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domingo, 15 de setembro de 2024

Formula 1 2024 - Ronda 17, Baku (Corrida)


A Formula 1 não sabe muito bem o que fazer com Baku. Quer tê-lo, mas desde que o tem, já mudou de lugar por - agora - pela terceira vez. Começou inicialmente por acontecer em junho, depois passou para abril, e agora é em setembro, para fazer de ligação ente a Europa e a Singapura, Ásia e o Médio Oriente. Apesar de ser uma pista desenhada nas ruas da capital do Azerbaijão, conhecida apenas pela sua capacidade petrolífera e pelos prédios de "design" que enxameiam a cidade capital desta antiga republica soviética, a Formula 1 poderá ser o melhor cartão de visita para esta nação.    

E até calhou bem receber a competição nesta altura. Com três ou quatro equipas a lutarem pela vitória, parece que a competição será das mais renhidas em quase meio século. E se esta corrida tivesse acontecido no inicio do ano, seria um passeio da Red Bull, mas agora... é um pouco ver quem se sairá melhor. A Ferrari tinha o ímpeto, desde Monza, e ainda por cima, Charles Leclerc, está em alta depois de ter ganho, e da pole de ontem, a McLaren, que parece ter o melhor chassis do pelotão, e quer Lando Norris, quer Oscar Piastri, tem um carro para lutarem pela liderança, e melhor ainda, poderão chegar à liderança do campeonato de Construtores, algo que não acontece desde 2014! 

A Red Bull tenta conter a decadência, mas parece que ali poderá ser um bom lugar para alguém que muitos o querem ver fora do lugar onde está: Sérgio Pérez. Que ficou na frente de Max Verstappen, que parece estar um modo "damage control". E nem sabemos ainda se a Mercedes não tirará chances para baralhar e voltar a dar. Eis a Formula 1 neste final de verão de 2024. E claro, Baku está alegre por os receber. 


Na partida, Charles Leclerc reagiu bem e ficou com o primeiro posto, defendendo-se de Oscar Piastri, que por sua vez, começou a defender-se de Carlos Sainz Jr e Sérgio Pérez. O mexicano aproveitou a curva 3 para passar o espanhol para ser terceiro, iniciando-se um duelo que iria durar... quase toda a corrida. Max passou Russell e agora, era quinto depois de algumas curvas. Atrás, Lance Stroll e Yuki Tsunoda tocavam-se, mas os carros continuavam intactos. 

Leclerc passou a tentar afastar-se de Piastri, para poder gerir a sua corrida a seu bel-prazer, enquanto atrás, Lando Norris começava a fazer uma corrida de recuperação, aproveitando as longas retas. No inicio da terceira volta, já era 12º e ia atrás de Yuki Tsunoda. Nas voltas seguintes, foi esse o ponto de interesse da corrida: a recuperação de Norris, lugar após lugar, para chegar aos pontos o mais depressa possível. No inicio da oitava volta, tinha passado Oliver Bearman e já estava nos pontos. 

A partir dali, começaram as primeiras paragens de pneus, todos trocando os médios para os duros, e claro, alguns pilotos, que começaram com os duros, ficaram na pista e subindo dessa forma na classificação. Foi assim que na volta 15, Norris já era quinto, atrás de Alex Albon, e a ser ameaçado por Sérgio Pérez, um dos que tinha pneus novos. Na volta seguinte, Piastri parava, enquanto ao mesmo tempo, o mexicano passava o piloto da McLaren e era quinto. Mas ambos não apanhavam Piastri na luta pelo quarto lugar.    


Com pneus novos, o australiano foi apanhar o monegasco da Ferrari e conseguiu no inicio da volta 19, com aquilo que chamam de "divebomb", ou seja, uma travagem no limite. Novo líder, e é um McLaren. Leclerc tentou responder, mas o australiano defendeu-se bem. Pouco depois, Norris trocou de pneus, caindo para sexto... e a ser ameaçado por Max Verstappen. Mas ele aguentou nas voltas seguintes. Como Piastri deu o seu melhor para se afastar, Leclerc reagiu indo atrás dele, esperando por uma chance de atacar. E tentou na volta 28, no mesmo lugar onde foi ultrapassado antes, mas o australiano defendeu-se dessa ocasião. Nas voltas posteriores, via-se porque é que Piastri tem mais estofo de campeão, porque sabia qual era a melhor trajetória para se defender dos ataques de Leclerc, que, por mais que tentasse, não conseguia passar. 

E no meio disto tudo, Sérgio Pérez aproximava-se de ambos e esperava por um momento de má sorte... deles. Aliás, na volta 33, menos de um segunda separava o pódio! Mas a partir dali, parecia que os pilotos ansiavam mais num jogo de espera, pretendendo jogar com os pneus, porque a partir dessa altura, começavam as segundas paragens. Norris, por exemplo, trocou de pneus na volta 38, colocando médios. 

Tudo muito calmo até à parte final, onde ali, as coisas escaldaram... confundindo tudo e todos. Tudo começou na volta 50, depois de Norris ter conseguido o que queria, passar Max a ganhar pontos na luta pelo campeonato. Depois, na volta 50, Pérez atacou Leclerc, que começara a afastar-se de Piastri por causa dos seus pneus, mais desgastados que os do australiano, e o monegasco defendeu-se. Quando este recuou para tentar de novo, Sainz Jr atacou-o para tentar ficar com o terceiro lugar, que conseguiu!  


Claro, o mexicano não iria desistir - tinha de ser, faltava pouco mais de uma volta - e quando o espanhol foi para o lado direito, o mexicano tentou a ultrapassagem. Mas ambos colidiram! Bandeiras amarelas, Safety Car Virtual, e a corrida acabada. Basicamente!

Com isto, Piastri conseguiu a sua segunda vitória do ano, e aproximou-se dos três primeiros, com George Russell a ser terceiro, um inesperado pódio, na frente de Lando Norris, que claro, ficou na frente de Max Verstappen. As grandes surpresas aconteceram atrás, com os Williams, numa corrida imaculada, acabaram sétimo e oitavo, Alex Albon a conseguir a sua melhor pontuação da temporada, até agora, e Franco Colapinto a ser oitavo, e a conseguir nos primeiros pontos a um piloto argentino... desde 1982! Ainda havia um momento para Oliver Bearman, que acabou na décima posição e conseguiu um ponto para a Haas, e de uma certa forma... deu o primeiro ponto à sua futura equipa!


E foi assim a primeira das duas corridas urbanas neste setembro. Semana que vem, em Singapura, há mais! 

sábado, 14 de setembro de 2024

Formula 1 2024 - Ronda 17, Baku (Qualificação)


Baku, no mar Cáspio, não é Europa em termos geográficos, mas em muitas outras coisas - especialmente na politica - é um país europeu. Rico em petróleo e arquitetura, um país turcófono, construiu um circuito no meio da cidade que atrai gente para poder assistir, especialmente agora, neste final de verão, onde ainda se sente o calor vindo da estepe da Ásia Central, e de uma certa forma, é, assim dizer, a última corrida do verão europeu... de uma certa forma.

E foi nesse calor que a Formula 1 chegou à capital do pequeno - mas rico - Azerbeijão. Com alterações na lista de pilotos, graças à chegada de Oliver Bearman, que substituirá Nico Hulkenberg na Haas F1, excluído por causa do limite de pontos que ultrapassou na corrida anterior, em Monza, muitos queriam saber até que ponto é que Max iria aguentar o ataque dos pilotos da McLaren e Ferrari, especialmente Leclerc, que vem de um triunfo em Monza, a catedral "tiffosi", e enche os ferraristas de esperança.


Debaixo de um sol de verão, a qualificação começou com todos os pilotos a usarem pneus macios, exceto Fernando Alonso e George Russell, com o carro de Max Verstappen a sofrer uma modificação na configuração, os carros foram para a pista marcar os seus tempos. Sérgio Pérez foi o primeiro a marcar um tempo, antes de Carlos Sainz Jr melhorar e marcar 1.43,436.

Pouco depois, já com todos a calçarem moles, Pérez melhorou, mas foi superado pelo outro Ferrari de Charles Leclerc, que marcou 1.42,775. Logo a seguir, Russell deu um salto na tabela com os pneus macios, ficando a 364 centésimos do piloto monegasco da Ferrari.

Nos últimos momentos, houve algumas perturbações, a mais séria teve consequências: Lando Norris teve um pequeno erro na curva de entrada para a reta da meta, perdendo muito tempo e chegando mesmo a abortar a tentativa, ficando-se pelo 17.º lugar do Q1. Ou seja, foi eliminado, fazendo companhia aos Sauber de Valtteri Bottas e Guanyou Zhou, o Alpine de Esteban Ocon e o Racing Bulls de Daniel Ricciardo.

Bem... a concorrência exalta, aparentemente.

Chegados à Q2, os pilotos começaram a marcar os seus tempos. Mantendo os moles, embora com outros jogos de pneus, Max Verstappen começou a marcar o seu ritmo, com 1.42,042, seguido por Sérgio Pérez, a dois décimos de segundo. Pouco depois, Oscar Piastri faz uma volta forte em 1.42,598 com pneus novos para ser o mais rápido da sessão até ali.

A cinco minutos do final da sessão, Charles Leclsrc tentou a sua sorte e apesar de um bom segundo setor, o monegasco não conseguiu bater a marca de Max Verstappen, ficando a 14 centésimos do adversário neerlandês. Pérex foi o terceiro, e surpreendentemente, os Williams passaram para a Q3, colocando Franco Colapinto num sensacional sexto posto, na frente de Alex Albon! De fora, Oliver Bearman era 11º, na frente de Yuki Tsunoda, Nico Hulkenberg, Pierre Gasly e Lance Stroll.


E assim, chegamos à Q3.

Calmamente, todos os pilotos saíram das boxes sem pressas para marcar tempos. Do grupo que saiu rapidamente para a pista, Albon, Colapinto, Alonso e Piastri optaram por colocar pneus usados, enquanto os restantes meteram pneus moles novos.

Russell foi primeiro a estabelecer tempo, com 1.41,962. Piastri melhorou, mas Sainz Jr ultrapassou-o. Leclerc melhorou ainda mais, marcando 1.41,610, e parecia ser tempo para pole-position. Depois de um tempo onde os pilotos trocaram de pneus, e esperaram pela melhor altura, houve um incidente nas boxes da Williams, quando Alex Albon saiu de lá com o sistema de refrigeração acoplado, precisando o tailandês de parar no final da via de saída das boxes para o retirar sem ajuda externa e prosseguir na sessão. (no final, a Williams safou-se com uma multa de cinco mil euros).

Na volta final, Charles Leclerc melhorou ainda mais o seu tempo da pole, com a marca de 1.41,365, seguido de Oscar Piastri e Carlos Sainz Jr, e assim, conseguiu a sua segunda pole seguida do campeonato, colocando-se na melhor posição de vitória para a corrida de domingo. Belos dias para os lados de Maranello...       


No final, é algo interessante ver algo sobre Charles Leclerc, partindo do primeiro posto da grelha, com uma McLaren onde houve do bom e do mau, especialmente um Norris que poderá ser prejudicado na sua luta pelo título. Será que foi cedo demais, as ordens de equipa?

E claro, ver como reagirá Max amanhã. Não está em bons lençóis, isso é verdade. 

Antes de fechar, soube-se que Gasly tinha gasolina a menos e foi desclassificado, ou seja, partirá mesmo de último. Mais um bom condimento para a corrida de amanhã...

terça-feira, 2 de maio de 2023

Youtube Formula 1 Video: As comunicações de rádio de Baku

 Mais uma corrida, mais uma seleção das melhores comunicações do fim de semana de Baku. 

domingo, 30 de abril de 2023

Formula 1 2023 - Ronda 4, Baku (Corrida)


Bom, quatro corridas e os pilotos da Red Bull partilham as vitórias ente si. É a Formula 1 desta temporada. Mas começar pelo fim desta corrida não quer dizer necessariamente que esta foi uma corrida aborrecida. OK... até foi, mas existiram coisas dos quais se pode afirmar que tebe coisas do qual bale a pena falar. Nem que seja, por exemplo, que trocaram os lugares de Charles Leclerc e Max Verstappen no pódio, e poucos minutos antes, Esteban Ocon entrou nas boxes... na última volta, quando naquele momento, estavam a fechar o acesso ao local!  Seria cómico, se não fosse trágico. 

Mas depois de um fim de semana cheio de corridas - a qualificação na sexta-feira, um "Sprint Shootout" no sábado de manhã (que raio é isto?) e a Sprint Race, onde Sergio Pérez conseguiu beneficiar do toque que Max teve com George Russell e o relegou para o terceiro posto, passado pelo "poleman", Charles Leclerc.


A largada não foi muito emocionante. Antes, sabia-se que quase todos estavam de médios, excepto Ocon e Hulkenberg, que estavam de duros. Leclerc ficou com o comando, mas os Red Bull ficaram logo atrás, espreitando pela melhor oportunidade para o ultrapassar, que, sabendo das longas retas, o iriam passar. Alonso, atrás, tentou passar Hamilton, mas este conseguiu defender-se. 

A ultrapassagem aconteceu no inicio da quarta volta, quando Max atacou o piloto da Ferrari na travagem do final da reta da meta. Duas voltas depois, a mesma coisa acontecia a Sergio Pérez, quando apanhou Leclerc e ficou com o segundo posto.  Depois disto... um pouco o deserto, não é?
  
Claro, as primeiras trocas aconteceram na volta 10, quando Lewis Hamilton foi às boxes trocar para duros, deixando o quinto posto para Fernando Alonso, enquanto Lando Norris seguiu-o, também para colocar duros. Quase ao mesmo tempo, Nyck de Vries despistou-se e colocou-se numa posição perigosa, obrigando a entrada do Safety Car... que foi aproveitado pelo outro neerlandês para ir às boxes e trocar de pneus.  Com o carro de segurança na pista, Checo e Leclerc foram também às boxes para trocar para duros - ou seja, tentar ir até ao fim com o mesmo jogo de pneus - e com isso, o mexicano aproveitou bem e ficou com o comado da corrida. 

No recomeço - volta 13 - Pérez defendeu-se de Leclerc na travagem para a primeira curva e manteve o comando. O monegasco tentou aguentar o ataque do neerlandês, mas lado a lado, ele foi melhor na travagem e ficou com o segundo lugar. Um pouco atrás, dois espanhóis lutavam pelo quarto lugar, e o mais velho, e correndo num carro verde, levou a melhor sobre aquele outro que corre num vermelho. Sainz Jr. tentou responder, mas Alonso conseguiu afastar-se o mais possível do seu compatriota. 
 
Na volta seguinte, outra ultrapassagem, com Hamilton a levar a melhor sobre George Russell. Depois, foi atrás de Lance Stroll que, com um toque no muro e outros erros menores, ficou à mercê de Hamilton, que na volta 21, apanhou-o e ficou com o sexto lugar. 

E a partir daqui, o divertimento desapareceu. Tirando toques aqui e ali, nada de especial. O adormecimento tomou conta da corrida e começou-se a contar as voltas até à meta. E o último grande susto foi a tal entrada do Ocon nas boxes quando se começava a arrumar o estaminé para as comemorações do pódio, algo do qual foi... estranho, mas poderia ter sido pior. foi se calhar nessa altura que muitos acordaram dos seus sofás e aplaudiram, aliviados, que a corrida tinha chegado ao final.    
 

E passou-se mais uma corrida. Agora... há os dois primeiros perto um do outro. Desta vez, Alonso não foi ao pódio, mas não andou longe - foi quarto - o que mostra o equilíbrio daquele carro em termos de chassis. Agora toca a arrumar tudo, porque semana que vêm é em Miami, que é (quase) no outro lado do mundo. Quase! 

sábado, 29 de abril de 2023

Formula 1 2023 - Ronda 4, Baku (Sprint Race)


Depois da qualificação de ontem, sábado era o dia da primeira corrida sprint do campeonato. A organização decidiu este ano modificar as coisas, colocando uma "Sprint Shootout", onde bsicamente os carros andam mais um bocado durante a manhã, para confirmar sabe-se-lá-o-quê, e onde Charles Leclerc ganhou, mesmo com um bico partido, porque os pneus tinham ficado sem aderência no asfalto depois da meta.

Da maneira como andam as coisas, estas modificações só causam ainda mais confusão, e provavelmente, nem fará com que isto seja mais emocionante. Coisas da Liberty... 

Largando da pole, Leclerc fez o que pode para aguentar a liderança, mas cedo foi passado por Sérgio Pérez. Atrás, Max foi atacado por George Russell, só que ele se defendeu e acabou em toque. Russell acabou por passá-lo, mas o neerlandês queixou-se da manobra.

Na volta 2, um incidente quando o Alpha Tauri de Yuki Tsunoda viu o seu pneu traseiro direito fugir do seu carro e este se arrastou para as boxes, no sentido de ter um novo. Mas a suspensão já estava estragada e o japonês recolheu-se de forma definitiva, com os comissários e fazerem entrar o Safety Car. Entretanto, descobrem-se danos no carro de Max, e temia-se que poderia prejudicar a sua corrida.

O recomeço foi na sexta volta, com Leclerc a aguentar os avanços de Checo, até que na oitava volta, o mexicano conseguiu passar à liderança. E depois disso, começou a afastar-se do piloto da Ferrari... e a partir dali, já não houve muita história, a não ser alguns dos pilotos a trocarem para médios, porque quem tinha os macios, tinha dificuldades em extrair algo desses pneus.   

 


Mas a meta era na bolta 17. E ali, Checo ria-se e triunfava num lugar que começa a ser "caseiro" para ele, na frente de Leclerc, Max e George Russell, que continuava a recuperar do mau resultado na qualificação. Amanhã, ele terá o monegasco atrás de si, mas espera que consegue aguentá-los até à meta... claro, se os pneus colaborarem.  

Mas foi depois dos carros estacionados, houve tensão entre Max e o George Russell, que discutiram o incidente, mas quem ficou a sorrir foi Checo, que espera repetir o resto na corrida de domingo. Desde que acertem nos pneus, claro... 

Amanhã há mais, mas poderia afirmar que, mesmo com as alterações, esta corrida sprint valeu pelos primeiros metros, e nada mais. Acho que a Liberty Media, depois do que assistiu, deve começar a pensar em grelhas invertidas e piso molhado na hora anterior à corrida...

sexta-feira, 28 de abril de 2023

Formula 1 2023 - Ronda 4 - Baku (Qualificação)


Demorou um mês, mas a Formula 1 está de volta. Num lugar que não é bem Europa, mas... a Turquia também não é na sua grande parte, não é verdade? Mas como Istambul fica entre ambos os continentes, e partilham o mesmo país, lá ficou.

Mas nesse mês de ausência, numa primavera que começa a despertar um pouco por todo o Hemisfério Norte, as pessoas dentro das equipas ficaram a pensar no que fazer para contrariar aquilo que parece ser um domínio imbatível da Red Bull, que ganhou as três primeiras corridas do ano, com a maior oposição a vir... da Aston Martin, em vez de Mercedes ou Ferrari, por exemplo. Mas as equipas regressam sempre às suas fábricas e trabalham o mais que podem para encontrar a evolução ideal para os apanhar.

Mas também, num fim de semana onde se estreia a Sprint Race, e a qualificação passa a ser às sextas-feiras à tarde, pode ser que nas ruas estreitas da capital azeri, poerá haver algo que baralhe e volte a dar, como muitas das vezes acontece neste tipo de circuitos. 


Foi o que aconteceu a Nyck de Vries, que logo nos primeiros minutos da Q1 bateu forte no muro, ficando logo de fora do resto da qualificação. Bandeiras vermelhas, numa altura em que Max já começava a marcar tempos que o permitiam andar na frente. Retirado o Alpha Tauri, a sessão prosseguiu, mas alguns minutos mais tarde, nova amostragem de bandeiras vermelhas quando Pierre Gasly bateu no muro com o seu Alpine. Sem sorte para ele, depois de na sessão da manhã ter ficado sem motor. 

E parecia que a última filha da grelha já tinha dono.

Quase ao mesmo tempo, Carlos Sainz Jr tinha problemas em marcar um tempo, porque um despiste quando fazia isso atrasava a altura para o marcar. Para piorar as coisas, com todos estes problemas com os pilotos que batiam nos muros, o nervosismo aumentava nas hostes da Maranello...

Tudo limpo, destroços retirados, os pilotos regressaram a pista e quando o cronómetro chegou ao zero, o mais rápido tinha sido o Ferrari de Charles Leclerc, com o tempo de 1.41,269. Os carros Rampantes beneficiavam das condições mais frescas da pista, ficando na frente dos Red Bull, enquanto os que faziam companhia a De Vries e Ocon foram os Haas de Kevin Magnussen e Nico Hulkenberg, que andou o tempo todo a queixar-se do seu motor, e o Alfa Romeo de Guanyou Zhou

Chegados ao Q2, o grande interesse era saber qual dos da frente iria ficar por aqui, fora do "top ten". Foi uma qualificação mais calma do que se esperava, com os pilotos a caçar moles, para conseguir o melhor possível com o traçado mais fresco, logo, onde este tipo de pneus funcionaria de forma mais eficaz. Sergio Pérez chegou a ser o melhor, com 1.41,131, com Max a 62 centésimos, Leclerc a 85 e Alonso a 239 centésimos, antes de ser batido por Leclerc e Max, com este último a conseguir 1.40,822.

Os Mercedes ficaram aflitos: Hamilton apenas conseguiu o décimo melhor tempo, colocando de fora George Russell por meros 4 milésimos de segundo. O britânico fez companhia a Esteban Ocon, Valtteri Bottas e os Williams de Logan Sargeant e Alex Albon, que se queixou de um impedimento de Sainz Jr. na sua volta rápida. E entre os da frente, os McLaren e o Alpha Tauri de Yuki Tsunoda


E chegados à Q3, era o momento decisivo. E começou... com um empate. Dos principais candidatos à pole position, Charles Leclerc e Max Verstappen marcaram o mesmo tempo, com vantagem para o neerlandês da Red Bull por ter terminado a volta antes do monegasco. 

Parecia que a pole iria ser discutida entre os dois, porque entre a concorrência próxima, Carlos Sainz mostrava estar mais lento do que este trio e a Aston Martin tinha alguma dificuldade com a ativação do DRS no carro de Lance Stroll e Fernando Alonso poderia estar na luta pela segunda linha da grelha. E Lewis Hamilton, no único Mercedes que estava na Q3, nem desses lugares se aproximava.

Na parte final, parecia que Pérez ia para a pole, mas perdeu tempo no primeiro parcial, e a mesma coisa acontecia com Max, que de forma surpreendente, não melhorava o seu tempo. Que faria isso era Leclerc, e o monegasco deu à Ferrari a sua primeira pole-position do ano, com 1.40,203. Sainz Jr era quarto, na frente de Hamilton e Alonso, na terceira fila. 


Parece ser uma boa grelha para a primeira sprint do ano. Resta saber se portarão bem e evitarão as armadilhas. Amanhã há mais, certamente.

quarta-feira, 15 de junho de 2022

Youtube Formula 1 Vídeo: As comunicações de Baku

No fim de semana da corrida azeri, eis o que a Formula 1 considerou de relevante em relação às comunicações por rádio e as reações dos pilotos para mostrar neste seu vídeo por aqui.  

domingo, 12 de junho de 2022

Formula 1 2022 - Ronda 8, Baku (Corrida)


A Formula 1 está sempre a correr de um lado a outro, sem se fixar em lado algum, quais ciganos errantes pelo mundo inteiro, tanto que, ainda nem temos junho a meio e já passamos o primeiro terço do campeonato. À partida, é algo surpreendente termos a Formula 1 no Azerbeijão, porque embora não esteja longe de um palco de guerra, ela acontece. Mas depois, quando pensamos em Jeddah e no míssil que atingiu a refinaria a pouco mais de 15 quilómetros do circuito onde eles corriam, pode-se dizer que os critérios deles são bem largos. A Dorna, por exemplo, decidiu cancelar o GP da Finlândia de MotoGP, apesar de não haver, ameaças explicitas ao país, e rejeitou terminantemente uma proposta vinda do Cazaquistão para ser o seu substituto no calendário. Critérios...

