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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

A imagem do dia



Sarna para se coçar. Parece que as atitudes de Mohamed Ben Sulayem estão crescentemente a ser de ditador. Primeiro, o regulamento penalizador contra os pilotos, pelas suas linguagens que considera "ofensivas", depois, os avisos da GPDA, a Associação de Pilotos de Formula 1, e da WORDA, a associação de pilotos de ralis, que pedem para que suavize as penalizações, sob pena de endurecerem a luta, e agora... o mais recente incidente, que aconteceu no mais recente Conselho Mundial da FIA, que aconteceu ontem.

Dois dos seus vice-presidentes, David Richards e Richard Reid, não foram admitidos na reunião presidida pelo presidente da FIA, para choque da imprensa britânica. A razão para isto pode estar relacionada à recusa de Reid e Richards, bem como de outros membros, em assinar acordos de confidencialidade como parte de um protocolo mais rigoroso nas reuniões da FIA.

O que não é muito sabido é que, desde a sua eleição, há relações tensas entre Ben Sulayem e a imprensa britânica, que em muitos aspetos, é das mais poderosas do meio. Ele avisou que a forma como ele dirige a FIA "não é da conta deles", e para piorar as coisas, Ben Sulayem está a preparar o levantamento de sanções desportivas contra a Rússia, impostas após a invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022. Por causa disso, os pilotos russos ou correm sem licença ou por outros países, como por exemplo Nikolay Gryazin, que corre no WRC sob licença búlgara. 

Em declarações prestadas à BBC no final do ano pasado, David Richards, que também é presidente da Motorsport UK, afirmou que estava "preocupado que grandes organizações mundiais se recusassem a trabalhar com a FIA se esta não reflectisse os mais altos padrões de governança corporativa, como convém ao desporto".

E por causa disso, todos no meio andam fartos de Ben Sulayem. E há eleições no final do ano, onde ele irá para a reeleição, mas poderá ter... oposição. E uma das possibilidades é Susie Wolff. 

Mais que a mulher de Toto Wolff, ela foi piloto - nome de solteira: Susie Sttodart - e no final do ano passado, Ben Sulayem decidiu lançar uma investigação contra os Wolff por alegado conflito de interesses. Afinal de contas, ela é agora a diretora de uma equipa da Formula E, mas também a diretora da F1 Academy, uma competição exclusivamente feminina associada à Formula 1. Com o pelotão a reagir fortemente contra esta investigação, por achar ser "misógina", ela caiu pouco tempo depois. Mas muitos consideraram como um aviso. 

E agora, a revista italiana Autosprint revelou a razão: para não tentar ir contra Ben Sulayem na corrida à reeleição. 

Por mais questionáveis que sejam as ações de Ben Sulayem, cada movimento que fez até agora teve um propósito”, afirmou o jornalista Stefano Tamburini, na mais recente edição da revista italiana. “Mesmo aqueles que pareceram completamente ilógicos, como a abertura e o encerramento rápido de uma investigação por conflito de interesses contra Susie Stoddart, líder da F1 Academy, e o seu marido Toto Wolff, chefe de equipa da Mercedes. Na realidade, foi uma forma de mostrar que ele estava ciente da possível candidatura de Susie às eleições presidenciais”, concluiu.

De acordo com os estatutos da FIA, Ben Sulayem pode candidatar-se à reeleição por mais dois mandatos de quatro anos, ou seja até 2033. E apesar de Stoddart ser um bom nome para as associações da Europa Ocidental, e quem sabe, nas Américas, Ben Sulayem goza neste momento de bastante popularidade na Ásia, América do Sul, África e Médio Oriente. 

Contudo, se daqui até ao final do ano, as relações se deteriorarem, as coisas se manterão da mesma maneira?

segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

Procura-se: O barco de Dimitry Mazepin


Eis alguém que não ouvíamos há algum tempo. O pai de Nikita Mazepin está nas bocas do mundo porque... desapareceu. Nem tanto ele, mas sim o seu barco, o "Aldarba", que estava acostado no porto de Savona, para cumprir as sanções da União Europeia contra os oligarcas russos. Desde há alguns dias que o barco desapareceu da vista, alegadamente aproveitou o coberto da noite para rumar ou à Tunísia, ou à Rússia, pelo Mar Negro. 

Dimitri Mazepin é um dos oligarcas que enriqueceu sob a asa de Vladimir Putin, com o seu complexo químico Uralchem, e claro, ajudou na carreira automobilística do seu filho, e quando este chegou à Formula 1, também ajudou a Haas em forma de patrocínio. Contudo, quando a guerra contra a Ucrânia começou, a 24 de fevereiro, e as sanções caíram em força sobre as pessoas e os ativos russos, precipitando o final da linha para Nikita, substituído por Kevin Magnussen. 

Segundo conta a agência de noticias italiana ANSA, a polícia está a realizar uma investigação em Forte dei Marmi, onde Dimitri Mazepin tinha arrendado uma casa, para saber as circunstâncias do desaparecimento do seu iate.

Recentemente, a fortuna de Dimitri Mazepin foi avaliada em mais de 800 milhões de dólares.

quarta-feira, 18 de maio de 2022

Noticias: Não haverá substituto do GP da Rússia


Depois de muitas chances, a Formula 1 decidiu que o melhor substituto do cancelado GP da Rússia, previsto para o dia 25 de setembro... é não ter corrida alguma. A temporada de 2022 terá então 22 corridas. 

Com as hipóteses levantadas - primeiro, o Qatar, depois, uma jornada dupla em Singapura, para além de regressos a Istambul e Portimão - a Formula 1 achou por bem deixar o pelotão descansar por mais uma semana entre Itália e a cidade-estado do sudoeste asiático. As razões para isso podem passar pelas dificuldades logísticas de levar todo o material para os destinos - cada vez mais crescentes - como também pelo teto orçamental que as equipas têm a partir desse ano e não os permite gastar muito mais. Para além disso, o custo humano de estarem a trabalhar em lugares diferentes também foi tido em conta.

Corrido no circuito de Sochi, o GP da Rússia, cancelado devido à invasão da Ucrânia, a 24 de fevereiro, iria ser corrido a partir de 2023 na pista de Igora Park, nos arredores de São Petersburgo, a segunda maior cidade russa.

sexta-feira, 29 de abril de 2022

O retrocesso automóvel russo


Dois meses depois do inicio da guerra com a Ucrânia, e eles a sentirem fortemente o impacto das sanções ocidentais - o Banco Central Russo estima que a economia pode cair 12,5 por cento em 2022, e é uma estimativa... inicial - a industria automóvel de lá está a ser fortemente afetada porque os componentes eletrónicos são essencialmente dos Estados Unidos e da Europa.

Assim sendo, o governo decidiu fazer algo radical: recuar 30 anos em termos de "standards". Ou seja, nada de airbags, "cruise controls", travões ABS, catalisadores, e outros sistemas eletrónicos de estabilidade. A partir de agora, os novos carros, especialmente os Ladas, serão todos como eram no tempo da União Soviética. A legislação entrou em vigor no dia 1º de abril - não, não é mentira - e ficará em vigor até ao final do ano. Essencialmente, como esses componentes estão sujeitos às sanções, a melhor maneira de contornar será... não tê-los.

De acordo com o site motor.ru, as grandes empresas com mais de 5.000 funcionários, bem como fabricantes de semirreboques e autocarros elétricos podem começar a produzir veículos de todas as classes ambientais. Isso difere do atual padrão Euro-5, que a União Europeia introduziu em 2008 e que a Rússia adotou em 2016. Contudo, as marcas de camiões russas como a Kamaz e a GAZ disseram que não irão parar de vender os seus veículos Euro-5, apesar da própria Kamaz admitir que procura um fornecedor alternativo na Rússia, dado que os seus componentes elétrónicos vêm da Bosch. Até lá, há a chance de usarem veículos padrão Euro-2, com motores da família KAMAZ-740, que começaram a ser fabricados na década de 70 do século XX.

Esse tipo de veículos simplificados serão vendidos não só na Rússia como noutros países como a Arménia, Quirguistão, Bielorússia e Cazaquistão, onde serão exportados e onde a Rússia tem um acordo nesse sentido. Contudo, esses carros só poderão ir para esses mercados a partir de fevereiro de 2023.

Apesar de alguns analistas afirmarem que "esta é uma solução aceitável", o ministro russo dos Recursos Naturais alertou para as consequências da queda temporária desses padrões, que acredita poder agravar os problemas de poluição nas maiores cidades do país, como Moscovo e São Petersburgo.

Em suma, os Ladas voltarão a ser a "lataria" que eram nos tempos da "gloriosa" União Soviética... aliás, por estes dias, a Renault vendeu a AutoVaz, que tem a marca Lada, pelo valor simbólico de... 1 rublo

segunda-feira, 11 de abril de 2022

A imagem do dia


Politica é uma chatice, toda a gente sabe. Misturar politica com o automobilismo será inevitável, quer queiramos, quer não. Já se falou por aqui da FIA, que foi lesta em tirar os russos da Formula 1, desde o Grande Prémio, até colocar os seus pilotos sob bandeira neutra, e as reclamações dos "dois pesos e duas medidas", falando que se é assim para os russos, porque arrastamos os pés para os sauditas, por exemplo? 

Pois bem, eis um episódio que aconteceu ontem em Portimão, com um piloto russo. 

Artem Severiukhin tem 15 anos, corre na Ward Racing, de kart, e participava no europeu de Kart, categoria K1. No final, ele triunfou e no pódio decide fazer aquilo que parece ser a saudação nazi. Uns podem dizer que se "armou em puto" (moleque para vocês, brasileiros), mas independentemente do que aconteceu, a FIA decidiu abrir um inquérito e a pena de expulsão está em cima da mesa. 

“[A FIA] lançou uma investigação à conduta inaceitável do Sr. Artem Severiukhin, que ocorreu na cerimónia do pódio na categoria OK na ronda 1 do Campeonato Europeu de Karting, que decorreu no Kartódromo Internacional do Algarve, em Portugal. A FIA irá comunicar em breve os passos a serem dados neste caso”.

A Ward Racing nem perdeu tempo: deu um chuto no traseiro dele.

"A Ward Racing está profundamente envergonhada com o comportamento do piloto, que condena com a maior veemência possível. Serão prontamente tomadas medidas em conformidade.", começa por dizer. 

E continua:

"A Ward Racing condena assim as ações pessoais do piloto Artem Severyukhin durante a cerimónia de entrega de prémios a 10 de Abril de 2022, nos termos mais fortes possíveis, por considerá-las uma manifestação de comportamento antidesportivo, uma violação inaceitável do código ético e moral do desporto. Com esta declaração, a Ward Racing expressa a sua opinião, assim como a opinião de todos os atletas e pessoal da equipa da Ward Racing. Com base nestas considerações, a Ward Racing não vê qualquer possibilidade de cooperação contínua com a Artem Severyukhin e procederá à rescisão do seu contrato de corrida.

Finalmente, a Ward Racing gostaria de pedir desculpa àqueles que ficaram magoados ou angustiados com a ocorrência.

Tem sido e continuará a ser uma prioridade para a Ward Racing trabalhar para um clima de corrida mais diversificado, inclusivo e respeitoso.

Para grandes males, grandes remédios, muitos dirão. Mas numa situação destas, com uma guerra a decorrer e dezenas de milhares de mortos em ambos os lados, em pouco mais de sete semanas de guerra, há russos que aplaudirão este gesto, como outros que estarão envergonhados. Isso, sei eu.

E também é um gesto de educação. Há muitos pais que andam a educar muito mal os seus filhos.   

sexta-feira, 4 de março de 2022

A(s) image(ns) do dia



Nesta sexta-feira, ao final da tarde, foi uma doideira circular ao pé da minha casa. Agora está mais calmo. Mas a razão de todo este pânico é que na segunda-feira haverá um aumento de preço absolutamente forte. A gasolina aumentará 9 cêntimos por litro, mas o gasóleo é que sofrerá o maior aumento: 15 cêntimos.

Filas intermináveis de carros para abastecer, em pânico porque pensavam que não teriam tempo para encher o depósito. E mesmo com a primeira boba fechada, a que está mais ao pé da minha casa, fechada, vi dezenas de carros a circularem ali, pensando que estaria aberta para abastecimento. Na outra bomba que visitei, a fila era grande quer para reabastecer, quer para pagar. 

Isto é a consequência da guerra russo-ucraniana. Provavelmente vamos a caminho de um choque petrolífero semelhante aos de 1973 e de 1979, o primeiro por causa do Yom Kippur, o embargo petrolífero árabe ao ocidente por causa do seu apoio a Israel, e o segundo por causa em embargo ao petróleo iraniano, consequência da queda do Xá e a ascensão do regime teocrático dos "ayatolahs", aliado com a tomada da embaixada americana, do qual fizeram reféns os seus funcionários por 444 dias. 

Ao contrário das outras vezes, estamos melhor preparados para isto: por causa das alterações climáticas, há alternativas para isto. Poderemos trocar por um carro elétrico, ou poderemos deixá-lo em casa e andar e transporte público. E se começássemos a fazer isso, encher os autocarros, poderia ser que existisse mais linhas, mais horários e mais a circular, variando conforme a cidade. 

Logo, em vez de reclamar, agir seria melhor.

Aliás, isto fez lembrar uma conversa que tive com uma velha amiga minha. Ela é professora, e encontrei-a na minha hora de apanhar o autocarro para casa. No meio da conversa, contou-me que tinha trocado de carro no ano passado, um carro... a gasolina. Cujo preço ao litro é o mais caro, e o menos eficiente. E quando soube do preço que pagou pelo carro, cerca de 21 mil euros, fiquei mais espantado ainda. É que por esse preço - mesmo pago a prestações - poderia ter um Renault Zoe ou um Nissan Leaf, ambos elétricos e se calhar, ambos novos. Ainda por cima, já são carros que têm uma autonomia de 300 quilómetros, no mínimo, e quase não custam nada para reabastecer... dizendo melhor, recarregar. 

Em 2021, 25 por cento dos carros novos em Portugal eram elétricos, e previa-se um aumento para os 35 por cento este ano. E não se previa nem esta guerra, nem este possível choque. E fala-se que na semana que vêm, haverá novas sanções à Rússia, e podem passar por um embargo petrolífero. Com as alternativas que existem, não trocar de carro ou deixá-lo em casa... não vou dizer que seja persistir no erro, mas tem de mudar de atitude o mais depressa possível.  

quinta-feira, 3 de março de 2022

Noticias: GP da Rússia definitivamente de fora


A Formula 1 decidiu rasgar o contrato que tinha com o GP da Rússia, o que significa que a Formula 1 não volta em 2023, onde deveria correr no novo autódromo de Igora, nos arredores de São Petersburgo. Isso é inédito, mas a isto não é alheio o facto da Rússia ter declarado guerra à Ucrânia, cuja invasão começou há uma semana.

A Fórmula 1 pode confirmar que rescindiu o seu contrato com o promotor russo do Grande Prémio, o que significa que a Rússia não terá uma corrida no futuro”, declarou a Formula 1 no seu comunicado oficial. O contrato que agora foi rescindido era válido até 2025.

Isso poderá acelerar as negociações para ter, provavelmente, a partir de 2023, uma terceira corridanos Estados Unidos, nomeadamente em Las Vegas, num circuito feito à volta do complexo automobilistico da maior cidade do estado do Nevada e claro, a capital americana do jogo. 


domingo, 27 de fevereiro de 2022

Noticias: Domenicalli já procura substituto para Sochi


Dois dias depois do cancelamento do GP da Rússia, em Sochi, Stefano Domenicalli afirma já estar a trabalhar na pista que irá substituir esta prova, falando que não vê dificuldade para cumprir essa meta.

Numa entrevista ao site racefans.com, o italiano, CEO da Formula 1, disse que com a experiência acumulada, esse problema será de fácil resolução. “Falando especificamente da situação deste ano, por conta dos acontecimentos da Rússia, posso dizer que já provamos nos últimos anos que é possível, sem nenhum problema, procurar soluções”, disse.

Devido ao grande sucesso que a Formula 1 tem alcançado, a possibilidade de novas corridas no futuro é muito grande. Sobre essas novas localidades, podemos apenas dizer que muitas discussões estão em andamento. Precisamos fazer muitas escolhas para mercados estratégicos que acreditamos que favorecem a Formula 1, mas não podemos expandir o calendário tecnicamente falanado, pois, como sabem, podemos ir até 25”, prosseguiu.

Algo que não podemos esquecer é que neste ano teremos 23 corridas, o maior número da história. Não estamos com pressa, é só uma questão de alinhar as diferentes possibilidades diante de nós”, finalizou.

Sem referir nomes, dois circuitos estão em cima da mesa desde a primeira hora: Istambul, na Turquia, e Portimão, em Portugal. 

O GP da Rússia, que estava marcado para o final de setembro, e inaugurando uma sequência tripla de corridas feitas em finais de semana consecutivos, com Singapura e Suzuka, no Japão, iria ser a última corrida em Sochi, pois em 2023 estaria previsto que a corrida fosse em Igora Park, nos arredores de São Petersburgo.

Quanto ao conflito ucraniano-russo, que decorre há quatro dias, os combates continuam , com o exército russo a encontrar uma forte resistência da parte do outro lado, enquanto a comunidade internacional carregou a Rússia com pesadas sanções que vão desde a sua exclusão do sistema de pagamentos SWIFT, até à proibição dos seus aviões voarem em espaço aéreo europeu, passando por congelamento de bens dos oligarcas russos apoiantes de Vladimir Putin. 

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2022

Noticias: GP da Rússia cancelado, Nikita Mazepin em dúvida


O GP da Rússia, marcado para o final de setembro em Sochi, foi cancelado esta manhã, como medida retaliatória da invasão da Ucrânia por parte das forças comandadas por Vladimir Putin. Isto vem na sequência de, por exemplo, a UEFA ter retirado ontem à noite a final da Liga dos Campeões de São Petersburgo para Paris. 

Há um possível substituto: o GP da Turquia, em Istanbul. Mas também o autódromo de Portimão poderá estar no pensamento dos organizadores da Formula 1, ou então que o calendário possa ser reduzido para 22 corridas. 

O Campeonato Mundial de Fórmula 1 da FIA visita países de todo o mundo, com uma visão positiva para unir as pessoas, reunindo nações. Estamos a observar os desenvolvimentos na Ucrânia com tristeza e choque, e esperança de uma resolução rápida e pacífica da situação atual.

"Na noite de quinta-feira, Fórmula 1, a FIA, e as equipas discutiram a posição do nosso desporto, e a conclusão é, incluindo a opinião de todos os intervenientes relevantes, que é impossível realizar o Grande Prémio da Rússia nas circunstâncias atuais”, lê-se na missiva oficial.

Tudo isto no dia em que o carro da Haas correu em Barcelona sem as marcas identificativas quer do seu patrocinador, quer das cores que o identificavam como russo. 

Ainda sobre a Haas, eles afirmaram que na próxima semana, terão uma reunião com o patrocinador principal para saber sobre a sua continuidade. Se Gunther Steiner diz estar confiante que a equipa vai competir na Fórmula 1 normalmente, já o lugar de Nikita Mazepin começa a ser discutido. Rumores no paddock afirmam que ele poderá ser substituído por Antonio Giovinazzi, por causa da sua ligação com a Ferrari, que fornece os motores à Haas. 

Mazepin já falou nas redes sociais sobre o sucedido. Tentando estar o mais neutro possível, afirmou: "É uma altura dificil e não estou em controlo sobre muitas das coisas que tem sido faladas. Escolhe ficar-me em coisas que posso controlar, trabalhando no duro pela minha Haas. Agradeço pelo vosso apoio."

Contudo, o próprio Steiner já disse que o futuro do piloto russo “precisa de ser resolvido”, acrescentando que “não há garantias em lado nenhum, como eu disse antes, precisamos de ver como tudo isto se desenvolve. Há mais do que equipas de Fórmula 1 aqui, há governos envolvidos, por isso não tenho garantias”.

As coisas avançam a cada minuto que passa. É assim que se vê esta situação.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

A Rússia invadiu a Ucrânia. E agora, Formula 1?


Como toda a gente sabe, a Rússia entrou esta madrugada em guerra com a Ucrânia. Não falarei dos detalhes maiores, porque como todos sabemos no jornalismo, "em tempo de guerra, a primeira vítima é a verdade". Haverão relatos desencontrados, acusações de parte a parte dos piores crimes, e só quando se calarem as armas é que saberemos verdadeiramente os estragos, as vitimas mortais e materiais e as consequências para o mundo.

Mas então, vamos para o que interessa neste lugar. Falei do assunto ontem por causa da participação russa na Haas F1 e de Nikita Mazepin, se quiserem ler, deixo aqui o link. Mas hoje, com os aviões e helicópteros sobre Kiev, Kharkiv, Odessa, Mariupol e outras cidades, em Barcelona, no meio dos testes, os pilotos começam a discutir isso mesmo, porque já sabem que a neutralidade não é suficiente.

Um exemplo do que falo foram os tweets do jornalista Chris Medland. Esta manhã, recolheu a opinião de Sebastian Vettel, sempre muito atento e agora muito politico, afirmando que a Formula 1 não deveria correr em Sochi este ano e que, por ele mesmo, não irá participar no GP russo. E logo a seguir, Max Verstappen, o campeão, deixou o seu recado: "Quando um país está em guerra, não deveríamos correr por lá."

Resultado? As equipas reunir-se-ão no final da tarde, após o dia de testes para discutir a situação. 

E tem de ser, por diversos motivos, dos quais destaco três. 

A primeira é que Sochi situa-se mo Mar Negro, e apesar de ser uma estância balnear, não fica muito longe da zona de conflito, no Mar de Azov, a pouco mais de duas horas de avião. E também faz fronteira com a Abkhazia, uma república rebelde da Georgia, do qual em 2008, as tropas russas invadiram parte dela para retalharem o país quer dessa região, quer da Ossétia, uma situação do qual o governo de Tiblissi teve pouco para se poder defender. A Formula 1 poderá dizer que correr nesses lados poderá não ser muito adequado e ter de arranjar uma maneira de quebrar os acordos sem ter de pagar muito dinheiro.

A segunda é saber quanto tempo é que isto durará. Semanas? A Ucrânia é grande, o segundo maior país da Europa. Em termos de superfície, é a Alemanha e a França juntas, embora com uma população de 40 milhões de pessoas. O governo mobilizou um exército de 250 mil homens para defender, e já declarou a lei marcial, onde entre recolheres obrigatórios e outros, implica que qualquer cidadão possa andar com armas. Mesmo que os russos se imponham, nunca terão paz. Poderá ser algo semelhante ao Afeganistão, com guerrilha a atacar cirurgicamente tudo que seja russo ou algum exército colaboracionista que apareça, por exemplo. O risco de uma guerra civil prolongada, ou desta incursão se transformar num inferno para os soldados russos, como aconteceu uma geração antes aos que foram para o Afeganistão virar "carne para canhão", é bem forte.

A terceira razão para agir é que há ações noutras modalidades. No futebol, por exemplo, a UEFA está a ser pressionada para deixe cair o palco da final da Liga dos Campeões, que está marcada para São Petersburgo. Há pressões nesse sentido, nomeadamente do governo britânico, que provavelmente poderá ver uma ou duas equipas suas nessa final. A possibilidade de pedir a eles para que não a joguem em território hostil poderá ser forte e há movimentações nesse sentido. E não ficaria admirado se na semana que vêm, eles decidam que a final seja jogada num outro palco, evitando este embaraço.

E o que impede de, mais tarde, os organismos desportivos não expulsem a Rússia? Bem sei que são organizações "neutras" - algumas delas tem sede na Suíça - mas sabem da pressão da população nestes dias e o impacto nas redes sociais se nada fizerem. 

Mas o que é certo é que as equipas de Formula 1 irão falar sobre o assunto logo à noite. E tudo está em cima da mesa. E a primeira consequência - do qual não tinha falado - está aí: o patrocinador russo da Haas já não aparece nos chassis... e não garanto que Nikita Mazepin corra por muito mais tempo.   

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

O GP russo está em perigo... ou nem por isso?


Todos sabemos que, por muito que amemos automobilismo e não queiramos saber o que se passa lá fora, o mundo nos irá bater à porta. É inevitável. E com Vladimir Putin, o novo czar russo, a querer mandar na Ucrânia, e o Ocidente a impor sanções para evitar que entre até Kiev e derrube o governo legitimo, o desporto poderá ser afetado com tudo isto. 

A UEFA, organismo máximo do futebol europeu, já disse que poderá retirar a final da Liga dos Campeões de São Petersburgo, e a Formula 1 anda a monitorizar os eventos para saber se viabiliza ou não o GP da Rússia, que se disputa em Sochi, mas em 2024, será em Igora Park, nos arredores de São Petersburgo. A corrida será em setembro, mas poucos acreditam que o conflito se arraste até lá.

A Fórmula 1 está a monitorizar a situação na Rússia e na Ucrânia”, disse Craig Slater, repórter da Sky UK. “De momento, a corrida em Sochi aparentemente vai acontecer, já que não é até setembro. Essa é a situação no momento”, acrescentou.

Só que nestas coisas, há alguns problemas. Por exemplo, o futebol depende do dinheiro da Gazprom, a gigantesca firma russa de petróleo e gás, do qual boa parte da Europa está dependente, especialmente nos meses de inverno. Por agora, não está incluída no pacote de sanções, mas é provável que esteja na mira da Europa mais adiante, caso haja uma escalada na guerra. Se assim for, os interesses russos serão afetados.

E a Formula 1 tem uma equipa que é bem apoiada por russos. O pai de Nikita Mazepin, Dimitri Mazepin, é um homem muito rico (a sua fortuna pessoal ronda os 1,5 mil milhões de dólares) e a sua firma, a Uralchem, é o maior complexo químico do país e claro, patrocina a Haas. Não há conhecimento direto das suas relações com o presidente Putin, mas os seus negócios ao longo dos últimos vinte anos, desde os mais visíveis até aos mais polémicos, aconteceram com o beneplácito do governo, logo, apoia-os. E isso poderá ser um possível alvo de sanções mais tarde, caso a Europa persiga os oligarcas que enriqueceram desde o final da União Soviética, em 1991, e desde que Putin chegou ao poder, no ano 2000.

Resta saber qual será a ação da Formula 1, nomeadamente, a Liberty Media, sobre este caso. Como tem muitas maneiras de receber dinheiro, desde os sauditas até às criptomoedas, os rublos poderão ser algo do qual eles não se importam de sacrificar, só para estarem de bem com o mundo. Mas os exemplos do passado - furar o boicote desportivo do regime do apartheid na África do Sul até 1985, por exemplo - não abonam nada a favor da competição...

terça-feira, 28 de setembro de 2021

Youtube Formula 1 Video: As comunicações de Sochi

Para uma corrida que foi emocionante na sua parte final, num fim de semana chuvoso, algumas das comunicações de rádio até foram bem originais e bem espontâneas neste final de semana russo. Eis a seleção que a Formula 1 fez para o seu canal so Youttube.  

domingo, 26 de setembro de 2021

Formula 1 2021 - Ronda 15, Sochi (Corrida)


A Rússia, em termos de Formula 1, é uma nação recente, mas até agora, nada tinha contribuído de substancial em termos materiais e emocionais. Par além de ser uma coutada da Mercedes, o resto é irrelevante. Pouca gente gosta do circuito, tanto que daqui a dois anos, vão se mover para São Petersburgo, num circuito que foi construído há pouco tempo, o Igora Park.

Contudo, este ano, surgiu um novo fator a ter em conta: a chuva. Temido por alguns, louvado por outros, ela estava a ser vilipendiada nestes últimos tempo por causa da "não-corrida" de Spa-Francochamps, mas isso foi mais culpa da organização, que não queria arriscar, do que propriamente de uma chuva constante que deixava um spray a pairar na pista, perigoso para os carros. Mas com aquilo na equação, era um pouco "baralhar a voltar a dar". Tanto que Lando Norris conseguiu a pole, numa sessão onde Lewis Hamilton tentou e não conseguiu ficar na frente.    

Chegamos a este domingo com a ameaça de chuva a pairar sobre as suas cabeças, mas a pista estava seca quando se aproximava da hora da corrida. Parecia que, se Lewis Hamilton fosse calmo e ponderado, poderia chegar-se à frente, livrando-se dos obstáculos que tinha à sua frente. Mas se fosse pragmático, até nem se daria ao trabalho de buscar esses lugares, porque Max Verstappen estava no fundo da grelha e iria ser complicado - na teoria - de ele chegar aos pontos.


A partida começou com Norris na frente de Russell e Sainz, mas o espanhol conseguiu passar o britânico da McLaren pelo vácuo e ficar na frente, com os Mercedes entalados entre os Alpine de Fernando Alonso e Esteban Ocon. Aliás, Hamilton era sétimo, no final da primeira volta. Depois, começou a recuperar lugares. Atrás, Ma fazia a mesma coisa, ao ponto de passar Bottas na sexta passagem pela meta, pois o finlandês tinha caído no pelotão. 

Na frente, Sainz Jr. aguentava Norris, mas na volta 13, conseguiu levar a melhor e regressar ao comando da corrida, enquanto o céu permanecia ameaçador, mas sem previsão de chuva. Por esta altura, Verstappen já estava nos pontos, e subia paulatinamente na classificação.

O primeiro dos da frente a parar foi Carlos Sainz Jr, seguido por Daniel Riccardo, na volta 23, e Norris tinha agora Hamilton atrás de si. Foi na volta 27 que ambos param ao mesmo tempo nas boxes, colocando médios, e esperando ir até ao fim. Hamilton continuava na frente do nerlandês, mas na nona posição, contra o 12º do piloto da Red Bull. E claro, Verstappen começou a subir na classificação. E na frente, Norris continuava a liderar, seguido por Alonso.


Mas o britânico parou na volta 29, colocando duros - iria até ao final - e saindo no quarto posto. Parece que a McLaren caminhava para nova vitória, pois ficava na frente dos dois pilotos que lideravam o campeonato, mas claro, faltava muito. Perez agora estava na frente, seguido de Alonso e Leclerc, que ainda não tinham parado. Hamilton era quinto, depois de passar Gasly, e tentava distanciar-se de Verstappen. Ao mesmo tempo, Toto Wolff foi ao rádio e incentivou Hamilto a atacar, afirmando que a vitória estava ao seu alcance.

Norris teve dificuldades em passar alguns dos pilotos à sua frente, e quando passou para terceiro, na volta 34, a distância para Hamilton era de cinco segundos. Atrás, Mick Schumacher tornava-se no primeiro piloto a retirar-se.

E por fim, na volta 36, Alonso e Perez trocavam de pneus, dando a liderança para Norris. No meio disto tudo, Hamilton dava tudo para ficar ao pé de Norris para o apanhar. Agora, tinha menos de três segundos de diferença entre eles. Atrás, problemas: Verstappen foi passado por Alonso e queixava-se dos pneus.


A dez voltas do final, Norris aguentava Hamilton, enquanto havia avisos de chuva. Com o passar das voltas a a aproximação da meta, Hamilton dava tudo para apanhar Norris e o passar, para vencer e ficar na frente do campeonato, já que Verstappen estava encalhado na sétima posição. Quem andava bem era Sergio Perez, que tinha passado Daniel Ricciardo e era quarto. 

Mas a sete voltas do fim, chegou a chuva, Com Hamilton à distância do DRS de Norris... que não pode usar. Mas Norris escapou na curva 5 e aguentou a liderança, apesar de ficar a menos de um segundo de Hamilton. E na volta 48, o tráfego era imparável, para todos irem às boxes e colocar intermédios. Mas até lá, as maluquices: os Aston Martin quase se eliminavam um ao outro, mas tudo correu bem, e todos ficavam na pista... até que Hamilton pensou no campeonato e colocou intermédios na volta 50.

E foi o que foi. Norris tentou uma de Barrichello, mas fracassou totalmente - juventude é assim... - e com a queda maior da chuva, o britânico bateu no muro, perdendo a liderança para Hamilton. No meio da confusão, quem voava para os primeiros lugares era Verstappen, que conseguiu subir para o segundo lugar, menorizando as perdas no campeonato. 


E pronto, a história: cem vitórias para Lewis Hamilton, e um campeonato que ainda não está nada decidido. Mas houve coisas que ficaram na história, para além disto. Afinal de contas, uma corrida russa à chuva não é algo que se veja todos os dias. E faltam sete corridas para acabar... com os dois primeiros separados por dois pontos!

sábado, 25 de setembro de 2021

Formula 1 2021 - Ronda 15, Sochi (Qualificação)


Havia expectativa em relação à Rússia nesta última semana. Algo que nunca tinha aconecido nestas encostas do Cáucaso. E a razão era simples: o tempo. Com tempestades previstas para todo o fim de semana - chove desde terça-feira - a ideia de ver o primeiro GP da Rússia molhado em toda a sua história criou expectativas, mas também receios de que seria algo parecido com Spa-Francochamps, onde ninguém arrancaria sem ser atrás do Safety Car e fossem atribuídos metade dos pontos, numa segunda parte de uma farsa que começou em Spa-Francochamps, e fez muar todas as ideias que existiam sobre a imprevisibilidade da chuva.

Aliás, o terceiro treino livre foi cancelado devido à chuva persistente e a FIA afirmou que a qualificação dependia de saber se o helicóptero médico da FIA poderia descolar ou não, como dizia o comunicado oficial.

Foi emitido um horário atualizado, sendo a sessão seguinte a qualificação para Formula 1, à hora inicialmente prevista. Embora as condições na pista tenham melhorado, ainda há tempo inclemente na área local que está a afetar a rede de aeroportos e estradas. É por isso que não haverá nenhuma corrida daqui até à qualificação de F1, altura em que esperamos que o aeroporto local reabra para que o nosso helicóptero médico possa voltar a estar operacional e a sessão possa prosseguir como planeado”.

Logo, as perspetivas para mais tarde não eram lá muito boas...

Mas ainda antes de sabermos que isto iria ser uma qualificação molhada, anunciou-se que Max Verstappen e Charles Leclerc iriam mudar de motores, logo, iriam partir de trás, na última fila da grelha. E foi por isso que, sabendo que tudo seria inútil, Max Verstappen decidiu participar na qualificação como espectador, como o piloto monegasco da Ferrari. De facto, poupam nos carros para amanhã, mas terão muito para recuperar...

Já não estava a chover, mas os intermédios ainda não eram os aconselháveis, e todos começaram a andar de forma cautelosa na pista. E se exageravam, eram logo castigados, como Antonio Giovinazzi sentiu logo que começou a dar as suas primeiras voltas. Mas quem aproveitou bem esta parte foram os Mercedes, que se colocaram no topo da tabela de tempos, marcando posição.

E no final, para fazerem companhia a Max Verstappen, os Alfa Romeo e os Haas, com Mick Schumacher a dar "calendários" de avanço sobre o piloto caseiro, estes foram os eliminados da Q1 em Sochi.

Passando para a Q2, os Mercedes voltaram a dar nas vistas, primeiro com Bottas, e depois com Hamilton. Sergio Perez era quarto, mas não era capaz de contrariar os Flechas Negras. Parecia que os Alpha Tauri poderiam ser melhores que o carro oficial, graças a Pierre Gasly, mas nos últimos momentos, foram incapazes de contrariar alguns avanços da concorrência, como por exemplo, o Williams de George Russell, que conseguiu tempo para a Q3. 

No final, para além de Latifi e Leclerc, que nem sequer saíram para a pista, ficaram de fora o Aston Martin de Sebastian Vettel e os Alpha Tauri de Gasly e Yuki Tsunoda. Em constraste, por exemplo, os Alpine seguiram em frente, bem como o Aston Martin de Lance Stroll.

A Q3 era importante, e não só por causa da definição da grelha. É que o tempo já secava o bastante a pista para as primeiras tentativas com os pneus slick. E claro, a Mercedes tinha tudo para triunfar, se metesse esses pneus logo, logo, seriam imbatíveis.

Parecia que as primeiras voltas iriam confirmar isso, primeiro, com Bottas a marcar 1.44,710, para depois Hamilton elevar a fasquia para 1.44,050, mas com Norris logo atrás, quatro milésimos melhor que o finlandês. E ali começaram os riscos: primeiro Russell, e depois, Sainz Jr, pediram slicks para tentarem a sua sorte... no preciso momento em que Hamilton batia na entrada das boxes e tinha de trocar de nariz! Trabalho inesperado de última hora, mas o suficiente para também colocar slicks.

E claro, o final foi o que foi. Primeiro Sainz Jr, que meteu o carro no topo da tabela de tempos, e depois, Lando Norris, que na sua tentativa com slicks, fez 1.41,993 e conseguiu a sua primeiroa pole-position da sua carreira. E George Russell não ficou atrás, com 1.42,983, fazendo o terceiro melhor tempo. Hamilton tentou também arriscar com slicks, mas acabou por se despistar e bater no muro, acabando ali a sua qualificação e não conseguiu mais que o quarto posto. Valtteri Bottas ficou quatro lugares mais abaixo.  


E claro, a McLarens comemorava a sua primeira pole-position desde 2012, na altura com... Lewis Hamilton. E duas semanas depois do triunfo de Daniel Ricciardo, em Itália, continuam na crista da onda. "É uma sensação incrível. Não sei o que dizer. Você nunca pensa que vai conseguir uma pole até realmente conseguir, mas aqui estamos. Tenho que agradecer muito à equipa. Não é realmente o que esperávamos, mas aproveitamos ao máximo a oportunidade!", disse Norris, no final, ainda incrédulo com o que aconteceu.

E ao lado de Norris teremos Carlos Sainz Jr, no seu Ferrari, e de novo, George Russell, no seu Williams, que pela segunda vez na temporada, poderá está a caminho de um pódio, com este terceiro posto na grelha. 

E amanhã temos corrida. Não se sabe como será com o tempo ainda a prever chuva, mas muitos apostam que será uma corrida pouco aborrecida. Vamos lá ver... 

sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Os cenários em Sochi


Com o boletim meteorológico agora a confirmar que sábado será um dia de chuva, os organizadores decidiram fazer algumas modificações para fazer com que tudo corra sobre rodas e evitar o que aconteceu em Spa-Fancochamps, por exemplo. Com a primeira corrida de Formula 3 a decorrer esta tarde, em vez de ser no sábado de manhã, como estava inicialmente programado, espera-se que no sábado, a sessão de qualificação possa ser adiada conforme o estado do tempo.

Para Fernando Alonso, o facto de esta ser uma pista plana, ao contrário da pista belga, por exemplo, poderá acrescentar outro tipo de dificuldades.

É uma pista muito plana, não há mudanças de elevação aqui, então a água permanece bastante na pista”, começou por dizer o piloto espanhol da Alpine. “Lembro-me de que a Curva 1 foi bastante difícil, que normalmente não é uma curva, mas foi uma verdadeira curva no molhado. Para domingo, [vou] cruzar os dedos, não está tão molhado ou não chove muito, porque a visibilidade vai ser ruim, e não queremos ver nada parecido com Spa, com certeza.”, concluiu.

Já Andreas Seidl, responsável da McLaren, disse que se estudavam diferentes cenários para se conseguir realizar todas as sessões, possivelmente para estarem melhor preparados se acontecer algo parecido com o que aconteceu em Spa-Francorchamps.

Já ontem houve um bom diálogo apenas para nos prepararmos para diferentes cenários para este fim de semana. Portanto, penso que todos estão preparados para reagir dependendo de como o estado do tempo continuar a evoluir”, afirmou.

Resta esperar para ver o que poderá acontecer amanhã, pois, para além da Formula 1, haverá também provas da Formula 2 e da Formula 3. caso haja chuva forte e constante - prevê-se 20 milímetros cúbicos de chuva para a tarde de sábado - ver se pode ser compatível ou se será uma longa espera. 

terça-feira, 21 de setembro de 2021

Noticias: Sochi será muito chuvoso


Depois de sol em Monza, Sochi, palco do GP de Rússia, poderá ser muito chuvoso. O tempo previsto para o final de semana na cidade à borda do Mar Negro é e chuva o tempo todo. Sexta, sábado e domingo, poderá ter ora aguaceiros, ora chuva intensa, com temperaturas a rondar os 18 graus ao longo do fim de semana.

Como é sabido que a Formula 1 terá muitos cuidados com este tipo de tempo - foi isso que vimos em Spa-Francochamps, com a floresta das Ardenas a não ajudar - não se saberá muito bem como é que a pista se comportará com este tipo de tempo, porque este Grande Prémio nunca foi corrido neste tipo de condições meteorológicas. 

Evidentemente, mais para o final da semana se saberá como ficará o tempo. Mas em caso de precipitação, não será uma corrida normal, isso é certo. 

 

sábado, 6 de fevereiro de 2021

Noticias: Russos proíbidos de participar sob sua bandeira nacional


A Rússia está há muito tempo em maus lençóis por causa do esquema de doping estadual que foi descoberto há mais de cinco anos, e por causa disso, quer o Comité Olímpico Internacional, quer os diversos comitês específicos, decidiram banir o país das competições internacionais, e isso também inclui os Jogos Olímpicos, obrigando-os a competirem debaixo de bandeira neutra. Contudo, outras modalidades não olímpicas, e isso inclui o automobilismo, tinham dúvidas sobre se isso os afetava, e agora já não há dúvidas: não podem.

Tudo isto aconteceu depois do Clube Automóvel Russo ter pedido à FIA para que clarificasse sobre se a decisão do Tribunal Arbitral do Desporto, que tomou esta decisão em dezembro, e agora que recebeu a resposta, será obrigado a que os seus pilotos não possam correr debaixo da bandeira russa ou dos símbolos da Federação Russa da modalidade. Mas o mais interessante para gentes como Daniil Kyat, Nikita Maepin, Robert Shwartman e outros é que, apesar de não poderem competir pelo seu país, irão correr... o GP da Rússia, em Sochi!

Um pouco estranho, mas é real. Resta saber como será de agora em diante, se correrão sob bandeira da FIA e em caso de triunfo, que hino cantará.


segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Youtube Formula One Video: Os "highlights" do GP da Rússia

Não demorou muito até o pessoal da Formula 1 colocou no seu canal do Youtube os melhores momentos do GP da Rússia... não sei se existem muitos, mas aconteceu.

domingo, 27 de setembro de 2020

Formula 1 2020 - Ronda 10, Rússia (Corrida)


Nesta temporada invulgar, praticamente corrida na Europa, a Rússia foi das únicas corridas que aconteceu normalmente. Na data indicada, no local indicado e com público nas bancadas. Mas sem o seu "Querido Líder", que preferiu jogar pelo seguro e tentar não apanhar o bicho que paira no ar...

O grande momento da corrida aconteceu... ainda antes da largada. E não foi bom para Lewis Hamilton. É que ele decidiu fazer uma simulação de arranque na saída das boxes, numa área interdita nos regulamentos. E nem foi uma e, foram duas as ocasiões onde fez essa simulação! Claro, os comissários  notaram isso e colocaram sob investigação. Isso poderia mudar as coisas em relação a quem iria vencer esta corrida. Um pouco como o aviso antecipado de Monza, lembram-se?


Na partida, as coisas começaram bem para os Mercedes, que deixaram a oposição para trás, mas nesta altura, Max Verstappen perdeu lugares para Valtteri Bottas e Esteban Ocon, que tinha passado por Daniel Ricciardo. Contudo, ao mesmo tempo, na curva 3, alguns pilotos saem em frente e Carlos Sainz Jr bateu forte no muro quando queria sair rapidamente da escapatória. Na curva seguinte, Lance Stroll perdeu o controlo da sua traseira e bateu com o seu Force India no muro. Resultado final: Safety Car em pista para retirar os carros e respectivos destroços...

Em pleno Safety Car, alguns pilotos foram às boxes no sentido de trocarem para duros, como Alex Albon e Lando Norris, tal como George Russell. Proavelmente a ideia deve ser de ficar até ao final...

A corrida recomeçou com Hamilton na liderança... mas depois, os comissários decidiram penalizar Hamilton não com uma, mas... duas penalidades de cinco segundos cada um. Tudo por causa das manobras de antes da prova, do qual violou os regulamentos por duas vezes. Claro, quando recebeu as noticias, disse que as coisas eram "bullshit" - mas como não sabia das regras, a culpa é dele, se quiserem - mas nessa altura, tinha caído - virtualmente - para oitavo. Bottas era agora primeiro e o britânico tinha agora que aumentar o ritmo para se afastar do finlandês.

A penalização foi cumprida na 17ª volta, acabando por colocar duros na sua passagem pelas boxes. Quando regressou à pista, estava na 11ª posição, na frente de Daniel Ricciardo. Lá fez uma corrida de recuperação, e aproveitando o pessoal ir às boxes, passou Vettel na volta 19, e tentou aproximar dos carros que estavam na sua frente. Na volta 26, Verstappen foi para as boxes, colocar duros e cair para quarto, atrás do Alpha Tauri de Danill Kvyat. Tudo isto antes de Valtteri Bottas fazer a sua paragem, também para trocar para duros. Charles Leclerc, que tinha subido até segundo, parava para colocar duros na volta 29 e volta à pista na frente de Esteban Ocon..

Nessa altura, Bottas estava na frente de Verstappen, Daniil Kvyat (que ainda não tinha parado) e Lewis Hamilton.  A patir daqui, as coisas ficaram aborrecidas, tirando algumas lutas por posição. Hamilton já chegara ao pódio e tentava chegar ao pé de Verstappen, mas nesta altura, eram mais de dez segundos de diferença.

Até ao final, não houve grande história. Verstappen e Bottas tinham cerca de cinco segundos de diferença, mas nunca foram desafiadores nem prendeu os espectadores na televisão. Quando cruzou a meta, Bottas comemorou a sua segunda vitória na temporada - e o único, para além de Hamilton a vencer mais do que uma vez - com Max a subir ao pódio depois de duas desistências.


Agora volta a ser o corre-corre: semana que vêm, vai ser no Nurburgring.

sábado, 26 de setembro de 2020

Formula 1 2020 - Ronda 10, Rússia (Qualificação)


A cidade balnear de Sochi gosta de se gabar que tem as quatro estações do ano num só lugar. Pode se banhar nas águas no Mar Negro quase todo o ano, mas nas montanhas do Caúcaso, pode-se esquiar com os rigores do inverno. Foi por isso que o regime de Vladimir Putin pegou no lugar e construiu ali os jogos mais caros da sua história, em 2014. A coisa foi tão cara, tão infamemente cara, e os seus métodos foram tão descarados que o país está a se transformar num pária internacional e dentro do seu país, os críticos do regime acabam por tomar chá radioativo... 

O fim de semana de Sochi começou com a noticia de que a Formula 1 iria ter um novo diretor. Chase Carey saia de cena para dar lugar a Stefano Domenicalli, um antigo homem da Ferrari e agora estava a mandar na Lamborghini. Sai "Bigotum Maximus" e entra "il Capo de tutti cappi", mas de uma certa maneira, não se crê que haja mudanças radicais na condução dos destinos da competição, especialmente numa altura em que irá começar a ficar dependente do dinheiro saudita.

E também Sochi vai entrar na história por ser a primeira corrida com número significativo de espectadores. já tinha havido gente em Mugello, mas três mil não é muita coisa. Agora, ali,será muito mais. Sol azul, muita gente, calor, final do verão, o que se poderá pedir mais? Um fim de semana emocionante, mas a pista não ajuda.

Com isso tudo em mente, a qualificação começava com Bottas a marcar tempo: 1.32,556, enquanto Hamilton começava a ter algumas dificuldades em responder. Um tempo fraco, 1,6 segundos mais lento que o previsto, e mais tarde anulado porque tinha excedido dos limites de pista na Curva 2, parecia fazer soar os sinais de alarme. Lá fez um tempo de 1.32,983, suficiente para passar à Q2, mas atrás do finlandês, o que parecia não ser lá muito bom. Atrás, não eram os Red Bull a marcar passo, mas sim a Racing Point, especialmente Setgio Perez, que era quarto. Max Verstappen era sexto, atrás de Carlos Sainz Jr. E aqui havia competividade, porque o 13º colocado, George Russell, era menos de um segundo mais lento que Perez.

Na parte final, Esteban Ocon conseguiu uma boa volta e passou para cima, com o terceiro melhor tempo, ao mesmo tempo que Kimi Raikkonen era o último e não passava, fazendo companhia ao seu companheiro de equipa, António Giovinazzi, Nicholas Latiffi, da Williams, e os carros de Kevin Magnussen e Romain Grosjean. Sebastian Vettel esteve muito perto de lhes fazer companhia, mas se esforçou para evitar tal humilhação.


Para a Q2, quase toda a gente tinha calçado os pneus médios para fazer as suas voltas de qualificação, e apesar de haver avisos de pingos de chuva, ninguém mudou de pneus e Lewis Hamilton marcou um tempo suficiente para bater Bottas: 1.32,085. Mas... ele exagerou na última curva e o tempo foi apagado. Mais sarilhos para o campeão. Com o finlandês a fazer um tempo suficiente, mas não fabuloso, quem comandava as coisas era... Daniel Ricciardo, no seu Renault, seguido por Sainz e Perez. Bottas melhorou, mas insuficiente para bater Ricciardo. E Hamilton?

Ele ia a caminho de fazer uma boa volta quando Sebastian Vettel perdeu o controlo do seu carro na Curva 4, batendo no muro. Leclerc quase foi apanhado de surpresa, mas safou-se. Bandeira vermelha colocada, sessão parada para recolher os pedaços. Quando voltou, Hamilton decidiu mudar de estratégia, colocou macios, porque o que queria era marcar uma volta que o colocasse nos dez primeiros. Ainda teve problemas na curva 2, mas depois marcou o tempo que queria, 617 centésimos mais lento que o piloto da Renault. Assim, não fez companhia a Charles Leclers, Sebastiam Vettel, Daniil Kvyat, George Russell e Lance Stroll.

Para a Q3, todos foram para a pista com pneus macios, E apesar da emoção, todos já sabiam que a primeira fila teria dono. Mas o primeiro a marcar foi Daniel Ricciardo, que fez 1.32,364, antes de ser superado por Bottas e Hamilton, que marcou, sem falhas e saídas onde não devia... 1.31,391, praticamente um segundo mais veloz. No final, Bottas tentou a sua sorte, mas não conseguiu, e ainda viu Max Verstappen fazer um tempo que o colocou na segunda posição e dividiu os Flechas Negras, enquanto Hamilton ainda tirou mais, fazendo 1.31,304, novo recorde da pista. Perez fez 1.32,317, quarto na grelha e na frente de Ricciardo, que alternava na posição com Carlos Sainz Jr, no seu McLaren. Ocon, Norris, Gasly e Albon fechavam o "top ten". 


No final, apesar das emoções e dificuldades de Hamilton, acaba por ser como a Alemanha no futebol: são 22 carros e o fim de semana é da Mercedes. Claro, hoje é apenas a primeira parte, amanhã é a segunda, e espera-se uma corrida sem história, com um vencedor esperado. Mas em Monza, duas corridas antes, apareceu uma placa a dizer que Hamilton iria vencer ali no dia seguinte a sua 90ª corrida no campeonato, e não foi isso que aconteceu...