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domingo, 4 de outubro de 2026

Formula 1 2026 - Ronda 16, Sepang (Corrida)


Muitos estão a encarar esta corrida, neste circuito, como o regresso de um bom amigo. Quase uma década depois da última vez, a Formula 1 está em Sepang para... o GP do Bahrein. Sim, do Bahrein, porque a Malásia não regressou ao calendário, apenas emprestou a pista porque no seu país, há uns drones a voar onde não devem e causa prejuízos. Eles dão a isso o nome de "guerra" e estamos no século XXI, logo, as coisas são diferentes. 

Mas seja em Sepang, na Malásia, a fazer de vez a Shakir, no Bahrein, a Formula 1 encara o mesmo problema de frente: o calor. E está muito calor nesta parte do mundo, isso não se pode escapar. Tanto que pela hora da corrida, para além do calor... chove! Bastante.

Claro, pensamos se haverá os pneus azuis, os de chuva, ou se é algo que só existe no país dos unicórnios. Mas à medida que se aproxima da hora da corrida, tudo indica que... a partida será adiada, todos andariam atrás do Safety Car.


E ao ver a banda barenita a tocar o hino debaixo de chuva, não deixo de pensar no surreal da situação.

Chegada a hora, como seria de esperar, a partida foi adiada, porque a água caía a potes, e ficou assim por mais de meia hora, até que a chuva passasse. Claro, na bancada principal, os espectadores, agarrando as bandeiras barenitas - isto é um pouco irreal, não é? - só poderiam ficar felizes porque neste momento, eles estavam no centro das atenções. Eles, e o Mercedes vermelho que faz de Medical Car, que faz uns "powerslides" só para o espetáculo. 

Demorou cerca de 40 minutos até que a chuva diminuísse e os carros começassem a correr atrás do Safety Car, todos a largarem com intermédios - os azuis, de chuva total são de showroom... - e quando começaram a andar devagar... houve gente que saiu da pista. O primeiro deles foi Isack Hadjar, que foi para a gravilha, e logo a seguir, Lewis Hamilton está parado na grelha. Parecia que o caminho para o caos é bem mais fácil de acontecer quando eles andam a uma velocidade muito baixa... resultado? Bandeira vermelha.

As coisas ficaram assim na meia hora seguinte, e quando o relógio já passava das quatro e meia da tarde perto de Kuala Lumpur, os carros pararam na grelha, prontos para correr. E como a pista secou tanto, havia pilotos que ousavam: Leclerc e Hamilton partiam com moles, bem como Pierre Gasly e os pilotos da Cadillac e Liam Lawson, enquanto Norris e Pastri com médios. Mas logo na volta de aquecimento, Gasly saiu de pista, ao mesmo tempo que Perez foi às boxes para colocar intermédios. Ao mesmo tempo, Hamilton falava nas boxes que a pista ainda estava demasiado escorregadia. Iria ser uma corrida bem difícil.

Quando a grelha parou, os pilotos da McLaren foram às boxes para colocar intermédios, seguido por Stroll e Hulkenberg, todos que tinham partido com pneus slicks, e tinham visto que era demasiado cedo para isso. E com isso, perdiam os seus lugares na grelha, partindo das boxes.


No momento em que as luzes se apagaram, Kimi Antonelli foi para a frente, seguido por George Russell e Max Verstappen. Liam Lawson deu "o pulo do gato" e ia para quarto, em contraste com aqueles que tinham ainda os pneus slicks. Hamiton, por exemplo, perdia 23 segundos só na primeira volta. 

Max tentava apanhar os Mercedes nas voltas seguintes, enquanto os carros com slicks continuavam a perder segundos preciosos. Lando Norris, por exemplo, perdia oito segundos na volta três, mostrando que ainda era prematuro andar com eles. E enquanto isso acontecia, o piloto da Red Bull tentava apanhar e passar o segundo piloto da Mercedes, na volta sete, para ser segundo classificado. Por esta altura, por exemplo, a diferença entre a melhor volta de Sérgio Pérez, no Cadillac e com intermédios, e o de Lando Norris, com slicks, era de... cinco segundos.

Na volta 9, Max já estava na traseira de Antonelli e parecia que iria voltar ao comando, mas não conseguia. Mas logo a seguir, Valtteri Bottas sai da pista, e o Safety Car entrava em ação, com boa parte do pelotão a ir às boxes, primeiro os Mercedes, depois, o resto do pelotão. Todos se livraram dos intermédios, e alguns até colocaram duros, como os Racing Bulls de Liam Lawson e Arvid Lindblad. 

No regresso à corrida, Max passou Antonelli na primeira curva, e poucas curvas depois, Russell conseguiu também passar o seu companheiro de equipa, relegando o italiano para o terceiro lugar.  Com o passar das voltas, o piloto da Red Bull começava a afastar-se, enquanto as condições para que os dispositivos para facilitar as ultrapassagens já poderiam ser ativadas porque as condições eram as ideais.

Nas voltas seguintes, Max não se afastava muito, enquanto os Mercedes batiam-se um contra o outro pelo segundo lugar, e um pouco atrás, Lewis Hamilton recuperava lugares atrás de lugares, sendo sexto na volta 20, e quinto duas voltas depois, passando os carros de Esteban Ocon e de Liam Lawson, ao mesmo tempo em que Antonelli atacava Russell para ele ser segundo e começar a ir atrás de Max, que parecia estar cada vez mais à vontade.

Tudo isto ao mesmo tempo que, aparentemente, poderia haver chuva dali a bocado. 

Na volta 32, Hadjar ia às boxes para trocar de pneus, cedendo o quarto posto para Lewis Hamilton, mas na realidade, estava a abrir uma janela de troca de pneus, porque Hamilton e Alonso também pararam para a troca de pneus, colocando médios. Na volta seguinte, Russell e Hulkenberg também foram trocar de pneus, e na volta 34, os primeiros: Max e Antonelli primeiro, Piastri logo depois. Todos regressaram sem problemas.

A menos de 20 voltas do final, o tempo surgiu: menos de uma hora de luz na pista. Iria dar tempo, se não chovesse, mas tudo indicava que isso não iria acontecer. Na frente, Max ficava cada vez mais à vontade, mais de onze segundos de vantagem sobre Kimi Antonelli, e parecia que os três primeiros já estavam definidos. Atrás, quem chegava aos pontos era, surpreendentemente... Fernando Alonso. Mesmo com um motor Honda que, em condições de piso seco, era dois segudos mais lento que o resto do pelotão, a sua experiência lhe dava condições em que conseguia ser sete a oito décimos mais rápido que, por exemplo, Arvid Lindblad. 

Contudo, na volta 44, Alex Albon para na berma e o Virtual Safety Car era ativado, com Max a ir às boxes, com Antonelli a ficar na pista e assim, era o líder. Lindblad, Hulkenberg, Stroll, também iam às boxes, todos para colocarem pneus moles. Contudo, com a demora das operações, o Safety Car entrou para agrupar todos. Piastri, Norris, Lawson, Alonso, Hulkenberg e Perez iam novamente às boxes, para nova troca de pneus - já se perdeu um pouco a quantidade de pneus trocados... - e o tempo escoava: faltava meia hora para o final, e nove voltas para a meta. 


Mas a oito voltas do fim, mais sarilhos: George Russell pára o seu carro na curva 1, e desiste. Hadjar era agora terceiro, e Norris saía da pista, mas voltou logo depois. Contudo, o Safety Car só voltou às boxes a cinco voltas do fim, e a ação era grande na pista, atrás de Max: Antonelli pressionava para o apanhar, Hadjar era assediado pelo resto do pelotão. Hamilton apanhou-o na volta 52, para ser terceiro, e o francês perdia mais um lugar para o outro Ferrari de Leclerc.

Na meta, Max ganhava pela primeira vez na temporada, mas o grande vencedor era Antonelli, que sendo segundo, conseguia mais 18 pontos sobre Russell, enquanto Hamilton colecionava mais um pódio para a Ferrari. Eram 18:20 da tarde em Kuala Lumpur, mais de três horas e 20 minutos depois da hora marcada para o inicio da corrida. Piastri era sexto, Alonso conseguia o seu melhor resultado do ano no seu Aston Martin, na frente de Lando Norris, e Arvid Lindblad fechava os pontos. 


