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quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Youtube Motorsport Video: O arrepiante acidente de Tetsuya Ota

A 3 de maio de 1998, a pista de Fuji, no Japão, albergava a segunda etapa do campeonato japonês de GT. E em plena primavera, a chuva e o nevoeiro faziam a sua presença, com a corrida a começar atrás do Safety Car, porque as condições eram muito baixas, especialmente em termos de visibilidade. Contudo, nessa corrida, o Safety Car andou subitamente a uma velocidade mais baixa que o habitual, sem aviso, e os carros começaram a abrandar, causando um efeito-concertina que causaria uma colisão entre dois Porsches, um deles guiado por Tomohiko Sunako.

Mas segundos depois de ter batido o seu 911 contra a traseira de outro carro, um Ferrari, o de Tetsuya Ota, estava fora de controlo e na sua direção, e quando bateu, causou uma enorme bola de fogo, visível na pista e na televisão, apesar da baixa visibilidade. E aquela tarde iria mudar o automobilismo japonês de forma permanente...

O video é do Josh Revell.

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Formula E: Felix da Costa encara Tóquio com vontade


O português António Felix da Costa, piloto da Jaguar, irá encarar o fim de semana de Tóquio, da Formula E, com vontade de fazer um bom resultado e continuar a lutar pelo título da competição, agora que estão a quatro corridas do final do campeonato.   

Com o alemão Pascal Wehrlein a liderar o campeonato com 141 pontos, no seu Porsche, mais nove que o neozelandês Mitch Evans, noutro Jaguar, e mais 30 que Felix da Costa, vai ser essencialmente uma luta entre Porsche e Jaguar, apenas do resto do pelotão também a querer o seu quinhão de pontos nesta jornada dupla em terras japonesas.  

Mas sobre isso, Felix da Costa mostra que se prepararam bem para este final de semana.  

Trata-se de um fim de semana muito importante para mim e para a Jaguar, não só por ser uma corrida dupla, mas também porque, se queremos lutar por este título, temos de ganhar pontos aos três primeiros do campeonato. Fizemos bem o trabalho de casa no simulador, com uma preparação minuciosa de todos os cenários possíveis para este fim de semana. Agora é hora de atacar, dar tudo e trazer dois bons resultados de Tóquio. Vai ser uma corrida muito desafiante e espetacular. Vamos à luta com toda a garra e sentido de missão!”, afirmou, no comunicado oficial. 

O circuito urbano de Tóquio, localizado junto ao Big Sight, conta com 18 curvas e 2575 metros de extensão, e inclui três longas retas e algumas curvas de alta velocidade, que prometem proporcionar um espetáculo interessante para o muito público esperado durante o fim de semana na capital japonesa.

O programa do fim de semana inicia-se na sexta-feira com a primeira sessão de treinos livres. No sábado terá lugar uma nova sessão de treinos livres, seguida da qualificação, marcada para as 07:40, hora de Lisboa. A corrida, quer a de sábado, quer a de domingo, terá inicio ao meio dia. 

domingo, 31 de maio de 2026

WRC 2026 - Rali do Japão (Final)


Elfyn Evans triunfou no rali do Japão, reforçando a sua liderança no campeonato do mundo de ralis, com a a sua segunda vitória do WRC em 2026. O piloto galês ganhou com uma vantagem de 12,8 segundos sobre Sebastien Ogier, 51,4 sobre Sami Pajari e 1.03,4 sobre Takamoto Katsuta. Detalhe: os quatro primeiros são todos pilotos Toyota.

"Que grande fim de semana. Enorme agradecimento à equipa. Carro incrível novamente em asfalto." começou por afirmar. "Longo caminho a percorrer e muito cedo para falar sobre isso. Temos apenas de aproveitar este [momento].", concluiu o piloto galês, no final do rali.


O dia final tinha pela frente especiais duplas em Nunkata, no lago Mikawako, uma delas a Power Stage, e pelo meio, duas super-especiais em Kuragaike.

Oliver Solberg, que regressava depois de um acidente no meio da segunda etapa, venceu a primeira especial do dia, 2,1 segundos na frente de Elfyn Evans, 2,5 sobre Takamoto Katsuta, 4,7 sobre Sebastien Ogier e 8,4 sobre Sami Pajari. Takamoto foi o melhor na especial seguinte, 0,1 segundos na frente de Sebastien Ogier, 0,2 sobre Oliver Solberg, 1,7 sobre Sami Pajari e 2,7 sobre Elfyn Evans.

A seguir, vieram as super-especiais de Kuragaike, onde na primeira passagem, Ogier foi 0,4 segundos mais rápido que Takamoto e Solberg e 0,6 sobre Pajari. Na segunda passagem, Ogier levou novamente a melhor, 0,7 sobre Solberg, 1,1 sobre Evans e 1,5 sobre Pajari e Takamoto. Nesta altura, a diferença entre Evans e Ogier era de 15,5 segundos. 

A parte final, com as segundas passagens por Nukata e o lago Mikawako, acabou com Solberg a ganhar as duas, especialmente porque esse último era a Powerstage. Em Nukata, o sueco ganhou com uma vantagem de 4.4 sobre Takamoto, 5,6 sobre Ogier e 7,8 sobre Evans. Na Powerstage, o sueco ficou a 1.1 de Takamoto, 2,3 sobre Ogier, 2,7 sobre Pajari e 2,8 sobre Evans.

Adrien Formaux, que foi sétimo no Powerstage, falou em algo que passou despercebido: este é o último rali dos Rally1 em asfalto. "É o fim do Rally1 no asfalto. Foi uma bela etapa para terminar. Foram alguns bons anos com esses carros. Queríamos terminar mais alto, mas no final o prazer de dirigir esses carros é bom.", disse o piloto francês.

Depois dos quatro primeiros, quinto foi Formaux, a 2.34,8, na frente de Thierry Neuville, a 3.13,6. Sétimo foi Hayden Paddon, a 4.44,8, na frente do Ford de Jon Armstrong, a 5.45,2, do Lancia Rally2 de Nikolay Gryazin, a 9.21,3 e do outro Ford de Josh McErlean, a 9.23,0.

No campeonato, Evans lidera, agora com 151 pontos, contra os 131 de Takamoto Katsuta, 102 de Oliver Solberg, os 96 de Sami Pajari, os 90 de Sebastien Ogier e os 89 de Adrien Formaux. O Mundial prossegue dentro de um mês, de regresso à Europa, para o rali da Acrópole, na Grécia. 

sábado, 30 de maio de 2026

WRC 2026 - Rali do Japão (Dia 2)


O galês Elfyn Evans lidera o rali do Japão no final do segundo dia, com uma vantagem de 17,8 segundos sobre Sebastien Ogier. Ambos estão a lutar pela vitória, deixando mais longe o terceiro classificado, Sami Pajari, a 44,1 segundos, e ainda mais longe, a 1.11,3, o japonês Takamoto Katsuta. Detalhe: os quatro primeiros são todos Toyotas, com o melhor dos Hyundais em quinto, graças a Adrien Formaux, a 2.05,2. 

Com oito especiais a serem disputadas neste sábado - passagens duplas por Obara, Ena, e Monte Kasagi, mais as passagens duplas pela super-especial de Fujioka - o dia começava com Oliver Solberg a ganhar a especial, 3,2 segundos na frente de Elfyn Evans, 4,8 na frente de Sebastien Ogier, 5,5 sobre Takamoto Katsuta e 5,9 sobre Sami Pajari. Nikolay Gryazin sofrera um furo e perdia 33,5 segundos.

"Bati fortemente na roda [frontal direita] numa curva e há tantas vibrações que perco a direção assistida. Preciso ser corajoso na velocidade para confiar. Está a funcionar, mas não há ajuda da direção. Eu estava um pouco com medo - apenas duas bolas, não três.", disse o piloto, na final da especial.

Evans ganhou na primeira passagem por Ena, 1,4 segundos na frente de Oliver Solberg, 2,4 sobre Sebastien Ogier, 3,4 sobre Takamoto Katsuta e 5,8 sobre Sami Pajari. E no final da manhã, na primeira passagem por Mount Kasagi, o melhor acabou por ser Solberg, 2,3 segundos na frente de Ogier, 4,7 sobre Takamoto Katsuta e 5.8 sobre Sami Pajari.

Neuville perdeu 22.6 segundos, devido a problemas de travões. "Temos um problema técnico. Estou sem o travão de mão. Espero que possamos consertá-lo.", disse o piloto belga da Hyundai.

A tarde começou com a segunda passagem por Mt. Kasagi, com Ogier a levar a melhor, 0,9 segundos na frente de Takamoto Katsuta, 1,8 sobre Sami Pajari e 5,5 sobre Elfyn Evans.

Oliver Solberg bateu forte e o seu carro ficou fora da estrada, com danos numa das rodas, e por causa disso, ele ficou de fora para o resto do dia. Mas foi foi por causa dele que especial viria a ser parcialmente neutralizada. Isso aconteceu depois do acidente a envolver o carro do paraguaio Diego Dominguez. Felizmente, o piloto não sofreu nada de grave. 

Na segunda passagem por Ena, Sami Pajari foi o melhor, ganhando 2,1 segundos sobre Elfyn Evans, 3,6 sobre Takamoto Katsuta, 5,2 sobre Sebastien Ogier. Evans foi o melhor em Obara, 0,7 segundos melhor que Sami Pajari, 2,3 sobre Sebastien Ogier, 2,8 sobre Takamoto Katsuta. 

Apesar da liderança, Evans continuava cauteloso: "Os ralis são assim, no final do dia, qualquer coisa pode acontecer. A especial foi tranquila. No geral, sem drama.", disse o piloto galês.

O final do dia acabou com duas passagens na super-especial de Fujioka. Pajari ganhou na primeira passagem, 0,4 segundos sobre Ogier, 1,3 sobre Evans e 1,5 sobre Neuville. Pajari repetiu a dose na segunda passagem, desta vez 0,4 segundos na frente de Ogier, 1,3 sobre Neuville e 1,6 sobre Takamoto. Evans quase bateu no guar-rail, mas conseguiu controlar o carro e impedir danos maiores.

"Apenas travei e quase perdi o controle. Não tinha muito espaço ali. Obviamente, precisamos continuar da mesma forma, é tudo. Amanhã temos um grande dia.", disse o piloto galês.

Já Ogier queixava-se do ritmo e de não conseguir apanhar Evans: 

"Não era o que esperávamos. Viemos aqui para lutar pela vitória e não estamos a lutar. Tivemos um rali semelhante ao do Elfyn, exceto naquele uma especial. Foi duro e depois disso, nunca tive o ritmo para lutar de volta, lutando basicamente com o pneu."

Depois dos cinco primeiros, Thierry Neuville era o sexto, a 2.17,0, enquanto a seguir vinha outro Hyundai, o de Hayden Paddon, a 3,41,8. O Ford de Jon Anderson era oitavo, a 4.33,7, e a fechar o "top ten" estavam os Rally2 de Nikolay Gryazin, a 7.17,7, e o de Alejandro Cachon, a 7.23,4. 

O rali do Japão termina na madrugada deste domingo, com a realização das últimas cinco especiais. 

sexta-feira, 29 de maio de 2026

WRC 2026 - Rali do Japão (Dia 1)


O galês Elfyn Evans foi o melhor no final do primeiro dia do Rali do Japão. O piloto da Toyota tem uma vantagem de 15,7 segundos sobre o sueco Oliver Solberg, 17,1 sobre Sebastien Ogier, 41,5 sobre Sami Pajari. Tudo isto num rali onde os quatro primeiros são Toyotas. "No geral, foi um dia bom para nós.", disse Evans, no final desta sexta-feira.

Com os pilotos a encararem as primeiras seis especiais, com passagens duplas por Asuke, Isegami's Tunnel e Inabu/Shitara, o dia começou com Oliver Solberg em ação, ganhamdo a especial com 0,2 segundos de vantagem sobre Sami Pajari, 0,9 sobre Oliver Solberg, 1,1 sobre Elfyn Evans e 6,5 sobre Thierry Neuville.

Elfyn Evans ganhou na especial seguinte, em Isegami's Tunnel, 7,5 segundos sobre Solberg, 16,7 sobre Ogier, 22,6 sobre Neuville e 25,9 sobre Takamoto Katsuta. No final da manhã, em Inabu/Shitara, Evans foi o melhor, 1,7 segundos sobre Ogier, 4,9 sobre Neuville e sete segundos sobre Sami Pajari. Takamoto despistou-se e perdeu 12,3 segundos, mas continuando em sexto na geral, enquanto Solberg perdeu um pouco menos, mas foi porque teve de abrandar para não atropelar um veado.

"Perdi a confiança porque não sabia se não veria outro veado no caminho", disse o sueco da Toyota.


A parte da tarde começou com as segundas passagens pelas especiais da manhã, com Solberg a ganhar a especial e a conseguir uma vantagem de 1,2 segundos sobre Ogier, 2,6 segundos sobre Elfyn Evans, 4,1 sobre Sami Pajari. Evans ganhou na segunda passagem sobre Isegami's Tunnel, 1,1 segundos sobre Oliver Solberg, 2,8 sobre Sebastien Ogier, 10,7 sobre Sami Pajari e 13 segundos sobre Takamoto Katsuta.

No final do dia, Pajari foi melhor que Ogier na especial, com 0,4 segundos de diferença, com Solberg em terceiro, a 2,4, e Evans em quarto, a 2,9. 

"Etapa terrível. Estou surpreso com o tempo. Geralmente estou triste hoje, muitos pequenos problemas.", disse Solberg, no final do dia. 

Depois dos quatro primeiros, Thierry Neuville é o quinto, a 58,2, com Takamoto Katsuta não muito longe, a 1.03,8. Sétimo é Adrien Formaux, a 1.16,3. O neozelandês Hayden Paddon, que regressa ao Hyundai neste rali depois do seu pódio no Safari, é oitavo a 2.17,0, na frente do Ford de Jon Anderson, a 2.40,9, e do Toyota GR Yaris Rally2 de Alejandro Cachon, a 3.26,6.

O rali do Japão continua neste sábado, com a realização de mais oito especiais.

sexta-feira, 22 de maio de 2026

As imagens do dia



Se ontem falei sobre Willy T. Ribbs e da sua qualificação celebrada para as 500 Milhas de Indianápolis de 1991, mais discretamente também acontecia outro feito: o primeiro asiático a participar nessa prova. E o piloto que alcançou o feito, Hiro Matsushita, não era um qualquer. Não tanto em termos de capacidade de pilotagem, mas por aquilo que trazia arás de si, em termos familiares.

Neto do fundador da Panasonic, Konosuke Matsushita, e filho de Masaharu Matsushita, que lhe sucedeu nos negócios, recusava ser rotulado como um miúdo rico que podia comprar o que quisesse, pois os Matsushita eram das famílias mais ricas do Japão. Começou a sua carreira a competir em corridas de motos no seu Japão natal entre 1977 e 1980, antes de migrar para os automóveis.

Em 1989, estava na Formula Atlantic, onde apesar de ter feito meia temporada, conseguindo apenas 14 pontos, foi o suficiente para subir para a CART, indo correr para a Dick Simon Racing. Tentou entrar nas 500 Milhas, mas não se qualificou. 

Em 1991, mantendo-se na Dick Simon Racing, e depois de três corridas sem grande história - quase sempre no fundo da tabela - ia enfrentar as suas segundas 500 Milhas de Indianápolis. E queria entrar. Arranjaram um Buick V6, e lá se adaptaram ao carro, tentando entrar na média necessária para a tal histórica qualificação. 

Nas "time trails", que começaram a 11 de maio, enquanto gente como Emerson Fittipaldi, Bobby Rahal, os Andretti - Mario e Michael - marcavam os seus tempos, ele não conseguia um tempo para ficar no "Fast 12", ficando para a segunda semana. Ali, ele não teve problemas para marcar uma média de 218,148 km/hora, no dia 18 de maio, o terceiro dia dos "time trials", depois de duas tentativas a 14 e 16 de maio, interrompidas pela chuva persistente. 

No final, ele conseguiu o 24º melhor tempo, foi o mais rápido dos "rooikes" nesse ano, e claro, o primeiro japonês a entrar nas 500 Milhas. Depois dele, vieram Shinji Nakano, Naoki Hattori, Hideki Mutoh, para culminar em Takuma Sato e as suas duas vitórias no Brickyard, para delírio dos seus compatriotas. E tudo começou com "King Hiro", apelido "carinhosamente" dado por Emerson Fittipaldi num dia de corrida... 

segunda-feira, 27 de abril de 2026

As especulações do projeto da Subaru


A Subaru irá estrear dentro de duas semanas - entre os dias 8 e 10 de maio - no Rally Asuka, terceira prova do campeonato japonês, o Boxer Rally Spec.Z, e com isso, a especulação sobre um possível regresso ao WRC cresce ainda mais. Baseado no modelo BRZ, está profundamente transformado com motor boxer turbo de 2,4 litros e tração integral. Guiado pelo veterano Arai Toshihiro, o carro é uma transformação profunda face ao BRZ de estrada, pensada especificamente para competição nacional.

Apesar da Subaru afirmar que o carro serve exclusivamente para o campeonato japonês, logo, excluindo uma participação internacional, o aparecimento de um novo carro de ralis com tração integral, motor turbo e apoio direto da marca volta a alimentar especulação sobre a ambição desportiva futura da fabricante, que teve sucesso há mais de 35 anos, primeiro com o Legacy, depois com o Impreza, ambos os carros preparados no Reino Unido pela Prodrive, de David Richards.

Com a Toyota a testar fortemente o seu WRC27 nas estradas um pouco por toda a Europa, com Ott Tanak ao volante, e com a própria marca japonesa, através do seu presidente, Toyoda Akio, a afirmar à Subaru que poderá ajudar a marca no desenvolvimento de qualquer projeto nos ralis, caso eles escolham o modelo semelhante ao BRZ, o 86. Contudo, a marca japonesa já registou o nome "GR Celica", o que poderá também significar o regresso de um nome que deu brado durante mais de três décadas, entre 1970 e 2006.

Uma coisa é certa: o programa de ralis da Subaru, pelo menos no Japão, reforçou-se em termos competitivos, e o próprio Arai considera que o novo carro resolve grande parte dos problemas sentidos anteriormente, destacando a resposta do motor, a eficácia da travagem e a velocidade em curva. Caso volte a ser vencedor por ali, pode ser que a ideia de uma presença internacional passe a não ser tão descabida...

sexta-feira, 3 de abril de 2026

As razões do afastamento de Kalle Rovanpera


É sabido desde há alguns dias que o finlandês Kalle Rovanpera decidiu abdicar da temporada na SuperFormula japonesa, a sua competição que serviria de transição para as pistas, depois de dois títulos mundiais no WRC. A decisão aconteceu a algumas semanas do começo do campeonato, e tinha a ver com razões de saúde que tinham sido detectados no inicio do ano, quando estava na Nova Zelândia, para o Formula Regional Oceania. 

Contudo, nesta quinta-feira, foi divulgada a razão porque ele se afastou e quem o aconselhou nesta decisão. E neste aspecto, a intervenção de Akio Toyoda ajudou imenso na decisão tomada. Chama-se "Vertigem Posicional Paroxística Penigna" (VPPB).

A VPPB é caracterizada por breves episódios de vertigem intensa desencadeados por mudanças da posição da cabeça. Resulta do deslocamento de pequenos cristais de cálcio no ouvido interno, alterando a percepção de movimento e equilíbrio. Apesar de provocar desconforto, com possível náusea, vómitos e desequilíbrio, é considerada uma condição benigna, não associada a lesões graves neurológicas ou tumorais. O diagnóstico é clínico, baseado na história e em manobras específicas que reproduzem a vertigem, e o tratamento é feito, sobretudo, através de manobras de reposicionamento, que recolocam os cristais na posição correta e costumam proporcionar alívio rápido dos sintomas.

O diretor para o desporto motorizado da Toyota, Masaya Kaji, revelou que a decisão foi influenciada tanto por aconselhamento médico como pela preparação insuficiente do piloto.

“A decisão foi fortemente liderada pelo Morizo-san [Akio Toyoda], que assumiu a responsabilidade de a tomar. Foi uma decisão difícil para todos os envolvidos, mas foi tomada sob a sua liderança com um claro sentido de responsabilidade. Mas, a este nível, não faz sentido participar em corridas sem a preparação adequada.”, começou por explicar ao site motorsport.com.

Kaji acrescentou que a prioridade passa agora pela recuperação total do piloto:

Quando o Kalle estiver totalmente preparado, tanto física como mentalmente, então enfrentaremos o próximo desafio juntos. É verdade que o tempo de preparação foi inferior ao ideal desta vez, mas acredito que poderá preparar-se devidamente para a próxima oportunidade. Planeámos vários cenários, mas o maior problema é que, se estiver a descansar, não pode preparar-se. Por agora, temos de respeitar o que dizem os médicos e dar-lhe tempo para recuperar.”, concluiu.

A SuperFormula japonesa começa neste final de semana com uma jornada dupla na pista de Motegi. 

segunda-feira, 30 de março de 2026

Rumor do dia: O regresso da Subaru ao WRC?


Há pouco mais de uma semana, a Subaru anunciou que está a desenvolver um novo carro com tração integral e turbo, com vista a um eventual regresso ao WRC. O modelo, baseado no BRZ, deverá estrear-se em competição durante a primeira metade da temporada japonesa de 2026, segundo informações avançadas por meios internacionais especializados.

Esse modelo está adaptado à competição com tração às quatro rodas e motorização boxer sobrealimentada. As imagens que já foram divulgadas mostram uma carroçaria alargada, com cavas de roda mais pronunciadas e configuração visual claramente orientada para os troços. O construtor adiantou que mais detalhes técnicos serão revelados numa data posterior, mantendo ainda em aberto informação essencial sobre a configuração final do projeto.

Apesar de todo o entusiasmo - o carro será testado pelo veterano Toshihiro Arai, nome bem conhecido do automobilismo japonês, incluindo no WRC - isto não é um anuncio automático de um regresso ao Mundial de Ralis. O projeto é, por agora, para o campeonato japonês, e, por agora, não há qualquer indicação oficial de expansão ou desenvolvimento com vista ao regulamento mundial de 2027. Contudo, a marca tem um acordo de cooperação com a Toyota, e a GR (Gazoo Rally) a desenvolver e a testar a sua máquina para 2027, não será muito difícil se a Subaru decida que regressar ao WRC, quase 20 anos depois da última vez, não será uma má ideia...

E pelo desenho do carro, creio que essa ideia deve estar a passar pela cabeça dos dirigentes mundiais da marca. Aliás, a FIA até receberia de braços abertos o regresso da marca, da mesma forma que aplaudiu o regresso da Lancia - por agora, apenas no Rally2, com o Ypsilon...

domingo, 29 de março de 2026

Formula 1 2026 - Ronda 3, Suzuka (Corrida)


Três corridas no campeonato com os novos regulamentos, e já se começam a definir algumas coisas sobre esta nova Formula 1. Algumas, de certa forma, eram previstas desde antes do começo desta temporada. Contudo, havia algo que, sinceramente, não previa nesta altura: ver que um garoto de 19 anos estar perto de ser um futuro campeão do mundo. Nisso, Toto Wolff tem uma inteligência aguda e instinto para saber que tem fome de vencer. 

Andrea Kimi Antonelli ganhou na China, mas se calhar pensaram que poderia ter sido um "acaso" perante um piloto mais velho e mais experimentado, na figura de George Russell, que nunca conseguiu lutar pelo título porque não tinha um carro suficientemente decente. Contudo, agora que tem essa chance pela frente, parece que o "menino-prodigio" de Bolonha está prestes a desbrochar, qual "sakura" (afinal, estamos na primavera no hemisfério norte), poderá superar aquele que, se calhar, merece este título. Não que os títulos tenham os nomes dos pilotos desenhados antecipadamente, mas toda a gente sabe que, para ser campeão, tem de o merecer. 

E pela pole que conseguiu ontem, parece que a mensagem está a ser mandada: Kimi Antonelli quer o campeonato, pelo menos o deste ano. Resta saber se terá estofo, não é?

Domingo de primavera, com o tempo algo quebrado - mas sem chances de chuva - e os pilotos preparavam-se para as 53 voltas que tinham diante deles. Antes de partir, e antes de se saber que não havia carros a ficarem sem energia ou sem peças nas boxes, estes iriam começar com médios, esperando livrar-se deles por alturas do meio da corrida. 

Contudo, pouco antes da largada, o anuncio de que a corrida iria começar um pouco mais tarde, cerca de dez minutos. A razão? um acidente bem feio numa das corridas de suporte do campeonato, a Porsche Supercup, e o carro voou... para fora da pista, danificando o muro de proteção. Apesar do aparato, o piloto pouco sofreu. 


Na partida, Antonelli foi surpreendido por Piastri, que arrancando bem, ficou com o comando da corrida, colocava um McLaren no comando. Atrás deles, Leclerc também largava bem e ficava com o segundo posto, seguido por Norris e os Mercedes eram apenas quarto, com Russell, Hamilton e Antonelli, logo a seguir. O poleman teve uma péssima largada - se calhar, não tinha energia suficiente para se lançar e defender a liderança - e fazia a primeira curva em sexto. Gasly era sétimo, na frente de Verstappen.

Quando passaram pela meta no final da primeira volta, os espectadores ficavam surpresos por ver os Mercedes tão mal colocados. Ainda por cima, Antonelli tinha perdido quatro lugares. Mas claro, havia muito pela frente, e eles certamente não perderam a cabeça, pensando na estratégia para regressar aos lugares cimeiros. Mas por agora, Oscar Piastri fazia os seus primeiros metros da temporada - depois de três corridas! - no comando da corrida.

Nas voltas seguintes, Russell esforçou-se e passou, primeiro Norris, depois, Leclerc, para ser segundo, mas enquanto batalhava para se livrar deles, Piastri tinha aberto uma pequena distância, pouco mais de dois segundos e meio, e parecia estar confortável. Claro, o britânico queria o comando e foi atrás do australiano, que, agora com um carro que anda, mostrava todo o seu potencial de liderança. 

Na volta 10, Russell, por fim, encostava a frente do seu Mercedes na traseira do McLaren do australiano, e depois da chicane, assaltava e conseguia a liderança. Mas Piastri não desistiu e respondeu, ficando novamente com o comando, porque Russell ficara sem energia para se defender. Atrás, Antonelli conseguia apanhar Norris e ficava com o quarto posto. Cinco voltas depois, Antonelli apanhava Leclerc e era terceiro, mas o monegasco reagia e recuperava a posição.

Quase a seguir, as primeiras paragens: Norris trocava para duros na volta 17, e logo a seguir, era Leclerc que fazia o mesmo, e com isso, Antonelli ia para segundo. Parecia a hierarquia ideal: Mercedes na frente, fim de história. Mas não.


Porque na volta 23, um susto: enquanto Russell ia às boxes para fazer a sua paragem, e dando a liderança a Antonelli, entre o gancho e a Spoon, o Haas de Oliver Bearman viu o Alpine de Franco Colapinto a andar lentamente, saiu de pista e despistou-se, batendo de lado no muro - soube-se depois que o impacto no muro foi a 50G's. Ele saiu a coxear, e os comissários não tiveram outra opção senão chamar o Safety Car.

Nas cinco voltas seguintes, os comissários andaram a limpar a pista e tirar o carro daquele lugar, enquanto os pilotos tiveram a aquecer os pneus, e boa parte dos pilotos aproveitaram a ocasião para se livrarem dos pneus médios e calçarem os duros, para ficar na pista até ao final.

No regresso, na volta 28, a corrida iria recomeçar, com Antonelli, que tinha ido às boxes sem perder a liderança, resistia aos ataques de Piastri para manter a liderança 

Pouco mais de metade da corrida, e com Antonelli a controlar a distância sobre Piastri, Hamilton lutava com Russell para um lugar do pódio, e Norris, em sexto, à distância. Mas na volta 38, Russell era passado por Leclerc e tinha descido para quinto. O monegasco queria passar Hamilton, mas ele não queria nada disto, e esta luta fratricida era excelente para Russell, que ficava ao pé deles, para tentar passar para, quem sabe, terceiro lugar. 

Eles duelaram, mas Leclerc conseguiu o terceiro posto na volta 42, a onze do fim. Hamilton lutou, mas o seu companheiro de equipa conseguiu aguentar. Russell aproveitou a oportunidade e também passou Hamilton e o britânico da Mercedes ficou com o quarto posto. E para piorar as coisas, o risco de ser passado por Norris era real. Norris passou Hamilton na volta 48, mas o britânico da Ferrari ficou com o lugar de volta.

Um pouco mais atrás, Verstappen pressionava Gasly para ver se ficava no sétimo posto, mas não iria ser fácil. E mesmo que passasse, para os buscar, tinha quase oito segundos de desvantagem.

Na frente, com os carros a aproximarem-se da bandeira de xadrez, Antonelli tinha tudo controlado, principalmente sobre Piastri, que parecia estar a caminho da primeira corrida terminada, e ainda por cima, no pódio porque, apesar de Charles Leclerc estar perto, não parecia ser ameaçador. Aliás, o monegasco tinha outras prioridades: Russell queria o seu lugar no pódio.

Na volta 51, ele usou a sua energia para passar o piloto da Ferrari, mas ele guardou energia para reagir, e conseguiu recuperar o lugar na primeira curva. Atrás, Lando Norris fez a mesma manobra, para passar Hamilton e ficar com o quinto posto. 

E enquanto havia estas lutas, na frente, Antonelli, tranquilo, ia a caminho da segunda vitória consecutiva, e parecia que estava a distanciar-se do pelotão. Aos 19 anos, ele liderava o campeonato, na frente de Piastri e Leclerc, que conseguia aguentar Russell e mantinha o seu lugar no pódio. Norris foi quinto, com uma manobra nos últimos metros, e no sétimo posto, Gasly aguentava Max, com Lawson e Ocon a fechar nos pontos.


Pode existir criticas com os carros, os fãs e alguns pilotos poderão queixar-se de que com esses carros, não podem acelerar totalmente, mas ninguém anda a queixar-se de que estas corridas são aborrecidas, pelo menos estas primeiras da nova temporada...

E agora, teremos um mês sem corridas, até ao regresso dos carros e dos pilotos à Europa.

segunda-feira, 23 de março de 2026

Meteo: Suzuka poderá ter perturbações chuvosas


O GP do Japão poderá ter possibilidades de chuva durante o fim de semana, especialmente no sábado. Segundo as mais recentes informações meteorológicas, depois de uma sexta-feira sem nuvens, um sistema frontal aparecerá no sábado na zona de Mie, que é onde fica a pista de Suzuka, onde haverá uma chance de 40 por cento de chuva à hora da qualificação.

Quanto a domingo, as chances de chuva estão reduzidos a zero, com alguma brisa. A temperatura esperada ao longo do fim de semana andará entre os 17 e os 19ºC.

Mais para o meio da semana haverá certezas sobre que tempo iremos ter no fim de semana japonês. E se chover durante a qualificação, será a primeira vez que a Formula 1 encarará esta situação com as novas regras. 

sábado, 21 de março de 2026

Noticias: Rovanpera, doente, não compete na SuperFormula japonesa


O finlandês Kalle Rovanpera decidiu retirar-se da SuperFormula nesta temporada devido a razões médicas. O anuncio foi feito na manhã deste sábado no Japão, e o seu lugar foi ocupado pelo local Seita Nonaka. Isto acontece a algumas semanas da corrida inicial, em Motegi, e vem realçar os problemas de saúde que o piloto finlandês de 25 anos tem tido desde o final do ano passado, altura em que decidiu trocar os ralis pelos circuitos.

Nas redes sociais, explicou a sua decisão:

"Há algum tempo que lido com problemas de saúde, que pioraram este ano. A minha saúde não me permite continuar em segurança no momento. Agora, a minha prioridade é resolver isto. O feedback e o progresso deste ano mostram que existe um bom potencial neste projeto.", começou por afirmar.

"O meu capítulo nas corridas de circuito ainda não terminou. Lamento muito por aqueles que esperavam ver-me na pista. Espero reencontrá-los o mais breve possível!", concluiiu.

A decisão foi acolhida com lamentos da parte da Toyota, que tinha ajudado muito nesta sua transição para o asfalto.   

"[Rovanpera] dedicou-se de corpo e alma a desafiar-se em carros de fórmula, impulsionado por um desejo profundo e inabalável de evoluir. A cada teste particular na pista, a sua velocidade era evidente. Vi-o esforçar-se cada vez mais, descobrir algo novo dentro de si e melhorar os seus tempos por volta vezes sem conta.", começou por afirmar Toyoda, no comunicado oficial da marca. "No entanto, apesar de toda esta paixão e progresso, o seu corpo não estava a aguentar. Após uma avaliação médica, chegámos à dolorosa conclusão de que continuar a competir não seria a escolha certa para ele.", continuou.

"Esta decisão pesou muito sobre mim. Questionei-me sobre o que significa realmente deixá-lo procurar a velocidade e o que significa proteger alguém em quem se acredita. No final, equilibrar estas responsabilidades levou-me a interromper a sua participação na temporada da Super Fórmula deste ano. A todos os envolvidos e a todos os fãs que o apoiaram com tanto carinho, lamento profundamente não termos conseguido corresponder às suas expectativas.". concluiu. 

O piloto, campeão do mundo do WRC em 2022 e 2023, antes de ter feito um ano a tempo parcial em 2024, tem enfrentado problemas de saúde desde meados de 2025 que andavam a afetar o seu equilíbrio e a sua visão, e isso incluiu episódios de vertigem que já o condicionaram em testes e que se agravaram nos últimos meses, enquanto andava a fazer a transição para as pistas.

No inicio do ano, Rovanpera participou no Formula Regional Oceania Trophy, onde conseguiu alguns resultados de relevo, com um terceiro lugar na primeira corrida de Tereronga, na Nova Zelândia, e mostrou que consegue andar bem em situações de chuva.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Noticias: Kalle Rovanpera interrompe testes na SuperFormula


O finlandês Kalle Rovanpera começou a fazer os seus treinos para se adaptar a um SuperFormula, em Suzuka, mas teve de acabar prematuramente nesta quarta-feira devido a um problema de saúde. Apesar de ter dado 32 voltas no carro da KCMG durante a manhã, começou a sentir desconforto físico à horas do almoço. Consultado por médicos, a conselho deles decidiu que não iria participar na sessão da tarde.

Ryuji Doi, o diretor de equipa, indicou inicialmente que o piloto estava a descansar com o objetivo de regressar à pista na quinta e na sexta-feira. Contudo, ao final do dia, foi o próprio Rovanpera que anunciou o fim prematuro desses testes.

Nas suas redes sociais, anunciou o tipo de problema que teve: uma vertigem no ouvido interno, que lhe afetou o equilíbrio e a visão. 

Durante a pausa para o almoço tive sintomas de vertigem posicional paroxística benigna, que afeta o equilíbrio e a visão através do ouvido interno. O médico proibiu-me de conduzir esta semana. Estou realmente desiludido, porque não tivemos qualquer oportunidade de fazer um trabalho adequado além do nosso teste aerodinâmico desta manhã. Foi um azar ter isto logo na primeira saída. Agora é tempo de recuperar e só posso esperar pela próxima oportunidade.”, referiu.

O finlandês terá agora de esperar até fevereiro, quando regressará ao volante durante os testes de pré-época. Antes disso, competirá no Formula Regional Oceania Championship com a Hitech, que colabora tecnicamente com a KCMG.

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

A imagem do dia







Depois de Michael Schumacher ter ganho o título de pilotos, ainda tinha de ajudar a equipa para outra tarefa: dar à Benetton o inédito título de Construtores. A Williams, apesar de ter tido metade dos pontos do alemão, tinha dois pilotos suficientemente rápidos para tirar o campeonato das mãos do alemão, da equipa liderada por Flávio Briatore. 

O pessoal não comemorou muito quando Schumacher alcançou o título em Ti-Aida, porque na semana seguinte, iam para Suzuka, correr non GP do Japão. E ainda por cima, como em 1994, a Formula 1 ia encarar mais um Grande Prémio... á chuva! Pelo menos no dia da corrida. Mas isso não impediu que Michael Schumacher ganhasse nova corrida, na frente de um regressado Mika Hakkinen, que tinha ficado ausente por causa da sua operação ao apêndice, e de Johnny Herbert, noutro Benetton. E sem Williams a pontuar, com ambos vitimas de despistes, essa discussão também acabou a uma corrida do final da temporada.

Mas o grande herói dessa corrida foi um que não chegou aos pontos, mas deu espectáculo. Aliás, se formos ver, a parte final dessa temporada de 1995 para Jean Alesi, é mais de um piloto que merecia ter ganho mais de uma corrida, se o carro colaborasse, e se fosse mais rápido que a concorrência. No caso japonês, Alesi teve um excelente final de semana. Com o carro cada vez melhor, e depois de ter conseguido um pódio em Nurburgring - uma corrida que deveria ter ganho, se acabasse cinco voltas antes - em Suzuka, andou muito bem nos treinos, conseguindo o segundo melhor tempo, passado apenas por Michael Schumacher. 

No dia da corrida, tinha chovido na hora anterior à corrida, mas tinha parado no momento em que as luzes se apagaram. Mesmo assim, os pilotos partiram com pneus com rasgos, para poderem espalhar a água.

E foi aqui que começou um espetáculo chamado Jean Alesi.

Largando de segundo na grelha, ele manteve a posição, mas imediatamente a seguir, os comissários afirmaram que ele teria mexido o carro na grelha antes de tempo e obrigaram a passar pelas boxes para tomar uma penalização de dez segundos (já agora, Gerhard Berger, seu companheiro de equipa, também apanhou). Regressou à pista em décimo e na volta seguinte, decidiu calçar pneus "slick", mas até lá, o seu estilo de condução era o equivalente a alguém estar possesso. Um dos pilotos que passou fora Johnny Herbert, e mesmo com os excessos a acabarem com ele na relva, continuou, para depois ir às boxes na volta sete e colocar pneus para pisto seco, embora ainda estivesse húmido.

Schumacher, por exemplo, só foi na volta 10, altura em que Alesi, que ganhava... cinco segundos por volta (!), apanhou o Minardi de Pedro Lamy e tentou passá-lo. Só que ele empurrou para a relva, regressou, sem danos, e foi atrás de gente como Damon Hill, que o passou antes da chicane. Quando chegou ao segundo posto, com aqueles pneus, todos foram às boxes trocar para os de piso seco. 

Na frente, Schumacher mantinha a liderança, depois de Mika Hakkinen ter liderado por uma volta. Apesar do alemão aparentemente ter tudo controlado, começava a ser ameaçado, não por Hill ou Coulthard... mas por Alesi. Mais rápido que o alemão, a diferença tinha diminuído bastante ao ponto de na volta 25, já estar a ver, ao longe, a traseira do Benetton. Mas ali, o azar interveio, quando o seu diferencial cedeu e ele teve de parar de vez. Mais uma desilusão para o francês, mas até ali, tinha dado um espetáculo memorável para os que tinham ido a pista e os que viam a corrida pela televisão.

"Estava a divertir-me muito, mas não seria novamente o meu dia. O veio de transmissão partiu-se e todo o óleo vazou do diferencial.", contou Alesi, muitos anos depois.

E se calhar, até teria feito mais. Na volta 31, depois de Schumacher parar uma segunda vez, a chuva regressou à corrida, mas na zona da curva Spoon, do outro lado da pista. Suficiente para que os Williams de Hill e Coulthard se despistarem ali e acabarem na gravilha, e também a sua tarde automobilística. 

No final, depois dos pilotos do pódio, Eddie Irvine, no seu Jordan, o Ligier de Olivier Panis e o Tyrrell de Mika Salo ficaram nos restantes lugares pontuáveis.     

Anos depois, Alesi falou desta corrida da seguinte forma: "Na minha carreira na Formula 1, houve muitas corridas que deveria ter ganho, mas não ganhei, por isso é bem verdade que aquela que não consegui terminar foi a corrida da minha vida!"

Acho que diz muito, não só da rapidez do piloto, mas máquinas que guiou e do facto de ter estado no lugar certo, mas na altura errada. 

quarta-feira, 22 de outubro de 2025

A imagem do dia




Há precisamente 30 anos, na madrugada do dia 22 de outubro de 1995, Michael Schumacher alcançava o seu segundo título mundial, no lento circuito de Aida (ou Okayama), numa demonstração de condução que, de uma certa forma, serviu para demonstrar as suas habilidades ao volante do seu Benetton.

É claro que Schumacher não ganhou ali o campeonato. Este foi ganho ao longo do ano, com uma Benetton que trabalhou para si, enquanto na Williams, os atritos entre Damon Hill e David Coulthard, os erros cometidos por ambos, os incidentes entre Hill e Schumacher, especialmente nas corridas de Silverstone e Monza - curiosamente, ambos ganhos por Johnny Herbert - e tudo isso levou ao ponto de, a três corridas do final, ter aparecido o primeiro "match point" daquela temporada, em terras japonesas.

Para piorar as coisas, no Reino Unido, havia dúvidas se Hill tinha estofo de campeão. Com Coulthard a demonstrar velocidade, mas inconsistência, na sua primeira temporada a tempo inteiro, e situações onde o britânico foi incapaz de ser mais assertivo sobre Schumacher - o melhor exemplo foi na Bélgica, onde numa superfície húmida, o alemão, com pneus slicks, conseguiu segurar Hill, que tinha pneus de chuva, para acabar a ganhar essa corrida - havia gente que não acreditava nele. Quem tinha uma opinião sobre isso era Martin Brundle, que não iria correr nessa corrida, pois o seu lugar era partilhado com Aguri Suzuki na Ligier Mugen-Honda, e escreveu, numa coluna do The Times:

"O Damon precisa de fazer duas coisas. Primeiro, precisa de se consolidar como número um da Williams no próximo ano para que a equipa lhe possa dar total apoio. Segundo, precisa de se restabelecer como piloto. Talvez precise de perder uma roda dianteira uma ou duas vezes para se restabelecer."

Esta corrida deveria ter acontecido no inicio da temporada, mas a 17 de janeiro daquele ano, na zona de Kobe, um forte terramoto devastou a cidade e matou mais de sete mil pessoas. Okayama, o lugar onde se situa a pista de Ti-Aida, foi afetada porque a principal estrada de acesso ao circuito tinha sido destruída (a pista situava-se num lugar remoto, e só tinha bancadas para... 15 mil espectadores) e iria demorar algum tempo até ser reconstruída. Com isso em mente, a corrida foi adiada até outubro, para ligar com o fim de semana em Suzuka, a primeira vez que isso acontecia.

Mas não era só na Ligier que havia mudanças: na McLaren, Mika Hakkinen fica doente, com uma apendicite, e é substituído pelo seu piloto de testes, o dinamarquês Jan Magnussen, então com 21 anos. E na Pacific, Bertrand Gachot, um dos acionistas da equipa, fazia o seu regresso, depois do desastre Jean-Denis Deletraz

Com os Williams na frente na grelha, a pressão era grande: mostrar a Schumacher que tinham carro melhor que ele, e - pelo menos - adiar a discussão do título para Suzuka. Mas o alemão, que partia de terceiro na grelha, tinha o seu truque na manga. Na partida, Damon Hill conseguiu segurar Schumacher, mas depois, ambos foram passados pelo Ferrari de Jean Alesi, que era segundo no final da primeira volta, com David Coulthard a comandar a corrida. Schumacher era quinto, tinha sido passado pelo segundo Ferrari de Gerhard Berger.

As paragens previstas eram três, com os primeiros a pararem na volta 18. Contudo, Schumacher e a equipa Benetton foram mais rápidos no reabastecimento, e ele saiu na frente de Hill e Alesi, ficando com o segundo posto, atrás de Coulthard. E para piorar as coisas, o reabastecimento de Hill foi um desastre, por causa da mangueira ter demorado para tirar do seu lugar. Quando Berger e Herbert pararam, ele consolidou o seu segundo posto, e começou a aumentar o ritmo para ver se saía melhor que o escocês, quando fosse a sua vez de reabastecer. É que, ao contrário dos outros, ele iria só parar por duas vezes. Logo, na volta 24, foi o seu primeiro reabastecimento, suficiente para manter a liderança. 

Mas por causa disso, Schumacher começou a ser mais rápido que Coulthard por causa do depósito mais leve, logo, voltas mais rápidas. O alemão parou na volta 38, e saiu ainda em segundo, vinte segundos atrás de Coulthard. O alemão começou a acelerar, fazendo volta mais rápida atrás de volta mais rápida, diminuindo a distância entre ambos, ao ponto de, na volta 49, quando o escocês fez o seu segundo e último reabastecimento, ele voltou à pista com 15 segundos de atraso para o alemão da Benetton.

