Mostrar mensagens com a etiqueta Trintignant. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Trintignant. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

A(s) image(ns) do dia




Já houve um carro 44 a ganhar uma corrida pela Ferrari. E foi num local histórico: nas ruas do Mónaco. Com a concorrência a ir à água... literalmente!

A temporada de 1955 estava quente, com a Mercedes a ameaçar dominar a competição, como tinha feito na segunda metade de 1954. Para além disso existia a Lancia, que tinha investido forte na Formula 1, graças às ambições de um jovem Gianni Lancia, filho e herdeiro de Vincenzo Lancia, o fundador da marca. E tinha pilotos como Alberto Ascari e uma jovem esperança, Eugenio Castelloti. E a Ferrari... parecia que iria ficar para trás, com um carro envelhecido, a par da Maserati, que tivera Juan Manuel Fangio na sua equipa, antes de ele trocar o tridente pela estrela de três pontas, para ser o campeão. 

Na Mercedes, Fangio. Na Lancia, Ascari. E na Ferrari... Trintignant. Quem?

Maurice Trintignant tinha, na altura, 37 anos. Com carreira quer antes, quer depois da guerra, tinha um apelido curioso. Quando em 1945, soube que se tinha marcado uma corrida no Bois de Boulogne, nos arredores de Paris, chamado "Coupe de la Liberation", Trintignant foi buscar no celeiro um Bugatti escondido dos olhares curiosos dos nazis ocupantes. Quando o seu escape explodiu, descobriu que tinha entupido com os dejectos deixados pelos ratos. Um dos seus concorrentes, Jean-Pierre Wimille, deu-lhe o carinhoso apelido de... "Le Petoulet" (A Caganita).

Não-participante da primeira corrida da história da Formula 1, o GP da Grã-Bretanha de 1950, a 13 de maio, correu na Simca-Gordini até 1954, onde foi para a Ferrari, conseguindo o seu primeiro pódio no GP da Bélgica, em Spa-Francochamps. Novo pódio, no Nurburgring, deu-lhe no final 17 pontos e o quarto lugar na geral, o ano em que conseguiria mais pontos. 

Em 1955, tinha sido um dos sobreviventes do abrasador GP da Argentina, onde chegara ao fim na segunda posição... e na terceira (!), partilhando conduções com José Froilán González e Giuseppe (Nino) Farina para o segundo lugar, e Farina, mais Umberto Maglioli, para o terceiro. Numa corrida ganha por Fangio, que foi o único que não saiu do carro, nem trocou de pilotos. 

No Mónaco, parecia que a concorrência iria ter alguma chance. Afinal de contas, era uma corrida urbana, nas ruas da prestigiada cidade-estado. Partindo de nono na grelha, aproveitou a corrida de atrito, onde a meio da corrida, Fangio tinha-se retirado com um problema de transmissão, e Stirling Moss ficou sem motor a 20 voltas do fim. Ascari herdou a liderança, mas distraiu-se na chicane do Porto e acabou... no mar Mediterrâneo, com o nariz partido. Com isso, Trintignant herdou a liderança e limitou-se a levar o carro até ao fim, conseguindo não só a vitória, como seria o primeiro francês a consegui-lo.

E porque falo hoje de Trintignant? Porque o número que usou nessa corrida, o 44, é o de Lewis Hamilton, e ele será o novo piloto da Ferrari a partir da temporada de 2025. E curiosamente, será um pouco mais velho que o francês, porque terá 40 anos na próxima temporada. E claro, a idade não significará nada porque... olhem para Fernando Alonso, que está a caminho dos 43 e continua a ser competitivo na Aston Martin. Afinal de contas, a idade poderá ser pouco mais que um número.    

domingo, 19 de junho de 2022

A(s) image(ns) do dia




Exemplos de atores a correr não faltam por aí. Já falei muito de Steve McQueen e de Paul Newman, mas não foram só americanos a tentarem o volante. Outras nacionalidades também tentaram a sua sorte, e este até tem "pedegree" para isto. 

Nestas 24 Horas de Le Mans de 1980, a Kremer Racing inscreveu três Porsche 935, dois oficiais. O numero 41, pilotados pelos americanos Danny Ongais e Ted Field, e o francês Jean-Louis Lafosse, e o número 42, guiado pelos alemães Rolf Stommelen e Axel Plankenhorn, mais o japonês Tetsu Ikuzawa, e um oficioso, o número 43, que era do Team Maladreau, guiado pelos franceses Anne-Charlotte Verney, Xavier Lapeyre e Jean-Louis Trintignant

Dos três, nenhum chegou ao fim, e o número 43 foi o que esteve mais tempo em pista, pois uma falha na transmissão, na 18ª hora, o obrigou a abandonar a corrida. Se Verney foi uma das mais versáteis mulheres-piloto do seu tempo, Trintignant foi um dos melhores atos da sua geração. Mas não era um corpo estranho no automobilismo, bem pelo contrário: carregava um dos mais conhecidos apelidos em França, e alguns dos seus papéis mais memoráveis tinham como cenário o automobilismo.

Nascido a 11 de dezembro de 1930, Trintignant era sobrinho de Louis e Maurice. Do primeiro, pouco ou nada deve ter visto, porque morreu quando testava o seu Bugatti em Peronne, tinha ele três anos. De Maurice, viu mais: chamado "Le Petoulet" - apelido que ganhou porque quando foi buscar o seu Bugatti no celeiro onde tinha estado durante a guerra para participar na Coupe de La Libertation, em setembro de 1945, o escape estava entupido por causa de... caganitas de rato - ele teve uma carreira bem longa, quase chegando aos 50 anos a competir, e entre as suas maiores conquistas ficaram dois GP's do Mónaco e uma 24 Horas de Le Mans, bem como 15 temporadas na Formula 1, de 1950 a 1964.

Jean-Louis não foi piloto de automóveis, mas gostava de correr. E como não queria ser advogado, virou-se para o cinema e o teatro, aquilo do qual gostava. Teve os melhores realizadores franceses do último meio século, desde Roger Vadim a Jean-Pierre Jeunet, e também alguns excelentes realizadores europeus, sobretudo Costa-Gavras, Bernardo Bertolucci, Ettore Scola ou mais recentemente, Michael Hanecke. E claro, filmes marcantes como "Z", "O Conformista" e "Amour".

Mas há um realiador e um filme que vale a pena falar, porque envole o automobilismo: "Une Homme et Une Femme", de 1966, realizado por Claude Lelouch, com Trintignant como piloto de automóveis - há cenas dele guiando um Ford GT40 em Le Mans e Montlhéry - que encontra Anouk Aimée, e se apaixonam. O filme foi um enorme sucesso na altura e teve sequelas: em 1986, ambos se reencontram, com ele como um dos organizadores do Rally Dakar - há uma participação especial de Thierry Sabine, o fundador da prova, e que acabaria por morrer num acidente de helicóptero no Mali - e em 2019, com "Os Melhores Anos da Vida", praticamente o último filme que Trintigant fez, já quase nonagenário, e com uma segunda vida como ator, depois de "Amour". 

Mas há mais filmes marcantes com ele ao volante, ou no "banco do pendura": em 1962, tinha atuado em "Il Sorpasso", de Dino Risi, onde ele percorre meia Itália num Lancia Aurelia branco descapotável e durante esse tempo conhece o seu condutor, Bruno, personagem interpretada por Vittorio Gassman. Personalidades contrastantes - um é tímido, outro é expansivo - fica a conhecer que o seu condutor está a escapar dos problemas de casamento e de uma família que começa a ser disfuncional para ele. E quanto ao título? Traduzido, significa "A Ultrapassagem". Essencialmente é a maneira como os italianos queriam ultrapassar os carros naquele tempo: manobras agressivas e potencialmente perigosas para passar camiões, por exemplo.

Jean-Louis Trintignant, um dos atores franceses mais significantes dos últimos 60 anos, morreu na sexta-feira aos 91 anos. Foi um ator que gostava muito de carros e conduzia bem. Ars longa, vita brevis.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Cinco franceses que devem muito ao Mónaco

A França é a pioneira do automobilismo, mas em termos de Formula 1, e tem a sede da FIA, mas está fora do calendário desde 2008. O Mónaco, de uma certa maneira, é um substituto, e durante muito tempo, muitos olharam para o principado monegasco como uma espécie de "apêndice" da França, apesar da corrida existir desde 1929 e ter um estatuto especial dentro da categoria máxima do automobilismo. Por exemplo, é a única que pode ficar no calendário sempre que quiser, porque Bernie Ecclestone descobriu há que tempos que precisa do "glamour" monegasco que o outro lado...

Mas ao longo deste tempo todo - a Formula 1 não correu aqui entre 1951 e 54 - os franceses sempre tiveram uma relação especial com este circuito. A primeira vitória de um francês foi aqui, há 61 anos, e outros também subiram ao lugar mais alto do pódio. Eis cinco exemplos de pilotos que fizeram tocar "La Marseillase", muitos deles pela primeira... e única vez. "Vive la France!"


1 - Maurice Trintignant (1955 e 1958)


O francês Maurice Trintiganant (1917-2005) teve uma carreira bem longa, que durou entre 1950 e 1964, mas isso foi apenas uma parte do que fez, já que ela começou ainda antes, nos anos 30, interrompida pela II Guerra Mundial. Trintignant fez parte da primeira prova de automobilismo, após o final da guerra, em setembro de 1945, onde tirou o seu Bugatti escondido num celeiro durante o conflito. Como tinha acumulado dejetos de ratos, ele ficou com o apelido de "Le Petoulet"...

Contudo, as suas duas únicas vitórias na Formula 1 aconteceram no circuito do Mónaco. A primeira foi em 1955, e basicamente aproveitou os acidentes que aconteceram ao longo da corrida, desde a desistência dos todo-poderosos Mercedes, até à cena em que Alberto Ascari caiu à água, a bordo do seu Lancia-Ferrari. Nesse ano, Trintignant igualou a sua melhor classificação de sempre, ao ser quarto classificado.

