segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Noticias: Antonelli não irá usar o numero 1 em 2027


O italiano Andrea Kimi Antonelli não usará o número 1 em 2027, ele próprio confirmou isso depois do seu título conquistado, no México. A conquista do título permite a Antonelli escolher o número 1 para a próxima época, mas o piloto decidiu conservar aquele com que se estreou em 2025. Assim sendo, ele será o segundo piloto a não usar esse número, depois de Lewis Hamilton ter abdicado desse direito, quando os números começaram a ser personalizados.

A última temporada onde o número um não foi usado foi em 2021. 

“Vou manter o número 12 porque, naturalmente, é um número muito especial para mim, mas também é uma forma de manter os pés assentes na terra, de me manter humilde, e sinto que conservar o número 12 me permite ter um novo ponto de partida, voltar a construir tudo e tentar melhorar”, explicou.

“E também, para ser sincero, sou muito supersticioso, e o número um nunca foi um bom número para mim. Sempre que o usei, correu extremamente mal. Por isso, é mais uma razão para manter o número 12. Mas, sim, vou manter o número 12.”, concluiu.

Na temporada de 2026, o número 1 pertence ao britânico Lando Norris, piloto da McLaren, que o recebeu depois de superar Max Verstappen na luta pelo título de 2025. Antes de perder o campeonato, o neerlandês utilizava esse número nos seus Red Bull desde 2022.

Meteo: Fim de semana em Interlagos promete ser agitado


O fim de semana em Interlagos, na cidade de São Paulo, promete ser agitado. Há um alerta de tempestade para sábado à tarde, e nesse dia, as chances de chuva serão de 85 por cento. Aliás, o fim de semana poderá ser de tempo húmido e possibilidades moderadas de chuva nos outros dias.

Comecemos por sexta-feira. O tempo será de chuva fraca, com 22ºC de temperatura, vinte por cento de possibilidades de chuva, num local que terá 83 por cento de humidade. E o vento será fraco, cerca de 10 km/hora. No sábado é que será a tempestade: trovoadas, 28ºC, vento a 21 km/hora e 50 por cento de possibilidades de chuva pelas 14 horas locais, horário previsto para a qualificação. 

Para domingo, o tempo será um pouco mais ameno. Parcialmente nublado, possibilidades de chuva a começarem pelos 25 por cento, caindo para 15 por cento na hora da corrida, vento fraco a moderado - 18 km/hora - e 16ºC de temperatura.

Vejamos que tempo é que teremos no final desta semana.

Noticias: Os Alpine e Piastri foram penalizados


A corrida acaba depois da meta, mas na realidade, da secretaria aparecem surpresas. É que do GP do México, houve penalizações pós-corrida e os prejudicados foram Oscar Piastri e os pilotos da Alpine, Pierre Gasly e Franco Colapinto. 

Primeiro que tudo, Piastri foi penalizado em dez segundos por causa do toque que deu no carro de Arvid Lindblad, depois da segunda partida. Com isso, ficou fora dos pontos, em 13º.

Já os Alpine também levaram uma forte penalização. Colapinto levou dez segundos porque não seguiu as regras das bandeiras amarelas no local do acidente entre Lindblad e Piastri. apesar da equipa ter dito que ele abrandou, e mostrou dados da telemetria para apoiar as suas reclamações, os comissários acharam insuficiente. 

Quanto a Gasly, a penalização foi de 30 segundos, porque foi ordenado um “stop & go” e ele não cumpriu durante a corrida. Com isso, caiu para 17º e último lugar da geral. 

No comunicado oficial, os comissários disseram que a Alpine "apresentou telemetria e provas fotográficas, alegando que estas demonstravam que [Colapinto] tinha cumprido o regulamento, o qual estabelece que o piloto deve reduzir a velocidade e estar preparado para mudar de direção". No entanto, tal "não foi suficiente para convencer" os comissários de que Colapinto tinha reduzido a sua velocidade de forma adequada ao passar pelo troço sob bandeira amarela simples.

No caso de Gasly, o comunicado lanlado pela FIA afirma que a Alpine e Gasly "alegaram que o piloto tinha reduzido a velocidade de forma significativa no troço sob bandeira amarela dupla; no entanto, uma análise detalhada da telemetria — bem como da telemetria de outros carros que passaram por aquele troço — levou os comissários a concluir que a pequena redução observada não era suficiente para cumprir os requisitos do regulamento".

Para além disso, isso, Gasly recebe também dois pontos de penalização na sua licença.

Ambos acabaram por pedir desculpa no comunicado oficial da marca pelas penalizações causadas.

"Peço desculpa à equipa pela infração sob bandeira amarela; foi um erro meu que, claramente, nos impediu de pontuar", disse Gasly. "Há alguns pontos para analisarmos internamente, uma vez que acredito que poderíamos ter conquistado uma posição muito melhor se não tivéssemos enfrentado certos problemas. Não foi um bom dia para mim; há muito para refletir.", concluiu.

"Peço desculpa a todos na equipa pelo que aconteceu sob bandeira amarela", afirmou, por sua vez, Franco Colapinto. "Embora seja difícil perceber exatamente o que se passou, foi um erro meu dentro do carro."

Com isso, os maiores beneficiados foram Liam Lawson, no seu Racing Bulls, Gabriel Bortoleto, da Audi, Isack Hadjar, no segundo Red Bull, e... Rio Hirakawa, o piloto da Haas F1 que substituiu esta semana Esteban Ocon. 

domingo, 1 de novembro de 2026

O piloto do dia: Andrea Kimi Antonelli


A Itália é um dos países indispensáveis, sempre que se escreve sobre a história do automóvel, e do automobilismo. Turim acolhe a Fiat, Milão, a Alfa Romeo, Modena, a Maserati, Maranello, a Ferrari, Sant'Agata Bolognese, a Lamborghini, e assim por diante. 

E nomes de pilotos são muitos. Comecese por Vicenzo Lancia, que antes de fundar a marca com o seu nome, foi o primeiro piloto de relevo na história do automobilismo italiano, Tazio Nuvolari é considerado como o melhor de sempre - Ferdinand Porsche apelidou-o como "o melhor piloto do passado, presente e futuro" - e Antonio Ascari foi um dos melhores pilotos do seu tempo, campeão do mundo pela Alfa Romeo em 1924, e pai de Alberto Ascari, campeão do mundo de Formula 1 em 1952 e 53, pela Ferrari. E um pouco antes, Giuseppe "Nino" Farina, sobrinho de Sergio "Pinin" Farina, fundador da casa de design automobilístico Pininfarina, o primeiro campeão do mundo de Formula 1, em 1950.

Contudo, depois dos bicampeonato de Ascari, a Itália não mais ganhou títulos. Mais de 70 anos sem ganhar nada, apesar de terem aparecido pilotos de primeira linha como Luigi Musso, Lorenzo Bandini, Vittorio Brambilla, Riccardo Patrese e Giancarlo Fisichella, entre outros, que venceram corridas na Formula 1, mas nunca o título. 

Mas a 1 de novembro de 2026, na Cidade do México, essa seca acabou. 70 anos depois da Mercedes ter tido Piero Taruffi, a marca de Estugarda acolheu um jovem piloto de Bolonha, talentoso desde que entrou em monolugares e foi treinado para este dia, graças a uma aposta pessoal de Toto Wolff, que viu ali o próximo Lewis Hamilton. E aos 20 anos e dois de idade, bateu um recorde com 15 anos, que pertencia ao alemão Sebastian Vettel, com capacidade de bater mais recordes de precocidade, e arriscar a ser um dos melhores pilotos de sua geração.

E hoje falo do campeão do mundo de 2026: Andrea Kimi Antonelli. O primeiro nascido no século XXI.


Nascido a 25 de agosto de 2006, em Bolonha, ele é o filho mais novo de Marco Antonelli e de Verónica Pomaro. Marco Antonelli foi um piloto que se especializou nos GT's e agora é o dono da AKM Motorsport, que corre em competições como o International GT Open, Lamborghini Super Trofeo, Porsche SuperCup e a Formula 4 italiana.

O nome "Kimi" foi dado pelo seu pai, porque ele era, aparentemente, fã de Kimi Raikkonen, mas recentemente, o autor desse nome poderá ter sido um ex-piloto de Formula 1, Enrico Bertaggia, que sugeriu o nome depois do pai lhe ter pedido nomes estrangeiros depois do Andrea inicial, e que não tem nada a ver com o piloto finlandês.

Cedo se meteu no automobilismo, por causa do pai... que o preferia vê-lo no futebol. Cresceu a ver os videos de Ayrton Senna no Youtube - recentemente, soube-se que era consumidor ávidos dos videos feitos pelo finlandês Antti Kalhola - e aos oito anos, no verão de 2014, estava num campo de verão do Automóvel Club d'Itália, foi recrutado pelo filho de Giancarlo Minardi e o colocou numa equipa de karting. Primeiro, no Trofeo Itália, de 60cc, depois, a partir de 2016, com a Tony Kart, onde conseguiu alguns pódios em corridas na Coppa Itália e no Trofeo delle Industrie, e na WSK Super Master Series em 2017. Todos estes resultados forma suficientes para que, no inicio de 2018, aos doze anos, já era piloto da Academia da Mercedes.

Em 2018, já sendo piloto da Mercedes, Antonelli juntou-se à Energy Corse e, nesse ano, conquistou a WSK Champions Cup, a South Garda Winter Cup e a ROK Cup International Final nas categorias "mini", além de ter sido vice-campeão do Campeonato Italiano, batido apenas pelo neerlandês Martinius Stenshorne. Na temporada de 2019, agora piloto da Rosberg Racing Academy, Antonelli avançou para a categoria OK-Junior, a principal categoria internacional de karting para pilotos com menos de 15 anos, e ali, conquistou nada mais, nada menos, que seis títulos internacionais: a South Garda Winter Cup, a WSK Super Master Series, a WSK Euro Series, a WSK Open Cup e a WSK Final Cup, além do seu primeiro campeonato italiano de karting. 

Nesse mesmo ano, disputou pela primeira vez os campeonatos Europeu e Mundial da CIK-FIA; no Europeu, terminou como vice-campeão, atrás de Marcus Amand, depois de vencer a etapa final em Le Mans, enquanto no Mundial conquistou o quinto lugar. Terminou o seu percurso no karting júnior nos Estados Unidos, onde foi vice-campeão da categoria KA100 Junior nos SKUSA SuperNationals, atrás de Brent Crews, e conquistou ambos os títulos da categoria júnior na SKUSA Winter Series, mantendo um aproveitamento perfeito.

Em 2020, Antonelli começa a dominar nas classes seniores do karting. Correndo pela equipa Kart Republic, acabou por conquistar o terceiro lugar na South Garda Winter Cup e o vice-campeonato — atrás de Nikita Bedrin — na WSK Super Master Series. Para além disso, venceu a WSK Euro Series e o Campeonato Italiano. Em setembro de 2020, duas semanas depois de fazer 14 anos, tornou-se o mais jovem campeão europeu da categoria sénior da história, mas ns final do campeonato do mundo, em Portimão, as coisas correram mal: debaixo de chuva, Antonelli embateu no kart da belga Maya Weug, que estava parado na pista, e sofreu fraturas na tíbia esquerda e no metatarso. Apesar do seu final, por causa do seu desempenho geral nessa temporada, Antonelli foi eleito "Rookie of the Year" (Novato do Ano) pela Comissão Internacional de Karting (CIK-FIA).

No ano seguinte, passou para a categoria KZ, e apesar de ainda lidar com as dores das fraturas sofridas no ano anterior, especialmente quando premia o pedal do travão, continuava com os bons resultados. Apesar de ter terminado apenas no décimo quinto lugar na final do campeonato do mundo da classe KZ, conquistou a pole position para as mangas de qualificação. 

No meio disto, Antonelli defendeu com sucesso o seu título no Campeonato Europeu da categoria OK, dominando a temporada com cinco vitórias em oito etapas, e terminou como vice-campeão — atrás de Rafael Câmara — na WSK Champions Cup e na WSK Super Master Series. No final de 2021, o portal Vroomkart avaliou que o percurso de Antonelli no karting "já prenunciava a clássica história de um campeão".


Ainda em 2021, Antonelli contou os dias até fazer o seu 15º aniversário. Porquê? Porque a partir desse momento, poderia competir em monolugares. E foi logo para a Prema, na Formula 4 italiana. Tempos antes, em março, enquanto recuperava da sua fratura na perna, andou a testar alguns carros de Fórmula 4 com a equipa do seu pai, a AKM Motorsport, em Vallelunga. Antonelli participou depois num período de avaliação de cinco dias da Ferrari Driver Academy em Fiorano, para o qual foi nomeado pelo Automobile Club d'Italia (ACI).

Na estreia em monolugares, no Red Bull Ring, terminou em nono lugar — sendo o rookie mais bem posicionado — e somou quatro pontos ao longo do fim de semana. Antonelli voltou a pontuar na etapa seguinte, em Mugello, antes de ter uma prestação de destaque no evento final, em Monza. Terminou em segundo lugar na primeira corrida, após uma disputa que durou toda a prova contra o futuro campeão da categoria, o britânico Oliver Bearman, e conquistou pódios nas duas corridas que faltavam. 

Antonelli terminou em décimo lugar na classificação geral, com 54 pontos — tendo disputado três das sete etapas — e em quarto lugar no campeonato de estreantes, com quatro vitórias na categoria.


Para 2022, manteve-se na Prema, na sua primeira temporada completa da Formula 4 italiana... e acabou campeão. Mas antes, competiu no campeonato de Formula 4 dos Emirados Árabes Unidos, onde correu oito corridas, com duas vitórias e cinco pódios, acabando na oitava posição.

No campeonato italiano, a principal, Antonelli dominou: 13 vitórias, quinze pódios, 14 pole-positions, 15 voltas mais rápidas, e o campeonato, com 362 pontos. Em paralelo com a competição italiana, Antonelli também fez a Formula 4 alemã, acabando como campeão, com nove vitórias e 12 pódios, e 313 pontos no total.

No final, do ano, Antonelli representou a Itália no FIA Motorsport Games, em Paul Ricard, acabando em primeiro na categoria Formula 4, com a pole-position e a volta mais rápida. E num fim de semana... onde, devido a um acidente na qualificação, teve o pulso fraturado.

O palmarés de Antonelli na Formula 4 é impressionante, com 26 vitórias, 24 pole positions e 37 pódios em 57 participações, tornando-se o segundo piloto mais bem-sucedido na história da categoria.O jornalista Roger Gascoigne, do site Formula Scout, afirmou que Antonelli estava "num patamar à parte", ao mesmo tempo que ele recebia os principais prémios atribuídos pela ACI e pela Autosprint.

Dominada a Formula 4, em 2023, Antonelli decide seguir a Prema, e foi para o Formula Regional, uma categoria de Formula 3, ao lado do espanhol Lorenzo Fluxá e do brasileiro Rafael Câmara. apesar de ele afirmar que "tinha falta de experiência", jornalistas como o britânico Marcus Simmons, da Autosport, comparava a expectativa em torno da sua campanha às estreias na categoria de Ayrton Senna, Mika Häkkinen e Max Verstappen, enquanto em Itália, outro jornalista, Salvo Sardina, descrevia no jornal "La Gazzetta dello Sport", como um "predestinato" (literalmente, "predestinado").

A sua temporada no FRECA começou com um segundo lugar em Ímola, feito que repetiu em ambas as provas em Barcelona. Um problema na seleção de mudanças impediu a sua primeira vitória em Hungaroring; posteriormente, conquistou a vitória na segunda corrida em Spa-Francorchamps, uma etapa que ficou marcada pelo acidente fatal do piloto neerlandês Dilano van 't Hoff.

Vitórias posteriores em Mugello, Le Castelet, Monza e Zandvoort, para além de onze pódios, quatro pole-positions e cinco voltas mais rápidas, acabou como campeão, com 300 pontos. 


A ascensão vertiginosa de Antonelli continuou em 2024, quando foi para a Formula 2, continuando pela Prema, ao lado do britânico Oliver Bearman. Já nessa altura tinham surgido os rumores sobre se iria para a Formula 1 em 2025, mas ele tinha dito antes que "não queria criar expectativas". E tinha razão: o começo foi complicado, só conseguindo a sua primeira vitória na primeira corrida de Silverstone. A segunda vitória foi na Feature Race, no Hungaroring, e até ao final do ano, apenas conseguiu um terceiro lugar em Baku como melhor resultado, acabando a temporada em sexto, com 113 pontos, e duas voltas mais rápidas.

Nessa altura, toda a gente falava que iria ser piloto de Formula 1, em substituição de Lewis Hamilton, que iria para a Ferrari. Ele foi confirmado no final de 2024, mas na realidade, ele já testava em carros de Formula 1 desde abril, num W12, no Red Bull Ring. Antonelli realizou testes privados adicionais com o W13 em Ímola, Silverstone, Barcelona-Catalunha e Spa-Francorchamps, e depois de uma nova regra que voltou a permitir aos pilotos obter a Superlicença da FIA a partir dos 17 anos, surgiram rumores de que Antonelli iria substituir Logan Sargeant na Williams, ainda em 2024. A Mercedes negou a possibilidade.

No final desse ano, fez duas participações nos treinos livres em Monza e Cidade do México, e na pista italiana, até bateu depois de um despiste na Parabólica. Rebatendo as criticas, Toto Wolff comparou-o a... Tazio Nuvolari. 

No inicio de 2025, Antonelli foi confirmado como piloto titular, ao lado de George Russell, num acordo anual. Tornando-se no primeiro italiano na Formula 1 desde Antonio Giovinazzi, em 2021, e o primeiro "rookie" na Mercedes desde 1954, com Karl Kling. E aos 18 anos e 203 dias de idade, ele era o terceiro piloto mais jovem de sempre, apenas batido pelo canadiano Lance Stroll e pelo neerlandês Max Verstappen, que tinha-se estreado com 17 anos e 166 dias. E o número que escolhe é o 12, que Ayrton Senna usou nos seus tempos da Lotus, entre 1985 e 87, e no seu primeiro ano na McLaren, em 1988.

A sua estreia, em Melbourne, e debaixo de chuva, fez uma corrida inteligente, onde de 16º na grelha, acabou em quarto, sendo o segundo piloto mais jovem a pontuar, batido apenas por Max Verstappen, quando foi sétimo com 17 anos e 180 dias, no GP da Malásia de 2015. Duas corridas depois, no Japão, acabou em sexto, e ali, conseguia a sua primeira volta mais rápida da sua carreira, e tronava-se no mais jovem de sempre a conseguir uma volta mais rápida, aos 18 anos e 255 dias. 

O seu primeiro pódio demoraria um pouco mais, e foi no Canadá, quando termina em terceiro lugar, tornando-se no terceiro mais jovem de sempre, aos 18 anos e 294 dias, batido apenas por Lance Stroll e Max Verstappen. Voltas mais rápidas em Spa-Francochamps e Austin abrilhantaram um pouco a sua temporada antes de conseguir um segundo lugar em Interlagos, seguido de um terceiro lugar em Las Vegas. No final, três pódios e três voltas mais rápidas foram o culminar de uma temporada onde acabou em sétimo, com 150 pontos, a maior pontuação de sempre para um estreante.

Para 2026, Antonelli fica na Mercedes, que por esta altura de mudança de regulamentos, era considerada a favorita. Mas se falassem em título, todos apontavam para George Russell, com Antonelli, eventualmente, a conseguir algumas vitórias durante a temporada e lutar pelo vice-campeonato. 


Mas realidade mostrou outra coisa. Se em Melbourne, Antonelli ajudou Russell a fazer uma dobradinha da Mercedes, no GP da China, em Xangai, ele conseguiu a sua primeira pole-position da sua carreira, sendo o mais jovem de sempre a alcançar, aos 19 anos e 202 dias, dois anos mais novo que Sebastian Vettel, o recordista anterior. Mais tarde, na corrida, aguentou os Ferrari de Hamilton e Leclerc, e tornou-se no primeiro italiano a ganhar desde Giancarlo Fisichella, em 2006, na Malásia.

O que não se sabia é que seria o primeiro de cinco vitórias seguidas: Xangai, Suzuka, Miami, Montreal e Monaco - o primeiro italiano a ganhar no Principado desde Jarno Trulli, em 2004. Pelo meio, conseguiu ainda mais quatro pole-positions e quatro voltas mais rápidas. Desistências em Barcelona e Silverstone, aliado a um terceiro lugar no Red Bull Ring, foi uma espécie de pausa, antes de ir para uma sequência de cinco pódios seguidos, incluindo vitórias em Spa-Francochamps, Monza - o primeiro italiano a ganhar em 60 anos, desde Ludovico Scarfiotti, em 1966 - e Madring, em Espanha. 

No final, Antonelli conseguiu 380 pontos, nove vitórias, 16 pódios, sete pole-positions e sete voltas mais rápidas, para ser, na capital mexicana, no primeiro campeão do mundo italiano desde 1953. Uma vida, em muitos aspectos. 


E provavelmente, não parará por ali: para começar, faltam quatro corridas para o final de 2026.

Formula 1 2026 - Ronda 19, Cidade do México (Corrida)


Dê por onde der, esta vai ser uma corrida que entrará na história. Não tanto pela ação propriamente dita -. apesar do fim de semana já ter sido muito agitado, e claro, a pole-position de Lewis Hamilton - mas caso Andrea Kimi Antonelli chegar ao fim nos pontos, ele fará história e terminar uma seca que dura há mais de 70 anos, desde os tempos de Alberto Ascari. Afinal de contas, apenas precisa de um nono posto para ser o campeão do mundo mais novo de sempre, aos 20 anos e dois meses. 

E tudo na pista mais alta do calendário, a mais de 2200 metros de altitude.

Esta é a corrida número 300 do "rapaz da casa", Sérgio Pérez, e as expectativas... não são muitas, para ser honesto. A não ser que tenha imensa sorte, não se prevê que se chegue aos dez primeiros.

Antes da partida, os pneus: quase todos correrão de moles, mas há excepções: Max Verstappen partirá com médios, bem como os Audi de Gabriel Bortoleto e Nico Hulkenberg, e o Alpine de Pierre Gasly. E quer Lewis Hamilton, quer George Russell, partirão com moles usados, pelo menos com três voltas em cima. Pode ser bom para o inicio, mas se calhar terão de parar mais cedo na corrida. Ou seja... uma ou duas paragens, será o dilema desta corrida em altitude, e terá 71 voltas de duração, e com o asfalto a cerca de 40 graus, mas pouco abrasivo. 


Na partida, Hamilton ficou na primeira nos primeiros metros, antes de Charles Leclerc ficar com o primeiro posto. Max Verstappen largou muito bem e acaba a volta no segundo posto, colocando Hamilton em terceiro. Isack Hadjar fez um pião, depois de um toque vindo de Russell, e caiu para o fundo do pelotão. Russell caiu para quinto, atrás até de Kimi Antonelli, que é quarto. 

Entretanto, a passagem de Leclerc para a liderança poderá ter sido fora da lei, e ele teria de ceder a liderança para Max. Ele estava a discutir, contestando a decisão, enquanto os comissários estavam a investigar a manobra. No fundo do pelotão, os Aston Martin iam às boxes e... enfim, acho que esta temporada está acabada para eles. Porque no final da sexta volta, Fernando Alonso foi a primeira retirada desta corrida, e alguns minutos depois, na curva 6, o carro de Lance Stroll estava parado, e de vez. Safety Car Virtual e a corrida era temporariamente neutralizada.

A corrida voltaria ao normal na volta nove, e por esta altura, com as pessoas a verem as repetições, parecia que a Ferrari fez mais uma asneira, quando com eles a lutarem um contra o outro, acabaram por dar lugar a Max. Claro, o monegasco ganhou, mas o custo seria bem maior, porque algumas voltas depois, ele iria ser penalizado com cinco segundos, no final da volta 13. Era uma penalização relativamente suave, e nesta altura, já tinha um avanço de cinco segundos sobre Lewis Hamilton. Se calhar, ainda tinha mais uma hipótese de vitória para Leclerc...

Pior foi George Russell: por causa de uma colisão com Isack Hadjar na primeira volta, iria ser penalizado em dez segundos. O inglês era quinto, mas virtualmente estava nessa altura na oitava posição. 


Nas voltas seguintes, Leclerc estava a aumentar o ritmo para ver se conseguia a diferença para Max e conseguir os cinco segundos que precisa para voltar à liderança e anular a penalização. 

Oscar Piastri e Charles Leclerc pararam na volta 28, e se no caso do piloto da McLaren, as coisas foram boas, no caso do monegasco, apesar de ter sido também bom, só iria ficar na frente porque Max... também foi às boxes na mesma volta. No final, o monegasco meteu médios, Max colocou moles. Hamilton foi na volta seguinte, deixando o comando nas mãos de Kimi Antonelli, o futuro campeão, seguido por Russell e Norris. 

Agora, Max tinha 1,6 segundos de vantagem sobre Charles. Acho que o neerlandês poderá estar a caminho da vitória. 