E por fim, a corrida acabou. Foi um dia difícil, era verdade, mas dali a sete dias, em Singapura, haverá mais. 

sábado, 26 de setembro de 2026

As imagens do dia








São imagens do fim de semana de Baku para a Mercedes. As primeiras quatro foram de sexta-feira, na qualificação, e as restantes, da corrida de sábado. E mostram as variadas reações humanas que aconteceram durante esses dois dias nas boxes da Mercedes, e entre os dois pilotos. E pode parecer que há um vencedor e um vencido, mas a verdade é mais cinzenta que isso, e na luta entre os dois pelo título, feitos os calculas, chega-se a uma conclusão... surpreendente. 

No final da qualificação desta sexta-feira, ainda a quente, escrevi, quer aqui, quer noutras redes sociais que tenho por aqui, o seguinte:

"Há uma coisa do qual fiquei espantado com esta qualificação em Baku, e nem foi o Andrea Kimi Antonelli a bater no muro na Curva 1, durante a Q1: foi a maneira como George Russell conseguiu sacar uma pole-position na pista.

Ele tinha conseguido um tempo sensacional na sua segunda tentativa, mesmo que Charles Leclerc tenha tentado com o seu Ferrari, e não tivesse conseguido. Mas mesmo assim, no minuto final, para evitar ser surpreendido pela concorrência, ainda conseguiu passar de 1.43,713 - tempo que marcou no inicio da Q3 - para depois chegar a 1.43,037, que lhe deu a pole, e depois, melhorar ainda mais, com um tempo-canhão de 1.42,526, deixando o Ferrari de Leclerc a 926 centésimos!

Não lembro nada disto desde os tempos de domínio da Mercedes, uma década antes. E agora imagino Kimi Antonelli, se não tivesse batido..."

Pensei que os Mercedes tinham tudo para ganhar amanhã, caso escapassem dos muros. George Russell, por partir da primeira fila, e Andrea Kimi Antonelli, se tivesse maturidade suficiente para não atacar na primeira curva e ser paciente. Não diria para chegar ao pódio, mas para menorizar os estragos o mais possível. Pontuar seria o seu objetivo, e quanto mais perto de Russell, melhor. Era a minha opinião sincera. 

Claro, pensava: a pole do Russell nessa tarde tinha sido sensacional. E no dia seguinte?

Pois bem, foi o que viram: o britânico foi para a frente e conseguiu consolidar uma vantagem curta, mas crescente, sobre um Max Verstappen que conseguiu ser o melhor da concorrência, contra uma Ferrari que, como afirmam no Brasil, "não fedeu, nem cheirou", e uma McLaren que esteve melhor, mas no final, teve azar. E o que me surpreendeu nem foi Kimi Antonelli, mas sim, Isack Hadjar, que pareceu ter regressado em melhor forma da sua lesão, que o impediu de correr em três provas. A certa altura, até pediu às boxes para que o deixassem passar, para poder tentar a sua sorte. No final, acabou no pódio, em terceiro, atrás de Russell e Max.

Mas também disse isto, em relação à corrida:

"O resultado da corrida de Baku é enganador. Aliás, até pensava que iria acabar debaixo de Safety Car Virtual, por causa da posição do Valtteri Bottas. Bem sei que a Formula 1 irá celebrar esta distância entre ambos os pilotos, mas se o Alex Albon não tivesse batido o seu Williams no muro, não teria havido o Safety Car, e o George Russell teria vencido, provavelmente, com mais de dez segundos de diferença." 

Como esperava, houve duas situações de Safety Car durante a corrida. A primeira, por causa do Williams de Alex Albon, que bateu no muro, e depois no relançamento, o "strike" do Franco Colapinto na curva 1 e que decapitou o pelotão do meio - sem Alpines e o McLaren de Lando Norris. Mais colados do que nunca, Russell teve mais dificuldade em se livrar de Max Verstappen, e isso via-se quando acelerava na reta da meta. Raramente tinha um distância superior a um segundo nas voltas finais, e a confusão do que aconteceu com o Cadillac de Valtteri Bottas, ao bater no muro, na última volta, fez pensar que poderia haver um VSC para a volta final, mas os organizadores decidiram que aquilo não interferiu com o resultado, e prosseguiram. Felizmente. 

Mas tem outra coisa: Kimi Antonelli, como era de esperar, foi inteligente e paciente. Subiu de posições, aproveitou bem as situações para passar os seus adversários - alguns deles até facilitaram a coisa, porque viram que não era a sua batalha - e sobretudo, evitou as armadilhas. O quinto lugar final é, de certa forma, uma recompensa por essa paciência e esse sangue-frio. Os campeões também se vêm nessas situações. 

E em termos de campeonato... a vantagem que Antonelli conseguiu em Monza foi anulada... ao ponto. Porquê? Ora, Russell foi quinto em Itália, com a vitória de Antonelli, e agora em Baku, as posições inverteram-se: o britânico ganhou, o italiano levou 10 pontos para casa. A diferença é a que existia depois de Zandvoort, mas agora, têm mais duas corridas feitas neste campeonato. E continuo a pensar que o Antonelli pode ser campeão em Interlagos. Ou, se o Médio Oriente continuar agitado, ainda antes...

Formula 1 2026 - Ronda 15, Baku (Corrida)


Esta era uma corrida num horário anormal. Ver uma prova destas num sábado, à hora do almoço, é algo que não acontecia há algumas... décadas. Nesses dias, tinha a ver com motivos... religiosos (Países Baixos e África do Sul são países com uma minoria calvinista) e as atividades não aconteciam ao domingo. Mas aqui no Azerbeijão, um país de maioria muçulmana, a razão era mais... nacionalista, um feriado para honrar os mortos de uma guerra contra um dos seus vizinhos, não há muito anos. 

Tudo indicava que a estratégia de corrida deste sábado, que tinha 51 voltas para completar, apontava para uma estratégia de uma paragem, embora os três compostos de pneus continuem a ser opções e o vento poderia influenciar o desenrolar da prova. Claro, muitos querem interessar que pneus calça Kimi Antonelli, ele que parte de 16º. E o que ele tinha, à partida? Médios, e usados. é a mesma de George Russell, seu companheiro de equipa. E eles eram os únicos da frente calçados. O resto - Red Bull, Ferrari e McLaren - dividiam-se: os da frente com moles, os mais atrás, médios. E nenhum iria começar com duros calçados, se calhar, guardando para depois da primeira paragem. 


Quando as luzes foram apagadas, Russell manteve a liderança, com Piastri a conseguir o segundo posto. Leclerc mantinha a terceira posição, enquanto Norris passava Hadjar e era quarto. Antonelli era cuidadoso e tinha perdido um lugar, para 17. En contraste, Nico Hulkenberg tinha passado três lugares no seu Audi. 

Max Verstappen tinha conseguido passar Lewis Hamilton para ser sexto, e ia atrás do seu companheiro de equipa, para que ele não descolasse dos primeiros lugares. E para provar isso, fazia a volta mais rápida. Passava Norris na volta 3, e era quinto, e com os pneus médios calçados. Antonelli, entretanto, mantinha-se na 17ª posição.

Hadjar, que estava de regresso à Formula 1, estava a começar bem e conseguia passar Charles Leclerc na quarta volta, para tentar livrar-se de Max, e agora, o piloto da Ferrari estava à mercê de Max, se queria manter o quarto posto. Mas não duraria muito: na volta 5, tinha perdido o quarto posto para o neerlandês da Red Bull. 

Na frente, Russell já tinha por esta altura mais de 2,8 segundos de diferença para Piastri, com o australiano a mais de 1,2 segundos sobre o francês. Entretanto, Antonelli já tinha subido para 15º, depois de ter passado Hulkenberg e Carlos Sainz Jr., e na volta seis, já era 14º, passando o Racing Bull de Arvid Lindblad.  

Na volta 7, Max e Hadjar trocaram de posições sem luta, enquanto na frente, Russell já tinha 3.5 segundos de avanço sobre Piastri, enquanto o australiano estava já a ser pressionado pelos Red Bulls. Duas voltas depois, Lance Stroll tornava-se na primeira desistência da corrida, agora devido a problemas mecânicos no seu Aston Martin. 

Antonelli só era 11º na volta... 12, depois de Liam Lawson, ter feito cara a sua passagem, e ele já tinha 27 segundos de desvantagem sobre Russell e 20 sobre Max, o terceiro classificado e claro, as suas chances de pódio eram relativamente baixas. Mas faltava imenso para o final da corrida, e Kimi Antonelli aproximava-se dos pontos ao ritmo de um segundo por volta em relação aos pilotos do meio do pelotão. Ele conseguia chegar aos pontos na volta 16, depois de passar Ollie Bearman. Na frente, Piastri conseguia aguentar a pressão vindo dos Red Bulls. 

