domingo, 13 de setembro de 2026

As imagens do dia






Não sei afirmar se esta tarde, isto que assisti em Madrid foi um "snoozefest" porque, eu juro, estava acordado e consciente, porque nas voltas finais esperava emoção, para saber se algum dos quatro primeiros iriam tentar passar uns aos outros, pois estavam muito perto um do outro. Houve tentativas, mas todas frustradas. Não se se o circuito é estreito para estes carros, mas acho em em 2027, tem de haver modificações em algumas curvas.

No final, a corrida ficou decidida por um Safety Car Virtual, quando Lewis Hamilton ficou sem travões (freios, para os brasileiros que leem isto) no seu Ferrari, nas primeiras voltas. Leclerc ficou na pista, Andrea Kimi Antonelli e Max Verstappen foram para as boxes, Norris também foi... no momento em que acabava esse VSC. A diferença entre um e outro? Onze segundos. Com ele, 13 segundos entre entrar e sair das boxes. Sem ele, são 24 segundos...

Claro, as pessoas esperavam que não fosse o único Safety Car, virtual ou real. Mas esta tarde, todos se portaram bem e não houve mais nada. Leclerc ficou até quando pode, mas acabou fora do pódio. Norris ficou perto de Max o suficiente para tentar uma passagem, mas não conseguiu superar o neerlandês, e assim, um erro custou-lhe, se calhar, o lugar mais alto do pódio.

Quem foi o beneficiado? Claro, Kimi Antonelli. Duas vitórias consecutivas, liderança alargada, e menos uma corrida a caminho de um inédito título mundial para ele. Segundo os meus cálculos, ele tem tudo para ser campeão em Interlagos. Até calha bem, é o lugar onde nasceu Ayrton Senna, a pessoa que, alegadamente, reencarnou...

(claro, não acredito nisso, Antonelli é Antonelli e ele é assim desde os tempos da Formula 4 Italiana)

Sobre o Madring, tenho umas coisas para dizer - podem cobrar, se quiserem: esta pista é muito estreita. Se era para isso, mais valia terem ampliado e renovado Jarama. Teria sido mais caro? Teria, mas preferia o “snoozefest” numa pista permanente que numa semipermanente, como esta do Madring.

Mas a minha reclamação nem é essa, a razão porque falo o que falo em cima é por causa disto: isto é Valencia sem a vista para o mar. Não não culpem o Hermann Tilke, o desenhador é outro - chama-se Jarno Zafelli, e nunca ouvi falar dele até hoje. Para construir esta pista, ou parte dela, quem financiou foi o governo regional de Madrid. Sabem que fez isso, há mais de 20 anos? Valencia. Foram eles que construíram e sustentaram essa pista citadina. O contrato acabou antes de tempo porque o governo regional da Generalitat de Valencia ficou sem dinheiro, e agora... está abandonado. 

Esta pista, e esse Grande Prémio, está dependente de um governo regional que não é do partido do poder. E vai estar no calendário enquanto pagarem. Se por algum motivo, o governo regional mudar e achar que não é viável, eles largam tudo, e o Madring, com ou sem Monumental, irá acabar às moscas. E será ainda antes de 2035.

Porque foi isso o que aconteceu com Valencia quando o contrato acabou antes de tempo. E sem ninguém a apoiar, e sem alternativas, acabou abandonada.

WRC 2026 - Rali do Chile (Final)


O sueco Oliver Solberg foi o vencedor do rali do Chile, com uma vantagem de 16,6 segundos sobre Sebastien Ogier, e 33,3 segundos sobre Adrien Formaux, o melhor dos Hyundai. Os três acabaram com mais de um minuto de vantagem sobre o quarto classificado, o Toyota de Sami Pajari (a 1.33,9).

Para Solberg, que já não ganhava desde o Rali de Monte Carlo, no inicio do ano, este foi uma vitória que procurava há muito, mas por diversas razões, não chegava. 

"Fim de semana inacreditável. Foi um ano de altos e baixos, mas a equipa sempre acreditou e me empurrou. Finalmente, com um pouco de sorte do meu lado, pude me concentrar e fazer meu trabalho. As pequenas coisas importam. Este fim de semana foi perfeito. Elliott também fez um trabalho inacreditável. Estou exausto agora, usei um suporte para as costas nesta especial para poder saltar a toda velocidade. Finalmente!", disse no final.


Com quarto especiais para cumprir neste domingo, passagens duplas por Carampangue e BioBio, o dia começou com Elfyn Evans como vencedor, 1,7 segundos na frente de Adrien Formaux, 4,1 sobe Sebastien Ogier e 5,9 sobree Oliver Solberg. A seguir, na primeira passagem por BioBio, Solberg acabou por ser o melhor, 1,3 segundos na frente de Elfyn Evans, 2,2 sobree Sebastien Ogier e 4,7 sobre Adrien Formaux.   

Ogier conseguiu ser o melhor na segunda passagem por Carampangue, na véspera do Powerstage, conseguindo uma vantagem de 5,4 segundos sobre o seu compatriota Adrien Fornaux, 7,5 sobre Solberg, 15,3 sobre Sami Pajari e 15,6 sobre Esapekka Lappi. Evans furou e perdeu dois minutos e 14 segundos, caindo de segundo para quinto.

No final, na Powerstage, o melhor foi Solberg, 0,5 segundos na frente de Evans, 0,6 sobre Sami Pajari, 2,1 sobre Takamoto Katsuta e 3,3 sobre Sebastien Ogier. 

"Na verdade foi um fim de semana positivo. Tivemos que ter cuidado com os pneus ontem e evitamos drama. Agora começamos a apertar e assim que começamos a colocar energia, os pneus se danificaram. Sempre tentamos gerir, etc. Estou satisfeito que possamos ser mais rápidos. Sexta-feira foi o ponto chave e a primeira especial fez uma grande diferença para o fim de semana. Uma grande luta por três dias e tem sido fantástico pilotar este carro. O rali é lindo e os fãs são incríveis. Viva Chile!", declarou Adrien Formaux, que acabou o rali na terceira posição.

Depois dos quatro primeiros, quinto foi Elfyn Evans, a 2.22,3, bem longe de Esapekka Lappi, no seu Hyundai, a 5.07,0, na frente do Ford de Josh McErlean, a 7.31,5. Oitavo foi o Lancia Ypsilon Rally2 de Yohan Rossel, a 9.31,0, e a fechar o "top ten" ficaram o Skoda Fabia RS Rally2 de Robert Virves, a 10.24,0 e o Toyota GR Yaris Rally2 de Gus Greensmith, a 10.58,2.


Na geral, Evans continua na frente, agora com 230 pontos, seguido por Sami Pajari, com 213, Oliver Solberg, com 209, Sebastien Ogier, com 171, Adrien Formaux, com 167 e Takamoto Katsuta, com 163. 

O WRC prossegue na Europa, agora na Sardenha, entre os dias 1 a 4 de outubro. 

Formula 1 2026 - Ronda 14, Madring (Corrida)


A chegada da Formula 1 a Madrid não é um regresso a Jarama. Na realidade, faz mais lembrar Valencia, no litoral mediterrânico, onde o circuito Ricardo Tormo não foi usado para a categoria máxima do automobilismo, mas sim uma pista citadina do qual foi parcialmente feito nas ruas da terceira maior cidade de Espanha. Hoje em dia, sabendo o que aconteceu à pista valenciana depois da Formula 1 ir embora, pergunto-me se ter aquela curva monumental nas traseiras da IFEMA... será o suficiente para manter a pista no calendário para além de 2035, por exemplo?

Havia receios de que o fim de semana madrileno fosse caótico, mas na realidade, os pilotos de formula 1 portaram-se bem na sexta e no sábado. Mas agora é domingo, está calor - pelo menos 30ºC, e 54.2ºC na superfície do asfalto - e claro, este é o teste principal. Sim, na semana passada, em Monza, também correram debaixo de calor, mas esta não é uma pista rápida: é uma pista parcialmente citadina, e os muros estão muito mais perto da trajetória dos carros, e o perigo está mais à espreita.

Na hora anterior, soube-se das escolhas na partida: Norris e Antonelli calçam médios, Max e Hamilton começam com moles, Leclerc, Russell, Piastri e Lawson começam com os pneus brancos, representando os duros. Todos usaram todos os tipos, o que abre mais um interesse que aqueles de uma nova pista e de umas boxes muito longas: eles perderão 24 segundos dentro dele, para entrar e sair. 

E mais atrás, Ollie Bearman começa das boxes.


Na partida, Norris aguentou as investidas de Antonelli, antes de o italiano passar nas curvas seguintes, mas o britânico da McLaren voltou ao primeiro posto, antes de ser passado pelo Red Bull de Max Verstappen, numa ultrapassagem anterior que aparentava ser ilegal. Atrás, Colapinto subiu para sétimo, e Piastri caiu para décimo. 

Algumas voltas depois, na quarta passagem pela meta, Max deixou ser passado por Antonelli e Hamilton para que evitasse ser penalizado com cinco segundos. Contudo, pouco depois, ele voltou a passar Hamilton, que por sua vez, teve de deixar passar Leclerc, aparentemente porque tinha problemas de travões. Na sexta volta, ele saiu de frente na travagem para a curva 20, para além de ter um furo, e caía na classificação geral. Arrastando para as boxes por mais uma volta, tornava-se na primeira desistência do dia.

Por esta altura, Norris já tinha quatro segundos sobre Antonelli, que por sua vez, tinha quatro segundos de vantagem sobre Max Verstappen. Russell era quinto, e afastava-se do Alpine de Franco Colapinto, cerca de oito segundos no final da oitava volta. Aliás, o piloto argentino aguentava o resto do pelotão, com Liam Lawson a querer passá-lo para poder se afastar dele. O neozelandês só conseguiu isso na décima volta. 


Na volta 15, Lance Stroll parou na pista e o Safety Car virtual é colocado. Os pilotos da frente aproveitaram para ir às boxes - neste tio de condições, eles só perdem 13 segundos - e Antonelli, Max Verstappen e George Russell foram colocar pneus duros, e isso foi repetido pela esmagadora maioria dos pilotos na volta seguinte, e isso incluiu Lando Norris, que foi âs boxes... na volta em que acabou o VSC! Colocou duros e voltou às boxes na quinta posição, com Charles Leclerc a liderar a prova.

Antonelli, com os duros novos, ia tentar buscar o monegasco da Ferrari, e estava a cerca de um segundo do líder. Os dois tinha mais de sete segundos de vantagem sobre Max, o terceiro, e o neerlandês tinha 2,5 segundos de vantagem sobre George Russell, o quarto classificado. A partir daqui, a corrida ficou estabilizada, pois Antonelli não conseguia apanhar Charles Lelcerc. Aliás, o piloto da Mercedes estava a deixar escapar o da Ferrari.

George Russell foi às boxes na volta 29, cerca da metade da corrida, para colocar médios. Voltou na pista em sexto, esperando que estes pneus sejam suficientemente eficazes para poder recuperar o lugar. Cinco voltas depois, na 34, Sérgio Perez arrastou o seu Cadillac para as boxes para ser a terceira retirada da corrida. 

Com o passar das voltas, via-se que os pneus duros resistiam bem às condições de corrida, com Leclerc a manter o mesmo jogo de pneus desde o inicio da prova, com Norris, em quarto, a fazer a volta mais rápida, e a menos de dez segundos da liderança. E ele, com os duros, pode ficar na pista até ao final, pois já tinha feito a sua paragem nas boxes. Leclerc, por exemplo, ainda não tinha feito, e arriscava ficar fora do pódio.


Por alturas da volta 42, Norris já estava na traseira de Max Verstappen, querendo passar o piloto da Red Bull e subir ao pódio. Piastri, entretanto, foi às boxes, porque ainda não tinha lá ido, para sair à pista na 11ª posição, fora dos pontos, com médios e esperando que tenha tempo suficiente para regressar lá. Passou Lindblad na volta 45, na mesma altura em que Lawson ia às boxes, colocar médios e voltar em sétimo, na frente de Gabriel Bortoleto, oitavo... e ainda não tinha parado.

Mas na frente, estavam quatro pilotos de quatro equipas diferentes, com menos de três segundos entre eles. A aproximação existia, mas ninguém conseguia ficar perto o suficiente para uma ultrapassagem. 

Leclerc foi, por fim, às boxes, na volta 49. regressava à pista em quarto, com moles. Provavelmente é para ver se fica com a volta mais rápida da corrida, porque para o resto... ele estava a 25 segundos de um pódio e 29 de uma vitória. Para que o piloto da Ferrari conseguisse isso, só mesmo um milagre.

Agora na frente, Antonelli aguentava Max, que por sua vez, era pressionado por Norris. Mas nas voltas finais, o italiano afastava-se de Max e Norris para, assim, poder ser o primeiro vencedor do Madring, no regresso da Formula 1 à capital, e claro, conseguindo alargar a sua liderança. Mas Max não se livrou de um susto quando a duas voltas do final, Norris tentou passá-lo na curva 5, sem sucesso. 


Quando a bandeira de xadrez foi mostrada, Antonelli vencia a sua oitava corrida da carreira, e cada vez mais, mostrava-se como o candidato número um ao título de 2026, e assim, ser o campeão mais novo de sempre nos 76 anos da história da Formula 1. Resta saber se antes ou depois do fim de semana de Interlagos...

sábado, 12 de setembro de 2026

As imagens do dia




Há 25 anos, no passado dia 11 de setembro, os atentados em Nova Iorque e em Washington, chocaram o mundo e transformaram uma geração. A ideia de quatro aviões de passageiros poderem ser usados como armas contra edifícios simbólicos do poder politico, militar e económico americano, como o World Trade Center e o Pentágono, e provávelmente o edificio do Congresso ou da Casa Branca - era um dos destinos do voo 93, que caiu na Pensilvânia, devido às ações dos seus passageiros, que tentaram impedir os sequestradores de levarem o avião a Washington - transformou o mundo do pós-Guerra Fria para o de guerras "eternas" contra o terrorismo do qual fez com que os Estados Unidos decidissem ir para o Afeganistão, e em 2003, para o Iraque, numa mal disfarçada manobra de "ajuste de contas" contra o regime de Saddam Hussein, e que depois criou organizações terroristas como o Daesh, uma década depois, na Síria, que mergulhara numa guerra civil depois da Primavera Árabe de 2011.

Mas isso já são consequências. Agora, estamos em 2001, o primeiro ano do século XXI. Os atentados foram a uma terça-feira, logo de manhã, em Nova Iorque. As torres tinham sido derrubadas à hora do almoço, mas no meio ao choque global, uma dúvida pairava sobre as ligas desportivas americanas: realizar eventos neste momento tão trágico? A NFL, a liga de futebol, a NBA, a liga de basketball, a NASCAR, uma das ligas automobilísticas, todas decidiram-se pelo cancelamento, puro e simples, em memória dos mortos e feridos dos atentados, muitos deles bombeiros, policias e socorristas. 

Contudo, houve uma excepção: a CART. E ainda por cima, isto acontecia numa semana onde iam, pela primeira vez, correr em ovais europeias: Lausitz, na Alemanha, e Rockingham, no Reino Unido. E a organização da CART decidiu que iria manter a corrida, mesmo antes da NFL ter decidido pelo cancelamento - e houve outras realizações na Europa que mantiveram tudo, como a Liga dos Campeões, onde os jogos dessa terça-feira se realizaram, e a Formula 1, que tinha uma corrida nesse fim de semana em Monza, mas ia correr em Indianápolis dali a três semanas e não sabia se poderia voar até lá ou não, e não sabia até quando eles estariam de luto.

A decisão da CART foi duramente criticada, mas eles justificaram-se com os compromissos assumidos, e o fuso horário na Europa, que os impedia de cancelar tudo em cima da hora. Afinal de contas, quando se soube, era madrugada de quarta-feira, e a corrida iria ser no sábado, e mais de 50 mil pessoas tinham confirmado a sua presença na pista.

Para ajudar a aliviar sua imagem, a CART tomou algumas decisões: doou meio milhão de dólares para um fundo que buscava ajudar as vitimas e realizou diversas homenagens, mudando o nome da corrida de "German 500" para "2001 American Memorial". Apesar de terem feito o melhor para corrigirem o erro cometido, a maior parte das pessoas continuaram a criticar as suas decisões. 

Mas isso, como sabem, se dissipou com os eventos durante essa corrida. E para falar de Alex Zanardi, tenho de começar dois anos antes, em 1999.

No final desse ano, Zanardi regressava à Formula 1 pela porta da Williams. Bicampeão da CART, a sua rapidez inata e a sua capacidade de ser agressivo e veloz fez com que a Formula 1, do qual teve uma carreira discreta entre 1991 e 94 pela Jordan, Minardi e Lotus, com apenas um ponto, lhe desse uma segunda chance. Que agarrou com ambas as mãos.

Contudo, em 1999, a Williams era uma equipa em transição. Iriam ter motores BMW no ano 2000, mas até lá, tinham os Mechachromes, motores Renault revistos numa preparadora francesa, e pouco mais. Zanardi era rápido, mas pouco consistente. E para piorar as coisas, não se adaptou ao carro e à equipa. Bastaram poucas corridas para se perceber que a oportunidade se transformara num erro. Não conseguiu qualquer ponto e no final do ano, o contrato foi rescindido. Em contraste, o piloto que foi para troca, o colombiano Juan Pablo Montoya, acabou por ser o campeão de 1999, em igualdade com Dario Franchitti, e no ano 2000, iria vencer as 500 Milhas de Indianápolis, antes de ter a sua merecida oportunidade para correr na Formula 1. 

Zanardi optou por tirar uma sabática para 2000, e decidiu regressar à CART na temporada seguinte. Quem o acolheu foi Morris (Mo) Nunn. Fundador da Ensign, em 1973, e como equipa de Formula 1, conseguiu 19 pontos e uma volta mais rápida, em 132 Grandes Prémios, entre 1973 e 1982, foi para os Estados Unidos ser o engenheiro-chefe da Chip Ganassi Racing. De inicio, acolheu Zanardi com relutância, porque achava que todos os pilotos italianos eram assim, acabou por ser conquistado por ele,dando a alcunha de Ananás (Pineapple, em inglês), porque, no jargão da sua cidade natal, no Reino Unido, significava um chato no bom sentido.

Em 2001, Mo Nunn decidiu montar a sua equipa, a Mo Nunn Racing - ele é uma de quatro pessoas que fundaram equipas na Formula 1 e CART. Os outros três foram Roger Penske, Carl Haas e Keith Wiggins - e Zanardi correu ao lado do brasileiro Tony Kanaan. Contudo, os motores Honda, combinados com o chassis Reynard, não ajudaram muito na readaptação do italiano à CART e teve um mau regresso: nenhum pódio e o seu melhor resultado tinha sido um quarto lugar na corrida de Toronto, em julho. Em contraste, Kanaan era constantemente mais rápido que ele. Por exemplo, na corrida anterior, em Vancouver, o italiano desistiu, enquanto Kanaan levara o carro para o quarto lugar, conseguindo pontos preciosos para o campeonato.