Três anos depois, Trintignant corria pela Rob Walker Racing, que tinha os Cooper de motor traseiro. Os carros tinham conseguido uma sensacional vitória na corrida anterior, na Argentina, através de Stirling Moss, mas pensavam que era algo com mais sorte do que técnica. Trintignant provou que estavam enganados e ajudou, ao dar a segunda vitória consecutiva à Rob Walker, e convencer o resto do pelotão que os carros com motores traseiros eram o futuro.


2 - Jean-Pierre Beltoise (1972)


Curiosamente, depois da segunda vitória de Trintignant no Mónaco, a França ficou "à seca" durante treze anos. A morte prematura de Jean Behra, no ano seguinte, e a escassez de pilotos franceses, fizeram com que se passasse uma década sem presenças. A grande excepção foi Jean-Pierre Beltoise (1937-2015), que apareceu com a aventura da Matra, em 1967. Ao mesmo tempo que havia uma nova geração que aproveitava os incentivos para correr, como os Volant Shell, e o Troféu Gordini, Beltoise tornou-se na esperança francesa de vencer, ao lado de Johnny Servoz-Gavin, com motor Matra V12.

Contudo, ambos foram ultrapassados por um terceiro piloto, Francois Cevért, que deu à França a vitória que necessitava no final de 1971, quando corrida pela.. Tyrrell, que tinha feito uma aliança com a Matra em 1969 - e que deu o título a Jackie Stewart - mas que seguiu o seu caminho quando lhe pediram para abdicar do contrato com a Cosworth, no ano seguinte.

Beltoise teve, contudo, o seu dia quando em 1972, venceu debaixo de chuva o GP monegasco. Ao volante de um BRM - equipa que o acolheu nesse ano - conseguiu aguentar as investidas de Jacky Ickx e Emerson Fittipaldi, que eram bons na chuva, mas que aproveitou a estreiteza das ruas e a potência do motor BRM V12 para levar a melhor. Contudo, foi a única vitória de Beltoise e a última da equipa britânica na sua carreira.


3 - Patrick Depailler (1978)


Nascido na cidade de Clarmont-Ferrand, a carreira de Patrick Depailler (1944-1980) aconteceu essencialmente ao serviço da Tyrrell, onde se estreou em 1972, como terceiro piloto. Contudo, apesar de ter fama de ser um bom acertador de carros e ajudar sempre a desenvolver os carros, a vitória sempre lhe escapava das mãos. Umas vezes porque o seu companheiro de equipa era bem mais veloz - Jody Scheckter - outras vezes, era por puro azar, como tinha acontecido unas corridas antes, em Kyalami, quando foi batido na última volta por Ronnie Peterson.

Contudo, naquela temporada de 1978, com a Tyrrell a voltar às quatro rodas, com o modelo 008, Depailler teve um bom arranque, com três pódios. Na quinta prova do ano, em Monte Carlo, o francês largava no quinto posto da grelha, e aproveitou a colisão entre o "poleman" Carlos Reutemann e o McLaren de James Hunt para ficar com o segundo posto, atrás de Niki Lauda. John Watson liderava a corrida, mas depois falhou a travagem numa curva e perdeu o comando para Depailler.

Depois disto, o francês resistiu às pressões de Lauda no comando e acabou por vencer, na frente do Brabham de Lauda e do Wolf de Scheckter. Era a primeira vitória da Tyrrell desde o GP da Suécia de 1976, e claro, um Depailler feliz estava no pódio a comemorar uma vitória há muito alcançada. E mais: iria sair dali com o comando do campeonato. Mas na corrida seguinte, a Lotus mostrou o modelo 79 e tudo mudou... 


4 - Alain Prost (1984-86, 1988)


Alain Prost (n.1955) é outro francês múltiplo vencedor nas ruas do Principado, e não foi ali que conseguiu a sua primeira vitória na Formula 1, mas teve uma edição do qual o seu nome ficou intrinsecamente ligado a aquela pista, é que foi ali onde se decidiu um título mundial... e não foi a seu favor.

Em 1984, a chuva caiu persistentemente nas ruas do Principado, numa corrida onde alinhavam vinte carros para a corrida. Prost chegou rapidamente à liderança da corrida, enquanto que atrás, dois jovens pilotos, o brasileiro Ayrton Senna e o alemão Stefan Bellof, encantavam os espectadores presentes pelas suas performances na pista ao volante de carros inferiores à concorrência. Mas a chuva persistente fazia perigar a segurança, e o comissário de pista daquele ano, Jacky Ickx, decidiu parar a corrida na volta 32, por achar que era demasiado perigoso guiar naquelas condições. Por essa altura, Senna estava em cima de Prost - e chegou a ultrapassá-lo - mas a FIA declarou o francês como vencedor.

Contudo, como a corrida foi parada a meio, apenas foram dados metade dos pontos aos que terminaram a corrida. Se Prost venceu na frente de Senna e Bellof, os 4,5 pontos atribuidos ao francês seriam amargos no longo prazo: no final da temporada, o seu companheiro de equipa, o austríaco Niki Lauda, acabaria por vencer o campeonato com uma diferença de... meio ponto, graças ao segundo lugar conquistado no Estoril, a última prova do ano. Foi pena aquela corrida não ter chegado até ao fim...


5 - Olivier Panis (1996)


A edição de 1996 do GP do Mónaco fica na história por várias razões. Não só foi a corrida onde menos carros terminaram (oficialmente classificaram-se seis carros, mas apenas quatro cruzaram a meta), como também foi uma corrida onde se viu uma das maiores "zebras" da história da Formula 1: a vitória de Olivier Panis, a bordo de um Ligier-Mugen Honda.

Panis (n.1966), foi campeão da Formula 3000 em 1993 e estava na Formula 1 desde 1994, onde já tinha alcançado dois pódios na sua carreira.

Debaixo de alguma chuva, a corrida foi atribulada: Michael Schumacher desistiu logo na primeira volta, com um acidente na curva após o gancho do Loews, enquanto que Jacques Villeneuve e Damon Hill desistiram com problemas diferentes: o canadiano numa colisão com... Luca Badoer, o britânico devido a um problema de motor. O Benetton de Jean Alesi chegou a liderar a corrida, mas acabou por parar devido a problemas no seu carro.

No final, apenas quatro carros cruzaram a meta, com Panis na frente do McLaren de David Coulthard e o Sauber de Johnny Herbert. O Tyrrell de Mika Salo e o McLaren de Mika Hakkinen ainda se classificaram, mas desistiram cinco voltas antes do francês cruzar a meta, na sua primeira vitória, e a primeira da Ligier em quase 15 anos.  

Curiosamente, não só é a única vitória de Panis na Formula 1 - e claro, no Mónaco - como também é a última da Ligier e é também a última de um piloto francês nas ruas do Principado. Ou seja, por outras palavras, faz vinte anos que não se ouve a "Marselhesa" por ali...

quinta-feira, 19 de julho de 2012

GP Memória - Grã Bretanha 1952

Duas semanas depois da Formula 1 ter estado em Rouen, estes atravessavam o Canal da Mancha para correr no GP da Grã-Bretanha, no circuito de Silverstone, onde a grande novidade nas equipas de fábrica era que o francês Jean Behra tinha fraturado a clavicula num acidente em Sables D'Olonne, numa prova extra-campeonato no norte de França. Assim sendo, para o seu lugar na equipa Gordini veio o seu compatriota Maurice Trintignant.

Ao todo, para a corrida britânica, estavam inscritos 32 carros. Nas outras equipas de fábrica não  existiam novidades em relação à corrida anterior: na Ferrari estavam Alberto Ascari, Nino Farina e Piero Taruffi, na HVM estavam Peter Collins, Duncan Hamilton e Lance Macklin. A Connaught inscreveu quatro carros com motor Lea-Francis para quatro pilotos britânicos: Ken Downing, Dennis Poore, Eric Thompson e Kenneth McAlpine.

Para além dos três Ferraris oficiais, havia também mais quatro inscritos em equipas privadas: duas da Ecurie Espadon, para os suiços Peter Hirt e Rudi Fischer, e dois privados, inscritos por Peter Whitehead e Roy Salvadori. Quatro Maserati estavam presentes na prova britânica: duas delas inscritas pela brasileira Escuderia Bandeirantes, para o brasileiro Gino Bianco e o uruguaio Eitel Cantoni, e outros dois da Ecurie Platé, para o suiço Toulo de Grafenried e o americano Harry Schell. 

Havia seis Cooper-Bristol, guiados privadamente pelos britânicos Mike Hawthorn, Reg Parnell, Alan Brown, David Murray, Eric Brandon e o australiano Tony Gaze, enquanto que Stirling Moss participava num ERA. Na Gordini, para além de Trintignant, corriam também o francês Robert Manzon e Bira, o principe tailandês.

Havia um Alta inscrito, para Graham Whitehead, irmão de Peter, um Simca-Gordini, que seria corrido por Johnny Claes, um Frazer-Nash com motor BMW, inscrito por Tony Crook, um Aston-Buttleworth inscrito por Bill Aston, uma criação própria, em colaboração com o irlandês Archie Buttleworth.

Na qualificação, os Ferrari foram obviamente os melhores. Nino Farina fez a pole-position, seguido por Alberto Ascari e Piero Taruffi. Robert Manzon foi o quarto, no seu Gordini, enquanto que Ken Dawnling foi quinto no seu Connaught. Os Cooper-Bristol de Reg Parnell e Mike Hawthorn foram sexto e sétimo, respectivamente, enquanto que Dennis Poore e Eric Thompson foram oitavo e nono nos seus Connaughts. O principe Bira fechou o "top ten" no segundo Gordini.

A corrida começou com os Ferrari a liderarem, numa luta entre Ascari e Farina. Atrás, Taruffi tinha feito uma má largada e estava atrás das máquinas inglesas, tendo dificuldades para os passar o mais rapidamente possível. Quando o conseguiu, já os seus companheiros de equipa tinham se afastado o suficiente para que a vitória fosse discutida entre os dois. Atrás deles estavam o Connaught de Poore e o HVM de Hawthorn.

Mais ou menos a meio da corrida, Farina começa a ter problemas de ignição e encostou às boxes. Verificou-se que era um problema de velas, e estas foram devidamente substituidas. Mas quando voltou à pista, o carro nunca funcionou propriamente e ficou-se no meio do pelotão, atrás dos Cooper, HVM e dos Connaught. Isso fez com que Ascari estivesse mais à vontade na liderança e Taruffi subisse ao segundo posto, seguido de Poore.

Pouco depois, o piloto do Connaught teve de parar para reabastecer, sendo que Hawthorn ficou com o terceiro posto.

Mas até à meta, não houve mais novidades sendo que, ao fim de 85 voltas à pista, Alberto Ascari vencia pela terceira vez naquela temporada, dando uma volta ao segundo classificado, Piero Taruffi. Mike Hawthorn era o terceiro, o seu primeiro pódio na sua terceira corrida da sua carreira, e o primeiro de um Cooper. Dennis Poore foi o quarto, na sua estreia na Formula 1, e a fechar os pontos ficou Eric Thompson, noutro Connaught, que também se estreava a nível oficial. Iria ser o seu único Grande Prémio da sua carreira. 

terça-feira, 5 de abril de 2011

O homem do dia - Rob Walker

Sempre houve construtores privados na história do automobilismo. Pessoas com maior ou menor fortuna que compraram chassis de outros construtores e conseguiram obter vitórias com bons pilotos. Nos primeiros tempos da Formula 1, para além das equipas oficiais havia uma série de equipas privadas que usando vários chassis, conseguiam por vezes subir ao lugar mais alto do pódio. O mais famoso desses privados era gerido pelo herdeiro da marca de whisky Johnny Walker, cujos carros eram azuis com uma faixa branca, representando a sua Escócia natal.

Um apaixonado por automóveis desde a infância, hoje irei falar de Rob Walker.

Nascido em 1917, Rob Walker herda a fortuna do seu pai aos três anos. A sua mãe casa-se de novo, e o seu padrasto, para além de ser tão rico como o seu pai, era um apaixonado pelos automóveis e aos sete anos leva o seu enteado para Boulogne, para ver uma prova de automóveis. Este fica apaixonado pelos carros, algo que não o largaria para o resto da sua vida.

Ao longo da sua adolescência, arranja e corre com motos e carros à volta da sua propriedade. Preocupada, a sua mãe lhe disse que poderia ter o que quisesse, caso abandonasse os automóveis. Respondeu que queria um Rolls Royce. Quando foi para a Universidade de Cambridge, aprendeu a voar ao Esquadrão local, mas o automobilismo não andava longe. Depois de ter um Lagonda, arranjou um Delhaye onde foi correr as 24 horas de Le Mans na edição de 1939. Com Ian Connell a seu lado, acabaram a corrida num respeitável oitavo posto. Contudo, a II Guerra Mundial matou a sua carreira de piloto de automóveis e foi para a Rotal Navy como piloto.

Após o final do conflito, em 1945, voltou ao automobilismo em eventos locais, mas no final da década decidiu adquirir carros e contratar pilotos. O primeiro a ser contratado por ele foi o Tony Rolt, que na II Guerra Mundial tinha sido prisioneiro em Colditz, o equivalente alemão a Alcatraz, onde eram presos os militares que tentavam fugir de outros campos.

Após alguns sucessos no inicio da década, Rob Walker fundou a equipa com o seu nome em 1953. Com Rolt como piloto, a sua primeira participação foi na Lavant Cup de Formula 2 a bordo de um Connaught. Na corrida seguinte, em Snetterton, outro dos seus pilotos, Eric Thompson, foi o vencedor da corrida. Algumas semanas depois, Walker participa na sua primeira prova internacional com um promissor piloto chamado Stirling Moss. Foi em Rouen, numa prova de Formula 2, onde Moss participou num Cooper-Alta e acabou a corrida em quarto lugar na sua categoria. Poucas semanas depois, Tony Rolt leva o Connaught para o GP britânico, mas desiste.

Nos dois anos seguintes, Rob Walker participava esporadicamente em eventos na Grã-Bretanha e na Europa, especialmente na Formula 2 através de pilotos como Peter Collins e Tony Brooks. Em 1956 e 57, Walker começa a correr em Coopers, especialmente na Formula 2, com carros de motor atrás que se tornavam crescentemente competitivos às mãos de Brooks, Moss e o australiano Jack Brabham, que corria esporadicamente pela Rob Walker Racing.

Conscientemente de que estes carros poderiam ser o futuro da Formula 1, e que por fim eles iriam ter a motorização que mereciam (na altura eram motores de 2.5 litros), Walker encomenda um chassis Cooper e convence Stirling Moss, piloto da Vanwall, a participar na primeira prova do ano, o GP da Argentina. Como a prova era em janeiro e os Vanwall não estariam prontos a tempo, Walker aproveitou as facilidades concedidas pela organização para levar o seu Cooper, bem como a autorização concedida pela Vanwall para que Moss corresse por lá.

Quando os organizadores ficaram espantados com o carro que Walker trouxe, a principio ficaram zangados e houve criticas, mas ele seria o último a rir. Com um motor não muito potente, mas que consumia menos do que os carros com motor á frente, apostou numa estratégia sem paragens para pneus e reabastecimento... e resultou. Apesar dos esforços de Ferrari e Maserati, Stirling Moss deu à Cooper, ao motor traseiro e a Rob Walker a sua primeira vitória oficial na Formula 1. Era uma vitória marcante, que poderia não ter acontecido, pois a caixa de velocidades de Moss tinha-se avariado no inicio da corrida, e só voltou a funcionar quando uma pedra entrou na engrenagem, colocando-se de forma a fazer funcionar no resto da corrida.

Se alguns pensavam que a vitória tinha sido por acaso, a prova seguinte provou que isso não era assim. Às mãos do veterano francês Maurice Trintignant, o Cooper Climax inscrito pela Rob Walker vence nas ruas do Mónaco. O acaso passara a certeza, e todos sabiam que a Cooper era o futuro do automobilismo. Ao longo de 1958, Moss e Trintignant venceriam em diversas corridas extra-campeonato, e no ano seguinte, Jack Brabham venceria o campeonato do mundo com os Coopers oficiais. Assim começava uma nova era na Formula 1.

Nessa temporada de 1959, Walker inscreve dois carros para Moss e Trintignant, e o britânico vence duas corridas em Monsanto e Monza, enquanto que o piloto francês acabou por duas vezes no pódio, sendo terceiro no Mónaco e segundo na prova final do campeonato, na pista americana de Sebring. Fora das corridas oficiais, Moss venceu a Glover Trophy, que se disputou no circuito de Goodwood.

No ano seguinte, Rob Walker decide reduzir a sua equipa para um carro e troca de chassis, passando da Cooper para a Lotus. Mantêm a aposta em Stirling Moss, mas a época é marcada pelo acidente que o britânico tem no GP da Belgica, em Spa-Francochamps. Moss fica ausente por duas corridas e Walker não alinha durante esse tempo. Antes disso, tinha ganho o GP do Mónaco. Quando voltou, venceu a corrida final do campeonato, no circuito americano de Riverside.

Em 1961, a formula mantêm-se, mesmo com os novos regulamentos em relação aos motores, que tinha passado para os 1.5 litros. Moss é o piloto e vence na primeira prova do ano, no Mónaco, contra os Ferrari 156 Squalo, que eram os claros favoritos à vitória. Volta a vencer em pleno circuito de Nurburgring, na Alemanha, e termina o ano no terceiro lugar na classificação de pilotos, com 21 pontos. Algum tempo antes, Walker inscrevera o Ferguson P99 de motor à frente, mas com quatro rodas motrizes, guiado por Jack Fairman. Era o primeiro carro com essa tracção. Meses depois, Moss pegou nesse carro para o Oulton Park International Golden Cup e o venceu, sendo esta a unica vez que um carro com quatro rodas motrizes venceria uma prova de Formula 1.

Walker e Moss ficaram para 1962, esperando continuar com o sucesso, mas o britânico sofre um acidente grave em Goodwood e fica largos meses sem competir. Ainda com um Lotus 24, chama Maurice Trintignant para o lugar, mas não consegue marcar pontos. Para piorar as coisas, no final do ano, Walker contrata dois jovens pilotos, o mexicano Ricardo Rodriguez e o rodesiano Gary Hocking. Ambos tem acidentes fatais em provas no México e Africa do Sul, respectivamente.

Em 1963, Rob Walker contrata o sueco Jo Bonnier para um dos seus carros, agora um Cooper. Não foi uma temporada fabulosa, mas Bonnier cumpriu, e no ano seguinte, para além do Cooper, arranjou um Brabham BT7 que alugou a outros pilotos. Foi assim que deu a primeira hipótese de guiar um Formula 1 ao jovem Jochen Rindt e no final do ano acolheu outro jovem, o suiço Jo Siffert. Vai ser ele que lhe dará o seu primeiro pódio em quatro temporadas, um terceiro lugar no GP dos Estados Unidos.

Em 1965, alinha com Bonnier e Siffert, arranjando dois Brabham, num programa algo ambicioso, mas não consegue mais do que cinco pontos, todos ganhos pelo piloto suiço. E quando a Formula 1 começa a correr com motores de 3 Litros, decide ficar com Siffert. Começa o ano com o Brabham, mas depois passa para o Cooper, conseguindo apenas um quarto lugar em Watkins Glen. Em 1967, Siffert consegue mais dois quartos lugares, em Le Mans, palco do GP de França, e Watkins Glen.

Mas em 1968, Rob Walker compra um Lotus 49 com motor Cosworth e a sorte umda um pouco. Sendo o melhor chassis do pelotão, consegue, com alguma surpresa, vencer o Grande Prémio britânico, à frente do Ferrari de Chris Amon. Era a primeira vitória depois da era de Stirling Moss, e a primeira de uma equipa privada. Ainda consegue mais uma pole-position e duas voltas mais rápidas no campeonato, e doze pontos ao todo.

Aos poucos, as coias mudam um pouco, mas uma nova era vinha a caminho, e Walker sentia cada vez mais que as coisas começavam a ser puxadas para ele. Siffert continuou em 1969, conseguindo quinze pontos e dois pódios, mas este vai para a March em 1970 e no seu lugar vem o veterano Graham Hill e o patrocinio de Brooke Bond Oxo. Continuando com um chassis Lotus, primeiro um velho 49 e depois um modelo 72, Hill, que ainda recuperava do seu grave acidente no ano anterior em Watkins Glen, conseguiu apenas sete pontos. No final de 1970, Hill foi para a Brabham, e Walker depois de uma conversa com John Surtees, decidiu juntar as suas forças para se concentrar numa só equipa.

Walker ficou a ajudar Surtees, e ajudou a trazer Mike Hailwood, que lhe deu os melhores resultados de sempre da equipa em pista, com um segundo lugar no GP de Itália de 1972. A sua participação acabou em 1975, quando ajudou outro amigo seu, Harry Stiller, a comprar um chassis Hesketh para um jovem australiano de seu nome Alan Jones. Contudo, a aventura foi breve e no final desse ano, decidiu reformar-se, aos 57 anos.

Mas não ficou muito tempo afastado. Desde 1967 que costumava cobrir os Grandes Prémios como repórter da americana Road & Track Magazine e quando se retirou de forma ativa da Formula 1, continuou a andar pelos "paddocks" a cobrir os fins de semana de corridas, bem como vários artigos históricos. Contunuou a fazer esta tarefa até bem para lá dos anos 90, quando a velhice o começou a apanhar. Acabou por morrer em Abril de 2002, aos 84 anos, vitima de pneumonia.


Fontes:

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Recordando Jean Behra

Se estivesse vivo, estaria a fazer agora 90 anos. Era baixo, moreno e de temperamento rude. Combativo na pista, tinha os seus dias de génio e de louco. Era assim Jean Behra.

Já fiz uma biografia dele, em 2008. Teve de esperar pelo final da II Guerra Mundial para começar a correr e andou pelas motos antes de experimentar os automóveis. Na Formula 1 correu pela Gordini, Maserati, BRM e Ferrari. Teve até um bom começo, subindo ao pódio no GP da Suiça de 1952, mas oficialmente só teve mais oito pódios, nunca ganhando qualquer corrida.

Na altura em que a fiz, desconhecia a existência de uma fotografia que me impressionou bastante. Vi pela primeira vez no sitio do Daniel Médici, o sempre exclente Cadernos do Automobilismo. Deveria ser de fins de 1957, inicios de 1958, e mostra uma foto dele com todas as suas cicatrizes. E eram imensas. A lista ia em 22 cicatrizes, todas em ocasiões diferentes entre 1952 e 57. Carrera Panamericana, Tourist Trophy, Mille Miglia, GP de Caracas... corridas de Sport e de longa distância do qual escapou uma e outra vez da morte, mas penou para recuperar a sua forma e entrar de novo dentro de um carro.

Uma ironia que Behra detêm é que sendo um piloto regular, nunca ganhou. Sendo um dos poucos franceses competitivos, fica-se espantado por saber que tenha sido Maurice Trintignant, mais velho do que ele, sido o primeiro vencedor francês. E no Mónaco, ainda por cima. Não sei se foi essa frustração, entre outros, que levou a que se zangasse fortemente com Romolo Tavoni, o diretor desportivo da Ferrari, após a sua desistência do GP de França. Sabendo-se que Ferrari pressionava toda a gente até ao limite, quer a pilotos, quer a engenheiros e demais pessoal, de uma certa maneira, perdeu a paciência e socou-o. Como socar Tavoni foi o mesmo que socar Enzo Ferrari, foi sumariamente despedido.

Claro, não ficou parado. Decidiu até criar a sua própria equipa, o seu próprio chassis. Graças à sua amizade com Valerio Colotti, fez um chassis e colocou um motor Porsche. A sua primeira corrida deveria ser no ultra-veloz circuito de Avus, que naquele ano iria receber o GP da Alemanha. Contudo, Behra nunca o experimentou nessa corrida: participando numa prova de Sport, perdeu o controle do seu carro numa das curvas e ali, a sua sorte acabou no momento em que bateu a cabeça num poste.

No seu funeral, em Marselha, Maurice Trintignant fez um apelo aos jovens franceses para que "defendessem as cores francesas no automobilismo internacional". Vinte anos depois, esses jovens franceses tinham ouvido o apelo e estavam em peso nas grelhas de partida um pouco por todas as categorias de automobilismo.

domingo, 18 de maio de 2008

GP Memória - Monaco 1958

Quase cinco meses depois do escândalo argentino que abalou o mundo da Formula 1, com a vitória de Stirling Moss num Cooper de motor traseiro, as máquinas e pilotos chegavam às ruas do Principado do Mónaco para participar no Grande Prémio local.

O ano de 1958 via-se que o dominio dos carros italianos começava a ser ameaçado pelas equipas britânicas como a Vanwall e a BRM, com a pequena Cooper, e o seu revolucionário carro de motor traseiro, embora não fosse tão revolucionário assim, pois a Auto Union usava vinte anos antes...

