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quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Formula 1: Revelado o preço dos bilhetes para o GP de Portugal


O preço dos bilhetes para o GP de Portugal de 2027, marcado para o dia 20 de junho, no Autódromo de Portimão, irá custar entre 300 e 700 euros para os três dias da corrida. Jaime Costa, CEO do Autódromo Internacional do Algarve, disse que estes bilhetes incluem transporte, acesso aos concertos e à Fanzone. Os bilhetes serão vendidos a partir da próxima segunda-feira, 21 de setembro, em exclusivo, na plataforma oficial PortugalF1GP.com.

"Esta prova representa várias coisas. Primeiro, a realização do propósito para o qual este autódromo foi criado e construído. Portanto, é um sonho que se materializa agora na sua plenitude. Representa também para Portugal e para o Algarve uma oportunidade gigante de crescimento e de notoriedade internacional", disse Costa, em declarações à rádio TSF.

Ele aponta que no fim de semana do Grande Prémio, poderão estar "entre 250 a 300 mil pessoas" na região. "Entre espectadores de bancadas, espectadores de hospitalidade, equipas que são também milhares de pessoas que vêm e, às vezes, normalmente até ficam mais tempo do que os espectadores e, portanto, é um mercado também interessante. Estamos minimamente confortáveis em ter como expectativa.", afirmou.

O GP de Portugal de 2027 será a nona prova do Mundial.

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

As imagens do dia








Como sabem, o 11 de setembro aconteceu numa terça-feira, e já falei por aqui dos eventos de Lausitz, na Alemanha, as polémicas sobre a sua realização ou não, e como ela acabou com o grave acidente de Alex Zanardi

Mas não falei ainda de como tudo isto afetou a Formula 1 nessa temporada, porque aconteceu no fim de semana do GP de Itália, como a atmosfera de festa virou de súbito um de luto e de respeito pelos mortos na América, como a Ferrari, que queria comemorar os seus títulos, acabou por se portar de uma maneira sóbria, e como, no final, o vencedor tinha muitas ligações à América. E foi a sua primeira vitória na Formula 1, e o primeiro do seu país a conseguir tal feito. 

A Formula 1, em setembro de 2001, estava em festa. Michael Schumacher tinha conseguido o seu quarto título mundial em Spa-Francochamps, numa temporada onde Mika Hakkinen entrara em colapso, e o melhor momento disso foi a sua desistência na última volta do GP de Espanha, quando liderava com mais de meio minuto sobre Schumacher. Hakkinen, que vivia problemas pessoais nessa altura, decidiu que o melhor seria um ano sabático, que depois, virou numa reforma definitiva.

Com a McLaren desfalcada, a uma Williams que andava à briga entre Ralf Schumacher e um novato Juan Pablo Montoya que demonstrava a sua rapidez com a sua incapacidade em chegar ao fim - os melhores exemplos foram os GP's do Brasil e da Alemanha, onde no primeiro caso, até fez uma ultrapassagem ousada a Schumacher no S de Senna, mas a corrida acabou quando levou uma batida de traseira por parte de Jos Verstappen

Com um rival frágil e outro à briga por ter um bom carro, Schumacher tinha tudo controlado e a quatro corridas do final, em Spa, ele tinha renovado o título mundial. Monza seria um final de semana de festa para os "tiffosi" e se o alemão ganhasse, melhor ainda. E depois, Indianápolis e Suzuka serviriam para cumprir calendário. 

Mas de repente, numa terça-feira, à hora do almoço na Europa, tudo mudou. A festa virou um enterro, e até Michael Schumacher nem queria comemorar. Tudo numa altura em que equipas como Prost e Arrows lutavam pela sobrevivência. A equipa francesa, que procurava um substituto para o brasileiro Luciano Burti, que se tinha acidentado em Spa-Francochamps, deu uma chance ao checo Tomas Enge, o primeiro piloto do seu país na categoria máxima do automobilismo. Mas não era a única estreia nacional: na Minardi, um malaio, Alex Yoong, corria no lugar de outro brasileiro, Tarso Marques.

Se a FIA e a FOM, ou seja, Max Mosley e Bernie Ecclestone, disseram logo que o espetáculo tinha de continuar, Luca de Montezemolo, o presidente da Ferrari, concordou com a ideia, mas não iria haver comemorações extra, devido ao ambiente sombrio. Nem o pódio iria ser como normalmente. E ainda por cima, havia outro problema: haveria corrida nos Estados Unidos? É que demorou alguns dias até que o espaço aéreo americano voltasse a ser aberto...

E para mostrar o ambiente, a Ferrari decidiu que os seus carros correriam em Monza sem publicidade e com o nariz pintado de negro, em sinal de luto. Tempos depois, os irmãos Schumacher, Michael e Ralf, disseram que se pudessem ter uma palavra a dizer, não teriam corrido.

Mesmo assim, tudo aconteceu como deveria acontecer. No final da qualificação, Juan Pablo Montoya foi o mais rápido, seguido pelos Ferraris de Rubens Barrichello e Michael Schumacher, e o segundo Williams de Ralf Schumacher. Jarno Trulli foi quinto, no seu Jordan-Honda, na frente dos McLarens de David Coulthard e Mika Hakkinen, e quanto aos estreantes, Enge foi 20º, Yoong, 22º e último.

Então, a meio dessa tarde, as noticias vindas de Lausitz, na Alemanha, tinham colocado numa capa ainda mais negra ao ambiente, especialmente devido à natureza chocante do acidente de Alex Zanardi. E todos colocavam dúvidas sobre se queriam continuar ou não. 

No dia da corrida, cerca de 110 mil espectadores estavam em Monza para ver os seus carros a correrem - e esperando eles, ganharem. Schumacher até disse que iria ajudar Barrichello a ver se conseguia o vice-campeonato, e se ele ganhasse, melhor. Na hora antes da corrida, Schumacher andou pelo pelotão a tentar convencer os pilotos a fazerem um pacto para que não acontecessem ultrapassagens nas duas primeiras chicanes, ou seja, até às Lesmos. 

Schumacher, como todos os outros, tinha visto os eventos de Lausitz, no dia anterior, e acumulado com os eventos de terça-feira anterior, e também o que acontecera no ano anterior, com a carambola na Variante Roggia, que matou o comissário de pista Paolo Gislimberti, queria segurança para eles. Contudo, gente como Jacques Villeneuve e Flávio Briatore recusaram o pacto, e alegadamente, Briatore ameaçou os seus pilotos, Giancarlo Fisichella e Jenson Button, que iriam ser despedidos se não tentassem ultrapassar durante os primeiros metros. 

Na partida, Montoya manteve o primeiro posto, e os pilotos andaram normalmente. Mas na oitava volta, Barrichello passou-o, depois do colombiano ter travado muito forte na Variante della Roggia e este ter reagido de forma mais lenta que o brasileiro. Ele foi-se embora, e Montoya passou a encarar Michael Schumacher. Na volta 13, o alemão tentou passá-lo, depois de ele ter travado muito forte na segunda chicane, mas o colombiano da Williams conseguiu defender-se.

Na volta 18, Montoya e Schumacher foram às boxes, para a sua primeira paragem, e o colombiano regressou em quarto, atrás do segundo Ferrari. Contudo, a Williams só iria parar uma vez, e a Ferrari apostava em duas paragens. Na volta 19, Barrichello parou para reabastecer, mas demorou na operação, e quando regressou à pista, ele era terceiro, atrás de Montoya e Ralf, mas na frente de Michael Schumacher. no meio disto tudo, Mika Hakkinen ficou sem caixa de velocidades e acabou por desistir.

Na frente, o colombiano mantinha-se na liderança, com o alemão atrás, mas Montoya reabastece na volta 28, dando à liderança para Ralf, com ele em terceiro, atrás de Barrichello, mas o Schumacher mais novo ainda não tinha ido às boxes. Quando este foi reabastecer, na volta 35, ele regressou em terceiro, atrás de Montoya e Rubinho. Ele fez algumas voltas mais rápidas, mas não foi muito longe. Na volta 41, Barrichello parou uma segunda vez, e a liderança caiu para Montoya, do qual não mais largou até à meta.

