segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

A nova geração


Este fim de semana que passou, Oliver Solberg triunfou no Rali de Monte Carlo, com uma grande vantagem sobre veteranos como Thierry Neuville e Sebastien Ogier. Com esta vitória, o piloto sueco de 24 anos mostrou-se como o principal candidato ao título de 2026, não tanto por ter ganho este prestigiado rali, mas pelo facto de ter se adaptado muito bem aos carros da categoria Rally1, a principal. É que este é o segundo rali com um Toyota GR Yaris de Rally1, e é a sua segunda vitória. Espantoso, não é?

Pode-se imaginar que ele, sendo filho de Petter Solberg, piloto que, pelas cores na Noruega, ganhou o Mundial de Ralis em 2003, a bordo de um Subaru Impreza WRC, e com um "background" entre peças e volantes - o pai, o tio, Henning... e até a mãe, Pernilla, foram pilotos de rali, e o seu primeiro contacto foi em 2002, ainda antes de completar um ano de idade - a sua adaptação fora fácil, e o seu caminho tenha sido semelhante a Kalle Rovanpera, o filho de Harri Rovanpera, que foi campeão do mundo em 2022 e 2023. 

Mas não foi assim. Aliás, o seu primeiro contacto com os Rally1 foi uma desilusão.

Depois de um inicio em 2019, aos 18 anos, no rali de Gales, num Volkswagen Polo GTi R5, e de um 2020 em evolução, a sua chance aconteceu em 2021, quando a Hyundai o convidou para andar num dos seus i20 WRC. Um quinto posto no rali de Monza foi algo prometedor, e em 2022, fez uma temporada completa pela marca coreana.

E foi um desastre: apesar do sexto posto na Suécia, e depois, um quarto lugar no rali de Ypres, na Bélgica, e um quinto posto no rali da Nova Zelândia, os 33 pontos alcançados foram muito aquém das expectativas, ainda por cima, quando ao mesmo tempo, a Toyota tinha Rovanpera e esta caminhava, imperativamente, para o título mundial. A sua dispensa, dois ralis antes do final do campeonato, mostrava que, mesmo tendo 21 anos, e sendo quase um ano mais novo que o finlandês, parecia ainda não ter amadurecido o suficiente. Por causa disso, nas duas temporadas seguintes, 2023 e 2024, decidiu andar num Rally2, primeiro um Skoda Fabia, depois um Toyota GR Yaris Rally2, em 2024, que deu o treino suficiente para correr o rali da Estónia, em julho, num carro de Rally1 e, surpreendendo tudo e todos, ganhar a prova. 

Pensava-se que iria correr, mais tarde, noutro rali com esse carro, mas havia prioridades: afinal de contas, havia um título de Rally2 para ser ganho, e depois de dez vitórias nas últimas três temporadas, acabou por ser campeão a três jornadas do final, e assim, ficar pronto para o Rally1, porque a Toyota decidiu confirmar para a temporada de 2026. Ironicamente, ele irá substituir... Kalle Rovanpera, que decidiu tentar a sua sorte nas pistas, indo competir para a SuperFormula japonesa, e eventualmente, em 2027 ou 2028, subir para a Formula 2. 


Curiosamente, no mesmo fim de semana do rali de Monte Carlo, Rovanpera andou a correr na Formula Regional Oceania, uma espécie de Formula 3 que serve como série de Inverno, antes da competição principal. E com muitos jovens prometedores no pelotão, bastou nove corridas nos monolugares para o finlandês conseguir o seu primeiro pódio, um terceiro lugar na primeira das quatro provas em Tereronga, na Nova Zelândia.

E com mais algumas corridas com resultados interessantes, especialmente debaixo de chuva (uma das corridas até foi cancelada, devido ao excesso de água na pista) a adaptação do piloto finlandês tem sido recomendável, pensando como será a sua temporada na competitiva competição japonesa, que apenas começará em abril. 

No minimo, ficamos curiosos. E ele tem apenas 25 anos. Se calhar, poderá ter tempo para fazer uma carreira apreciável nos monolugares.  

Sem comentários: