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segunda-feira, 9 de maio de 2011

Extra-Campeonato: os Homens da Lua divertem-se em Dusseldorf



Antes da aparição desta gente, aqui em Portugal pouco ou nada se ligava ao Festival da Canção. Numa era onde o televoto se tornou numa arma essencial de maior contacto com aquilo que vêm na TV, o fato dos Homens da luta terem sido escolhidos como os represntantes portugueses para o Eurofestival, que acontecerá entre os dias 10 e 14 de maio, no Esprit Arena, em Dusseldorf, foi apenas o começo do fenómeno.

Desde há uma semana que Jel e Falâncio andam pelas ruas da cidade alemã, no minimo dando nas vistas. E numa altura em que o FMI anda por estas bandas para mostrar o que devemos fazer para corrigir as nossas contas públicas, este grupo de humoristas está aproveitar o momento para não só darem nas vistas, mas também para fazer "render o seu peixe", ou seja, "ridicularizar o Eurofestival", que como toda a gente sabe, mais do que eleger canções, é mais um festival de troca de favores entre paises.

Mesmo sabendo que não deverão ganhar - mas merecem, pelo que andam a fazer e pelo fator subversivo da coisa - eles são assunto nos principais jornais e televisões europeias. Já vi reportagens sobre eles no britânico "The Guardian", na RTBF belga, na TV5 francesa, já vi o Paulo Futre a mandar uma mensagem de apoio a eles, já vi um pouco de tudo.

Parece que começo a acreditar no impossivel... mas em termos de simpatia e carisma, estão a despertar a curiosidade da Europa. Que continuem assim!

domingo, 6 de março de 2011

Extra-Campeonato: avacalhar o sistema



Costuma-se dizer que "a brincar se dizem coisas sérias", e o que aconteceu ontem à noite no Festival RTP da Canção foi um absoluto "abalo no sistema" quando escolheram como vencedores os Homens da Luta, a dupla constituida por Jel e Carlos Duarte, que são irmãos e há muito eram conhecidos pelo seu humor intreventivo e irreverente, e as suas intrevenções atrevidas, desde entrar em diretos na televisão até participar nas campanhas eleitorais, fazendo... a sua própria campanha.

Vou ser sincero: adorei o resultado de ontem à noite. Sempre achei que o Festival da Canção há muito que deixou de ter qualquer utilidade, e o Eurofestival não é mais do que uma mera troca de favores entre as várias regiões da Europa. Os paises do Leste a votarem em bloco uns com os outros, a trocas de favores entre os paises do Norte, os doze pontos que Grécia e Chipre trocam uns com os outros... há muito que esse "eurofestival" se tornou numa caricatura de si mesmo. Quando acontece, numa das semanas de Maio, só dá vontade de rir. Para não falar das musicas, que numa era da MTV's e quejandos, só tem visibilidade nos seus paises e pouco mais. Depois dos ABBA, não mais uma dessas musicas alcançou os tops euopeus.

Portanto, a melhor maneira de dizermos o que pensamos sobre esse Eurofestival é gozar com ela. Já fizeram no passado, mais concretamente em 2006, quando aqueles finlandeses metaleiros, os Lordi, deram ao seu pais a sua unica vitória na história do Eurofestival, mandando ondas de choque um pouco por toda a Europa e toda a comunidade eurofestivaleira. Nessa altura, adorei.

Claro, quando a votação popular escolheu os Homens da Luta como vencedores, estavam a mandar uma mensagem. Mais do que ser uma mensagem anti-sistema, é uma mansagem a dizer que isto há muito é uma caricatura de si mesmo. E a reacção das pessoas presentes no teatro naquele sábado à noite, com muitos a apuparem e metade das pessoas a abandonarem o local assim que se soube do vencedor, só demonstra o tipo de pessoas ques estavam por ali: absolutamente deslocadas da realidade.

Ver os Homens da Luta em Dusseldorf, em Maio, vai ser engraçado. Perderemos como sempre, mas perderemos com graça. Dêem-lhes, Neto e Falâncio!

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Extra-campeonato: O Eurofestival da Canção

Esta semana quero ver se vario um pouco. Não só porque os meus amigos mais próximos acham que isto está demasiado "Formulaumesco", mas também acho que os que vêm visitar de fora também têm que saber um pouco sobre a nossa cultura e os meus gostos pessoais. E a essa parte vou chamar de "extra-campeonato".


O Eurofestival da Canção é algo que existe há 52 anos, onde participam prá aí uns 50 paises e durante esse tempo, nós nunca gahamos. A vitória no Eurofestival dá ao país vencedor o direito de organizar o Festival do ano seguinte, algo que nunca aconteceu conosco. Mas esse Eurofestival, na altura algo inovador, hoje em dia perdeu todo o seu sentido. Temos uma profusão de canais de musica Europeus (MTV, VH1, VIVA, MCM...), e os nomes consagrados já não ligam nenhuma a isso. O Festival que revelou em 1974 os ABBA, e a Celine Dion 15 anos depois (a cantar pela... Suiça!) já não tem mais o prestigio de outros tempos. E para piorar as coisas, agora as votações são feitas por televoto, logo... as coisas ficaram virtualmente impossiveis para nós, ou para qualquer país ocidental, porque a coisa se transformou numa coutada do Leste Europeu.


E porquê? Porque aquilo é uma troca de favores. Eu explico. Com as transformações no Leste Europeu, em que tivemos mais vinte e tal novos países, eles trocam favores entre si. A solidariedade é forte, e com o televoto, tende a piorar. É a Eslovénia a dar 12 pontos à Croácia, que retribui o favor, é a Russia a dar 12 pontos à Servia, que retribui o favor... Mas não julgem que isso é novo. Suécia, Finlândia, Noruega e Islândia (mais tarde os países balticos), davam os 12 pontos entre si, desde há muitos anos a esta parte. Com um lobby desses, quem os pode combater?


E este ano, reparem: o vencedor (a Sérvia), os cinco primeiros classificados eram todos do Leste europeu. Os últimos classificados eram os países ocidentais, logo, eles começaram a barafustar. Pudera...


Para piorar as coisas, nos anos 90, os irlandeses ganharam aquilo durante quatro anos consecutivos, parecendo que eles tinham feito um acordo com a organização que ficaria com os louros, de forma a albergar o festival durante esse tempo. Até na altura se gozava com aquilo: "O Eurofestival é um concurso com 24 canções cujo vencedor era irlandês". Na terra de Bono, Van Morison e The Corrs, alguém se lembra quem foram os cantores e cantoras vencedoras? Eu os esqueci há muito tempo!

Então porque nós não mandamos isto às malvas? Porque a RTP não quer. Leva as coisas demasiado a sério, embora saiba que a formula é errada. Agora tem aquela coisa chamada "meias-finais", onde nós invariavelmente ficamos sempre. Os primeiros a contar do fim, como de costume... Ora, isso deveria ser encarado como um sinal de alerta para mostrar o que está errado, mas parece que não sabem ou não querem saber.

Para mim, a solução seria "à italiana": a retirada pura e simples do Eurofestival. Mas pronto, eles não querem... tradição, audiências e coisas assim.


E as músicas? Horiveis. Nos últimos 15 anos, não me lembro de nenhuma canção que tenha tido "airplay" na MTV, excepto no ano passado. Mas isso foi uma aberração bem-vinda... E para mim, acho que o Festival do ano passado foi maravilhoso! Afinal de contas, não é todos os dias que se vê uma banda de "heavy metal", os Lordi, que colocam máscaras como os Slipknot, que tomou a Europa de assalto e deu à Finlândia a sua primeira vitória de sempre no Eurofestival. Para mim, foi uma senhora bofetada de luva branca ao que havia antes. Era anormal, logo, era fantástico.


Escrevi nessa altura que esse deveria ser formula ideal para que algum dia os portugueses quisessem verdadeiramente ganhar o Eurofestival: algo diferente. Deveria ser algo étnico (um fado) ou algo "world music" (que tal os Buraka Som Sistema?), ou algo para gozar (aí recomendava o Manuel João Vieira ou o Leonel Nunes). Este ano, foram buscar uma rapariga, a Sabrina, apadrinhada pelo Emanuel, ou seja, mais do mesmo. Não aprendem!