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quinta-feira, 23 de julho de 2026

Noticias: Vai haver um segundo "Days of Thunder"


Mais de 35 anos depois do primeiro filme, que retrata o universo da NASCAR, e depois do sucesso de bilheteira que foi "F1" e "Top Gun: Maverick", Hollywood quer voltar ao automobilismo com um segundo "Dias de Trovão". E poderá ter Tom Cruise de volta ao elenco. 

Segundo conta a Variety, Jerry Bruckheimer está a negociar o regresso de Cruise ao papel de Cole Trickle, e se conseguir, será num filme realizado por Jonathan Levine e com um argumento de Will Staples. Já estão em pré-produção e as filmagens poderão arrancar no inicio de 2027. 

Caso tenha sucesso nas negociações, Cruise seguirá o mesmo caminho que "Top Gun", que foi estreado em 1986, e quase 40 anos depois, em 2022, fez uma sequela que rendeu mais de 1,5 mil milhões de dólares em receitas de bilheteira.

Em 1990, "Dias de Trovão", realizado por Tony Scott (irmão de Ridley Scott, que realizou "Alien" e "Gladiador"), o mesmo de "Top Gun", teve Cruise, Robert Duvall e Nicole Kidman, que depois viria a ser sua mulher, custou cerca de 66 milhões de dólares e rendeu mais de 150 milhões em receitas de bilheteira. 

E apesar dos críticos não terem achado grande coisa em relação ao filme, com o passar do tempo, ganhou seguidores e sua apreciação tem vindo a melhorar, especialmente depois da morte de Tony Scott, em 2012.  

quarta-feira, 15 de abril de 2026

A imagem do dia




Hollywood liga pouco ao automobilismo, embora nos últimos anos esse interesse tem vindo a aumentar. Em 2025, o filme "F1" rendeu mais de 300 milhões de dólares e conseguiu quatro nomeações para os Prémios da Academia de Hollywood - vulgo, Óscares - tendo ganho um, o de melhor edição sonora. E graças a isso, considera-se uma sequela para o final da década, enquanto outros projetos sobre automobilismo poderão estar a aparecer. 

Foi o que aconteceu hoje, quando foi anunciada uma prequela de "Oceans'11", com Margot Robbie e Bradley Cooper como protagonistas, com ele também a assumir os encargos da realização. O cenário é bem interessante: ambos serão os pais de Danny Ocean, e irão fazer um assalto ousado... durante o fim de semana do GP do Mónaco de 1962, uma corrida ganha por Bruce McLaren, no seu Cooper. 

Margot Robbie explicou a base do argumento do filme durante a apresentação do catálogo da Warner Bros. para 2027 na CinemaCon:

Antes de Danny Ocean alguma vez ter posto os pés em Las Vegas, dois mestres ensinaram-lhe tudo o que sabe — os seus pais. Vê-los-ão no seu auge, e no nosso novo filme, a executar um golpe épico no Grande Prémio de Mónaco de 1962.

Robbie irá produzir o filme através da sua produtora LuckyChap, e o argumento estará a cargo de Carrie Solomon. As filmagens deverão arrancar ainda em 2026, com estreia prevista para 2027.

quarta-feira, 11 de março de 2026

Noticias: Hamilton confirma... segundo filme de Formula 1


A poucos dias da cerimónia dos prémios da Academia de Hollywood, onde o filme "F1" é um dos candidatos a Melhor Filme do ano, Lewis Hamilton confirmou que já começaram as reuniões do segundo filme, ele que foi um dos produtores do primeiro, a par com Jerry Bruckheimer.

Hamilton afirmou que teve recentemente reuniões com o realizador, Joseph Kosinski, com o argumentista, Ehren Kruger, e com o próprio Bruckheimer, no sentido de definir o rumo da nova história. Tudo isto surge depois do primeiro filme ter feito receitas superiores a 630 milhões de dólares em bilheteira, um pouco por todo o mundo, tornando-se o lançamento cinematográfico de maior sucesso da Apple Original Films.

No fim de semana do GP da Austrália, Hamilton confirmou à imprensa as reuniões, afirmando que a equipa pretende desenvolver a sequela com cuidado para garantir um resultado à altura do original.

“Já estamos a trabalhar no primeiro guião. Tivemos a nossa primeira reunião talvez a meio ou na parte final do ano passado. Eu, o Jerry [Bruckheimer] e o Joe[Kosinski] falámos sobre diferentes ideias e direções que poderíamos seguir para a história. Com o Ehren[Kruger] também já tivemos várias reuniões sobre o assunto. É muito entusiasmante. Agora que já passei por esta experiência, sei o quão intenso foi da primeira vez e já sei o que esperar.

Hamilton destacou ainda o impacto que o filme teve junto do público:

Foi incrível ver o impacto que teve e quantas pessoas adoraram o filme. Ainda continuo a receber mensagens de pessoas que só agora o estão a ver e dizem que o filme lhes abriu os olhos para o que é este desporto.

O britânico reconheceu, contudo, que as sequelas nem sempre conseguem replicar o sucesso do primeiro filme, motivo pelo qual a equipa pretende avançar com cautela:

O segundo filme é importante. As sequelas nem sempre são tão boas, mas temos uma grande equipa, um excelente elenco e um grande argumentista. Por isso não estou preocupado, mas vamos levar o tempo necessário para garantir que tudo fica exatamente como deve ser.”, concluiu.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

A imagem do dia




A apresentação do MCL40 para a temporada de 2026 marca um tempo importante para a McLaren. Campeã do mundo de pilotos, com Lando Norris, e de construtores, depois de terem renovado o título em 2024, batendo a Red Bull, a McLaren está a culminar um tempo de ascensão que vem desde os maus tempos de 2016, com os motores Honda e o fracasso com Fernando Alonso, altura em que Zak Brown pegou nas rédeas da equipa, sucedendo a Ron Dennis.

Contudo, 2026 é um ano importante na McLaren por dois motivos, e o primeiro deles é que faz 60 anos desde a sua estreia no GP do Mónaco de 1966, às mãos do seu fundador, Bruce McLaren. O segundo é que no fim de semana do GP de Miami, farão mil Grandes Prémios. É o que dá ser a segunda equipa mais antiga da Formula 1, apenas atrás da Ferrari.

E então, como é a altura indicada, falarei do primeiro carro da história da McLaren na Formula 1: o M2B.

Bruce McLaren tinha chegado à Formula 1 para correr na Cooper, mas desde meados de 1963 que queria montar a sua própria equipa, com um conjunto de jovens americanos, liderados por Teddy Meyer, e tinha o seu irmão Timmy e Tyler Alexander, entre outros. Fundou a Bruce McLaren Motor Company e foi correr a Tasman Series na Austrália, usando chassis Cooper. 

No final de 1965, com o final dos regulamentos de motores de 1.5 litros, McLaren achou que esta era a melhor altura para dar o salto. Apesar de estar em algumas competições como piloto oficial, como a Endurance, onde guava um dos Ford GT40, e o dinheiro era necessário para colocar a sua equipa adiante, ele teve a visão de construir um carro inovador, e contratar talento. O M2B acabou por ser projetado por Robin Herd, que tinha ido buscar da industria aeroespecial - tinha ajudado a projetar o Concorde - que a certa altura, foi ajudado por Gordon Coppuck, este último acabaria por projetar os chassis da marca para a próxima década. 

O M2B era um chassis monocoque de desenho aparentemente simples por fora, mas por dentro era inovador, pois tinha Mallite, um compósito que combinava madeira de balsa, que era comprimido entre duas folhas de alumínio, que o fazia leve, mas muito resistente. Tudo isto quinze anos antes das fibras de carbono, que foram usadas pela primeira vez em 1981... num McLaren (e a seu tempo falarei sobre ele).   

Contudo, se a ideia era boa no papel, quando se passou para a prática, revelaram-se muitas dificuldades em termos estruturais, pois inicialmente, este chassis de Mallite era para ser colocado em todo o carro, mas no final ficou-se pela camada exterior do chassis. Mesmo assim, tornou-se num dos chassis mais rígidos de sempre, com uma resistência torsional de dez mil libras por polegada.

Outro problema foi o motor. Os Cosworth DFV estavam ainda a serem projetados, logo, McLaren teve que usar inicialmente motores Ford V8 baseafos na unidade de 4,2 litros usada nas competições nos Estados Unidos, e que ocasionalmente usava na Can-Am, competição na qual também participava, e com muito maior sucesso. Só que era muito pesado, e pouco fiável, apesar do carro ter feito cerca de 3200 quilómetros em testes, antes do inicio da temporada.

A estreia do M2B foi no Mónaco, com McLaren a bordo. A corrida foi curta: na volta seis, uma fuga de óleo sentenciou o resultado. Desconfiado do motor Ford, passou para os italianos Serenissima, construídos pelo Conde Volpi, quer eram menos potentes e menos fiáveis. Não largou na Bélgica e nos Países Baixos por causa de problemas de motor na qualificação. Contudo, na única vez em que tudo correu bem, foi sexto em Brands Hatch, o primeiro ponto da história da McLaren. Eles regressaram aos Ford no GP dos Estados Unidos, em Watkins Glen, e conseguiu um quinto lugar, conseguindo mais dois pontos.

Parece que foi apenas uma aventura de McLaren, mas na realidade, era para ser dois carros. O segundo foi inscrito para o seu compatriota Chris Amon, mas por causa da infiabilidade dos motores, ele não teve qualquer chance. No ano seguinte, McLaren construiu M4A e arranjou motores BRM V8, sem melhorar muito os resultados... apenas em 1968, com os Ford Cosworth, é que puderam se transformar na equipa vencedora que sempre ambicionaram.

Mas se o chassis podia ter todos os defeitos e mais alguns, o espirito de equipa era diferente. Robin Herd contou, depois, que ali, trabalhava-se com afinco. "Todos estavam dez vezes mais determinados a fazer melhor no ano seguinte.", começou a contar. 

Sobre o design do carro, Herd refletiu que "a nossa ênfase tendia a ser mais na elegância da estrutura do chassis do que no design de um carro de corrida realmente rápido [e que] nós... tendíamos a ir em direção à engenhosidade técnica e à treta em vez de engenharia vencedora de corridas". 

Teddy Mayer foi mais suscinto: "Os nossos principais problemas foram com a escolha do motor Ford".

Mas no final, esse chassis acabou por ser... estrela de um filme. Como assim? Tornando-se no Yomura que levou Pete Aaron (James Garner) ao campeonato mundial de 1966 no filme "Grand Prix", considerado por muitos como o melhor filme de corridas de sempre, devido ao seu uso de cameras a bordo dos carros, filmando sequências inovadoras no seu tempo. Em troca do chassis, o estúdio de Hollywood pagou-lhe pelo uso dos chassis, algo que McLaren bem precisava, pois na altura a equipa era somente constituída por ele próprio e mais quatro mecânicos... mas o caminho para o sucesso estava traçado.

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

A Formula 1 quer mais "F1"


Dois meses depois da sua estreia nas salas de cinema, "F1" tornou-se num êxito de bilheteira, com quase 700 milhões de dolares de receitas, contra os cerca de 300 milhões de despesas. Aliás, após esse tempo todo, ainda há salas de cinema que passam o filme. Isso não é normal. 

De qualquer maneira, a Liberty Media achou que as aventuras de Sonny Hayes na equipa Apex foram tão boas que afirma querer uma sequela até ao final da década. Pelo menos, é o que afirma Joe Saward no seu blog, no final da semana passada. Claro, o outro lado está também disposta a isso, mas há problemas: Brad Pitt tem 61 anos, e Joseph Kosinski é um homem ocupado, pelo menos até ao final de década, pois aparentemente está na calha para filmar outros projetos como o "Top Gun 3" e aparentemente, mais uma versão cinematográfica de "Miami Vice", a série de sucesso dos anos 80 com Don Johnson e Philip Michael Thomas.


Claro, também tem outro problema: que tipo de argumento seria possível para este "F1, part 2". Pitt... perdão, Hayes, não pode ser mais piloto, logo, ser o dono de equipa seria o mais ideal. Mas o argumento mais tentador para uma segunda parte seria algo semelhante à... Brawn GP, que ganhou tudo em 2009, depois da Honda os deixar inesperadamente, em dezembro de 2008. Ainda por cima, esse "annus mirabilis" para Ross Brawn e Jenson Button, passou recentemente a documentário, narrado e produzido por Keanu Reeves

Claro, isso não implica que tenham de ser os mesmos a produzir e realizar esse segundo filme. Contudo, a Liberty Media sabe que o conceito foi provado, que Hollywood arriscou e ganhou, e mais cedo ou mais tarde, outros projetos surgirão. Ainda por cima, numa altura onde mais de uma dezena de países querem receber a Formula 1: desde a Tailândia à Arábia Saudita, que quer um segundo GP do seu país, passando por Ruanda e Árica do Sul, num esforço para ter a Formula 1 de regresso a África, Turquia e Portugal - para ter os seus circuitos de regresso ao calendário - e até a Argentina, isto... se Franco Colapinto ficar no pelotão em 2026. Essa parte não será fácil.

quinta-feira, 21 de agosto de 2025

Youtube Motorsport Video: O ator que trocou Hollywood pelo automobilismo

Se falarmos de Steve McQueen, Paul Newman, Tom Cruise, e mais recentemente, Brad Pitt, sabemos que são gente que faz (ou fazia) dramas e comédias, com um belo escape chamado automobilismo, ao ponto de terem algum grau de profissionalismo. Newman quase ganhou as 24 Horas de Le Mans, para além de ter corrido na Trans-Am e ser co-proprietário de uma equipa na CART, McQueen quase ganhou as 12 Horas de Sebring e ter tentado correr nas 24 Horas de Le Mans, entre outros.

Mas apesar destas coisas, ninguém trocou as câmaras pelo volante. Contudo, há uma excepção: Frankie Muniz. Quem?

