Malcom Wilson, vice-presidente da FIA para o WRC, confirmou esta abertura: “Estamos abertos [em termos de nova tecnologia] a partir de 2029.” O responsável explicou ainda o objetivo estratégico por detrás desta flexibilidade:
“O objetivo é fazer com que seja de tal forma que o construtor tenha de estar no WRC. Queremos torná-lo eficaz em termos de custo, proporcionando um retorno do investimento, para que os construtores tenham de estar aqui. Não queremos ter de forçar o interesse, tem de se tornar uma escolha óbvia.”
Essa flexibilidade não é inédita, pois já existe no Todo-o-Terreno, com bons resultados, e Wilson quer o mesmo para o WRC, afirmando que este tipo de flexibilidade será uma inevitabilidade.
“Temos essa [flexibilidade] no TT. Temos diesel, temos V6, temos V8, temos turbocompressor, e funciona.”, começou por afirmar. “Temos de aceitar que não vai ser como tem sido nos últimos cem anos. É um mundo em mudança. Como disse, se alguém quiser vir com híbrido, hidrogénio, elétrico, estamos abertos.”, concluiu.
Xavier Mestelan Pinon, diretor técnico da FIA, tem estado em conversações nos últimos meses com alguns construtores de veículos elétricos, e admite que essa solução poderia funcionar, desde que fossem feitas revisões ao itinerário das provas.
“Do lado da FIA, temos um portfólio muito amplo. Por isso, o que tentamos propor é a melhor tecnologia para cada aplicação. É por isso que hoje, para as corridas de resistência, por exemplo, não seguimos a via elétrica, claro — o que sugerimos para o futuro [das corridas de resistência] é usar hidrogénio. É uma das soluções.", começou por explicar.
"Para a Formula 1 hoje, está acordado, talvez motor de combustão interna total com uma certa quantidade de combustível no futuro. Por isso sim, precisamos de identificar a melhor opção. Para o rali, sim, precisamos de medir corretamente qual é a melhor. Se novos construtores pensarem que é uma solução interessante, novamente, estamos abertos a discutir isso. O carro está desenhado para isso. A diversidade é algo bom no desporto motorizado, seja no TT, seja no WEC ou no Campeonato Mundial de Rali. Precisamos de ser ágeis no nosso regulamento, abertos o máximo possível à flexibilidade. Porque, para ser honesto, saber exatamente qual vai ser a solução dentro de dez anos, é impossível. Não há solução mágica.”, concluiu.
Estas declarações poderão fazer acelerar algumas das ideias que alguns construtores têm para poderem participar no WRC. A Toyota está há muito tempo a desenvolver tecnologia para colocar carros a hidrogénio na Endurance, e poderá querer trazer essa tecnologia para os ralis. E a Opel colocou no mercado um carro totalmente elétrico para os ralis, o Corsa GSE, tendo inicialmente utilizado infraestrutura de carregamento personalizada para apoiar o seu campeonato de marca única no lançamento.


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