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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

No Nobres do Grid deste mês...


Na Europa da segunda metade do século XX, quem costuma ler banda desenhada - ou livros de quadrinhos, no Brasil - sabe da existência de quatro grandes autores daquilo que se chama de "franco-belga", por causa dos seus autores, ou "linha clara". Esses autores eram o belga Georges Remi, sob pseudónimo "Hergé", que em 1929 criou "Tintin"; os franceses André Franquin, que a meio da década de 50 ficou com o desenho de "Spirou"; Albert Uderzo, que com o argumento de René Goscigny, criaram "Asterix e Obelix" em 1959, e Jean Graton, que em 1957 criou a personagem "Michel Vaillant".

Graton, o último sobrevivente dessa geração, morreu no passado dia 21 de janeiro, aos 97 anos. A sua criação tornou-se num dos pilotos mais conhecidos de toda uma geração. E era ficcional.

Nascido a 12 de agosto de 1923, em Nantes, no cento de França, Graton decidiu desde cedo que iria ser desenhador. Mudou-se para Bruxelas em 1947, porque era o centro do universo da banda desenhada na Europa, e porque depois da II Guerra Mundial, criou-se a revista "Tintin", onde reuniu boa parte dos desenhadores acima referidos - Asterix, Spirou e Michel Vaillant nasceram nas páginas dessa revista. Graton começou a trabalhar na "Tintin" em 1953, e depois de alguns anos a ilustrar histórias de outros autores e fazer histórias desportivas, começa a pensar na sua própria personagem.

Graton era fã de automobilismo, especialmente as 24 Horas de Le Mans. Essa sua paixão queria levá-la para os álbuns de quadrinhos, algo que até então não tinha acontecido, pelo menos não tão fortemente. O nome que escolheu não foi por acaso: Vaillant era francês para "corajoso" e a ideia que Granton queria passar era que não iria virar a cara à luta e triunfaria sobre os seus adversários. Teria um companheiro, o americano Steve Warson, e a equipa Vaillant teria uma rival, a Leader, que faria de tudo para os derrotar, no meio das equipas reais, como a Ferrari, Lotus ou Matra. (...)

Pouco conhecido na América do Sul, a personagem Michel Vaillant é muito conhecida na Europa. Mais de 70 álbuns ao longo de 60 anos granjearam enorme popularidade a Jean Graton, ao nível dos melhores da banda desenhada (ou histórias em quadrinhos no Brasil) no mundo. A sua amizade com pilotos de Formula 1 reais fizeram com que eles entrassem nas suas história, o que seria uma honra - e claro, mais uma oportunidade para se tornarem conhecidos. Entre os que entraram nas suas histórias estavam Jacky Ickx, Alain Prost, Didier Pironi, Francois Cevért e Gilles Villeneuve, entre outros. 

E é um meio de prestar o meu tributo, bem se calhar, de vos fazer conhecer e atiçar a vossa curiosidade, que escrevi sobre ele este mês, no Nobres do Grid.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

A imagem do dia


Na foto, Jean Graton a mostrar o álbum "300 à Hora em Paris" a Patrick Tambay, então piloto da Ferrari, no fim de semana do GP da Holanda de 1983.

O primeiro álbum que li deve ter sido na casa do meu tio, quando tinha os meus dez anos, talvez menos. Tinha a ver com as 24 Horas de Le Mans - acho que era "O Fantasma das 24 Horas" ou algo assim - e fiquei encantado com a história. Alguém a desenhar banda desenhada relacionda com automobilismo, e ainda por cima com qualidade? UAU!

Pouco tempo depois, consegui ler outros álbuns da série, e fiquei com ideia do que isto era. Criado pelo francês Jean Graton, Michel Vaillant era um piloto cuja familia também tinha gasolina nas veias - o pai tinha sido piloto, o irmão também, e agora era o diretor de equipa - e tinha um bom amigo e companheiro de equipa, o americano Steve Warson, que com a sua cabeleira loira, parecia um misto de astronauta do Mercury Seven e o Steve McQueen, e depois tinham os seus nemesis, a Leader, que queria bater a concorrência, incluindo a Vaillant. 

E eles iam a todas: Formula 1, Le Mans, Ralis, IndyCar... um pouco de tudo. Para mim, um dos melhores álbuns foi um que fizeram em 1972, de seu nome "Rush" (não, não e o filme de 2013) em que iam de uma ponta à outra da América, numa espécie de "Rally Raid" com os seus próprios carros. E com Vaillant entravam muitos pilotos reais, amigos do autor. Em alguns albuns poderiam entrar gente como Jacky Ickx, Didier Pironi, Gilles Villeneuve, Francois Cevért, Alain Prost, Patrick Tambay, Thierry Boutsen, Jean Alesi e muitos outros.

Era frequente serem publicados muitos álbuns do Michel Vaillant nos anos 70 e 80 por estas bandas, mas depois perdeu-se o fio à meada, logo, não vi o que andavam a fazer nos últimos tempos, mas de uma certa forma, fui poupado à decadência da qualidade dos álbuns do Graton, que em boa hora - tinha acabado de fazer 80 anos, em 2004 - cedeu a pena ao seu filho Philippe, para que Michel Vaillant sofresse um refrescamento, o que aconteceu nos últimos dez anos, e de uma certa forma recuperou muitos dos amantes da personagem.

Jan Graton, nascido a 10 de agosto de 1923, morreu hoje, 21 de janeiro de 2021, aos 97 anos. Michel Vaillant, a sua maior criação, viverá para sempre.