Lembram-se da série "Malcom in the Middle", há uns bons vinte anos, no inicio do século? Pois bem, ele é alguém que adora tanto o automobilismo que a certa altura, trocou as câmaras pelas pistas, nomeadamente, a NASCAR - e mais algumas competições, com resultados razoáveis. Aliás, ele esteve perto de competir na IndyCar em 2010, sabiam? Teria sido interessante competir por posições ao lado da Milka Duno

E é sobre isso que o Josh Revell fala neste mais recente video.

segunda-feira, 14 de julho de 2025

As imagens do dia



Esta segunda-feira vamos na terceira semana de "F1 - O Filme", e as receitas do filme realizado por Jason Kosinski estão perto dos 400 milhões de dólares. Ainda não dá lucro - fala-se de 600 a 700 milhões para lá chegar - mas está no bom caminho, sendo agora o nono filme mais lucrativo de 2025. Aliás, o "buzz" na imprensa não está a diminuir, pelo contrário: as boas impressões que se ouve e lê nas redes sociais, a quantidade de impressões positivas que colocam nas criticas ao filme, levou a que os produtores se falem de duas coisas: uma sequela ou algo parecido com um "franchise", semelhante ao "Star Wars" ou os filmes da Marvel e da DC, para encher as salas de cinema no verão ou ter mais conteúdo nos "streamings" existentes.

E para a Apple Studios, é uma maravilha: tornou-se no filme de maior sucesso da história até agora.

Uma coisa que não era muito conhecida até hoje: os patrocinadores da ficcional Apex GP. Eles são reais, e trouxeram ao filme o equivalente a 40 milhões de dólares. É impressionante, e claro, não existe. Agora imaginem se fosse real. Contudo, deu para ajudar nas despesas, e desses 200 ou 300 milhões, tem de fazer esse desconto, e poderemos afirmar que tem mais 40 milhões de dólares de lucro, o que significa que isto não fica por aqui. Aliás, o "hype" não diminui.

Claro, a Liberty Media esfrega as mãos de contente. Sabe que isto se tornou numa galinha dos ovos de ouro ainda mais preciosa, irá trazer novos fãs para a modalidade, e explorar esta parte tornou-se muito tentador. E mais interessante ainda, em 2026, haverá uma parceria com a Walt Disney, uma gigante de cinema, televisão, marketing e parques temáticos. E quem os conhece, sabe que eles tem o "franchising" do "Star Wars", que pode ter custado mais de nove mil milhões de euros quando foi comprar a George Lucas, mas desde então multiplicou os seus lucros. 

Contudo, no domingo, véspera de escrever este artigo, calhou por acaso ver um video no Youtube sobre "Grand Prix", o filme de 1966 que foi realizado por John Frankenheimer e tinha como protagonistas gente de James Garner e Yves Montand, que "corriam" - sim, corriam no meio dos pilotos! - ao lado dos pilotos de então, como Graham Hill, Bruce McLaren, Jochen Rindt, Jo Siffert, Jack Brabham, Dennis Hulme, entre outros, e ainda teve a assistência de outros ex-pilotos como Richie Ginther e Phil Hill. Este último, por exemplo, tinha um "camera car", um Ford GT40 modificado para levar câmaras de filmar e que acompanhava o pelotão na parte de trás, a pouca distância. 

Assim sendo, acho que é altura de falar desse filme. E se "F1" bateu-o ou não. E que paralelismos existe com a atualidade. 

As coisas começaram em meados de 1965 quando Frankenheimer, então com 35 anos, era uma grande esperança em Hollywood depois de realizar filmes como "The Birdman of Alcatraz", com Burt Lancaster no principal papel, "O Candidato da Manchuria", com Frank Sinatra (sim, ele mesmo, o cantor) e Angela Lansbury nos principais papéis e "Sete Dias em Maio", onde o tema era a chance de um golpe de estado militar na América, com Kirk Douglas e Burt Lancaster. Todos acabaram por ser sucessos, que renderam dezenas de milhões de dólares para o estúdio.

Quando foi convidado para fazer "Grand Prix", a MGM (Metro-Goldwyn-Mayer) prometeu um orçamento generoso para o realizar, e claro, filmar na Europa era tentador. O argumento, parcialmente escrito por Frankenheimer e Robert Alan Aurthur era simples: quatro pilotos ao longo da temporada: o americano Pete Aron, o britânico Scott Stoddard, o francês Jran-Pierre Sarti e o italiano Nino Barlini. A temporada começa no Mónaco e acaba em Monza, com passagens por Reims, em França, Brands Hatch, na Grã-Bretanha, em Spa-Francochamps, na Bélgica, em Nurburgring, na Alemanha. Há trocas de equipas - Aron sai da britânica Jordan e vai para a japonesa Yamura - Stoddard sofre um acidente em Monte Carlo, Sarti começa a duvidar da sua presença na Ferrari e na Formula 1 e toma a decisão de ir embora depois do GP de Itália e Barlini perde-se no seu próprio labirinto, obcecado por triunfar. 

Frankenheimer ajuda a meter algumas técnicas inovadoras em termos de "onboards", alguns já falados em cima e que não seriam vistos em carros de Formula 1 nos 20 anos seguintes. Eram operados automaticamente e conseguiam, graças a técnicas anti-vibração, estabilizar a câmara, essencial para poder captar imagens. Para ganhar realismo. 

O mundo da Formula 1 reagiu inicialmente com relutância, apesar de ter gente como Dan Gurney, Phil Hill e Richie Ginther como conselheiros técnicos. Enzo Ferrari foi o mais radical: proibiu que o seu nome fosse usado, porque temia que Hollywood os desprezasse. Contudo, Frankenheimer não desistiu e editou uma sequencia de 30 minutos, entregou pessoalmente a Maranello e mostrou a Ferrari. Este ficou tão convencido com o tratamento que ele fez ao filme, e isso resultou em acesso total: há uma cena onde Garner vai a Ferrari, em Maranello e fala com a personagem, interpretada pelo ator italiano Adolfo Celi, que meses antes foi o vilão em "Thunderbolt", o terceiro filme da saga James Bond.

O filme foi feito em 70mm para um sistema chamado Cinerama, criado para dar um efeito mais abrangente da experiência cinematográfica. Um antepassado do IMAX, de uma certa maneira. O sistema utilizava três câmaras interligadas de 35 milimetros, equipadas com lentes de 27 milimetros, aproximadamente a distância focal do olho humano. Cada câmara fotograva um terço da imagem num padrão cruzado, a câmara da direita fotografando a parte esquerda da imagem, a câmara da esquerda fotografando a parte direita da imagem e a câmara do centro fotografando em linha reta. As três câmaras eram montadas como uma unidade, ajustadas a 48 graus uma da outra. Um único obturador rotativo na frente das três lentes garantia a exposição simultânea em cada um dos filmes. As três câmaras angulares fotografaram uma imagem que não só era três vezes mais larga do que um filme padrão, como também cobria 146 graus de arco, perto do campo de visão humano, incluindo a periférica. A imagem era fotografada com seis furos de roda dentada de altura, em vez dos quatro utilizados nos processos convencionais de 35 mm. A imagem foi fotografada e projetada a 26 fotogramas por segundo (FPS), em vez dos habituais 24 FPS.

As filmagens superavam obstáculos uns atrás dos outros, Frankenheimer estava genuinamente entusiasmado - tinha sido piloto amador no inicio dos anos 50 - mas havia um sentido de contra-relógio. E com razão: nos bastidores, havia outro filme a ser pronto, com um ator de peso: Steve McQueen. Dirigido por John Sturgis, iria-se chamar "O dia de um Campeão" e as filmagens iriam ser em Nurburgring. Produzido por outro estúdio, Frankenheimer teve de entregar 25 rolos de filmes com a pista alemã em pano de fundo para o outro filme. Contudo, esse nunca acabou por ser realizado, e o filme de automóveis que McQueen tanto queria acabou por acontecer quatro anos depois, em 1970, e o cenário foi as 24 Horas de Le Mans. 

Quanto aos acidentes, ele usou muito um canhão de pressão de ar, onde o impulso fazia projetar o carro em algumas dezenas de metros, causando um efeito aproximado, não real, mas parecendo real. E isso se vê na cena do acidente mortal de Jean-Pierre Sarti, em Monza, quando o Ferrari sai da pista, no oval, e acaba na parte de baixo, perto da Variante Ascari, com Yves Montand pendurado nas árvores, já morto. 

Outro acidente realista foi o de Scott Stoddard e Pete Aron no Mónaco, no inicio do filme. Ambos pilotos da Jordan-BRM, Aron acabou no fundo da baía, com o seu carro, tendo conseguido nadar até à superfície. O local não foi um acaso: tinha sido onde, em 1955, Alberto Ascari tinha mergulhado o seu Lancia, e uma década depois, Paul Hawkins teria o mesmo destino. E os pilotos falavam que aquela chicane era o local mais indicado para isso. Arrepiantemente, um dos pilotos que participou no filme, o italiano Lorenzo Bandini, iria sofrer o seu acidente fatal naquele local, em 1967, um anos depois das filmagens. 

As cenas do GP da Bélgica, em Spa-Francochamps, naquele filme... foram reais. Foi o GP da Bélgica de 1966, e tornaram-se num momento de mudança na Formula 1. Vários acidentes aconteceram na primeira volta, onde seis pilotos foram eliminados por causa de uma grande carga de água. O mais sério foi aquele que envolveu Jackie Stewart, então piloto da BRM, onde se despistou e arrancou um poste telefónico no impacto. Preso, mas não sériamente ferido, foi retirado pelo seu companheiro de equipa, Graham Hill, e pelo americano Bob Bondurant, e o socorro ao piloto escocês foi tão deficiente que, apesar de ter ficado no hospital por duas semanas, tornou-se no defendor da melhoria das condições nos circuitos de Formula 1. 

O vencedor foi John Surtees, da Ferrari, e as cenas foram usadas para filmar Sarti, que tinha o capacete do britânico, com algumas cenas a serem filmadas, porque no filme, ele assiste à morte de dois adolescentes que estavam demasiado próximos da pista...

Claro, as imagens reais dessa corrida foram aproveitadas porque deram... realismo ao filme.

A cena do GP de Itália, em Monza, foi usada numa versão do circuito que aconteceu na edição de 1961, e que causou a morte do piloto alemão Wolfgang von Trips na primeira volta da corrida... e mais 14 espectadores. E deu o título nas mãos de Phil Hill. Foi com isso em mente que filmaram as cenas. Mas o final, uma corrida sprint entre Aron e o Jordan de Stoddard, acabou por acontecer... em 1967, entre o carro de Jack Brabham e o Honda de John Surtees, ganho pelo piloto inglês, e dando à marca japonesa a sua segunda vitória na Formula 1!

Mas para sermos honestos, esse é um final previsível, porque em 1969 e 1971, a corrida também acabou assim, mas com quatro pilotos, em 69, e cinco, dois anos mais tarde. O circuito era tão veloz que o melhor era implementar pelo menos três chicanes, o que acabou por acontecer em 1972, e ficou até aos dias de hoje.

O filme foi estreado em dezembro de 1966 e foi um sucesso total. Custou nove milhões de dólares, aos valores de então (hoje em dia, acrescentem uns dez vezes mais) teve lucros de 20 milhões, sendo um dos 10 filmes mais lucrativos desse ano. Nas nomeações para os prémios da Academia de Hollywood, vulgo, os Óscares, ganhou três prémios na área técnica: Melhor Som, Melhor Edição e Melhores Efeitos Sonoros. 

Anos depois, em 1969, Frankenheimer afirmou que "Grand Prix" foi o filme que mais lhe deu satisfação de o fazer. 

No final, conhecendo "Grand Prix", pode-se afirmar que na busca por realismo, é semelhante, e creio que é por esta película é que "F1" se pode comparar, não com "Rush", por exemplo. Porquê? A primeira coisa é que "Rush" tem um fundo de verdade. Tem como base uma temporada real, com pilotos reais e situações reais. "Grand Prix", sendo realista, tem como base uma temporada fictícia, com pilotos e equipas fictícias, com participação minima de pilotos e equipas reais, embora tenham todos colaborado e aconselhado. E a sorte é que o realizador os ouviu, porque queria mostrar aos espectadores um produto de qualidade. Nisso, conseguiu. E quase 60 anos depois, Hollwyood regressou ao tema, com um sucesso igual.       

Agora, o que será diferente em 2025? Começamos a ouvir planos de transformar este filme em muito mais, numa série ou num franchising semelhante a "Star Wars" ou aos filmes da Marvel e da DC, alimentados pelos canais de Streaming que apareceram por ai, como a Netflix, Apple + ou Disney. Provavelmente, é que serão os nossos futuros verões: num streamimg ou num cinema, ao lado do filme do Star Wars, do da Marvel, teremos o da Formula 1, com todas as grandes estrelas a terem de fazer aquilo que chamam de "dramas desportivos". E se o Brad Pitt está a ter o seu grande momento - é o seu filme mais lucrativo de sempre - outros atores poderão pensar que fazer um filme de automobilismo até poderá ser bom para o seu currículo. E se for "automobilismo + blockbuster", melhor. 

sábado, 12 de julho de 2025

Youtube Formula 1 Video: Quando Brad Pitt guiou um McLaren em Austin

Em final de semana sem Formula 1, o destaque ainda é o filme, realizado por Joseph Kosinski e com Brad Pitt no principal papel. Na semana de estreia do filme, há duas semanas, foi revelado que a McLaren deu um teste a Pitt no Circuito das Américas, em Austin, com Lando Norris e Zak Brown a assistirem a tudo. 

A Sky Sports decidiu colocar em toda a sua extensão este dia de teste, e pelos vistos, o pessoal passou um dia agradável. E nem parece que tem 61 anos!  

domingo, 6 de julho de 2025

A sequela vem a caminho?


O sucesso de "F1 - o Filme", que conseguiu mais de 200 milhões de dólares em receitas, fez com que as pessoas olhassem para isto como um "blockbuster" inesperado para a temporada de verão dos cinemas. Muito bem acolhido pelo público, com criticas favoráveis, já se fala num potencial nomeado para a categoria de Melhor Filme nos prémio da Academia de Hollywood - vulgo Óscares - no inicio de 2026, daqui a seis meses. 

E se calhar, é algo que os produtores estavam a contar. Se sim, então já falam da segunda parte do plano: um "remake" de "Dias de Tempestade", o filme de 1990 que teve Tom Cruise no principal papel. Neste fim de semana, a GQ americana publicou um artigo onde fala nessa hipótese. Ou isso, ou uma sequela de "F1". 

Questionado a Joseph Kosinski sobre a possibilidade de uma sequela, ele mostrou-se favorável, bem como Jerry Bruckheimer, um dos produtores. Acho que deixámos isso em aberto para o Sonny, para a Kate e para o Joshua”, disse. “Mas essa não é uma decisão minha.”, disse Kosinski à Entertainment Weekly". "Adorei trabalhar com este grupo de pessoas. Adorei criar a nossa própria equipa de Fórmula 1. Adorava ver o que vem aí para APXGP e Sonny Hayes.”. 

E para ele, onde entraria Tom Cruise? “Bem, agora, seria Cole Trickle, que foi a personagem de Cruise em Dias de Tempestade, descobrimos que ele e Sonny Hayes têm um passado”, disse. “Foram rivais em algum momento, talvez se tenham cruzado…”, concluiu. 

Pitt vs. Cruise num filme de corrida? Apostamos que poucos estão a recusar isso — e isso quase aconteceu uma vez, também com a realização de Kosinski. 

Em 2013, quando foi comprados os direitos de passar para filme o livro "Go Like Hell", de A.J. Baime, contactou-se Kosinski para ver se era possível realizar o filme. E a ideia era de juntar Tom Cruise e Brad Pitt juntos, um no papel de Carrol Shelby e outro no de Ken Miles

Em julho de 2020, alguns meses depois de Joseph Mangold ter realizado "Ford vs Ferrari", com Matt Damon como Shelby e Christopher Bale no papel de Miles, Kosinski afirmou à IndieWire

Não diria que chegámos perto da produção, mas cheguei ao ponto em que coloquei o Tom Cruise e o Brad Pitt numa mesa de leitura, a ler o guião juntos. Mas não conseguimos o orçamento necessário, e ele estava no valor certo. Por isso, para mim, foi esse que escapou. Mas fiquei emocionado por ver que acabaram por fazer uma versão incrível”, disse Kosinski na altura.

"O guião era o mesmo, e penso que a abordagem [de Mangold] era, de um modo geral, como eu faria, que era com carros a sério, corridas a sério — obviamente, fazê-lo com o Tom era a única forma de o fazer. De certa forma, o que fizemos com o 'Top Gun', queríamos fazer para corridas de automóveis com câmaras montadas e tudo mais.", concluiu.

Pode-se afirmar que o desejo do realizador de fazer um filme de automobilismo já vinha de trás, e meia década depois, conseguiu o que queria. O mais curioso é que Cruise e Pitt não fazem juntos um filme desde 1993, com "Entrevista Com o Vampiro"


Contudo, para deitar água na fervura, Damson Idris, que faz o papel de Joshua Pearce, demonstrou mais cautela quando questionado sobre a possibilidade de uma sequência. Numa entrevista ao site "The Athletic" na semana passada, disse para não terem pressa. “Acho que a pior coisa que poderíamos fazer é precipitarmo-nos em fazer uma sequela. A maioria delas é muito pior. Por isso, não nos devemos apressar.", disse.

terça-feira, 1 de julho de 2025

Youtube Formula 1 Video: Uma apreciação critica de "F1 - The Movie"

Confesso que poderia esperar pela Internet fora videos de gente que aproveitou o fim de semana para ver "F1 - O Filme", confesso a minha surpresa ao ver que um deles foi o Josh Revell. As suas apreciações foram bem extensas - contêm spoilers, caso alguém ainda não tenha visto e deseja ver - mas pessoalmente, aquilo que ele fala sobre o filme é o mesmo que eu: entretido, bem montado, argumento pouco mais que superficial. 

Ele comparou com "Grand Prix", algo do qual também me lembrei - e interessantemente, não vi muita gente a fazer o mesmo tipo de comparação. E da minha parte, volto a afirmar: deixem os cérebros em casa, peguem nas pipocas e fiquem por duas horas e meia dentro da sala de cinema. E se acharem piada, nem dão por conta do tempo. 

sexta-feira, 27 de junho de 2025

A imagem do dia








É fim de semana de "F1 - O Filme", e depois de duas horas e meia de ação, sais da sala de cinema convencido de que é um excelente "blockbuster" de verão. Não ganhará prémios, mas comparado com os outros filmes do seu realizador, Joseph Kosinski, é tão bom como "Top Gun: Maverick".

Contudo, quem já viu a fotografia de Sonny Hayes com o fato de competição amarelo, é hora de falar que isto tem uma base real. E no momento em que vi a fotografia, sabia do que se tratava. E - pequeno spoiler - nos créditos finais, há um agradecimento especial a ele. 

Dito isto, falemos de Martin Donnelly. De como um piloto com um excelente talento acabou numa curva em Jerez, numa sexta-feira de setembro de 1990. A violência foi tal que chocou até Ayrton Senna. 

Nascido a 26 de março de 1964 - curiosamente, o mesmo dia que outros pilotos como Elio de Angelis e Didier Pironi - Donnelly começou a correr na Formula 3 britânica em 1986, pela Swallow Racing, acabando na terceira posição do campeonato. Repetiu a classificação na temporada seguinte, mas ganhou em Macau, e em 1988, parecia que ia a caminho de uma classificação quando Eddie Jordan o chamou para ser seu piloto na sua equipa de Formula 3000. 

A sua estreia foi em Brands Hatch... e arrasou, ganhando a corrida. Mas foi depois de uma enorme carambola na pista, envolvendo meia dúzia de carros, sendo o mais atingido o seu companheiro de equipa, Johnny Herbert, que ficou gravemente ferido das pernas. Ficou nas quatro corridas seguintes, onde ganhou mais uma prova, em Dijon, com mais dois pódios e uma pole-position, acabando no terceiro posto do campeonato. Ao mesmo tempo, já era piloto de testes da Lotus, confiando no seu potencial de rapidez. 

Na temporada seguinte, manteve-se na Formula 3000, numa temporada cheia de compromissos. Participações na Formula 3000 japonesa e nas 24 Horas de Le Mans, pela Nismo, o deixaram muito ocupado, mas no final de junho, teve a sua primeira grande chance, quando Derek Warwick, então piloto da Arrows, magoou-se nas costas quando se entretinha numa corrida de karting, depois do fim de semana do GP do Canadá e a equipa precisava de um substituto. Donnelly foi foi escolhido, e sem grande experiência no chassis... impressionou. No final das duas sessões de treinos, conseguiu o 14º melhor tempo, entre o Onyx de Stefan Johansson e o Larrousse de outro estreante, Eric Bernard. E na frente de outro estreante: o Tyrrell do francês Jean Alesi.

Claro, foi uma corrida atribulada. Uma carambola nos primeiros metros, com o March de Mauricio Gugelmin a voar no meio do pelotão, atingindo, por exemplo, o Ferrari de Nigel Mansell, condicionou a sua corrida, e as suas chances de um bom resultado ficaram comprometidas, porque iria partir das boxes. No final, despistes e outros problemas no seu carro fizeram com que acabasse na 12ª posição, a três voltas do vencedor. O resultado podia não ser grande coisa, mas ficou a experiência. 

No final da temporada, na Formula 3000, Donnelly ganhou mais uma corrida, em Brands Hatch, e conseguiu um terceiro lugar em Birmingham, acabando na oitava posição do campeonato, com 13 pontos. Em duas temporadas, conseguira três vitórias, seis pódios, uma pole-position, no total de 43 pontos. 

Para 1990, a chance que tanto esperava: um lugar na Formula 1. E ainda por cima, na Lotus, e equipa por onde tinha passado Jim Clark, Jochen Rindt, Emerson Fittipaldi, Ronnie Peterson, Mário Andretti, Ayrton Senna e tantos outros. Mas em 1990, era uma sombra do passado. Naquela temporada, tinham projetado o 102, projeto de Frank Dernie, ex-Williams, e tinham o motor Lamborghini de 12 cilindros. Era potente, mas... muito pesado e com tendência para quebrar. 

Contudo, o seu manager, Rupert Mainwarring estava suficientemente confiante sobre o pacote que disse acreditar que iriam conseguir 40 pontos nessa temporada. Só conseguiram três, todos por Warwick, com o melhor resultado um quinto lugar na Hungria. 

Apesar de tudo, Donnelly decidiu aproveitar da melhor maneira o material em mãos. Não andou longe de Warwick, conseguindo um oitavo lugar em Imola e um sétimo posto no Hungaroring, embora nessa temporada, não contava para os pontos. 

Quando a Formula 1 chegou a Jerez de la Frontera, palco do GP de Espanha, penultima prova do campeonato, Warwick e Donnelly lutavam contra uma máquina pouco fiável. Mas até aquela sexta-feira de manhã, não sabiam que aquele chassis também era perigoso. quanto tentava uma volta rápida, o Lotus aproximou-se da Curva Ferrari a 260 km/hora quando a sua suspensão falhou e bateu de frente nas barreiras de proteção. O impacto fez explodir o chassis e o corpo do piloto acabou cuspido do seu cockpit, indo parar no meio da pista, sem proteção. O volante ficou dobrado com o impacto, e a imagem do Donnelly inerte no asfalto chocava o mundo.

Mas, por incrível que pareça, estava vivo. Estava por um fio, mas vivia. Porque tinha fraturas um pouco por todo o corpo: contusões cerebrais e pulmonares, diversas fraturas nas pernas, e ainda estava em perigo de vida. Quando o médico da Formula 1, Dr. Syd Watkins, chegou ao pé dele, a primeira coisa que fez foi desenrolar a lingua para evitar que sufocasse. Depois disso, estabilizou as feridas e as fraturas, para o levar de helicóptero para o hospital mais próximo. 

Alguns metros mais adiante, encostado ao guard-rail, Ayrton Senna assistia horrorizado a tudo o que se passava, e ficou ali largos minutos enquanto ele era socorrido. E nas boxes, Derek Warwick e a Lotus também assistia a tudo com angustia. Afinal de contas, na longa história da equipa, era a segunda com mais mortes, superado apenas pela Ferrari.  

Quando Donnelly chegou ao hospital, o diagnostico era sério. Considerava-se a amputação da perna direita, e os restantes órgãos corriam o risco de falhar. Colocado em coma induzido, sabia-se que iria ficar por um longo tempo... isto é, se sobrevivesse. O seu coração parou por duas ocasiões, chegou a levar a extrema-unção, mas as operações e um pouco de sorte fizeram com que se salvasse. E melhor ainda: depois de alguns meses, conseguiu sair do hospital pelo seu próprio pé.

Contudo, o preço foi alto: não mais voltaria a correr, apesar de três anos depois, ter feito um teste pela Jordan. Mas foi mais para matar as saudades. 

Depois da Formula 1, participou no Rallycross, com um Vauxhall Nova, para depois passar para a Elise Trophy, uma competição da Lotus, em 2007, e mais tarde, em 2015, participou no BTCC, num Infiniti. Hoje em dia, aos 61 anos, depois de um acidente em 2019 o ter atirado para a cama do hospital para ser operado a mais uma fratura na perna e do qual foi ajudado fortemente pela comunidade automobilística para pagar as despesas, tem uma academia em Norfolk especializado em competir carros da Lotus. 

E de quando em quando, aparece em Goodwood para guiar o Lotus 102 que quase o matou, há quase 35 anos. E Hollywood agora o lembrou, para se basear noutra personagem.     

Apreciação critica sobre "F1, o Filme"


Chegado o verão ao Hemisfério Norte, Hollywood dá a esta altura a prioridade a filmes que deseja que sejam "blockbusters". E a grande maioria desse tipo de filmes são essencialmente estes: espetáculos visuais cujo conteúdo argumentativo seja menor. É uma formula de sucesso que funciona há cerca de meio século - os primeiros exemplos são "Tubarão" e "Guerra das Estrelas" - e aproveitam bem o facto de, estando calor lá fora, dão-se às salas de cinema todos os pretextos para escapar do calor. Ar condicionado, sistemas de som de última geração, bebidas frescas e mais recentemente, IMAX: um ecrã enorme que nos envolve, como se fosse a realidade.

Na última década, fomos bombardeados até à exaustão de filmes de heróis da banda desenhada e "spinoffs" da Guerra das Estrelas, como se fossem vaquinhas que tinham de ser ordenhadas até à exaustão porque eles, praticamente, ficaram preguiçosos e sem imaginação. Mas no meio de fantasias espaciais e afins, houve excepções, como "Top Gun: Maverick", filme de Joseph Kosinski que, com Tom Cruise na frente do espetáculo, fez mais de mil milhões de dólares de receitas de bilheteira. E com a ajuda das suas técnicas cinematográficas e do IMAX, as pessoas saíram do cinema envolvidas num delírio visual do qual tão rapidamente não largariam. 

E no verão de 2025, o próximo delírio visual chama-se "F1, o Filme". Mas se acham que é o "Top Gun" com carros, com Brad Pitt no lugar de Tom Cruise, bem... aí é que acabam as semelhanças.  

Sem querer dar "spoilers", eis o seguinte: a Apex GP, equipa que está no fundo da tabela, precisa de um piloto que a faça dar a volta, caso contrário, o seu fundador, Ruben Cervantes, seja obrigado pela direção a vender. Afinal de contas, tem 350 milhões investidos num buraco sem fundo. E o desespero faz com que se encontrem soluções desesperadas. Entra Sonny Hayes, um... "lobo solitário" que entra em corridas como um "freelancer", correndo num fim de semana nas 24 Horas de Daytona, noutro, na Baja California. Vive numa caravana, gosta de jogar, e em tempos correu na Formula 1. Porquê Cervantes se lembrou de Hayes? Porque em tempos, correram juntos. 

Claro, Hayes tem uma montanha para escalar. Uma montanha cheia de céticos. E ele tem de os escalar, e tem o tempo contado para o conseguir chegar ao topo. E eis a permissa de "F1". 


Como é isto? Vi-o no IMAX e saio do cinema a pensar que houve momentos em que senti estar dentro do cockpit, a acelerar no carro. Nisso, Kosinski conseguiu cumprir, tão bem como Top Gun". Mas, bem pensado, se visualmente consegue ser fantástico, em termos de profundidade é... o equivalente a uma espetacular piscina do parque aquático, mas com a profundidade de uma criança de três anos. Para os conhecedores da Formula 1, os veteranos, os puristas, os preconceituosos, fiéis à História... não recomendo. Sinceramente, fujam. Irão odiar. Se sai do guião da realidade pura e dura, irão reclamar o tempo todo, desculpem.

Contudo, é fantástico para a geração "Drive to Survive". É um orgasmo visual. Precisamente aqueles que foram ao cinema ver os filmes da Marvel ou da DC. Afinal de contas, cumpre a cem por cento os critérios do "blockbuster" de verão, e ainda por cima, sem CGI. O realismo visual das cenas é orgásmico.      

E eis os aspectos positivos deste filme. Sim, Kosinski sabe do que faz, mas o fato de termos Lewis Hamilton como um dos produtores executivos do filme e conselheiro, que lhe disse para que as cenas não fossem irrealistas, impediu disto ser um "shitshow", deixado à mercê dos delírios de argumentistas com LSD a mais no cérebro. A Liberty Media é americana, tem um produto que deseja valorizar, e o seu grande objetivo é que, depois dos espectadores terem visto o filme, irem para os circuitos ou assinarem o "streaming" para poderem ver mais da competição. E se puderem gastar algumas centenas ou milhares de dólares para irem a Austin, Miami ou Las Vegas para verem uma corrida ao vivo, tanto melhor. Os cofres agradecem. a Liberty fica feliz. 


Em suma, é um belo espetáculo visual. Mas se disserem que é pobre em termos de argumento, eu posso argumento de defesa: o "Grand Prix", filme de John Frankenheimer de 1966 sobre uma temporada de Grande Prémio com James Garner e Yves Montand, também não. E quase 60 anos depois, graças às suas técnicas inovativas de filmagem das cenas, ganhou três Óscares e é dos melhores filmes de automobilismo de sempre, que marcou uma geração. 

O que poderei dizer? Tirem um tempo no fim de semana para irem ver o filme, peguem nas pipocas e na Cola e ver no IMAX é melhor que ver em casa.  

quinta-feira, 26 de junho de 2025

A imagem do dia


Steve McQueen, Paul Newman, James Garner - e mais alguns outros: que tem em comum? Foram atores de Hollywood com uma paixão pelo automobilismo. Alguns foram tão longe como participar nas 24 Horas de Le Mans ou as 24 Horas de Daytona, com carreiras que começaram tarde, mas deram para brilhar. McQueen, por exemplo, quase ganhou as 12 Horas de Sebring de 1970, ao lado de Pete Revson, e nove anos depois, Newman guiou um Porsche 935 para ser segundo em Le Mans, ao lado de Don Whittington

Contudo, o próximo a fazer isso poderá ser... Brad Pitt. Com "F1" a estrear-se nas salas de cinema nesta semana um pouco por todo o mundo, Pitt, que dá vida a Sonny Hayes, uma antiga estrela da Fórmula 1 que regressa à competição numa 11ª equipa fictícia, a Apex, ajudando-a a subir na hierarquia ao lado de um jovem talento interpretado por Damson Idris, está a ser convidado por algumas equipas de GT para participar em eventos como Daytona. E poderá participar com licença FIA na categoria "Bronze", que serve para os "gentleman drivers".

Tudo isso foi revelado por Joseph Kosinski, o realizador de "F1" ao jornal francês "La Tribune de Dimanche". “Ele levou o carro ao limite. Chegou perto dos 300 km/hora.”, afirmou. Sim, muitas das cenas são feitas por ele mesmo, especialmente os carros que guiaram, que na realidade são Formula 2 modificados e que estiveram nas grelhas de partida de algumas das corridas ao longo da temporada de 2024. E o seu desempenho foi tal que ele, recentemente, esteve em Austin, no Circuito das Américas, para andar num McLaren de 2023, num teste dado por Zak Brown.

Hoje em dia, não faltam pilotos que andam bem em carros velozes: Michael Fassbender e Patrick Dempsey já participaram nas 24 Horas de Le Mans, e este ano, Frankie Muniz, conhecido pelo seu papel na série "Malcom in the Middle", também esteve presente em Le Mans — não na prova principal, mas a competir na corrida do troféu Ford Mustang Challenge.

Contudo, isso não é fácil assim. Por exemplo, nas provas longas como Daytona, Sebring e Le Mans, são corridas longas e exigentes, mesmo com turnos alternados. E mesmo que haja equipa que o acolhesse, esta teria de estar disposta a investir tempo e recursos para o preparar — não apenas pela imagem, mas para garantir segurança ao piloto-ator e um desempenho aceitável, que não o faça passar "vergonha". Ele, se competir em Le Mans, não será num carro da classe Hypercar, por exemplo.

Uma coisa é certa, a Formula 1 e a Liberty Media apostou imenso para que o filme saia bem nas bilheteiras. E será um filme bem longo, pois terá a duração de 156 minutos, ou duas horas e 36 minutos, para ser mais "popular". 

quinta-feira, 29 de maio de 2025

Youtube Formula 1 Vídeo: F1 25 com cenas do "F1"

Isto apareceu hoje. A EA Sports meteu, no jogo "F1 25", uma cena do filme "F1", que como sabem, estará nas salas de cinema dentro de um mês, a partir do dia 25 de junho. A ideia é entrar na pele do Sonny Hayes e andar no ritmo que é proposto.

A novidade é que há cenas do filme no meio do desafio. Não faço ideia se isso foi feito de propósito para o jogo - não ficaria admirado, sinceramente - mas pelo que vi, eu estou a ficar cada vez mais curioso sobre o filme.   

quarta-feira, 21 de maio de 2025

A imagem do dia


O GP do Mónaco será palco de muitas, muitas coisas. E uma delas será a projeção privada do filme "F1", perante os pilotos e os dirigentes da categoria. E surgiu nas últimas horas esta foto: a da sala, com os lugares marcados e personalizados. 

