quarta-feira, 20 de maio de 2026

Youtube Motorsport Video: A trágica história do primeiro piloto a desistir nas 500 Milhas de Indianápolis

Este é o fim de semana das 500 Milhas de Indianápolis, uma competição que existe desde 1911, e que não correu durante as duas guerras mundiais (1918, 1942 a 1945). E se os mais entendidos falam sobre o primeiro vencedor, Ray Harroun, o único que correu sozinho e colocou um espelho no seu carro, uma diferença entre ele e a concorrência, quase ninguém fala sobre o último classificado, que acabou por ser   Arthur Greiner, que tinha um mecânico como co-piloto, Sam P. Dickson.

A história de Greiner e Dickson tem o seu quê de interessante, mas com um final algo trágico. E neste video, fala-se sobre ambos. 

terça-feira, 19 de maio de 2026

As imagens do dia





Há 30 anos acontecia uma das corridas mais bizarras do automobilismo. E foi no Mónaco. De uma grelha de 22 carros, seis ficaram-se pelo caminho, com o Forti de Andrea Montermini a nem sequer largar das boxes. 

E depois da volta 10, apenas 12 carros circulavam nas ruas do Principado, debaixo de chuva. E depois, claro, foi o "destruction derby" até chegarem ao fim com quatro carros e um deles, Olivier Panis, ficar com o lugar mais alto do pódio, e dando pela primeira vez em 14 anos uma vitória da Ligier. Que viria a ser a última, antes de ser comprada por Alain Prost.

Mas a história que quero contar hoje é o de um dos sobreviventes: David Coulthard. Um piloto que acabou no segundo posto, a menos de cinco segundos do vencedor, Panis, e que usou o capacete... de outro piloto. Mais concretamente, o de Michael Schumacher. A razão? O seu capacete deixava entrar água e ele ficava com a visão embaciada. 

Coulthard estava a ter em 1996 a sua primeira temporada na McLaren, depois de duas temporadas na Williams. Veloz, com alguma inconsistência - apenas uma vitória, no Estoril, cinco pole-positions, nove pódios e quatro voltas mais rápidas - tinha ido para a McLaren em 1996, substituindo Mark Blundell, numa altura em que existiam ainda dúvidas sobre se Mika Hakkinen estaria bem para guiar um Formula 1 depois do seu forte acidente nos treinos do GP da Austrália de 1995. 

No final, mostrou-se que ele tinha recuperado totalmente, mas na segunda temporada com motor Mercedes, as coisas começaram... pior que se esperava. Guiando ambos o McLaren MP4/11, a temporada não começou bem para ambos, apesar de ambos já terem pontuado. Quando chegaram ao Mónaco, a equipa tinha nove pontos, sendo quarto no campeonato, e o escocês tinha apenas um pódio, um terceiro lugar em Nurburgring. 

Depois de sobreviver às primeiras 30 voltas, onde o pelotão ficou reduzido para metade, com a liderança a ser discutida entre Damon Hill e o Benetton de Jean Alesi, pela volta 40, o britânico estava fora por causa de um problema de motor, enquanto Alesi desistiu por causa da suspensão, que tinha quebrado na volta 60, com o comando a cair nas mão de Olivier Panis. 

Na volta 70, entre o gancho e o Portier, Eddie Irvine decidiu parar o carro num lugar inadequado - curiosamente, o mesmo lugar onde Michael Schumacher tinha batido na primeira volta - e atrás, Mika Hakkinen abrandou para poder passar por ali, porque o Ferrari era demasiado grande para ele poder circular à vontade. Só que, atrás, vinha o Tyrrell de Mika Salo, que sem ter tido tempo para parar, bateu na traseira do seu compatriota, que por sua vez, bateu em Irvine. Em poucos instantes, três pilotos estavam fora de cena, e perguntava-se: haveria pilotos suficientes para cortar a meta?

Havia. Apesar de Coulthard estar a apanhar Panis, o tempo tinha esgotado, porque o limite das duas voltas tinha sido alcançado três voltas antes do final. No final quatro segundos separaram ambos os pilotos, mas se a Ligier comemorava a sua primeira vitória desde o GP do Canadá de 1981 - curiosamente, outra corrida debaixo de chuva - David Coulthard poderia ter sido o primeiro piloto a ganhar uma corrida... com o capacete de outro piloto. E tudo graças a Michael Schumacher. 

WRC: Hyundai quer alguns esclarecimentos sobre 2027


A Hyundai ainda tem dúvidas sobre a sua participação no Mundial de 2027, afirmando que será uma "Caixa de Pandora" para aqueles que decidiram participar, apesar de nessa temporada, as máquinas de WRC2 também podem participar na competição.

Enquanto aguarda que na Coreia do Sul decida se estudam um Rally1 para o futuro ou não, a direção técnica da equipa mostra ter muitas dúvidas sobre a solução do rally2 para 2027. Numa entrevista à Autosport britânica, François Xavier Demaison revelou isso mesmo. "Os Rally2 são uma opção para o próximo ano e está a ser discutido para o WRC2," começou por referir, "mas não vemos isso como uma forma de lutar contra os carros do WRC27 e conseguir vencê-los", continuou.

