terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

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A temporada de 2026 da Formula Regional Oceania Trophy acabou no passado domingo no Highlands Motorsport Park, com a vitória do americano Ugo Ugochukwu, sobre o britânico Freddie Slater e o neozelandês Louis Sharp. Mas as atenções tem ido para o finlandês Kalle Rovanpera, que nesta temporada decidiu trocar os carros de ralis pelos monolugares. A sua adaptação tem sido progressiva, conseguindo um pódio na ronda anterior, em Tereronga, e mostrando ter bom ritmo à chuva, com outros bons resultados nesse final de semana.

Contudo, Rovanpera não participou na ronda final da Formula Regional Oceania Trophy, aparentemente por causa de uma infeção gastrointestinal, que tinha aparecido na quinta-feira, dois dias antes da corrida. A decisão tinha sido tomada na manhã de sábado, horas antes da corrida.

A decisão foi tomada na manhã de sábado, quando ele não se sentia bem e tinha uma ligeira febre”, explicou o seu manager, Timo Jouhki. “Não fazia sentido entrar em pista.”, concluiu.

Agora, Rovanpera irá para o simulador da Hitech no Reino Unido, antes de mais testes da Super Formula no circuito de Suzuka, durante este mês de fevereiro. Apesar de deste final prematuro, Johuki disse que a experiência foi valiosa, mas avisou para que não fiquem com altas expectativas.

Ir ao Japão continua a ser sobretudo treino e acumulação de quilómetros. É difícil dizer se será possível esperar resultados imediatos.”, explicou.

Dê por onde der, as expectativas estão a ser grandes, e ainda por cima, isto está a ter um problema: os seus problemas de saúde. Apesar de terem sido problemas que foram resolvidos - em dezembro, saiu prematuramente de um teste por causa de episódios de tonturas relacionadas com a sua posição no carro - este problema gastrointestinal tem alertado para a idade do piloto. Apesar de ter apenas 25 anos, e ter começado muito cedo no automobilismo, aos nove anos, guiando no inverno a bordo de um Toyota Starlet, ele está a começar tudo de novo, numa competição onde a concorrência, na Nova Zelândia, ter oito ou nove anos mais novos que ele, e bem mais agressivo que, por exemplo, no WRC. E tem de se adaptar a isso tudo. 

Logo, também há cepticismo sobre a adaptabilidade de Rovanpera a um ambiente como este. É verdade que na SuperFormula japonesa, existirá gente mais velha que ele, mas são pilotos experientes, e ele é um "rookie". E como alguém que, depois de ter feito um doutoramento em Fisica Quântica, agora decidiu começar um curso universitário de - suponhamos - Literatura do século XX. Não é a mesma coisa, apesar de ter quatro rodas e um volante. E claro, ter idade para fazer tal mudança. A adaptação física, técnica e mental aos monolugares é exigente, e qualquer interrupção nesta pré-temporada, que já parte de uma base menos convencional, poderá resultar em algo que será mais complicado para recuperar.

Sim, Kalle Rovanpera tem prestigio, e ele é alto. Mas há 15 anos, Kimi Raikkonen decidiu tentar a sua sorte no WRC, vindo da Formula 1, e os seus resultados foram modestos. E nem falo de Robert Kubica, que apesar da rapidez, mesmo depois do seu acidente, no inicio de 2011, que afetou grandemente a sua carreira na Formula 1, no seu regresso foi para o WRC, e mesmo com alguns resultados de relevo - e o título do WRC2 - bateu demasiadas vezes para ser considerado como alguém a ter em conta no Mundial de Ralis. 

Ele é bom, está em adaptação e mostrou algumas coisas interessantes em situações limite. Mas a pressão para se adaptar o mais rapidamente possível é grande, porque o grande objetivo é a Formula 1, e caso chegue, estará muito perto, ou na casa dos, 30 anos. Quando Max Verstappen chegar a essa idade, ele já terá mais de uma década de Formula 1.  

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