quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

Formula E: Vergne pede por pneus slicks


No ano em que a competição elétrica trocou de pneus, da francesa Michelin para a coreana Hankook, há quem não tenha ficado impressionado com a aderência destes novos pneus. Aparentemente bem mais duros que os anteriores, há quem ache que a solução poderia ser mais radical para que os pilotos possam ter tanto ou mais aderência como tinham anteriormente, com os carros da Gen3.

É o caso de Jean-Eric Vergne, piloto da DS, que deseja por pneus slicks nos carros da Formula E. 

Questionado no site motorsport.com sobre esse assunto, referiu desta maneira:

Oh, nunca [questionado sobre se iria alguma vez adaptar-se aos pneus novos]. Quer dizer, é o carro que temos, são os pneus que temos, sabemos que não vai mudar nesta época. Portanto, temos de lidar com isso. Mas penso que vão ser corridas complicadas, com certeza. Eu gostaria de pneus slicks com um aumento de 70 por cento de aderência." continuou.

"Os pneus são duros, como o betão – e são muito escorregadios. E é ainda mais na corrida, porque quando se segue outro carro e perde-se a apoio aerodinâmico. É muito complicado. Foi complicado nos treinos livres [no Autódromo Hermanos Rodriguez] e depois o carro estava completamente diferente na qualificação novamente. Os tipos que foram rápidos na qualificação foram os tipos que não foram tão rápidos nos treinos livres. É um pouco estranho tentar compreender.", referiu, descrevendo o seu fim de semana mexicano, onde terminou na décima posição. 

"E depois na corrida foi um pouco… é impossível ultrapassar independentemente da quantidade de energia que se tenha, porque a aderência é tão reduzida que não se pode tentar uma ultrapassagem tardia. Temos visto muitos acidentes só porque o nível de confiança no carro é extremamente baixo e é difícil de ultrapassar”, concluiu.

Vergne e os outros lidarão novamente com estes pneus no fim de semana duplo de Ad Diyriah, na Arábia Saudita. E claro, tentará um resultado melhor daquele que alcançou na última prova.  

Formula E: Felix da Costa quer trazer muitos.. e bons pontos


Nas vésperas do fim de semana em que a Formula E regressa à ação com a jornada dupla na Arábia Saudita, António Félix da Costa, espera ter um melhor resultado daquele que alcançou no México, onde foi sétimo, atrás do seu companheiro de equipa, Pascal Wehrlein, que acabou em segundo. O piloto de Cascais afirmou que se sente cada vez mais à vontade com a sua nova equipa e com os procedimentos técnicos do monolugar da marca alemã.

Nesta jornada dupla, realizada à noite, Félix da Costa quer "continuar a evoluir e adaptar-me ao carro da Porsche, que tem algumas diferenças para com o que estava acostumado na DS: Acredito que vamos estar fortes em Riade e eu pessoalmente gosto deste circuito, pelo que vamos entrar em pista com o objetivo de trazer bons pontos para casa e se possível lutar por pódios. Sabemos que estamos competitivos, mas os nossos adversários estão fortes também e seguramente vai ser mais um fim-de-semana onde se queremos ser bem sucedidos, tudo tem de sair na perfeição!"

A jornada dupla da Formula E começa na sexta-feira, com transmissão em direto na Eleven 2 e na Eurosport 2 a partir das 16:50 horas. E no sábado, será também no mesmo horário. 

WRC: Sordo será piloto no México


Dani Sordo será piloto no rali do México pela Hyundai. O espanhol de 39 anos correrá ao lado de Esapekka Lappi e Thierry Neuville, naquele que será a segunda prova do espanhol na temporada depois do rali de Monte Carlo, já que na Suécia, o seu lugar será preenchido pelo irlandês Craig Breen.