O engenheiro francês destaca as claras vantagens técnicas desta nova geração de veículos. O chassis também é um fator decisivo. A suspensão de duplo braço oscilante oferecia mais benefícios de personalização e confiabilidade em comparação com a suspensão MacPherson, especialmente em cascalho áspero. "Não restam muitos ralis onde um Rally2 ou um Rally2 plus possa ser competitivo", explicou Demaison.

Ele também considera insuficiente compensar a diferença de desempenho com pesos adicionais para os superiores carros WRC27 como insuficiente para compensar essas vantagens. Para ele, ainda há muitas perguntas sem resposta, embora os carros da marca coreana terem portado bem no rali de Portugal, obtendo a sua primeira vitória nesta temporada, através de Thierry Neuville.

O WRC continua no final do mês em paragens japonesas.

Youtube Formula 1 Video: Carlos Sainz Jr faz as suas primeiras voltas ao Madring

A segunda corrida em Espanha será em setembro, mas já há uma camada de asfalto na pista, logo, o pessoal da Formula 1 convidou Carlos Sainz Jr para poder dar umas voltas na pista para ficar com umas ideias do que poderá encarar daqui a cerca de quatro meses. Ainda por cima, é uma pista na sua cidade natal, Madrid.  

Meteo: Domingo será de chuva em Montreal


Ainda faltam alguns dias para o GP do Canadá, mas as chances de chuva para domingo são grandes. Pelo menos, é o que se prevê neste momento. Se na sexta-feira, o tempo é de céu limpo, com chances minimas e 20ºC de temperatura, já para sábado, o tempo agrava-se, com céu nublado, temperaturas de 22ºC, e chances a rondarem dez por cento - logo, poderá não prejudicar a corrida "sprint".

Contudo, no domingo, as coisas serão mais sérias. Com temperaturas a rondar os 23ºC, as chances de chuva aumentam para 45 por cento depois da hora do almoço e lá ficam até ao final do dia, podendo afetar a realização do Grande Prémio, embora não se diga a intensidade dessa chuva. O vento será fraco a moderado - 14km/hora ao longo do dia - e resta saber o que fará a Liberty Media com estes dados, Certamente poderá estar à espera de que as condições possam melhorar ao longo da semana.   

segunda-feira, 18 de maio de 2026

A imagem do dia


Este ano, a Formula 1 meteu o Mónaco para junho e no seu lugar, para incomodar as 500 Milhas de Indianápolis, colocaram o GP do Canadá, só para dizer ao mundo que não gostam de concorrência, mesmo que seja uma das corridas mais importantes do calendário do automobilismo. 

Contudo, se receber a Formula 1 são bons dias para as cidades que as acolhem, seja ela Monaco, Las Vegas ou Montreal, na segunda maior cidade do Canadá, depois de Toronto. Mas no fim de semana do GP canadiano, uma noticia veio abalar os alicerces da cidade: as "strippers" vão fazer greve!

Explica-se: no Canadá, apesar de, em termos federais, os clientes não podem comprar sexo a quem solicita, as coisas são um pouco diferentes em relação às strippers, que são dançarinas. E as que estão afiliadas na Sex Work Autonomous Committee (SWAC), decidiram fazer grave no próximo sábado, em pleno fim de semana do Grande Prémio, porque é o dia do ano onde os clubes tem mais receita.

E o que querem, as "strippers"? Modificar o seu estatuto como trabalhadoras independentes, isentá-las do "bar fee", que pode ir dos 15 aos cem dólares canadianos por noite, e sobretudo, a descriminalização do trabalho sexual - leia-se, prostituição - uma luta que já tem algumas décadas. 

A organização alega que, apesar do aumento dos lucros que as gerências dos "stripclubs", as condições de trabalho pioram significativamente. “Pode haver mais clientes, mas não há mais clientes por stripper. Portanto, não é tão rentável para nós, mas é para os empregadores”, disse Adore Goldman, uma das líderes do SWAC à CBC canadiana. Assim sendo, ela e todas as trabalhadoras afiliadas decidiram marcar-se como "indisponíveis" no fim de semana de Grande Prémio, que atraiu no ano passado 352 mil espectadores. 

WRC: Rali da Estónia será mais compacto


Os organizadores do Rali da Estória, que acontecerá entre os dias 17 e 19 de julho, querem ver se o conseguem fazer em menos de 50 horas. Pelo menos é esse o plano de Urmo Aava, o seu diretor. A ideia é compactá-lo entre a sexta-feira à tarde até Domingo após o almoço.

Temos de analisar as necessidades dos nossos parceiros”, disse Aava ao site dirtfish.com. “Entendemos que as equipas precisam de poupar nos custos de mão-de-obra e temos de ajudar nisso. Da nossa parte, o impacto económico virá do público que virá assistir ao evento, e isso vai manter-se – a quinta-feira tornar-se-á mais um dia de promoção. O objetivo de todos era reduzir custos, mas obter um resultado maior. Penso que esta foi uma proposta inteligente; somos um rali compacto e podemos fazê-lo.", continuou.

