terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Noticias: Fernando Alonso teme, mas confia


Fernando Alonso teve um dia preenchido nesta segunda-feira, com a apresentação do Aston Martin AMR26. Se no momento da apresentação, ele se mostrava confiante que as pessoas por trás do projeto tem o "pedigree" ideal para andar entre os carros da frente.

Contudo, horas antes, numa entrevista a um jornal desportivo espanhol, ele admitiu que o AMR26 é uma base, não um carro vencedor. A adaptação ao novo regulamento, a um novo motor será demorado, mas acredita que com o tempo e a experiência de todos, a equipa poderá acabar por ser vencedora. 

Este é um capítulo muito entusiasmante para a Aston Martin à medida que nos adaptamos a novas regras, novas unidades motrizes e novas ideias. Com o Lawrence e o Adrian temos dois dos líderes mais determinados e competitivos que alguma vez conheci.", começou por afirmar, na apresentação do carro, na noite de ontem, na Arábia Saudita.

"Os últimos anos não foram fáceis, mas aprendemos muito, e essa experiência torna-nos sempre mais fortes. Todos nesta equipa partilham a mesma fome de ser competitivos e vejo quanto trabalho está a ser feito nos bastidores para termos um carro que possamos desenvolver ao longo da época. Estou ansioso por voltar à pista e por desenvolver o carro. Mal posso esperar por atacar forte e ajudar a tornar a Aston Martin ainda mais competitiva.”, concluiu.

Contudo, horas antes da apresentação, o veterano piloto espanhol deu uma longa entrevista ao jornal AS onde fala sobre o carro, e que não espera grandes feitos no AMR26, apesar de ter sido desenhado por Newey. Ele refere os atrasos no projeto - o próprio Newey disse, uns dias antes, que o projeto começou com quatro meses de atraso em relação à concorrência - e que o começo da temporada poderá ser trabalhoso, antes de a meio da temporada, começar a haver algumas evoluções em relação à concorrência. 

Estamos claramente atrás, estamos no ponto zero. Acho que nem sequer começámos. Em Barcelona conseguimos rodar um pouco, mas encarei aquilo mais como um dia de filmagens — um shakedown que outras equipas fizeram em Silverstone e que nós não pudemos fazer. Algumas partes do carro não estavam validadas para velocidade máxima e tivemos de nos limitar a 280 quilómetros por hora nas retas. É apenas um exemplo de como a preparação foi levada ao limite. O Bahrein será o nosso primeiro teste real, o nosso primeiro contacto verdadeiro com o carro. Barcelona foi apenas ligá-lo e ver se tudo funcionava”.

Sobre os atrasos no projeto, Alonso sublinhou:

Sei que temos alguns desafios — e não sou só eu a dizê-lo, o Adrian também o disse — que estávamos alguns meses atrás do que ele pensa que as outras equipas estavam a fazer, e o mesmo se aplica à Honda, que teve mais dificuldades do que esperava com o motor. Achamos que temos alguns problemas para resolver ao nível da competitividade e não temos muito tempo. Alguns deles não vão estar resolvidos antes da Austrália e teremos de lidar com isso nas primeiras três ou quatro corridas.

Apesar disso, relativizou o impacto mediático do projeto:

Este é o efeito Newey. Sempre foi assim. Quando ele apresentava um carro nos testes, toda a gente ficava atenta ao que podia fazer ou ao que podia ser copiado. Agora vai acontecer com os nossos rivais. Isto é uma maratona, não um sprint. A corrida de desenvolvimento vai ser muito longa. Não é como se começa, é como se acaba — e a segunda metade da época será mais importante do que a primeira.

Sem comentários: