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sexta-feira, 8 de março de 2024

A(s) image(ns) do dia





Soube-se hoje da morte de Akira Toriyama, o criador de Dragon Ball. Tinha 68 anos e morrera uma semana antes, vitima do rebentamento de um coágulo sanguíneo na sua cabeça. Um recluso na sua vida pessoal, apesar do sucesso das suas criações, o seu funeral foi também privado, e foi apenas dele acontecer é que a sua morte foi anunciada. 

Para quem esteja a coçar a cabeça por aqui sobre qual é a relação entre um criador de mangás e animes com o automobilismo, direi que Toriyama-san... adorava. Seu pai tinha sido mecânico de automóveis e competidor de motociclismo na sua juventude, e em especial, foi um dos muitos que admirawam Ayrton Senna, especialmente no seu período da McLaren-Honda. Milhões de posters oram imprimidos, e posso afirmar que no alto dos meus 14 anos, cheguei a ter um poster das personagens, com o McLaren MP4/6 pendurado na minha parede. 

Foi por essa altura que Toriyama encontrou-se com Ayrton Senna. Foi nos bastidores do GP da Alemanha de 1990, no circuito de Hockenheim, numa altura em que Dragon Ball, o anime criado em 1984, já tinha fama universal. Ele desenhou imagens da personagem principal, Goku, com o macacão da McLaren, e os restantes personagens a fazerem parte da McLaren, comemorando as vitórias do brasileiro como se fossem deles. Com isso, a personagem alcançou ainda mais fama quer dentro, quer fora de portas.

Toriyama, nas poucas ocasiões em que dava entrevistas, sempre que falava desse encontro, afirmava que foi um momento muito especial, que guardou no seu coração. Ele afirmava que quando acontecia um Grande Prémio - que naquela parte do mundo acontece aos domingos à noite - largava os desenhos e ia ver o Grande Prémio, só para ver Senna a correr. 

Mas não foi só com esse carro que desenhou as suas personagens. Se pode ver Goku a bordo de um Porsche 911, também se pode ver outra personagem, a Bluma, que tinha como "daily driver" um Renault 5 Turbo2, de 1984, mostrando o seu amor por carros desportivos e pelo automobilismo.

Um dos grandes nomes no seu meio, a sua morte está a ser muito sentida, mas as suas criações perdurarão. Ars longa, vita brevis.       

quarta-feira, 17 de maio de 2023

A capa do dia


Sempre gostei de Banda Desenhada (histórias em quadrinhos, no Brasil) e Michel Vaillant é dos meus favoritos, também por causa da ligação com o automobilismo.

Primeiro, um pouco de história. Vaillant foi criado em 1957 por Jean Graton (1923-2020), e apareceu nas páginas da revista Tintin, com um sucesso estrondoso. Piloto da equipa Vaillante, co mo seu irmão Jean-Pierre como diretor desportivo, e o americano Steve Warson como seu companheiro de equipa, correu em tudo que era carro, fosse Formula 1, Endurance, Ralis, Dakar e Indy, numa carreira que parecia não acabar nunca, mesmo quando Warson saiu de equipa e foi substituido por pilotos reais. Gente como Jacky Ickx e Didier Pironi, por exemplo, foram "pilotos" da Vaillante.

Graton sénior deixou de desenhar no inicio do século, passando o bastão a Philippe Graton, seu filho, e desde o inicio da década passada, eles partiram com novas aventuras. Pessoalmente, acho que com a nova gerência, depois de Jean Graton, as histórias ficaram melhores, mais "adultas" e mais "obsscuras". E no ano do centenário das 24 horas de Le Mans, aparece uma nova história, passada... em La Sarthe, palco de muitas histórias passadas. "O Fantasma de Le Mans" foi a minha primeira história que li, cortesia do meu tio, mas o meu favorito de sempre continua a ser "Rush" (não é o filme de 2013), de 1969, onde eles correm numa Carrera Panamericana fictícia, entre o Alasca e a Tierra del Fuego, onde Michel Vaillant faz parceria com um piloto real, e o escolhido foi Francois Cevért.

Contudo, a capa da nova aventura do piloto francês deixou-me de sobrolho franzido. Um(a) sniper na capa fez-me logo lembrar de uma das "teorias da conspiração" de Imola, onde, alegadamente, alguém deu um tiro no Williams de Ayrton Senna no dia em que bateu na Tamburello, como a querer criar um mártir do automobilismo (ainda mais?). Provas sobre isso, não existem, e muito afirmam que isso não é possível, acertar em alguém a 300 por hora. Nem mesmo atiradores olímpicos de "skeet" (tiro aos pratos) 

Contudo, como os brasileiros são bem zueiros, tenho pena que o Michel Vaillant não seja publicado por lá (ou se é, não é relevante). Mas a capa da nova aventura do piloto mais famoso do mundo e parece não pendurar o capacete, de certeza irá fazer pensar que tentar atingir um carro em movimento parece ser algo plausível. Ainda por cima... uma atiradora!  

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

No Nobres do Grid deste mês...


Na Europa da segunda metade do século XX, quem costuma ler banda desenhada - ou livros de quadrinhos, no Brasil - sabe da existência de quatro grandes autores daquilo que se chama de "franco-belga", por causa dos seus autores, ou "linha clara". Esses autores eram o belga Georges Remi, sob pseudónimo "Hergé", que em 1929 criou "Tintin"; os franceses André Franquin, que a meio da década de 50 ficou com o desenho de "Spirou"; Albert Uderzo, que com o argumento de René Goscigny, criaram "Asterix e Obelix" em 1959, e Jean Graton, que em 1957 criou a personagem "Michel Vaillant".

Graton, o último sobrevivente dessa geração, morreu no passado dia 21 de janeiro, aos 97 anos. A sua criação tornou-se num dos pilotos mais conhecidos de toda uma geração. E era ficcional.

Nascido a 12 de agosto de 1923, em Nantes, no cento de França, Graton decidiu desde cedo que iria ser desenhador. Mudou-se para Bruxelas em 1947, porque era o centro do universo da banda desenhada na Europa, e porque depois da II Guerra Mundial, criou-se a revista "Tintin", onde reuniu boa parte dos desenhadores acima referidos - Asterix, Spirou e Michel Vaillant nasceram nas páginas dessa revista. Graton começou a trabalhar na "Tintin" em 1953, e depois de alguns anos a ilustrar histórias de outros autores e fazer histórias desportivas, começa a pensar na sua própria personagem.

Graton era fã de automobilismo, especialmente as 24 Horas de Le Mans. Essa sua paixão queria levá-la para os álbuns de quadrinhos, algo que até então não tinha acontecido, pelo menos não tão fortemente. O nome que escolheu não foi por acaso: Vaillant era francês para "corajoso" e a ideia que Granton queria passar era que não iria virar a cara à luta e triunfaria sobre os seus adversários. Teria um companheiro, o americano Steve Warson, e a equipa Vaillant teria uma rival, a Leader, que faria de tudo para os derrotar, no meio das equipas reais, como a Ferrari, Lotus ou Matra. (...)

Pouco conhecido na América do Sul, a personagem Michel Vaillant é muito conhecida na Europa. Mais de 70 álbuns ao longo de 60 anos granjearam enorme popularidade a Jean Graton, ao nível dos melhores da banda desenhada (ou histórias em quadrinhos no Brasil) no mundo. A sua amizade com pilotos de Formula 1 reais fizeram com que eles entrassem nas suas história, o que seria uma honra - e claro, mais uma oportunidade para se tornarem conhecidos. Entre os que entraram nas suas histórias estavam Jacky Ickx, Alain Prost, Didier Pironi, Francois Cevért e Gilles Villeneuve, entre outros. 

E é um meio de prestar o meu tributo, bem se calhar, de vos fazer conhecer e atiçar a vossa curiosidade, que escrevi sobre ele este mês, no Nobres do Grid.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

A imagem do dia


Na foto, Jean Graton a mostrar o álbum "300 à Hora em Paris" a Patrick Tambay, então piloto da Ferrari, no fim de semana do GP da Holanda de 1983.

O primeiro álbum que li deve ter sido na casa do meu tio, quando tinha os meus dez anos, talvez menos. Tinha a ver com as 24 Horas de Le Mans - acho que era "O Fantasma das 24 Horas" ou algo assim - e fiquei encantado com a história. Alguém a desenhar banda desenhada relacionda com automobilismo, e ainda por cima com qualidade? UAU!

Pouco tempo depois, consegui ler outros álbuns da série, e fiquei com ideia do que isto era. Criado pelo francês Jean Graton, Michel Vaillant era um piloto cuja familia também tinha gasolina nas veias - o pai tinha sido piloto, o irmão também, e agora era o diretor de equipa - e tinha um bom amigo e companheiro de equipa, o americano Steve Warson, que com a sua cabeleira loira, parecia um misto de astronauta do Mercury Seven e o Steve McQueen, e depois tinham os seus nemesis, a Leader, que queria bater a concorrência, incluindo a Vaillant. 

E eles iam a todas: Formula 1, Le Mans, Ralis, IndyCar... um pouco de tudo. Para mim, um dos melhores álbuns foi um que fizeram em 1972, de seu nome "Rush" (não, não e o filme de 2013) em que iam de uma ponta à outra da América, numa espécie de "Rally Raid" com os seus próprios carros. E com Vaillant entravam muitos pilotos reais, amigos do autor. Em alguns albuns poderiam entrar gente como Jacky Ickx, Didier Pironi, Gilles Villeneuve, Francois Cevért, Alain Prost, Patrick Tambay, Thierry Boutsen, Jean Alesi e muitos outros.

Era frequente serem publicados muitos álbuns do Michel Vaillant nos anos 70 e 80 por estas bandas, mas depois perdeu-se o fio à meada, logo, não vi o que andavam a fazer nos últimos tempos, mas de uma certa forma, fui poupado à decadência da qualidade dos álbuns do Graton, que em boa hora - tinha acabado de fazer 80 anos, em 2004 - cedeu a pena ao seu filho Philippe, para que Michel Vaillant sofresse um refrescamento, o que aconteceu nos últimos dez anos, e de uma certa forma recuperou muitos dos amantes da personagem.

Jan Graton, nascido a 10 de agosto de 1923, morreu hoje, 21 de janeiro de 2021, aos 97 anos. Michel Vaillant, a sua maior criação, viverá para sempre.

sexta-feira, 20 de julho de 2018

A imagem do dia (III)

Uma imagem da última página do álbum "O Forçado das Galés" (Le Galérien), do álbum Michel Vaillant. Desenhado em 1979, vê-se Jean-Pierre Vaillant, irmão de Michel e diretor da equipa Vaillant, a remar como se fosse um escravo, numa espécie de "comic relief". Atrás dele está o criador, Jean Graton, e alguns dos seus colaboradores. Um deles, à direita na imagem e na mesma fila que Graton, é Claude Viseur, Clovis de nome artístico. 

Desenhador belga, ativo desde meados dos anos 60, não só com passagens Jean Graton, e um dos ilustradores mais conhecidos da linha clara franco-belga, e amante de automobilismo, Clovis morreu ontem em Bruxelas, aos 72 anos de idade.

Sobre a sua vida, ele contava a seguinte história: "Quando era pequeno, se desenhasse nos meus cadernos, era castigado. Hoje em dia, sou pago para desenhar. Que melhor poderia pedir?"

A sua aventura profissional começou em 1967 quando entra no Studio Belvision para desenhar cartoons para os programas televisivos de Asterix, Lucky Luke e Tintin. Foi nessa altura que decidiu ser "Clovis", as abreviaturas de Claude Viseur. Sete anos mais tarde, em 1974, entra nos Studios Graton, a convite de Jean Graton, que se dedica aos álbuns de Michel Vaillant, e lá fica até 1981, colaborando em quinze álbuns.

