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quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Noticias: FIA irá liberalizar motores no WRC em 2029


A FIA considera seriamente uma liberalização na motorização no WRC no final da década. A entidade suprema do automobilismo quer que a partir da temporada de 2029, os construtores tenham a liberdade de escolher o tipo de motor nos seus carros, sejam a combustão, híbridos ou elétricos. Segundo conta hoje o site dirtfish.com, a partir de 2029, existe uma forte vontade por parte da FIA para que os engenheiros das construtoras deixem a imaginação correr livremente na conceção de novas soluções de motorização.

Malcom Wilson, vice-presidente da FIA para o WRC, confirmou esta abertura: “Estamos abertos [em termos de nova tecnologia] a partir de 2029.” O responsável explicou ainda o objetivo estratégico por detrás desta flexibilidade: 

O objetivo é fazer com que seja de tal forma que o construtor tenha de estar no WRC. Queremos torná-lo eficaz em termos de custo, proporcionando um retorno do investimento, para que os construtores tenham de estar aqui. Não queremos ter de forçar o interesse, tem de se tornar uma escolha óbvia.

Essa flexibilidade não é inédita, pois já existe no Todo-o-Terreno, com bons resultados, e Wilson quer o mesmo para o WRC, afirmando que este tipo de flexibilidade será uma inevitabilidade.

Temos essa [flexibilidade] no TT. Temos diesel, temos V6, temos V8, temos turbocompressor, e funciona.”, começou por afirmar. “Temos de aceitar que não vai ser como tem sido nos últimos cem anos. É um mundo em mudança. Como disse, se alguém quiser vir com híbrido, hidrogénio, elétrico, estamos abertos.”, concluiu.

Xavier Mestelan Pinon, diretor técnico da FIA, tem estado em conversações nos últimos meses com alguns construtores de veículos elétricos, e admite que essa solução poderia funcionar, desde que fossem feitas revisões ao itinerário das provas. 

Um EV total para uma aplicação no WRC, não é completamente louco, exceto o facto de que é preciso carregar entre dois troços. Mas um EV total, com a potência atual, estamos a falar de 300 cavalos mais ou menos, para etapas de cerca de 30 ou 35 quilómetros, não é um problema. Com uma bateria de cerca de 40 quilowatts, é possível fazer facilmente uma etapa de 35 quilómetros mais 100 quilómetros de secção de estrada. Por isso não é um desafio. O pior para um carro EV total é a autoestrada. Aceleração total durante longos períodos. Mas no rali não é [assim].”, explicou.

Por isso é viável. É só o facto de que, se quisermos fazer isso, precisamos de colocar algumas estações de carregamento em algum ponto do percurso. Mas é mais uma questão do que é melhor para o rali.”, concluiu.


Xavier Mestalen Pinon explicou ainda a filosofia geral da FIA na escolha das melhores tecnologias para cada categoria do desporto motorizado: 

Do lado da FIA, temos um portfólio muito amplo. Por isso, o que tentamos propor é a melhor tecnologia para cada aplicação. É por isso que hoje, para as corridas de resistência, por exemplo, não seguimos a via elétrica, claro — o que sugerimos para o futuro [das corridas de resistência] é usar hidrogénio. É uma das soluções.", começou por explicar. 

"Para a Formula 1 hoje, está acordado, talvez motor de combustão interna total com uma certa quantidade de combustível no futuro. Por isso sim, precisamos de identificar a melhor opção. Para o rali, sim, precisamos de medir corretamente qual é a melhor. Se novos construtores pensarem que é uma solução interessante, novamente, estamos abertos a discutir isso. O carro está desenhado para isso. A diversidade é algo bom no desporto motorizado, seja no TT, seja no WEC ou no Campeonato Mundial de Rali. Precisamos de ser ágeis no nosso regulamento, abertos o máximo possível à flexibilidade. Porque, para ser honesto, saber exatamente qual vai ser a solução dentro de dez anos, é impossível. Não há solução mágica.”, concluiu.

Estas declarações poderão fazer acelerar algumas das ideias que alguns construtores têm para poderem participar no WRC. A Toyota está há muito tempo a desenvolver tecnologia para colocar carros a hidrogénio na Endurance, e poderá querer trazer essa tecnologia para os ralis. E a Opel colocou no mercado um carro totalmente elétrico para os ralis, o Corsa GSE, tendo inicialmente utilizado infraestrutura de carregamento personalizada para apoiar o seu campeonato de marca única no lançamento.

sábado, 15 de agosto de 2026

Rumor do Dia: Fecho do WRC em Portugal?


O final do Mundial de ralis, WRC, poderá acabar esta temporada em Portugal. A chance foi levantada no final desta semana, mas apesar da FIA e do WRC afirmarem que só em setembro que existirá uma decisão, mas nos bastidores a atividade é muita. A única certeza neste momento é que se a prova saudita for mesmo cancelada, o rali substituto acontecerá na Europa e em piso de terra.

E por aí, segundo conta o site da Autohebdo francesa, o Rali das Seis Cidades do Norte de Portugal - antiga Serras de Fafe - que é a prova de encerramento do Campeonato Europeu de Ralis - é uma das provas posicionadas neste momento para receber mais de meia dezena de equipas do mundial, já que a prova de encerramento do campeonato tem previstas equipas do WRC, WRC2 e WRC3. A concorrência vem do Rally Ciudad de Granada na Andaluzia, do campeonato espanhol de terra, que se disputa no final de Outubro, uma semana depois da prova portuguesa, bem como um rali do centro da Europa.

Contudo, caso seja o local escolhido, isso implicará alterações significativas, essencialmente em termos de espaço de Parque de Assistência e do Centro Operacional do Rali, bem como de horários para albergar mais de cem equipas em prova. Os recursos humanos também terão de ser reforçados. O facto da prova poder integrar Guimarães e Braga criaria mais opções para encontrar um espaço de Parque de Assistência e Centro Operacional do Rali.


Mas também há quem ache que em caso de cancelamento, a FIA não deveria preencher o lugar que falta. Quem defende isso é Jari-Matti Latvala, diretor da equipa Toyota no WRC, que considera esta temporada pode perfeitamente terminar com 13 ralis, afirmando que o calendário já tem provas suficientes.

Do lado contrário está Emilia Abel, responsável da FIA pelos desportos de estrada, que recordou em caso de cancelamento da ronda saudita haverá consequências, sobretudo para os pilotos do WRC2, que definiram os seus programas tendo em conta as provas escolhidas e os respetivos pisos.

Apesar das garantias que os sauditas estão a oferecer à FIA, esta, caso opte por cancelar o Rali da Arábia Saudita, a prova substituta não terá o mesmo grau de exigência que as provas habituais do WRC. Será uma solução semelhante ao que vimos na pandemia em 2020 e 2021.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

WRC: Decisão sobre a Arábia Saudita até setembro


O rali da Arábia Saudita está em dúvida. A FIA está a monitorizar de perto a situação no Médio Oriente, no sentido de saber se será viável uma prova naquela parte do globo devido aos conflitos quer no Irão, quer no Yemen, e quais são as suas garantias de segurança, e qualquer decisão será tomada até meados ou finais de setembro, com a FIA a alertar que, mesmo havendo uma decisão positiva tomada num determinado dia, pode deixar de ser válida pouco tempo depois.

A responsável da FIA, Emilia Abel, confirmou que o organismo está a acompanhar de perto o impacto da situação no Médio Oriente sobre a final da temporada do WRC na Arábia Saudita: “Nesta fase, estamos a trabalhar muito de perto com o promotor para tentar encontrar o melhor caminho a seguir.”, começou por afirmar.

Como todos sabemos, esta situação pode mudar muito rapidamente, e mesmo que tomemos uma decisão positiva num dia, pode acontecer que, na semana seguinte, a situação tenha mudado. Atualmente, estamos a discutir isto ativamente também com as equipas construtoras, porque, com base no que aconteceu noutros campeonatos, sabemos que isto também se pode tornar um condicionamento.”, continuou.

Questionada sobre a existência de planos de contingência para substituir o Rali da Arábia Saudita, caso o evento não se possa realizar, Abel respondeu que a prioridade continua a ser a sua concretização: “Por agora, continuamos a trabalhar arduamente para que se realize, de forma a mantermos o calendário atual do campeonato.”, concluiu.

O WRC tem previsto disputar a final da temporada na Arábia Saudita entre 11 e 14 de novembro, e será a prova de encerramento do Mundial.

sábado, 1 de agosto de 2026

Noticias: FIA revela o seu novo promotor para o WRC


A FIA anunciou esta sexta-feira que os direitos comerciais do WRC estará nas mãos da Cosmobilis e pela Park Square Capital. O acordo de longo prazo será o maior de sempre da história e, aparentemente, foi concebido a pensar em toda a comunidade dos ralis e pretende gerar benefícios concretos para adeptos, concorrentes, organizadores e clubes membros da FIA.

A Cosmobilis é uma plataforma francesa de tecnologia e serviços para o setor automóvel, e está acompanhada pela gestora de investimento privado Park Square Capital. Ambas partilham com a FIA a ambição de aumentar a audiência global da modalidade e reforçar a ligação com os adeptos. A FIA beneficiará igualmente de uma presença significativamente reforçada da sua marca nos eventos e nas transmissões em todo o mundo.

E para concretizar esta visão, o novo promotor reuniu uma equipa de especialistas liderada por Éric Boullier, ex-diretor desportivo da Renault, que foi recentemente nomeado seu diretor-executivo (CEO). Boullier, de 49, é reconhecido pela sua vasta experiência ao mais alto nível do desporto automóvel.

O presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, afirmou, no comunicado oficial, que: 

"Este é verdadeiramente o acordo do século para os ralis e tenho muito orgulho em anunciar este passo transformador, acompanhado de um nível de investimento nunca antes visto. Não só irá trazer benefícios concretos para os adeptos, concorrentes e clubes membros da FIA em todo o mundo, como representa também um enorme voto de confiança no futuro da modalidade, cuja popularidade continua a crescer globalmente.", começou por afirmar.

"O futuro dos nossos campeonatos está no centro de todas as decisões que tomamos e garantimos não apenas o parceiro certo para o presente, mas também alguém que partilha a nossa visão a longo prazo. Agradeço ao vice-presidente da FIA para o Desporto, Malcolm Wilson OBE, e à sua equipa por terem concretizado este acordo. Estou ansioso por trabalhar em estreita colaboração com o nosso novo promotor.", continuou.

"Os ralis fazem parte da minha história pessoal. Moldaram quem sou e a forma como trabalho, pelo que estou profundamente comprometido com o seu futuro. Este é um momento importante para a modalidade e tenho orgulho por iniciarmos uma nova era com um parceiro capaz de impulsionar o futuro brilhante destes campeonatos.", concluiu.

Do lado do WRC, o vice-presidente da FIA para o Desporto, Malcolm Wilson, declarou: 

"Passei toda a minha vida profissional no Campeonato do Mundo de Ralis, por isso sei exatamente o que esta modalidade representa para os pilotos, organizadores e, acima de tudo, para os adeptos. Em mais de 40 anos de carreira, nunca vi um investimento desta dimensão nos ralis. Este acordo é realmente extraordinário e deixa-me extremamente otimista quanto ao futuro. Desde o início, procurámos um parceiro que não só reconhecesse o enorme potencial do WRC, mas que compreendesse também o seu caráter, a sua herança e a responsabilidade de moldar o seu futuro.", afirmou.

"A Cosmobilis e a Park Square Capital partilham essa ambição. Com a chegada dos regulamentos WRC27 e a criação do novo Fundo de Crescimento da FIA, temos uma oportunidade única para fortalecer o campeonato, aumentar a sua audiência global e proporcionar o futuro que esta modalidade e os seus adeptos merecem.", concluiu.

Do lado da Cosmobilis, Jean-Louis Mosca, o seu presidente e diretor-executivo, afirmou: "Esta aquisição representa um marco muito importante na transformação da Cosmobilis. Desde a nossa criação, procurámos construir um grupo capaz de ligar todo o ecossistema automóvel através da tecnologia, dos dados e de plataformas geradoras de valor. O WRC e o ERC representam uma enorme aceleração dessa estratégia."

"Não estamos apenas a adquirir os direitos comerciais de um campeonato do mundo; estamos a criar uma plataforma internacional onde fabricantes, parceiros, meios de comunicação, tecnologia e adeptos se encontram. O nosso objetivo é claro: tornar o WRC na principal referência mundial do desporto automóvel e num motor de crescimento sustentável para todo o ecossistema Cosmobilis.", concluiu.

Por fim, Éric Boullier, diretor-executivo da WRC Promoter, concluiu: "Abraço este desafio com entusiasmo, determinação, humildade e um forte sentido de responsabilidade para tornar estes campeonatos ainda mais atrativos."

"Em conjunto com a FIA e os nossos parceiros, queremos transformar cada ronda num espetáculo capaz de entusiasmar adeptos em todo o mundo. O objetivo é claro: afirmar o WRC e o ERC como marcas globais de referência e motores de crescimento sustentável, plenamente alinhados com os desafios tecnológicos e ambientais da atualidade."

Este acordo surge numa fase decisiva para o WRC, que se prepara para uma profunda revisão regulamentar. As novas regras técnicas, previstas para entrarem em vigor em 2027, foram desenvolvidas para tornar a modalidade mais segura, competitiva e acessível ao mais alto nível. Paralelamente, será criado um novo Fundo de Crescimento da FIA, destinado a apoiar projetos que promovam o desenvolvimento dos ralis em todo o mundo, desde o topo da competição até às categorias de iniciação.

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Noticias: Ben Sulayem levantou as limitações de mandatos da FIA


O presidente da FIA, Mohamed Ben Sulayem, decidiu levantar o estatuto de limitação dos mandatos, que foi imposto pelo anterior presidente, Jean Todt. Até agora, todos os presidentes da FIA tinham um limite máximo de 12 anos, mas ele alterou, aproveitando uma alínea nos estatutos da FIA, afirmando que qualquer membro da cúpula da organização, para pedir tal alteração, deverá ter menos de 70 anos. Ben Sulayem tem neste momento 64 anos de idade.

A votação, que aconteceu hoje em Macau, foi aprovada quase por unanimidade - 90,71 por cento dos membros da FIA aprovaram esta alteração - e assim, ele poderá ficar o tempo que quiser, a menos que seja retirado por meio de votação ou atinja o limite de idade de 70 anos, ou seja, por agora, nenhum candidato com mais de 70 anos poderá se candidatar à presidência.

"As alterações propostas foram aprovadas por maioria qualificada nas Assembleias Gerais Extraordinárias. Os órgãos da FIA mantêm plena autoridade para eleger democraticamente os dirigentes que considerarem adequados", começa por falar o comunicado oficial. "Os critérios de elegibilidade para o cargo de Presidente da FIA foram reforçados e estão mais alinhados com os critérios de elegibilidade existentes para os demais candidatos da Lista Presidencial".

Sulayem, dos Emirados Árabes Unidos e ex-piloto de ralis, é presidente da FIA desde 2021, e está no inicio do seu segundo mandato.

terça-feira, 23 de junho de 2026

WRC: FIA aprova kit específico para os Rally2


A FIA aprovou esta terça-feira o "kit" para os Rally2 a partir da temporada de 2027, quando os regulamentos alterarem no WRC, e poderão ser usados nas duas temporadas seguintes: 2027 e 2028, onde competirão em paridade com os Rally1 e poderão lutar por títulos.

O novo kit será barato: 7500 euros, e compreende num novo pára-choques dianteiro, novos guarda lamas dianteiros e uma nova asa traseira. Com isso, esses carros Rally2 terão uma redução de peso mínimo de dez quilos, para os 1220 quilos.

Segundo o comunicado oficial da FIA, "a homologação do Rally2-WRC-Kit só poderá ser efetuada por um construtor inscrito no Campeonato do Mundo de Ralis da FIA (WRC) na qualidade de fabricante. Durante o primeiro ano de homologação, o fabricante terá de participar em cem por cento das provas do calendário do WRC, com um mínimo de dois carros por rali.

Os regulamentos definem igualmente o enquadramento técnico dos carros Rally2-WRC-Kit, incluindo um peso total de 1220 quilos. Cada Rally2-WRC-Kit terá direito a um joker para os elementos da carroçaria homologados como parte do kit, sendo autorizada apenas uma extensão Rally2-WRC-Kit por cada ficha de homologação Rally2 durante o período de 2027-2028."

A homologação deste kit irá permitir aos construtores atuais como a Hyundai e a M-Sport manter-se no WRC de 2027 sem terem um Rally1 da nova geração, mas também permitirá à Lancia e à Skoda possam lutar pelo título mundial com o seus bem competitivos Rally2, mesmo com a marca italiana a trabalhar num WRC27, baseado no seu modelo Ypsilon de Rally2.

Neste momento, a única marca que está a trabalhar assumidamente num WRC27 é a Toyota, que tem o veterano Ott Tanak a trabalhar em diversos testes. 

terça-feira, 16 de junho de 2026

WRC: FIA anunciará novo promotor até Julho


A FIA anunciou esta terça-feira que o WRC terá um novo promotor até ao inicio do próximo mês, ou seja, dentro de três semanas, no máximo. Em Le Mans, onde assistiu à corrida de 24 Horas, Mohammed Ben Sulayem afirmou que está a negociar pessoalmente com esse novo promotor e que o contrato será de longa duração, mais do que sete anos.

"Nos próximos dias, vou concluir questões relacionadas com uma das áreas que mais me apaixona, nomeadamente os ralis. O futuro do WRC ficará definido dentro de três semanas. Podem escrever isso. Se não acontecer, a responsabilidade será exclusivamente minha", começou por afirmar Ben Sulayem à publicação francesa Auto Hebdo.

Em relação à duração, o presidente da FIA falou sobre isso, e porque deseja que dure mais do que os sete anos inicialmente previstos. Nos bastidores, fala-se que o favorito terá o poio da Red Bull e será liderado por Eric Bouiller, ex-diretor desportivo da Renault, Lotus GP e McLaren. E que o WRC seja uma competição acessível e económica. 

"Um novo carro custará cerca de 350 mil euros e o orçamento de uma equipa oficial com três carros deverá situar-se entre os 25 e os 30 milhões de euros por época. Já não estamos a falar de orçamentos anuais de 70 milhões de euros, o que torna o Campeonato do Mundo de Ralis mais acessível aos construtores", começou por falar. "Também custa menos organizar os ralis. A FIA está a investir dinheiro nos ralis e o formato do Campeonato do Mundo está a mudar. Estamos a trabalhar em estreita colaboração com o novo promotor para desenvolver as transmissões televisivas e as soluções de comunicação.", continuou.

"Neste momento, vários construtores já manifestaram interesse em entrar no Campeonato do Mundo, mas assim que a questão do promotor estiver resolvida, o processo deverá acelerar. Esperamos atrair pelo menos cinco marcas para o campeonato num futuro próximo", concluiu o homem que lidera os destinos da FIA.

terça-feira, 21 de abril de 2026

Noticias: FIA e Formula 1 anunciam ajustes nos regulamentos


A FIA e as equipas decidiram esta semana fazer ajustes nos regulamentos, sancionados pela FOM, e estas entrarão em vigor a partir do GP de Miami, que acontecerá a 3 de maio. O contexto que motivou as mudanças inclui preocupações de segurança levantadas pelos pilotos, em particular após o violento acidente de Oliver Bearman no Japão, provocado por um diferencial de velocidade elevado, e críticas generalizadas à gestão de energia exigida pelos novos regulamentos.

O facto da Formula 1 não ter tido corridas em abril devido à guerra no Médio Oriente acabou por chegar a esta conclusão. E são estas:

Na qualificação, a  potência máxima do Super Cliping foi aumentada para 350 kW, anteriormente fixada em 250 kW, reduzindo ainda mais o tempo gasto em regeneração e diminuindo a carga de trabalho dos pilotos na gestão de energia. Esta medida será igualmente aplicada em condições de corrida. Para além disso, o número de eventos onde podem aplicar-se limites de energia alternativos mais baixos foi aumentado de 8 para 12 corridas, permitindo uma maior adaptação às características dos circuitos.

Também haverá ajustes os parâmetros de gestão de energia, incluindo uma redução da regeneração máxima permitida de 8MJ [megajoules] para 7MJ [megajoules], com o objetivo de reduzir a regeneração excessiva de energia e encorajar uma condução mais consistente a fundo. Esta alteração visa reduzir a duração máxima do Super Cliping para aproximadamente dois a quatro segundos por volta.

Nas corridas, a potência máxima disponível através do Boost em condições de corrida passa a estar limitada a +150 kW (ou ao nível de potência atual do carro no momento de ativação, se superior), restringindo diferenciais de desempenho súbitos. O MGU-K mantém-se a 350 kW nas zonas-chave de aceleração (desde a saída de curva até ao ponto de travagem, incluindo zonas de ultrapassagem), mas ficará limitado a 250 kW nas restantes partes da volta. Estas medidas foram concebidas para reduzir velocidades de aproximação excessivas, mantendo as oportunidades de ultrapassagem e as características gerais de desempenho.

Graças ao feedback dos pilotos, em termos de melhorias na segurança em situações de chuva, as temperaturas das mantas de aquecimento dos pneus intermédios foram aumentadas, com o objetivo de melhorar a aderência inicial e o desempenho dos pneus em condições de piso molhado. A entrega máxima do ERS será reduzida, limitando o binário e melhorando o controlo do carro em condições de baixa aderência. Os sistemas de iluminação traseira serão simplificados, com sinais visuais mais claros e consistentes, de forma a melhorar a visibilidade e o tempo de reação dos pilotos que seguem atrás em condições adversas.


Mohamed Ben Sulayem
, o presidente da FIA, reagiu positivamente a estas alterações e elogiou todos os intervenientes pelo trabalho realizado em tempo recorde. Ele também elogiou o papel central dos pilotos no processo de consulta, sublinhando que a segurança e a equidade desportiva continuam a ser as prioridades máximas da FIA, e reconheceu ainda que a pausa inesperada no calendário foi aproveitada de forma construtiva por todas as partes envolvidas.

Gostaria de elogiar todos no ecossistema da Fórmula 1, os funcionários da FIA, as equipas, os pilotos e os fabricantes de unidades motrizes, pelo trabalho construtivo e colaborativo realizado num espaço de tempo muito curto.", começou por afirmar. "Embora tenhamos enfrentado uma pausa inesperada no calendário devido a circunstâncias alheias ao desporto, todas as partes mantiveram-se plenamente empenhadas em agir no melhor interesse da Fórmula 1."

"Mais do que nunca, os pilotos estiveram no centro destas discussões, e gostaria de lhes agradecer pelo seu contributo valioso ao longo deste processo.", continuou. "A segurança e a equidade desportiva continuam a ser as prioridades máximas da FIA. Estas alterações foram introduzidas para resolver os problemas identificados nas primeiras provas e para garantir a integridade e a qualidade contínuas da competição."

"Aguardamos agora com entusiasmo o resto do que promete ser uma emocionante temporada de 2026" concluiu.”


Espera-se que a partir da corrida de Miami, estas alterações regulamentares poderão melhor um pouco o espetáculo automobilístico, que anda a ser contestado desde o inicio da temporada. 

quarta-feira, 11 de março de 2026

As imagens do dia







Há 25 anos, em 2001, Tommi Makinen triunfava no Rali de Portugal, com o seu Mitsubishi Lancer Evo WRC, batendo o Ford Focus WRC de Carlos Sainz Sr. por 8,6 segundos, numa das distâncias mais estreitas até então. E claro, depois de um "showdown" na especial de Ponte de Lima, após a ultrapassagem de Sainz na especial anterior.

O que alguns sabiam, quando o rali chegou ao fim, depois de 22 especiais, era que poderia ser o último em algum tempo. Desde há alguns anos, especialmente depois de 1998, quando morreu o seu diretor e fundador, César Torres, que o rali estava em perigo, porque havia algum "lobby" para colocar no calendário do WRC o rali da Alemanha, uma prova em asfalto.

E para além do "lobby" para tirar Portugal para ajudar a Alemanha - afinal de contas, um dos mercados mais poderosos da Europa e do Mundo, que nunca tinha tido um rali no WRC - outro motivo ajudou para o desfecho: o tempo. O final de inverno de 2001 foi dos mais chuvosos até então. Semanas e semanas onde não se viu um raio de sol, em certas partes do país, e para piorar as coisas, menos de uma semana antes, a 4 de março, uma ponte centenária tinha caído na localidade de Entre os Rios, no preciso momento em que passava um autocarro de excursão, matando 59 pessoas, num dos piores acidentes rodoviários da Europa até então.

O rali tinha o seu centro nevrálgico em Matosinhos, mas se no primeiro dia, o tempo ajudou um pouco, nos dias seguintes, parecia que havia uma conspiração meteorológica: nevoeiro, chuva, muita água, lama, mesmo muita lama. As classificativas rapidamente ficaram destruídas pela passagem dos carros. Pouco mais de 25 por cento dos pilotos participantes chegariam ao final. Apesar de tudo, foi um rali competitivo entre Makinen e Sainz Sr, onde nenhum deles perdeu de vista um do outro, ao ponto de, na última especial, o piloto finlandês ficou à espera no final para ver o que o espanhol da Ford fazia, se tinha conseguido ou não passá-lo, é dos momentos mais icónicos da história do WRC. 

Mas de resto, foi um inferno aquático. Os reconhecimentos, para as marcas, foram um pesadelo, e para os privados pior. Muito pior. A Hyundai, por exemplo, era a única equipa que usava carros de tração a duas rodas nos reconhecimentos e Kenneth Eriksson recordou o calvário, anos depois: “Em quase todos os troços ficámos presos. Tentar conduzir na lama tornou-se impossível, era muito complicado concentrarmo-nos em fazer notas de ritmo adequadas.

Na sexta-feira do rali, dia 9 de março, os três primeiros troços desse dia, Vizo, Fafe/Lameirinha e Vieira/Cabeceiras, deveriam ter sido todos repetidos, mas apenas o Vizo teve segunda passagem, já que os restantes dois troços foram cancelados, por motivos de segurança. A razão? Nuvens muito baixas, que impediam a movimentação de equipamentos de segurança - uns juravam que tinha sido uma ambulância presa, outros, o helicóptero não poderia levantar com uma cobertura tão baixa.

E os pilotos - bem como os navegadores - ficaram impressionados com o que estava a acontecer. “O Safari com chuva é um verdadeiro passeio comparado com este Rali de Portugal”, disse na altura Nicky Grist, co-piloto de Colin McRae na Ford. Até os carros da organização sofriam nas especias, ficando presos. “Não há muito mais a dizer quando um carro da organização fica atolado. Isso significa que não havia mesmo condições de segurança”, disse Richard Burns, então piloto da Subaru.

No final, e numa altura em que o WRC tinha 14 provas no calendário e queriam "chutar" um rali para dar lugar à Alemanha, o escolhido foi um dos originais - estava no calendário desde 1973, no primeiro ano da competição. Foram aproveitadas as falhas, nomeadamente as questões de segurança - curiosamente, nada tinha a ver com os espectadores, bem mais comportados que nos tempos "selvagens" dos anos 80 do século anterior - e o rali caiu do calendário.

O rali acabaria por regressar em 2007, mas a condição para o seu regresso era de que tinha de ser realizado no Algarve.  As autoridades locais ofereceram bom apoio comercial, e era uma área em que o tráfego e a quantidade de espetadores era menos problemática. Contudo, os espectadores queriam que o rali regressasse para o Norte, pois para eles, era onde batia o "coração" dos ralis. O regresso só aconteceu em 2014, 13 anos depois deste março muito chuvoso. 

E nos nossos dias de 2026, o rali de Portugal, apesar de percorrer no Norte e Centro do país, e acontece a meio de maio, em vez de ser no meio de março, continua a ser bem popular entre pilotos e espectadores, e voltou a ter o prestigio que tinha antes. Quanto à Alemanha, o rali que substituiu, a partir de 2002, apesar de uma paisagem de vinhedos e de classificativas como a Panzerplatte... já não acontece desde 2019.   

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

A história polémica sobre da taxa de compressão dos motores


Os construtores de motores irão votar por estes dias para mudar de regulamento a meio do ano. A razão? Colocar um ponto final na polémica sobre a taxa de compressão dos propulsores, iniciada pela Mercedes. A informação é referida por estes dias no "paddock" de Shakir.

Nesta quarta-feira, surgiu a noticia de que a FIA decidiu colocar em cima da mesa uma votação electrónica no seio do Power Unit Advisory Committee (PUAC), propondo a revisão dos procedimentos de verificação associados ao limite regulamentar de 16:1 da taxa de compressão. A solução em discussão prevê a introdução de um teste adicional a temperaturas elevadas, que entraria em vigor a partir do início de Agosto, coincidindo na prática com a pausa de Verão da Fórmula 1. Atualmente, os motores são avaliados apenas através de verificações realizadas a temperatura ambiente.

Com esta nova proposta, a conformidade passaria a depender do cumprimento simultâneo dos testes ‘a frio’ e ‘a quente’, encerrando assim a margem interpretativa que esteve na origem das recentes tensões entre construtores, depois de a Mercedes ter explorado uma zona cinzenta do regulamento. 

Neste momento, e a fazer fé nos zunzuns do paddock, os membros do comité foram instados a apresentar comentários até ao final desta semana, estando o prazo formal para a votação marcado para a próxima terça-feira. Para aprovar essas alterações, é precisa uma supermaioria de construtores de motores, ou sejam quatro das cinco, mais FIA e FOM. E essa supermaioria poderá já ter sido alcançada, dado que Ferrari, Audi, Honda e Red Bull Powertrains têm-se mostrado favoráveis à introdução de algum tipo de teste a quente.

Ainda não é claro o grau de exigência deste novo teste a quente, nem se será realizado às temperaturas máximas de funcionamento de um motor de Fórmula 1.


Quanto à Mercedes, que é a visada neste processo todo (e deu, nesta quarta-feira, 146 voltas à pista de Shakir, e George Russell fez o melhor tempo, dez milésimos melhor que Oscar Piastri, da McLaren), por agora, ela tem a luz verde da FIA, pelo menos até agosto. Aliás, na semana passada, depois de se saber toda esta polémica, um grupo de comissários da FIA foi a Brixworth, sede da Mercedes AMG High Performance Powertrains, para proceder a uma verificação direta do propulsor Mercedes-AMG F1 M17 E Performance em condições de temperatura elevada. Esse é o motor que estará nos carros não só da Mercedes, como também da Williams, McLaren e Alpine. No final do teste, a FIA considerou que o seis cilindros alemão estava conforme, dentro das tolerâncias admitidas para a taxa de compressão de 16:1. 

Contudo, as duvidas persistiam. A questão central prende-se com o próprio conceito de ‘verificação a quente’. Do que se sabe, trata-se de colocar o motor em funcionamento até atingir cerca de 115 graus Celsius. Contudo, para permitir o seu desmantelamento e medição, a unidade só era analisada quando a temperatura descia para cerca de 75 graus Celsius. Foi nesta condição que o motor foi considerado legal. Para alguns rivais, essa temperatura não reflete o regime térmico real de utilização em pista, o que lança suspeitas sobre a validade prática da verificação.

As coisas estavam tão séries que equipas como a Ferrari tencionavam apresentar um protesto em Melbourne. Agora, com esta eventual hipótese de votação para a revisão dos procedimentos, todos no paddock acreditam que a decisão da próxima semana poderá, assim, não apenas encerrar uma das mais delicadas polémicas técnicas do período pré-2026, como também estabelecer um novo equilíbrio entre estabilidade regulamentar e intervenção corretiva em plena temporada. 

Veremos. E digo isto porque no paddock, neste final de tarde, na conferência de imprensa, James Vowles, o diretor desportivo da Williams, afirmou aos jornalistas que toda esta polémica "é só barulho e prevejo que isto acabe em 48 horas".

Contudo, Laurent Mekies, da Red Bull, reagiu às declarações, afirmando: "Para nós, não é barulho".

Recordo-vos: Williams é uma das equipas que tem motor Mercedes.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

WRC: FIA apresenta o conceito do WRC27


A FIA apresentou esta quinta-feira ao mundo o conceito do WRC27, o tipo de carros que ela quer que apareçam a partir da temporada de 2027, marcando uma nova era na disciplina. O ‘concept’ agora apresentado traduz visualmente os princípios regulamentares da plataforma WRC27, oferecendo uma primeira imagem concreta do tipo de carros que irão competir ao mais alto nível internacional. A FIA quer que esta nova fórmula assente num ciclo regulatório de longo prazo - pelo menos cinco anos - dando previsibilidade e estabilidade ao campeonato e aos futuros intervenientes.​ 

Como já era sabido, o principio destes chassis são tubulares, com célula de segurança feito dessa forma, uma evolução direta da estrutura introduzida nos Rally1 em 2022, concebida para maximizar a proteção dos ocupantes. Desenvolvida com recurso a simulação avançada, ensaios comparativos e testes de choque com protótipos, esta célula oferece melhorias significativas na redução de intrusões e na absorção de energia em impactos frontais, laterais, de tejadilho e traseiros.​

Em torno desta célula, o regulamento WRC27 estabelece um “volume de referência” dentro do qual toda a carroçaria deverá ser desenhada, deixando de ser obrigatório partir de modelos de produção específicos. Dentro desse envelope dimensional, os construtores poderão optar por linhas inspiradas em modelos de estrada ou por soluções totalmente dedicadas aos ralis, abrindo espaço a uma maior diversidade de formas e identidades visuais.​

Os elementos aerodinâmicos serão simplificados para reduzir custos de desenvolvimento e complexidade técnica, limitando dispositivos extremos sem comprometer a estabilidade e a eficácia em prova. Esta abordagem pretende também facilitar a entrada de novos projetos e acelerar os processos de conceção.​


Este enquadramento procura alargar o leque de participantes potenciais, permitindo que projetos de ‘tuners’ – como é o caso do Project Rally One, que foi anunciado ontem -  e outros especializados, possam competir em igualdade de condições regulamentares com marcas oficiais. A FIA espera, assim, aumentar o número de carros e equipas no pelotão principal, reforçando a competitividade do campeonato. Este será talvez o aspeto mais importante do ‘novo’ ​WRC, porque embora se possa perder algum espetáculo na estrada, isso poderá ser compensa com muito mais competitividade entre os concorrentes.

Os novos carros serão equipados com um motor 1.6 turbo a gasolina, alimentado por combustível sustentável, com cerca de 290 cavalos-vapor de potência – provavelmente um pouco acima dos 300 cv – associado a tração integral e caixa de cinco velocidades.​

A suspensão adotará um esquema de duplo triângulo (double wishbone), enquanto os sistemas de travagem e direção derivarão de especificações Rally2, combinando elevada performance com custos mais controlados.

O chassis tubular será definido dentro de um “footprint” com comprimento mínimo de 4100 milímetros e máximo de 4300 milímetros, largura máxima de 1875 milímetros, distância entre eixos mínima de 2600 milímetros e altura mínima de 1270 milímetros, garantindo um equilíbrio entre liberdade de design e proporções adequadas ao rali.​

Com a entrada em vigor das novas regras, os carros WRC27 passarão a competir lado a lado com os atuais Rally2 na categoria de topo, reestruturando a “Rally Pyramid” definida pela FIA. A convivência entre as duas gerações visa criar um pelotão mais numeroso, com diferentes níveis de investimento, mas performances relativamente próximas, potenciando listas de concorrentes mais cheias e lutas mais variadas pelos lugares de destaque.​

Esta integração também simplifica a progressão de carreira dos pilotos, que poderão transitar de Rally2 para WRC27 sem enfrentar um salto tão acentuado de custos ou exigência técnica específica do carro. A médio prazo, a FIA vê este modelo como uma forma de estabilizar o ecossistema competitivo do WRC.​


Um dos pilares do WRC27 é a redução do custo de participação ao mais alto nível, com a introdução de um limite máximo de 345 mil euros para um carro pronto a competir em especificação de asfalto. Este valor representa uma redução superior a 50% em relação à geração atual, segundo a FIA, tornando o acesso ao topo mais realista para um maior número de projetos.​

As poupanças serão obtidas através da definição de preços de referência para componentes, aumento da durabilidade das peças e simplificação técnica, reduzindo tanto o investimento inicial como os custos de substituição ao longo da época. O regulamento prevê ainda medidas para baixar despesas operacionais, como limites de pessoal, requisitos logísticos mais contidos, maior uso de estruturas locais e melhores soluções de conectividade de dados para apoiar o trabalho de engenharia à distância.​


Com os detalhes técnicos e de homologação do WRC27 agora confirmados, a FIA considera estar criado o quadro necessário para que construtores e equipas preparem a entrada na nova era do Mundial a partir de 2027. O organismo espera que a combinação de maior flexibilidade de design, abertura a tuners, reforço da segurança, controlo de custos e plataforma de motorização evolutiva contribua para um campeonato mais competitivo, diversificado e sustentável a longo prazo.​

sábado, 13 de dezembro de 2025

FIA: Ben Sulayem reeleito, novo Acordo da Concórdia divulgado


A FIA foi a Tashkent, no Uzbequistão, para a sua Gala, mas também para confirmar Mohammed Ben Sulayem como seu presidente para mais quatro anos. A eleição, do qual concorreu sem qualquer oposição significativa, como sempre quis - a concorrência simplesmente desistiu depois dos obstáculos que ele colocou ao longo deste ano nos seus estatutos - e Ben Sulayem inicia agora o seu segundo mandato de quatro anos, afirmando que durante o mandato que agora acabou, conseguiu melhorar a posição da FIA como o organismo regulador mundial do desporto motorizado e a autoridade líder em mobilidade segura, sustentável e acessível.

No seu discurso de aceitação, Ben Sulayem afirmou:

Obrigado a todos os nossos Membros da FIA por votarem em números tão notáveis e por confiarem em mim mais uma vez. Superámos muitos obstáculos mas, aqui hoje, juntos, estamos mais fortes do que nunca."

É verdadeiramente uma honra ser Presidente da FIA e estou empenhado em continuar a entregar resultados para a FIA, para o desporto motorizado, para a mobilidade e para os nossos Clubes Membros em todas as regiões do mundo.

"A eleição foi conduzida em conformidade com os estatutos da FIA, através de um processo de votação robusto e transparente, refletindo os alicerces democráticos da federação e a voz coletiva dos seus membros a nível global.", concluiu.


Sob a sua liderança, a FIA conseguiu equilibrar as suas finanças, passando de um prejuízo de 24 milhões de euros para um "superavit" de 4,7 milhões de euros em 2024, o melhor resultado financeiro da federação em quase uma década. E para além destas reformas, Ben Sulayem e a FIA conseguiram criar ao longo do mandato uma função comercial, reforçando também a sua identidade institucional global tanto no desporto motorizado como na mobilidade, expandindo a atividade de desenvolvimento regional, apoiando a participação de base e aprofundando o envolvimento com parceiros internacionais em matéria de segurança, mobilidade sustentável e o futuro dos transportes.

Enquanto a sua eleição era confirmada, FIA e Liberty Media anunciaram o novo Acordo da Concórdia, onde, depois de meses de negociação, ambas as partes chegaram a um acordo, que vigorará até ao final da temporada de 2030.

Embora muitos pormenores se tenham mantido confidenciais, tornou-se claro que o novo acordo irá aumenta a contribuição financeira da Fórmula 1 para a FIA, um ponto que Ben Sulayem vinha defendendo como essencial numa altura em que o campeonato cresce em receitas e complexidade operacional. E essa nova injeção de dinheiro servirá para, por exemplo, profissionalizar e estabilizar áreas como a direção de corrida e o corpo de comissários. 


No comunicado oficial, o reeleito Ben Sulayem afirmou:

Este acordo permite-nos continuar a modernizar as nossas capacidades regulatórias, tecnológicas e operacionais, incluindo o apoio aos nossos diretores de corrida, oficiais e aos milhares de voluntários cuja competência sustenta cada corrida”, afirmou.

E reforçou a sua ambição de fundo. “Estamos a garantir que a Fórmula 1 permanece na vanguarda da inovação tecnológica, estabelecendo novos padrões no desporto global.”, concluiu.

Do lado da Liberty Media, Stefano Domenicali, CEO da Fórmula 1, destacou o efeito estabilizador do entendimento numa fase em que o desporto prepara uma nova era regulamentar a partir de 2026. “Este acordo garante que a Fórmula 1 está na melhor posição possível para continuar a crescer em todo o mundo”, afirmou.

Em resumo, a FIA passa a ter mais meios para fazer melhor o trabalho que, nos últimos anos, tem estado sob escrutínio constante, precisamente quando o campeonato se torna mais rentável, mais complexo e mais dependente de decisões rápidas, consistentes e tecnicamente sustentadas. Precisamente na altura em que Ben Sulayem ganha mais um mandato à frente do organismo máximo do automobilismo.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

WRC: FIA aprova regulamentos para 2027


A FIA anunciou esta quinta-feira que aprovou em Conselho Mundial os regulamentos finais de homologação para o Campeonato do Mundo de Ralis a partir de 2027. Este novo regulamento, que complementa o que foi mostrado há cerca de um ano, introduz o conceito de “Construtor”, ou seja, a entidade responsável pelo projeto, construção, homologação e comercialização do carro WRC27. 

Ali os carros, cuja homologação tem uma validade de dez anos, serão obrigados pela FIA a produzir pelo menos dez unidades nos primeiros 24 meses, bem como fornecer dez carros prontos para correr, por temporada, a clientes interessados. Os automóveis custarão, no limite, 345 mil euros, terão aproximadamente 300 cavalos de potência, serão compostos por um chassis tubular e utilizarão alguns componentes do Rally2. Estas medidas servem no objetivo da FIA de aumentar o número de concorrentes no topo do WRC a partir de 2027.

O regulamento de homologação define e clarifica todo o procedimento de homologação para os automóveis do tipo WRC27 e descreve a duração e as condições associadas a cada homologação, bem como os requisitos mínimos de produção para os automóveis homologados.", afirma a FIA no seu comunicado oficial.

Isto introduz uma definição formal para os construtores – reunir fabricantes e preparadores sob o mesmo guarda-chuva como participantes no Campeonato Mundial de Ralis da FIA. Um construtor é a entidade responsável por conceber e construir o automóvel do tipo WRC27, preparar e submeter o veículo para homologação pela FIA e comercializar o automóvel e os seus componentes associados.”, concluiu.

Com estes regulamentos agora aprovados, construtores, equipas e pilotos dispõem daquilo que andavam a pedir desde há algum tempo: estabilidade e direção clara. Resta saber se nesta nova era, dará maior espetáculo os adeptos do WRC espalhados pelo mundo, e claro, se em 2027 haverá mais construtores para além da Toyota, Hyundai e a M-Sport, e no Rally2, Skoda e Lancia.

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

A imagem do dia




Falei nestes dias sobre os 30 anos do título de Colin McRae na Subaru, mas também falei - de raspão, mas falei - sobre o escândalo da Toyota com os restritores de ar nos seus turbos que acabou com a desclassificação - e exclusão da marca no WRC. E como, por coincidência, se fala da desclassificação da McLaren na corrida de Las Vegas, que aconteceu ontem, não estou a falar por causa disso. Iria falar, apesar disso. E também há outra diferença: se na McLaren, foi algo não intencional - a própria FIA reconhece isso - no caso da Toyota, em 1995, foi batota, pura e simples. 

Vamos à história: em 1995, o WRC decidiu que, com calendários grandes, cortou-o a meio, numa experimentação que não durou mais que duas temporadas. Por exemplo, nessa temporada, só houve oito ralis oficiais, começando em Monte Carlo e acabando com o RAC, e passando por Suécia, Portugal, Córsega, Austrália, Nova Zelândia e Catalunha. Todos esses ralis não participariam em 1996, dando lugar a outros ralis como a Finlândia, o Safari, a Indonésia, entre outros.

A luta era Subaru contra Toyota, com a Ford e Mitsubishi a espreitar. Na Prodrive, que preparava os Subaru, tinham dois dos melhores pilotos do pelotão, como Carlos Sainz Sr e Colin McRae. Do lado da Toyota, tinham o finlandês Juha Kankkunen e o francês Didier Auriol, enquanto na Ford, tinha, Franmcois Delecour e na Mitsubishi, despontava o finlandês Tommi Makinen. O português Rui Madeira também fazia parte, correndo num Grupo N e sendo campeão da categoria. E mesmo Mohamed ben Sulayem mostrava-se em alguns ralis, também num Grupo N, mas num Toyota Celica.

O campeonato foi bem disputado entre os pilotos da Subaru. Sainz Sr. começou muito bem, ganhando dois dos primeiros três ralis do ano, e McRae estava aflito. Mas depois reagiu, conseguindo pontuar a partir do rali de Portugal, e quando Sainz não pode participar na Nova Zelândia, o escocês aproveitou muito bem. Antes do rali da Catalunha, penúltima prova do ano. 

Mas a Toyota estava na luta pelo título, especialmente com Juha Kankkunen. Ele tinha ido ao pódio em Monte Carlo (terceiro), em Portugal (segundo), na Nova Zelândia e Austrália, ambos na terceira posição. Podia estar atrás dos Subarus, mas se a chance existia, iria aproveitar. E Auriol, o campeão de 1994, tinha ganho o Tour de Corse, o seu rali favorito, em asfalto, com os Subaru bem longe do pódio. E tudo isto com o Celica, um carro que já acusava os anos - tinha entrado em ação quase uma década antes, com a versão que usavam sido colocada na estrada em 1991. E era também, em termos de tamanho, um carro grande, comparado com os Subaru Impreza ou os Ford Escort Cosworth.

Assim sendo, a marca nipónica - cujos carros eram preparados pela TTE, Toyota Team Europe - para se manter competitiva, conseguia esses resultados recorrendo a uma engenharia secreta que ia além dos regulamentos. Tão secreta que sequer os pilotos sabiam. E quando foi descoberta, Max Mosley chamou a isso "a engenharia de engano mais sofisticada que jamais vi em mais de 30 anos de automobilismo".

Em 1995, os turbocompressores tinham uma restrição de ar para limitar a potência dos seus motores. Todos eles tinham de dar um máximo a rodar os 300 cavalos de potência, imposta pela FIA por motivos de segurança, e havia partes que eram vistas pela FIA para saberem se tudo estava de acordo. Mas a Toyota mexia neles de forma subtil, sem que ninguém soubesse. Como?

O carro estava equipado com um pequeno dispositivo com mola que retraía ligeiramente a placa restritora enquanto o motor estava a trabalhar. Isto permitia a entrada de mais ar no turbocompressor do que o permitido pelas regras, dando aos pilotos da Toyota um acréscimo de potência de até 50 cavalos extra, segundo contou um especialista, quando a falcatrua foi descoberta. quando o motor ficava em ralenti, o dispositivo com mola retraía, fazendo com que a placa restritora voltasse à posição correta, como seria permitido pelas regras, sem que ninguém soubesse, nem mesmo os escrutinadores da FIA.

A falcatrua foi descoberta no final do primeiro dia do rali da Catalunha, quando o Toyota do alemão Armin Schwartz foi inspecionado, e os comissários da FIA descobriram a irregularidade. Logo a seguir, os carros de Auriol e Kankkunen foram inspecionados, e a Toyota decidiu que o melhor seria retirar os carros do rali, que desclassificá-los.

A FIA não perdeu tempo e foi implacável: excluiu a Toyota do WRC até 1997, foi desclassificada do Mundial de Construtores, e os seus pilotos foram também desclassificados, embora tenham ficado com os pontos e os sucessos nessa temporada.

Mais tarde, Max Mosley confessou ter ficado impressionado com a engenharia dessa batota: 

Quando o sistema era desmontado, a flange fechava automaticamente, eliminando qualquer indício de que pudesse ter entrado ar extra no motor. Este sistema não só permitia a entrada de ar que não passava pelo restritor, como também possibilitava a deslocação ilegal do próprio restritor para mais longe do turbo.", começou por explicar.

A mangueira era fixada ao restritor por uma braçadeira. Era então utilizada uma ferramenta especial para abrir o dispositivo, que era depois bloqueada na posição aberta por uma segunda braçadeira. Ambas as braçadeiras necessitavam de ser soltas para que um inspetor verificasse o restritor, e durante o processo de abertura, o dispositivo fechava bruscamente.

No interior, o dispositivo estava bem feito. As molas no interior da mangueira tinham sido polidas e maquinadas para não obstruir a passagem do ar. Forçar a abertura das molas sem a ferramenta especial exigiria uma força considerável. É o dispositivo mais sofisticado e engenhoso que eu ou os especialistas técnicos da FIA vimos em muito tempo. Estava tão bem feito que não havia nenhuma abertura aparente que sugerisse a possibilidade de o abrir”, concluiu.

A Toyota acabaria por regressar ao WRC no final de 1997, com o Corolla, e dois anos, depois, voltaria a ganhar o Mundial de Construtores, com Didier Auriol e Carlos Sainz Sr. ao volante. 

sexta-feira, 8 de agosto de 2025

WRC: Rally1 terão motores de Rally2?


Os regulamentos do WRC a partir de 2027 serão modificados, com um corte nos custos de construção dos chassis de Rally1, para os 345 mil euros. E isso poderá passar por motores vindos do Rally2.

Segundo conta o rallyjournal.com, os novos regulamentos irão alinhar o nível de desempenho dos carros Rally1 com o Rally2, transferindo efetivamente a categoria superior para uma base técnica mais acessível e económica. Os motores com especificações Rally2 tornar-se-ão a base para os carros Rally1, que muitos fabricantes já produzem ou têm acesso.

O diretor técnico da Toyota, Tom Fowler, citado pela publicação referida, descreveu as mudanças como uma “redefinição” para o WRC. Ele acredita que a decisão de igualar o desempenho do Rally2 é uma forma de acolher uma gama mais ampla de equipas — quer já tenham programas Rally2 ou estejam a planear desenvolver carros com especificações para 2027.

A decisão de definir o nível de desempenho igual ao do Rally2 é uma forma de dizer que a participação em 2027 pode acontecer de várias maneiras”, destacou. “Para atrair o maior número possível de fabricantes – se tem um carro Rally2, está a projetar um ou a planear um carro que cumpra os regulamentos de 2027 – todos são bem-vindos”, continuou. “E se o nível de desempenho precisar aumentar no futuro, isso poderá ser feito usando os mesmos regulamentos com pequenos ajustes. Acho que é uma ideia sensata nesta fase."

Contudo, há uma parte dos regulamentos que refere uma proposta que as marcas podem fazer no sentido de propor configurações alternativas — tais como motores baseados em unidades de produção ou sistemas híbridos. Até agora, nenhum fabricante apresentou tal proposta.

O que entendo é que há um capítulo específico que explica como construir um motor para o campeonato. Se quiseres comprometer-te, segue esse capítulo – todas as informações estão claramente descritas”, começou por explicar. “Há também um apêndice que diz que, se um fabricante ou preparador tiver um requisito diferente – para um motor de produção, eletrificação ou similar –, pode apresentá-lo à FIA. O regulamento poderia então ser adaptado para incluir mais pessoas. Mas, pelo que entendi, ninguém fez essa solicitação, então nenhum capítulo extra foi escrito”, concluiu.

Com esta abordagem, a FIA espera garantir a sustentabilidade a longo prazo do WRC, reduzindo as barreiras à entrada e mantendo a porta aberta à inovação.

sexta-feira, 25 de julho de 2025

Noticias: Formula E estende acordo com a FIA para manter exclusividade


Nas vésperas do fim de semana duplo de Londres, a FIA anunciou a extensão da sua parceria com a Formula E Holdings Limited (controlada pela Liberty Global) para a contínua promoção do Campeonato Mundial ABB FIA de Fórmula E (Fórmula E) na categoria de monopostos totalmente elétricos. O acordo será plurianual e segundo ambas as partes, irá fornecer uma plataforma poderosa para acelerar a trajetória de crescimento do campeonato, atrair mais investimentos, ampliar seu impacto global e pavimentar o caminho para a inovação sustentável no setor automotivo, em geral. 

Numa altura em que se prevê um aumento de vendas de carros elétricos para mais de 40 por cdento do total global de veículos até 2030, e com a competição a crescer numa média de 20 por cento por temporada, para atingir cerca de 400 milhões de fãs em todo o mundo e atrair uma audiência televisiva de aproximadamente 500 milhões de pessoas, a competição tem 11 equipas de alto nível e 22 pilotos de elite, correndo em lugares como o Mónaco, São Paulo, Londres, Tóquio e Berlim, entre outros.

Na assinatura do acordo, Jeff Dodds, CEO da Fórmula E, começou por afirmar: 

"O crescimento da Fórmula E desde sua criação tem sido nada menos que extraordinário, com centenas de milhões de fãs, equipas e pilotos de classe mundial decidiram escolher as corridas elétricas altamente competitivas. Esta extensão de longo prazo da parceria nos permite continuar construindo a marca, investindo no produto e oferecendo algumas das corridas mais cativantes que nos tornaram famosos. Com a extensão de longo prazo, o impacto que a Fórmula E seguirá tendo no automobilismo global será verdadeiramente transformador", concluiu.

 Mike Fries, CEO da Liberty Global, declarou:  

"Acreditamos na Fórmula E desde o primeiro dia, e esta extensão reafirma nossa confiança no rumo que ela está tomando. Este é o esporte motorizado do futuro, um campeonato que combina a tecnologia mais recente, corridas acirradas e uma missão que realmente importa. ", começou por referir.

"Com o apoio contínuo da FIA, agora podemos dar os próximos grandes passos, expandir o esporte, aumentar sua base global de fãs e continuar a ultrapassar os limites do que as corridas elétricas podem alcançar. Com este novo acordo em vigor, a Fórmula E está agora melhor posicionada do que nunca para definir o futuro do automobilismo, mais inovador, mais inclusivo e mais sustentável, para inspirar a próxima geração de fãs, de pilotos e de parceiros em todo o mundo", concluiu.

Por fim, Mohammed Ben Sulayem, presidente da FIA, referiu a este acordo da seguinte maneira:

"A extensão do contrato para o Campeonato Mundial ABB FIA de Fórmula E é um resultado fantástico para o esporte e um reflexo claro da nossa estratégia contínua na FIA de fortalecer parcerias comerciais e impulsionar o valor a longo prazo em todas as facetas do automobilismo.", começou por comentar. 

"Este marco reafirma nosso compromisso com a inovação, a sustentabilidade e o progresso tecnológico, fundamentais para identidade e propósito únicos do campeonato. Ele também está alinhado com nosso objetivo mais amplo de aumentar a participação global e promover um automobilismo mais acessível para todos. Estamos muito felizes em continuar esta jornada com a Fórmula E e espero vê-la crescer ainda mais, tanto dentro quanto fora das pistas, nos próximos anos", concluiu. 

terça-feira, 22 de julho de 2025

Meyer: "Não se trata de vingança"


O americano Tim Meyer lançou a sua candidatura à presidência da FIA no inicio do mês, durante o fim de semana do GP da Grã-Bretanha, contra Mohammed Ben Sulayem, afirmando que ele promove uma cultura de medo não cumprir as promessas de transparência, boa governação e liderança não executiva.

As eleições são no final do ano, mas Meyer, de 64 anos e filho do antigo diretor da McLaren, Teddy Mayer, está em campanha para conseguir levar a sua mensagem o mais longe possível. Falando esta semana ao podcast Parc Fermé F1, Mayer afirmou:

Já não estamos a falar de democracia, mesmo que essa tenha sido a plataforma em que ele se candidatou.” Ele continuou ao ataque, afirmando que Ben Sulatyem está “focado na a consolidação do poder de uma forma sem precedentes”, referindo inclusive que os “estatutos da FIA foram alterados, alterados e alterados novamente”. Também criticou as relações tensas da atual administração com pilotos, equipas e promotores, argumentando que as partes interessadas estão a ser maltratadas. 

Questionado sobre a razão da sua candidatura, ele afirma que não é por vingança, por ter sido despedido do lugar de comissário, há pouco menos de um ano.

Não se trata de vingança”, começou por afirmar. “Trata-se de como podemos impulsionar a FIA. Trata-se do que podemos fazer melhor nesta campanha e nos próximos quatro anos. Mohammed Ben Sulayem fez promessas há três anos e meio que eram boas ideias. Transparência, governação, ele até prometeu que seria um presidente não executivo. Ele não cumpriu essas ideias. Na verdade, tem sido exatamente o contrário.”, concluiu.

sábado, 5 de julho de 2025

O oponente de Mohamed Ben Sulayem


O fim de semana do GP da Grã-Bretanha mostrou algo importante acerca da corrida para a presidência da FIA: um oponente a Mohammed Ben Sulayem. E o nome que se avançou para a frente foi a de um antigo comissário com um nome com muito prestígio atrás: o americano Tim Mayer.

Mayer, atualmente com 59 anos, é o filho do cofundador da McLaren, Teddy Meyer, e foi amplamente considerado um dos melhores comissários da FIA durante um período de mais de 15 anos. Contudo, esse trabalhou terminou abruptamente no ano passado, depois do GP americano, em Austin, após uma disputa entre a FIA e os organizadores do Grande Prêmio dos EUA, onde Mayer trabalhava de forma independente como representante da US Race Management, o 'organizador desportivo' em vez do promotor do evento.

Na apresentação, não poupou criticas em relação à presidência de Ben Sulayem:

"Se olharmos para o número de pessoas que se demitiram da FIA, que entraram com as melhores intenções, mas não conseguiram fazer mudanças, ou disseram: 'Não, isso é uma má ideia, Sr. Presidente',  é um reino de terror", disse. “Está a perguntar-se de onde virá o próximo escândalo.”, continuou. 

Ficamos com a ilusão de progresso e de liderança enquanto a equipa mais sénior que ele nomeou [acabou por] partir. A ilusão de inclusão, enquanto vozes capazes, de mulheres e pessoas de diferentes origens, foram eliminadas quando [estas] se manifestaram. Tínhamos a ilusão de transparência e envolvimento. E, talvez o mais corrosivo, a ilusão de integridade. Assistimos a onda após onda de alterações estatutárias, inaugurando [uma era de] maior centralização de poder da história da FIA.

Questionado sobre o facto de Ben Sulayem ter mostrado umas carta de apoio da parte de 36 federações nacionais, e de, historicamente, serem favorecidas candidaturas de continuidade em vez de "rebeldes", Meyer afirmou: “Quando te enfiam uma carta debaixo do nariz e te dizem ‘assina isto, senão...’ qualquer pessoa irá assiná-la. Mas a única votação que conta é em dezembro, este processo ainda terá plena democracia.”, concluiu.


Historicamente, e como foi dito acima, Meyer tem tudo contra ele. Mas é um facto que a FIA passa por sarilhos bem grandes, especialmente as tensões com os pilotos, quer os da formula 1, quer com os dos ralis, especialmente por causa da conduta, onde se aplicam multas cada vez que dizem "obscenidades" nas comunicações com as equipas, e são divulgadas nos meios de comunicação. Se com os pilotos de ralis - que entretanto se organizaram na WoRDA (World Rally Drivers Association) - a FIA chegou a um entendimento, com os pilotos da Formula 1, organizados na GPDA (Grand Prix Drivers Association), as tensões acalmaram-se, mas sem qualquer acordo nesse sentido, o que significa que mais cedo ou mais tarde, novas polémicas poderão acontecer, especialmente com a Formula 1 cada vez mais a pertencer à Liberty Media.  

As eleições são em dezembro, e não se pode colocar de lado a ideia de poder haver mais candidatos ao cargo. 

quarta-feira, 2 de julho de 2025

WRC (II): Os novos interessados para 2027


Os novos regulamentos do WRC a partir de 2027 serão divulgados durante este verão, e se nenhum dos construtores presentes não confirmou a sua presença nessa temporada - a Hyundai poderá estar prestes a anunciar que irá embora no final da temporada de 2025, segundo diversos rumores - os regulamentos poderão ter captado o interesse de outros. Dois preparadores e um construtor poderão entrar no WRC nessa temporada.

Segundo revela Xavier Mestellen Pinon, o Diretor Técnico da FIA ao site autosport.com, essas potenciais entradas estão a ter conversas permanentes com o comité técnico: "O que posso dizer é que dois deles estão a trabalhar junto de nós neste projeto. Dois estão muito envolvidos mas nós estamos envolvidos em discussões.", afirmou.

O próprio site afirma que um novo construtor está à espera do anuncio dos regulamentos para 2027 para poder anunciar a sua própria estreia no WRC. Quanto aos outros, se nenhum deles ainda não se pronunciou, a Toyota poderá provavelmente responder de forma positiva, e continuará. Quanto aos outros, a Hyundai, apesar das ameaças, poderá refletir e decidir continuar, enquanto nada se sabe sobre a M-Sport, que prepara os Ford Puma Rally1 nos últimos anos. 

Segundo parte dos regulamentos aprovados no Conselho Mundial da FIA, em junho, eles incluirão chassis construídos com um limite de custo de 345.000 euros e oferecerão um desempenho semelhante às atuais máquinas de Rally1, mas utilizarão um chassis de estrutura espacial, com componentes usados no Rally2.

Outro dos elementos que está a ser discutido é o "roll cage" do qual se espera uma conclusão para o final do verão, enquanto um terceiro elemento são os motores de combustão interna. Embora a FIA tenha declarado as suas intenções de abrir o potencial para outros motores no futuro, esta ainda precisa de confirmar o calendário e como a paridade entre os veículos seria alcançada, a FIA está atualmente em discussões com os fabricantes sobre a possibilidade de permitir um grau de flexibilidade nos motores que podem ser elegíveis para 2027.