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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Noticias: Hadjar volta a ser terceiro... no Mónaco


O francês Isack Hadjar voltou a ter o seu terceiro lugar no GP do Mónaco, em junho, tirando o lugar a Pierre Gasly. O Tribunal Internacional de Recurso anulou a decisão dos comissários desportivos do Grande Prémio do Mónaco de 2026 que tinha retirado duas penalizações ao piloto Pierre Gasly. 

A audiência decorreu a 25 de agosto de 2026 em Paris, sob a presidência de Michael Grech, e decidiu dar provimento aos recursos apresentados pela McLaren e pela Red Bull. O litígio teve origem a 7 de junho de 2026, quando os comissários impuseram duas penalizações de cinco segundos ao carro de Pierre Gasly, por excesso de velocidade no pit-lane das boxes durante a corrida, violando o artigo B1.6.3a dos regulamentos da modalidade. 

No mesmo dia, a equipa BWT Alpine F1 Team apresentou dois pedidos de revisão ao abrigo do artigo 14 do Código Desportivo Internacional, e alguns dias mais tarde, a 12 de junho, os comissários deram razão à Alpine após considerarem existir um elemento novo, relevante e significativo que não estava disponível no momento das decisões iniciais, optando por anular as duas penalizações de cinco segundos, que acabou por alterar a classificação da corrida e recalcular os pontos dos campeonatos de pilotos e de construtores.

E foi aí que a McLaren e a Red Bull apresentaram o recurso, que deu na sentença agora sabida. Com isso, Hadjar voltou a ser terceiro classificado, seguido por Oscar Piastri e os Racing Bulls de Liam Lawson e Arvid Lindblad, enquanto Gasly cai para sétimo.

domingo, 7 de junho de 2026

Formula 1 2026 - Ronda 6, Mónaco (Corrida)


O GP do Mónaco, neste primeiro quarto do século XXI, e um século depois da sua primeira edição, para muita gente, já não é mais aquilo que julgavam ser, se é que pensaram alguma coisa diferente de agora. As curvas apertadas, do qual exigiam concentração total dos pilotos ao longo de 78 voltas, ainda existem, nunca fugiram, mas os carros evoluiram, tornando-se em tanques de batalha, do qual não deixam muito espaço para ultrapassagens, mesmo num sitio tão apertado quanto aquele. E sem ultrapassagens, a Formula 1 tem uma alternativa, ao querer mais embelezar as páginas sociais que as de desporto, mas para os que estão aqui pela competição, é mais um motivo para afirmarem que a Formula 1 passa bem sem Mónaco. 

Se formos ver bem as coisas, a Formula 1 não precisa, competitivamente, dos circuitos citadinos. Mas estes são tempos onde o Senhor Dinheiro é o imperador e a aparência conta mais que o conteúdo.  

O dia estava agradável, primaveril até. O glamour estava em alta, mas o que as pessoas queriam saber era até que ponto Kimi Antonelli iria aumentar a sua vantagem, ou se iria ser vitima dos guard-rails, nesta corrida de desgaste. E claro, até que ponto a concorrência não iria atacá-lo, para tentar impedir que ele se afastasse e desse uma chance a todos eles, mesmo sabendo que esta é uma temporada bem comprida, com chances de volte-faces.     


Mas logo na partida, as coisas começaram a desenhar favorávelmente a Antonelli. Principalmente quando Max Verstappen ficou pregado no chão nos primeiros centímetros, com Antonelli a aproveitar muito bem, seguido dos Ferrari. O neeerlandês ficou no fundo do pelotão e a partir de agora, tinha uma montanha bem grande para escalar, e agora tinha os carros de Maranello - não muito longe da sua Bolonha natal - atrás de si. Mas pouco depois, os problemas do seu carro pareciam ser irresoluveis e acabaria por ser a primeira desistência desta corrida. 

Na frente, tudo na mesma: depois de Antonelli, Hamilton e Leclerc, terão o Red Bull de Isack Hadjar, o segundo Mercedes de George Russell, o primeiro McLaren, o de Oscar Piastri, e o Alpine de Pierre Gasly, que conseguiu passar Lando Norris. O piloto italiano começou a afastar dos Cavalinos, e ao fim de seis voltas, já tinha uma vantagem de quase quatro segundos sobre Hamilton.

As coisas ficaram estabilizadas nas voltas seguintes, e por alturas da 20ª volta, o único motivo de interesse era a luta pelo quarto lugar, entre Hadjar, que era pressionado por Russell, mas sem chances de ultrapassagem da parte do britânico. Contudo, o piloto francês queixava-se de algo no motor do seu carro, do qual o pessoal em Milton Keynes tentava resolver à distância, e Russell esperava a oportunidade para o passar, porque ele já estava na sua traseira.

Por alturas da volta 33, Hamilton e Russell foram às boxes para trocar de pneus, acabando ambos a calçar duros. Na volta seguinte, foi a vez de Hadjar a trocar, e isso foi suficiente para Russell conseguir passar o francês. Na mesma altura, Hamilton começava a ser investigado por causa da sua paragem nas boxes, e no final, descobriu-se que tinha tido andado nas boxes em excesso de velocidade, e acabou com uma penalização de cinco segundos. Contudo, isso não alterou o terceiro lugar para o britânico da Ferrari.

Leclerc parou na volta 36, voltando à pista na terceira posição, atrás de Hamilton, mas sabendo agora da penalização do seu companheiro de equipa, ele só esperava ficar na sua traseira, para ficar com o segundo posto. Na volta a seguir, Antonelli foi às boxes, mas ele estava tranquilo, com mais de 34 segundos de vantagem sobre Hamilton quando foi colocar duros no seu carro. Mas se Antonelli estava tranquilo, já Russell descobriu-se que tinha passado pelas boxes em excesso de velocidade e fora penalizado em cinco segundos. Nada que se alterasse na classificação.

Na volta 45, Norris tinha problemas no seu carro, por causa da velocidade que perdia para Russell, e depois, para outros pilotos. Foi para as boxes, e encostou de vez. Norris acabava por ser a quarta desistência da corrida, para o piloto, a terceira desistência na temporada, e claro, para ele, era mais um episódio de uma temporada dos infernos para a McLaren. Ainda por cima, no seu milésimo Grande Prémio. Ao mesmo tempo, Gasly ia para as boxes, fazer a sua troca de pneus, caindo para sétimo.  Alex Albon também ia para as boxes, mas o mais curioso era que trocava... para moles.

Piastri foi às boxes na volta 50, acabando por regressar em sexto, atrás de Hadjar, para pouco depois, ser penalizado em cinco segundos por causa de... mais um excesso de velocidade nas boxes. Entretanto, na Ferrari, Leclerc estava perto da traseira do carro de Hamilton, suficiente para que, virtualmente, o monegasco já era segundo. Curiosamente, nesta altura, eles eram os únicos que estavam na mesma volta que Antonelli...

Contudo, na volta 62, Stroll bateu em La Rascasse e por causa disso, o Safety Car teve de entrar na pista, e isso foi suficiente para que o pelotão fosse às boxes. Os Ferrari foram às boxes, para colocar pneus moles novos, e Hamilton a manter-se no segundo posto, ainda por cima, com uma diferença maior que tinha sobre Leclerc. Antonelli foi também às boxes, colocou moles, mas manteve o comando. 


A corrida recomeçou na volta 66, com Antonelli na frente, seguido por Hamilton e Leclerc, que... bateu na parede e acaba de imediato a sua corrida! Segundo Safety Car na corrida, e a desilusão era enorme entre os espectadores, porque afinal de contas, era o piloto da casa. Os pilotos assaltaram as boxes para trocar os pneus novamente, com Antonelli a manter o primeiro lugar, seguido por Hamilton e agora, Isack Hadjar.

