domingo, 30 de agosto de 2026

As imagens do dia



Parece que o cinema descobriu o automobilismo. Digo isto porque neste domingo, decorreram umas filmagens bastante interessantes no Mónaco: aparentemente, é a prequela do "Ocean's Eleven", cuja ação acontece em 1962, e seria um assalto ao Casino do Mónaco durante o fim de semana do Grande Prémio. Uma corrida que, na realidade, foi ganha pelo Cooper de Bruce McLaren, o aniversariante deste dia. Coincidências. 

Tudo isto acontece no fim de semana em que se soube que o segundo filme do "Days of Thunder" (Dias de Tempestade, na versão portuguesa) foi confirmado que terá a sua estreia no verão de 2028, com um video com Tom Cruise e Anne Hathaway, com uma predominante barriga de grávida, em Daytona. Assim sendo, acontecerá 38 anos depois da primeira versão, também com Cruise como ator principal.

E - esta parte nem sabia - mas dentro de algum tempo, haverá um filme sobre a história dos irmãos Maserati, que fundaram e mantiveram a marca com o mesmo nome, enquanto faziam nome no automobilismo italiano e europeu. E no elenco estão Anthony Hopkins e Al Pacino.

É evidente que nem todos estes filmes tem o automobilismo como tema - a tal prequela mostra isso - mas ver Hollywood pegar no tema e fazer deles filme, pelo menos nos últimos tempos, parece ser sinal de que eles poderão estar a ver isto como mais um lugar onde podem conseguir mais dinheiro. Contudo, há algo que tem de ser dito. Um deles irá seguir o mesmo caminho do "Top Gun" - mesmo ator, mesmo produtor (Jerry Bruckheimer), pois como disse em cima, o primeiro filme foi em 1990, e este aparecerá em 2028. Lá porque o "Top Gun: Maverick", se tornou num filme que deu receitas superiores a mil milhões de euros, não tem de dizer que todos os outros seguirão o mesmo caminho.

Aliás, é muito provável que estes dois filmes se estrearem no final da década, altura em que se prevê a estreia da sequela do bem-sucedido "F1", de 2025, com Brad Pitt no principal papel. Se assim for,a será uma temporada bem interessante.

Eu suspeito que estamos no inicio de uma tendência semelhante ao que aconteceu a todos estes filmes de superheróis da Marvel ou DC, ou então os vérios "spinoffs" do Star Wars: toca a apertar as tetas da vaca só porque dá lucro. As pessoas fartar-se-ão e irão embora, seja da sada de cinema, seja do sofá de algum Netflix, Apple TV, Amazon Prime ou outro canal qualquer. 

De resto, vamos a ver no que isto dará, e até que ponto isto terá êxito. E claro, o que interessa para mim é ver que o automobilismo tem agora a atenção de Hollywood.

WRC 2026 - Rali do Paraguai (Final)


O finlandês Sami Pajari venceu o seu terceiro rali consecutivo e agora se tornou no principal desafiante a Elfyn Evans na corrida ao título mundial do WRC de 2026. O piloto da Toyota ganhou com uma vantagem de 25,8 segundos sobre Hayden Paddon, no seu Hyundai, de 40 segundos sobre Adrien Formaux, e de 45,1 segundos sobre o Toyota de Elfyn Evans, que sai de terras paraguaias como líder do campeonato. Tudo isto num dia onde a penúltima especial foi cancelada, o que ajudou muito na manutenção da liderança por parte do finlandês, que ganhou o rali da Estónia e da Finlândia, todos neste verão.

"Isso soa incrível, realmente bom! Um grande obrigado à equipa. Não foi um rali fácil. Não é fácil para os pilotos e também não é fácil para a equipa. Construir um carro tão fiável é a chave para o sucesso. É realmente bom. Estamos tentando fazer o nosso melhor no campeonato e não está indo tão mal também. Tudo é possível - só precisamos continuar pressionando.", disse o piloto finlandês.

O último dia tinha cinco especiais à espera dos pilotos: passagens duplas por Encarnacion e Artigas - a segunda passagem iria ser a Power Stage - e a passagem única por Arteagas Sur. E o dia começava com Sebastien Ogier a ganhar na primeira passagem por Encarnacion, 0,6 segundos na frente de Thierry Neuville, 1,9 sobre Takamoto Katsuta, 5,1 sobre Oliver Solberg e 7,4 sobre Adrien Formaux. 

Solberg ganhou na especial seguinte, 1,3 segundos na frente de Formaux, 1,4 sobre Ogier, 1,5 sobre Neuville e 2,8 sobre Sami Pajari. Josh McErlean tinha problemas com a caixa de velocidades e perdia 39,2 segundos. 


O sueco voltou a ganhar, na 20ª especial, 1,5 segundos na frente de Sebastien Ogier, dois segundos sobre Formaux, 2,1 sobre Pajari e 2,7 sobre Elfyn Evans. Quem tinha o carro danificado era Jon Anderson, que atingiu um obstáculo que não tinha a parte traseira esquerda. "Havia muito menos aderência do que esperávamos e tocamos o banco com a traseira esquerda.", disse o irlandês, no final da especial.

Evans também se queixa, mas de não ter ritmo: "Parece que não consigo encontrar o mesmo ritmo que tinha no início do fim de semana, vamos continuar tentando até o final.", afirmou.


A 21ª especial acabou por ser cancelada depois do acidente de Takamoto Katsuta, que capotou e bateu contra um poste de comunicações. Este foi suficientemente forte para que ele e o seu navegador, Aaron Johnson, fossem evacuados de helicóptero para o hospital, por precaução.

E com isto, ia-se para a Power Stage, onde Solberg conseguiu ser o melhor, 2,2 segundos na frente de Sebastien Ogier, 3,5 sobre Adrien Formaux, 4,8 sobre Elfyn Evans e 6,5 sobre Thierry Neuville.

"Este parece um verdadeiro pódio! Sente-se tão bem quanto uma vitória, porque muitas pessoas nos descartaram e pensaram que a Hyundai fez uma piada ao nos contratar. Muitas pessoas acreditam em mim e eu acredito em mim mesmo. Ainda podemos ser competitivos e mais quando aprendermos o carro", disse Hayden Paddon, que consegue o seu segundo pódio nesta temporada.

Em contraste, Elfyn Evans não estava contente: "O fim de semana começou bem, mas depois não conseguimos entrar em um ritmo melhor. Não estou realmente feliz.", comentou no final da Power Stage. 

Depois dos quatro primeiros, quinto foi Oliver Solberg, a 2.57,0, seguido pelo Ford Puma Rally1 de Josh McErlean, a 4.19,0. Sétimo foi o melhor dos Rally2, o paraguaio Diego Dominguez, a 7.40,5. Gus Greensmith acabou em oitavo, a 8.03,2, e a fechar o "top ten", ficaram o Toyota GR Yaris Rally2 de Alejandro Galanti, a 10.23,0, e o Skoda Fabia RS Rally2 do australiano Taylor Gill, a 10.36,9.

O WRC continua dentro de duas semanas, em terras chilenas, entre os dias 10 e 13 de setembro.

sábado, 29 de agosto de 2026

A imagem do dia





E bastaram três corridas para que o campeonato de 1976 estivesse mais que lançado. 

Com Niki Lauda em casa e a recuperar dos seus graves ferimentos, a McLaren sentiu o pânico da Ferrari e atacou forte e feio a liderança do campeonato. James Hunt ganhara o GP da Alemanha, em Nurburgring, e duas corridas depois, em Zandvoort, era o vencedor do GP dos Países Baixos, conseguindo resistir à carga final do Ferrari de Clay Regazzoni, que tinha feito de tudo para impedir a sua vitória. 

E quando faltavam quatro corridas para o final do campeonato, faziam-se contas desde a última vitória de Lauda, em Monte Carlo: em seis corridas, Lauda conseguira dez pontos, enquanto Hunt tinha obtido... 39 pontos!

Claro, o resultado de Brands Hatch ainda estava pendente, pois a Ferrari tinha apelado para a FIA no sentido de desclassificarem Hunt por ter infringindo as regras na partida da corrida britânica. Mas isso ainda iria demorar, e apesar de Lauda já ter saído do hospital e recuperava na sua casa, a Ferrari estava a entrar em pânico perante esta forte recuperação de um Hunt fortemente focado na sua condução e tentando ser disciplinado, para depois... desabafar (ou festejar) as suas vitórias.

Mas a corrida de Zandvoort, onde Hunt conseguiu a sua liderança a Ronnie Peterson na volta 12 e não mais largou, apesar do assédio de Regazzoni, mostrou que quer ele, quer a McLaren, não poderiam ser uma força a ser menosprezada. E que não se poderia fazer contas de modo antecipado, nem declarar campeões enquanto a matemática não bater certo. 

E de um campeonato aborrecido, agora, tornava-se algo digno de ser seguido nas televisões. E dali a duas semanas, a Formula 1 chegava à casa da Ferrari.    

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Youtube Motorsport Video: O trailer de "Os irmãos Maserati"

Inesperadamente, soube da existência de um trailer de um filme que fala da história dos irmãos Maserati, que fundaram a marca com o mesmo nome, e conseguiram sucesso entre os anos 20 a 50 do século XX. Está cheia de atores de primeira linha, mas o produtor é o mesmo que fez "Lamborghini", e esse filme não é das melhores coisas que já vi, confesso...

E suspeito que usaram e abusaram do IA nas cenas de corrida. Mas vejam por vocês mesmos. 

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

As imagens do dia





Agosto tinha sido um mês complicado para a Ferrari. Primeiro, o seu acidente com Niki Lauda, em Nurburgring. Depois, no dia 4, a decisão da RAC britânica de manter a decisão dos seus comissários em relação â polémica do GP da Grã-Bretanha, onde o McLaren de James Hunt tinha sido recolocado na pista depois do acidente na primeira volta, e do qual a Scuderia achava que era ilegal, no dia seguinte, tinha anunciado que iria tirar os seus carros do resto da temporada. 

Muitos sabiam que isto era típico de Enzo Ferrari. As suas manobras de intimidação eram já lendárias, e o pelotão da Formula 1 já conhecia a lenga-lenga. Eles cumpriram a ameaça, ao não ir ao GP da Áustria - tentaram até que a corrida fosse cancelada! Mas não conseguiram.

Poucos dias depois, a Ferrari achou que a manobra pudesse ter ido longe demais. Nos dias seguintes, em Maranello, Ferrari reuniu-se com os presidentes do Automobile Club Italiano e do presidente da CSAI, o Comité Olímpico Italiano, que reunia todas as modalidades, incluindo o automobilismo. No final, decidiu-se que a Ferrari iria regressar, em trocas de certas reformas no regulamento, e a 23 de agosto, a Ferrari lançava um comunicado oficial afirmando que iria participar no GP dos Países Baixos, apenas com Clay Regazzoni ao volante. 

No meio destes azares, uma boa noticia: Lauda já tinha saído do hospital e iria recupera na sua casa de férias, em Ibiza. Ainda não se sabiam duas coisas: se o austríaco iria poder voltar a guiar um carro, e quem o iria substituir. E isso era uma novela à parte. 

Depois de Ferrari ter sondado alguns pilotos - Emerson Fittipaldi, Jacky Ickx - para correram no lugar de Lauda, parecia que o escolhido iria ser o argentino Carlos Reutemann. Então piloto da Brabham, e visivelmente insatisfeito com o carro dessa temporada, agora com motor flat-12 da Alfa Romeo, quando viu essa oportunidade, decidiu ir embora. Chegou até a anunciar a sua saída, mas poucos dias depois, decidiu voltar atrás na decisão, e iria correr em Zandvoort. Rolf Stommelen, que tinha sido anunciado como seu substituto, acabaria por correr num carro da Hesketh. 

Mas alguns dias antes da corrida neerlandesa, outro problema físico: Clay Regazzoni lesionou-se no pulso numa partida de ténis e a sua presença chegou a estar em dúvida. Em repouso, e com o pulso protegido, ele recuperou a tempo de participar na corrida. Um susto, mas com final feliz. E pronto para tirar o maior número de pontos possível a James Hunt. 

E a McLaren? Bom, parecia que iria testar um novo chassis. Mas não era com Hunt, e era com Jochen Mass. Mas sobre isso, haverá um post à parte. 

