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quarta-feira, 17 de junho de 2026

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Mesmo depois do "The Grand Tour" ter acabado, Jeremy Clarkson não larga a televisão, especialmente com o seu "reality show" da sua quinta, a "Clarkson's Farm" e da cerveja artesanal que anda a fazer, a Hawkstone, e do qual já houve alguns episódios que envolveu a Alpine (aparentemente, a quinta não fica longe de Enstone, a sede da equipa anglo-francesa).

Contudo, Clarkson, de 66 anos, revelou nesta quarta-feira que lhe detectaram um tumor na próstata no final do ano passado, do qual foi operado - tirou dez por cento da sua própria próstata - e esteve em tratamento durante as gravações da mais recente temporada de "Clarskson's Farm", porque esse tumor era agressivo. E a certa altura, ele receou que as suas perspectivas de sobrevivência não eram boas. E tudo isto aconteceu menos de um ano depois de ter sido operado ao coração, para desbloquear uma das aortas.

Normalmente, tentamos manter a série bucólica, encantadora e alegre. Mas os dois últimos episódios, que estreiam esta noite, não são nada disso – serão difíceis de ver.” escreveu ontem na sua conta no Twitter.

E o episódio final daquela que é a temporada cinco do "Clarskon's Farm", apanha-o na cama de hospital a falar das perspectivas de tratamento.

"Então, começámos a quinta temporada numa cama de hospital [por causa da operação ao coração] e aqui estamos nós, no final da quinta temporada, de volta a uma cama de hospital. Alguns dos tratamentos não resultaram, digamos assim. Provavelmente, vou ficar aqui por uns tempos. O que eu queria dizer era: se tudo correr bem, vemo-nos na sexta temporada. E se não correr, não nos veremos. Cuidem-se, pessoal.", disse, ao despedir-se dos seus telespectadores. 

A coisa boa é que foi apanhado na fase inicial, logo as chances de cura são relativamente grandes. Mas ele disse que esta é uma forma agressiva de cancro.

A noticia resultou numa série de reações bem fortes no próprio Reino Unido. A Prostate Cancer UK, a principal organização de alerta, agradeceu a partilha do seu diagnóstico e afirmou esperar que isso faça outros a procurar tratamento médico, já que 28 por cento dos diagnósticos no país são de cancro da próstata, do qual morrem cerca de dez mil homens por ano.

Felizmente, ele descobriu a doença numa fase inicial, mas infelizmente esta ainda não é a experiência de muitos homens no Reino Unido.", começou por afirmar Chiara De Biase, diretora de angariação de fundos e estratégia de saúde da instituição.

"Mais de dez mil pais, irmãos, filhos e amigos são diagnosticados demasiado tarde para uma cura todos os anos, e hoje a responsabilidade de saber se corre maior risco e agir em conformidade recai inteiramente sobre os ombros dos homens. Isso precisa de mudar. Qualquer homem preocupado com a história de Jeremy deve fazer o nosso teste de risco online de 30 segundos ou falar com o seu médico sobre um exame de sangue rápido e simples para verificar quaisquer sinais.”, concluiu.

E nas redes sociais, apareceram milhares de mensagens a desejar-lhe as melhoras, rezando e torcendo para que as tratamentos corram bem para o "orangotango", jornalista e apresentador do "Top Gear" durante cerca de 25 anos, até 2014, ao lado de James May e Richard Hammond, antes de ser despedido da BBC por causa de uma agressão a um membro da equipa de filmagens do "Top Gear". Depois disso, passou para a Amazon Prime, onde fez cinco temporadas do "The Grand Tour", antes de fazer "Clarkson's Farm". 

Politicamente incorreto, com uma verve venenosa acerca de tudo e todos, ganhou a admiração de uma geração de ingleses e atualmente, com as atribulações da sua quinta, chamou à atenção de um sector que ultimamente anda um pouco negligente, dadas as dificuldades normais de um lugar que está dependente dos caprichos da natureza para o sucesso do seu negócio.

Para quem não sabe, o cancro da próstata afeta homens a partir dos 50 anos, altura em que se recomenda que se façam exames de despistagem, e em caso de historial na família, ou seja de origem africana, onde este tipo de cancro é mais forte, os exames de despistagem comecem aos 45 anos.  

E honestamente, desejo-lhe que o tratamento corra bem e ande por aqui por mais uns anos bem largos.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

Noticias: Brundle condecorado pelo governo britânico


Interessantes noticias para começar 2025: o ex-piloto e atual comentador de Formula 1 da BBC, Martin Brundle, de 65 anos, foi condecorado pelo governo britânico com um OBE (Ordem do Império Britânico) pelos serviços prestados à comunicação social e ao automobilismo. A condecoração acontece 40 anos depois da sua estreia na Formula 1, pela Tyrrell.  

"Os meus eternos e sinceros agradecimentos à família, aos amigos, aos colegas de equipa de automobilismo e transmissão, e ao pessoal e fãs do automobilismo, por toda a ajuda e apoio desde [o dia em] que pilotei um Ford Anglia pela primeira vez na relva, há 53 anos. Foi divertido, sou um homem com muita sorte.", disse Brundle para agradecer pela condecoração, na sua conta pessoal do Twitter.

Adversário de Ayrton Senna no campeonato britânico de Formula 3 em 1983, chegou à Formula 1 no ano seguinte, correndo em equipas como Tyrrell, Zakspeed, Brabham, Benetton, Ligier, McLaren e Jordan, numa carreira que cobriu 12 temporadas, com 165 Grandes Prémios, nove pódios e 98 pontos.

Para além disso, tee uma excelente carreira na Endurance, guiando pela Jaguar, ganhando as 24 Horas de Le Mans de 1990 e foi o campeão do mundo de Endurance dois anos antes, em 1988. 

quinta-feira, 19 de setembro de 2024

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Só nesta quinta-feira é que vi o episódio final do The Grand Tour. Sentei-me e vi do inicio até ao fim. Não é um episódio por ali além, apesar de ter gostado. Mas entrará nas nossas memórias por causa do seu simbolismo: o fim de uma era, da nostalgia de um tempo que acabou. Não tem dificuldades, foi mesmo nos termos deles. É mesmo para a despedida. Foram ao Zimbabwe, como sabem, e andaram em carros que são clássicos: um Lancia Beta Montecarlo, um Ford Capri e um Triumph Stag. 

É como escrevi aqui na semana passada: estão velhos e o tempo avança, implacável. Aliás, a cena final é o regresso ao mesmo lugar onde estiveram em 2008, no lago Makadigadi, no Botswana. E para realçar isso, há a sobreimpressão das cenas, separadas por 17 anos. Os cabelos brancos, as barrigas proeminentes... tudo (Richard Hammond até fez uma tatuagem e tudo! Mas é de outro programa.)

Quando se aproximava do dia final, onde todos sentiriam que era o fim, as coisas ficaram um pouco emocionais. E no meio disso, o James May disse que o Top Gear/The Grand Tour durou 22 anos da sua vida, mais de um terço da sua existência. E depois, afirma: "Eu espero... que isto tenha trazido um pouco de felicidade a vocês".  E isso tocou-me. E sei que há milhares como eu que sentem isso no coração.

Sei perfeitamente porque, quando escrevi o meu pequeno artigo, na sexta-feira passada, fui publicá-lo na página do blog no Facebook. Quase sete dias depois, foi "gostado" mais de 1100 vezes e tem mais de uma centena de partilhas. Em pouco tempo, isso é significativo.

Se falarmos em legado, digamos assim, eu direi que não só marcou uma era como também moldou a mentalidade desta "geração Youtube". Agora, pegas num (ou uns) carros baratos, mais ou menos a cair de podre, montam uma aventura com alguns milhares de quilómetros, não interessa em que continente, compram uns equipamentos, chamas dois ou três amigos e "cá vai alho". Ninguém fazia isto antes deles, ninguém.

É o maior legado que eles deixam a nós. E claro, temos de saber o que faremos dele. Iremos ter saudades deles? Eu vou, tenho a certeza. 

No final, é a velha frase: não chores porque acabou, sorri porque aconteceu. 

Obrigado aos Três Estarolas. Ainda iremos ver por aí. 

sexta-feira, 13 de setembro de 2024

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Hoje é dia da última viagem dos Três Estarolas, que marcaram uma era do Top Gear: Jeremy Clarkson, James May e Richard Hammond. Foram 21 anos de aventuras mundo fora, desde a América do Sul ao Médio Oriente, passando pelo Sudeste Asiático, Índia, América do Norte e o sul de África, lugar onde decidiram encerrar as suas aventuras. Foi o Zimbabwe, mas em 2008, estiveram ao lado, no Botswana, onde Hammond se apaixonou por um pequeno Opel Kadett de 1963, que o chamou de Oliver. Aliás, o final é uma repetição da aventura do Botswana, quando estiveram no lago seco de Makgadikgadi.

De uma certa forma, é o final de um tempo. Clarkson tem 64 anos, May 61, Hammond 55. Já não são jovens e querem viver uma reforma confortável, com os seus rendimentos. Especialmente Clarkson, que tem uma quinta, quer ser agricultor e deseja, entre outras coisas, montar uma cervejaria artesanal. May anda a promover o seu "gin" e Hammond decidiu montar uma oficina de restauro de automóveis. Querem fazer outras coisas dos quais se sentem realizados, até pode ser algo relacionado com carros.

E - ainda não vi o episódio todo, só partes - mas aparentemente, circula uma frase do Clarkson a falar mal dos elétricos. Mais do que mostrar que não gosta de um determinado tipo de motorização - ficou famoso o episódio do Top Gear onde ele testou um Tesla Roadster, que o deixou parado ao fim de poucos quilómetros e que Elon Musk reagiu processando-o. E o Top Gear ganhou! - ele leu os sinais. O futuro é elétrico, e ele envelheceu. O seu mundo está a acabar, e a melhor maneira é sair pela porta grande. Se quisesse fazer algo no futuro, teria de rever carros do passado, e as marcas estão, lentamente, a afirmar que poderão abandonar os motores de combustão interna. E não foi isso que ele decidiu ir para a BBC e a Top Gear, há mais de 36 anos, com o Andy Wilman, seu companheiro de escola e depois, o produtor dos programas, quer o novo Top Gear, quer o The Grand Tour. 

May não tem problemas de testar carros elétricos - sempre fez isso, e mostrei esta semana ele dentro do Tesla Cybertruck - e Hammond fez o mesmo (até acabou de cabeça para baixo a bordo de um Rimac, lembram-se?), mas Clarkson é da velha guarda. Sempre foi politicamente incorreto, um "orangotango" conservador que fuma, bebe e diz aquilo que apetece falar, ao ponto de ele ter sido corrido da BBC por uma agressão, depois de vários avisos, e ao ver que o futuro não será mais aquele que deseja, decidiu que é melhor reformar-se e fazer coisas que mais gosta.

Mas claro, não posso deixar de afirmar que foi o fim da aventura que marcou uma geração. Três homens que decidiram perseguir os sonhos de muitos, de fazer uma grande viagem a lugares exóticos onde, estando no limite, divertem-se, não querendo dar cavaco a ninguém, não querendo ser politica ou socialmente corretos. Quiseram ser felizes, bem pagos por isso e, sabendo ou não, fizeram sonhar muitos rapazinhos e homens por este mundo fora.

Quem sabe a semente não florirá noutros lados, noutra geração.    

sábado, 24 de agosto de 2024

Youtube Automotive Vídeo: A derradeira viagem do The Grand Tour

Algum dia tinha de acabar, e já era algo anunciado: James May, Jeremy Clarkson e Richard Hammond estarão juntos pela última ocasião no The Grand Tour. E esta última viagem será em África, um a bordo de um Lancia, outro a bordo de um Ford Capro amarelo e o terceiro, num Triumph. 

Quando isto acabar, sentiremos que será o final de uma era. Como cantou certa altura George Harrison: "all things must pass". E isso acontecerá a 13 de setembro, no Amazon Prime.

quarta-feira, 17 de julho de 2024

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A história começa a se contar desta maneira: um dia, algures no final dos anos 80. A BBC decide contratar um jovem jornalista para um programa sobre automóveis, e imediatamente dão se bem pelo seu estilo convencido, juvenil e algo arrogante. Tem quase 30 anos e cedo torna-se alguém com destaque. Chama-se Jeremy Clarkson, e torna-se um dos apresentadores de um programa que existe desde 1977: Top Gear. Uma das pessoas com quem se dá muito bem é Andy Wilman, produtor e, a certa altura da vida... colega de turma de Clarkson. E também de um rapaz que depois se tornou desenhador de automóveis na Formula 1 chamado Adrian Newey

Em 2001, Wilman perguntou à BBC se não poderia redesenhar o Top Gear. Eles ouviram o que tinha para afirmar e concordaram. No ano seguinte, ele e Clarkson apareceram com um novo programa, num velho nome. Foram buscar um jovem, então com 32 anos, chamado Richard Hammond, que tinha jeito para a coisa e disseram que ele complementaria Clarkson. No ano seguinte, substituíram outro apresentador, Jason Dawe, e foram buscar outro jornalista que tinha acabado de fazer 40 anos: James May.

Ele não era virgem no Top Gear. Tinha estado na versão antiga, em 1999, apresentando alguns episódios. Anos antes, em 1992, quando se aborrecia a escrever no anuário da Autocar, deciciu colocar uma mensagem à vista de todos. "So you think it's really good, yeah? You should try making the bloody thing up; it's a real pain in the arse." (Tradução: achas que isto é bom, hein? Tenta montar esta treta, é uma chatice do cara***) 

Claro, acabou por ser dispensado, depois de descobrirem essa brincadeira. 

Cedo, os três causaram química. Um pretensioso pomposo, acompanhado por um interessado pela mecânica e um "book worm", e alguém que se tem a sensação que está a segui-los e não muito mais. Clarkson cedo deu nomes aos outros dois: "Capitão Lento" para May, "Hamster" para Hammond. E os outros não ficaram para trás: "Orangotango" e "Chimpanzé Gigantesco" eram os mimos mais simpáticos que os outros deram a Clarkson. 

E com isto, criaram um dos melhores programas sobre automóveis da história. Ao ponto de serem entrevistados pelo programa "60 Minutos", da CBS, o que é alguma coisa na América, que raramente faz algo vindo do estrangeiro. 

Mas em 2015, Clarkson passou dos carretos e agrediu um membro da equipa de filmagens, o que deu à BBC pretexto para o despedir. Hammond e May (e Wilman) seguiram-no, em solidariedade com ele. Foram para a Amazon Prime e decidiram criar "The Grand Tour". Continuaram com o programa até 2018, altura em que relegaram a fazer especiais na estrada, indo a sítios desde a Mauritânia até à Polónia, da mesma forma que no Top Gear foram a lugares nos quatro cantos do mundo. Memoráveis foram as passagens pelo leste de África, pela América do Sul, pela Índia (até o então primeiro-ministro, David Cameron, fez um "cameo" à porta de Downing Street, onde falou 'não façam asneira!')

Contudo, tudo que é bom... acaba.  

O evento foi no passado dia 11, mas agora é sabido. A produtora W. Chump and Sons, que produziu o programa The Grand Tour, dissolveu-se depois de 21 anos de bons serviços.  E claro, é o final de uma era. 

Mas pensando bem, é melhor que aconteça agora: Clarkson tem 64 anos, May 61 e Hammond, o mais novo de todos, está a caminho dos 55. O tempo passa por todos, sabemos que foi uma excelente viagem e eles, de uma certa forma, moldaram uma maneira de ver os automóveis: mais do que testá-los e afirmar como são e se recomendam comprá-los (ou não), podes usá-los como pretexto para fazer as melhores viagens do mundo.

Ainda faltará um programa para ser apresentado, onde foram ao Zimbabwe, mas quando for para o ar, mais tarde no ano, será com um sentimento de nostalgia nos nossos pensamentos.   

Estes "três estarolas" deram, para muitos, as melhores risadas à frente de uma televisão, e fizeram que gostássemos de automóveis. E, de uma certa maneira, agora que partem para as suas vidas - Clarkson tem uma quinta, Hammond uma oficina de restauro de automóveis, May anda por aí a ser "o homem deles" - de uma certa maneira, e volto a afirmar, é o final de uma era. 

sábado, 6 de abril de 2024

Youtube Formula 1 Presentation: As apresentações do GP do Japão

O primeiro GP do Japão, a gente nunca esquece. O meu foi em 1990, porque era a decisão do título entre Ayrton Senna e Alain Prost. E foi também a primeira ocasião em que assisti à sua abertura, através da Fuji TV, que era a emissora dos direitos da Formula 1 em terras do Sol Nascente.

E logo naquele momento, a sua apresentação captou-me a atenção. Em 1990, os gráficos de computador já existiam, mas não com aquela nitidez e movimento. Para mim, era como ter acabado de ver o século XXI. E a musica, também ficou nos meus ouvidos. Mais tarde soube que era um grupo de "fusion jazz", o T-Square, e a musica chama-se "Truth".

Acho que estavam milhas da concorrência. E foi mais um motivo para admiração pelos japoneses e da sua capacidade.   

terça-feira, 19 de dezembro de 2023

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A RTL alemã anunciou nesta terça-feira que transmitirá em direto sete corridas do campeonato de 2024 em sinal aberto. O acordo foi alcançado no final de conversações com a Sky Sports, e terá a duração de duas temporadas. Isto acontece em sinal contrário à crescente passagem da Formula 1 em canais fechados e de subscrição, e numa altura em que a Formula 1 deixou há muito tempo de correr na Alemanha - a última ocasião foi em 2020.

Algumas personalidades de origem alemã e austríaca já reagiram nas redes sociais a estas noticias. Nico Hulkenberg, por exemplo, reagiu com júbilo. "Ótimas notícias! Como piloto alemão, estou muito feliz que o automobilismo possa ser visto novamente por todos no meu país. É um passo importante para a relevância da Formula 1 na Alemanha."

Helmut Marko, um dos responsáveis da Red Bull, reagiu com alegria a esta decisão. “Sete corridas em rede aberta garantem que a Formula 1 também pode ter um impacto positivo na Alemanha.”, escreveu. 

Ainda não foram anunciadas que corridas serão transmitidas em 2024. 

Esta noticia é uma indicação em contrário à tendência geral, de elitizar o desporto, em busca de lucros cada vez maiores. Para terem uma ideia, em 2023, na Alemanha, não houve qualquer corrida transmitida em sinal aberto. E hoje em dia, também, poucos são os países que transmitem a Formula 1 em sinal aberto. Brasil e Argentina são duas nações onde isso acontece, mas é mais a exceção que a regra.     

As reações da noticia noutros lados, pelo menos nas redes sociais, são de contentamento. Muitos desejam que os governos forcem os canais a abrirem as transmissões - parcialmente ou totalmente - à transmissão em sinal aberto, principalmente em países que têm pilotos no pelotão da Formula 1. Em Espanha, por exemplo, houve júbilo e muitos desejam que isso aconteça no futuro, como afirma um na rede social X:

"Mais cedo ou mais tarde, 'el chiringuito de las TV's de pago" (o bar aberto da TV paga) acabará e a TV aberta regressará. Aqui em Espanha será mais difícil que tal aconteça, mas mais cedo ou mais tarde... acontecerá." Na Bélgica, as corridas passam em sinal aberto até 2027.

Estamos num tempo onde não falta oferta. Canais pagos de desporto e filmes... mas a oferta é tal que as pessoas, por muito capazes que sejam de pagar, têm de fazer escolhas. Querem Netflix, mas depois tem a Apple TV +, a Amazon Prime, a Disney +, e outros canais... só para filmes e séries. E nem falo do Youtube, que tem também um serviço pago. 

E depois, para o desporto, temos a Sky Sports, e não faltam canais de sinal aberto que decidem colocar serviços de subscrição, para ter uma público mais "selecto"... está disposto a pagar 90 ou 120 euros por mês para ter boa parte destes canais por causa de um FOMO (Fear Of Missing Out), porque quer ver o melhor do futebol, Formula 1, séries e filmes? E no final, se calhar por causa dessa fartura, o que acontecerá é que ficará agarrado ao comando num nervoso "zapping"?

Nisto tudo, nesta espécie de corrida para o fundo, acabada a novidade, as pessoas perdem o interesse. E claro, quem conhece o básico da economia, sabe que isto não crescerá para sempre. Haverá bons e maus anos, as gerações mudam e os hábitos também, e há quem tenha saudades de ir ao cinema e gastar 10 ou 15 euros para ver o filme, comprar pipocas e refrigerante. E quando ainda estamos no rescaldo da pandemia, os velhos hábitos ressurgem, quando menos esperamos. Olhem para o verão que passou, quando os cinemas encheram de pessoas para verem "Oppenheimer" e "Barbie", por exemplo...

É evidente que o passado não regressa mais, mas regressando a pastagens alemãs, para falar de outro desporto: futebol. Se forem ver a Bundesliga, todos os jogos - menos um ou dois - começam aos sábados pelas 14 horas, com estádios cheios. O preço dos bilhetes é acessível para as suas bolsas, e quando se tentam mexer nisso, os fãs reagem ruidosamente. E são das economias mais prósperas da Europa. De uma certa maneira, eles sabem: é bom ter dinheiro no bolso, mas os seus divertimentos tem de ser acessíveis, para todos. Encher os bolsos de meia dúzia de pessoas, puro anarco-capitalismo, onde os preços e a acessibilidade é para aqueles que podem e querem, a uma certa altura, em vez de alargar o público, irá perdê-lo.

E sei isso perfeitamente. Moro numa cidade onde se está a acontecer uma experiência única: para atrair gente a um estádio de 22 mil pessoas, o clube da minha cidade está a oferecer bilhetes de graça para que todos possam assistir e apoiar o seu clube de futebol, que está na II Divisão. Da última ocasião, foram oito mil pessoas, e o dinheiro que gastam nos bares compensa largamente o prejuízo que teriam se não cobrassem as entradas. 

A economia é mais que dinheiro, e se calhar, não seria má ideia se aqui, na rica Europa, os canais pagos não cheguem a acordo com os canais estaduais para não partilhar as despesas e alargar o público. Desde que haja interesse, não interessa o desporto.     

quinta-feira, 30 de novembro de 2023

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Há uns dias (dia 22, para ser mais preciso) falei por estas bandas sobre o fim do Top Gear depois do incidente com um dos apresentadores, no inverno passado, onde ele ficou ferido e recebeu uma indemnização milionária pelo acidente que aconteceu durante as gravações e que levou à interrupção do programa por tempo indeterminado, para não falar definitivo.

Contudo, ontem soube-se de outra noticia: os Três Estarolas originais - James May, Jeremy Clarkson e Richard Hammond - comunicaram que o The Grand Tour, a continuação do Top Gear na Amazon Prime, também chegou ao fim com um episódio especial em África, nomeadamente entre o Botswana e o Zimbabwe, acabando nas Cataratas de Victoria, na fronteira com a Zâmbia. O especial será mostrado em 2024 - ainda existirá outro a ser mostrado, onde foram até à Mauritânia. 

Sejamos honestos: o próprio May, o Capitão Lento, disse numa entrevista recente que o conceito tem de ser repensado porque as coisas mudam em 20 anos e o pessoal começa a ser menos tolerante em relação a cartas coisas mais... mal educadas. E também tem outra coisa importante: a idade. Clarkson tem 63 anos, May 60 e Hammond 54. Ainda podem andar por aí com vontade de se meter em aventuras, mas já notamos os cabelos brancos e as queixas em termos de articulações. E ainda por cima, eles perseguem outros interesses. Hammond está a montar uma oficina de recuperação de automóveis antigos, Clarkson tenta ser agricultor e o "Capitão Lento" que explorar o mundo no conjunto de séries "Our Man in..."

Portanto, mais ano, menos ano, isto teria de acontecer. Afinal de contas, eles sempre avisaram que se um deles ficasse para trás, a vida continuava. E que grande maneira de acabar senão em alta, com os três ainda por aqui?

Na realidade... não é bem assim. A Amazon Prime deu-lhes uma proposta para continuar e pode ser que eles aceitem, fazendo algo ainda mais doido. Afinal de contas, eles têm o Andy Wilman a seu lado. O tipo que por trás das câmaras, que inventa e filma toda aquela doideira. Portanto, apesar de terem dito que as coisas podem ter acabado, tudo isto não poderá passar de uma mera... pausa de férias. 

Indepentemente do resultado, fica o aviso: o tempo apanha a todos. Até as nossas personagens mais bem-amadas. 

quarta-feira, 22 de novembro de 2023

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O Top Gear não é um espetáculo feito por três pessoas que faziam muito mais que rever automóveis. Três adultos que tinham mente de pré-adolescentes e faziam coisas absolutamente sem freio, para gosto de imensos, que no fundo, não deixaram de ser rebeldes, crianças que nunca cresceram. Existia um programa antes disso, mas foram quatro pessoas que mexeram ao ponto de se tornar naquilo que marcou uma geração.

E quando eles foram embora, todos notaram que o programa ficou vazio, uma casca sem interior, que demorou até encontrar um trio que parecia poder recuperar algum do seu brilho anterior. Mas quando estavam ao ponto de lá chegar, um acidente estragou tudo. E um ano depois desse acidente, a BBC decidiu que o programa seria cancelado. 

Tudo começou em dezembro de 2022 quando gravavam um episódio para a temporada de primavera quando Freddie Flintoff, ex-internacional de cricket por Inglaterra e um dos apresentadores, ao lado de Chris Harris e Paddy McGuiness comediante e apresentador, sofreu um acidente e ficou ferido no rosto. Por causa disso, recebeu uma indemnização de nove milhões de libras pelos danos físicos causados por esse acidente. A BBC decidiu abrir um inquérito interno para saber as condições em que os programas estavam a ser feitos, se violavam as leis locais para a segurança no trabalho e agora que o inquérito terminou, decidiram que o programa não voltaria ao ar.  

Sabemos que interromper o programa será uma notícia dececionante para os fãs, mas é a coisa certa a fazer”, disse a BBC no seu comunicado oficial. “Todas as outras atividades do Top Gear permanecem inalteradas, incluindo formatos internacionais, digitais, revistas e licenciamento.” Ou seja, as versões internacionais do programa, como as revistas, continuam. 

O Top Gear apareceu em 1977, e foi um programa de automóveis como todos os outros. Teve ligações ao automobilismo - o rali RAC chegou a ser transmitido através desse programa - mas em 1988, contrataram um jovem alto, então com 27 anos, e com língua afiada. O seu nome era Jeremy Clarkson. Pouco depois chegou um amigo dele da escola, chamado Andy Wilman, que se tornou produtor do programa, e eles começaram a combinar algumas coisas para que o programa se tornasse mais sedutor e mais arriscado, saindo fora da caixa. Em meados da última década do século XX, existiam uma quantidade de apresentadores como Quentin Wilson, o ex-piloto Tiff Needell, uma apresentadora, Vicky Butler-Henderson, e em 1997, apareceu outro jovem, de seu nome James May

Em 2001, a BBC decidiu cancelar o Top Gear, devido às baixas audiências, mas no ano seguinte, um novo Top Gear aparecia, determinado a ser algo bem diferente do anterior. Ali, Wilman estava atrás das cenas, e quem dava a cara era Clarkson, que tinha com ele Richard Hammond, um misterioso piloto de testes chamado The Stig (de preto, era outro ex-piloto, Perry McCarthy) e... Jason Mawe. Hein? Pois é, os Três Estarolas não apareceram logo no primeiro programa. Na primeira temporada, hoje pouco falada, existiu um terceiro apresentador que não fez muita história e não deu grande química. No inicio da segunda, em 2003, May reapareceu e o resto foi história nos 11 anos seguintes.

Até o dia em que Clarkson deu um murro num produtor, num dia muito exaustivo de filmagens. O "orangotango", que tinha detratores tão fortes como admiradores, foi despedido da BBC, depois de um inquérito e os outros dois, em solidariedade com ele, também seguiram a sua vida.

Existiram muitas tentativas. Gente como Rory Reid, Sabine Schmitz, Eddie Jordan, e sobretudo, o ator Matt LeBlanc, o Joey de "Friends", tentaram preencher o vazio, mas o único que ficou até aos dias de hoje foi Chris Harris, apesar de LeBlanc não ter sido mau no lugar de apresentador. Mas quase dois terços do público seguiu os Três Estarolas e a BBC nunca gostou muito da nova versão. Contudo, com a semi-reforma dos três, depois de três temporadas de "The Grand Tour", na Amazon Prime, parte do público regressou ao Top Gear, depois de os novos apresentadores terem começado a ganhar uma química entre eles, que fazia lembrar algo do passado. Até ao dia de um acidente onde o canal de televisão achou que o melhor é dar por terminada toda uma aventura com quase meio século. 

Sem data para voltar, ficam as recordações de algo único, que marcou uma geração e criou imensos "copycats", quer na televisão, que no Youtube, pois afinal, falamos de três rapazes com amor pelos automóveis, passeando carros exóticos (ou não) mas sobretudo, passando um bom bocado.          

terça-feira, 10 de outubro de 2023

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Hoje é o centenário de uma lenda do automobilismo. Na realidade... é um comentador.

Murray Walker foi durante mais de 40 anos, desde 1949 a 2001, o comentador automobilístico na BBC. E não era só Formula 1: também fazia Formula Ford, Formula 3, BTCC, Endurance. Na Formula 1, a coisa começou a sério quando em 1978, o canal de televisão apostou a sério com as transmissões em direto de todos os Grandes Prémios da temporada, em vez do GP britânico, e... nem sempre. Recordo de, quando em 1976, por causa do puritanismo, eles não transmitiram os Grandes Prémios por causa do patrocínio da Durex, a marca de preservativos, estampado nos chassis da Surtees. Isto numa altura em que a Hesketh era patrocinada pela Penthouse, a rival da Playboy... 

O mais interessante era que Walker não era um jornalista profissional. Adorava automobilismo, era verdade - herdou a paixão do pai, Graham Walker, que trabalhou na Norton e Sunbeam, chegando a correr, como piloto, no Man TT - e na II Guerra Mundial, guiou tanques no teatro de operações europeu, retirando-se do exército como capitão. Trabalhou durante anos como "copywriter" numa agência de publicidade em Londres, e as narrações fazia-as durante o fim de semana, muitas das vezes... com o pai. A BBC afirma que até aos dias de hoje, foi a única dupla pai e filho em transmissões desportivas, essencialmente no motociclismo. Isso só acabou em 1962, quando Graham Walker morre.  

Contudo, quando em 1976 a BBC mandou o puritanismo às malvas e decidiu transmitir em direto o GP do Japão, porque existia um inglês na luta pelo título, Walker estava lá, e o seu estilo ficou. Melhor aconteceu dois anos depois, quando o GP do Canadá foi transmitido em direto, e no ano seguinte, passou a ter a seu lado James Hunt, que tinha acabado de pendurar o capacete, depois de meia temporada a arrastar-se no seu Wolf.

A dupla tornou-se lendária. Walker, emocionante e comentando "sem rede", com os seus erros a tornarem-se lendários - "a não ser que esteja totalmente enganado... e estou totalmente enganado!" foi um deles - a seu tom algo histriónico e educado era um claro contraste com o calmo, grave e brutalmente honesto Hunt, que não tinha problema algum em mandar "a aquela parte" gente como René Arnoux e Andrea de Cesaris, só para falar de alguns, conseguiam fazer das transmissões televisivas um espetáculo dentro de outro espetáculo. E o mais interessante é que isso só aconteceu nos anos 80, quando Walker se reformou do seu trabalho de "copywriter" e passou a acompanhar a Formula 1 nas suas diversas passagens pelo mundo.

Um episódio da sua calma caótica foi quando narrou a corrida da BTCC em Silverstone, em 1992. Era a ronda final do campeonato, e uma batalha épica pela liderança, onde ninguém cedia a ninguém, de forma alguma. E os toques entre os pilotos iam ao limite. Nessa altura, já existiam "onboards" nos carros e um dos pilotos, David Leslie, decidiu mostrar o dedo do meio para um seu rival. Captado em direto, o "gesto bacana" que Nelson Piquet alega ter dado a Ayrton Senna quando o passou no final da reta de Budapeste, em 1986, virou um "eu vou atacar o primeiro lugar" nas palavras de Walker. 

A dupla Walker-Hunt acabou inesperadamente a 15 de junho de 1993, quando Hunt morre com um ataque cardíaco aos 45 anos. Passou algum tempo até arranjar um companheiro adequado - apesar de contribuições ocasionais de Jackie Stewart e Alan Jones - até arranjar outro piloto recém-retirado, Martin Brundle, em 1997, pouco depois de se ter emocionado quando relatou em direto, em Suzuka, o título mundial de Damon Hill, filho de Graham Hill. As palavras "agora irei ter de fazer uma pausa, porque tenho algo na garganta" ficaram gravadas na história do automobilismo mundial. 

Muitos já diziam que Walker estava gagá, mas quando no final de 2001 anunciou a sua retirada, aos 78 anos, muitos sentiram a sua falta. No fundo, no fundo, gostavam dele e do seu estilo, fazia as transmissões mais emocionantes que eram, e de uma certa forma, quem assiste agora a gente como David Croft, na Sky Sports, de uma certa forma, está a emular o estilo de Walker, ao lado de gente como o próprio Brundle ou de outros ex-pilotos como David Coulthard ou Karun Chandhok.

Walker retirou-se, mas nunca ficou longe dos holofotes. Um bom exemplo que gosto de lembrar é o do GP da Grã-Bretanha de 2008, onde conversava com Stirling Moss, numa conversa que poderia ter acontecido em 1948, sessenta anos antes. Conversa de lendas, de uma certa forma. E andou por aí até ao seu fim, a 10 de março de 2021, com 97 anos, sempre reverenciado como uma lenda da Formula 1, por si só.      

sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

Youtube Automobile Vídeo: A garagem de Richard Hammond

Como sabem - pelo menos quem costuma ver os canais no Cabo ou no Youtube, pelo Drivetribe - Richard Hammond decidiu montar a sua própria garagem, especializada na restauração de carros antigos. O The Smallest Cog foi feito em conjunto com uma familia de restauradores - pai, irmão e filho - especializados no trabalho de restauro. 

Agora, depois de duas temporadas, com uma oficina montada de raíz, e com trabalho para fazer, o pessoal do Drivetribe decidiu fazer uma visita para saber até que ponto eles andam. E parece ser muito, pelas imagens. Resta saber o que andaram a fazer, quando aparecer por aí a segunda temporada.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

Youtube Automotive Video: Século XXI, Automóveis e Tráfego

Entre 1967 e 1969, a CBS americana decidiu fazer uma série sobre como seria o século XXI em diversos quadrantes. Tentar entender os sinais do futuro. E fizeram um episódio em particular sobre os automóveis, o tráfego e como seriam as cidades dentro de meio século, numa altura em que passava nos cinemas "2001, Odisseia no Espaço", de Stanley Kubrick, e os seres humanos preparavam-se para colocar os seus pés na Lua. 

Apresentado e narrado por Walter Cronkite, fala de assuntos que eles já sabiam que ia acontecer no futuro: a crescente poluição atmosférica, as preocupações com a segurança - aqui estão cintos de segurança de três pontos, crash-test dummies, um antepassado dos travões ABS e os "airbags" - e propulsão do futuro, como os primeiros modelos de carros elétricos, ainda com baterias de ácido e chumbo. Também temos um sistema que é o antepassado do "cruise control" e dos sistemas de orientação como o GPS. 

De uma certa maneira, isto é um espelho do que foi o futuro. São 25 minutos que vale a pena ver, nem que seja para ter uma ideia de como eram as coisas há mais de meio século. 

quinta-feira, 14 de julho de 2022

A imagem do dia


Nunca uma personagem automobilística foi tão fascinante como Enzo Ferrari, o fundador da marca com o mesmo nome, em 1947. Como é sabido, Michael Mann está a fazer um filme sobre ele, com Adam Driver a encarná-lo, e as filmagens estão a decorrer por estes dias. E hoje soube-se que a Apple TV+, o canal de streaming, irá transmitir uma série sobre Ferrari, o Commendatore, que será feito por Steven Knight e Paolo Sorrentino. O primeiro é o mesmo criador de Pinky Blinders, e o segundo é um dos mais aclamados realizadores italianos da atualidade. 

A série terá como base o livro "Ferrari Rex", de Luca Dal Monte, onde se conta que entre 1956 e 1961, Ferrari construiu uma equipa de máquinas vencedoras, e uma constelação de estrelas, enquanto domesticamente sofria com a morte do seu primogénito, Dino Ferrari.  

Estou emocionado por contar uma história tão evocativa sobre esse homem lendário e sua marca icônica”, disse Knight. “A vida absolutamente extraordinária de Enzo Ferrari foi definida por sua dramática jornada pessoal e profissional, e a Ferrari é uma celebração de um ser humano incrivelmente complexo e fascinante.

Estou intrigado por saber quem farão os papeis de alguns dos pilotos desse tempo. Afinal de contas, falamos de gente como Mike Hawthorn, Luigi Musso, Eugenio Castelotti, Wolfgang Von Trips, Phil Hill, Alfonso de Portago... e quase todos tiveram acidentes mortais ao volante dos seus carros. Aliás, dessa lista, apenas o americano é que chegou a velho. 

Independentemente de quantas temporadas esta série tenha, espero que incide mais luz sobre uma das personagens mais fascinantes do automobilismo. 

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

Drive to Survive tem nova temporada... mas sem Max


"Drive to Survive", a série do Netflix que conseguiu atrair uma horda de gente para a Formula 1, e ajudou imenso a Liberty Media para encher autódromos um pouco por todo o mundo, terá uma nova temporada, que irá estar disponível na segunda semana de março, ou seja, em cima da nova temporada. Contudo, o campeão do mundo, Max Verstappen, não vai aparecer, pelo menos como protagonista da temporada anterior.

É que para o piloto neerlandês, atual campeão do mundo, nunca alinhou muito no projeto, por achar que muito do que se assiste na série é empolado para efeitos dramáticos. E afirmou-o no final do ano passado.

Compreendo que seja preciso criar drama para aumentar a popularidade da série na América, mas, do meu lado como piloto, não gosto de fazer parte disso porque eles forjaram algumas rivalidades que nunca existiram. Por isso, decidi não fazer parte disto e não dei mais entrevistas depois disso, porque dessa forma não há nada que possam mostrar. Não sou um tipo de pessoa de espetáculo dramático, só quero que factos e coisas reais aconteçam”, disse, à Associated Press.

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

O fim do Drivetribe


Quando Jeremy Clarkson, acompanhado por James May e Richard Hammond, se aventuraram no The Grand Tour, por alturas de 2016, decidiram também se aventurar noutra coisa mais invulgar: uma rede social para os amantes do automobilismo, ao que se chamou de Drivetribe. Contudo, durante muito tempo, as pessoas tinham algumas dúvidas sobre se tal coisa iria resultar, e esta segunda-feira, tiveram uma resposta: não resulta. 