Nessa corrida acorreram um numero recorde de inscritos: 28 pilotos. Para além de Maserati, Ferrari, Vanwall e Cooper, que inscrevia quatro carros, para o francês Maurice Trintignant, os ingleses Ron Flockhart e Roy Salvadori e um jovem australiano, que tinha sido sexto classificado no ano anterior, chamado Jack Brabham. Também estavam no Mónaco a italiana OSCA, a Lotus e a Connaught. Se a primeira escuderia, dirigida por um jovem engenheiro chamado Colin Chapman, era a sua estreia na Formula 1, a Connaught trazia como pilotos, o americano Bruce Kessler e o inglês Paul Emery. E o seu proprietário era um jovem britânico de 27 anos chamado... Bernie Ecclestone.

Mónaco seria o palco de algo até então inédito na Formula 1: uma mulher corredora. A italiana Maria Teresa de Fillipis participava na competição com um Maserati 250F privado. Deu o seu melhor nos treinos, mas no final, conseguiu apenas o 24º tempo, e não conseguiu a qualificação.

Outro dos pilotos que lá andava era uma lenda, o único que participara na sua primeira edição, 29 anos antes: Louis Chiron. Então com 58 anos, iria tentar a sua sorte, a bordo de um Maserati 250F. Mas contra pilotos com metade da sua idade, as suas tentativas foram frustradas, ao conseguir apenas o 26º tempo entre os 30 inscritos. Tinha sido a sua última participação competitiva, e até à sua morte, vinte e um anos depois, participaria no Mónaco como o homem que agitava a bandeira xadrez para o vencedor.

Entretanto, na Connaught, nenhum dos seus carros entrava nos 16 eleitos para a corrida. desesperado, Ecclestone tentou a sua sorte. Deu umas voltas, e... marcou o pior tempo da grelha.

Entre os 16 qualificados, o melhor foi Tony Brooks, num Vanwall, tinha a seu lado, na primeira fila da grelha, o BRM do francês Jean Behra e o Cooper-Climax de Brabham. Aliás, os Cooper ficaram no terceiro, quarto (Trintignant) e quinto posto (Salvadori). Só Flockhart falhara a grelha. Mike Hawthorn era sexto e Stirling Moss o oitavo da grelha, à frente dos Ferrari de Luigi Musso e de Peter Collins.

Na partida, Salvadori ganha a lidernça, mas tem um toque com um outro concorrente que o obriga a ir para as boxes logo no final da primeira volta, fazendo com que Jean Behra herdasse essa posição. Logo a seguir vinham Brooks, Brabham e Moss. Entretanto, Hawthorn fazia uma corrida de trás para a frente, e na oitava volta, estava em terceiro, passando os Vanwall e os Cooper. Algum tempo depois, Hawthorn passa para o segundo lugar, quando o Vanwall de Brooks apresenta problemas de motor, que o levariam à desistência na volta 22.

Entretanto, Behra estava a liderar com algum conforto, até que a partir da volta 27, começou a evidenciar problemas de travões, e na volta 29, encosta às boxes e acaba a sua corrida. Agora, era a vez de Hawthorn no primeiro lugar, mas tinha o Vanwall de Moss a morder-lhe os calcanhares, e queria o primeiro lugar.

A insistência em querer o primeiro lugar teve frutos, e na volta 33, conseguiu ultrapassar Hawthorn. Contudo, isso foi sol de pouca dura, pois na volta 38, o motor falha e ele retira-se. Assim sendo, Hawthorn recupera o comando, e tudo parecia que a Ferrari iria ganhar a sua primeira corrida deste ano. Mas numa corrida de 100 voltas e duas horas e meia de duração, tudo podia acontecer, e assim foi: na volta 46, a bomba de combustível do seu Ferrari avaria, e ele recolhe-se às boxes para não mais sair. O novo líder era agora, o Cooper de Maurice Trintignant, inscrito por Rob Walker, o mesmo que tinha levado Stirling Moss a ganhar na Argentina!


Até o fim, Trintignant teve os Ferrari de Luigi Musso e Peter Collins no seu encalço, mas estes nada podima fazer contra um Cooper que era bom nas pistas sinuosas, e capaz de aguentar a pressão de máquinas mais poderosas, que nada podima fazer neste tipo de circuitos. E assim sendo, aos 41 anos, o piloto francês ganhava a sua segunda corrida da sua carreira, no mesmo circuito onde tinha ganho três anos antes, num Ferrari, contra os poderosos Mercedes.


Após este pódio acima referido, surgia no quarto posto, o australiano Jack Brabham, no seu Coper oficial. Era um prenuncio do que viria a seguir, mas só no ano seguinte é que se veria em todo o seu esplendor. E no quinto lugar vinha o BRM do americano Harry Schell, a oito (!) voltas do vencedor. E no sexto e último posto, acabava o Lotus 12 de Cliff Allison, a 13 voltas do primeiro. Era a primeira aparição de uma marca mítica...

Fontes: