganhando as especiais da manhã, alargando a sua distância face à concorrência. Na primeira especial, ganhou uma vantagem de 2,4 segundos sobre Adrien Formaux, 2,6 sobre Oliver Solberg, 3,8 sobre Sebastien Ogier e 4,1 sobre Thierry Neuville. 

Jon Armstrong sofria um furo, e o letão Martins Sesks sofria uma penalização de 20 segundos por causa de ter chegado atrasado devido à demora na reparação do seu Ford depois do acidente que tinha sofrido no "shakedown".

Em Karasaki, Pajari tinha novamente vantagem, agora 0,3 segundos na frente de Solberg, 1,7 sobre Formaux e Sesks, 2,8 sobre Neuville. E em Kanepi, Pajari tinha atrás de si Formaux, a 0,8, Solberg, a 1,2, Sesks, a 1,9 e Neuville, a 4,2. Jan Solans capotou e ficou fora da estrada e, por hoje, do rali.  

"Está realmente bom, estou a gostar muito. Etapa super agradável, realmente agradável com estes carros nestas condições.", afirmou Pajari. "Faltou-me um pouco de velocidade num salto, porque achei que era maior. É apenas o início da corrida, então faremos o nosso melhor e veremos onde estamos esta noite.", declarou Ogier, no final desta especial.


A tarde começava na segunda passagem por Raanitsa, com Pajari a continuar a triunfar nas especiais, ganhando 4,5 segundos sobre Formaux, 4,9 sobre Solberg, 6,3 sobre Neuville e 6,4 sobre Ogier. Depois, na segunda passagem por Karasaki, Pajari voltava a triunfar, 2,1 segundos na frente de Solberg, 2,3 sobre Formaux, 2,4 sobre Neuville e 3,3 sobre Sesks. 

"Estou mais corajoso, com certeza, mas realmente me saí bem, dei tudo de mim. É realmente deprimente ver que você é o mais lento, mesmo tendo dado tudo e tendo uma posição de estrada melhor. A motivação é alta, mas não é bom para a sensação.", disse o - até aqui imbatível - Pajari.

Para a segunda passagem por Kanepi, Pajari ganhou com três segundos de vantagem sobre Solberg, quatro sobre Neuville, Formaux e Sesks e cinco segundos sobre Esapekka Lappi. No final do dia, em Elva Linn, Pajari foi 0,1 segundos melhor que Sesks, 0,2 sobre Neuville e 0,6 sobre Solberg.

Takamoto Katsuta retirou-se no inicio desta especial, depois de um dos seus pneus ter explodido na especial anterior ter danificado o carro. O incidente, que resultou numa perda de quase um minuto, e claro, culminou na desistência do piloto japonês, que regressará amanhã para abrir a estrada. 

"O que posso fazer? Em uma longa longa reta, imediatamente o pneu explode. O que posso fazer. Foi tão tão perigoso! Quase tive um grande grande acidente. Não consigo acreditar! Isso é tão ruim!", reagiu um assustado Takamoto. 


Depois dos quatro primeiros, o quinto era Sebastien Ogier, a 33,3 segundos, na frente de Martins Sesks, a 44.7, e o melhor dos Ford. Sétimo é Esapekka Lappi, no terceiro Hyundai i20 Rally1, a 46,5, na frente de Josh McErlean, no segundo Ford, a 46,6, e a fechar o "top ten" estão Elfyn Evans, a 49,8, no seu Toyota, e Jon Armstrong, no terceiro Ford, a 1.04,3. 

O rali da Estónia prossegue amanhã, com a realização de mais nove especiais.

Youtube Formula 1 Video: Como os pilotos se preparam

Há uma coisa interessante que ouvi neste video: se fosse hoje, todos eles estariam aptos para voar nos foguetões das missões Apollo. É gente relativamente baixa - entre 1.65 a 1.80, a grande excepção é Esteban Ocon, que tem 1.86 - mas extremamente preparada. E porquê? Como todos os pilotos de automóveis agora, estão sujeitos a forças na ordem dos  5 G's, ou seja, o teu pescoço está sujeito a uma força cinco vezes superior à normal. 

E não é só na Formula 1, claro. Formula E, Endurance, IndyCar e outros, estão sujeitos a forças desse tipo, e os treinos que fazem estão focados no pescoço, ombros e peito, para poderem suportar até duas horas dentro do carro, a temperaturas bastante altas dentro do cockpit. 

O video é do canal americano Vox.  

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Noticias: Norris penalizado em dez lugares


O britânico Lando Norris vai ter um fim de semana difícil em Spa-Francochamps. O piloto da McLaren será penalizado em dez lugares na grelha de partida do GP da Bélgica porque será instalada uma bateria no seu MCL38, fazendo com que ultrapassasse o limite estipulado pela FIA para a presente temporada.

Tudo isto é uma consequência dos eventos do inicio da temporada, onde a McLaren sofreu problemas de fiabilidade quer no carro de Norris, quer no de Oscar Piastri, seu companheiro de equipa. A troca de bateria foi decidida pela Mclaren, porque a pista de Spa-Francochamps é favorável as manobras de ultrapassagem, ao contrário das próximas rondas na Hungria e em Zandvoort.

A McLaren afirma que a mudança visa maximizar a fiabilidade para o restante da época. A equipa espera que esta nova unidade de potência eletrónica dure até ao final do campeonato, mitigando riscos de futuras penalizações desportivas para o piloto britânico. Para além disso, essa quarta bateria introduz uma atualização de componentes que já tinha sido aplicada na equipa de fábrica da Mercedes e no McLaren de Oscar Piastri durante o Grande Prémio da Áustria, logo, tem correções fundamentais que resolveram as falhas que afetaram o início da temporada.

Ao mesmo tempo, a equipa inglesa testará uma nova especificação de asa traseira durante os treinos livres em Spa, procurando otimizar o desempenho do MCL38.


Noticias: Verstappen confirma que fica na Red Bull


Max Verstappen está disposto a cumprir o contrato até ao seu final, na época de 2028. Quem o afirma é o seu empresário. Apesar de ele se fechar em copas em relação a este assunto, por causa da sua frustração do tetracampeão do mundo em relação ao seu desempenho recente - ele desistiu no GP da Grã-Bretanha - e especialmente numa altura que surgiram especulações sobre uma possível mudança para a McLaren em 2027, parece que tudo isso não irá acontecer. 

Em declarações à publicação austríaca OE24, Raymond Vermeulen, gestor de carreira de Max Verstappen, colocou um ponto final nos rumores que apontavam a saída do tetracampeão mundial da Red Bull Racing, afirmando que até 2028, ele ficará a correr pelos energéticos, independentemente da classificação.

A verdade é que Max quer terminar a sua ligação à Red Bull. Ele tem contrato até 2028 e pretende cumpri-lo na totalidade”, sublinhou Vermeulen.  “O facto de existir não significa que a utilizaremos. Poderíamos tê-lo feito em anos anteriores e não o fizemos.”, concluiu.

Apesar do momento menos positivo da equipa, a gestão de Verstappen mantém a esperança na evolução do monolugar. Vermeulen destacou que, embora o Grande Prémio da Bélgica se apresente difícil, as possibilidades de vitória aumentam para as provas em Budapeste e Zandvoort, elogiando ainda a performance do motor Red Bull Ford Powertrains, que superou as expectativas iniciais.

No campeonato, e nas vésperas do GP da Bélgica, Verstappen ainda não ganhou qualquer corrida, mas tem dois pódios, totalizando 76 pontos, o que lhe dá atualmente a sétima posição.

