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terça-feira, 24 de dezembro de 2024

Feliz Natal a todos!


Hoje é dia 24, e na altura em que escrevo estas linhas, faltam poucas horas para abrir os presentes. Claro que o balanço do ano é daqui a uma semana, mas esta é uma boa altura para falar do que foi este ano que está quase a acabar. 

Para mim foi uma coisa fixe. Andei a colaborar para um museu - na realidade, foi para o Jornal dos Clássicos, que é um lugar fixe, com gente fixe. Mas sobretudo, andei este ano a embrenhar-me ainda mais nas redes sociais. Estou cada vez mais convencido que o futuro passará mais por ali, quer queiramos, quer não. E se crias conteúdos, é a maneira como tens de das nas vistas e fazer aquilo que mais gostas. 

E para mim, comecei a ver isso a partir do verão. Curiosamente, depois do meu aniversário. Como este sitio tem página do Facebook, resolvi fazer algumas modificações, porque achei que andava estagnado em termos de crescimento. Essas modificações fizeram que ele começasse a crescer de forma consistente, com algumas "explosões". Dois desses momentos de "explosão" aconteceram, primeiro, em setembro, quando escrevi dois "posts" sobre o último episódio do "The Grand Tour", onde em conjunto, tiwe mais de 2200 "gostos" e centenas de comentários. Isso passou a ser norma. Mais ainda quando apareceram mais alguns, como o post da última corrida do Michele Alboreto ou a do Cadillac.

Mas quando no inicio do mês, falei sobre a venda da coleção de automóveis do Bernie Ecclestone, as coisas foram acima do telhado. Para cima de 5500 "likes", centenas de comentários e partilhas, quase mil cada um, mostra que isto se tornou num lugar onde as pessoas gostam de andar por aqui. E responder aos comentários - a dita "interação" - também ajudou um pouco na exposição da página noutros lados. 

Para complementar as coisas, a fuga do pessoal do Twitter (recuso a chamar aquilo que X) para outras redes sociais como o Bluesky e o Threads ajudou bastante na divulgação das minhas coisas, especialmente quando começo a escrever as estórias de automobilismo. Com o tempo, começo a ser mais conhecido, e entender que criar conteúdos é melhor que absorvê-los. Dá sentido a isto tudo. 

Portanto, quero agradecer aos mais de 7800 seguidores no Facebook, aos mais de 400 que tenho no Instagram, aos quase 400 no Threads, aos mais de dois mil no Twitter - sim, ainda não desliguei aquilo, mas ali consigo estar em contacto com bons amigos que arranjei e que ainda não foram embora - e como comecei neste outono a fazer vídeos no TikTok, aos quase 50 seguidores que gostam do que falo. Ainda falta o Youtube, mas quero guardar para fazer algo melhor. 

Dito isto, desejo-vos um Feliz Natal a todos. Que tenham muitas prendas, que vos encontre felizes com as vossas famílias, com aqueles que mais amam, que vos encontre em paz com o mundo e sobretudo, com vocês mesmos. 

E claro, vemo-nos em breve! O ano que vêm aí será cheio de coisas boas, garantido. Até mais!   

terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

O apelo de Lewis Hamilton


A coisa aconteceu na sexta-feira e passou um pouco desapercebida. Na apresentação do Mercedes W13, o carro da marca para 2022, e a reaparição oficial de Lewis Hamilton em público, depois do GP da Abu Dhabi, em dezembro, ele teve a oportunidade de falar sobre os eventos após a corrida e a pressão social que houve sobre Nicholas Latifi. Revelou que falou com ele nas semanas seguintes, onde o canadiano falou das ameaças que teve à sua vida, e disse que as redes sociais deveriam colocar alguns travões para evitar este tipo de situações no futuro.

“[Estive] em contato com Nicholas. Tem todo o meu apoio e sei o quão difícil pode ser nessas situações e acho importante ele saber que tem apoio das pessoas em seu redor. Por outro lado, podes ver que há muita paixão neste desporto. Isso é o que realmente torna este desporto tão bom – há tanta paixão. Mas temos que canalizar isso de uma maneira positiva e não negativa.”, começou por dizer.