O rali México, cuja sede é em Leon, no estado de Guanajuato, regressa ao calendário entre os dias 16 e 19 de março depois de duas temporadas de ausência por causa da pandemia de Covid-19, e será um de dois regressos à América Latina, com o segundo a ser o Rali do Chile, que acontecerá no final de setembro. 

quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

A imagem do dia


Já ando a escrever isto há uns bons dias, mas só agora é que apareceu a oportunidade. E é uma história que merece ser contada porque faz agora 55 anos. É a história de como a Lotus conseguiu um grande negócio para as suas equipas de automobilismo.

Quando no final de 1967, a CSI - antecessora da FIA - decidiu que as equipas de Formula 1 não eram mais identificadas pelas suas cores nacionais, Colin Chapman reparou ali numa chance real de arranjar mais dinheiro para a sua equipa. Telefonou para a sede da Imperial Tobacco, em Londres, e perguntou se não queria colocar o seu produto nos flancos dos seus carros. Não seria a primeira ocasião em que carros ficaram com patrocinadores - a Team Gunston tinha feito isso na África do Sul - mas ali, Chapman poderia conseguir um excelente acordo.

No final, o acordo foi para as suas equipas de Formula 1, Formula 2 e Formula 3. A Imperial Tobacco deu 110 mil libras - parece pouco, mas nesse tempo, um motor Cosworth custava cerca de cinco mil, e um Mini 1000 cerca de 450 libras - e quando os carros começam a ser desenhados com as novas cores, estão todos na Oceania para a Tasman Series. Nessa altura, Clark está a caminho do seu terceiro título nesta competição, e o Lotus 49 com as novas cores causa sensação.

Parecia que Champan, mais uma ocasião, tinha tudo para ganhar e abrir mais uma era de domínio, com o seu piloto a bordo. Mas a 7 de abril, enquanto ele estava em Klosters, na Suíça, a esquiar, Jim Clark e Graham Hill estavam em Hockenheim para uma corrida de Formula 2, o destino interfere de forma irremediável. 

Noticias: Haas marca apresentação


A Haas foi a última equipa a anunciar a data de apresentação das suas cores de 2023... e será a primeira a mostrá-lo! Será a 31 de janeiro, depois da hora do almoço, que serão mostrados ao mundo. O anuncio foi feito na conta da equipa nas rede social Twitter.

Contudo, serão apenas as cores (haverá um novo patrocinador esta temporada) e não o chassis, porque o chassis VF-23 será conhecido realmente no primeiro dia dos testes de pré-temporada no Bahrein, a 23 de fevereiro, quatro semanas mais tarde.

Quanto a pilotos, todos sabem que Nico Hulkenberg fará o seu regresso, e fará companhia a Kevin Magnussen.

Os reformados do WRC


Sebastien Ogier ficou feliz com a sua nona vitória em Monte Carlo, o piloto com mais triunfos na história desta prova mítica, mas muitos dos que acompanharam este rali - e o WRC - não deixaram de notar uma ausência: a de Sebastien Loeb, que esteve no Dakar, e por causa das datas, não teve tempo de ir aos Alpes e defender a sua vitória de 2022. 

Ambos os pilotos - que nunca tiveram um convívio fácil, mas respeitam-se e admiram-se - andaram a conversar nas redes sociais sobre Monte Carlo, com Loeb, quase "cinquentão" - fará 49 anos no final de fevereiro - a afirmar:  “Bravo Séb Ogier. Quando é a vingança dos reformados do WRC?

Claro, ele aceitou o desafio.

"Espero que sim! Não é segredo que gosto de competição e quando ele [Loeb] está lá, é frequentemente uma competição ainda mais agradável e quanto mais loucos formos, melhor será o espetáculo. Penso que seria ótimo tê-lo a aparecer no próximo ano e com os outros pilotos pode dar um rali bem fixe”.


Resta saber como serão as coisas com a M-Sport. Loeb fez alguns ralis em 2022, com o triunfo em Monte Carlo o seu ponto alto, mas ambos alinharam juntos no rali de Portugal, onde ambos abandonaram, e no Quénia, onde Loeb levou a melhor sobre Ogier, com o mais velho a acabar em quarto lugar. Ambos os lados estão a negociar para um nova temporada, mas o facto de terem agora Ott Tanak na equipa poderá ser um problema para um orçamento que não estica. 

Contudo, o interesse de ver estes dois num duelo pessoal nas classificativas um pouco por todo o mundo, em máquinas iguais, poderá trazer mais adeptos à estrada. Resta esperar pelo desfecho das negociações, e caso sejam positivas, onde é que os dois escolherão duelar nessa sua luta bem pessoal.   

terça-feira, 24 de janeiro de 2023

A imagem do dia


Depois de ontem ter falado sobre o Mercedes do Diego Maradona - e que foi conduzido pelo Juan Manuel Fangio - hoje falo de outro carro que está nesse leilão. E claro, não é um qualquer. É um Formula 1. É um Jordan 191, chassis número 6, conduzido por Michael Schumacher naquele GP da Bélgica de 1991, onde deu nas vistas antes de Flávio Briatore ter a ideia de o levar para a Benetton na corrida seguinte, em Monza.

A história é conhecida, contada e recontada.  Mas há pormenores que merecem ser contadas por aqui. 

Primeiro, o carro não era originalmente para ser corrido por Schumacher, mas era para Andrea de Cesaris, o seu companheiro de equipa no fim de semana do GP belga. Quando na sexta-feira, o alemão conseguiu superá-lo, o italiano pediu para que trocassem de chassis, porque pensava que ele teria feito afinações para conseguir um tempo melhor. Afinal, no sábado, o alemão foi sempre superior que o italiano, por causa das suas capacidades, nem tanto porque sabia mexer no chassis. Afinal de contas, na altura, o italiano já tinha 11 temporadas na categoria máxima do automobilismo.

No dia da corrida, Schumacher não foi longe: a embraiagem partida o deixou a pé depois de meia volta, enquanto De Cesaris ficou-se pelo caminho a três voltas do fim com problemas de motor, enquanto andava nos pontos. 

Mas o mais interessante disto é que nem foi só o chassis onde Schumacher teve o seu primeiro gosto da Formula 1. Existiu mais um piloto que debutou na alta competição automobilística: Alex Zanardi. Pois é, o piloto teve a sua estreia em Barcelona, e o usou nos treinos dessa corrida. Também Roberto Moreno andou neste chassis no fim de semana do GP de Itália, embora a partir dali até ao final do ano, serviu mais como reserva, usado nos treinos e ficado em alerta em caso de necessidade. 

Anos depois, em 2021, quando passaram 30 anos sobre a estreia de Schumacher na Formula 1, o seu filho Mick deu umas voltas em Silverstone, para uma reportagem feita pela Sky Sports F1. E o carro está pronto para correr, ou seja, tem motor instalado, não é um "show car". 

E o preço deste pedaço de história? Entre 1,4 e 2 milhões de euros. 

Mas pesando bem, quando muitos consideram que é um dos chassis mais marcantes da década de 90, poderemos acreditar que seria dinheiro bem empregue. 

A FIA e a Liberty estão em conflito


Quem diria! Mas se calhar... não. Os sinais andavam no ar há semanas. A FIA e a Liberty Media andavam de relações tensas desde há algum tempo, por causa do poder que ambos têm sobre a Formula 1 e quais são os seus limites. 

E tudo começou com a oferta saudita dos 20 mil milhões.

A panela de pressão entre ambas as partes explodiu hoje através de um comunicado onde a Liberty Media afirmou duas coisas: a primeira, que a Formula 1 não está à venda, e em segundo lugar, a FIA não tem nada a ver com o lado comercial, e as suas declarações que o balor dado pelos sauditas era "inflacionado", significam uma interferência no compromisso assumido pela FIA de não prejudicar a propriedade, gestão e exploração dos direitos comerciais da Formula 1. E que ela, Liberty Media, obtém o direito exclusivo de explorar esses direitos sob um contrato de cem anos, assinado em 2003 entre Bernie Ecclestone e Max Mosley.

