domingo, 4 de outubro de 2026

Formula 1 2026 - Ronda 16, Sepang (Corrida)


Muitos estão a encarar esta corrida, neste circuito, como o regresso de um bom amigo. Quase uma década depois da última vez, a Formula 1 está em Sepang para... o GP do Bahrein. Sim, do Bahrein, porque a Malásia não regressou ao calendário, apenas emprestou a pista porque no seu país, há uns drones a voar onde não devem e causa prejuízos. Eles dão a isso o nome de "guerra" e estamos no século XXI, logo, as coisas são diferentes. 

Mas seja em Sepang, na Malásia, a fazer de vez a Shakir, no Bahrein, a Formula 1 encara o mesmo problema de frente: o calor. E está muito calor nesta parte do mundo, isso não se pode escapar. Tanto que pela hora da corrida, para além do calor... chove! Bastante.

Claro, pensamos se haverá os pneus azuis, os de chuva, ou se é algo que só existe no país dos unicórnios. Mas à medida que se aproxima da hora da corrida, tudo indica que... a partida será adiada, todos andariam atrás do Safety Car.


E ao ver a banda barenita a tocar o hino debaixo de chuva, não deixo de pensar no surreal da situação.

Chegada a hora, como seria de esperar, a partida foi adiada, porque a água caía a potes, e ficou assim por mais de meia hora, até que a chuva passasse. Claro, na bancada principal, os espectadores, agarrando as bandeiras barenitas - isto é um pouco irreal, não é? - só poderiam ficar felizes porque neste momento, eles estavam no centro das atenções. Eles, e o Mercedes vermelho que faz de Medical Car, que faz uns "powerslides" só para o espetáculo. 

Demorou cerca de 40 minutos até que a chuva diminuísse e os carros começassem a correr atrás do Safety Car, todos a largarem com intermédios - os azuis, de chuva total são de showroom... - e quando começaram a andar devagar... houve gente que saiu da pista. O primeiro deles foi Isack Hadjar, que foi para a gravilha, e logo a seguir, Lewis Hamilton está parado na grelha. Parecia que o caminho para o caos é bem mais fácil de acontecer quando eles andam a uma velocidade muito baixa... resultado? Bandeira vermelha.

As coisas ficaram assim na meia hora seguinte, e quando o relógio já passava das quatro e meia da tarde perto de Kuala Lumpur, os carros pararam na grelha, prontos para correr. E como a pista secou tanto, havia pilotos que ousavam: Leclerc e Hamilton partiam com moles, bem como Pierre Gasly e os pilotos da Cadillac e Liam Lawson, enquanto Norris e Pastri com médios. Mas logo na volta de aquecimento, Gasly saiu de pista, ao mesmo tempo que Perez foi às boxes para colocar intermédios. Ao mesmo tempo, Hamilton falava nas boxes que a pista ainda estava demasiado escorregadia. Iria ser uma corrida bem difícil.

Quando a grelha parou, os pilotos da McLaren foram às boxes para colocar intermédios, seguido por Stroll e Hulkenberg, todos que tinham partido com pneus slicks, e tinham visto que era demasiado cedo para isso. E com isso, perdiam os seus lugares na grelha, partindo das boxes.


No momento em que as luzes se apagaram, Kimi Antonelli foi para a frente, seguido por George Russell e Max Verstappen. Liam Lawson deu "o pulo do gato" e ia para quarto, em contraste com aqueles que tinham ainda os pneus slicks. Hamiton, por exemplo, perdia 23 segundos só na primeira volta. 

Max tentava apanhar os Mercedes nas voltas seguintes, enquanto os carros com slicks continuavam a perder segundos preciosos. Lando Norris, por exemplo, perdia oito segundos na volta três, mostrando que ainda era prematuro andar com eles. E enquanto isso acontecia, o piloto da Red Bull tentava apanhar e passar o segundo piloto da Mercedes, na volta sete, para ser segundo classificado. Por esta altura, por exemplo, a diferença entre a melhor volta de Sérgio Pérez, no Cadillac e com intermédios, e o de Lando Norris, com slicks, era de... cinco segundos.

Na volta 9, Max já estava na traseira de Antonelli e parecia que iria voltar ao comando, mas não conseguia. Mas logo a seguir, Valtteri Bottas sai da pista, e o Safety Car entrava em ação, com boa parte do pelotão a ir às boxes, primeiro os Mercedes, depois, o resto do pelotão. Todos se livraram dos intermédios, e alguns até colocaram duros, como os Racing Bulls de Liam Lawson e Arvid Lindblad. 

No regresso à corrida, Max passou Antonelli na primeira curva, e poucas curvas depois, Russell conseguiu também passar o seu companheiro de equipa, relegando o italiano para o terceiro lugar.  Com o passar das voltas, o piloto da Red Bull começava a afastar-se, enquanto as condições para que os dispositivos para facilitar as ultrapassagens já poderiam ser ativadas porque as condições eram as ideais.

Nas voltas seguintes, Max não se afastava muito, enquanto os Mercedes batiam-se um contra o outro pelo segundo lugar, e um pouco atrás, Lewis Hamilton recuperava lugares atrás de lugares, sendo sexto na volta 20, e quinto duas voltas depois, passando os carros de Esteban Ocon e de Liam Lawson, ao mesmo tempo em que Antonelli atacava Russell para ele ser segundo e começar a ir atrás de Max, que parecia estar cada vez mais à vontade.

Tudo isto ao mesmo tempo que, aparentemente, poderia haver chuva dali a bocado. 

Na volta 32, Hadjar ia às boxes para trocar de pneus, cedendo o quarto posto para Lewis Hamilton, mas na realidade, estava a abrir uma janela de troca de pneus, porque Hamilton e Alonso também pararam para a troca de pneus, colocando médios. Na volta seguinte, Russell e Hulkenberg também foram trocar de pneus, e na volta 34, os primeiros: Max e Antonelli primeiro, Piastri logo depois. Todos regressaram sem problemas.

A menos de 20 voltas do final, o tempo surgiu: menos de uma hora de luz na pista. Iria dar tempo, se não chovesse, mas tudo indicava que isso não iria acontecer. Na frente, Max ficava cada vez mais à vontade, mais de onze segundos de vantagem sobre Kimi Antonelli, e parecia que os três primeiros já estavam definidos. Atrás, quem chegava aos pontos era, surpreendentemente... Fernando Alonso. Mesmo com um motor Honda que, em condições de piso seco, era dois segudos mais lento que o resto do pelotão, a sua experiência lhe dava condições em que conseguia ser sete a oito décimos mais rápido que, por exemplo, Arvid Lindblad. 

Contudo, na volta 44, Alex Albon para na berma e o Virtual Safety Car era ativado, com Max a ir às boxes, com Antonelli a ficar na pista e assim, era o líder. Lindblad, Hulkenberg, Stroll, também iam às boxes, todos para colocarem pneus moles. Contudo, com a demora das operações, o Safety Car entrou para agrupar todos. Piastri, Norris, Lawson, Alonso, Hulkenberg e Perez iam novamente às boxes, para nova troca de pneus - já se perdeu um pouco a quantidade de pneus trocados... - e o tempo escoava: faltava meia hora para o final, e nove voltas para a meta. 


Mas a oito voltas do fim, mais sarilhos: George Russell pára o seu carro na curva 1, e desiste. Hadjar era agora terceiro, e Norris saía da pista, mas voltou logo depois. Contudo, o Safety Car só voltou às boxes a cinco voltas do fim, e a ação era grande na pista, atrás de Max: Antonelli pressionava para o apanhar, Hadjar era assediado pelo resto do pelotão. Hamilton apanhou-o na volta 52, para ser terceiro, e o francês perdia mais um lugar para o outro Ferrari de Leclerc.

Na meta, Max ganhava pela primeira vez na temporada, mas o grande vencedor era Antonelli, que sendo segundo, conseguia mais 18 pontos sobre Russell, enquanto Hamilton colecionava mais um pódio para a Ferrari. Eram 18:20 da tarde em Kuala Lumpur, mais de três horas e 20 minutos depois da hora marcada para o inicio da corrida. Piastri era sexto, Alonso conseguia o seu melhor resultado do ano no seu Aston Martin, na frente de Lando Norris, e Arvid Lindblad fechava os pontos. 


E por fim, a corrida acabou. Foi um dia difícil, era verdade, mas dali a sete dias, em Singapura, haverá mais.