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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Contar as memórias de forma diferente

Depois de no inicio do ano, Adam Parr ter ido embora da Williams, após cinco anos de permanência, não se ouviu nada sobre ele. Até agora. O Joe Saward fala hoje no seu blog que o ex-diretor decidiu escrever um livro sobre a sua passagem pela Formula 1. Mas não da forma normal. Na realidade, decidiu fazer em banda desenhada. E deu um nome muito interessante: "A Arte da Guerra", tal como o título do mítico livro da Sun Tzu.

No site onde é apresentado este livro (adamparr.net), o autor explica a razão pelo qual fez este livro, desta forma:

"Escrevi este livro para as pessoas interessadas na Formula 1 - todas as pessoas que como eu, passaram grande parte da sua carreira noutros trabalhos. A competição faz parte do nosso mundo. Formula Um é simplesmente uma competição que vai para além de imensas lógicas e do qual é jogado em frente de 500 milhões de pessoas. A estratégia é navegar no meio das negociatas e nas politicas da Formula Um da mesma forma como se combinam as estratégias a cada final de semana de cada corrida."  

"Neste livro tento mostrar tudo aquilo que acontece nos bastidores da maneira como vi, nos meus cinco anos que estive neste desporto. Decidi escrever o meu livro como uma novela gráfica porque para mim, isto tudo foi um mundo muito visual e muito tangível e do qual foi, acima de tudo, sobre pessoas e entretenimento. É apenas uma perspectiva, mas - espero eu - uma perspectiva diferente."

O livro está desenhado de forma interessante: está em preto e branco, com um ocasional traço a tinta vermelha. Paul Tinker é o autor dessas ilustrações. Para além disso, há um prefacio escrito por Max Mosley, o ex-presidente da FIA.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Noticias: Adam Parr abandona a Williams

Um dia depois de Bruno Senna ter chegado ao sexto lugar do GP da Malásia, a Williams anuncia oficialmente que Adam Parr se demitiu do seu cargo de diretor executivo da equipa fundada por Sir Frank Williams. A demissão terá efeito esta sexta-feira, dia 30 de março, e o seu substituto será Nick Rose, antigo diretor da Diageo, que tem marcas como a Johnny Walker. Num comunicado oficial divulgado no site, Frank Williams reagiu à sua saída, agradecendo a Parr os serviços prestados: 

Pedi a Adam para que se juntasse à Williams no final de 2006 no intuito de me ajudar no dia-a-dia da nossa equipa. Nos últimos cinco anos, os feitos de Adam ultrapassaram as minhas expectativas e ao qual só tenho palavras de agradecimento pelos seus serviços. Não só pelo papel desempenhado na parte técnica, como também nas mudanças que fizemos no ano passado, na transição para uma firma cotada na bolsa, cujos frutos começam agora a ser mostrados.", começou por declarar.

"Adam deixa-nos de modo amigavel para perseguir outros objetivos na vida, do qual lhe desejo a melhor das sortes. Deixou-nos numa boa situação e estou confiante que todos nós na direção, iremos levar a Williams rumo a um futuro promissor", concluiu.

A noticia até podia ser esperada em alguns sítios, mas a altura em que é dada acontece de modo surpreendente, pois a Williams está numa fase em que parece recuperar muito do seu prestígio perdido no ano passado, com Bruno Senna e Pastor Maldonado a fazerrem boas performances com o FW34, que este ano tem motores Renault. Contudo, as tensões dentro da equipa, principalmente com Christian "Toto" Wolff, o sócio minoritário da Williams, como a sua incapacidade de arranjar grandes patrocinadores nos últimos cinco anos, fazendo com que dependesse de pilotos pagantes, como Pastor Maldonado e Bruno Senna, em detrimento de Rubens Barrichello, levaram a que o lugar de Parr estivesse em perigo durante muito tempo, do qual apenas teve o apoio de Frank Williams. 

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

5ª Coluna: A história da equipa sem cabeça

Imaginem o seguinte cenário: o patriarca sente que os seus dias estão contados, mas não cede o poder. O seu numero dois dá um passo para o lado, e uma espécie de numero três é o chefe. Todos o detestam, porque demonstrou incessantemente que é incapaz de tomar boas decisões ou de arranjar dinheiro, e de repente, descobrem que o dinheiro escasseia e poderão ter de vender as pratas. Toda a gente quer correr dele de casa, mas estão de mãos atadas porque o patriarca confia cegamente nele. O que fazer? Esperar para que ele reforma ou morra para poderem agir? E quando isso acontecer, não será tarde demais?

Já adivinharam que ando a falar da Williams.

Ao ler nas últimas semanas a novela sobre a possível contratação de Kimi Raikkonen, que só esta semana é que se admitiu a existência de negociações para a sua contratação, vejo que em certos aspectos, parece que o legendário Frank Williams perdeu o controlo da situação. Christian "Toto" Wolff, o parceiro minoritário da equipa, disse que Raikkonen visitou as instalações de Grove a seu convite, e que as negociações envolviam a entrada de um grande patrocinador, que pagaria parte do salário do finlandês. Só que das muitas noticias que li sobre esse assunto não me esclareceram quem é que está na frente destas negociações. Será o Adam Parr, o mesmo Adam Parr que em mais de três anos não conseguiu nenhum patrocinador "graúdo" quando viu muitos dos outros patrocinadores irem embora? Se sim, não acredito neste negócio.

Mas mesmo que este negócio vá para a frente, eu continuo a manifestar o meu cepticismo em relação às capacidades de Kimi Raikkonen na Formula 1. Tem fama de ser um piloto veloz, mas para comunicar com os engenheiros, é uma múmia. Lembro-me, certo dia, em fins de 2009, que quando Felipe Massa começou a trabalhar com Fernando Alonso, tinha trocado mais ideias numa tarde com o piloto espanhol do que seis meses com o finlandês. Assim sendo, num projeto totalmente novo como vai ser o FW34, em 2012, com motores Renault, etc e tal, o finlandês vai prejudicar mais do que beneficiar uma equipa desesperadamente necessitada de dinheiro e de um projeto que dê certo. É que, se as coisas se mantiverem assim, vai acabar o ano com apenas... cinco pontos.

Ai, acho que as alternativas Adrian Sutil ou até Bruno Senna sejam mais baratas e mais benéficas em termos técnicos do que uma alternativa cara e inútil. Sutil tem cinco milhões de euros de patrocínio, enquanto que Bruno Senna talvez tenha um pouco mais. E talvez o custo/benefício seja bastante maior do que um piloto que define as suas temporadas em janeiro, pede demasiado dinheiro para correr e mostra um ar de "estou a marimbar-me para isto tudo". Quase me pergunto se o Kimi não foi uma daqueles campeões por acaso. E se sim, direi que, em termos históricos, gosto mais de outro campeão por acaso e seu compatriota, o Keke Rosberg...

Mas, acreditando que o "impossivel" acontece e Kimi faça o seu retorno à Formula 1, fico a pensar: quem vai recolher os louros da sua contratação? Toto Wolff, que o convidou a ver as facilidades de Grove? Adam Parr, o homem mais odiado da equipa e provavelmente a pessoa que está a apressar o fim dela? Ou Sir Frank Williams, o homem mais persistente da história do automobilismo? Nesta "equipa sem cabeça", a sensação que tenho é que mesmo com contratações a peso de ouro, os dias de glória não voltarão a aparecer tão cedo. Não confio no piloto que querem e não vejo quem pegará na equipa com "mão de ferro" para tomar um rumo aos tempos de glória.

P.S: Como sabem, os rumores sobre este caso abundam por estes dias, mas esta manhã, enquanto escrevia isto, surgiram as declarações de que Kimi Raikkonen confirmou que estava em negociações "mas que não assinou nada". Pode não trazer nada de especial, mas há quem diga que este é um sinal de que ele declinou o convite. Uma coisa é certa: é cada vez mais certo que nada vai ser anunciado em Abu Dhabi, neste final de semana.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

As dúvidas que tenho sobre o regresso de Kimi Raikkonen

Ontem surgiram noticias, especialmente da cadeia de televisão finlandesa MTV3, que afirmavam que Kimi Raikkonen iria regressar à formula 1 em 2012, com um anuncio oficial no próximo dia 12 de novembro, em Abu Dhabi, quando a Williams iria anunciar o acordo com o Qatar National Bank. esse acordo iria custar 30 milhões de dólares, 15 milhões dos quais para o piloto de 32 anos, que está desde 2010 no mundo dos ralis, onde não faz feio.