Noticias: FIA irá liberalizar motores no WRC em 2029


A FIA considera seriamente uma liberalização na motorização no WRC no final da década. A entidade suprema do automobilismo quer que a partir da temporada de 2029, os construtores tenham a liberdade de escolher o tipo de motor nos seus carros, sejam a combustão, híbridos ou elétricos. Segundo conta hoje o site dirtfish.com, a partir de 2029, existe uma forte vontade por parte da FIA para que os engenheiros das construtoras deixem a imaginação correr livremente na conceção de novas soluções de motorização.

Malcom Wilson, vice-presidente da FIA para o WRC, confirmou esta abertura: “Estamos abertos [em termos de nova tecnologia] a partir de 2029.” O responsável explicou ainda o objetivo estratégico por detrás desta flexibilidade: 

O objetivo é fazer com que seja de tal forma que o construtor tenha de estar no WRC. Queremos torná-lo eficaz em termos de custo, proporcionando um retorno do investimento, para que os construtores tenham de estar aqui. Não queremos ter de forçar o interesse, tem de se tornar uma escolha óbvia.

Essa flexibilidade não é inédita, pois já existe no Todo-o-Terreno, com bons resultados, e Wilson quer o mesmo para o WRC, afirmando que este tipo de flexibilidade será uma inevitabilidade.

Temos essa [flexibilidade] no TT. Temos diesel, temos V6, temos V8, temos turbocompressor, e funciona.”, começou por afirmar. “Temos de aceitar que não vai ser como tem sido nos últimos cem anos. É um mundo em mudança. Como disse, se alguém quiser vir com híbrido, hidrogénio, elétrico, estamos abertos.”, concluiu.

Xavier Mestelan Pinon, diretor técnico da FIA, tem estado em conversações nos últimos meses com alguns construtores de veículos elétricos, e admite que essa solução poderia funcionar, desde que fossem feitas revisões ao itinerário das provas. 

Um EV total para uma aplicação no WRC, não é completamente louco, exceto o facto de que é preciso carregar entre dois troços. Mas um EV total, com a potência atual, estamos a falar de 300 cavalos mais ou menos, para etapas de cerca de 30 ou 35 quilómetros, não é um problema. Com uma bateria de cerca de 40 quilowatts, é possível fazer facilmente uma etapa de 35 quilómetros mais 100 quilómetros de secção de estrada. Por isso não é um desafio. O pior para um carro EV total é a autoestrada. Aceleração total durante longos períodos. Mas no rali não é [assim].”, explicou.

Por isso é viável. É só o facto de que, se quisermos fazer isso, precisamos de colocar algumas estações de carregamento em algum ponto do percurso. Mas é mais uma questão do que é melhor para o rali.”, concluiu.


Xavier Mestalen Pinon explicou ainda a filosofia geral da FIA na escolha das melhores tecnologias para cada categoria do desporto motorizado: 

Do lado da FIA, temos um portfólio muito amplo. Por isso, o que tentamos propor é a melhor tecnologia para cada aplicação. É por isso que hoje, para as corridas de resistência, por exemplo, não seguimos a via elétrica, claro — o que sugerimos para o futuro [das corridas de resistência] é usar hidrogénio. É uma das soluções.", começou por explicar. 

"Para a Formula 1 hoje, está acordado, talvez motor de combustão interna total com uma certa quantidade de combustível no futuro. Por isso sim, precisamos de identificar a melhor opção. Para o rali, sim, precisamos de medir corretamente qual é a melhor. Se novos construtores pensarem que é uma solução interessante, novamente, estamos abertos a discutir isso. O carro está desenhado para isso. A diversidade é algo bom no desporto motorizado, seja no TT, seja no WEC ou no Campeonato Mundial de Rali. Precisamos de ser ágeis no nosso regulamento, abertos o máximo possível à flexibilidade. Porque, para ser honesto, saber exatamente qual vai ser a solução dentro de dez anos, é impossível. Não há solução mágica.”, concluiu.

Estas declarações poderão fazer acelerar algumas das ideias que alguns construtores têm para poderem participar no WRC. A Toyota está há muito tempo a desenvolver tecnologia para colocar carros a hidrogénio na Endurance, e poderá querer trazer essa tecnologia para os ralis. E a Opel colocou no mercado um carro totalmente elétrico para os ralis, o Corsa GSE, tendo inicialmente utilizado infraestrutura de carregamento personalizada para apoiar o seu campeonato de marca única no lançamento.

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

WRC: O que as equipas esperam do rali do Paraguai


Nas vésperas do rali do Paraguai, a primeira de duas provas que acontecerão em solo sul-americano, com o segundo rali a ser no Chile, cerca de duas semanas depois. As três equipas com carros na categoria Rally1 - Toyota, Hyundai e M-Sport (Ford), cada um tem objetivos diferentes para esta prova. E para a Toyota, com os seus cinco pilotos nos cinco primeiros lugares, este poderá ser a primeira chance de ganhar o título mundial de construtores pela sexta vez consecutiva, pois tem uma vantagem de 174 pontos sobre a Hyundai.

E mesmo que tenha Elfyn Evans com um avanço de 30 pontos sobre Sami Pajari, segundo classificado após vencer as duas últimas provas, Estónia e Finlândia, o campeonato é um "affaire" entre os pilotos da Toyota. 

O diretor de equipa adjunto da Toyota Gazoo Racing, Juha Kankkunen, destacou o entusiasmo do grupo para esta fase decisiva: 

Estamos entusiasmados por entrar nesta última parte da temporada com tudo ainda por decidir. No Paraguai teremos a nossa primeira oportunidade de assegurar o título de construtores, mas não esperamos que seja fácil.", começou por afirmar o tetracampeão do mundo de ralis. 

"Descobrimos no ano passado, quando realizámos este rali pela primeira vez, quão desafiantes podem ser as estradas e as condições no local. Vimos também muita paixão e apoio, como parece acontecer sempre na América do Sul, pelo que estamos ansiosos por regressar. Com os nossos pilotos a correrem igualmente para as suas próprias ambições no campeonato e com os nossos concorrentes indubitavelmente motivados para tentar vencer-nos, estou certo de que esta será mais uma edição emocionante de acompanhar.”, concluiu.