Ao contrário de ontem, onde a qualificação começou mesmo no final da tarde, aqui, no dia da corrida, ele aconteceu por volta do nosso meio-dia. E com Red Bull e Ferrari a dividirem as duas primeira linhas, todos queriam saber quem levaria a melhor na primeira curva, e depois, no resto. 


Na partida, Sergio Perez largou melhor que Charles Leclerc, e ficou com o primeiro posto na primeira curva, enquanto atrás, Max Verstappen fazia a mesma coisa em relação a Carlos Sainz Jr. Já logo nos primeiros metros, a Red Bull triunfava e mostrava à Ferrari que a velocidade de ponta não chega. Pouco depois, Sainz Jr perdia o quinto posto a favor de George Russell, numa altura em que o DRS já estava ativado e Verstappen ia atrás de Leclerc para ter o segundo posto.

Já Nicholas Latifi foi penalizado com um "Stop & Go" de dez segundos porque um dos mecânicos tocou no seu carro depois do tempo permitido, entrando em infração. 

Na nona volta, o primeiro golpe de teatro para Maranello, quando Sainz Jr parou na escapatória da curva 4, e isso motivou um Virtual Safety Car. Charles Leclerc aproveitou para entrar nas boxes e colocar pneus duros, tal como fez George Russell, Pierre Gasly, Sebastian Vettel, Lewis Hamilton e Yuki Tsunoda. Os Red Bull, com pneus médios, ficaram na pista. Pérez liderava ainda, seguido de Verstappen.

Quando a corrida retomou, o mexicano continuou na frente, mas o neerlandês pressionou-o e no final da volta 15, conseguiu ficar com o primeiro posto. Lá ficou na liderança até à volta 19, quando foi às boxes e colocar duros - duas voltas depois de Sergio Perez ter feito o mesmo - para ver se ficava o mais tempo possível na pista. 


Parecia que iria ser um duelo à distância, entre pilotos com pneus duros, mas na volta seguinte, o motor de Leclerc explode e esse duelo, que prometia, acabava de modo prematuro, a favor de Max. Russell era promovido a terceiro enquanto atrás, Lando Norris parava nessa altura nas boxes, com Ricciardo a assumir o quarto lugar. Mas Gasly estava a pressioná-lo e o francês levou a melhor, ficando com esse lugar pouco depois.

A meio da prova, Verstappen liderava como queria. Era dos mais rápidos em pista e tinha quase dez segundos de vantagem para Sergio Pérez, Russell estava atrás, a 18 segundos, seguido por Gasly, a 21. Mas ainda faltava meia corrida, e poderia haver mais surpresas...

Na volta 33, Kevin Magnussen ficava parado na pista, o que fazia com que o Virtual Safety Car fosse acionado pela segunda vez na corrida. E isso foi aproveitado para que boa parte do pelotão fosse de novo às boxes para trocar de pneus, a começar pelos Red Bull, seguido pelos Ferrari. Alpha Tauri e o Aston Martin de Sebastian Vettel ficaram na pista. 

Pouco depois do VSC acabar, Yuki Tsunoda teve problemas na sua asa traseira, mas foi resolvida com... fita-cola (!) e ele regressou à pista para acabar. Fora dos pontos, é verdade, mas acabou. Quem atacava era Lewis Hamilton, que queria o quarto posto de Pierre Gasly para assim poder compensar a má qualificação e a corrida cinzenta que estava a ter até ali. Ele atacou, e no final da volta 44 - até calhou! - conseguiu o lugar que era do piloto da Alpha Tauri. 

Na parte final, com a Red Bull a ordenar a Max para que não usasse o DRS, para não ter problemas com a asa - e também, porque a distancia com Perez estava controlada - ele foi calmamente para o triunfo, a quinta do ano, com uma distância respeitável sobre Sergio Perez, e George Russell a conseguir o seu terceiro pódio da temporada, e a consolidar o seu quarto lugar na geral.   

Também no final, Lewis Hamilton foi o quarto, numa parte final de recuperação, mas também ficou a imagem do piloto da Mercedes a sair do carro em dificuldades por causa das costas doridas, cortesia do violento "porpoising" que o seu carro causou nas ruas de Baku - Riccardo também se queixou disso no final. Toto Wolff disse que teme pelo seu piloto em Montreal, mas eu estou convencido que ele recuperará a tempo. 


Mas quem deveria temer o futuro era a Ferrari. Afinal de contas, ver a Red Bull 80 pontos na sua frente no campeonato de Construtores, apesar de já ter passado um terço do campeonato, dá que pensar. Quando é que transformarão em resultados os feitos em qualificação? E Canadá é já a seguir...

Formula 1 2022 - Ronda 8, Baku (Qualificação)


Não acho muita graça ter um fim de semana de Formula 1 na mesma altura das 24 Horas de Le Mans. Não tanto no sentido de que isto possa impedir que esses pilotos não possam competir na mais importante prova de Endurance do mundo, mas é mais no sentido de que isto retira, ou distrai as pessoas da prova. Como acontece quando colocam o GP do Mónaco e as 500 Milhas de Indianápolis no mesmo dia. A sorte de todos eles é que as partes importantes não colidem em termos de horário, ou se colidem, é por pouco. 

Quanto ao campeonato, chegados ao primeiro terço, na atualidade está a ser bem interessante. Não lidera aqueles que já vaticinavam uma vitória por esmagamento, os que dominavam vêm-se aflitos por conseguirem pouco mais que um pódio, e o tal "GOAT" está a ser vulgarizado por aquele que deveria ser seu segundo piloto. Parece Michael Schumacher e Nico Rosberg, entre 2010 e 2012. 

Mas neste sábado de junho, verão no Mar Cáspio, havia expectativas sobre o que iria acontecer neste duelo a três, e mais algumas coisas. Então, a qualificação começou desta forma.

Primeiro, as reparações: afinal de contas, estamos num circuito citadino e os danos causados pelos acidentes na Formula 2 atrasaram as coisas em pelo menos um quarto de hora. Mas, para piorar as coisas, eles iriam correr no inicio da tarde na Europa Ocidental, ou seja... mais três horas de diferença. Ou seja, a qualificação iria começar quase no final da tarde. 

Quando a luz verde foi mostrada, os carros lá sairam para a pista, mas os primeiros tempos competitivos apareceram com Max Verstappen, que foi o primeiro a entrar no segundo 42 neste fim de semana, numa clara declaração de interesse. Sergio Pérez ficou a 260 centésimos do seu colega de equipa, seguido de Charles Leclerc e Carlos Sainz. George Russell fez um excelente tempo e colocou-se na quarta posição, ficando à frente de Esteban Ocon, Sebastian Vettel, Yuki Tsunoda, Lewis Hamilton e Zhou Guanyu. 


Na segunda parte, para os tempos decisivos, Leclerc foi o melhor, mas Perez reagiu, subindo ao topo da tabela de tempos, mas depois, Max conseguiu um tempo 11 centésimos superior a todos os outros. E foi mesmo a tempo, porque depois, Lance Stroll saiu de pista por duas vezes, primeiro na curva 7, depois mais adiante, trazendo as bandeiras vermelhas.

Quando voltou a luz verde, havia tempo para uma mera volta cronometrada, mas o transito era tal que houve poucas mudanças. No final, para além de Stroll, ficaram para trás os Williams de Alex Albon e Nicholas Lattifi, e os Haas de Kevin Magnussen e Mick Schumacher.

Poucos minutos mais tarde, começava a Q2. Com a temperatura da pista a descer cada vez mais, a dúvida era ver quem faria companhia à Red Bull e a Ferrari, embora se soubesse que a Mercedes seria um forte candidato. Na primeira parte, os Red Bull continuavam muito fortes e os primeiros tempos andavam pelo 42 baixo, primeiro Max, depois Checo, mas os Ferrari reagiram com Carlos Sainz a tratar de se aproximar ainda mais do segundo 41, ficando com o melhor tempo provisório na primeira tentativa, 94 centésimos mais rápido que Charles Leclerc. Pierre Gasly era quinto e conseguia um tempo melhor que George Russell, com Sebastian Vettel a seguir, em sétimo. Fernando Alonso, Yuki Tsunoda e Lando Norris completavam o top 10 no final das primeiras tentativas.

E com os minutos finais, havia alguns alertas para os que ficavam de fora: Lewis Hamilton, Esteban Ocon, Daniel Ricciardo, Zhou Guanyu e Valtteri Bottas estavam na zona de eliminação. 

