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terça-feira, 1 de outubro de 2019

Noticias: Tilke defende-se das criticas sobre os seus circuitos

No quesito dos novos circuitos, Hermann Tilke é um "alvo a abater", e quase nunca se ouve um resposta por parte de ele mesmo. Pois bem, Tilke falou agora, um pouco para defender a razão porque certos circuitos estão a ser desenhados de determinada maneira. E ele afirmou que em muitos casos, ele não tem uma folha em branco para desenhar.

“Nunca temos uma folha limpa para desenhar”, começou por dizer Tilke. “Mas existem directrizes: existe a terra da qual não somos proprietários, a história deve ser respeitada, a altitude e também outros elementos, como a filosofia do ‘feng shui’ em Xangai. Existem regras de segurança que evoluíram e Imola ensinou-nos isso com Ayrton Senna. Há também os custos, os investidores querem instalações multiusos. As despesas para um circuito de Fórmula 1 variam de 100 milhões a mil milhões, como é o caso de Abu Dhabi, que incorpora um hotel.”

Tilke acrescentou que Sochi terá sido um dos seus maiores desafios - o circuito está situado no meio do parque olímpico - enquanto Hanói, a capital do Vietname e que entrará em 2020, também ofereceu obstáculos a serem superados.

“Sochi foi provavelmente o projecto mais difícil. Tivemos que inseri-lo no parque dos Jogos de Inverno de 2014, não foi fácil. Em Hanói, esperamos estar prontos para o próximo ano, o tempo disponível é curto, mas estamos habituados. É um desafio interessante, especialmente para uma configuração que exige que usemos quase 70 por cento das estradas normalmente abertas ao tráfego e as demais completamente novas. Duas retas curtas, uma muito longa por 1,5 quilómetros, algumas curvas muito rápidas que não são comuns nos circuitos da cidade”, concluiu.

Bem vistas as coisas, tem de se dizer que quase todas as pistas fora da Europa são um exclusivo "tilkeano" e poucas são aquelas que proporcionam corridas excitantes. E quando acontece, não tem a ver com a pista em si, mas tem a ver com os carros e os pilotos. E em contraste, são as clássicas que proporcionam as corridas mais interessantes este ano, com a excepção de Paul Ricard. Pode ser porque têm escapatórias mais pequenas ou quando há, são de gravilha, em vez do asfalto típico.

Mas também foi Tilke que desenhou excelentes circuitos como o de Kurtkoy, na Turquia, agora fora do calendário da Formula 1, e Austin, que este ano passou a estar no calendário da IndyCar Series. De uma certa forma, nem tudo é desperdício, embora o facto de ter desenhado mais de uma dezena de circuitos - não se conhece quem tenha desenhado tantos circuitos - o fazem um alvo fácil.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Youtube Motorsport Presentation: Conheçam a Kuwait Motor Town

Pistas no Médio Oriente começam a ser o "pão nosso da cada dia", e a cada ano que passa, surgem novos projetos. Desde meados de 2016 que se sabe que no Kuwait se está a construir uma nova pista a 30 quilómetros a sul da capital, e só agora é que se vê a pista em todo o seu esplendor. Com 5609 metros, terá 20 curvas e será disputado no sentido contrário aos ponteiros do relógio. 

O desenhador? Hermann Tilke. E tem tanto dos seus desenhos que o complexo entre as curvas 12 e 15 faz lembrar a famosa curva 8 de Istambul. A primeira fase está completa e os promotores querem atrair uma prova do WEC, assim que tiveram uma homologação Grau 1 da FIA.

sábado, 30 de janeiro de 2016

A estreiteza do circuito de Baku

O circuito citadino de Baku já foi visitado antecipadamente por alguns entendidos da Formula 1, e estes já notaram que a coisa é mesmo estreita! Segundo conta o jornalista Ted Kravitz na sua conta do Twitter, há uma parte perto da fortaleza da cidade cuja largura é de meros... 7,6 metros. Em teoria, isso seria suficiente para quatro carros lado a lado, mas pelo que se vê nas fotos, é ridiculamente pequeno, sem escapatória possivel. 

E por agora - a cerca de cinco meses da corrida - azona ainda está com paralelepípedos. A organização diz que vai proteger o local antes de colocar a tal camada de asfalto necessária, e para o Tilke, isso não é problema algum, como ele mostra num desenho feito pelo seu gabinete.

O circuito terá 6006 metros e será o segundo circuito mais extenso do calendário, apenas superado por Spa-Francochamps. 

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Os circuitos do calendário e a sua história

Como é sabido, ontem Bernie Ecclestone anunciou que o GP de França está assegurado no calendário do Mundial de Formula 1 em 2013, provavelmente a alternar com o GP da Belgica, que se corre num dos clássicos do automobilismo, que é Spa-Francochamps. A razão é simples: dinheiro, ou a sua falta. A organização do GP belga tem tido prejuízos nos últimos anos, e com a crescente exigência de mais dinheiro por parte de Bernie Ecclestone, os promotores locais viram com a solução de receber a corrida a cada dois anos, alternando com outra pista, e o governo francês veio com a solução do GP de França, como forma de aliviar a carteira dos promotores locais e não sobrecarregar o do governo francês.

Só no final do ano é que veremos como ficará o calendário, para ver onde e quando é que se realizará a corrida francesa. Mas uma coisa é certa: por fim, Jean Todt cumpriu um dos seus objetivos eleitorais, que era o de recolocar o GP de França no calendário, desaparecido desde 2008. Quanto ao circuito, todos falam de Paul Ricard, mas Magny-Cours é também uma hipótese.

Assim sendo, ao ver que o regresso de uma prova histórica será às custas de outra, parece que a Europa, aos poucos, desaparece do mapa da Formula 1: a partir de 2013, terá provavelmente sete pistas, em vinte possíveis. Provavelmente será o primeiro ano na história da Formula 1 que existirão mais provas fora do Velho Continente do que dentro. A única novidade europeia prevista será a Rússia, que aparecerá em 2014 num tilkódromo desenhado nas ruas de Sochi, a cidade que acolherá os Jogos Olímpicos de Inverno nesse ano.

O que muitos ficam revoltados - e com razão - é ver que um circuito tão desafiador como Spa-Francochamps possa desaparecer e dar lugar a um circuito construído em "nenhures", pago por um exêntrico qualquer, que decidiu levar a Formula 1 para o seu quintal. Por acaso, essa é a premissa detrás de Paul Ricard, mas o circuito situado no sul de França foi construído em 1970, e já teve mais do que tempo para entrar nos livros de História.

Estava a ver ontem a versão portuguesa do Autosport quando dei por mim a ler uma noticia sobre a lista dos circuitos do atual calendário, e as suas datas de construção, e vejo que em 2012 temos um grande constraste entre os clássicos, ou seja, os circuitos com mais de 15 anos, e os "tilkódromos": é que estes últimos já são quase metade das provas no calendário.

GP da Bélgica, Spa-Francochamps, 1922 
GP da Itália, Monza, 1922 
GP de Monaco, Mónaco, 1929 
GP da Alemanha, Hockenheim, 1932 
GP do Brasil, Interlagos, 1940 
GP da Grã-Bretanha, Silverstone, 1947 
GP do Japão, Suzuka, 1962 
GP do Canadá, Montreal, 1978 
GP da Hungria, Hungaroring, 1986 
GP da Espanha, Catalunha, 1991 
GP da Austrália, Albert Park, 1996 

GP da Malásia, Sepang, 1999. É o primeiro "Circuito Tilke", e por acaso é aquele que mais gosto. É uma mistura dos dois tipos: veloz e algo lento. Tem duas enormes retas e muitas zonas de média velocidade. E também uma chicane logo na primeira curva, onde os pilotos passam de um lado e para o outro. Bernie Ecclestone gostou tanto da experiência de Hermann Tilke que o elegeu oficiosamente como o seu arquitecto. Depois...

GP da China, Shangai, 2004 
GP do Bahrein, Shakir, 2004 
GP da Europa, Valência, 2008 
GP de Singapura, Singapura, 2008 
GP de Abu Dhabi, Abu Dhabi, 2009 
GP da Coreia, Yongam, 2010 
GP da Índia, Nova Deli, 2011 
GP dos EUA, Austin, 2012

Nesta lista já não está Istambul, o circuito turco feito em 2005 e que saiu do calendário em 2011. Curiosamente, dos muitos que criticavam os "tilkódromos", quase todos diziam que o circuito turco era dos melhor desenhados, especialmente aquela Curva 8. Mas o que salta mais à vista de toda a gente é que, se dúvidas ainda existem, esta Formula 1 é cada vez mais moldada para o seu dono: Bernie Ecclestone. Foi ele que disse às pessoas interessadas em receber o Grande Circo o que devem fazer, como devem fazer, quanto custa e a quem devem entregar o projeto de desenho do circuito. E cada vez mais, as coisas são moldadas à sua imagem.

E a caminhada não acaba aqui: em 2013 haverá outro circuito desenhado pela mesma personagem: New Jersey, a corrida que Ecclestone sempre sonhou para Nova Iorque. E já se fala nos regressos da Argentina e do México... com isto tudo, alguém saltará para fora, nesse aspecto poderá ser outro "tilkódromo". Provavelmente Valencia, que ou desaparece por completo, ou alternará com Barcelona a realização do GP de Espanha. Este quadro é como disse acima, é o espelho atual da Europa: um continente arrasado pelo peso das dívidas e a viver uma recessão, não tem capacidade de acompanhar as exigências cada vez mais crescentes de dinheiro, para alimentar a "galinha dos ovos de ouro" que se tornou a Formula 1 hoje em dia.

O calendário de 2012 demonstra que, se dúvidas ainda haveria, a Formula 1 é moldada por Bernie Ecclestone, que pede a Hermann Tilke que desenhe os circuitos a seu bel-prazer. Quando desaparecer, daqui a alguns anos, a Formula 1 do passado não será mais do que uma mera recordação, pois ele modificou-a completamente, fazendo com que seja pouco mais do que um nome. Nada tem a ver com que vimos e conhecemos nos anos 70 e 80 e um pouco dos anos 90. É uma "Formula Ecclestone", uma "Formula Tilke". Mas se antigamente, muitos criticavam o projetista alemão pelo facto das suas pistas serem um longo sonífero, nos últimos dois anos, as modificações nas aerodinâmicas dos carros, como o DRS e as asas moveis, fizeram com que as ultrapassagens aumentassem exponencialmente, e as criticas aos "tilkódromos" decresceram bastante.

Amanhã volto a falar mais um pouco mais sobre o calendário, o futuro dos circuitos, e claro, da Formula 1.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

5ª Coluna: Ninguém chorará por Istambul

Daqui a dez dias iremos ver o GP da Turquia pela última vez no calendário da Formula 1. Digo isso devido aos vários rumores que se circulam sobre o futuro da corrida, quase como se fossem certezas, de que os organizadores disseram que não iriam pagar mais dinheiro a Bernie Ecclestone e à FOM para manter a corrida nos anos que aí vêm. A acontecer, já saberemos qual vai ser a corrida que sairá para dar lugar aos Estados Unidos, isto é, partindo do principio que a corrida do Bahrein voltará ao calendário em 2012.

Francamente, observo a Turquia como o exemplo clássico de um bom circuito construido no lugar errado. Em termos automobilisticos, este pais foi sempre uma nota de rodapé quer em termos de pilotos e circuitos, quer fosse em pista, quer fosse nas classificativas. O rali da Turquia tem alguma tradição, mas não é um clássico como é o seu vizinho e rival rali da Acrópole, na Grécia, e ainda por cima, este ano não faz parte do calendário do WRC, por exemplo.

Ao olhar para o circuito de Kurtkoy, observo-o como o melhor exemplo daquilo que Ecclestone quer fazer da Formula 1, só que deu tudo errado. Um projeto de largas dezenas de milhões de euros, projetado por Hermann Tilke especialmente para receber a Formula 1, mas que nunca ganhou o coração dos fãs. A corrida de 2009 ficou famosa pelas piores razões, quando atraiu mais do que... 25 mil pessoas ao longo de todo o final de semana. Numeros destes não se viam desde os tempos em que o circo visitava o travado circuito de Jerez de la Frontera, em 1990.

Mas antes, o exemplo turco ficou na história pelas piores razões politicas. Em 2006, os organizadores decidiram chamar para o pódio, para entregar o troféu de vencedor, o presidente da "Republica Democrática do Chipre do Norte", a metade norte da ilhja de Chipre, separada em 1974 por divisões étnicas após uma invasão e uma curta guerra civil. Ora, essa entidade só é reconhecida pela Turquia, e a organização foi obrigada a pagar uma enorme multa pela ousadia. Não sei se foi por causa disso ou foi outra coisa, mas desde então que o circuito ficou "às moscas"...

O exemplo de Kurtkoy é demonstrativo de que o modelo ecclestoniano, tal como está, só serve a curto prazo. Custos com tendência a aumentar, falta de divulgação, corridas feitas em paises sem tradição, circuitos que se transformam em "elefantes brancos", contas por pagar durante anos a fio. Para ser honesto, os unicos mercados do qual a Formula 1 deveria estar sempre presente seriam - para além da Europa - os Estados Unidos, a China e a India, para além da Europa, Austrália, Japão e Brasil. Saber das razões pelo qual o Bahrein recebe a Formula 1, ainda por cima o preço que paga para ter, demonstra que para certas pessoas com poder, é um brinquedo caro. E essa direção, na minha opinião, é uma receita para o desastre.

Em jeito de conclusão, a unica contribuição da Turquia ao mundo da Formula 1 é provavelmente a famosa curva oito, provavelmente a mais desafiadora da atualidade. Quem já guiou em Kurtkoy nos simuladores, como eu, até gosta do que vê, e provavelmente deve ser um dos dois circuitos desse alemão que gosto (o outro é Sepang). De resto, ninguém ficará com saudades de Istambul. Pode ser que um dia volte, mas tenho sérias dúvidas. Aliás, nem ficaria espantado se no ano que vêm e empresa que gere o circuito declare falência ou algo parecido...

segunda-feira, 7 de março de 2011

Um desenho alternativo ao Bahrein

O site satírico britânico WTF1 decidiu fazer uma concurso para saber se o pessoal que costuma passear no site era capaz de desenhar circuitos melhores do que o Hermann Tilke. O desafio foi aceite pelos internautas e o vencedor foi... digamos que, esperado.

Segundo o vencedor, Zé D'Agostini, o "Ecclestone Marina Circuit" teria tudo que anãozinho tenebroso sonha: uma localização exótica, algures no Golfo Pérsico, custaria dois mil milhões de euros, teria um hotel perfeitamente inútil, pois não teriam quaisquer espetadores. Quanto á corrida, aconteceria em pleno mês de Agosto, onde as temperaturas passariam de 8 para 45 graus num instante, graças ao clima do deserto arábico, segundo diz o seu autor.

Então, que acham? Esse desenhador daria um bom sucessor do Hermann Tilke?

Noticias: GP da Croácia a caminho?

Segunda-feira de Carnaval é uma chatice, não tenham dúvidas. Está tudo a meio gás e ainda estamos a meio da festa, digamos assim. Neste pequeno retângulo à beira-mar plantado ainda se absorve as ondas de choque da vitória dos Homens da Luta, que ironicamente, reavivaram um festival há muito moribundo, e a Formula 1 se prepara para a última sessão de testes da pré-temporada, em Barcelona.

Mas neste periodo sem noticias ditas "sérias" em termos de Formula 1, há uma noticia que vale ser comentada. Vi "de raspão" no fim de semana, mas hoje leio no blog do Joe Saward, que dá mais alguns pormenores. O governo da Croácia quer construir um circuito nos arredores da sua capital, Zagreb, para ser alternativa à Hungria para acolher o Mundial de Formula 1. O plano, que poderá custar à volta de 450 milhões de dólares, é impulsionado por Kresmir Gulic, o presidente de câmara da vila de Bistra.

O circuito vai ser desenhado por - adivinharam! - Hermann Tilke e vai ser construido ao lado da autoestrada A2, que liga Zagreb para a fronteira eslovena e para a Austria. O circuito, que faz lembrar Austin em ponto pequeno, tem à volta de 4,5 quilómetros de extensão e faz parte dos planos de Gulic e o governo croata para impulsionar o turismo num pais que se prepara para entrar na União Europeia, o mais tardar em 2012 ou 2013. A pista teria entre 70 mil e 150 mil lugares, mais 25 mil lugares para parques de estacionamento, e se tudo correr bem, o circuito estaria pronto em 2014.

O plano é sério, é verdade, e a Croácia já tem alguma tradição em motociclismo. Nos tempos da Jugoslávia, o circuito de Opatija, perto de Rijeka, no Mar Adriático, recebia regularmente o Mundial, pelo menos até 1990. E Bernie Ecclestone chegou a sondar as autoridades locais nos finais dos anos 80 para receber um GP jugoslavo. Mas a separação e consequente instabilidade nos Balcãs inviabilizaram o projeto.

O plano é sério, e o financiamento governamental parece estar garantido. Agora, será que vão pagar os preços exorbitantes que o Tio Bernie anda a pedir? Provavelmente sim, se a ex-mulher Slavica não estiver metida no negócio...