Do lado da Hyundai Motorsport, procura em terras paraguaias dar a volta ao resultado do Rali da Finlândia, onde Adrien Fourmaux e Thierry Neuville terminaram nas quarta e quinta posições. A equipa sul-coreana pretende transformar o ritmo demonstrado em lugares de pódio no regresso às pistas sul-americanas.

O diretor desportivo da Hyundai Motorsport WRC, Andrew Wheatley, perspetivou o evento sublinhando o trabalho de desenvolvimento no i20 N Rally1 Evo: 

A Finlândia foi um caso de ‘e se’, com o tempo desafiante a alterar o resultado do evento. Temos de colocar isto para trás das costas, voltar a focar-nos nos pontos positivos e olhar para os próximos dois ralis com confiança.", começou por afirmar Wheatley. 

"A equipa foi rápida em 2025, tanto no Paraguai como no Chile, mas sofreu com pequenos problemas que impediram a vitória. Doze meses depois, sabemos que o trabalho árduo que a equipa fez na preparação pré-evento e na afinação rali a rali para a versão Evo do i20 N Rally1 significa que o ritmo demonstrado nos troços de terra dura no Quénia, Portugal e Grécia, além da confirmação de que estamos próximos da velocidade de ponta pretendida para os troços de terra rápidos e suaves, deverá ajudar-nos a iniciar o Paraguai com uma atitude positiva." continuou. 

"Como sempre, lutar pela vitória contra uma forte concorrência significa não cometer erros, mas temos três equipas que podem lutar pelo pódio.”, concluiu.

Do lado da M-Sport, diretor de equipa, Richard Millener, evidenciou a expetativa em torno da deslocação ao continente sul-americano: 

Temos umas semanas entusiasmantes pela frente, a começar pelo Rally del Paraguay na próxima semana. Este evento impressionou-nos a todos no ano passado na sua estreia, e estou certo de que não deixará de nos impressionar novamente com outra cerimónia de abertura deslumbrante e algumas classificativas verdadeiramente interessantes.", começou por referir, antes de falar das expectativas que tem dos seus pilotos. 

"O Josh [McErlean] tem uma experiência sólida do ano passado que lhe trará muitos benefícios, e o Jon [Anderson] estudou muito os troços para se preparar. Como equipa, penso que podemos reunir muito conhecimento para entregar desempenhos fortes no Paraguai e no Chile. As próximas semanas vão exigir muito de todos, equipas e membros da estrutura, mas é um enorme prazer competir nestes eventos consecutivos na América do Sul. Vamos ver que aventuras nos aguardam.”, concluiu.

O rali do Paraguai será feito em pisos de terra, terá 22 especiais cronometradas, no total de 358.88 quilómetros.

Latvala está em sarilhos


Aos 41 anos, o finlandês Jari-Matti Latvala fez a transição de piloto de ralis muito rápido - e por vezes a acabar na valeta - para ser o responsável da Toyota Gazoo Rally (TGR), a equipa de rali mais bem sucedida da atualidade. Em 2026, ao lado do seu adjunto, Juha Kankkunen, tem uma super-equipa com cinco pilotos na classe Rally1, e tudo aponta que ele ganhará o campeonato, quer de pilotos - todos estão nos cinco primeiros lugares - quer de Construtores. E já trabalha no que poderá ser o carro de 2027, que correrá segundo das novas regras da FIA para os ralis. 

Contudo, se no trabalho, as coisas estão muito bem, pessoalmente, ele está em sarilhos. E estes são tão grandes que poderá colocar o seu cargo em risco. 

Segundo conta hoje a imprensa finlandesa, Latvala está em tribunal por alegada fuga fiscal, relativo ao tempo entre 2015 e 2018, quando, alegadamente, vivia no Mónaco, mas na realidade passava mais tempo na Finlândia. Resultado final? O estado processou-o por fuga aos impostos, e apesar de pagar o valor em causa, cerca de 4,5 milhões de euros, há um processo criminal cujo julgamento começa a 31 de agosto. E na pior das hipóteses, poderá passar até quatro anos na prisão.

E mesmo que tenha uma pena suspensa, ele receia que tenha de se demitir do seu cargo, porque isto ficaria no seu registo criminal, especialmente nos Estados Unidos e Japão, países onde costuma ir em trabalho.

"Nunca evitei conscientemente pagar impostos. Também não vivi no Mónaco para evitar o pagamento de impostos. As razões foram outras. Sempre paguei os meus impostos dentro dos prazos. Também paguei a minha dívida fiscal o mais rapidamente possível", afirmou, numa entrevista ao jornal Ilta-Sanomat.

Em suma, a não ser que seja considerado inocente, os seus dias na TGR poderão estar contados. Resta esperar pelo desfecho do caso.

terça-feira, 25 de agosto de 2026

As imagens do dia




Há 35 anos, em Spa-Francochamps, a Jordan poderia ter tido um dia de sonho. Com os seus carros nas melhores posições da grelha, e com o nome de Michael Schumacher nas bocas do mundo, as expectativas eram grandes. Contudo, logo na primeira volta, e no inicio da reta Kemmel, o piloto alemão tinha encostado o seu carro na berma, vitima de uma embraiagem defeituosa.

No primeiro caso, Schumacher arrancou bem, ao conseguir subir dois lugares em La Source, passando o Ferrari de Jean Alesi e o Benetton de Nelson Piquet. Ia atrás de Gerhard Berger quando, na subida para o Radillon, ele ficou sem poder trocar de marchas e encostou à berma, desiludindo todas as expectativas que existia sobre ele. 

Anos depois, Gary Andersson disse que o culpado foram dois: o material que não aguantou os primeiros metros da corrida, e... Gerhard Berger. 

O motor que tínhamos na altura, o Cosworth HB, tinha um pequeno problema na cambota e tivemos de usar uma embraiagem de carbono de disco único porque a de disco duplo – que era a peça mais robusta na altura – era um pouco pesada demais e a cambota sofria com isso”, começou por explicar Anderson.

Embora a embraiagem de disco único fosse “sólida por si”, dizia Anderson, ela dependia de um cubo de alumínio que a fornecedora AP Racing tinha acabado de substituir por um modelo de titânio. Mas segundo ele, a Jordan “não tinha dinheiro para comprar os de titânio”, pelo que acabou por ficar com um conjunto de cubos de alumínio que a Williams tinha devolvido quando os de titânio ficaram disponíveis.

Em 1991, tínhamos de nos desenrascar como podíamos”, começou por contar Anderson. “Então, conseguimos estes novos cubos de alumínio para o Spa e, a partir daí, foi um pouco de ingenuidade. Não tínhamos noção da carga extra que o arranque em subida em Spa iria colocar na embraiagem e que precisaríamos de utilizar mais a embraiagem.”, continuou.

E o papel do Gerhard Berger nisto tudo? Ele passou por La Source a uma velocidade baixa, o que obrigou a travar e a reengatar, que colocou todo o sistema em stress, e, frágil, quebrou.

"Ele contornou a primeira curva com a embraiagem desengatada e, mais ou menos, fez outro arranque, o que deu cabo do carro", conta Anderson. "O cubo de alumínio, o disco simples, o arranque em subida, dois arranques quase simultâneos... tudo isto se somou e derreteu o cubo de alumínio. Fim da história.", concluiu.

Mas havia mais, e tinha a ver com o outro piloto da Jordan, Andrea de Cesaris. O veterano italiano, completamente colocado de parte por causa do "hype" de Schumacher, largou de 11º da grelha, e aos poucos, começou a passar alguns pilotos, como o Benetton de Nelson Piquet, e aproveitou também a desistência de outros, como Nigel Mansell

E a poucas voltas do final, ele era segundo, graças à sua consistência. E com Ayrton Senna a ter problemas com a sua caixa de velocidades, nessa altura, estava a dois segundos e meio do brasileiro da McLaren. Mas o Jordan tinha os seus problemas: o motor HB Cosworth do piloto italiano tinha novos pistões e estes consumiam mais lubrificante que o habitual, e dentro da equipa, sabiam que poderia rebentar a qualquer momento. E foi o que aconteceu: na volta 41, fumo e chamas saíram do carro verde, com De Cesaris quase na traseira de Senna.

De repente, começámos a ter quedas na pressão do óleo [quando o carro] saía de Eau Rouge”, diz Anderson. “Isso nunca é um bom sinal. Sabíamos que era uma questão de tempo, mas o que fazer? Só nos resta manter o pé no acelerador.

E foi assim um fim de semana onde os holofotes estavam em cima da Jordan, uma das estreantes daquela temporada. O que poucos sabiam era que Jordan e Spa-Francochamps, no futuro, iriam estar entrelaçados de maneira mais forte que poderiam imaginar.  

WRC: FIA confirma três construtoras chinesas em conversações


A FIA confirmou esta semana que está a conversar com três construtoras chinesas, uma delas a Lynk e Co, dona da Polestar, a sua entrada no WRC a partir de 2027. Emilia Abel, a diretora de Desporto de Estrada da FIA, confirmou ao site dirtfish.com que manteve reuniões com construtores chineses durante o Rali Dakar, em janeiro, e afirmou que o seu interesse "era realmente impressionante".

Na mesma publicação, Malcom Wilson, o vice-presidente da FIA para o WRC,  assumiu abertamente a ambição de fixar a modalidade no gigante asiático através de uma equipa de fábrica e também de uma prova oficial no calendário: 

Queremos um construtor chinês. O promotor está ciente disso e estamos a trabalhar arduamente em conjunto. É um alvo claro. Estamos a olhar para um grande investimento [no WRC] e para uma forte investida no sentido de reduzir custos. Quanto ao rali, há dois grupos de pessoas a tentar organizar um evento na China.", começou por afirmar.

"Queremos ter uma prova lá. Sabemos que há trabalho a fazer, mas um dos aspetos realmente positivos para o WRC é que há muitos países interessados em acolher uma jornada do campeonato”, continuou,  acrescentando ainda uma meta pessoal: “Se conseguirmos ter seis construtores até 2029, ficaria muito feliz. Para mim, seria um grande progresso.”.

Xavier Mestelan Pinon,  Director Técnico da FIA, destacou a integração das construtoras nos comités internos da federação, e afirmou que mais construtores poderão se envolver num futuro próximo: 

No nosso Comité de Construtores, que reúne quase todos os fabricantes envolvidos em campeonatos mundiais, já temos três construtores chineses, o que é algo muito recente, e temos mais dois fabricantes em conversações connosco para se registarem. É um sinal de que os construtores chineses estão cada vez mais próximos do nosso campeonato”, explicou.

Na história dos ralis, apenas houve uma edição do rali da China, em 1999, ganho por Didier Auriol, no seu Toyota. Em 2016, o regresso esteve marcado, e uma prova surgiu no calendário, no final dessa temporada, mas acabou por ser cancelada devido aos severos danos provocados por tempestades e inundações.

Resta saber, caso haja luz verde por parte da Lynk & Co, se encomendará os chassis à M-Sport, que este ano tem construído os chassis da Ford na classe Rally1. Essa é uma hipótese que se fala desde o final do ano passado.  

Neste momento, a Toyota é a única construtora que confirmou estar no WRC 2027. Para além disso, outras duas preparadoras, a belga Project One e uma preparadora espanhola, apoiada por Teo Martin e pela federação espanhola de automobilismo, tem projetos em andamento. Quanto a outras marcas, a Ford quer os kits que servem para os Rally2, a Hyundai nada disse sobre a sua continuidade, mas a Lancia, que começou este ano a correr na classe Rally2, disse que tem intenção de fazer um carro com os novos regulamentos, desde que estejam de acordo com os seus objetivos.

Formula E: Evans é piloto da Opel


O neozelandês Mitch Evans será piloto da Opel a partir da próxima temporada. Aos 32 anos, e depois de quase dez temporadas na Jaguar, correrá na estreante equipa alemã ao lado do francês Theo Pouchaire. Com esta dupla, as ambições da Opel de lutar pelas posições cimeiras desde o início estão assinaladas para que todos possam ver.

"Tenho orgulho em ser piloto oficial da Opel e em fazer parte deste novo capítulo na Fórmula E. É fantástico podermos finalmente oficializar este passo", começou por afirmar Evans. "Após dez anos com um fabricante, estava na hora de eu enfrentar um novo desafio. A transição para os monolugares GEN4 representa o momento perfeito para começar algo novo. Senti imediatamente quanta energia e paixão a Opel está a dedicar ao projeto da Fórmula E. A equipa não está a entrar na série apenas para competir: a Opel está aqui para vencer, e é exatamente isso que eu aspiro.", continuou.