Ainda por cima, tudo isto aconteceu com o presidente da FIA ter dito algumas coisas através do Twitter. Contudo, a BBC, através do seu jornalista, Andrew Benson, cita algumas fontes da Liberty que existiu pouca seriedade na oferta feita pelo fundo saudita, tendo sido mais uma sondagem do que uma oferta real, com garantias bancárias. Ou seja, dá uma certa razão nas declarações do próprio Ben Sulayem, quando afirmou que a oferta era muito inflacionada. 

Mas a esta altura, com estas declarações do presidente da FIA, parece que as duas partes podem estar a caminhar para a rutura. Só não sei se será algo mais grave que a guerra FISA-FOCA de 1980-82, porque agora ambas as partes tem a propriedade de coisas. Uma, do automobilismo, e a outra, da Formula 1.

Resta saber as cenas dos próximos capítulos de algo que poderá ser escaldante.   

segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

Vende-se: Mercedes-Benz 450 SLC 5.0


Este carro tem 42 anos, está pintado de vermelho e entre eles estão envolvidos dois nomes famosos. Foi entregue novo e tem 61 mil quilómetros rodados. Este modelo de 5 litros serviu para correr em ralis - é triunfou! - e a cor é especial, porque não havia em catálogo.  

Então quem foi o feliz proprietário? Ora, Diego Armando Maradona. E a história é o seguinte.

Em 1980, Maradona era um jovem prodígio de 19 anos - faria 20 a 30 de outubro desse ano - e o Argentinos Juniores, como recompensa pelos seus feitos, o clube ofereceu-lhe um destes belos exemplares. E foi entregue em mão pelo seu representante máximo no país. Na altura, um tal de Juan Manuel Fangio

E foi bem a tempo: no ano seguinte, Maradona transferiu-se para o Boca Juniors, e a partir dali, ficou a ser conhecido no mundo. 


O carro por si já é especial. Tem um V8 de 5 litros, debitando 240 cavalos às 5000rpm (rotações por minuto), uma caixa automática Type 722 de três velocidades, e claro, era todo feito de alumínio. Durante três anos (1977-80), foram feitos 1636 unidades, logo, já é um carro raro à partida.

O carro do Maradona - e trazido até ele por "El Chueco" - será mostrado a leilão no próximo dia 2 de fevereiro no leilão da Bonhams em Paris, por alturas do Retromobile. A leiloeira pensa que o martelo poderá ser batido entre os 150 mil e os 250 mil euros.

O preço para ter a Formula 1


Todos conhecem a musica dos Tears for Fears, "Eberybody Wants to Rule the World", de 1985. É verdade que temos esses sonhos, e há maneiras de o conseguir. Uma é pela guerra, outra é pelo ouro. "Plata o Plomo", como diria o Pablo Escobar.

Mas nestes tempos que correm, não há Napoleões ou Escobares. Há a Arábia Saudita e um senhor que um dia será rei e lá ficará por meio século, pelo menos. E Mohamed bin Salman quer comprar tudo. Um exemplo? Aparentemente, foi ele que propôs comprar a Formula 1 por 20 mil milhões de dólares. E a Liberty Media disse "não, obrigado". 

