sexta-feira, 15 de maio de 2026

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A 18 de maio de 1986, no Cimiterio Monumentale di Verano, em Roma, aconteceu o funeral de Elio de Angelis. A fina-flor da Formula 1 estava presente: "team managers" como Ken Tyrrell, Peter Collins, Ron Dennis, Jack Brabham, bem como o ex-piloto Jackie Stewart. Pilotos como Gerhard Berger, Michele Alboreto, Niki Lauda, Alain Prost, Ayrton Senna, Keke Rosberg, Nelson Piquet, Roberto Moreno, Derek Warwick, Riccardo Patrese, Nigel Mansell, Martin Brundle e Patrick Tambay também estavam presentes.

Ausente estava Bernie Ecclestone, que nunca gostou de estar presente em funerais, ele que tinha visto uma boa quantidade de amigos seus morrerem, como Stuart Lewis-Evans e Jochen Rindt

Os restos mortais de De Angelis ficaram no jazigo de família, onde estão presentemente. 

O acidente mortal teve consequências. A FISA esteve na linha de fogo, principalmente da parte de René Arnoux, então piloto da Ligier, e esta decidiu atuar: iria redesenhar o esquema de socorro em testes - a partir daquele momento, haveria sempre um helicóptero, mais treino de socorro e haveria a mesma disposição de comissários como se fosse num fim de semana de Grande Prémio - mas a FISA também começou a pensar no futuro. Com a quantidade de acidentes que tinha havido nos meses e semanas antes, o melhor seria, por exemplo, que a potência dos motores fosse cortada. Assim sendo, a temporada de 1988 seria a última com Turbos, em 1989, regressariam aos motores aspirados. 

Alguns pilotos ficaram traumatizados com a perda. Keke Rosberg contou, tempos depois, que uma das razões pelo qual pendurou o capacete no final de 1986 tinha sido o acidente e a parda de De Angelis, um dos seus amigos nas pistas. Nigel Mansell contou que não quis mais ter uma relação mais funda com os seus companheiros de equipa por causa do que aconteceu com De Angelis. Contudo, houve uma excepção: Riccardo Patrese, que tinha sido companheiro de De Angelis na Brabham. 

A partir daquele momento, Bernie Ecclestone passou a desinteressar-se pela Brabham. Desde há uns tempos que tinha interesse nos negócios na Formula 1, e as coisas na equipa trabalhavam da seguinte maneira: os dinheiros eram com ele, o desenho era com Murray, Herbie Blash ajudava Gordon Murray na gestão da equipa. Murray, desgostoso com os eventos de Paul Ricard, chegou à conclusão que mudar de ares seria a melhor politica. Em agosto, anunciou que iria para a McLaren, em substituição de John Barnard, que ia para a Ferrari.

No final de 1987, Ecclestone decidiu que iria vender a equipa, quinze anos depois de ter comprado, e chegou a não inscrever para a temporada de 1988. Eventualmente regressou, com novos proprietários, mas nunca mais voltou ao que era, envolto em polémicas com os novos proprietários, e acabou em 1992. 

De Angelis não foi esquecido na Formula 1: três anos depois, em 1989, chegava à Formula 1 um francês, Jean Alesi, e o seu capacete não passava despercebido aos olhos mais treinados. Questionado, ele disse que sim, o capacete era uma homenagem a Elio de Angelis. Detalhe: ele se estreou na Formula 1 na pista de Paul Ricard, a mesma onde ele sofreu o seu acidente mortal. Que, de 1986 até 1990, passou a ser realizada numa outra versão da pista, mais encurtada, evitando a zona de Verriére, palco do seu acidente mortal. Somente em 2018, quando a Formula 1 regressou a França e a Le Castelet, é que foi usada a versão total, com uma chicane na reta Mistral.

Assim termina a história de Elio de Angelis, um dos príncipes da Formula 1. Podia não ter ganho títulos, e foram poucas as vitórias no seu palmarés, mas tinha a consistência para pontuar e mostrar o seu talento, e era uma pessoa apreciada por tudo e todos. E ajudou a compor um pelotão de um tempo já distante.    

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