Simplificamos para os concorrentes”, acrescentou. “Se ainda quiserem vir ao reconhecimento na terça e quarta-feira, podem fazê-lo – mas também temos a opção de chegar mais tarde e fazer o reconhecimento na quarta-feira e parte da quinta-feira. A decisão é do concorrente. Em termos de percurso, será muito semelhante aos anos anteriores”, concluiu. 

Caso dê certo, poderá abrir caminho para futuras opções, poupando um dia de custos de recursos humanos para as equipas.

Para além disso, Aava quer fazer o salto mais comprido do WRC, onde os carros possam saltar até cem metros de comprimento. Os planos estão a caminho, espera tê-los prontos a tempo.

Este ainda é o plano”, disse, “mas precisamos de fazer algumas alterações em alguns troços para que isso aconteça. Neste momento, temos um contrato [com a WRC Promoter] de apenas um ano, válido apenas para este ano. Se formos fazer alterações no percurso, precisamos de um contrato de longo prazo. Estamos ansiosos por discutir isso.", começou por afirmar.

Convenci pessoas suficientes no nosso comité organizador e agora estamos a trabalhar com cientistas para calcular tudo com precisão – o plano não é fazer nenhum salto louco, mas encontrámos na natureza um local bastante rápido onde a estrada desce abruptamente, o que proporcionará uma aterragem suave. Se isso pudesse acontecer e, finalmente, se os carros pudessem saltar realmente 100 metros, seria algo icónico – algo que os fãs de ralis passariam a visitar não só durante o Rali da Estónia, mas também durante o resto do ano. O interesse dos fãs é realmente grande.”, concluiu.

O rali da Estónia será em gravilha, e terá 18 especiais de classificação. 

domingo, 17 de maio de 2026

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Em 1996, a IndyCar vivia os primeiros dias da cisão entre a CART e a IRL, e na grelha de partida para a edição das 500 Milhas desse ano, a disputa era tão acirrada entre as duas competições que, na CART, para além de nenhum dos pilotos ter lá aparecido, tinham decidido montar a sua própria corrida, a US 500, para o mesmo dia e a mesma hora da Indy 500!

Com a qualidade dos pilotos para as 500 Milhas de Indianápolis muito abaixada, apesar de uma lista de inscritos muito grande - mais de 40, dos quais 37 tentaram a sua sorte na pista - apenas ex-pilotos, como Arie Luyendyk ou Eddie Cheever, e alguns "refugos" e alguns estrangeiros participavam, como Alessandro Zampedri, Michele Alboreto ou Eliseo Salazar, tentando mostrar que não "precisavam" de gente como Jimmy Vasser, Emerson Fittipaldi, Al Unser Jr., Michael Andretti ou Bobby Rahal, entre outros.

Mas Scott Brayton não era um "refugo". Não sendo deslumbrante nas pistas americanas, ao longo de década e meia, aos 37 anos, já tinha experiência suficiente para, em 1995, surpreender meio mundo quando conquistou a pole-position para a Indy 500 desse ano, num Lola T95 da Team Menard, naquela que iria ser a sua única participação naquela temporada da CART. Ele, que desde 1993, tinha decidido que só iria fazer as 500 Milhas de Indianápolis.

Nascido a 20 de fevereiro de 1959 em Coldwater, no Illinois americano, Brayton era filho de Lee Brayton, que tinha tentado a sua sorte em três edições das 500 Milhas, entre 1972 e 1974, sem qualquer sucesso. Contudo, Lee Brayton era fundador e dono da Brayton Engineering, que preparava motores V6 Turbo da Buick, e montou uma equipa, para dar ao seu filho Scott a sua primeira chance no automobilismo, em 1981. Quatro anos depois, em 1985, consegue um inesperado segundo lugar na qualificação das 500 Milhas, embora a sua corrida tivesse acabado na volta 19, quando o seu motor se danificou e causou uma fuga de óleo. 

Nos anos seguintes, Brayton correu pela Helmgarn Racing, e depois, para a Dick Simon Racing, entre 1989 e 1993, tendo como melhor resultado um terceiro lugar na oval de Milwaukee, na temporada de 1992. Pelo meio, em 1989, consegue a sua melhor posição nas 500 Milhas, com um sexto lugar, a sete voltas do vencedor, Emerson Fittipaldi. Em 1995, acabara em sétimo, numa prova marcada por diversos acidentes.

As 500 Milhas de 1996 era a primeira da cisão, e Brayton era dos favoritos. As circunstâncias da sua pole em 1996 foram dramáticas: ele tinha conseguido qualificar o seu carro para os primeiros lugares, mas tirou o carro da pista, fazendo anular o tempo, porque queria tentar de novo. E nessa nova tentativa, a 11 de maio de 1996, num carro do qual só tinha dado 13 voltas até ali, e perto das 18 horas - logo, final do dia - conseguiu uma média de 233.718 milhas por hora (376.132 km/hora), fazendo a pole-position, a segunda seguida da sua carreira. 