Digo – e defenderei tal tese enquanto for possivel – que não acredito muito que Adam Parr consiga arrancar um acordo deste tipo. Durante a sua fase na equipa britânica, Parr nunca conseguiu um acordo relevante com um patrocinador, e pelo contrário, viu fugir patrocinadores durante este tempo. Phillips, AT&T, McGregor... todos eles decidiram ou diminuir o valor desses patrocinios ou pura e simplesmente abandonar.

Aliás, conheço relativamente bem a história de que Parr negociou um acordo com a petrolifera angolana Sonangol, negócio esse que não o levou a lado algum. E eu tenho dúvidas que Parr, que tem contra ele toda a equipa, menos Frank Williams, desta vez consiga o “tal” negócio que melhore os cofres de uma equipa cada vez mais debilitada. E ainda por cima, conseguir um Kimi Raikkonen que depende de “humores”, como todos sabem. Mas a memória dos adeptos é curta e selectiva...

O Luis Vasconcelos, jornalista da Autosport portuguesa, escrevia sobre este caso na edição desta semana, ainda antes das noticias vindas a público em Helsinquia:

KIMI RAIKKONEN LONGE DA DECISÃO

O Qatar National Bank quer Kimi Raikkonen sob contrato para avançar com o patrocinio à Williams. Mas o finlandês não se deixa pressionar

Kimi Raikkonen está longe de decidir o seu futuro e não vai apressar uma decisão quanto ao seu programa desportivo para 2012, apesar da enorme pressão de Adam Parr está a fazer sobre o seu manager, Steve Robertson, para que o finlandês assine rapidamente um contrato com a equipa de Grove.

Parr está a utilizar o nome do antigo campeão do mundo nas suas negociações com o Banco Nacional do Qatar, que já duram há quase dois anos e estão longe de se poder considerar bem encaminhadas. Os árabes há muito que tem recebido propostas para financiarem equipas de F1 – da McLaren à Mercedes, passando pela Sauber, Toro Rosso e Virgin, mas até agora não se tem mostrado minimamente inclinados em integrar-se numa modalidade que já atraiu empresas de países vizinhos, como o Bahrein, Abu Dhabi ou o Dubai.

O mau desempenho da Williams nos últimos dois anos, que vai culminar no final desta temporada com o menor pecúlio dos últimos 34 anos de história como construtor independente, também não são própriamente uma fonte de encorajamento para os presponsáveis do QNB (Qatar National Bank). Mas se um piloto de primeiro plano, como Kimi Raikkonen, regressasse à F1 com a Williams, isso garantiria, pelo menos numa primeira fase, um enorme retorno mediático, o que pode ser um atrativo para os responsáveis pelo departamento de marketing do banco.

A GALINHA E O OVO

O principal problema que Adam Parr não consegue ultrapassar, segundo fontes da Williams, é que o QNB só pondera avançar para um patrocinio da equipa se esta já tiver Raikkonen sob contrato, e os responsáveis do finlandês não aceitam assinar qualquer contrato sem a garantia de que a equipa vai ter fundos para poder trabalhar rapidamente e sair da má situação desportiva em que se encontra. Ou seja, Parr parece encurralado numa situação em que as duas partes esperam que a outra dê o primeiro passo, o que o coloca num impasse negocial do qual poderá ter enormes dificuldades em sair.

Acresce que não falta na Williams quem questione a lógica de contratar Raikkonen, argumentando que o finlandês poderá perder rapidamente a motivação caso o FW34 não seja substancialmente melhor do que o chassis deste ano. E, de fato, não se vê como é que um piloto campeão do mundo poderá motivar-se para lutar por um lugar na Q2, que é o que Barrichello e Maldonado têm vindo a fazer nesta segunda metade do Mundial.