Do lado da marca alemã, Jörg Schrott, o chefe de equipa, não deixa de sublinhar o facto de ter um dos melhores pilotos do pelotão e o piloto com mais vitórias na competição, e mostrar também que querem marcar território desde a sua primeira corrida. 

"Conseguimos formar a nossa equipa de sonho. Mitch Evans foi o candidato preferido para a nossa Opel GSE Formula E Team desde o início. O seu compromisso sublinha, mais uma vez, a seriedade de todo o projeto", afirmou o chefe de equipa.

"Já conhecemos o Mitch dentro e fora da pista. Para além do seu indiscutível e excecional currículo desportivo, ele também se encaixa perfeitamente na nossa equipa enquanto pessoa. Após tantos anos com outro fabricante, ele procurava deliberadamente um novo desafio. Agora, a família Opel e o Mitch estão a dar este próximo passo juntos. Ao fazê-lo, estamos a enviar uma mensagem clara: estamos a entrar no Campeonato do Mundo para lutar pelas primeiras posições.", concluiu.


Com uma dupla como Evans e Pouchaire, a equipa alemã junta uma dupla que combina um piloto de topo e um jovem talento, reforçando as ambições da Opel de lutar pelas posições cimeiras desde o início. Ainda por cima, para Evans, que é o recordista de vitórias na competição elétrica, com 16, e tendo tentado sempre alcançar o título, mas não o conseguindo - foi vice-campeão em 2022 e 2024 - a Opel poderá ser, com o chassis Gen4, a via para alcançar tão importante título.

Noticias: Antonelli vai ser penalizado em Itália


A pouco menos de duas semanas do seu GP caseiro, Andrea Kimi Antonelli, o líder do campeonato, poderá ter de partir do fundo da grelha. É que ele terá uma penalização relacionado com a unidade motriz do seu Mercedes.

A marca alemã decidiu que Antonelli irá ter uma nova unidade motriz em Monza, e como já atingiu o seu limite permitido, e por isso, terá uma penalização de dez posições. 

Toto Wolff disse que a decisão foi tomada de forma consciente, e também foi por estratégia, por causa dos seus problemas em Barcelona e Silverstone, que resultaram em abandonos. 

Em teoria, os nossos cálculos dizem que [Monza] é a melhor pista para a assumir [a penalização]. Obviamente os nossos algoritmos não têm em consideração a nacionalidade.”, começou por explicar. “Mas isto é uma luta pelo campeonato e não para conseguir a melhor imagem pública. Por isso é isso que vamos fazer.” 

A decisão é um golpe para aqueles que gostariam de ver Kimi Antonelli vencer em casa - não há italianos a ganhar em Monza desde... 1966 - mas Wolff disse que a prioridade da equipa está focada no objetivo desportivo, e não na percepção pública da decisão, apesar de ele ser o primeiro a assumir que uma penalização numa corrida em casa não seria a situação ideal para Antonelli.

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

As imagens do dia







Em 1991, a Formula 1 chegava a Spa-Francochamps com uma agitação inesperada, e uma solução que deixaria meio mundo boquiaberto. E tudo por causa de uma discussão de trânsito.

Recuemos a 10 de dezembro de 1990, a Londres. Bertrand Gachot está atrasado para uma reunião com Eddie Jordan e o pessoal da PepsiCo Europa para discutir os detalhes do acordo de patrocínio da 7Up para a equipa. O dinheiro vinha - soube-se depois - das reservas que a casa-mãe tinha dado para cobrir a digressão de Michael Jackson ao continente europeu e que tinha sido adiado por alguns meses. Farto do transito londrino, bateu na traseira de um taxi, sem danos de maior. Contudo, quando o taxista saiu do carro e fez um gesto brusco na direção dele, institivamente, tirou do seu frasco de gás pimenta e deitou sobre a cara dele. 

O que ele não sabia era que o frasco de gás pimenta era ilegal no Reino Unido. E por causa disso, teria de ser levado a tribunal. Até lá iria aguardar o julgamento em liberdade. O julgamento iria acontecer no Southwark Crown Court, na semana anterior ao GP da Bélgica, e Gachot defendeu-se das acusações, alegando auto-defesa. Todos esperavam uma multa ou uma sentença suspensa  - Gachot estava tão confiante nisso que tinha passagem marcada para Monza no dia a seguir, onde faria um teste - mas o juiz decidiu ser agreste e deu-lhe uma sentença de 18 meses de prisão em Brixton.

Com essa bomba em mãos - descobriu-se depois que o juiz tinha um histórico de sentenças pesadas - a Jordan tinha as mãos na cabeça a pensar quem poderia arranjar para correr em Spa-Francochamps. Ainda por cima, a corrida caseira de... Gachot. 

Havia um candidato óbvio: o sueco Stefan Johansson. Veterano, tinha feito duas corridas pela AGS, no inicio do ano, e tinha feito duas corridas pela Arrows, para substituir Alex Caffi, que se tinha lesionado num acidente de estrada em Itália. Contudo, Eddie Jordan contou anos depois, na sua autobiografia, que ele queria ser pago.

Houve, contudo, outros veteranos a serem falados, vindos da Endurance, como Derek Warwick. O mais intrigante deles? Keke Rosberg! Aos 43 anos, e a correr pela equipa oficial de Endurance da Peugeot, com o seu 905, chegou a ser falado, mas anos depois, em 2021, Gary Anderson, o projetista do 191, disse ao site the-race.com, que queria um jovem piloto:

Não estavam propriamente no topo da minha lista”, começou por afirmar. “Sempre gostei de pilotos jovens que chegam – alguém que não viu tudo, não fez tudo e não pensa que sabe tudo. Não tínhamos visto tudo, não tínhamos feito tudo e não achávamos tudo, mas o que fizemos foi tentar, e esse era o principal objetivo. E eu queria um piloto no carro que simplesmente acelerasse ao máximo, e penso que isso não seria possível com um profissional experiente a caminho da reforma, em vez de um jovem em ascensão.”, continuou.

E uma das hipóteses era... Damon Hill! então piloto da Formula 3000, e com 30 anos, ele corria nessa temporada pela Eddie Jordan Racing, que ele tentava vender para que pudesse concentrar na Formula 1. E um dos interessados era um empresário alemão chamado Willi Weber, que tinha entre mãos um jovem alemão, chamado Michael Schumacher. Piloto da Mercedes na Endurance, tinha feito uma demonstração das suas capacidades nas 24 Horas de Le Mans, um mês antes. 

Sentindo a oportunidade, Weber pediu 150 mil dólares à Mercedes para que pagasse o seu lugar para o GP belga, e na quinta-feira do Grande Prémio, enquanto um compatriota de Gachot, Pascal Witmeur, lançava uma campanha mediática para a sua libertação - Gachot contou, anos depois, mais de dez mil cartas de apoio - na Jordan, as especulações sobre o seu substituto acumulavam-se. Mais ou menos por estes dias, em Silverstone, na Jordan, o carro numero 32 tinha como escrito "Schumacher" no seu flanco. 

E parecia encaixar. Tinha nascido não muito longe dali, em Kerpen, 22 anos antes, e Spa-Francochamps era a pista mais próxima da sua casa. Os entendidos sabiam que ele era o primeiro dos jovens pilotos da Mercedes a chegar à Formula 1 - os outros eram Heinz-Harald Frentzen e Karl Wendlinger - mas ignoravam até que ponto ele iria adaptar-se ao carro, porque um Sauber de Endurance não era um Jordan de Formula 1. Mas eles não sabiam não só do teste de Silverstone, como de um outro segredo que, só Weber e Schumacher sabiam.

É que todos imaginavam que ele já tinha andado ali num carro de Formula 3. Não era verdade. 

Durante a agitação do fim de semana, com o asfalto grafitado com apelos à libertação de Gachot (GACHOT, LA BELGIQUE EST AVEC TOI! era uma das frases pintadas), Andrea de Cesaris, o seu companheiro de equipa naquele fim de semana, tinha-lhe prometido que iria mostrar o circuito, mas por causa de conversações que se arrastaram, não pode mostrar a pista. Schumacher, então, pegou numa bicicleta e foi passear no circuito, por ele mesmo.

Na sexta-feira, entrou no carro e... começou a impressionar. oitavo melhor tempo no final da sessão sétimo melhor no dia seguinte. E no final do dia, comemorava-se como se ele tivesse feito a pole-position. Os jornalistas e fotógrafos alemães acorriam às boxes da Jordan, e o britânico Joe Saward escrevia, dias depois, na revista Motorsport: "hordas de jornalistas falavam sobre o melhor talento alemão desde Stefan Bellof". O piloto que, quase seis anos antes, na mesma pista, tinha sofrido o seu acidente mortal.

Tempos depois, em 2021 e na mesma entrevista para o site the-race.com, Anderson disse que, se não tivesse feito alguns pequenos erros com os jogos de pneus que tinha, estava crente que poderia ter conseguido até o terceiro melhor tempo da grelha. Tanto que no "warmup" de domingo de manhã, ele conseguiu o quarto melhor tempo.

E o seu conhecimento de Spa era apenas?... o tal passeio de bicicleta pelo circuito. Em dia e meio, tinha mostrado os seus credenciais na categoria máxima do automobilismo.

Youtube Motorsport Video: A terceira corrida da Formula 4 Spain em Jarama

A terceira corrida do fim de semana da Formula 4 espanhola aconteceu neste domingo em Jarama, e como é habutual, foi atribulada, com algumas colisões e entradas constantes do Safety Car. Mesmo assim, com cinco pilotos a lutarem pelo comando do campeonato, foi uma corrida que valeu a pena ser vista, devido às constantes lutas por posição. 

domingo, 23 de agosto de 2026

Formula 1 2026 - Ronda 12, Zandvoort (Corrida)


Quatro semanas a apanhar sol - o verão ainda não acabou, diga-se - e da Hungria, a Formula 1 recomeça nos Países Baixos, num circuito relativamente novo num lugar clássico da história do automobilismo. E nesta segunda parte da temporada, ainda nem sabemos como isto acabará, porque houve coisas fora do domínio da própria Formula 1, do qual não saberemos se será seguro viajar para lá. O Médio Oriente e o Golfo em ebulição a perturbar tudo. 

Houve coisas bem interessantes durante as férias do verão. Mas o mais importante foi o que aconteceu há uns dias, quando Isack Hadjar se lesionou no pulso e ele iria ficar de fora para curar-se das suas lesões. Curiosamente, foi o lugar onde ele conseguiu o seu primeiro pódio da sua carreira. Liam Lawson regressou à Red Bull, ano e meio depois de ter saúdo de forma incerimoniosa, e no aseu lugar na Recing Bulls, foram buscar o japonês Yuki Tsunoda.  

Esta é também uma corrida de despedida. O contrato acabará este ano, e a partir de 2027, eles receberão a Formula E, a competição elétrica, que acabou a sua temporada na semana passada e terá um novo carro, mais veloz do que teve agora. 

Na hora anterior à corrida, a chuva caíra na pista, mas ainda antes da corrida, esta parou e a superfície estava suficientemente seca para manterem os slicks. Os Ferrari, por exemplo, iriam começar de moles, enquanto McLaren e Mercedes, começavam de médios. Sérgio Pérez iria partir das boxes, com problemas no seu Cadillac.


Na partida, Norris partia bem, seguido pelos Mercedes, e Max na frente de Lawson. Mas no final da primeira volta, Verstappen pisava a linha branca e escorregou, indo ao muro. A pior das desistências da corrida, por ser o piloto da casa, vítima da armadilha típica de uma superfície gordurosa depois da um aguaceiro. Resultado? Bandeira vermelha no inicio da segunda volta. Por esta altura, Norris tentava afastar de Antonelli, que tinha conseguido passar Russell e era segundo. Leclerc era quarto, pois tinha passado Piastri.

Mas tudo, agora, voltou à estaca zero. 

A volta de aquecimento estava a começar quando houve problemas no Haas de Ollie Bearman, que ficou parado na pista, obrigando a nova volta de aquecimento, para que o piloto britânico pudesse ser removido da pista. Depois de alguns minutos, tudo estava pronto para nova partida, com apenas 20 carros.


