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domingo, 6 de junho de 2021

Formula 1 2021 - Ronda 6, Baku (Corrida)


A temporada de 2021 não é ainda um regresso ao normal. Ainda há muitas coisas pendentes, e apesar de se combater fortemente a pandemia com a vacina, e se nota que há sucesso, com o diminuir dos casos um pouco por todo o mundo, o cancelamento da corrida de Singapura, na semana que passou, mostra que as coisas ainda vão demorar pra voltar ao que era em 2019.

Contudo, o interessante sobre isto é que, nesta altura do campeonato, parece que havia mexidas. Não era o passeio dos últimos anos, a Mercedes tinha por fim alguém à sua altura, a a Red Bull queria provar ter um conjunto melhor e mais consistente, mas a corrida do Mónaco tinha sido um "baralhar e voltar a dar", com a Mercedes fora do pódio. E se achavam que eles voltariam, e era um soluço, Toto Wolff avisou logo que Baku não seria o palco do regresso. E a qualificação provou isso, apesar da luta de Lewis Hamilton para não acentuar as diferenças.  

Mas a história desta corrida pode-se resumir no seguinte: se vocês desligaram a televisão a seis voltas do fim, esperando que a Red Bull iria fazer uma grande corrida e Max Verstappen ia a caminho de uma vitória convincente, e uma dobradinha para a equipa energética, então... perderam provavelmente alguns dos momentos mais decisivos do campeonato. E foi um perfeito "bodo aos pobres".

Então, a corrida começou desta maneira: Leclerc largou bem e ficou na frente, seguido por Hamilton e Verstappen, que passara Perez na traagem para a primeira curva. Uma partida normal, sem incidentes de maior, nem o Mazepin fez asneiras, que como sabem, nesta pista onde um erro e acabas no muro, tens de ser perfeito. Atrás, Perez tinha passado Sainz Jr. e Vettel começava a recuperar posições, passando Bottas e era nono.

Na terceira volta, Hamilton passou Leclerc e ficou com a liderança da corrida, apesar da reação do monegasco da Ferrari. Quatro voltas depois, e quase no mesmo lugar, Verstappen passava Leclerc e ficava com o segundo lugar, a ia à caça de Hamilton. E a mesma coisa fazia Perez na volta seguinte, ou seja, na velocidade pura, a Ferrari ainda não tinha motor para Flechas Negras e energéticos austríacos.  


Quando os pilotos da frente começaram a trocar de pneus, lá pela volta 11, o britânico foi o primeiro a parar, esperando que conseguisse superar os Red Bull quando fosse a vez deles de trocar de pneus. Os vermelhos, moles saíram para os brancos, duros, ou seja, iriam até ao fim. Mas a paragem foi mais lenta que o habitual, e essa estratégia parecia ter ido por água abaixo. E quando três voltas depois, os energéticos fizeram o que tinham a fazer, eles tinham conseguido ficar na frente de Hamilton, o objetivo deles. Ali, os energéticos pareciam que tinham ganho o dia.

Mas também chegou-se a um ponto em que Sebastian Vettel chegou a liderar a prova. Um Aston Martin a liderar uma corrida? Bom, tenho a certeza que les esperavam isso um dia, foi agora, na sexta corrida do campeonato! E ainda tinha os moles, claro, enquanto todos que estavam atrás de si já tinham os duros, se calhar para ver se iam até ao final da corrida. Quando por fim, o alemão parou, saiu para a pista em sétimo, passando Tsunoda no processo.

Agora, Verstappen voltava à liderança, com Perez a seguir, e Hamilton à espreita.


Mas se todos pensavam que seria Mazepin que iria causar a primeira situação de Safety Car, afinal de contas, foi... Lance Stroll, que bateu no muro. Claro, o Safety Car era inevitável e o Mercedes vermelho entrou na pista para juntar toda a gente, ainda com os Red Bull na frente, com Hamilton em terceiro, Gasly em quarto e Leclerc em quinto.

Com o carro parado num lugar relativamente perigoso, a entrada das boxes estava fechado até que tirassem o Aston Martin dali. Quando isso aconteceu, os mecânicos da Haas fizeram uma asneira bem grande com os pneus de Mick Schumacher. Se calhar era para ver se o Mazepin o apanharia, não? 


E no regresso à bandeira verde, quem aproveitava era Vettel, que em pouco tempo passava Gasly e Leclerc para ser quarto classificado. Bom, ele adora circuitos citadinos, não é? Atrás, Raikkonen também fazia passagens, como a um... Valtteri Bottas. Nossa, que fim tão triste. 

Na frente, Hamilton tentava não deixar escapar os Red Bull, especialmente Perez, que fazia o seu trabalho de ser o "wingman" de Max, que claro, tentava escapar do resto do pelotão, rumo à vitória. Estava tudo a correr bem, tudo a correr de acordo com o grande plano da Red Bull e tudo o mais, porque... golpes de teatro em Baku, alguém se lembra? Não, pois não?


Mas a três voltas do fim... o tal golpe, digno de um Adelaide 1986. E tudo aconteceu quando o pneu traseiro esquerdo de Max rebenta em plena reta da meta. Despistou-se e abandonou, entregando 25 pontos a Hamilton. O pneu mandou sinais de alerta para o resto das equipas, que foram às boxes para trocar de pneus, mas a organização da corrida decidiu colocar para fora a bandeira vermelha, parando a corrida. O holandês estava frustrado até à décima potência, afinal de contas era uma vitória quase garantida... não era?

Alguns minutos depois, os carros alinharam na grelha para aquela que muitos já diziam, sarcasticamente, como a primeira corrida "sprint" da história. E neste aparato para duas voltas a uma pista longa, era possivel muita velocidade e qualquer coisa no meio. E quando a bandeira verde foi mostrada... novo golpe de teatro quando os travões cederam e Hamilton seguiu em frente. Houve um bruááá nas bancadas, nas janelas e sem dúvida, nas televisões e telemóveis um pouco por todo o mundo. 

As coisas finalizaram com um triunfo de Sergio Perez, que estava no lugar certo, na hora certa, na frente de um Sebastian Vettel que teve uma grande tarde, e ainda tentou a sua sorte no primeiro posto, mas no final, para além de dar o primeiro pódio da Aston Martin, tinha conseguido amealhar 28 pontos em duas corridas citadinas e enxotado a ideia de que era um piloto acabado. E Pierre Gasly, terceiro depois de ter conseguido passar Charles Leclerc, também deu à Alpha Tauri o primeiro pódio do ano. E ainda por cima, com Tsunoda em sétimo, foi um bom fim de semana para os energéticos juniores.


Mas a grande moral da história que se tira de Baku é que ninguém sai a rir dali. Os da frente não pontuaram, embora a Red Bull tenha um sorrido maior do campeonato de Construtores, que com os 25 pontos do mexicano, afastou-se mais da Mercedes. Mas nem Hamilton, nem Verstappen, saíram a ganhar ali, foi um gigantesco "bodo aos pobres", algo do qual ninguém esperava, se alguém tivesse a ideia de desligar o televisor a cinco voltas do fim. Não é?  

quinta-feira, 13 de abril de 2017

O que a nova gerência vai fazer com os elefantes na sala?

Como toda a gente sabe, a Formula 1 tem este ano uma nova gerência. Chase Carey, Sean Bratches e Ross Brawn fazem o trabalho que antes era feito por Bernie Ecclestone. E desde que lá chegaram têm falado de mudanças na organização, quer em termos de calendário, quer em termos de organização, desde transmissões televisivas até a interação com os pilotos, e com as redes sociais.

Contudo, com a chegada destes novos membros que há questões pertinentes, e uma delas têm a ver com os destinos mais... controversos. Ontem, mostraram-se fotografias da reunião que Carey teve com Reçep Tayip Erdogan, o presidente da Turquia, e a ideia de um regresso pairou no ar. Ora, naquele país, irá haver um referendo dento de alguns dias e a ideia do presidente ficar com o poder executivo é bem real, e muitos dizem que é o passo final para uma ditadura. 