 Na volta 20, algo interessante: Hadjar, com moles, era mais rápido que.,. Max! Ele até tinha conseguido a melhor volta, mas o neerlandês impedia de o passar, e ele não conseguia apanhar Piastri. Tudo isto acontecia na volta 22, quando Fernando Alonso ia para as boxes, de forma definitiva. Os Aston Martins estavam a ter um péssimo fim de semana.

Antonelli era nono, depois de passar Franco Colapinto na volta 23. Aparentemente, a sua abordagem cautelosa compensou, e agora, apesar de demorar mais tempo para chegar aos pontos, ele já estava, ainda antes da metade da corrida. E chegado ao meio, quase ninguém tinha ido às boxes... se calhar, esperando por alguém parar no meio da pista ou alguém bater na parede. Aqueles pneus iam para o limite dos limites. 

Norris travou forte e feio na curva 1, e saiu para fora da pista. Regressou, perdendo lugares para Pierre Gasly e Kimi Antonelli, para nono, e se calhar, poderia ter de ir às boxes para trocar... mas ainda antes disso, Alexander Albon bateu no muro, e na volta 31, o Safety Car entrava na pista. E claro, todos foram às boxes, trocar pneus.

Gasly, Antonelli, Norris, Colapinto, Bearman, Hulkenberg, Lindblad, Lawson, Brtoleto, Pérez e Bottas iam às boxes para fazer aquela que deveria ser a sua única troca. Os seus primeiros iam às boxes na volta seguinte, e Todos mantinham as suas posições, sem erros das boxes. Na frente, Russell e Verstappen tinham agora pneus moles, enquanto o resto tinha médios. 


O Safety Car regressou às boxes no começo da volta 36... e o caos acontece na primeira curva. Max conseguia passar Piastri, mas mais atrás, a meio do pelotão, os Alpine bateram, com Colapinto a tentar a sua sorte, e Lando Norris acabava no muro, acabando também a sua corrida. Os Racing Bulls também batiam, e ficavam com estragos. Safety Car de volta... menos de um minuto depois de ter recolhido às boxes. Acho que só teve tempo para abrandar, nem sei se parou. 

Altura de nova paragem nas boxes, mais para refrescar os pneus, e com toda esta carambola, Antonelli tinha subido para sétimo, seguido dos dois Haas e o Racing Bull de Arvid Lindblad. Apenas 16 carros estavam na pista. 

O Safety Car recolheu-se nas boxes na volta 39, com Russell na frente e todos a terem uma atitude cautelosa. Piastri conseguiu defender-se de Hadjar do terceiro posto, enquanto os dois primeiros estavam a afastar-se, com Max a tentar apanhar o piloto da Mercedes. Na volta 40, Hadjar conseguiu passar Piastri, e na travagem, o australiano acabou na escapatória e ficou fora dos pontos.

Max não largava Russell, mas a diferença era a volta de um segundo, mas começavam a faltar voltas: já estávamos na volta 42, a nove do fim. Hadjar era terceiro, e começava a ficar para trás. Por esta altura, Antonelli era quinto, passando o Ferrari de Lewis Hamilton.

A parte final da corrida foi um duelo entre George e Max, Mercedes contra Red Bull. Os dois já tinham deixado Hadjar a cerca de oito segundos, mas nenhum dos dois não desistia um do outro, sem cometer erros, por agora. No final... foi algo anticlimático, com Russell a ganhar por um décimo de segundo... depois de Valtteri Bottas ter batido na última volta, causando bandeiras amarelas. Mas estas eram locais. Russell, Max e Hadjar era o pódio, com Arvid Lindblad a conseguir o sétimo posto... pela aceleração pura e simples.

Antonelli foi quinto, colado na traseira de Charles Leclerc, o quarto. Conseguiu, de certa forma, menorizar os prejuízos, e ter sorte ao evitar a carambola no recomeço da corrida. E no último lugar pontuável, o Williams de Carlos Sainz Jr, marcando os primeiro ponto desde o Mónaco. A versão B parece funcionar melhor... 


Agora Baku fica para trás. E não há tempo para apreciar o por do sol, porque daqui a oito dias, é ir à Malásia para correr o GP do Bahrein.   

domingo, 6 de setembro de 2026

As imagens do dia





Uma das coisas que ando a ler esta noite, de muita gente que conheço e respeito há 20, 25, talvez 30 anos neste mundo da Formula 1, é que nunca pensaram ver italianos atrás de um piloto italiano. Sempre vieram a Itália atrás da Ferrari. Agora é diferente.

E digo isto porque eu lembro de um momento de infância que definiu essa ideia. Aconteceu em 1983, e foi em Imola, não em Monza. Essa corrida tinha os Ferrari como favoritas, e que nesse ano, eram guiadas por pilotos franceses: René Arnoux e Patrick Tambay. E num deles, os tiffosi queriam que ganhasse em particular, porque ele tinha chegado para substituir o piloto mais querido daqueles tempos, o canadiano Gilles Villeneuve. Nessa mesma corrida, em 1982, ia a caminho da vitória quando foi "traído" pelo seu companheiro de equipa, o francês Didier Pironi. Ele ficou zangado e magoado, e jurou vingança. E na corrida seguinte, sofreu o seu acidente mortal. 

Em 1983, eles queriam que Tambay ganhasse por Gilles. E quando, na parte final da corrida, Riccardo Patrese foi para a frente, no seu Brabham, acharam que aquilo era um sacrilégio, apesar de ser italiano. E quando Patrese perdeu o controlo do seu Brabham na saída da curva Acqua Minerale, batendo no muro de pneus, com o público a entrar em delírio, porque Tambay iria ganhar por Gilles, ficou na memória de muita gente. 

Quando em 2025, Andrea Kimi Antonelli apareceu na Formula 1 pela Mercedes, não deixei de pensar que ele era o primeiro italiano a ter uma séria chance para o título, mas como não corria pela Scuderia, provavelmente os italianos não entrariam própriamente em delírio desde os tempos de Alberto Ascari. a Scuderia fala mal algo que qualquer italiano... a não ser que seja um italiano na Scuderia, como aconteceu, 40 anos antes, com Michele Alboreto, "Il Marrochino" para os amigos.

Mas 2026 parece ser "o" ano de Antonelli: primeiro, cinco vitórias seguidas, quando todos esperavam que George Russell fosse "o" piloto que fosse o candidato numero um à vitória num carro preparado para as novas regras. Contudo, depois de ver o que se passou no fim de semana deste Grande Prémio, onde Antonelli partia de 19º, quase sem chances de vitória - se pontuasse, seria bom e se chegasse ao pódio, teria sido muito bom - vê-lo partir com pneus médios, ir às boxes uma vez, e apanhar Russell, que andou toda a corrida com pneus duros, e quando o fez, a pouco mais de seis voltas do fim, acabando na gravilha, na primeira chicane, antes de recuperar e voltar a passar... eu creio que acabei de ver não um futuro campeão do mundo, mas um multicampeão do mesmo calibre de Lewis Hamilton ou Max Verstappen, entre aqueles que partilha a grelha neste momento, ou alguém como Michael Schumacher. 

Aliás... não há gente que afirma Antonelli ser a reencarnação de Ayrton Senna? Se não é, não creio que ande longe.

E depois do que vi nesta tarde, na catedral do automobilismo, com ele a ser o primeiro italiano vencedor desde Ludovico Scarfiotti, em 1966, acho que George Russell deixou de ser primeiro piloto, e provavelmente não ganhará qualquer título mundial. Não com este Antonelli na sua equipa. A chance era agora e a perdeu. Lamentamos, porque o momento é do italiano, e estamos a pouco mais de um mês de o ver como o primeiro italiano campeão do mundo de Formula 1, algo que já não acontece desde 1953. É toda uma vida.    

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Noticias: Antonelli vai ser penalizado em Itália


A pouco menos de duas semanas do seu GP caseiro, Andrea Kimi Antonelli, o líder do campeonato, poderá ter de partir do fundo da grelha. É que ele terá uma penalização relacionado com a unidade motriz do seu Mercedes.

A marca alemã decidiu que Antonelli irá ter uma nova unidade motriz em Monza, e como já atingiu o seu limite permitido, e por isso, terá uma penalização de dez posições. 

Toto Wolff disse que a decisão foi tomada de forma consciente, e também foi por estratégia, por causa dos seus problemas em Barcelona e Silverstone, que resultaram em abandonos. 

“Em teoria, os nossos cálculos dizem que [Monza] é a melhor pista para a assumir [a penalização]. Obviamente os nossos algoritmos não têm em consideração a nacionalidade.”, começou por explicar. “Mas isto é uma luta pelo campeonato e não para conseguir a melhor imagem pública. Por isso é isso que vamos fazer.” 