Acresce-se que a AT&T não parece na disposição de renovar o contrato de patrocinio que a liga há cinco anos à Williams, o que deixa ainda mais à vista os problemas financeiros da escuderia de Grove. E como os árabes não querem ser utilizados como salvadores da pátria, preferindo integrar estruturas mais sólidas, o negócio pode soçobrar, o que deixará a Williams enterrada na maior crise da sua longa história.

PARR JOGA FUTURO

Adam Parr poderá estar a jogar uma das suas últimas cartadas à frente da Williams nesta tentativa de garantir o patrocinio milionário do Banco Nacional do Qatar e consequente contratação de Kimi Raikkonen. Há muito que se sabe que o inglês tem o fortíssimo apoio de Frank Williams, mas a sia promoção interna foi uma das principais razões para Patrick Head se ter decidido afastar da equipa de F1 para se concentrar em projetos híbrido da marca de Grove.

Recentemente, Parr entrou em conflito com Toto Wolff, o segundo acionista mais importante da Williams, e agora está seguro apenas pelo apoio de Sir Frank. A decisão de entregar a direção técnica a Mike Coughlan e Mark Gillian deixou toda a gente espantada no “paddock”, pois nenhum deles tem boa cotação no mercado. Por isso, se o FW34 não obtiver bons resultados e se falhar tanto a contratação de Raikkonen como as negociações com o patrocinador árabe, Parr poderá vir a ter os seus dias contados na Williams, e por consequência, na F1.

Em suma, depois de ler o que o Luis Vasconcelos escreveu, confesso desconhecer o que é que se passou dento da Williams para que os dados se tenham alterado em 180 graus. Mas caso as noticias vindas da Finlândia sejam verdadeiras, pode-se dizer que por um lado, a equipa fica salva e tem condições para sair do atoleiro em que se encontra. E também se poderá dizer que Adam Parr, por uma vez, conseguiu levar o seu barco a bom porto. Mas honestamente, só acreditarei vendo.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

O uso do nome Raikonnen para ganhar mais publicidade

Pois é: parece que, tal como aconteceu em 2010, no caso da Renault, o nome de Kimi Raikkonen foi de novo usado por outra equipa para atrair patrocinadores. Pelo menos, é isso que faz transparecer no artigo que o Luis Vasconcelos publica no Autosport esta semana, onde Raikonnen ainda não transpareceu o que irá fazer em 2012, pois ainda não descartou um regresso, embora este seja uma hipótese mínima.

E também neste artigo, outra coisa que se transpira são as tensões no seio da Williams, onde as relações entre Adam Parr e um dos sócios, Christian "Toto" Wolff, já alcançaram o ponto de ruptura, o que pode piorar as coisas, caso Frank Williams mantenha a confiança em Parr e Wolff saia de cena.

"WILLIAMS USA RAIKONNEN

O nome de Kimi Raikonnen está a ser usado pela equipa de Grove na tentativa de aliciar patrocinadores. Haverá fumo sem fogo?


A Williams está a tentar passar a ideia de que está próxima de assinar um contrato com Raikonnen, numa manobra que visa atrair patrocinadores para a equipa. Sabe-se que há mais de dois anos que Adam Parr tenta convencer o Qatar Bank a ser o principal patrocinador da Williams, sem sucesso, depois de terem sobroçado as negociações com a Sonangol, e, segundo boa parte dos observadores do paddock, esta é apenas mais uma forma de tentar convencer os árabes a investirem na equipa de Grove.
Sendo certo que Kimi Raikkonen esteve na fábrica da equipa inglesa entre os GP's da Belgica e da Itália, e também o finlandês não tem planos definidos para o próximo ano, mas mesmo que quisesse regressar à Formula 1 - motivação em que é dificil de acreditar, porque implicaria correr em 20 eventos e uma carga de trabalho do qual o nórdico é avesso - dificilmente Raikkonen o faria com a Williams, pois chegar aos pontos seria sempre complicado e o finlandês está habituado a lutar pelas vitórias.

NEGOCIAÇÕES NEGADAS

Falando do que poderá acontecer em 2012, Raikkonen disse que "por norma, só divulgo os meus programas em janeiro e este ano as coisas não serão diferentes". Segundo Steve Robertson, que está a gerir a sua carreira, "está tudo em aberto, pois tanto o Kimi pode continuar no Mundial de Ralis, como fazer corridas de NASCAR, um pouco de Sport-Protótipos ou mesmo regressar à Formula 1. Estamos a avaliar todas as possibilidades e, depois, iremos ver quais as portas que estão abertas".