No final deste mês, a rede social encerrará as suas portas, alegando "os grandes desafios da industria". Apesar de tudo, a marca continuará noutras plataformas como o Youtube, onde tem um canal muito popular, com mais de dois milhões de inscritos. 

Embora todos estejamos realmente desapontados que o site DriveTribe tenha chegado ao fim, estou muito feliz por continuar nosso relacionamento com essa comunidade brilhante. Nunca houve um momento mais emocionante para falar sobre a indústria, pois lidamos com essas forças de mercado extremamente desafiadoras e a rápida evolução do que queremos dizer com automobilismo”, escreveu Hammond, no site. “Venha e junte-se a mim nos canais junto com muitos rostos familiares da DriveTribe enquanto continuamos a manter a marca viva e a conversa acontecendo.”, concluiu, no comunicado oficial.

Lançado em 2016 pelos três apresentadores, mais o produtor Andy Wilman, foi dirigido ao longo deste tempo por Ernesto Schmidtt. Contudo, dois anos depois do seu lançamento, foi noticiado que tinham investido mais de 18 milhões de dólares, sem dar qualquer lucro, não conseguindo ser o centro da cultura automobilística que pretendiam ser. 

Estamos todos realmente desapontados que os desafios do setor – nem um pouco ajudados pela pandemia em andamento – simplesmente tornaram impossível continuar com os negócios em sua forma atual”, disse Clarkson no post do blog. “Estou muito ansioso para ver o que Hammond e sua equipa fazem enquanto levam os canais e a comunidade adiante.

Apesar destes desafios, mais a pandemia, que alegam ser as razões por trás do fracasso da aventura, a ideia de que os tempos mudaram para o estilo que eles andam a fazer também ajudaram para o seu final. E há outras plataformas mais interessantes para divulgar a cultura automobilística como os vídeos, mais acessíveis e mais visualmente atraentes do que uma rede social inteiramente "de raiz" como era esta.

Provavelmente a grande lição é saber que estes projetos são mais complicados de se erguer que se julga, e quando lá chegaram, foram demasiado tarde e entraram de forma demasiado especifica e não traziam nada de novo. Esses dias... já passaram. 

sábado, 8 de janeiro de 2022

Youtube Automotive Vídeo: Como três idiotas (acidentalmente) conquistaram o mundo

Como tinha prometido ontem, hoje coloco aqui a segunda parte do vídeo - documentário sobre o Top Gear e o seu sucesso até aos problemas que Jeremy Clarkson passou em 2014 e que resultou no seu despedimento da BBC, e eles terem passado para a Amazon Prime, onde apresentaram o The Grand Tour, e como o mesmo canal britânico andou uns anos às apaladelas até aparentemente acertarem com os atuais apresentadores, Chris Harris, Andrew Flintoff e Paddy McGuiness... pelo menos, no campo do entretenimento automóvel. 

E como disse ontem, o que há de interessante sobre este documentário é que foi feito por um fã do programa, o que não é habitual, diga-se de passagem. E está muito bem feito. Enfim, espero que gostem.   

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Youtube Automotive Video: Como três idiotas acertaram (por acaso) num programa de automóveis

O Top Gear é hoje em dia um dos programas mais carismáticos da nossa geração. E tudo graças a três entertainers, jornalistas de formação e profissão, com o amor pelos automóveis em comum, que pegaram num programa antigo e o modificaram a seu bel-prazer, transformando-o naquilo que sabemos hoje.

Contudo, este é um programa bem antigo. Quando os três se juntaram, em 2003, ele já existia desde 1977, e foi um dos primeiros programas de automóveis na televisão britânica, e teve um conjunto de apresentadores que acabaram por ir a outros "spinoffs" - dois deles, Tiff Needell e Vicky Butler-Henderson, foram apresentar o Fifth Gear - mas foi aos poucos que ele passou do habitual programa de teste para aquilo que foi, com o auge a acontecer no inicio da segunda década do século XXI.

"Como três idiotas conquistaram (acidentalmente) o mundo" é um documentário de duas horas sobre a ascensão do Top Gear e especialmente de Jeremy Clarkson, James May e Richard Hammond ao panteão de gloria automóvel. E o mais doido é que isto é feito... por um fã do programa, ou seja, isto é semi-amador! Mas vale a ver.

Hoje coloco aqui a primeira parte, amanhã meto a segunda.   

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Youtube Automotive Series: Richard Hammond's Workshop, episódio um

Os Três Estarolas originais agora andam a fazer as suas séries separadamente - pelo menos dois, o Jeremy Clarkson na sua quinta e agora o Richard Hammond na sua oficina - e é sobre o Hamster que quero falar. Ele decidiu perseguir o sonho de montar a sua própria oficina de restauro de carros, com mais duas pessoas, e vai fazer a mesma coisa que já vieram noutros lados, quer seja o "Car SOS" ou o "Wheeler Dealers" e outros.

Neste primeiro episódio, vamos aqui os começos do trabalho, seja o construir a estrutura, saber como funciona este negócio de comprar e vender carros antigos, e claro, como a família reagirá a tudo isto. Não vai ser um episódio muito excitante, aviso-vos já. Mas o próximo, que já tenho em vista, espero que seja.

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

Youtube Motorsport Video: Os soundbytes de Robin Miller

Robin Miller, morto esta quarta-feira aos 71 anos, sempre foi um excelente jornalista e uma personalidade desbocada, principalmente depois de ter ido para a ESPN e para a Speed Channel no inicio deste século, após ter sido despedido do jornal Indianápolis Star. As suas declarações, sempre bem informado, mas sempre a dizer o que pensava sem travões, o fizeram uma personalidade amada entre os fãs, especialmente pela defesa da IndyCar. 

O nascarman decidiu fazer um pequeno video com as melhores frases dele. Nem sabia que tinha chamado a Milka Duno de "Milkin Donuts"...