Na volta 47, Barrichello tentou apanhar Schumacher para o segundo lugar, e a tentativa foi forte, mas leal. Depois disso, o brasileiro tentou apanhar Montoya, e a diferença caiu para cerca de cinco segundos, mas aquele era o dia de Montoya, graças à boa estratégia da Williams. Afinal de contas, ganhar a sua primeira corrida em Monza, casa da Ferrari e uma das clássicas do automobilismo, demonstrava que tinha material para ser campeão. Se controlasse os seus instintos. 

Michael Schumacher, o dominador de 2001, era um discreto quarto classificado, apesar de ter ficado a mais de 24 segundos do vencedor, e na frente do Jaguar de Pedro de la Rosa e do BAR-Honda de Jacques Villeneuve, que ficaram com os restantes lugares pontuáveis, mas para ele, já tinha feito o que tinha a fazer, e só cumpria calendário.    

Noticias: Domenicalli justificou o aumento de corridas "sprint"


Depois da divulgação do calendário de Formula 1 para a temporada de 2027, Stefano Domenicalli, o CEO da competição, veio a público falar sobre ela, especialmente quando mais de 40 por cento das rondas terão, assim, um formato reforçado, com uma qualificação Sprint e uma corrida curta adicional ao longo do fim de semana. 

Domenicali considera que a combinação entre circuitos históricos e grandes cidades reforça o alcance global da Fórmula 1, e destacou também o regresso de duas provas populares, Portugal e Turquia. “O calendário de 2027 reúne alguns dos circuitos mais icónicos e cidades mais vibrantes do mundo, criando um palco incrível para mais uma temporada inesquecível de Fórmula 1.”, começou por afirmar.

Estamos muito felizes por dar as boas-vindas a Portugal e à Turquia no campeonato e por expandir as corridas Sprint para dez eventos, dando aos nossos fãs ainda mais intensidade, drama e ação roda com roda, que tornam o nosso desporto tão especial.", continuou.

"A Fórmula 1 continua a crescer, atraindo novos públicos em todo o mundo. Semana após semana, os melhores pilotos do mundo vão disputar corridas em algumas das pistas mais exigentes do desporto motorizado, apoiados pelas equipas de excelência da Formula 1, pelos fabricantes de classe mundial e pelos parceiros globais. Juntos, criam um espetáculo sem paralelo no desporto. À medida que prosseguimos esta notável jornada de crescimento, quero agradecer aos nossos fãs em todo o mundo, pois é a paixão deles que impulsiona tudo o que fazemos.”, concluiu.

Domenicali agradeceu ainda a Mohammed Ben Sulayem, presidente da FIA, e às entidades envolvidas na construção do calendário, e salientou igualmente o trabalho das equipas de organização no terreno. “Quero agradecer ao presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, e à FIA, às nossas equipas e pilotos, promotores, parceiros, patrocinadores e cidades anfitriãs pelo seu compromisso e apoio contínuos.”, começou por afirmar.

Reconhecemos a dedicação extraordinária dos voluntários, comissários e oficiais, cujo trabalho torna possível cada Grande Prémio. Estamos extremamente entusiasmados por ver este calendário ganhar vida e por proporcionar aos nossos fãs em todo o mundo outra temporada repleta de momentos inesquecíveis, competição intensa e entretenimento de classe mundial.”, concluiu.

Formula 1: Divulgado o calendário de 2027


O calendário de 2027 foi divulgado na manhã desta quarta-feira, e há muitas novidades. Terá 24 corridas, em dez delas, incluindo o Mónaco, terá "Sprint Races". Para além disso, começará no inicio de março, no Bahrein, e terminará a meio de dezembro, em Abu Dhabi.

As grandes novidades serão a entrada de Portimão, no Algarve, sul de Portugal, e Istambul Park, na Turquia. A corrida portuguesa será a 20 de junho, e a turca, a 3 de outubro, entre as provas de Baku, no Azerbeijão, e de Singapura, a 10 do mesmo mês. A pausa de verão ocorrerá entre o GP da Hungria, que será a 1 de agosto, e 5 de setembro, data do GP de Itália, em Monza.

A 25 de julho, acontecerá o GP da Bélgica, na pista de Spa-Francochamps. Será a última temporada que receberá de forma contínua, pois estará "en tandem" com a pista de Barcelona, na Catalunha, que regressará em 2028. 

Outras grandes novidades serão que provas emblemáticas como as 24 Horas de Le Mans de 2027 não acontecerão no mesmo fim de semana de algum Grande Prémio, logo, os pilotos de Formula 1 de equipas como McLaren, Ferrari, Aston Martin e Alpine, entre outros, poderão participar nessa clássica da Endurance, caso queiram. Mas também não haverá colisões com as 500 Milhas de Indianápolis, as 24 Horas de Spa-Francochamps e as 24 Horas de Nurburgring, que poderá ser bom para alguns pilotos.

Outra novidade: Imola, Zandvoort e Barcelona serão circuitos de reserva, caso o conflito no Médio Oriente cause perturbações na logística e na segurança de pessoas e máquinas. 

domingo, 13 de setembro de 2026

As imagens do dia






Não sei afirmar se esta tarde, isto que assisti em Madrid foi um "snoozefest" porque, eu juro, estava acordado e consciente, porque nas voltas finais esperava emoção, para saber se algum dos quatro primeiros iriam tentar passar uns aos outros, pois estavam muito perto um do outro. Houve tentativas, mas todas frustradas. Não se se o circuito é estreito para estes carros, mas acho em em 2027, tem de haver modificações em algumas curvas.

No final, a corrida ficou decidida por um Safety Car Virtual, quando Lewis Hamilton ficou sem travões (freios, para os brasileiros que leem isto) no seu Ferrari, nas primeiras voltas. Leclerc ficou na pista, Andrea Kimi Antonelli e Max Verstappen foram para as boxes, Norris também foi... no momento em que acabava esse VSC. A diferença entre um e outro? Onze segundos. Com ele, 13 segundos entre entrar e sair das boxes. Sem ele, são 24 segundos...

Claro, as pessoas esperavam que não fosse o único Safety Car, virtual ou real. Mas esta tarde, todos se portaram bem e não houve mais nada. Leclerc ficou até quando pode, mas acabou fora do pódio. Norris ficou perto de Max o suficiente para tentar uma passagem, mas não conseguiu superar o neerlandês, e assim, um erro custou-lhe, se calhar, o lugar mais alto do pódio.

Quem foi o beneficiado? Claro, Kimi Antonelli. Duas vitórias consecutivas, liderança alargada, e menos uma corrida a caminho de um inédito título mundial para ele. Segundo os meus cálculos, ele tem tudo para ser campeão em Interlagos. Até calha bem, é o lugar onde nasceu Ayrton Senna, a pessoa que, alegadamente, reencarnou...

(claro, não acredito nisso, Antonelli é Antonelli e ele é assim desde os tempos da Formula 4 Italiana)

Sobre o Madring, tenho umas coisas para dizer - podem cobrar, se quiserem: esta pista é muito estreita. Se era para isso, mais valia terem ampliado e renovado Jarama. Teria sido mais caro? Teria, mas preferia o “snoozefest” numa pista permanente que numa semipermanente, como esta do Madring.

Mas a minha reclamação nem é essa, a razão porque falo o que falo em cima é por causa disto: isto é Valencia sem a vista para o mar. Não não culpem o Hermann Tilke, o desenhador é outro - chama-se Jarno Zafelli, e nunca ouvi falar dele até hoje. Para construir esta pista, ou parte dela, quem financiou foi o governo regional de Madrid. Sabem que fez isso, há mais de 20 anos? Valencia. Foram eles que construíram e sustentaram essa pista citadina. O contrato acabou antes de tempo porque o governo regional da Generalitat de Valencia ficou sem dinheiro, e agora... está abandonado. 

Esta pista, e esse Grande Prémio, está dependente de um governo regional que não é do partido do poder. E vai estar no calendário enquanto pagarem. Se por algum motivo, o governo regional mudar e achar que não é viável, eles largam tudo, e o Madring, com ou sem Monumental, irá acabar às moscas. E será ainda antes de 2035.

Porque foi isso o que aconteceu com Valencia quando o contrato acabou antes de tempo. E sem ninguém a apoiar, e sem alternativas, acabou abandonada.

Formula 1 2026 - Ronda 14, Madring (Corrida)


A chegada da Formula 1 a Madrid não é um regresso a Jarama. Na realidade, faz mais lembrar Valencia, no litoral mediterrânico, onde o circuito Ricardo Tormo não foi usado para a categoria máxima do automobilismo, mas sim uma pista citadina do qual foi parcialmente feito nas ruas da terceira maior cidade de Espanha. Hoje em dia, sabendo o que aconteceu à pista valenciana depois da Formula 1 ir embora, pergunto-me se ter aquela curva monumental nas traseiras da IFEMA... será o suficiente para manter a pista no calendário para além de 2035, por exemplo?

Havia receios de que o fim de semana madrileno fosse caótico, mas na realidade, os pilotos de formula 1 portaram-se bem na sexta e no sábado. Mas agora é domingo, está calor - pelo menos 30ºC, e 54.2ºC na superfície do asfalto - e claro, este é o teste principal. Sim, na semana passada, em Monza, também correram debaixo de calor, mas esta não é uma pista rápida: é uma pista parcialmente citadina, e os muros estão muito mais perto da trajetória dos carros, e o perigo está mais à espreita.

Na hora anterior, soube-se das escolhas na partida: Norris e Antonelli calçam médios, Max e Hamilton começam com moles, Leclerc, Russell, Piastri e Lawson começam com os pneus brancos, representando os duros. Todos usaram todos os tipos, o que abre mais um interesse que aqueles de uma nova pista e de umas boxes muito longas: eles perderão 24 segundos dentro dele, para entrar e sair. 

E mais atrás, Ollie Bearman começa das boxes.


Na partida, Norris aguentou as investidas de Antonelli, antes de o italiano passar nas curvas seguintes, mas o britânico da McLaren voltou ao primeiro posto, antes de ser passado pelo Red Bull de Max Verstappen, numa ultrapassagem anterior que aparentava ser ilegal. Atrás, Colapinto subiu para sétimo, e Piastri caiu para décimo. 

Algumas voltas depois, na quarta passagem pela meta, Max deixou ser passado por Antonelli e Hamilton para que evitasse ser penalizado com cinco segundos. Contudo, pouco depois, ele voltou a passar Hamilton, que por sua vez, teve de deixar passar Leclerc, aparentemente porque tinha problemas de travões. Na sexta volta, ele saiu de frente na travagem para a curva 20, para além de ter um furo, e caía na classificação geral. Arrastando para as boxes por mais uma volta, tornava-se na primeira desistência do dia.

Por esta altura, Norris já tinha quatro segundos sobre Antonelli, que por sua vez, tinha quatro segundos de vantagem sobre Max Verstappen. Russell era quinto, e afastava-se do Alpine de Franco Colapinto, cerca de oito segundos no final da oitava volta. Aliás, o piloto argentino aguentava o resto do pelotão, com Liam Lawson a querer passá-lo para poder se afastar dele. O neozelandês só conseguiu isso na décima volta. 


Na volta 15, Lance Stroll parou na pista e o Safety Car virtual é colocado. Os pilotos da frente aproveitaram para ir às boxes - neste tio de condições, eles só perdem 13 segundos - e Antonelli, Max Verstappen e George Russell foram colocar pneus duros, e isso foi repetido pela esmagadora maioria dos pilotos na volta seguinte, e isso incluiu Lando Norris, que foi âs boxes... na volta em que acabou o VSC! Colocou duros e voltou às boxes na quinta posição, com Charles Leclerc a liderar a prova.

Antonelli, com os duros novos, ia tentar buscar o monegasco da Ferrari, e estava a cerca de um segundo do líder. Os dois tinha mais de sete segundos de vantagem sobre Max, o terceiro, e o neerlandês tinha 2,5 segundos de vantagem sobre George Russell, o quarto classificado. A partir daqui, a corrida ficou estabilizada, pois Antonelli não conseguia apanhar Charles Lelcerc. Aliás, o piloto da Mercedes estava a deixar escapar o da Ferrari.

George Russell foi às boxes na volta 29, cerca da metade da corrida, para colocar médios. Voltou na pista em sexto, esperando que estes pneus sejam suficientemente eficazes para poder recuperar o lugar. Cinco voltas depois, na 34, Sérgio Perez arrastou o seu Cadillac para as boxes para ser a terceira retirada da corrida. 

Com o passar das voltas, via-se que os pneus duros resistiam bem às condições de corrida, com Leclerc a manter o mesmo jogo de pneus desde o inicio da prova, com Norris, em quarto, a fazer a volta mais rápida, e a menos de dez segundos da liderança. E ele, com os duros, pode ficar na pista até ao final, pois já tinha feito a sua paragem nas boxes. Leclerc, por exemplo, ainda não tinha feito, e arriscava ficar fora do pódio.


Por alturas da volta 42, Norris já estava na traseira de Max Verstappen, querendo passar o piloto da Red Bull e subir ao pódio. Piastri, entretanto, foi às boxes, porque ainda não tinha lá ido, para sair à pista na 11ª posição, fora dos pontos, com médios e esperando que tenha tempo suficiente para regressar lá. Passou Lindblad na volta 45, na mesma altura em que Lawson ia às boxes, colocar médios e voltar em sétimo, na frente de Gabriel Bortoleto, oitavo... e ainda não tinha parado.

Mas na frente, estavam quatro pilotos de quatro equipas diferentes, com menos de três segundos entre eles. A aproximação existia, mas ninguém conseguia ficar perto o suficiente para uma ultrapassagem. 

Leclerc foi, por fim, às boxes, na volta 49. regressava à pista em quarto, com moles. Provavelmente é para ver se fica com a volta mais rápida da corrida, porque para o resto... ele estava a 25 segundos de um pódio e 29 de uma vitória. Para que o piloto da Ferrari conseguisse isso, só mesmo um milagre.

Agora na frente, Antonelli aguentava Max, que por sua vez, era pressionado por Norris. Mas nas voltas finais, o italiano afastava-se de Max e Norris para, assim, poder ser o primeiro vencedor do Madring, no regresso da Formula 1 à capital, e claro, conseguindo alargar a sua liderança. Mas Max não se livrou de um susto quando a duas voltas do final, Norris tentou passá-lo na curva 5, sem sucesso. 


Quando a bandeira de xadrez foi mostrada, Antonelli vencia a sua oitava corrida da carreira, e cada vez mais, mostrava-se como o candidato número um ao título de 2026, e assim, ser o campeão mais novo de sempre nos 76 anos da história da Formula 1. Resta saber se antes ou depois do fim de semana de Interlagos...

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

A história do GP de Espanha (última parte)


No próximo fim de semana, a 13 de setembro, a Formula 1 correrá no novo circuito de Madring, uma pista semi-urbana nos arredores de Madrid, a capital espanhola. É claro que existem muitas expectativas em relação ao que será esta nova pista no Grande Prémio - a curva em relevo que foi construída é um motivo de curiosidade, de facto - mas isto faz lembrar de uma coisa: o GP de Espanha é um evento centenário, e Madring é a mais recente pista de um conjunto de locais onde o automobilismo passou, pelo menos desde... bem, desde há mais de um século, em 1913.

Depois de na segunda-feira ter falado dos primeiros tempos, e depois, da pista de Pedralbes, na cidade de Barcelona, onde recebeu a corrida de encerramento dos mundiais de 1951 e 1954, e de na segunda parte, falou-se sobre os esforços para o regresso da Formula 1 a terras espanholas, com a construção da pista permanente de Jarama e a alternância com o veloz, e perigoso, circuito de Montjuich, no meio da cidade de Barcelona, nesta terceira e última parte, fala-se da construção de pistas como Jerez, em 1986, e de Montmeló, nos arredores de Barcelona, em 1991, da sua consolidação no calendário, e o seu regresso a Madrid.

 


FUENGIROLA, JEREZ E MONTMELÓ, UMA NOVA ERA


Em 1984, tentou-se o regresso, com a ideia de fazer uma pista nas ruas de Fuengirola, uma cidade balnear na província de Málaga, no sul da região da Andaluzia. Contudo, os problemas levantados foram de tal ordem que a ideia foi cancelada, e no lugar do GP de Espanha, veio o GP de Portugal, marcado para outubro, no autódromo do Estoril. 

Quando se tentou novamente, em 1985, e falhou, por causa de problemas de organização, o "alcaide" de Jerez, Pedro Pacheco Herrera, pediu a Sandro Rocci, um engenheiro de formação, que desenhasse um circuito permanente nos arredores da cidade, com a ideia de ter a Formula 1, a MotoGP e também de promover a industria local dos "sherries", um licor adoçado, do mesmo tipo do Vinho do Porto. 

A pista ficou pronta a 8 de dezembro de 1985, embora com as bancadas e as boxes ainda em construção, e a primeira corrida foi para o Espanhol de Turismos. Mas em abril do ano seguinte, tornou-se na segunda prova do calendário, e foi ganha por Ayrton Senna, que bateu Nigel Mansell por 13 centésimos de segundo. 

Apesar de um novo circuito permanente ter sido aplaudido, tinha os mesmos defeitos de Jarama: estreita e sinuosa. E como era longe de Madrid, Barcelona ou até de Sevilla, poucos eram os espectadores que vinham ver o Grande Prémio: raramente teve mais que dez mil espectadores. Em contraste, o GP de Espanha de motociclismo, que acontecia em abril ou maio, atraía, em média... 120 mil espectadores. 

Em 1990, a Catalunha decidiu construir um circuito permanente nos seus arredores, mais concretamente em Montmeló. Mas enquanto se desenhava a pista, a Formula 1 disputava ali a sua corrida, uma semana depois do GP de Portugal. Na qualificação de sexta-feira, o Lotus de Martin Donnelly bateu fortemente contra o guard-rail, destruindo o carro e ferindo gravemente o seu piloto. Muitos consideraram que a pista era suficientemente perigosa para ser tirada do calendário, mas a Formula 1 correu novamente em 1994 e 97, quando foi o GP da Europa. Nessa altura, a pista foi modificada, colocando uma chicane no lugar onde Donnelly bateu, bem como mais retas, para tirar a sinuosidade da pista.

O circuito da Catalunha ficou pronto a tempo da edição de 1991 do GP de Espanha, e ali assistiu-se a um duelo entre Nigel Mansell e Ayrton Senna, em plena reta da meta, e numa corrida húmida - a chuva fez a sua aparição - onde o britânico levou a melhor, num campeonato que acabou por ser ganho por Senna.

Em 1992, a corrida foi transferida para maio, a meio da primavera, e tornou-se, alternadamente com Imola, na prova inaugural da fase europeia do calendário. Nigel Mansell ganhou nesse ano, e até ao final da década, foi a Williams a ganhar boa parte das corridas. Notáveis excepções aconteceram em 1994 e 1996, quando Michael Schumacher foi o vencedor, especialmente na edição de 96, que aconteceu debaixo de chuva e tornou-se na sua primeira vitória ao serviço da Scuderia. 

Desde então, a Formula 1 aconteceu sempre em Montmeló, apesar da aparição de Valência, entre 2008 e 2012 - mas sempre foi o GP da Europa, nunca o GP de Espanha - e de ter sido das poucas corridas que aconteceram em 2020 e 2021, onde os anos da pandemia impediram a realização de boa parte das corridas inicialmente marcadas. 

Agora, 35 anos depois da última transferência, a Formula 1 regressa a Madrid, mas não saiu de Barcelona: haverá um GP da Catalunha, e até 2031, alternará em termos de calendário com outras pistas um pouco por toda a Europa. 


O Madring é uma pista mista: construída perto do pavilhão principal da Feira de Madrid, o IFEMA, em pouco menos de um ano, tem 5416 metros, 22 curvas, numa mistura de curvas lentas, de média e alta velocidade. Uma delas, já chamada "La Monumental", semelhante à última curva de Zandvoort, terá um ângulo de 13 graus, e para além disso, haverá bancadas com capacidade para 110 mil espectadores. Contudo, um mês antes, num evento de teste, com carros de Formula 3, houve mais de duas dezenas de amostragens de bandeiras vermelhas, podendo potencial um fim de semana complicado para máquinas e pilotos.

Resta saber se, com o GP espanhol a acontecer no seu nono circuito da sua sua história, o sucesso e o prestígio continuará. Pelo menos sabemos que eles correrão ali até 2035. 

terça-feira, 8 de setembro de 2026

Youtube Formula 1 Video: Um Red Bull sobre carris

Nesta contagem final até ao GP de Espanha, na nova pista do Madring, em Madrid, as equipas tentam fazer algo para dar nas vistas. Por exemplo, a Red Bull, que decidiu colocar um carro... nos carris do metro da cidade.  

A história do GP de Espanha (Parte II)


No próximo fim de semana, a 13 de setembro, a Formula 1 correrá no novo circuito de Madring, uma pista semi-urbana nos arredores de Madrid, a capital espanhola. É claro que existem muitas expectativas em relação ao que será esta nova pista no Grande Prémio - a curva em relevo que foi construída é um motivo de curiosidade, de facto - mas isto faz lembrar de uma coisa: o GP de Espanha é um evento centenário, e Madring é a mais recente pista de um conjunto de locais onde o automobilismo passou, pelo menos desde... bem, desde há mais de um século, em 1913.

Depois de ontem ter falado dos primeiros tempos, e depois, da pista de Pedralbes, na cidade de Barcelona, onde recebeu a corrida de encerramento dos mundiais de 1951 e 1954, nesta segunda parte, falar-se-á sobre os esforços para o regresso da Formula 1 a terras espanholas, com a construção da pista permanente de Jarama e a alternância com o veloz, e perigoso, circuito de Montjuich, no meio da cidade de Barcelona. E no final, como Jarama foi uma vitima colateral, e palco de um importante episódio da guerra entre FOCA e FISA. 


JARAMA, MONTJUICH E UMA DÉCADA AUTOMOBILISTICA


Durante quase uma década, a Espanha não pensou muito no automobilismo, até que a RACE pensou que não seria uma má ideia construir uma pista permanente nos arredores de Madrid. Para além disso, o plano alargou-se para a remodelação de uma pista citadina, o circuito de Montjuich, perto do jardim e do parque desportivo da cidade. A ideia da RACE era de ter uma corrida de Formula 1 nas duas pistas, de forma alternada, como tinham os britânicos e os franceses. 

A pista permanente foi feita na região de San Sebastian de los Reyes, perto do rio Jarama, e ganhou esse nome. Pronto em 1967, foi inaugurado por Francisco Franco, o "Caudillo", e para poder entrar no calendário da Formula 1, fizeram uma prova extra-campeonato, a 12 de novembro, numa corrida ganha pelo Lotus de Jim Clark, na frente do seu companheiro de equipa, Graham Hill, e do carro de Jack Brabham. Estiveram 18 carros presentes e 14... eram de Formula 2, e a Lotus foi a única que trouxe dois carros, modelo 49.

Tudo pronto para o seu regresso em 1968, dali a exatamente seis meses, a 12 de maio, mas quando aconteceu, Clark estava morto, e Jackie Stewart estava lesionado por causa de um acidente de Formula 2... em Jarama. Por causa disso, apenas 14 carros estavam presentes nessa corrida, e o vencedor foi outro Lotus, o de Graham Hill, que bateu o McLaren de Dennis Hulme e o Cooper-Maserati de Brian Redman, no seu único pódio na Formula 1.


No regresso, a RACE decidiu que queria alternar o Grande Prémio com Montjuich, e apresentou uma pista com forte segurança, nomeadamente áreas de escape e guard-rails. A Comission Sportive International, antepassada da FISA e depois, da FIA, aprovou, e em 1969, aconteceu o primeiro Grande Prémio no veloz circuito catalão. Contudo, logo na sua primeira corrida, aconteceu o primeiro incidente grave, quando os Lotus de Graham Hill e do austríaco Jochen Rindt sofreram acidentes a alta velocidade, mostrando que por muita segurança que tivesse, nunca seria suficiente. 

A corrida alternou entre ambos os circuitos nos anos seguintes. Em 1970, regressou a Jarama, mas na primeira volta dessa corrida, um choque entre o Ferrari de Jacky Ickx e o BRM de Jackie Oliver fez com que ambos os carros, cheios de gasolina, ardessem por muitos minutos e os bombeiros combatessem as chamas enquanto a corrida decorria. Felizmente, nenhum dos pilotos ficou ferido.

A corrida foi ganha nos anos seguintes por gente como Jackie Stewart (1970-71), Emerson Fittipaldi (1972-73) e Niki Lauda, que conseguiu ali a sua primeira vitória, e a primeira pela Ferrari em ano e meio. 


A corrida de 1975 acontecia novamente em Montjuich. Contudo, logo no primeiro dia de competição, os pilotos detectaram falhas graves na segurança. nomeadamente a má colocação das barreiras de proteção. Ameaças de greve, o boicote de pilotos como Emerson Fittipaldi e a organização a ameaçar apresar os carros, caso não participassem, fizeram com que a corrida estivesse sob ameaça, mas aconteceu.

Mais valia ter sido cancelado. 

A partida foi caótica, com os Ferrari de Niki Lauda e Clay Regazzoni a serem eliminados, Emerson Fittipaldi a retirar voluntariamente o seu carro da pista, e para piorar as coisas, na volta 26, a asa traseira do Hill de Rolf Stommelen quebrou-se a alta velocidade e bateu violentamente contra o guard-rail, acabando fora da pista. Se o alemão saiu gravemente ferido, mas vivo, três fotógrafos e um espectador não tiveram a mesma sorte e morreram no impacto. A corrida foi prematuramente terminada na volta 29, ganha por Jochen Mass, e tornou-se na primeira corrida onde os pilotos ganharam metade dos pontos previstos.

A partir dali, Jarama ficou com o exclusivo do GP espanhol, mas com o passar dos anos, os pilotos começaram a queixar-se de que a pista já era muito curta e sinuosa para os carros. Mas não foi isso que a Formula 1 acabou por sair de Jarama: foi a politica.

Em 1980, a luta entre a FISA e a FOCA estava ao rubro, principalmente quando a FISA decidiu obrigar os pilotos a participarem em conferências de imprensa. A FOCA desafiou essa obrigação, fazendo com que os pilotos boicotassem a conferência de imprensa do GP do Mónaco. A FISA multou os pilotos com cinco mil dólares, e quando estes não pagaram, resolveu retirar as suas licenças para correr. A bola de neve ficou tão grande que a FISA decidiu cancelar o GP de Espanha, marcado para o dia 1 de junho.

A intervenção pessoal do Rei de Espanha, Juan Carlos I, amante de automóveis, impediu o cancelamento, mas a FISA decidiu que não iria contar para o campeonato. Ferrari, Renault e Alfa Romeo tiraram os seus carros, e as outras equipas, alinhados com a FOCA, participaram. Venceu Alan Jones, numa corrida algo caótica, na frente do Arrows de Jochen Mass e do Lotus de Elio de Angelis.


A corrida voltou a contar para 1981, e acabou com Gilles Villeneuve a segurar quatro carros nas 25 voltas finais, fazendo um "comboio" do qual ninguém conseguia passar, apesar das tentativas insistentes do Ligier de Jacques Laffite de o ultrapassar. Villeneuve ganhou, os outros pilotos se queixaram, mas ficava o óbvio: Jarama não tinha mais condições de receber os carros de Formula 1.

(continua amanhã)

Noticias: Hadjar não participará em Espanha


Pela terceira vez seguida, Isack Hadjar não participará numa corrida na temporada de 2026. A Red Bull confirmou ontem à noite que o piloto francês não está disponível para a estreia da pista de Madring, que acontecerá neste final de semana, e Liam Lawson continuará no seu lugar, enquanto na Racing Bulls, o japonês Yuki Tsunoda correu no carro do piloto neozelandês nas últimas duas corridas.  

A decisão foi tomada numa altura em que a recuperação do Isack continua a evoluir de forma positiva. Embora ainda não esteja pronto para regressar ao cockpit, estará em Madrid a apoiar a equipa”, explicou a estrutura austríaca, esperando por um regresso em breve. “Estamos ansiosos por voltar a ter o Isack no RB22 muito em breve”, acrescentou.

Tudo indica que o regresso do piloto francês está apontado para a corrida de Baku, no final do mês, mas tudo tem de passar pelas juntas médicas da FIA para saber se está em forma para poder regressar ao seu carro. 

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

A imagem do dia




Estas são imagens de um milagre. Ou se quiserem, um regresso dos mortos. 

Passado meio século sobre o fim de semana do GP de Itália de 1976, e ao ver as imagens do aseu rosto, 40 dias depois do seu acidente, tenho a certeza que deve ter havido muitos rostos chocados para ver o que acontece com alguém depois de um acidente que podia tê-lo deixado cego, mas "apenas" ficara queimado da cara, e não tinha parte do couro cabeludo e parte da sua orelha direita. 

E tenho a certeza que todos estavam a ver alguém que voltava dos mortos. E também tinham ouvido do momento em que apareceu o padre a dar-lhe a extrema-unção. 

Bem vistas as coisas, Niki Lauda apenas tinha ficado de fora de duas corridas: Áustria e Países Baixos. E com a Ferrari a anunciar Carlos Reutemann como seu substituto e James Hunt a ganhar duas das três corridas onde ele não esteve presente e reduzir a margem que liderança que tinha para meros dois pontos, Lauda tinha de reagir. Como ele não tinha fraturado nem braços, nem pernas, apenas tinha de saber se as suas queimaduras na cara não o impediam de guiar o carro, ou se tinha recuperado suficiente fôlego nos pulmões para poder aguentar a duração de uma corrida. Como ele se sentia bem, apesar dos ferimentos, entrou dentro do carro e foi à luta.

Tinha um capacete feito por medida, para poder suportar os ferimentos na cabeça, mas mesmo assim, a imagem dele com as ligaduras em sangue impressionou muitos. 

Mas quem via tudo de fora, pensava que estava a ver alguém a voltar dos mortos. Não queria acreditar que, daquelas imagens que vira na televisão, pouco mais de um mês antes, surgiria alguém ferido, mas vivo. E ele estivesse suficientemente bom para poder correr e defender uma liderança do qual tinha sido severamente diminuída durante a sua ausência.

Mas o que também não sabiam era que estar ali era apenas metade do caminho. Lauda tinha de batalhar contra o seu maior oponente: ele mesmo. É que, tempos depois, na sua autobiografia, disse que quando entrou no seu carro, na primeira sessão de treinos, em Monza, estava paralisado de medo. O trauma - agora chamamos stress pós-traumático - iria aparecer, era inevitável. Contudo, a sua mentalidade era de não desistir e recordar que tinha um campeonato do qual tinha de lutar para o ganhar, e que havia perigo adiante. E claro, tinha de provar a tudo e todos que não estava acabado. E o primeiro a provar que esta era uma causa que valia a pena lutar era... ele mesmo.

A história do GP de Espanha (parte 1)


No próximo fim de semana, a 13 de setembro, a Formula 1 correrá no novo circuito de Madring, uma pista semi-urbana nos arredores de Madrid, a capital espanhola. É claro que existem muitas expectativas em relação ao que será esta nova pista no Grande Prémio - a curva em relevo que foi construída é um motivo de curiosidade, de facto - mas isto faz lembrar de uma coisa: o GP de Espanha é um evento centenário, e Madring é a mais recente pista de um conjunto de locais onde o automobilismo passou, pelo menos desde... bem, desde há mais de um século, em 1913.


AS ORIGENS


O automobilismo chegou cedo a Espanha, acompanhando os primeiros automóveis a chegar a aquela parte da Peninsula Ibérica. O Real Automovil Club de España foi formado em 1903, o mesmo ano em que se decidiu fazer uma corrida entre Paris e Madrid, que acabou tragicamente na primeira etapa, em Bordéus, depois de diversos acidentes mortais, um deles envolvendo Marcel Renault, um dos fundadores da marca com o mesmo nome, e um entusiasta do automobilismo. 

O primeiro GP de Espanha aconteceu em 1913, num circuito formado na Serra de Guadarrama. Um circuito com... 300 quilómetros de extensão, e que foi ganho por Carlos de Salamanca, num Rolls-Royce. Não houve corridas por uma década, até à construção da primeira pista permanente em território espanhol, mais concretamente em Sitges-Terramar, na Catalunha. Feito em cimento e betão, a oval, a lembrar Brooklands, foi feito para essa corrida e foi ganha pelo francês Albert Divo, num Sunbeam.


A competição regressaria três anos depois, em 1926, numa pista urbana em Lasarte, perto de San Sebastian, no País Basco, e passou a acontecer até 1935, com uma interrupção entre 1930 e 32. Entre os vencedores estavam pilotos como o francês Robert Benoist, o monegasco Louis Chiron, o italiano Achile Varzi e o alemão Rudi Caracciola.


O INGRESSO NA FORMULA 1


A Guerra Civil, que arrasou o país entre 1936 e 39, fez interromper o automobilismo no país, e depois disso, a II Guerra Mundial fez atrasar o seu regresso por mais alguns anos. Em 1946, desenhou-se um circuito semi-permanente em Pedralbes, nos arredores de Barcelona, ao redor de um dos parques da cidade. Naquela cidade, disputava-se desde 1921, com interrupções, o Penya Rhin Grand Prix, e que tinha tido como vencedores gente como Achile Varzi, Tazio Nuvolari, Luigi Fagioli, Luigi Villoresi, e em 1950, Alberto Ascari.


Assim sendo, Pedralbes entrou no calendário de 1951 como o primeiro GP de Espanha de Formula 1, e iria ser a última corrida do campeonato, a 28 de outubro. A ideia era de esperar que fosse uma corrida emocionante... e foi!

Quando a Formula 1 chegou a essa corrida, o título mundial estava pendente do resultado de um duelo entre Alberto Ascari, num Ferrari, e Juan Manuel Fangio, num Alfa Romeo. O argentino tinha 27 pontos, mais dois que o italiano, e claro, tudo estava em jogo, apesar de Fangio estar em melhor posição.

Na qualificação, Ascari levou a melhor, fazendo a pole-position, mais de 1,6 segundos sobre Fangio, o segundo na grelha. Contudo, no inicio da corrida, o piloto da Alfa Romeo decidiu colocar no seu carro pneus de 18 polegadas, contra os de 16 polegadas que tinham os Ferrari. Fangio foi para a frente e começou a forçar o ritmo para que os Ferrari seguissem. E resultou: Ascari cedo foi para as boxes trocar de pneus, com estes a degradarem-se fortemente, enquanto Fangio, calmamente, abria uma vantagem para a concorrência e ganhar a prova, duas voltas na frente do italiano e, então com 40 anos, alcançar o seu primeiro título mundial. 


E até hoje, esta é a última vitória da Alfa Romeo na Formula 1. 

O próximo GP de Espanha aconteceu... em 1954, e também foi a última corrida do campeonato. 

Ao contrário de três anos antes, o campeonato já estava decidido há muito tempo para os lados de Juan Manuel Fangio, que tinha ganho o seu segundo título a bordo da Maserati, na primeira parte do campeonato, e da Mercedes, na segunda metade. Mas este também foi a corrida de estreia do Lancia D50, nas mãos de Alberto Ascari, e foi com ele que conseguiu a pole-position, um segundo na frente de Juan Manuel Fangio.

A corrida começou com Ascari na frente, lutando pela liderança com o Maserati do americano Harry Schell, e o Ferrari de Maurice Trintignant, mas na volta 10, Ascari desistiu com problemas de embraiagem, e depois foi um duelo entre Schell e Trintignant até que na volta 24, Mike Hawthorn, noutro Ferrari, ficou com o comando da corrida, e lá ficou até à meta. O Maserati de Luigi Musso e o Mercedes de Juan Manuel Fangio ficaram com os restantes lugares do pódio.

O que não se sabia era que iria ser a última corrida nessa pista. Apesar de estar no calendário de 1955, e marcado para o dia 23 de outubro, o desastre nas 24 horas de Le Mans, em junho, acabou por cancelar boa parte das provas europeias. E com isso, a Formula 1 deixaria de ir a Pedralbes e a Espanha por mais de uma década.

(continua amanhã)

domingo, 6 de setembro de 2026

As imagens do dia





Uma das coisas que ando a ler esta noite, de muita gente que conheço e respeito há 20, 25, talvez 30 anos neste mundo da Formula 1, é que nunca pensaram ver italianos atrás de um piloto italiano. Sempre vieram a Itália atrás da Ferrari. Agora é diferente.

E digo isto porque eu lembro de um momento de infância que definiu essa ideia. Aconteceu em 1983, e foi em Imola, não em Monza. Essa corrida tinha os Ferrari como favoritas, e que nesse ano, eram guiadas por pilotos franceses: René Arnoux e Patrick Tambay. E num deles, os tiffosi queriam que ganhasse em particular, porque ele tinha chegado para substituir o piloto mais querido daqueles tempos, o canadiano Gilles Villeneuve. Nessa mesma corrida, em 1982, ia a caminho da vitória quando foi "traído" pelo seu companheiro de equipa, o francês Didier Pironi. Ele ficou zangado e magoado, e jurou vingança. E na corrida seguinte, sofreu o seu acidente mortal. 

Em 1983, eles queriam que Tambay ganhasse por Gilles. E quando, na parte final da corrida, Riccardo Patrese foi para a frente, no seu Brabham, acharam que aquilo era um sacrilégio, apesar de ser italiano. E quando Patrese perdeu o controlo do seu Brabham na saída da curva Acqua Minerale, batendo no muro de pneus, com o público a entrar em delírio, porque Tambay iria ganhar por Gilles, ficou na memória de muita gente. 

Quando em 2025, Andrea Kimi Antonelli apareceu na Formula 1 pela Mercedes, não deixei de pensar que ele era o primeiro italiano a ter uma séria chance para o título, mas como não corria pela Scuderia, provavelmente os italianos não entrariam própriamente em delírio desde os tempos de Alberto Ascari. a Scuderia fala mal algo que qualquer italiano... a não ser que seja um italiano na Scuderia, como aconteceu, 40 anos antes, com Michele Alboreto, "Il Marrochino" para os amigos.

Mas 2026 parece ser "o" ano de Antonelli: primeiro, cinco vitórias seguidas, quando todos esperavam que George Russell fosse "o" piloto que fosse o candidato numero um à vitória num carro preparado para as novas regras. Contudo, depois de ver o que se passou no fim de semana deste Grande Prémio, onde Antonelli partia de 19º, quase sem chances de vitória - se pontuasse, seria bom e se chegasse ao pódio, teria sido muito bom - vê-lo partir com pneus médios, ir às boxes uma vez, e apanhar Russell, que andou toda a corrida com pneus duros, e quando o fez, a pouco mais de seis voltas do fim, acabando na gravilha, na primeira chicane, antes de recuperar e voltar a passar... eu creio que acabei de ver não um futuro campeão do mundo, mas um multicampeão do mesmo calibre de Lewis Hamilton ou Max Verstappen, entre aqueles que partilha a grelha neste momento, ou alguém como Michael Schumacher. 

Aliás... não há gente que afirma Antonelli ser a reencarnação de Ayrton Senna? Se não é, não creio que ande longe.

E depois do que vi nesta tarde, na catedral do automobilismo, com ele a ser o primeiro italiano vencedor desde Ludovico Scarfiotti, em 1966, acho que George Russell deixou de ser primeiro piloto, e provavelmente não ganhará qualquer título mundial. Não com este Antonelli na sua equipa. A chance era agora e a perdeu. Lamentamos, porque o momento é do italiano, e estamos a pouco mais de um mês de o ver como o primeiro italiano campeão do mundo de Formula 1, algo que já não acontece desde 1953. É toda uma vida.    

Formula 1 2026 - Ronda 13, Monza (Corrida)


Neste final de semana, a Formula 1 estava a correr em algo raro: um circuito centenário, e claro, um das "catedrais" do automobilismo: Monza. O GP de Itália ainda tinha um fator adicional para os tiffosi, que era a chance de ver um italiano ganhar, algo que não acontece desde 1966. Sim, ele não corre pela Ferrari, e ainda por cima, tinha penalizações para cumprir, mas eles sabem que é rápido e poderá ser a melhor esperança de voltar a ganhar um campeonato, algo que não se vê há quase 75 anos, em 1953. 

E num autódromo cheio, num fim de semana de calor e asfalto escaldante, as decisões em relação aos pneus tinham de ser corretas para obterem o melhor resultado possivel, porque a ideia das equipas era de fazer uma paragem nas boxes, dada a velocidade que esta corrida normalmente dá. 

E assim sendo, antes da corrida, as escolhas de pneus eram interessantes: Pierre Gasly, George Russell, os McLaren, Franco Colapinto e Arvid Lindblad partiam de médios, enquanto o resto começavam com moles. Provávelmente poderiam não parar apenas uma vez, embora o ideal seria esse. Mas com o calor deste domingo, as coisas poderiam ser conforme a temperatura do asfalto. Outros, como Kimi Antonelli e Yuki Tsunoda decidiram calçar duros para poderem ir o mais longe possível. No fundo do pelotão, Fernando Alonso e Liam Lawson iriam partir das boxes.


Na partida, Gasly conseguiu manter a liderança perante George Russell, seguido por Charles Leclerc e Max Verstappen. O piloto francês manteve o comando até ao inicio da segunda volta, quando Russell o conseguiu passar. Leclerc era segundo, mas na Parabólica, ele bate e causa a entrada do Safety Car, para que pudessem tirar o Ferrari do seu lugar. 

Contudo, os danos na barreira de pneus foram tão grandes que a corrida foi interrompida com bandeira vermelha. Felizmente, o monegasco estava bem. E curiosamente, ele tinha batido no mesmo local onde ele tinha batido em 2020...


Passaram alguns minutos, para poder reparar as barreiras danificadas, e nas boxes, a ordem era esta: Russell, Gasly, Max Verstappen, Franco Colapinto, os McLaren, Arvid Lindblad e Lewis Hamilton, agora o único Ferrari em pista, na oitava posição. 

Quarenta minutos depois da interrupção, a corrida iria recomeçar com os pilotos a começarem nas posições que estavam antes do acidente, ou seja Russell na frente de Gasly, Verstappen e Colapinto. Os pneus tinham sido mudados: a grande maioria colocavam pneus duros, com a excepção, entre os da frente, de Max Verstappen, Lewis Hamilton e Andrea Kimi Antonelli. 

Quando as luzes se apagaram, depois de outra volta de aquecimento - Tsunoda estava fora do seu lugar - Russell mantinha a frente, com os Alpine atrás, Verstappen em terceiro e Hamilton a subir até quinto. Contudo, nas Lesmos, Colapinto despistava-se, e Antonelli subia lugar atrás de lugar, acabando no oitavo posto no final da primeira volta depois da segunda partida. Na volta seguinte, Hamilton era quarto, Antonelli era sexto, depois de passar Lando Norris.

Max subia mais um lugar, passando Gasly e era segundo. O francês começava a ser ameaçado por Hamilton, e um Antonelli que estava ao ataque, para chegar o mais rapidamente possível aos pilotos da frente. Hamilton continuou a pressionar o piloto da Alpine até conseguir ficar no terceiro posto, na volta 10. Gasly caia progressivamente de lugar, primeiro, a ser passado por Piastri, depois Antonelli. 

E na frente, Russell começava a ser ameaçado por Max Verstappen, e o neerlandês passou ao ataque, para ver se conseguia o primeiro lugar, até que o conseguiu na volta 12. Um pouco atrás, Antonelli passou Hamilton na Curva Grande e era quarto... a 2,5 da liderança! Pouco depois, já estava na traseira do seu companheiro de equipa e queria passá-lo. O garoto estava endiabrado! 

Aliás, parecia uma corrida das antigas: no final da volta 15, pouco mais de três segundos separavam os sete primeiros. Numa altura em que Russell tinha passado Max e ficava com a liderança. Logo a seguir, Antonelli passava Max e o italiano era segundo. E ele passaria ao ataque para apanhar Russell, que o apanhou na volta 18, para ser líder. Fantástico, Antonelli, que partira de 19º para chegar a primeiro em menos de um terço da corrida!

De certeza que não estamos em 1971?

Antonelli tentava afastar-se de Russell, mas o britânico não o deixava em paz. No inicio da volta 22, a liderança voltou a mudar na travagem para a primeira chicane, com o britânico a ficar com o comando. Mas o italiano não se rendia, e algumas curvas depois, ele reagia e voltava ao comando. Max estava a vigiá-los, mas não estava longe, a pouco mais de um segundo, e Piastri era quarto, já a uns distantes... quatro segundos, não muito longe de Lewis Hamilton. E estes cinco estavam a menos de dez segundos da liderança.

Na volta 25, a segunda retirada da corrida, com Fernando Alonso a encostar às boxes para não mais sair. Russell estava de volta à liderança, mas Antonelli não o deixava ir embora, e parecia que as suas paragens nas boxes iriam ser o momento decisivo desta corrida.

De repente, o Virtual Safety Car é accionado por causa do Aston Martin de Lance Stroll, que estava parado na escapatória da primeira chicane. Alguns pilotos foram às boxes, como Nico Hulkenberg, para a seguir, Kimi Antonelli e Max Verstappen iam às boxes para trocar de pneus. O italiano mantinha os médios, Max colocou duros. No regresso à pista, Russell tinha seis segundos de vantagem sobre Oscar Piastri, enquanto Kimi Antonelli, a 13 segundos da liderança, passou ao ataque, passando primeiro o Alpine de Pierre Gasly, depois, o McLaren de um muito discreto Lando Norris, e depois, perseguir o Ferrari de Lewis Hamilton, batendo constantemente a volta mais rápida.

Algumas voltas depois, Antonelli chegou por fim ao segundo posto e começou a "comer", segundo após segundo, e na volta 38, o italiano estava a oito segundos de Russell, o líder. Mas de repente, um aviso: Russell estava sob investigação por violação das bandeiras amarelas. Por algum tempo, a possibilidade de penalização era real, mas depois, os comissários disseram que nada aconteceria. Atrás, na volta 40, Max Verstappen passara Oscar Piastri e era terceiro, mas duas voltas depois, o neerlandês era passado pelo piloto da McLaren. E na volta 43, o piloto da Red Bull voltava a passar Piastri para ser terceiro.

