terça-feira, 1 de setembro de 2026

WRC: Ogier elogia a evolução de Pajari


O francês Sebastien Ogier elogiou o desempenho de Sami Pajari nesta temporada. Depois de três vitórias seguidas, o finlandês da Toyota tornou-se no piloto a ter em conta, e está agora a vinte pontos de Elfyn Evans, o líder do campeonato, quando faltam três ralis para o final da temporada. E tudo isto depois de ele ter colocado em causa a sua capacidade de andar entre os da frente.

Numa entrevista ao dirtfish.com, o piloto francês, atual campeão do mundo, admitiu não ter sempre visto esse “algo especial” no piloto de 24 anos, mas agora parece que está a aproveitar as oportunidades, sempre que aparecem.

Sinceramente, ele passou por um período bastante difícil no último ano e meio. Mesmo pessoalmente, pensei que lhe faltava alguma coisa, sabes. Talvez não estivesse a mostrar o suficiente, do meu ponto de vista”, começou por afirmar. “Contudo, os factos estão aí agora. Ele venceu três ralis consecutivos, não necessariamente com um desempenho extraordinário; a Estónia foi uma prestação muito impressionante, no resto ele esteve simplesmente presente, consistente, sem cometer erros, e este desporto também é muito sobre isso.”, continuou.

Por isso, parabéns a ele por conseguir isto e por conseguir estar consistentemente lá e, sim, capitalizar um pouco num fim de semana como este, em que a maioria dos candidatos teve problemas. Mas isso também faz parte do nosso desporto, por isso parabéns a ele e ao Marko [Salminen, copiloto]. Agora, definitivamente, está a tornar-se um verdadeiro candidato ao campeonato.”, concluiu.

Pajari, de 24 anos - nascido a 1 de dezembro de 2001 - começou a correr em carros de Rally1 no final da temporada de 2024, com um quarto lugar no rali da Finlândia, antes de passar a tempo inteiro na temporada de 2025. Apenas um pódio, um terceiro lugar, no Japão, foi o seu melhor resultado, acabando a temporada com 107 pontos e o oitavo lugar. Contudo, a sua consistência era o seu triunfo e em 2026, está a mostra isso: oito pódios em 11 ralis, e nas três últimas, no lugar mais alto do pódio. 

Youtube Formula 1 Video: Todas as temporadas onde a Ferrari não conseguiu um título

A Ferrari é a única equipa da Formula 1 que participou em todas as temporadas desde 1950, e claro, desde muito cedo que esteve na luta por títulos - desde 1951, para ser mais exato, com Alberto Ascari ao volante.

E como este é o fim de semana do GP de Itália, e é sempre bom recordar as vezes em que a Ferrari era favorita ao título, mas... estragou tudo. Algumas por culpa deles - Enzo Ferrari era um "bullier" notório, e queria competição interna entre os pilotos, levando-os para além do limite - e em outras ocasiões, foi a concorrência que levou a melhor. 

Preparem-se, são 21 minutos de desgosto para os "tiffosis", e o video é realizado pelo Josh Revell

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

WRC (II): Novo promotor promete mudanças, sem comprometer a sua essência


O novo promotor do WRC quer fazer mudanças para os ralis, mas não pretende comprometer o seu espírito original. 

Numa conferência de imprensa da FIA, onde se fez a apresentação do grupo automóvel francês Cosmobilis e o fundo de investimento Park Square, que completaram no início deste mês a aquisição do WRC Promoter e ERC Promoter, Mohamed Ben Sulayem, o presidente da FIA, realçou que este negócio com a Cosmobilis era o melhor que a FIA já fez, pois o orgão federativo manterá poder de decisão e receberá também proveitos financeiros. E fala disso em contraste com a Formula 1, onde o próprio Ben Sulayem afirmou que a FIA recebe "zero e não tem poder".

Na apresentação, Eric Boullier disse que haverá mudanças no formato das provas,  reformulação da plataforma de comunicação social com maior aposta nas redes sociais, transformar o Parque de Assistência numa arena do WRC, e a garantia de querer manter os ralis gratuitos para o público sempre que for possível.

"Há uma coisa que gostaria de salientar primeiro. Nunca, mas nunca, iremos mudar o ADN dos ralis. Essa é a nossa posição. Nunca iremos alterar aquilo que é o ADN dos ralis”, começou por afirmar na conferência de imprensa de apresentação.

E continuou ao garantir que "uma das coisas em que vamos obviamente é trabalhar com a FIA e tentar fazê-lo agora, porque os ralis são, obviamente, o desporto mais espetacular, mas já ninguém fala deles. E esse é o problema atualmente: queremos trazer de volta o WRC e o ERC para o lugar que lhes pertence.


Em relação aos construtores, Boullier já disse que estão a falar com eles em relação a questões como os custos e o calendário, e acredita que poderão ter novos construtores em breve.

"Já iniciámos algumas conversações com muitos deles. Os primeiros que obviamente tivemos em consideração foram os atuais no WRC. Não existe um mundo perfeito. Nunca conseguimos agradar a toda a gente, mas abordámos as suas preocupações. Eles querem uma plataforma estável. Temos um compromisso de 10 anos com a FIA. Eles querem que os custos sejam reduzidos.”, começou por afirmar.

"[O WRC] é uma plataforma global, tal como a Fórmula 1, por isso vamos ter 14 ou 15 ralis em todo o mundo. Vamos a África, vamos à Ásia, vamos a todo o lado, à América do Sul, e é importante manter esta dimensão global, porque, no fim de contas, somos apenas a Fórmula 1 e nós...”, concluiu.

WRC: Hyundai suspende a sua participação


A noticia era algo esperada: a Hyundai suspenderá a sua participação no WRC até ao final da década, concentrando-se na classe Rally2. A falta de incentivos para continuar na nova classe, que arrancará em 2027, mostrava que no curto prazo, não iriam continuar, e agora, irão concentrar no desenvolvimento de um novo modelo e uma regulamentação revista.

Ambos os pilotos, o belga Thierry Neuville e o francês Adrien Fourmaux, deverão continuar a competir com o i20 Rally2 - cuja terceira evolução está prestes a se estrear no final do ano - em várias provas do campeonato mundial, mas face à continuidade da Toyota como única equipa oficial, os pilotos da marca coreana enfrentarão esta transição para a segunda divisão, num contexto em que informações técnicas indicam que os carros da categoria Rally2 poderão superar, ou pelo menos igualar a velocidade dos novos veículos Rally1. Logo, a marca coreana preferiu a pausa, para se concentrar em objetivos mais a longo prazo.

Com isto, em 2027, só haverá à partida carros da Toyota, do Project One e do projeto espanhol, com as participações em aberto da Lancia, e agora, da Hyundai. 

domingo, 30 de agosto de 2026

As imagens do dia



Parece que o cinema descobriu o automobilismo. Digo isto porque neste domingo, decorreram umas filmagens bastante interessantes no Mónaco: aparentemente, é a prequela do "Ocean's Eleven", cuja ação acontece em 1962, e seria um assalto ao Casino do Mónaco durante o fim de semana do Grande Prémio. Uma corrida que, na realidade, foi ganha pelo Cooper de Bruce McLaren, o aniversariante deste dia. Coincidências. 

Tudo isto acontece no fim de semana em que se soube que o segundo filme do "Days of Thunder" (Dias de Tempestade, na versão portuguesa) foi confirmado que terá a sua estreia no verão de 2028, com um video com Tom Cruise e Anne Hathaway, com uma predominante barriga de grávida, em Daytona. Assim sendo, acontecerá 38 anos depois da primeira versão, também com Cruise como ator principal.

E - esta parte nem sabia - mas dentro de algum tempo, haverá um filme sobre a história dos irmãos Maserati, que fundaram e mantiveram a marca com o mesmo nome, enquanto faziam nome no automobilismo italiano e europeu. E no elenco estão Anthony Hopkins e Al Pacino.

É evidente que nem todos estes filmes tem o automobilismo como tema - a tal prequela mostra isso - mas ver Hollywood pegar no tema e fazer deles filme, pelo menos nos últimos tempos, parece ser sinal de que eles poderão estar a ver isto como mais um lugar onde podem conseguir mais dinheiro. Contudo, há algo que tem de ser dito. Um deles irá seguir o mesmo caminho do "Top Gun" - mesmo ator, mesmo produtor (Jerry Bruckheimer), pois como disse em cima, o primeiro filme foi em 1990, e este aparecerá em 2028. Lá porque o "Top Gun: Maverick", se tornou num filme que deu receitas superiores a mil milhões de euros, não tem de dizer que todos os outros seguirão o mesmo caminho.

Aliás, é muito provável que estes dois filmes se estrearem no final da década, altura em que se prevê a estreia da sequela do bem-sucedido "F1", de 2025, com Brad Pitt no principal papel. Se assim for,a será uma temporada bem interessante.

Eu suspeito que estamos no inicio de uma tendência semelhante ao que aconteceu a todos estes filmes de superheróis da Marvel ou DC, ou então os vérios "spinoffs" do Star Wars: toca a apertar as tetas da vaca só porque dá lucro. As pessoas fartar-se-ão e irão embora, seja da sada de cinema, seja do sofá de algum Netflix, Apple TV, Amazon Prime ou outro canal qualquer. 

De resto, vamos a ver no que isto dará, e até que ponto isto terá êxito. E claro, o que interessa para mim é ver que o automobilismo tem agora a atenção de Hollywood.

WRC 2026 - Rali do Paraguai (Final)


O finlandês Sami Pajari venceu o seu terceiro rali consecutivo e agora se tornou no principal desafiante a Elfyn Evans na corrida ao título mundial do WRC de 2026. O piloto da Toyota ganhou com uma vantagem de 25,8 segundos sobre Hayden Paddon, no seu Hyundai, de 40 segundos sobre Adrien Formaux, e de 45,1 segundos sobre o Toyota de Elfyn Evans, que sai de terras paraguaias como líder do campeonato. Tudo isto num dia onde a penúltima especial foi cancelada, o que ajudou muito na manutenção da liderança por parte do finlandês, que ganhou o rali da Estónia e da Finlândia, todos neste verão.

"Isso soa incrível, realmente bom! Um grande obrigado à equipa. Não foi um rali fácil. Não é fácil para os pilotos e também não é fácil para a equipa. Construir um carro tão fiável é a chave para o sucesso. É realmente bom. Estamos tentando fazer o nosso melhor no campeonato e não está indo tão mal também. Tudo é possível - só precisamos continuar pressionando.", disse o piloto finlandês.