Youtube Formula 1 Video: As primeiras voltas no Madring

A mais nova pista automobilística de Espanha, o Madring, só acontecerá em setembro, mas a Ferrari aproveitou uma oportunidade para gastar alguns dos 300 quilómetros que tem disponíveis para publicidade no sentido de levar Lewis Hamilton e Charles Leclerc para uma pista em acabamentos e dar as primeiras voltas.

Pelos vistos, parece ser interessante, especialmente aquela curva em "relevé", que faz lembrar a que foi construída em Zandvoort. Este video é essencialmente, "onborads" tiradas quer nos carros de Charles Leclerc e de Lewis Hamilton.  

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Rumor do Dia: Geely pode entrar na Formula E em 2027


A temporada de 2027 da Formula E irá ter o Gen4, um carro que está a causar sensação entre os que já o pilotaram, por ser bem mais rápido que o Gen3, e poder ter uma potência que pode ser um pouco superior a um Formula 2, mas também terá uma nova equipa, a Opel, que entrará na competição.

Contudo, outra equipa poderá entrar na competição elétrica. Tudo indica que virá da China, e será a Geely. Segundo conta o site the-race.com, responsáveis da empresa estiveram em Xangai no fim de semana da competição naquele circuito, e caso entre, será em 2028. E não será com essa marca que entrariam... mas com a Lotus. Apesar do grupo ter diversas marcas que poderiam ser utilizadas no projeto, como Zeekr, Polestar, Lynk & Co, Maple e até mesmo a própria Geely, a Lotus desponta como alternativa mais atraente por causa do seu peso histórico no automobilismo mundial.

Para além de entrarem com estrutura própria, também poderão entrar por meio de uma parceria com uma estrutura já existente. Nesse cenário, Mahindra e Lola aparecem como candidatas mais prováveis para uma associação técnica, embora outras alternativas ainda estejam sendo analisadas.

Jeff Dodds, CEO da Formula E, confirmou as conversas e afirmou que a aproximação entre ambas as partes é real.

Conheço bem Victor [Victor Young, vice-presidente do grupo] e conversamos muitas vezes. Eles fazem um trabalho impressionante, seja com Lynk & Co, Zeekr ou talvez Lotus e Polestar, que são marcas mais conhecidas para nós. Eles têm um portfólio enorme e são muito bem-sucedidos. Vocês podem tirar as próprias conclusões”, afirmou.

Caso as negociações cheguem a bom porto e o nome da Lotus seja escolhido, seria um regresso ao automobilismo, do qual estão ausentes desde 2015, quando estavam na Formula 1. Neste momento, estão em competições de turismo no Reino Unido com o Emira GT4, mas não é de forma oficial.

Noticias: Ni Amorim acha que Itália tem mais chances


Os rumores de que a Formula 1 poderá mexer o seu calendário por causa da situação no Golfo Pérsico, beneficiando o Autódromo de Portimão antes de receber oficialmente a Formula 1 em 2027, estão fortes, mas Ni Amorim, o presidente da FPAK, Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting, fala que a Itália tem mais hipóteses de receber quer a Formula 1, quer o Mundial de Endurance em 2026, no lugar de Losail, no Qatar, e Abu Dhabi, no Emirados Árabes Unidos.  

Em declarações à Autosport portuguesa, em Vila Real, onde esteve a assistir à prova do TCR, o presidente da federação mostrou-se cauteloso e sublinhando que os rumores que agora circulam podem não corresponder à realidade.

Portimão é uma hipótese, como outros circuitos, nomeadamente em Itália” começou por afirmar. “Se a crise do Médio Oriente se mantiver, como tudo indica que sim, dizer que as provas que estão no Médio Oriente vêm para Portugal é uma precipitação, neste momento, porque temos países que são, provavelmente, mais interessantes para os construtores, e que também estão em bicos de pés para poder receber essas provas. Acho que Itália é, neste momento, uma opção mais forte para receber quer o WEC, quer a Formula 1″, continuou.

Questionado sobre se o pouco tempo de antecedência tornaria a organização difícil ou mesmo impossível, Amorim mostrou-se otimista quanto à utilidade do exercício:

Por um lado era bom, porque era um teste que se fazia, pois a Formula 1 já não vem a Portugal há cinco anos. Era um teste para os dois anos que aí vêm, 2027 e 2028, que aí sim temos a certeza que cá vem o campeonato, porque está contratualizado. Seria uma forma de também testarmos todo o nosso staff e a própria pista, que já está homologada em grau 1, mas é preciso retificar alguma coisa aqui e acolá. Vindo cá os pilotos e dando o seu feedback, é sempre importante. Seria bom que cá viesse, naturalmente, mas não há nenhuma indicação oficial que eu tenha, a não ser essa que acabou de dizer, de conversas de bastidores.", concluiu.

Os rumores ganharam força depois do recomeço do conflito entre Irão e Estados Unidos por causa do Estreito de Ormuz, e as equipas, FIA e alguns fornecedores como a DHL, na logística, e a Pirelli, que tem o monopólio dos pneus, que não querem regressar à região enquanto o conflito não se resolver, e deram um prazo até à pausa de verão para ver se as corridas de Losail e Abu Dhabi são viáveis ou não.

No caso da Endurance, apesar de nada ainda ter sido anunciado, no fim de semana que passou, quando o Mundial correu em Interlagos, as alterações foram confirmadas de forma oficiosa, o que poderá significar que serão anunciadas numa altura oportuna.

Youtube Automotive Video: Os modelos que marcaram a Fiat no Brasil

As pessoas não sabem, mas a Fiat faz meio século de presença no Brasil. Chegado em julho de 1976, três anos depois de terem chegado a acordo com o governo brasileiro, para construir uma fábrica em Betim, em Minas Gerais - com o mercado fechado a importações, era a única maneira de ter carros no Brasil - chegou ao mercado com o modelo 147, a versão própria do 127, duas décadas depois de terem chegado na Argentina, e logo nesse ano, mostraram os seus primeiros carros com motor a álcool (ou etanol), um substituto da gasolina, baseado na cana do açúcar.

Quando foi comercializado, em 1979, tornou-se no primeiro modelo a etanol a ver vendido no mundo.  

Neste video do Autoesporte, mostra-se os veículos mais marcantes da história da marca italiana no Brasil, desde o 147 a outros como o Uno, substituto do 147, que ficou no mercado... até 2013, muito tempo depois de ter saído de linha na Europa. 



terça-feira, 14 de julho de 2026

As imagens do dia (II)



No verão de 1991, tinha 15 anos, e andando eu na escola, seguia a tradição de pagar nos "dossiers" que servia para as aulas e os "decorava" com fotos das coisas que gostava, Em tempos de revistas como a "Bravo", por exemplo, eu tentava ir contra a corrente. Em vez de meter cantores e álbuns de musica - a propósito, foi um grande ano em termos musicais, com a explosão do "grunge" e os melhores álbuns de gente como Metalica e Guns N'Roses - eu metia fotos de carros de Formula 1. 

E lembro-me perfeitamente destas fotos, porque procurava algo para impressionar. E numa revista, vi as fotos do acidente do Andrea De Cesaris em Silverstone, a bordo do seu Jordan, e aproveitei. E tive essas fotos por mais de um ano no meu dossier, usado diariamente, e fiquei sempre admirado como os pilotos saiam incólumes de situações dessas, onde tinha tudo para ficar ferido.  

Curiosamente, este foi o seu único acidente nessa temporada. E a culpa não foi dele, foi a suspensão que cedeu a meio da rápida curva Abbey. Mas claro, os ingleses logo se lembraram da reputação do "De Crasheris", claro. Mas na altura em que guiava esses carros, 32 anos de idade, essa reputação já tinha ido embora há muito tempo, pelos seus desempenhos sólidos em pista. Mas claro, nunca o perdoaram.