No meio disto tudo, a dez voltas do final, Antonelli tinha menos de cinco segundos de distância sobre Russell. E ele aplicou-se fortemente para o apanhar: na volta 46, Antonelli fazia a volta mais rápida, 1,15 segundos mais rápido que Russell. E já tinha Russell na sua frente. E na volta seguinte, Antonelli fazia 1.23,861 contra 1.24,961 do britânico. Ele vinha furioso para apanhar o seu companheiro de equipa. Ele queria ganhar. 


Na volta 48, ele apanhou Russell, e quando ambos estavam lado a lado na travagem para a curva 1, Russell defendeu-se e o italiano acabou na gravilha, perdendo mais de um segundo. Mas o italiano não iria desistir, e tinha mais uma chance. E na volta 50, na travagem para a Variante Ascari, o italiano passou para a liderança, para delírio dos locais. 

A partir dali, Antonelli foi-se embora, rumo à vitória, e sobretudo, rumo à história: o primeiro italiano a vencer em 60 anos, e sobretudo, o piloto que vencia do segundo lugar mais baixo da grelha, só batido por John Watson, em 1983, que largou de 22º na corrida de Long Beach. E ainda marcou a volta mais rápida na última! Russell era segundo e Max o terceiro, na frente dos McLarens. Hamilton era sexto, na frente de Pierre Gasly, Arvid Lindblad, Franco Colapinto e Yuki Tsunoda.


E aqui está: uma corrida para a história. Monza é isso mesmo: chamamos de catedral, mas tem corridas que merecem ir de imediato para o museu.

sábado, 5 de setembro de 2026

Formula 1 2026 - Ronda 13, Monza (Qualificação)


Normalmente, quando começo a escrever sobre estas crónicas da qualificação, falo da pista e do ambiente. Mas hoje, depois do que vi, posso começar pelos eventos de quinta-feira, quando a FIA decidiu no seu Tribubnal de Apelo, que o terceiro lugar do GP do Mónaco pertencia a Isack Hadjar - que, ironicamente, está ainda ausente de Monza por causa da tal lesão no pulso - e que tinha de cumprir duas penalizações, que o relegou para o sétimo lugar. 

Na sexta-feira, Flávio Briaotre disse "cobras e lagartos" na conferência de imprensa, afirmando que um dos juízes era a favor da McLaren - Oscar Piastri acabou em quarto lugar, depois das penalizações - e a mostrar que estava insatisfeito com o que aconteceu, depois de ter ganho em recurso. 

E no sábado... Pierre Gasly consegue a pole-position, batendo George Russell e Oscar Piastri, por 180 centésimos. E torna-se no quarto piloto a conseguir, sem ser dos quatro do costume (Ferrari, McLaren, Mercedes e Red Bull)... desde 2014. Não sei se é vingança da penalização, mas hoje, tudo correu bem.

O fim de semana em Monza, circuito centenário do automobilismo, poderia não ter chuva, mas teria calor. E se uma coisa é um carro a funcionar a temperaturas amenas, outra coisa é ter 34ºC no ar e mais de 55ºC no asfalto, ali, os carro irão comportar-se de outra forma. 

Os primeiros tempos começavam a surgir, com Max Verstappen a entrar no segundo 22, enquanto Lando Norris se queixava de falta de potência e de uma sensação estranha nos travões. no meio disto tudo, os Mercedes decidiram ajudar-se uns aos outros, especialmente Andrea Kimi Antonelli, que ajudava George Russell a conseguir o melhor tempo possível, mas no final da Q1 era apenas quinto, embora tivesse calçado os médios, para poupar um jogo de moles.

Pierre Gasly conseguiu 1.22,622, com Max Verstappen a 19 centésimos, na frente de Franco Colapinto (Colapinto? Quem diria!) e Charles Leclerc apenas conseguia o oitavo tempo.

A parte final da qualificação começou com Oscar Piastri a falhar a abordagem à curva 1, o que o obrigou a abortar a tentativa e a recomeçar a volta. Lando Norris aplicou-se e subiu ao terceiro lugar, com 1.22,659, enquanto Arvid Lindblad conseguia fazer o quinto tempo, com 1.22,727. No final, os 16 primeiros tinham uma diferença de 1,004 segundos. 

E os que preencheram o fundo do pelotão estão os Cadillac de Sérgio Peres e Valtteri Bottas, os aston Martin de Fernando Alonso e Lance Stroll - o canadiano alcançou aqui em Monza a marca de cem corridas sem passar à Q2! - o Racing Bulls de Yukli Tsunoda e o Williams de Alex Albon.

Passando para a Q2, esta começou com os pilotos a puxarem uns pelos outros - towing, é o nome - e as primeiras voltas foram entregues a Max Verstappen, Liam Lawson e Carlos Sainz, com Verstappen a fazer o melhor tempo, ainda no segundo 22, à frente de Lawson e do espanhol da Williams.

Pouco depois, George Russell assumiu brevemente a liderança, que passou ainda por Pierre Gasly e Lando Norris, antes de ficar entregue a Oscar Piastri. Os Ferrari ficavam mais perto da zona de eliminação que do topo da tabela, e isso começava a ser preocupante para a equipa, os pilotos e os "tiffosi".

Na parte final, polémica: enquanto Max Verstappen tentava a sua volta rápida, Oscar Piastri estava no seu caminho na primeira chicane, abrandando-o. Ele já tinha marcado o seu tempo de 1.22,017, mas este impedimento era o suficiente para ser assinalado para uma punição na grelha, mas isso só iria acontecer mais tarde, depois dos treinos.

Com os pilotos a calçar moles novos, Leclerc e Hamilton não conseguiam mais que o nono e o décimo melhores tempos, com o inglês a conseguir 1.22,516. E tinha de rezar para que ninguém abaixo de si melhorasse.

Sorte a dele: enquanto Kimi Antonelli fazia 1.21,882, e ia para o topo da tabela de tempos, ninguém abaixo de Hamilton melhorava o seu tempo, mesmo quando Gabriel Bortoleto fazia... 1.22,517. Um milésimo de segundo mais lento que o inglês da Ferrari. Quem diria! 

E se os Ferrari passaram mesmo no limite, entre os eliminados na Q2, ficaram os Audi de Gabriel Bortoleto e Nico Hulkenberg, os Haas de Esteban Ocon e Ollie Bearman, e o Red Bull de Liam Lawson. 

E assim, passamos para a Q3, a fase final da qualificação, que começou alguns minutos mais tarde.

Os primeiros esforços começaram com Russell a marcar 1.21,929, melhorando no terceiro setor, com Piastri a ser segundo, com 1.21,966. Max e Gasly andaram logo a seguir, não muito longe uns dos outros, e Hamilton apenas conseguia o sexto melhor tempo provisório.

por mais alguns minutos, a pista ficou algo vazia, e a tentativa final acabou por acontecer a pouco menos de três minutos do fim, quando os pilotos começaram a sair para pista e fazer as suas derradeiras voltas. O primeiro foi Piastri, que falhou a abordagem à curva 1 e ficou logo fora da luta pela pole. O seu companheiro de equipa, Lando Norris, não conseguiu melhorar e parecia ficar com o sétimo tempo. Pouco depois foi George Russell, que ainda fez o melhor tempo, e parecia que a pole já estava entregue. 

Mas não. É aqui que surge Pierre Gasly, que consegue sacar o melhor do seu carro e conseguiu fazer 1.21,786, o melhor tempo e consequentemente, a pole position para o GP da Itália. O francês ficou 60 centésimos à frente de George Russell, 180 centésimos à frente de Oscar Piastri,  centésimos na frente de Charles Leclerc e  centésimos na frente de Lewis Hamilton, todos eles nos cinco primeiros. 

Max Verstappen, Kimi Antonelli, Franco Colapinto, Lando Norris e Arvid Lindblad completavam o top 10.


E aí está, o inesperado aconteceu nesta tarde em Monza. Um bom carro, boas afinações e um pouco de espirito de vingança deu a Gasly a sua primeira pole da temporada. Se isto dará algo no domingo? Vai-se ver, será que este chassis dar-se-á bem nesta pista, não é?