Depois dessa colaboração, começa a desenhar a solo, primeiro fazendo álbuns de tiragem limitada, e depois, dedicando-se à ilustração, especialmente para revistas.

Entre muitos desenhos, fez muitos de Formula 1, Ralis, Endurance ou Turismos, especialmente quando se envolviam pilotos belgas. Recentemente, ajudou na exposição em tributo a Jacky Ickx, em Bruxelas, onde muitos dos seus desenhos ilustravam os carros que o mítico piloto belga guiou ao longo da sua carreira.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

A imagem do dia

Antes de ver a lista de inscritos para o Mundial de Endurance de 2017, vi no Twitter esta capa: vai ser a nova história de Michel Vaillant, que sairá provavelmente no meio do ano, para coincidir com as 24 Horas de Le Mans. Há um cheiro de ação no ar, e com boas histórias, mas quando vi a lista de inscritos e reparei no nome dos Rebellion é que liguei tudo: os carros serão pintados com as cores da Vaillante, quer na clássica de La Sarthe, quer ao longo do Mundial deste ano.

Quem sabe esta história, sabe que Michel Vaillant está com uma nova série de histórias, escritas pelo filho de Jean Graton, Philippe, e com mais alguns autores e argumentistas. As histórias são atuais, falando sobre automobilismo. Não há muita Formula 1 - quase não há nada - mas existe Formula E e a ascensão e queda da marca Vaillant... mas não foi contra a sua nemesis, a Leader.

Já vi algumas das suas histórias, e são tão boas como existiam no seu auge, nos anos 60. A ideia de passar Vaillant para uma nova geração parece ser cumprida.  

Agora... sei que os carros da equipa suíça usam o numero 13. O mesmo usado... pelos Leader. Como vai ser, eles mudarão de números? Ou a história mostrará algo mais?

quinta-feira, 3 de março de 2016

A vida dele vai dar... uma banda desenhada!

Este ano comemoram-se os 45 anos da morte de Jo Siffert, e também o seu 80º aniversário natalício. Piloto versátil, o suíço pode ter ganho apenas duas corridas na Formula 1, mas foi um dos melhores pilotos da Endurance do seu tempo, onde apesar de ter sido vencedor em Daytona e Sebring, e ajudado a Porsche a ser vencedor na Endurance em 1971, com o mexicano Pedro Rodriguez, não ganhou as 24 Horas de Le Mans.

Em 2006, ele foi o sujeito de um documentário feito por Men Lareida, "Live Fast, Die Young", mas dez anos depois, ele será o sujeito de uma banda desenhada. Desenhado por Olivier Marin, vai estar à venda a partir do dia 22 de junho em paragens francesas. 

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

A imagem do dia

A banda desenhada de Michel Vaillant está a passar por uma renovação, que já vai no quarto álbum. Com Jean Graton reformado (fez agora 92 anos), é o seu filho Phillipe que faz as honras da casa, e convida vários desenhadores para fazer as histórias, que nesta altura não passam de uma grande historia, se tem acompanhado o fio condutor. E esse fio condutor têm uma coisa: eletricidade. 

A aventura da Vaillant nos automóveis elétricos, como forma de sobreviver a um futuro onde os automóveis com motor de combustão interna passarão a ser crescentemente insustentáveis (por serem poluidores e caros) é algo do qual Michel Vaillant e os seus comparsas tem andado a lidar. E agora, no dia em que apresentaram o GP de Paris da Formula E, também apresentaram a capa do novo livro da saga do piloto francês que já guiou de tudo: Formula 1, Le Mans, Ralis, Turismos, Dakar... 