Pouca gente se lembra da sua vida depois de ter saído da Formula 1, em 1994. Ele afastou-se completamente, excepto o GP Masters, em 2005-06. Foi para a área das finanças, no Mónaco, reinventou-se, fazia "windsurf" e "kitesurf" durante boa parte do ano, especialmente no Hawai'i, e na última década da sua vida, começou a reaproximar-se da Formula 1. Nunca falou à imprensa inglesa até por alturas de 2010, quando fez algumas. Lembro-me de ter lido duas, e ele nunca deixou de afirmar o desgosto que tinha por ser recordado pelos seus acidentes que pela sua velocidade. Especialmente pelos ingleses, porque o resto dos entendidos, ao fim de certo tempo, reconheceu os seus feitos.

E eu acho que, da sua longa carreira, o seu ano na Jordan deve ter sido do seus melhores. Não só porque tinha carro para isso, como era suficientemente maduro para o guiar. 

As imagens do dia





O britânico Nigel Mansell tinha um carro para ganhar no verão de 1991, mas até ele mostrar, demorou quase meio ano. O Williams FW14, desenhado por Adrian Newey, que se estreou em Phoenix, nos Estados Unidos, demorou cinco corridas até ganhar o seu primeiro Grande Prémio, tudo por causa dos problemas no desenvolvimento do seu carro - a sua transmissão semi-automática prejudicou mais do que ajudou, nessa altura, vide o Canadá... - mas quando a Formula 1 chegou a Silverstone, esses problemas tinham sido resolvidos, e Mansell, bem como o seu companheiro de equipa, Riccardo Patrese, eram os favoritos à vitória neste GP britânico.

Contudo, não iriam dominar: Ayrton Senna também tinha os seus truques, bem como a McLaren, e a Ferrari, que tinha estreado um novo carro na corrida anterior, em Magny-Cours, e conseguiu ser segundo na grelha, e o único que conseguiu um tempo a menos de um segundo do "brutânico". Tudo isto numa pista de Silverstone que tinha sido fortemente modificado no final do ano anterior, para que os carros fossem mais lentos.

Na partida, Senna largou melhor, enquanto Patrese era tocado por Berger e despistava-se na primeira curva, a Copse. Ele acabaria por se retirar no final da primeira volta. Mansell ia atrás de Senna, com um surpreendente Roberto Moreno em terceiro, com o objetivo de ficar com o primeiro lugar, e conseguiu algumas curvas depois, quando ambos chegaram a Stowe, e perante os aplausos da multidão presente nas bancadas.

A partir dali, o britânico ficaria nessa posição até à meta, e no inicio da segunda volta, já tinha conseguido uma vantagem superior a um segundo, com Berger, Prost e o Leyton House de Mauricio Gugelmin a fechar os pontos. Alesi era o sétimo, mas começou a recuperar posições, e passadas algumas voltas, lutava pelo terceiro posto com Moreno, Prost e Berger. Com o tempo, Alesi era o terceiro, na frente de Prost, especialmente depois da desistência de Moreno, na volta 22, com problemas na caixa de velocidades. 

Mas foi sol de pouca dura. Na volta 29, pouco depois de Prost ter feito um pião na travagem para a curva Vale, quando dobrava o japonês Aguri Suzuki, no seu Lola-Larrousse, ambos colidiram e a sua corrida terminou ali, com o nariz partido e danos na suspensão. Algum tempo depois, na volta 41, Andrea de Cesaris perdeu o controlo do seu Jordan na curva Abbey, por causa de uma falha na suspensão. Apesar dos grandes estragos, o italiano saiu ileso. 

Mansell afastava-se de Senna ao ponto de, na fase final da corrida, já tinha uma diferença superior a 25 segundos. Mas na última volta, um golpe de teatro: Senna fica sem gasolina e estaciona na curva Club, perdendo um pódio certo. Berger acabava em segundo, Prost em terceiro, e Senna seria quarto. Parado na pista, e já saído do carro, vê Mansell, que para a seu lado e o leva até às boxes, na garupa do seu Williams. Um dia perfeito para ele, sem dúvida. 