Pouco depois, os organizadores decidiram mostrar a bandeira vermelha por causa de problemas na pista, mais concretamente na curva Antony Noghés. E aparentemente, isso poderá ter sido as causas dos acidentes de Stroll e Leclerc. Demorou alguns minutos para que se fizesse uma limpeza no local afetado, e quando os organizadores acharam que era seguro prosseguir, os carros regressaram à pista atrás do Safety Car. Eles pararam na pista, para nova largada parada, e oito voltas até à meta, com Antonelli a afirmar que o asfalto não estava ainda em condições. Atrás, Russell fora avisado que iria cumprir uma penalização.

Na segunda largada, Antonelli manteve o comando, e Russell e Hadjar partiam lentos, enquanto atrás, Sainz Jr batia na parede e tinha danos no seu carro, caindo para o fundo do pelotão e acabando por abandonar. Russell acabaria por ir às boxes para cumprir a penalização, caindo para o fundo do pelotão, enquanto Gasly era agora terceiro... mas tinha uma penalização de dez segundos! Bom, um final imprevisível, tenho a certeza. Porque no meio disto, Isack Hadjar poderá ter violado os procedimentos de bandeira vermelha!

No final, as coisas correram bem para Antonelli, que ganhou pela primeira vez no Mónaco, e dando à Itália a primeira vitória em 22 anos, depois de Jarno Trulli, na frente de Hamilton e Hadjar, que conseguia o seu segundo pódio da sua carreira. Gasly, sem cumprir nas boxes a sua penalização, caía para sétimo, entre Arvid Lindblad e Alex Albon. E em décimo, inacreditavelmente, chegou Sério Pérez, o piloto mais improvável de pontuar... mas aconteceu. E deu à Cadillac o seu primeiro ponto na Formula 1! Algum dia iria acontecer, mas mesmo assim, é espantoso.


No pódio, outro detalhe: a combinação de idades entre Antonelli e Hadjar dá 40 anos, menos um que... Lewis Hamilton. Estas estatísticas bem estranhas, mas reais, de uma tarde que tinha tudo para ser aborrecida, mas acabou por não ser. E agora, saindo do Principado, Antonelli tem agora 66 pontos de vantagem sobre Hamilton, e parece que pode ser o primeiro pós-adolescente campeão do mundo. 

E da maneira como estou a ver, o rapaz é campeão em São Paulo ou coisa assim... mas para a semana, é na Catalunha. 

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Formula E: Felix da Costa quer ganhar no Mónaco para se candidatar ao título


Depois de um mau fim de semana em Berlim, onde apenas conseguiu um ponto em duas corridas, António Félix da Costa quer voltar a lutar pela vitória no Mónaco, circuito do seu agrado e onde já venceu no passado. O piloto da equipa Jaguar TCS Racing está apostado em trazer dois bons resultados para casa e manter-se na luta do título, já que está a apenas 36 pontos da liderança e o piloto de Cascais sabe ter um carro competitivo.  

“Depois do desaire de Berlim, já viramos a página e estou com a energia renovada para este fim-de-semana”, começou por afirmar. O piloto português apontou a consistência como prioridade para o duplo compromisso no circuito citadino onde já venceu no passado. 

“A palavra de ordem é solidez, continuando a nossa forte performance que temos mostrado em todas as corridas, mas procurar materializar esse andamento em bons resultados, algo que por esta ou aquela razão não temos conseguido fazer sempre. Temos a lição bem estudada para este fim-de-semana e a motivação em alta, queremos lutar por pódios e, se possível, pela vitória”, concluiu.

O fim-de-semana terá então uma jornada dupla, com uma corrida Sábado e outra Domingo, naquela que é sempre uma das corridas mais esperadas e emblemáticas do ano, com o glamour típico do Monaco bem presente. Sábado inicia o dia com duas sessões de treinos livres, seguida da qualificação, com a corrida a começar às 14 horas, transmissão em direto a partir das 13:45 na DAZN 5 e no Eurosport 2. No Domingo a dose repete-se, com nova qualificação, seguida da corrida, sempre com transmissão na DAZN 5 e no Eurosport, a partir das 13:45.

domingo, 25 de maio de 2025

Formula 1 2025 - Ronda 8, Mónaco (Corrida)


A Formula 1 tem uma ligação com Monte Carlo que é quase indissociável. Em 2025 passam 70 anos desde a primeira corrida de uma ligação que apenas foi interrompida com a pandemia. Correr nas ruas de uma cidade não é fácil, mas há mais de meio século, era corrente, contra fardos de palha e carros com travões de tambor. Mas Monte Carlo, capital de um micro-estado como este, no meio das receitas dos casinos, dos bancos, dos milionários que estacionam os seus iates, do imobiliário, vê no Grande Prémio a sua oportunidade de brilhar, porque é das poucas chances onde o seu nome está nas bocas do mundo. E claro, mesmo numa pista como esta, não pretende abdicar deste estatuto.   

Perante 78 voltas, mesmo num dia de primavera como este, as dificuldades estão perante todos: afinal de contas, como Nelson Piquet disse certo dia, é como correr dentro da sala com uma bicicleta. E Ste. Devote é notoriamente famoso pelas suas carambolas nos primeiros metros. Afinal de contas, horas antes, de manhã, houve uma grande carambola nessa curva. 

Nos pneus, havia de todos os tipos: Isack Hadjar e Yuki Tsunoda partiriam de moles, os McLarens e boa parte do pelotão, de médios, enquanto gente como George Russell, Andrea Kimi Antonelli e Oliver Bearman, colocaram duros, para tentar ficar na pista o mais tempo possível. 


Na partida, Charles Leclerc atacou Lando Norris, mas o piloto da McLaren defendeu-se. Ele continuou a atacar o piloto britânico, mas ele conseguiu defender-se. Todos se safaram em Ste. Devote, e as coisas pareciam correr tudo bem até que em Portier, Andrea Kimi Antonelli passou o Sauber de Gabriel Bortoleto e este bateu na barreira de proteção. Ele voltou à pista e foi às boxes para reparar os estragos, e o Safety Car Virtual foi colocado. A  corrida retomou na quinta volta, com Piastri na frente de Leclerc. 

No regresso, Norris começou a distanciar-se de Leclerc, ficando com quase dois segundos no final da oitava volta, mas pouco depois, o primeiro incidente, com Pierre Gasly bateu na parte do Tabac, conseguido arrastar para as boxes, tornando-se na primeira vitima das armadilhas do Mónaco.

A partir dali, os olhares foram para a luta pela terceira posição, entre Oscar Piastri e Max Verstappen. O piloto da Red Bull pressionava o da McLaren, mas o australiano resistia bem, enquanto os dois primeiros se afastavam, com a diferença entre segundo e terceiro é de 3,7 segundos. E entretanto, aconteciam as primeiras paragens nas boxes, como Isack Hadjar, que na volta 12, trocou para pneus moles. Pouco depois, Fernando Alonso e Esteban Ocon também foram para as boxes.

Pela volta 18, Oliver Bearman e Lance Stroll fazem a segunda paragem, acabando por estar libertados da obrigatoriedade das paragens. Duas voltas depois, Piastri e Norris faziam as suas primeiras paragens, e na seguinte, Hadjar e Hamilton faziam a sua segunda paragem. Leclarc fica na frente, seguido de Max Verstappen. Leclerc entra nas boxes na volta 22, deixado Max na frente.


Com a segunda paragem de Colapinto e Bortoleto, eles iriam ficar na pista até ao final da corrida, enquanto Max continuava na pista até à volta 28, para a sua primeira paragem, para regressar à pista na quarta posição, na frente de Lewis Hamilton. Na volta 31, Norris, o líder, passava Russell e Antonelli, que nesta altura, continuavam a vegetar na 12ª e 13ª posição, respetivamente. E já perdiam uma volta. 

Na volta 36, Fernando Alonso, que estava na sexta posição, desistia por causa de problemas no seu carro, dando o lugar a Isack Hadjar, com Esteban Ocon a seguir, em sétimo. A França a ter uma boa tarde nas ruas de Monte Carlo. Albon e Lawson foram às boxes na volta 42, para a segunda paragem, enquanto Piastri tocava com a traseira em Ste. Devote, sem consequências. Hulkenberg foi para a sua segunda paragem na volta 47, para colocar moles, e a pergunta é saber se aguentam as 31 voltas seguintes.

Piastri fazia a sua segunda paragem na volta 49, seguido por Leclerc, na volta 50, que caía para terceiro, atrás de Max. Norris foi depois, perdendo a liderança para o neerlandês. E de repente... os três primeiros andavam bem perto: quase dois segundos entre primeiro e terceiro, com Max a tentar faxer render os seus médios, perante os duros de Norris, perante os médios de Leclerc. Piastri era quarto e parecia estar longe, mas... nem tanto: menos de oito segundos. A partir dali, ele se esforçou para apanhar Lelcerc, e pela volta 67, a onze do final, já tinha cerca de três segundos de diferença para um lugar no pódio, e a menos de dez voltas da meta, os quatro primeiros estavam nas traseiras uns dos outros.


Leclerc começou a pressionar Norris para ver se o passava, mas o pessoal sabia perfeitamente que naquelas ruas, chegar era uma coisa, passar era outra. E claro, também havia outra coisa: Max só tinha feito uma paragem. Qual será a penalização, caso não faça a segunda paragem? Bom: é uma desqualificação pura e simples. Mas se parasse, cairia para fora do pódio, sendo quarto, na frente de Lewis Hamilton, e ainda teria 48 segundos de vantagem sobre ele. 

E esperou-se até ao final para saber se ele iria ou não parar nas boxes. E parou. A razão era simples: ele e a Red Bull esperavam por uma bandeira vermelha, que, claro, nunca aconteceu. Acabou por cair para quarto, ficando fora do pódio, mas na frente de Lewis Hamilton, o quinto.

Mas o mais interessante, no meio disto tudo, é que as táticas e os atrasos fizeram com que apenas os cinco primeiros ficaram na mesma volta, e a partir do sexto lugar, os pilotos tinham um atraso de uma volta. E Carlos Sainz Jr, o último que pontuou, acabou com duas voltas de atraso! De uma certa forma, parece que regressamos quatro décadas no tempo. E quero recordar que há gente que, nas suas cabeças, já riscaram esta corrida no calendário.


Mas... não são a maioria. E agora, o circo continua a circular porque semana que vem, é a corrida de Barcelona.    

sábado, 24 de maio de 2025

Formula 1 2025 - Ronda 8, Mónaco (Qualificação)


Apesar da crescente oposição m tempos recentes, Mónaco continua a ter o seu fascínio. Como um micro-estado, que não cobra taxas aos milionários de todo o mundo, aproveita o Festival de Cinema de Cannes para atrair alguns atores de Hollywood - e outros - para ter o brilho que tanto procura, mobiliza todo um país para, ao longo de um mês, montar uma pista e trazer os melhores pilotos do mundo? E não é só uma corrida. Durante um mês, há corridas de clássicos, e depois da Formula E - este ano, foi uma jornada dupla - e por fim, a Formula 1. É algo que não vemos em lado algum.

Mas mesmo com todo o fascínio, a Formula 1 já reconheceu que ali, tinha de fazer algo. Como não irão deitar fora estes carros mastodônticos, foram para uma alternativa: duas paragens obrigatórias. Será que irá funcionar? Não creio que ninguém saiba, neste momento.

E em 2025 há uma coisa mais interessante: o atual vencedor do GP monegasco é um dos seus cidadãos, que corre pela Ferrari, que este ano tem como piloto um heptacampeão do mundo. Claro, falo de Charles Leclerc e Lewis Hamilton. E claro, Leclerc quer mostrar a tudo e todos que continua a mandar ali. E a Ferrari, que durante esta temporada ainda não mostrou aquilo que é feito - não no sentido em que os tiffosi gostariam - numa temporada competitiva, com McLaren, Mercedes e a Red Bull de Max Verstappen, sabe que aqui é dos poucos lugares onde pode brilhar. 

Havia algumas ameaças de chuva neste sábado, mas os céus estavam mais para a de verão mediterrânico que outra coisa. E ao longo de sexta-feira, Leclerc aproveitou a ocasião, nos treinos livres, para mostrar que quer repetir 2024. 

A qualificação começou à hora marcada, com os pilotos a marcarem os seus tempos nas ruas apertadas do Principado, e ali, tos usaram os moles, exceto os Alpines, que calçaram os médios. Os primeiros dos da frente a marcar tempo foi Oscar Piastri, que meteu 1.12,439. Norris apareceu depois, e foi quatro décimos mais lento. Leclerc teve a sua primeira tentativa e fez 1.12,091 e foi para topo da tabela, mas logo a seguir, Max Westappen melhorou o seu tempo em 191 centésimos, para depois Noris melhorar, com, 1.11,596.

A parte final tinha os pilotos a tentarem marcar um tempo que os afastasse da eliminação, como Leclerc, que marcou 1.11,229 e ficou com a liderança, mas perto do cromómetro chegar ao zero, Kimi Antonelli perdeu o controle do carro na chicane e bateu. Sessão interrompida, e praticamente terminou por ali. Os prejudicados acabaram por ser o Sauber de Gabriel Bortoleto, o Haas de Oliver Bearman, os Alpine de Franco Colapinto e Pierre Gasly, e o Aston Martin de Lance Stroll.  

Kimi Antonelli passou também para a Q2, mas sem carro, a sua qualificação ficou por ali. 


Pouco depois, começou a Q2 e começou com... um desastre. George Russell ficou parado no túnel, cinco minutos depois do inicio da sessão, sem poder ter marcado um tempo. Sessão interrompida, o carro foi para as boxes onde os mecânicos, em contrarrelógio, tentaram colocar o carro a funcionar, mas sem sucesso. Os Mercedes, juntos, mas muito mais fundo da grelha que o habitual. E logo no Mónaco, o lugar mais difícil de passar... e com paragens obrigatórias. 

Retirado o carro, os pilotos marcaram os seus tempos. Leclerc colocava moles novos no seu carro e marcava 1.10,581. Pouco depois, Norris melhorou em 11 centésimos, enquanto Max, que era sexto quando começou a volta, melhorou o tempo suficiente para passar à Q3 com... o terceiro melhor tempo, atrás de McLaren (Norris) e Ferrari (Lrclerc). E no final, dos eliminados, a fazerem companhia aos Mercedes, ficaram o Sauber de Nico Hulkenberg, o Williams de Carlos Sainz Jr e o Red Bull de Yuki Tsunoda.

E chegamos à Q3. 

Ali, a qualificação começou com os McLarens a serem os melhores, primeiro com Oscar Piastri, depois Lando Norris, que melhorou o seu tempo em 89 centésimos. Leclerc era o terceiro, seguido por Max Verstappen e Lewis Hamilton. Quem também estava entre os primeiros era o Racing Bulls de Isack Hadjar, mas o seu tempo tinha sido retirado.

E depois, na fase final, foi o ataque: primeiro, Norris marca 1.09,954, depois Piastri conseguiu 1.10,129, parecendo que a McLaren iria ficar a monopolizar a primeira fila, mas Leclerc, na sua tentativa final, marca 1.10,063, e conseguiu o segundo melhor tempo. Pouco depois, Hamilton conseguiu o quarto melhor tempo, não muito longe dos três primeiros. Longe, bem longe, e bem discreto, ficou Max Verstappen, quinto e a mais de sete décimos do "poleman". Na Formula 1, isso é longe. 


Amanhã há mais, num domingo cheio de automobilismo. 

quarta-feira, 21 de maio de 2025

A imagem do dia


O GP do Mónaco será palco de muitas, muitas coisas. E uma delas será a projeção privada do filme "F1", perante os pilotos e os dirigentes da categoria. E surgiu nas últimas horas esta foto: a da sala, com os lugares marcados e personalizados. 

