domingo, 18 de janeiro de 2026

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Há 40 anos, o Grupo B preparava-se em Monte Carlo para começar uma temporada que prometia muito. Com Audi, Lancia e Peugeot a serem bem sucedidas neste quesito, havia outras como a Toyota, que apostava nas provas africanas para se destacar, deixando para mais tarde ambições maiores. Mas havia outras marcas que se preparavam para entrar nesta competição. A Rover tinha estreado o seu modelo 6R4, e a Ford ia meter o seu modelo RS200. Mas para além deles, a Citroen também tinha a sua escolha para a nova temporada, baseada do modelo BX. Que preferia não ter lançado.

Observando o sucesso da Peugeot, que desde meados de 1984 ganhava ralis com o 205, a Citroen queria aproveitar o embalo para construir o seu próprio modelo, para poder competir com as marcas presentes. Contudo, sem um modelo pequeno o suficiente para ser ágil, optou por um carro longo, o BX. E a versão que foi construída, o 4TC (de Tração) era ainda mais longa que o modelo de estrada, os testes cedo mostravam que tinha problemas de agilidade. 

Com um motor de 2.2 litros baseado no Matra-Simca, tinha de ser montado em termos longitudinais, o que lhe dava um aspecto maior do que o normal. Com tração integral construído pela Heuliez, a suspensão era hidropneumática e a caixa de velocidade era proveniente do modelo SM, que tinha sido deixado de fabricar doze anos antes, porque era o único que aguentava a potência que o carro tinha, a rondar os 360 cavalos.

Os testes mostravam logo que o carro não era fantástico. Pelo contrário: demasiado pesado, pouco potente e subvirador em curva, pois ao contrário de outros modelos, que têm um motor central-traseiro, aqui, o motor está na frente do carro. E para piorar as coisas, a suspensão hidropneumática não funciona tão bem quanto se esperava.

Mesmo com todos estes defeitos, a marca inscreve dois carros para o Rali de Monte Carlo, para os franceses Jean-Claude Andruet e Philippe Wambergue. O seu andamento acabará por ser modesto até que ambos abandonam devido a quebras na caixa de velocidades.

Ambos correm no rali seguinte, na Suécia, onde Andruet consegue o sexto lugar final, enquanto que Wambergue não chega ao fim. Eles só voltariam a correr no Rali da Acrópole, com mais um piloto, Maurice Chomat, mas nenhum dos três chega ao fim do rali. No final da temporada, o Grupo B é abolido, mas a marca já se tinha retirado da competição, não pensando mais nos ralis até ao final do século, com o Xsara de duas rodas motrizes.

Pequena curiosidade: para ser holmologado, a Citroen tinha de construir 200 exemplares de estrada do BX 4TC. Contudo, em termos de vendas, foram um fracasso. Desses 200 carros produzidos, apenas 62 foram vendidos. Caros e não muito eficientes, alguns anos depois, esses exemplares que nunca foram vendidos acabaram na sucata. Hoje em dia, os exemplares sobreviventes são dos mais procurados no mercado dos clássicos.

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