Só faltava a Formula E. Pois agora o veremos a guiar um dos carros da nova Formula, nas ruas de Paris, como fez em 1982, no "Paris a 300 km/hora".

domingo, 16 de agosto de 2015

Quando o patrão vai correr... com Michel Vaillant


Daqui a duas semanas, entre os dias 4 e 6 de setembro, vão acontecer as 24 Horas de Barcelona, e entre os muitos pilotos inscritos está Carlos Tavares. Para quem está fora deste meio, convêm dizer que ele é o presidente da Peugeot. E nos tempos livres, é um excelente "gentleman driver", desde os seus tempos da Renault.

E este ano, Tavares vai alinhar com um Peugeot RCZ ao lado de Denis Gibaud, Jérome Maudet e Jean-Louis Dauger, e com uma decoração invulgar: Michel Vaillant. O mítico piloto, herói de banda desenhada, e criado pelo francês Jean Graton em 1957, irá estar nos flancos do carro, numa altura em que vai aparecer um novo livro da nova coleção, agora que está nas mãos do seu filho, Philippe Graton.

Tavares não vai correr só por prazer: tem uma vitória na classe para defender nesta competição.

sábado, 20 de junho de 2015

Michel Vaillant como arte

Para quem vive na Europa e viveu a sua juventude nos anos 60, 70 e 80, conhece ou leu muitas das aventuras automobilísticas de Michel Vaillant, o piloto francês criado pelo autor Jean Graton. Vaillant, e o seu amigo e companheiro de equipa, o americano Steve Warson, corriam em tudo que tinha quatro rodas e um volante, desde a Formula 1 aos Ralis, passando pelas 500 Milhas de Indianápolis e as 24 horas de Le Mans, muitas vezes contra a sua rival, a Leader.

Pois bem, a francesa Autocult anunciou esta semana que foi feito um conjunto de treze quadros baseados nas várias tiras, e que foram expostos na Festa do ACO, durante as 24 Horas de Le Mans deste ano. O preço dessas obras varia entre os 900 e os 2400 euros, e se quiserem ver o conjunto das obras, podem ir ao site michelvaillantartstrips.com. Pela amostra que coloco aqui (os quadros fazem lembrar a pop-art de Roy Lichtenstein), vale a pena.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O boneco de Perez nos Tooned da McLaren

Bom saber que vai haver um "Tooned", a série animada da McLaren, em 2013. Já havia sinais disso, bem antes do episódio final da temporada, em que se deixa os pilotos no limbo, onde percebemos que Sérgio Perez será o substituto de Lewis Hamilton na equipa.

Pois bem, alguém tirou uma foto na festa de Natal da McLaren e colocou no ar o boneco que Perez vai ser na próxima temporada, antecipando-se aos episódios da série, que começarão a ser colocados no ar em março, quando for o GP da Austrália, prova inaugural de 2013. 

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Contar as memórias de forma diferente

Depois de no inicio do ano, Adam Parr ter ido embora da Williams, após cinco anos de permanência, não se ouviu nada sobre ele. Até agora. O Joe Saward fala hoje no seu blog que o ex-diretor decidiu escrever um livro sobre a sua passagem pela Formula 1. Mas não da forma normal. Na realidade, decidiu fazer em banda desenhada. E deu um nome muito interessante: "A Arte da Guerra", tal como o título do mítico livro da Sun Tzu.

No site onde é apresentado este livro (adamparr.net), o autor explica a razão pelo qual fez este livro, desta forma:

"Escrevi este livro para as pessoas interessadas na Formula 1 - todas as pessoas que como eu, passaram grande parte da sua carreira noutros trabalhos. A competição faz parte do nosso mundo. Formula Um é simplesmente uma competição que vai para além de imensas lógicas e do qual é jogado em frente de 500 milhões de pessoas. A estratégia é navegar no meio das negociatas e nas politicas da Formula Um da mesma forma como se combinam as estratégias a cada final de semana de cada corrida."  

"Neste livro tento mostrar tudo aquilo que acontece nos bastidores da maneira como vi, nos meus cinco anos que estive neste desporto. Decidi escrever o meu livro como uma novela gráfica porque para mim, isto tudo foi um mundo muito visual e muito tangível e do qual foi, acima de tudo, sobre pessoas e entretenimento. É apenas uma perspectiva, mas - espero eu - uma perspectiva diferente."

O livro está desenhado de forma interessante: está em preto e branco, com um ocasional traço a tinta vermelha. Paul Tinker é o autor dessas ilustrações. Para além disso, há um prefacio escrito por Max Mosley, o ex-presidente da FIA.

domingo, 22 de julho de 2012

McLaren Toons - Segundo episódio


Veloz como um raio, eis o segundo episódio da série animada da McLaren, desta vez a ter a ver com a segurança do carro. Cada vez me faz lembrar as velhas cenas do James Bond quando vai ter com o "Q". 

Ah, e os 2.8 segundos do desenho animado foram batidos esta tarde.

Quanto aos troféus, desta vez, mostraram "as cuecas da sorte" do James Hunt.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Grand Prix, o álbum de banda desenhada

Se algum dia me perguntassem para escolher cinco blogs do qual espero mais ansiosamente pelos seus comentários, os que vêm logo à cabeça, sem pensar, são estes: o Cadernos, do Daniel; o Bandeira Verde, do Leandro; o F1 Nostalgia, do Rianov; o F1 Corradi, do Humberto e o francês Memoirs des Stands. Claro que todos os outros são dignos da espera, mas o facto destes serem originais ou que nos trazem algo de novo, significam que a espera é algo do qual vale a pena. No caso do blog francês, hoje me apresenta algo que não vejo frequentemente, fora do universo do Michel Vaillant: um álgum de banda desenhada. Neste caso em particular, trata-se do álbum "Grand Prix", desenhado por Marvano, sobre os anos 30.

O álbum, no seu original francês, já tem dois volumes e o terceiro sairá no próximo 29 de junho em terras gaulesas. E neste terceiro volume, fala-se sobre os anos finais, entre 1937 e 39, com os acidentes mortais de Bernd Rosemeyer e Ernest Von Delius, bem como a ascensão e queda de Richard Seaman e a caminhada para o conflito armado que a cada dia que passava naqueles tempos, era cada vez mais inevitável.

Tal como no caso de Michel Vaillant, há uma mistura de ficção com realidade, mas neste caso, o piloto ficcionado, Henry Tolliver, não parece ser uma personagem tão central como Michel Vaillant. Aqui, ele parece ser mais testemunha dos factos que aconteceram naquele tempo, como o famoso desafio Auto Union-Mercedes, de 28 de janeiro de 1938 e que terminou com a morte de Rosemeyer, ou por exemplo, a última corrida antes da II Guerra Mundial, em Belgrado, vencida por Tazio Nuvolari, num Mercedes, corrida ao mesmo tempo que Grã-Bretanha e França declaravam guerra à Alemanha nazi.

Os desenhos são bem feitos. Espero ver algum dias essas obras traduzidas para português.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

"Rush", a banda desenhada

"Rush" vai ser o filme que estreará, algures em 2013, sobre o duelo entre Niki Lauda e James Hunt, na temporada de 1976, onde o britânico da McLaren levou a melhor sobre o austriaco da Ferrari, com o pavoroso acidente de Nurburgring pelo meio. Ando a acompanhar os tweets de Ron Howard, o realizador que já fez obras como "Apollo 13", e que trabalha sobre o argumento de Peter Morgan, o mesmo que escreveu "Frost/Nixon". Lauda será interpretado pelo ator germano-catalão Daniel Brühl, enquanto que o australiano Chris Helmsworth será o extrovertido piloto britânico James Hunt, falecido em 1993 vítima de ataque cardíaco.

Disso, vocês sabem. Mas o que pouca gente se recorda nestes momentos é que este nome já foi usado uma vez para falar sobre corridas. Foi num livro de banda desenhada, mais concretamente do Michel Vaillant. E Esta "Rush" tem uma história que merece ser contada.