Seis dias depois, a 17 de maio, Brayton regressa á pista com o carro de reservam no sentido de rodar, para ser usado em caso de necessidade. Um Lola T95, carro de 1995, com motor Menard, que era o V6 da Buick que a equipa decidiu desenvolver depois da saída da marca da competição, as coisas estavam a correr bem até à hora do almoço, quando a mais de 340 km/hora, na curva 2, o seu pneu traseiro direito ficou sem ar e ele se despistou, batendo forte no muro, deslizando cerca de 200 metros até parar no meio da pista. Quando os socorros chegavam, ele estava inconsciente, e apesar de levado para o Hospital Metodista, cerca de meia hora depois, a sua morte foi declarada. Tinha 37 anos e tinha sido morte imediata, devido a uma fratura na base do crânio.

No inquérito, determinou-se que ele, sem saber, tinha passado por destroços na curva 4, e ainda tinha feito uma volta à média de 228 milhas por hora (cerca de 368 km/hora) e andou sempre de pedal a fundo nas duas curvas seguintes, antes de deste furar.

A noticia da sua morte foi divulgada cerca de quatro horas depois, para poder dar tempo para avisar os familiares. Curiosamente, nesse mesmo dia, um veterano, Danny Ongais, estava ali a dar umas voltas para outra equipa...

sábado, 16 de maio de 2026

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O dia 16 de maio de 1976 foi o do GP da Bélgica. E se o desfecho foi mais ou menos o do costume - Niki Lauda ganhou. na frente de Clay Regazzoni, numa dobradinha da Ferrari, o terceiro classificado era o mais interessante. E porquê? Não só acabou por ser o Ligier-Matra de Jacques Laffite, que ao conseguir o seu primeiro pódio da marca - e o segundo da sua carreira - como também acabou uma sequência de 67 corridas onde estava sempre um carro equipado com motor Ford Cosworth V8 de três litros.

Depois de uma qualificação onde os grandes escândalos foram as não qualificações de Emerson Fittipaldi, no seu Copercucar, e de Jacky Ickx, que não conseguiu um tempo para entrar no seu GP caseiro, apesar de estar a guiar um Wolf-Williams - "a construção e o desenvolvimento do projeto Copersucar, para que se possa ter um carro brasileiro, é um ideal nosso que será levado avante com todas as nossas forças e disposição de trabalho. Não será um fracasso momentâneo que nos fará recuar ou perder a fé no que nos propusemos realizar", disse Wilson Fittipaldi, no final da frustrante não-qualificação do seu irmão - a corrida foi um passeio para Lauda, que liderou do primeiro metro até à bandeira de xadrez. E para melhorar as coisas, o seu maior rival, James Hunt, desistiu na volta 35, por causa de um problema na caixa de velocidades. 

O fim de semana de Jacques Laffite foi bom para ele. Começando de sexto na grelha, batido apenas pelos Ferrari, o McLaren de Hunt, o Tyrrell de Patrick Depailler e o March de Vittorio Brambilla, a corrida foi, de uma certa forma, uma forma de aproveitar os problemas dos seus adversários, mas também, quando tinha a oportunidade, de passar algum carro, como aconteceu ao Tyrrell do seu compatriota Depailler. Largou bem, pulando para quarto, atrás de Regazzoni e Hunt, seu terceiro lugar final aconteceu depois da desistência de Hunt e claro, foi o culminar de um bom fim de semana e a prova de que o projeto tinha sido bem nascido e bem feito, apesar das modificações pelo caminho.

Esta era a quinta corrida da temporada, logo, a quinta corrida da história da Ligier, que tinha ficado com muito do material da Matra especialmente os seus motores V12, quando abandonou o automobilismo em geral, em 1974, dois anos depois da última corrida na Formula 1. O JS5, projeto de Michel Beaujon e Gerard Ducarouge, tinha a enorme entrada de ar apelidada de "bule de chá", mas quando a Formula 1 chegou a Espanha, teve de desaparecer, porque os regulamentos obrigavam a um limite de 80 centímetros a partir do solo em termos de entrada de ar. 

Ligier tinha decidido correr só com um carro, e Jacques Laffite tinha levado a melhor sobre Jean-Pierre Beltoise, mas a temporada não começara bem, com duas desistências no Brasil e na África do Sul. Contudo, em Long Beach, Laffite, apesar de largar de 12º na grelha, conseguiu ser agressivo o suficiente para passar alguns carros e chegar ao fim na quarta posição, garantindo os primeiros pontos da nova equipa. 

A nova configuração não só mexeu na entrada de ar, como também houve modificações aerodinâmicas. As suas prestações na qualificação refletiram isso, quando foi oitavo na grelha em Jarama, igualando o resultado em Kyalami, e em Zolder, o sexto posto foi o melhor até então que a Ligier tinha conseguido. Era sinal de que o projeto era sólido e que o futuro iria ser ainda melhor. 

Mas enquanto uns festejavam na Ligier, outros na Copersucar e na McLaren coçavam as cabeças. Na equipa brasileira, sabiam que tinham de fazer algo rapidamente - afinal de contas, estava muito dinheiro e prestígio em jogo - na McLaren, eles viam embora os Ferrari e parecia que só um milagre poderia reverter a situação. Afinal de contas, só tinham seis pontos no campeonato, contra os 42 de Lauda, e ainda iria demorar o recurso sobre a polémica desclassificação no GP de Espanha...

sexta-feira, 15 de maio de 2026

As imagens do dia





A 18 de maio de 1986, no Cimiterio Monumentale di Verano, em Roma, aconteceu o funeral de Elio de Angelis. A fina-flor da Formula 1 estava presente: "team managers" como Ken Tyrrell, Peter Collins, Ron Dennis, Jack Brabham, bem como o ex-piloto Jackie Stewart. Pilotos como Gerhard Berger, Michele Alboreto, Niki Lauda, Alain Prost, Ayrton Senna, Keke Rosberg, Nelson Piquet, Roberto Moreno, Derek Warwick, Riccardo Patrese, Nigel Mansell, Martin Brundle e Patrick Tambay também estavam presentes.

Ausente estava Bernie Ecclestone, que nunca gostou de estar presente em funerais, ele que tinha visto uma boa quantidade de amigos seus morrerem, como Stuart Lewis-Evans e Jochen Rindt

Os restos mortais de De Angelis ficaram no jazigo de família, onde estão presentemente. 

O acidente mortal teve consequências. A FISA esteve na linha de fogo, principalmente da parte de René Arnoux, então piloto da Ligier, e esta decidiu atuar: iria redesenhar o esquema de socorro em testes - a partir daquele momento, haveria sempre um helicóptero, mais treino de socorro e haveria a mesma disposição de comissários como se fosse num fim de semana de Grande Prémio - mas a FISA também começou a pensar no futuro. Com a quantidade de acidentes que tinha havido nos meses e semanas antes, o melhor seria, por exemplo, que a potência dos motores fosse cortada. Assim sendo, a temporada de 1988 seria a última com Turbos, em 1989, regressariam aos motores aspirados. 

Alguns pilotos ficaram traumatizados com a perda. Keke Rosberg contou, tempos depois, que uma das razões pelo qual pendurou o capacete no final de 1986 tinha sido o acidente e a parda de De Angelis, um dos seus amigos nas pistas. Nigel Mansell contou que não quis mais ter uma relação mais funda com os seus companheiros de equipa por causa do que aconteceu com De Angelis. Contudo, houve uma excepção: Riccardo Patrese, que tinha sido companheiro de De Angelis na Brabham. 

A partir daquele momento, Bernie Ecclestone passou a desinteressar-se pela Brabham. Desde há uns tempos que tinha interesse nos negócios na Formula 1, e as coisas na equipa trabalhavam da seguinte maneira: os dinheiros eram com ele, o desenho era com Murray, Herbie Blash ajudava Gordon Murray na gestão da equipa. Murray, desgostoso com os eventos de Paul Ricard, chegou à conclusão que mudar de ares seria a melhor politica. Em agosto, anunciou que iria para a McLaren, em substituição de John Barnard, que ia para a Ferrari.

No final de 1987, Ecclestone decidiu que iria vender a equipa, quinze anos depois de ter comprado, e chegou a não inscrever para a temporada de 1988. Eventualmente regressou, com novos proprietários, mas nunca mais voltou ao que era, envolto em polémicas com os novos proprietários, e acabou em 1992. 

De Angelis não foi esquecido na Formula 1: três anos depois, em 1989, chegava à Formula 1 um francês, Jean Alesi, e o seu capacete não passava despercebido aos olhos mais treinados. Questionado, ele disse que sim, o capacete era uma homenagem a Elio de Angelis. Detalhe: ele se estreou na Formula 1 na pista de Paul Ricard, a mesma onde ele sofreu o seu acidente mortal. Que, de 1986 até 1990, passou a ser realizada numa outra versão da pista, mais encurtada, evitando a zona de Verriére, palco do seu acidente mortal. Somente em 2018, quando a Formula 1 regressou a França e a Le Castelet, é que foi usada a versão total, com uma chicane na reta Mistral.

Assim termina a história de Elio de Angelis, um dos príncipes da Formula 1. Podia não ter ganho títulos, e foram poucas as vitórias no seu palmarés, mas tinha a consistência para pontuar e mostrar o seu talento, e era uma pessoa apreciada por tudo e todos. E ajudou a compor um pelotão de um tempo já distante.    

Youtube Automotive Video: Os últimos dias da Moskvich*

A Moskvich, fábrica de automóveis de Moscovo, viu-se numa situação desvantajosa ainda no tempo da União Soviética: carros desfasados, e um novo modelo que surgiu tarde demais. Ainda por cima, quando surgiu o Aleko, no final dos anos 80, o carro tinha como base o Chrysler Alpine, na Europa, e não os projetos caseiros que se desenvolviam desde 1974. E para piorar as coisas, precisavam de uma fábrica de motores, pois os que tinham já eram desfasados.

Contudo, quando a URSS caiu, sobreviveram graças ao apoio da Câmara Municipal da cidade, que queria evitar a falência, logo, despedimentos coletivos. Mas as tentativas para sobreviverem nos anos 90 foram muito... controversas, dos quais poucos entenderam: a entrada no segmento "premium", que precipitou o seu encerramento em 2002.

*a marca Moskvich regressou em 2022, com a invasão da Ucrânia e a saída da Renault, que tinha comprado a fábrica de Moscovo. Eles montam ali, em CKD (complet knock-down) os carros chineses da marca JAC.

WRC (II): Sesks está a gostar dos regulamentos de 2027


O letão Martins Sesks fez a sua aparição no WRC neste rali de Portugal, ao volante do seu Ford, na segunda das seis rodadas que irá participar em 2026. E numa temporada onde irá fazer também alguns ralis no Europeu, afirmou que os novos regulamentos do WRC para 2027, pensados para aproximar o desempenho entre carros RC1 e RC2, apontam “numa direção certa”, mas defende que qualquer avaliação definitiva deverá ser feita apenas depois das primeiras provas e do impacto real junto das equipas.

Vamos ver. Acho que isso depende de como correrem os primeiros ralis e de quantas novas equipas isso conseguir atrair, mas penso que está a seguir, de certa forma, uma boa direção”, afirmou, em declarações feitas à Autosport portuguesa no fim de semana do Rali de Portugal, onde terminou na nona posição.

Confrontado com a possibilidade de um maior equilíbrio entre Rally2 e os futuros carros de 2027 poder abrir novas perspetivas competitivas, Sesks insistiu na necessidade de esperar pela formulação final do regulamento. “Vamos ver como ficam os regulamentos e tudo o resto, temos de esperar por isso”, disse.


Sesks irá fazer o Rally Scandinavia, na Suécia, a bordo de um Skoda Fabia RS Rally2, dentro de uma semana, antes de regressar ao Ford de Rally1 no inicio do verão. 

WRC: Ogier admite pendurar o capacete no final da temporada


O francês Sebastien Ogier admite que a temporada de 2026 poderá ser a última no WRC. O piloto francês de 42 anos, vencedor de nove campeonatos, o último dos quais em 2025, pela Toyota, admitiu durante o fim de semana do rali de Portugal, que a presente temporada, a última dos Rally1, poderá ser a sua última no escalão principal do Mundial de Ralis, embora sublinhe que ainda não tomou uma decisão definitiva, preferindo manter o foco competitivo antes de decidir o futuro.

Quero dar a mim próprio um pouco mais de tempo. Já disse recentemente que, neste momento, provavelmente vejo que esta pode ser a última, mas quero mesmo assim ter mais algum tempo para pensar e tomar uma decisão”, afirmou em declarações à Autosport portuguesa.

Ogier afirma que gostaria de voltar a explorar outras vertentes do automobilismo, e deu como exemplo a sua passagem pelas corridas de resistência, onde admitiu ter guardado uma impressão positiva dessa experiência. “Toquei um pouco nas corridas de endurance há alguns anos e houve uma parte de que gostei, por isso penso que provavelmente, sim, talvez ainda faça algumas corridas de circuito, mas não há nenhum plano definido”, afirmnou.

Questionado sobre a chance de ir para um papel de dirigente, Ogier afastou esse cenário a curto prazo, embora sem o excluir totalmente. “Não, num futuro próximo, mas a longo prazo talvez isso possa acontecer um dia. Mas, se decidir parar de conduzir, será para ter mais tempo para mim e para a família”, explicou.

Ogier é sexto no campeonato de pilotos, com 67 pontos e uma vitória nesta temporada, no Rali Islas Canárias. O WRC continua no final do mês, em terras japonesas.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

As imagens do dia (II)





Nos anos 60 do século XX, o começo do campeonato era muitas vezes começava no Mónaco, e a temporada de 1961 não era excepção. Com os novos regulamentos para essa temporada a entrarem em vigor, com os motores de 2,5 litros a serem substituídos pelos motores de 1,5 litros, normalmente quem estava melhor preparado era a Ferrari, com os seus motores. E com o seu novo chassis, batizado de "Nariz de Tubarão" (Sharknose) com duas pequenas entradas de ar na frente dos seus carros, a Scuderia iria inscrever três carros para os americanos Phil Hill e Richie Ginther, e o alemão Wolfgang von Trips.

A Cooper estava mais atrasada - estava a desenhar o seu carro e ainda por cima, iria tentar a sua sorte em Indianápolis - logo, não iria ser um dos favoritos ao título. A BRM ou a Porsche poderiam ser as equipas que iriam tentar o contra-ataque, mas alguns olhavam para a Lotus, calmamente, construía os seus chassis, adaptando o motor Climax, que era aquele que fornecia a todas as equipas que não faziam os seus motores. 

Mas a Lotus não construía os seus chassis para eles mesmos, também vendia alguns. Rob Walker, herdeiro do whisky Johnny Walker, tinha montado há alguns anos a sua Rob Walker Racing, pintando os seus carros de azul com uma faixa branca, e tinha um piloto "fetiche" nas suas fileiras: Stirling Moss. Desde 1958 que, primeiro com chassis Cooper, e a partir de 1960, com chassis Lotus, Moss tinha dado à equipa cinco vitórias, entre elas o GP da Argentina de 1958, a primeira com um motor na parte traseira do carro, e o GP do Mónaco de 1960, o ano anterior, com um Lotus. E em ambos os casos, ganhou antes das primeiras vitórias oficiais de ambas as equipas!

Com 21 pilotos inscritos, a Lotus oficial passava por dificuldades quando na qualificação, com o escocês Innes Ireland bateu no muro e partiu a perna direita, impedindo-o de correr no resto do fim de semana. Moss conseguiu a pole-position, e a seu lado tinha o Ferrari de Richie Ginther. Moss sabia que em termos de competividade, era inferior aos Ferrari, mas contava com o traçado da pista e a sua habilidade para contrariar o favoritismo de Maranello. 

O dia da corrida acabou por ser primaveril... mas quente. Sabendo disso, Moss pediu aos mecânicos para que tirassem os painéis laterais do seu carro para que pudesse entrar um fluxo de ar fresco e pudesse estar totalmente relaxado e concentrado na corrida. Imaginam isto acontecer hoje em dia? 

Apesar de tudo, na partida, Ginther largou melhor e fez a primeira curva na frente, com Jim Clark e Moss logo atrás. Contudo, Moss livrou-se rapidamente do escocês que guiava o carro oficial, e foi à partida de Ginther. E teve sorte: a bomba de combustível do seu Ferrari estava com defeito e na volta 14, passou-o e ficou com o comando da corrida. Logo atrás vinha o Porsche do sueco Jo Bonnier, que vinha rápido e iria passar Ginther, que lutava contra um carro não muito colaborante. No meio disto tudo, Moss ia-se embora e já tinha dez segundos de vantagem, por alturas da 33ª volta, numa corrida com cem voltas à pista.

Contudo, as coisas no carro de Ginther parecem se resolver por elas mesmas e começa a apanhar a concorrência, especialmente Bonnier. Primeiro Hill - que tinha passado o seu compatriota Ginther - depois o próprio Ginther, passam o piloto sueco, e depois partem em perseguição de Moss. Conseguem diminuir a diferença para oito segundos a meio da corrida, e para três no final da volta 60, prometendo um duelo na parte final. Ginther passaria Hill para ser segundo, e foi ao ataque de Moss.

As voltas finais foram, realmente, um duelo, mas à distância. É que Moss conseguia aproveitar bem o circuito para andar ao mesmo ritmo dos pilotos da Ferrari, apesar da diferença de potência entre ambos os carros. Aliás, ambos os pilotos fizeram o mesmo tempo nas suas voltas mais rápidas: 1.36,3 segundos, e ambos uma volta a seguir ao outro: o americano na volta 84, o britânico na 85ª passagem pela meta. 

No final, a diferença entre ambos acabou por ser de 3,6 segundos, e Moss conseguia, ali, a sua 15ª vitória na Formula 1, o piloto britânico mais vencedor de sempre, e a sua terceira vitória nas ruas do Principado, a segunda seguida. Tudo isto numa pilotagem de génio, onde a inteligência se sobrepôs à potência. Aliás, hoje em dia, os especialistas afirmam que este poderá ter sido, provavelmente, a mais brilhante demonstração de pilotagem do britânico.  A Ferrari ficou com as três posições seguintes, mostrando que eram os melhores, mas não ocupavam a posição mais cobiçada. 

As imagens do dia





O dia 14 de maio de 1986 calhou ser uma quarta-feira. Se poderia ser um agradável dia de primavera em Paul Ricard, no sul de França, em termos automobilísticos, as coisas estavam bem agitadas. O inicio do ano tinha começado mal a 15 de janeiro com a morte de Thierry Sabine, o fundador do Paris-Dakar, vítima de um acidente de helicóptero, e quase dois meses depois, a cinco de março, quando o Ford RS 200 de Joaquim Santos entrou no meio de uma multidão na Serra de Sintra, nas primeiras classificativas do Rali de Portugal, matando três espectadores. Os pilotos de fábrica tinham boicotado o resto do rali, afirmando que era demasiado perigoso, e quem lera o comunicado oficial tinha sido o finlandês Henri Toivonen, piloto da Lancia e vencedor do Rali de Monte Carlo, no final de janeiro desse ano.

Contudo, duas semanas antes, a 2 de maio e em plena Volta à Córsega, o mundo ficava ainda mais chocado quando o mesmo Toivonen, e o seu navegador, o italo-americano Sergio Cresto, morriam quando o seu Lancia Delta S4 se despistava na 18ª especial, e pegava fogo, não dando chances de fuga a ambos. A Lancia, chocada, decide abandonar o rali de imediato, e movimentações para acabar com o Grupo B por parte da FISA tinham sido efetuadas. O automobilismo estava nas primeiras páginas, e pelas piores razões.

A Formula 1 estava um pouco mais tranquila, mas toda a gente sabia que o automobilismo era perigoso, embora não acontecia um acidente fatal há quase quatro anos, quando Riccardo Paletti tinha morrido na partida do GP do Canadá de 1982, depois de ter batido na traseira do Ferrari de Didier Pironi. E este, alguns meses depois, tinha sofrido um acidente que terminaria com a sua carreira, nos treinos do GP da Alemanha, em Hockenheim, quando ficou com fraturas graves em ambas as pernas e estava a passar por uma longa reabilitação.

O teste era uma preparação para o GP de França, que só aconteceria em julho. Ele tinha andado na pista no dia anterior, e naquele 14 de maio, iria fazer a mesma coisa, para afinar o carro e tentar melhorá-lo para também melhorar os resultados que estavam a ter até aquele momento. 

Estes testes não eram vistos por muita gente, não é como agora. Logo, não há ninguém que tenha visto o acidente no seu todo, excepto dois mecânicos da Benetton, que estavam a instalar um controlo intermédio de tempo, e que viram a parte final do acidente. No "S" de La Verriére, logo depois da meta, a mais de 225 km/hora, a asa traseira cedeu e o carro número oito capotou algumas vezes e foi parar fora dos guard-rails, ficando de cabeça para baixo, prendendo o piloto italiano. Instantes depois, o carro pegou fogo, que foi extinto em pouco tempo.  

Alguns pilotos, como Nigel Mansell, Alan Jones e Alain Prost pararam logo a seguir, para o tentar tirar do carro, mas as tentativas foram infrutíferas. Chegou uma ambulância e alguns socorristas - que estavam ali, por acaso, a fazer treinos para o GP de França - e conseguiram retirar o piloto do carro. Uma câmara de televisão, que estava presente para filmar os testes, captou o momento em que ele foi retirado. 

Socorrido de imediato, descobriram a gravidade dos ferimentos e chamaram um helicóptero, que não estava naquele momento. O socorro demorou quase uma hora, até chegar a Marselha, onde exames mais aprofundados descobriram que ele tinha ficado sem ar, porque o "santantônio" tinha-se afundado ao ponto de ele ter ficado preso, sem possibilidade de respirar, porque em termos físicos, não tinha sofrido mais do que um ombro deslocado e algumas queimaduras ligeiras. 

"Foi uma série de curvas quase planas, mas não totalmente, depois da saída das boxes", recordou Gordon Murray numa entrevista em 1996, uma década depois desse fatídico dia. "Tínhamos tido um grande acidente um ano antes, com François Hesnault. E Elio sofreu exatamente o mesmo embate, exatamente no mesmo sítio.", continuou.

"O principal problema era não conseguir virar o carro. Como não estava gravemente ferido, poderia ter sido rapidamente retirado se o fogo tivesse sido controlado. Cheguei muito depois dos mecânicos e não conseguimos chegar perto do carro por causa do fogo. Quando o carro dos bombeiros finalmente chegou, muito tarde, a mangueira soltou-se. Foi totalmente desnecessário, essa é a pior parte."

Quem ajudou nas operações de socorro foi gente como Tyler Alexander, que em 1986 trabalhava na Lola-Haas, que testava naquela pista, ao lado da McLaren, Williams e Brabham. E o seu testemunho, contado anos depois a Adam Cooper, foi de alguma impotência.

"Havia uma grande nuvem de fumo negro", começou por contar. "Ninguém parecia estar a fazer nada, por isso, pegámos em alguns extintores nas boxes e fomos até lá. Alguns pilotos estavam a regressar a pé. Tinham-se afastado porque o fogo era muito grande. Mas o fogo estava na parte de trás do carro. Robin Day [da Brabham], John Barnard e eu virámos o carro para trás. Quase fui atingido no olho por um pedaço da suspensão, fiquei com um olho negro e estávamos todos cobertos com aquele maldito pó [da fibra de carbono]. E o Elio estava simplesmente sentado no carro."

Quando resgataram De Angelis do carro, o seu estado já era muito grave. O coração tinha parado e foram feitas manobras de ressuscitação. Alexander contou depois que um jovem médico lhe deu uma injeção de adrenalina, que fez o coração retomar a sua marcha.

"Tiramos-lhe o capacete e realmente não tínhamos a certeza do seu estado", disse Alexander. "Ali estava aquele tipo sem absolutamente nada de errado com ele, tanto quanto podíamos ver – não havia sangue, nada. Havia connosco um jovem médico, que não falava inglês, e no fim pegou numa seringa grande e enfiou-a no peito. Finalmente, chegou um helicóptero, com alguns paramédicos. Verificaram o pulso dele e tudo mais, e o cateter estava a mexer. Levamos a maca até ao helicóptero.", concluiu.

No hospital, De Angelis era tratado pelos mesmos médicos que tinham socorrido Frank Williams, cerca de dois meses antes. Herbie Blash, que não estava em Paul Ricard naquele dia, foi chamado urgentemente para o sul de França e quando chegou, viu Nigel Mansell, em lágrimas, a dizer que o seu estado era muito grave. "Entrei num carro alugado e fui para o Ricard. Depois, fiquei no hospital até ao fim."

O final foi na manhã de 15 de abril de 1986. Elio de Angelis tinha 28 anos e a causa da morte oficial tinha sido a falta de oxigenação no cérebro. E tinha sido a primeira morte na Formula 1 em quase quatro anos desde outro italiano, Riccardo Paletti, durante o GP do Canadá de 1982.