Para terem uma ideia, esse valor é cinco vezes maior ao valor que compraram a Bernie Ecclestone. Quem conta a história foi a Bloomberg na sexta-feira

A PIF, Public Investiment Fund, fez uma oferta do qual a Liberty teve a coragem de dizer não. E digo isso porque ultimamente, eles andam a comprar imensos investimentos desportivos no sentido de se mostrarem ao mundo. Foi o que aconteceu no ano passado quando compraram o Newcastle, na Premier britânica, e agora este ano, quando deram 500 milhões a Cristiano Ronaldo para se reformar nas areias do deserto, no qual desde 2019 é cruzado pelos jipes do Dakar Rally. E nem falamos da Formula 1, que lá está desde 2021 e terá de ficar por lá, mesmo com misseis a caírem a menos de 10 quilómetros do circuito. 

Num tempo onde os árabes querem largar o dinheiro em tudo que é canto, e onde o presidente da FIA é um árabe - dos Emirados Árabes Unidos, e Mohhamed ben Sulayem é multicampeão árabe de ralis - começamos a entender as suas ambições. Um desporto que nasceu na Europa e teve ramificações nos Estados Unidos e na Ásia, a entrada em cena da península arábica significa que eles pretendem que seja o novo centro do automobilismo mundial. Eles já disseram que querem uma equipa árabe e um piloto árabe na Formula 1 num futuro relativamente próximo. De uma certa maneira, até que existe - metade da McLaren pertence ao fundo estatal barenita, por exemplo - mas as ambições são de fazer parte deste mundo, não só como o tio rico que anda a distribuir maços de notas, como quer sujar as mãos na graxa e ganhar corridas e campeonatos. 

Só que há um problema. Ético. (isso existe, caso saibam. E é importante, porque somos humanos.) Chama-se "sportwashing". E com um país que tem um péssimo registo em termos de democracia, liberdade de imprensa e direitos humanos, "comprar" tudo que mexa e é importante para "limpar" a sua imagem para o mundo é uma maneira de dizer que todas as nossas convicções são hipócritas e basta agitar um maço de notas para ficarmos todos felizes e olhar para o outro lado. E depois não admira que digam que "as democracias são decadentes", ou então: "se cortarmos o petróleo, eles piarão mais fino". Como podem entender, em 50 anos, o mundo andou mais um bocadinho e a tecnologia também.

Podem olhar para a Rússia neste momento. Também disse a mesma coisa e agora sofre por ter pisado o risco em termos militares. Mas mesmo assim, há quem diga que eles estão em guerra com o Iémen, e foi de lá que surgiu o míssil que atingiu aquela refinaria em Jeddah no fim de semana de Grande Prémio. Verdade, ainda tem o seu quê de hipócrita, só que a guerra é de baixa intensidade. Até no conflito armado, há guerras de primeira e segunda ordem...

Mas queria recuar dois parágrafos, à frase cujo final acaba com a palavra "ético". É que desde há umas semanas, o príncipe ben Sulayem, o presidente da FIA, decidiu que as manifestações politicas não teriam lugar no automobilismo, para promover um desporto "apolítico" e "limpo". Tudo por causa do "Black Lives Matter" e de outras manifestações como a bandeira arco-íris, símbolo da luta LGBTIQ+, ou então, a luta pelos direitos das mulheres, que naquela parte do mundo, e por causa da religião, não valem muito. 

E a Formula 1 ainda pertence à Liberty Media. O que aconteceria se eles tivessem dito "sim" à proposta? A sede da FIA se transferiria para o Dubai ou Riyadh? Teríamos quantas corridas na Arábia Saudita? E já agora, quantas equipas seriam obrigadas a ter uma sede no meio dos camelos e das areias do deserto, em lugares que seriam estados dentro de estados? Não sei se sabem, mas por ali, os estrangeiros não cruzam com os locais. E nem falo de coisas com álcool, mulheres ao volante, internet e outros vícios "ocidentalmente decadentes"... 

Tenho pena que não pensemos na ética, ou que a deixemos de lado por maços de notas. É isso que nos faz humanos, ou se quiserem, tentamos ter uma moral superior a aqueles que acham que todos temos um preço. Nem todos fomos educados dessa maneira. E ainda bem que não. Mas é com ética que nos dá um pouco de humanismo, de empatia, da sensação de que há justiça. De que o dinheiro não serve para tudo - especialmente se quiser ser feliz e realizado. E em jeito de conclusão, se não tivéssemos ética, meus amigos, então os Mundiais e os Jogos Olímpicos iriam sempre ser em Riyadh, a meio de julho, e eles ganhariam sempre. Basta descarregarem os seus camiões de dinheiro.      

A Formula 1 continuaria, tenho a certeza. Mas se calhar, teria de arranjar amantes novos.

Procura-se: O barco de Dimitry Mazepin


Eis alguém que não ouvíamos há algum tempo. O pai de Nikita Mazepin está nas bocas do mundo porque... desapareceu. Nem tanto ele, mas sim o seu barco, o "Aldarba", que estava acostado no porto de Savona, para cumprir as sanções da União Europeia contra os oligarcas russos. Desde há alguns dias que o barco desapareceu da vista, alegadamente aproveitou o coberto da noite para rumar ou à Tunísia, ou à Rússia, pelo Mar Negro. 

Dimitri Mazepin é um dos oligarcas que enriqueceu sob a asa de Vladimir Putin, com o seu complexo químico Uralchem, e claro, ajudou na carreira automobilística do seu filho, e quando este chegou à Formula 1, também ajudou a Haas em forma de patrocínio. Contudo, quando a guerra contra a Ucrânia começou, a 24 de fevereiro, e as sanções caíram em força sobre as pessoas e os ativos russos, precipitando o final da linha para Nikita, substituído por Kevin Magnussen. 

Segundo conta a agência de noticias italiana ANSA, a polícia está a realizar uma investigação em Forte dei Marmi, onde Dimitri Mazepin tinha arrendado uma casa, para saber as circunstâncias do desaparecimento do seu iate.

Recentemente, a fortuna de Dimitri Mazepin foi avaliada em mais de 800 milhões de dólares.

domingo, 22 de janeiro de 2023

WRC 2023 - Rali de Monte Carlo (Final)


E pela nona ocasião na sua carreira, Sebastien Ogier triunfou em Monte Carlo. O piloto francês controlou as coisas nas quatro classificativas finais da prova, com Kalle Rovanpera a ficar com o segundo posto, a 18,8 segundos, e Thierry Neuville a ficar a 44,6 segundos do triunfador, os únicos a ficar a menos de um minuto, já que Elfyn Evans cruzou a meta a 1.12,4 segundos.

"É fantástico. Adoro este rally, é aquele que me deu o sonho logo no início e estou muito feliz por Vincent [Landais, navegador de Ogier]: para mim é bom, mas para ele é um sonho conquistar sua primeira vitória. Ainda precisamos aproveitem estes momentos e é por isso que ainda estamos aqui [no WRC], para conquistar algumas vitórias como esta. Vencer um [rali] famoso como o Monte não tem preço”, disse Ogier, após cruzar a meta. 

Já Rovanpera estava conformado com o segundo posto. 

"Foi bom. Acho que podemos ficar muito felizes com o segundo lugar. Houve muito mais limpeza [na estrada] do que eu esperava na quinta e na sexta-feira, e parece que quando estávamos nas mesmas condições de todos, tínhamos o mesmo ritmo."

Com quatro especiais no domingo, passagens duplas por Lucéram/Lantosque, La Bollène-Vésubie/Col de Turini, o dia começou com Ogier ao ataque, depois de ter relaxado no final do dia anterior. Ganhou na primeira especial com 2,7 segundos sobre Evans e Rovanpera, empatados no segundo posto. Neuville fez um pião e perdeu algum tempo.

Rovanpera reagiu, triunfando na especial seguinte, mas apenas conseguiu um avanço de 1,5 segundos, com Neuville a 2,5. Evans fez um pião e perdeu 10,5 segundos. Na penúltima especial, Ogier lebou de novo a melhor, 3,1 segundos sobre Katsuta Takamoto e 6,3 sobre Rovanpera. Pierre-Louis Loubet teve problemas mecânicos na estrada e acabou por desistir.

