quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Os sarilhos da Hyundai


O WRC de 2026 parece ser só Toyota. Monopólio nos pódios - até os quatro primeiros lugares serem todos da marca japonesa - parece mostrar que o campeonato já tem tudo decidido em termos de construtores, e em termos de pilotos, poderá ser uma batalha interna. E claro, com isto, pergunta-se: como está a concorrência? Péssima. Se a Ford e a M-Sport não disfarça que estão em "fim de festa", à espera do que os regulamentos de 2027 poderão trazer, no caso da Hyundai, os sinais de crise são indisfarçáveis, e na sede, andam a ver o que se passa nos carros que os impede de andarem a par dos Toyotas. 

Afinal de contas, na Suécia, tirando o feito de Thierry Neuville ter ganho a Power Stage, o quinto-sexto-sétimo posto no final deste rali é uma enorme desilusão em termos de performance e classificação. A marca coreana afirmou que tiveram sérios problemas de tração no rali, e isso os inferiorizou em relação à Toyota.  

"Depois dos testes, pensamos que poderíamos ser competitivos aqui. Ganhar talvez não, mas estar no pódio era possível", começou por referir o diretor desportivo Andrew Wheatley aos microfones da RTBF belga, depois do rali sueco.

"[Mas logo na 5ª feira] depois do Shakedown e do primeiro troço sabíamos que havia um grande problema. Não tínhamos tração. Mas com este regulamento só poderíamos fazer pequenas mudanças, e isso trouxe algum progresso, mas certamente não o suficiente para sermos competitivos", continuou.

A surpresa positiva foi mesmo a vitória de Thierry Neuville na PowerStage. "Eu não sei de onde veio aquela performance, como ele conseguiu e foi notável." concluiu o britânico.

O piloto belga revelou mesmo no final da prova que era necessária uma reunião urgente com toda a equipa. Ele afirmou que estiveram muito em baixo, apesar de terem feito mais de uma centenas de alterações nas configurações do carro só para este rali.

"Porque é que não fomos rápidos nos outros troços? Não temos explicação para esta falta de desempenho, vemos é claramente que não conseguimos e apesar das tentativas nada melhorou. Fizemos 35 alterações no carro [ao longo do fim de semana], somando as dos meus colegas de equipa são quase uma centena de configurações diferentes mas que não deram em nada.", comentou. 

A falta de aderência foi crítica para além de muita subviragem nos i20.

Agora, apesar da marca afirmar que Monte Carlo e Suécia são dois ralis muito específicos, e esperarem que nos pisos convencionais de terra e asfalto, as coisas mudem em relação à competição com a Toyota, é muito improvável que isso aconteça, apesar de a marca coreana ter agendado alguns dias de testes em estradas francesas, no sentido de melhorar as performances do carro, e diminuir a distância para os Toyota. Caso contrário, é melhor começar a ver os regulamentos para 2027 e tentar construir uma máquina que seja competitiva com esses novos regulamentos. E que Neuville e Adrien Formaux preparem, se calhar, para uma travessia do deserto. 

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