sexta-feira, 15 de junho de 2007

O piloto do dia: Ken Miles

Descobri hoje na edição on-line do Autosport a história de um homem que se tornou famoso por uma coisa: por ter sido o piloto que testou e desenvolveu o Shelby Cobra e o Ford GT 40. Os seus feitos desportivos ficaram-se pelos GT's, e por um azar histórico: o de ter cortado a meta em Le Mans na primeira posição, mas não ter sido declarado vencedor. Só porque a Ford queria tirar uma foto dos seus carros juntos...

Ken Miles nasceu a 1 de Novembro de 1918 em Birmingham, no centro industrial britânico. Antes da II Guerra Mundial, correu em motociclos, e quando o Mundo voltou a estar em guerra, foi recrutado para o exército de Sua Majestade, como Sargento, numa brigada de tanques. Quanto terminou a confluto mundial, em 1945 voltou-se para os carros de Sport, conduzindo Bugattis, Alfa Romeos e Frazer-Nash.

Em 1952, muda-se para os Estados Unidos, mais concretamente para a California, onde continua a correr, dando nas vistas quando ganhou 14 corridas seguidas ao volante de um MG Special construído e modificado por ele. Isso fez com que fosse notado por Carrol Shelby, que precisava de alguém para testar a sua nova criação: o Shelby Cobra. Foi graças a ele que fez com que o carro se tornasse a lenda que é hoje.

Foi graças a Shelby que a Ford contratou-o para que corresse nos Ford GT 40 que Henry Ford II idealizou, para bater os Ferrari nos carros de Sport Gran Turismo, especialmente em Le Mans. Os Ford GT40 surgiram depois de Enzo Ferrari ter recusado a proposta da marca de Detroit em comprar a Scuderia, pois estes exigiram que Ferrari cedesse os seus direitos para a Ford, algo que "Il Commendatore" nunca poderia aceitar. Miles, conhecido entre os seus amigos por "Teddy Teabag" (não bebia álcool e tinha um sardónico sentido de humor) ajudou a desenvolver o carro ao ponto de este poder competir com os carros da marca de Maranello.

Em 1966, a Ford tinha o GT40 "no ponto", e elegeu Miles como sendo o homem que iria ganhar as três corridas mais importantes do calendário: as 24 Horas de Daytona, as 12 Horas de Sebring e as 24 Horas de Le Mans. Com Lloyd Ruby a seu lado, Miles ganhou as 24 Horas de Daytona, e algumas semanas mais tarde, dominou a concorrência em Sebring. Confiante, para La Sarthe, a Ford trocou Ruby pelo neo-zelandês Denny Hulme a seu lado na corrida mais importante do ano, no único fito de ganhar a prova, derrubando o domínio da Ferrari.

O domínio da Ford foi tão grande no circuito francês que Henry Ford II ordenou que, no final da corrida, os carros sobreviventes cruzassem juntos a linha de meta, com Miles e Hulme no primeiro lugar, Chris Amon e Bruce McLaren no segundo posto, e Ronnie Bucknum e Dick Hutcherson no terceiro posto. A ideia veio de Leo Beebe, diretor de marketing da marca, e a ideia era de mostrar a superioridade dos carros americanos para efeitos publicitários.

Os três carros cortaram a meta juntos, mas a Ford esqueceu que naquele tempo, a organização dava a vitória ao carro que fizesse mais quilómetros. E como os dois neo-zelandeses tinham partido mais atrás na grelha e não tinham sido dobrados por Miles e Hulme, descobriu-se que os segundos classificados tinham feito mais quilómetros do que os primeiros. E foi assim que a vitória em Le Mans escapou ao piloto britânico e caiu no colo de McLaren e Amon, deixando Miles muito desgostoso, pois era o piloto que mais queria aquela vitória.

A seguir, foi escolhido para o "Projeto J" a continuação do GT40 para 1967, mas a 17 de agosto de 1966, no circuito californiano de Riverside, Miles testava o carro quando este subitamente levantou vôo e capotou estrondosamente. Teve morte imediata. Tinha 47 anos.

O carro foi profundamente modificado no sentido de reduzir os efeitos aerodinâmicos, sendo rebaptizado de Mark IV, e vencendo no ano seguinte, com A.J Foyt e Dan Gurney ao volante, e continuaria a vencer continuamente até 1969.

O legado de Ken Miles não foi esquecido, pois foi nomeado para o Motorsports Hall of Fame of America em 2001. E em 2019, a sua vida vai ser parcialmente contada no filme "Ford vs Ferrari", num papel atribuido ao seu compatriota Christian Bale.

2 comentários:

Ron Groo disse...

Rapaz, este você desenterrou mesmo, eu nunca tinha ouvido falar nele...
E o nome da coluna?
Groo

Felipão disse...

To meio sem tempo hoje, Speeder...

Mas amanhã eu leio o texto direitinho..