Chegados ao Power Stage, o melhor foi Rovanpera, 0,6 segundos melhor que Tanak e 0,7 que Evans. Ogier foi mero quinto, a 4,7 segundos do triunfador, mas o essencial estava alcançado: a vitória, e o desempate em relação a Loeb no número de triunfos nas estradas de Monte Carlo.

Na geral, depois dos quatro primeiros, Ott Tanak, o melhor dos Ford, ficou a uns distantes 2.34,9, na frente de Katsuta Takamoto, a 3.32,6. Dani Sordo conseguiu o sétimo lugar, a 3.47,5, conseguindo bater por pouco o Hyundai de Esapekka Lappi, a 3.51,3. E a fechar o "top ten", o Skoda Fabia de Nikolay Gryaxin (a 10.03,4) e o Citroen DS3 Rally2 de Yohan Rossel, a 10.07.9.

O Mundial prossegue dentro de três semanas, entre os dias 9 e 12 de fevereiro, em paragens suecas.  

sábado, 21 de janeiro de 2023

WRC 2023 - Rali de Monte Carlo (Dia 3)


Sebastien Ogier continua a liderar o rali de Monte Carlo, controlando os avanços de Kalle Rovanpera, o seu companheiro de equipa. Ambos estão separados por 16 segundos, com Thierry Neuville, no seu Hyundai, é o terceiro, a 32 segundos. Elfyn Evans é o quarto, a 56,5 segundos, os únicos que estão a menos de um minuto da liderança. 

Com mais seis especiais neste sábado, isto foi essencialmente um duelo à distância entre Ogier e Rovanpera, os pilotos da Toyota, que deixavam a concorrência sem muito com que fazer, excepto Thierry Neuville, que ganhou duas especiais neste sábado. O dia começou com Rovanpera a triunfar na primeira especial do dia, a primeira passagem por Le Fugeret/Thorame-Haute, antes de Ogier ganhar na primeira passagem por Malijai/Puimichel.

"É uma especial bonita - para mim uma das mais bonitas do rali. Divertimo-nos e houve um bom ritmo. Andei um pouco menos em locais onde pensei que havia risco de furos, mas tudo bem.", disse o francês no final da especial. 

Já Kalle também falou das suas impressões no final desta especial:

"Acho que deveríamos ter enrijecido o carro para esta etapa. É alta aderência com muitos pequenos solavancos aqui e ali - pelo menos sabemos para a próxima volta. Está tudo bem, muito melhor do que ontem."

Rovanpera acabou a manhã a ganhar, na primeira passagem por Ubraye/Entrevaux, com 4,6 segundos sobre Ogier e Evans. Oliver Solberg tocou contra a parede e danificou o seu Skoda. 

Na parte da tarde, com as segundas passagens pelas especiais da manhã, Neuville atacou e triunfou na 12ª especial, 1,1 segundos na frente de Evans. Esapekka Lappi teve um furo a perdeu 35,4 segundos. O belga voltou a triunfar na segunda passagem por Malijai/Puimichel, 0,2 segundos mais rápido que Rovanpera. 

"Fizemos uma boa especial, mas demos um grande salto e sinto um pouco de dor nas costas. Estamos aqui e tiramos um pouco de tempo de Elfyn, então não é tão mau. Estávamos um pouco no limite e acima do limite algumas vezes.", disse o belga.

No final do dia, Kalle Rovanpera triunfou na segunda passagem por Ubraye/Entrevaux, ganhando 6,7 segundos sobre Neuville e 8,7 sobre Evans. Ogier foi o quarto, a 9,8, e afirmou que andava cauteloso. "Acho que andei o suficiente. Foi a etapa mais perigosa para furos, então fui descontraído e estou feliz por esta etapa ter acabado."