Russell vai às boxes na volta 34, para cumprir a sua penalização e trocar de pneus, regressando à pista em oitavo. Na frente, Antonelli tinha uma vantagem de quase oito segundos sobre Lando Norris, mas ambos ainda não tinham trocado de pneus. E já estávamos a meio da corrida. 

Norris vai às boxes na volta 40, para meter médios, a paragem foi relativamente lenta, e saiu em quinto, não muito longe de George Russell. Na frente, Antonelli iria ficar o mais possível, esperando por algo que os favoreça até ao limite. No meio disto tudo, Max começava a afastar-se de Leclerc, com mais de dois segundos de diferença entre ambos. Na volta 43, Antonelli foi às boxes e cedeu a liderança para Max, regressando à pista em quarto.


E na volta 45, o Cadillac de Valtteri Bottas bateu no muro, causando a entrada do Safety Car. Hamilton foi às boxes, seguido por Russell e Piastri, para colocarem moles. E enquanto todos faziam as trocas, a organização decidiu colocar a bandeira vermelha. 

A partir daqui, com o relógio parado, aconteceu cerca de três quartos de hora onde os pilotos trocaram de pneus e estabeleceram estratégias para as voltas que faltavam, tentando superar uns aos outros. Nas bancadas, a multidão festejava como se nada fosse, dando um espetáculo para além do espetáculo. Afinal, hoje é o "Dia de los Muertos".   

Na relargada, com 23 voltas para a meta, Verstappen está na frente, mas Hamilton largou melhor. Na travagem, Max travou melhor e conseguiu manter o primeiro posto na primeira curva. Leclerc era quarto, passado por Antonelli, enquanto Hadjar caía para o fim do pelotão. Na volta 50, Ollie Bearman tornava-se na quarta desistência da corrida, depois de probçemas no seu Haas.

Max continuava na frente, mas de repente... os comissários avisaram que o neerlandês poderia ter feito falsa partida, mas no final... não deu em nada. Mesmo assim, liderava e a ser ameaçado por Hamilton. A diferença entre ambos nesta altura era de 1,2 segundos. Antonelli seguia logo atrás, em posição de garantir o campeonato, e esses três estavam a afastar-se de Charles Leclerc, que estava a ser assediado por Lando Norris.

Na volta 59, o Racing Bulls de Arvid Lindblad não conseguia travar e batia no muro no final da primeira curva, e o Safety Car entrava na pista pela segunda vez esta tarde. Quinta desistência de uma corrida de abrasão. Lindblad saiu do carro, frustrado, mas são.

Para tirar o Racing Bull do lugar durou quatro voltas e no regresso, na volta 63, Max conseguiu aguentar o ataque de Hamilton, e ambos pareciam afastar-se de Antonelli, terceiro, e os três a afastarem-se bem de Leclerc, que era quarto e a aguentar os ataques de Lando Norris.


Na parte final, Hamilton tentou ficar o mais próximo de Max, mas o neerlandês acabaria por ser o vencedor, enquanto o terceiro, Antonelli, afastou-se para poder comemorar o seu título, e claro, fazer história: aos 20 anos, e 73 anos depois de Alberto Ascari, o campeão do mundo volta a falar italiano. "Felicitazione, Andrea!" 

Noticias: Hirakawa feliz pela estreia


Aos 32 anos, Rio Hirakawa alcança a sua primeira corrida de Fórmula 1 de forma inesperada, a substituir Esteban Ocon, que foi embora sem dar grandes explicações, mas muito provavelmente de forma tempestuosa.

Surpreso - foi avisado na manhã de sábado que iria correr - mas preparado, Hirakawa tem um percurso notável no automobilismo, nomeadamente na Resistência, pois no seu palmarés inclui dois títulos no Campeonato do Mundo de Resistência, ao serviço da Toyota, bem como a vitória nas 24 Horas de Le Mans em 2022.

"Obviamente, foi uma grande surpresa, mas estou sempre aqui como piloto de reserva. Esse é o meu papel. Estava pronto, mas sempre sonhei com isto. Hoje, o sonho tornou-se realidade. Qualificação hoje, corrida amanhã", começou por contar Hirakawa. "Estas 12 horas passaram muito depressa. Há muito para preparar e a equipa ajudou-me imenso. Estou mesmo muito agradecido à equipa", acrescentou.

Apesar disto tudo, poderá ter sido um "one-off". É que para Interlagos, ele não estará disponível, porque a corrida coincide com as Seis Horas de Monza, e Hirakawa é candidato ao título, pela Toyota. Logo, outro piloto terá de ser encontrado, e o brasileiro Rafa Câmara é um dos favoritos. 

Youtube Motorsport Video: Quem é o melhor de todos?

Eu conheço este debate desde os tempos em que me envolvi neste desporto, no inicio da minha idade adulta. Hoje em dia, muitos dirão que é o Lewis Hamilton, que, como sabem, conseguiu ontem a sua 105ª pole-position, ou há quem pense em Michael Schumacher. Olhem, eu sou do tempo em que Juan Manuel Fangio tinha cinco títulos mundiais e era idolatrado por todos, até por gente que queria chegar a esses títulos e superá-los. 

Então, quem é o melhor de todos? Sinceramente, nenhum. Há vários muito bons, em tempos diferentes, desde o inicio da história do automobilismo. Mas vejam este vídeo do Josh Revell, que pode ter outras ideias.  

sábado, 31 de outubro de 2026

Noticias: Haas substitui Ocon por Hirakawa


A Haas F1 substituiu esta sábado o francês Esteban Ocon pelo japonês Ryo Hirakawa, e ainda não há explicações pelo sucedido. Aliás, o comunicado oficial fez um lacónico anuncio, com efeito imediato, e acrescentou que “não serão prestadas mais declarações neste momento”. 

A substituição está confirmada para o restante programa da prova mexicana, sem indicação de que Hirakawa continuará no lugar nas quatro rondas finais da temporada. Contudo, com o francês de saída da equipa no final da temporada, esta antecipação, apesar de ser inesperada, não é de todo surpreendente. Aliás, o que se fala no paddock é que houve agressão entre o piloto e membros da equipa, e este assunto poderá acabar nos tribunais. Aliás, Ocon já está a caminho do aeroporto para abandonar o país.