Youtube Automotive Video: A obsessão da Donut com os seus Hondas

O pessoal do Donut Media deve ter uma obsessão pelos seus Hondas. Compram alguns Civics, arranjam-os, modificam-os e em alguns, tornam-se nos seus "daily drivers". Então, o que decidiram agora foi ir a Willow Springs, e... correr com eles, para saber qual deles é o mais rápido.

Noticias: Endurance terá mudanças no calendário


O reacendimento da guerra no Médio Oriente poderá ter consequências no calendário da Endurance. As provas do Qatar, marcado para o dia 24 de outubro, e de Shakir, no Bahrein, a 7 de novembro, poderão estar em risco de substituição por corridas na Europa. Segundo conta o site dailysportscar.com, existe um plano de contingência onde as provas do Qatar - que já fora adiado de abril para outubro - e do Bahrein, seriam canceladas e no seu lugar iria acontecer duas corridas de seis horas cada em Barcelona e em Monza. 

Esse plano de contingência seria mostrado na reunião do Conselho Geral da FIA, marcado para o dia 23 de julho, e nele, o WEC seguiria para Barcelona após a realização das Seis Horas de Fuji, que acontecerá a 27 de setembro. O evento de Monza aconteceria a 7 de novembro, a data originalmente reservada para as 8 Horas do Bahrein, enquanto a corrida de Barcelona seria transferida para 18 de outubro, uma semana antes da data atual do Qatar.

Caso isso aconteça, haverá um problema, já que prejudicará a data final da European Le Mans Series (ELMS), que acontecerá em Portimão, no Algarve. Pelo menos 19 pilotos estão inscritos em ambos os campeonatos, e equipas como a WRT, a Garage 59 e a AF Corse competem tanto no WEC como na principal série europeia de GT3.

Para além disso, a agitação naquela parte do mundo está a perturbar a temporada 2026-27 da Asian Le Mans Series, pois terá duas corridas em Dubai e em Abu Dhabi, no final do ano, antes de se deslocarem para Sepang, na Malásia, e em Buniram, na Tailândia, em janeiro. A hipótese de uma corrida na Europa está em cima da mesa, numa temporada em que se instalará a classe Hypercar. 


Em suma, preparam-se muitas mudanças no calendário graças às agitações politico-militares num canto sensível do mundo...

segunda-feira, 13 de julho de 2026

As imagens do dia










O fim de semana do GP da Grã-Bretanha de 1986 foi emocionante. Frank Williams regressava ao ativo, quatro meses depois do seu acidente, que o deixou paralisado do peito para baixo e foi recebido com estrondosos aplausos das bancadas. E isso foi suficiente para que Nigel Mansell decidisse arrancar uma performance monumental durante o fim de semana: contra Nelson Piquet, seu companheiro de equipa, e Ayrton Senna, piloto da Lotus, e o resto do pelotão. Mas foi Piquet que conseguiu a pole-position, com os três ficaram separados por pouco mais de meio segundo. Alain Prost, no seu McLaren, apenas foi sexto, batido pelo seu companheiro de equipa, Keke Rosberg.

Quase ao mesmo tempo, na Ligier, também se comemorava: Jacques Laffite, o veterano da Formula 1, então com 42 anos, chegava aos 176 Grandes Prémios, igualando Graham Hill. Contudo, o seu fim de semana na Ligier estava a ser um inferno: motores rebentados e acidentes, acabando num obscuro 19º posto da grelha, onze lugares mais abaixo que René Arnoux, noutro Ligier.

O tempo estava solarengo em Brands Hatch no domingo de corrida e as bancadas estavam cheias naquilo que iria ser a última vez que o GP britânico iria ser naquela pista. Meses antes, em maio, a FISA e o BRDC (British Racing Drivers Club) os proprietários de Silverstone, assinaram um acordo de longo termo para acolher o GP da Grã-Bretanha, e com isso, a corrida deixava de alternar entre aqueles dois circuitos. 