Hamilton, com a ajuda do cone de aspiração de Russell conseguiu melhorar o seu tempo, mas Lando Norris errou na sua última volta e ficava assim eliminado. Aliás, os McLaren não entravam, porque Daniel Ricciardo lhe fazia companhia. Esteban Ocon e os Alfa Romeo Sauber de Guangyou Zhou e Valtteri Bottas acompanhavam-os no infortúnio.

E agora, era a Q3, os minutos finais para definir a pole. 

Aqui, os homens da Red Bull lutavam com a dupla da Ferrari, e nas primeiras tentativas, Carlos Sainz Jr fez melhor que Leclerc e que os dois carros da Red Bull. Com o tempo de 1.41,814, o espanhol ficava 47 centésimos à frente de Leclerc. O tempo de Pérez era 126 centésimos mais lento, mas ficava na frente de Verstappen, a 175 centésimos. O melhor do segundo pelotão era Pierre Gasly, mas a mais de um segundo do líder.


A última parte foi mais excitante. Cada um por si, sem ajudar ninguém, e Sainz Jr começou mal a volta. Ficou à mercê de Leclerc que vinha com tudo para tentar o melhor tempo e conseguiu tirar meio segundo ao que o espanhol tinha feito. Verstappen reagiu, conseguindo o segundo tempo, mas foi destronado por Pérez, o último a sair porque tinha demorado a reabastecer e a sair das boxes.

Mercedes e Alpha Tauri dividiram a terceira e quarta fila, com Russell e ser melhor que Gasly, e Hamilton mais veloz que Yuki Tsunoda, e a fechar o "top ten", os veteranos Vettel e Alonso. 

Amanhã é dia de corrida, e claro, mais um capitulo no duelo bem interesante, com outros a espreitarem. Esta será, definitivamente, uma temporada longa. 

terça-feira, 8 de junho de 2021

Youtube Formula 1 Video: As comunicações de Baku

O GP do Azerbeijão foi bem emocionante, como costumam ser muitas vezes as corridas citadinas. E as comunicações de rádio ao longo do fim de semana mostram toda a panóplia de sensações entre os pilotos, da angustia à raiva e frustração. E claro, a alegria entre os que triunfaram. 

domingo, 6 de junho de 2021

Formula 1 2021 - Ronda 6, Baku (Corrida)


A temporada de 2021 não é ainda um regresso ao normal. Ainda há muitas coisas pendentes, e apesar de se combater fortemente a pandemia com a vacina, e se nota que há sucesso, com o diminuir dos casos um pouco por todo o mundo, o cancelamento da corrida de Singapura, na semana que passou, mostra que as coisas ainda vão demorar pra voltar ao que era em 2019.

Contudo, o interessante sobre isto é que, nesta altura do campeonato, parece que havia mexidas. Não era o passeio dos últimos anos, a Mercedes tinha por fim alguém à sua altura, a a Red Bull queria provar ter um conjunto melhor e mais consistente, mas a corrida do Mónaco tinha sido um "baralhar e voltar a dar", com a Mercedes fora do pódio. E se achavam que eles voltariam, e era um soluço, Toto Wolff avisou logo que Baku não seria o palco do regresso. E a qualificação provou isso, apesar da luta de Lewis Hamilton para não acentuar as diferenças.  

Mas a história desta corrida pode-se resumir no seguinte: se vocês desligaram a televisão a seis voltas do fim, esperando que a Red Bull iria fazer uma grande corrida e Max Verstappen ia a caminho de uma vitória convincente, e uma dobradinha para a equipa energética, então... perderam provavelmente alguns dos momentos mais decisivos do campeonato. E foi um perfeito "bodo aos pobres".

Então, a corrida começou desta maneira: Leclerc largou bem e ficou na frente, seguido por Hamilton e Verstappen, que passara Perez na traagem para a primeira curva. Uma partida normal, sem incidentes de maior, nem o Mazepin fez asneiras, que como sabem, nesta pista onde um erro e acabas no muro, tens de ser perfeito. Atrás, Perez tinha passado Sainz Jr. e Vettel começava a recuperar posições, passando Bottas e era nono.

Na terceira volta, Hamilton passou Leclerc e ficou com a liderança da corrida, apesar da reação do monegasco da Ferrari. Quatro voltas depois, e quase no mesmo lugar, Verstappen passava Leclerc e ficava com o segundo lugar, a ia à caça de Hamilton. E a mesma coisa fazia Perez na volta seguinte, ou seja, na velocidade pura, a Ferrari ainda não tinha motor para Flechas Negras e energéticos austríacos.  


Quando os pilotos da frente começaram a trocar de pneus, lá pela volta 11, o britânico foi o primeiro a parar, esperando que conseguisse superar os Red Bull quando fosse a vez deles de trocar de pneus. Os vermelhos, moles saíram para os brancos, duros, ou seja, iriam até ao fim. Mas a paragem foi mais lenta que o habitual, e essa estratégia parecia ter ido por água abaixo. E quando três voltas depois, os energéticos fizeram o que tinham a fazer, eles tinham conseguido ficar na frente de Hamilton, o objetivo deles. Ali, os energéticos pareciam que tinham ganho o dia.

Mas também chegou-se a um ponto em que Sebastian Vettel chegou a liderar a prova. Um Aston Martin a liderar uma corrida? Bom, tenho a certeza que les esperavam isso um dia, foi agora, na sexta corrida do campeonato! E ainda tinha os moles, claro, enquanto todos que estavam atrás de si já tinham os duros, se calhar para ver se iam até ao final da corrida. Quando por fim, o alemão parou, saiu para a pista em sétimo, passando Tsunoda no processo.

Agora, Verstappen voltava à liderança, com Perez a seguir, e Hamilton à espreita.


Mas se todos pensavam que seria Mazepin que iria causar a primeira situação de Safety Car, afinal de contas, foi... Lance Stroll, que bateu no muro. Claro, o Safety Car era inevitável e o Mercedes vermelho entrou na pista para juntar toda a gente, ainda com os Red Bull na frente, com Hamilton em terceiro, Gasly em quarto e Leclerc em quinto.

Com o carro parado num lugar relativamente perigoso, a entrada das boxes estava fechado até que tirassem o Aston Martin dali. Quando isso aconteceu, os mecânicos da Haas fizeram uma asneira bem grande com os pneus de Mick Schumacher. Se calhar era para ver se o Mazepin o apanharia, não? 


E no regresso à bandeira verde, quem aproveitava era Vettel, que em pouco tempo passava Gasly e Leclerc para ser quarto classificado. Bom, ele adora circuitos citadinos, não é? Atrás, Raikkonen também fazia passagens, como a um... Valtteri Bottas. Nossa, que fim tão triste. 

Na frente, Hamilton tentava não deixar escapar os Red Bull, especialmente Perez, que fazia o seu trabalho de ser o "wingman" de Max, que claro, tentava escapar do resto do pelotão, rumo à vitória. Estava tudo a correr bem, tudo a correr de acordo com o grande plano da Red Bull e tudo o mais, porque... golpes de teatro em Baku, alguém se lembra? Não, pois não?


Mas a três voltas do fim... o tal golpe, digno de um Adelaide 1986. E tudo aconteceu quando o pneu traseiro esquerdo de Max rebenta em plena reta da meta. Despistou-se e abandonou, entregando 25 pontos a Hamilton. O pneu mandou sinais de alerta para o resto das equipas, que foram às boxes para trocar de pneus, mas a organização da corrida decidiu colocar para fora a bandeira vermelha, parando a corrida. O holandês estava frustrado até à décima potência, afinal de contas era uma vitória quase garantida... não era?

Alguns minutos depois, os carros alinharam na grelha para aquela que muitos já diziam, sarcasticamente, como a primeira corrida "sprint" da história. E neste aparato para duas voltas a uma pista longa, era possivel muita velocidade e qualquer coisa no meio. E quando a bandeira verde foi mostrada... novo golpe de teatro quando os travões cederam e Hamilton seguiu em frente. Houve um bruááá nas bancadas, nas janelas e sem dúvida, nas televisões e telemóveis um pouco por todo o mundo. 

As coisas finalizaram com um triunfo de Sergio Perez, que estava no lugar certo, na hora certa, na frente de um Sebastian Vettel que teve uma grande tarde, e ainda tentou a sua sorte no primeiro posto, mas no final, para além de dar o primeiro pódio da Aston Martin, tinha conseguido amealhar 28 pontos em duas corridas citadinas e enxotado a ideia de que era um piloto acabado. E Pierre Gasly, terceiro depois de ter conseguido passar Charles Leclerc, também deu à Alpha Tauri o primeiro pódio do ano. E ainda por cima, com Tsunoda em sétimo, foi um bom fim de semana para os energéticos juniores.


Mas a grande moral da história que se tira de Baku é que ninguém sai a rir dali. Os da frente não pontuaram, embora a Red Bull tenha um sorrido maior do campeonato de Construtores, que com os 25 pontos do mexicano, afastou-se mais da Mercedes. Mas nem Hamilton, nem Verstappen, saíram a ganhar ali, foi um gigantesco "bodo aos pobres", algo do qual ninguém esperava, se alguém tivesse a ideia de desligar o televisor a cinco voltas do fim. Não é?  

sábado, 5 de junho de 2021

Formula 1 2021 - Ronda 6, Baku (Qualificação)


Depois da vista sobre o Mar Mediterrâneo, a vista sobre o Cáspio. De Mónaco a Baku não se pode dizer que é de uma ponta a outra da Europa, mas é um mundo onde se vai de um principado onde os serviços e o entretenimento são reis, para um lugar onde o ouro negro manda desde que foi descoberto, em meados do século XIX. Muito antes de Abu Dhabi, Baku foi a primeira cidade do mundo que vivia do petróleo, e que fez fortuna a todos aqueles que o comerciavam, incluindo um jovem arménio que, quando envelheceu e foi apanhado pela vertigem da II Guerra Mundial, se mudou para um quarto de hotel em Lisboa, onde passou ali o resto da sua vida. Um tal de Caoulste Glubenkian.

Mas mais de século e meio depois, os negociantes de petróleo são outros, e com o dinheiro que ganharam, puderam juntar algum e receber a Formula 1, meio pelo prestigio, meio para colocar o seu país no mapa, porque esta é uma competição mundial. Contudo, a parte mais interessante de um circuito que é tão veloz como de incrivelmente apertado, é que isto calha numa altura em que os carros da Mercedes estão incrivelmente vulneráveis ao ponto de, pela primeira vez desde 2013, que não estão no comando do campeonato.

E se acham que é aqui que as coias regressam à normalidade, Toto Wolff deixou um aviso: não contem com isso. Claro, 90 por cento das pessoas acham que não passa de "bluff"...  


Com um dia claro de final de primavera, as coisas começavam com a expectativa de ver o que fariam Red Bull e Mercedes, pois pareciam não ser os favoritos. O primeiro que marcou na volta foi Charles Leclerc, mas logo depois, Lance Stroll bateu forte na curva 2 e causou a primeira situação de bandeiras vermelhas. Para o canadiano, a qualificação acabava ali, e claro, iria largar garantidamente da última fila.

Passaram-se os minutos, a pista foi limpa e quando voltaram, os pilotos começaram a marcar tempos, com os Red Bull a serem os melhores. Mas quase a seguir, nova amostragem de banderias vermelhas quando o Alfa Romeo de Antonio Giovinazzi bateu no muro e a sua posição perigosa era o suficiente para nova amostragem de bandeiras vermelhas. Parecia que iria ser às pinguinhas... e claro, Giovinazzi iria completar a última fila com Stroll. Desta vez, os Haas e os Williams não iriam ser os bombos da festa, mas não iriam ficar muito mais longe...

É que das três vagas que faltavam, dois foram para os Haas, e o terceiro lugar calhou para Nicholas Latifi, que ficou com a "fava", a favor de George Russell, definitivamente, o piloto que faz da Williams algo melhor do que consegue ser neste momento.

Passando para a Q2, já havia dúvidas sobre Lando Norris, porque aparentemente, ele não tinha ido logo às boxes quando aconteceu a primeira situação de bandeiras vermelhas. Os comissários acreditavam que ele não tinha obedecido às ordens e qualquer posição que alcançasse na grelha, ela estaria em perigo de penalização. 

Os pilotos estavam com pressa para ir à pista e marcar tempos, e por vezes nem sequer olhavam para os espelhos ao ponto do Sebastian Vettel ter ido para fora das boxes quando Sergio Perez estava demasiado perto... mas depois do susto, o mexicano marca 1.41,630 e está no topo da tabela de tempos. Verstappen marcou logo a seguir, um pouco mais lento que o mexicano, enquanto Hamilton abortava a tentativa e esperava por melhores momentos. Quando conseguiu marcar tempo, foi quatro milésimos melhor que o mexicano.


A parte final da Q2 ficou marcado pelo acidente de Daniel Ricciardo na curva 3, causando a terceira situação de bandeiras vermelhas desta sessão. Alguns foram prejudicados, como Sebastian Vettel, que ia na sua volta rápida, e poderia ser decisiva sobre se ficaria ou sairia. Não conseguiu passar. Como não passou Ricciardo, Russell, Kimi Raikkonen e Esteban Ocon. Em contraste, os Alpha Tauri passaram - Tsunoda na Q3, quem diria! - acompanhados pelos do costume na Red Bull, Mercedes e Ferrari, bem como o McLaren de Norris e o Alpine de Fernando Alonso.   

Para o Q3, havia expectativas para saber quem se daria melhor. O mais interessante é que não eram só os candidatos do costume, mas havia mais gente que queria o mesmo lugar, como os Ferrari. E logo nos primeiros minutos, Charles Leclerc começou a ficar com os melhores tempos, aproveitando - também - o vácuo de Carlos Sainz Jr. que no inicio desta Q3 era terceiro.

Mas os Mercedes não ficavam parados, espcialmente quando Lewis Hamilton ficou com o segundo melhor tempo. E Max? Conseguiu passar Sainz Jr, mas era apenas terceiro. Pouco depois, os Alpha Tauri iam para a pista, e com Tsunoda a rebocá-lo, Gasly conseguia o quarto tempo provisório, com o japonês a ser sétimo. Cada vez mais interessante...


A parte final viu os carros saírem das boxes em bando, vendo se havia tempo para uma última volta. Mas as expectativas foram curtas: Sainz e Tsunoda bateram no muro antes da curva 2 e a qualificação terminava ali, com bandeiras vermelhas (pela quarta vez!) e Charles Leclerc a ser pole pela segunda corrida seguida. Claro, pode-se pensar que Hamilton, com o seu segundo tempo, está na frente de Verstappen, o que seria vantajoso para o campeonato... mas nem tanto. É que os números impares largam do lado limpo da pista, e não se pode descartar a ideia de que o holandês poderá fazer uma largada relâmpago...

Ah, e a distância para o sr. Bottas? 1.2 segundos, porque o finlandês largará apenas de décimo na grelha. O Tsunoda e o Alonso ficaram na frente dele, diabos!

Enfim, veremos como será amanhã.

segunda-feira, 23 de março de 2020

Motores e o Coronasvirus: As novidades do dia 23

As novidades desta segunda-feira tem a ver com o adiamento do GP do Azerbeijão, previsto para o dia 7 de junho, devido à pandemia mundial do coronavirus. Os rumores apareceram no final de semana, primeiro com a suspensão de vistos para o país, depois chegou-se a dizer até que ele poderia ser cancelado, pura e simplesmente. No final, é um adiamento sem data marcada, provavelmente para 2021 ou mais adiante.

Com isto, o calendário da Formula 1 está reduzido a 14 corridas marcadas ainda nas suas datas originais, o número mais baixo desde 1980. Contudo, como provavelmente o GP do Canadá será também adiado, bem as corridas em França e Grã-Bretanha, é altamente provável que o calendário seja baralhado e voltado a dar, ou seja, haja um mini-calendário com as provas possiveis, ainda este ano, ou então uma super-temporada 2020-21, com as 23 corridas programadas inicialmente, o que seria algo mais complicado de se realizar. 

