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terça-feira, 7 de outubro de 2025

As dificuldades dos novos motores


Em 2026, teremos novos motores turbo de seis cilindros, onde se altera de forma radical o equilíbrio entre combustão e parte eléctrica. O MGU-K, que tem neste momento fornece 15 por cento da potência do motor, passará a partir do ano que vem a fornecer metade da potência total, com todo o sistema a funcionar com combustível cem por cento sustentável. Na prática, é como começar do zero.

Neste momento, os construtores de motores estão a colocar esses motores nos dinamómetros, e a partir daí, estes estão a enfrentar falhas persistentes nos dinamómetros - principalmente na Mercedes - numa fase em que a produção de componentes para a nova geração de motores já arrancou.

Os peritos afirmam que isto não é novo. Aconteceu em 2013-14, no início da era híbrida, quando surgiram os motores de 6 cilindros, e o resultado final é conhecido: a equipa soube transformar estes contratempos em domínio absoluto, conseguindo acumular oito títulos consecutivos de construtores e colocando a fasquia da excelência num patamar quase inatingível.

No paddock, a leitura é clara: a Mercedes continua a ser vista como a referência técnica do pelotão no que toca à preparação do novo regulamento. Mas os rumores sobre falhas sucessivas funcionam como um lembrete: o caminho até 2026 será marcado por avanços e recuos, e só a forma como a equipa gerir esta fase de turbulência ditará se pode voltar a escrever uma história semelhante à de 2014.

Quem costuma ler por aqui, tenho falado de vez em quando sobre o que poderá vir aí na próxima temporada, especialmente quando falamos da importância dos lubrificantes. E desde há algum tempo que a Petronas, que é patrocinadora da Mercedes, está a deitar mais de mil milhões de dólares por ano para ajudar no desenvolvimento destes novos motores. E outra firma de lubrificantes, a saudita Aramco, também está a investir bastante na Aston Martin, especialmente agora que tem Adrian Newey como o projetista do novo carro para 2026. Outras firmas de lubrificantes arrancaram mais tarde e agora estão a tentar recupere o tempo perdido. 

Um exemplo: Ferrari. E outro, a Alpine, que desistiu de montar o seu próprio motor no final de 2024 para ficar com os Mercedes, sabem que tendo isto nos seus carros, poderá ter algo parecido com a Williams... e a McLaren. 

Em suma, vamos ver como serão as coisas na próxima temporada. A possibilidade de isto ser bem interessante é real.

quarta-feira, 20 de novembro de 2024

A imagem do dia



Ainda falta muito para 2026, a entrada dos novos regulamentos, mas há certas coisas que começam a ser vistas, quando falta uma temporada e algumas corridas para a sua concretização. E há um fator a ter em conta, chamado... combustível sintético. 

Não é uma coisa nova - existe há cerca de um século - mas a grande novidade tem a ver com a chance de fazer da Formula 1 uma competição neutra em carbono até 2030. Apesar de ser possível, o custo da transformação é caro, mas adequada para uma pequena competição - em termos de pegada de carbono - como esta, que leva carros para os quatro cantos do mundo, 24 vezes por ano. 

E pelos vistos, a adaptação dos combustíveis sintéticos aos motores, que continuam a ser os 6 cilindros Turbo, com um sistema de regeneração de energia, poderá ser eficaz para a performance dos motores em pista. E isso poderá explicar as razões porque, por exemplo, a Alpine deixou de fabricar os seus motores e passou a ter Mercedes em 2025 e voltou a contratar Flávio Briatore. É que os primeiros resultados desses novos motores nos bancos de ensaios mostram que há duas marcas na linha da frente: Honda (a saudita Aramco)... e Mercedes (com a malaia Petronas). 

Mas é a Mercedes que tem os melhores resultados e poderão dominar, como fizeram a partir de 2014, quando surgiu a atual era de motores. Como eles ficam com a melhor fatia, isso poderá significar que George Russell é o candidato numero um ao título... ou não. Afinal de contas, temos Kimi Antonelli. E há mais equipas com esse motor, como a Williams e... a Alpine. Parece ser um cenário muito semelhante a 2014 que está a ser desenhado, lembram-se como a Williams se portou nessa temporada, com Felipe Massa e Valtteri Bottas?

No caso da Alpine, a chegada do Briatore poderá ser para organizar a equipa de Enstone e... vender. Não tira da cabeça a ideia de, num futuro mais distante - vamos imaginar, 2028... - a marca francesa se farta e vai-se embora. O atual CEO da marca não gosta muito de automobilismo, e está a ver que, por exemplo, não vende muitos carros de estrada, e ainda não se sabe bem até que ponto aguenta ver a sua marca na Endurance, onde compete na classe Hypercar. Poderá ser mais barato, mas a paciência dessa gente em relação ao automobilismo irá até um certo limite. E também recordo isto: as marcas querem vencer, na velha frase "win on sunday, sell on monday". Pode até estar desatualizado, mas a frase ainda é verdadeira. 

Mas ao contrário de 2014, há um rival que irá investir pesado para contrariar esse possível domínio: Honda. Eles irão em 2026 para a Aston Martin, depois de um bom tempo na Red Bull, que a partir dessa temporada terá motores da Ford. A Aston Martin, como é sabido, é de Lawrence Stroll, e está a investir pesado. Nova fábrica, em Silverstone, a contratação de Adrian Newey, e claro, a dupla de pilotos quer ganhar. Fernando Alonso deseja o tricampeonato, e mesmo que esteja a caminho dos 45 anos nessa temporada, quer mostrar que ainda consegue ombrear com gente que nem era nascida quando começou a carreira...

E claro, o combustível: a Aramco saudita é dona parcial da Aston Martin e investiu pesado nesta tarefa. E para eles, dinheiro não é, nunca foi, o problema. Aliás, recentemente, investiram mil milhões de dólares numa refinaria de petróleo sintético em Bilbau, no País Basco espanhol. 

Mas isso é nada comparado com a Petronas: 13 mil milhões de dólares só na pesquisa em combustível sintético! Claro, não é só na Formula 1, também é noutras áreas, mas há uma corrida para processar combustível sintético a apresentar como alternativa aos carros elétricos, por exemplo. 

O problema é o segundo piloto. Lance Stroll ainda não provou que tem estofo de campeão - e se calhar, nem terá - e se os motores japoneses começarem a mostrar que tem a capacidade de lutar com a Mercedes pelos lugares da frente, torna-se um lugar apetecível. Uma alternativa é Yuki Tsunoda, que é piloto Honda, e eles sabem que a Red Bull não o quer. E com o final do acordo com a Honda, no final de 2025, ele está livre de correr para outro lado, e a Aston Martin é a favorita. Stroll tem de mostrar que é alguém na Formula 1, caso contrário, todos olharão para a equipa como a de um só piloto - e de um motorista de luxo...

E com Alonso idoso, se conseguir andar bem, e querer retirar em alta, será o lugar mais apetecível da Formula 1. lá para 2027. E quem poderá ir para lá? Estou a pensar em Max Verstappen, que apesar do seu contrato até 2028, poderá sair antes... por muitos motivos. O primeiro, a Red Bull poderá estar no inicio da sua curva descendente (durante esta primavera e verão, após a saída de Newey, muitos engenheiros foram recrutados por outras equipas), o segundo, o motor da Ford não promete - aliás, do que se ouve é que os outros motores estão muito longe de mostrarem resultados, e isso inclui a Ferrari... - e Max, como todo e qualquer piloto que oi campeão - quer correr em equipas vencedoras. Como conhece o motor e o projetista, seria bem-vindo à Aston Martin. Mas isso, se calhar, é lá mais para 2027. 

Quanto aos outros, se calhar irão penar. Audi, Ferrari, Red Bull - com a Ford. Ião investir muito para recuperar o tempo e o lugar perdido. E aí, as firmas gasolineiras (Shell, com a Ferrari, por exemplo) estão muito atrás. 

Claro, 2026 está ainda longe, e há quem possa recuperar o tempo perdido até lá, mas pode-se afirmar que este tempo futuro não será a dos construtores, mas antes... a das petroliferas. E tem a capacidade de apostar forte nesta tecnologia.        

terça-feira, 21 de março de 2023

Youtube Automotive Videos: Combustível sintético no Fim do Mundo

Como sabem, há uma corrida para que se encontre alternativas ao combustível derivado do petróleo, que é poluente e nos está a dar cabo do planeta aos poucos e poucos. Há a eletricidade, o hidrogénio e a gasolina sintética. Esta última anda por aqui há uns bons 80 anos - os alemães usaram muito na II Guerra Mundial - e o pessoal do Donut Media foi à Tierra del Fuego, no Chile, para visitar uma industria, com energia totalmente a partir de fontes "berdes" e experimentar um carro com essa gasolina.

Pequeno detalhe: cada litro de combustível ronda os... 10 dólares. Pois, ainda não é muito viável, por agora. 

sexta-feira, 4 de março de 2022

A(s) image(ns) do dia



Nesta sexta-feira, ao final da tarde, foi uma doideira circular ao pé da minha casa. Agora está mais calmo. Mas a razão de todo este pânico é que na segunda-feira haverá um aumento de preço absolutamente forte. A gasolina aumentará 9 cêntimos por litro, mas o gasóleo é que sofrerá o maior aumento: 15 cêntimos.

Filas intermináveis de carros para abastecer, em pânico porque pensavam que não teriam tempo para encher o depósito. E mesmo com a primeira boba fechada, a que está mais ao pé da minha casa, fechada, vi dezenas de carros a circularem ali, pensando que estaria aberta para abastecimento. Na outra bomba que visitei, a fila era grande quer para reabastecer, quer para pagar. 

Isto é a consequência da guerra russo-ucraniana. Provavelmente vamos a caminho de um choque petrolífero semelhante aos de 1973 e de 1979, o primeiro por causa do Yom Kippur, o embargo petrolífero árabe ao ocidente por causa do seu apoio a Israel, e o segundo por causa em embargo ao petróleo iraniano, consequência da queda do Xá e a ascensão do regime teocrático dos "ayatolahs", aliado com a tomada da embaixada americana, do qual fizeram reféns os seus funcionários por 444 dias. 

Ao contrário das outras vezes, estamos melhor preparados para isto: por causa das alterações climáticas, há alternativas para isto. Poderemos trocar por um carro elétrico, ou poderemos deixá-lo em casa e andar e transporte público. E se começássemos a fazer isso, encher os autocarros, poderia ser que existisse mais linhas, mais horários e mais a circular, variando conforme a cidade. 

Logo, em vez de reclamar, agir seria melhor.

Aliás, isto fez lembrar uma conversa que tive com uma velha amiga minha. Ela é professora, e encontrei-a na minha hora de apanhar o autocarro para casa. No meio da conversa, contou-me que tinha trocado de carro no ano passado, um carro... a gasolina. Cujo preço ao litro é o mais caro, e o menos eficiente. E quando soube do preço que pagou pelo carro, cerca de 21 mil euros, fiquei mais espantado ainda. É que por esse preço - mesmo pago a prestações - poderia ter um Renault Zoe ou um Nissan Leaf, ambos elétricos e se calhar, ambos novos. Ainda por cima, já são carros que têm uma autonomia de 300 quilómetros, no mínimo, e quase não custam nada para reabastecer... dizendo melhor, recarregar. 

Em 2021, 25 por cento dos carros novos em Portugal eram elétricos, e previa-se um aumento para os 35 por cento este ano. E não se previa nem esta guerra, nem este possível choque. E fala-se que na semana que vêm, haverá novas sanções à Rússia, e podem passar por um embargo petrolífero. Com as alternativas que existem, não trocar de carro ou deixá-lo em casa... não vou dizer que seja persistir no erro, mas tem de mudar de atitude o mais depressa possível.  

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

5ª Coluna: Do sonho de conduzir ao pesadelo de manter

Outro dia, quando ia a caminho de casa, dei comigo atrás de um carro da escola de condução, com um aluno e o seu respectivo instrutor dentro, guiando a uma velocidade bem baixa, mas adequada aos padrões. E dei por mim a pensar que no verão de 2012 passaram dezassete anos desde que tenho em mãos a carta de condução e respectiva permissão para guiar. E pensei no mundo que mudou de 1995 para cá.

Mal fiz dezoito anos, o meu primeiro objetivo era de ter uma carta de condução, mais até do que entrar na universidade. consegui ambas as coisas na altura, mas a primeira prioridade foi o de arranjar dinheiro para as lições de código e condução. Trabalhei part-time um jornal e num lar para deficientes, e juntei o suficiente para alcançar esse objetivo, dois dias depois do meu 19º aniversário.

Curiosamente, a parte mais fácil foi o de arranjar o carro. Herdei um do meu pai - que depois serviu para que fosse partilhado pelo meu irmão, o que me irritou na altura - e aí pude gozar aquilo que tinha como objetivo, quando decidi "tirar a carta". Não eram as miúdas, era a sensação de liberdade: guiar sem rumo, apreciando a paisagem, em velocidade moderada, sentir as sensações de condução. Um "road trip", que mesmo neste retângulo à beira-mar plantado, era possivel. E naqueles anos 90, onde a União Europeia nos canalizava milhares de milhões para construir autoestradas e outras obras públicas, símbolo de progresso, era irresistível.

Só que nessa altura, a gasolina era barata. Com 35 euros, podias encher o depósito, com dez, tinhas mais de meio depósito, suficiente para quinze dias fora da bomba de gasolina, dando voltas regulares à cidade. Em 2000, o preço do petróleo estava muito baixo e o peso disso na carteira era muito leve, e o diesel era quase ao preço da chuva, para não falar de do GPL, que tinha ouvido falar da primeira vez porque o meu pai, que na altura andava com um Audi A6, decidiu colocar no carro porque se queixava que encher o depósito do seu carro lhe custava quase 50 euros, devido ao "beberrão" motor de 1.8 litros, e lhe tinha reduzido o valor a menos de 20 euros, mas o depósito era pequeno. Menos de 300 km, creio eu.

Em poucos anos, tudo mudou. O sonho virou pesadelo. O preço da gasolina aumentou quase 80 cêntimos em dez anos, de menos de um euro para os atuais 1.70 euros por litro. E as pessoas, que antes andavam com o depósito cheio ou meio depósito, agora, metem o suficiente para o colocar a funcionar. Por mês, as pessoas por aqui metem em média 90 euros para encher depósitos e fazer mover os seus carros, e as viagens longas são muito menos. Para um país depauperado como este, e como muitos outros espalhados pela Europa, totalmente dependentes do petróleo, deixar 90 euros de lado quando se ganha em média 800 - isto, se ainda tiver emprego - é muito duro para qualquer carteira. 

E não é só a gasolina que dá dor de cabeça ao dono de automóvel. Os seguros para pagar, que são na ordem de 200 ou 300 euros por ano, se for um bom condutor - mais caro se teve um acidente há pouco tempo - bem como a conta da oficina, quando se trata de fazer as coisas mais básicas, como a mudança de óleo, faz com que para uma pessoa, manter um automóvel se tenha tornado um fardo. E as consequências encontram-se por aí: as vendas de automóveis novos em 2012 são metade dos que se vendia antes, os carros usados, só se valerem até cinco mil euros, são os que têm ias saída, e quando não se vendem, ficam simplesmente abandonados. É frequente ver-se nas cidades portuguesas - e provavelmente noutros sítios - carros a caírem de podre, porque os seus donos não tem dinheiro para o manter.

E são também cada vez mais frequentes os casos de condutores multados porque circulam sem o seguro do automóvel, acompanhado do respectivo selo. Em suma, o automóvel virou algo do qual ninguém quer ter, porque não há dinheiro para o manter. Ironicamente, as pessoas andam hoje em dia cada vez mais nos transportes públicos (metro, comboio, autocarro...) e abandonam o automóvel não é devido motivos ambientais, mas sim pelos motivos económicos. 

E isso passa-se um pouco por toda a Europa, o continente onde se paga a gasolina mais cara do mundo. Ironicamente, o país que tem a gasolina mais cara é a Noruega, produtora de petróleo, com 2.10 euros por litro, mas mesmo aí, as pessoas suportam sem problemas, porque a média salarial anda pelos cinco mil euros. Algo que os nórdicos são capazes de suportar e é absolutamente o contrário de outros países produtores, como no Golfo Pérsico ou na Venezuela, onde encher o depósito é mais barato do que comprar um garrafão de cinco litros de água.

De uma certa maneira, eu tenho que acreditar e defender que o futuro do automóvel está na tecnologia dos veículos elétricos ou nas energias renováveis. Mais do que defender a natureza, inverter o quadro das mudanças climáticas ou outra coisa qualquer, no dia em que as marcas comercializarem uma bateria elétrica que tenha um alcance igual ou superior à autonomia de um carro - acreditem, estamos a menos de dez anos disso - e carregar essa bateria em pooco tempo e custar muito pouco, aí direi que recupero a minha vontade de guiar. Não quero saber do barulho que faz ou deixa de fazer, apenas quero voltar à estrada e guiar sem direção, sem importar com a minha carteira.  

sábado, 26 de fevereiro de 2011

A surpreendente medida do governo espanhol de reduzir a velocidade nas auto-estradas

No final desta semana, a Espanha foi apanhada de surpresa quando o seu governo anunciou a redução da velcidade nas auto-estradas para 110 km/hora. Esta redução em meros 10 km/hora, que terá efeitos a partir de 7 de Março, é talvez o primeiro sinal da escalada dos preços do petróleo que vivemos agora, devido à instabilidade no Norte de Africa, especialmente aos eventos na Libia, onde Muhammar Khadaffi decidiu armar-se em Adolf Hitler e transformar Tripoli na sua Berlim.

Segundo o governo, isto garante poupanças nos consumos dos carros: 15 por cento nos a gasolina, 11 por cento nos a gasóleo e seis mil milhões de euros nos cofres do Estado. Em compensação, baixou o preço dos transportes públicos em cerca de cinco por cento. Apesar de se compreender as razões por trás desta medida - afinal de contas, o petróleo já chegou ao patamar dos 120 dólares - não creio que essa medida seja absolutamente eficaz. Ainda mais, vivendo num país onde a gasolina é barata em relação à portuguesa. Todos os dias, milhares de motoristas portugueses, especialmente os da zona de fronteira, vão aos postos de abastecimento espanhois porque poupam no minimo dez ou quinze euros diários na carteira.

Em suma, não acredito muito nesta medida, e governo português já disse que não vai tomar tal decisão. Porque não creio neste momento que estejamos a caminho de novo choque petrolifero. Só ficaria preocupado se Khadaffi aguentasse mais algumas semanas e fazer como fez Saddam Hussein há exatamente vinte anos, quando na retirada do Kuwait, decidiu pegar fogo aos poços petroliferos. Mas também, quem poderia pensar em Dezembro que o Norte de Africa ficaria a ferro e fogo? Se ele manda matar o seu próprio povo, caso ainda controle as refinarias mas ver que a situação esteja fora de controlo, bastaria colocar explosivos em certos sitios...

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Tentando explicar as mudanças no regulamento

Muita gente estava à espera do que iria sair da reunião de hoje no Mónaco, especialmente sobre os motores a partir de 2013. E pelo que vi e li após a conclusão desta reunião... não direi que a montanha pariu um rato, porque teremos os "tais" motores de 1.6 Litros, de 4 cilindros em linha, com biocombustiveis a partir da biomassa. Mas os regulamentos vão para além dos motores, porque existem objectivos mais imediatos, como as caixas de velocidades, as ordens de equipa, os pneus, as comunicações por rádio, etc, etc.

E em relação a esses, alinho com a maioria: trocaram seis por meia dúzia. Mas vou tentar interpretar os novos regulamentos por partes, com a ajuda do Mike e do Ico.

1 - O fim das ordens de equipa e a maior opção de punições aos fiscais em caso de infração.

Confesso temer o pior. Lembram-se da vitória da Ferrari em Indianápolis 2002, uns meses depois de Zeltweg? Acho que isso foi tão ou pior que em paragens austriacas, parecia um (mau) filme produzido por Jerry Bruckheimer. Fica ao critério das equipas dizer quem é o piloto numero um e o piloto numero dois, e no caso da Ferrari, vão ditar isso logo antes da primeira corrida.

Contudo, o adendo do comunicado da FIA sobre esta parte é susceptivel de causar confusões no futuro. Qualquer polémica está agora sujeita ao artigo 151, alinea c, e no geral refere que "quaisquer acções que prejudiquem o desporto serão penalizadas". Demasiado nebuloso, não é? Não dizem que sanções seriam aplicadas se o Felipe Massa armar-se novamente em "1C" perante Fernando Alonso. A Ferrari seria obrigada a fazer, o quê, dez flexões no meio da pista? Ou ser multada e doar o dinheiro para caridade? Sinto que estas alterações foram a pior emenda do que o soneto...

2 - Pit Lane e Safety Car

Para evitar as polémicas de 2010, decidiu-se que o pit-lane estaria fechado por motivos de segurança, quando o Safety Car estiver na pista. Falta esclarecer quando e em que circunstâncias, ou se quiserem, deixam isso ao critério do Charlie Whitting. Outa regra que pode piorar a emenda do que o soneto. E a largura do pitlane vai ser regulada, para impedir a situação vivida por Lewis Hamilton e Sebastien Vettel no GP da China, en que se duelaram, algo que a FIA classificou de... perigosa.

3 - Caixas mais duraveis e quantidade de motores por temporada.

Para além do motor 1.6 Turbo em 2013, este tem de durar, a partir de 2014, cinco corridas no minimo. Se a temporada tiver vinte corridas, serão quatro motores por ano. E como a partir de 2011 os pilotos terão um máximo de cinco caixas de velocidades por ano, até estou de acordo, afinal, tem a ver com a filosofia da contenção de custos. E em principio, em 2013, o combustivel será biológico, mas de um biocombustivel produzido a partir da biomassa. Francamente não sou fã, por saber que boa parte vêm de plantas cultivadas com esse objectivo, e pelo seu impacto, faz mais mal do que bem. Mas se vier da biomassa, ou seja, os desperdicios (lixo, óleos usados, palha...) porque não? Mas francamente, seria melhor se fossem movidos a hidrogénio.

Há outra coisa interessante, dita pelo Ico: placas anti-intrusão nos chassis para a segurança dos pilotos, especialmente nas pernas. É certo que são raros, mas acontecem. Timo Glock, em Suzuka 2009, teve um acidente destes. Mais um passo para a invulnerabilidade dos carros.

4 - Partes móveis, nomeadamente a asa traseira

A FIA decidiu refinar as regras, no sentido de evitar "loopholes" e consequentes polémicas que poderiam haver com este novo dispositivo. O facto de ele poder estar a menos de um segundo do piloto que estiver atrás de si para poder mexer nela, as alturas em que podem usar tal dispositivo, os testes de flexibilidade, etc, foram definidas. Claro, definir as regras a meio de Dezembro, a pouco mais de um mês das primeiras apresentações, pode ter causado mais algumas dores nas cabeças de Ross Brawn, Adrian Newey e Mike Gascoyne, entre outros, mas veremos no que irá dar.

5 - Comunicações

Em 2012, as emissoras podem ouvir as transmissões de qualquer equipa. Em suma: liberdade total para ouvirem as táticas e os desabafos dos pilotos, engenheiros e directores de equipa. Porque é que tenho a sensação que teremos muitos videos feitos a cada corrida?

Para finalizar, deixei uma regra do qual transcrevo aquilo que o Ico disse sobre ela:

"Revisões às condutas de pilotagem e dos pilotos - essa é um efeito do episódio do 'burnout' de Lewis Hamilton na saída do GP da Austrália. Uma bobagem sem fim, parece que a FIA quer vigiar a conduta dos pilotos nas ruas, mas em suas vidas privadas. Oras, para isso existem as polícias locais. Depois de ter um ex-presidente exposto tomando chibatadas de cueca, quem é a FIA para vigiar a vida pessoal dos outros?"

Não quero dizer que a FIA pariu um rato, mas creio que estas alterações, tirando os motores, as caixas e as comunicações, o resto é demasiado nebuloso para os leigos. Fazem-me lembrar os famosos clássicos do "penalty": fora ou dentro da área? mão na bola ou bola na mão? Algo me diz que sobre isso, escreveremos muitas linhas ao longo de 2011 e seguintes.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Eu quero um Furia Verde!



Numa altura em que vivemos o terceiro choque petrolífero dos últimos 35 anos, e que há pouco mais de um mês, este país viu filas de combustível, quando os camionistas resolveram parar o país por pouco menos de 72 horas (e em pleno Europeu!), temos que olhar para as alternativas. Se os meus amigos brazucas têm o bio-combustível movido a etanol, proveniente da cana de açucar, por aqui temos várias alternativas, como a solar e a electrica.

No capitulo eléctrico, descobri algo que pode ser possivel: converter um carro antigo num veículo electrico. A "Furia Verde" é um velho Fiat 126 de 1974, verde claro, que o seu proprietário decidiu um dia convertê-lo num carro electrico. Tirou o motor, meteu duas baterias na traseira, um motor, umas cargas eléctricas e uma tomada... e já está! Tem uma autonomia de 100 km, demora 8 horas a carregar, e gasta um euro a cada 100 km.

O carro está em fase de homologação, e o seu orgulhoso proprietário gastou cerca de 8 mil euros para o converter. É algum dinheiro, mas numa época em que o combustível barato está a tornar-se cada vez mais uma ilusão (excepto na Venezuela...), e o aquecimento global se está a tornar-se cada vez mais um problema, nunca as alternativas ficaram tão sedutoras... e depois, aquele boguinhas verde, até é fofinho para as raparigas.