De uma certa maneira, a estratégia tinha dado resultado. Quando parou pela terceira e última vez, a diferença entre ambos era de 21 segundos, e no regresso à pista para as voltas finais, lo alemão manteve a liderança com uma diferença mais pequena, que abriu para os 15 segundos, por alturas em que cruzou a linha de chegada para receber a bandeira de xadrez. 

No pódio, Schumacher celebrou o seu bicampeonato, sabendo que esses tempos iriam ter um prazo de validade. Afinal de contas, ele já tinha os pensamentos para um desafio ainda maior. Quanto a Damon Hill, todos estavam a colocar dúvidas sobre se tinha estofo de campeão. O único que iria mexer na engrenagem era Frank Williams, e ele decidiu dar mais um voto de confiança. 

terça-feira, 21 de outubro de 2025

A imagem do dia






Sabiam que desde este pódio Piquet-Moreno-Suzuki, nunca mais houve pódios sem pelo menos um piloto europeu? É verdade, já passaram 35 anos desde que isso aconteceu. 

Mas poderia ter havido um europeu nesta história. Que não aconteceu por causa de um excesso seu. Falo de Nigel Mansell

O piloto britânico - por curiosidade, a derradeira contratação de Enzo Ferrari - estava de saída da Ferrari, depois de duas temporadas. Se na primeira até fez alguns brilharetes, como ter ganho o GP do Brasil, a primeira onde se estreou uma caixa de velocidades semiautomática, na segunda, as coisas não andaram muito bem. Conflitos internos e a presença de Alain Prost fizeram com que, por algum tempo, pensasse em abandonar a Formula 1.

Mansell decidiu repensar a retirada, e no final da temporada, decidiu aceitar o convite de Frank Williams para regressar à equipa onde esteve entre 1985 e 88, e onde ganhou a sua primeira corrida na Formula 1. Entretanto, com os mais recentes desenvolvimentos no seu Ferrari 641, triunfou no Estoril e foi segundo em Jerez, subindo na classificação. 

Na qualificação, Mansell conseguiu o terceiro melhor tempo, apenas atrás de Ayrton Senna e Alain Prost, e na frente de Berger e dos Benetton de Nelson Piquet e Roberto Moreno, que substituía Alessandro Nannini, que tinha sofrido um acidente de helicóptero. 

Mansell perdeu o lugar para Gerhard Berger na partida, mas acabou em segundo depois da colisão entre Senna e Prost. 

Contudo, na volta seguinte... sorte das sortes! Gerhard Berger, que tinha herdado a liderança, perdeu o controlo do seu McLaren no mesmo sítio e saiu fora, acabando com a liderança ao seu colo!

Com três dos principais candidatos à vitória de fora, e ele no comando na terceira passagem pela meta, parecia que tinha tudo sob controlo. Apenas os Benetton de Piquet e Moreno eram uma ameaça à sua liderança, mas parecia ter tudo sob controlo. E também parecia que era o candidato principal à vitória, porque tinha o melhor carro na pista naquele momento.

Contudo, a Benetton tinha uma tática: não parar para trocar de pneus. E ele decidiu elevar o seu ritmo para poder não perder a liderança quando fosse às boxes, na volta 26 - metade da corrida. A paragem foi ótima, mas quando acelerou para a pista... o eixo principal quebrou, impedindo-o de acelerar. Ao se aperceber que tinha virado passageiro, as frustrações do "brutânico" vieram ao de cima, batendo as mãos no chassis.

Afinal de contas, tinha acabado de deitar fora uma vitória quase certa.

Os Benetton, sabendo disso, limitaram-se a levar os seus carros até à meta para conseguirem a sua primeira dobradinha da sua história, com Nelson Piquet e Roberto Moreno - para Piquet, era a sua primeira vitória desde 1987 - enquanto Aguri Suzuki acabava em terceiro, para delírio dos locais. Afinal de contas, era o primeiro japonês num pódio de um Grande Prémio de Formula 1. 

Curiosamente, o sexto classificado, e a fechar os pontos nesse tempo, fora Satoru Nakajima, no seu Tyrrell. Pela primeira vez, dois japoneses pontuaram num Grande Prémio. 

segunda-feira, 20 de outubro de 2025

A imagem do dia (II)



Quem se recorda mais ou menos o que foi a qualificação do GP do Japão de 1990, sabe que Ayrton Senna queria que tivessem movido o lugar onde ele iria acontecer, da esquerda, para a direita. Ele reclamou afirmando que, sendo um lugar mais sujo em termos de uso dos carros, ele teria desvantagem na partida. E culpava a FISA e o senhor Jean-Marie Balestre pelo sucedido.

Contudo, havia outras coisas que Senna não contava nesse caso. Duas, pelo menos. A primeira era mais técnica: a Ferrari tinha conseguido uma vantagem sobre a McLaren do qual eles demorariam a ter, que era o controlo de tração. Os 641 tinham-no desde, pelo menos o GP de Portugal, e usavam-no sem problemas. Isso ajudou na recuperação quer de Alain Prost, quer de Nigel Mansell - tinham ganho as duas corridas ibéricas da temporada - e agora, o francês estava a uma distância real de apanhar o piloto brasileiro. 

Mas as armas estavam apontadas na questão da grelha. Ora, esse argumento tinha um defeito: o lugar estava lá desde o regresso da Formula 1 ao Japão, em 1987. Senna tinha acabado de fazer a sua terceira pole seguida, e teve problemas nas largadas por motivos diferentes: em 1988, o seu motor afogou-se, no ano seguinte, Prost largou melhor. 

Senna poderia ter feito essa reclamação antes, e não nessa altura. Levou ao engano muita gente, julgando que eles tinham mudado a posição antes de 1990, mas isso não aconteceu. 

Claro, pergunta-se: sabendo disto tudo, ele estaria a avisar que faria o que fez no dia seguinte? Bem, ele tinha os eventos de 1989 na sua cabeça, e não queria perder novamente mais uma hipótese de título. Ainda mais que, nessa temporada de 1990, nem tenha feito tantos estragos auto-infingidos como na temporada anterior... 

Uma coisa era certa: quem acordasse na madrugada do dia seguinte, sabia perfeitamente que iria ser mais uma corrida de tensão entre dois pilotos que queriam muito ganhar e não cederiam um milimetro. 

quinta-feira, 9 de outubro de 2025

A imagem do dia







Há vinte anos, a Formula 1 estava no Japão, para aquele que poderá ter sido uma das corridas mais excitantes deste século... até agora. Da temporada, sem dúvidas. Um duelo com três protagonistas, e algumas das ultrapassagens mais excitantes do automobilismo, com tudo a ser resolvido no inicio da última volta. Literalmente. 

Mas esta história se conta no dia anterior, na qualificação, quando Kimi Raikkonen sofre um desastre quando o seu motor rebentou durante as sessões de treinos e acaba no fundo do pelotão, com um tempo de 2.02 minutos, porque a qualificação tinha sido debaixo de chuva, e Ralf Schumacher tinha ficado com a pole-position no seu Toyota. Ainda por cima, com a tal troca de motor, sofreu uma penalização de dez posições e apenas ficou na frente de Juan Pablo Montoya, seu companheiro de equipa, o Toyota de Jarno Trulli e o Jordan de Tiago Monteiro, porque não tinham marcado qualquer tempo.

Mas no dia da corrida, ele teve tudo a seu favor, e a primeira coisa foi o tempo, que estava sol. Depois, as confusões na partida, com os toques entre Rubens Barrichello e Takuma Sato, mas mais fortemente, o acidente de Juan Pablo Montoya no inicio da segunda volta, que obrigou à entrada do Safety Car. Juntando os carros por mais algumas voltas beneficiou o finlandês, e em conjunto com a sua estratégia de parar o mais tarde possível para reabastecer, melhorou ainda mais a sua performance. 

Mas por essa altura, poucos ligavam a ele. Os olhos estavam em cima do recém-coroado Fernando Alonso, que de 16º na grelha, apenas um pouco melhor que Kimi, tinha pulado para sétimo no final da primeira volta, e ia atrás do Ferrari de Michael Schumacher.  Tinha mais ritmo que ele, e no final da 19ª volta, decidiu passar por fora na temida curva 130R, antes da chicane. A ultrapassagem por fora foi uma das manobras mais espetaculares da temporada, e teria ficado na memória de mais gente... se tivesse sido a única manobra digna de memória. 

Anos depois, Alonso falou o seguinte dessa sua manobra: "Ele se lembrou que tinha mulher e filhos, eu não". 

Mas a coisa foi mais para o espetáculo, porque pouco depois, ele foi às boxes, e quando o alemão e o finlandês também fizeram as suas paragens, Alonso estava... atrás deles. Mas como ele próprio dissera, não tinha nada a perder.

Raikkonen livrou-se de Schumacher na volta 29, quando o alemão foi às boxes para o seu reabastecimento, e três voltas depois, Alonso fez a mesma coisa a Schumacher... desta vez com menos espetáculo, porque foi na reta da meta.  

Kimi apostou em "stints" longos para no final, poder fazer um "splash and dash", ou seja, ficar com pneus novos e um depósito mais leve, no sentido de ter mais ritmo e poder apanhar os seus adversários. A oito voltas do final, o finlandês, que era líder desde a volta 41, foi às boxes, entregou a liderança ao Renault de Giancarlo Fisichella... e começou a comer segundo atrás de segundo, sabendo se teria tempo para o apanhar. No inicio da última volta, estava encostado na traseira dele, colocou-se por fora na curva... e deu espetáculo. 

A melhor ultrapassagem dos primeiros 25 anos de automobilismo? Não ficaria admirado. Mas o que mais me admira é que naquela tarde, vimos mais do que uma manobra espetacular, feita por pilotos que não tinham nada a perder e tudo a ganhar. Deram espetáculo, sem ligar a pontos e a lugares na classificação. O pragmatismo foi janela fora, até a sua própria integridade física foi janela fora, tudo para umas manobras para a televisão.

E nesse aspecto, se calhar, deve ser das melhores corridas do primeiro quarto de século do automobilismo. De pilotos que estavam no fundo da grelha, sem nada a perder. Pura condução. 

quarta-feira, 8 de outubro de 2025

A imagem do dia










O final do jejum automobilístico da Ferrari aconteceu, faz agora 25 anos. A 8 de outubro do ano 2000, Michael Schumacher terminou com a travessia do deserto que acontecia desde 1979, quando Jody Scheckter conquistou o mundial com o seu 312T4, sobre o seu companheiro de equipa, o canadiano Gilles Villeneuve.

Contudo, quem conheceu a história, sabe que não foi fácil. Primeiro, foi o construir da equipa à sua volta. Se tinha um patrão como Luca de Montezemolo, e gente como Jean Todt, o seu ditretor-geral, teve depois de ir buscar outras personagens-chave, com Ross Brown, o seu diretor técnico, e Rory Bryne, o seu projetista, para completar a equipa que iria dar aquilo que a Scuderia queria imenso, apesar dos "quases", especialmente em 1982, com Didier Pironi, Gilles Villeneuve e Patrick Tambay, e em 1990, com Alain Prost e Nigel Mansell ao volante.

Não se pode falar muito sobre os primeiros anos de Schumacher na Scuderia. Se em 1996, a fasquia estava baixa, e o piloto ajudou muito nas vitórias daquele ano, se calhar, em 1997, o título teria sido seu se não recorresse a truques no limita da legalidade e do qual a FIA decidiu aplicar um castigo exemplar. 

Os eventos de 1998, onde disputou o título até ao final, e em 1999, onde ficou parte do campeonato "de lado" por causa do seu acidente em Silverstone, ficando ausente por seis corridas e dizendo adeus ao campeonato - e Eddie Irvine quase acabou com o jejum... 

A temporada estava a ser bem disputada entre Schumacher e Mika Hakkinen. O finlandês queria o tricampeonato seguido, e quando fez aquela ultrapassagem soberba sobre Michael Schumacher, saía de Spa-Francochamps com a liderança do campeonato, seis pontos na frente do alemão. Só o que não sabia era que nas duas corridas seguintes, em Monza e Indianápolis, na chegada da Formula 1 ao Templo do Automobilismo americano, Hakkinen iria ter um motor rebentado, e conseguiria zero pontos, contra os dez da vitória de Schumacher. Era como em Suzuka, quase dois anos antes, mas desta vez, a "fava" tinha saído para a McLaren.

Mas Mika ainda estava esperançoso: "tudo pode acontecer, faltam duas corridas", disse o finlandês depois do GP de Indianápolis. Era esta a sua esperança, apesar dos oito pontos de diferença para o alemão: 88 contra 80.  

E com esse espírito que o pelotão chegou a Suzuka, a penúltima corrida do ano. Schumacher acabou por ficar com a pole-position, na frente de Hakkinen por... nove milésimos de segundo, com Coulthard a ser terceiro, na frente de Barrichello. McLaren e Ferrari eram as melhores máquinas do pelotão, e a Williams estava em ascensão, como terceiro força do pelotão, com os motores BMW.

Na partida, Schumacher defendeu-se de Hakkinen, mas o finlandês, por ter tido uma fuga no seu sistema hidráulico, ficou com aderência ideal e conseguiu superar Schumacher. Cedo, ambos os pilotos começaram a afastar-se do pelotão, até à volta 21, quando o finlandês foi às boxes para fazer o primeiro reabastecimento. Schumacher foi duas voltas depois, entregando o comando para David Coulthard, até Hakkinen ficar de novo com a liderança. 

Ele tinha quase três segundos de avanço, e fez ali a sua volta mais rápida. A partir dali, o avanço ficou semelhante, apesar do alemão ter mais gasolina por causa da sua estratégia. Na volta 30, começou a caiu uma chuva ligeira, que humedeceu o asfalto, mas não o suficiente para trocarem para pneus de chuva. As coisas andaram assim até que Mika foi às boxes pela segunda vez, na volta 37. Quando saiu, tinha um atraso de 25,8 segundos, e o alemão começou a fazer o que sabia melhor: arrancar voltas mais rápidas atrás de voltas mais rápidas, num ritmo quase qualificativo, para ver se conseguia superar o finlandês quando fosse parar novamente. 

Quando parou, na volta 41 - depois de um susto com o Benetton de Alex Wurz - tinha uma vantagem de 4,1 segundos sobre o finlandês. A sua estratégia compensou, e a 12 voltas do final, apenas um problema mecânico ou algum piloto atrasado o poderia tirar da pista, e evitar que conseguisse os pontos necessários para ser campeão. E foi assim até ao final, com os dois pilotos separados por 1,8 segundos. com o alemão a sair de Suzuka com 12 pontos de avanço, a festa em Maranello e em Kerpen poderia começar. O jejum acabava. 

No dia seguinte, o jornal alemão "Die Welt" escrevia: "Um sonho foi realizado e terá consequências de longo alcance. A Ferrari e a Fórmula 1 estão novamente vivas esta temporada e foi criado um novo monumento... O trabalho árduo e o auto-sacrifício foram recompensados.

Era verdade. A nova era tinha começado. E a sua cor era vermelha.