O último dia tinha cinco especiais à espera dos pilotos: passagens duplas por Encarnacion e Artigas - a segunda passagem iria ser a Power Stage - e a passagem única por Arteagas Sur. E o dia começava com Sebastien Ogier a ganhar na primeira passagem por Encarnacion, 0,6 segundos na frente de Thierry Neuville, 1,9 sobre Takamoto Katsuta, 5,1 sobre Oliver Solberg e 7,4 sobre Adrien Formaux. 

Solberg ganhou na especial seguinte, 1,3 segundos na frente de Formaux, 1,4 sobre Ogier, 1,5 sobre Neuville e 2,8 sobre Sami Pajari. Josh McErlean tinha problemas com a caixa de velocidades e perdia 39,2 segundos. 


O sueco voltou a ganhar, na 20ª especial, 1,5 segundos na frente de Sebastien Ogier, dois segundos sobre Formaux, 2,1 sobre Pajari e 2,7 sobre Elfyn Evans. Quem tinha o carro danificado era Jon Anderson, que atingiu um obstáculo que não tinha a parte traseira esquerda. "Havia muito menos aderência do que esperávamos e tocamos o banco com a traseira esquerda.", disse o irlandês, no final da especial.

Evans também se queixa, mas de não ter ritmo: "Parece que não consigo encontrar o mesmo ritmo que tinha no início do fim de semana, vamos continuar tentando até o final.", afirmou.


A 21ª especial acabou por ser cancelada depois do acidente de Takamoto Katsuta, que capotou e bateu contra um poste de comunicações. Este foi suficientemente forte para que ele e o seu navegador, Aaron Johnson, fossem evacuados de helicóptero para o hospital, por precaução.

E com isto, ia-se para a Power Stage, onde Solberg conseguiu ser o melhor, 2,2 segundos na frente de Sebastien Ogier, 3,5 sobre Adrien Formaux, 4,8 sobre Elfyn Evans e 6,5 sobre Thierry Neuville.

"Este parece um verdadeiro pódio! Sente-se tão bem quanto uma vitória, porque muitas pessoas nos descartaram e pensaram que a Hyundai fez uma piada ao nos contratar. Muitas pessoas acreditam em mim e eu acredito em mim mesmo. Ainda podemos ser competitivos e mais quando aprendermos o carro", disse Hayden Paddon, que consegue o seu segundo pódio nesta temporada.

Em contraste, Elfyn Evans não estava contente: "O fim de semana começou bem, mas depois não conseguimos entrar em um ritmo melhor. Não estou realmente feliz.", comentou no final da Power Stage. 

Depois dos quatro primeiros, quinto foi Oliver Solberg, a 2.57,0, seguido pelo Ford Puma Rally1 de Josh McErlean, a 4.19,0. Sétimo foi o melhor dos Rally2, o paraguaio Diego Dominguez, a 7.40,5. Gus Greensmith acabou em oitavo, a 8.03,2, e a fechar o "top ten", ficaram o Toyota GR Yaris Rally2 de Alejandro Galanti, a 10.23,0, e o Skoda Fabia RS Rally2 do australiano Taylor Gill, a 10.36,9.

O WRC continua dentro de duas semanas, em terras chilenas, entre os dias 10 e 13 de setembro.

sábado, 29 de agosto de 2026

A imagem do dia (II)



A Formula 1 está cheia de estórias estranhas, e reputações que são derrubadas graças a um incidente. E depois deste fim de semana em Zandvoort, Andrea de Cesaris iria carregar um estigma para o resto da sua carreira... e da sua vida.

Ao fim de quase uma temporada completa, o piloto romano, então com 22 anos, tinha corrido duas provas no final de 1980, pela Alfa Romeo, em substituição do veterano Vittorio Brambilla. Mas ao longo desse ano, tinha estado na Formula 2, ao serviço da equipa Project Four, de Ron Dennis, conseguira ser rápido, acabando com quatro pódios e uma vitória, em Misano, e sendo quinto classificado no campeonato. Foi o suficiente para se estrear na Formula 1 ainda antes do final dessa temporada.

Para 1981, Dennis precisava de um dos seus pilotos da Project Four na nova equipa, e De Cesaris era o mais óbvio. Mas apesar de ser veloz, em quase todos os fins de semana de Grande Prémio, ele puxava pelos limites e ia além deles, danificando um chassis, ora nos treinos, ora na corrida. Até poderia ser um bom teste para o modelo MP4/1, o primeiro chassis de fibra de carbono, mas este era sempre usado pelo outro piloto da marca, o britânico John Watson. - só começou a usar no Mónaco. 

Até que em Zandvoort, palco do GP dos Países Baixos, as coisas chegaram a um ponto grave. Nesse final de semana - que fez agora 45 anos - a McLaren tinha quatro chassis, dois deles velhos M30. Por essa altura, ele já tinha danificado… 16 chassis, e os seus mecânicos tinham passado noites sem dormir a recuperar os carros para que ele pudesse andar… e destruir o carro. De Cesaris tinha batido na sexta e no sábado, uma delas na Curva Tarzan, com o carro habitual e depois com um dos “muletos”, e quando isso aconteceu, a equipa entrou em pânico quando viram que só tinha um carro para Watson. No final, apesar de ter conseguido o 13º melhor tempo, eles impediram-no de alinhar na corrida. Então, já a fama de “De Crasheris” tinha sido estabelecida, e iria acompanhá-lo para o resto da sua carreira.

No final da temporada, ele foi despedido e regressou à Alfa Romeo e Ron Dennis jurou que nunca mais iria contratar um piloto italiano enquanto fosse o dono de uma equipa de Formula 1.

Anos depois, em 2010, numa rara entrevista concedida a Rob Widdows, da Motorsport britânica, de Cesaris refutou veementemente a acusação desse alegado impedimento em Zandvoort: “Houve estórias de que os mecânicos recusaram a reparar o meu carro. Isso é treta. Na realidade, o carro de reserva foi para o John [John Watson] e era esse o combinado, então, fiquei sem carro.”, comentou.

Com o tempo, lá se acalmou. Mas a fama de destruidor de carros da parte dele se manteve até aos dias de hoje, mesmo que ele já tenha morrido em 2014.

A imagem do dia





E bastaram três corridas para que o campeonato de 1976 estivesse mais que lançado. 

Com Niki Lauda em casa e a recuperar dos seus graves ferimentos, a McLaren sentiu o pânico da Ferrari e atacou forte e feio a liderança do campeonato. James Hunt ganhara o GP da Alemanha, em Nurburgring, e duas corridas depois, em Zandvoort, era o vencedor do GP dos Países Baixos, conseguindo resistir à carga final do Ferrari de Clay Regazzoni, que tinha feito de tudo para impedir a sua vitória. 

E quando faltavam quatro corridas para o final do campeonato, faziam-se contas desde a última vitória de Lauda, em Monte Carlo: em seis corridas, Lauda conseguira dez pontos, enquanto Hunt tinha obtido... 39 pontos!

Claro, o resultado de Brands Hatch ainda estava pendente, pois a Ferrari tinha apelado para a FIA no sentido de desclassificarem Hunt por ter infringindo as regras na partida da corrida britânica. Mas isso ainda iria demorar, e apesar de Lauda já ter saído do hospital e recuperava na sua casa, a Ferrari estava a entrar em pânico perante esta forte recuperação de um Hunt fortemente focado na sua condução e tentando ser disciplinado, para depois... desabafar (ou festejar) as suas vitórias.

Mas a corrida de Zandvoort, onde Hunt conseguiu a sua liderança a Ronnie Peterson na volta 12 e não mais largou, apesar do assédio de Regazzoni, mostrou que quer ele, quer a McLaren, não poderiam ser uma força a ser menosprezada. E que não se poderia fazer contas de modo antecipado, nem declarar campeões enquanto a matemática não bater certo. 

E de um campeonato aborrecido, agora, tornava-se algo digno de ser seguido nas televisões. E dali a duas semanas, a Formula 1 chegava à casa da Ferrari.    

WRC 2026 - Rali do Paraguai (Dia 2)


O finlandês Sami Pajari lidera o rali do Paraguai, agora com uma vantagem de 24,1 segundos sobre o Hyundai do neozelandês Hayden Paddon, 56,3 sobre o atual líder do campeonato, Elfyn Evans, e 59,6 sobre Adrien Formaux, noutro Hyundai.

Com nove especiais neste sábado, num rali que está a ser bem duro para as máquinas, o dia começou com Evans a ganhar na primeira passagem por Bella Vista, ganhando com uma vantagem de 0,4 segundos sobre Adrien Formaux, 2,2 sobre Sami Pajari, 2,5 sobre Sebastien Ogier e 5,1 sobre Hayden Paddon. Em Bella Vista Sur, na especial seguinte, Formaux foi o vencedor, 7,3 segundos na frente de Sebastien Ogier, 7,5 sobre Oliver Solberg, 8,1 sobre Sami Pajari e 9,4 sobre Elfyn Evans. 

Neuville e Takamoto sairam de estrada, mas acabaram por regressar, com alguma dificuldade. 

"Foi uma especial totalmente nova e bem agradável de conduzir, gostei bastante. Muitas pedras soltas no início e fácil de ter um furo. Curto, mas intenso.", disse Formaux, no final da especial.

Formaux voltou a ganhar na 11ª especial, a primeira passagem por Hohenau, 5,2 segundos na frente de Sami Pajari, 5,8 sobre Elfyn Evans e 7,8 sobre Jon Armstrong. Romet Jurgesson bateu e ficou de fora, enquanto Oliver Solberg atrasou-se por ter-se atrasado num cruzamento.

No final da manhã, na primeira passagem por Trinidad, Ogier levou a melhor sobre Formaux por 0,3 segundos, cinco segundos sobre Armstrong, 5,3 sobre Oliver Solberg e seis segundos sobre Hayden Paddon.

A tarde começou com Adrien Formaux a ganhar três especiais seguidas: Bella Vista, Bella Vista Sur e Hohenau. Em Bella Vista, conseguiu uma vantagem de um segundos sobre Evans, 1,2 sobre Ogier, 1,7 sobre Pajari e 3,6 sobre Solberg. Pajari perdeu algum tempo quando passou largo num cruzamento. Em Bella Vista Sur, formaux ganhou uma vantagem de dois segundos sobre Ogier, 4,6 sobre Pajari, 6,8 sobre Paddon e 7,7 sobre Evans. E em Hohenau, o francês da Hyunadai levou a melhor sobre Solobergm a 6,2, sobre Ogier e Evans, ambos a 7,1, e Pajari, a 8,1. 

McErlean saiu largo do último cruzamento da especial, perdendo algum tempo para regressar à estrada. "Travei mais cedo, mas novamente não foi o suficiente. [Ando a gerir] os pneus. Muito mais [duro] que esperávamos em relação ao ano passado."

Ogier foi melhor na segunda passagem pot Trinidad, e foi por pouco: 0,1 segundos sobre Solberg. Neuville e Formaux ficaram empatados, a 3,4, enquanto Jon Armstrong foi o quinto melhor, a 4,3.

No final do dia, em Encarnacion Costanera, Takamoto Katsuta foi o melhor, 0,6 sobre Thierry Neuville, 3,5 sobre Sebastien Ogier e 6,4 sobre Adrien Formaux.

Depois dos quatro primeiros, Oliver Solberg é um distante quinto, a 3.25,7, seguido por Josh McErlean, a 3.32,0. O local Diego Dominguez, no seu Toyota GR Yaris Rally2, é sétimo, a 6.20,4, seguido pelo Ford de Jon Armstrong, a 6.40,0, e a fechar o "top ten" estavam o Toyota GR Yaris Rally2 de gus Greensmith, a 6.44,2, e o carro do paraguaio Pau Zaldivar, a 7.33,6.

O rali do Paraguai termina no domingo, com a realização das derradeiras cinco especiais. 

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

A imagem do dia




A McLaren tinha um chassis que desde 1973 tinha dado um título Mundial de pilotos e outro de construtores. O M23, projeto de Gordon Coppuck, tornou-se num dos melhores chassis do pelotão, e pilotos como Emerson Fittipaldi, Dennis Hulme e James Hunt, sabiam que era um chassis excelente. 

Mas em 1976, apesar da competividade do M23, a McLaren sabia que era hora de um novo chassis, e pedira a Gordon Coppuck, com a ajuda de Steve Harvey, Dave Quill e Ray Stokoe, na parte da engenharia, para que fosse mais eficaz em pista. Desde o inicio do ano que ele se aplicava nisso, mas o ponto de partida tinha de ser um: o M23, que tinha sido muito eficaz. Quando o primeiro chassis ficou pronto, no verão, tinha as suas semelhanças.

A dianteira ainda não tinha sido redesenhada. O nariz era parecido com o M23, e as suas entradas de ar estavam na traseira, e esperavam que, estando mais perto, pudesse arrefecer o motor de forma mais eficaz, e aerodinamicamente, fosse perfeito. Além disso, os pontões laterais eram mais baixos e estreitos, também no sentido de uma melhoria aerodinâmica... pelo menos, no papel. 

Só que logo nos primeiros testes, descobriram-se problemas sérios no sistema de refrigeração do motor. Mas mesmo assim, as coisas estavam suficientemente bem ao ponto de, durante o fim de semana do GP dos Países Baixos, em Zandvoort, decidirem fazer um teste comparativo: pediu-se a Jochen Mass para que conduzisse o M26 durante esse fim de semana, enquanto Hunt guiava o M23, por razões óbvias.

Quase ao mesmo tempo, outra equipa, a Shadow, decidira estrear no mesmo fim de semana o seu DN8, o quarto chassis exclusivo para a Formula 1. Em contraste com a McLaren, que tinha correções para serem feitas, no projeto de Tony Southgate e Dave Wass, o último antes de ir para a Lotus ajudar no projeto do Lotus 78, o centro de gravidade estava mais baixo e os radiadores eram laterais - iria ter um radiador frontal mais tarde, numa nova versão do chassis. Era um carro mais eficaz para aquilo que pretendiam. 

E a comparação foi evidente: se Hunt conseguiu o segundo melhor tempo, com 1.21,39, já Mass conseguiu apenas 15º melhor tempo, com 1.22,48, cerca de 1,1 segundos mais lento. Parecia que o sucessor do velho, mas fiável M23, tinha um longo caminho para percorrer, se queria ser tão bom como o seu antecessor. Porque em comparação, por exemplo, a Shadow, com o seu DN8, com Tom Pryce ao volante, conseguira o terceiro melhor tempo. Na corrida, acabaria no quarto posto, não muito longe do vencedor. 

Ambos os carros iriam marcar um tempo, mas seria mais tarde. Naquele fim de semana de há meio século, apenas se estreariam nas pistas. 

WRC 2026 - Rali do Paraguai (Dia 1)


O finlandês Sami Pajari lidera um atribulado Rally Paraguai, a bordo do seu Toyota, com uma vantagem de 11,9 segundos sobre o Hyundai do neozelandês Hayden Paddon, 56,9 sobre o terceiro classificado, o outro Toyota de Elfyn Evans, e 1.51,3 sobre o outro Hyundai de Adrien Formaux, num rali onde alguns dos principais candidatos à vitória, como Sebastien Ogier, Takamoto Katsuta e Thierry Neuville, abandonaram no primeiro dia, mas regressarão no dia seguinte.

Com oito especiais a serem cumpridas, em passagens duplas por Cambyreta, Nueva Alborada, Yerbateras e Autódromo, o dia começou com Oliver Solberg a começar a ser o melhor, 3.1 segundos na frente de Adrien Formaux, 4,8 sobre Hayden Paddon e 7,2 sobre Sami Pajari. 

A especial ficou marcada pelo acidente de Takamoto Katsuta, que por causa do seu capotanço, o carro ficou muito danificado e irá ficar de fora para o resto do dia. Thierry Neuville furou o pneu traseiro esquerdo e danificou a suspensão, perdendo dois minutos e 45 segundos, e a mesma coisa aconteceu a Sebastien Ogier, que perdeu menos tempo: 24,4 segundos.

A segunda especial começava com a noticia da retirada de Neuville, cujos danos no seu carro eram demasiados para que pudesse continuar. Ogier sofreu outro furo, trocou o pneu e perdera cinco minutos. 

"Cometi um erro, bati em um banco e danifiquei o carro. O braço da suspensão foi quebrado. No momento em que o Vincent Landais me disse que o Adrien estava atrás de mim e estava me pressionando. Desculpe se eu o incomodei e espero que devolvam o tempo para ele.", disse, no final da especial.

No final, Solberg levou a melhor, 2,2 segundos sobre o Ford de Josh McErlean, 2,3 sobre Hayden Paddon e Jon Armstrong, e 4,5 segundos sobre Adrien Fornmaux. 

Na terceira especial, Solberg teve problemas no motor e parou o seu carro no quilómetro 5,7, depois de ter tido dificuldades em arrancar no seu inicio. No final, perdeu mais de quatro minutos e caiu para o 17º posto. Ogier viu a sua suspensão ceder a meio do troço e decidiu parar, por hoje.

Evans furou e teve de para para trocar, Adrien Formaux também furou e perdeu 1.45 minutos, os Ford de Jon Anderson e Josh McErlean também furaram, mas perderam menos tempo: McErlen, 19,8 segundos, Anderson, 1.26,4.

No final da especial, Hayden Paddon foi o vencedor com 17,2 segundos sobre Elfyn Evans, 19,8 sobre Jon Anderson e 20,1 sobre Sami Pajari. 

"Que rali interessante, devo dizer. Ainda há alguns problemas e estamos a correr em segurança, sem ir a toda velocidade. De qualquer forma, chegamos ao fim e isso é bom. Tínhamos um vazamento de água que precisávamos consertar. Talvez esteja tudo bem agora.", disse Sami Pajari, no final da especial.

No final da manhã, na primeira passagem pela especial do Autódromo, Formaux conseguiu levar a melhor, um segundo adiante de Oliver Solberg, 1,6 sobre Sami Pajari e Hayden Paddon, e 2,1 sobre Elfyn Evans.  


A parte da tarde começou com Formaux ao ataque, vencendo as segundas passagens por Cambryeta e Nueva Alborada, 3,5 segundos à frente de Elfyn Evans, 5,9 sobre Sami Pajari e oito segundos sobre Hayden Paddon, na primeira especial da taerde, e com um avanço de 2,4 segundos sobre Pajari e Evans, e 3,2 sobre Solberg. Padden furou e perdeu 25 anos. No final, o piloto neozelandês disse que tentou gerir o andamento até ao final da especial. 

Pajari acabou por ganhar na sétima especial, a segunda passagem por Yerbateras, 0,1 segundos na frente de Oliver Solberg, numa especial onde Evans ficou sem pneu, bem como Hayden Paddon, que sofreu novo furo, Adrien Formaux sofreu... dois furos e perdeu quase 50 segundos, mas nem foi dos piores. 

Em compensação, no final do dia, Formaux voltou a ganhar, 0,3 sobre Paddon, 0,5 sobre Solberg e 0,8 sobre Pajari. Era um dia díficil que tinham deixado para trás, mas os pilotos achavam que mais obstáculos estavam para vir.

Como disse Sami Pajari: "Ainda terminamos sexta-feira. Acho que os dias seguintes serão os mais exigentes."

Depois dos quatro primeiros, Josh McErlean é quinto, a 2.23,1, na frente do local Diego Dominguez, a 2.36,0, no seu Toyota Yaris Rally2. Sétimo é Gus Greensmith, no seu Toyota GR Yaris Rally2, a 3.15,4, na frente de Oliver Solberg, a 3.33,3. Marco Bulacia é nono, no seu Toyota Yaris Rally2, a 4.01,4, e a fechar o "top ten" está o carro do estónio Romet Jurgeson, a 4.36,9.

O rali do Paraguai continua amanhã, com a realização de mais nove especiais.   

Youtube Motorsport Video: O trailer de "Os irmãos Maserati"

Inesperadamente, soube da existência de um trailer de um filme que fala da história dos irmãos Maserati, que fundaram a marca com o mesmo nome, e conseguiram sucesso entre os anos 20 a 50 do século XX. Está cheia de atores de primeira linha, mas o produtor é o mesmo que fez "Lamborghini", e esse filme não é das melhores coisas que já vi, confesso...

E suspeito que usaram e abusaram do IA nas cenas de corrida. Mas vejam por vocês mesmos. 

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

As imagens do dia





Agosto tinha sido um mês complicado para a Ferrari. Primeiro, o seu acidente com Niki Lauda, em Nurburgring. Depois, no dia 4, a decisão da RAC britânica de manter a decisão dos seus comissários em relação â polémica do GP da Grã-Bretanha, onde o McLaren de James Hunt tinha sido recolocado na pista depois do acidente na primeira volta, e do qual a Scuderia achava que era ilegal, no dia seguinte, tinha anunciado que iria tirar os seus carros do resto da temporada. 

Muitos sabiam que isto era típico de Enzo Ferrari. As suas manobras de intimidação eram já lendárias, e o pelotão da Formula 1 já conhecia a lenga-lenga. Eles cumpriram a ameaça, ao não ir ao GP da Áustria - tentaram até que a corrida fosse cancelada! Mas não conseguiram.

Poucos dias depois, a Ferrari achou que a manobra pudesse ter ido longe demais. Nos dias seguintes, em Maranello, Ferrari reuniu-se com os presidentes do Automobile Club Italiano e do presidente da CSAI, o Comité Olímpico Italiano, que reunia todas as modalidades, incluindo o automobilismo. No final, decidiu-se que a Ferrari iria regressar, em trocas de certas reformas no regulamento, e a 23 de agosto, a Ferrari lançava um comunicado oficial afirmando que iria participar no GP dos Países Baixos, apenas com Clay Regazzoni ao volante. 

No meio destes azares, uma boa noticia: Lauda já tinha saído do hospital e iria recupera na sua casa de férias, em Ibiza. Ainda não se sabiam duas coisas: se o austríaco iria poder voltar a guiar um carro, e quem o iria substituir. E isso era uma novela à parte. 

Depois de Ferrari ter sondado alguns pilotos - Emerson Fittipaldi, Jacky Ickx - para correram no lugar de Lauda, parecia que o escolhido iria ser o argentino Carlos Reutemann. Então piloto da Brabham, e visivelmente insatisfeito com o carro dessa temporada, agora com motor flat-12 da Alfa Romeo, quando viu essa oportunidade, decidiu ir embora. Chegou até a anunciar a sua saída, mas poucos dias depois, decidiu voltar atrás na decisão, e iria correr em Zandvoort. Rolf Stommelen, que tinha sido anunciado como seu substituto, acabaria por correr num carro da Hesketh. 

Mas alguns dias antes da corrida neerlandesa, outro problema físico: Clay Regazzoni lesionou-se no pulso numa partida de ténis e a sua presença chegou a estar em dúvida. Em repouso, e com o pulso protegido, ele recuperou a tempo de participar na corrida. Um susto, mas com final feliz. E pronto para tirar o maior número de pontos possível a James Hunt. 

E a McLaren? Bom, parecia que iria testar um novo chassis. Mas não era com Hunt, e era com Jochen Mass. Mas sobre isso, haverá um post à parte. 

Noticias: FIA irá liberalizar motores no WRC em 2029


A FIA considera seriamente uma liberalização na motorização no WRC no final da década. A entidade suprema do automobilismo quer que a partir da temporada de 2029, os construtores tenham a liberdade de escolher o tipo de motor nos seus carros, sejam a combustão, híbridos ou elétricos. Segundo conta hoje o site dirtfish.com, a partir de 2029, existe uma forte vontade por parte da FIA para que os engenheiros das construtoras deixem a imaginação correr livremente na conceção de novas soluções de motorização.

Malcom Wilson, vice-presidente da FIA para o WRC, confirmou esta abertura: “Estamos abertos [em termos de nova tecnologia] a partir de 2029.” O responsável explicou ainda o objetivo estratégico por detrás desta flexibilidade: 

O objetivo é fazer com que seja de tal forma que o construtor tenha de estar no WRC. Queremos torná-lo eficaz em termos de custo, proporcionando um retorno do investimento, para que os construtores tenham de estar aqui. Não queremos ter de forçar o interesse, tem de se tornar uma escolha óbvia.

Essa flexibilidade não é inédita, pois já existe no Todo-o-Terreno, com bons resultados, e Wilson quer o mesmo para o WRC, afirmando que este tipo de flexibilidade será uma inevitabilidade.

Temos essa [flexibilidade] no TT. Temos diesel, temos V6, temos V8, temos turbocompressor, e funciona.”, começou por afirmar. “Temos de aceitar que não vai ser como tem sido nos últimos cem anos. É um mundo em mudança. Como disse, se alguém quiser vir com híbrido, hidrogénio, elétrico, estamos abertos.”, concluiu.

Xavier Mestelan Pinon, diretor técnico da FIA, tem estado em conversações nos últimos meses com alguns construtores de veículos elétricos, e admite que essa solução poderia funcionar, desde que fossem feitas revisões ao itinerário das provas. 

Um EV total para uma aplicação no WRC, não é completamente louco, exceto o facto de que é preciso carregar entre dois troços. Mas um EV total, com a potência atual, estamos a falar de 300 cavalos mais ou menos, para etapas de cerca de 30 ou 35 quilómetros, não é um problema. Com uma bateria de cerca de 40 quilowatts, é possível fazer facilmente uma etapa de 35 quilómetros mais 100 quilómetros de secção de estrada. Por isso não é um desafio. O pior para um carro EV total é a autoestrada. Aceleração total durante longos períodos. Mas no rali não é [assim].”, explicou.

Por isso é viável. É só o facto de que, se quisermos fazer isso, precisamos de colocar algumas estações de carregamento em algum ponto do percurso. Mas é mais uma questão do que é melhor para o rali.”, concluiu.


Xavier Mestalen Pinon explicou ainda a filosofia geral da FIA na escolha das melhores tecnologias para cada categoria do desporto motorizado: 

Do lado da FIA, temos um portfólio muito amplo. Por isso, o que tentamos propor é a melhor tecnologia para cada aplicação. É por isso que hoje, para as corridas de resistência, por exemplo, não seguimos a via elétrica, claro — o que sugerimos para o futuro [das corridas de resistência] é usar hidrogénio. É uma das soluções.", começou por explicar. 

"Para a Formula 1 hoje, está acordado, talvez motor de combustão interna total com uma certa quantidade de combustível no futuro. Por isso sim, precisamos de identificar a melhor opção. Para o rali, sim, precisamos de medir corretamente qual é a melhor. Se novos construtores pensarem que é uma solução interessante, novamente, estamos abertos a discutir isso. O carro está desenhado para isso. A diversidade é algo bom no desporto motorizado, seja no TT, seja no WEC ou no Campeonato Mundial de Rali. Precisamos de ser ágeis no nosso regulamento, abertos o máximo possível à flexibilidade. Porque, para ser honesto, saber exatamente qual vai ser a solução dentro de dez anos, é impossível. Não há solução mágica.”, concluiu.

Estas declarações poderão fazer acelerar algumas das ideias que alguns construtores têm para poderem participar no WRC. A Toyota está há muito tempo a desenvolver tecnologia para colocar carros a hidrogénio na Endurance, e poderá querer trazer essa tecnologia para os ralis. E a Opel colocou no mercado um carro totalmente elétrico para os ralis, o Corsa GSE, tendo inicialmente utilizado infraestrutura de carregamento personalizada para apoiar o seu campeonato de marca única no lançamento.

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

WRC: O que as equipas esperam do rali do Paraguai


Nas vésperas do rali do Paraguai, a primeira de duas provas que acontecerão em solo sul-americano, com o segundo rali a ser no Chile, cerca de duas semanas depois. As três equipas com carros na categoria Rally1 - Toyota, Hyundai e M-Sport (Ford), cada um tem objetivos diferentes para esta prova. E para a Toyota, com os seus cinco pilotos nos cinco primeiros lugares, este poderá ser a primeira chance de ganhar o título mundial de construtores pela sexta vez consecutiva, pois tem uma vantagem de 174 pontos sobre a Hyundai.

E mesmo que tenha Elfyn Evans com um avanço de 30 pontos sobre Sami Pajari, segundo classificado após vencer as duas últimas provas, Estónia e Finlândia, o campeonato é um "affaire" entre os pilotos da Toyota. 

O diretor de equipa adjunto da Toyota Gazoo Racing, Juha Kankkunen, destacou o entusiasmo do grupo para esta fase decisiva: 

Estamos entusiasmados por entrar nesta última parte da temporada com tudo ainda por decidir. No Paraguai teremos a nossa primeira oportunidade de assegurar o título de construtores, mas não esperamos que seja fácil.", começou por afirmar o tetracampeão do mundo de ralis. 

"Descobrimos no ano passado, quando realizámos este rali pela primeira vez, quão desafiantes podem ser as estradas e as condições no local. Vimos também muita paixão e apoio, como parece acontecer sempre na América do Sul, pelo que estamos ansiosos por regressar. Com os nossos pilotos a correrem igualmente para as suas próprias ambições no campeonato e com os nossos concorrentes indubitavelmente motivados para tentar vencer-nos, estou certo de que esta será mais uma edição emocionante de acompanhar.”, concluiu.

Do lado da Hyundai Motorsport, procura em terras paraguaias dar a volta ao resultado do Rali da Finlândia, onde Adrien Fourmaux e Thierry Neuville terminaram nas quarta e quinta posições. A equipa sul-coreana pretende transformar o ritmo demonstrado em lugares de pódio no regresso às pistas sul-americanas.

O diretor desportivo da Hyundai Motorsport WRC, Andrew Wheatley, perspetivou o evento sublinhando o trabalho de desenvolvimento no i20 N Rally1 Evo: 

A Finlândia foi um caso de ‘e se’, com o tempo desafiante a alterar o resultado do evento. Temos de colocar isto para trás das costas, voltar a focar-nos nos pontos positivos e olhar para os próximos dois ralis com confiança.", começou por afirmar Wheatley. 

"A equipa foi rápida em 2025, tanto no Paraguai como no Chile, mas sofreu com pequenos problemas que impediram a vitória. Doze meses depois, sabemos que o trabalho árduo que a equipa fez na preparação pré-evento e na afinação rali a rali para a versão Evo do i20 N Rally1 significa que o ritmo demonstrado nos troços de terra dura no Quénia, Portugal e Grécia, além da confirmação de que estamos próximos da velocidade de ponta pretendida para os troços de terra rápidos e suaves, deverá ajudar-nos a iniciar o Paraguai com uma atitude positiva." continuou. 

"Como sempre, lutar pela vitória contra uma forte concorrência significa não cometer erros, mas temos três equipas que podem lutar pelo pódio.”, concluiu.

Do lado da M-Sport, diretor de equipa, Richard Millener, evidenciou a expetativa em torno da deslocação ao continente sul-americano: 

Temos umas semanas entusiasmantes pela frente, a começar pelo Rally del Paraguay na próxima semana. Este evento impressionou-nos a todos no ano passado na sua estreia, e estou certo de que não deixará de nos impressionar novamente com outra cerimónia de abertura deslumbrante e algumas classificativas verdadeiramente interessantes.", começou por referir, antes de falar das expectativas que tem dos seus pilotos. 

"O Josh [McErlean] tem uma experiência sólida do ano passado que lhe trará muitos benefícios, e o Jon [Anderson] estudou muito os troços para se preparar. Como equipa, penso que podemos reunir muito conhecimento para entregar desempenhos fortes no Paraguai e no Chile. As próximas semanas vão exigir muito de todos, equipas e membros da estrutura, mas é um enorme prazer competir nestes eventos consecutivos na América do Sul. Vamos ver que aventuras nos aguardam.”, concluiu.

O rali do Paraguai será feito em pisos de terra, terá 22 especiais cronometradas, no total de 358.88 quilómetros.