Depois dos quatro primeiros, Ott Tanak é o quinto, a 1.37,3, no melhor dos Ford, na frente de Katsuta Takamoto, no seu Toyota, a 2.15,7. Dani Sordo é o sétimo, a 3.08,8, em luta com Esapekka Lappi, a 3.11,4. E a fechar o "top ten" estão o Skoda Rally2 de Nikolay Gryaxin (a 8.06.1) e o Citroen DS3 Rally2 de Yohan Rossel, a 8.21,3.

O rali de Monte Carlo termina neste domingo, com a realização das últimas quatro especiais. 

sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

WRC 2023 - Rali de Monte Carlo (Dia 2)


Sebastien Ogier domina Monte Carlo e no final do segundo dia, tem uma vantagem de 36 segundos sobre Kalle Rovanpera, com Thierry Neuville a ser terceiro, a 37,9 segundos, com Ott Tanak algo distante, a 54,2. Elfyn Evans é o quinto, a 1.02,3.

Com seis especiais nesta sexta-feira, passagens duplas por Roure/Roubion/Beuil, Puget-Théniers/Saint-Antonin e Briançonnet/Entrevaux, a manhã ficou marcada pelo domínio de Ogier, que triunfou nas classificativas da manhã, aumentando a diferença para 32,7 segundos para o belga da Hyundai. Contudo, à tarde, Elfyn Evans passou ao ataque e conseguiu ganhar uma das especiais, com Rovanpera a ganhar a última do dia. 

Entre a concorrência, a última especial da manhã - SS5 - foi agitada. Rovanpera tocou numa das bermas e danificou um pneu e parte do carro, Pierre-Louis Loubet teve problemas com a direção assistida e bateu contra os sinais de trânsito num dos cruzamentos, perdendo um minuto e meio, e Evans teve um furo e perdeu menos: 43,4 segundos.

No final do dia, Ogier estava feliz: 

"Estou muito satisfeito. Obviamente, o risco de furos era maior nesta [especial] aqui, fui mais calmo. Estou feliz por trazer o carro para o parque fechado esta noite."

Já Thierry Neuville queria saber porque é que as suas escolhas de pneus não se refletiam nos resultados, já que a Toyota parecia sempre levar a melhor. 

"Foi outra boa especial, mas obviamente não conseguimos igualar os tempos, não sei porquê. Estou a tentar arduamente e agora temos opções de pneus semelhantes. Sei que devíamos estar em vantagem, mas não estamos."

Depois dos cinco primeiros, Dano Sordo é o sexto, a 1.30,2. Sétimo é Katsuta Takamoto, a 1.33,1, não muito distante, e o oitavo é Esapekka Lappi, a 1.57,7. Dois WRC2 fecham o "top ten", com o Skoda de Nikoaly Gryaxin a 4.12,8 e o outro Skoda de Yohan Rossel, a 4.42,5.   

O rali de Monte Carlo prossegue amanhã com a realização de mais seis especiais.

Noticias: Alfa Romeo-Sauber anuncia carro para o dia 7


A Alfa Romeo-Sauber anunciou esta tarde nas suas redes sociais que o seu novo chassis, o C43, será mostrado no dia 7 de fevereiro, um dia depois da Williams. O carro, que será guiado pela segunda temporada consecutiba pelo finlandês Valtteri Bottas e pelo chinês Guanyou Zhou, terá a sua apresentação pelas 10 horas locais, em Zurique, na Suíça.

A Alfa-Sauber torna-se na nona equipa a anunciar a data da apresentação, deixando apenas a Haas à espera de anunciar quando mostrará o seu carro. E espera-se que seja melhor que o C42 (na foto), que em 2022, deixou a equipa no sexto posto do campeonato de Construtores, com 55 pontos, empatado com a Aston Martin, mas com melhores resultados.