E a distribuição é reveladora. Por exemplo, Mohamed Ben Sulayem não tem lugar marcado - será que aparecerá? foi convidado? pagará bilhete como os restantes mortais? ele gosta de Coca-Cola e o cinema só tem Pepsi? - Christian Horner e Toto Wolff estão quatro lugares separados, Setefano Domanicalli está ao centro, com Lewis Hamilton mesmo na sua frente. E o lugar central do piloto britânico não é por acaso: é um dos produtores do filme e ajudou imenso para tornar o filme realista. Os pilotos estão à frente - houve quem tenha sugerido colocar Estaban Ocon na frente de Yuki Tsunoda, só para o sacanear (Tsunoda tem 1.59 metros, Ocon, 1.86) 

Mas houve um amigo meu que me apontou outra coisa: Domenicalli e Toto Wolff estão um ao lado do outro. E do que sei dos regulamentos de 2026 é que tem dedo de Wolff, e daquilo que sei dos bastidores, sobre o que vêm aí, em termos de pelotão... 

Também há outra coisa: Hamilton está perto de Domenicalli. Há uma razão, para além de ser um dos produtores do filme. Ele é a pessoa que está por trás dos projetos como a F1 Academy, o programa "We Race As One" e o apoio à "Mission 44", ou seja, apoios à entrada de mulheres e minorias na Formula 1, não só como pilotos, como também como engenheiros e mecânicos.

Com a fortuna que tem conseguido através da Formula 1 - ele é um dos desportistas mais bem pagos do mundo, será o primeiro piloto a aproximar-se dos 100 milhões de dólares por temporada - começo a pensar que a sua vida pós-Formula 1 poderá ter a ver com o dirigismo, ficando até com uma parte da Formula 1, mesmo que esta semana tenha assinado um acordo de parceria com a Disney (esse meu amigo suspeita que a Disney está ali por causa de Hamilton).

Enfim, vamos lá ver se eles irão gostar do filme. A estreia para o grande público acontecerá dentro de cinco semanas.  

segunda-feira, 19 de maio de 2025

A imagem do dia







E como ontem falei do "Air Daly" e do GP do Mónaco de 1980, hoje falo da edição de 1985, e do que aconteceu por lá.

A corrida foi ganha por Alain Prost, no seu McLaren, que bateu o Ferrari de Michele Alboreto e o Lotus de Elio de Angelis. A corrida também ficou marcado pelo regresso da Toleman, depois de terem conseguido o contrato da Pirelli que era da Spirit. Teo Fabi foi o seu piloto, porque Stefan Johansson, o piloto que deveria ter corrido para eles no inicio da temporada, ter ido para a Ferrari.

Contudo, o momento da corrida foi a colisão entre Riccardo Patrese e Nelson Piquet.

Aconteceu na volta 17. Os pilotos envolvidos, como podem ver, foram o Brabham de Nelson Piquet e o Alfa Romeo de Riccardo Patrese, que disputavam posição na pista. Atrás deles estavam ainda o Ligier de Jacques Laffite e o Toleman de Fabi. Contudo, no final da reta, quando Piquet passa o italiano, a ultrapassagem é mal calculada e ambos batem forte, com os carros a irem para as barreiras de proteção. Laffite e Fabi também se despistam, mas apenas o piloto de Toleman é que segue em frente.

O mais interessante é que o acidente, mais aparatoso que sério, causou algumas consequências na corrida. Logo a seguir, Alboreto, então o líder, passa por cima da mancha de óleo e trava tarde demais, quase batendo no muro de proteção. Prost aproveitou a situação para ficar com a liderança e não mais abandonar até à meta.

Em suma, houve mais consequências que se esperava naquela tarde de 1985.

sexta-feira, 9 de maio de 2025

A imagem do dia




O final de uma era. No momento em que sai do seu carro e vê que não conseguiu um tempo para ficar dentro dos qualificados para o GP do Mónaco, ele entendeu que o seu tempo atrás do volante tinha chegado ao final. 

Graham Hill, em tempos, tinha sido considerado o "sr. Mónaco", pelas suas cinco vitórias, a mais recente delas conquistada em 1969, aos 39 anos. Mas agora, em 1975, aos 47 anos, ele era uma sombra dos tempos passados. Primeiro, o acidente que tinha sofrido no final de 1969, em Watkins Glen, e consequente recuperação, do qual se esforçou para estar a tempo de correr a primeira corrida do ano seguinte, em Kyalami, e depois, as duas temporadas pela Brabham, do qual acabou por ser superado pelos seus companheiros mais jovens, o argentino Carlos Reutemann e o brasileiro Wilson Fittipaldi. Quando no final de 1972, Bernie Ecclestone - que era mais novo que ele! - o dispensou, ele ainda quis correr mais tempo. 

Construir a sua equipa, consistia em arranjar mecânicos e projetistas, para construir um chassis, arranjar um motor Cosworth, para o preparar da melhor maneira possível, e como estamos a meio da década de 70, um excelente patrocinador, de preferência, uma tabaqueira, para pagar as despesas. E com isso, arranjar os melhores elementos possíveis para a mantar. E pilotos velozes. Aos poucos, estava a conseguir.

O que tinha acontecido em Barcelona com um dos seus carros, quando liderava um Grande Prémio o tinha colocado no centro das atenções, e nas ruas do Principado, ele tomava conta do lugar de Rolf Stommelen, que recuperava das suas fraturas no hospital. Tinha 47 anos, mas achava que ainda tinha algo para dar. Mas no Principado, a própria organização tinha visto o que acontecera em Barcelona e queria mostrar que aprendera a lição. Mais proteções nos guard-rails, e menos carros na pista: nesse ano, apenas 18 bólidos iriam participar, em 26 inscritos. Hill tinha de fazer uma grande qualificação. 

Com participações desde 1958, era um grande feito, dada a volatilidade de um piloto de corridas na altura. Ele já tinha participado em 176 corridas, um recorde, e queria mais uma, ainda por cima, no seu lugar favorito. Mas à medida que o tempo passava, o número mágico, para ficar na 20ª posição, aquela que dava a qualificação, começava a escapar-se. Tentou no chassis novo, o Hill, e até foi buscar o antigo, o Lola de 1974, desenhado por Andy Smallman, que o atraíra para a sua equipa e desenhar o GH1, o seu primeiro carro.

As tentativas estavam a ser inúteis, até chegar ao desespero. Deu tudo, até ficar além do limite, e no final, 377 centésimos foram suficientes para ficar de fora da grelha de partida, com o 23º melhor tempo. O último dos qualificados foi o Hesketh de um jovem australiano chamado Alan Jones, que dava os seus primeiros passos na Formula 1. 

Desalentado, saiu do carro, tirou o capacete e descansou, para refletir. Pouco depois, disse aos jornalistas que aquela tinha sido a sua última corrida. Iria concentrar na sua Embassy Hill e nas agruras de ser um diretor de equipa. Na corrida seguinte, o seu substituto iria ser um jovem britânico, Tony Brise. O Matusalém do automobilismo tinha pendurado o capacete, mas continuaria noutra função.     

sábado, 3 de maio de 2025

Formula E: Felix da Costa lamenta o resultado


Não foi a corrida que António Félix da Costa queria para começar a jornada dupla no Mónaco. Uma má qualificação o colocou na 15ª posição da grelha, ficando fora da fase seguinte, ficou pior quando teve de abandonar, após colisão na curva de Ste. Devote com o Mahindra de Edoardo Mortara no final da volta oito, quando o piloto de Cascais tentava a ultrapassagem ao suíço.

Falando no final da corrida para a Autosport portuguesa, o piloto de Cascais fez um resumo sobre o que se passou neste sábado.  

“O resultado da qualificação, muitas vezes, compromete a corrida, sobretudo nos circuitos citadinos. Arrancando de trás e encontrando-nos no meio do pelotão, por norma, parece que estamos numa espécie de III Guerra Mundial, com contactos e toques. Senti que tinha condições para arriscar naquela curva, que é complicada, mas o Mortara não me deixou espaço e acabei no muro”, lamentou o piloto a Porsche, que por causa deste resultado, baixou de segundo para terceiro na classificação do Mundial.

Quanto para amanhã, a ambição é para corrigir os erros de hoje, quer na qualificação, quer na corrida, para poder sair do principado nos primeiros lugares da classificação e ajudar a equipa no campeonato de Construtores, onde é o atual líder da classificação.

“A ambição é essa e carro e equipa, temos! Hoje, nunca consegui sentir-me confortável, mas acredito que vamos ser capazes de corrigir os nossos problemas de equilíbrio e, assim, recuperar as três ou quatro décimas que estivemos abaixo do ritmo dos mais rápidos. E, no Mónaco, este tipo de diferenças paga-se”, concluiu.

A segunda corrida da Formula E nas ruas do Principado acontece neste domingo.

domingo, 26 de maio de 2024

Formula 1 2024 - Ronda 8, Mónaco (Corrida)


Mónaco faz parte do mobiliário, apesar de muitos o detestarem por ser demasiado pequeno, apertado e inadequado à Formula 1. Mas sobre o apertado, culpem o tamanho dos carros, quanto ao resto é gente que não grama nada a pista, o local e o ambiente. Ou seja... provavelmente, não é muito fã da vida ou do automobilismo. 

Numa temporada onde Max Verstappen arranjou uma vantagem que muito dificilmente será apanhado, o resultado da qualificação de ontem até foi surpreendente, com Charles Leclerc a ser o "poleman" e as duas primeiras filas serem partilhadas entre Ferrari e McLaren, uma espécie de regresso aos bons tempos de há década e meia, parecia que o neerlandês, que partia apenas de sexto, não teria uma corrida fácil e as suas chances de pódio pareciam ser diminutas.

Mas Mónaco é uma corrida longa e imprevisível. Como sempre.    


A partida parecia ser natural, com Leclerc a defender-se de Piastri, e Carlos Sainz Jr, aparentemente, a ter problemas. E se não aconteceu grande coisa em Ste. Devote... aconteceu na curva seguinte. Na Beau Rivage, Kevin Magnussen, que queria recuperar os lugares perdidos na secretaria (os Haas foram desclassificados por causa de irregularidades na asa móvel), tentou passar Sérgio Pérez,  No meio disto tudo, o outro Haas, de Nico Hulkenberg, também foi tocado e bateu no guard-rail. Três carros eliminados só ali.

Noutro incidente, alguns metros mais adiante, os Alpine... andaram à briga. Esteban Ocon tentava passar alguns lugares quando no Portier, ele tocou no carro de Pierre Gasly, e ele foi para o ar, acabando por parar ao túnel. A sua corrida poderia ter acabado ali, se não fosse a bandeira vermelha.

Em suma, uma enorme confusão. E claro, a corrida tinha mesmo de ser interrompida. 

Com isto, os comissários entraram em ação para limpar os destroços, e esperava-se que não iria demorar muito. Acabaram pode demorar mais de 40 minutos para colocar tudo como estava antes, e recomeçar a corrida. E nisto, eles fizeram a troca de pneus que era esperada na corrida tirando os médios para colocar os duros. Resultado? Os pilotos corriam o risco de ficar na pista para o resto das voltas... 


E foi o que aconteceu. A corrida recomeçou com 16 carros, e ali, Leclerc conseguiu manter Piastri atrás dele e ficou assim... para o resto da corrida. O pelotão ficou na mesma, e ninguém atacou mais nas travagens para as curvas. E como esta corrida ficou sem ultrapassagens, e o tempo primaveril, com o asfalto na temperatura ideal, ajudava... conhecem o resto da história. Restou a Leclerc contar as voltas e conter-se em relação ao jovem australiano para ser o primeiro monegasco a ganhar na história da Formula 1, e o primeiro local a subir ao pódio desde... Louis Chiron. 

O primeiro incidente aconteceu na volta... 50, quando Lance Stroll sofreu um furo na roda traseira-esquerda e teve de ir às boxes. Trocou para moles e caiu para último, tentando recuperar o tempo perdido. Hamilton parou duas voltas depois, trocando para duros, e Max também parou a seguir, colocando duros. Regressou na sexta posição, a mesma que tinha antes, e foi atrás de Russell. Mas até ao final da corrida, apesar de ter ficado na traseria do carro do britânico, com Hamilton atrás dele. Mas ninguém passou ninguém.

Na frente, Leclerc afastou-se, e Piastri passou a ser pressionado por Sainz Jr, que por sua vez, era pressionado por Lando Norris. Apesar disso, com eles a verem-se uns aos outros, outra coisa era passar. Abençoado o tamanho atual dos carros!


No final, um monegasco ganhou a corrida do Mónaco, e com isto, os barcos apitaram fortemente no Porto e o príncipe Alberto estava feliz da vida por ver um dos seus súbditos a ganhar. Tanto que no pódio, pegou no champanhe e foi comemorar! De facto, é mesmo desportista... 

No final, não foi sorte, foi mais cérebro, paciência e sangue frio para que o piloto da Ferrari ter conseguido o lugar mais alto do pódio, ainda por cima, ter ganho um duelo que faz lembrar os velhos tempos. Mas em termos de emoção, foi... anti-climático. Para não falar de outra coisa.     

Agora é altura de ir atravessar o Atlântico, para correr em terras canadianas.  

sábado, 25 de maio de 2024

Formula 1 2024 - Ronda 8, Mónaco (Qualificação)


Mónaco é um clássico, se bem que nos últimos anos, desde a chegada da Liberty Media aos comandos da Formula 1, ela se modificou um pouco para deixar cair algumas tradições para ficar o mais conforme possível com o século XXI. Por exemplo, deixou cair as sessões de treinos na quinta-feira, passando a ser na sexta, como acontece nas outras pistas. 

Numa temporada onde parece que Max Westappen tem tudo montado para ser tetra - pelo menos, já tem um avanço considerável - as ruas do Mónaco costumam dar à concorrência algum avanço. E claro, isso começa na qualificação, que nesta tarde aconteceria debaixo de um tempo bem primaveril. 

Os primeiros a sair foram os Mercedes, seguidos do Racing Bulls de Yuki Tsunoda e o Sauber de Zhou Guanyou. A seguir apareceram gente como Max Verstappen, que marcou 1.12,790, antes de Nico Hulkenberg ter baixado para 1.12,416, seguido por Kevin Magnussen, com 1.12,572. Quem diria, os dois Haas na frente! A seguir estavam os McLaren "brasileiros", com Lando Norris na frente de Oscar Piastri.


Logo depois, Russell baixou o tempo para 1.12,267, e logo a seguir, Max melhora com 1.12,084. Mas os tempos baixavam rapidamente, com Piastri a conseguir 1.11,881, e tudo isto antes do meio da sessão. Alguns pilotos foram para as boxes, colocando um jogo de pneus novos, antes da fase final. Os Ferrari estavam a meio da tabela, muito modestos em relação às expectativas que tinham arranjado nas sessões de tempos livres. 

A fase final foi, claro, movimentada. Primeiro, Leclerc conseguiu 1.11,653, na frente dos Haas, depois foi Russell, com 1.11,492. Com todos os pilotos na pista, os tempos foram baixando, com Piastri a ir bem, mas conseguiu apenas o segundo melhor tempo, na frente de Max. E entre os que ficaram de fora, duas surpresas: o Aston Martin de Fernando Alonso e o Red Bull de Sérgio Pérez. A fazer-lhes companhia, estavam os Sauber de Valtteri Bottas de Zhou Guanyou, e o Williams de Logan Sargent.   

Poucos minutos depois, acontecia a Q2, com Lando Norris a ser o primeiro na pista. Ele consegue 1.11,372, antes de Max melhorar, com 1.11,196, antes de Yuki Tsunoda conseguir 1.11,257. Nico Hulkenberg tocou com a sua traseira em Ste. Devote, mas continuou a marcar a sua volta, sem danos de maior. Sainz Jr melhorou, com 1.11,177, antes de Max melhorar, com 1.11,019.

Antes dos cinco minutos finais, os três primeiros estavam separados por menos de um centésimo, para mostrar até que ponto estes carros eram bem competitivos.


Antes da fase final, Piastri conseguiu 1.10,756, com Leclerc a conseguir um tempo 69 centésimos mais lento, antes de Norris conseguir 1.10,732. Max consegue 1.10,745, mas não chegou. 

No final, entre os que ficaram de fora, estavam o Racing Bulls de Daniel Ricciardo, o Aston Matin de Lance Stroll e os Haas de Nico Hulkenberg e Kevin Magnussen.    

E agora, era a vez da Q3. Com expectativas de ver algo diferente na primeira fila da grelha de partida. 

Russell foi o primeiro a sair da pista, seguido por Sainz Jr e Hamilton. Foi ele que marcou o primeiro tempo relevante, com 1.10,975. Leclerc conseguiu 1.10,418, para gáudio dos locais, com Piastri a 26 centésimos. Max consegue apenas 1.10,557, e era o terceiro na grelha provisoria. Na parte final, Max saia com moles novos, seguido pelo resto do pelotão, para tentar uma volta melhor. 

No final, foi o piloto da casa a conseguir o melhor tempo, na frente de Piastri, Sainz Jr e Norris. Max tocou no muro em Ste. Devote e largou a sua chance de marcar tempo, acabando no sexto posto. Felicidade na Ferrari, contentamento na McLaren, e pela primeira ocasião de 2024, não existia Max ou Red Bull no topo da tabela de tempos. O recorde de poles seguidas de Ayrton Senna mantinha-se. 


E foi assim a tarde agradável nas ruas do Principado. Resta saber como será no domingo, numa corrida que consegue ser longa e apertada. Mas clássica!

terça-feira, 21 de maio de 2024

Youtube Formula 1 Vídeo: O tributo da McLaren a Ayrton Senna

Trinta anos depois da sua morte e no lugar onde ganhou por seis ocasiões, cinco delas ao serviço da McLaren, a equipa decidiu homenageá-lo durante o fim de semana do GP do Mónaco, daqui a uns dias, com uma decoração especial nos carros de Lando Norris e Oscar Piastri. 

Eis o vídeo de apresentação. 

quarta-feira, 15 de maio de 2024

As imagens do dia




Aquele foi um final de semana surreal, que começou mal e acabou de forma... anti-cliámtica. Com o acidente de Karl Wendlinger, logo na quinta-feira - e consequente retirada da Sauber - a carregar ainda mais um pelotão da Formula 1 em ressaca pelos eventos de Imola, duas semanas antes, a FIA tinha de fazer algo porque a própria Formula 1 começava a ser questionada, especialmente pelas televisões - em 1994, era tudo em sinal aberto. 

Antes da corrida, todos foram para a reta da meta, para dois lugares vagos. ali, duas bandeiras foram pitadas no asfalto: uma brasileira, outra austríaca. Se todos sentiam tristeza pelo desaparecimento de Ayrton Senna, houve um que decidiu ir contra a corrente. E tinha razão nisto. Afinal de contas, era o seu companheiro de equipa. 

David Brabham sentia-se um pouco dividido. Afinal de contas, duas semanas antes, tomou a difícil decisão de correr no domingo, 1º de maio, 24 horas depois do acidente mortal de Roland Ratzenberger, não esperava que as coisas ficassem ainda pior. E como o outro piloto falecido era muito mais famoso que ele, temia o seu esquecimento. Foi dos poucos que apareceu no funeral, além de Gerhard Berger, que se esforçou para estar em ambos os funerais. Ser quase o único que esteve de frente à bandeira austríaca foi um esforço para que o mundo não esquecesse que, um dia antes, tinha morrido outro piloto. 

Toda essa tensão existiu antes da corrida, mas depois, desapareceu após a partida. Tirando o incidente em Ste. Devote, onde uma carambola tirou da corrida Mika Hakkinen, Damon Hill, Pierluigi Martini e Gianni Morbidelli. Os Ferrari ficaram atrás de Schumacher, mas o alemão simplesmente foi embora, e só voltaram a ver depois da meta. 

Uma coisa interessante é ver que na classificação final, estavam veteranos: Martin Brundle, o segundo classificado, não só conseguia ali o seu melhor resultado de sempre nas ruas do Principado, estava acompanhado por Gerhard Berger, o terceiro e outro veterano, mas o quarto era alguém que poucos esperavam ver ali, porque era Andrea de Cesaris, que corria no lugar de Eddie Irvine, penalizado pela carambola que tinha causado em Interlagos, na primeira corrida do ano. E no sexto posto classificava-se Michele Alboreto, na sua Minardi, conseguindo aquilo que seria o seu último ponto na Formula 1, depois de 13 temporadas de bons serviços.

Mas mesmo que o final de semana tenha sido um "final feliz", o estado de alma não era dos melhores. E Marti Brundle resumiu isso na seguinte frase: "Tem sido um momento muito difícil. Quando a minha filha de cinco anos te pergunta se é verdade que [Ayrton] Senna está morto, fica difícil conciliar as coisas."

Depois de um fim de semana difícil, a Formula 1 vislumbrava algum descanso. Mas não muito.   

segunda-feira, 13 de maio de 2024

As imagens do dia



Se o ambiente naquela sexta-feira de maio não era de cortar à faca, pouco faltava. Os pilotos, jornalistas e espectadores pareciam não ter descanso, depois de Imola, e ainda por cima, Karl Wendlinger estava a lutar pela vida. A Sauber tinha-se retirado da corrida por causa do que tinha acontecido ao seu piloto, e tudo estava em dúvida. Até à própria existência da Formula 1. 

Foi nesse ambiente que dois grupos se reuniram. O primeiro, da FIA e da FOM, com Bernie Ecclestone e Max Mosley, então presidente da FIA, a tentar algo para mostrar ao mundo que estavam a reagir aos eventos.

E a quantidade de medidas naquele final de semana foram provisórias mesmo. Excepto duas.

Aparte de abrir uns buracos nos chassis - alguns perderam downforce, outros nem por isso - as medidas que ficaram até aos dias de hoje foram a limitação de velocidade nas boxes, e no Mónaco, foi para meros 80 km/hora. Bem lentos para carros muito rápidos como aqueles. A segunda medida foi a colocação de um degrau de madeira nos carros, e com um desgaste relativo para poder passar, caso contrário, levariam com uma desclassificação. De uma certa maneira, foi uma resposta à alegação de que a pressão dos pneus num carro com fundo plano ajudou no desastre de Ayrton Senna, duas semanas antes. 

O segundo grupo, dos próprios pilotos, decidiram-se unir para dizer às entidades do automobilismo e os organizadores dos Grandes Prémios, que era altura de mexer nos circuitos para diminuir a velocidade dos carros e melhorar as curvas "cegas", logo, perigosas. 

Ou seja, naquele final de semana, a GPDA acordou, depois de uma longa hibernação. 

Na realidade, tinha acordado naquele domingo de Imola. E muito provavelmente, um dos seus líderes seria Ayrton Senna, se não fosse o seu acidente fatal. Duas semanas depois, Gerhard Berger dava a cara, ao lado de Damon Hill, Niki Lauda e Michael Schumacher. E a missão era clara: identificar os pontos críticos e modificá-los, de modo provisório, para depois fazer o trabalho com mais calma para 1995 e seguintes.

Para Berger, foi ideal, porque por muito tempo, pensou pura e simplesmente... pendurar o capacete. 

Não foram dias fáceis. O seu melhor amigo na Formula 1 tinha morrido, para além de um compatriota seu, e foi dos únicos que assistiu a ambos os funerais. Piloto da Ferrari e a caminho dos 35 anos, Berger também tinha sido uma das vitimas de Tamburello, cinco anos antes, ainda por cima, o carro pegou fogo, com ele a ser retirado menos de um minuto depois, com queimaduras nas mãos. 

Durante esse tempo, considerou seriamente a retirada imediata: pendurar o capacete e entregar o volante (se calhar) a Nicola Larini e ir para casa pensar na vida depois da Formula 1. Contudo, chegou à conclusão que a melhor maneira de honrar a memória de ambos seria correr e lutar pelos seus direitos. 

Eles decidiram reagir. Agora era saber se isso iria ajudar a tempestade passar. 

segunda-feira, 29 de abril de 2024

Youtube Demonstration Video: Coulthard com o Gen3 Evo no Mónaco

No fim de semana do ePrix do Mónaco foi apresentado o Gen3 Evo do monolugar da Formula E, o intermédio para o Gen4, que se espera para daqui a ano e meio. A grande novidade são... na realidade, duas novidades. A primeira é a aceleração, que será mais veloz em dois segundos, em relação ao carro atual, e a segunda, é que o carro terá um bico mais alongado, para evitar o grande ponto fraco destes carros: a tendência para a quebra das asas dianteiras, depois de toques, por mais ligeiros que sejam.

Em termos de aceleração, o Gen3 Evo é capaz de ir de 0 a 100 quilómetros por hora em apenas 1,82 segundos, ultrapassando a Fórmula 1, enquanto no desempenho geral, este carro seria dois segundos mais rápido por volta no circuito do Principado. Terá mais 50 kW no eixo dianteiro a partir do limite de 350 kW, enquanto o resto irá para as rodas traseiras. Mas isso só será usado em situações excepcionais, como na qualificação e no Modo de Ataque.

E para além disso, o carro usará o propulsor dianteiro, tornando-se, pois, num monolugar de tração às quatro rodas. Os novos pneus Hankook oferecerão entre cinco e dez por cento mais aderência do que antes.

Depois da apresentação, David Coulthard decidiu dar uma volta na pista do Mónaco a bordo do novo carro, e deu as suas impressões do bólido que os outros só começarão a usar em 2026. 


sexta-feira, 26 de abril de 2024

Formula E: Félix da Costa quer repetir a vitória no Mónaco


Nas vésperas do ePrix do Mónaco, António Félix da Costa deseja voltar a ganhar nas ruas do Principado e relançar-se no campeonato, depois do triunfo retirado na secretaria em Misano, há duas semanas.

Depois de uma mau inicio de temporada e sólidas corridas no Japão e Brasil, o fim de semana de Misano teve todo o tipo de sentimentos, desde o de euforia pela vitória, até o da frustração pela desclassificação, apesar de a Porsche ter apresentado um recurso.

Para Monte Carlo, o piloto de Cascais encara esta corrida com motivação máxima:

"Depois da performance na última corrida, mostrámos que estamos de regresso à luta pelos lugares da frente. O que se passou em Misano já lá vai e estou 100% concentrado neste fim-de-semana, num circuito que dispensa apresentações e onde venci aqui há dois anos e onde quero voltar a lutar por um pódio! A competitividade está muito alta na Fórmula E, temos de focar bem na qualificação para estarmos em boa posição de atacar na corrida.”

 A corrida tem lugar da parte da tarde de Sábado, a partir das 13h45, hora de Lisboa, com transmissão em direto tanto no canal Eleven 4, como também na Eurosport.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

A(s) image(ns) do dia




Já houve um carro 44 a ganhar uma corrida pela Ferrari. E foi num local histórico: nas ruas do Mónaco. Com a concorrência a ir à água... literalmente!

A temporada de 1955 estava quente, com a Mercedes a ameaçar dominar a competição, como tinha feito na segunda metade de 1954. Para além disso existia a Lancia, que tinha investido forte na Formula 1, graças às ambições de um jovem Gianni Lancia, filho e herdeiro de Vincenzo Lancia, o fundador da marca. E tinha pilotos como Alberto Ascari e uma jovem esperança, Eugenio Castelloti. E a Ferrari... parecia que iria ficar para trás, com um carro envelhecido, a par da Maserati, que tivera Juan Manuel Fangio na sua equipa, antes de ele trocar o tridente pela estrela de três pontas, para ser o campeão. 

Na Mercedes, Fangio. Na Lancia, Ascari. E na Ferrari... Trintignant. Quem?

Maurice Trintignant tinha, na altura, 37 anos. Com carreira quer antes, quer depois da guerra, tinha um apelido curioso. Quando em 1945, soube que se tinha marcado uma corrida no Bois de Boulogne, nos arredores de Paris, chamado "Coupe de la Liberation", Trintignant foi buscar no celeiro um Bugatti escondido dos olhares curiosos dos nazis ocupantes. Quando o seu escape explodiu, descobriu que tinha entupido com os dejectos deixados pelos ratos. Um dos seus concorrentes, Jean-Pierre Wimille, deu-lhe o carinhoso apelido de... "Le Petoulet" (A Caganita).

Não-participante da primeira corrida da história da Formula 1, o GP da Grã-Bretanha de 1950, a 13 de maio, correu na Simca-Gordini até 1954, onde foi para a Ferrari, conseguindo o seu primeiro pódio no GP da Bélgica, em Spa-Francochamps. Novo pódio, no Nurburgring, deu-lhe no final 17 pontos e o quarto lugar na geral, o ano em que conseguiria mais pontos. 

Em 1955, tinha sido um dos sobreviventes do abrasador GP da Argentina, onde chegara ao fim na segunda posição... e na terceira (!), partilhando conduções com José Froilán González e Giuseppe (Nino) Farina para o segundo lugar, e Farina, mais Umberto Maglioli, para o terceiro. Numa corrida ganha por Fangio, que foi o único que não saiu do carro, nem trocou de pilotos. 

No Mónaco, parecia que a concorrência iria ter alguma chance. Afinal de contas, era uma corrida urbana, nas ruas da prestigiada cidade-estado. Partindo de nono na grelha, aproveitou a corrida de atrito, onde a meio da corrida, Fangio tinha-se retirado com um problema de transmissão, e Stirling Moss ficou sem motor a 20 voltas do fim. Ascari herdou a liderança, mas distraiu-se na chicane do Porto e acabou... no mar Mediterrâneo, com o nariz partido. Com isso, Trintignant herdou a liderança e limitou-se a levar o carro até ao fim, conseguindo não só a vitória, como seria o primeiro francês a consegui-lo.

E porque falo hoje de Trintignant? Porque o número que usou nessa corrida, o 44, é o de Lewis Hamilton, e ele será o novo piloto da Ferrari a partir da temporada de 2025. E curiosamente, será um pouco mais velho que o francês, porque terá 40 anos na próxima temporada. E claro, a idade não significará nada porque... olhem para Fernando Alonso, que está a caminho dos 43 e continua a ser competitivo na Aston Martin. Afinal de contas, a idade poderá ser pouco mais que um número.    

domingo, 28 de maio de 2023

Formula 1 2023 - Ronda 6, Mónaco (Corrida)


Existia - temos de ser honestos - uma sensação de expectativa em relação a esta corrida. A primeira das quais foi por causa da qualificação, que tinha sido excitante, provavelmente a melhor da temporada até agora. Na Q3, chegamos a ter quatro pilotos diferentes a lutar pela pole-position, com Max Verstappen a ser, a certa altura, quinto na tabela de tempos, antes de arrancar uma volta que lhe deu a pole-position de alguém como o veterano Fernando Alonso.  

E no domingo de corrida, existia uma segunda expectativa: iria chover em que altura e ainda durante a corrida. E se sim, iria mexer na classificação, um "baralhar e voltar a dar", com implicações no campeonato? E seria que Sérgio Pérez iria ter alguma recuperação mítica, signa de campeão do mundo? 

Pois é... agora que se escreve isto depois da corrida, a resposta a tudo isso é... não. Aliás, foi uma corrida onde o neerlandês foi primeiro do principio ao fim, de forma anticlimática e a chuva, que acabou por aparecer, não baralhou a voltou a dar, porque todos foram cautelosos, e as batidas não foram muitas e espalharam material por toda a parte. Todos andaram bem, alinhados, encarreirados. E isso, os espectadores não gostam. Mas os espectadores são esquizofrénicos, logo... não liguem ao que afirmam.

Na partida, Max conseguiu superar Alonso e este teve de se defender de Ocon, que queria o segundo posto. Atrás, ninguém bateu e o Sérgio Pérez tentou efetuar uma corrida de recuperação, mas ali o espaço é muito curto e passar é bem complicado. 


E depois das emoções das primeiras voltas, o aborrecimento se instalou. Max afastou-se de Alonso, incapaz de o apanhar. E claro, com a estreiteza da pista, as ultrapassagens só aconteceriam com o erro dos outros. Apesar do Carlos Sainz Jr. ter feito possível para apanhar e passar o Esteban Ocon, por exemplo. Acabando com asas danificadas e tudo...

Claro, com o escurecer dos céus, houve quem tenha aguentado o mais possível para o momento em que caísse a chuva. Contudo, quando boa parte dos pilotos começou a ir trocar, ente as voltas 30 e 35, foi para duros e ainda tudo estava seco. Iria demorar mais um bocadinho. 

Os pingos de chuva caiam na volta 52 na descida do Mirabeau e em Portier, numa altura em que Sainz Jr atacava Ocon pelo quarto posto - Russell, que não tinha parado, era terceiro - e nessa altura, a Aston Martin fez uma aposta: Alonso de médios, quando se ameaçava mais chuva, e não menos. Ao mesmo tempo, Russell e Ocon metiam... intermédios, porque a chuva tendia a aumentar, por causa das instruções que tinham recebido. E claro, com a carga de água, começou o baile: primeiro Sainz Jr, depois Stroll, Russell, que foi atingido por... Pérez. Contingências de pistas molhadas no meio da cidade. E na volta 56, primeiro abandono: Stroll, depois de ter batido no guard-rail do gancho do hotel Loews.

Atrás, Yuki Tsunoda, então nono, queixava-se dos travões que falhavam, especialmente quando o engenheiro lhe falou da ameaça dos McLarens. Claro, o japonês não entendeu nada e resmungou. E quando falhou a travagem para Ste. Debote, pareceu que ele tinha razão, e Lando Norris e Oscar Piastri ficaram com as duas últimas posições pontuáveis, à custa dos problemas do japonês.


Depois, a chuva parou de cair e os pilotos limitaram-se a levar os seus carros à meta, não valendo a pena trocar para meter slicks, mesmo com uma linha seca a aparecer. Max, com quatro triunfos em seis, é cada e mais líder, e pelos vistos - apesar de ser muito cedo, é verdade - parece ser o favorito para ser tricampeão. Resta saber onde conseguirá o troféu. Se calhar... mas isso sou eu, deve ser em Interlagos.

Agora, é arrumar tudo, que no próximo domingo é em Barcelona.     

sábado, 27 de maio de 2023

Formula 1 2023 - Ronda 6, Mónaco (Qualificação)


Depois da falsa partida de Imola, por causa das inundações na região, a Formula 1 está noutro lugar clássico, o principado do Mónaco. Um lugar do qual algumas pessoas andam crescentemente a resmungar a sua razão de ser no calendário - esquecendo-se que os carros ficaram maiores com o passar dos anos - e no qual, muitos do que se querem mostrar, como celebridades, adoram passear pelo paddock, para delicia dos fotógrafos de serviço, que dobram, porque para além dos habituais, temos os "paparazzos", que tem ali mais alguns motivos de lucrar com a sua presença. 

Os pilotos andaram ao longo deste dia e maio a dar o seu melhor, num lugar onde um erro ou hesitação significa um acidente forte nos guard-rails. Quando dá certo, dá excelentes imagens, e quando não dá... muito trabalho aos mecânicos. Mas neste final de semana, toda a gente parecia que estava a gostar do Mónaco. E as expectativas para a qualificação eram altas, especialmente com uma corrida onde se previa, com quase muita certeza, chuva. 

Contudo, foi debaixo de um sol primaveril que a qualificação começou.  


As coisas até andavam razoáveis até que a meio da Q1, Sérgio Pérez bate em Ste. Devote, estragando o eixo traseiro esquerdo, e com o carro parado no meio da pista, atrapalhava o tráfego. Por esta altura, os tempos baixavam e os McLaren estavam à cabeça dos tempos, com Lando Norris a fazer 1.13,485. Sem poder mexer, a primeira (e única) bandeira vermelha da qualificação foi mostrada. A primeira baixa do pelotão, o mexicano iria largar, provavelmente, do fundo da grelha. Ou não.

No regresso, o calor fazia-se sentir e os tempos baixavam rapidamente. Até carros como Williams, Alfa Romeo e McLaren aproveitavam, colocavam os slicks moles e iam para o topo da tabela de tempos. A certa altura, Fernando Alonso entrava na pista e fazia 1.12,886 e era o primeiro, para logo depois, Max Verstappen fazer 1.12,644. Leclerc tentou melhorar, mas perdeu quase três décimos de segundo.  O neerlandês acabou por fazer 1.12,386, não sem antes Yuki Tsunoda ter pulado para o topo da tabela de tempos, mostrando um Alpha Tauri bem equilibrado, e quer Carlos Sainz jr, quer Lewis Hamilton, terem se esforçado para passar à fase seguinte, porque tinham tempos inseguros.  

Para além de Pérez, os Haas de Nico Hulkenberg e Kevin Magnussen e o Williams de Logan Sargent iriam ver o resto da qualificação nas boxes. 

Pouco depois, começou a Q2, e em pouco tempo, os da frente mostraram ao que iam. Max começou com 1.12,038, seguido por Alonso, com 1.12,222, que depois melhora, com 1.12,107. Os pilotos andavam bem perto uns dos outros, logo, marcar um tempo correto e sem erros era a diferença entre passar... e não. Como tinha sentido Yuki Tsunoda da pior maneira, quando queimou a travagem à saída do túnel no seu Alpha Tauri.


Max melhorou, com 1.11,908, e tentou assim afastar-se da concorrência, que se esfarelava para arranjar o tempo para a fase seguinte, e foi aí que o McLaren de Lado Norris bateu na Tabac, com estragos ligeiros no seu carro, que o levou para as boxes. Por incrível que pareça, conseguiu tempo para avançar para a Q3, ao contrário do seu companheiro de equipa, que, intacto, era 11º. Hamilton, que por muito tempo se viu aflito para passar, conseguiu o sétimo melhor tempo e uma ia à Q3.

E depois de alguns minutos, a fase final.

Os pilotos entraram para a pista, marcar tempo, e logo na primeira, o espanhol conseguiu um tempo canhão, quatro décimos à sua frente. 1.11,706, depois de Max ter marcado 1.12,102. Lelcerc melhora e mete-se entre os dois, com 1.11,759, e Sainz Jr consegue ainda melhor: 1.11,735. Tudo muito juntinho, e Max era um incrível quinto na grelha, porque Russell, no seu Mercedes, também conseguiu um tempo melhor que ele.

Mas a seguir, assistimos a um dos momentos mais magníficos desta temporada até agora. E tudo começou quando Esteban Ocon, sem aviso, colocou-se no topo da tabela de tempos com o seu Alpine. Foi o primeiro alerta, que fez com que os outros pilotos teriam de se esforçar para conseguir um bom lugar na grelha. O primeiro foi Alonso, seguido por Leclerc.

O "Principe das Asturias" deu o seu melhor - nem parece que está a caminho dos 42 anos! - e conseguiu um excelente tempo de 1.11,449 depois, que fez as boxes da Aston Martin pulasse em comemoração com a possível - e inédita - pole-position. Mas Max não tinha acabado de se mostrar, e com a sua volta no limite, fizera 1.11,385 e ficava com o melhor tempo. Agora era a altura da Red Bull responder com festa nas boxes. Mais um truque na cartola de Super Max.


Em suma, foi tudo no limite, foi tudo a tirar tudo e mais alguma coisa, esforçaram-se todos, rasparam até nos guard-rails. Mas no final, Max conseguiu outra pole-position. Batendo Alonso, Leclerc e Ocon. E o primeiro posto neles não lhes ficaria mal. Agora é amanhã... a ver se não chove muito, para não estragar os planos desta gente toda.