Entretanto, no WRC, os organizadores do Rali de Portugal estão à espera do mês de abril para saber se haverá condições para a sua realização na data prevista. Em declarações aos site Dirtfish.com, Oliver Ciesla, o promotor do WRC, revelou que o deadline para decisões "será a primeira semana de Abril, quando a maior parte dos governos tomarão novas decisões e novas previsões relativamente à situações em que os países se encontram."

Carlos Barbosa, o presidente do Automóvel Clube de Portugal, já tinha dito que estava à espera da evolução da situação para tomar alguma decisão sobre o possível adiamento da prova, e que ainda era cedo para tal. 

Por outro lado, no Europeu de Ralis, a prova das ilhas Canárias foi adiada para dezembro, no novo calendário da competição. Agora, a prova começa no final de meio, na Letónia, enquanto o rali dos Açores passou para o fim de semana de 17 e 19 de setembro, depois de ter sido remarcado de março. 

Por agora, é tudo. Mais tarde haverá nova atualização.

domingo, 28 de abril de 2019

Formula 1 2019 - Ronda 4, Azerbeijão (Corrida)

Os eventos do dia anterior, durante a qualificação, parece que deram aos adeptos um pouco de esperança de ver uma prova que não fosse tão aborrecida como as outras. Claro, os adeptos preferem ver o circo pegar fogo pela sua imprevisibilidade, mas nos tempos que correm, o melhor sítio para ver esses circos a acontecer é a Formula E - um anátema para muitos dos "puristas" - do que a Formula 1 que está no meio de um dominio do qual não vê fim à vista, sejamos honestos.

E o que a corrida mostrou hoje foi... desilusão. Não houve batidas contra o muro no castelo, e não houve mais do que um safety car vurtual por causa de uma travagem falhada entre dois pilotos. E sem colisão. Logo, as expectativas foram pelo cano abaixo e todos começam a pensar que a temporada vai ser um assunto interno entre os Mercedes. Mas com um Valtteri Bottas que pretender vencer... ou vender cara a derrota.

Debaixo de um sol primaveril, mas a corrida a acontecer a meio da tarde, para coincidir com os horários da Europa Central, a partida começou com Bottas a aguentar as investidas de Hamilton até três quartoa da volta, altura em que começou a acelerar e ir embora do piloto britânico. Atrás, Vettel aguentava Verstappen, com Perez em quarto. Mas pouco depois, nas sete voltas seguintes, Charles Leclerc aproveitou para subir de nono para quarto, ficando perto da traseira de Vettel.

As primeiras paragens foram na volta onze, mais para o meio do pelotão. Trocaram médios por... médios, enquanto os da frente ainda andavam com moles. Vettel foi o primeiro a parar, na volta 12, colocando médios, e caindo para quarto. E na frente, Hamilton está a ver o carro de Leclerc cada vez maior nos seus espelhos, antes de na volta 14, ir às boxes e trocar para médios.

Depois, foi a vez de Verstappen de para nas boxes, na volta 15, trocando para médios, enquanto na pista, Vettel começa a aproximar-se dos Mercedes, especialmente o de Hamilton. Contudo, Leclerc aguentava-se, apesar da eficácia dos seus pneus degradar-se volta após volta. No final da volta 24, a diferença era de quatro segundos, com Vettel cada vez mais perto de Hamilton.

Chegados à metade da corrida, os Mercedes já estavam na vista dos espelhos de Leclerc e na volta 31, eles já estavam prontos para atacar o monegasco. Bottas passou-o no final da volta, Hamilton apanhou-o pouco depois, na volta 33 e Vettel na volta seguinte. Tudo isto ao mesmo tempo que Daniil Kvyat e Daniel Ricciardo falharam a travagem e acabaram na escapatória, mas sem interferir na corrida. Pouco tempo depois, o australiano chegou às boxes e acabou por não sair de lá.

Leclerc lá foi às boxes, na volta 35, para meter moles, e voltou atrás de Pierre Gasly. Ele lá passou, mas ficou atrás de Max Verstappen, até que na volta 40, Pierre Gasly acabou por parar em zona perigosa, suficiente para a chamada do Safaty Car Virtual, e alguns pilotos irem às boxes para trocar para moles. Duas voltas depois, o VSC acabou e a corrida retomou, com os trÊs primeiros separados por três segundos cada um.

Na parte final da corrida, os dois Mercedes andaram juntos, com Bottas ainda na frente de Hamilton, e o finlandês já tinha a volta mais rápida. Quanto a Leclerc, os moles não funcionavam com a temperatura da pista a baixar bastante, e ele não saia do sexto posto. Parecia que isso seria assim até à bandeira de xadrez. Parecia. Porque a três voltas do fim, Hamilton aproximou-se bastante para ameaçar o finlandês, e poderia haver troca de posições. Mas na penúltima volta, Hamilton saiu um pouco mais na curva antes da meta e a distância que se alargou foi a decisiva para que Bottas acabasse como vencedor. E Leclerc ficou com a volta mais rápida.

Com os Mercedes a fazerem dobradinha pela quarta vez seguida, parece que o campeonato está mais do que decidido. A grande ironia era que isto seria a "tal" temporada onde a Ferrari iria contestar os Mercedes de tal forma que poderiam perder. Pelos vistos, temos de começar a procurar pela corrida onde a Mercedes vai ficar com o título de Construtores e assistir como fizemos entre 2014 e 2016, quando Nico Rosberg fez pagar caro os títulos de Hamilton, até o bater.

sábado, 27 de abril de 2019

Formula 1 2019 - Ronda 4, Azerbeijão (Qualificação)

A primeira corrida da Formula 1 no continente europeu é mais no meio da Ásia do que na Europa própriamente dita. Dependendo de onde é que estão desenhadas as fronteiras, o Azerbeijão está do lado errado do Caucaso, de uma certa forma, e nem toda a margem ocidental do Mar Cáspio está nesse limite europeu. Mas como em muitos aspectos políticos, Baku é uma cidade europeia e o Azerbeijão também, vamos colocar esta corrida como sendo a primeira no continente.

Contudo, o fim de semana acabou por ser muito mais agitada que o habitual. O resultado pode ter sido o mesmo das outras qualificações, mas o circuito urbano de Baku é bem mais interessante que noutras provas, e os acidentes que aconteceram nessa qualificação fizeram arrastar a qualificação por mais tempo que o previsto. No final, foram quase duas horas de qualificação, graças às paragens devido aos acidentes que aconteceram na curva do Castelo. 

Nas não tinha sido algo virgem: ontem, quando George Russell aspirou a tampa do esgoto no primeiro treino livre, levando à destruição do seu Williams e ao seu encerramento prematuro, parecia ser uma espécie de previsão de como as coisas iriam acontecer.

Quando começou a qualificação, os pilotos lá deram o seu melhor para ver se passavam à Q2, mas houve surpresas, especialmente Pierre Gasly, que conseguiu o melhor tempo - graças à boleia de Lance Stroll, que o francês apanhou no cone de ar - enquanto Lewis Hamilton não teve uma boa volta e acabava a primeira fase num surpreendente quinto posto. Depois melhorou... mas não muito, sendo terceiro, atrás de Gasly e Charles Leclerc. Valtteri Bottas tinha ficado pior, sendo sexto.

Mesmo no final da Q1, quando todos davam o seu melhor para se safar da degola, "aquela" curva do castelo deu nas vistas, quando Robert Kubica bateu forte, depois de um erro. Apesar de ter afundado na proteção, o carro é recuperável, mas para o tirar, os comissários tiveram de mostrar a bandeira vermelha. A primeira. E para fazer isso tudo, demoraram quase meia hora.

Atingi a parte de dentro com a roda dianteira esquerda, o que me empurrou para os rails de proteção”, começou por contar Kubica à BBC, no seu regresso às boxes. “É o pior lugar onde você pode fazer esse tipo de avaliação e, infelizmente, paguei um preço bem alto. É assim”, continuou.

Com ele, ficaram George Russell, o Renault de Nico Hulkenberg, o Haas de Romain Grosjean e o Racing Point de Lance Stroll.

Pelas 14:50, horário daqui, a qualificação recomeçou com a Q2, e as duas principais equipas tinham tipos diferentes de pneus calçados: a Mercedes com macios, a Ferrari com médios. A Red Bull usou macios e Max Verstappen liderava a tabela de tempos, provisóriamente. 

E pouco depois... Leclerc bateu. No mesmo ponto onde Kubica tinha batido. Bandeiras vermelhas e uma qualificação estragada para o monegasco. "Eu sou estúpido", lamentou o piloto.

Quando a sessão voltou à ação, depois de mais alguns minutos de interrupção, a temperatura tinha caído um pouco, e os pneus não reagiam tão bem ao asfalto mais frio. Claro, isso não impediu os Mercedes, o Ferrari de Vettel, o Red Bull de Max Verstappen, os Alfa Romeo - António Giovinazzi foi pela primeira vez na sua carreira a um Q3! - e o Racing Point de Sergio Perez, com um digno quarto posto.

Do outro lado, Carlos Sainz Jr, Alexander Albon, Daniel Ricciardo e Kevin Magnussen faziam companhia a Pierre Gasly entre os que iriam ver a Q3 pela televisão. O francês tee problemas e nem saiu das boxes. E cuirosamente, Charles Leclerc tinha feito um tempo que o permitiria passar para a fase final. Logo, o décimo posto era certo para ele.

E chegados à fase final... pelo menos, não houve mais batidas. Mas primeiro, Max Verstappen deu nas vistas ao conseguir o melhor tempo, na frente até de Sebastian Vettel. Isto tudo enquanto os Mercedes não saiam para a pista e arrasavam a concorrência, para monopolizar a primeira linha de grelha de partida. Primeiro Hamilton, com 1.40,703, e depois Bottas, a fazer melhor: 1.40,495. Hamilton tentou fazer melhor, mas foi 59 centésimos mais lento. E pela segunda vez no ano, o finlandês partia da pole-position. Em apenas quatro corridas.

Vettel foi o terceiro, na frente de Max Verstappen, enquanto Lando Norris voltava a dar nas vistas. Não só nova passagem à Q3, mas também um sétimo tempo, digno, embora inferior a Sergio Perez e Daniil Kvyat, que ficaram com a terceira fila da grelha.

E agora, muitos estão curiosos por saber como será a corrida deste domingo, e até que ponto as coisas serão tranquilas e chatas, ou haverá muitas entradas do Safety Car. Só vendo, não é?

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Youtube Formula One Video: As comunicações de Baku

As comunicações de Baku estiveram cheios de grandes momentos automobilísticos. Desde a qualificação até à meta. É melhor ouvi-los.

domingo, 29 de abril de 2018

Youtube Formula 1 Highlights: Os melhores momentos do GP azeri

Passaram-se poucas horas, mas o canal de Formula 1 do Youtube já meteu um video dois melhores momentos do GP do Azerbeijão, em Baku, desde o inicio ate ao fim da corrida, e todos os momentos excitantes pelo meio.

Formula 1 2018 - Ronda 4, Baku (Corrida)

As aparências iludem. E quem ganha nem sempre é o melhor, pode ser o mais sortudo. Sobretudo se estiver no lugar certo, à hora certa. Foi assim com o Lewis Hamilton. Teve uma corrida cinzenta, mas foi daí que viu os Red Bull se auto-eliminarem, viu o erro de Sebastian Vettel e o furo de Valtteri Bottas. Não arriscou, esperou e ganhou. E tudo isto nas últimas 15 voltas da corrida, numa corrida que parecia ser nos moldes de Xangai: uma primeira parte tática, uma segunda parte emocionante.

Mas para chegarmos aqui, temos de contar a história de uma prova disputada num sitio improvável para correr, que é o centro de uma cidade que vive do petróleo e não se situa no Golfo Pérsico. Como tinha acontecido no sábado, as baixas temperaturas do ar e do asfalto, aliado ao vento frio, não ajudaram muito no aquecimento dos pneus, e os pilotos acharam por bem começar com pneus entre os supersoft, para ter mais ritmo na corrida e aquecer mais facilmente.

As coisas não começaram bem na partida. Se Vettel e Hamilton não tiveram problemas, atrás, foi a confusão. Kimi Raikkonen começou a corrida a tentar ganhar posições, mas na Curva 3, bateu em Esteban Ocon. O finlandês continuou, mudando pneus e nariz, mas Ocon não. Atrás, Fernando Alonso e Serguei Sirotkin também se tocaram, com o russo a ficar por ali, e o espanhol a arrastar-se para as boxes com dois pneus furados. E claro, com isso, o Safety Car, ficando por lá até à quinta volta, altura em que tudo recomeçou.

Quando aconteceu, Vettel defendeu-se dos ataques de Hamilton, enquanto atrás, os Renault ameaçavam os Red Bull. Carlos Sainz passou Max Verstappen e Nico Hulkenberg parecia que iria fazer o mesmo som Daniel Ricciardo, mas na décima volta, o alemão da Renault exagerou e acabou no muro, terminando ali a sua corrida. 

A partir daqui, as coisas estavam estáveis entre os quatro primeiros. Vettel vigiava Bottas e Hamilton, Raikkonen estava adiante dos Red Bull... que começavam a sua própria batalha. Uma vez era Max na frente, mas Ricciardo sabia responder, e isso colocava os espectadores atentos ao que faziam. E claro, era um espectáculo dentro de outro espectáculo.

E outros surgiam por aí. Sergio Perez - apesar de uma penalização de cinco segundos - Charles Leclerc, com o seu Sauber, a dar nas vistas, e Lance Stroll, andando bem num ambiente urbano, com o seu Williams. E como o asfalto não aquecia, estes pneus ultramacios aguentavam-se bem. Tão bem que foi apenas entre a volta 28 e a 33 é que se fizeram as paragens de corrida. Quando Vettel foi para as boxes, Bottas ficou na frente, e parecia que a estratégia seria de ficar o mais tempos possível e quem sabe... rezar por um Safety Car?

Bom, foi o que aconteceu. As lutas entre os Red Bull estavam a correr bem, e ambos estavam velozes, com boas trocas de pneus entre eles - Ricciardo foi o primeiro, na volta 34, seguido de Max - mas na volta 39, quando Ricciardo queria passar Max, este fechou-lhe a porta e o embate foi inevitável. Os carros acabaram na berma, mas foi o suficiente para chamar o Safety Car pela segunda vez.

Com isso a acontecer, os pneus arrefeciam, e o asfalto não ajudava. Tanto que na volta 43, Romain Grosjean fez um exagero e embateu no muro, dando mais voltas extra ao Safety Car, questionando se existiria tempo suficiente para ver o recomeço, antes da bandeira de xadrez. 

Acabou por haver. E foram das voltas finais mais alucinantes da temporada, até agora. Na relargada, Sebastien Vettel arriscou e atacou Valtteri Bottas, mas este travou tarde demais e caiu de segundo para quarto, perdendo mais um lugar para Sergio Perez, que livre das penalizações, poderia atacar e tentar a sua sorte. E na volta seguinte, no final da reta, o pneu traseiro-direito de Bottas explodia e entregava o comando a Lewis Hamilton, que nada fez para lá chegar. Apenas estava na hora certa, no lugar certo. E a Formula 1 também é feitas de sortudos, quer queiramos, quer não.

No final, Hamilton cruzou a meta como vencedor. Não foi preciso ser audaz para ser sortudo, pois muitos dos audazes acabaram mal nesta prova, mas ter calma foi o motivo para no final ficar com o lugar mais alto do pódio. Kimi Raikkonen foi o segundo e outro dos sortudos da tarde, Sérgio Perez, deu o terceiro lugar à Force India, mostrando que até gosta de fazer bons resultados em circuitos urbanos. 

E atrás, um pouco de "bodo aos pobres": Charles Leclerc dava à Sauber um sexto posto merecido, os seus primeiros pontos na Formula 1. Lance Stroll era oitavo e dava à Williams os seus primeiros pontos na temporada. E Brendon Hartley conseguia o seu primeiro ponto na Formula 1 e dava à Nova Zelândia a sua primeira pontuação em Formula 1... em 42 anos, desde Chris Amon, no GP de Espanha de 1976. 

E víamos aqui uma coisa que é agora a tendência: todas as equipas presentes vão pontuar, como foi em 2016 e 2017.

E com quatro provas, temos três vencedores diferentes. A Mercedes ganhou pela primeira vez, e parece que teremos um duelo a três num campeonato que promete ser emocionante. Veremos dentro de duas semanas, quando a Formula 1 chegar verdadeiramente à Europa,