E a distribuição é reveladora. Por exemplo, Mohamed Ben Sulayem não tem lugar marcado - será que aparecerá? foi convidado? pagará bilhete como os restantes mortais? ele gosta de Coca-Cola e o cinema só tem Pepsi? - Christian Horner e Toto Wolff estão quatro lugares separados, Setefano Domanicalli está ao centro, com Lewis Hamilton mesmo na sua frente. E o lugar central do piloto britânico não é por acaso: é um dos produtores do filme e ajudou imenso para tornar o filme realista. Os pilotos estão à frente - houve quem tenha sugerido colocar Estaban Ocon na frente de Yuki Tsunoda, só para o sacanear (Tsunoda tem 1.59 metros, Ocon, 1.86

Mas houve um amigo meu que me apontou outra coisa: Domenicalli e Toto Wolff estão um ao lado do outro. E do que sei dos regulamentos de 2026 é que tem dedo de Wolff, e daquilo que sei dos bastidores, sobre o que vêm aí, em termos de pelotão... 

Também há outra coisa: Hamilton está perto de Domenicalli. Há uma razão, para além de ser um dos produtores do filme. Ele é a pessoa que está por trás dos projetos como a F1 Academy, o programa "We Race As One" e o apoio à "Mission 44", ou seja, apoios à entrada de mulheres e minorias na Formula 1, não só como pilotos, como também como engenheiros e mecânicos.

Com a fortuna que tem conseguido através da Formula 1 - ele é um dos desportistas mais bem pagos do mundo, será o primeiro piloto a aproximar-se dos 100 milhões de dólares por temporada - começo a pensar que a sua vida pós-Formula 1 poderá ter a ver com o dirigismo, ficando até com uma parte da Formula 1, mesmo que esta semana tenha assinado um acordo de parceria com a Disney (esse meu amigo suspeita que a Disney está ali por causa de Hamilton).

Enfim, vamos lá ver se eles irão gostar do filme. A estreia para o grande público acontecerá dentro de cinco semanas.  

segunda-feira, 12 de maio de 2025

Youtube Formula 1 Vídeo: O segundo trailer de "F1"

E inesperadamente, sem aviso, surgiu o segundo trailer de "F1" o filme realizado por Joseph Kosinski e produzido por Jerry Bruckheimer e que tem Brad Pitt como principal protagonista. Aqui há novas imagens do filme, que como sabem, se estreará a 25 de junho nos cinemas um pouco por todo o mundo. 

terça-feira, 1 de abril de 2025

Youtube Motorsport Documentary: O "making of" do Dias de Trovão

"Dias de Trovão" (Days of Thunder no original) faz 35 anos em 2025. Realizado por Tony Scott, o mesmo de "Top Gun", e produzido por Jerry Bruckheimer e Don Simpson, protagonizado por Tom Cruise, tornou-se num filme que, ambientado no mundo da NASCAR, criou uma atmosfera que, não tendo tido o imenso sucesso de "Top Gun", ficou embutido na cultura automobilística, numa altura em que era raro tal coisa.

Em 2020, quando passaram 30 anos sobre as filmagens, a Fox Sports decidiu fazer um documentário sobre o processo de filmagens com alguns dos seus participantes. Dura meia hora, e como sabemos que no verão aparecerá o filma sobre a Formula 1, ver isto começamos a ter uma ideia do que será.    

sexta-feira, 14 de março de 2025

A(s) image(ns) do dia



Depois do trailer, ontem, hoje é o cartaz (ou o poster) do filme.

E umas horas depois, no Twitter do Sonny Hayes, vi esta fotografia dos "seus" tempos na Lotus.

É... veremos no que isto dará, mas pessoalmente... para quem viu o "Lamborghini" numa sala vazia, tudo que aparecer depois é lucro. 

quinta-feira, 13 de março de 2025

Youtube Formula 1 Movie: O trailer de "F1"

Já tinham avisado ontem, mas saiu hoje o "trailer" de "F1", o filme realizado por Joseph Kosinski, produzido por Jerry Bruckheimer e protagonizado por Brad Pitt. Este é o mais comprido de todos, e parece ser bem mais interessante que os anteriores.

E aqui, mostram algumas coisas. O que é a personagem, porque é que regressa à Formula 1 - tenho algumas suspeitas de como - e a estória do veterano que tem algo a provar, e o "rookie" talentoso que tem mais ar - ou seja, um jovem arrogante - que substância. Parece ser uma estória interessante.

Alguns spoilers: há um Lotus 102 e está a musica "The Chain" dos Fleetwood Mac, e para quem não sabe porque falo disto, é porque era a musica que abria as transmissões da Formula 1 da BBC desde 1978, até aos dias de hoje. Em termos visuais, sabemos que é muito bom, e roça o "Grand Prix", mas... agora veremos como será a substância. 

O filme estará nos cinemas de todo o mundo a 25 de junho.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

Youtube Automotive Chase: The French Connection (1971)

As perseguições automóveis modernas de Hollywood começaram em 1968 quando surgiu "Bullit". Todos se lembram da cena da perseguição do Mustang verde, guiado por Steve McQueen, contra o Dodge Charger negro, que quer o assassinar, numa perseguição que acontece nas ruas de São Francisco, com os carros a voarem rua acima e rua abaixo.

A perseguição foi tão notável e ficou na memória de toda uma geração que, quando o Mustang verde reapareceu em 2021, depois de quase meio século fora da vista de todos - alguns julgaram que tinha sido já desmanchado numa sucateira na Califórnia - o carro foi vendido em leilão por mais de um milhão de dólares. Apenas por ter sido guiado e sentado por McQueen.

Contudo, há uma segunda cena de perseguição automóvel que é tão boa quanto a de "Bullit". Aconteceu em 1971, em Nova Iorque, durante o filme "The French Connection". Aqui, não estão carros importantes - nada de "Muscle Cars" - mas a intensidade da perseguição é tal que anos depois, o seu realizador, William Friedkin, disse que um dos acidentes que foram filmados... realmente aconteceu. Sim, o realismo foi tal que aquilo aconteceu em pleno dia, perante transeuntes preplexos! 

A perseguição automobilística foi feita, no filme, por um policia, cujo apelido era "Popeye" Doyle. O ator que interpretava era Gene Hackman, e era dos poucos que gostavam de automóveis, como Steve McQueen e Paul Newman. E como esses dois, ele gostava mesmo de automobilismo. Chegou até a correr em Formula Ford, e foi treinado por Masanori Sekiya, um dos grandes pilotos japoneses da sua geração, correndo especialmente em Toyotas. Aliás, Hackman andou muito nesses carros, nos anos 70 e 80, chegando a participar nas 12 horas de Sebring e nas 24 Horas de Daytona.

Anos depois, Hackman afirmou que, apesar de gostar de ser ator, se escolhesse entre isso e o automobilismo, teria optado pela segunda hipótese. Mesmo que este filme e esta perseguição policial, que hoje em dia é considerado como das melhores da história do cinema, lhe deu um prémio da Academia para Melhor Ator, em 1972. 

Hackman, que na sua careira teve outros papéis memoráveis como ser o primeiro Lex Luthor, no "Super-Homem", e já retirado do cinema há algum tempo, morreu ontem aos 95 anos de idade na sua casa do Colorado. Ars longa, vita brevis.