Foi puxado, e foi dramático. E foi semelhante ao que aconteceu a Carlos Sainz Sr. em 1998: a menos de um quilómetro da meta, Oliver Solberg ia a caminho de ser o primeiro filho de campeão do mundo a ser campeão, mas com a meta à vista... saiu de estrada. Isso não o impediu de ganhar o rali da Sardenha, com 57,6 segundos de vantagem sobre Sebastien Ogier, e 1.37,4 sobre Sami Pajari, o terceiro classificado. Contudo, apesar dessa vitória, o piloto sueco não iria conseguir os cinco pontos da vitória na Power Stage. E com isso, o piloto galês Elfyn Evans tornou-se campeão do mundo, certamente para êxtase - e sobretudo, alívio - do piloto da Toyota.
“Acho que a ficha ainda não caiu totalmente”, disse Evans. “Tinha quase a certeza de que aquilo tinha acabado. Não fiz a minha melhor especial; dei o máximo de mim, mas a pilotagem não foi limpa. Também sinto pelo Oliver; ele fez um fim de semana incrível. Lamento que tenha falhado a vitória tão perto do final. Mas temos muita gente a quem agradecer pelo apoio ao longo dos anos, e o Scotty [Martin Scott, o navegador] fez um trabalho incrível.”, disse, entre o espantado e o incrédulo.
Isto porque Evans, na especial anterior, tinha tido um furo e iria perder os pontos de domingo, o que colocaria um ponto á frente de Solberg, e quem ganhasse a Power Stage, iria ser o campeão do mundo.
E depois de uma especial mediana para o galês, parecia que iria ver, pela sexta vez na sua carreira, outro piloto a ser campeão e ele a ser vice. Mas com o despiste de Solberg, afinal, foi Evans a ser campeão do mundo, aos 37 anos, e 25 depois de Richard Burns, o último campeão britânico.
O último dia do rali da Sardenha tinha pela frente quarto especiais: duas passagens por Osilo-Tergu e Sassari-Argentiera, a segunda passagem a ser a Power Stage.
O dia começou com Solberg ao ataque, ganhando a primeira especial, 7,8 segundos na frente de Sami Pajari, 9,2 sobre Adrien Formnaux, 14 segundos sobre Elfyn Evans e 18,8 sobre Oliver Solberg. Josh McErlean parou por duas vezes na especial, perdendo mais de 25 minutos.
Thierry Neuville triunfou na segunda especial do dia, 0,9 sobre Takamoto Katsuta e 1,9 sobre Elfyn Evans. Adrien Formaux foi o quarto melhor, a 2,6 e Oliver Solberg o quinto, a 3.9.
E o sueco estava ao ataque: "Etapa complicada. Primeira vez que faço isso, não é fácil, mas é bem divertido. Parece que está ficando cada vez mais lento, com mais sulcos. Temos que dar o nosso melhor hoje e para o Power Stage espero que não esteja muito sulcado quanto mais para trás formos."
Questionado sobre o dia e as suas chances para o título, ele afirmou: "Eu não sou o estressado, o Elfyn é. Eu só preciso aproveitar."
Sami Pajari ganhou na especial seguinte, 0,2 segundos sobre Sebastien Ogier, 0,4 sobre Oliver Solberg, 5,9 sobre Adrien Formaux e 8,4 sobre Taklamoto Katsuta. Evans perdia tempo por causa de um furo, perdendo dois minutos e sete segundos, e via Solberg a apenas um ponto atrás de si, e a depender do resultado do Power Stage para definir o campeonato. Se o sueco ganhasse, ou ficasse na sua frente, ele era o campeão.
"Só uma curva que podíamos ver chegando, uma curva muito rápida com pedras. Reduzi a velocidade e passei o mais limpo possível. Você sempre pode contar com essas", disse o galês, no final dessa especial.
E chegou a Power Stage. Neuville foi o mais veloz, 3,3 segundos na frente de Sami Pajari, e Elfyn Evans tinha apenas conseguido o terceiro melhor tempo, 5,6 segundos melhor que o belga da Hyundai.
"Tenho quase a certeza de que não será suficiente. Tenho quase a certeza de que forçamos demasiado. Não estou a desistir, mas estou a ser sincero. Parece que voltamos à mesma situação.", dizia Evans, algo desconsolado e à espera que Solberg acabasse com o trabalho.
Depois dos três primeiros, quarto foi Adrien Formaux, no seu Hyundai, a 2.38,6, seguido pelo carro de Elfyn Evans, distante dos primeiros - a 4.48,6 - e do outro Toyota de Takamoto Katsuta, a 6.02,4. Jon Armstrong foi sétimo, no seu Ford Puma Rally1, a 7.32,2, na frente de Roope Korhonen, oitavo, e o melhor dos Rally2, a 12.10,4, e a fechar o "top ten", ficou o Skoda Fabia RS Rally2 de Robert Virves, a 12.11,1, e o carro de Gus Greensmith, a 13.02.2.
E assim acabou aquele que foi o último rali dos carros de Rally1. Em 2027, novos bólidos estarão presentes, e alguns preparadores farão a sua estreia na classe principal do WRC.



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