“Em última análise, não acho que tenha havido uma grande mudança ou mudança, ou trabalho suficiente feito por essas plataformas”, continuou Hamilton, dando eco a diversos problemas neste sentido nos últimos quatro anos. “Ainda temos que os pressionar para que façam mudanças. A saúde mental é uma coisa real e nessas plataformas sociais as pessoas estão a sofrer abuso de uma maneira que ninguém merece, então não deve ser tolerado. Eles são capazes de fazer mudanças, mas não parecem fazê-lo suficientemente rápido. Por isso, precisamos de continuar a pressionar.", concluiu.

As redes sociais são um fenómeno dos últimos quinze anos. O Facebook é de 2003, dois anos antes do Youtube e quatro antes do Twitter e do Instagam, para falar dos mais populares. Agregaram milhares de milhões de contas, e a sua movimentação rende dezenas de milhares de milhões de dólares. Não admira que Mark Zuckerberg, por exemplo, seja um dos homens mais ricos do mundo.

Contudo, há muito tempo que se sabe que estas redes sociais permitem que certos abusos aconteçam, em nome do lucro. Campanhas de ódio contra minorias, surgimento de "bots" e contas falsas, alimentados por políticos e estados hostis no sentido de espalhar a divisão e o ódio porque "é lucrativo", mais as coisas que os usuários mostram, muitas vezes inconscientemente - a refeição que eles comem, o carro que andam, o lugar onde viajam, a roupa que vestem - fizeram despertar graves problemas de saúde mental porque nem todos tem essa capacidade para comer quatro refeições ao dia, ter um Lamborghini, uma casa com dez quartos ou viajar para as Seychelles no seu próprio jato privado. 

Ou então, tem a cor errada, o peso errado, a carteira vazia e o facto de, para chegarem lá, teriam e viver algumas centenas de milhares de anos... vivemos num mundo desigual, e o Facebook cava ainda mais essa desigualdade, pelo menos na cabeça. E muitos não aguentam essa pressão. 


A história de Abu Dhabi foi mais um episódio de um longo rol de queixas sobre estas redes sociais e os seus maus usos. Agora... serão que estes apelos acabarão em algum lado? Não creio, não no curto prazo. Isto tem duas vias. Os famosos precisam das redes sociais para falarem sem filtros, e cortar esse caminho significa o equivalente a uma amputação. Estão viciados - aliás, estamos todos um pouco viciados - e o afastamento temporário de Hamilton das redes sociais significou isso mesmo: sanidade mental. Tentou desligar-se do mundo por uns tempos, o que não é fácil. 

As redes sociais precisam de ter algum controlo parental ou governamental. Contudo, como são americanas, "a terra dos livres" e "a pátria do anarco-capitalismo", onde qualquer intenção nesse sentido é visto como "tentativa comunista" - teve de haver um ataque ao Capitólio para expulsar um presidente americano da rede social Twitter depois de vários anos a destilar odio! - não creio que tal ideia tenha sucesso. Mais rapidamente acontece uma terceira guerra mundial ou uma segunda Guerra Civil americana, ou até alguns homicídios de famosos, que uma tentativa de regulamentação dessas redes. 

Infelizmente, são os tempos que vivemos. E a única coisa que se pode pedir é que as pessoas desliguem as redes sociais por mais algumas horas por dia - para além de ir dormir - para manter a sua sanidade mental. E esperar pelo melhor. 

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

O fim do Drivetribe


Quando Jeremy Clarkson, acompanhado por James May e Richard Hammond, se aventuraram no The Grand Tour, por alturas de 2016, decidiram também se aventurar noutra coisa mais invulgar: uma rede social para os amantes do automobilismo, ao que se chamou de Drivetribe. Contudo, durante muito tempo, as pessoas tinham algumas dúvidas sobre se tal coisa iria resultar, e esta segunda-feira, tiveram uma resposta: não resulta. 

No final deste mês, a rede social encerrará as suas portas, alegando "os grandes desafios da industria". Apesar de tudo, a marca continuará noutras plataformas como o Youtube, onde tem um canal muito popular, com mais de dois milhões de inscritos. 

“Embora todos estejamos realmente desapontados que o site DriveTribe tenha chegado ao fim, estou muito feliz por continuar nosso relacionamento com essa comunidade brilhante. Nunca houve um momento mais emocionante para falar sobre a indústria, pois lidamos com essas forças de mercado extremamente desafiadoras e a rápida evolução do que queremos dizer com automobilismo”, escreveu Hammond, no site. “Venha e junte-se a mim nos canais junto com muitos rostos familiares da DriveTribe enquanto continuamos a manter a marca viva e a conversa acontecendo.”, concluiu, no comunicado oficial.

Lançado em 2016 pelos três apresentadores, mais o produtor Andy Wilman, foi dirigido ao longo deste tempo por Ernesto Schmidtt. Contudo, dois anos depois do seu lançamento, foi noticiado que tinham investido mais de 18 milhões de dólares, sem dar qualquer lucro, não conseguindo ser o centro da cultura automobilística que pretendiam ser. 

“Estamos todos realmente desapontados que os desafios do setor – nem um pouco ajudados pela pandemia em andamento – simplesmente tornaram impossível continuar com os negócios em sua forma atual”, disse Clarkson no post do blog. “Estou muito ansioso para ver o que Hammond e sua equipa fazem enquanto levam os canais e a comunidade adiante.”

Apesar destes desafios, mais a pandemia, que alegam ser as razões por trás do fracasso da aventura, a ideia de que os tempos mudaram para o estilo que eles andam a fazer também ajudaram para o seu final. E há outras plataformas mais interessantes para divulgar a cultura automobilística como os vídeos, mais acessíveis e mais visualmente atraentes do que uma rede social inteiramente "de raiz" como era esta.

Provavelmente a grande lição é saber que estes projetos são mais complicados de se erguer que se julga, e quando lá chegaram, foram demasiado tarde e entraram de forma demasiado especifica e não traziam nada de novo. Esses dias... já passaram. 

quinta-feira, 14 de março de 2019

A imagem do dia (II)

Quem tem conta no Twitter, sabe da existência das contas oficiais - e das contas falsificadas - de personagens reais. E eu, que conheço uma ou duas coisas sobre o mundo da Formula 1 e da "twitterlândia", acompanho algumas contas falsificadas porque as pessoas que as gerem tem piada. Verdade.

Charlie Whitting não era excepção. Ele não estava presente nas redes sociais - nem o Bernie Ecclestone, claro - mas havia uma conta que se reclamava com orgulho de ser o "Fake Charlie Whitting", usando a conta. Era gerida pelo canadiano Mark McArdle, e era tão boa que o próprio Whitting tinha piada suficiente para o convidar a ir aos bastidores do padock de alguns Grandes Prémios e mostrar uma ou duas coisas. Como fica demonstrado com esta foto que coloco aqui. E trocavam regularmente

E claro, esta conta "cem por cento autenticada por ser falsa" era popular entre os fãs. E sim, eu era um dos seus seguidores. Logo, quando soube da morte de Whitting, esta madrugada, o meu primeiro pensamento foi um... "ora bolas, e o gajo que manda na conta fake do Charlie Whitting"? 

Bom, tive esta tarde a resposta: o seu criador vai encerrar a conta. E não vai embora sem lhe dar um devido tributo ao seu mentor.

"Faz duas horas desde que soube da morte do Charlie. Passei muito tempo no meu escritório lendo belas homenagens sobre este homem incrível. Percebi algo que me chamou a atenção. Era um boné 'Fake Charlie Whiting' que criei e que havia sido autografado por muitos pilotos. Mas verdade seja dita, a assinatura mais importante no boné foi do diretor de corridas de longa data da Formula 1. Em lágrimas”, começou por dizer a mensagem.

“Recebi um e-mail do Charlie ontem, quando ele estava à espera para embarcar para a Austrália. Ele partilhou algumas notícias sobre as férias com sua família e sua ansiedade com a nova temporada, e com a série na Netflix. Cada vez que recebia algum e-mail de Charlie era uma emoção. Valorizo demais esses e-mails. Ele era muito generoso. Lembro que, há alguns anos, perguntei a ele sobre o esclarecimento de uma regra. Mandei [um e-mail] 15 minutos antes da classificação no Bahrein. Para minha surpresa, ele respondeu em seguida. Esse era Charlie. Generoso”.

"Pode parecer estranho para alguns ser tão afetado pela morte de um homem que só via uma ou duas vezes por ano e com quem tive um relacionamento baseado principalmente em e-mails. Mas Charlie não era um homem convencional. Ele era especial. Esta é, provavelmente, a principal razão pela qual criei minha conta Fake Charlie Whiting no Twitter. Charlie era enigmático, quase misterioso. Fãs hardcore sabiam quem ele era, mas você nunca ouvia nada sobre ele. Ele foi a pessoa perfeita para representar. Mas como eu o conheci, fiquei encantado em saber que ele é rápido com um sorriso e uma risada, e claramente adora o desporto do qual ele era o líder, muito mais do que qualquer outro fã. Vou guardar com carinho as conversas que tive com Charlie durante os fins de semana da corrida, quando ele generosamente me convidava para entrar. Ir ao circuito com Charlie e Herbie [Blash] vai ser algo de que sempre vou me recordar e sorrir. Eles eram uma ótima dupla".

“Nós perdemos um gigante do automobilismo. Aos 66 anos, ele tinha muitos anos pela frente. Sua família perdeu um grande pai e marido. Meu coração está com todos eles. Abrace seus entes queridos. Frequentemente. Seja rápido para sorrir. Seja generoso com seu tempo e tenha paciência. Estas são as coisas que Charlie demonstrou a cada passo que ele deu no paddock”

“Como ‘Fake Charlie Whiting’, disse há muitos anos que, quando Charlie Whiting se for, Fake Charlie se vai. Sempre pensei sobre isso em termos da reforma do Charlie. Nunca considerei este cenário. Ainda parece impensável. Não parece certo continuar a usar o bom nome de Charlie sem que ele esteja por perto para curtir isso. O último tuíte de Charlie é uma foto de Charlie e eu na primeira vez que o conheci em Montreal. E eu vou deixar você em um segredo: enquanto Charlie não estava no Twitter, ele era meu público principal. Charlie me contou como ele gostava quando as pessoas vinham até ele mencionando um tweet engraçado de Fake Charlie Whiting. Se eu ajudei o mundo a conhecer e espero que aprecie esse homem incrível, então vou levar isso como missão cumprida”, concluiu.

Verdade. Bom saber que o bom humor de um tinha a benção do verdadeiro. Sempre falamos que os britânicos têm sempre um grande sentido de humor, e Charlie Whitting mostrou isso. É por isso que todos irão sentir a sua falta. E ao escrever isto, voltei a ver os "tweets" do falso Charlie, e ali há coisas fantásticas. 

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Continental Circus na DriveTribe

Como é sabido, Jeremy Clarkson, James May e Richard Hammond apresentaram hoje a Drivetribe, uma rede social dedicada aos fanáticos do volante e restantes "gearheads" e "petrolheads". Lá, pode-se ver um pouco de tudo que tenha rodas e volante, tenham elas uma, duas ou quatro rodas.

A ideia da Drivetribe é juntar toda essa gente das duas uma: ou mostrar coisas dos quais poucos falam e do qual tem curiosidade em saber, ou então, reunir uma "tribo" de pessoas do qual se unem o amor a algo, como marcas e modelos de carros, determinada competição, determinada corrida, entre outras coisas. E falarem daquilo que os une... ou então, do que separa.

Assim sendo, este "estaminé" aderiu há uns tempos à tal rede social para ver se atrai ainda mais gente para este mundo, e o link está aqui, caso queiram seguir. Já estão lá algumas coisas, para "decorar" o lugar, e outros serão colocados a seu tempo.

Pequeno detalhe: todos os meus posts por lá serão em português, não em inglês. Só para vos avisar.

quarta-feira, 16 de março de 2016

A chegada da Formula 1 às redes sociais

Aos poucos, a Formula 1 descobre as redes sociais. Felizmente, nem todos tem o mesmo pensamento de Bernie Ecclestone - ou a idade dele - e sabem que fazendo as contas oficias em sitios como o Facebook, para além de uma conta oficial no Youtube, fazem mais bem do que mal aos fãs. Ainda falta muito para vermos "streamings", por exemplo, mas um primeiro passo foi dado esta segunda-feira quando abriram a sua conta oficial no Facebook.

Neste momento, já têm mais de 78 mil fãs - e não vão parar por aqui, suspeito que cheguem ao milhão em algumas semanas - mas as reações dos fãs à novidade tem maioritáriamente sido de... sarcasmo. Frases como "Bem-vindos ao século XXI" ou "Bom saber que descobriram agora as redes sociais", "Mais vale tarde do que nunca" ou "nunca pensei que teriam uma página dessas com Bernie ainda vivo", foram as respostas mais comuns. E nos videos, a brincadeira continuou, com "avisos simpáticos" a dizer que "aproveitem agora antes que a FOM os tire do ar".

De uma certa maneira, parece que a visão do Bernie sobre as redes sociais está a ficar mais relaxada. Ou então, parece que certas pessoas não querem mais esperar que ele morra para que se faça a devida revolução, não é?

segunda-feira, 23 de março de 2015

Petições, redes sociais e o final da linha, parte dois

Escrevi isto inicialmente em meados de julho, no sentido de ser lançado em duas partes, para complementar o primeiro artigo sobre a crise na Formula 1 atual, com a falta de rumo, ou o rumo errado que ela estava a tomar. Contudo, com o inicio das atividades da Motordrome Brasil e o interesse em publicar por lá a primeira parte, decidi mandar as duas partes para lá. Publicaram uma parte, em meados de setembro, mas não a outra.

Como o tempo passou e nem eu me lembrei que tinha isto, nem eles se lembraram de o publicar, redescobri isto durante o fim de semana, ao vasculhar pelo arquivo. Depois de uma breve releitura, descobri que, passados nove meses, a temática continua atual, dado que desde então, a Caterham faliu, a Marussia virou Manor e se salvou "in extremis" e já perdemos o GP da Alemanha, provavelmente para sempre, a favor de um Grande Prémio do Azerbeijão, apenas porque é o único país que pode pagar as enormidades que Bernie Ecclestone exige. E claro, continuam a fazer ouvidos moucos aos apelos de espalhar a Formula 1 pelas redes sociais, para se rejuvenescer, como fazem outras categorias.


No passado dia 13 de julho, James Dunford, que trabalha na agência 5G Creative, escreveu uma carta aberta a Bernie Ecclestone - basicamente, a todos os mandas-chuvas da Formula 1 - onde praticamente o chama de "idiota" por menosprezar as redes sociais, afirmando que é uma moda de curta duração. Sendo alguém que trabalha ativamente no meio e compreende a dimensão que isto já acarreta no pouco mais de dez anos desde que surgiu (o Facebook é de 2004, o Twitter é de 2006, por exemplo), e para além disso, os novos brinquedos como os "smartphones", "tablets" e outros meios permitirão que as pessoas dispensem a televisão a médio prazo para verem coisas como a Formula 1. 

E é verdade o que ele diz: confesso pessoalmente que não vejo Formula 1 sentado à frente da TV desde 2009...

Mas para entenderem o que digo, vou traduzir a tal carta aberta que escreveu. O original, em inglês, podem ler neste link: 

"Caro Sr. Ecclestone,

Eu senti a necessidade de escrever esta carta na sequência de comentários recentes da sua parte sobre as mudanças que estão a acontecer na nossa amada, modalidade, a Fórmula 1 Os seus comentários são em relação às redes sociais, e você está dizendo que as redes sociais são uma moda de curta duração. É ao lado de algumas das sugestões ridículas para "animar" o nosso esporte, como o novo procedimento de recomeço do "safety car".

Bernie Ecclestone, em relação à mídia social e diminuição das audiências televisivas: 

"Mas creio que essa mudança que está ocorrendo atualmente é muito curta duração, como essas pessoas das redes sociais estão começando a pensar que não é tão bom quanto eles pensavam."

Quando questionado sobre se ele acreditava que a Formula 1 precisava mudar a sua abordagem, e oficialmente abraçar as redes sociais como outros desportos têm feito, ele disse: "Não. Somos uma entidade comercial ... Se eles acham que nos podem pagar [para fazer isso], então eu serei uma pessoa feliz."

Fonte, Autosport, 05 de junho de 2014. 

Em primeiro lugar, vamos olhar para alguns fatos. O Facebook tem neste momento mil milhões de utilizadores, com 802 milhões de utilizadores ativos por dia. O Twitter tem 250 milhões de utilizadores. O Youtube têm mais de mil milhões de visitas únicas por mês, com mais de seis mil milhões de horas assistidas por mês. Esses são apenas os canais principais, e nem vou mencionar medias secundários (Instagram, Vimeo, Google+, Pinterest). Estes são os canais que não podem ser ignorados, independentemente de sua opinião pessoal. Em seguida, vamos olhar para a utilização dos dispositivos. Estão mudando, enormemente. Confira o gráfico abaixo para ver o impacto que estão tendo os tablets e smartphones nos últimos anos. Ignorar as redes sociais? Você está basicamente está a dizer que realmente não se preocupa com esse segmento. Sim, diferentes canais tem soluções diferentes (Sky Go é bom o suficiente), mas é fragmentado e o fã casual não vai sentar e assistir uma corrida inteira num dispositivo móvel.


Olhando para outros desportos, vou mostrar exatamente o quão poderosas [as redes sociais] podem ser. Moto GP? Eles utilzam-na de forma extremamente eficaz. Clipes curtos são carregados quando os incidentes acontecem, os seus canais sociais são ativos, envolvem-se com os fãs de forma ativa e eles estão a oferecer um serviço fantástico para os fãs. Na altura em que escrevo isto, eles tem 316.211.433 seguidores no Youtube. Você sabe que pode exibir anúncios para todos os fãs... certo?

A Fórmula 1 tem um conteúdo incrível. As redes sociais são atraídos para um bom conteúdo. É um jogo no qual poderia revelar-se extremamente bem sucedido, aumentar o alcance do esporte, especialmente para um público mais jovem, e no final do dia teria mais uma fonte de receita para a FOM. Eu poderia continuar, proporcionando-lhe inúmeros outros exemplos (o WRC é muito forte nesta área, assim como os desportos não motorizados, como a FIFA e a Copa do Mundo, mas você provavelmente não se importa - que é tudo sobre o $$$.)


Um ponto que eu realmente quero abordar, e um que eu sinto será perto de seu coração é como você pode ganhar dinheiro com esses canais. Eu vou dizer isso agora, eles não vão pagar-lhe para mostrar o conteúdo F1. Fato. Dito isto, você ainda pode gerar receita a partir destes canais - por isso eu coloquei algumas sugestões para você seguir.

1 - Anúncios no Youtube: todo o conteúdo que você tem? Carregue-o. Coloque anúncios no início do video. Você tem uma fonte de receita imediata que pode ser instalada e colocada imediatamente a funcionar. Anúncios "Pre Roll", anúncios laterais, em "in video ads"... a lista é longa!

2 - Takeovers Sociais: Você sabe como publicidade pista é vendida? Por que não fazer o mesmo para os seus canais sociais? Segmente o seu conteúdo em seções diferentes, e vende aos patrocinadores. Pense nisso, depois de cada sessão de qualificação, os canais de Fórmula 1 poderia carregar a posição colo pólo. Isso poderia ser "trazido para você pelo cronometrista oficial Rolex". Imediatamente, você pode chegar a milhões de pessoas - sem qualquer custo real para si.

3 - O aumento do alcance global: No final do dia (tirando o lado B2B da coisa), as marcas querem ser vistas. Ao lado dos seus canais de televisão, acrescentando um enorme público social, significa que você pode cobrar ainda mais. Uma situação em que sai a ganhar, certo?

4 - Geração de tráfego: Qualquer rede social e gera uma grande quantidade de tráfego web. Isso acerta em cheio no formula1.com, ou qualquer outro site. Em troca, você pode vender anúncios de exibição, simples.

Estou muito apaixonado sobre o uso das redes sociais dentro do automobilismo, e é incrivelmente frustrante quando vejo que a Fórmula 1 está perdendo uma oportunidade incrível. Você tem sites como WTF1, que construíram uma enorme base de fãs simplesmente postando grande conteúdo no seu próprio site nas redes sociais. 

Diabos, se quiser, aqui no 5G criaremos toda a estratégia de mídia social, compartilhando idéias do nosso leque de clientes automobilísticos, configurar tudo e ajudá-lo a selecionar o pessoal mais adequado DE GRAÇA. Você está a perder uma grande oportunidade, não só para aumentar a base de fãs, mas para gerar aumento das receitas. Se você tiver 30 minutos à sua disposição, deixe-me ir ter consigo e explicar como fazer dinheiro das redes sociais e aumentar o alcance do desporto, e no final do dia, conseguir mais receitas para a FOM. 

Com os melhores cumprimentos, 

James Dunford.


Ao ler esta carta aberta, entendemos a ideia que está a querer passar, de que a Formula 1, ao ignorar as redes sociais, está a ficar para trás. Mas no final do dia, teremos de ver que está a lidar como disse anteriormente: só negoceia numa situação em que pode dominar o jogo. E com a idade que ele têm, não têm interesse algum de aprender novos truques. Decerto outras pessoas, mais novas e mais sábias, irão querer experimentar essa parte, mas nesta altura do campeonato, Ecclestone está confortável no seu canto, a conseguir o dinheiro da mesma maneira como têm feito há 40 anos.

Mas também há outra coisa de Bernie Ecclestone do qual os mais atentos já entenderam: ele usa a imprensa para fazer passar a sua mensagem. Ele sabe perfeitamente que se quiser dizer algum disparate, haverá sempre peessoas que são capazes de levar a mensagem aos devidos meios de comunicação social, que farão de caixa de ressonância. Ele não importa de ser polémico, porque sabe que nesses dias, a Formula 1 estará nas bocas do mundo. É a velha frase: falem mal de mim, mas falem.

Claro, tudo isso poderia fazer numa rede social. Bastaria fazer uma conta oficial no Twitter ou no Facebook, dizia os seus disparates e teria o feedback que desejaria. Mas é a velha história: Bernie é um homem velho que não têm paciência para aprender novos truques. Prefere fazer as coisas de forma tradicional, porque sabe que a mensagem é entregue na mesma. E também porque consegue o dinheiro que quer conseguir. Afinal de contas, sem redes sociais, a Formula 1 têm uma receita de 1,8 mil milhões de euros.

E se calhar, o problema dele e dos outros é esse: descansaram nos seus louros, deixaram de inovar. E essa mentalidade pode-se ver na engenharia, no design dos carros. Adrian Newey queixa-se há muito tempo que não pode desenhar carros como quer porque existem demasiados regulamentos a impedir de o fazer, e demasiados "queixinhas" que dizem logo que a cada coisa nova que aparece, declaram logo que é ilegal e fazem de tudo para o banir. Quarenta anos antes, tinham ido para as mesas de desenho e feito algo para contrariar o novo desenho ou o novo motor que a concorrência, pelo menos era isso que Colin Chapman teria feito.

Mas em nome de um "equilibrio artificial", para garantir audiências televisivas, a inovação foi sacrificada "no altar dos Deuses". E isso, temo eu, foi contaminado para as redes sociais. Creio que a Formula 1 poderá recuperar alguma coisa, quando esta geração sair de cena, mas só espero que não seja demasiado tarde para recuperar o terreno perdido. 

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

A foto do dia (II)

Bom saber da reação das equipas de Formula 1 às veborreia de hoje do anãozinho. Se já viram há bocado o telegrama da Lotus, agora poderemos ver o jovem fã da McLaren, no Twitter oficial da marca. Só demonstra que as equipas não são burras e não se identificam com as declarações de hoje de Bernie Ecclestone, e precisam de todos os fãs, de todas as idades.

Mas por outro lado, se a ideia do velhadas é de agitar as águas, também conseguiu o que queria.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Não se esqueçam de me seguir!

Mesmo em alturas de Mundial de Futebol (ou Copa do Mundo) o automobilismo não para e quando em quando gosto de lembrar aos meus seguidores, ocasionais e frequentes, que podem seguir-me nas redes sociais. Eu tenho um endereço de Twitter (@speeder76) e o blog têm a sua página no Facebook, que podem seguir por aqui. 

Neste momento, tenho 1544 seguidores (nada mau para um mero blog...), mas quantos mais, melhor. Garanto-vos que vale a pena!

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Preciso de um pulo!

Confesso não me recordar da última vez que fiz um apelo destes por aqui, mas como isto é visto por muita gente, pode ser que resulte.
Seguinte: há algum tempo que a minha pagina do Facebook anda perto de chegar aos 1500 fãs, só que o progresso têm sido lento, e gostava de lá chegar o mais depressa possível. Ando neste momento com 1496 fãs, e acho que era altura de fazer um apelo, não só para chegar a esse número, como o de superá-lo, pois acho que precisa de um "boost", um pouco para fazer valer a pena o trabalho que se faz por aqui.

Que tal, podem ajudar-me? Para seguir-me no Facebook, basta seguirem este link.