Lausitz era uma incógnita, mas Zanardi precisava de um bom resultado para mostrar que ainda tinha futuro no automobilismo. Contudo, naquela semana esses eram pormenores mesquinhos perante os eventos que aconteciam no outro lado do Atlântico.

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

WRC 2026 - Rali do Chile (Dia 1)


O sueco Oliver Solberg lidera o rali do Chile, concluídas que estão as primeiras seis especiais desta prova. O piloto da Toyota tem uma vantagem de 10.1 segundos sobre Elfyn Evans, enquanto já tem um avanço de 18 segundos sobre o terceiro classificado, o Hyundai de Adrien Formaux, e 19,7 sobre o Toyota de Sebastien Ogier. 

Com passagens duplas por Turquia, Nuevo Rere e Hualqui, o dia começou com Oliver solberg a ganhar a primeira especial, ganhando 1,4 segundos a Elfyn Evans, 11,6 sobre Adrien Formaux e 16,7 sobre Thierry Neuville. Takamoto Katsuta teve um acidente e ficou preso a valeta, mas foi a saída de estrada do turco Kerem Kazaz que fez neutralizar a especial. 

Elfyn Evans ganhou na segunda especial, ganhando 1,8 segundos sobre Oliver Solberg, 1,9 sobre Sebastien Ogier e 2,6 sobre Sami Pajari. Na terceira especial, o melhor foi Neuville, 1,9 segundos sobre Solberg, 4,3 sobre Ogier e 4,6 sobre Evans. 

Apesar do galês não ser o líder nessa altura - estava em segundo, a 2,3 segundos sobre Solberg - ele estava contente com o seu andamento, por causa da superfície húmida devido às chuvas do dia anterior:

"A chuva da noite ajudou a equilibrar as coisas ou jogou a nosso favor, estou contente de ver a chuva depois de tantos rallies secos. Bom começo, ainda há muito pela frente neste rali.", disse o piloto da Toyota.

A parte da tarde começou com a segunda passagem pelas classificativas da manhã, E Sami Pajari triunfou na quarta especial, com uma vantagem de 0m6 segundos sobre Sebastien Ogier, um segundo sobre Adrien Formaux e 2,7 sobre Oliver Solberg. 

Sebastien Ogier triunfou na quinta especial, conseguindo uma vantagem de 0,1 segundos sobre Pajari, 0,4 sobre Solberg e 1,5 sobre Neuville. Evans estava contente pelo resultado, no final da especial: "Etapa brilhante, tem bastante coisa aí! Os níveis de aderência são muito diferentes desta manhã, não é uma aderência super alta, mas bastante consistente."

No final do dia, Oliver Solberg triunfou, 0,3 segundos sobre Adrien Formaux, 1,3 sobre Sebastien Ogier e 1,5 sobre Thierry Neuville. Contudo, a especial foi parada depois do acidente, primeiro, com o carro de Alejandro Cachon, e depois foi cancelado quando Yuki Yamamoto também capotou.

"Voltei ao acerto que estava a usar antes no carro.", começou por afirmar Solberg, no final da especial. "No início, fui demasiado cauteloso; tentava fazer uma prova limpa. Acho que foi uma tarde importante para não cometer erros. Estou feliz.", concluiu.

Em contraste, Thierry Neuville não escondia a sua desilusão:

"É dececionante para nós. Estávamos na posição de abrir a pista esta manhã. Não tivemos consistência suficiente e estamos a lidar com uma pequena fuga no amortecedor esta tarde. No final do dia, simplesmente não estou suficientemente rápido. Quando não se tem a sensação ideal, não há nada a fazer."


Depois dos quatro primeiros, quinto é Sami Pajari, a 21,7 segundos. Não muito longe está Thierry Neuville, sexto, a 27,4 segundos. Muito mais distante estão dos Ford dos irlandeses Josh McErlean, a 1.54,5, e de Jon Armstrong, a 1.56,9. Esapekka Lappi é nono, a 2.06,0, e a fechar o "top ten" está o Lancia Ypsilon Rally2 do búlgaro Nikolay Gryazin.

O rali do Chile prossegue neste sábado, com a realização de mais seis especiais.

CPR: Rali da Água (Dia 1)


O açoriano Ruben Rodrigues lidera o rali da Água, que decorre na região de Chaves, com 5,3 segundos de avanço sobre o Toyota GR Yaris Rally2 oficial de Ruben Rêgo, 16,1 sobre o Citroen C3 Rally2 de Ricardo Teodósio e 28,9 sobre o Skoda Fabia RS Rally2 de João Barros. 

Tudo isto com quatro classificativas já realizadas, o suficiente para algumas alterações na frente, como os furos sofridos por José Pedro Fontes, o acidente de Hugo Lopes no shakedown, destruindo o seu Hyundai i20 Rally2 oficial, mas sem sofrer ferimentos, e os acidentes de Gonçalo Henriques, na segunda especial, e de Armindo Araújo, na terceira especial, onde preso na valeta, acabou ppr abandonar.  

O rali começou com a primeira passagem por Chaves, onde Armindo Araújo foi o melhor no seu Skoda Fabia Rally2, 0,5 segundos sobre Pedro Almeida, 1,3 sobre Rafael Rêgo e 1,5 sobre Ruben Rodrigues. José Pedro Fontes era quinto, mas já a uns "distantes" 4,5 segundos. 

A partir da segunda especial, Ruben Rodrigues começou a acelerar e a ganhar especiais. Na segunda passagem por Chaves, ganhou 0,4 segundos sobre Armindo Araújo, 3,4 sobre Pedro Almeida, quatro segundos sobre Rafael Rêgo e 4,3 sobre José Pedro Fontes. Gonçalo Henriques despistou-se e bateu forte, acabando por destruir o seu Hyundai i20, tal como aconteceu com o seu companheiro de equipa.

Na terceira especial, Rafael Rego venceu, 1,5 segundos mais rápido que Ruben Rodrigues, 4,8 sobre Pedro Almeida e 7,1 sobre Ricardo Teodósio. 


Entre aqueles que sofreram  precalços, José Pedro Fontes perdia um minuto e 22 segundos por causa de furos, mas o pior acontecia a Armindo Araújo, que sofreu uma saída de estrada. Apesar de não ter grandes danos, estava irremediavelmente preso fora estrada, e acabou por desistir. 

Começámos muito bem e estávamos na frente quando, já na parte final da terceira passagem pela especial de Chaves, perdemos a traseira do carro e acabámos por cair numa vala, de onde não conseguimos sair. O nosso Skoda não teve um risco, mas não havia nada a fazer. Estamos obviamente muito desapontados por não conseguirmos continuar a lutar pela vitória e consequentemente deixarmos de depender de nós próprios na discussão do título.”, comentou o piloto de Santo Tirso, desgostoso com o seu desfecho neste rali. 

No final do dia, na Super-Especial, João Barros foi o melhor, 2,7 segundos sobre Ruben Rodrigues, três segundos sobre Ricardo Teodósio e 3,6 sobre José Pedro Fontes.

Para Pedro Almeida, esta super-especial foi um inferno: ao travar para uma rotunda, o seu carro perdeu a traseira e ficou preso no interior dessa rotunda. Após alguma demora e a necessidade de alertar para um possível risco de incêndio, a polícia permitiu a assistência, e o piloto, com ajuda, conseguiu retomar o percurso e terminar o troço. Contudo, este incidente custou-lhe mais de dois minutos, fazendo-o cair do terceiro para o 14º posto, com mais de dois minutos de atraso.

Depois dos quatro primeiros, quinto é Guilherme Meireles, a 38,1 segundos, na frente do espanhol Iago Gabeiras, no seu Hyundai i20 Rally2, a 1.03.1, na frente do Skoda Fabia RS Rally2 de Henrique Moniz, a 1.05,3. Oitavo é Pedro Meireles, a 1.22,3, e a fechar o "top ten", estão o Skoda Fabia RS Rally2 de Paulo Neto, a 1.27,4, e o Lancia Ypsilon Rally2 de José Pedro Fontes, a 1.28,7.

O rali D'Agua termina amanhã, com a realização das restantes seis especiais. 

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

CPR (III): Fontes deseja a vitória em Chaves


José Pedro Fontes e a sua navegadora, Inês Ponte, regressam à competição no Campeonato de Portugal de Ralis (CPR) no Rali da Água – Transibérico – Eurocidade Chaves/Verín com o objetivo de lutar pelos lugares da frente e somar pontos importantes. A dupla da Sports & You alinha aos comandos do Lancia Ypsilon Rally2 HF Integrale na fase decisiva da temporada.

Num lugar onde a dupla de pilotos tem demonstrado competitividade a nível nacional com o seu Lancia, e contando com um histórico de bons resultados em Trás-os-Montes, José Pedro Fontes destacou a sua ambição, quer para este rali, quer para a segunda metade desta temporada: 

"Depois da pausa de verão, mais curta para nós, regressamos a uma prova que conhecemos e que gostamos. O Rali da Água é uma excelente prova para este regresso. Sabemos que o último resultado não correspondeu de todo às expectativas que tínhamos, mas a nossa ambição vai crescendo a cada troço.", começou por afirmar.

"O carro está a maturar depressa e bem, temos melhorado muito e estou convicto que conseguiremos estar na luta pela vitória em Chaves e Verin. As contas do campeonato ainda estão em aberto e tudo pode mudar nas próximas provas. Sendo este o penúltimo rali de asfalto, queremos apostar as fichas todas num terreno onde somos fortes sempre focados também no desenvolvimento do carro que ainda precisa de fazer quilómetros para ficar ainda mais competitivo.", concluiu.

A prova, agora reformulada, tem dez especiais, com 99,90 quilómetros de troços cronometrados. 

CPR (II): Ruben Rodrigues almeja a vitória


Ruben Rodrigues quer ganhar o Rali D'Água para levar o título de volta aos Açores. O piloto do Toyota GR Yaris Rally2, acompanhado pelo seu navegador, Rui Raimundo, chegam ao Nordeste Transmontano na liderança do Campeonato de Portugal de Ralis (CPR) numa temporada absolutamente irrepreensível. 

E no Rali da Água Transibérico Chaves-Verin, ambos estão de olhos postos na questão do título, ambicionando, claro, a vitória no rali, para consolidar a sua liderança.

Vamos continuar a fazer o que temos feito. A nossa equipa tem trabalhado imenso para que seja possível alcançar o nosso objetivo, que obviamente passa pela vitória. Sabemos quem são os adversários mais fortes e estamos prontos para entrar num duelo exigente, que poderá durar até final. Vamos trabalhar para que a vitória seja uma realidade e ponderar que o título nacional possa regressar aos Açores”, afirmou.

O Rali D'Água será todo de asfalto e terá dez especiais de classificação, no total de 99,90 quilómetros cronometrados.

CPR: Percurso do Rali D'Água alterado


O percurso do Rali D'Agua, entre Chaves e Verin, na Galiza, foi totalmente alterado devido à não autorização da Direção Geral de Trânsito espanhola. Num comunicado emitido esta manhã pela CAMI Motorsport, a entidade organizadora do rali, eles afirmaram que a sede da DGT, em Madrid, manteve-se irredutível na não-emissão do parecer que autorizaria a realização da prova. Assim sendo, o rali manteve-se, mas o percurso será alterado de forma a ser totalmente feita na parte portuguesa da prova.

"Até ao dia de hoje, a organização e as entidades institucionais envolvidas, Eurocidade Chaves-Verín, Município de Chaves e municípios espanhóis de Verín, Oímbra, Monterrei e Vilardevós fizeram tudo o que esteve ao seu alcance para tentar ultrapassar esta situação.", começa a divulgar o comunicado. 

"Importa destacar, de forma muito particular, o enorme empenho do Alcalde de Verín, que, até à última hora, desenvolveu sucessivas diligências e contactos no sentido de encontrar uma solução, bem como toda a solidariedade e intervenção do Presidente da Câmara Municipal de Chaves e dos restantes Alcaldes espanhóis envolvidos na passagem da prova.", continuou.

"Apesar de todos esses esforços, e perante uma situação de natureza estritamente burocrática, a DGT, em Madrid, manteve-se irredutível até ao dia de hoje na emissão do parecer necessário, tornando definitivamente impossível a realização das classificativas previstas em território espanhol. Perante uma decisão conhecida a escassas horas do início do evento, a alternativa mais simples teria sido cancelar a prova."

Apesar de tudo, a organização decidiu redesenhar o percurso num tempo "record" e assim, poder viabilizar a prova, agradecendo a colaboração da Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting (FPAK) para a reorganização dos horários, segurança e restante logística para que a prova possa arrancar no horário previsto. 

"O esforço desenvolvido pela organização para evitar a anulação do Rali tem sido tremendo. Em pouquíssimas horas foi necessário redesenhar praticamente toda a estrutura desportiva prevista para território espanhol, encontrar alternativas em Portugal, transferir o Shakedown para território nacional, reorganizar horários, meios de segurança, logística e recursos humanos e preparar o correspondente aditamento ao Regulamento Particular da prova.", começou por referir.

"Tudo isto está a ser realizado num espaço de tempo extremamente reduzido e em estreita articulação com a Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting (FPAK) e com as restantes entidades competentes, tendo como prioridade absoluta garantir a realização da prova nas melhores condições desportivas e de segurança possíveis. Esta alteração representa uma enorme contrariedade para o CAMI Motorsport, para os municípios, para os parceiros e para todos aqueles que trabalharam durante meses na preparação de um Rali genuinamente transfronteiriço.", continuou.

"O novo itinerário, os novos horários e as restantes alterações regulamentares serão comunicados logo que estejam formalmente aprovados.

O CAMI Motorsport agradece profundamente a compreensão dos concorrentes, equipas, parceiros, patrocinadores, municípios, forças de segurança, voluntários e público perante uma alteração desta dimensão praticamente em cima do início da prova.

Foram horas extremamente difíceis. Fizemos, e continuamos a fazer, tudo o que está ao nosso alcance para dignificar o Rali." concluiu.

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

CPR: Armindo Araújo quer vencer em Chaves


O fim de semana terá o Rali D'Água, prova para o Campeonato de Portugal de Ralis (CPR), entre Chaves e Verin, em Espanha. Com algumas alterações em relação a 2025, o Rali d’Água mantém as suas características, continuando a ter troços muito rápidos, com zonas encadeadas e técnicas que obrigam a elevados níveis de concentração.

Um dos pilotos que participará e terá ambições de vitória é Armindo Araújo. O piloto, que corre com um Skoda Fabia Rally2 ao lado de Luís Ramalho, pretende chegar à vitória, de maneira a diminuir a diferença para com os líderes do CPR. Embalados pela excelente prestação no último rali, na Madeira, Armindo Araújo acredita que eles poderão fazer um bom rali, desejando a vitória. 

Poderemos voltar a fazer um bom rali e estamos muito focados naquilo que queremos nesta prova e isso passa claramente por conquistar o máximo de pontos possíveis. Sabemos que é fundamental lutar pela vitória para podermos continuar na discussão do título absoluto até à última prova do ano, e chegamos a Chaves muito motivados”, começou por dizer o piloto de Santo Tirso.

Este é um rali sempre muito exigente e onde temos que manter um ritmo alto do primeiro ao derradeiro metro. Vamos dar o máximo, como sempre, e esperamos conseguir mais um bom resultado”, concluiu.

O Rali D'Água será todo de asfalto e terá dez especiais, no total de 99,90 quilómetros cronometrados.

A história do GP de Espanha (última parte)


No próximo fim de semana, a 13 de setembro, a Formula 1 correrá no novo circuito de Madring, uma pista semi-urbana nos arredores de Madrid, a capital espanhola. É claro que existem muitas expectativas em relação ao que será esta nova pista no Grande Prémio - a curva em relevo que foi construída é um motivo de curiosidade, de facto - mas isto faz lembrar de uma coisa: o GP de Espanha é um evento centenário, e Madring é a mais recente pista de um conjunto de locais onde o automobilismo passou, pelo menos desde... bem, desde há mais de um século, em 1913.

Depois de na segunda-feira ter falado dos primeiros tempos, e depois, da pista de Pedralbes, na cidade de Barcelona, onde recebeu a corrida de encerramento dos mundiais de 1951 e 1954, e de na segunda parte, falou-se sobre os esforços para o regresso da Formula 1 a terras espanholas, com a construção da pista permanente de Jarama e a alternância com o veloz, e perigoso, circuito de Montjuich, no meio da cidade de Barcelona, nesta terceira e última parte, fala-se da construção de pistas como Jerez, em 1986, e de Montmeló, nos arredores de Barcelona, em 1991, da sua consolidação no calendário, e o seu regresso a Madrid.

 


FUENGIROLA, JEREZ E MONTMELÓ, UMA NOVA ERA


Em 1984, tentou-se o regresso, com a ideia de fazer uma pista nas ruas de Fuengirola, uma cidade balnear na província de Málaga, no sul da região da Andaluzia. Contudo, os problemas levantados foram de tal ordem que a ideia foi cancelada, e no lugar do GP de Espanha, veio o GP de Portugal, marcado para outubro, no autódromo do Estoril. 

Quando se tentou novamente, em 1985, e falhou, por causa de problemas de organização, o "alcaide" de Jerez, Pedro Pacheco Herrera, pediu a Sandro Rocci, um engenheiro de formação, que desenhasse um circuito permanente nos arredores da cidade, com a ideia de ter a Formula 1, a MotoGP e também de promover a industria local dos "sherries", um licor adoçado, do mesmo tipo do Vinho do Porto. 

A pista ficou pronta a 8 de dezembro de 1985, embora com as bancadas e as boxes ainda em construção, e a primeira corrida foi para o Espanhol de Turismos. Mas em abril do ano seguinte, tornou-se na segunda prova do calendário, e foi ganha por Ayrton Senna, que bateu Nigel Mansell por 13 centésimos de segundo. 

Apesar de um novo circuito permanente ter sido aplaudido, tinha os mesmos defeitos de Jarama: estreita e sinuosa. E como era longe de Madrid, Barcelona ou até de Sevilla, poucos eram os espectadores que vinham ver o Grande Prémio: raramente teve mais que dez mil espectadores. Em contraste, o GP de Espanha de motociclismo, que acontecia em abril ou maio, atraía, em média... 120 mil espectadores. 

Em 1990, a Catalunha decidiu construir um circuito permanente nos seus arredores, mais concretamente em Montmeló. Mas enquanto se desenhava a pista, a Formula 1 disputava ali a sua corrida, uma semana depois do GP de Portugal. Na qualificação de sexta-feira, o Lotus de Martin Donnelly bateu fortemente contra o guard-rail, destruindo o carro e ferindo gravemente o seu piloto. Muitos consideraram que a pista era suficientemente perigosa para ser tirada do calendário, mas a Formula 1 correu novamente em 1994 e 97, quando foi o GP da Europa. Nessa altura, a pista foi modificada, colocando uma chicane no lugar onde Donnelly bateu, bem como mais retas, para tirar a sinuosidade da pista.

O circuito da Catalunha ficou pronto a tempo da edição de 1991 do GP de Espanha, e ali assistiu-se a um duelo entre Nigel Mansell e Ayrton Senna, em plena reta da meta, e numa corrida húmida - a chuva fez a sua aparição - onde o britânico levou a melhor, num campeonato que acabou por ser ganho por Senna.

Em 1992, a corrida foi transferida para maio, a meio da primavera, e tornou-se, alternadamente com Imola, na prova inaugural da fase europeia do calendário. Nigel Mansell ganhou nesse ano, e até ao final da década, foi a Williams a ganhar boa parte das corridas. Notáveis excepções aconteceram em 1994 e 1996, quando Michael Schumacher foi o vencedor, especialmente na edição de 96, que aconteceu debaixo de chuva e tornou-se na sua primeira vitória ao serviço da Scuderia. 

Desde então, a Formula 1 aconteceu sempre em Montmeló, apesar da aparição de Valência, entre 2008 e 2012 - mas sempre foi o GP da Europa, nunca o GP de Espanha - e de ter sido das poucas corridas que aconteceram em 2020 e 2021, onde os anos da pandemia impediram a realização de boa parte das corridas inicialmente marcadas. 

Agora, 35 anos depois da última transferência, a Formula 1 regressa a Madrid, mas não saiu de Barcelona: haverá um GP da Catalunha, e até 2031, alternará em termos de calendário com outras pistas um pouco por toda a Europa. 


O Madring é uma pista mista: construída perto do pavilhão principal da Feira de Madrid, o IFEMA, em pouco menos de um ano, tem 5416 metros, 22 curvas, numa mistura de curvas lentas, de média e alta velocidade. Uma delas, já chamada "La Monumental", semelhante à última curva de Zandvoort, terá um ângulo de 13 graus, e para além disso, haverá bancadas com capacidade para 110 mil espectadores. Contudo, um mês antes, num evento de teste, com carros de Formula 3, houve mais de duas dezenas de amostragens de bandeiras vermelhas, podendo potencial um fim de semana complicado para máquinas e pilotos.

Resta saber se, com o GP espanhol a acontecer no seu nono circuito da sua sua história, o sucesso e o prestígio continuará. Pelo menos sabemos que eles correrão ali até 2035. 

terça-feira, 8 de setembro de 2026

Youtube Formula 1 Video: Um Red Bull sobre carris

Nesta contagem final até ao GP de Espanha, na nova pista do Madring, em Madrid, as equipas tentam fazer algo para dar nas vistas. Por exemplo, a Red Bull, que decidiu colocar um carro... nos carris do metro da cidade.  

A história do GP de Espanha (Parte II)


No próximo fim de semana, a 13 de setembro, a Formula 1 correrá no novo circuito de Madring, uma pista semi-urbana nos arredores de Madrid, a capital espanhola. É claro que existem muitas expectativas em relação ao que será esta nova pista no Grande Prémio - a curva em relevo que foi construída é um motivo de curiosidade, de facto - mas isto faz lembrar de uma coisa: o GP de Espanha é um evento centenário, e Madring é a mais recente pista de um conjunto de locais onde o automobilismo passou, pelo menos desde... bem, desde há mais de um século, em 1913.

Depois de ontem ter falado dos primeiros tempos, e depois, da pista de Pedralbes, na cidade de Barcelona, onde recebeu a corrida de encerramento dos mundiais de 1951 e 1954, nesta segunda parte, falar-se-á sobre os esforços para o regresso da Formula 1 a terras espanholas, com a construção da pista permanente de Jarama e a alternância com o veloz, e perigoso, circuito de Montjuich, no meio da cidade de Barcelona. E no final, como Jarama foi uma vitima colateral, e palco de um importante episódio da guerra entre FOCA e FISA. 


JARAMA, MONTJUICH E UMA DÉCADA AUTOMOBILISTICA


Durante quase uma década, a Espanha não pensou muito no automobilismo, até que a RACE pensou que não seria uma má ideia construir uma pista permanente nos arredores de Madrid. Para além disso, o plano alargou-se para a remodelação de uma pista citadina, o circuito de Montjuich, perto do jardim e do parque desportivo da cidade. A ideia da RACE era de ter uma corrida de Formula 1 nas duas pistas, de forma alternada, como tinham os britânicos e os franceses. 

A pista permanente foi feita na região de San Sebastian de los Reyes, perto do rio Jarama, e ganhou esse nome. Pronto em 1967, foi inaugurado por Francisco Franco, o "Caudillo", e para poder entrar no calendário da Formula 1, fizeram uma prova extra-campeonato, a 12 de novembro, numa corrida ganha pelo Lotus de Jim Clark, na frente do seu companheiro de equipa, Graham Hill, e do carro de Jack Brabham. Estiveram 18 carros presentes e 14... eram de Formula 2, e a Lotus foi a única que trouxe dois carros, modelo 49.

Tudo pronto para o seu regresso em 1968, dali a exatamente seis meses, a 12 de maio, mas quando aconteceu, Clark estava morto, e Jackie Stewart estava lesionado por causa de um acidente de Formula 2... em Jarama. Por causa disso, apenas 14 carros estavam presentes nessa corrida, e o vencedor foi outro Lotus, o de Graham Hill, que bateu o McLaren de Dennis Hulme e o Cooper-Maserati de Brian Redman, no seu único pódio na Formula 1.


No regresso, a RACE decidiu que queria alternar o Grande Prémio com Montjuich, e apresentou uma pista com forte segurança, nomeadamente áreas de escape e guard-rails. A Comission Sportive International, antepassada da FISA e depois, da FIA, aprovou, e em 1969, aconteceu o primeiro Grande Prémio no veloz circuito catalão. Contudo, logo na sua primeira corrida, aconteceu o primeiro incidente grave, quando os Lotus de Graham Hill e do austríaco Jochen Rindt sofreram acidentes a alta velocidade, mostrando que por muita segurança que tivesse, nunca seria suficiente. 

A corrida alternou entre ambos os circuitos nos anos seguintes. Em 1970, regressou a Jarama, mas na primeira volta dessa corrida, um choque entre o Ferrari de Jacky Ickx e o BRM de Jackie Oliver fez com que ambos os carros, cheios de gasolina, ardessem por muitos minutos e os bombeiros combatessem as chamas enquanto a corrida decorria. Felizmente, nenhum dos pilotos ficou ferido.

A corrida foi ganha nos anos seguintes por gente como Jackie Stewart (1970-71), Emerson Fittipaldi (1972-73) e Niki Lauda, que conseguiu ali a sua primeira vitória, e a primeira pela Ferrari em ano e meio. 


A corrida de 1975 acontecia novamente em Montjuich. Contudo, logo no primeiro dia de competição, os pilotos detectaram falhas graves na segurança. nomeadamente a má colocação das barreiras de proteção. Ameaças de greve, o boicote de pilotos como Emerson Fittipaldi e a organização a ameaçar apresar os carros, caso não participassem, fizeram com que a corrida estivesse sob ameaça, mas aconteceu.

Mais valia ter sido cancelado. 

A partida foi caótica, com os Ferrari de Niki Lauda e Clay Regazzoni a serem eliminados, Emerson Fittipaldi a retirar voluntariamente o seu carro da pista, e para piorar as coisas, na volta 26, a asa traseira do Hill de Rolf Stommelen quebrou-se a alta velocidade e bateu violentamente contra o guard-rail, acabando fora da pista. Se o alemão saiu gravemente ferido, mas vivo, três fotógrafos e um espectador não tiveram a mesma sorte e morreram no impacto. A corrida foi prematuramente terminada na volta 29, ganha por Jochen Mass, e tornou-se na primeira corrida onde os pilotos ganharam metade dos pontos previstos.

A partir dali, Jarama ficou com o exclusivo do GP espanhol, mas com o passar dos anos, os pilotos começaram a queixar-se de que a pista já era muito curta e sinuosa para os carros. Mas não foi isso que a Formula 1 acabou por sair de Jarama: foi a politica.

Em 1980, a luta entre a FISA e a FOCA estava ao rubro, principalmente quando a FISA decidiu obrigar os pilotos a participarem em conferências de imprensa. A FOCA desafiou essa obrigação, fazendo com que os pilotos boicotassem a conferência de imprensa do GP do Mónaco. A FISA multou os pilotos com cinco mil dólares, e quando estes não pagaram, resolveu retirar as suas licenças para correr. A bola de neve ficou tão grande que a FISA decidiu cancelar o GP de Espanha, marcado para o dia 1 de junho.

A intervenção pessoal do Rei de Espanha, Juan Carlos I, amante de automóveis, impediu o cancelamento, mas a FISA decidiu que não iria contar para o campeonato. Ferrari, Renault e Alfa Romeo tiraram os seus carros, e as outras equipas, alinhados com a FOCA, participaram. Venceu Alan Jones, numa corrida algo caótica, na frente do Arrows de Jochen Mass e do Lotus de Elio de Angelis.


A corrida voltou a contar para 1981, e acabou com Gilles Villeneuve a segurar quatro carros nas 25 voltas finais, fazendo um "comboio" do qual ninguém conseguia passar, apesar das tentativas insistentes do Ligier de Jacques Laffite de o ultrapassar. Villeneuve ganhou, os outros pilotos se queixaram, mas ficava o óbvio: Jarama não tinha mais condições de receber os carros de Formula 1.

(continua amanhã)

WRC: Cancelamento do rali saudita iminente?


As coisas poderão estar a correr de mal a pior na Arábia Saudita. Esta manhã, os rebeldes Houthis do Iêmen efetuaram vários ataques contra camiões de transportes de derivados petrolíferos e instalações energéticas sauditas. Para além disso, foram lançados mísseis e drones contra quatro cidades sauditas, e os alvos foram instalações da petrolífera Saudi Aramco, provocando diversos incêndios e, pelo menos, 73 feridos.

Isso poderá agravar uma situação existente, que é o seguinte: o mercado das seguradoras está a tratar a região como zona de risco elevado, especialmente a zona do Mar Vermelho que banha a costa saudita. Ali, os prémios de "risco de guera" para os portos mais a norte, como Jeddah, o mais importante, a subir de cerca de 0,25 para um por cento do valor do navio em apenas 24 horas. Segundo conta o site rally74r, há grupos de seguradoras que estão a cancelar especificamente a cobertura em águas do Mar Vermelho, junto à costa saudita.

Por causa disso, e segundo o mesmo site, a FIA pediu aos organizadores do Rally Itália Sardegna para alargarem o prazo de inscrições para poderem albergar os concorrentes da categoria WRC2, que tinham selecionado inicialmente a Arábia Saudita, não perdendo assim a possibilidade de pontuar neste campeonato.

Ou seja, o cancelamento do rali saudita poderá ser inevitável. Contudo, poderá haver alguns problemas nesse sentido. Os organizadores do Rali da Arábia Saudita são dos que mais pagam para fazer parte do Campeonato do Mundo de Ralis (WRC), e promotor da prova saudita garantir a todo o custo que o percurso é seguro. contudo, a voz das seguradoras poderão falar mais alto, porque podem achar arriscado colocar centenas de pessoas e milhões de euros de equipamento naquele território.

E caso o cancelamento vá em frente, outras provas poderão também estar em perigo, como os ePrix de Jeddah, em dezembro, e o Rally Dakar, em janeiro.

Qualquer decisão nesse sentido por parte da FIA e do WRC terá de acontecer nesta semana. Caso o cancelamento irá adiante, as duas chances em cima da mesa serão o do encerramento na Sardenha e o Mundial fica reduzido em um rali, ou então a prova final poderá ser na Catalunha, em meados de outubro. 

Noticias: Hadjar não participará em Espanha


Pela terceira vez seguida, Isack Hadjar não participará numa corrida na temporada de 2026. A Red Bull confirmou ontem à noite que o piloto francês não está disponível para a estreia da pista de Madring, que acontecerá neste final de semana, e Liam Lawson continuará no seu lugar, enquanto na Racing Bulls, o japonês Yuki Tsunoda correu no carro do piloto neozelandês nas últimas duas corridas.  

A decisão foi tomada numa altura em que a recuperação do Isack continua a evoluir de forma positiva. Embora ainda não esteja pronto para regressar ao cockpit, estará em Madrid a apoiar a equipa”, explicou a estrutura austríaca, esperando por um regresso em breve. “Estamos ansiosos por voltar a ter o Isack no RB22 muito em breve”, acrescentou.

Tudo indica que o regresso do piloto francês está apontado para a corrida de Baku, no final do mês, mas tudo tem de passar pelas juntas médicas da FIA para saber se está em forma para poder regressar ao seu carro.