A decisão é um golpe para aqueles que gostariam de ver Kimi Antonelli vencer em casa - não há italianos a ganhar em Monza desde... 1966 - mas Wolff disse que a prioridade da equipa está focada no objetivo desportivo, e não na percepção pública da decisão, apesar de ele ser o primeiro a assumir que uma penalização numa corrida em casa não seria a situação ideal para Antonelli.

domingo, 26 de julho de 2026

Formula 1 2026 - Ronda 11, Hungaroring (Corrida)


Passaram quarenta anos desde que a Formula 1 visitou pela primeira vez terras húngaras e não mais saiu dali, e agora, com uma pista cada vez mais entrincheirada no calendário - apesar de ser lenta e algo travada - a pista está cheia para acolher máquinas e pilotos, num país transformado. Afinal de contas, em 1986, a Hungria estava atrás da Cortina de Ferro...  

O tempo está agradável em Budapeste, um tempo de verão, com autódromo cheio de gente, asfalto quente (52ºC) baixas chances de chuva, e os pilotos iriam partir para as 70 voltas seguintes com pneus médios, preparando-se para duas paragens. as excepções eram os Ferrari, que largaram com moles, se calhar, para serem os primeiros a pararem.


Na partida, Norris defendeu-se de Piastri, mas Max subia para terceiro. O australiano foi mais ousado, e algumas curvas depois, ele ficou no comando da corrida. Depois vinha Max, os Ferrari, com Hamilton a defenmder-se dos ataques de Lelcerc, e Antonelli vinha logo a seguir. Russell partiu muito mal e tinha caído para o fundo do pelotão.

Nas voltas seguintes, os McLaren começaram a distanciar-se de Max Verstappen, que por sua vez, estava a aguentar os Ferrari, que o queriam passar para resolver o problema e tentar evitar que fugissem de forma definitiva. Muito atrás, na 13ª posição, George Russell continuava a sua recuperação. Na volta onze, Hamilton chegou a perguntar se não deveria mudar a estratégia para tentar passar dessa maneira o neerlandês da Red Bull. Do qual recebeu uma resposta negativa. No meio disto tudo, Russell continuava a subir posições, até à 11ª, mas algo longe de Nico Hulkenberg, da Audi, e o último piloto na zona dos pontos. 

Mesmo assim, Hamilton foi às boxes na volta 14, e colocou duros, tentando ficar na pista o maior tempo possível. Regressava à pista na nona posição, e esperava ter saído melhor que a concorrência. Durou algumas curvas até passar o Racing Bulls de Arvid Lindblad, para ser oitavo. Na volta seguinte, Max foi às boxes, trocou para duros, também, e na saída para a pista, Hamilton conseguiu ser mais rápido que o piloto da Red Bull, e conseguiu o "undercut". 

Contudo, logo a seguir, Max fez uma excelente manobra para passar Liam Lawson... e Lewis Hamilton, para ser sexto e sobretudo, passar o piloto da Ferrari, o seu rival direto nesta corrida. Bem interessante!

Oscar Piastri e Charles Leclerc pararam ao mesmo tempo, na volta 17, colocando duros, com Piastri a sair melhor, e o comando da corrida ficar nas mãos de Lando Norris. Mas isso durou apenas uma volta, porque o piloto da McLaren foi às boxes trocar de pneus. Durou 3.2 segundos, e na saída Piastri conseguiu passá-lo, com pouco mais de meio segundo de diferença. No comando está agora Kimi Antonelli, na frente de Isack Hadjar. E no meio disto tudo, Russell era agora oitavo, nos pontos.

Antonelli só foi às boxes na volta 23, para colocar duros e regressar à pista na sexta posição, mais de cinco segundos na frente de George Russell, que ainda não tinha parado. Ele só pararia na volta 28, para colocar duros e regressar na nona posição. Três voltas depois, na 31ª passagem pela meta, Hamilton regressava ás boxes para colocar mais um jogo de duros, regressando à pista na sétima posição. 


Na frente, Piastri comandava, mas estava a ser assediado por Norris. Max não estava muito longe, a pouco mais de dois segundos e meio, e logo a seguir, na volta 35, Oscar Piastri trocou também de pneus, para outro jogo de duros, regressando em quinto. Duas voltas depois, na 37, foi a vez de Leclerc parar pela segunda vez. 

Na volta 39, algo insólito: Oscar Piastri estava a passar alguns pilotos atrasados, entre eles o Williams de Carlos Sainz Jr, quando o piloto espanhol manobrou como se o australiano não estivesse ali. O choque foi inevitável, houve alguns danos, mas poderia ter sido muito pior. Quase ao mesmo tempo, Lando Norris ia às boxes, e voltava na frente de Piastri, para fúria do australiano. Max foi na volta 42, com o neerlandês a colocar moles e a regressar em quinto, atrás de Hamilton.

A partir daqui, isto se tornou numa luta entre Lando Norris e Andrea Kimi Antonelli. Primeiro ao longe, mas depois começou a ficar mais perto. Contudo, na volta 56, as atenções viraram para Oscar Piastri, que ficou sem caixa de velocidades, e parou de forma definitiva. Safety Car Virtual, e boa parte do pelotão foi às boxes para a sua terceira e última paragem nas boxes. Norris, Hamilton, Leclerc, Gasly e mais alguns outros, boa parte dos quais com moles, para acelerarem até ao final.

No regresso à pista, ainda em Safety Car Virtual, Hamilton ia rápido demais para ver se não era passado por Antonelli, mas quando regressou à pista, aparentava estar em excesso de velocidade, e teria de fazer uma de duas coisas: cedia a posição, ou teria uma penalização de cinco segundos. Ele escolheu ceder. 

A dez voltas do final, Norris tinha Max sob controlo, a cerca de seis segundos, mas a luta que interessava era entre Antonelli e Hamilton, pela terceira posição. O britânico, com moles, tentava passar o jovem piloto da Mercedes, que tinha duros, mas ele resistia. Pouco depois, Hamilton soube que tinha uma penalização de cinco segundos, logo, mesmo que o passasse, teria sido uma batalha inutil.

Mas até à meta, Lando Norris tinha uma corrida sem problemas, não só se distanciando de Max, como acabaria por triunfar pela primeira vez na temporada, fazendo com que a McLaren fosse a terceira equipa vencedora em 2026. Max tinha novo pódio, o quarto da temporada, enquanto Antonelli tinha tudo sob controlo, na frente dos dois Ferraris, com Leclerc em quarto, por ter puxado pelo carro para ficar a menos de cinco segundos do seu companheiro de equipa. 

E por curiosidade: os Aston Martin, com a sua versão B e sem as novas atualizações do motor Honda, acabaram em 13º e 14º, na frente dos Williams, dos Haas, dos Cadillacs, e com um Alpine atrás dele. Imagine-se como será depois de Zandvoort, quando tiverem a nova evolução do motor japonês... 


Agora, Antonelli tem 50 pontos de vantagem sobre Hamilton, o que implica que ele será campeão no fim de semana de Las Vegas. Não sei se será apropriado ele ganhar ali, num país onde, por exemplo, para beber, precisa de ter 21 anos... a não ser que no Nevada, a idade seja mais baixa. 

Depois de Hungaroring, são quatro semanas de férias até Zandvoort, e ver como será a segunda parte do campeonato.      

sábado, 25 de julho de 2026

Notcias: Hamilton e Antonelli penalizados depois da qualificação


A qualificação não acabou depois da bandeira de xadrez no GP húngaro. Os comissários decidiram ser rigorosos e depois de analisarem as imagens, aplicaram sanções a Lewis Hamilton, da Ferrari, e Andrea Kimi Antonelli, da Mercedes, em três lugares cada um devido a infrações. No caso do britânico, ele impediu o australiano Oscar Piastri na sua volta rápida, e quanto a Antonelli, este foi castigado com uma penalização de três lugares na grelha, depois de se descobrir que desrespeitou as bandeiras amarelas no final da Q3.

Com isto, Hamilton, que tinha sido segundo, cai para quinto, enquanto Antonelli, que tinha conseguido o quarto melhor tempo, irá agora largar de sétimo.

A penalização de Lewis Hamilton acontece quando o piloto da Ferrari reduziu significativamente a velocidade na trajetória ideal na aproximação à curva 1, enquanto Piastri vinha em volta lançada. A Ferrari não terá avisado Hamilton a tempo da aproximação do australiano, e o piloto da Ferrari explicou que só recebeu a mensagem quando Piastri já estava demasiado perto e que não o conseguiu ver nos espelhos. O australiano foi forçado a sair largo e a abortar a volta, o que levou os comissários a concluírem que Hamilton o tinha impedido de forma desnecessária. 