Contudo, Hirakwa poderá ser usado apenas na corrida mexicana, porque ele é piloto de reserva. A Haas quer estrear Rafael Câmara a partir do GP de São Paulo, mas para isso, teria de pedir autorização da Ferrari para o fazer - ele é piloto de reserva da Scuderia. E isso ainda não foi feito. 

Também existe uma segunda hipótese, que é o australiano Jack Doohan, que já correu algumas provas pela Alpine, em 2025, e também é piloto de reserva da Haas F1. Mas tal coisa ainda está no inicio, e isso só seria usado caso a Ferrari não autorize o piloto brasileiro a correr em Interlagos - ele é o líder da formula 2 e está na luta pelo título.


Uma coisa é certa: a carreira de Ocon na Formula 1 poderá ter acabado hoje, e pela porta das traseiras.

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Youtube Automotive Video: James May experimenta o Slate

O Slate, mais do que um mero carro elétrico, é um conceito de algo parecido com um "one size fits all", ou seja, para um mesmo volume, colocas todos os tipos de carros possíveis: uma "pickup", um todo o o terreno com quarto lugares, um "buggy"... e é elétrico, tem cerca de 330 quilómetros de autonomia (não está mau) e não é de metal, é de plástico.

Quem foi experimentá-lo para saber até que ponto é bom, foi o James May. O "Capitão Lento" foi aos Estados Unidos saber se isto é algo que vale a pena, digamos assim.  

1991, o ano horrível de Alain Prost


No final de outubro de 1991, alguns dias antes do GP da Austrália, a carreira de Alain Prost na Ferrari chegou ao seu fim abrupto, e de certa forma, antecipado. Uma decisão tão radical como esta foi o culminar de uma temporada cheia de intrigas e tensões dentro da Scuderia, muitas causadas pelo próprio, que resultou em tensão em vez de harmonia. As mexidas na direção, em vez de aliviar, só exacerbou as coisas e no final, foi um pretexto insultuoso que resultou num despedimento sem aviso, a maneira da Ferrari de livrar uma mais valia que se tinha transformado num incómodo.

Há 35 anos, algures na Austrália, terminava o "annus horribilis" de Alain Prost.

Mas para contar esta história, temos de começar em 1990. Depois de ter chegado à Ferrari, vindo da McLaren, Prost estava determinado a ser campeão do mundo numa equipa que não vencia desde Jody Scheckter, em 1979. O carro era bom, tinha um bom motor, o habitual V12, os seus carros eram projetados por John Barnard, que trabalhara com ele na McLaren, e o modelo 641 era muito bom. Aliás, Prost tinha sido o primeiro piloto a ser contratado pela Scuderia depois da morte do Commendatore, em 1988.

E claro, tinha o número 1, conquistado no ano anterior na McLaren, de forma polémica, em Suzuka, contra Ayrton Senna.

Começou bem: ganhou em Interlagos e a meio do ano, vencera três corridas de seguida: México - onde partiu de 13º! - França e Grã-Bretanha, e a meio do ano, liderava o campeonato, com 41 pontos, mais dois que Ayrton Senna. Mas depois disso, só ganharia mais uma corrida, em Espanha, apesar de ter conseguido quatro pódios seguidos. A duas corridas do fim, era segundo, nove pontos atrás de Senna, e o "showdown" em Suzuka acabou com Prost a partir bem, passando Senna... e ambos a colidirem na primeira curva, deixando Senna campeão.

A temporada acabou com um terceiro lugar, em Adelaide, e no geral, os 71 pontos deram-lhe o vice-campeonato, mas tinha sabor a vitória porque, pela primeira vez em algum tempo, tinham tido um conjunto chassis e motor suficientemente competitivos para assustar a Honda. Contudo, dentro da equipa, havia tensões: Prost, o politico, sempre quis que a equipa trabalhasse na sua direção, o que deixava Nigel Mansell irritado, porque ele não sabia italiano e Prost, sim. Para além disso, ele não se dava bem com Cesare Fiorio, que tinha chegado à Scuderia em agosto de 1989, vindo da Lancia. Aliás, Fiorio foi contra a sua contratação: teria preferido Senna.

Tempos depois, no final do GP de Portugal de 1990, onde a Ferrari fizera dobradinha, com Nigel Mansell na frente de Prost, detonou Fiorio: "A Ferrari não merece ser campeã, não tem equipa, nem estratégia". 

Assim sendo, Mansell, depois de ter anunciado que iria retirar-se depois de ter desistido no GP da Grã-Bretanha, reconsiderou quando recebeu uma oferta da Williams para correr em 1991. Para o seu lugar veio outro francês, Jean Alesi, de origem siciliana.


O novo chassis era o 642, uma evolução do 641, fora desenhado por Steve Nichols e Jean-Claude Migeot - Barnard tinha ido para a Benetton a meio de 1990 - e as expectativas estavam altas. Apesar de Prost ter conseguido um segundo lugar em Phoenix, a corrida inaugural do campeonato, pouco ou nada podia fazer contra o McLaren MP4/6 de Ayrton Senna, que tinha conseguido ganhar as quatro primeiras corridas do ano. No final do GP do Mónaco, Prost era segundo, com onze pontos... menos 29 que Senna. Para piorar as coisas, o 642 tinha problemas de direção sérios, que impediam de ser mais competitivo que os McLaren.

Mas não foi por causa da direção que Prost teve o seu ponto mais baixo na temporada: foi por pura incapacidade que ele perdeu o controlo do seu Ferrari na volta de aquecimento do GP de San Marino, em Imola, na descida para a Rivazza. Um embaraço italiano, às portas de Maranello, numa pista que traz os nomes de Enzo e Dino Ferrari.

Algo tinha de ser feito, e na Scuderia... deram ouvidos a Prost: decidiu-se que iriam despedir Cesare Fiorio no cargo de diretor desportivo, para no seu lugar ir Piero Lardi Ferrari, o filho de Enzo Ferrari. Para ajudá-lo, estava o engenheiro Claudio Lombardi. Outra medida mais radical foi feita, que foi de construir um segundo chassis, em contra-relógio, que seria o 643. O carro fora redesenhado no campo das suspensões, para serem mais suaves, a pedido de Prost, e o motor V12 fora desenvolvido para ter maior cavalagem e poder andar a par dos Honda V12. 


O carro estreou-se em Magny-Cours, palco do GP de França, e Prost acabou no segundo lugar. Voltaria a ter outro pódio, um terceiro lugar, em Silverstone, mas por esta altura, o 643 já não era o rival do MP4/6, mas sim o Williams FW14, desenhado por Adrian Newey, que, depois de um inicio algo turbulento, começava a ganhar corridas em Mansell e o seu companheiro de equipa, o italiano Riccardo Patrese. E para piorar as coisas, o 643 apresentava alguns defeitos em relação à recolha de dados no túnel de vento, por exemplo, e nos escapes - tiverem de ser redesenhados depois do GP francês. 

E Prost continuava insatisfeito. E na Ferrari, as tensões subiam de tom, porque eles tinham feito tudo o que o francês pedia, e em vez de melhorarem, só pioravam. Apesar de mais dois pódios, um terceiro lugar em Monza e um segundo posto em Barcelona, Prost já estava muito longe da luta pelo título quando chegou a Suzuka, palco do GP do Japão.

Chegados a Suzuka, Prost era quarto no campeonato, com 31 pontos, igual que Gerhard Berger, o segundo piloto da McLaren. Tinha menos de metade dos pontos que Nigel Mansell, o único que poderia contestar a liderança de Ayrton Senna. O 643 fora uma desilusão, Prost não tinha ganho qualquer corrida em 1991, e a Ferrari apenas tinha 52 pontos, metade dos 117 que tinha a Williams, e 116 que tinha a McLaren. Não fizera mossa.

No fim de semana de Suzuka, Prost conseguiu enfiar o seu carro na segunda fila, entre os Williams de Nigel Mansell e de Riccardo Patrese, mas a sua frustração era evidente. Se teve melhor sorte que Jean Alesi, que ficara sem motor na primeira volta, ele levou o seu carro para um discreto quarto lugar no final da prova. Com pontos, mas fora do pódio. E fortemente frustado com tudo isto. 

E no final da corrida, desabafou, frustrado com os persistentes problemas de condução do 643: "Seria mais fácil conduzir um camião do que este carro". Foi a gota de água que fez transbordar o copo da paciência em Maranello. Mais do que o orgulho ferido da Scuderia, estavam mais que fartos de Prost. 

Alguns dias depois, a 29 de outubro, a Ferrari anuncia o seu despedimento: "A Ferrari decidiu não continuar a sua colaboração com Alain Prost para as temporadas de 1991 e 1992, com efeito imediato". No seu lugar, na Austrália, entra Gianni Morbidelli, seu piloto de testes e que, durante essa mesma temporada, foi piloto titular na Minardi. 

Prost, que foi apanhado pela noticia a meio da noite, no seu hotel em Port Douglas, perto de Adelaide, reagiu no dia seguinte disposto a não entregar sem luta:

"Estarei em Adelaide. onde espero encontrar o meu carro para pilotar. Tenho comigo um contrato com a Ferrari para este ano e para 1992. Se a Ferrari persistir nesta sua posição, será responsabilizada pela quebra do contrato. Irei a Adelaide com o meu advogado e veremos como esta estória vai acabar".

Os jornais não perdoaram, especialmente os italianos. Como o Gazzetta dello Sport, que afirmou: "Nenhum piloto pode classificar o seu carro de camião", enquanto o Corriere dello Sport foi mais subtil: "No momento em que Prost classificou a "vermelha" de camião, entregou-se aos advogados da Ferrari numa bandeja de prata...".    

Mas, na realidade, Prost acabou por ver a corrida australiana na televisão. E até calhou bem, porque caiu uma bátega de água na pista de Adelaide, ainda pior que em 1989, e a corrida apenas durou 14 voltas, acabando por ser corrida mais curta de sempre até então. 

Sem contrato para 1992, Prost tinha muito que pensar. Contudo, as suas chances de um carro competitivo eram bem diminutas. Mas havia uma equipa que não o queria largar tão facilmente: a Ligier. Tinham conseguido motores Renault para a temporada de 1992, e o convidaram para fazer alguns testes de pré-temporada. Depois de alguma reflexão, no inverno de 1991, aceitou. Primeiro, em Le Castelet, sob disfarce - usou um capacete de Eric Comas - e deu umas voltas com o JS37, o carro de 1992, desenhado por Frank Dernie e Gerard Ducarouge, dois experientes desenhadores. 


Descoberto o esquema, Prost passou a usar o seu capacete para outros testes com a marca francesa. Mas depois de longa reflexão, e com a Ferrari a dizer que poderia receber o salário que deveria receber em 1992, decidiu que o melhor seria um ano sabático, mas no sentido de preparar o seu regresso. E tinha os olhos na Williams.

Quanto à Scuderia, 1992 iria ser um ano ainda mais infernal. De uma maneira algo irónica, quando a Scuderia despediu Prost, naquele outubro de 1991, poupou-o de um ano ainda mais horrível que aquele que passou. 

Noticias: Dakar 2027 partirá do Algarve


O Dakar 2027 acontecerá entre os dias 9 e 23 de janeiro, começará no Algarve e acabará em Marrakesh, em Marrocos. O anuncio oficial aconteceu esta manhã, e contará com um Prólogo em terras portuguesas, antes de uma ligação de barco, onde os carros, motos e camiões irão para terras marroquinas, onde farão as restantes doze etapas até à meta, com um dia de descanso em Agadir, a 17 de janeiro. 

Ao todo, serão 7824 quilómetros, dos quais 4341 quilómetros serão cronometrados, e passará por seis "bivouacs" diferentes. O diretor da prova, David Castera, anuncia um Dakar “sem concessões”, com a maioria das especiais a variar entre 350 e 500 quilómetros.

"A 49ª edição do Dakar, agora numa nova localização, irá corresponder aos padrões desportivos que sempre o tornaram o rali de cross-country mais exigente de todos. Apesar do curto prazo com que tivemos de trabalhar, concebemos um Dakar autêntico.", começou por afirmar David Castera, o diretor da ASO, no seu comunicado oficial. 

"O ACP [Automóvel Club de Portugal] apoia-nos em Portugal, tendo consolidado a sua etapa do Campeonato do Mundo de Ralis Cross-Country da FIA-FIM como um pilar fundamental da temporada desde 2024. Em Marrocos, a nossa experiência em todo o território, aliada à capacidade operacional das nossas equipas internas, permite-nos ir muito além dos formatos anteriormente oferecidos no país: os concorrentes descobrirão o Reino de uma ponta à outra."

"Desde já manifestamos a nossa gratidão pela fidelidade dos concorrentes que, na sua grande maioria, decidiram acompanhar-nos nesta nova aventura - 350 já inscritos até ao momento. Poderão também contar com o apoio dos meios de comunicação social e dos nossos parceiros, que reafirmam o seu compromisso connosco nestas circunstâncias excecionais. Como habitualmente, o Dakar será transmitido para mais de 190 países em todo o mundo."

"A aventura continua, assim como os preparativos para a celebração histórica da 50ª edição na Arábia Saudita [em 2028].", concluiu.

A organização destaca a disponibilidade de Portugal e Marrocos para voltarem a receber o evento num contexto de preparação com tempo limitado. As ligações históricas aos dois países mantiveram-se através da comunidade do todo-o-terreno e das provas do W2RC realizadas nos últimos anos.

O traçado desde novo Dakar foi concebido nas últimas semanas, com base no conhecimento acumulado pelas equipas de organização e em várias missões de reconhecimento. A distância cronometrada aproxima-se do formato das edições recentes, mas a extensão diária das especiais e a exigência dos desertos marroquinos prometem dificuldades para pilotos, navegadores e máquinas.

A mudança para a Europa e África abrangerá também o Dakar Classic, o Dakar Future Mission 1000 e o programa Dakar Saudi Next Gen.

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

As imagens do dia





O fim de semana do GP mexicano calha sempre no fim de semana do "Dia de los Muertos",  um dos mais importantes feriados do calendário mexicano, onde se lembram os antepassados já falecidos. No caso da Formula 1, lembram-se os que já não estão cá mais: pilotos, chefes de equipa, dirigentes. E até um cão: Roscoe, o “bulldog” do Lewis Hamilton.

As fotos são do Adam Cooper.

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Youtube Motorsport Testing: Os testes do Ford Hypercar em Monza

A Ford, a par da McLaren, estará na classe Hypercar da Endurance em 2027, e está em testes para a estreia, que será no Qatar, dentro de alguns meses. Até lá, passa por diversos testes em vários circuitos europeus, e já esteve em Portimão, por exemplo.

Nestas filmagens, esteve a testar em Monza, com o seu motor de 5,4 litros Coyote, acumulando quilómetros para a temporada que aí vem. Quanto aos pilotos, os escolhidos são o australiano Matt Campbell, os britânicos Nick Yelloly e Sebastian Priaulx, o sueco Tom Blomqvist, o americano Logan Sargeant e o alemão Mike Rockenfeller.

Rumor do Dia: Colton Herta poderá ir para a Cadillac?


Se a Cadillac anunciou hoje que Sérgio Pérez será o seu piloto para 2027, o segundo lugar na equipa americana está em dúvida. Isto porque a equipa está a considerar seriamente dar o lugar ao americano Colton Herta, apesar de estar a ter uma temporada muito modesta na Formula 2.

A razão, segundo contam Edd Straw e Josh Suttil, no video publicado recentemente pelo site the-race.com, é que Herta parece mostrar bons resultados sempre que ele é chamado para participar em alguns treinos livres desta temporada. Até agora, esteve em quatro sessões: Barcelona, Hungaroring, Monza e Austin. Para além disso, dado o seu currículo pelas suas passagens pela IndyCar e IMSA, ele parece ser bem melhor que os pilotos com quem está a competir nesta temporada na Formula 2, e também porque acreditam no seu talento.

E eles também apontam que Herta faz parte do projeto, ou seja, eles sempre queriam ter um piloto americano ao leme. E a situação da Superlicença já está mais esclarecida, ou seja, falta um ponto para obtê-la, e poderá conseguir se fizer um treino livre no México. 

Há, certamente, outros candidatos ao lugar - o site fala de gente como Yuki Tsunoda, que correu em três provas pela Racing Bulls em 2026, ou o dinamarquês Frederik Vesti, o atual piloto de reserva da Mercedes, mas que corre num Cadillac na classe Hypercar na IMSA - mas resta saber até que ponto eles poderão quebrar o contrato de Bottas na equipa americana. Afinal de contas, ele tem um contrato até 2027 e andou a ajudar muito na equipa ao longo desta temporada.

É muito provável que isso poderá acontecer, mas não em 2027. Agora, poderá pensar: Herta faria outra temporada na Formula 2 ou seria piloto de reserva na próxima temporada? 

Uma coisa é certa: a ideia de um piloto americano numa equipa americana é demasiado tentadora para deixar passar.   

Noticias: Pérez renova com a Cadillac até 2029


A Cadillac renovou o contrato com o mexicano Sérgio Perez até 2029, revelou hoje a equipa, nas vésperas do GP do México. O piloto de 36 anos, que chegou este ano à equipa americana, depois de um ano sabático de 2025, após a sua saída da Red Bull, ficará para ajudar a desenvolver o carro americano, que chegou à Formula 1 este ano.

“Integrar a equipa de Fórmula 1 da Cadillac desde o primeiro dia foi um projeto em que realmente acreditei, e prolongar o meu compromisso parece uma continuação natural deste capítulo”, começou por falar Perez no comunicado oficial da equipa.

“Construir uma equipa de Fórmula 1 a partir do zero exige tempo, trabalho incansável e paciência, mas o progresso que estamos a alcançar juntos é incrivelmente gratificante. Ainda há muito trabalho pela frente, e estou totalmente empenhado nos próximos três anos.", continuou. 

"Quero agradecer ao Dan [Towriss, CEO da general Motors], ao Mark [Reuss, chefe de departamento da GM] e a todos na TWG Motorsports e na General Motors pela oportunidade de dar continuidade ao que começámos juntos. A cada membro desta equipa especial — nas pistas, nos EUA, no Reino Unido — e aos nossos fãs, obrigado pelo apoio e pela confiança. Não vos vou desiludir. Vamos continuar a avançar.”, concluiu.

Do outro lado, Dan Towriss afirmou sobre esta renovação da seguinte forma:

"Construir uma equipa competitiva na F1 é uma viagem de longo prazo; garantir o talento e a liderança de Checo proporciona-nos a continuidade e o empenho necessários para avançar a partir da base sólida estabelecida no nosso primeiro ano. Juntos, estamos focados na próxima etapa da nossa trajetória, impulsionando a equipa e progredindo na grelha.", afirmou.

Curiosamente, a renovação acontece também na altura em que "Checo" Perez está a alcançar na Cidade do México o seu 300º Grande Prémio da sua carreira.