Na partida, Piquet e Senna partiam para o duelo, enquanto Mansell caía para sexto na primeira curva, Paddock Hill Bend, falhando uma marcha no seu carro e aparentemente, queimando a sua embraiagem. Mas momentos depois, a confusão na traseira: o Arrows de Thierry Boutsen (que fazia anos naquele dia) despistava-se, batia no muro e em ricochete, causava uma carambola. Para além dele, outros sete pilotos ficavam de fora: os Osella de Huub Rothengarter e de Alan Berg, o Arrows de Christian Danner, os Minardi de Andrea de Cesaris e Alessandro Nannini, o Zakspeed de Jonathan Palmer e o Ligier de Jacques Laffite, que para evitar bater num carro, rodou o seu carro para a direita e bateu no guard-rail, destruindo a sua frente e causando ferimentos em ambos os seus tornozelos. 

Laffite foi logo assistido por Palmer, que antes de ser piloto, tinha estudado para ser médico, antes de chegarem os paramédicos e ele ser transportado de helicóptero para o hospital mais próximo. Ele iria recuperar dos seus ferimentos, mas não mais regressaria competitivamente a um cockpit de Formula 1 num Grande Prémio. Quanto a Mansell, decidiu fazer nova partida com o seu carro de reserva.

Corrida interrompida no final da primeira volta, demorou cerca de uma hora e md até tudo estar pronto para a segunda partida. Ali, numa grelha reduzida para 22 carros, Piquet liderava, com Mansell, Berger, Senna, Rosberg e Prost atrás, sem incidentes de maior. Berger passou-o antes do final da primeira volta, mas o britânico voltou ao segundo lugar, e indo atrás de Piquet, que aparentava afastar-se do resto do pelotão. Mas Mansell aproximou-se e no inicio da volta 23, já estava colado na traseira do seu companheiro de equipa. Contudo, quando ambos aceleravam na Pilgrims Drop, o brasileiro errou uma troca de marcha e o britânico aproveitou, passando para a frente.

A partir dali, foi um duelo entre os pilotos da Williams, com um a não deixar o outro em paz. Atrás, Senna era terceiro, mas na volta 27, desistiu com problemas na sua caixa de velocidades no seu Lotus, pouco depois de, na volta 22, Gerhard Berger ter desistido com problemas elétricos. Com isso, Alain Prost ficou com o terceiro posto, mas estava longe dos Williams. Aliás, acabou tão longe que perdeu uma volta para eles. 

No final, Mansell era o grande vencedor, perante uma multidão em delírio, com Prost em terceiro e Arnoux em quarto... com duas voltas de atraso. No pódio, Ginny Williams, mulher de Frank, recebeu o troféu do construtor vencedor, sinal que a Williams estava de volta, mais veloz que nunca. E Mansell saía com quatro pontos de avanço sobre Prost, num campeonato bem disputado.

Meteo: Spa-Francochamps poderá ser agitado


O fim de semana do GP da Bélgica, em Spa-Francochamps, poderá ter chuva. Pelo menos na sexta-feira, embora não se pode descartar chuva nos restantes dias.

As temperaturas para estes três dias irão andar entre os 16 e os 18 graus, vento fraco, mas é na precipitação que os olhos se concentrarão, porque desde o inicio destes novos regulamentos, este ano, ainda não houve uma corrida à chuva.

Na sexta-feira, haverá chuva fraca, e as chances andam a rondar os 35 por cento ao longo do dia, enquanto no sábado, o céu estará muito nublado, mas as chances diminuirão para 15 a 20 por cento, com vento fraco, na ordem dos 20 km/hora. E para domingo, haverá mais chances de uma corrida seca, com as chances de chuva a baixar para 10 por cento, aumentando para 15 na hora da corrida.