Mas não é só a Turquia que pode regressar - talvez em 2018. Esta e a semana em que estamos no Bahrein, a primeira das duas corridas noturnas no calendário, e no final do mês estarão na Rússia, a terra governada por Vladimir Putin, e que também não é propriamente amigo da democracia e do estado de direito. O Bahrein, pequeno emirado de pouco mais de milhão e meio de habitantes, passou por sarilhos em 2011, com o povo a revoltar-se contra a classe dominante, aproveitando a "Primavera Árabe". A corrida foi cancelada nesse ano, mas regressou com muita controvérsia e apelos ao boicote, em 2012, sem efeito porque o pessoal que geria a Formula 1 não quer saber muito de politica, desde que paguem o dinheiro.

Mas, como sabem, há nova gerência. E a grande pergunta é: iremos ver mais do mesmo? É provável que sim, daquilo que vimos da reunião com os turcos. E como os países do Golfo vão continuar a cumprir contratos e a pagar o que pedem, não creio que haja alterações.

Contudo... o que aconteceria se tivessem numa situação complicada? Algo semelhante ao que acontecia nos anos 80, quando iam à África do Sul, no tempo do apartheid, do governo da minoria branca? É certo e sabido que a FIA foi a última a ceder nesse campo, que só em 1985, a Formula 1 descobriu que correr em Kyalami era um embaraço de ordem mundial e colocava a sua categoria nas noticias pelas piores razões? Agora, está tudo calmo, mas num mundo em ebulição como é o nosso, agora, o que aconteceria com o GP da Rússia, caso o "titio Putin" decidisse fazer mais algumas expansões nas suas fronteiras, como fez com a Crimeia? A nova gerência iria largar os rublos russos tão facilmente?

Esta nova liderança deve saber que existem alguns "elefantes" na sala, em maior ou menor grau. Se a entrada da França é bem-vinda, a possível entrada turca pode ser um embaraço maior, tão grande quanto os exemplos ditos anteriormente - e em menor grau, Abu Dhabi e China - principalmente quando a geopolitica decidir acordar e mexer umas peças de xadrez com estrondo. O potencial está lá, e vai ser um teste bem interessante sobre saber se iriamos ver mais do mesmo, ou haveria uma maior sensibilidade ao que se passa no mundo.

Veremos. Esta nova liderança tem muitos testes pela frente.

sábado, 18 de junho de 2016

Formula 1 2016 - Ronda 8, Azerbeijão (Qualificação)

Uma semana depois de termos visto uma boa corrida em paragens canadianas, máquinas e pilotos pularam dez fusos horários para se banharem nas margens do Mar Cáspio, na maior cidade daquela região: Baku, a capital do Azerbeijão. Naquele circuito citadino, a pista que acolhe o "GP da Europa" mostra até que ponto Bernie Ecclestone pretende ir, em busca do dinheiro e de ter o calendário mais extenso possível, e de preferência a incomodar outras grandes corridas de outras modalidades. Afinal de contas, esta corrida acontece no mesmo fim de semana das 24 horas de Le Mans, e os seus horários vão incomodar diretamente um ao outro, numa concorrência que tem tanto de inútil como de infantil, especialmente quando o dono da Formula 1 é um anão octogenário...

Nos treinos livres desta sexta-feira, a estreiteza do circuito em certos pontos fez com que as criticas sobre ela aumentassem, especialmente na parte da cidadela onde a largura do circuito é inferior a sete metros. Com alguns carros a passarem demasiado perto do muro, e as queixas dos pilotos, a organização andou boa parte da noite a retirar as zebras naquele e de mais alguns locais, depois do perigo de eles poderem rasgar os pneus.

Nesta manhã, debaixo de um sol de verão, as coisas correram um pouco melhor no FP3, apesar de Sérgio Perez ter batido no muro nos minutos finais. A sua caixa de velocidades teve de ser substituída e em consequência, perdeu cinco lugares.

A qualificação começou com alguns problemas entre os pilotos. Lewis Hamilton e Jenson Button chegaram a sair de pista, para a escapatória, Romain Grosjean teve problemas com os travões, e os Ferrari demoraram um pouco mais nas boxes devido a problemas com os seus sistemas eletrónicos. Tudo isto numa altura em que Nico Rosberg fez o melhor tempo, ficando na frente de Lewis.

Nos minutos finais, com o aumento de temperatura, os tempos baixaram um bocado, mas no final, houve alguns resultados surpreendentes. Felipe Nasr ia para a Q2, em detrimento de Jenson Button, dos Renault, de Marcus Ericsson e os Manor, que foram os primeiros a serem eliminados, na 17ª e 18ª posições!

A Q2 foi de inico um pouco menos interessante, apesar dos incidentes com Nico Hulkenberg, que fez um pião - numa altura em que Sergio Perez fez o segundo melhor tempo - mas depois, Lewis Hamilton falhou a travagem na curva 7 e ficou próximo da eliminação. Teve mais uma chance, que o colocou no segundo lugar, mas quem não teve chance de passar foram os Haas, o Force India de Nico Hulkenberg, o McLaren de Fernando Alonso, o Toro Rosso de Carlos Sainz Jr e o Sauber de Felipe Nasr.

Na parte final, aconteceu um pouco mais do mesmo: Hamilton foi pela terceira vez na escapatória e as coisas continuavam complicadas para ele, e com Nico Rosberg com dificuldades a marcar tempo, significava que Sergio Perez era o que tinha... o melhor tempo, quase oito décimos melhor que Sebastian Vettel! A dois minutos do fim, o inglês bateu no muro, causando a amostragem de bandeiras vermelhas, e ao mesmo tempo, Nico Rosberg fez tempo para fazer a pole-position, seguido por Perez e Ricciardo, enquanto que Hamilton sairá apenas no nono posto. Mas com o mexicano será penalizado em cinco lugares, seria o australiano e o Ferrari de Sebastian Vettel que ficaria atrás do piloto da Mercedes.

Assim sendo, terminou a qualificação nas margens do Mar Cáspio. O circuito não é por ali além, mas a qualificação teve o seu quê de interessante, apesar de um resultado algo previsivel. Amanhã, na mesma hora em que será mostrada a bandeira de xadrez em Le Mans, a corrida começará, provavelmente para um resultado imprevisível...  

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Youtube Formula 1 Presentation: o desenho do circuito de Baku

Surgiram hoje fotos do asfaltamento de algumas das seções onde os carros de Formula 1 vão passar pelo circuito citadino de Baku, no Azerbeijão. Mas a melhor maneira de ver o que vai ser este circuito de seis mil metros, que vai acontecer em junho, será com este video colocado pelo canal oficial da Formula 1 no Youtube. 

sábado, 30 de janeiro de 2016

A estreiteza do circuito de Baku

O circuito citadino de Baku já foi visitado antecipadamente por alguns entendidos da Formula 1, e estes já notaram que a coisa é mesmo estreita! Segundo conta o jornalista Ted Kravitz na sua conta do Twitter, há uma parte perto da fortaleza da cidade cuja largura é de meros... 7,6 metros. Em teoria, isso seria suficiente para quatro carros lado a lado, mas pelo que se vê nas fotos, é ridiculamente pequeno, sem escapatória possivel. 

E por agora - a cerca de cinco meses da corrida - azona ainda está com paralelepípedos. A organização diz que vai proteger o local antes de colocar a tal camada de asfalto necessária, e para o Tilke, isso não é problema algum, como ele mostra num desenho feito pelo seu gabinete.

O circuito terá 6006 metros e será o segundo circuito mais extenso do calendário, apenas superado por Spa-Francochamps. 

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Para Baku, a corrida vai realizar-se

Os organizadores da corrida de Baku, que vai pela primeira vez ser realizada a 21 de junho, nas ruas da capital azeri, garantiram hoje, na apresentação da corrida, que esta vai ser realizada, apesar das especulações referentes à descida do barril de petróleo e à desvalorização da moeda local, o manat, em mais de um terço, o que já criou preocupações entre os seus habitantes e alguma contestação.   

"A desvalorização do manat não terá impacto no que respeita à realização da primeira corrida de Fórmula 1 no Azerbaijão", disseram os organizadores do Baku City Circuit (BCC) num comunicado oficial em resposta à especulação dos media sobre a realização da prova.

"Quando o orçamento para o Grande Prémio da Europa foi aprovado, ele foi inicialmente calculada em dólares americanos. Como resultado, não estamos esperando quaisquer alterações ao orçamento atual", continuou.