No comunicado oficial, os comissários descreveram o incidente e aplicaram a penalização devida:

“Os comissários ouviram o piloto do carro número 44 [Lewis Hamilton], o piloto do carro número 81 [Oscar Piastri], os representantes das equipas, e analisaram as imagens de vídeo, a telemetria, as comunicações de rádio da equipa e as imagens de vídeo do interior do carro.", começaram por referir.

"Na aproximação à Curva 1, o carro 44 circulava a uma velocidade significativamente reduzida na trajetória de corrida, enquanto o carro 81 se aproximava numa volta rápida. O piloto do carro 44 explicou que tinha acabado de completar uma volta rápida e que não recebeu a mensagem de rádio da equipa relativa à aproximação do carro 81 até que este já se encontrasse muito próximo. Afirmou ainda que, devido ao posicionamento do seu carro na pista, o carro 81 não era visível nos seus espelhos retrovisores. O carro 81, que se encontrava numa volta lançada, foi forçado a tomar medidas evasivas, saindo da pista e sendo obrigado a abortar a volta."

"Após examinarem as provas disponíveis, os Comissários determinaram que o carro 44 impediu desnecessariamente o carro 81 durante a qualificação. De acordo com o Regulamento da FIA de Fórmula 1 e as diretrizes de penalização estabelecidas para este tipo de infração na qualificação, os Comissários impõem uma penalização de três lugares na grelha de partida ao piloto do carro 44″, concluiu.


No caso de Antonelli, o incidente ocorreu na última curva, onde Max Verstappen tinha feito um pião, ficando parado na escapatória. Os comissários concluíram que Antonelli não abrandou o suficiente ao passar pelo carro imobilizado do neerlandês, razão pela qual lhe foi aplicada a sanção. E isso agravou a situação, pois ele irá cair de quarto para sétimo, ao mesmo tempo que George Russell, que foi sétimo, acabou por parar na pista quando fazia a volta de regresso às boxes, por causa de um problema na unidade motriz que vai levar à troca do motor de combustão interna.

No comunicado oficial, os comissários justificaram a penalização desta forma, reconhecendo, porém, que Antonelli abrandou - não o suficiente - logo, apenas aplicaram uma penalização de três lugares, em vez das cinco que acreditavam que deveria receber:

"Os comissários ouviram o piloto do carro numero 12 [Kimi Antonelli], o representante da equipa, o Diretor de Corrida da FIA de F1 e o Diretor Desportivo do Departamento de Monolugares da FIA, e analisaram os dados do sistema de posicionamento e orientação, imagens de vídeo, cronometragem, telemetria e imagens de vídeo do interior do carro.", começaram por afirmar.

"O piloto do carro 12 afirmou que, ao avistar a bandeira amarela e o painel luminoso, tirou o pé do acelerador mais cedo do que na sua volta de ataque anterior. Isto foi confirmado pela telemetria. No entanto, a redução da velocidade ocorreu durante um período muito curto e, na verdade, a velocidade do carro ao passar pelo local do incidente envolvendo o carro 3 [Max Verstappen] era ligeiramente superior à da volta de ataque anterior."

"O tempo no minissetor foi apenas 0,03 segundos mais lento do que o seu melhor tempo para esse minissetor, e, embora, por ter tirado o pé do acelerador 16 metros mais cedo, estivesse 14 km/h mais lento ao entrar no setor da bandeira amarela, estava 3 km/h mais rápido ao passar pelo local do incidente, devido a uma menor utilização dos travões ao entrar na curva. Os representantes da FIA observaram que a redução de velocidade no minissetor foi inferior a um por cento."

"Os Comissários consideraram que este incidente era diferente de outros incidentes que não deram origem a quaisquer medidas adicionais, porque, ao contrário desses casos, não houve uma diferença significativa de velocidade ao longo do mini-setor em comparação com o tempo mais rápido anterior do piloto em circunstâncias semelhantes."

"A sanção recomendada, de acordo com as diretrizes de sanções, para esta infração, é uma queda de cinco posições na grelha de partida. No entanto, como circunstância atenuante, considerámos que o piloto reduziu a velocidade, embora, na nossa avaliação, essa redução tenha sido insuficiente e não sustentada. Além disso, o piloto dispunha de tempo e distância limitados para reagir. Por conseguinte, é aplicada uma sanção mais leve”, concluiu.

domingo, 19 de julho de 2026

Formula 1 2026 - Ronda 10, Spa-Francochamps (Corrida)


A visão de Spa-Francochamps, uma das clássicas da Formula 1 - participou na edição inaugural  da competição, em 1950 - faz contentar os fás da modalidade. Uma pista grande, cheia de altos e baixos, num lugar florestado e com tempo instável, parece ser um paraíso da imprevisibilidade automobilística. Contudo, isso parece estar em vias de extinção. Com a obsessão da FIA e da FOM pela segurança, os pneus da Pirelli a não serem grande coisa - e a proibição da guerra de pneus - e a própria atmosfera daquela região das Ardenas, muito húmida, sempre que haverá aqueles momentos chuvosos, irão adiar para as calendas gregas. 

Sorte deles, este final de semana, apesar de alguns avisos, tal não acontecerá. Apesar do céu nublado, as chances de chuva eram pequenas.  

E pela frente temos uma corrida de 44 voltas, com os pilotos a poderem parar uma vez, pelo menos. E um tempo de verão faz com que as chances de chuva são quase mínimas. E os da frente decidem ir de médios, porque à partida, farão uma paragem durante a corrida. E também é a escolha dos que foram penalizados, porque querem beneficiar da sua durabilidade... e quem sabe, alguma situação de Safety Car durante a corrida...


Na partida, Antonelli larga bem e começa a ser atacado por Max Verstappen e passou-o na chegada a Eau Rouge. Mas pouco depois, na Radillon, a confusão: Hamilton e Russell tentaram lutar por posição e em Les Combes, acabou na relva, acabando por saior de pista. Com isto tudo, Leclerc era segundo, Antonelli tinha ganho velocidade suficiente para passar o neerlandês da Red Bull, e Max tinha caído para terceiro.

No final da primeira volta, tínhamos o Safety Car na pista, alguns pilotos, como Valtteri Bottas e Esteban Ocon, tiveram de ir às boxes para trocar de pneus, enquanto os que podiam, viam nos seus dispositivos móveis como é que Russell acabou a sua corrida na primeira volta e se Hamilton tinha alguma culpa nisso.

A corrida regressou à ação na volta cinco, com Hamilton e Piastri a lutarem pela quarta posição, enquanto Antonelli mantinha a liderança. O britânico da Ferrari chegou a ficar com o lugar, mas o australiano da McLaren respondeu e recuperou a posição. um pouco atrás, Lando Norris começava a subir posições, entrando nos pontos, na nona posição. Pouco depois, um pouco mais à frente, Max queria apanhar Leclerc e começou a usar energia para apanhar o monegasco da Ferrari, e lá conseguiu, no inicio da sexta volta.

Max queria apanhar Antonelli, e a volta mais rápida mostrava isso, mas Antonelli mantinha a energia e o sangue-frio para o manter à distância. Atrás, Leclerc tinha Piastri e Hamilton atrás dele, o australiano tentou passá-lo na volta oito, mas houve contacto entre ambos, suficiente para haver destroços. Na volta seguinte, Hamilton conseguiu passar o piloto da McLaren e ficou com a quarta posição.

Na décima volta, os comissários decidiram atribuir uma penalização de cinco segundos a Hamilton por causa da colisão com Russell na primeira volta, e que seria cumprido quando ele fosse às boxes. Atrás, Lando Norris subia posição atrás de posição, para evitar que ele deixasse que os da frente escapassem. Passava Arivd Lindblad na volta 12, e era sexto, a menos de 13 segundos da liderança, e com pneus duros, ou seja, tentaria ficar na pista o maior tempo possível.

As primeiras paragens nas boxes foram com o Alpine de Pierre Gasly, seguido pelo Williams de Carlos Sainz Jr, ambos na volta 14, com Franco Colapinto e Liam Lawson a fazerem o mesmo duas voltas depois, todos a colocarem duros, e a mesma coisa aconteceu com Arvid Lindblad na volta 17, para fazer a mesma coisa. 

Max foi o primeiro da frente a parar, na volta 18, para colocar duros, quando pouco depois, o Safety Car Virtual saiu à pista, para que os comissários pudessem limpar destroços. Kimi Antonelli foi às boxes, quase batia no muro, colocava duros, e saía em quinto, atrás dos Ferrari e dos McLaren. Que iria trocar de posições na volta 20, quando Lando Norris passou Oscar Piastri para ser terceiro. O australiano reagiu e voltou ao lugar e foi bem a tempo, pois o Safety Car Virtual saiu de novo, para que os comissários pudessem limpar os destroços perto nas boxes.

Leclerc, Hamilton e Piastri aproveitaram a ocasião para irem às boxes, bem como Hadjar e os Audi também foram. Nesta confusão, o McLaren de Norris era o primeiro, na frente de Leclerc e Antonelli, e na paragem de Hamilton, um dos seus mecânicos tropeçou e ficou magoado, mas sem grandes consequências. 


No meio da corrida, Norris, agora na frente, aguentava as investidas de Leclerc, com Antonelli perto deles e Max a seguir. Hamilton, no meio disto tudo, era sexto, depois de cumprir a sua penalização. Na frente, Leclerc estava a apanhar o piloto da McLaren e conseguiu passá-lo, para ficar com a liderança. Antonelli apanhou-o logo a seguir, na volta 26, e o piloto da Mercedes ficou com o segundo lugar. Norris era terceiro, mas logo a seguir Max aproximou-se, e na volta 29, era passado. Aqueles pneus duros já perdiam a sua eficácia... na volta 31, ele foi às boxes, trocando para médios. A troca foi lenta, e ele caiu para oitavo. 

Nessa altura, Antonelli tentava apanhar Leclerc e nesta altura já estava a menos de dois segundos do piloto da Ferrari. O italiano passou as voltas seguintes a aproximar-se, usando a energia do seu carro para o apanhar, enquanto o monegasco preparava-se para defender, de forma agressiva, se fosse preciso. Contudo, quando Antonelli ficou com o comando, na volta 34, não houve grande reação de Leclerc... naquele momento, porque pouco depois, o monegasco tentou reagir, apanhando-o.

E tudo isto com ambos a mais de sete segundos de Max, que era terceiro. 

Na parte final, Antonelli aguentou a investida de Leclerc, afastando-se ligeiramente, mas decisivamente, do piloto da Ferrari, enquanto no quarto posto, Piastri aguentava Hamilton o mais que podia, até que na volta 40, o veterano passou o piloto da McLaren na reta Kemmel para ser quarto. 

Na bandeira de xadrez, Antonelli conseguia a sua sexta vitória na temporada, e melhor ainda, com o seu companheiro e rival Russell de fora, serão mais 25 pontos que consegue, nesta luta pelo campeonato. Mais um pódio para Leclerc, e sobretudo, para Max, que bem precisa numa temporada onde o seu Red Bull não é o melhor carro do pelotão. Nem o segundo ou o terceiro melhor...


Agora, a tenda irá se desmontar rapidamente, porque no próximo fim de semana, estarão em Budapeste para um último espectáculo antes das férias do verão. 

domingo, 5 de julho de 2026

Formula 1 2026 - Ronda 9, Silverstone (Corrida)


Ainda não chegamos à metade da temporada, mas é bom ver a Formula 1 chegar a mas um clássico do automobilismo, mais de 75 anos depois do seu começo, mesta pista, e no ano do centenário do primeiro GP da Grã-Bretanha, que aconteceu em Brooklands, o primeiro circuito permanente do mundo, que sendo construído por aristocratas que tinham horror pelo odor popular, tinham o seguinte lema: "a gente certa, sem enchentes". Um pouco classista, não acham?

Mas agora, em 2026, a Formula 1 deseja as bancadas cheias de espectadores, porque é o sinal do sucesso, e não quer saber a sua origem social, porque o que importa é terem o dinheiro para pagar o bilhete e gastá-lo nas bancas ao lado das bancadas, não se importando que partes do corpo vendeste para ver ao vivo e a cores Lewis Hamilton, George Russell, Lando Norris ou Kimi Antonelli, Max Verstappen e Charles Leclerc. Aliás, havia uma bancada só para ver Norris, com o padrão do seu capacete e o amarelo vivo nos seus bonés! 

Antes de partir, sabia-se os pneus que iriam usar: todos começariam com médios, e uma só paragem até ao final. 


Na partida, Kimi Antonelli não largou bem, e foi o suficiente para ser engolido pelos Ferrari. Primeiro Leclerc, depois Hamilton, e em três curvas, o líder do campeonato era terceiro. Russell era quarto, mas tinha de aguentar a investida de Isack Hadjar, quinto e com vontade de passar o piloto da Mercedes. No fundo da tabela, Alex Albon tocou na traseira de Ollie Bearman e tinha o bico danificado, indo às boxes e regressando no fim do pelotão.

Nas voltas seguintes, os Mercedes tentaram recuperar o tempo perdido, especialmente Kimi Antonelli, o melhor dos Flechas de Prata naquele momento. Na volta 11, o piloto italiano conseguiu passar Hamilton para ser segundo classificado. 

O primeiro a parar para trocar de pneus foi Piastri, que colocou duros e regressou no fundo do pelotão, ao mesmo tempo que Alex Albon. Na frente, os Ferrari pareciam controlar os Mercedes, com Lecelrc a estar na frente de Antonelli, numa distância que há roçava os cinco segundos, com Hamilton e Russell a não estarem muito longe. O segundo piloto da Mercedes nesta altura, estava a ser pressionado fortemente por Max Verstappen, colado à sua traseira, mas não estava perto o suficiente para o atacar. Max conseguiu passá-lo na volta 18, antes de ir para as boxes, trocar para duros, mostrando que iria ir até ao fim.

Na volta 22, o Safety Car Virtual foi acionado por causa de... um guarda-chuva (tipicamente britânico...), mas demorou apenas uma volta, enquanto Russell e Hamilton foram ás boxes na volta 24, com o britãnico da Ferrari a queixar-se porque ele achava que os seus pneus ainda estavam bons. Duas voltas depois, e a meio da corrida, Leclerc foi às boxes colocar duros, deixando Antonelli na liderança, com 17 segundos de vantagem sobre o monegasco, com Lando Norris em terceiro, quatro segundos mais abaixo.


Nesta altura, Hamilton estava na traseira de Russell e determinado em passá-lo, apesar de ambos estarem a lutar pela quinta posição. E enquanto faziam isso, aproximavam-se da traseira de Max Verstappen, o quarto classificado. Os três iriam ganhar um lugar na volta 29 quando Lando Norris ia às boxes para colocar duros, caindo para sexto. Instantes depois, Hamilton apanhou Russell para o passar na curva Copse, mas o piloto da Mercedes resistiu na curva Maggots, conseguindo ficar com o quarto posto. Mas na curva 32, Hamilton ia voltar a atacá-lo, mas Russell resistia. Tudo isto nas traseiras de Max Verstappen.  

De repente, Russell foi avisado que sofria de um furo lento quando começava a esboçar ultrapassagens a Max Verstappen, e na volta 35, ia às boxes para trocar o pneu danificado, abandonando a luta, especialmente pelo lugar do pódio entre Max e Hamilton. Mais recordações de 2021 estão a aparecer na memória... 

Na volta seguinte, por fim, Kimi Antonelli foi às boxes para colocar os seus pneus, perdendo a liderança para Leclerc. Ele regressava à pista com sete segundos para recuperar e 17 voltas para o apanhar. Um pouco mais atrás, Hamilton começou a pressionar Max porque queria o seu lugar no pódio, e sabendo que os pneus traseiros daquele Red Bull já não estavam tão bons. O piloto da Ferrari conseguiu o que queria na volta 39... e foi bem a tempo, porque entretanto, o Audi de Nico Hulkenberg ficava parado na pista, e o Safety Car Virtual era novamente acionado. 

Norris e Hadjar foram à boxes trocar de pneus, bem como Max, e todos metiam médios. Hamilton estava agora mais tranquilo no terceiro lugar, enquanto Antonelli estava na disposição de apanhar Leclerc, e a 12 voltas do final, o italiano já estava a quarto segundos do monegasco.

Mas na volta 42... um golpe de teatro. Antonelli queixava-se de problemas no carro - parecia um problema de direção - e depois de uma paragem nas boxes, ele regressava na sexta posição. No regresso, tentava manter o carro na pista, mas depois de ter saído, e com dificuldades em manter o ritmo, ia novamente nas boxes para tentar resolver o problema. Regressou à pista na décima posição, com o objetivo de terminar nos pontos, mas Antonelli continuava a queixar-se de que o problema era mais fundo.

Na frente, a Ferrari estava a ter uma tarde gloriosa: Leclerc na frente de Hamilton e mais de vinte segundos de diferença entre os dois, e ambos a controlarem Max Verstappen. 


Mas a quatro voltas do fim, novo golpe de teatro na corrida: Max sai de pista a alta de velocidade na curva Stowe, e o Safety Car não era virtual, era real. A Red Bull disse depois que tinha sido por causa de um problema na asa traseira, e pediu desculpas a Max. Todos iriam se juntar para as quatro voltas finais. Alguns pilotos iam às boxes para trocar os seus pneus uma segunda ou terceira vez, colocando... moles, e na saída das boxes, Russell, que tinha ficado na pista, era segundo, na frente de Lewis Hamilton, que tia colocado novo jogo de pneus. 

A ideia era que o Safety Car saísse na volta final, mas... isso não aconteceu. Depois de tantos problemas em alguns dos carros da frente, e das brigas por posição, o final é anti-climático. Charles Leclerc ganhou a sua primeira corrida desde 2024, e Kimi Antonelli acabou por ser penalizado em cinco segundos por causa dos seus "corta-matos" - ignorando os comissários que ele tinha problemas, não ganhava nada com isso - e caia para fora dos pontos por causa do ajuntamento. 

Russell ganhava pontos com este final - ironicamente, ele tinha tido problemas antes disto tudo acontecer - e no final da corrida, a FIA explicou toda esta confusão: o regulamento fala que é preciso dar uma volta inteira depois que deixarem passar os retardatários, e a mensagem de que a corrida seria reiniciada foi um erro de sistema. Enfim... se calhar não seria má ideia ou colocar a bandeira vermelha, por ter acontecido a menos de cinco voltas da corrida, ou então, ir à Formula E e copiar os seus regulamentos neste capitulo, que acrescentam algumas voltas extra. Enfim...


Agora, são duas semanas até Spa-Francochamps, e mais duas corridas até à paragem de verão. E tudo isto com os cinco primeiros separados por 83 pontos. Nada mau, para uma temporada que se temia aborrecida!

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Youtube Formula One Video: George Russell estará acabado?

O Josh Revell acha que sim. Eu, sinceramente, acho que há muito campeonato, e ainda nem chegamos à metade. Mas depois dos resultados das primeiras sete corridas do campeonato, onde Kimi Antonelli ganhou cinco corridas, contra uma de Russell, ele afirma que a sua grande chance de ganhar um título está a ir pelo cano abaixo porque a precocidade do piloto italiano - tem apenas 19 anos, recorde-se - o colocará na pole-position para 2026. 

Mas enfim, se quiserem ver a sua tomada de posição, é simples: vejam o seu mais recente video, que saiu hoje.  

domingo, 14 de junho de 2026

Formula 1 2026 - Ronda 7, Catalunha (Corrida)


A pista da Catalunha, construída em 1991, a tempo do GP de Espanha, em outubro, ganhou a reputação de ser uma corrida aborrecida, porque máquinas e pilotos habituaram-se tanto a testar ali que se tornou numa pista sem segredos. Contudo, em 2026, ela perdeu o estatuto de ser a corrida espanhola - irá para o Madring - e a partir de 2027, ele só aparecerá ano sim, ano não, em rotação com Spa-Francochamps.

A corrida acontece uma semana depois da corrida de Monte Carlo, e a grande dúvida era saber se, por exemplo, os Mercedes conseguiriam ser mais dominantes que o costume, contra uns Ferrari que - pelo menos do lado de Lewis Hamilton - parecem estar em forma, contra os McLaren que querem mostrar que os seus problemas são uma coisa temporária. E claro, com a pole de George Russell, ele vai querer diminuir a diferença para um Antonelli que parece ser imparável. 

Como ontem, máquinas e pilotos encaravam a corrida debaixo de calor, e George Russell poderia ter o seu maior rival na segunda fila, logo, a chance de conseguir um bom resultado era grande. Mas ele deverá ter en conta que a seu lado está Lewis Hamilton, e está na sua melhor forma desde que chegou à Ferrari. E claro, Lando Norris também tem de ser considerado nas chances para a vitória. Em suma, quatro candidatos ao título, três deles... britânicos.

Teremos 66 voltas para ver até que ponto tudo isto será verdade... ou haverá algo inesperado. E para começar, Max Verstappen e Lewis Hamilton iráo começar de... moles!


Na partida, Russell partiu muito bem e ficou com o comando, seguido por Hamilton e Antonelli, Norris e Max. Atrás, Isack Hadjar perdia posições, chegando até a sair da pista, mas no inicio da volta 3, estava a recuperar posições, passando o Williams de Carlos Sainz Jr. Ao mesmo tempo, Arvid Lindblad tinha um aviso por ter ganho vantagem numa ultrapassagem.

Na volta 8, Leclerc conseguiu passar Oscar Piastri na curva 4, a mesma onde ele se despistou no dia anterior, para ser sétimo classificado de forma provisória. Quatro voltas depois, Hamilton é o primeiro a ir às boxes, colocar duros e regressar em sétimo. A seguir foi Liam Lawson, também para meter duros no seu Racing Bulls. Max Verstappen e George Russell faziam o mesmo na volta seguinte, para meter duros, e na volta 14, Lando Norris também ia às boxes, também para colocar duros. Antonelli e Piastri foram trocar de pneus na volta 15, dando a Leclerc a liderança da corrida, que manteve por algum tempo, enquanto Russell se aproximava do piloto da Ferrari.

Leclerc acabou por ir às boxes na volta 17, regressando em sexto, na frente de Oscar Piastri, numa altura em que na Cadillac, Valtteri Bottas era a segunda retirada do ano, depois de Lance Stroll, no seu Aston Martin, algumas voltas antes.


A partir daqui, Russell tentava afastar-se de Hamilton, mas a diferença raramente era superior a dois segundos, com Antonelli em terceiro. Com o passar das voltas, lentamente, Russell escapava de Hamilton, enquanto Antonelli aproximava-se do piloto da Ferrari, pelo segundo lugar. Hamilton foi às boxes na volta 28, para a sua segunda troca de pneus, colocando médios e regressando em sétimo, atrás de Piastri. Pouco depois, na volta 29, ele passou o piloto da McLaren para ser sexto.

Verstappen parava pela segunda vez na volta 30, colocou duros e regressou na sétima posição, numa altura em que Antonelli começava a pressionar Russell na liderança da corrida. Na volta 33, começaram as lutas pela liderança, com Russell a manter o comando. Três voltas depois, Russell, que era quarto, ia às boxes pela segunda vez, para trocar para duros. Na volta a seguir, Russell ia às boxes para colocar duros e cedia o comando para Antonelli. Que ia às boxes na volta seguinte, colocando duros e regressando na terceira posição, pois Hamilton ainda não tinha colocado.

Leclerc foi às boxes na volta 41, depois de ser passado por Russell, e na mesma altura em que Fernando Alonso estava parado na berma, sendo a quinta desistência da corrida. O suficiente para o Safety Car Virtual, e alguns pilotos como Lewis Hamilton, aproveitaram para ir às boxes. No caso do britânico, colocou duros e manteve a liderança. Com o regressar da corrida, o piloto da Ferrari já tinha três paragens, mais um que os Mercedes, mas ele estava na frente deles. Parecia ser uma jogada de génio...

Atrás, parecia que Antonelli ia aos limites e para além deles, arriscando a ficar com uma penalização de cinco segundos e ficar sem um lugar no pódio. Mas também com o passar das voltas, viamos outra coisa: Hamilton conseguia distanciar-se de Russell e parecia ter a corrida sob controle. A dez voltas do final, ele tinha uma vantagem de 12,5 segundos, com Antonelli a pressionar o seu companheiro de equipa. 


Nas voltas finais, gente como Isack Hadjar ia às boxes e metia moles, para ver se conseguir ser mais performativo nestas voltas finais, mas na frente, com Hamilton tranquilo, os Mercedes começaram a brigar pela segunda posição, quando Antonelli atacou na volta 61, com Russell a não conseguir defender-se. Mas Antonelli no segundo lugar foi sol de (muito pouca) dura pois, na volta 62, inesperadamente, Kimi Antonelli e Charles Leclerc, separadamente, tinham problemas de motor e de sistemas eletrónicos, parando em lugares diferentes da pista. Safety Car Virtual e parecia que o final iria ser anti-climático...

Acabou por não acontecer, e com Novak Djokovic a agitar a bandeira, Lewis Hamilton dava à Ferrari a sua primeira vitória do ano, e para o veterano britânico, e o seu primeiro triunfo desde a sua chegada à Scuderia. Russell foi segundo, Norris terceiro, e apesar de serem todos em equipas diferentes, o pódio era todo britânico: o primeiro em 57 anos. 


Com isto, a Mercedes já não é invencível, e Antonelli não irá pontuar em todas as corridas da temporada. Mas ele mantêm o comando do campeonato, 41 pontos na frente de Lewis Hamilton. Agora são duas semanas antes do Red Bull Ring, mais uma pista clássica para correr, e ainda nem chegamos a meio do ano. 

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Noticias: Villeneuve aconselha cabeça fria a Antonelli


Jacques Villeneuve aconselha cabeça fria a Andrea Kimi Antonelli. O campeão do mundo de 1997 aconselha o jovem piloto italiano da Mercedes e atual líder do campeonato, com quatro vitórias seguidas, a não ceder na euforia do momento, porque o campeonato ainda mal começou. Com 131 pontos contra os 88 de George Russell, seu companheiro de equipa e segundo classificado da geral, o canadiano afirma que ele está apenas na sua segunda temporada completa e não pode perder os pés na terra. 

“Ele precisa de manter a cabeça fria, de não começar a acreditar demasiado no seu próprio hype. Isso é uma coisa muito perigosa de fazer. Quando pensas que és intocável, é aí que os erros acontecem, e tens um abandono, como o [Russell] hoje, ou tens um acidente, perdes 25 pontos, a diferença muda muito, e de repente começas a duvidar de ti próprio.", começou por afirmar durante a pós-corrida em Montreal.

"Esse é o grande risco. Agora mesmo, está a conduzir no limite em cada volta, e ao ponto em que pensas: ‘Wow, está a manter o carro na pista’, as coisas correm bem. Não será sempre assim. Por isso, como vai reagir quando uma coisa correr mal? Essa será a questão-chave. Mas agora mesmo, é mais rápido do que o George. Tem-no controlado. O que é importante para a equipa é que o George acorde um pouco e comece a acreditar em si próprio novamente.”, concluiu.

A Formula 1 regressa à ação no GP do Mónaco, dentro de semana e meia, a 7 de junho. 

domingo, 24 de maio de 2026

Formula 1 2026 - Ronda 5, Canadá (Corrida)


Montreal é a maior cidade da província do Quebec, o único de maioria francesa na Confederação Canadiana. A Formula 1 vem ao país desde 1967, com algumas interrupções pelo meio - algumas por causa de desacordos entre cervejas (!) - mas desde 1978 que escolheram um lugar: a ilha de Notre-Dâme, no outro lado da cidade de Montreal, depois de atravessarem o Rio São Lourenço, o segundo mais navegável da América do Norte, apenas batido pelo Mississipi.

Numa corrida a acontecer um pouco mais cedo que o habitual - normalmente é a meio de junho - está a ser interessante saber de duas coisas: a primeira, que as ideias iniciais de domínio não está a ser assim tão forte da parte das Mercedes, e dentro da própria equipa de Brackley, se George Russell esperava um passeio rumo ao título, Andrea Kimi Antonelli não está a deixar que as coisas sejam assim tão fáceis. Há luta, e os fãs gostam, mesmo com todos estes problemas nos carros. 

E para potencialmente baralhar as coisas, neste domingo, chove na maior cidade do Quebec. 


Depois da parada de pilotos, soube-se que Lance Stroll, o herói local, iria largar da corrida das boxes, por causa dos constantes problemas do seu Aston Martin, mas ele até largou. Quem não teve essa sorte foi Arvid Lindblad, que depois da partida falsa - lá iremos, daqui a algumas linhas - o carro não arrancou mais. Nessa altura, os pilotos que estavam na grelha, calçavam... quatro tipos de pneus. Os McLaren, por exemplo, queriam começar com intermédios, porque achavam que a pista estava demasiado húmida para colocarem já os "slicks". A mesma tática seguia os Cadillac e os Audi, especialmente Nico Hulkenberg. O resto, de moles, excepto os Red Bull, que iam partir com médios.

A corrida demorou a começar, porque com o chegar - e o passar - da hora, os carros demoraram mais um bocado por causa do estado do asfalto, no qual os organizadores queriam que secasse mais um pouco. E na primeira tentativa... não se apagaram. Quando, por fim, as luzes se apagaram - com menos uma volta na contabilidade - os pilotos com os intermédios começaram, aparentemente, a ter vantagem, com Lando Norris a deixar os Mercedes para trás, porque esses pneus conseguiam ser eficazes. 


Mas foi sol de pouca dura... ou algumas centenas de metros, se quiserem. Oscar Piastri, que perdeu alguns lugares nas curvas iniciais, foi logo às boxes no final da primeira volta, e Lando Norris foi na volta a seguir, não sem Kimi Antonelli o apanhar e o passar, mostrando que o tempo dos intermédios tinha acabado, ainda antes de começar. Russell estava a seguir, e Hamilton era terceiro, na frente de Max Verstappen.

As coisas andaram relativamente bem nas quatro voltas seguintes, porque a partir desse momento, a luta entre ambos, que tinha começado ontem, na Sprint Race, iria continuar, para júbilo dos fãs... e de Toto Wolff. Russell passou para a frente na volta 6, mas o italiano não queria desistir, chegando até a travar além do limite, para não perder distância sobre o britânico, seu companheiro de equipa. Atrás, na volta 13, Alex Albon tornava-se na segunda desistência da corrida, depois de ser abalroado por Oscar Piastri na travagem para o gancho e torna-se na segunda desistência da corrida. O australiano teve de trocar de asa da frente, e  claro, ia acabar no fundo do pelotão. Tudo isto ao mesmo tempo que ambos os pilotos da Mercedes debatiam entre eles a liderança da prova, metro a metro, enquanto Max tinha passado Hamilton para ser terceiro. 

E na volta 23, era a vez de Antonelli ficar novamente com o comando da corrida, depois de Russell ter travado muito fundo no gancho, com Verstappen, não muito atrás, a observar, não muito longe. Mas na volta seguinte, foi a vez de Antonelli falhar a travagem e Russell aproveitou. Os pilotos andaram a tocar metro a metro, excitando todos os espectadores que assistiam a tudo na pista. E nenhum deles não queria desistir do primeiro lugar! Mesmo!

E no meio disto tudo, Fernando Alonso retirava, depois de uma corrida onde a certa altura, andou em décimo, logo, nos pontos.


Na volta 30, o momento da corrida: Russell desistia, enquanto liderava, por causa de problemas de motor no seu carro - todo aquele stress tinha deixado o material além do seu limite, pelos vistos - deixando o comando da corrida para Antonelli, e a colocação do Safety Car Virtual na pista. Altura de muitos trocarem de pneus pela única vez, e a corrida recomeçou na volta 33, com Kimi Antonelli no comando, e Max não muito longe, seguido pelo Ferrari de Lewis Hamilton.

Mais problemas - parece que hoje não era o dia dos motores Mercedes - na volta 40, quando Lando Norris desistia, acabando por ser o quinto abandono da prova. Nesta altura, apenas Antonelli, que liderava, Piastri, que estava fora dos pontos, e os Alpine, estavam em pista, eram os Mercedes que funcionavam. Pouco depois, nova amostragem do Safety Car Virtual por causa de Sérgio Pérez. que teve o seu Cadillac a desmontar-se, fazendo com que, nessa altura, apenas 16 carros circulassem na pista.

Pouco depois... nova entrada do Safety Car Virtual por causa dos destroços na pista - bem vistas as coisas, é o habitual no Canadá - e no recomeço, com Kimi um pouco distante de Max, no segundo posto, este, no recomeço, começou a ser assediado pelos Ferrari, especialmente Hamilton, que estava atrás do piloto da Red Bull.

A luta pelos dois continuou até na volta 62, quando o britânico conseguiu passar o piloto da Red Bull e ficar com o segundo lugar, paras a partir dali, aguentar os ataques do neerlandês, que queria o lugar de volta. Pouco depois, uma penalização para o companheiro de Max na Red Bull, Isack Hadjar: stop & go para o francês, mas o francês mantinha o quinto lugar, com uma volta de atraso.

Mas no meio disto tudo, Antonelli triunfa no GP canadiano, conseguindo a sua quarta corrida em cinco nesta temporada, distanciando-se ainda mais da concorrência mais direta, que, melhor para ele... não pontua. Hamilton consegue o seu segundo pódio do ano e o seu melhor resultado da temporada, batendo Max Verstappen, que é terceiro e consegue o seu primeiro pódio de 2026, na frente de Charles Leclerc e Isack Hadjar. 


E foi assim que aconteceu o GP canadiano, uma corrida que, como acontece quase sempre, não desilude.