Contudo, quando lhe foi perguntado diretamente por um colega da televisão finlandesa MTV3, se existiam negociações em curso na Williams, foi taxativo: "Não estamos a negociar com a Williams!" Ou seja, a visita à fábrica aconteceu, mas apenas para Raikkonen conhecer a estrutura e ver o potencial da Williams, não para iniciar negociações com vista à assinatura de um contrato. Conhecendo o temperamento do finlandês, esta utilização do seu nome para outros fins deverá desagradar-lhe bastante e fechar definitivamente as portas a um eventual entendimento com a Williams.

PILOTOS PAGANTES NA LISTA DE GROVE

Se a ligação a Raikkonen está a ser exagerada para atraír patrocinadores, no dia a dia, a williams continua a negociar com pilotos capazes de trazer cinco milhões de euros para a equipa. Mas Sutil, o primeiro da lista de Parr, perfere esperar por uma decisão da Force India antes de assinar com outra equipa, enquanto Petrov perfere continuar na renault se esta o confirmar no próximo ano.

Por isso, Jules Bianchi, Gierdo van der Garde e Charles Pic também estão sob a mira da Williams, que corre o risco de vir a alinhar com dois pilotos pagantes no Mundial de 2012.

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CONFLITO PARR-WOLFF

O péssimo desempenho da Williams no Mundial deste ano e as decisões tomadas quanto ao futuro próximo levaram a que "Toto" Wolff, o segundo maior acionista da equipa, e Adam Parr, tivessem uma forte discussão depois do GP de Itália, cortando relações e deixando Frank Williams em situação complicada. Por um lado, Frank Williams deposita confiança cega em Parr; por outro, sabe que só Wolff tem capacidade financeira para fazer a sua equipa sobreviver, para além de ser o gestor de Valteri Bottas, campeão da GP3 em que Sir Frank Williams deposita enormes esperanças.

Se muitos elementos da williams desejam, sem o poderem dizer publicamente, que este confronto o leve ao afastamento de Parr, que é muito impopular entre os seus funcionários, a maior parte acreditar que Sir Frank vai continuar a defendê-lo, arriscando-se mesmo a perder a colaboração de Wolff e o contrato de Bottas. Uma decisão que poderia precipitar a equipa para uma crise ainda maior do que aquela que já atravessa, até porque os seus elementos mais competentes estão todos, abertamente, à procura de emprego noutras equipas."

sexta-feira, 17 de junho de 2011

O "Combate dos Chefes" entre Jean Todt e Bernie Ecclestone

Os eventos do GP do Bahrein foram mais um episódio da polémica entre FIA e FOM, com a FOTA à espreita para ver como isto vai parar. Tudo isto tem a ver com poder e dinheiro, como sabem. O poder tem a ver com o calendário e os regulamentos, e o dinheiro tem a ver com a distribuição das receitas entre as equipas e os detentores dos direitos. E como na Formula 1, como sabem, se movem centenas de milhões de dólares, do qual todos querem a sua quota-parte, e como se aproximam cada vez mais as negociações para renovar o Pacto de Concórdia, a ideia de uma cisão da Formula 1 volta a espreitar-se, em caso extremo, como explica hoje o Luis Fernando Ramos, o Ico.

Contudo, esta semana no semanário português Autosport, Luis Vasconcelos explica o que foi o episódio da polémica sobre a colocação e retirada do GP do Bahrein de 2011, para o dia 30 de outubro. De como isso foi uma "armadilha" colocada por Bernie Ecclestone para desacreditar Jean Todt, e do qual caiu que nem um pato. E de como a FOTA, por outro lado, fez valer a sua posição para que a hipótese barenita caisse de vez. E agora, ela, em contra-ataque, decidiu criticar fortemente Ecclestone e a FOM, dando a ideia de que se vai abrir uma nova frente. Estamos já em plena tempestade...

TODT E ECCLESTONE EM GUERRA

Todt e Ecclestone estão em guerra aberta, com as equipas a assistir, prontas para tirar o máximo desta disputa que ameaça mudar a face da Formula 1.

A forma como a situação do GP do Bahrein foi gerida é bem representantiva do conflito entre os dois homens que, em última análise, decidem os destinos da F1.

Depois da FIA ter surpreendido toda a gente ao recolocar o GP do Bahrein no calendário deste ano, com base num relatório feito pelo espanhol Carlos Garcia, o líder da FOM veio a público dizer que, afinal, era pouco provável que as alterações do calendário fossem avante, pois sem o acordo das equipas isso não era possivel.


Ora, Ecclestone sabia muito bem que esse era o caso, pois o que prevê o Código Desportivo Internacional, e no GP do Mónaco as equipas tinham deixado bem clara a sua oposição à recolocação do GP do Bahrein e à extensão da temporada até meados de dezembro. Ou seja, Ecclestone deixou uma casaca de banana no camnho de todt e o francês, empurrado pelo incrivel relatório de Garcia, caiu de forma clamorosa.

FIA ACUSA ECCLESTONE

Face a estes acontecimentos e a uma declaração da FOTA em que esta manifestava a oposição das equipas à decisão do Conselho Mundial - sem nunca referir as questões ligadas aos direitos humanos no Bahrein, mas atendendo-se apenas a questões logísticas e de segurança do seu pessoal - Jean Todt requereu que Bernie Ecclestone submetesse novo calendário para aprovação da FIA, sublinhando que "o calendário do Mundial de F1 é da exclusiva responsabilidade do detentor dos direitos comerciais e foi por proposta sua que recolocamos o GP do Bahrein no Mundial deste ano".

Face à publicidade da discussão, acabaram por ser os responsáveis do GP do Bahrein a anunciar publicamente que renunciavam a organizar a sua corrida este ano, libertando a FIA e Ecclestone de um fardo. Mas nem isso acalmou a ira de Todt, que fez publicar uma cronologia dos acontecimentos em que garantia que no dia em que a prova foi efetivamente anulada, Ecclestone tinha feito nova proposta para organizar o GP do Bahrein no dia 4 de dezembro, uma semana depois do GP do Brasil.


EQUIPAS NA EXPECTATIVA

Numa altura em que estão em conflito com Ecclestone na discussão do que será a divisão dos lucros da F1, as equipas estão a aproximar-se cada vez mais de Jean Todt e da FIA, pois este também pretende que a Federação receba mais dinheiro por parte do detentor dos direitos comerciais da F1, depois de ter percebido que as receitas vão diretamente para o Instituto da FIA - que ainda é controlado por próximos de Mosley - e não para a estrutura administrativa da Federação.

É na tentativa de ter as equipas como aliadas que Todt está disposto a adiar a introdução dos motores muito para além de 2013, como estava previsto, admitindo-se mesmo que se alie às escuderias na criação de um novo campeonato, gerido comercialmente pela FOTA e do ponto de vista desportivo e técnico pela FIA, abandonando Ecclestone, que tem contratos com alguns circuitos para além do final de 2012 mas tem cada vez menos trunfos na mão.

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PARR ATACA ECCLESTONE

Adam Parr lançou um violento ataque a Bernie Ecclestone durante o fórum que a FOTA organizou para os adeptos da F1 em Montreal. O patrão da Williams insinuou que o lider da FOM está ultrapassado, com consequências para o valor que a F1 gera globalmente.


Parr explicou que "existem milhares de imagens muito interessantes que nunca são vistas, porque o Bernie limita o que as televisões podem mostrar e também não estamos a aproveitar os enormes fontes de receita que são a Internet e as novas tecnologias. Não é possível que o campeonato turco de futebol possa gerar as mesmas receitas que o Campeonato do Mundo de F1 e a NFL garanta oito vezes mais receitas que a nossa competição. Há que seguir novos caminhos, talvez com novas pessoas a dirigir a parte comercial, pois o modelo atual está esgotado."


Se Martin Withmarsh, também presente nessa reunião, tentou suavizar a pílula, Parr abriu mais um campo de batalha entre as equipas e Ecclestone, neste clima de todos contra todos que se vive no paddock da F1.