"A BCC partilha as preocupações de toda a gente no assunto da desvalorização da nossa moeda corrente. A BCC também sabe que encenar um grande evento como este exige um esforço financeiro significativo. No entanto, gostaríamos de salientar mais uma vez que o impacto económico global, tanto a curto e longo prazo, de forma directa e indirecta, criada por organizar uma corrida de Formula 1 vai ter um enorme benefício para a economia nacional"

"O impacto do aumento do turismo e das despesas dos visitantes que serão injetados nos estabelecimentos comerciais da zona de Baku, como restaurantes, bares e hotéis será de milhões, se não mais, que vão ser bombeados na economia local", concluiu.

A corrida - que vai ser realizada no mesmo fim de semana das 24 Horas de Le Mans - acontece numa temporada em que a Formula 1 terá um recorde de 21 corridas no seu calendário e onde não só o preço do petróleo está nos 28 dólares - cerca de 70 por cento menos do que estava em julho de 2014, quando alcançou o seu pico - como o Banco Central azeri decidiu no passado mês de dezembro deixar flutuar a sua moeda local, que estava sobrevalorizada, após esta ter gasto quase metade das suas reservas em moeda estrangeira.

O circuito, desenhado por Hermann Tilke, será à volta do centro da cidade e terá bancadas para apenas 28 mil pessoas.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Algo de podre acontece na petrolândia...

A corrida ao fundo do poço no preço do petróleo do qual assistimos está a acontecer desde julho de 2014, quando este chegou ao pico dos 114 dólares por barril. Se muitos achavam que era algo temporário, do qual voltaria ao normal em um ano, a realidade é que estamos em janeiro de 2016 e o preço está a chegar abaixo dos 30 dólares, chegando a niveis de 2003. Se muitos acharam que a era do petróleo barato era algo que tinha ficado nos livros de história, parece que a realidade está contrariar essa frase... e parece não parar por aqui.

Analistas estão a desenhar um cenário pessimista, referindo que a chance de este chegar a preços abaixo dos vinte dólares antes do final deste inverno. Os grandes países produtores, como a Arábia Saudita, não pretendem abrir mão de quotas de marcado, e a OPEP, que nos seus tempos áureos atuava como um cartel eficaz, não está mais unida, e para piorar as coisas, o conflito entre os sauditas e o Irão faz com que as coisas tendem a piorar, especialmente quando os iranianos irão colocar mais três milhões de barris no mercado, fazendo baixar ainda mais os preços.

E o que isto tem com a Formula 1? Muita coisa, e não só por causa da gasolina que colocam para alimentar os motores. A politica de Bernie Ecclestone foi de levar o calendário às petro-monarquias do Golfo Persico e outras petro-repúblicas, e agora, parece que as coisas poderão sair pela culatra. Se os russos ainda aguentam as coisas, e os barenitas e Abu Dhabi aparentam ainda aguentar o impacto, e haver rumores de que o primeiro piloto indonésio da Formula 1 vai ser abastecido com dinheiro da Petramina, a gasolineira do país, por outro lado, há quem esteja a rebentar. É sabido dos rumores sobre a PDVSA e Pastor Maldonado, num país que vive agitação social de todo o tipo, ainda mais quando a oposição conquistou uma maioria de dois terços na Assembléia Nacional, algo que o seu presidente faz de tudo para tirar esse poder, numa escalada de tensão do qual poucos prevêm onde acabará.

Mas outro foco de tensão apareceu de um lugar do qual poucos ouviram falar, mas está no calendário da Formula 1 este ano: Azerbeijão. Outra petro-republica (ex-republica soviética) com um regime duvidoso, organizou no ano passado os Jogos Europeus e apostou na Formula 1 construindo um circuito urbano no centro de Baku, a capital, depois de pedir a Hermann Tilke que o desenhasse.A corrida vai acontecer a 19 de junho, precisamente no fim de semana das 24 Horas de Le Mans...

Mas também não saberemos como estará o Azerbeijão por essa altura. É que desde o inicio do ano que os mercados estão a pressionar o manat, a moeda local, e o Banco Central azeri decidiu deixar cair a moeda, desvalorizando-a em cerca de 30 por cento, encarecendo o nível de vida para os locais, e estes começaram a sair à rua em protesto. O governo está a reprimir esses protestos e não há noticias sobre o assunto a passar na imprensa internacional, e pessoalmente nem saberia isso se não lesse o que o Joe Saward escreve sobre o assunto.

É certo que do lado da organização, a corrida está paga e à partida, eles irão lá correr, mas desconhece-se em que medida esta agitação social não poderá crescer e se tornar em algo gigantesco. É que o preço do barril de crude não subirá velozmente até junho para acalmar os ânimos, e para piorar as coisas, ainda não vimos os planos futuros das petrolíferas no campo dos patrocínios, pois provavelmente vão ter de ser repensados...

Uma coisa é certa: a década áurea da petrolândia poderá ter terminado. Resta saber quem se safará melhor desta decadência. 

sábado, 11 de julho de 2015

Formula 1: FIA divulgou o calendário provisório para 2016

O Conselho Mundial da FIA aprovou ontem o esboço do calendário da Formula 1 para 2016, onde terá 21 corridas, num calendário compactado entre abril e novembro, numa das partidas mais tardias dos últimos anos, deixando de ter corridas em março.

As grandes novidades são o ingresso de uma corrida no Azerbeijão, num traçado urbano desenhado por Hermann Tilke nas ruas da capital azeri, em Baku, e o regresso do GP da Alemanha, que não acontecerá este ano devido a divergências monetárias. Para além disso, há algumas modificações: o GP da Russia passa agora a ser em maio, enquanto que a corrida malaia será em setembro, uma semana depois de correrem em Singapura. Esta e a do Bahrein continuarão a ser corridas de noite. 

A pausa de agosto será encolhida em uma semana, pois a 7 de agosto será a corrida húngara. 

Eis o calendário completo:

3 de abril - GP Austrália (Melbourne)
10 de abril - GP China (Xangai)
24 de abril - GP Bahrein (Sakhir)
1 de maio - GP Rússia (Sochi)
15 de maio - GP Espanha (Barcelona)
29 de maio - GP Mónaco
12 de junho - GP Canadá (Montreal)
26 de junho - GP Grã-Bretanha (Silverstone)
3 de julho - GP Áustria (Zeltweg)
17 de julho - GP da Europa (Baku)
31 de julho - GP Alemanha (Hockenheim)
7 de agosto - GP Hungria (Budapeste)
28 de agosto - GP Bélgica (Spa-Francochamps)
4 de setembro - GP Itália (Monza)
18 de setembro - GP Singapura
25 de setembro - GP Malásia (Sepang)
9 de outubro - GP Japão (Suzuka)
23 de outubro - GP dos Estados Unidos (Austin)
30 de outubro - GP México (Hermanos Rodriguez)
13 de novembro - GP Brasil (Interlagos)
27 de novembro - GP Abu Dhabi (Yas Marina)

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Noticias: Azerbeijão na Formula 1 em 2016

O governo azeri e Bernie Ecclestone anunciaram esta sexta-feira que a partir de 2016, irá haver uma corrida de Formula 1 nas ruas de Baku, sob o nome de "GP da Europa". O anuncio é feito um dia depois de se ter confirmado o GP do México para a temporada de 2015.

O patrão da Formula 1 explicou na sessão de apresentação que “estamos muito contentes por Baku se juntar à família da Formula 1. Será uma corrida citadina, que passará por pontos interessantes e pitorescos de Baku. O evento irá cumprir os atuais critérios da Formula 1”. Da parte do Azerbaijão, o Ministro da Juventude e do Desporto, Azad Rahimov, mostrou-se muito satisfeito por esta confirmação, referindo que “o Azerbaijão é um país europeu moderno que estabeleceu uma reputação como centro de excelência desportiva. O acordo para trazer a Formula 1 a Baku é um capítulo novo muito interessante no nosso sucesso em curso para atrair os maiores eventos desportivos ao nosso país”.

Independente desde 1991, a antiga republica soviética (cuja principal fonte de riqueza é proveniente do petróleo) não tinha qualquer tradição automobilística até 2011, altura em que recebeu nas ruas da capital, Baku, uma prova de GT3 numa pista desenhada numa das avenidas da cidade. Em 2013, abrigou a prova decisiva do Mundial de G, e satisfeito com os resultados, decidiu investir a fundo para poder receber a Formula 1, que conseguiu agora.