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domingo, 23 de fevereiro de 2025

Noticias: Carlos Sainz Jr. é presidente da GPDA


O espanhol Carlos Sainz Jr., atual piloto da Williams, tornou-se o novo presidente da GPDA (Grand Prix Drivers Association), substituindo o retirado Sebastian Vettel. Aos 30 anos, o ex-piloto da Ferrari junta-se ao presidente Alex Wurz, ao piloto da Mercedes George Russell e à advogada Anastasia Fowle na liderança da associação.

Numa publicação da GPDA no Instagram a anunciar a nomeação, o filho de Carlos Sainz afirmou: “Sou apaixonado pelo meu desporto e penso que nós, pilotos, temos a responsabilidade de fazer tudo o que pudermos para trabalhar com as partes interessadas para fazer avançar o desporto em muitos aspetos. Por isso, estou muito feliz e orgulhoso por fazer a minha parte ao assumir o papel de diretor na GPDA”.

A GPDA foi fundada em 1961, e é a associação que representa os interesses dos pilotos de Fórmula 1. Criada em resposta aos acidentes trágicos do seu tempo, o seu foco principal sempre foi a melhoria da segurança no desporto, colaborando com a FIA para implementar medidas de proteção em carros e pistas. Extinta em 1982, reavivou-se 12 anos depois, em 1994, após os acidentes mortais de Roland Ratzenberger e Ayrton Senna, em Imola, representa a maioria dos pilotos da grelha, e é uma voz influente no desenvolvimento da Formula 1.

Por estes dias, a GPDA está atravessa uma fase de muito trabalho com a relação entre a FIA e os pilotos a mostrar-se deteriorada, com o mais recente exemplo das multas e penalizações por uso de linguagem imprópria ou declarações que possam afetar a FIA.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

Noticias: FIA impõe novo código de conduta aos pilotos


A FIA anunciou esta semana que impôs um novo código de conduta, cujas penalizações poderão, num extremo, levar à suspensão de pilotos ou a retirada de pontos da Super-Licença. O seu presidente, Mohammed ben Sulayem, decidiu publicar o Código Desportivo Internacional (CDI) da FIA para a temporada de 2025, com as suas diretivas a dar aos comissários o poder de aplicar multas significativas pela primeira infração de indiscrições como palavrões ou falar contra o órgão governante: 40 mil euros e suspensão de um mês em forma de pena suspensa.

Depois deste ponto, a severidade das punições aumenta substancialmente. Uma segunda violação resulta na aplicação de uma multa de 80 mil euros e na suspensão de um mês em forma de pena suspensa, enquanto uma terceira infração significaria uma multa de 120 mil euros, uma suspensão efetiva de um mês e a dedução de um determinado numero de pontos no campeonato. 

As mesmas sanções aplicar-se-ão a “quaisquer palavras, atos ou mensagens escritas que tenham causado danos morais ou prejuízos à FIA, aos seus órgãos, aos seus membros ou aos seus dirigentes e, de um modo mais geral, ao interesse do desporto motorizado e aos valores defendidos pela FIA” e a “qualquer incitamento público à violência ou ao ódio”.


Tudo isto acontece depois das polémicas que acontecerem com Max Verstappen, no fim de semana do GP de Singapura, que falou um palavrão e por causa disso, foi multado e obrigado a cumprir trabalho comunitário. Pouco depois, a GPDA, Grand Prix Drivers Association, liderada por George Russell, emitiu um comunicado a condenar a conduta de Ben Sulayem e o uso por parte deste da imprensa como forma de comunicar com eles. As coisas pareciam ter amainado, mas com a noticia do novo código de conduta, parece que  as tensões voltaram a subir entre os pilotos e o presidente da FIA.

quinta-feira, 7 de novembro de 2024

A rebelião dos pilotos


E... surpresa (ou nem tanto) os pilotos revoltaram-se. A GPDA (Grand Prix Drivers Association), liderada por George Russell, decidiu publicar uma carta aberta nesta quinta-feira reclamando contra a FIA e o seu presidente, Mohammed bin Sulayem, reclamando que querem ser tratados como adultos e não serem punidos por dizem palavrões ou a maneira como se vestem - especialmente, Lewis Hamilton. 

Na carta aberta, os pilotos afirmam que querem ser tratados com respeito e sobretudo, como adultos que são (e muito ricos adultos, diga-se), especialmente quando são multados ou chamados à atenção pela sua linguagem e por aquilo que vestem nos circuitos. Os pilotos defendem que o uso de palavrões em situações de alta pressão é normal e não deve ser punido, apenas quando é direcionado a outras pessoas de forma ofensiva.

Para além disso, a GPDA critica o uso de multas como forma de punição, argumentando que isso não é benéfico para o desporto, numa carta que demonstra uma forte frustração dos pilotos com a postura da FIA em relação a estas e outras questões.


Eis a carta na íntegra:

"Como acontece em todos os desportos, os concorrentes devem acatar a decisão do árbitro, quer gostem ou não, quer concordem ou não com ela. É assim que funciona o desporto. Os pilotos (os nossos membros) não são diferentes e compreendem-no perfeitamente.

Os nossos membros são pilotos profissionais que correm na Fórmula 1, o auge do desporto automóvel internacional. Eles são os gladiadores e todos os fins de semana de corridas dão um grande espetáculo aos fãs.

No que diz respeito aos palavrões, há uma diferença entre os palavrões destinados a insultar os outros e os palavrões mais casuais, como os que se usam para descrever o mau tempo, ou mesmo um objeto inanimado, como um carro de Fórmula 1, ou uma situação de condução.


Exortamos o Presidente da FIA a ter também em consideração o seu próprio tom e linguagem quando fala com os nossos pilotos membros, ou mesmo sobre eles, quer seja num fórum público ou não.

Além disso, os nossos membros são adultos, não precisam de receber instruções através dos meios de comunicação social, sobre assuntos tão triviais como o uso de joias e cuecas.

A GPDA já exprimiu, em inúmeras ocasiões, a sua opinião de que as multas pecuniárias aplicadas aos pilotos não são adequadas ao nosso desporto. Nos últimos três anos, solicitámos ao Presidente da FIA que partilhasse os pormenores e a estratégia sobre a forma como as multas financeiras da FIA são atribuídas e onde os fundos são gastos. Também transmitimos as nossas preocupações sobre a imagem negativa que as multas financeiras dão ao desporto.

Mais uma vez, solicitamos ao Presidente da FIA transparência financeira e um diálogo direto e aberto connosco.


Todas as partes interessadas (FIA, Formula 1, equipas e GPDA) devem determinar em conjunto como e onde o dinheiro é gasto em benefício do nosso desporto. A GPDA deseja colaborar de forma construtiva com todas as partes interessadas, incluindo o Presidente da FIA, para promover o nosso grande desporto em benefício de todos os que trabalham nele, pagam por ele, assistem a ele e, na verdade, o amam. Estamos a desempenhar o nosso papel.

Com os melhores cumprimentos, os Diretores e o Presidente da GPDA em nome dos pilotos de Grande Prémio."

segunda-feira, 13 de maio de 2024

As imagens do dia



Se o ambiente naquela sexta-feira de maio não era de cortar à faca, pouco faltava. Os pilotos, jornalistas e espectadores pareciam não ter descanso, depois de Imola, e ainda por cima, Karl Wendlinger estava a lutar pela vida. A Sauber tinha-se retirado da corrida por causa do que tinha acontecido ao seu piloto, e tudo estava em dúvida. Até à própria existência da Formula 1. 

Foi nesse ambiente que dois grupos se reuniram. O primeiro, da FIA e da FOM, com Bernie Ecclestone e Max Mosley, então presidente da FIA, a tentar algo para mostrar ao mundo que estavam a reagir aos eventos.

E a quantidade de medidas naquele final de semana foram provisórias mesmo. Excepto duas.

Aparte de abrir uns buracos nos chassis - alguns perderam downforce, outros nem por isso - as medidas que ficaram até aos dias de hoje foram a limitação de velocidade nas boxes, e no Mónaco, foi para meros 80 km/hora. Bem lentos para carros muito rápidos como aqueles. A segunda medida foi a colocação de um degrau de madeira nos carros, e com um desgaste relativo para poder passar, caso contrário, levariam com uma desclassificação. De uma certa maneira, foi uma resposta à alegação de que a pressão dos pneus num carro com fundo plano ajudou no desastre de Ayrton Senna, duas semanas antes. 

O segundo grupo, dos próprios pilotos, decidiram-se unir para dizer às entidades do automobilismo e os organizadores dos Grandes Prémios, que era altura de mexer nos circuitos para diminuir a velocidade dos carros e melhorar as curvas "cegas", logo, perigosas. 

Ou seja, naquele final de semana, a GPDA acordou, depois de uma longa hibernação. 

Na realidade, tinha acordado naquele domingo de Imola. E muito provavelmente, um dos seus líderes seria Ayrton Senna, se não fosse o seu acidente fatal. Duas semanas depois, Gerhard Berger dava a cara, ao lado de Damon Hill, Niki Lauda e Michael Schumacher. E a missão era clara: identificar os pontos críticos e modificá-los, de modo provisório, para depois fazer o trabalho com mais calma para 1995 e seguintes.

Para Berger, foi ideal, porque por muito tempo, pensou pura e simplesmente... pendurar o capacete. 

Não foram dias fáceis. O seu melhor amigo na Formula 1 tinha morrido, para além de um compatriota seu, e foi dos únicos que assistiu a ambos os funerais. Piloto da Ferrari e a caminho dos 35 anos, Berger também tinha sido uma das vitimas de Tamburello, cinco anos antes, ainda por cima, o carro pegou fogo, com ele a ser retirado menos de um minuto depois, com queimaduras nas mãos. 

Durante esse tempo, considerou seriamente a retirada imediata: pendurar o capacete e entregar o volante (se calhar) a Nicola Larini e ir para casa pensar na vida depois da Formula 1. Contudo, chegou à conclusão que a melhor maneira de honrar a memória de ambos seria correr e lutar pelos seus direitos. 

Eles decidiram reagir. Agora era saber se isso iria ajudar a tempestade passar. 

terça-feira, 29 de março de 2022

Os pilotos querem ter mais a dizer nas decisões do calendário


Os eventos na Arábia Saudita poderão ter consequências num futuro próximo, especialmente no calendário. Com uma guerra a decorrer e os pilotos a descobrirem que a Arábia Saudita está envolvida noutra guerra no Iémen, que resultou nestes terem estado divididos, após quatro horas de reunião na sexta-feira à noite, parece que fez com que estes já tenham dito que quererem ter uma palavra a dizer em relação ao calendário futuro. 

Segundo uma reportagem da Sky Sports, nesta terça-feira, fala-se que a GPDA quer agora conversar com a Libery Media, com os dirigentes das equipas onde correm no sentido de os influenciar onde quererão correr no futuro, os lugares onde desejam competir. Tudo isto tem a ber com o impacto que estas corridas têm nas redes sociais, dos quais a Formula 1 se expandiu fortemente depois da chegada da Liberty Media, e com todos os pilotos a terem forte presença nas redes sociais, onde milhões de fãs poderão ter uma forte influência nas suas decisões. E claro, programas como "Drive to Survive", que têm enormes audiências e contribuíram para o aumento da popularidade da Formula 1 nos Estados Unidos, por exemplo, ajudam muito na exposição da competição a um público mais vasto.

Agora, resta saber se isso terá consequências, e se os pilotos dirão alguma coisa nas corridas seguintes, ou seja, a partir de Melbourne, que será dentro de semana e meia. Mas é como disse na altura: a realidade apanhou os que viajam na bolha de uma competição como a Formula 1... 

terça-feira, 23 de março de 2021

Noticias: George Russell é o novo presidente da GPDA


O britânico George Russell substitui Romain Grosjean como presidente da GPDA (Grand Prix Drivers Association). O anuncio foi feito esta terça-feira, nas vésperas do GP do Bahrein, a primeira prova da temporada. O francês, que este ano vai correr na IndyCar, passará a ser conselheiro, e a direção terá, para além de Russell, Sebastian Vettel e Alexander Wurz como membros da direção, e Anastasia Fowle, que não é piloto, mas tem indo a ajudar a organização nos últimos anos.

“É uma honra e um privilégio ser nomeado diretor da GPDA”, começou por dizer Russell. “Agradeço o apoio dos meus colegas pilotos ao confiarem-me este papel e reconheçor a responsabilidade que implica. Nas suas seis décadas de existência, a GPDA tem sido parte integrante no trabalho que tem sido feito na segurança da Formula 1, para o desporto e para os nossos adeptos. Estou ansioso por enfrentar os novos desafios e oportunidades ao lado de Anastasia, Sebastian e Alex”, concluiu.

“Após vários anos a trabalhar ao lado de Alex, Sebastian e Romain, estou orgulhosa por eles e os seus colegas pilotos me terem nomeado”, disse Fowler. “Sou apaixonada pelo desporto e pela indústria e sinto-me honrada por poder apoiar a GPDA nos seus esforços”, concluiu.

Russell, de 23 anos, é piloto a Williams desde 2019, mas também é piloto de testes da Mercedes, e foi nessa função que foi chamado pela equipa no GP de Shakir de 2020, quando Lewis Hamilton ficou doente com CoVid-19.

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Noticias: GPDA reúne-se em Interlagos para discutir competitividade

A GPDA - Grand Prix Drivers Assoiation - existe, apesar de nem sempre aparecer nas noticias. Como se costuma dizer no jornalismo, as boas noticias não são noticias. Mas quando os pilotos convocam a GPDA e esta aparece nos sites, é por algum motivo pertinente. E aqui, o motivo parece ser os pneus. 

Esta quinta-feira, o seu presidente, Romain Grosjean - sim, ele é o presidente da GPDA - convocou a reunião por causa do desempenho dos pneus nestas últimas corridas, especialmente no México, onde a sua performance caiu de tal forma que causou preocupações com a sua segurança. 

"Eu não acho que alguém pareça estar satisfeito", começou por dizer o australiano Daniel Ricciardo, da Red Bull. 

"Eles queriam um pneu onde nós pudéssemos correr mais por mais tempo, e sinto que estamos perto disso. Mas eu não sei como ter um pneu em que nós possamos esforçar, sem se degradar, então ainda podemos fazer uma corrida com duas ou três paragens nas boxes", concluiu.

Na corrida mexicana, a degradação dos pneus faz com que apenas os quatro primeiros tenham terminado na mesma volta do vencedor.

Contudo, Grosjean quer também falar sobre a competitividade do atual pelotão. "Não é só os pneus", começou por dizer o piloto da Haas.

"Eu não quero falar por todos os outros, mas sinto que precisamos dar nosso feedback e talvez tentar fazer um pouco mais, porque as corridas deixaram de ser divertidas. P6 no México a duas voltas do vencedor? Como você espera ver um carro do meio do pelotão no pódio se eles estão a uma ou duas voltas [dos da frente]? A diferença entre as grandes equipas e as pequenas é muito grande", continuou.

"Além disso, os pneus são tão complicados de entender, de dirigir, se você não tem força negativa, você os destrói e a diferença abre novamente", concluiu.

“Se chegarmos a um ponto onde todos ficam felizes com aquilo que discutimos, devemos levá-los adiante para a Liberty ou quem quer que seja. [Não podemos ficar] sentados e não fazemos nada pelo desporto que amamos", concluiu.

quinta-feira, 24 de março de 2016

Formula 1: Ecclestone reage à GPDA

Um dia depois do comunicado da GPDA denunciando que a estrutura da Formula 1 se encontra doente, criticando algumas das decisões mais recentes tomadas pela sua estrutura, e que devem ser tomadas medidas para modificar, no sentido da sua salvação, Bernie Ecclestone reagiu, escrevendo um comunicado em resposta, colocando-se ao lado dos pilotos neste caso.

No comunicado, publicado esta manhã, pode-se ler na integra:

“Caros cavalheiros,

Não tenho a certeza se esta é a descrição correta. Nem sempre é fácil concordar convosco, mas vocês estão corretos ao afirmarem que o processo de tomada de decisões no desporto é obsoleto e está com uma estrutura doente.

Devemos, como disseram, instar os proprietários e todos as partes interessadas da Fórmula 1 a considerarem a reestruturação da sua própria governação.

É fácil de analisar o que está errado, então por que não pensar nisso e voltar a este tema. Pelo menos é melhor pensar-se antes de se desejar.

Tenho estado com um papel ativo na Fórmula 1 há quase 50 anos e nos outros 18 estive sempre, de alguma forma, nela envolvido. Vocês afirmam que cada indivíduo age com as melhores intenções. Não tenho a certeza se este é um erro de impressão. Se não, deve ler-se ‘com as suas melhores intenções’

Muitas felicidades

Bernie”

Contudo, é preciso dizer o seguinte: a tomada de posição de Bernie, de se colocar ao lado dos pilotos, não passa de uma manobra oportunista, pois é sabido que ele não gosta do Grupo de Estratégia - irónicamente, ele defendeu a sua criação para colocar a FIA fora do centro da tomada de decisões - e ele é um especialista em prosperar em situações de divisão. Ele sabe que uma guerra entre um e outro para a construção de um novo sistema só avançaria se ele lucrasse com isso, que é o que ele quer. 

Veremos como isto vai prosseguir. É que as últimas noticias falam que o sistema que se estreou na Austrália irá prosseguir no Bahrein, e provavelmente nas próximas corridas, até se poder mexer neles como deve de ser. Cenas dos próximos capítulos...

Uma categoria autista

Escuso de vos dizer que a Formula 1 anda doente, porque sempre que é a altura, falo sobre esse assunto. Contudo, o tipo de doença que tenho visto nestes dias e mais aquele do género autista, ou seja, vive na sua própria bolha e não percebe que o mundo à sua volta está a avisá-lo que se dirige para um precipício do qual não se safará. Quando ontem a GPDA avisou às outras entidades que gerem a Formula 1 que o desporto precisa de ser modificado, sob pena de se perder os laços para com os espectadores, soube-se pouco depois que a Sky Sports britânica chegou a um acordo com a FOM para que a partir de 2019, as corridas sejam mostradas apenas em sinal fechado em paragens britânicas. Ou seja, nem Channel Four, nem BBC, transmitirão mais os Grandes Prémios em sinal aberto nas ilhas britânicas.

Pode ser um azar tremendo este anuncio, mas de uma certa maneira é um "fechar do circulo" de uma tendência que tem acontecido nos últimos dez anos: a Formula 1 elitizou-se, todos os que querem assistir às corridas terão de pagar para ver. Quase nenhum país transmite mais as corridas em sinal aberto, talvez com a notavel excepção brasileira. Vai ser como o boxe: acessivel apenas aos mais adeptos, que pagarão centenas de euros para ver um determinado evento. E esse dinheiro todo vai, claro, para a FOM, que nas suas partilhas, 45 por cento vai para a CVC Capital Partners, e desses, 15 por cento vai diretamente para o bolso de Bernie Ecclestone.

Mas o que se fala por estes dias tem a ver com o famoso modelo de qualificação que foi apelidado de "dança das cadeiras", e que resultou no embaraço que vimos em Melbourne. Apesar da promessa de que voltariam ao normal a partir do Bahrein, na realidade, tal coisa poderá demorar mais algum tempo. Parece que a Pirelli pediu para que ficassem por mais algum tempo, e fala-se que poderá haver um híbrido, ou seja, a mistura da Q1 e Q2 deste ano com a Q3 do modelo anterior.

E claro, caso isso seja verdade e caso isso aconteça, só dão razão aos críticos, que acham que as regras da Formula 1 estão a ser escritas "em cima do joelho".

Contudo, ao ler o post que o Joe Saward escreveu na terça-feira sobre todo este caso, parece que a história da qualificação foi um "mal menor", porque a alternativa que estava em cima da mesa era ainda pior: a reversão da grelha, penalizando os mais velozes, a bem do espectáculo. Seria parecido com a GP2, onde os oito primeiros da corrida anterior seriam invertidos. Claro, um sistema desses, como sabem, só iria dar crédito a quem não merece. Alguém vê por estes dias a GP2, por exemplo?

Mas essas declarações vieram da boca de Toto Wolff, o diretor da Mercedes, e pelos vistos, isso ainda não foi totalmente corroborado. Se isso é a justificação para o qual este sistema foi votado, não se sabe. Afinal de contas, a estrutura de decisão da Formula 1 é absolutamente opaca...

Obviamente que isto tudo tem a ver com politica, mas o "titio Joe" fala também na arrogância dos agentes envolvidos. Não só as equipas - o que seria de esperar - mas também do "anão". É que a obsessão destes dias já não é a tecnologia, mas sim o espectáculo. Ninguém por ali quer saber sobre os avanços tecnológicos que são feitos e depois são transportados para o dia a dia, e o melhor exemplo disso tem a ver com a discussão o ruído dos motores. Existe a poluição sonora e a ligação entre os decibéis e a surdez prematura nos seres humanos, mas parece que existe uma negação nesse caso, afirmando que motores barulhentos "fazem parte do espectáculo". E não é só os pilotos que se queixam: enquanto tiveres setores do público a defenderem que "quando mais alto, melhor", teremos dificuldade em passara a mensagem.

E claro, mais espectáculo, mais dólares para a CVC e o anão octogenário.

Claro que com estas coisas todas, o apelo da GPDA para que as coisas mudem é um aviso. O anão já reagiu, dizendo num comunicado de três parágrafos para especificar os aspectos dos quais devem haver modificações, numa resposta que pode ser interpretada entre o petulante e o arrogante, quase como a dizer "eles não tem coragem de fazer mais do que isto". Pegar fogo à tenda do circo com a pessoa lá dentro nem sempre resulta na fuga do perpetrador.

Agora, uma coisa é certa: este modelo precisa de ser modificado. E se não é por dentro, vai ser por fora. Não se esqueçam que a Comissão Europeia está a investigar desde o passado mês de outubro as acusações da Force India e da Sauber que existe um abuso de poder dominante...

quarta-feira, 23 de março de 2016

O aviso dos pilotos à Formula 1

Sabia-se que os pilotos não tinham ficado muito contentes com a história da qualificação australiana e das regras que tem vindo a ser estabelecidas ultimamente na categoria máxima do automobilismo. E nos últimos tempos, muitos tem vindo a dizer que não são nem tidos, nem achados, nestas questões. E se é certo que não tem falado muito e a GPDA é uma associação adormecida, quando acorda, muitas vezes é sinal de que eles, os pilotos, estão a chegar a um ponto de ebulição. 

E hoje, eles lançaram um comunicado no qual criticam fortemente as entidades que gerem a Formula 1, bem como a direção que eles tem vindo a apontar nos últimos tempos, pedindo uma reestruturação no modelo, que já acham obsoleto.

Ali, lê-se:

"Sentimos que algumas das regras - quer no lado desportivo, quer no lado técnico - são disruptivas, não atendem os problemas que afetam o nosso desporto e em certos aspectos, podem comprometer o seu futuro. Sabemos que entre os dirigentes desportivos - sejam eles donos de equipa, acionistas, e a entidade governamental - todos tem as melhores intenções".

“Os pilotos concluíram que o processo de tomada de decisões do esporte é obsoleto, evitando que progresso seja alcançado. Isso reflete negativamente, evitando que seja adequado para a próxima geração de fãs e comprometendo o crescimento global." 

"Gostaríamos de apelar aos donos e acionistas da Formula 1 que considerem uma reestruturação do seu próprio governo. As direções e decisões futuras da Formula 1, sejam elas no curto ou no longo prazo, desportivas ou técnicas, devem ser baseadas em um grande planeamento. Tal planeamento deve refletir os princípios e valores da Formula 1”

“A Formula 1 se estabeleceu, indiscutivelmente, como o pináculo do automobilismo e, como tal, um dos desportos mais populares do mundo. Nós, pilotos, seguimos juntos para oferecer nossa ajuda para manter a Formula 1 neste nível e além, fazendo-a adequada, quer para os próximos anos, quer para as próximas gerações”

"É importante apontar que esta carta é escrita no melhor interesse de todos, e não deve ser vista como um ataque cego e desrespeitoso”, conclui o comunicado, assinado por quatro pilotos: O presidente, Alexander Wurz, e os veteranos Jenson Button, Sebastian Vettel e Fernando Alonso.

Apesar de ser uma critica algo suave - as mudanças são recomendadas - pode-se entender que os pilotos, que são os principais interessados e são os que dão a cara em todo este caso, estão a chegar a um ponto onde estão a ficar fartos das constantes modificações nas regras, onde não são nem tidos, nem achados em todo este processo. E vendo as coisas desta forma, quase nunca são chamados para discutir as regras. Não tem voz no Grupo de Estrategia, não tem voto nas regras quando são discutidas e aprovadas, apesar de serem eles a dar a cara no meio disto tudo. E claro, serem bem pagos.

Resta saber se isto é um aviso para algo mais. Apontaram os problemas e estão preocupados com o futuro. O grande problema no meio disto tudo é que não tem uma agenda alternativa para pensar no que deveria ser a Formula 1 no futuro, em termos técnicos, de calendário ou estruturais. Que se vive numa espécie de guerra surda, isso todos começam a observar, mas não é algo que não saibamos. Mas a não ser que algo bem radical vá acontecer, não veremos mudanças a curto prazo, porque um dos principais obstáculos tem 85 anos e não deseja retirar-se enquanto viver...

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

A história dos pneus rebentados

A história do pneu rebentado no carro de Sebastian Vettel em Spa-Francochamps e as controvérsias subjacentes ainda causam ondas na Formula 1, ao ponto de começarem a haver conversas sobre um possivel boicote ao GP italiano, da mesma forma que houve a polémica após o GP britânico de 2013. Tal cenário, contudo, é uma carta que está fora do baralho por parte da GPDA (Grand Prix Drivers Association), pelo menos para o seu presidente, Alexander Wurz.

“Estamos longe de um cenário de boicote. Existe um diálogo permanente, fundamental para a evolução da disciplina, que é a troca de opiniões entre o que pensam os pilotos e a Pirelli e a FIA. As conversas estão a ocorrer, mas o melhor é manter em segredo os detelhes destas conversações. O que posso garantir é que cada uma dessas partes coloca a segurança dos pilotos à frente de tudo”, afirma Wurz ao site Motorsport.

“No que diz respeito às falhas dos pneus em Spa, temos uma situação que ainda está em investigação, mas na história da F1 já vimos muitas falhas dos pneus. Não culpamos ninguém, só queremos saber como será o futuro e quais as medidas que vão ser tomadas. Ainda não foi tomada nenhuma decisão”, concluiu Wurz.

O cenário é certamente radical, mas nestas coisas, é mais um exemplo de que provavelmente ter um monopólio em relação ao fornecimento dos pneus poderá começar a não ser boa politica. Aliás, nunca foi mostrado nenhum estudo que diga que ter um monopólio de pneus tenha causado um aumento das despesas por parte das equipas de Formula 1, ou quanto é que eles pouparam por não termos mais uma "guerra de pneus".

Pode ter sido um episódio isolado, mas veremos.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Última Hora: GPDA ameaça de boicote o GP da Alemanha

Já se falava disso logo no domingo, no final da tarde inglesa, em Silverstone. Mas depois houve silêncio, esperando talvez cabeças mais frias. Mas esta quinta-feira à tarde, em Nurburgring, voltou a ameaça: os pilotos abandonam a corrida de Nurburgring caso se repitam os problemas com os pneus ocorridos há cinco dias, na pista britânica.

A GPDA emitiu um comunicado, onde apesar de manifestarem confiança de que as alterações feitas pela Pirelli resolvam os problemas pendentes, expressaram também as suas profundas preocupações com o estado dos pneus e ameaçaram que caso algum desses problemas volte a acontecer durante as sessões livres ou na qualificação do GP alemão, os pilotos se recusarão a correr.

“A Grand Prix Drivers’ Association (GPDA) deseja manifestar as suas mais profundas preocupações acerca dos eventos que ocorreram em Silverstone", começa por afimrar o comunicado. "Estamos confiantes de que as mudanças feitas aos pneus obtenham os resultados desejados e que problemas semelhantes não ocorram durante o fim de semana deste Grande Prémio."

"Estamos preparados para guiar os nossos carros até ao limite, como todos os nossas equipas, fãs e patrocinadores nos esperam que façamos. Contudo, os pilotos decidiram que caso novos problemas aconteçam durante o Grande Prémio da Alemanha, iremos imediatamente retirar-nos do evento, pois estes problemas são perfeitamente evitáveis, e colocam em perigo as vidas dos pilotos, dos comissários de pista e dos fãs", concluiu.

A ameaça está feita, e agora o GP da Alemanha ganhou mais atenção. Só que ela é das mais indesejadas...

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Pilotos reforçam a sua oposição ao preço das Super-Licenças

Podem ser novas nuvens negras no horizonte da Formula 1. O aumento dos preços das Super-Licenças está a provocar atritos entre a GPDA (Grand Prix Drivers Association) e a FIA, e pode haver consequências. A GPDA lançou ontem um comunicado, afirmando que os pilotos não podem pagar pela manutenção da segurança dos circuitos, e que tais aumentos, para além de serem absurdamente altos, foram feitos à sua revelia.

"Os pilotos entendem que os valores das Super Licenças não deveriam ser uma fonte de lucro para a FIA", afirma a Associação, liderada pelo piloto de testes espanhol da McLaren, Pedro de la Rosa. O comunicado lembra que "em apenas um ano, e sem qualquer aviso prévio, os preços subiram 200 por cento (o preço base) e 350 por cento (o custo por cada ponto)", o que para os pilotos é "irrazoável e injusto". "Estes aumentos foram feitos sem qualquer consulta prévia aos pilotos, e estes só souberam dos aumentos quando as respectivas equipas receberam as facturas e pelos órgãos de comunicação social em Janeiro de 2008. Os aumentos propostos são injustos, quer na forma como foram introduzidos, quer no impacto que têm nos pilotos enquanto indivíduos", pode-se ler na declaração, concluindo que "a FIA deveria angariar fundos suficientes da exploração dos direitos comerciais".

Max Mosley já afirmou há algumas semanas, quando foi confrontado com os primeiros sinais de constestação aos aumentos, que estava disposto a negociar, com a condição de ver revelados publicamente os salários anuais dos pilotos de Formula 1, algo que a GPDA nega fazer, por considerar que os "ganhos dos pilotos são confidenciais, e dizem respeito apenas a si, aos seus empresários, aos seus consultores financeiros e a quaisquer autoridades fiscais, e devem ser respeitados como tal".

Contudo, a GPDA já afirmou por mais do que uma vez que não está contra os aumentos por si, mas sim a percentagem do aumento, por ser bastante superior à inflacção. Revela também que está na disposição de encontrar uma solução, ajudando a FIA a angariar os "aparentes 1,7 milhões de euros em falta necessários para gerir a Federação em 2008 e 3 milhões adicionais que serão necessários em 2009, de acordo com os números citados por Mosley em Monza".

Uma coisa é certa, em tempo de crise na economia, tenta-se arranjar dinheiro noutros sítios, mas tentar comprar uma guerra num sitio aparentemente adormecido e desunido, que são os pilotos, pode fazer com que despertealgo maior. Nâo se pode afirmar que haja uma repetição de Kyalami 1982, porque acho que ninguém acredita nisso, mas somente a ameaça de uma greve pode abalar os alicerces de Formula 1 que também sofre com a crise.