No próximo dia 2 de abril, assinalar-se-à o centenário do nascimento de Jack Brabham. Piloto australiano de reconhecido valor não só como piloto, mas sobretudo como construtor, foi o primeiro a ganhar como construtor, numa parceria com o seu compatriota Ron Tauranac, e teve uma carreira bem longa, que se estendeu desde meados dos anos 50 até ao inicio dos anos 70... só na Formula 1, e ainda era competitivo aquando pendurou o capacete. Começou a correr contra gente como Juan Manuel Fangio e Mike Hawthorn, entre outros, e acabou a partilhar a grelha com Emerson Fittipaldi, Ronnie Peterson e Mário Andretti.
Nascido em Hurtsville, uma pequena cidade nos arredores de Sydney, a sua paixão pela mecânica começou cedo, bem cedo: aos 12 anos, já guiava o carro da família, bem como os camiões do negócio do pai, que tinha um mercado. A sua educação especializada passou pela metalurgia, carpintaria e desenho técnico. Aos 15 anos, saiu da escola e foi montar um negócio de venda de motos, bem como uma oficina mecânica, essencialmente para reparação e montagem.
Quase de imediato, a mecânica se tornou numa parte integrante da sua vida, e mal fez 18 anos, em 1944, alisou-se na Força Aérea Australiana (RAAF) para ser mecânico de aviões, embora o seu sonho era o de ser piloto. Calhou bem, porque na RAAF, havia uma falta de mecânicos, e passou a guerra a manter aviões como o Bristol Beaufighter. A 2 de abril de 1946, dia do seu 20º aniversário, saiu da Força Aérea e regressou ao negócio de reparação de automóveis, perto da família.
Por essa altura, tem um amigo americano, Johnny Schonberg, que o convida para ver uma corrida de automóveis, na categoria "midget". Vindo da América, era um desporto popular na Austrália, e quando viu, ficou convencido que.,. toda aquela gente era lunática. Mas Schonberg tinha uma ideia: construir um "midget car", e Brabham sabia como fazer carros. E ele concordou.
O chassis foi construído na garagem de Jack, e o motor foi um de motociclo JAP. Nos dois anos seguintes, ele preparava o carro, para Schoenberg correr, mas um dia, ele decidiu abandonar a carreira de piloto, persuadido pela mulher. Com o bólido nas mãos, ele decidiu colocar o capacete e tentar a sua sorte. Cedo descobriu que tinha talento. Tanto que acabou a ganhar o campeonato australiano de Midgets entre 1948 e 1951, bem como alguns títulos regionais, com o campeonato da Austrália do Sul, em 1949.
Em 1951, começou a participar em algumas corridas de estrada, e ficou interessado em fazer a transição. Começou a comprar chassis à Cooper, fez disto um negócio a tempo inteiro, arranjou patrocinios - um dia, chamou a um dos carros "RedeX Special". a Confederação Australiana de Automobilismo (CAMS, a sigla inglesa) não achou piada e baniu - e os espectadores e jornalistas começaram a chamá-lo de "Black Jack", pelo seu cabelo preto e pela sua atitude intimidadora na pista, mais no sentido de perseguir os seus adversários de modo silencioso, para encontrar um erro e aproveitar isso.
Em 1954, Brabham ganha o GP da Nova Zelândia, em Ardmore, e entre os presentes estava Dean Delamont, diretor de competições do Royal Automobile Club britâmico, a RAC, e persuadiu-o a competir por um ano no Reino Unido, para saber se conseguia adaptar-se ao panorama local. Por essa altura, tinha 28 anos, e decidiu que iria tentar a sua sorte.
Em 1955, chega ao Reino Unido e começa a participar em corridas locais, onde se torna num dos favoritos do público. Arranja um Cooper e com as frequentes visitas à fábrica, faz amizade com Charles Cooper, e o seu filho, John Cooper. As visitas à fábrica eram tantas que, como disse John Cooper "ele fundiu-se com a fábrica". Não sendo nem empregado, nem piloto da marca, praticamente tinha acesso a tudo, desde as peças e a maquinaria, até aos carros. A sua primeira corrida foi em Aintree, no GP da Grã-Bretanha, num Cooper-Bristol, mas não chegou ao fim.
No ano a seguir, decidiu assentar permanentemente no Reino Unido, com a sua mulher e o seu filho Geoff. Tinha quase 30 anos, e assumiu que era agora ou nunca, se quisesse uma carreira no automobilismo. Compro um um Maserati 250F, mas cedo deixou-o de lado e arranjou outro Cooper para competir. Nessa altura, esses carros já tinham, o motor na traseira, mas eram pouco potentes - 2 litros, contra os 2,5 litros das outras marcas - e os resultados eram modestos.
Mas ele dava cartas na Formula 2 e em 1957, depois de uma temporada inteira na Formula 1, como piloto oficial da Cooper, ele se tornou campeão da categoria, e no ano seguinte, quando a marca arranjou motores de 2,5 litros e começou a ganhar com os carros inscritos... pela privada Rob Walker Racing, com Stirling Moss ao volante, Brabham conseguiu os seus primeiros pontos no Mónaco, com um quarto lugar.
Contudo, a Cooper sabia qual era o caminho a seguir, e em 1959, preparou o modelo T51 para Brabham, e com motor Climax de 2.5 litros, eles achavam que tinham o seu piloto.
E sobre isso, falarei amanhã.






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