Por estes dias, pequei numa coleção integral - em francês - do Michel Vaillant. Desenhado por Jean Graton desde há mais de 50 anos, graças à sua amizade com varios pilotos, que correram a bordo da equipa azul, ficcionada pelo autor. Jacky Ickx, Didier Pironi e Francois Hesnault foram três desses pilotos, que acompanharam o americano Steve Warson no campeonato do mundo, nas 24 Horas de Le Mans e noutras competições, reais ou ficcionadas. Como aconteceu neste "Rush", desenhado em 1971.

A história é simples: numa altura em que se faziam ralis-maratona, como o Londres-Sidney ou o Londres-México, Graton decidiu inventar uma "Carrera Panamericana" que ia de Yellowknife, no Canadá, a Ushuaia, na Tierra del Fuego argentina, com máquinas que iam desde os tradicionais Renault Torino - uma espécie somente existente na Argentina - passando pelos Ford Escort, Citroen DS19 e o Ford Mustang, e claro, os carros de ficção: os Vaillante Rush e o Leader, a arqui-rival vermelha, que me faz lembrar o Lamborghini Countach.

Michel Vaillant e Steve Warson tinham de fazer simultaneamente de piloto e navegador, pois guiavam numa etapa e navegavam noutra, à medida que passavam das paisagens americanas para a América Central e do Sul, com o transbordo no Panamá, por causa da Darien Gap. E como acompanhante no carro de Vaillant ia mais um piloto real, um jovem em ascensão chamado Francois Cevért.

Basicamente, enquanto que nós vemos os carros a rodarem nas perigosas estradas andinas no México ou Peru, vemos um drama a decorrer. O Torino é guiado por uns misteriosos "Irmãos Perez" - um piscar de olho em tributo a Ricardo e Pedro Rodriguez - que perseguiam os Leader, que tinham raptado e aparentemente morto a sua irmã Ruth, num desejo de vingança. Todos estavam convencidos que ela tinha morrido que há uma cena em que Michel visita uma pequena campa, algures no México, pensando ser a de Ruth. E claro, os Leader perseguiam os Vaillant, no objetivo de ganhar a corrida. E esta concentrava-se nos três carros: o Torino, o Vaillant e o Leader. Todos acabarão na Tierra del Fuego, na vastidão desértica da Patagónia, onde resolverão quaisquer arestas por limar à pancada. Daí o carro a voar na capa.

O livro teve tradução portuguesa em 1974 - lembro-me disso porque um primo meu tinha esse livro - e digo isso porque já nessa altura já se sabia o que tinha acontecido ao piloto francês, morto na qualificação do GP dos Estados Unidos, em Watkins Glen. Dos muitos livros do Vaillant que já li, talvez esse seja dos que mais me marcou. Pela história, por quem lá entrou, pelo desafio e agora, pela coincidência dos nomes.  

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Extra-Campeonato: Aconteceu uma coisa estranha a caminho...

Só hoje à tarde é que recebi a foto, porque o meu amigo que a tirou tinha escrito mal o meu endereço de e-mail. E isto foi o final feliz de algo que não estava nada à espera. Para vos ser franco, eu só fui à FNAC para fazer o cartão de sócio, e fui para o auditório porque não encontrei ninguém que me atendesse nessa altura.

Quando cheguei ao auditório, lembrei-me na minha mente da entrevista que ele dera no dia anterior no Jornal de Leiria. O Filipe Melo, o autor da triologia "Doug Mendonça e Pizza Boy", que é provavelmente o melhor álbum do ano em português, estava a ser apresentado por aqueles dias e jornalista que o entrevistou é um bom amigo meu. Andamos na mesma faculdade em Coimbra - em anos diferentes - e uma das minhas amigas namorou com esse rapaz. Quando lá cheguei, estavam numa espécie de "perguntas e respostas", que eram feitas como se fosse o "Trivial Pursuit". Achava tudo um piadão e decidi alinhar na brincadeira, mal sabendo das consequências, porque pensava que ia ganhar uma t-shirt ou um exemplar do livro autogrfado.

Não. Ganhei uma Erdinger e uma coxa de frango oferecidos pelo autor. O livro fui comprar, mas como autógrafo, pedi-lhe os acordes de "Highway to Hell", dos AC/DC, porque achava que era apropriado para o tema. Acreditem, depois de lerem o livro, é.

Em suma, esta pequena historieta de sexta-feira à noite é um bom exemplo de como a vida nos pode reservar belas surpresas. De uma noite à partida sem história, acabo com uma história para contar por muito tempo. E ainda tive tempo para cumprir o meu objetivo inicial: fiz o cartão de sócio.

P.S: Já me ia esquecendo: a pergunta que me fez ganhar a "cerveja Taça da Alemanha" tinha a ver com quem era a atriz que fazia o papel do Ivan Drago no "Rocky IV". Era a Brigitte Nilsen. 

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Extra-Campeonato: Vasco Granja (1925-2009)

Cada um tem as suas recordações de infância. Uma das minhas, naquelas tardes algures em meados da década de 80, após o meu establecimento definitivo em Portugal, era de ver os desenhos animados apresentados por um tal de Vasco Granja, um senhor muito simpático, com óculos fundo de garrafa, e que fazia explicações aborrecidas sobre os filmes que íamos ver, vindos de paragens desconhecidas, muitas das vezes inexplicáveis para a mente de uma criança como a minha, na altura. Mas na minha ingenuidade de então, desconhecia que estava a ver autênticas obras-primas do cinema de animação, de pessoal como Tex Avery ou Norman McLaren, para além dos intraduzíveis desenhos animados vindos da então Cortina de Ferro, como a Polónia ou a Checoslováquia.


Mas no final, colocava um desenho dos Looney Toons ou da Pantera Cor de Rosa, para entreter os mais novos, consciente, talvez, que nem todos os que viam o seu programa entendiam o que falava ou o que mostrava. Mas também não seria um daqueles inocentes. Quem conhece esses desenhos animados, sabe que o sarcasmo é norma…


Esse senhor, Vasco Granja, foi o homem que mais fez pela divulgação da banda desenhada em Portugal. Morreu esta madrugada, na sua casa de Cascais, aos 83 anos, vitima de complicações derivadas da Doença de Alzheimer.


Na sua elegia que li esta tarde no jornal “Público”, desconhecia que o termo “banda desenhada”, que designa os "comics" em Portugal, tinha sido cunhada por ele, num artigo do Diário Popular de 1966. Uma expressão feliz, que creio que vai ser a mais duradoira. Mas há mais, muito mais. Nascido a 10 de Julho de 1925, não frequentou qualquer universidade, trabalhou sempre, primeiro nos Armazéns do Chiado, passando pela Tabacaria Travassos e acabando na Livraria Bertrand até à reforma, em 1990. Era ligado ao Partido Comunista Português, e por causa disso, foi preso por duas vezes durante o Estado Novo, primeiro em 1954 e depois em 1963.


Sendo sempre um homem de letras, descobre o cinema de animação em 1958, quando começa a ver os filmes experimentais do canadiano Norman McLaren. Dez anos depois, colabora na versão portuguesa da revista “Spirou”, e em 1978, ajuda a fundar a primeira livraria especializada em Portugal, “O Mundo da Banda Desenhada”.


Por essa altura, Vasco Granja já tinha o seu programa na RTP. Começou em 1974, pouco depois do 25 de Abril, e durou até 1990, altura em que se reformou. Teve mais de 1000 emissões e divulgou sistematicamente as grandes escolas internacionais do género, influenciando toda uma geração de jovens e crianças, sendo o grande divulgador da Banda Desenhada em Portugal. Para mim, que fiz parte dessa geração que cresceu com Vasco Granja, este deve ter sido o seu maior legado. Ars lunga, vita brevis. Ou então, neste caso em particular, caro Vasco... Koniec!