E quando aconteceu, Anmtonelli pressionou Norris e conseguiu a liderança da corrida logo na primeira curva, enquanto Russell era terceiro, onde era surpreendido por Oscar Piastri, um dos pilotos que largava com duros. Atrás, Arvid Lindblad era penalizado por causa da violação das bandeiras amarelas no acidente de Max, na primeira largada. 

As primeiras voltas não tiveram história, a não ser a penalização de Franco Colapinto por causa uma violação das bandeiras amarelas, e como era décimo, teve de ir às boxes para ceder o seu lugar a Yuki Tsunoda. Na frente, Norris perseguia Antonelli pela liderança, e a diferença não era maior do que segundo e meio, enquanto Piastri já tinha uma desvantagem superior a cinco segundos. E o australiano era pressionado por George Russell.

Mas na volta 18, aconteceram as primeiras paragens, com Russell a trocar para duros, antes de Piastri fazer o mesmo na volta seguinte. Gasly e Tsunoda fizeram a mesma coisa, e ambos também regressavam à pista com duros. Antonelli e Norris foram ao mesmo tempo na volta 22, também colocando duros, e deixando Hamilton na liderança. No meio disto tudo, a Williams e Fernando Alonso nos pontos, o que é bem interessante, por enquanto. especialmente com os espanhois ainda com moles!

Hamilton acabou por ir às boxes na volta 26, quatro voltas depois de Leclerc, e trocou para duros, ao contrário do seu companheiro de equipa, que regressou à pista com médios. No meio disto tudo, a ação estava a acontecer a meio da corrida, com quatro pilotos - o Alpine de Pierre Gasly, os Racing Bulls de Arvid Lindblad e Yuki Tsunoda e o Audi de Nico Hulkenberg - lutando pelos lugares finais da pontuação. Perto do meio da corrida, Nico Hulkenberg tinha levado a melhor e era nono e afastava-se de Carlos Sainz Jr, tentando aproximar-se de Fernando Alonso e do seu renovado Aston Martin.

Tudo isto enquanto na frente, Antonelli aguentava Norris, e ambos tinham cerca de um segundo de diferença. 

 Na volta 34, Leclerc tentou a sua sorte contra Piastri e conseguiu o quarto posto ao piloto da McLaren, numa manobra algo arriscada, mas eficaz. Hamilton começou a assediar Piastri da mesma maneira, e o conseguiu na volta 35, para ser quinto, e relegando o australiano para sexto. Ao mesmo tempo, Fernando Alonso ia às boxes e regressava à pista com duros e, por agora, na 13ª posição. 

Na volta 41, os Mercedes foram às boxes, mas houve tempo de eles poderem a fazer a paragem sem problemas, e claro, a tentar evitar o "undercut" dos McLaren, caso quisessem fazer nessa altura. A diferença entre Norris e Antonelli era agora a rondar os 16 segundos, e esperava reduzir para evitar que o piloto da McLaren ficasse com a liderança. Entre eles, os Ferrari, onde Hamilton parecia ser mais rápido que Leclerc, mas não queria ceder, porque queria apanhar Norris. Na volta 44, o monegasco foi às boxes pela segunda vez, regressando em sexto, com os duros calçados. E na volta seguinte, foi a vez de Piastri ir às boxes, e colocar os moles, para ver se era mais rápido na parte final da corrida.

Norris foi às boxes na volta 48, foi rápido, colocou mais duros e regressava à pista em terceiro. Agora, tinha cerca de três segundos de desvantagem sobre Antonelli, e esperava ser mais rápido com este jogo de pneus, enquanto Hamilton era o novo líder da corrida, mas os dois pilotos atrás dele eram os mais rápidos, e Norris estava ainda mais rápido, reduzindo a sua diferença abaixo de segundo e meio.


A partir da volta 51, Norris estava na traseira de Antonelli, e ambos na traseira de Hamilton. Na volta 54, Norris conseguiu passar o piloto da Mercedes na curva Tarzan... do lado de fora! Brilhante, apesar de já ter visto isto em 1979... não é, Alan Jones?

Logo depois, Norris passava Hamilton e liderava a corrida, tudo isto sem ter de passar pelas boxes, ou seja, uma coisa clássica para aplaudir. Quase ao mesmo tempo, Esteban Ocon tornava-se na quarta retirada da corrida, causando bandeiras amarelas no local onde parou. Logo depois, o Safety Car Virtual entrava em ação, os Ferrari iam às boxes, primeiro Hamilton na frente de Leclerc, e depois, Oscar Piastri e Kimi Antonelli também pararam, trocando de pneus. Estes quatro pilotos meteram moles, preprando-se para a parte final da corrida. 

A corrida regressou ao normal na volta 57, a quinze do final, com Norris com cerca de seis segundos de Russell, que por sua vez, tinha uma vantagem de seis segundos sobre o terceiro classificado, e ambos tinham duros, contra os moles. Antonelli tinha agora de aguentar as performances de Hamilton, que queria aquele lugar no pódio, e isso não iria ser fácil.

Na volta 66, Russell foi avisado para que não resistisse à ultrapassagem por parte de Antonelli, mais rápido, e se o seu companheiro de equipa parecia ter ritmo para apanhar o piloto da McLaren, George Russell estava agora vulnerável a Lewis Hamilton, que também tinha pneus moles e não queria perder de vista o piloto italiano. 

Mas no final, os Ferrari não tinham o ritmo para apanhar Antonelli, e tinham com alvo George Russell. Para piorar as coisas, Leclerc queria passá-lo para ficar com o quarto posto, e enquanto isso acontecia, Lando Norris via a bandeira de xadrez como vencedor, pela segunda vez seguida, e conseguia aproximar-se de Antonelli na luta pelo campeonato. Russell era terceiro, na frente dos Ferrari de Hamilton e Lelcerc, com Piastri num discreto sexto posto. 

Liam Lawson, Nico Hulkenberg, no seu Audi, Fernando Alonso, no seu Aston Martin, que conseguiu aguentar nas voltas finais o Alpine de Pierre Gasly. Numa corrida onde 16 carros chegaram ao final.


E assim foi a última corrida da Formula 1 em terras neerlandesas. Ver se algum dia regressará ali, não sabemos Espera-se que sim, e espera-se que esse regresso seja dentro em breve. Agora, são duas semanas até outro clássico do automobilismo: Monza. E ainda por cima, será num ano onde um piloto italiano está a liderar um campeonato.